UNIVERSIDADE
FEDERAL DE
SANTA
CATARINA
-
UFSC
UNIVERSIDADE VIRTUAL
DO
ESTADO
DO MARANHÃO
DEPARTAMENTO
DE
mATEMÁT|cA
O
Teorema
de
Euler
para
poliedros
conó-MA
O
Teorema de
Euler para poliedrosMonografia
apresentada
ao
Departamento
de
Matemática
da
Universidade Federalde Santa
Catarina(UFSC)
-
UniversidadeVirtual
do
Maranhão
(UNIVIMA),como
pré-requisito à
obtenção
do
Títulode
Especialista
em
Matemática.Codó-MA
ä
:š1:2:1:¡:1:1:í:1:1:1:1:1
àšá-
UNIVERSIDADE
FEDERAL DE
SANTA
CATARINA
CENTRO
DE
CIENCIAS
FISICAS
E
MATEMÁTICAS
"A
.
_ Departamento de Matemática
"
_
Curso de Especialização
em
Matemática-Formação de Professor na modalidade a distância"O
Teorema
de
Euler
pan‹1~Po.|iedr@'ö~S*\iMonografia
submetida a Comissão de.avaliação do Curso de Especialização
em
Matemática-Fo.i'mação do professorem
cumprimento parcial para Í<aobtenção do título de Especialista
em
Mateniática. .
*
APROVADA
PELA COMISSAO
EXAMINADORA
em
07/07/2009Dr. Licio Hernanes Bezerra
(CFM/UF SC
- Orientador)>|d4/W»
VK
Dr. Danilo Royer
(CFM/UFSC
-Examinador) Q‹:._.>oQD
Lpl-¡u7L¿`Í i
É
X
A
ma,
Dr. Marcelo Sobotkka
(CFM/UFSC
~ Examinador)/~ri'
ler~
Both CawalhoCoordenadora do Curso.de Especialização
em
Matemática~Formação de ProfessorAos
meus
pais, Mariae
Francisco, por estaremsempre
presentes nosmomentos
bons ou
ruins,dando-me
forças para vencer todas as barreiras,fazendo-me acreditar
que o sonho
é
possível;Aos
meus
irmãos, Ananias, Romildae Amós, que
me
incentivarame
torcerampelo
meu
sucesso;À
minha esposa
Sônia,que
me
deu
forças nosmomentos
difíceis, estandosempre
presente nosmeus
pensamentos;Aos
Meus
filhos Davie
Moisésque
sãomeu
maior tesouro;A
todos osmeus
amigos.o
A
Deus, razãoda minha
existência, por terme
concedido mais estavitória;
o
Aos
meus
pais,a
quem
devo
tudo na vida;o
Aos
meus
familiarese
amigos, pelo apoioe
incentivo;o
Ao
professor Licioe
a todos os professoresda
UFSC,
por teremcontribuído
de
forma significativa paraa
minha
fonnação intelectual;o
À
minha esposa
Sôniaque
muito contribuiu paraque
estesonho
setomasse
realidade;ø
Ao
meu
amigo
Cicero (e família),que sempre
torceu pelomeu
sucesso;o
E
a todosque
contribuiram, diretaou
indiretamente, paraa
elaboraçãosuMÁR|o
1. introdução _- _- ¬ z z 2. Euler «z-L--f fz--E ««z¬ zw z~-=-¬zz‹zz¬
zzz z z ~ s z¬sz-~
3. Notas Históricas az s- -V 4.O
que é
um
Poliedro? « s z - --- «z zz 5.As
Primeiras Relações E fz za z-z zzf zzzz z z--- z--6.
Demonstração da
Relaçãode
Euler para Poliedros Convexos. 1.os
sóndss de
Pizúâo zz _8.
O
Teorema
de
Eulere
os Fulerenosez"
z-s :~-z- z¬=z~~z=9. Considerações Finais --s--z ¬f~-z-z -zz--E »---~ -zz-1---=s=»¬f=»«
10. Apêndice
-
Nanotubos
~~~~--_ ~ z-«¬
z -« - --zz¬~
=--›10.1. Projeção Ortogonal z ==----:¬=-›z ¬- z --- z«f=s--~
~z:›--|NTRoDuçÃo
Desde
a idadeda
pedra, encontramos vestígiosde
figuras geométricasem
pinturasde cavemas, adomos,
annas, objetos cerâmicose
tecidos. Paratentar
compreender
as formasque
seus sentidos percebiam,o
homem
crioua
geometria.
Neste trabalho, estudaremos poliedros, enfatizando a fórmula
de
Eulerpara poliedros convexos,
que
se apresentacomo
V
-Â
*F
=
2 ,em
que
V
representa
o número
de
vértices, A, representao número de
arestase
F,o
número
de
facesdo
poliedro. Mas,o que são
poliedros? E, alémda fómula de
Euler, quaissão as
condições impostas sobre V,A
e F
paraque
existaum
poliedro convexo?
Responder a
estes questionamentos seráo
obietivo destetrabalho. O I i on -I -. u n t-ii . .t ~ ~ .wa vw '.é_mI. mr: agr
1
._
' . z 'C ' ' Nf» -:- Qv ~~ , ~ O ~ L ,if
. 'W Li-Qi: ..°.¬ ~u:›.=.','l , ¬:.¬""T'_.›' ‹É,ÃÍ‹ ¡r,'_|I'4
“_ 'I i\§ ' u - ¿_.50i' ›‹.¡,:›!:_ --Ví
..›.-»!
r;¡'4! Ig, JP,I
I
as 1 -.-.I
`'efi-,1'..
10
Euler
Euler
é
consideradoum
dos
maiores matemáticosde
todos os tempos.Nasceu na
Basiléia,ao
norteda
Suíçaquase
na fronteiracom
a
França,no
dia15
de
abrilde
1707. Era filho primogênitode
Paul Euler,um
pastor calvinistaque
tinha esperançasde
que
seu filhoo
procedesseno
clericato,e de
Margarete Brucker.
Seu
paio
introduziu nos primeiros estudosde
matemática.Quando
estava na Universidadede
Basel,onde
estudou Teologiae
hebraico,Euler assistia toda
semana
auma
aula,de
uma
hora,do
matemáticoJohannes
Bemoulli. Ele recebeu seu primeiro mestrado aos dezessete
anos
e,como
eratambém
amigo
de
Daniele
Nicolaus Bemoulli, os Bemoullis resolverampersuadir
o
paido
Eulera
deixá-lo continuarcom
a carreira acadêmica.Aos
dezenove
anos, Euler recebeumenção
honrosa poruma
soluçãoque
apresentou
a
um
problema posto pelaacademia de
Paris. Mais tarde, eleganhou o
primeiro prêmio nestamesma
instituiçãodoze
vezes. Ainda,quando
tinha 19
anos
e
era estudantede
Johannes, apresentou tese para a cátedrade
fisica,
um
mémoire
cujo título era Dissertação Fisica sobreo Som.
Embora
não
obtivesse
a
cátedra, esse curtoe
claro panfleto tomou-se imediatamenteum
clássico
e
serviude
guia à pesquisaem
acústica pelo restantedo
século. Eulercontribuiu mais
à
acústica teórica,como
conhecemos o
assunto hoje,que
Em
1727, Eulermudou-se
paraSão
Petersburgo, Rússia,onde
conseguiu
uma
posição na recém-criadaAcademia de
Ciênciasde
São
Petersburgo.
Casou-se
em
1734e
teve 13 lilhos,dos
quaisapenas
cincosobreviveram.
Na
Academia de
Ciênciase
Belas-Letrasde
Berlim, foi diretorda
Classe
de
Matemática,onde permaneceu
até 1766.Os
primeiros problemasde saúde de
Euler surgiramem
1735.Em
1738, ele perdeu
a
visãode
seu olho direito.Em
1766,uma
catarata tomou-lhea visão
do
olho esquerdo.Sua
deficiência visualnão o
impediu, entretanto,de
ser
um
dos mais produtivos matemáticos conhecidos até hoje, poiscompensou-a
com
suamagnifica
capacidadede
realizar cálculos mentalmente,aliada à sua
memória
aparentemente inesgotável.Em
1741,mudou-se
paraa Alemanha
para assumiruma
posiçãona
Academia de
Ciênciasde
Berlim.Retomou
paraSão
Petersburgoem
1766,pouco
antesde
perder totalmente sua visão,com
59
anos,onde
permaneceu
atéseufalecimentocom76anosem7desetembrode1783.
Nesseperiodode
17 anos,
apesarda
cegueira, Euler escreveuquase
metade
de
suas866
obras,com
a ajudade
redatores.Euler absorveu
eexpandiu quase todosos
ramosdeconhecimentoque
eramcultivadosemseutempmtrouxedevoltaàvidaassuntosantigose
negligenciadosetracounovoscursosdepensamento,quevieramaflorescer
emseculosposteriores.Devidaàsuaenormeproduçãonoramoda
matemátiw,seunomeapareceassociadoaváñosteoremasefómulas,em
diversasáreasdamatemáüca.DenbeelaspodemoscitanaFónnuladeEuler
parapoliedros,oProblemadas7pontesdeKõnigsberg,aEqua@odeEuler-
Lagrange,
as equações
de
Eulerda
dinâmicados
fluidos,a
densidadedos
números
primos, aFunção
Totientede Euler, as integraisde
Euler,as Funções
GamaeBeta,asEquaçõesdeEulerdadinamicadoscorposrígidos,o
ProblemadaBasiléia,asFun‹;6esGeratrizeseNúmerosdePartição,os
12
Notas
Históricas
Descoberto
no ano de
1758,o
teoremade
Euler dizque
seum
poliedro
tem
V
vértices,A
arestase F
faces entãoV
-
A
+
F
=
2 , . Encontradopor Leibniz
em
1675,um
manuscritode
Descartes, produzido por voltade
1639, continha resultados
a
partirdos
quais se poderia obter a fomwa acima.Mas,
o
navioque
trouxe os pertencesde
Descartes paraa
França, depoisde
sua
morteem
Estocolmo, naufragouno
rio Sena.O
teoremade
Eulernão
é
válidoem
toda sua generalidade,como
eleacreditava.
A
controvérsiaem
tomo do
teoremade
Euler perdurou por maisde
um
século atéque a
solução definitivado
problema foidada
por Poincaré,no
ano de
1893,ao compreender que o
teoremade
Euleré
um
problemade
topologia
e não de
geometria, observandoque o número
V-A
+ F
,é
um
invariante topológico
do
poliedro P. Mas,o que
isso quer dizer?Dizemos que
duas
figurasA
e
B
são homeomorfas quando
existeuma
transformaçãoinvertivel
e
continua f=^"'
Bmifi
¡'l'°"=fi f'1=5 -'^
também
é
continua.Como
exemplo, se inflamos, injetando ar, os poliedrosdas
figuras 1e
2 setransformarão
em
esferas. Jáo
poliedroda
figura 3 transformar-se-iaem
um
toro. Assim, os poliedros
das
figuras 1e 2 são homeomorfos à
esfera; jáo
poliedro
da
figura 3é homeomorfo ao
toro.Poincaré mostrou que, se
um
poliedroP
com
V
vértices,A
arestase F
faces
é homeomorfo
aum
poliedroP
'com
V' vé1'tice.A'orem
2 F' fflvesentão V, A,
F
podem
ser diferentesde
V'-A'F', mas,V
-Â
+1*=V'°-4'+F'.
O
número
10')=
V
-A
+ F
é
chamado
de
característicade
Euler-Poincarée
dizemos
que
r(P)é
um
invariante topológicodo
poliedro P.Sabemos
que
*(9)
=
2quando
P
é
um
tetraedro. Logo, todo poliedrohomeomorfo ao
tetraedro (ou seja,
a
esfera)tem
característicade
Euler-Poincaré igual a 2.Em
14
O
que
é
um
Poliedro?
De
acordocom
o
dicionário inglêsde
Oxford, a primeira apariçãodo
termo poliedro estava na tradução
de
1570do
senhor Henry Billingsleydos
Elementos
de
Euclides (300 a.C).0
temio poliedrovem
das raízes gregas poly,significando muitos,
e
hedra, significando faces.Um
polyhedrontem
muitasfaces.
Os
Poliedros são objetos geométricos tridimensionais construídosde
faces poligonais.
Exemplos
de
poliedros,como
os mostradosna
figura 4,incluem
o cubo
comum,
a pirâmide simples (conhecida fonnalmentecomo
tetraedro),
o
octaedro (que pareceum
baiãode
festa junina)e o
icosaedrotruncado,
que tem
a formade
uma
bolade
futebol. Por causade
sua belezae
simetria, os poliedros encontraram
um
lugarde
destaquena
arte, na arquiteturae
na joalheria.Os
poliedrostambém
aparecem
na natureza,como
os cristaise
estruturas esqueléticas
de
certos seres marinhos microscópicos.As
propriedades
dos
poliedros fascinaram matemáticos por milênios. Para provaros teoremas sobre poliedros,
é
crucialque tenhamos
uma
definição precisado
tenno.
E
essa foiuma
das causasda
dificuldadeque
muitos matemáticostiveram
no passado
para demonstrar teoremas referentesa
poliedros, poisnecessitava-se
de
uma
definição precisado
significado dessa palavra.A
maneira mais satisfatória
de
definiçãode
poliedros parece ser aque
distinguea
estrutura combinatória
de
um
poliedrodas
realizações geométricas destaestrutura combinatória.
Comeømos
por listaras
condições sob as quaisuma
coleçãode
objetos
chamados
vértices, arestas,e
faces serãochamadas
um
poliedroabstrato.
Em
um
modo
abstratode
pensar,uma
arectaé
um
parde
vértices,e
uma
faceé
um
circuitode
arestas. Mais especificamente,Um
poliedroé
uma
reunião
de
um
número
finitode
polígonos planoschamados
faces onde:1-
Cada
ladode
um
desses polígonosé
também
ladode apenas
outro polígono.2-
A
interseçãode duas
faces quaisquerou é
um
ladocomum,
ou
é
um
vértice
ou
é
vazia.Cada
ladode
um
polígono,comum
a
exatamenteduas
faces,é
chamado
uma
arestado
poliedroe
cada
vérticede
uma
faceé
um
vérticedo
poliedro.3-
É
sempre
possível irde
um
pontode
uma
facea
um
pontode
qualquer outra,
sem
passar pornenhum
vértice (ou seja, cruzandoapenas
arestas). _,__,_,..--'ví -‹.---na no-vb /-',,__,z-*Fnac
~ ;-‹[email protected] -_--uns---_-_ø@-@
...Q .J :I f ›~'z-7
Anda
'd _,;-f' __,.ø-ff. 'I ,Í 0 íFa'c'es-são~os` tásou
mais16
As
Primeiras
Relações
Dado
um
poliedro,vamos
agora tratardo
problemade
contar as suasfaces, os seus vértices
e
suas arestas.Como
as facespodem
serde
gênerosdiferentes, isto é, faces
que
possuem
número de
lados diferentes,representaremos por F" (n
2
3),o número de
facesque
possuem
n lados.Da
mesma
forma,como
os vérticestambém podem
serde
gêneros diferentes,ou
seja, concorrem diferentesnúmeros de
arestas, representaremos por V"o
número de
vértices nos quais concorrem n arestas. Resumindo:F3 =
número de
facesque
são triângulosF
4= número de
facesque são
quadriláteros F5 =número de
facesque
são pentágonosF=F3+F¿+F5+...
V3
= número de
vérticesque
concorrem 3 arestasV4
=número de
vérticesque
concorrem4
arestasV5
= número de
vérticesque
concorrem 5 arestasv=v3+v,+v,+...
Imagine se
désmontássemos o
poliedro.Quantos
lados todos esses polígonosquadriláteros por 4,
o número
de
pentágonos por 5,e
assim por diante. Depoissomam-se
os resultados. Mas,como
cada arestado
poliedroé
ladode
exatamente
duas
faces,a
soma
anterioré
igualao
dobrodo número de
arestas,
ou
seja,2A
=
sr, +4|=, +5|=5+
Podemos também
contar as arestas observando os vérticesdo
poliedro. Se,em
cada vértice, oontarmos quantas arestas nele oonoorrem,somando
osresultados obteremos tambérn
o
dobrodo número de
arestas. Logo,zA
=
av,+4v4 +5v5 +
Dessas
primeiras relações entre os elementosde
um
poliedropodemos
deduzirduas
desigualdades: a)2A
2 3F
b)2A
23V
Justificativada
primeira:2A
=
3F3 +4F4 +5F5 +...2A
=
3(F3 +F¿ +F5 +...)+
F4 +2F5 +...ZA
=
3F
-I-F4 +2F5 +...2A
E
3F.OBS.:
Repare
que
a igualdade só vale se F4=
F5...=
0,ou
seja, seo
poliedrotiver
apenas
faces triangulares.Justificativa
da
segunda:ZA
=
3V3+4V¿ +5V5
+...18
2A
=
3‹v,+v, +v5
+...)+v, +2v5
+...av
+v, +2v5
+...2A23V.
A
segunda
desigualdade se justificade
forma análoga e, neste caso, aigualdade
em
todos os vértices concorrerá 3 arestas.O
resultado centralé o
Teorema
de
Euler.Na
verdade,a
relaçãode
Eulernão
é
verdadeira para todos os poliedrosde
acordocom
nossa definição. Vejafigura abaixo:
Este poliedro apresenta 16 vértices, 32 arestas
e
16 faces, aplicandoa
relaçãode
Euler temos:V+F-A=
16+16-
3z=Q_Mas, para os poliedros oonvexos ela
é
verdadeira. Afinalo que
são poliedrosoonvexos?
Um
poliedroé
dito convexoquando o
plano correspondente a cadaface divide
o
espaço,de
talmodo
que o
poliedrofique
em
que
mesmo
semi-Caso
contrário,o
poliedroé
chamado
de
cõncavo.A
partirde
agora,quando
referir-sea
poliedros, considerar-se-á20
Demonstração da
Relação
de
Euler,
Â
-F
=V
-2-
para Poliedros
Convexos.
A
demonstramos
dessa relação esta divididaem
duas
partes,primeiramente
vamos
calculara
soma
dos ângulos intemosde
todas as facesde
um
poliedro convexo P. Para isto,vamos numerar as facesde
P
de
1 até N,e
considerarHz-flvflz
-fluo número de
lados dessas faces, logo, (1S
kS
N).Como
asoma
dos ângulos intemosde
um
polígono convexoé dada
por1r(fliz
-
2) ,temoszS=1r(n,-z)+(n,-2)+
..+1r(n,,-2)Fatorando-se fr ,temosz
S
=
1Í[(n1+n2
+
...+ nk) '_ .F1No
primeiro parêntesestemos
asoma
dos números de
ladosde
todas asfaces,
que é
igualao
dobrodo número de
arestas, pois:Aresta
0?
se
- as arestas são os lados
dos
polígonosdas
faces;- as arestas
surgem quando
juntamos dois polígonos,sendo que
os doisSemi-espaço
superior
Assim,
o número
totalde
arestasdeve
ser igual àmetade da
soma
do número
de
ladosdetodas
asfacesA
=š,ousejan
=
ZA
Então temos:
S=1r(2A-2F)=2rr(A-F)
(l)Para
a
segunda
parteda
demonstraçãodevemos
tomarum
plano H,que não
intercepta P,e
cujo vetor normalnão
seja paraleloa
nenhuma
arectado
poliedroP
(isto é, talque
nenhuma
afectade
P
seja ortogonala
H). NotequeesseplanoHdivideoespaçoemdoissemi-espaços, umdosquaiscontém
o
poliedro P.O
semi-espaçoque
conterno
poliedroé
chamado
de
superior, isto é,dizemosqueseuspontosestãoacimade H.Acadapontoadoserni-espaço
superior corresponde
um
ponto a'em
H, obtido atravésda
projeção ortogonal.A
projeção ortogonalde
qualquer conjunto B, contidono
semi-espaço
superior é, por definição,o
conjunto B”, contidoem
H, formado pelaprojecão
dos
pontosde
B. Para saber mais sobre projeção veja apêndice.22
Consideremos, então, a projeção P'
do
poliedro P.Como
P
é
convexo,cada
pontode
P'é
projeçãode
um
ou
dois pontosde
P.Veja figura:
Dados
dois pontosde
P
que tem
amesma
projeção,ao
mais distantede
H
chamaremos
de
ponto superior,e ao
mais próximode
H, ponto inferior.Sendo
assim,o
poliedro sedecompõe
em
très partes distintas: conjuntodos
pontos superiores,o
conjuntodos
pontos inferiorese o contomo
visivel.Sendo
que o contomo
visívelé
uma
poligonal fechadaC
formada por arestasde
P.Cada
pontode
C”, projeçãodo contomo
visivel,é
formado pela projeçãode
um
único pontode
P.Dando
continuidade,vamos
calcular asoma
de
todos os ângulosdas
faces
de
P, observando-seque a
soma
de
todos os ângulos intemosde
uma
face
é
amesma
soma
dos
ângulos intemosde
sua projeção. Portanto, sejamVz
o
número de
vértices superiores, Vzo números de
vértices inferiorese
Vuo
número de
vérticesdo contomo
visível C,Temos,
V=
K+K
1-lã,Notemos
ainda
que
V3é o número de
vértices, conseqüentementede
lados,da
poligonal,ww
gw
W
ww
M
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24
Os
Sólidos
de
Platão
Os
nomes
sólidos platônicosou
corpos cósmicos foramdados
devido à forma pela qual Platão (427 a.C. -
34
a.C.),em
um
diálogo intituladoTimeu,
empregou
para explicar a natureza. Estes sólidossão
conhecidosdesde
a antiguidade.Modelos omamentais
podem
ser encontrados entre asesculturas
em
pedra criadas na Escóciano
periodo Neolitico (Figura 7), 1000anos
antesde
Platão.Figura 7:
Modelos
em
pedrado
cubo, tetraedro, dodecaedro,icosaedro
e
octaedro (Ashmolean Museus, Oxford).Platão associava
cada
um
dos
elementos clássicos (terra, ar,água e
fogo)
com
um
poliedro regular: Terraé
associadacom
o
cubo; ar,com
o
octaedro; água,
com
o
icosaedro; fogo,com
o
tetraedro.Com
relaçãoao
quintosólido platônico,
o
dodecaedro, Platão escreve: “Faltava aindauma
quintaconstrução
que deus
utilizou para onganizar todas as constelaçõesdo
céu.".Aristóteles introduziu
um
quinto elemento, éter,e
postulouque
os céuseram
feitos deste elemento,mas
elenão
teve interesseem
associá-locom
o
quintoEuclides,
no
seu último livro (Livro XIII)de
Os
Elementos,deu
uma
descrição matemática completa dos sólidos platônicos: nas proposições 13-17,
descrevem-se as construções
do
tetraedro,do
octaedro,do
cubo,do
icosaedro,e
do
dodecaedro, nesta ordem. Para cada sólido, Euclides calcula arazão entre
o
diâmetroda
esfera circunscritae o
comprimentoda
arestado
sólido.
Na
proposição 18, ele demonstraque não
existem outros poliedrosregulares.
Vejamos
a demonstração abaixo:Para isso, considere então
um
sólido platõnico cujas facessão
polígonos regulares
de
n lados.Como
cada arestado
poliedroé
definida pelainterseção
dos
ladosde
dois polígonos adjacentes, segue-seque
se contarmostodos os lados
de
todos os polígonos, iremos contarduas
vezescada
arestado
poliedro. Desta maneira:
v-A+F=z
9
nlF=2lA.
1.2)
Denote por p
o número de
arestasdo
poliedroque
concorremem
um mesmo
vértice.
Cada
uma
destas arestas,a exemplo das
faces, se conecta a doisvértices. Assim, se contarmos
o número de
arestasem
cada
face, estaremoscontando
duas
vezeso número de
arestasdo
poliedro. Portanto:V=2
A.P'
'1.3)
Substituindo-se os valores
de
V
e F das Equações
(1.2)e
(1.3) naEquação
(1 _), teremos
que
A
A
1 1 1 1zr--A+zr-=2w@mm---+-=¬
P
n
p
A
n
226
A=(2-n~p)I(2~n+2~p-n-p).
14)
Como
o número
A
de
arestasdeve
ser positivo,temos
que
2-n+2-p-n-p>O,
ouseja,iguaIa2ou, ainda,(2 - n)/(n
-
2) > p.Uma
vezque
p2
3, concluímos que, obrigatoriamente, n<
6.As
possibilidadessão
então as seguintes:Sen=3,
entãoA=6-p/(6-p)e,
portanto,F=2-A/n=4-p/(6-p).
. Desta última fórmula segue-se
que
p
< 6. Agora:(a)
Se
p = 3, entãoF =
4. Neste caso,o
poliedro fonnadoé
o
tetraedro.(b)
Se
p=
4, entãoF =
8. Neste caso,o
poliedro formadoé
o
octaedro.(c)
Se
p
= 5, entãoF =
20. Neste caso,o
poliedro formadoé
o
icosaedro.Sen=4,
entãoA=4-p/(4-p)e,
portanto,F=2-AIn=2-p/(4-p).
. Desta última fórmula segue-se
que p
< 4.Sendo
assim, p=
3 e, portanto,F =
6. Neste caso,o
poliedro formadoé o
cubo.Se
n=
5,entãoA
= 10 - p/(10 - 3 ° p) e, portanto,'
F = 2 - Aln
= 4
- pI(10 - 3 - p). Desta última fórmula segue-seque
p<
10/3.Sendo
assim, p=
3 e, portanto,F
= 12. Neste caso,o
poliedro formadoé o
A
Relaçao
de
Euler
e
os
Fulerenos
Descobertos
no
ano de
1985, pelos químicos HaroldW.
Kroto, Robert F.Curl
e
Richard E. Smalley,ao pesquisarem estrelas vermelhas-
fonnadasessencialmente por carbonos, os Fulerenos
são
a terceira fonna mais estáveldo
carbono,após
o
diamantee o
grafite.Após
a
descobertados
fulerenose
nanotubos, eles
tomaram-se
populares entre os cientistas tanto pela suabeleza estrutural quanto pela sua versatilidade para
a
síntesede
novoscompostos
químicos.O
nome
Fulereno, foidado
em
homenagem
ao
arquitetoRichard Buckminster Fuller.
Mesmo
sendo
constituídosdo
mesmo
elementoquímico, carbono,
o que
diferenciamé
a formacom
a
qual osátomos de
carbono estão organizados estruturalmente. Veja as figuras abaixo.
'” '*'*`*¬o»'°` ,_/:›`_ ,. ‹= ~ × , í _ Ç -.a‹: 'Ç __, * , ‹ 1 ' r' * ‹>
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"'¢;;~*" 2»-` t J 1 ` 1 'z-f., 'z -. ¬-5 Ç; f ` .I *fa ~ `.u'ƒ - .J
(_) '_ "‹:'/Estulura molecular
do
Diamante. Grafita e FularanuOs
fulerenospossuem
quantidades diferentesde átomos de
carbono,podendo
ser fonnados por 20, 60, 70, 100, 180,240 e
até540 átomos de
carbono.
É comumente
faladodo
Cm
e
também
do Cm,
pois estes foram osprimeiros a
serem
descobertose
também
são os mais comuns,mas
os outrostambém
têm
importânciana
classe dos fulerenos....,_-.-Q
\.,,»
28
Eles são formados
quando
carbono vaporizado se condensanuma
atmosfera
de
gás inerte (hélio); a vaporizaçãodo
carbonopode
ser feita, porexemplo,
com
lasers oucom
arcos voltaicosusando
eletrodosde
grafite.Os
átomos de
carbono vaporizados são misturadosao
hélio e secombinam
paraformar agregados moleculares
que
podem
reunir alguns poucosátomos
oucentenas deles.
Uma
das
caracteristicas dos fulerenosé
que
elespodem
serdissolvidos usando-se detemtinados solventes e,
possuem
corres diferentes.O
Cm,
por exemplo,é
um
sólidocom
corde
mostardae quando
dissolvidoem
solução
de
hidrocarbonetos aromáticos,como
o
benzeno, a solução possuiuma
coloração magenta, avermelhada. Jáo
Cm
POSSuiuma
coloraçãomarrom
avermelhada
e
em
soluçãotem a
cor vennelho vinho.O
C15, C1;e
C3.,são
amarelos.
Estruturalmente os fulerenos apresentam
na
formade
"gaiolas",ou
esferas otras,que são
fomtadas por anéisde 5
e
6
átornosde
carbono,sendo
estas estruturas bastantes estáveis. Por terem a formade
uma
esferaoca,
tem
a capacidadede
aprisionarátomos
ou moléculasde
gasesem
seusinteriores.
Quando
ocorre a penetraçãode átomos de
metais no interior dosfulerenos, ocorre então à formação
de
sais, oschamados
bucketos,que
possuem
faces metálicas. Taiscompostos de
fulerenos estãosendo
bastanteestudados atualmente.
A
partirda
síntesede
quantidades macroscópicasde
fulerenos ,Sumiolijima,
em
1991,descobriu outras moléculasde
carbonoe
aschamou
de
nanotubos, mais informações veja apêndice extraído
de
Uma
Pérolade
Euler.2005. Iniciação Científica - Universidade Federal
de
Itajubá,Fundação de
Amparo
à Pesquisado
Estadode
Minas Gerais, Estes são flexíveise
maisresistentes
que
o aço,sendo
bons condutorese tem
propriedades elétricasespeciais
que
otomam
mais condutoresque
o cobre., ... ” ƒ';1"`ͧ\ ' (,¢.Y‹:.:f:.f-*,~;';3 . _š"_.\Í :_¡._r¡ 1 .
Por terem
uma
estruturade
poliedro convexo, contendoapenas
faceshexagonais
e
pentagonaiscom
cada vértice concorrendo três arestas,assemelhando-se a
uma
bolade
futebol,uma
das conseqüências interessanteao
aplicar a fórmulade
Euleré que
elespossuem
exatamente 12 facespentagonais. Veja demonstração abaixo.
No
casodos
fulerenos,como
cadaátomo
está ligado a três outros,em
cadavértice há
o
encontrode
três arestas (cadauma
ligada a dois vértices); assim:V
=
2/3 A. (1)Substituindo-se esta relação
na equação
anterior, tem-se que:F =
1/3A + 2. (2)O
número de
facesnuma
molécula fulerènicaé
então:F
=
P
+
H, (3)em
que
P
é o número de
pentágonose
H
o
de
hexágonos.Ao
contar asarestas para todas as faces,
sendo
cada aresta compartilhada porduas
faces,cada
arestaé
contadaduas
vezes. Assim,numa
molécula fulerênica:A
=
1l2(5P+
6H) (4)Substituindo-se as
equações
3e 4
naequação
2, encontra-se simplesmenteo
30
coNs|DERAÇõEs
|=|NA|s
O
fascíniode
matemáticose
filósofos pelos poliedrosvem
de
longa data,destacando-se significativamente
o
trabalhode
Euclides, na Grécia Antiga.Para alguns, sua obra “Os Elementos”,
em
13 volumes, teriao
estudo dospoliedros
como
motivação principal. Percebe-setambém
que a
faltade
uma
definição precisa
pode
levar-nosa
erros na demonstraçãode algumas
propriedades
e
teoremasem
matemática.\fimos
também
que o
teoremade
Euler,
V
-A
+
F
=
2 ,em
que
V
representao
número de
vértices,A
o número
de
arestase F o
número de
facesdo
poliedro,é
válido para todos os poliedrosconvexos. Notamos,
também, que
os poliedrosaparecem
em
diversosramos
do
conhecimento.Acreditamos
que
este trabalho seráde
grande importância para aquelesApêndice
Nanotubos
Estudando
a
síntesede
quantidades macrosoópicasde
fulerenos,Sumio
Iijima,
em
1991, descobriu outros tiposde
moléculasde
carbono a asdenominou Nanotubos:
tubos cilíndrioosde
diâmetrosda
ordem de
8nm
e
15nm,
empacotados
um
dentrodo
outro,como
diversascamadas
de
uma
cebola,e
com
as extremidades fechadas por hemisférios fulerênioos.Recentemente
foidescoberto
que
os nanotubossão
flexíveise
mais resistentesque
qualqueraço,
e
têm
propriedades elétricas especiais, sendo, por exemplo, melhorescondutores elétricos
que
o
cobre.32
A
partir desses minúsculos tubinhos, os cientistas planejam construir'nanomotores'
e
outras 'nanomáquinas',que somente
poderão ser vistascom
o
auxilio
de
um
equipamento especial:o
nanoscópio.E
essas nanoestruturaspoderão ter aplicações diversas.
Mas
issoé
futuro.No
presente, os fulerenosestão
sendo
usados na fabricaçãode
novos materiais magnéticos muito leves,na preparação
de
novoscompostos
químicosque
são usados para melhorar aqualidade
das
imagens nas radiografiase
até no desenvolvimentode
medicamentos
contra a Aids. Já os nanotubos estãosendo
estudadosprincipalmente
como
condutores, isto é,como
fios, ficsque
podem
ser milhõesde
vezes mais finosque
um
fio de
cabelo!Nanotubo
Em
geometria,uma
projecção ortogonalé
uma
representaçãonum
hiperplano
de k dimensões de
um
objetoque tem
n
dimensões, considerandok
< n.A
projecçãoé
obtidaa
partirda
intersecçãode
planos perpendiculares(ortogonais)
a cada
pontodo
objeto,com
o
hiperplanode
representação.Este tipo
de
projecçãoé
bastante utilizadoem
cartografiae
como
técniwde
análiseem
algumas
disciplinasde
geologiacomo
a
geologia estrutural.A
projeção ortogonalde
um
pontoA
sobreum
planoP
é
a intersecção A'da
retaR
perpendicularao
planoP
traçada a partirde
A.YÁ Í |
A
projeção ortogonalde
uma
figura sobreum
planoé
obtida projetandoortogonalmente todos os pontos
da
figura sobreo
plano.2-
3-
4-
Referências Bibliográflcas
LIMA, E. L.;
CARVALHO,
P. C. P.;WAGNER,
E.;MORGADO,
A. C.A
matemátiw
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ensino médio,volume
2, 3* edição, Coleçãodo
Professorde
Matemática, Riode
Janeiro: Sociedade Brasileirade
Matemática,2000.
MELLO,
L. F. Fulerenose
futebol: aplicaçõesda
fórmulade
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do
Professorde
Matemática, 52,17-20, 2003.SARAIVA,
J. C. V.O
poliedro regularde
maior volume, Revistado
Professor
de
Matemática, 49, 15-20, 2002.WAGNER,
E.V-A+F
=
2. Existeo
poliedro?, Revistado
Professorde
Matemática, 47, 5-11, 2001.
GONÇALVES,
KELLY
CRISTINA,MELO,
LUISFERNANDO.
Uma
Pérola deEuler. 2005. Iniciação Científica - Universidade Federal de Itajubá, Fundação de