Unifica¸
c˜
ao das generaliza¸
c˜
oes do teorema de
Banach-Stone para os espa¸
cos C
0
(K, X)
Fabiano Carlos Cidral
Tese apresentada
ao
Instituto de Matem´
atica e Estat´ıstica
da
Universidade de S˜
ao Paulo
para
obtenc
¸˜
ao do t´ıtulo
de
Doutor em Ciˆ
encias
Programa: Matem´atica
Orientador: Prof. Dr. El´oi Medina Galego
Durante o desenvolvimento deste trabalho o autor recebeu aux´ılio financeiro da CAPES. Junho de 2014
Unifica¸
c˜
ao das generaliza¸
c˜
oes do teorema de
Banach-Stone para os espa¸
cos C
0(K, X)
Agradecimentos
Agrade¸co a Deus todas as oportunidades concedidas e as pessoas especiais que colocou no meu caminho. Como dizia Jorge Amado, “A vida me deu muito mais do que eu pedi e muito mais do que eu mereci”.
Aos meus pais, Antonio Carlos Cidral e Rose maria Back cidral, e ao meu irm˜ao, Felipe Carlos Cidral, que sempre me incentivaram em cada etapa da minha vida.
A minha namorada, Cristiane Warmling dos Santos, agrade¸co por todo amor, carinho, paciˆencia e compreens˜ao durante todo esse per´ıodo de muito estudo. Agrade¸co tamb´em, de maneira muito especial, a fam´ılia da Cristiane por todo carinho e apoio nessa trajet´oria dif´ıcil. Ao meu orientador, Professor El´oi Medina Galego, por acreditar em mim e por todos os conhecimentos adquiridos durante essa caminhada. Agrade¸co tamb´em, a sua paciˆencia em sanar todas a minhas d´uvidas e a sua generosidade enorme.
Ao Professor da UFSC, Ivan Pontual Costa e Silva, pela amizade e confian¸ca que muito me ajudaram a prosseguir nesta caminhada nada f´acil. Os seus ensinamentos e conselhos foram fundamentais em todas as etapas de minha forma¸c˜ao acadˆemica.
A Professora, Daniela Mariz Silva Vieira, pelo excelente curso de Espa¸cos de Banach ministrado no segundo semestre de 2012 e pela oportunidade de poder apresentar um semin´ario sobre o Teorema de Banach-Stone para os demais alunos.
A todos os meus amigos, em especial Jo˜ao Carlos Bez Batti, Lucas Ramiro Talarico, Andr´e Vanderlinde, Maur´ıcio Zahn, Michael Rinc´on, Estefhan Dazzi Wandekokem, Thiago de Brum e Jo˜ao Gon¸calves pela convivˆencia, lealdade e compreens˜ao.
A Coordena¸c˜ao de Aperfei¸coamento de Pessoal de N´ıvel Superior pelo apoio financeiro. “A mente que se abre a uma nova id´eia jamais voltar´a ao seu tamanho original.” Albert Einstein
Resumo
Dado um espa¸co localmente compacto Hausdorff K e um espa¸co de Banach X, C0(K, X)
representa o espa¸co de Banach das fun¸c˜oes cont´ınuas em K com valores em X que se anulam no infinito com a norma do supremo. No presente trabalho, unificaremos e melhoraremos v´arias generaliza¸c˜oes do teorema cl´assico de Banach-Stone para os espa¸cos C0(K, X) devidas
a Cambern, Amir, Behrends e Jarosz. No caso em que X = lp com 2 ≤ p < ∞, nossos
Abstract
Let C0(K, X) denote the Banach space of all X-valued continuous functions defined on the
locally compact Hausdorff space K which vanish at infinity, provided with the supremum norm. In the present work, we unify and strengthen several generalizations of the classical Banach-Stone theorem for C0(K, X) spaces due to Cambern, Amir, Behrends and Jarosz. In
Conte´
udo
Introdu¸c˜ao xiii
1 Preliminares 1
1.1 No¸c˜oes de topologia . . . 1
1.2 Espa¸cos de Banach . . . 7
1.2.1 Conceitos e resultados b´asicos . . . 7
1.2.2 Generaliza¸c˜oes do teorema de Banach-Stone . . . 13
1.3 Medidas vetoriais . . . 20
2 Propriedades do parˆametro λ(X) 25 2.1 Propriedades auxiliares . . . 25
2.2 Propriedade fundamental . . . 29
3 O bidual dos espa¸cos C0(K, X) 31 3.1 Resultados auxiliares . . . 31
3.2 Representa¸c˜ao do bidual de C0(K, X) . . . 33
4 Demonstra¸c˜ao do resultado principal para os espa¸cos C0(K, X) 35 4.1 Observa¸c˜oes iniciais . . . 35
4.2 Resultado principal . . . 37
4.3 Consequˆencias do resultado principal . . . 46
5 Sobre outra generaliza¸c˜ao do teorema de Banach-Stone obtida por Jarosz 49 5.1 O teorema de Jarosz . . . 49
Introdu¸
c˜
ao
Neste trabalho K indica o conjunto dos n´umeros reais R ou o conjunto dos n´umeros complexos C. Dado um espa¸co localmente compacto Hausdorff K e um espa¸co de Banach X, C0(K, X) representa o espa¸co de Banach das fun¸c˜oes cont´ınuas em K com valores em
X que se anulam no infinito com a norma do supremo. No caso em que K ´e compacto, o espa¸co C0(K, X) ser´a denotado por C(K, X). Em particular, se X = K, esses espa¸cos ser˜ao
identificados, respectivamente, por C0(K) e C(K). Al´em disso, se existe um isomorfismo T
de X em Y com kT−1k kT k < λ para algum 1 < λ < +∞, a nota¸c˜ao ser´a X <λ∼ Y . A bola unit´aria de X e a esfera unit´aria de X ser˜ao identificadas por BX e SX respectivamente.
O Teorema Cl´assico de Banach-Stone afirma que a topologia de um espa¸co compacto Hausdorff K ´e determinada pela estrutura m´etrica linear do espa¸co C(K). Mais precisamente, se K e L s˜ao espa¸cos compactos Hausdorff e existe uma isometria linear T de C(K) sobre C(L) ent˜ao K e L s˜ao homeomorfos (nota¸c˜ao, K ≈ L). Esse resultado foi obtido para os espa¸cos de fun¸c˜oes com valores reais por Banach em 1933 para espa¸cos compatos m´etricos [4] e estendido por Stone em 1937 para espa¸cos compactos Hausdorff arbitr´arios [40]. Em 1947, Arens e Kelly provaram o resultado para os espa¸cos de fun¸c˜oes com valores complexos [3]. Al´em disso, o resultado ainda ´e verdadeiro para os espa¸cos C0(K) e C0(L) essencialmente com
a mesma prova [5].
Amir [2] e Cambern [9, 10] generalizaram independentemente o teorema de Banach-Stone provando que
C0(K) <2
∼ C0(L) =⇒ K ≈ L. (1)
Note que (1) ´e maximal no sentido que 2 ´e o maior n´umero poss´ıvel nesse contexto [11, 19]. Em 1974, Cambern [10] come¸cou a estudar se generaliza¸c˜oes do teorema de Banach-Stone para espa¸cos de fun¸c˜oes com valores vetoriais eram poss´ıveis. Sendo assim, ele obteve a
ent˜ao
C0(K, X) <√2
∼ C0(L, X) =⇒ K ≈ L. (2)
Obviamente (1) n˜ao ´e um corol´ario de (2). Onze anos depois, Cambern conseguiu a primeira extens˜ao vetorial de (1) para espa¸cos compactos Hausdorff K e L. De fato, ele provou em [14, p. 244] que para todo espa¸co de Banach uniformemente convexo X,
C(K, X)<α∼ C(L, X) com α = 1 1 − δX(1)
=⇒ K ≈ L. (3)
Como δR(1) = 1/2, segue que (3) generaliza (1) para espa¸cos compactos Hausdorff K e L. Em 1988, Beherends e Cambern [7] concentraram suas aten¸c˜oes em isomorfismos com pequenas distor¸c˜oes entre espa¸cos C0(K, X). Dessa forma, eles melhoraram o teorema de
Cambern (3) mostrando que os espa¸cos uniformente convexos tˆem a propriedade isom´orfica de Banach-Stone ( IBSP) [6]. Mais precisamente, eles demonstraram em [7, p. 24] que se λB−C(X∗) > 1 ent˜ao C0(K, X) <α ∼ C0(L, X) com α = 11λB−C(X∗) 1 + 10λB−C(X∗) =⇒ K ≈ L. (4)
De fato, uma vez que ||T ||||T−1|| = 1 + δ < α e λB−C(X∗) > 1 ent˜ao δ satisfaz a condi¸c˜ao
0 < δ < λB−C(X
∗) − 1
1 + 10λB−C(X∗)
. (5)
Logo, pelo Teorema 3.4 de [7], os espa¸cos uniformente convexos tˆem a propriedade IBSP pois 0 < 1 + δ
1 − 10δ < λB−C(X
∗). (6)
Uma observa¸c˜ao interessante ´e que a condi¸c˜ao λB−C(X∗) > 1 coincide no caso real com o fato
que X ´e um espa¸co uniformemente n˜ao quadrado. Portanto, espa¸cos uniformente convexos X tem a propriedade λB−C(X∗) > 1 [7, p. 16].
Um ano depois, Jarosz [31] investigava -isometrias sobrejetivas entre espa¸cos de Banach de fun¸c˜oes cont´ınuas com valores vetoriais.
Como consequˆencia, ele obteve uma nova prova para o teorema de Behrends e Cambern (4) mas com uma constante α diferente. Jarosz definiu o parˆametro
µ(X) := sup{min{kx1+ λx2k : |λ| = 1} : x1, x2 ∈ SX}
e mostrou em [31, p. 313] que se µ(X∗) < 2 ent˜ao
C0(K, X) <α
∼ C0(L, X) com α =
4
2 + µ(X∗) =⇒ K ≈ L. (7)
Um fato importante ´e que a condi¸c˜ao µ(X∗) < 2 ´e equivalente `a condi¸c˜ao λB−C(X∗) > 1, veja
Observa¸c˜ao 2.2. O ponto de partida do nosso trabalho ´e a seguinte inequa¸c˜ao envolvendo as constantes α do teorema de Behrends e Cambern (4) e do teorema de Jarosz (7):
11λB−C(X∗)
1 + 10λB−C(X∗)
< 4
2 + µ(X∗), (8)
para todo espa¸co de Banach real X, veja Proposi¸c˜ao 2.3.
Dessa forma, tendo em vista (4), (7) e (8) ´e natural perguntar se ´e poss´ıvel melhorar ainda mais a constante do teorema de Jarosz (7) pelo menos no caso real. Com o objetivo de oferecer uma resposta afirmativa para o problema acima (Teorema 1 e Observa¸c˜ao 2.5), precisamos considerar um novo parˆametro introduzido por Jarosz em [31].
Dado um espa¸co de Banach X, Jarosz associou ao espa¸co X o parˆametro λ(X) := inf{max{kx1+ λx2k : |λ| = 1} : x1, x2 ∈ SX}.
A condi¸c˜ao λ(X) > 1 ´e equivalente a condi¸c˜ao µ(X∗) < 2, veja Observa¸c˜ao 2.2. Assim, podemos enunciar o principal resultado desse trabalho em termos da constante de Banach-Stone BS(X).
Teorema 1 Se X um espa¸co de Banach real com λ(X) > 1 ou um espa¸co de Banach complexo reflexivo com λ(X) > 1 ent˜ao λ(X) ≤ BS(X).
Teorema 1 foi inspirado por outro teorema de Jarosz. Em [31, p. 299], ele mostrou que se X ´e um espa¸co de Banach com λ(X) > 1 e K e L s˜ao espa¸cos m´etricos localmente compactos ent˜ao
C0(K, X) <α
∼ C0(L, X) com α = λ(X) =⇒ K ≈ L. (9)
Nossa principal tarefa ´e estender o resultado de Jarosz (9) para espa¸cos localmente compactos Hausdorff arbitr´arios K e L no caso em que X ´e um espa¸co de Banach real ou um espa¸co de Banach complexo reflexivo.
A seguir destacaremos as principais consequˆencias do Teorema 1.
Primeiramente, observe que o resultado de Amir e Cambern (1) segue diretamente dele pois λ(K) = 2. Al´em disso, o resultado de Cambern (2) tamb´em segue imediatamente do Teorem 1, pois λ(X) = √2 para todo espa¸co de Hilbert X de dimens˜ao finita maior do que ou igual a 2 [31, p. 298].
Para mostar que o Teorema 1 melhora o resultado de Cambern (3), provaremos na Observa¸c˜ao 2.1 que para todo espa¸co de Banach uniformemente convexo X com dimens˜ao maior do que ou igual a 2,
1 1 − δX(1)
< λ(X).
Mais ainda, Teorema 1 tamb´em melhora o resultado de Behrends e Cambern (4). De fato, mostraremos na Proposi¸c˜ao 2.4 que para todo espa¸co de Banach X com λB−C(X∗) > 1,
11λB−C(X∗)
1 + 10λB−C(X∗)
< λ(X).
No caso em que X ´e um espa¸co de Banach real, Teorema 1 melhora o resultado de Jarosz (7) pois na Proposi¸c˜ao 2.5 demonstraremos que
4
2 + µ(X∗) < λ(X). (10)
No caso em que X ´e um espa¸co de Banach complexo reflexivo, o resultado de Jarosz (7) ´
e um corol´ario do Teorema 1 pois na Observa¸c˜ao 2.6 provaremos que para todo espa¸co de Banach X
4
2 + µ(X∗) ≤ λ(X). (11)
Finalmente, na Proposi¸c˜ao 2.7, mostraremos que o Teorema 1 ´e maximal para os espa¸cos de Banach X = lp com 2 ≤ p < ∞. Mais precisamente, mostraremos que
BS(X) = λ(X) = 21/p. (12) O restante do trabalho est´a organizado da seguinte maneira.
No cap´ıtulo 1, para fixarmos algumas nota¸c˜oes e conceitos, lembraremos as no¸c˜oes b´asicas de topologia, espa¸cos de Banach e medidas vetoriais. Nesse mesmo cap´ıtulo apresentaremos alguns resultados desses trˆes t´opicos que ser˜ao utilizados na tese.
No cap´ıtulo 2, apresentaremos propriedades importantes do parˆametro λ(X), sendo que a principal delas ter´a um papel primordial na demonstra¸c˜ao do Teorema 1. No cap´ıtulo 3, introduziremos uma representa¸c˜ao do bidual dos espa¸cos C0(K, X) an´aloga aquela obtida por
Cambern em [13] para os espa¸cos C(K, X). Esse resultado ser´a fundamental na prova do Teorema 1. No cap´ıtulo 4, provaremos o Teorema 1 e suas principais consequˆencias.
Finalmente, no cap´ıtulo 5, consideramos a ´ultima generaliza¸c˜ao do teorema de Banach-Stone para os espa¸cos C0(K, X) que encontramos na literatura. Ela foi obtida por Jarosz.
Ent˜ao mostramos que no caso em que X e X∗ tenha a mesma constante de James, esse resultado tamb´em ´e uma consequˆencia do teorema principal desta tese. A considera¸c˜ao do caso em que X e X∗ n˜ao tˆem a mesma constante de James levou-nos a uma conjectura envolvendo essa constante de espa¸cos de Banach.
Cap´ıtulo 1
Preliminares
Neste cap´ıtulo apresentaremos algumas defini¸c˜oes e resultados b´asicos da topologia geral que que ser˜ao utilizados de maneira impl´ıcita ao longo do nosso trabalho.
1.1
No¸
c˜
oes de topologia
Defini¸c˜ao 1.1 Uma topologia em um conjunto X ´e uma cole¸c˜ao τ de subconjuntos de X, chmados abertos de X, satisfazendo as seguintes condi¸c˜oes:
(1) O conjunto vazio e o conjunto X pertencem a τ ; (2) Qualquer uni˜ao de elementos de τ ´e um elemento τ ; (3) Qualquer interse¸c˜ao finita de elementos de τ pertence a τ .
Neste caso, dizemos que (X, τ ) ´e um espa¸co topol´ogico, que naturalmente abreviaremos para X quando n˜ao houver perigo de ambiguidade ou de imprecis˜ao. Um subconjunto F de X ´e chamado de fechado se o seu complementar for aberto, isto ´e, X − F ∈ τ .
Defini¸c˜ao 1.2 Sejam X e Y espa¸cos topol´ogicos. Uma fun¸c˜ao f : X → Y ´e cont´ınua quando, para todo aberto B em Y , a imagem inversa f−1(B) ´e um aberto em X.
Observa¸c˜ao 1.3 A rela¸c˜ao (g ◦f )−1(B) = f−1(g−1(B)) mostra que a composta g ◦f : X → Z de duas fun¸c˜oes cont´ınuas f : X → Y e g : Y → Z ´e uma fun¸c˜ao cont´ınua.
Defini¸c˜ao 1.4 Sejam τ e τ0 duas topologias em X. Dizemos que τ ´e mais fina do que τ0 quando τ0 ⊂ τ , isto ´e, quando todo aberto segundo τ0 for necessariamente aberto segundo τ .
Analogamente, dizemos que τ ´e menos fina do que τ0 quando τ ⊂ τ0.
Exemplo 1.5 Sejam S um conjunto arbitr´ario, X um espa¸co topol´ogico e f : S → X uma fun¸c˜ao. A cole¸c˜ao τ das imagens inversas f−1(B) dos abertos B de X ´e uma topologia em S poisS λf −1(B λ) = f−1( S λBλ) e f−1(B1) ∩ f−1(B2) ∩ · · · ∩ f−1(Bn) = f−1(B1∩ B2∩ · · · ∩ Bn).
A topologia τ ´e chamada topologia induzida em S pela fun¸c˜ao f : S → X.
Observa¸c˜ao 1.6 Se S tem a topologia induzida pela fun¸c˜ao f : S → X ent˜ao, pela pr´opria defini¸c˜ao, a imagem inversa f−1(B) de cada aberto B de X ´e aberto em S. Sendo assim, f : S → X ´e cont´ınua. Al´em disso, qualquer outra topologia em S na qual f : S → X seja cont´ınua deve conter como abertos pelo menos os conjuntos f−1(B) com B aberto de X. Portanto, a topologia induzida por f : S → X ´e a menos fina dentre todas as topologias em S que tornam a fun¸c˜ao f : S → X cont´ınua. Essa propriedade caracteriza a topologia induzida. Observa¸c˜ao 1.7 O caso particular mais importante da topologia induzida ´e aquele em que S ⊂ X e f ´e a aplica¸c˜ao inclus˜ao i : S → X. Nessa situa¸c˜ao, dado B ⊂ X aberto temos que i−1(B) = B ∩ S. Sendo assim, a topologia induzida por i : S → X em S tem como abertos as interse¸c˜oes B ∩ S dos abertos B de X com o subconjunto S. Munido com essa topologia, S ´e chamado um subespa¸co do espa¸co topol´ogico X.
Defini¸c˜ao 1.8 Seja X um espa¸co topol´ogico e x ∈ X. Dizemos que V ´e uma vizinhan¸ca de x quando existe um aberto U ⊂ X tal que x ∈ U ⊂ V . Quando a vizinhan¸ca V ´e um conjunto aberto, dizemos que V ´e uma vizinhan¸ca aberta de x.
Defini¸c˜ao 1.9 Seja X um espa¸co topol´ogico e x ∈ X. Dizemos que uma cole¸c˜ao Vx de
subconjuntos de X ´e um sistema fundamental de vizinhan¸cas de x quando as seguintes condi¸c˜oes forem satisfeitas:
(1) Cada V em Vx ´e uma vizinhan¸ca de x;
Preliminares 3
Defini¸c˜ao 1.10 Se Vx ´e um sistema fundamental de vizinhan¸cas de um ponto x ∈ X e se os
elementos de Vx s˜ao conjuntos abertos, ent˜ao dizemos que Vx ´e uma base local para o ponto
x ou que Vx ´e um sistema fundamental de vizinhan¸cas abertas de x.
Defini¸c˜ao 1.11 Sejam X e Y espa¸cos topol´ogicos. Um homeomorfismo h : X → Y ´e uma fun¸c˜ao cont´ınua cuja inversa h−1 : Y → X tamb´em ´e uma fun¸c˜ao cont´ınua.
A seguir, introduziremos o conceito de redes, que ´e uma generaliza¸c˜ao do conceito de sequˆencia muito ´util na descri¸c˜ao de topologias em geral. As redes foram introduzidas por E. Moore e H. Smith em 1922.
Defini¸c˜ao 1.12 Um conjunto dirigido ´e um par (B, ≤) na qual ≤ ´e uma dire¸c˜ao no conjunto B, isto ´e, uma rela¸c˜ao em B tal que:
(1) β ≤ β para todo β ∈ B;
(2) Se β1, β2, β3 ∈ B, β1 ≤ β2 e β2 ≤ β3 ent˜ao β1 ≤ β3;
(3) Para todos β1, β2 ∈ B existe β3 ∈ B tal que β1 ≤ β3 e β2 ≤ β3.
Defini¸c˜ao 1.13 Uma rede em um conjunto X ´e uma fun¸c˜ao R : B → X, em que B ´e um conjunto dirigido. Usualmente se denota R(β) por xβ, e neste caso nos referimos `a rede
(xβ)β∈B.
Defini¸c˜ao 1.14 Dizemos que uma rede (xβ)β∈Bno espa¸co topol´ogico X converge para x ∈ X
e neste caso escrevemos xβ → x, se para cada vizinhan¸ca U de x existe β0 ∈ B tal que xβ ∈ U
para todo β ≥ β0.
Exemplo 1.15 Sejam X um espa¸co topol´ogico, x ∈ X e Vx um sistema fundamental de
vizinhan¸cas de x. A rela¸c˜ao de continˆencia invertida U1 ≤ U2 ⇔ U2 ⊆ U1 torna Vx um
conjunto dirigido. Nesse caso, escolhendo xU ∈ U para cada U ∈ Vx, temos uma rede (xU)U ∈Vx
em X que converge para x.
Proposi¸c˜ao 1.16 Sejam X e Y espa¸co topol´ogicos. Uma fun¸c˜ao Uma fun¸c˜ao f : X → Y ´e cont´ınua se, e somente se, f (xβ) → f (x) para toda rede (xβ)β∈B em X tal que xβ → x.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [8, p. 356].
Os espa¸cos topol´ogicos mais interessantes satisfazem ainda a condi¸c˜ao de que pontos distintos podem ser “separados” por abertos disjuntos.
Defini¸c˜ao 1.17 Um espa¸co topol´ogico X ´e espa¸co de Hausdorff quando, dados dois pontos arbitr´arios x 6= y em X, existe abertos A, B ⊂ X tais que x ∈ A, y ∈ B e A ∩ B = ∅.
Proposi¸c˜ao 1.18 Se X ´e um espa¸co topol´ogico de Hausdorff ent˜ao {x} ´e um subconjunto fechado para todo x ∈ X.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [35, p. 65].
Proposi¸c˜ao 1.19 (Unicidade do limite) Um espa¸co X ´e de Hausdorff se, e somente se, toda rede em X converge para no m´aximo um elemento de X.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [8, p. 356].
Defini¸c˜ao 1.20 Seja X um espa¸co topol´ogico e S ⊂ X. Um ponto x ∈ X ´e aderente a S quando toda vizinhan¸ca de x em X cont´em pelo menos um ponto de S.
O conjunto dos pontos de X que s˜ao aderentes a S ´e chamado fecho de S cuja nota¸c˜ao ´e S. Defini¸c˜ao 1.21 Seja X um espa¸co topol´ogico, V um espa¸co vetorial e f : X → V uma fun¸c˜ao. O suporte de f ´e o conjunto supp(f ) = {x ∈ X / f (x) 6= 0}.
Defini¸c˜ao 1.22 Seja X um espa¸co topol´ogico e S ⊂ X. Um ponto x ∈ X ´e um ponto de acumula¸c˜ao de S quando toda vizinhan¸ca de x em X cont´em pelo menos um ponto de S distinto do ponto x. O conjunto dos pontos de acumula¸c˜ao de S ´e chamado derivado de S cuja nota¸c˜ao ´e S0.
Defini¸c˜ao 1.23 Seja X um espa¸co topol´ogico e S ⊂ X. Um ponto x ∈ X ´e um ponto isolado de S quando x ∈ X − S0.
Preliminares 5
Exemplo 1.24 Se X ´e um espa¸co topol´ogico e A ⊆ X ´e um subconjunto finito ent˜ao seus elementos s˜ao pontos isolados.
Defini¸c˜ao 1.25 Seja X um espa¸co topol´ogico e S ⊂ X. Uma cobertura de S ´e uma fam´ılia C = (Cλ)λ∈Lde subconjuntos de X com S ⊂Sλ∈LCλ. Dizemos que uma cobertura C ´e aberta
(fechada) quando os conjuntos Cλ s˜ao abertos (fechados). Do mesmo modo, dizemos que C
´e uma cobertura finita, enumer´avel ou n˜ao-enumer´avel quando o conjunto L de ´ındices ´e finito, enumer´avel ou n˜ao-enumer´avel.
Defini¸c˜ao 1.26 Seja X um espa¸co topol´ogico, S ⊂ X e C = (Cλ)λ∈L uma cobertura de S.
Uma subcobertura de C ´e uma subfam´ılia C0 = (Cλ0)λ0∈L0 com L0 ⊂ L que ainda ´e uma
cobertura de S.
Defini¸c˜ao 1.27 Um espa¸co topol´ogico X ´e compacto quando toda cobertura aberta de X possui uma subcobertura finita. Um subconjunto S ⊂ X de um espa¸co topol´ogico X ´e um subconjunto compacto quando S com a topologia induzida de X ´e um espa¸co compacto. Exemplo 1.28 Todo espa¸co topol´ogico finito ´e evidentemente compacto.
Proposi¸c˜ao 1.29 Seja X um espa¸co topol´ogico compacto. Se F ⊂ X ´e fechado ent˜ao F ´e compacto.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [35, p. 178].
Proposi¸c˜ao 1.30 Seja X um espa¸co topol´ogico de Hausdorff. Se K ⊂ X ´e um subconjunto compacto ent˜ao K ´e fechado em X.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [35, p. 179].
Proposi¸c˜ao 1.31 Sejam X e Y espa¸cos topol´ogicos e f : X → Y uma fun¸c˜ao cont´ınua. Se K ⊂ X ´e um subconjunto compacto de X ent˜ao f (K) ´e um subconjunto compacto de Y .
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [35, p. 179].
Proposi¸c˜ao 1.32 Se X ´e um espa¸co topol´ogico compacto ent˜ao toda fun¸c˜ao real cont´ınua f : X → R ´e limitada e atinge os seus extremos.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [35, p. 180].
Defini¸c˜ao 1.33 Um espa¸co topol´ogico X ´e normal quando para todo par de conjuntos fe-chados F, G ⊂ X com F ∩ G = ∅ existem abertos U, V ∈ X tais que F ⊂ U , G ⊂ V e U ∩ V = ∅.
Proposi¸c˜ao 1.34 (Lema de Urysohn) Se X ´e um espa¸co normal e F, G ⊂ X s˜ao conjuntos fechados disjuntos ent˜ao existe uma fun¸c˜ao cont´ınua f : X → [0, 1] tal que f (x) = 0 para todo x ∈ F e f (x) = 1 para todo x ∈ G.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [35, p. 233].
Defini¸c˜ao 1.35 Um espa¸co topol´ogico X ´e localmente compacto quando todo ponto x ∈ X possui uma vizinhan¸ca compacta.
Exemplo 1.36 Todo espa¸co topol´ogico compacto X ´e localmente compacto pois o espa¸co inteiro ´e uma vizinhan¸ca compacta de qualquer um dos seus pontos.
Proposi¸c˜ao 1.37 Se X ´e um espa¸co localmente compacto Hausdorff ent˜ao as vizinhan¸cas compactas de cada ponto x ∈ X constituem um sistema fundamental de vizinhan¸cas.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [35, p. 199].
Preliminares 7
1.2
Espa¸
cos de Banach
1.2.1
Conceitos e resultados b´
asicos
Para facilitar o leitor lembraremos nesta subse¸c˜ao alguns resultados bem conhecidos da geome-tria de espa¸cos de Banach. Alguns deles ser˜ao usados mais para frente sem men¸c˜ao implicita. Defini¸c˜ao 1.38 Seja X ´e um espa¸co vetorial. Uma norma em X ´e uma fun¸c˜ao || · || : X → R que satisfaz as seguintes propriedades:
(a) ||x|| ≥ 0 para todo x ∈ X; (b) ||x|| = 0 se e somente se x = 0;
(c) ||λx|| = |λ|||x|| para todo λ ∈ K e x ∈ X; (d) ||x + y|| ≤ ||x|| + ||y|| para todo x, y ∈ X
Observa¸c˜ao 1.39 A desigualdade (d) ´e chamada de desigualdade triangular. O espa¸co vetorial X munido com a norma || · || ´e chamado de espa¸co normado. O espa¸co X ´e chamado de espa¸co de Banach se for completo com rela¸c˜ao `a m´etrica natural d(x, y) = x − y.
A seguir, veremos alguns exemplos de espa¸cos de Banach.
Exemplo 1.40 Sejam K um espa¸co localmente compacto Hausdorff e X um espa¸co de Ba-nach. Vamos denotar por C0(K, X) o espa¸co de todas as fun¸c˜oes cont´ınuas definidas em K e
com valores em X que se anulam no infinito, isto ´e, para cada existe um compacto M ⊂ K tal que ||f (x)|| < para todo x /∈ M . Defina em C0(K, X) a fun¸c˜ao || · || : C0(K, X) → R
dada por
||f || = sup
x∈K
||f (x)||.
Sendo assim, || · || : C0(K, X) → R ´e uma norma em C0(K, X) e C0(K, X) ´e um espa¸co de
Banach.
Exemplo 1.41 Dado 1 ≤ p < ∞, seja lp = {x = (xj)j∈N⊂ K /
P∞
j=1|xj|p < ∞}. Defina em
lp a fun¸c˜ao || · || : lp → R dada por
||x|| = ( ∞ X j=1 |xj|p) 1 p.
Exemplo 1.42 Seja l∞ = {x = (xj)j∈N ⊂ K / sup |xj| < ∞}. Defina em l∞ a fun¸c˜ao
|| · || : l∞→ R dada por ||x|| = sup |xj|. Sendo assim, || · || : l∞→ R ´e uma norma em l∞ e l∞
´
e um espa¸co de Banach.
Exemplo 1.43 Seja (X, Σ, µ) um espa¸co de medida, ou seja, X ´e um conjunto n˜ao-vazio, Σ ´
e uma σ-´algebra de subconjuntos de X e µ : Σ → [0, ∞] ´e uma medida. Dado 1 ≤ p < ∞, denotaremos por Lp(X, Σ, µ) o conjunto das classes de equivalˆencias das fun¸c˜oes mensur´aveis
f : X → K tais que RX|f |
pdµ < ∞ dada pela rela¸c˜ao f ∼ g quando f (x) = g(x) µ-quase
sempre. Condidere a fun¸c˜ao || · || : Lp(X, Σ, µ) → R dada por
||[f ]||p = (
Z
X
|f |pdµ)1p.
Sendo assim,|| · || : Lp(X, Σ, µ) → R ´e uma norma e Lp(X, Σ, µ) ´e um espa¸co de Banach.
Defini¸c˜ao 1.44 Dois espa¸cos de Banach X e Y s˜ao isomorfos quando existe uma aplica¸c˜ao linear cont´ınua bijetiva T : X → Y cuja inversa tamb´em ´e uma aplica¸c˜ao linear cont´ınua. Neste caso, a aplica¸c˜ao T ´e uma isomorfismo.
Defini¸c˜ao 1.45 Sejam X e Y espa¸cos de Banach isomorfos e T : X → Y um isomorfismo. A distor¸c˜ao de T ´e o n´umero ||T ||||T−1||.
Defini¸c˜ao 1.46 A distˆancia de Banach-Mazur entre espa¸cos de Banach X e Y isomorfos ´
e d(X, Y ) = inf{ ||T || ||T−1|| : T : X→Y ´e isomorfismo}.
Defini¸c˜ao 1.47 Dois espa¸cos de Banach X e Y s˜ao isometricamente isomorfos quando existe um isomorfismo T : X → Y tal que, para todo x ∈ X, tem-se ||T (x)|| = ||x||. Neste caso, a aplica¸c˜ao T ´e uma isometria.
Defini¸c˜ao 1.48 Sejam X um espa¸co de Banach. O dual de X, representado por X∗, ´e o conjunto de todos os funcionais lineares de X, isto ´e, o conjunto de todas as aplica¸c˜oes lineares cont´ınuas φ : X → R.
Preliminares 9
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [8, p. 35].
Proposi¸c˜ao 1.50 Se 1 ≤ p < ∞ ent˜ao o dual de lp ´e isometricamente isomorfo `a lq em que
1 < q ≤ ∞ e 1p +1q = 1.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [8, p. 87].
Defini¸c˜ao 1.51 Seja X um espa¸co de Banach. O dual de X∗, representado por X∗∗, ´e o bidual de X.
Proposi¸c˜ao 1.52 Seja X um espa¸co de Banach e J : X → X∗∗ dada por J (x)(φ) = φ(x). A aplica¸c˜ao J ´e um isomorfismo isom´etrico entre X e um subespa¸co de X∗∗.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [8, p. 89].
Observa¸c˜ao 1.53 A aplica¸c˜ao J : X → X∗∗ ´e chamada imers˜ao canˆonica.
Defini¸c˜ao 1.54 Um espa¸co de Banach X ´e chamado reflexivo quando J ´e sobrejetora. Exemplo 1.55 Dado 1 < p < ∞, o espa¸co lp ´e reflexivo.
Exemplo 1.56 Os espa¸cos l1 e l∞ n˜ao s˜ao espa¸cos reflexivos.
Proposi¸c˜ao 1.57 Um espa¸co de Banach X ´e reflexivo se e somente X∗ tamb´em ´e reflexivo. Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [8, p. 94].
Teorema 1.58 Se K ´e um espa¸co topol´ogico localmente compacto ent˜ao existe um espa¸co topol´ogico compacto tal que C0(K)∗∗ ∼= C(Z). Al´em disso, se K0 ´e o conjunto dos pontos
isolados de Z ent˜ao cada ponto de K0 ´e da forma tx para algum x ∈ K, em que t : K → Z ´e
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [20, p. 42].
Defini¸c˜ao 1.59 Seja X ´e um espa¸co vetorial. Um produto interno em X ´e uma fun¸c˜ao <>: X × X → R que satisfaz as seguintes propriedades:
(a) < x + y, z >=< x, z > + < y, z >; (b) < λx, z >= λ < x, z >;
(c) < x, z > =< z, x >; (d) < x, x >≥ 0;
(e) < x, x >= 0 se e somente se x = 0
Defini¸c˜ao 1.60 Um espa¸co vetorial X com produto interno ´e um espa¸co de Hilbert quando for completo com a norma definida pelo produto interno.
Exemplo 1.61 l2 ´e um espa¸co de Hilbert pois < (xj)j∈N, (yj)j∈N >=
P∞
j=1xjyj define um
produto interno.
Proposi¸c˜ao 1.62 Todo espa¸co de Hilbert X ´e reflexivo. Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [8, p. 128].
Teorema 1.63 (Teorema de Hahn-Banach) Sejam X um espa¸co normado e M um subespa¸co de X. Se φ0 ∈ M∗ ent˜ao existe φ ∈ X∗ tal que φ(x) = φ0(x) para todo x ∈ M e ||φ|| = ||φ0||.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [8, p. 60].
Corol´ario 1.64 Seja X um espa¸co normado. Dado x0 ∈ X n˜ao nulo, existe φ ∈ X∗ tal que
Preliminares 11
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [8, p. 60].
Defini¸c˜ao 1.65 Um espa¸co de Banach X ´e chamado uniformemente convexo se para todo 0 < ≤ 2 existe 0 < δ < 1 tal que para todo x, y ∈ X satisfazendo
||x|| = ||y|| = 1 e ||x − y|| ≥ temos x + y 2 ≤ 1 − δ.
Defini¸c˜ao 1.66 Seja X um espa¸co de Banach. Dado 0 ≤ ≤ 2, o m´odulo de convexidade de X ´e definido por
δX() = inf{1 −
1
2||x + y|| / ||x|| = ||y|| = 1 e ||x − y|| ≥ }. Proposi¸c˜ao 1.67 Se X ´e um espa¸co de Banach e 0 ≤ 1 < 2 ≤ 2 ent˜ao
δX(2) − δX(1)
2 − 1
≤ 1 − δX(1) 2 − 1
.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [28, Teorema 3.1].
Proposi¸c˜ao 1.68 Se X ´e um espa¸co de Banach uniformemente convexo ent˜ao o m´odulo de convexidade δX ´e estritamente crescente em [0, 2].
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [33, p. 276].
Proposi¸c˜ao 1.69 Se X ´e um espa¸co de Banach, ent˜ao para todo 0 < ≤ 2,
δX() ≤ 1 −
r 1 −
2
4. Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [38, p. 15].
Proposi¸c˜ao 1.70 (Desigualdades de Clarkson) Se 2 ≤ p < ∞ e x, y ∈ Slp ent˜ao
2(kxkp+ kykp)q−1 ≤ kx + ykq+ kx − ykq
em que 1/p + 1/q = 1. Por outro lado, se 1 < p ≤ 2 e x, y ∈ Slp ent˜ao
kx + ykq+ kx − ykq ≤ 2[kxkp+ kykp]q−1
em que 1/p + 1/q = 1.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [18, p. 400].
Como consequˆencia das desigualdades de Clarkson, segue os pr´oximos exemplos. Exemplo 1.71 Se 1 < p < ∞ ent˜ao lp ´e uniformemente convexo.
Exemplo 1.72 Se 1 < p < ∞ ent˜ao Lp(X, Σ, µ) ´e uniformemente convexo.
Proposi¸c˜ao 1.73 Se X ´e espa¸co de Hilbert ent˜ao X ´e uniformemente convexo. Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [27, p. 1].
Proposi¸c˜ao 1.74 Se X ´e um espa¸co uniformemente convexo ent˜ao X ´e reflexivo.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [21, p. 147].
Defini¸c˜ao 1.75 Um espa¸co de Banach X ´e uniformemente n˜ao quadrado quando existe 0 < δ < 1 tal que para todo x, y ∈ X com ||x|| = ||y|| = 1 temos que
||x + y|| ≤ 2(1 − δ) ou ||x − y|| ≤ 2(1 − δ). Exemplo 1.76 Se 1 < p < ∞ ent˜ao lp ´e uniformemente n˜ao quadrado.
Preliminares 13
Exemplo 1.77 O espa¸co de Banach l1 n˜ao ´e um espa¸co uniformemente n˜ao quadrado.
Proposi¸c˜ao 1.78 Se X ´e um espa¸co uniformemente convexo ent˜ao X ´e uniformemente n˜ao quadrado.
Demonstra¸c˜ao. Segue imediatamente da defini¸c˜ao.
A seguir, vamos recordar uma topologia muito importante no estudo dos espa¸cos de Banach. Defini¸c˜ao 1.79 Seja X um espa¸co de Banach e J : X → X∗∗a imers˜ao canˆonica. A topologia fraca-estrela* de X∗ ´e a topologia menos fina tal que todos os funcionais lineares na imagem J (X) s˜ao cont´ınuos.
Proposi¸c˜ao 1.80 Se X um espa¸co de Banach ent˜ao X∗ munido com a topologia-fraca* ´e um espa¸co topol´ogico Hausdorff.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [8, p. 152].
1.2.2
Generaliza¸
c˜
oes do teorema de Banach-Stone
Nesta subse¸c˜ao apresentamos os conceitos e principais resultados envolvendo as generaliza¸c˜oes do teorema de Banach-Stone desde a d´ecada de 40.
Teorema 1.81 (Teorema de Banach-Stone) Sejam K e L s˜ao espa¸cos topol´ogicos localmente compactos Hausdorff. Se T : C0(K) → C0(L) s˜ao isometricamente isomorfismos ent˜ao K e L
s˜ao homeomorfos.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [4, p. 170].
Observa¸c˜ao 1.82 O Teorema Cl´assico de Banach-Stone foi obtido para os espa¸cos de fun¸c˜oes com valores reais por Banach em 1933 para espa¸cos compatos m´etricos [4] e estendido por Stone em 1937 para espa¸cos compactos Hausdorff arbitr´arios [40]. Em 1947, Arens e Kelly provaram o resultado para os espa¸cos de fun¸c˜oes com valores complexos [3].
A primeira generaliza¸c˜ao do Teorema de Banach-Stone foi obtida, independentemente, pelos matem´aticos Amir [2] e Cambern [9, 10]. Eles mostraram que n˜ao era necess´ario que os espa¸cos fossem isometricamente isomorfos. Na verdade, basta que os espa¸cos sejam isomorfos com distor¸c˜ao menor do que 2. Esse resultado ficou conhecido como o Teorema de Amir-Cambern. Teorema 1.83 (Teorema de Amir-Cambern) Sejam K e L s˜ao espa¸cos localmente compactos Hausdorff. Se T : C0(K) → C0(L) ´e um isomorfismo tal que
||T || ||T−1|| < 2 ent˜ao K e L s˜ao homeomorfos.
Demonstra¸c˜ao. Veja as referˆencias [2, p. 206], [9, p. 396] e [10, p. 1062].
Observa¸c˜ao 1.84 Cambern provou que 2 ´e o maior n´umero poss´ıvel nesse contexto exibindo em [11] dois espa¸cos localmente compactos Hausdorff K e L com K compacto e L n˜ao compacto e um isomorfismo T : C0(K) → C0(L) tal que ||T ||||T−1|| = 2. Um contra-exemplo para o
caso em que K e L s˜ao compactos ´e apresentado por Cohen em [19].
Na d´ecada de 70, Cambern [12] obteve o primeira generaliza¸c˜ao vetorial para o teorema de Banach-Stone considerando espa¸cos de Hilbert de dimens˜ao finita maior do que 2. Nesse caso, basta que os espa¸cos sejam isomorfos com distor¸c˜ao menor do que √2.
Teorema 1.85 Sejam K e L espa¸cos localmente compactos Hausdorff e H espa¸co de Hilbert de dimens˜ao finita maior do que 1. Se T : C0(K, H) → C0(L, H) ´e um isomorfismo tal que
||T || ||T−1|| <√2 ent˜ao K e L s˜ao homeomorfos.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [12, p. 1].
Preliminares 15
Em 1985, Cambern obteve uma extens˜ao vetorial do teorema de Banach-Stone para espa¸cos compactos Hausdorff K e L considerando espa¸cos de Banach uniformemente convexo X. Teorema 1.86 Sejam K e L espa¸cos topol´ogicos compactos Hausdorff e X um espa¸co de Banach uniformemente convexo. Se T : C(K, X) → C(L, X) ´e um isomorfismo tal que
||T || ||T−1|| < (1 − δX(1))−1
ent˜ao K e L s˜ao homeomorfos.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [14, p. 244].
Observa¸c˜ao 1.87 Como δR(1) = 1/2, Teorema 1.86 generaliza o teorema de Amir-Cambern para espa¸cos compactos Hausdorff K e L.
Observa¸c˜ao 1.88 O Teorema 1.86 tem importˆancia crucial nesse trabalho. Utilizaremos as t´ecnicas de demonstra¸c˜ao desse resultado para provar o teorema principal no cap´ıtulo 4. Al´em disso, necessitamos da generaliza¸c˜ao de um argumento que ser´a discutida no cap´ıtulo 3. Defini¸c˜ao 1.89 Um espa¸co de Banach X possui a propriedade isom´orfica de Banach-Stone (IBSP) se existe α > 1 tal que para todos espa¸cos localmente compactos Hausdorff K e L e para todos isomorfismos T : C0(K, X) → C0(L, X) com ||T || ||T−1|| < α temos que os
espa¸cos K e L s˜ao homeomorfos.
Observa¸c˜ao 1.90 Note que, para cada espa¸co de Banach X que possui IBSP, os poss´ıveis valores de α tem um limite superior. De fato, inspirados por Cambern em [10], considere
K = {−1/n : n ∈ N} ∪ {0} ∪ {n : n ∈ N} e
L = {−1/n : n ∈ N} ∪ {0} ∪ {1/n : n ∈ N}. Defina T : C0(K, X) → C(L, X) dada por
T (g)(x) = g(0) se x = 0, g(n) + g(−1/n) se x = 1/n, −g(n) + g(−1/n) se x = −1/n. (1.1)
Sendo assim, ´e f´acil ver kT kkT−1k = 2 e K n˜ao ´e homeomorfo a L. Essa observa¸c˜ao nos motiva a introduzir a seguinte defini¸c˜ao:
Defini¸c˜ao 1.91 A constante de Banach-Stone BS(X) de um espa¸co de Banach X que possui IBSP ´e o maior 1 < α ≤ 2 que satisfaz a Defini¸c˜ao 1.89.
Observa¸c˜ao 1.92 Note que um n´umero real 1 < α ≤ 2 satisfaz a Defini¸c˜ao 1.89 para algum espa¸co de Banach X se e somente se 1 < α ≤ BS(X).
Defini¸c˜ao 1.93 Seja X um espa¸co de Banach. A constante de Behrends-Cambern ´e o n´umero
λB−C(X) = inf{d(l12, X 0
) : X0 ⊂ X, dim(X0) = 2}, em que l2
1 ´e o espa¸co K2 com a norma do l1.
Em 1988, Beherends e Cambern mostraram em [7] que os espa¸cos uniformente convexos tem a propriedade IBSP.
Teorema 1.94 Sejam K e L espa¸cos compactos Hausdorff e X um espa¸co de Banach com λB−C(X∗) > 1. Se existe um isomorfismo T : C(K, X) → C(L, X) que satisfaz a condi¸c˜ao
||T || ||T−1|| < 11λB−C(X∗)/(1 + 10λB−C(X∗)),
ent˜ao K e L s˜ao espa¸cos homeomorfos. Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [7, p. 25].
Observa¸c˜ao 1.95 A condi¸c˜ao λB−C(X∗) > 1 coincide no caso real com o fato que X ´e
um espa¸co uniformemente n˜ao quadrado. Portanto, espa¸cos uniformente convexos X tem a propriedade λB−C(X∗) > 1, veja [7, p. 16].
Preliminares 17
Defini¸c˜ao 1.96 Seja X um espa¸co de Banach. A constante de James de X ´e o n´umero J (X) = sup{min{||x1+ x2||, ||x1− x2||} : x1, x2 ∈ SX}.
Proposi¸c˜ao 1.97 Se X ´e um espa¸co de Banach de dimens˜ao maior ou igual a 2, ent˜ao√2 ≤ J (X) ≤ 2.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [41, p. 2].
Proposi¸c˜ao 1.98 Se X ´e um espa¸co de Banach ent˜ao temos que
1 + (J (X) − 1)2 ≤ J(X∗) ≤ 1 +pJ (X) − 1. Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [41, p. 7].
Proposi¸c˜ao 1.99 Se X ´e um espa¸co de Banach com dimens˜ao maior ou igual a 2 ent˜ao
J (X) = sup{ ∈ (0, 2) : δX() ≤ 1 − /2}.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [33, p. 280].
Defini¸c˜ao 1.100 Seja X um espa¸co de Banach. A constante de Sch¨affer de X ´e o n´umero
S(X) = inf{max{||x1+ x2||, ||x1− x2||} : x1, x2 ∈ SX}.
Proposi¸c˜ao 1.101 Se X ´e um espa¸co de Banach com dimens˜ao maior ou igual a 2, ent˜ao J (X) · S(X) = 2.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [25, p. 4] e [41, p. 608].
Proposi¸c˜ao 1.102 Se X ´e um espa¸co de Banach ent˜ao J (X) = J (X∗∗). Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [41, p. 608].
Defini¸c˜ao 1.103 Dado um espa¸co de Banach X, associamos ao espa¸co X o parˆametro
µ(X) := sup{min{kx1+ λx2k : |λ| = 1} : x1, x2 ∈ SX}.
Em 1989, Jarosz introduziu esse parˆametro e obteve uma nova prova do teorema de Behrends e Cambern.
Teorema 1.104 Sejam K e L espa¸cos compactos Hausdorff e X um espa¸co de Banach com µ(X∗) < 2. Se T : C(K, X) → C(L, X) ´e um isomorfismo tal que
||T || ||T−1|| < 4/(2 + µ(X∗)), ent˜ao K e L s˜ao espa¸cos homeomorfos.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [31, p. 313].
Observa¸c˜ao 1.105 A condi¸c˜ao µ(X∗) < 2 ´e equivalente `a condi¸c˜ao λB−C(X∗) > 1, veja
Proposi¸c˜ao 1.111.
Observa¸c˜ao 1.106 Al´em de obter uma nova demonstra¸c˜ao para o teorema de Behrends e Cambern, Jarosz melhorou o teorema pois, pela Proposi¸c˜ao 2.3,
11λB−C(X∗)
1 + 10λB−C(X∗)
< 4 2 + µ(X∗)
para todo espa¸co de Banach real X.
Defini¸c˜ao 1.107 Dado um espa¸co de Banach X, associamos ao espa¸co X o parˆametro λ(X) := inf{max{kx1+ λx2k : |λ| = 1} : x1, x2 ∈ SX}.
Preliminares 19
Observa¸c˜ao 1.108 Em particular, λ(K) = 2, veja a referˆencia [31, p. 298].
Observa¸c˜ao 1.109 Esse parˆametro tamb´em foi introduzido por Jarosz em 1989. Ele ser´a fundamental ao longo do trabalho. No pr´oximo cap´ıtulo, provaremos algumas das suas pro-priedades mais importantes.
Observa¸c˜ao 1.110 Al´em disso, dado um espa¸co de Banach X, Jarosz definiu em [31] o parˆametro λ0(X) := inf d(X2, l2∞), em que X2 representa todos os subespa¸cos de dimens˜ao 2
de X e l2
∞ ´e o espa¸co K2 com a norma do l∞.
A pr´oxima proposi¸c˜ao relaciona todos esses parˆametros.
Proposi¸c˜ao 1.111 Seja X um espa¸co de Banach. As seguintes afirma¸c˜oes s˜ao verdadeiras: (a) µ(X) < 2 se, e somente se, λB−C(X) > 1.
(b) λ0(X) > 1 se, e somente se, λB−C(X∗) > 1.
(c) µ(X) λB−C(X) ≥ 2.
(d) λB−C(X∗) ≤ λ0(X).
(e) 2λ0(X)/1 + λ0(X) ≤ λ(X) ≤ λ0(X).
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [31, p. 296].
Proposi¸c˜ao 1.112 Seja X um espa¸co de Banach. Se λB−C(X∗) > 1 ent˜ao
λ0(X∗) = λB−C(X∗).
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [31, p. 297].
Proposi¸c˜ao 1.113 Se X ´e um espa¸co de Hilbert de dimens˜ao maior que 1 ent˜ao λ(X) =√2. Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [31, p. 298].
Proposi¸c˜ao 1.114 Existe um espa¸co de Banach real X de dimens˜ao 2 satisfazendo:
(a) λ(X) =p8/3. (b) λ(X∗) = 1 + 1/√2
Demonstra¸c˜ao. Veja as referˆencias [33, p. 280] e [1, Exemplo 24].
Proposi¸c˜ao 1.115 Se X ´e um espa¸co de Banach que satisfaz µ(X) < 2 ent˜ao temos que
δX∗(µ(X∗)) = 1 − µ(X∗)/2.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [41, p. 2].
1.3
Medidas vetoriais
Defini¸c˜ao 1.116 Sejam K um conjunto, A uma σ-´algebra de K e X um espa¸co normado. Uma fun¸c˜ao µ : A → X ´e uma medida vetorial quando, para qualquer sequˆencia (An)n∈N
de elementos dois a dois disjuntos de A, temos que µ(P∞
n=1An) =
P∞
n=1µ(An).
Defini¸c˜ao 1.117 Sejam K um conjunto, A uma σ-´algebra de K, X um espa¸co de Banach e µ : A → X uma medida vetorial. A varia¸c˜ao de µ ´e a fun¸c˜ao |µ| definida em A tal que |µ|(A) = supPn
k=1||µ(Ak)||, em que o supremo ´e considerado sob todas as parti¸c˜oes finitas
{A1, A2, · · · , An} de A em A. Al´em disso, se |µ|(K) < ∞, dizemos que µ tem varia¸c˜ao
Preliminares 21
Defini¸c˜ao 1.118 Sejam K um conjunto, A uma σ-´algebra de K e X um espa¸co de Banach. Uma fun¸c˜ao f : K → X ´e simples se existem x1, x2, · · · , xn ∈ X e A1, A2, · · · , An ∈ A tais
que f =Pn
k=1χAkxk.
Observa¸c˜ao 1.119 O conjunto S(K, X) de todas as fun¸c˜oes simples de K em X ´e um espa¸co vetorial com as opera¸c˜oes usuais. Al´em disso, a fun¸c˜ao || · || : S(K, X) → R dada por ||f || = sup ||f (x)|| ´e uma norma em S(K, X).
Defini¸c˜ao 1.120 Sejam K um conjunto, A uma σ-´algebra de K e X um espa¸co de Banach. Uma fun¸c˜ao f : K → X ´e mensur´avel se existe uma sequˆencia (fn)n∈N de fun¸c˜oes simples
tal que fn → f pontualmente.
Proposi¸c˜ao 1.121 Sejam K um conjunto, A uma σ-´algebra de K e X um espa¸co de Banach. Se (fn)n∈N ´e uma sequˆencia de fun¸c˜oes mensur´aveis de K em X convergindo pontualmente
para f ent˜ao f ´e mensur´avel.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [23, p. 6].
Medidas vetoriais em duais de espa¸cos de Banach desempenham um papel fundamental no estudo de funcionais lineares cont´ınuos definidos em espa¸cos de fun¸c˜oes com valores vetoriais. Sejam K um conjunto, A uma σ-´algebra de K, X um espa¸co de Banach e µ : A → X∗ uma medida vetorial limitada. Dada f =Pn
k=1χAkxk em S(K, X) defina φ(f ) =
Pn
k=1µ(Ak)(xk).
N˜ao ´e dif´ıcil verificar que φ ´e um funcional linear cont´ınuo em S(K, X) tal que ||φ|| = |µ|(K). Seja S(K, X) o complemento de S(K, X), isto ´e, o espa¸co das fun¸c˜oes totalmente mensur´aveis. Dessa forma, existe uma ´unica extens˜ao φ de φ tal que φ(f ) =R f dµ em que f ∈ M (K, X) e ||φ|| = ||φ||.
Dado um espa¸co topol´ogico K, a menor σ-´algebra B(K) formada por todos os conjun-tos aberconjun-tos de K ´e chamada σ-´algebra de Borel. Os elementos de B(K) s˜ao chamados borelianos de K e uma medida definida em B(K) ´e chamada medida de Borel.
O pr´oximo conceito est´a relacionado a medidas de Borel e ser´a fundamental para o nosso estudo.
Defini¸c˜ao 1.122 Seja K um espa¸co topol´ogico. Uma medida µ : B(K) → R ´e regular quando µ(B) = inf{µ(U ) / U ´e aberto e B ⊂ U } = sup{µ(C) / C ´e compacto e C ⊂ B} para todo B ∈ B(K). Al´em disso, uma medida vetorial de Borel µ ´e regular quando |µ| ´e regular. Observa¸c˜ao 1.123 Dado um espa¸co de Banach X, o conjunto M (K, X) das medidas de Borel µ : B(K) → X regulares de varia¸c˜ao limitada ´e um espa¸co vetorial com as opera¸c˜oes usuais. Al´em disso, a fun¸c˜ao || · || : M (K, X) → R dada por ||µ|| = |µ|(K) ´e uma norma em M (K, X).
Proposi¸c˜ao 1.124 Sejam K um espa¸co de Banach localmente compacto Hausdorff e X um espa¸co de Banach. Dado f ∈ C0(K, X), existe uma sequˆencia (fn)n∈Nem S(K, X) convergindo
uniformemente para f tal que ||fn|| ≤ ||f || para todo n ∈ N.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [16, p. 7].
Dado um espa¸co localmente compacto Hausdorff K e um espa¸co de Banach X, segue da proposi¸c˜ao 1.124 que C0(K, X) ⊂ S(K, X). Dessa forma, se φ ´e um funcional linear cont´ınuo
definido em C0(K, X) ent˜ao, pelo teorema de Hahn-Banach, existe φ funcional linear cont´ınuo
definido em S(K, X) tal que ||φ|| = ||φ||. Portanto, podemos associar a φ uma medida vetorial µ : B(K) → X∗ tal que µ(A)(v) = φ(χAv) em que A ∈ B(K) e v ∈ X. N˜ao ´e dif´ıcil verificar
que ||φ|| = |µ|(K) e φ(f ) =R f dµ em que f ∈ C0(K, X). Note que φ n˜ao ´e ´unica, assim como
a medida µ correspondente. No entanto, I. Singer mostrou que dentre todas as poss´ıveis µ, existe apenas uma que pertence a M (K, X). Esse ´e o resultado do pr´oximo teorema.
Teorema 1.125 (Teorema de Representa¸c˜ao de Singer) Existe um isomorfismo isom´etrico entre os espa¸cos C0(K, X)∗ e M (K, X∗) tal que para cada φ ∈ C0(K, X)∗ existe uma medida
µ ∈ M (K, X∗) satisfazendo φ(f ) =R f dµ em que f ∈ C0(K, X) e ||φ|| = |µ|(K).
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [37, p. 154].
Preliminares 23
Observa¸c˜ao 1.126 Em particular, segue que M (K) ∼= C0(K)∗. Uma vez que C0(K) ´e um
M -espa¸co abstrato, segue que M (K) ´e um L1-espa¸co abstrato, veja [34, p. 25]. Portanto,
M (K) ´e isometricamente isomorfo a L1(µ), veja [34, p. 135].
Observa¸c˜ao 1.127 M (K) tamb´em ´e um ideal fechado no espa¸co m(K, B(K), R) das medidas de Borel, veja [34, p. 46].
Lema 1.128 Sejam (Y, Σ) e (Y0, Σ0) espa¸cos mensur´aveis, M e M0ideais fechados em m(Y, Σ, R) e m(Y0, Σ0, R), respectivamente. Se existe um isomorfismo isom´etrico T : M → M0 ent˜ao, para cada espa¸co de Banach X, existe um isomorfismo isom´etrico TX : MX → MX0 em que MX ´e o
espa¸co de Banach das medidas de Σ em X com varia¸c˜ao limitada (respectivamente MX0 ). Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [13, p. 54].
Proposi¸c˜ao 1.129 Se X ´e um espa¸co de Banach ent˜ao L1(µ, X) ´e isometricamente isomorfo
ao produto tensorial injetivo L1(µ) ˆ⊗X.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [22, p. 228].
Lema 1.130 O espa¸co de Banach L(X∗, M (X)∗) ´e isometricamente isomorfo a [X∗⊗M (K)]ˆ ∗.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [22, p. 230].
Defini¸c˜ao 1.131 Sejam K um conjunto, A uma σ-´algebra de K e X um espa¸co de Banach. Uma medida vetorial µ : A → X ´e absolutamente cont´ınua com rela¸c˜ao a uma medida positiva λ : A → R e denotamos µ λ quando limλ(A)→0µ(A) = 0.
Observa¸c˜ao 1.132 Se (K, Σ, λ) ´e um espa¸co de medida e X um espa¸co de Banach, M (λ, X) denota o espa¸co das medidas vetoriais em Σ com valores em X de varia¸c˜ao limitada que s˜ao absolutamente cont´ınuas com rela¸c˜ao a uma medida positiva λ : Σ → R. Em particular, M(λ) ´e um ideal fechado no espa¸co m(K, Σ, R).
Teorema 1.133 (Radon-Nikodym) Se λ : A → R ´e uma medida positiva e µ : A → X ´e uma medida vetorial de varia¸c˜ao limitada com µ λ ent˜ao existe uma fun¸c˜ao ρ :→ X mensur´avel e integr´avel tal que µ(A) =R
Aρdλ e |µ|(A) =
R
A|ρ|dλ em que A ∈ A.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [39, p. 122].
Defini¸c˜ao 1.134 Um espa¸co de Banach X tem a propriedade de Radon-Nikodym quando para todo conjunto K, para toda σ-´algebra de K, para toda medida positiva λ : A → R e para toda medida vetorial de varia¸c˜ao limitada µ : A → X com µ λ, existe ρ :→ X mensur´avel e integr´avel tal que µ(A) =RAρdλ.
Proposi¸c˜ao 1.135 Se X ´e um espa¸co de Banach reflexivo ent˜ao X tem a propriedade de Radon-Nikodym.
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [22, p. 76].
Proposi¸c˜ao 1.136 Seja X um espa¸co de Banach. Se X∗ ´e um espa¸co reflexivo ent˜ao X tem a propriedade de Radon-Nikodym.
Demonstra¸c˜ao. Segue da Proposi¸c˜ao 1.135 e da Proposi¸c˜ao 1.57.
Proposi¸c˜ao 1.137 Seja X um espa¸co de Banach. Se X tem a propriedade de Radon-Nikodym ent˜ao L1(µ, X) ∼= M (µ, X)
Demonstra¸c˜ao. Veja a referˆencia [22, p. 61].
Cap´ıtulo 2
Propriedades do parˆ
ametro λ(X)
O objetivo desse cap´ıtulo ´e demonstrar algumas propriedades do parˆametro λ(X) mencionadas na introdu¸c˜ao de trabalho.
2.1
Propriedades auxiliares
Proposi¸c˜ao 2.1 Para todo espa¸co uniformemente convexo X com dimens˜ao maior ou igual a 2, temos que
1 1 − δX(1)
< λ(X).
Demonstra¸c˜ao. Como X ´e um espa¸co de Banach real, segue das Defini¸c˜oes 1.103 e 1.107 que J (X) = µ(X) e S(X) = λ(X). Al´em disso, pela Proposi¸c˜ao 1.101 , µ(X)λ(X) = 2. Como X ´e um espa¸co de Banach de dimens˜ao maior ou igual a 2, segue da Proposi¸c˜ao 1.99 que
µ(X) = sup{ ∈ (0, 2) : δX() ≤ 1 − /2}. (2.1)
Fixe 1 < 0 <
√
2. Pela Proposi¸c˜ao 1.97, temos que J (X) ≥ √2. Sendo assim, µ(X) ´e o supremo de
A = { ∈ (0, 2) : δX() ≤ 1 − /2}. (2.2)
Seja ∈ A. Assim, δX() ≤ 1 − /2. Como X ´e uniformemente convexo, a Proposi¸c˜ao 1.68
garante que a fun¸c˜ao δX ´e estritamente crescente em [0, 2]. Portanto, δX(0) < 1 − /2 , isto
´e, < 2(1 − δX(0)). Consequentemente, por (2.2),
Logo, 1 1 − δX(1) < 2 µ(X) = λ(X). Observa¸c˜ao 2.2 Suponha que X ´e um espa¸co de Banach. Sendo assim, a Proposi¸c˜ao 1.111 garante µ(X∗) < 2 se, e somente se, λ(X) > 1 se, e somente se, λB−C(X∗) > 1.
Proposi¸c˜ao 2.3 Se X ´e um espa¸co de Banach real com λB−C(X∗) > 1 ent˜ao
11λB−C(X∗)
1 + 10λB−C(X∗)
< 4
2 + µ(X∗). (2.3)
Demonstra¸c˜ao. De fato, pela primeira desigualdade do item (e) da Proposi¸c˜ao 1.111, temos que
11λ0(X∗) ≤ 2λ(X∗) + 3, 5λ(X∗) + 5, 5λ0(X∗)λ(X∗).
Como λB−C(X∗) > 1, segue da Proposi¸c˜ao 1.112 que
λ0(X∗) = λB−C(X∗) > 1. (2.4)
Portanto, pelo item (e) da Proposi¸c˜ao 1.111, λ(X∗) > 1. Consequentemente, 11λ0(X∗) < 2λ(X∗) + 3, 5λ0(X∗)λ(X∗) + 5, 5λ0(X∗)λ(X∗)
= 2λ(X∗) + 9λ0(X∗)λ(X∗).
Finalmente, utilizando a Proposi¸c˜ao 1.101 e a igualdade (2.4), temos que 11λ0(X∗)µ(X∗) < 4 + 18λ0(X∗).
Logo, (2.3) ´e verdadeira.
Proposi¸c˜ao 2.4 Se X ´e um espa¸co de Banach com λB−C(X∗) > 1 ent˜ao
11λB−C(X∗)
1 + 10λB−C(X∗)
Propriedades do parˆametro λ(X) 27
Demonstra¸c˜ao. Pela item (d) da Proposi¸c˜ao 1.111, se λ(X) > 1 ent˜ao λ0(X) > 1. Al´em
disso, os itens (c) e (d) da Proposi¸c˜ao 1.111 garantem que 11λB−C(X∗) 1 + 10λB−C(X∗) ≤ 11λ0(X) 1 + 10λ0(X) < 2λ0(X) 1 + λ0(X) ≤ λ(X). Proposi¸c˜ao 2.5 Se X ´e um espa¸co de Banach real com λ(X) > 1 ent˜ao
4
2 + µ(X∗) < λ(X). (2.5)
Demonstra¸c˜ao. Novamente, µ(X) e λ(X) coincidem com as constantes de James J (X) e de Sch¨affer S(X), respectivamente. Portanto, segue da Proposi¸c˜ao 1.98 que
1 + (µ(X) − 1)2 ≤ µ(X∗) ≤ 1 +pµ(X) − 1. (2.6) A primeira desigualdade de (2.6) pode ser reescrita como
µ(X) ≤ 1 +pµ(X∗) − 1. (2.7)
Por outro lado, como µ(X) · λ(X) = 2, temos que µ(X) < 2. Dessa forma, pela segunda desigualdade de (2.6), segue que µ(X∗) < 2. Portanto,
1 +pµ(X∗) − 1 < 2 + µ(X ∗)
2 . (2.8)
Utilizando (2.7) e (2.8), conclu´ımos que 2 λ(X) = µ(X) < 2 + µ(X∗) 2 . Logo, (2.5) ´e verdadeira. Observa¸c˜ao 2.6 Se X ´e um espa¸co de Banach ent˜ao
4
2 + µ(X∗) ≤ λ(X).
De fato, pelos itens (c) e (d) da Proposi¸c˜ao 1.111, temos que
Portanto, 4 2 + µ(X∗) ≤ 2λ0(X) 1 + λ0(X) .
Logo, o resultado segue do item (e) da Proposi¸c˜ao 1.111.
Proposi¸c˜ao 2.7 Se X = lp com 2 ≤ p < ∞ ent˜ao BS(X) = λ(X) = 21/p.
Demonstra¸c˜ao. Primeiramente, note que para todo 2 ≤ p < ∞, temos λ(lp) = 21/p. De
fato, sejam x, y ∈ Slp e λ ∈ K com |λ| = 1. Pela Proposi¸c˜ao 1.70, temos que
2(kxkp+ kykp)q−1 ≤ kx + ykq+ kx − ykq (2.9)
em que 1/p + 1/q = 1. Sendo assim,
2q = 2(kxkp+ kλykp)q−1 ≤ kx + λykq+ kx − λykq ≤ 2 max |λ|=1kx + λyk q ≤ 2 max |λ|=1kx + λyk q . Consequentemente, 21/p ≤ max |λ|=1kx + λyk.
Portanto, 21/p ≤ λ(lp). Por outro lado, se e1 = (1, 0, 0, . . .) e e2 = (0, 1, 0, . . .) ent˜ao
max
|λ|=1ke1+ λe2k = 2 1/p
.
Al´em disso, vamos provar que BS(lp) ≤ 21/p para todo 2 ≤ p < ∞. Com efeito, sejam
K = {1 − 1/n : n ∈ N} ∪ {2 − 1/n : n ∈ N} ∪ {2} e
L = {4 − 1/n : n ∈ N} ∪ {4}.
Sendo assim, existe um isomorfismo T de C0(K, lp) em C(L, lp) tal que kT kkT−1k = 21/p, veja
a referˆencia [15, Observa¸c˜ao 1.4]. No entanto, K e L n˜ao s˜ao homeomorfos.
Propriedades do parˆametro λ(X) 29
Observa¸c˜ao 2.8 A desigualdade (2.5) tamb´em ´e verdadeira para o caso complexo X = lp,
2 ≤ p < ∞. De fato, ´e suficiente mostrar que µ(lp) = 21/p para todo 1 < p ≤ 2. Sejam
x, y ∈ Slp e λ ∈ K com |λ| = 1. Novamente, pela Proposi¸c˜ao 1.70, se 1 < p ≤ 2 e 1/p + 1/q = 1
ent˜ao
kx + ykq+ kx − ykq ≤ 2[kxkp+ kykp]q−1. Assim, procedendo como na Proposi¸c˜ao 2.7, temos que
min
|λ|=1kx + λyk ≤ 2 1/p.
Portanto, µ(lp) ≤ 21/p. Al´em disso, se e1 = (1, 0, 0, . . .) e e2 = (0, 1, 0, . . .) ent˜ao
min
|λ|=1ke1+ λe2k = 2 1/p.
Observa¸c˜ao 2.9 A primeira parte da prova da Proposi¸c˜ao 2.7 foi obtida por Michael Ricon e aparecer´a na tese de doutorado dele. N´os o agradecemos por nos ter permitido coloc´a-la aqui.
2.2
Propriedade fundamental
A principal ferramenta que ser´a incorporada nos argumentos utilizados por Cambern em [10] para obter a demonstra¸c˜ao do Teorema 1 ´e a proposi¸c˜ao seguinte. Essa proposi¸c˜ao substituir´a o [10, Lema 1] do artigo de Cambern.
Proposi¸c˜ao 2.10 Sejam X um espa¸co de Banach, r ∈ N e η > 0. Dados x1, x2. . . , x2r
em X com kxjk ≥ η para todo 1 ≤ j ≤ 2r, existem escalares α1, α2, . . . , α2r ∈ K com
max{|αj| : 1 ≤ j ≤ 2r} ≤ 1 tal que
2r X j=1 αjxj ≥ ηλ(X)r.
Demonstra¸c˜ao. Vamos provar por indu¸c˜ao em r. Considere o caso r = 1. Sejam x, y ∈ X tais que min{kxk, kyk} ≥ η. Defina u = x/kxk e v = y/kyk. Sendo assim, u, v ∈ SX
e λ(X) ≤ max{ku + βvk : |β| = 1}. Al´em disso, existe β0 ∈ K com |β0| = 1 tal que
λ(X) ≤ ku + β0vk. Se N = min{kxk, kyk} ent˜ao
Logo, considerando α1 = N/kxk e α2 = N/kykβ0 ent˜ao max{|α1|, |α2|} ≤ 1 e o resultado
segue imediatamente. Suponha que a proposi¸c˜ao ´e v´alida para todo r com 1 ≤ r ≤ k. Sejam x1, . . . , x2k+1 vetores em X satisfazendo kxjk ≥ η para todo 1 ≤ j ≤ 2k+1. Pela hip´otese
de indu¸c˜ao, existem constantes β1, . . . , β2r, . . . , β2r+1 com max{|βj| : 1 ≤ j ≤ 2k+1} ≤ 1
satisfazendo M1 := 2k X j=1 βjxj ≥ ηλ(X)k, e M2 := 2k+1 X j=2k+1 βjxj ≥ ηλ(X)k. Seja c = 1 M1 2k X j=1 βjxj and d = 1 M2 2k+1 X j=2k+1 βjxj.
Assim, c, d ∈ SX. Utilizando o caso r = 1, existem s1, s2 ∈ K com max{|s1|, |s2|} ≤ 1 tais
que λ(X) ≤ ks1c + s2dk. Portanto, obtemos a inequa¸c˜ao
2k X j=1 s1 M1 βjxj+ 2k+1 X j=2k+1 s1 M2 βjxj ≥ λ(X). Seja M0 = min{M1, M2}. Dessa forma, M0 ≥ ηλ(X)k e
2k X j=1 s1M0 M1 βjxj + 2k+1 X j=2k+1 s1M0 M2 βjxj ≥ ηλ(X)k+1. Definindo αj = s1M0 M1 βj, if 1 ≤ j ≤ 2k, e αj = s2M0 M2 βj, if 2k+ 1 ≤ j ≤ 2k+1,
segue o caso r = k + 1. Isso completa a prova da proposi¸c˜ao.
Cap´ıtulo 3
O bidual dos espa¸
cos C
0
(K, X)
A maioria dos argumentos utilizados por Cambern para provar o Teorema 1.86 s˜ao baseados no fato de que se K ´e um espa¸co compacto Hausdorff e X∗´e um espa¸co de Banach que possui a propriedade de Radon-Nikodym ent˜ao o bidual de C(K, X) pode ser representado como um espa¸co de fun¸c˜oes cont´ınuas de um espa¸co compacto Hausdorff Z para X∗∗, esse ´ultimo munido da topologia fraca-estrela*. Um fato importante para n´os ´e que um resultado an´alogo vale para os espa¸cos C0(K, X).
Dados K um espa¸co localmente compacto Hausdorff e X um espa¸co de Banach, lembre que M (K, X) ´e o espa¸co das medidas vetoriais de Borel regulares com varia¸c˜ao limitada e M (µ, X) ´e o espa¸co das medidas vetoriais de varia¸c˜ao limitada absolutamente cont´ınuas com rela¸c˜ao a medida µ. Claramente, existe uma imers˜ao natural de M (K) ⊗ X em M (K, X) dada por µ ⊗ φ → µ(·)φ em que µ ∈ M (K) e φ ∈ X. Al´em disso, se Y ´e um outro espa¸co de Banach, X ˆ⊗Y representa o produto tensorial injetivo de X e Y . Finalmente, X ∼= Y significa que os espa¸co de Banach X e Y s˜ao isometricamente isomorfos.
3.1
Resultados auxiliares
Nessa se¸c˜ao, enunciaremos e demonstraremos alguns resultados auxiliares com o objetivo de obter uma representa¸c˜ao do espa¸co bidual de C0(K, X).
Proposi¸c˜ao 3.1 Se K um espa¸co localmente compacto Hausdorff e X um espa¸co de Banach ent˜ao existe um espa¸co de medida (S, Σ, µ) tal que M (K, X) ∼= M (µ, X).
Demonstra¸c˜ao. Pela Observa¸c˜ao 1.126, segue que M (K) ´e um L1-espa¸co abstrato. Sendo
assim, pela Observa¸c˜ao 1.127, M (K) ´e um ideal fechado no espa¸co das medidas de Borel. Al´em disso, note que a integral indefinida determina uma imers˜ao isom´etrica de L1(µ) em M (µ).
Pelo Teorema 1.133, segue que L1(µ) ∼= M (µ). Portanto, pela Observa¸c˜ao 1.126, M (K) ´e
isometricamente isomorfo a M (µ). Logo, M (K, X) ∼= M (µ, X) ´e garantido pelo Lema 1.128.
Corol´ario 3.2 Seja K um espa¸co localmente compacto Hausdorff e X um espa¸co de Banach. M (K) ˆ⊗X pode ser imerso em M (K, X) de tal maneira que ν ⊗ x corresponda a ν(·)x para todo ν ∈ M (K) e x ∈ X.
Demonstra¸c˜ao. Pela Proposi¸c˜ao 1.126, M (K) ∼= L1(µ). Portanto, M (K) ˆ⊗X ∼= L1(µ) ˆ⊗X.
Dessa forma, pela Proposi¸c˜ao 1.129, M (K) ˆ⊗X ∼= L1(µ, X). Uma vez que L1(µ, X) est´a imerso
canonicamente em M (µ, X) e a Proposi¸c˜ao 3.1 garante que M (µ, X) ´e isom´etrico a M (K, X), M (K) ˆ⊗X pode ser imerso em M (K, X).
Corol´ario 3.3 Seja K um espa¸co localmente compacto Hausdorff e X um espa¸co de Banach. Se X tem a propriedade de Radon-Nikodym ent˜ao M (K, X) = M (K) ⊗ X.
Demonstra¸c˜ao. Como X tem a propriedade de Radon-Nikodyn ent˜ao, pela Proposi¸c˜ao 1.137, segue que L1(µ, X) ∼= M (µ, X). Portanto, pelo Corol´ario 3.1 e pela Proposi¸c˜ao 1.126,
temos que M (K) ˆ⊗X ∼= M (K, X). Como M (K) ⊗ X ´e denso em M (K) ˆ⊗X, segue que M (K, X) = M (K) ⊗ X.
O bidual dos espa¸cos C0(K, X) 33
3.2
Representa¸
c˜
ao do bidual de C
0(K, X)
Nessa se¸c˜ao, caracterizaremos o espa¸co bidual de C0(K, X) para o caso em que X∗ tem a
propriedade de Radon-Nikodym.
Proposi¸c˜ao 3.4 Seja K um espa¸co localmente compacto Hausdorff e X um espa¸co de Banach tal que X∗ tem a propriedade de Radon-Nikodym. Existe um espa¸co compato Hausdorff Z tal que
C0(K, X)∗∗∼= C(Z, Xσ∗∗∗) e C0(K)∗∗ ∼= C(Z).
Demonstra¸c˜ao. Pelo Teorema 1.125,
C0(K, X)∗ ∼= M (K, X∗).
Por outro lado, Corol´ario 3.2 e Corol´ario 3.3 garantem que M (K) ˆ⊗X∗ ∼= M (K) ⊗ X∗ = M (K, X∗
). Portanto,
C0(K, X)∗∗∼= M (K, X∗)∗ ∼= [M (K) ˆ⊗X∗]∗ ∼= [X∗⊗M (K)]ˆ ∗.
Al´em disso, pelo Lema 1.130,
[X∗⊗M (K)]ˆ ∗ ∼= L(X∗, M (X)∗) ∼= L(X∗, C(Z)). Defina uma fun¸c˜ao T de L(X∗, C(Z)) em C(Z, Xσ∗∗∗) por
T (Ψ)(z)(φ) = (δz◦ Ψ)(φ),
for φ ∈ X∗, z ∈ Z and Ψ ∈ L(X∗, C(Z)), em que δz representa a fun¸c˜ao avalia¸c˜ao no ponto
z ∈ Z. Claramente, para cada z ∈ Z fixo, T (Ψ)(z) ´e um funcional linear de X∗. Mais ainda, para todo φ ∈ X∗,
|T (Ψ)(z)(φ)| = |Ψ(φ)(z)| ≤ ||Ψ(φ)|| ≤ ||Ψ||||φ||. Consequentemente,
Note que como fun¸c˜ao de Z em X∗∗, T (Ψ)(·) ´e fraca-estrela cont´ınua pois, para todo φ ∈ X∗, T (Ψ)(·)(φ) = Ψ(φ)(·) ∈ C(Z).
Dessa forma, temos que T est´a bem definida. Obviamente, T ´e linear e ||T || ≤ 1 pois ||T (Ψ)|| = sup ||T (Ψ)(z)|| ≤ ||Ψ||.
Vamos mostrar que T ´e uma isometria. Sejam > 0 e Ψ ∈ L(X∗, C(Z)) n˜ao nulo. Escolha φ ∈ X∗ tal que ||φ|| = 1 e ||Ψ(φ)|| ≥ ||Ψ|| − . Al´em disso, considere z ∈ Z tal que |Ψ(φ)(z)| = ||Ψ(φ)||. Dessa forma, temos que
||T (Ψ)|| ≥ ||T (Ψ)(z)|| ≥ |T (Ψ)(z)(φ)| = |Ψ(φ)(z)| ≥ ||Ψ|| − .
Portanto, T ´e uma isometria. Finalmente, provaremos que T ´e uma fun¸c˜ao sobrejetora. Seja G ∈ C(Z, Xσ∗∗∗). Defina Ψ por Ψ(φ)(z) = G(z)(φ) para φ ∈ X∗ e z ∈ Z. E claro que´
Ψ(φ)(·) ∈ C(Z) e Ψ ´e uma fun¸c˜ao linear de X∗ em C(Z). Al´em disso, Ψ ´e limitada pois ||Ψ(φ)|| = sup |G(z)(φ)| ≤ ||G||||φ||.
Portanto, utilizando a defini¸c˜ao de T , temos que
T (Ψ)(z)(φ) = Ψ(φ)(z) = G(z)(φ), para todo z ∈ Z e φ ∈ X∗. Logo T (Ψ) = G.
Cap´ıtulo 4
Demonstra¸
c˜
ao do resultado principal
para os espa¸
cos C
0
(K, X)
Nesse cap´ıtulo provaremos o Teorema 1. Isto ´e:
Unifica¸c˜ao das generaliza¸c˜oes do teorema de Banach-Stone: Sejam K e L espa¸cos localmente compactos Hausdorff e X um espa¸co de Banach real ou um espa¸co de Banach com-plexo reflexivo. Se λ(X) > 1 e T ´e um isomorfismo de C0(K, X) sobre C0(L, X) satisfazendo
||T || ||T−1|| < λ(X), ent˜ao K ´e homeomorfo a L.
A demonstra¸c˜ao desse resultado utiliza as t´ecnicas do artigo de Cambern [14]. Na verdade, a demonstra¸c˜ao ´e um refinamento dos argumentos apresentados na prova do teorema principal de [14] utilizando os resultados dos cap´ıtulos anteriores.
4.1
Observa¸
c˜
oes iniciais
Sejam K e L espa¸cos localmente compactos Hausdorff e X um espa¸co de Banach real ou um espa¸co de Banach complexo reflexivo. Vamos assumir que λ(X) > 1 e que T ´e um isomorfismo de C0(K, X) em C0(L, X) tal que ||T || ||T−1|| < λ(X).
Suponha, sem perda de generalidade, substituindo T por (1 + )||T−1||T para algum positivo suficientemente pequeno que T ´e estritamente crescente em norma, isto ´e, que T
satisfaz
||T (F )|| ≥ (1 + )||F ||,
para todo F ∈ C0(K, X) e ||T || < λ(X). Fixe e escolha um n´umero positivo P tal que
1 < P < 1 + .
Portanto, T satisfaz ||T (F )|| > P ||F || para todo F ∈ C0(K, X), F 6= 0. Al´em disso, como
λ(X) ≤ 2 < 2P , podemos fixar tamb´em um n´umero positivo b tal que 1 P − 1 λ(X) < b < P λ(X)(λ(X) − P ). (4.1) Como X ´e reflexivo ent˜ao, pela Proposi¸c˜ao 1.57, temos que X∗ tamb´em ´e reflexivo. Al´em disso, pela Proposi¸c˜ao 1.135, X∗ tem a propriedade Radon-Nikodym. Portanto, segue da Proposi¸c˜ao 3.4 que
C0(K, X)∗∗∼= C(Z, Xσ∗),
onde Z ´e um espa¸co compacto Hausdorff com
C0(K)∗∗∼= C(Z).
Analogamente,
C0(L, X)∗∗ ∼= C(W, Xσ∗),
onde W ´e um espa¸co compacto Hausdorff com
C0(L)∗∗∼= C(W ).
Dessa forma, podemos considerar T∗∗como sendo um isomorfismo de C(Z, Xσ∗) em C(W, Xσ∗)
tal que
||T∗∗|| < λ(X) e ||T∗∗(F )|| > P ||F ||, para todo F ∈ C(Z, Xσ∗), F 6= 0.
Seja K0 o conjunto dos pontos isolados de Z. Pelo Teorema 1.58, cada ponto de K0 ´e da
forma tx para algum x ∈ K, em que t : K → Z ´e uma imers˜ao natural de K em Z e todo ponto da forma tx ´e isolado. Analogamente, se L0 denota o conjunto dos pontos isolados de
W ent˜ao L0 consiste de pontos sy, y ∈ L, em que s : L → W ´e uma imers˜ao natural.
Finalmente, dado F∗ ∈ C(Z, Xσ∗)∗, a restri¸c˜ao de F∗ para C(Z, X) ´e um funcional linear
Demonstra¸c˜ao do resultado principal para os espa¸cos C0(K, X) 37
n ∈ M (Z, X∗) tal que ||n|| ≤ ||F∗||. Dado z ∈ Z, podemos escrever de maneira ´unica n = ψµz+ m em que µz denota a medida de massa pontual em z, ψ ∈ X∗ e m ∈ C(Z, X)∗
com m({z}) = 0. De fato, sejam ψ = n({z}) e m = n − ψµz. Pelo Teorema 1.63, existe
m ∈ C(Z, Xσ∗)∗ extens˜ao linear de m que preserve a norma. Portanto, Φ = F∗ − ψµz − m ´e
um funcional linear cont´ınuo em C(Z, Xσ∗) que se anula em C(Z, X) e F∗ = ψµz+ m + Φ.
Logo, dado F∗ ∈ C(Z, Xσ∗)∗ e z ∈ Z, sempre podemos represent´a-los de maneira que
F∗ = ψµz+ m + Φ.
Analogamente, dado G∗ ∈ C(W, Xσ∗)∗ e w ∈ W , podemos represent´a-los de maneira que
G∗ = ψµw+ m + Φ.
4.2
Resultado principal
Como em [14], provaremos que K ´e homeomorfo `a L atrav´es de uma sequˆencia de lemas. Lema 4.1 Dados w ∈ W e tx ∈ K0, existe φ ∈ X∗ com ||φ|| = 1 tal que T∗∗∗(φµw) ´e da
forma ψµtx+ m + Φ e ||ψ|| > P se, e somente se, para algum e ∈ X com ||e|| = 1 vale
||T∗∗(χtxe)(w)|| > P.
Demonstra¸c˜ao. Seja e ∈ X tal que ||e|| = 1 e ||T∗∗(χtxe)(w)|| > P . Pelo Corol´ario 1.64,
seja φ ∈ X∗ tal que ||φ|| = 1 e
φ(T∗∗(χtxe)(w)) = ||T∗∗(χtxe)(w)||.
Al´em disso, como podemos escrever T∗∗∗(φµw) = ψµtx+ m + Φ, segue que
P < ||T∗∗(χtxe)(w)|| = φ(T∗∗(χtxe)(w)) = T∗∗∗(φµw)(χtxe) = ψ(e).
Portanto, ||ψ|| > P . Reciprocamente, suponha que exista φ ∈ X∗ tal que ||φ|| = 1 e T∗∗∗(φµw)
possa ser escrito da forma ψµtx + m + Φ com ||ψ|| > P . Seja e ∈ X com ||e|| = 1 tal que
ψ(e) > P . Sendo assim, temos que
φ(T∗∗(χtxe)(w)) = ψ(e) > P.
Lema 4.2 Dados z ∈ Z e sy ∈ L0, existe φ ∈ X∗ com ||φ|| = 1 tal que (T∗∗∗)−1(φµz) ´e da
forma ψµsy+ m + Φ e ||ψ|| > (λ(X))−1 se, e somente se, para algum e ∈ X com ||e|| = 1 vale
||(T∗∗)−1(χsye)(z)|| > (λ(X))−1.
Demonstra¸c˜ao. An´aloga ao Lema 4.1.
Observa¸c˜ao 4.3 Seja W1 o conjunto de todos w ∈ W tal que para algum φ ∈ X∗ com
||φ|| = 1 existe tx ∈ K0 tal que
T∗∗∗(φµw) = ψµtx+ m + Φ,
em que ||ψ|| > P . Pelo Lema 4.1, existe uma fun¸c˜ao sobrejetora ρ : W1 → K0 dada por
ρ(w) = tx. De fato, primeiramente vamos mostrar que ρ : W1 → K0 est´a bem definida.
Pelo Lema 4.1, ρ(w) = tx se e somente se para algum e ∈ X com ||e|| = 1 temos que ||T∗∗(χ
txe)(w)|| > P . Suponha que existissem φ1, φ2 ∈ X∗ tal que ||φ1|| = ||φ2|| = 1 e
T∗∗∗(φiµw) = ψiµtxi + mi+ Φ,
para i = 1, 2 com ||ψi|| > P e tx1 6= tx2. Sendo assim, para toda escolha de escalares αi com
|αi| ≤ 1 e ei com ||ei|| = 1, i = 1, 2, temos que
||α1χtx1e1+ α2χtx2e2|| ≤ 1.
No entanto, pela Proposi¸c˜ao 2.10 e pelo Lema 4.1, segue que ||T∗∗(α1χtx1e1+ α2χtx2e2)|| ≥ ||α1T
∗∗
(χtx1e1)(w) + α2T
∗∗
(χtx2e2)(w)|| ≥ P λ(X) > λ(X),
uma contradi¸c˜ao pois ||T∗∗|| < λ(X). Portanto, ρ : W1 → K0 est´a bem definida. Al´em disso,
ρ : W1 → K0´e sobrejetora. Dado tx ∈ K0, para todo e ∈ X com ||e|| = 1 existe algum w ∈ W
tal que ||T∗∗(χtxe)(w)|| > P . Logo, w ∈ W1 e ρ(w) = tx. Analogamente, seja Z1 o conjunto
dos z ∈ Z tal que para algum φ ∈ X∗ com ||φ|| = 1 existe sy ∈ L0 tal que
(T∗∗∗)−1(φµz) = ψµsy + m + Φ,
em que ||ψ|| > (λ(X))−1. Pelo Lema 4.2, existe uma fun¸c˜ao sobrejetora τ : Z1 → L0 dada por