Nova Medical School | Faculdade de Ciências Médicas – UNL
RELATÓRIO FINAL
MESTRADO INTEGRADO DE MEDICINA
ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE | 6º ANO
Maria de Oliveira Barbosa Tareco
2013271
2018-2019
ORIENTADORA: Mestre Catarina Gouveia
REGENTE: Prof. Dr. Rui Maio
1
ÍNDICE
Introdução e Objetivos ... 4
Descrição Geral de Atividades ... 5
Medicina Interna ... 5
Cirurgia Geral... 5
Pediatria ... 6
Ginecologia-Obstetrícia ... 7
Saúde Mental ... 7
Medicina Geral e Familiar ... 8
Estágio Clínico Opcional ... 9
Elementos Valorativos ... 9
Reflexão Crítica Final ... 10
AGRADECIMENTOS
À minha família e amigos, por me acompanharem durante estes anos, por me fazerem confiar mais nas minhas capacidades e por me ajudarem sempre que precisei.
Aos meus avós, por me acolherem durante um mês, pelos valores que me ensinaram e por me ajudarem a descobrir o meu interesse em Medicina Geral e Familiar.
Ao Gonçalo, por estar lá por mim desde que decidi que queria ser médica.
Aos tutores que me acompanharam ao longo deste ano, Dr.ª Isabel Madruga e Dr. João Delgado, Dr.ª Mónica Oliveira, Dr.ª Sara Nóbrega, Dr. Bruno Nogueira, Dr. Marco Gonçalves, Dr. Carlos Ceia e Dr.ª Sílvia Afonso, por tudo o que me ensinaram e por fazerem deste meu último ano um momento de aprendizagem indispensável para o meu futuro.
A todos os outros médicos que me acolheram nas suas consultas, enfermarias e salas de bloco operatório, por contribuírem para a minha formação.
Aos profissionais de saúde com quem tive a oportunidade de contactar, por se mostrarem sempre disponíveis em ajudar, por participarem na minha aprendizagem e por contribuírem para o bom funcionamento dos serviços por onde passei.
A todos os doentes que tive o prazer de conhecer, por partilharem comigo as suas histórias, pela confiança depositada em mim e por me fazerem crescer enquanto futura médica e pessoa.
À Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa e todos os seus profissionais, pelas experiências que me proporcionaram e pela minha preparação para o futuro.
Por fim, mas não menos importante, à Mestre Catarina Gouveia, como orientadora do presente Relatório Final.
3 ABREVIATURAS
MIM – Mestrado Integrado de Medicina MGF – Medicina Geral e Familiar
SU – Serviço de Urgência
UCINTER – Unidade de Cuidados Intermédios
UCERN – Unidade Cuidados Especiais Respiratórios e Nutricionais SAP – Serviço de Atendimento Permanente
INTRODUÇÃO E OBJETIVOS
O Estágio Profissionalizante enquadra-se no 6º e último ano do Mestrado Integrado de Medicina (MIM) como forma de proporcionar ao aluno em formação oportunidade de consolidar conhecimentos teóricos, treinar técnicas e procedimentos e no geral ganhar mais confiança na prática clínica. Dele compreendem 6 valências correspondentes a especialidades importantes para a prática clínica no geral, contabilizando um total de 32 semanas de atividades formativas. Deste modo, o aluno é integrado ao longo do ano em serviços de Medicina
Interna, Cirurgia Geral, Pediatria, Ginecologia-Obstetrícia, Saúde Mental e Medicina Geral e Familiar
(MGF), tendo ainda oportunidade de participar num Estágio Clínico Opcional à escolha. O 6º ano constitui assim um momento final de preparação, cujo aproveitamento é crucial para a formação de um futuro médico. Como ano final do MIM, destacam-se objetivos específicos para o Estágio Profissionalizante, que podem ser de um modo geral agrupados em objetivos académicos e objetivos pessoais. Como objetivos do foro
académico saliento o treino e agilização de competências práticas relacionadas com colheita de anamnese,
exame objetivo, marcha diagnóstica, terapêutica e procedimentos específicos, bem como a consolidação de conhecimentos teóricos importantes para a futura prática clínica. A nível pessoal, valorizei principalmente ganhar confiança na prática clínica e colmatar algumas falhas que fui desenvolvendo ao longo dos anos mais práticos do curso, nomeadamente em termos de relação médico-doente e exame objetivo ginecológico e obstétrico. Procurei também conhecer diferentes realidades da especialidade que tenciono seguir no futuro, MGF. E seguindo as palavras do Professor Doutor Abel Salazar, “O médico que só sabe de Medicina, nem de Medicina sabe”, considerei também importante ao longo deste último ano de curso continuar a desenvolver as minhas competências artísticas e participar em atividades extracurriculares com elas relacionadas, de modo a aliviar um pouco a mente do caráter pesado das longas horas de estudo.
Tentei assim tirar o maior proveito deste ano face ao principal receio que tenho mantido ao longo do curso: não estar suficientemente preparada para a prática clínica no início do Internato da Formação Geral. Deste modo, ao iniciar o Estágio Profissionalizante, a minha principal expectativa era que o cumprimento dos objetivos propostos me permitisse aproximar mais de uma preparação adequada para o futuro.
Assim, o presente relatório, após uma breve introdução e explicação dos objetivos propostos, pretende descrever de uma forma geral as atividades levadas a cabo durante o Estágio Profissionalizante, com breve menção do Estágio Clínico Opcional e de elementos valorativos relevantes, terminando com uma reflexão crítica.
Uma coisa é ser médico e outra é ser licenciado em Medicina. O médico tem que se relacionar com as pessoas. Tem que gostar de estar com as pessoas. E isto é a “Arte de ser Médico”.
5
DESCRIÇÃO GERAL DE ATIVIDADES
MEDICINA INTERNA SERVIÇO IB – HOSPITAL EGAS MONIZ
Durante 8 semanas, contei com a orientação da Dr.ª Isabel Madruga e ocasionalmente do Dr. João Delgado no Internamento, Consulta Externa e Serviço de Urgência (SU). O estágio parcelar de Medicina Interna tem uma componente teórica lecionada na Faculdade de Ciências Médicas.
Ao longo deste estágio procurei focar-me na consolidação de conhecimentos teóricos e no treino de competências de anamnese, exame objetivo, raciocínio diagnóstico, interpretação de meios complementares de diagnóstico e abordagem terapêutica da patologia médica observada.
No Serviço IB, observei 1 a 3 doentes por dia, redigi o seu diário clínico, notas de alta e participei na discussão do caso com a restante equipa médica e de enfermagem. Os doentes que avaliei tinham, principalmente, doença crónica agudizada, como descompensação de insuficiência cardíaca ou doença pulmonar obstrutiva, geralmente associada a multimorbilidade. O Serviço IB conta ainda com uma Unidade de Cuidados Intermédios (UCINTER) para o internamento de doentes com patologia mais grave, onde contactei principalmente comcasos de choque séptico com ponto de partida abdominal. Na UCINTER observei um caso interessante de um homem de 50 anos com miocardiopatia dilatada de instalação rápida e repercussões sintomáticas graves, de etiologia desconhecida após exclusão de hipóteses prováveis. Foi instituído precocemente, após estabilização hemodinâmica, o Sacubitril/Valsartan, segundo resultados positivos do recente estudo TRANSITION1. Esta abordagem mostrou-se bastante benéfica, salientando assim a
importância da transposição de resultados baseados na evidência para a prática clínica. Participei na Consulta Externa da Dr.ª Isabel Madruga onde pude observar vários casos de patologia autoimune, principalmente Lúpus Eritematoso Sistémico. Saliento ainda o valor formativo dos períodos alocados ao SU, pelo estímulo de raciocínio diagnóstico na abordagem ao doente com patologia aguda desconhecida. Adicionalmente, apresentei um caso clínico intitulado “Miocardiopatia Dilatada”, acerca do doente acima descrito.
Durante este estágio, consegui de uma forma geral alcançar os objetivos propostos. Pude familiarizar-me com o planeamento multidisciplinar de cuidados ao doente e o contraste entre a abordagem em enfermaria e na UCINTER, principalmente a nível de investimento terapêutico e monitorização de funções vitais. Deste modo, considero benéfico ter realizado o estágio num serviço com esta valência.
CIRURGIA GERAL HOSPITAL BEATRIZ ÂNGELO
O estágio de Cirurgia Geral conta com 8 semanas de atividades, tendo uma componente teórico-prática na semana inicial, lecionada no Hospital Beatriz Ângelo, e uma componente prática. Participei 2 semanas numa especialidade opcional, Medicina Intensiva, e uma semana no SU. Durante as restantes 4 semanas acompanhei a Dr.ª Mónica Oliveira no Serviço de Cirurgia Geral do Hospital na Enfermaria, Consulta Externa e no Bloco Operatório.
1- Comparison of Pre- and Post-discharge Initiation of LCZ696 Therapy in HFrEF Patients After an Acute Decompensation Event (TRANSITION)
Ao longo do estágio de Cirurgia destaquei como importante familiarizar-me com a abordagem da principal patologia cirúrgica, nomeadamente em termos de planeamento do ato terapêutico e follow-up, bem como treino e agilização de técnicas de assepsia e Pequena Cirurgia.
Pude acompanhar a rotina diária da Dr.ª Mónica Oliveira e da sua equipa médica na Enfermaria, ficando responsável pela observação de um doente por dia, realização do diário clínico, notas de alta e de transferência. Tive a oportunidade de assistir a várias cirurgias, e ocasionalmente, participar como 2ª ajudante. Na Consulta Externa, pude familiarizar-me com as particularidades do planeamento da cirurgia e
follow-up de doentes, bem como o seu envolvimento na decisão terapêutica, nomeadamente em doentes
com risco cirúrgico elevado. Os doentes com que contactei foram na sua grande maioria casos de patologia da vesícula biliar. A participação durante 2 semanas no estágio opcional de Medicina Intensiva permitiu-me perceber as especificidades do ambiente de uma Unidade de Cuidados Intensivos e dos métodos de abordagem terapêutica aí aplicados, principalmente a nível de ventilação invasiva e terapia de substituição renal. A semana alocada ao SU mostrou-se igualmente enriquecedora por permitir o treino de raciocínio clínico rápido e treino de competências de Pequena Cirurgia. Terminei o estágio com a participação no Minicongresso, apresentando um caso clínico intitulado “Massa Sim, Massa Não”.
Foi um estágio que contribuiu para a minha formação no geral, especialmente as valências de Medicina Intensiva e SU, mas que não permitiu a conclusão total dos objetivos propostos. Pelo facto de a patologia observada durante as semanas alocadas a Cirurgia Geral ser muito restrita a doença da vesícula biliar, não foi possível ao longo do estágio ganhar uma perspetiva mais abrangente acerca de outros quadros cirúrgicos.
PEDIATRIA UCERN – HOSPITAL D. ESTEFÂNIA
Durante 4 semanas fui integrada na equipa da Unidade de Cuidados Especiais Respiratórios e Nutricionais (UCERN). Contei com a tutela da Dr.ª Sara Nóbrega na UCERN, SU, Consulta e Técnicas de Gastrenterologia. Tratando-se de uma especialidade com as suas especificidades, procurei principalmente consolidar conhecimentos sobre a patologia na idade pediátrica, bem como aperfeiçoar competências da relação médico-doente e médico-familiar, anamnese, exame objetivo, interpretação de meios complementares de diagnóstico e abordagem terapêutica próprias da Pediatria.
Diariamente, na UCERN, ficava responsável pela observação de 1 a 2 doentes, escrita do diário clínico e exposição do caso aos outros membros da equipa médica. Era também responsável pela comunicação, se necessário, com a equipa de enfermagem e fisioterapeutas acerca do doente. Durante a minha permanência na UCERN, pude contactar principalmente com casos de síndrome do intestino curto. Na UCERN fiquei a conhecer o caso de uma menina de 7 meses com Síndrome de Mitchell-Riley, uma patologia extremamente rara com a qual possivelmente nunca voltarei a contactar. Infelizmente, a doente faleceu de complicações relacionadas com esta síndrome durante o período de estágio. A participação na Consulta Externa de
7 Gastrenterologia permitiu-me ficar a conhecer a vertente prática na abordagem às principais patologias crónicas do foro gastrointestinal na criança, nomeadamente da doença inflamatória intestinal. A observação de técnicas neste contexto, principalmente endoscopias digestivas altas e colonoscopias, foi importante no conhecimento das especificidades práticas da realização destes exames na idade pediátrica, bem como os critérios de elegibilidade para estes. Por fim, destaco ainda o tempo alocado ao SU pediátrico, por me permitir o contacto com os mais variados quadros agudos do foro pneumológico, infecioso e neurológico. Nesta valência, observei principalmente casos de bronquiolite aguda. Apresentei ainda um caso clínico intitulado “Meningite, Surdez e Implante Coclear na idade Pediátrica: A propósito de um Caso Clínico”. Considero ter cumprido no geral os objetivos propostos para este estágio. Apesar de ter principalmente visto patologia específica da área da Gastrenterologia, foi possível o contacto com outras áreas, nomeadamente em ambiente de SU. Foi um estágio que me permitiu treinar competências de exposição oral pela tarefa diária de apresentar a evolução do doente observado para a restante equipa médica.
GINECOLOGIA-OBSTETRÍCIA HOSPITAL BEATRIZ ÂNGELO
O estágio parcelar de Ginecologia-Obstetrícia decorreu sob a orientação do Dr. Bruno Nogueira. Durante 4 semanas pude experienciar as várias valências desta especialidade, da vertente ginecológica e obstétrica. Durante o estágio procurei treinar o exame objetivo ginecológico e obstétrico, consolidar conhecimentos e treinar capacidades inerentes à abordagem das principais patologias da mulher e da grávida.
No âmbito da Ginecologia, assisti a ecografias, histeroscopias e colposcopias. Pude participar em consultas de Ginecologia e Patologia do Trato Genital Inferior, realizando ocasionalmente exame objetivo e colheita de produtos para colpocitologia. Adicionalmente, assisti semanalmente a cirurgias ginecológicas no Bloco Operatório, onde participei frequentemente como 2ª ajudante. Em Obstetrícia, pude conhecer o ambiente do internamento, assistir a ecografias obstétricas dos vários trimestres da gravidez, e participar em consultas de Obstetrícia, principalmente de Diabetes Gestacional. Semanalmente, participei no SU de Ginecologia-Obstetrícia, onde assisti a vários partos eutócicos e distócicos, bem como patologia ginecológica e obstétrica aguda variada. Apresentei na reunião de serviço um artigo intitulado “Amnioinfusion Compared with No Intervention in Women With Second Trimester Rupture of Membranes – A Randomized Control Trial”. Durante este estágio considero ter cumprido apenas parcialmente os objetivos propostos. Foi difícil o treino do exame objetivo obstétrico a um nível que me permita a sua realização com um grau adequado de confiança. Por se tratar de um estágio, no geral, mais observacional que os restantes, e com acesso a ecógrafo sempre que necessário, não realizei frequentemente manobras de Leopold ou toque vaginal.
SAÚDE MENTAL CLÍNICA LISBOA – HOSPITAL JÚLIO DE MATOS
Tive oportunidade de ser integrada na equipa do Dr. Marco Gonçalves durante as 4 semanas alocadas ao estágio de Saúde Mental, no Internamento, nas Consultas Externas e Serviço de Urgência Psiquiátrico.
Por ter tido apenas contacto com Pedopsiquiatria no passado, considerei importante ao longo deste estágio a familiarização com a expressão clínica das principais síndromes psiquiátricas no adulto. Procurei aprofundar aspetos da relação médico-doente, bem como especificidades da colheita de anamnese e exame do estado mental, raciocínio diagnóstico e abordagem terapêutica.
Permaneci maioritariamente no Internamento, onde contactei principalmente com casos de psicose aguda enquadrados em perturbação bipolar. Diariamente participei na entrevista clínica de 1 a 2 doentes, avaliando a presença ou ausência de novos sintomas e a sua evolução no internamento, bem como a resposta à terapêutica. Era, sempre que possível, limitado o internamento compulsivo e o doente era envolvido nas próprias decisões terapêuticas e ajustes na medicação, sendo especialmente valorizados sintomas adversos e o impacto destes na sua qualidade de vida.A Consulta Externa permitiu-me contactar com várias patologias diferentes e com vários estádios da mesma doença. Pude familiarizar-me com o ajuste de terapêutica, tanto farmacológica como não farmacológica, enquadrado numa relação médico-doente em que há o devido compromisso de ambas as partes, sempre com a estimulação de autonomia, literacia para a saúde mental e integração na sociedade. A participação no SU Psiquiátrico foi também importante pelo contacto com quadros clínicos com os quais seria muito difícil contactar fora deste ambiente, nomeadamente, consumo de tóxicos e ideação suicida.
Durante este estágio parcelar, considero ter cumprido os objetivos propostos. Fiquei a conhecer um tipo de abordagem ao doente psiquiátrico diferente da que conhecia previamente da Pedopsiquiatria, pelo que este estágio constituiu um momento valioso para a minha formação.
MEDICINA GERAL E FAMILIAR USF VALE DO SORRAIA
Durante 4 semanas acompanhei o Dr. Carlos Ceia na sua rotina diária na USF Vale do Sorraia, em Coruche. Procurei focar-me principalmente em adquirir conhecimentos e competências que permitam aceder às necessidades do doente em ambiente de cuidados primários. Considerei especialmente importante o treino de aspetos da relação médico-doente. Procurei também ganhar competências de gestão de tempo e condução da consulta, e obter uma noção clara dos critérios de referenciação para cuidados hospitalares. Participei diariamente em consultas de Saúde de Adultos, Saúde Infantil, Saúde Materna, Planeamento Familiar, e consultas de vigilância de patologia especifica como Hipertensão e Diabetes. Pude acompanhar consultas em domicílio e observei ainda doentes em regime de consulta aberta, com patologia aguda de etiologia variada. A USF Vale do Sorraia conta com um Serviço de Atendimento Permanente (SAP), no qual pude participar semanalmente, que me permitiu contactar com patologia aguda, estimular o raciocínio diagnóstico rápido e aprender sobre a abordagem do doente agudo num contexto de recursos e acessibilidade a meios complementares de diagnóstico diferente do meio hospitalar. O SAP abrange uma área alargada de ambiente rural, com atividades laborais por vezes de risco, pelo que pude familiarizar-me
9 com a abordagem da patologia traumática. Participei num projeto para a rádio Voz do Sorraia, a Rúbrica Minuto Saúde, que consiste em criar gravações de 1-2 minutos sobre temas de saúde variados.
Foi um estágio extremamente enriquecedor para a minha formação que me permitiu concluir os objetivos propostos, e especialmente a nível da relação médico-doente. Foi vantajoso realizar este estágio fora do ambiente urbano, em Coruche, por me permitir contactar com uma experiência diferente na prática de MGF, nomeadamente em termos de recursos mais limitados, menor facilidade de acesso a cuidados hospitalares e contacto com doentes que no geral esperam uma atitude mais paternalista por parte do médico.
ESTÁGIO CLÍNICO OPCIONAL UNIDADE DA PRIMEIRA INFÂNCIA – HOSPITAL D. ESTEFÂNIA
Durante 2 semanas contei com a orientação da Dr.ª Sílvia Afonso num estágio observacional que decorreu na Unidade da Primeira Infância do Hospital D. Estefânia. Assisti principalmente a consultas de Pediatria na área da avaliação de atraso no desenvolvimento infantil e perturbação no espectro do autismo, em crianças com idades entre os 2 e 9 anos, ganhando uma noção geral da sua abordagem.
Escolhi esta valência pelo meu interesse na área do desenvolvimento infantil e das suas especificidades de abordagem diagnóstica e terapêutica. Foi interessante familiarizar-me com a integração entre os cuidados de saúde e os estabelecimentos de educação e a abordagem da criança no seu contexto de função ou disfunção familiar. Foi um estágio que permitiu assim reforçar a importância da contextualização do doente em todos os seus sistemas, especialmente através da avaliação familiar.
ELEMENTOS VALORATIVOS
Tive a oportunidade de ao longo do ano assistir a vários eventos formativos, que considero enriquecedores no âmbito da consolidação de conceitos teóricos, agilização de procedimentos e conhecimento de novidades na Medicina Baseada na Evidência. Destaco assim o curso TEAM: Trauma Evaluation And Management e o
7º CADU – Módulo 5: Introdução à Abordagem do Trauma, por permitir o treino de procedimentos em
simuladores, e o 10º Curso de Antibioterapia, por revisão de conceitos e guidelines importantes na prática clínica diária. Por fim, menciono ainda as Jornadas de Cardiologia de Lisboa Ocidental de 2018, pela apresentação de vários temas relacionados com novas orientações na terapêutica da doença cardiovascular. Do mesmo modo, e tendo em vista os objetivos pessoais destacados no início do presente relatório, procurei continuar a explorar o meu gosto pelo desenho e pintura. Iniciei a minha participação em atividades extracurriculares relacionadas com este passatempo como colaboradora, cartoonista e ilustradora na
Revista FRONTAL, contribuindo para o site e para a edição impressa da Revista. Participei ainda numa
exposição de trabalhos realizados no âmbito deste projeto em maio/junho de 2018. Apesar destas atividades não terem sido realizadas este ano letivo, considero que deram início a uma experiência importante para o alcance dos objetivos propostos. Durante este ano contribuí com a doação de obras para o Leilão Solidário do projeto Marca Mundos, cuja 3ª edição se realizou em abril de 2019.
REFLEXÃO CRÍTICA FINAL
No final desta Unidade Curricular, torna-se claro o balanço positivo da experiência que levo do Estágio Profissionalizante como momento final destes últimos 6 anos de curso. Foi um ano, que à semelhança dos prévios 5 anos, me ajudou a moldar a pessoa que sou hoje e a estabelecer as minhas prioridades. Foi também pelo conjunto de experiências vividas ao longo deste ano que sedimentei a minha decisão pela especialidade que quero seguir, Medicina Geral e Familiar.
De um modo geral, considero ter cumprido a maior parte dos objetivos propostos. Ao longo das várias valências consegui, a nível académico, consolidar conhecimentos teóricos adquiridos previamente e melhorar competências cruciais para a prática clínica, principalmente durante os estágios de Medicina Interna e MGF. A nível pessoal, o principal objetivo alcançado foi o treino de aspetos da relação médico-doente, que consegui maioritariamente devido aos estágios de MGF e Saúde Mental, e um aumento de confiança na prática clínica, algo que devo a todas as valências do Estágio Profissionalizante. Ao realizar o estágio de MGF em Coruche, fiquei a conhecer uma realidade muito diferente da prática clínica que conhecia do contacto com a especialidade no 5º ano, em que integrei na USF Tejo em Moscavide. Apesar da prática clínica em Cuidados Primários não se poder restringir apenas a estes campos, consegui concretizar algo que considerei muito importante no início do ano: perceber a diferença entre duas grandes vertentes desta especialidade, no meio urbano e fora deste contexto. A nível criativo, considero que a prática do desenho e da pintura me ajudou verdadeiramente, ao longo do ano, a manter o foco nas verdadeiras prioridades. Apesar destes pontos positivoshouve, no entanto, objetivos que não foram cumpridos no final do Estágio Profissionalizante. Saliento a lacuna no contacto com as principais patologias cirúrgicas durante o estágio parcelar de Cirurgia Geral e não ter sido possível a prática suficiente de competências relacionadas com o exame obstétrico durante o estágio de Ginecologia-Obstetrícia. Penso que seria possível colmatar estas falhas através da rotação entre equipas de Cirurgia Geral e, nível do exame objetivo em Obstetrícia, seria possivelmente benéfico por exemplo alocar mais tempo ao SU da especialidade onde é mais fácil o contacto prático com várias mulheres no final da gravidez.
Embora tenha noção de que este é apenas o início de um longo caminho, pude durante estas 6 valências do Estágio Profissional ganhar uma noção mais aproximada do que significa a boa prática clínica na Medicina. O
Estágio Clínico Opcional de escolha permitiu-me ainda desenvolver uma área de interesse contribuindo para
a minha formação e para o alcance geral dos objetivos propostos.
Tentando obter o maior proveito do Estágio Profissionalizante, levo comigo lições valiosas de algumas experiências vividas. Em Medicina Interna, saliento o impacto do contacto com o doente com miocardiopatia dilatada e o seu acompanhamento diário durante a evolução extremamente positiva que teve. Foi um exemplo prático da importância da transposição do conhecimento médico atual para resultados visíveis no doente e foi uma experiência que no futuro me irá recordar do benefício para o doente de me
11 manter atualizada. Não contava, no início do estágio, com a quantidade de casos sociais com que contactei, o que me permitiu perceber a importância da existência de equipas multidisciplinares neste âmbito. Em
Pediatria percebi principalmente a dimensão da morte e do seu impacto nos que ficam e nos profissionais
de saúde. Era algo com que não tinha ainda tido verdadeiro contacto, mas que se apresenta como uma parte inevitável da Medicina. Lidar com a morte é algo que não pode ser lecionado teoricamente, mas que tem de ser adquirido pessoalmente, e torna-se crucial para o futuro médico saber reagir de forma saudável a esta experiência. Em Saúde Mental, fiquei impressionada com a quantidade de projetos na área da literacia para a saúde no Hospital Júlio de Matos e da grande participação dos doentes nestes. A abordagem que o meu tutor aplicava aos seus doentes permitiu-me perceber a importância de maximizar tanto quanto possível a sua qualidade de vida e autonomia, algo que tenciono transpor para a minha futura prática clínica.
Os vários eventos formativos a que assisti ao longo do ano foram enriquecedores não só pelo seu valor didático e por permitirem o treino de procedimento em simuladores, mas também por representarem uma parte relevante da futura prática médica. Reforça-se assim a ideia de que a formação e aquisição de novas competências na carreira de Medicina nunca termina realmente e que o bom profissional médico se deve manter atualizado quanto à evidência científica da patologia com que lida diariamente, quer se enquadre numa especialidade mais generalista ou mais especializada. A participação num projeto como a Revista FRONTAL foi também particularmente importante para reforçar ao longo do curso competências de trabalho em equipa, gestão de tempo e divisão de tarefas, que considero cruciais para a futura prática clínica. Para além de me permitir desenvolver capacidades criativas, foi uma experiência que me levou a ganhar o gosto pela escrita, por vencer obstáculos e pelo espírito de equipa. Apesar das atividades relacionadas com a Revista não terem sido realizadas este ano letivo, considero que me proporcionaram alicerces cruciais no ganho de confiança nas minhas capacidades, abrindo oportunidades valiosas que contribuíram para moldar a minha personalidade e alcançar os meus objetivos. Destaco ainda a participação no Leilão Solidário em todas as suas 3 edições, o que não só se apresentou como um projeto criativo desafiante como me permitiu contactar com várias realidades e personalidades interessantes na área da Medicina e da Arte.
Algo que considero ter sido extremamente benéfico foi a realização do curso de Medicina na presente instituição, a Faculdade de Ciências Médicas. Pelo início precoce da vivência prática e clínica no curso, pela preocupação em manter o rácio tutor-discente 1:1 sempre que possível, por proporcionar ao aluno o contacto com um grande número de realidades diferentes, não tenho dúvidas que foi um dos fatores preponderantes para o cumprimento dos objetivos propostos e para a minha preparação para o futuro. Termino assim estes 6 anos de curso com a convicção de que apesar de não ter sido fácil, dei sempre o meu melhor para retirar o maior proveito de todas as experiências que vivi nesta instituição. Após o final deste primeiro capítulo, vou assim prosseguir no alcance do meu maior objetivo, ser uma profissional íntegra e executante de uma boa prática clínica, e sobretudo, da “arte de ser médica”.
13
CRONOGRAMA DE ATIVIDADES
Estágio Parcelar
Duração Local Tutor Coordenador de
Estágio Medicina
Interna 10 de setembro a 2 de novembro de 2018
Medicina IB – Hospital Egas Moniz Dr.ª Isabel Madruga Prof. Dr. Fernando Nolasco Cirurgia
Geral 5 de novembro de 2018 a 11 de janeiro de 2019
Hospital Beatriz Ângelo Dr.ª Mónica Oliveira
Prof. Doutor Rui Maio
Pediatria
21 de janeiro a 15 de fevereiro de 2019
UCERN – Hospital D. Estefânia Dr.ª Sara Nóbrega Prof. Dr. Luís Varandas Ginecologia-Obstetrícia 18 de fevereiro a 15 de março de 2019
Hospital Beatriz Ângelo Dr. Bruno Nogueira Prof.ª Doutora Teresinha Simões Saúde Mental 18 de março a 12 de abril de 2019
Clínica 5 (Clínica Lisboa) – Hospital Júlio de Matos, Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
Dr. Marco Gonçalves Prof. Dr. Miguel Cotrim Talina MGF 22 de abril a 17 de maio de 2019
USF Vale do Sorraia Dr. Carlos Ceia Prof. Dr.ª Isabel Santos Estágio Clínico Opcional 20 a 31 de maio de 2019
Unidade de Primeira Infância – Hospital D. Estefânia
Dr.ª Sílvia Afonso
Prof. Dr. José António Alves
TRABALHOS REALIZADOS
Estágio Parcelar Título Data Oradores Tutores
Medicina Interna “Miocardiopatia Dilatada” 23 de outubro de 2018 Kaamil Gani Margarida Lisboa Silva Maria Tareco Dr.ª Isabel Madruga, Dr.ª Rita Freitas, Dr. Nuno Pinheiro Cirurgia Geral "Massa sim, massa não" – um caso
clínico sobre endometrioma da cicatriz de Pfannenstiel. 11 de janeiro de 2019 João Casanova Pinto Laura Guerra Maria Tareco Dr.ª Mónica Oliveira
Pediatria “Meningite, Surdez e Implante Coclear na idade Pediátrica: A propósito de um Caso Clínico”
14 de fevereiro de 2019 Filipa Madalena Teixeira Inês Lopes Margarida Lisboa Silva Maria Tareco Dr.ª Sara Nóbrega, Mestre Catarina Gouveia Ginecologia-Obstetrícia
“Amnioinfusion Compared With No Intervention in Women With Second Trimester Rupture of Membranes – A Randomized Control Trial”
11 março de 2019 Maria Tareco Nélia Isaac Dr. Bruno Nogueira, Dr.ª Diana Martins MGF Rúbrica Minuto Saúde para a Rádio
Voz do Sorraia. Temas desenvolvidos:
“Amamentação”, “Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção”, “Dia Nacional da Luta contra a Obesidade”, “Doença celíaca”, “Estrabismo”, “Omega 3, 6 e 9”
7 de maio de 2019
Maria Tareco Dr. Carlos Ceia
15
CERTIFICADOS
CERTIFICADO DE COLABORAÇÃO NA REVISTA FRONTAL
CERTIFICADO DE PARTICIPAÇÃO NO LEILÃO SOLIDÁRIO
17
19