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Cálculo de risco de crédito, uma aplicação utilizando o modelo CreditRisk+

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Beatriz Jardim Pina Rodrigues

alculo de Risco de Cr´

edito, uma aplica¸

ao

utilizando o modelo CreditRisk+

Niter´oi - RJ, Brasil 11 de Fevereiro de 2019

(2)

Universidade Federal Fluminense

Beatriz Jardim Pina Rodrigues

alculo de Risco de Cr´

edito, uma

aplica¸

ao utilizando o modelo

CreditRisk+

Trabalho de Conclus˜ao de Curso

Monografia apresentada para obten¸c˜ao do grau de Bacharel em Estat´ıstica pela Universidade Federal Fluminense.

Orientador: Prof. Marco Aur´elio Sanfins

Niter´oi - RJ, Brasil 11 de Fevereiro de 2019

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Universidade Federal Fluminense

Beatriz Jardim Pina Rodrigues

alculo de Risco de Cr´

edito, uma aplica¸

ao

utilizando o modelo CreditRisk+

Monografia de Projeto Final de Gradua¸c˜ao sob o t´ıtulo “C´alculo de Risco de Cr´edito, uma aplica¸c˜ao utilizando o mo-delo CreditRisk+”, defendida por Beatriz Jardim Pina Rodri-gues e aprovada em 11 de Fevereiro de 2019, na cidade de Niter´oi, no Estado do Rio de Janeiro, pela banca examinadora constitu´ıda pelos professores:

Prof. Dr. Marco Aur´elio Sanfins Departamento de Estat´ıstica – UFF

Prof. Dr. Valentin Sisko Departamento de Estat´ıstica – UFF

Profa. Dr. Daiane Rodrigues dos Santos Departamento de Economia – Candido Mendes

(4)
(5)

Resumo

Devido a crescente instabilidade econˆomica que se propaga pelo mundo, como acon-teceu em 2008 a “Grande Recess˜ao“ e atualmente a tens˜ao EUA X China, as institui¸c˜oes est˜ao demandando metodologias robustas e mais poderosas de modelagem de risco de cr´edito a fim de garantir sua sa´ude financeira.

O modelo estat´ıstico do CreditRisk+ foi desenvolvido pela Cr´edit Suisse Financial Pro-ducts (CSFP) e ´e muito difundido no mercado de seguros pois n˜ao ´e necess´ario assumir premissas. Isso ocorre, pois o modelo ´e baseado no risco de default [1], ou seja, risco de inadimplˆencia. O objetivo principal ´e chegar a mensura¸c˜ao de perdas esperadas e n˜ao esperadas em uma carteira de cr´edito. O CreditRisk+ acredita que os pagamentos dos empr´estimos s˜ao levados ao vencimento, ou seja, o pagamento ou o default ´e obser-vado apenas na data do vencimento [2]. O modelo considera apenas dois eventos para o devedor: inadimplente ou n˜ao. Para mensurar os eventos de default o modelo sugere agru-pamento dos devedores em faixas de exposi¸c˜ao de tal forma que a distribui¸c˜ao de perda pode ser aproximada de uma Poisson(µ) [3]. No modelo b´asico, as taxas de default s˜ao fixas. Para retratar a realidade, foi proposta uma nova modelagem [1] onde as incertezas, volatilidades, das taxas de default s˜ao incorporadas, trata-se de um modelo que assume uma distribui¸c˜ao Gama associada a essas incertezas. A partir da distribui¸c˜ao obtida ´e poss´ıvel calcular o VaR (Value-at-Risk) de cr´edito assim como a distribui¸c˜ao de perda e algumas estimativas pontuais como a perda esperada em um per´ıodo de tempo e o capital econˆomico alocado. O presente trabalho realiza uma aplica¸c˜ao do modelo CreditRisk+ usando o software R em uma carteira de cr´edito. Al´em disso, foram observados resultados satisfat´orios com diversos n´ıveis de confian¸ca.

(6)

Agradecimentos

Agrade¸co a conclus˜ao deste trabalho a todos meus professores que durante a gradua¸c˜ao puderam, mesmo que da mais breve forma, me passar os conhecimentos necess´arios para a obten¸c˜ao do t´ıtulo de bacharel.

Em especial, agrade¸co o professor orientador Marco Aur´elio Sanfins por ter acompanhado a minha trajet´oria na faculdade desde o segundo per´ıodo e por todo conhecimento e opor-tunidades que compartilhou comigo ao longo desse tempo.

Agrade¸co ao professor Valentin Sisko pelo grande ensinamento em programa¸c˜ao.

Para finalizar agrade¸co a todos os meus colegas de curso e amigos pessoais que me apoi-aram nesses anos.

(7)

Sum´

ario

Lista de Figuras Lista de Tabelas 1 Introdu¸c˜ao p. 10 2 Objetivos p. 13 3 Materiais e M´etodos p. 14

3.1 Revis˜ao dos Modelos de Risco de Cr´edito . . . p. 14 3.1.1 CreditMetrics . . . p. 14 3.1.2 KMV . . . p. 15 3.2 CreditRisk+ . . . p. 16 3.2.1 Introdu¸c˜ao ao Modelo . . . p. 16 3.2.2 Analisando os Eventos de Default . . . p. 16 3.2.3 CreditRisk+ com taxas de default fixas . . . p. 18 3.2.4 Incerteza sobre as taxas de Default . . . p. 20 3.2.5 Eventos de default com taxas vari´aveis . . . p. 21 3.2.5.1 Propriedades da Distribui¸c˜ao Gama . . . p. 22 3.2.5.2 Concluindo a An´alise Setorial . . . p. 22 3.2.5.3 C´alculo da FGP . . . p. 23 3.2.5.4 Rela¸c˜ao geral de Recorrˆencia . . . p. 24 3.2.6 Convergˆencia do Caso de taxas vari´aveis para taxas fixas . . . . p. 25

(8)

3.2.7 Generalizando a An´alise Setorial . . . p. 27

4 An´alise dos Resultados p. 29

4.1 Dados e estrutura . . . p. 29 4.2 Aplica¸c˜ao . . . p. 30 4.3 Aplica¸c˜ao com Stress . . . p. 34 4.4 Compara¸c˜ao dos resultados . . . p. 37

5 Conclus˜ao p. 39

(9)

Lista de Figuras

1 C´alculo de Risco de Cr´edito para o portf´olio em Janeiro de 2010 . . . . p. 30 2 Gr´aficos do risco de cr´edito por mˆes . . . p. 32 3 Resultados consolidados . . . p. 33 4 C´alculo de Risco de Cr´edito para o portfolio em Janeiro de 2010 . . . . p. 33 5 Gr´aficos dos resultados por nivel de confian¸ca . . . p. 34 6 Gr´afico dos resultados com stress . . . p. 35 7 C´alculo de Risco de Cr´edito considerando stress para o portfolio em

Ja-neiro de 2010 . . . p. 36 8 Compara¸c˜ao entre a perda esperada com e sem stress . . . p. 37 9 Compara¸c˜ao entre o VaR com e sem stress . . . p. 38 10 Compara¸c˜ao entre o ES com e sem stress . . . p. 38 11 Capital Economico Alocado . . . p. 40

(10)

Lista de Tabelas

1 Tabela de Rating . . . p. 30 2 Tabela dos resultados sem stress . . . p. 31 3 Tabela dos resultados com stress . . . p. 35

(11)

10

1

Introdu¸

ao

Mercado ´e um local onde um indiv´ıduo interessado em vender um bem ou servi¸co, encontra outro indiv´ıduo com o desejo de comprar esse mesmo bem ou servi¸co. O bem ou servi¸co no Mercado Financeiro ´e dinheiro.

De acordo com Alencar (2014), os bancos e as demais institui¸c˜oes financeiras tˆem um papel importante na economia como o agente intermediador entre os poupadores e os tomadores de empr´estimos. O tomador ´e aquele que precisa de mais capital ou recurso do que possui e o poupador ´e aquele que possui mais capital ou recurso do que necessita. Segundo Giolo (2009), o lucro do banco est´a no juros aplicado no cr´edito concedido ao tomador. Ent˜ao, para receber o lucro esperado devem ser realizadas a¸c˜oes banc´arias, e nessas a¸c˜oes existem riscos que podem acarretar em desequil´ıbrios patrimoniais e at´e em um colapso da entidade.

A literatura segrega o risco em cinco tipos de riscos financeiros em uma institui¸c˜ao [4]: o risco de mercado, risco de liquidez, risco operacional, risco legal e risco de cr´edito e todos se n˜ao analisados e mensurados podem implicar em grandes perdas financeiras.

• Risco de Mercado ´e definido como o comportamento do pre¸co do ativo devido a mu-dan¸cas nos pre¸cos ou parˆametros de mercado. Esse risco ´e influenciado pelo cen´ario econˆomico-politico global. Um exemplo de risco de mercado foi o impeachment de Dilma Rousseff, tiveram varia¸c˜oes nas cota¸c˜oes de a¸c˜oes das principais empresas de capital aberto brasileiras e o cˆambio chegou a 4,00 reais.

• Risco de liquidez ´e relacionado a incapacidade de liquidar determinado ativo em tempo razo´avel ao pre¸co prevalecente de mercado. Isso se da pelo interesse dos investidores em tal ativo, por exemplo, as a¸c˜oes de uma multinacional tˆem compra e venda mais r´apidas do que de uma microempresa nacional.

• Risco operacional, de acordo com Soares (2009), ´e relacionado a processos inade-quados ou falhas humanas. ´E necess´ario o mapeamento de todos os processos para

(12)

1 Introdu¸c˜ao 11

identificar os pontos mais vulner´aveis nas opera¸c˜oes. Um exemplo de Risco Opera-cional ´e falhas de softwares.

• Risco legal est´a associado a perdas decorrentes de multas, penalidades ou inde-niza¸c˜oes por n˜ao cumprimento correto da legisla¸c˜ao.

• Risco de Cr´edito ´e a possibilidade de perdas causadas pelo n˜ao pagamento de valores contratados pela contraparte, ou seja, o devedor n˜ao cumpre com suas respectivas obriga¸c˜oes financeiras.

O Risco de Cr´edito est´a diretamente associado a concess˜ao de cr´edito, que se trata da principal fun¸c˜ao de uma institui¸c˜ao financeira. ASSAF NETO e SILVA [5] definem cr´edito como sendo uma troca de bens presentes por bens futuros. Assim, pode-se definir uma opera¸c˜ao de cr´edito como aquela na qual se troca um valor atual pela promessa de pagamento futuro.

Inadimplˆencia, ou como chamam no mercado ‘Default’, ´e quando a contraparte n˜ao realiza o pagamento futuro na data acordada, ou seja, n˜ao cumpre com as obriga¸c˜oes contratuais [6].

Opera¸c˜oes de cr´edito envolvem um valor de inadimplˆencia esperado. O risco de cr´edito, segundo Frota (2015), ´e o c´alculo da inadimplˆencia n˜ao esperada decorrente do erro na estimativa da Probabilidade de Default. As institui¸c˜oes financeiras e n˜ao financeiras de-vem, al´em de acompanhar a recupera¸c˜ao do cr´edito concedido, se atentar a consolidar bases confi´aveis de informa¸c˜oes sobre os clientes.

O Novo Acordo da Capital de Basil´eia [7] definiu que o valor do VaR (Value at Risk), ou seja, do risco de cr´edito deve ser aprovisionado como garantia at´e finaliza¸c˜ao do processo. Este acordo tem como finalidade evitar falˆencias de institui¸c˜oes financeiras. Como uma institui¸c˜ao se sustenta de emprestar cr´edito, o c´alculo do VaR deve ser com precis˜ao para n˜ao ter cr´edito aprovisionado desnecessariamente. Sendo assim, ´e imprescind´ıvel uma boa analise de risco de cr´edito.

O CreditRisk+ ´e um modelo apresentado pela Credit Suisse Financial Products (CSFP) [1], o objeto desse modelo ´e encontrar as perdas esperadas da carteira e as perdas n˜ao esperadas para fins de aloca¸c˜ao de capital. Existem outros modelos que falaremos breve-mente durante esse trabalho, entretanto, o CreditRisk+ ´e o foco dessa monografia. No pr´oximo cap´ıtulo ser´a apresentado o objetivo do trabalho. O terceiro cap´ıtulo ser´a uma breve passagem pelos m´etodos de c´alculo do Risco de Cr´edito mais famosos e, ent˜ao, ser´a apresentado o modelo CreditRisk+ e alguns conceitos necess´arios para a aplica¸c˜ao do m´etodo. No quarto cap´ıtulo ser˜ao apresentados os resultados do c´alculo do Risco de

(13)

1 Introdu¸c˜ao 12

Cr´edito em uma carteira de cr´edito. Por fim, o ´ultimo cap´ıtulo apresenta conclus˜oes e considera¸c˜oes finais sobre a aplica¸c˜ao do c´alculo de Risco de Cr´edito utilizando o modelo CreditRisk+.

(14)

13

2

Objetivos

O objetivo principal deste trabalho ´e quantificar o risco envolvido em opera¸c˜oes de concess˜ao de cr´edito fazendo aplica¸c˜oes no software R do modelo CreditRisk+ em um portfolio. Ser˜ao feitas aplica¸c˜oes mˆes a mˆes de uma financeira de uma industria de asfalto. Al´em disso, o trabalho procura ilustrar a influˆencia do n´ıvel de confian¸ca escolhido e a utiliza¸c˜ao do m´etodo de stress nas categorias, ou seja, diminuir 2 categorias de cada individuo do portf´olio a fim de considerar o pior cen´ario.

(15)

14

3

Materiais e M´

etodos

3.1

Revis˜

ao dos Modelos de Risco de Cr´

edito

3.1.1

CreditMetrics

O CreditMetrics ´e um m´etodo que se baseia na avalia¸c˜ao de risco de uma carteira de cr´edito devida a mudan¸ca na classifica¸c˜ao de cr´edito dos devedores. Foi criado pelo JP Morgan em 1997 [8] e faz-se necess´ario ter dados dispon´ıveis sobre a classifica¸c˜ao de cr´edito do devedor para calcular o valor de mercado do empr´estimo e sua volatilidade. Segundo Clark (2013), o met´odo CreditMetrics pode ser resumido em 3 macro etapas:

• Etapa 1 - Estimar o valor de exposi¸c˜ao de cada devedor no portfolio.

O intuito nesta etapa ´e analisar a classifica¸c˜ao de cr´edito do devedor conjuntamente com a probabilidade do seu rating ser mudado para minimizar o risco de cr´edito. Esta etapa ´e fundamental para um bom c´alculo de risco de cr´edito e um ponto de aten¸c˜ao ´e observar se os dados s˜ao viesados.

• Etapa 2 - Calcular a volatilidade do valor em exposi¸c˜ao devido a migra¸c˜ao da clas-sifica¸c˜ao dos devedores.

Para efetuar os c´alculos desta segunda etapa s˜ao necess´arios, as probabilidades de que as classifica¸c˜oes de cr´edito(rating) do devedor mudem com o tempo e os spreads. Este rating do devedor pode sofrer upgrades e downgrades [4] .

Com essas informa¸c˜oes calcula-se a volatilidade das estimativas do valor de mercado, ou seja, pode-se calcular o VaR (Value at Risk) de um devedor de uma carteira de cr´edito.

• Etapa 3 - Calcular a correla¸c˜ao entre os ratings dos devedores e o c´alculo do risco da carteira. O c´alculo das correla¸c˜oes entre os ratings ´e feito atrav´es das informa¸c˜oes de agˆencias classificadoras [9]. Se o portfolio ´e consideravelmente grande ser´a ne-cess´ario auxilio do computador para realizar os c´alculos. Com as estimativas de

(16)

3.1 Revis˜ao dos Modelos de Risco de Cr´edito 15

correla¸c˜oes ´e poss´ıvel realizar simula¸c˜oes da probabilidade de migra¸c˜ao do devedor e seus pagamentos, assim temos a fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao de perda do portf´olio. [4]

3.1.2

KMV

O modelo KMV foi desenvolvido pela KMV Corporation com base no modelo de Merton (1974) [10] e utiliza a precifica¸c˜ao de op¸c˜oes. Diferente do CreditMetrics o modelo KMV n˜ao utiliza dados de agˆencias de classifica¸c˜ao para o c´alculo das probabilidades de default [9]. A base para a estima¸c˜ao do default do modelo KMV ´e o valor de mercado dos ativos. O processo do modelo pode ser divido em trˆes etapas.

• Etapa 1 - Estimativa do valor de mercado e volatilidade dos ativos da empresa. As vari´aveis do modelo s˜ao: valor dos ativos, distribui¸c˜ao futura dos ativos, volatilidade dos ativos e ponto de Default. O modelo KMV assume que os valores de ativos seguem distribui¸c˜ao log-normal. Se os ativos est˜ao menor que o ponto de default a empresa entra em inadimplˆencia.

• Etapa 2 - Calculando a distˆancia a inadimplˆencia Para garantir a precis˜ao na ava-lia¸c˜ao dos valores dos ativos, a KMV realiza o c´alculo da distˆancia a inadimplˆencia antes da apura¸c˜ao das probabilidades de default. A distˆancia de default ´e calculada pela f´ormula abaixo:

D = ln( V (a)

d ) + (µ − 0.5tσ 2)

σ√t (3.1)

Sendo V (a) o valor de mercado dos ativos, d o ponto de default estimado na etapa anterior, µ o retorno esperado dos ativos, tamb´em calculado na etapa anterior e σ a volatilidade do retorno dos ativos obtido, tamb´em, na etapa anterior. Est´a distancia do default representa o n´umero de desvios-padr˜oes entre a m´edia da distribui¸c˜ao de pre¸cos dos ativos e o ponto de default.

• Etapa 3 - Calculando as probabilidades de default. Na etapa final, o modelo KMV realiza um estudo para segmentar as empresas que possuem a mesma distancia ao default e observa quantas ficaram inadimplentes no intervalo de tempo avaliado. Estabelecida a estimativa do modelo, ´e constru´ıda matrizes para observar o rating de cada devedor e avaliar a probabilidade de um devedor trocar de rating no intervalo de tempo determinado. O modelo calcula o VaR de cr´edito da carteira com essas estimativas. Os fluxos de caixa s˜ao descontados pelas probabilidades neutras ao

(17)

3.2 CreditRisk+ 16

risco, obtida pela f´ormula de cada devedor que ´e dada abaixo:

Vp =

(Vs(1 − LGD) + Vf(LGD)(1 − q))

(1 + i) (3.2)

Sendo Vf o fluxo de caixa, LGD a perda dada a inadimplˆencia, q a probabilidade de inadimplˆencia e i a taxa livre de risco. A fun¸c˜ao de perda ´e obtida pela aproxima¸c˜ao da distribui¸c˜ao de uma Log Normal, e ent˜ao ir´a retornar o valor em risco de cr´edito [9].

3.2

CreditRisk+

3.2.1

Introdu¸

ao ao Modelo

O modelo foi desenvolvido pela Credit Suisse Financial Products (CSFP) [1] e ´e muito difundido no mercado gra¸cas `a sua simplicidade, j´a que n˜ao considera premissas sobre o motivo do default, n˜ao sendo poss´ıvel determinar o momento exato da Inadimplˆencia. O CreditRisk+ considera que o pagamento ou o default ´e observado apenas na data do vencimento. Logo, apenas dois eventos s˜ao poss´ıveis para cada devedor: Inadimplente ou n˜ao. Para medir os eventos de default o modelo sugere agrupamento dos devedores em faixas de exposi¸c˜ao. Al´em disso, deve-se saber ou calcular o valor do Loss Given Default (LGD) que ´e o valor do emprestimo que se perde no momento da inadimplˆencia. O modelo existe sob duas formas:

• Taxas de Default fixas • Taxas de Default Vari´aveis

3.2.2

Analisando os Eventos de Default

Seja N a vari´avel aleat´oria definida como total de Default na carteira. Para analisar a distribui¸c˜ao de perdas de toda a carteira com n devedores, introduzimos a Fun¸c˜ao Geradora de Probabilidades (FGP) [11] em termos de uma vari´avel auxiliar z, dada por:

FN(z) = ∞ X

n=0

p(N = n)zn (3.3)

(18)

3.2 CreditRisk+ 17

X1 = (

0, se acontece Default 1, se n˜ao acontece Default

Ent˜ao, Xi ≈ B(pi), sendo pi a probabilidade de Default do devedor i. P (X1 = 1) = Px1

P (X1 = 0) = 1 - Px1

A FGP de cada devedor, pode ser escrita como:

Fx1(z) = 1 − Px1 + Px1z = 1 + (z − 1)Px1 (3.4)

Como as taxas de Default s˜ao constantes, os eventos s˜ao independentes, logo: FN(z) = n Y i=1 Fxi(z) = n Y i=1 1 + (z − 1)Pxi (3.5)

Tomando o log da ultima equa¸c˜ao, temos: ln(FN(z)) = ln( n Y i=1 Fxi(z)) = n X i=1 ln(1 + (z − 1)Pxi) (3.6)

Vale lembrar que quando x ´e pequeno, pode-se escrever: ln(1+x) ≈ x. Demonstra¸c˜ao:

lim x→0ln(1 + x) = limx→0ln( 1 x + 1) = ln limx→0( 1 x + 1) = ln(e x) = x (3.7)

Logo, supondo Px1 pr´oximo a zero, temos:

ln(FN(z)) = n X i=1 (z − 1)Pxi → FN(z) = exp n X i=1 (z − 1)Pxi ! = eµ(z−1) (3.8)

No qual, µ =P Pxi conforme definido anteriomente.

A fun¸c˜ao geradora de momentos (FGM) de uma vari´avel aleat´oria que segue distri-bui¸c˜ao P(µ) ´e: E(Zx) = inf X k=0 zke−µµk k! = e −µ inf X k=0 (zµ)k k! = e −µ ezµ = eµ(z−1) (3.9) Ent˜ao, N ≈P(µ), ou seja,

p(N = n) = e −µµn

n! (3.10)

(19)

3.2 CreditRisk+ 18

possui distribui¸c˜ao de Poisson(µ)

3.2.3

CreditRisk+ com taxas de default fixas

O primeiro passo na obten¸c˜ao da distribui¸c˜ao de perdas, como supracitado, ´e agrupar as exposi¸c˜oes da carteira em faixas. Para esse tipo do Modelo, usaremos as seguintes nota¸c˜oes:

Referˆencia Nota¸c˜ao

Devedor Xi

Exposi¸c˜ao do devedor Xi Lxi

Probabilidade de default de Xi Pxi

Perda esperada de Xi λxi

Al´em disso, definiremos os seguintes valores auxiliares, para cada Xi, sendo L a ex-posi¸c˜ao total da Carteira.

vxi =

Lxi

L e εxi =

λxi

L

O passo principal ´e arredondar cada vxi para o inteiro mais pr´oximo e na maioria das

vezes m´ultiplo de 10 ou 100, reduzindo o n´umero poss´ıvel de exposi¸c˜oes entre os devedores [1]. Assim, o portf´olio ´e dividido em m faixas de exposi¸c˜ao, identificadas pelo ´ındice j. Com respeito a cada faixa, usaremos as seguintes nota¸c˜oes:

Referˆencia Nota¸c˜ao

Exposi¸c˜ao comum na faixa j vj Perda esperada na faixa j εj N´umero esperado de defaults na faixa j µj

Com isso, temos que:

εj = vjµj ⇒ µj = εj vj = X xi∈F aixaj εxi vxi

Sendo µ o n´umero total esperado de defaults na carteira, podemos dizer: µ =

m X

j=1

µj (3.11)

Agora que j´a analisamos a distribui¸c˜ao dos eventos de default, vamos prosseguir para o c´alculo da distribui¸c˜ao de Perdas. Seja G(z) a FGP das perdas, expressadas como um

(20)

3.2 CreditRisk+ 19

m´ultiplo da unidade de exposi¸c˜ao (nL).

G(z) = ∞ X

n=0

p(perdas = nL)zn (3.12)

Como as faixas do Portf´olio foram assumidas sendo independentes, segue que: G(z) =

m Y

j=1

Gj(z) (3.13)

Tratando cada faixa como um portf´olio, o produto de nL pode ser interpretado como o n´umero de ocorrˆencias de default (n) multiplicado pela exposi¸c˜ao da faixa (vj). Sendo assim, temos que:

Gj(z) = ∞ X n=0 p(n def aults)znvj = ∞ X n=0 e−µµn n! z nvj = exp (−µ j+ µjzvj) (3.14) Logo: G(z) = m Y j=1 exp(−µj+ µjzvj) = exp − m X j=1 µj+ m X j=1 µjzvj ! (3.15) Finalmente, vamos calcular a rela¸c˜ao recursiva para a distribui¸c˜ao de perdas. Dado um inteiro n, seja An a probabilidade de uma perda de nL. Pela expans˜ao de G em s´erie de Taylor, temos: p(perda = nL) = An= 1 n! dnG(z) dzn (0) (3.16)

Mas temos que:

G0(z) = d dz − m X j=1 µj+ m X j=1 µjzvj ! G(z) (3.17) O que nos d´a 1 n! dnG(z) dzn (0) = 1 n! dn−1K(z)G(z) dzn−1 (0), com K(z) = d dz( m X j=1 µjzvj) (3.18)

Usando a conhecida F´ormula de Leibniz para o c´alculo de derivadas, temos: 1 n! dnG(z) dzn (0) = 1 n!( n−1 X k=0 n − 1 k  dn−k−1G(z) dzn−k−1 dkK(z) dzk )(0) (3.19)

Mas, temos que:

dkK(z) dzk (0) = dk+1 dzk+1( m X j=1 µjzvj)(0) (3.20)

(21)

3.2 CreditRisk+ 20

µj(k + 1)!. Por defini¸c˜ao, temos: dn−k−1G(z)

dzn−k−1 (0) = (n − k − 1)!An−k−1 (3.21)

Com isso, temos: An= X k≤n−1k=vj−1 1 n! n − 1 k  (k + 1)!(n − k − 1)!An−k−1µj (3.22) = X j|vj≤n vjµj n An−vj = X j|vj≤n εj nAn−vj (3.23)

A f´ormula de recorrˆencia se completa quando vemos que:

A0 = G(0) = e−µ (3.24)

3.2.4

Incerteza sobre as taxas de Default

Dados hist´oricos mostram que as taxas de default variam com o tempo. A variabili-dade dessas taxas pode ser associada `a mudan¸ca de alguns fatores. O estado da economia ou at´e a mudan¸ca de um fator econˆomico pode afetar um grande n´umero de devedores de uma maneira parecida. Para medir o efeito de altera¸c˜oes em um dado fator sobre o portf´olio, precisamos estabelecer a extens˜ao da influˆencia sobre o grupo de devedores. A divis˜ao do Portf´olio [1] em setores se d´a quando agrupamos os devedores de acordo com fatores de influˆencia comuns a eles. O modelo considera cada setor como um subconjunto do total de devedores, que ´e dirigido por um fator principal que ser´a associado a incerteza sobre as taxas de default dos respectivos devedores. Quando fazemos a divis˜ao em seto-res, passamos a pensar em cada setor como um Portf´olio por si mesmo. Assim, faremos o agrupamento em faixas (dentro de cada setor), como fizemos no modelo com taxas fixas.

No qual definimos: vjk= L k j L e ε k j = λk j L (3.25) Sendo 1 ≤ k ≤ n e 1 ≤ j ≤ m(k)

Podemos entender m(k) como o n´umero de faixas de setor k.

(22)

3.2 CreditRisk+ 21 justo dizer: µk= m(k) X j=1 εk j vk j (3.26)

3.2.5

Eventos de default com taxas vari´

aveis

Neste ponto o objetivo ´e encontrar a distribui¸c˜ao dos eventos de default, para isso usaremos a Fun¸c˜ao geradora de Probabilidades. Ent˜ao, Definiremos a seguinte fam´ılia de vari´aveis aleat´orias.

Yk= quantidade de defaults no setor k Isso deixa claro que o n´umero de defaults da carteira ser´a:

Y = n X

k=1

Yk (3.27)

Agora, faremos as contas. Da defini¸c˜ao de FGP, temos: F (z) =

∞ X

n=0

p(Y = n)zn (3.28)

Cada setor, por defini¸c˜ao, ´e influenciado por fatores distintos e disjuntos. Sendo assim, ´e razo´avel supor independˆencia entre os setores. Isso nos permite escrever:

F (z) = n Y

k=1

Fk(z) (3.29)

Com isso, focaremos na an´alise de um setor qualquer, que nos levar´a a encontrar o que queremos. Com base no resultado que temos no modelo de taxas fixas e na defini¸c˜ao de Fk(z) temos:

Fk(z)|(Xk= x) = ex(z−1) (3.30)

Supondo que a densidade de Xk ´e fk, e usando o Teorema de Bayes, teremos: F (z) = ∞ X n=0 zn Z ∞ 0 p(Y = n|Xk = x)fk(xk)dxk (3.31)

Rearranjando a conta, temos:

F (z) = Z ∞ 0 [ ∞ X n=0 znp(Y = n|Xk = x)]fk(xk)dxk (3.32)

(23)

3.2 CreditRisk+ 22 Isso nos d´a: F (z) = Z ∞ 0 Fk(z)|(Xk= x)fk(xk)dxk (3.33) F (z) = Z ∞ 0 ex(z−1)fk(xk)dxk (3.34)

Para encontrarmos uma forma explicita para nossa FGP, precisaremos escolher, apro-priadamente, uma distribui¸c˜ao para Xk que tenha m´edia µk e variˆancia σk. O modelo sugere que escolhamos a Gama.

3.2.5.1 Propriedades da Distribui¸c˜ao Gama Fun¸c˜ao densidade de Probabilidade:

f (x) = 1 βαΓ(α)e

−x

β xα−1 (3.35)

M´edia e Variˆancia:

µ = αβ σ2 = αβ2 Fun¸c˜ao Gama: Γ(α) = Z +∞ 0 e−xxα−1 (3.36)

3.2.5.2 Concluindo a An´alise Setorial

Ent˜ao, olhando para cada setor k ao resolver o sistema, teremos: αk= µ2k σ2 k βk = σk2 µk

Ent˜ao, substituindo a express˜ao da densidade da Gama na nossa conta, teremos: F (z) = Z ∞ 0 exk(z−1) 1 βαk k Γ(αk) e−xkβk xkαk−1dx k (3.37) = 1 βαk k Γ(αk) Z ∞ 0 e−xk(βk1 +1−z) xkαk−1dxk (3.38) Fazendo y = xk(β1k + 1 − z), teremos: = 1 βαk k Γ(αk) Z ∞ 0 e−y 1 y βk + 1 − z !αk−1 dy  1 βk + 1 − z  (3.39)

(24)

3.2 CreditRisk+ 23

Fazendo alguns ajustes nessa conta, obteremos: Fk(z) =  1 − pk 1 − pkz αk (3.40) Onde, temos: pk=  βk 1+βk  3.2.5.3 C´alculo da FGP

Agora que j´a analisamos a distribui¸c˜ao dos eventos de default, vamos prosseguir para o c´alculo da distribui¸c˜ao de Perdas. Seja G(z) a FGP das perdas, expressadas como um m´ultiplo da exposi¸c˜ao Base (nL). Temos que:

G(z) = ∞ X

n=0

p(perdas = nL)zn (3.41)

Como os setores em que dividimos o Portf´olio foram assumidos sendo independentes, segue que: G(z) = n Y k=1 Gk(z) (3.42)

Sendo Gj(z) a FGP das perdas no setor k.

Precisamos, ent˜ao, calcular a FGP de cada setor. Pelo Teorema de Bayes [12], temos:

Gk(z) = ∞ X n=0 zn Z +∞ 0 P (perda = nL|Xk = x)fk(xk)dxk (3.43) Por´em, se o valor m´edio de defaults ´e conhecido, sabemos, do modelo com taxas fixas, que: ∞ X n=0 P (perda = nL|Xk = x)zn = exp(− m(k) X j=1 µkj + m(k) X j=1 εkj vk j zvjk) = e(xk(Rk(z)−1)) (3.44)

Onde, temos que:

xk = m(k) X

j=1

µkj (3.45)

E, para facilitar um pouco as contas, definiremos a seguinte fam´ılia de polinˆomios:

Rk(z) = 1 µk m(k) X j=1 εk j vk j zvkj (3.46)

(25)

3.2 CreditRisk+ 24

Isso nos d´a que:

Gk(z) = Z +∞

0

exk(Rk(z)−1)f

k(xk)dxk (3.47)

Note, ent˜ao, que j´a fizemos uma conta parecida quando est´avamos no caso anterior, mas, no lugar de Rk(z) havia s´o a vari´avel z. Como a vari´avel de integra¸c˜ao ´e xk, temos que:

Gk(z) = Fk(Rk(z)) =  1 − pk 1 − pkRk(z) αk (3.48) Com isso, conclu´ımos que:

Gk(z) = n Y k=1  1 − pk 1 − pkRk(z) αk (3.49)

3.2.5.4 Rela¸c˜ao geral de Recorrˆencia Supondo a expans˜ao em s´erie de G, temos:

G(z) = ∞ X

n=0

Anzn (3.50)

Queremos encontrar esses coeficientes An. Ent˜ao, iremos supor G(z) tal que: d(log(G(z))) dz = G0(z) G(z) = A(z) B(z) (3.51)

Onde, pediremos que A e B sejam polinˆomios. Isso faz sentido j´a que o denominador da fra¸c˜ao que representa G(z) ´e um polinˆomio. Tomaremos A e B da seguinte forma:

A(z) = a0+ a1z + . . . + arzr B(z) = b0+ b1z + . . . + bszs Assumindo isso, podemos escrever:

B(z)G0(z) = G(z)A(z) (3.52)

Derivando G, e substituindo os termos, teremos a seguinte igualdade: s X j=0 bjzj ! X n=0 (n + 1)An+1zn ! = r X i=0 aizi ! X n=0 Anzn ! (3.53)

Se efetuarmos os produtos em ambos os lados da equa¸c˜ao, obteremos duas s´eries de potˆencias em z. Ent˜ao, como os coeficientes de zn devem ser iguais, nos dois lados,

(26)

3.2 CreditRisk+ 25

qualquer que seja n, temos:

min(s,n) X j=0 bj(n − j + 1)An−j+1= min(r,n) X i=0 aiAn−i (3.54)

Abrindo a express˜ao, e organizando, teremos:

b0(n + 1)An+1+ min(s,n) X j=1 bj(n − j + 1)An−j+1 = min(r,n) X i=0 aiAn−i (3.55)

Isso nos d´a que:

An+1 = 1 b0(n + 1)   min(r,n) X i=0 aiAn−i− min(s,n) X j=1 bj(n − j + 1)An−j+1   (3.56)

A rela¸c˜ao de recorrˆencia se completa quanto notamos que:

A0 = G(0) = n Y

k=0

(1 − pk)αk (3.57)

3.2.6

Convergˆ

encia do Caso de taxas vari´

aveis para taxas fixas

Embora o CreditRisk+ seja projetado para incorporar os efeitos da variabilidade nas taxas m´edias de default, h´a circunstˆancia em que o modelo se comporta como se os ´ındices de inadimplˆencia fossem corrigidos [1]. O que vamos mostrar nessa se¸c˜ao ´e que, quando o desvio padr˜ao da taxa de inadimplˆencia m´edia para cada setor tende a zero, ocorre a convergˆencia entre o modelo de taxas vari´aveis e o modelo de taxas fixas. Nossa discuss˜ao, ent˜ao, consistir´a em demonstrar que a fun¸c˜ao geradora de probabilidades que encontramos no caso de taxas vari´aveis converge para a FGP encontrada no caso em que as taxas s˜ao fixas. Relembramos que a FGP encontrada no caso de taxas vari´aveis ´e:

G(z) = n Y k=1 Gk(z) = n Y k=1  1 − pk 1 − pkRk(z) αk (3.58) Onde: αk = µ2 k σ2 k , βk = σ2 k µk , pk= βk 1 + βk , µk= m(k) X j=1 µkj , µkj = ε k j vk j , Rk(z) = 1 µk m(k) X j=1 εkj vk j zvjk

(27)

3.2 CreditRisk+ 26

podemos ver que lim βk→0

pk

βk = 1. Ou seja, operando um limite com βk → 0, podemos usa-lo

para aproximar pk. Com base nessas observa¸c˜oes, vemos que, na verdade, pra provar o resultado que desejamos, basta calcularmos lim

βk→0

Gk(z).

Teorema 3.2.1 Segundo o Credit Suisse Bank (1997), quando o desvio padr˜ao da taxa de inadimplˆencia m´edia para cada setor tende a zero, a fun¸c˜ao geradora de probabilidades das perdas no modelo com taxas de default vari´aveis converge para a do modelo de taxas fixas. Demonstra¸c˜ao: lim βk→0 Gk(z) = lim βk→0  1 − pk 1 − pkRk(z) αk (3.59) . = lim βk→0  1 − pk 1 − pkRk(z) µkβk = lim βk→0  1 − βk 1 − βkRk(z) µkβk = lim βk→0  1 − βk 1 − βkRk(z) βk1 !µk =  lim βk→0 (1 − βk) 1 βk µk ×  lim βk→0 (1 − βkRk(z)) 1 βk −µk .

Note que Rk(z) n˜ao depende de βk. Usando o limite fundamental exponencial, temos que:

lim βk→0

Gk(z) = e−µk × e(−Rk(z))(−µk) = e−µk× eµkRk(z) (3.60) Isso nos permite concluir que:

G(z) → n Y k=1 e−µk × eµkRk(z) = exp  − n X k=1 m(k) X j=1 εkj vk j + n X k=1 m(k) X j=1 εkj vk j zvkj   (3.61)

Como as faixas s˜ao dadas pela mesma unidade base de exposi¸c˜ao, independentemente do setor, a equa¸c˜ao (3.61) vai nos permitir agrupar os devedores de setores diferentes,

(28)

3.2 CreditRisk+ 27

pertencentes a uma mesma faixa. Sendo assim, o somat´orio em k desaparece. Nossa express˜ao, ent˜ao, se resumir´a a:

G(z) = exp − m X j=1 εj vj + m X j=1 εj vj zvj ! (3.62)

Essa express˜ao ´e exatamente a que encontramos para a FGP das perdas no caso de taxas fixas. Notar isso, conclui nossa demonstra¸c˜ao.

3.2.7

Generalizando a An´

alise Setorial

At´e aqui, nossa an´alise supˆos que os devedores eram afetados por apenas um fator principal, que determinava os setores em que dividir´ıamos nosso portf´olio. Faremos agora, uma an´alise um pouco mais geral, que considera um devedor sendo afetado por mais de um fator. Para isso, vamos olhar para a conta que nos levou a encontrar a FGP.

G(z) = n Y j=1 Z +∞ 0 exk(Rk(z)−1)f k(xk)dxk (3.63)

Se olharmos a equa¸c˜ao (3.63) como uma integral m´ultipla teremos:

G(z) = Z +∞ x1=0 Z +∞ x2=0 . . . Z +∞ xn=0 exp n X k=1 xk(Rk(z) − 1) ! n Y k=1 fk(xk)dxk (3.64)

Podemos redefinir Rk(z) como soma nos devedores do setor k: Rk(z) = 1 µk X xi∈k εxi vxi zvxi (3.65)

Com essa informa¸c˜ao, podemos escrever: n X k=1 xk(Rk(z) − 1) = n X k=1 X xi∈k xk µk εxi vxi (zvxi − 1) = X xi,k δxik xk µk εxi vxi (zvxi − 1) (3.66)

Sendo δAk dada por:

δxik =

(

0 se xi ∈ k/ 1 se xi ∈ k

Para generalizar o conceito de setor, trocaremos a fun¸c˜ao δ por um n´umero θxik que

represente o quanto fator principal do setor k afeta o devedor xi. Pediremos apenas que n

X

k=1

(29)

3.2 CreditRisk+ 28

em que temos θxik = δxik. Com isso, nesse caso mais geral, ficamos com:

n X k=1 xk(Rk(z) − 1) = X xi,k θxik xk µk εxi vxi (zvxi − 1) (3.67)

Se redefinirmos o valor esperado das perdas no setor k como sendo µk= X xi θxik εxi vxi . Com isso, nosso Rk(z) ser´a reescrito da seguinte forma: Rk(z) = µ1k

X xi θxik εxi vxi zvxi. Operando

com esse novo polinˆomio,

conseguiremos obter a FGP das perdas de maneira idˆentica ao caso particular que hav´ıamos visto.

(30)

29

4

An´

alise dos Resultados

4.1

Dados e estrutura

Para calcular o valor inesperado (VaR) e o valor esperado de perda (PE) utilizando o m´etodo de CreditRisk+ foram utilizados dados financeiros reais de uma industria de asfalto. Por motivo de confidenciabilidade, n˜ao ser´a informada a fonte. O c´alculo foi realizado por mˆes, iniciando em janeiro de 2010 e terminando em dezembro de 2010. A estima¸c˜ao do risco de cr´edito utilizando o modelo Creditrisk+ foi realizada no software R e o pacote utilizado foi o ”crp.CSFP”. Para realizar a estima¸c˜ao pelo R, o portfolio deve ter as seguintes colunas:

• CPnumber: numerar os individuos do portfolio; • CPname: nome do individuo;

• exposure: exposi¸c˜ao do individuo (valor do empr´estimo que ainda precisa ser pago); • lgd: percentual de perdas de uma exposi¸c˜ao de risco no momento na inadimplˆencia; • maturity: tempo de considera¸c˜ao para as estimativas;

• rating: classifica¸c˜ao do individuo ;

• S1: 0 ou 1; caso o individuo perten¸ca ao setor 1; • S2: 0 ou 1; caso o individuo perten¸ca ao setor 2; • S3: 0 ou 1; caso o individuo perten¸ca ao setor 3.

No caso do portf´olio utilizado nesse trabalho, a maturidade ´e de 365 dias e os in-div´ıduos fazem parte do mesmo setor. Schuermann (2004) afirmou que a distribui¸c˜ao de perdas ´e bimodal com picos em 0,25 e 0,75. Sendo assim, com o objetivo de ser mais conservador foi adotado para todos os indiv´ıduos do portfolio o valor para lgd, loss given default, de 0,75.

(31)

4.2 Aplica¸c˜ao 30

A matriz de rating, matriz que cruza as probabilidades de default com as classifica¸c˜oes, foi definida utilizando as classifica¸c˜oes do SERASA [21] e do Banco Central.

RATING PD SD A 0.0025 0.00144 B 0.0075 0.00144 C 0.0169 0.00577 D 0.0588 0.02021 E 0.1250 0.01443 F 0.2250 0.04330 G 0.4000 0.05774 H 0.7500 0.14434

Tabela 1: Tabela de Rating

Na coluna ’RATING’ da Tabela 1 ´e poss´ıvel observer as categorias, j´a na coluna ’PD’ e ’SD’ est˜ao listados os valores da probabilidade deR def aulteodesviopadr˜aorespectivamente.

4.2

Aplica¸

ao

A figura 1 apresenta as sa´ıdas do R para o c´alculo de CreditRisk+ do portfolio em Janeiro de 2010 usando a fun¸c˜oes ”init”e ”crp.CSFP”.

(a) Gr´afico (b) Saidas do R

Figura 1: C´alculo de Risco de Cr´edito para o portf´olio em Janeiro de 2010

O valor de perda esperada (PE) na carteira ´e de 1,69 Mio (Mio = 106), no gr´afico a perda esperada est´a ilustrada pela linha verde (EL - Expected Loss). Sendo assim, 1,69 Mio ´e automaticamente provisionado por ser a perda natural das transa¸c˜oes.

Ao nivel de confian¸ca de 99,9%, o VaR, ou seja, o valor de perda n˜ao esperada ´e de 14 Mio. No gr´afico o VaR ´e representado pela linha azul. A diferen¸ca entre o VaR e a

(32)

4.2 Aplica¸c˜ao 31

Perda Esperada, ou seja, linha azul menos a linha verde ´e chamado de Capital Econˆomico Alocado (EC). O EC representa o valor que devo provisionar no fundo para garantir que caso aconte¸ca alguma perda inesperada a financeira n˜ao v´a a falencia. Nesse caso, ser´a provisionado no fundo 12,31 Mio.

J´a a linha vermelha do gr´afico (Figura 1 painel A) representa Expected Shortfall (ES) que ´e a perda m´edia nos piores casos, ou seja, no 0,1%. Ent˜ao caso a perda ultrapasse o VaR, o valor esperado ´e de 15,47 Mio. Uma forma de ser mais conservador poss´ıvel, seria provisionar o valor do ES no fundo no lugar do VaR.

Os mesmos passos foram feitos para os outros meses at´e Dezembro de 2010. Seguem abaixo os gr´aficos de cada mˆes utilizando o nivel de confian¸ca de 99,9% e tamb´em tabela com o VaR, Valor Esperado e Expected Shortfall levando em considera¸c˜ao diferentes niveis de confian¸ca.

Tabela 2: Tabela dos resultados sem stress ´

E poss´ıvel observar na Tabela 2 que quanto maior o n´ıvel de confian¸ca maiores s˜ao os valores do VaR e ES. A Perda Esperada n˜ao ´e uma previs˜ao, sendo assim, o valor se mant´em constante independente do n´ıvel de confian¸ca.

(33)

4.2 Aplica¸c˜ao 32

(34)

4.2 Aplica¸c˜ao 33

Os resultados consolidados podem ser observados no gr´afico abaixo:

Figura 3: Resultados consolidados

A Figura 3 torna evidente que o valor estimado do Capital Econˆomico (VaR - PE) ´e bastante influenciado pelo n´ıvel de confian¸ca.

Com o intuito de visualizarmos como se comportou o VaR e o Expected Shortfall (ES) ao longo do ano, foi construido o gr´afico abaixo:

(a) VaR (b) Expected Shortfall

Figura 4: C´alculo de Risco de Cr´edito para o portfolio em Janeiro de 2010

Outra forma de analisar ´e comparar os cen´arios, ou seja, resultados de cada n´ıvel de confian¸ca.

(35)

4.3 Aplica¸c˜ao com Stress 34

Figura 5: Gr´aficos dos resultados por nivel de confian¸ca

4.3

Aplica¸

ao com Stress

O objetivo dessa se¸c˜ao ´e realizar a mesma analise de risco de cr´edito stressando os rating, isso significa pensar no pior cen´ario poss´ıvel onde um indiv´ıduo esta 2 classifica¸c˜oes abaixo do que ele realmente ´e. Para os indiv´ıduos das classifica¸c˜oes 7 (pen´ultima) e 8 (´ultima) da tabela de score ser´a considerado que o indiv´ıduo est´a na ´ultima categoria -8. O m´etodo de stress ´e normalmente utilizado no mercado para analisar se a institui¸c˜ao financeira conseguiria arcar com as perdas em uma crise econˆomica.

(36)

4.3 Aplica¸c˜ao com Stress 35

Tabela 3: Tabela dos resultados com stress

O total da carteira de cr´edito no mˆes de Setembro ´e de 100 MM, ent˜ao observando o VaR na Tabela 3 no mˆes de Setembro com n´ıvel de confian¸ca de 99.9% representa metade da carteira no mˆes.

Figura 6: Gr´afico dos resultados com stress

De acordo com a Figura 6 poss´ıvel observar que o VaR de 99.9% dos meses de Maio a Dezembro s˜ao em torno de 50 Mio, como o portfolio tem como valor total 104 Mio ent˜ao a provisionamento total, ou seja, VaR (PE + CE) ´e de 50% do valor total do portfolio.

(37)

4.3 Aplica¸c˜ao com Stress 36

Sendo assim, os valores de VaR com stress e n´ıvel de confian¸ca 99.9% comprometem a institui¸c˜ao financeira.

(a) VaR (b) Expected Shortfall

Figura 7: C´alculo de Risco de Cr´edito considerando stress para o portfolio em Janeiro de 2010

(38)

4.4 Compara¸c˜ao dos resultados 37

4.4

Compara¸

ao dos resultados

A primeira compara¸c˜ao feita foi na Perda Esperada (Figura 8), pois, como dito an-teriormente, ´e o valor que automaticamente ´e perdido nas transa¸c˜oes. Utilizar o m´etodo com stress acarreta na perda 4 vezes maior do que o m´etodo sem stress, como ´e poss´ıvel ver no gr´afico abaixo.

Figura 8: Compara¸c˜ao entre a perda esperada com e sem stress

Como pode ser visto na Figura 8, independente do n´ıvel de confian¸ca, o VaR consi-derando stress ´e sempre maior que o sem stress. A diferen¸ca entre os VaR com stress ´e maior do que a sem stress, mostrando que o n´ıvel de confian¸ca escolhido impacta muito no resultado.

(39)

4.4 Compara¸c˜ao dos resultados 38

Figura 9: Compara¸c˜ao entre o VaR com e sem stress

O Expected Shortfall segue o mesmo comportamento do VaR, a diferen¸ca ´e que os valores s˜ao mais altos como esperado.

Figura 10: Compara¸c˜ao entre o ES com e sem stress

O valor do ES com stress ´e sempre maior que o valor sem stress independente do n´ıvel de confian¸ca. Isso mostra que o m´etodo de stress ´e extremo.

(40)

39

5

Conclus˜

ao

No presente trabalho de conclus˜ao de curso, foram apresentados conceitos de concess˜ao de cr´edito como: tomador, poupador e probabilidade de inadimplˆencia. Al´em disso, foram abordados os tipos de riscos envolvidos em transa¸c˜oes e m´etodos de c´alculo de risco de cr´edito. O foco desse estudo foi, realizar uma aplica¸c˜ao do CreditRisk+ em um portf´olio e mostrar a importˆancia do c´alculo do risco de cr´edito para as empresas, principalmente institui¸c˜oes financeiras.

Deve-se ressaltar que uma ´area de gest˜ao de risco deveria periodicamente monitorar a perda esperada, o VaR e o CE, pois esses valores impactam na mitiga¸c˜ao do risco de falˆencia[7] e retorno esperado. Sendo assim, medidas preventivas podem ser elaboradas para manter a sustentabilidade da institui¸c˜ao, como criar um fundo para suportar as perda.

Um ´unico valor, o VaR, ´e capaz de trazer in´umeras informa¸c˜oes, como: 1) Valores altos do VaR devem ser avisados a ´area de concess˜ao de cr´edito para ela se tornar mais eficiente no tocante a melhorar crit´erios para escolha dos seus clientes. 2) O VaR auxilia na calibragem do Risco-Retorno, ou seja, caso a carteira de cr´edito esteja muito arriscada ent˜ao ´e necess´ario aumentar a gordura dos retornos.

Por fim, foram realizadas aplica¸c˜oes do m´etodo CreditRisk+ no software R utilizando um portf´olio mˆes a mˆes de uma financeira de uma industria de asfalto. Consideradou-se diferentes n´ıveis de confian¸ca e m´etodo de stress das categorias a fim de comparar os m´etodos.

A analise dos resultados nos fez concluir que o Capital Economico Alocado (CE), ou seja, a diferen¸ca entre o VaR e o valor de perda esperada (PE) ´e sempre maior considerando o m´etodo stress. Esse resultado ´e importante, pois o CE ´e o valor que ´e aconselhavel provisionar em um fundo para a institui¸c˜ao se proteger em (1-α) % das vezes. Com o intuito de ilustrar essa conclus˜ao, segue abaixo gr´afico do Capital Economico considerando o nivel de confian¸ca de 95%.

(41)

5 Conclus˜ao 40

Figura 11: Capital Economico Alocado

Concluimos que a utiliza¸c˜ao de diferentes n´ıveis de confian¸ca acarretam em diferentes resultados o que pode ser crucial para defini¸c˜ao do valor provisionado em fundos cria-dos. Al´em disso, quando utilizado o m´etodo de stress os valores de PE, VaR e ES s˜ao consideravelmente maiores do que sem o stress.

(42)

41

Referˆ

encias

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Referências

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