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Rev. adm. empres. vol.34 número4

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Academic year: 2018

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RESENHAS

ESTRATÉGIA DE EMPRESA

de FRANCISCO GOMES DE MATOS São Paulo: Makron Books, i 993, 434 p,

por Patrícia Amélla Tomei, Professora do Departamento de Administração da PUC-RJ.

S

abernos hoje, mais do que nunca, que a quali-dade, a produtividade e a competitividade de uma empresa não são tarefas apenas para especialistas. Atualmente, todos os executivos precisam enfrentar esses imperativos de gestão dinâmica. A busca de bons desempenhos e resultados empresariais deixou de ser intemalizada pelos elementos da organização como um objetivo principal e exclusivo da alta gerência. Passou a ser, então, uma filosofia necessária ao fun-cionamento de toda uma estrutura preocupada em alcançar o sucesso efetivo. Sucesso que é comemorado à medida que a estratégia de empresa é

"consistentemente

conscíentizada. e coerentemente exercida".

No livro Estratégia de empresa, o autor Francisco Gomes de Matos apresenta uma exposição clara e interessante, que fornece subsídios para que essa prática cotidiana se torne realidade em todos os níveis da organização.

O autor, com a experiência de anos como consultor

de grandes empresários e "braço direito" na condução

dos seus negócios, consegue absorver e transmitir,

através de sua obra, os denominadores comuns das atividades empresariais, reavaliando os conceitos-chave de administrar e reforçando, sem demagogia educa-cional, a busca da boa teoria e da boa reflexão como peça fundamental na integração e renovação empresarial pre-cedendo ações gerenciais improvisadas e soluções imediatistas.

O texto é muito rico em evidenciar a complexidade do fenômeno organizacional com todos os seus para-doxos e desafios, respeitando a sua pluralidade e neces-sidade de integração.

A conexão teoria e prática é elaborada pelo autor com base na sinergia de quatro dimensões fundamentais para um modelo empresarial de excelência: a profissiona-lização, a descentraprofissiona-lização, a visão pró-ativa e a dimen-são humana.

Na abordagem da profissionalização, o autor destaca a importância de um balanço situacional que opera-cionaliza o conceito de globalização visto no rúvel do indivíduo e do profissional, pincelando um dos aspectos mais importantes e complexos na gerência organizacio-nal: a formação de Recursos Humanos multi-espe-cialistas, com uma visão de sua área e do todo orga-nizacional, gerenciando os "feudos de poder" e fugindo

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da competição em-presarial predatória e canibalesca.

Nesse sentido, é imprescindível enfa-tizarmos a riqueza conceitual que emba-sa o conceito de

lide-rança numa empresa

profissionalizada: nesse tipo de

orga-nização, não cabem

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heróis" e umitos" f

pessoas individua-listas e brilhantes que dificilmente podem ser imitadas e que, com suas atitudes

onipotentes, constituem solos férteis para represálias destrutivas e desafiadoras e para uma busca incessante dos seus "pés de barro". !\'uma empresa profissio-nalizada, ternos espaço para o surgimento de lideranças que tragam a inovação e a criatividade e que negociem com seus seguidores suas crenças e valores para que a equipe promova a gerência da cultura e a mudança orga-nizacionaL

Na dimensão de empresa descentralizada, o autor define o conceito de visão estratégica, encarando-a como uma coerente e poderosa maneira de estabelecer o que queremos atingir nos negócios. Em tempos de incerteza e dificuldades, a visão estratégica é vital para estabelecer direções.

Na dimensão da empresa moderna, o autor enfatiza a visão organizacional pró-ativa, abordando a "desadmi-nistração" da inovação através da análise da idéia de que o "novo", por si só, não significa "algo melhor". Nesse sentido, o autor nos apresenta a importância de se distinguir entre a modernidade e o "novidadesco", conceitos comumente confundidos nas empresas e vendidos através de

merclumdising

imediatista, com embalagens simplistas que não oferecem condições de um

marketing

de conteúdo.

Por fim, na dimensão empresa humana, o autor des-taca o papel do indivíduo para a organização "huma-nizante" e "humanizadora" em continua renovação e retoma a questão da equipe, da liderança e da par-ticipação como focos centrais para uma estratégia de empresa.

Resta-nos salientar que o texto foi escrito basicamente como um relato da ótica organizacional vi vendada pelo autor, sem uma preocupação com o rigor acadêmico e a riqueza bibliográfica de citações. Se, por um lado, isso pode restringir a profundidade conceitual do livro, por outro, proporciona ao leitor um texto agradável, aces-sível, recomendado principalmente para profissonais, gerentes ou alunos de pós-graduação que precisam au-mentar seu ferramenta! na gestão de uma empresa.

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