REVISTA
BRASILEIRA
DE
ANESTESIOLOGIA
PublicaçãoOficialdaSociedadeBrasileiradeAnestesiologiawww.sba.com.br
ARTIGO
CIENTÍFICO
Impacto
do
declínio
cognitivo
pós-operatório
na
qualidade
de
vida:
estudo
prospectivo
Joana
Borges
a,
Joana
Moreira
a,
Adriano
Moreira
a,
Alice
Santos
ae
Fernando
J.
Abelha
a,b,∗aCentroHospitalardeSãoJoão,Servic¸odeAnestesiologia,Porto,Portugal
bFaculdadedeMedicinadaUniversidadedoPorto,DepartamentodeCirurgia,UnidadedeAnestesiologiaeMedicina
Perioperatória,Porto,Portugal
Recebidoem17desetembrode2015;aceitoem20dejulhode2016 DisponívelnaInternetem12deabrilde2017
PALAVRAS-CHAVE
Cuidado pós-operatório; Declíniocognitivo pós-operatório; Qualidadedevida
Resumo
Justificativaeobjetivo:Independentementedoprogressodotratamentonoperíodo periope-ratório,odeclíniocognitivo nopós-operatório(DCPO) éinequivocamente aceito como uma complicac¸ãoimportanteefrequentedacirurgiaempacientesmaisvelhos. Oobjetivodeste estudofoiavaliaraincidênciadeDCPOesuainfluêncianaqualidadedevidatrêsmesesapós acirurgia.
Métodos: EstudoprospectivoobservacionalconduzidoemSaladeRecuperac¸ãoPós-Anestesia (SRPA)compacientesdeidadesuperiora45anos,apóscirurgiaeletivadegrandeporte.Afunc¸ão cognitivafoiavaliadacomotestedeAvaliac¸ãoCognitivadeMontreal(MOCA)eaqualidadede vida(QV)comoQuestionáriosobreQualidadedeVida(SF-36).Asavaliac¸õesforamfeitasno pré-operatório(T0)etrêsmesesapósacirurgia(T3).
Resultados: Foramavaliados41 pacientes.A incidênciadeDCPO trêsmesesapósacirurgia foide24%.EmT3,osescoresMOCAforammenoresnospacientescomDCPO(mediana20vs.
25, p=0,009).Ao compararas medianasdosescores para cadaum dos domíniosdo SF-36, não observamosdiferenc¸as entreospacientescomesemDCPO.Ao compararcadaum dos domíniosdoSF-36obtidosanteseapóstrêsmesesdecirurgia,ospacientescomDCPO apre-sentaramresultadossemelhantesparacadaumadasoitoáreasdoSF-36,enquantopacientes semDCPOapresentaramresultadosmelhoresemseisdomínios.EmT3,ospacientescomDCPO apresentaramníveismaiselevadosdedependêncianasatividadescotidianas.
Conclusão:Trêsmesesapósacirurgia,ospacientessemDCPOapresentaram melhoria signi-ficativados escoresMOCA. OspacientescomDCPOnão apresentaram aumentodos escores SF-36, mas os pacientessem DCPO apresentaram melhora em quase todos os domíniosdo
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](F.J.Abelha). http://dx.doi.org/10.1016/j.bjan.2016.07.007
SF-36.OspacientescomDCPOapresentaramtaxasmaiselevadasdedependêncianarealizac¸ão deatividadescotidianasapósacirurgia.
©2017PublicadoporElsevierEditoraLtda.emnomedeSociedadeBrasileiradeAnestesiologia. Este ´eum artigo Open Access sob umalicenc¸aCC BY-NC-ND(http://creativecommons.org/
licenses/by-nc-nd/4.0/).
KEYWORDS
Postoperativecare; Postoperative cognitivedecline; Qualityoflife
Impactofpostoperativecognitivedeclineinqualityoflife:aprospectivestudy
Abstract
Background: Regardless the progress in perioperative care postoperative cognitive decline (PCD)hasbeenacceptedunequivocallyasasignificantandfrequentcomplicationofsurgeryin olderpatients.Theaimofthisstudywastoevaluatetheincidenceofpostoperativecognitive declineanditsinfluenceonqualityoflifethreemonthsaftersurgery.
Methods:Observational,prospectivestudy inaPost-AnesthesiaCare Unit(PACU)inpatients agedabove45years,afterelectivemajorsurgery.CognitivefunctionwasassessedwithMontreal Cognitive Assessment (MOCA);Quality oflife(QoL) was assessed usingSF-36 HealthSurvey (SF-36).Assessmentswereperformedpreoperatively(T0)and3monthsaftersurgery(T3).
Results:Forty-one patientswere studied.The incidenceofPCD 3months aftersurgerywas 24%.AtT3MOCAscoreswerelowerinpatientswithPCD(median20vs.25,p=0.009).When comparingthemedianscoresforeachofSF-36domains,therewerenodifferencesbetween patients withandwithoutPCD.In patientswithPCD, andcomparingeachofSF-36domains obtained beforeandthreemonths aftersurgery,hadsimilar scoresforevery ofthe8SF-36 areaswhilepatientswithoutPCDhadbetterscoresforsixdomains. AtT3patientswithPCD presentedwithhigherlevelsofdependencyinpersonalactivitiesofdailyliving(ADL).
Conclusion: ThreemonthsaftersurgerypatientswithoutPCDhadsignificantimprovementin MOCAscores.PatientswithPCDobtainednoincreaseinSF-36scoresbutpatientswithoutPCD improvedinalmostallSF-36domains.PatientswithPCDpresentedhigherratesofdependency inpersonalADLaftersurgery.
©2017PublishedbyElsevierEditoraLtda.onbehalfofSociedadeBrasileiradeAnestesiologia. ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http://creativecommons.org/
licenses/by-nc-nd/4.0/).
Introduc
¸ão
Independentementedoprogressodotratamentonoperíodo perioperatório, o declínio cognitivo no pós-operatório (DCPO) é inequivocamente aceito como uma complicac¸ão importante e frequente da cirurgia em pacientes mais velhos.1---12 Porém, ainda não há um consenso sobre a
definic¸ão de DCPO na comunidade médicae, lato sensu, oDCPOédefinidocomoumdeclíniotemporáriodacognic¸ão associadoàcirurgia.13Sedurarmaisdetrêsmesesédefinido
comodeclíniocognitivoprolongadonopós-operatório13,14e
umaproporc¸ão consideráveldepacientesnãoserecupera trêsmesesapósacirurgia(7-69%emcirurgiacardíaca).15
A etiologia exata do DCPO permanece incerta e pro-vavelmente é multifactorial.15,16 Complicac¸ões noperíodo
perioperatório podem precipitar o DCPO precoce, mas demostrou-sequeoavanc¸odaidadeéumfatorderisco sig-nificativoeindependenteparaDCPO.AincidênciadeDCPO deveaumentaràmedidaqueapopulac¸ãodepacientes cirúr-gicosidososcresce.11,17
Ospacientessubmetidosàcirurgiacardíacatêmsido pro-fusamenteestudados,masaincidênciaeaprevalênciadessa complicac¸ãoapósoutrostiposdecirurgianãosãorelatadas tãoexaustivamente.16,18OgrupodeestudoISPOCD(
Interna-tionalStudyofPostoperativeCognitiveDysfunction)avaliou
1.218pacientesde60 anosoumaissubmetidos àcirurgia geraldegrandeporteerelatouincidênciade25,8%deDCPO emumasemanadepós-operatórioede9,9%emtrêsmeses apósacirurgia.6Noentanto,aestimativadafrequênciade
DCPOaindavariade25%a80%.4
Odiagnóstico deDCPO requertestes neuropsicológicos precisoseválidosnopré-epós-operatórioeadeterminac¸ão deum pontode corteentre o DCPO e a variac¸ão normal nodesempenhocognitivo.OdiagnósticodeDCPOnãoéde fácilexecuc¸ãoporquenãohásintomasclínicosaparentes ---ospacientespodemapresentarumadeficiênciaemumaou váriashabilidades cognitivas,como na memória,atenc¸ão, concentrac¸ão, velocidade da resposta motora e mental, no processamento de informac¸ões e aprendizado após a cirurgiae aanestesia, que sãodiferentesde delírio.4,13,19
Amanifestac¸ãoésutil,geralmentemuitosdiasousemanas apósacirurgia.2,4Grandepartedosmédicosnãoconsegue
reconhecer o declínio cognitivo do paciente logo após a cirurgia; os próprios pacientes podem não estar cientes deseu DCPO ourelutarem em relatar qualquer alterac¸ão devido à falta de atenc¸ão ou constrangimento.4 Até
Emboraasalterac¸õescognitivas nãosemanifestem cli-nicamenteemalgunspacientes,estudosrecentesmostram queDCPOpoderesultareminternac¸ãoprolongada,despesas médicaselevadas,aumentodamorbidadeereadmissão hos-pitalar.DCPOtemconsequênciasemlongoprazoreferentes aoaumentodetodasascausasdemortalidadeediminuic¸ão daqualidadedevida(QV),juntamentecomdeficiênciasno desempenhocotidiano,saídaprematuradomercadode tra-balhoedependênciaeconômicaapósaaltahospitalar.2,8,9
OobjetivodesteestudofoiavaliaraincidênciadeDCPO earecuperac¸ãocognitivastrêsmesesapóscirurgianão car-díacaenãoneurológicaedeterminaroimpactododeclínio cognitivonaQVeadependêncianasatividadescotidianas.
Métodos
Ética
Aaprovac¸ãoparaesteestudo(n◦
127/12)foifornecidapelo ComitédeÉticaParaa SaúdedoCentroHospitalar deSão João,Porto,Portugal(Diretor:ProfessorFilipeAlmeida)em 25demaiode2012.Assinaturaemtermodeconsentimento foiobtidadetodosospacientes.
Coorte
Foramincluídos 221pacientes submetidosa cirurgias ele-tivas de grande porteno estudo, feito de 18 de junho a 15dejulhode2012,emSaladeRecuperac¸ãoPós-Anestesia (SRPA)multidisciplinar.Oscritériosdeinclusãoforam paci-entesadultosdelíngua portuguesa, submetidos àcirurgia eletivadegrandeportesobanestesia(definidacomo cirur-giaquerequerdoisoumaisdiasdeinternac¸ão)ecomidade
≥ 45 anos. Os pacientes não puderam ser incluídos duas
vezes,mesmo que fossemsubmetidos a um segundo pro-cedimentonãorelacionado. Foramexcluídos ospacientes comcomprometimento cognitivo(escoreinferior a24) na avaliac¸ão inicialfeitacom o Miniexame doEstado Mental (MMSE),22quenãoentregaramounãoconseguiramentregar
otermodeconsentimentoassinado,nãoentendiamalíngua usadaoueramanalfabetos,nãoestavamdeacordocomo protocoloouprocedimento,foramsubmetidosàcirurgiade urgênciaouemergência,tinhamsidoadmitidospara cirur-giaobstétrica,neurológicaoucardíacaeaquelesqueforam admitidosemunidadesdeterapiaintensivaparavigilância pós-operatória.Todosospacientesforamentrevistadosna vésperaounodiadacirurgia(pelomenostrêshorasantes). Nessaentrevista,umapequenaconsultafoifeitaparaobter o consentimento, fazer o teste MMSE e a anamnese. Os pacientesconcluíram ostestesneuropsicológicos noinício do estudo (T0) e três meses após a cirurgia (T3). Essas avaliac¸õesneuropsicológicasincluíramotestedeAvaliac¸ão Cognitiva de Montreal (MOCA),23 a versão resumida dos
36itensdoQuestionáriosobreQualidadedeVida(SF-36),24
aescaladeavaliac¸ãodasatividades instrumentaisdavida diária(escaladeLawton)25eoíndicedeindependênciapara
asatividadesdavidadiária(ÍndicedeKatz).26Os
anestesi-ologistas eram cegados para a alocac¸ão dos pacientes no estudo.Acondutadaanestesia,inclusiveaescolhadotipo deanestesia,ficouacritériodoanestesiologista.
Avaliac¸ãodopaciente
As características registradas dos pacientesforam: idade, peso,estatura,índicedemassacorporal(IMC)eestadofísico deacordocom aclassificac¸ãodaSociedadeAmericanade Anestesiologistas(ASA).OÍndicedeRiscoCardíacoRevisado (RCRI)tambémfoicalculado,comosistemadeclassificac¸ão relatadopor Lee etal.,27 que inclui cirurgiadealtorisco
(procedimento vascular intraperitoneal, intratorácico ou suprainguinal)efatoresderiscoclínicos(históriadedoenc¸a cardíaca isquêmica, insuficiência cardíacacompensada ou anterior,doenc¸acerebrovascular,diabetemelitoe insufici-ência renal).Essasvariáveis estão incluídasnas Diretrizes Práticas de Estratificac¸ão do Risco Cardíaco para Proce-dimentos Cirúrgicos não Cardíacos de 2007, na Avaliac¸ão CardiovascularPerioperatóriaenoTratamentoparaCirurgia nãoCardíacadoAmericanCollegeofCardiology/American HeartAssociationTaskForce.28
Os detalhes intraoperatórios, inclusive tipo e durac¸ão daanestesia e doprocedimentocirúrgico, tempode per-manêncianaSRPAequaisquereventoscardiorrespiratórios ocorridosnaSRPA,tambémforamdocumentados.
Avaliac¸ãodoDCPOedaqualidadedevida
Cadaparticipantefoisubmetidoatestesneuropsicológicos emdoistemposdeavaliac¸ão:nopré-operatório(T0)etrês mesesapósacirurgia(T3).
O funcionamento cognitivo global de todos os pacien-tesfoiavaliadoem T0comoMiniexamedoEstadoMental (MMSE),umtesteválidoereconhecidoqueéfeitoemcinco a dezminutos(min). OMMSEavaliaosaspectosgeraisda func¸ão cognitiva executiva, mede a orientac¸ão, cálculo, memória,capacidadedeleituraeescrita,linguageme habi-lidadevisuoespacial.Mesmoassim,osescoresdepacientes com formas leves de declínio cognitivo frequentemente estãonafaixanormalnoMMSE.22
O teste de avaliac¸ão cognitiva de Montreal (MOCA) é um questionário deuma página que leva 10min para ser aplicado e é adequado para avaliar a memória de curto prazo, as func¸ões executivas, a memória de trabalho, concentrac¸ão,ashabilidadesvisuoespaciais,aatenc¸ão, lin-guagem e orientac¸ão temporale espacial. As pontuac¸ões variam de zero a 30 e os escores mais altos indicam ummelhor desempenho cognitivo.Para ajustar para efei-tos educacionais, osindivíduos com 12 oumenosanos de educac¸ão recebem um ponto extra.23,29,30 Vários estudos
foramfeitos em Portugalcom a versãoexperimental por-tuguesa do MOCA e as conclusões dos estudos parecem confirmaravalidadeeutilidadeclínicadessaferramenta.30
Comaadoc¸ãodocritériousadoporBaracchinietal.,1um
declíniodepelomenosdoispontosnotesteMOCAemT3foi consideradoclinicamenterelevanteedefinidocomoDCPO. OMedical Outcomes Study 36-ItemShort Form Health Survey24 (questionário SF-36) visa a quantificar o estado
adaptadoculturalmenteparaoportuguêsevalidadoemum estudofeitoporFerreiraetal.31,32
Aavaliac¸ãodacapacidadefuncionalbaseou-sena capa-cidade do paciente de fazer as atividades instrumentais e pessoais do cotidiano. Para isso, doisquestionários que avaliamaindependênciafuncionaldoindivíduoparaas ati-vidades da vida diária (ADL) tanto instrumentais (I-ADL) quanto pessoais (P-ADL) foram usados: a escala I-ADL de Lawton25 e o Índice de independência de Katzem ADL.26
AescalaI-ADLdeLawtonéfácildeaplicareproporcionao autorrelatodoconhecimentosobreashabilidadesfuncionais necessáriasparaviveremcomunidade,comoacapacidade deusarotelefoneelidarcomasfinanc¸as, fazercompras, cuidardacasa,prepararalimentos,usartransportepúblico eserresponsávelpelos própriosmedicamentos.25 Aescala
de Katzavaliaas atividades básicas pessoais davida diá-riaeclassificaacapacidadededesempenhoemseisáreas: tomarbanho,vestir-se,iraobanheiro,transferir-sedacama paraa cadeira,continência e alimentac¸ão.25 As respostas
dospacientesforamcategorizadasemduas classes:capaz ouincapazdeexecutarcadaatividadeougrupode ativida-des.Ospacientesforamconsideradosdependentessenão conseguissemexecutarpelomenosumaADL,instrumental oupessoal.
Análiseestatística
Aanálisedescritivadasvariáveisfoiusadapararesumiros dados.Osdadosordinaisecontínuosquenãoapresentaram distribuic¸ão normal, com base no teste de Kolmogorov--Smirnovparanormalidadedapopulac¸ãosubjacente,foram expressos em mediana e intervalo interquartil (IQR). Os dadosqueapresentaramdistribuic¸ãonormalforam expres-sosemmédiaedesviopadrão(DP).Testesnãoparamétricos foramfeitosparaascomparac¸ões(testedesinaisde Wilco-xonetesteUdeMann-Whitney).Otestedoqui-quadradoou testeexatodeFisherfoiusadoparacompararasproporc¸ões entredois grupos deindivíduos. As amostras relacionadas dotestedesinaisdeWilcoxonforamusadasparacomparar osescoresdoSF-36antesdacirurgiae três mesesapós a cirurgia.Asdiferenc¸asforamconsideradasestatisticamente significativasquandop<0,05.OprogramaestatísticoSPSS paraWindowsVersão20,0(SPSSInc.,Chicago,IL,EUA)foi usadoparatodasasanálisesestatísticas.
Resultados
Dos 221 pacientes admitidos consecutivamente na SRPA duranteoperíododeestudo,41foramincluídos.Deacordo comoscritériosdeexclusão,163foramexcluídos:21não puderam fazer aavaliac¸ão nopré-operatório, 112 tinham menos de 45 anos, 12 foram internados em unidade de terapia intensiva cirúrgica, oito não conseguiram forne-cer o consentimento informado ou apresentaram escore MMSE<24,doisnãoforamsubmetidosàcirurgia,doisforam submetidosàneurocirurgia,trêsnãofalavamoidioma por-tuguêse trêsrecusaram-se aparticipar. Dos57 restantes, apenas 41concluíram todasas avaliac¸ões cognitivas e de qualidadedevidaemtrêsmesesdeacompanhamento.
As características da populac¸ão estão resumidas na tabela 1. A mediana de idade foi de 64 anos; 78%
dos pacientes foram submetidos à anestesia geral ou combinac¸ãodeanestesiageralelocorregional,comtempo médiodedurac¸ãode 120min; cirurgiagastrointestinalfoi feitaem 49%dos pacientes;cirurgia plásticae reconstru-tiva em 15%; cirurgia ginecológica e ortopédica em 10% cada;urológicaem8%;vascularem45;cirurgiadecabec¸a epescoc¸oem 3%;otorrinolaringológicaem 1%.Nãohouve diferenc¸aestatisticamentesignificativaentreospacientes comesemDCPOemrelac¸ãoàsvariáveisestudadas.
AincidênciadeDCPOtrêsmesesapósacirurgiafoide24% (n=10).EmT0,nãohouvediferenc¸aentreospacientescom esemcomprometimentocognitivonosescoresMOCA (medi-anade25vs.21,p=0,139).EmT3,noentanto,ospacientes comDCPOapresentaramescoresMOCApiores(medianade 20vs.25,p=0,009).Nacomparac¸ãocomosescoresMOCAdo pré-operatório,ospacientescomDCPOapresentaram esco-resMOCApioresemT3 (medianade20 vs.25,p=0,001), enquanto os pacientes sem DCPO apresentaram escores melhores(25vs.21,p<0,001).
As tabelas 2 e 3 apresentam os escores medianos nos domíniosdoSF-36paraosdoisgruposdepacientes, compa-ramosescoresemT0eT3.ParapacientescomDCPOena comparac¸ãodecadaumdosdomíniosdoSF-36emT0eT3, háresultadossemelhantesparacadaumdosoitodomínios doSF-36(tabela 2).OspacientessemDCPOapresentaram escoresmelhoresemT3emseisdomínios(tabela3): capaci-dadefuncionallimitadadevidoaproblemasfísicos(mediana de63vs.50,p=0,021),dor(medianade74vs.62,p=0,022), saúdegeral(medianade65vs.57,p=0,016),func¸ãosocial (medianade100vs.75,p<0,001),func¸ãoemocional limi-tadadevidoaproblemasemocionais(medianade92vs.67,
p=0,014)esaúdemental(medianade68vs.52,p<0,001); osescoresforamsemelhantesparaosdomíniosvitalidade (p=0,208)efunc¸ãofísica(p=0,289).
As tabelas4 e 5apresentamos escoresmedianospara todososdomíniosdoSF-36obtidosantesedepoisda cirur-gia,respectivamente,comparam os pacientescom e sem DCPO.Comoapresentado,todososescoresemT0eT3para osdomíniosdoSF-36foramsemelhantes.
A tabela 6 mostra que houve níveis semelhantes de dependênciaem T0 em P-ADL e I-ADL, quando compara-doscomospacientescomesemDCPO;emT3,noentanto, os pacientes com DCPO apresentaram níveis mais eleva-dosdedependênciaemP-ADL (50%vs.16%,p=0,030).Na comparac¸ão dos níveis de dependência em T0 e T3 dos pacientescomDCPOhouveumníveldedependênciamais elevadoemI-ADL(50%vs.10%,p=0,037)doqueemP-ADL (10%vs.10%,p=1,0).Namesmacomparac¸ão,ospacientes semDCPO nãoapresentaram diferenc¸a em I-ADL(29% vs. 29%,p=1,0)oudependênciaemP-ADL(3%vs.7%,p=0,572).
Discussão
RelatamosumaincidênciadeDCPOde24%trêsmesesapós a cirurgia. Na literatura, a incidência de DCPO não está claramente definida e pode variar entre 25% e 80%.4,13
Tabela1 Característicaseresultadosdospacientespré-admissão(n=41)
Variável---n(%)oumediana(IQR) Todos
n=41
SemDCPO
n=31(76)
DCPO
n=10(24)
p
Idade(anos) 64(57---70) 63(56---69) 67(60---73) 0,354a
Faixaetária(anos) 0,171b
<65 24(59) 20(64) 4(40)
>65 17(41) 11(36) 6(60)
Sexo 0,610b
Masculino 13(32) 10(32) 3(30)
Feminino 28(68) 21(68) 7(70)
ASA 0,642b
I/II 33(80) 25(81) 8(80)
III/IV 8(20) 6(19) 2(20)
Índicedemassacorporal(kg/m2) 27(25---30) 27(25---30) 27(26---31) 0,554a Durac¸ãodaanestesia(min) 120(90---166) 120(75---166) 124(108---169) 0,594a
Tipodeanestesia 0,181a
Geral/combinada 32(78) 24(77) 8(80)
Locorregional 9(22) 7(23) 2(20)
Localdacirurgia 0,453
Abdominal 24(59) 18(58) 6(60)
Musculosqueletal 13(32) 9(29) 4(40)
Cabec¸aepescoc¸o 4(10) 4(13) 0
Temperatura,admissãoSRPA(◦C) 35,6(35,0---36,1) 35,8(35,2---36,1) 35,0(34,6---35,8) 0,170a
Hipertensão 28(68) 23(74) 5(50) 0,150b
Hiperlipidemia 22(54) 16(52) 6(60) 0,463b
DCPO 4(10) 3(10) 1(10) 0,689b
STOP-Bang≥3 29(71) 23(74) 6(60) 0,316
Cirurgiadealtorisco 13(32) 9(29) 4(40) 0,390b
Cardiopatiaisquêmica 4(10) 4(13) 0 0,390b
Insuficiênciacardíacacongestiva 1(2) 1(3) 0 0,756b
Doenc¸acerebrovascular 1(2) 0 1(10) 0,244b
Insuficiênciarenal 2(5) 1(3) 1(10) 0,433b
Insulinoterapiaparadiabete 5(12) 4(13) 1(10) 0,647b
Benzodiazepínicos 11(27) 8(26) 3(30) 0,546
Benzodiazepínicos,medicac¸ãopré-anestésica 12(29) 9(29) 3(30) 0,302
PermanêncianaSRPA(min) 110(90---138) 110(90---140) 110(58---129) 0,670a
ASA,estadofísicodeacordocomaclassificac¸ãodaSociedadeAmericanadeAnestesiologistas;DCPO,declíniocognitivopós-operatório; DPOC,doenc¸apulmonarobstrutivacrônica;IQR,intervalointerquartil;SRPA,saladerecuperac¸ãopós-anestesia.
aTesteUdeMann-Whitney. b Testedo
2dePearson.
Tabela2 SF-36empacientescomDCPO
T0(mediana) T3(mediana) p
Func¸ãofísica 83 75 0,779
Capacidadefuncional 59 56 0,635
Dor 43 67 0,314
Saúdegeral 53 49 0,674
Vitalidade 40 44 0,905
Func¸ãosocial 75 69 0,918
Func¸ãoemocional 79 75 0,921
Saúdemental 52 58 0,818
DCPO, declínio cognitivo pós-operatório; SF-36, Questionário sobreQualidadedeVida(36-ItemShortFormHealthSurvey); T0,antesdacirurgia;T3,trêsmesesapósacirurgia.
A DCPO pode ter um impacto considerável sobre a qualidade de vida e resultar em isolamento do convívio social.11,13,15,17 Nos últimos anos, a DCPO após cirurgias
não cardíacas tem sido sistematicamente avaliada. Um estudo em particular, o ISPOCD (Grupo Internacional de EstudodaDisfunc¸ãoCognitivanoPós-operatório)foi bem--sucedidoemdescobriraextensãodoproblemaedefiniros fatores derisco. A DCPO precoceocorre em aproximada-mente25%dospacientesumasemanaapósacirurgiae,em seguida,diminuiparamenosde10%apóstrêsmeses.6
DCPOrefere-se à deteriorac¸ão temporária dacognic¸ão associada à operac¸ão; logo, o número crescente de pacientesidosossubmetidosàcirurgiadevealertar aneste-siologistasecirurgiõessobresuasgravesrepercussões.11No
Tabela3 SF-36empacientessemDCPO
T0 (mediana)
T3 (mediana)
p
Func¸ãofísica 70 65 0,289
Capacidadefuncional 50 63 0,021a
Dor 62 74 0,022a
Saúdegeral 57 65 0,016a
Vitalidade 46 50 0,208
Func¸ãosocial 75 100 <0,001a
Func¸ãoemocional 67 92 0,014a
Saúdemental 52 68 <0,001a
DCPO, declínio cognitivo pós-operatório; SF-36, Questionário sobreQualidadedeVida(36-ItemShortFormHealthSurvey); T0,antesdacirurgia;T3,trêsmesesapósacirurgia.
a Estatisticamentesignificativo,p<0,05.
Tabela4 Comparac¸ãodosgruposcomesemDCPOantes dacirurgiaparaSF-36(T0)
SF-36domínios SemDCPO ComDCPO p
Func¸ãofísica 70 83 0,772
Capacidadefuncional 50 59 0,561
Dor 62 43 0,407
Saúdegeral 57 53 0,465
Vitalidade 46 40 0,562
Func¸ãosocial 75 75 0,736
Func¸ãoemocional 67 79 0,288
Saúdemental 52 52 0,513
DCPO, declínio cognitivo pós-operatório; SF-36, Questionário sobreQualidadedeVida(36-ItemShortFormHealthSurvey); T0,antesdacirurgia.
masépossívelqueamedicac¸ãopré-operatóriacom anticoli-nérgicoecatecolaminasealgunseventoscomohipotensão, hipotermia,hipoxia,ateroembolismoouhipoperfusão cere-bral, controle glicêmico inadequado e endarterectomia carotídeapodemcontribuirparaníveiselevadosda incidên-ciadeDCPO.2Emnossoestudo,nãoencontramosdiferenc¸as
relacionadas às variáveis demográficas ou características cirúrgicasouanestésicasdospacientes.
Tabela 5 Comparac¸ãodosgrupos comesemDCPOpara SF-36trêsmesesapósacirurgia(T3)
SemDCPO (median)
ComDCPO (median)
p
Func¸ãofísica 65 75 0.749
Capacidadefuncional 63 56 0,192
Dor 74 67 0,267
Saúdegeral 65 49 0,149
Vitalidade 50 44 0,269
Func¸ãosocial 100 69 0,200
Func¸ãoemocional 92 75 0,153
Saúdemental 68 58 0,264
DCPO, declínio cognitivo pós-operatório; SF-36, Questionário sobreQualidadedeVida(36-ItemShortFormHealthSurvey); T3,trêsmesesapósacirurgia.
Tabela 6 Independência em atividades da vida diária, antesedepoisdacirurgia
ADL SemDCPO
(n=31)
DCPO (n=10)
p
I-ADLemT0,n(%) 2(7) 1(10) 0,578 P-ADLemT0,n(%) 7(23) 1(10) 0,358 I-ADLemT3,n(%) 1(3) 1(10) 0,433 P-ADLemT3,n(%) 5(16) 5(50) 0,030
I-ADL,atividadesinstrumentaisdavidadiária;P-ADL,atividades pessoaisdavidadiária;T0,antesdacirurgia;T3,trêsmesesapós acirurgia.
Nos vários estudos de DCPO não houve uma metodo-logia padrão33 e a escolha dos instrumentos para testes
neuropsicológicos,oscritériosaconsiderar,omomentodo teste e reteste e os critérios de inclusão e exclusão são variados.34
O uso de testes neuropsicológicos altamente sensíveis e específicos permite a identificac¸ão de déficits cogniti-vos sutis com excelente validade do teste/reteste, mas comriscomaiordeerrosTipoII(falhaemdetectarDCPO).
Para este estudo, o teste MOCA foi escolhido porque é fácilerápido deaplicare permiteavaliarvários domínios funcionaisdacognic¸ão.Mesmoassim,oMOCApodenão con-seguiridentificaralgunspacientescomformasmaislevesde DCPO.35,36
As intervenc¸ões no período perioperatório produzem efeitosemlongoprazosobreoindivíduo;portanto, estraté-giasparapreservarodesempenhocognitivoemlongoprazo eaqualidadedevidasãonecessárias.37
O risco de declínio cognitivo aumenta com a idade e é reforc¸ado após a internac¸ão para procedimentos cirúr-gicos, resulta em morbidade e reduc¸ão da qualidade de vida.38 Na verdade, não há uma abordagem individual
paraevitar a deteriorac¸ão cognitiva,2 mas a manutenc¸ão
e/ourecuperac¸ão daindependênciafuncional,inclusive a cognic¸ão,nopacienteidosohospitalizadoéumgrande desa-fioparaosistemadesaúde.
O declínio cognitivo no pós-operatório pode impedir melhoriasnaqualidade devida eestratégias parareduzir odeclíniocognitivopodempermitiraospacientesomáximo demelhoriadaqualidadedevidaapósacirurgia.Essetem sidootemadeváriosestudos7e,semelhanteaeles,o
pre-senteestudo demonstrouqueodeclíniocognitivolimitaa melhoriadaQV.
Mesmo os déficits cognitivos leves antes da cirurgia podemserummarcadorparaoaumentodoriscodedeclínio cognitivo;39alémdisso,éconsensoqueoDCPOgeralmente
desaparece dentro de 1-3 meses na maioria dos pacien-tesque desenvolvemnovos sintomascognitivos durante o períododepós-operatório.33,39,40
Esteestudotemváriaslimitac¸ões.Éobservacionalecom umapequena amostra de pacientes. Houve muitas desis-tênciaseperdasparao acompanhamento(explicadas,em parte, pelanecessidade deentrevistas completas antese depois dacirurgia para o acompanhamento). Além disso, nãoavaliamosasvariáveisclínicasapósacirurgia,inclusive complicac¸ões e medicamentos que poderiam ter afetado nãoapenasasperdasdoacompanhamento,mastambémos resultadosdodesempenhocognitivo,daqualidadedevida edaindependênciaemADL.
Conclusões
Osprincipaisachadosdesteestudoforamosseguintes:(1) a incidência de DCPO foi de 24%; (2) os pacientes com DCPOnãoapresentarammelhorianosescoresdequalidade de vida; (3) os pacientes sem DCPO apresentaram esco-res melhores em quase todos osdomínios do SF-36e um aumentonosdedependênciaapósacirurgia.
DCPOéumeventoreal,comcomplicac¸õesreaise com-prometimentodaqualidadedevida,querequerumamelhor compreensão,especialmente emrelac¸ãoaos fatores etio-lógicos para preveni-los. Não devemos subestimá-lo, pois oDCPOdiminui aqualidade devidae aumentao graude dependênciapara asatividades davida diáriae cuidados perioperatóriosdealtaqualidadeeapoiosocialefinanceiro sãoessenciais.
Autoria
Todososautoresconfirmamquelerameaprovaramo docu-mento.
Todososautoresconfirmamquepreencheramoscritérios deautoria, conforme estabelecido pelo ICMJE, acreditam queoestudorepresentaumtrabalhohonestoepodem ates-taravalidadedosresultadosrelatados.
Todasaspessoasdesignadascomoautoressão qualifica-dasparaaautoria.
Cadaautorparticipouosuficientementedotrabalhopara assumirresponsabilidade públicapelas partes apropriadas doconteúdo.
Todososautoresapresentaramcontribuic¸ões substanci-aisparaaconcepc¸ãoeodesenhodoestudo,aquisic¸ãodos dados, análise e interpretac¸ão dos dados, elaborac¸ão do artigoourevisãocríticadoconteúdointelectual.
Todososautoresderamsuaaprovac¸ãofinalparaaversão aserpublicada.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
Agradecimentos
Ao pessoal da Unidade de Recuperac¸ão Pós-Anestesia do Centro Hospitalar deSão João pela assistência durante o estudo.
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