Relatório de Estágio apresentado para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre em Edição de Texto realizado sob a orientação científica do Professor Fernando
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RESUMO
O presente relatório descreve as actividades desenvolvidas no estágio que realizei na Chiado Editora em 2014, como parte da componente não lectiva do Mestrado em Edição de Texto. No primeiro capítulo faz-se uma breve apresentação da editora e da sua organização e funcionamento. No segundo capítulo, são apresentadas as várias funções que me foram atribuídas no decorrer do estágio: paginação, coordenação editorial, representação da editora em sessões de lançamento.
Palavras-chave – Chiado Editora, edição, paginação, coordenação, lançamentos
ABSTRACT
This report describes the activities undertook during my internship in the publishing company Chiado Editora in 2014, as part of the Master Degree in Publishing. In the first chapter I do a brief presentation of the publishing company and its organization. In the second chapter, I describe the roles that were assigned to me during the internship: pagination, editorial coordination, and Chiado Editora’s representation in book launching sessions.
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ÍNDICE
Introdução --- 5
1. A Chiado Editora --- 6
1.1. Organização e funcionamento da editora --- 7
1.2. E-books e os meios de comunicação digitais --- 10
2. Actividades Realizadas 2.1. Paginação --- 12 2.2. Coordenação Editorial --- 20 2.3. Sessões de Lançamento --- 27 Conclusão --- 30 Anexos --- 31
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Introdução
Procurarei neste relatório descrever as actividades que levei a cabo no estágio curricular realizado na Chiado Editora entre os meses de Agosto e Novembro de 2014, estágio este que teve a duração de 400 horas, sob a orientação do professor Fernando Cabral Martins.
Proponho-me, no primeiro capítulo, a realizar uma breve apresentação da editora, expondo de seguida a sua organização e modo de funcionamento. Numa segunda parte, abordarei então as actividades que me foram propostas.
Ainda que não tenha sido, de todo, a única, a principal função que desempenhei durante o tempo que integrei a equipa da Chiado Editora foi a de Coordenador Editorial, pelo que será aí que naturalmente recaíra o principal enfoque deste relatório. Tentarei também explicar em que consiste o trabalho de paginação – primeira tarefa que me foi atribuída – e a representação da editora em sessões de lançamento de livros – uma função para que fui designado numa fase mais avançada do estágio, mas que no final desempenhava já com um crescente à vontade, consequência necessária da prática e de uma maior familiaridade com a editora de uma forma geral.
Sem perder de vista o que esta experiência trouxe de novo, procurarei mostrar como alguns conhecimentos previamente adquiridos na componente lectiva do mestrado foram particularmente úteis durante o estágio.
Este relatório é um resumo, de pendor objectivo, de 3 meses de estágio ricos em aprendizagem e aquisição de novas competências, que se estendem muito para lá das funções que me foram directamente atribuídas.
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1. A Chiado Editora
A Chiado Editora é uma editora especializada na edição de autores contemporâneos de língua portuguesa, afirmando-se actualmente como a maior editora em Portugal neste segmento, e uma das editoras em maior crescimento no Brasil. Criada em Lisboa em 2008, a Chiado Editora tem tido desde então um crescimento exponencial, editando actualmente mais de 1000 novos títulos por ano. Em virtude do sucesso alcançado em Portugal, a editora expandiu a sua actividade para outros países, operando já com escritórios abertos no Brasil (em São Paulo) e em Espanha (em Barcelona). Para além dos escritórios, a Chiado Editora conta ainda com a colaboração de editores em Madrid e no Rio de Janeiro. A editora detém também os seus próprios meios de produção gráfica (Chiado Print) e assegura directamente a distribuição de todo o seu catálogo, distribuição essa que é feita não só em Portugal, Espanha e Brasil, mas também na Alemanha, Bélgica, França, Luxemburgo, Estados Unidos da América e Reino Unido. É de referir, ainda neste campo, que a Chiado Editora possui a sua própria Livraria em Lisboa, a Desassossego, que funciona também como bar e espaço para a realização de eventos, como veremos mais à frente.
No que diz respeito ao catálogo, a Chiado Editora edita livros dos mais variados géneros, que são distribuídos, em função disso, por várias colecções:
Viagem Filosófica Bios Revólver Compendium Sentido Oculto Literatura Juvenil Ecos da História Mundo Fantástico Mais que Mil Palavras Prazeres Poéticos Passos Perdidos Viagens na Ficção
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1.1. Organização e Funcionamento da Editora
A estrutura da Chiado Editora divide-se em vários departamentos, cada um deles com funções distintas bem definidas.
O Departamento de Edição, constituído por quatro editores executivos, é responsável pela recepção e selecção dos originais a editar. Via de regra, é ao correio electrónico geral da editora que chega a maior parte dos novos originais. É a partir daqui que estes são distribuídos pelos editores executivos, em função da disponibilidade e da carga de trabalho de cada um deles. Cabe então a estes avaliar os originais e entrar em contacto com os autores. É de referir aqui um dos elementos peculiares do funcionamento da Chiado Editora que a distingue daquilo a que nos poderemos referir como conceito tradicional de editora. Pretendemos, com esta acepção do termo, referir uma organização ou estabelecimento em que o custo da edição é, se não na totalidade, pelo menos em grande parte, suportado pela editora, do lado da qual ficam também os riscos inerentes à actividade por ela desenvolvida, como seja o do insucesso comercial das obras editadas. Ora, isto não acontece na generalidade das obras editadas pela Chiado Editora. Assumindo o objectivo de democratizar o mundo editorial através da sua política editorial1, a Chiado Editora leva a cabo a generalidade das suas edições mediante a participação monetária dos autores, a fim de tornar estas edições economicamente viáveis para que possam assim chegar aos leitores. Para isso, os autores comprometem-se a adquirir um determinado número de exemplares do livro editado. Na maior parte dos casos, o autor poderá vender os exemplares que adquiriu na sessão de lançamento organizada pela editora, de que falaremos adiante. O número de exemplares a adquirir pelo autor varia em função de vários factores, entre eles as estimativas de vendas, o custo de impressão da obra e a política editorial. Todos estes aspectos são negociados directamente entre o autor e o editor executivo responsável pela obra.
Apesar de ser este o procedimento adoptado para a maior parte dos livros editados, a Chiado Editora tem vindo também a editar obras segundo um modelo mais tradicional, sem a necessidade de contribuição monetária dos autores. São estes livros de autores reconhecidos pelo público, com potencial de sucesso comercial, ou edições e visibilidade.
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Uma vez tomada a decisão de editar uma determinada obra, é negociado e apresentado ao autor o contrato de edição. Estando este assinado, dá-se então início ao trabalho editorial propriamente dito, cuja primeira fase é a da coordenação editorial. A coordenação editorial foca-se essencialmente na mediação da relação entre o autor e os designers responsáveis pela paginação e desenho da capa do livro. Em princípio, é da responsabilidade do autor o envio da versão definitiva da obra, isto é, já revista (salvo pequenas correcções posteriores, ou algumas excepções que veremos mais tarde). O editor pode assegurar directamente a coordenação editorial ou delegar esta função num coordenador editorial. Em princípio este trabalho é assegurado pelos editores. A função de coordenador editorial é, via de regra, ocupada por estagiários. A pessoa responsável pela coordenação terá então que escolher, de entre um conjunto de colaboradores em regime de trabalho independente, o paginador e o designer mais adequados para o trabalho em questão, em função das especificidades do livro, das exigências do autor, e das características do trabalho de cada designer – enquanto alguns trabalham melhor com fotografia, outros são mais indicados para trabalhos com ilustração, por exemplo. Mantendo sempre um contacto próximo com o autor, o coordenador editorial deverá transmitir ao designer e ao paginador as ideias e sugestões daquele, pois não existe um contacto directo entre o autor e os designers.
Recebidas pelo coordenador as propostas de capa e de paginação, este deverá fazer uma avaliação criteriosa das mesmas2, a fim de garantir que não há falhas e que vão ao encontro do pretendido pelo autor. As propostas são de seguida enviadas ao autor, que poderá então sugerir as alterações que achar conveniente. As versões finais da paginação e da capa só seguirão para impressão após a aprovação do autor.
É também da responsabilidade do coordenador editorial requerer a atribuição de ISBN e de número de depósito legal para cada livro, junto da APEL e da Biblioteca Nacional, respectivamente. Só depois de obtidos estes elementos, e aprovadas pelo autor a capa e a paginação, é que a obra segue para a gráfica para ser impressa num período que será, em princípio, de quatro a seis semanas. Uma vez que a gráfica integra a estrutura da editora, há alguma facilidade em ajustar os prazos às necessidades específicas de cada obra, podendo assim aquele período de tempo ser inferior, de acordo com os interesses da editora.
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Feito isto, e ainda muito antes de o livro estar impresso, o Departamento de Comunicação, constituído por três elementos, dá início à fase seguinte deste processo. O trabalho do departamento de comunicação começa 10 dias após o envio da obra para a gráfica. Para esse efeito, existe na plataforma geral um documento que indica a data em que cada autor deve ser contactado. É neste momento que um elemento deste departamento entra em contacto com o autor. A partir desta fase, todo o contacto entre a Chiado Editora e o autor é feito pelo elemento do Departamento de Comunicação responsável pela obra.
Cabe ao Departamento de Comunicação agendar, em conjunto com o autor, a sessão de lançamento do livro, bem como preparar e organizar toda a logística necessária. Num primeiro contacto é explicado ao autor aquilo em consiste uma sessão de lançamento e são sugeridos os locais mais indicados para a realização do mesmo. É frequente e normal a falta de experiência dos autores neste aspecto e algum nervosismo em relação ao lançamento, pelo que são da máxima importância todas as explicações dadas pelo Departamento de Comunicação.
De seguida, em conjunto com o autor, é escolhida a data e o local para a sessão de lançamento. Quanto à data, existe muitas vezes uma pressão do autor para que a sessão de lançamento se realize o quanto antes. No entanto, esta será sempre entre 6 a 8 semanas após o contacto inicial, período necessário para a impressão do livro. No que diz respeito à escolha do local, há vários factores a considerar: o tipo de obra, o número de pessoas esperado, etc. Estas sessões realizam-se geralmente em livrarias, bibliotecas, ou outros espaços culturais, propostos pelo autor ou pelo Departamento de Comunicação. Por diversos motivos, nem sempre é possível realizar o evento no espaço inicialmente escolhido, sendo por isso necessário procurar alternativas. Muitas das sessões de apresentação decorrem na já referida livraria da editora, a Desassossego, mostrando-se assim, também neste aspecto, uma mais-valia importante.
Depois de escolhida a data e o local, a sessão é inscrita na agenda de lançamentos. Dado o grande número de eventos a realizar, esta agenda é um instrumento de trabalho fundamental. Esta serve, não só para que o Departamento de Comunicação possa organizar atempadamente toda a logística necessária, mas também para que a gráfica saiba quando os livros terão que estar impressos.
O passo seguinte, ainda da competência do Departamento de Comunicação, é a escolha de um representante para a sessão de lançamento. Em todas as sessões está presente um representante da Chiado Editora. Para esse efeito, existe na plataforma
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geral uma lista de pessoas espalhadas por todo o país que colaboram com a editora. Estas são pessoas com uma boa relação com a editora, colaboradores e até autores. Quando as sessões se realizam em Lisboa, os representantes são os elementos da equipa da Chiado Editora, que se revezam nessa função. Veremos adiante, com mais atenção, a organização das sessões de lançamento3.
Por fim, cabe também ao Departamento de Comunicação pedir todo o material promocional necessário, como convites, marcadores e cartazes. Este material é pedido ao mesmo designer responsável pela capa, a fim de se manter a mesma linha visual e estética entre o livro e o material promocional. É também da competência deste departamento a elaboração de um press release, a organização de outras futuras acções de promoção, a organização de sessões de autógrafos, e a divulgação junto dos órgãos de comunicação social mais indicados.
Com o livro impresso, será o Departamento Comercial e de Distribuição o responsável pela distribuição dos livros pelas livrarias e pela gestão de stock e encomendas. A distribuição de todo o catálogo é assegurada directamente pela Chiado Editora.
1.2. E-books e os meios de comunicação digitais
Na Chiado Editora dá-se uma grande importância aos meios de comunicação digitais. Ferramentas essenciais do seu trabalho são a revista digital Chiado Magazine e a página de Facebook, que conta já com mais de 2 000 000 de seguidores. A Editora conta com uma pessoa unicamente responsável pela manutenção destas plataformas digitais. A Chiado Magazine e a página de Facebook são instrumentos muito valiosos na divulgação do nome e trabalho da editora, especialmente em Portugal e no Brasil. Para além disso, a Chiado Editora tem também um website4 reformulado recentemente, com um aspecto cuidado e apelativo. Nele é possível consultar o catálogo completo da editora, a lista de autores, e outras informações relevantes sobre distribuição, contactos e forma de envio dos originais. Inovação recente neste campo digital é a Chiado Editora TV – uma secção do website composta por vídeos de promoção dos livros com maior sucesso comercial, bem como vídeos recolhidos da imprensa nacional alusivos à Chiado Editora.
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Ver ponto 2.3. Sessões de Lançamento, na página 27.
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Também no website é possível ter acesso à loja virtual. Estão aí disponíveis para compra as obras de todo o catálogo da editora, tanto em formato livro como em formato e-book. O e-book foi uma aposta da editora no último ano. Actualmente, sempre que uma obra é editada, é também disponibilizado de imediato o respectivo e-book. Isto cria mais uma tarefa no departamento editorial, como veremos com mais pormenor adiante5. Apesar da sua promoção, designadamente a oferta do exemplar digital na compra de qualquer livro online, a venda de e-books não ultrapassa 1% das vendas totais.
O website tem se revelado uma importante fonte de vendas, sendo já responsável por cerca de 20% das vendas totais da editora6. Estas vendas beneficiam não só a editora, por receber o pagamento de imediato e não perder a margem de lucro correspondente à distribuição, mas beneficiam também os autores, pois por cada livro vendido online recebem 30% do valor, ao invés dos 10% que receberiam na venda por outros canais de distribuição.
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Ver ponto 2.2. Coordenação Editorial, na página 20 e seguintes.
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www.economico.sapo.pt/noticias/chiado-editora-quer-controlo-dos-direitos-de-autor-mais-transparente_225336.html
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2. Actividades desenvolvidas
2.1. Paginação
A primeira actividade realizada no âmbito do estágio foi a paginação. Podemos definir esta como a arte de dispor o conteúdo nas páginas do livro. Este processo obedece a regras de design e tipografia que facilitam a composição da mancha gráfica para que o livro se torne legível e apelativo. Embora a actividade principal do estágio tenha vindo a ser a coordenação editorial, foi importante iniciar com a paginação, pois a verificação da paginação das obras é uma das principais funções do coordenador. Ter feito algum trabalho de paginação antes de iniciar a coordenação permitiu-me, não só ganhar experiência prática nesta área movendo para isso os conhecimentos adquiridos na disciplina de Informática para a Edição, como também perceber a que aspectos deveria prestar atenção na verificação de uma paginação e quais os erros e falhas mais frequentes. Contudo, os conhecimentos adquiridos naquela disciplina nem sempre foram suficientes, pelo que foi necessário procurar outras formas de aprendizagem, bem como recorrer ao auxílio de outros colegas. No decorrer da componente lectiva houve funcionalidades do software e aspectos técnicos de paginação – que mencionarei adiante – que não tivemos oportunidade de abordar, alguns dos quais só a experiência prática e os problemas colocados no dia-a-dia pela exercício da actividade permitem aprender a dominar.
Para a realização destes trabalhos utilizei o programa Adobe InDesign CS6, o mesmo que havia já utilizado na disciplina de Informática para a Edição, estando já, por isso, familiarizado com o seu funcionamento. Foi-me fornecido pela editora o template utilizado para a generalidade dos livros editados, para que se possa garantir a uniformização e coerência de toda a linha editorial. Deste template constam os elementos que devem sempre fazer parte do livro. No caso da Chiado Editora, estes elementos são os seguintes:
Folha com o nome da colecção e logotipo da Chiado Editora; Ficha técnica;
Folha de rosto; Cabeçalhos;
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Estes elementos oferecem ao leitor toda a informação sobre o livro. Depois da primeira página, com o nome da colecção (Fig. 1), segue-se a ficha técnica (Fig. 2), onde se identificam os intervenientes na produção do livro em causa. São nela identificados:
O autor;
A Editora, incluindo as várias moradas internacionais; O editor responsável pela obra;
O coordenador editorial;
O responsável pela composição gráfica / paginação; O designer da capa;
O revisor;
O local de impressão; Número e data da edição; ISBN;
Depósito legal.
A estes elementos juntar-se-ão, quando necessários, referências aos autores da imagem de capa, por exemplo, ou outros colaboradores. Na folha de rosto (Fig. 3) são apresentados o nome do autor, o título da obra e o logotipo da editora. Nas páginas seguintes são sempre apresentados no cabeçalho o nome do autor, nas páginas par, e o título da obra, nas páginas ímpar. Por fim, na última página do livro terá de constar sempre a frase “Impresso em Chiado Print, Lisboa, Portugal”.
Dada a necessidade de coerência e uniformização de estilos na mancha de texto, os livros da Chiado Editora utilizam o tipo de letra Times New Roman, tamanho 11,5 pt, e um leading de 14 pt. Os parágrafos são indentados com 10 mm. Podemos, no entanto, dizer que há uma maior flexibilidade quando se trata de livros de poesia. Nesses casos poderá ser necessário fazer alterações a este modelo pré-definido, de acordo com as características específicas de cada livro. Alguns destes elementos podem também ser alterados a pedido do autor, designadamente o tipo de letra. Neste aspecto, era quase sempre necessário escolher também um tipo de letra diferente para os títulos e folha de rosto, a fim de tornar o livro mais apelativo e facilitar a leitura. É regra comum na paginação utilizar para o corpo do texto um tipo de letra com serifas, enquanto os tipos de letra sem serifas são mais indicados para os títulos.
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Um outro aspecto fundamental da paginação é evitar as chamadas viúvas e órfãs. Uma linha única na parte superior da página, pertencente ao último parágrafo da página anterior, é chamada "viúva". Uma órfã é uma linha na parte inferior da página, a qual pertence ao parágrafo que continua no início da página seguinte. No decorrer dos trabalhos realizados durante o estágio apercebi-me de que esta é uma falha frequente nas propostas de paginação. Esta falha pode geralmente ser corrigida alterando o kerning das palavras num determinado parágrafo, bem como o leading entre as linhas, que neste caso terá de ser na totalidade das duas páginas (par e ímpar). Quando isto acontece é necessária uma maior atenção para que a legibilidade do texto não seja prejudicada com estas alterações.
Outra regra importante na paginação é a que nos diz que não se deve sobrepor, em linhas seguidas, a mesma palavra, ou duas palavras hifenizadas, especialmente no final da linha. Apesar de me ter apercebido de que estes problemas são difíceis de detectar, é importante estar atento a eles, pois quando ocorrem criam-se falhas visuais que distraem o leitor e dificultam a leitura.
É também importante que não haja, no final da linha e depois de um ponto final, uma palavra com menos de três letras. Quando isto acontece, essas palavras dão a impressão de estar penduradas e desligadas do resto do texto.
Outras falhas que também requerem atenção ocorrem muitas vezes na falta de numeração em algumas páginas, falta de cabeçalhos ou presença destes em páginas onde não deveriam existir, como as páginas de início de capítulo, por exemplo. Também o excesso de palavras hifenizadas ocorre com alguma frequência, bem como a troca de travessões por hífenes. A hifenização é, no entanto, uma ferramenta fundamental para uma boa paginação. Sem hifenização corre-se o risco de criar “rios” na página, isto é, espaços brancos que parecem correr pela página abaixo devido ao alinhamento do espaço entre as palavras. Estes ocorrem especialmente em textos justificados sem hifenização ou com linhas muito curtas. Devem definir-se as opções de hifenização de modo a que esta não se aplique a palavras com menos de 6 letras, a palavras no final da linha, nem a palavras iniciadas em caixa alta – estas podem ser nomes, que nunca são hifenizados.
Apesar das características comuns já mencionadas, todos os livros têm as suas especificidades – índice, diferentes divisões de capítulos, imagens, notas de rodapé, etc. – pelo que cada trabalho de paginação e a sua verificação terão aspectos diferentes a
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considerar. No final, todos estes elementos deverão funcionar em conjunto para formarem uma mancha perfeita e apelativa que facilite a leitura do livro.
Estando a paginação pronta, esta é enviada ao autor a fim de ser por ele aprovada. É normal o autor enviar uma lista de alterações, como gralhas detectadas ou pequenas alterações de última hora7. Essas alterações terão então que ser inseridas pela pessoa responsável pela paginação, trabalho que também realizei. Neste aspecto, a maior dificuldade é conciliar a necessidade de produzir o livro de forma célere e a vontade do autor de introduzir constantemente novas alterações.
Podemos ver na página seguinte uma amostra do trabalho de paginação que realizei na obra Filho de Ninguém, de Jerónimo Jarmelo.
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2.2.Coordenação Editorial
O principal papel do coordenador editorial na estrutura da Chiado Editora é o de intermediário na relação entre o designer e paginador, por um lado, e o autor, por outro. Quando o editor assina o contrato de edição com o autor, este envia-lhe a versão final da obra, bem como as sugestões que eventualmente tenha para a capa, os textos para as badanas e uma sinopse para a contracapa. De seguida, o editor envia toda esta informação ao coordenador editorial que ficará responsável pela obra. Este deverá então contactar o autor por email, apresentando-se e informando-o de que todos os contactos relativos às questões técnicas da paginação e elaboração da capa serão com ele. Também nesta altura o coordenador deverá requerer a atribuição de ISBN e de número de depósito legal, junto da APEL e da Biblioteca Nacional, respectivamente. O pedido de atribuição de ISBN é feito através do preenchimento de um formulário (Fig. 5) enviado por email para [email protected]. Já o pedido de número de Depósito Legal é feito no sítio de internet da Biblioteca Nacional8.
Fig. 5 – Formulário para pedido de atribuição de ISBN
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Segue-se a escolha do paginador e do designer para a capa. Para esse efeito, foi-me entregue uma lista com os vários colaboradores da Chiado Editora, acompanhada de informações relevantes para essa escolha, como a especialidade de cada um deles (por exemplo: “paginações complicadas e de diversos formatos”; “expert em livros infantis”; “capas com fotografias”; etc.). Todos os colaboradores estão informados sobre os requisitos da paginação e design dos livros da editora, e a todos eles foram fornecidos os templates necessários para se garantir a uniformização dos trabalhos e uma maior celeridade, uma vez que ficam logo à partida definidos muitos dos aspectos básicos, não carecendo assim de correcções posteriores.
Depois de analisada a obra e as ideias sugeridas pelo autor há que escolher quais os colaboradores mais indicados para cada trabalho. Esta escolha faz-se tanto com base na especialidade de cada um deles, como com base em critérios estéticos e de qualidade do trabalho por eles geralmente apresentado. Outro critério também muito importante é a questão dos prazos. O prazo normalmente dado, tanto para a paginação como para a capa, é de quatro dias, prazo este que poderia ser ajustado em caso de trabalhos mais complexos. No entanto, enquanto alguns dos colaboradores concluem os trabalhos num período de tempo muito breve, outros há que com frequência não respeitam os prazos apresentados, o que provoca atrasos em todo o processo. Acontece também que alguns dos colaboradores, em virtude da qualidade excepcional do seu trabalho, acabam por ficar sobrecarregados. Este é mais um factor a ter em conta na distribuição dos trabalhos. Gerir tudo isto é uma parte fulcral das funções do coordenador editorial.
Escolhidos o paginador e o designer para a obra, é lhes enviada por email toda a informação de que necessitam. O paginador recebe a versão final da obra em ficheiro Word e as informações de necessárias para preencher os vários campos da ficha técnica e restantes elementos do template: colecção em que se inserirá a obra, nome do autor, título, editor, coordenador, designer, revisor, data da edição, ISBN e Depósito Legal. Ainda que alguns dos elementos não estejam logo à partida disponíveis, deverão ser enviados assim que possível para não atrasar o envio da arte final por parte do paginador.
Quanto ao designer, é lhe indicado o título da obra, o nome do autor, sinopse para a contracapa e uma pequena biografia e fotografia do autor para as badanas. São também enviadas ao designer as ideias do autor para a capa, sendo de esperar que aquele faça algo que vá ao encontro dessas ideias, embora também lhe possam ser pedidas propostas de capa diferentes.
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Depois disso, o paginador e o designer enviarão as suas propostas de paginação e capa, respectivamente. Cabe agora ao coordenador fazer a verificação dos trabalhos recebidos. No que diz respeito à paginação, foi da máxima importância a experiência nesta área, já mencionada. É necessário: verificar se todos os elementos fornecidos ao paginador foram devidamente inseridos; verificar se há uma uniformidade nos tipos de letra usados, tanto no corpo do texto como nos títulos; confirmar a inexistência de linhas órfãs e viúvas, como já explicado anteriormente; verificar se está correcta a numeração das páginas; prestar especial atenção às notas de rodapé; entre outros.
Já quanto à capa, é primeiro enviada apenas um estudo de capa sem badanas e sem contracapa (Fig. 5 e 6). O estudo de capa completa9 é apenas enviado depois de aprovada a capa pelo autor. A verificação por parte do coordenador deve consistir numa apreciação estética, bem como numa confirmação de que foram seguidas as ideias sugeridas e de que constam dela todos os elementos necessários em qualquer capa dos livros da Chiado Editora. São estes:
Título;
Subtítulo ou teaser (opcional); Nome do autor;
Logotipo da editora.
Fig. 6 e 7 – Exemplos de capas de duas edições que coordenei.
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É fundamental fazer também uma revisão rigorosa e cuidada da capa para que não passem erros no texto.
A contracapa, por sua vez, é geralmente composta pela sinopse da obra enviada pelo autor e pelo logo da editora e patrocinadores, quando os há.
Só depois desta verificação por parte do coordenador é que a proposta de paginação e de capa são enviadas ao autor. Na paginação, o autor pode pedir a correcção de gralhas ou pequenas alterações de última hora. Para esse efeito é-lhe fornecida uma tabela em ficheiro Word10 para que insira nela as alterações que o coordenador se encarregará de enviar ao paginador. Ainda na paginação, o autor pode também pretender algumas alterações no posicionamento dos títulos e respectivos tipos de letra, disposição de imagens, etc.
Para a capa, as alterações podem ser muito mais abrangentes. Acontece, por vezes, o autor não ficar de todo satisfeito com as propostas que lhe são enviadas, sendo assim necessário apresentar novas propostas diferentes. Outras vezes as alterações limitam-se ao tipo de letra utilizado, ou ao posicionamento de um determinado elemento da capa, por exemplo.
Estes pedidos de alterações são sempre comunicados ao coordenador que se encarrega de os fazer chegar ao paginador e designer, repetindo-se este processo até que o resultado final satisfaça todas as partes. Esta “negociação” nem sempre é fácil, seja pela dificuldade em encontrar as soluções que o autor procura, por exemplo, ou por o autor insistir em fazer repetidas correcções ao texto, como tantas vezes acontece. Compete ao coordenador gerir a relação entre as expectativas do autor quanto ao resultado final do livro e a necessidade de cumprir prazos. Esta é, por vezes, uma das etapas mais morosas de todo o processo. Os autores são perfeccionistas com os seus livros e as listas com alterações vão se seguindo a cada nova leitura ou avaliação que o autor faz. Acaba, então, por ser necessário pressionar o autor para que dê a sua aprovação definitiva da capa e da paginação o quanto antes, até mesmo a fim de ir ao encontro das expectativas do próprio autor, que frequentemente pretende ter o livro pronto numa altura específica – Natal, aniversário, num determinado mês, etc.
Para gerir todos estes aspectos do trabalho de coordenação é fundamental uma grande capacidade de organização, principalmente quando se faz a coordenação de dezenas de obras em simultâneo11. Para isso os coordenadores recorrem a uma folha de
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Ver grelha de correcções em anexo.
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Excel onde são inseridas todas as informações referentes a cada obra: título, nome do autor, NIF, contactos do autor, ISBN, depósito legal, número de exemplares adquiridos pelo autor e respectivo preço, preço de venda ao público, data do contrato, nomes do paginador e do designer, e ponto de situação (Fig. 8).
Fig. 8 – Folha de Excel utilizada na coordenação editorial.
Quando o autor aprova as propostas de capa completa (já com badanas e contracapa) e paginação, o coordenador pede ao designer e ao paginador que enviem as artes finais. Estes irão então enviar o package de InDesign com os ficheiros editáveis e os ficheiros .pdf. É também nesta altura que o paginador envia o ebook em formato .epub. A verificação do ebook tem algumas especificidades e é, pela natureza deste tipo de ficheiros, diferente da verificação do ficheiro .pdf para impressão. É necessário verificar que com a conversão do ficheiro não ocorreram quebras de formatação. Isto é particularmente importante em ebooks com muitas imagens. As falhas mais recorrentes prendiam-se com a existência de páginas em branco no meio do texto e com erros na formatação do índice e respectivo direccionamento automático para as várias secções do ebook.
Nesta fase, depois de recebida a arte final, o coordenador deve proceder a uma última verificação da capa e paginação para se certificar de que o livro está efectivamente pronto para ser impresso. Feito isto, há agora que preencher a chamada Ficha de Obra (Fig. 8) e a ficha para a gráfica (Fig. 9). A Ficha de Obra é um
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documento onde se inserem as informações referentes ao livro e ao autor que serão depois utilizadas pelo Departamento de Comunicação. Este ficheiro é também armazenado na plataforma geral, que funciona como arquivo. A ficha para a gráfica é o documento onde se inscrevem todas as informações de que a gráfica irá necessitar: número de exemplares a imprimir, tipo de papel, número de páginas, etc.
Encontrando-se o Coordenador na posse de todos os elementos necessários para dar por concluída a sua função, envia ao editor responsável pela obra um “pacote” digital com as artes finais da capa e paginação aprovados pelo autor, em .pdf, os respectivos ficheiros editáveis, a Ficha de Obra, a ficha para a gráfica e o ebook.
Em todo este processo de coordenação a comunicação com os colaboradores e autores é feita, essencialmente, por email. O sistema de email da Google, o Gmail, é o utilizado em toda a comunicação e envio de ficheiros, tanto nas comunicações internas como externas. As ferramentas de que este sistema dispõe são de uma grande utilidade ao longo de todo o processo de produção do livro. No início do estágio foram-me fornecidos modelos de resposta e de emails para que pudesse gravá-los e adaptá-los às várias situações. Explicaram-me também como organizar a recepção e envio de emails criando pastas e separadores diferentes, a fim de tirar o maior partido da plataforma do Gmail, tornando o meu trabalho mais fácil e rápido.
No entanto, apesar de a comunicação ser feita preferencialmente e maioritariamente por email, por várias vezes foi necessário reunir com os autores, pelos mais variados motivos: expor pessoalmente ideias e sugestões, discutir determinadas alterações, etc. Essas reuniões eram agendadas tendo em conta a disponibilidade dos autores e sempre numa sala de reuniões de que a editora dispõe para esse efeito. Também o telefone se mostrou uma ferramenta essencial, principalmente na relação com os designers e paginadores quando os trabalhos eram mais urgentes.
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Fig. 9 – Ficha de Obra.
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2.3.Sessões de Lançamento
Como já foi referido anteriormente, depois de enviada a obra para a gráfica começa o trabalho do Departamento de Comunicação. Este departamento é responsável por entrar em contacto com o autor e, em conjunto com ele, agendarem a sessão de lançamento do livro. Depois de escolhida a data e local, e de ter sido explicado ao autor todo o funcionamento do evento, vai ser designado um representante da Chiado Editora para estar presente. Estes representantes acabam muitas vezes por ser outros autores que também já editaram com a Chiado Editora, e com a qual mantêm uma boa relação, e são escolhidos em função da área geográfica e da sua disponibilidade.
Quando as sessões de lançamento decorrem em Lisboa ou arredores, são os próprios elementos da equipa da editora que asseguram a sua representação, num sistema mais ou menos rotativo, tendo sempre em conta a área de residência de cada um. Esta foi também uma função que desempenhei no decorrer do estágio.
O representante designado para uma sessão de lançamento deverá chegar ao local aproximadamente meia-hora antes da hora marcada para o evento. Deverá, à chegada, apresentar-se ao autor e esclarecer-lhe qualquer dúvida que este possa ter em relação à sessão que se vai seguir. É também o papel do representante da editora assegurar que todo o evento decorre como planeado, que se respeitam os horários e a organização estabelecidos, etc. Numa sessão de lançamento típica é o representante da Chiado Editora quem lhe dá início. O seu objectivo passa por dar a conhecer a editora, a sua história e as suas linhas de orientação. É uma forma de divulgar a editora e o seu trabalho junto dos presentes. De seguida passa a palavra ao orador convidado pelo autor, sendo depois o autor o último a intervir. No final, cabe ainda ao representante da Chiado Editora fazer os agradecimentos. É este o modelo padrão, embora algumas sessões de lançamento acabem por se desviar desta linha geral, seja com a presença de mais oradores, com a leitura de excertos, ou com momentos musicais e de performance. Os livros que se encontram à venda nas sessões de lançamento poderão ser, em função do que foi previamente acordado, os exemplares adquiridos pelo autor ou os exemplares da editora. No primeiro caso, fica o autor responsável por levar alguém da sua confiança para fazer essa venda. Caso os livros sejam os da editora, será um elemento da equipa da Chiado Editora a fazer a venda.
A livraria/bar Desassossego presta também um serviço de catering que pode ser contratado pelo autor aquando do agendamento da sessão de lançamento.
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Esta experiência, nas várias sessões em que participei, permitiu-me um contacto mais próximo e directo com os autores e seus leitores, bem como familiarizar-me com o funcionamento deste tipo de eventos e com as questões logísticas para a sua organização.
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Fig. 11 – Sessão de Lançamento da obra Trilhas do Medo, de Castro Sousa.
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Conclusão
Fazendo uma retrospectiva, em jeito de balanço final, posso afirmar que foi um trabalho exigente, tanto pela responsabilidade que me foi atribuída, como pelas dificuldades com que ia deparando. A imersão no ambiente e ritmo de trabalho da editora foi rápida, quase imediata, o que exigiu uma grande capacidade de adaptação e de aprendizagem. Apesar de ter já alguma (pouca) experiência em paginação, todo o restante trabalho desenvolvido foi, para mim, algo completamente novo.
O coordenador editorial tem um papel de extrema relevância no processo de edição; é do seu desempenho que depende muitas vezes o bom relacionamento dos autores com a editora, o cumprimento de prazos, e mais que isso, a edição de um livro sem falhas técnicas. Apesar da disponibilidade permanente dos colegas para me auxiliarem sempre que necessitasse, o ritmo intenso de trabalho obrigou-me com frequência a procurar soluções de forma autónoma, e consequentemente a desenvolver uma mais forte capacidade de trabalho independente e sob pressão.
Outras actividades que, por terem sido esporádicas ou pontuais, não tiveram lugar neste relatório, foram igualmente enriquecedoras. Desde logo as visitas à gráfica, para melhor compreender o seu funcionamento. Posso referir também, de passagem, pequenos trabalhos de revisão e melhoramento de textos – quase a tocar o chamado editing – e a troca de ideias com colegas para novas edições. Valorizo, para além de tudo isto, a possibilidade que este estágio me deu de desempenhar funções menos técnicas, com uma vertente forte de relações humanas, como o contínuo contacto com os autores e colaboradores mais próximos.
Contudo, as aprendizagens desta experiência não se limitam às actividades que tive o prazer de desempenhar. A colaboração contínua com colegas talentosos e experientes foi tão ou mais didáctica e estimulante. Estar presente no dia-a-dia de uma editora, convivendo e trabalhando com profissionais dos vários sectores da edição (comunicação, marketing, distribuição), permitiu-me adquirir uma verdadeiramente ampla noção do mundo editorial.
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Anexos
1. Estudo de capa completa
2. Tabela para correcções
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Correcções da paginação
Obra: Autor:
Página Parágrafo Onde se lê Deve ler-se