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A liberdade sindical x o princípio da unicidade sindical

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Academic year: 2021

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(1)

UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA

DIEGO SOUZA DA SILVA

A LIBERDADE SINDICAL X O PRINCÍPIO DA UNICIDADE SINDICAL

Florianópolis

(2)

DIEGO SOUZA DA SILVA

A LIBERDADE SINDICAL X O PRINCÍPIO DA UNICIDADE SINDICAL

Monografia apresentada ao Curso de Graduação em Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel.

Orientadora: Professora Carolina Giovannini Aragão de Santana

Florianópolis

2010

(3)

DIEGO SOUZA DA SILVA

A LIBERDADE SINDICAL X O PRINCÍPIO DA UNICIDADE SINDICAL

Esta Monografia foi julgada adequada à obtenção do título de Bacharel em Direito e aprovado em sua forma final pelo Curso de Direito, da Universidade do sul de Santa Catarina.

Florianópolis, 14 de junho de 2010.

____________________________________

Professora e Orientadora Carolina Giovannini Aragão de Santana

Universidade do Sul de Santa Catarina

____________________________________

Professora Patrícia Santos

Universidade do Sul de Santa Catarina

____________________________________

Professora Simone Born

(4)

TERMO DE ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE

A LIBERDADE SINDICAL X O PRINCÍPIO DA UNICIDADE SINDICAL

Declaro, para todos os fins de direito e que se fizerem necessários, que

assumo total responsabilidade pelo aporte ideológico conferido ao presente trabalho,

isentando a Universidade do Sul de Santa Catarina, a Coordenação do Curso de

Direito, a Banca Examinadora e o Orientador de todo e qualquer reflexo acerca

desta monografia.

Estou ciente de que poderei responder administrativa, civil e

criminalmente em caso de plágio comprovado do trabalho monográfico.

Florianópolis (SC), 14 de junho de 2010.

___________________________

(5)

Para Nilda Silva de Almeida, por sempre me

apoiar e pelo amor que dedica à sua família.

(6)

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus por ter me proporcionado o suporte necessário durante

essa caminhada.

A minha avó Nilda por sempre me apoiar e me guiar nos momentos que

se fizeram e se fazem necessários durante toda a minha vida.

Aos meus pais por tudo!

Ao meu irmão Davyd Luiz da Silva que sempre cuidou de mim como se

fosse seu próprio filho.

Aos amigos e colegas que tiveram a paciência para agüentar meus

momentos de angústia e desespero, por me aconselharem e por proferirem as

palavras que me confortaram durante toda a empreitada.

A Bruna Sampaio Slussarek, Guilherme Silveira de Andrade e Juliano

Goelzer Cezar, por serem os melhores amigos e terem a paciência nos momentos

mais difíceis e especialmente por fornecerem todo o suporte e apoio na produção

deste trabalho.

A professora orientadora Carolina Giovannini Aragão de Santana, pela

amizade, paciência e por depositar em mim a confiança necessária para que se

tornasse possível a conclusão deste trabalho.

Aos colegas de classe que forneceram suporte a todos os outros como

uma família.

A todos aqueles cujos nomes não estão expressos aqui, mas que sempre

me incentivaram, contribuindo, direta e indiretamente, para a realização desse

trabalho.

(7)

“... o trabalho humano é uma chave, provavelmente a chave essencial de toda a questão social, se nós procurarmos vê-la verdadeiramente sob o ponto de vista do bem do homem.” (Carta Encíclica Laborem Exercens –

(8)

RESUMO

O presente trabalho de conclusão de curso tem por objetivo analisar as perspectivas

e características acerca do sindicato, da unicidade sindical, da pluralidade sindical e

especialmente a liberdade sindical. No Brasil hoje se observa a utilização da

unicidade sindical que é a idéia oposta da liberdade sindical, necessário se fez

apresentar os argumentos para que se entenda o porquê da não garantia efetiva da

liberdade sindical no modelo atual do Brasil. O tema em questão se torna atual por

tratar de questões primordiais para todos os trabalhadores, ou seja, a sindicalização

e seus direitos. Para que se alcance o objetivo deste trabalho utilizar-se-á conceitos

e explicações de renomados doutrinadores, visando, destarte, uma melhor

compreensão acerca do tema em debate. Tratar-se-á inicialmente do sindicato,

buscando compreender como este ente jurídico surgiu e como evolui durante todo a

sua história. Posteriormente, a unicidade sindical, apresentando conceitos e

demonstrando, através da doutrina especializada fundamentos positivos e negativos

desta forma de sindicalização. Apresentar-se-á o conceito de liberdade sindical,

suas garantias e o porquê da unicidade sindical não obedecer efetivamente o que

preceitua a liberdade sindical, tudo isto a partir do modelo adotado pelo Brasil.

Finalizar-se-á expondo o ponto de vista dos doutrinadores acerca da adoção do

Brasil pelos pactos internacionais, todavia, sem adotar o principal deles – a

Convenção n. 87, que é parte integrante deste trabalho. Em análise última,

constata-se que a legislação brasileira, apesar da frustrada tentativa de aplicar a Liberdade

Sindical, limita-a através da Constituição da República Federativa do Brasil,

tornando-a quase imperceptível. Por fim, o presente trabalho visa expor o

contra-senso entre o sistema sindical brasileiro e a liberdade sindical.

(9)

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO...

2. CONSIDERAÇÕES INICIAIS...

3 O SINDICATO...

3.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO HISTÓRICA...

3.2 CONCEITO DE SINDICATO...

3.3 NATUREZA JURÍDICA...

3.4 FUNÇÕES DO SINDICATO...

4 O PRINCÍPIO DA UNICIDADE SINDICAL...

4.1 CONCEITO DE UNICIDADE SINDICAL...

4.2 UNICIDADE X PLURALIDADE SINDICAL...

4.3 A SINDICALIZAÇÃO NO BRASIL...

5 A LIBERDADE SINDICAL X O PRINCÍPIO DA UNICIDADE SINDICAL...

5.1 O CONCEITO DE LIBERDADE SINDICAL...

5.2 A LIBERDADE SINDICAL COMO DIREITO FUNDAMENTAL...

5.3 APLICABILIDADE DA LIBERDADE SINDICAL NO BRASIL...

6 CONCLUSÃO...

REFERÊNCIAS...

09

11

13

13

17

20

22

27

27

29

37

44

44

50

54

60

62

(10)

1 INTRODUÇÃO

É grande a discussão, os temas e as polêmicas acerca da unicidade,

sindicato, sindicalização e liberdade sindical, razão esta que torna a matéria tão

interessante e desafiadora, e, também, objeto de incansáveis debates.

A linha de pesquisa utilizada será a positivação do direito, concentrando,

especificamente sua área no direito do trabalho.

O cerne desta monografia é a discussão que envolve a unicidade sindical

em face da aplicabilidade e efetividade da liberdade sindical.

A importância do tema reside na grande controvérsia que existe

(especialmente no Brasil) acerca do pleno gozo da liberdade sindical, todavia,

limitada através da Constituição da República Federativa do Brasil com a imposição

da unicidade sindical, conforme se verificará a seguir.

A liberdade sindical que assegura ao individuo trabalhador, dentre outros

direitos, o de filiar-se, desfiliar-se, ou permanecer filiado é desafiada pela imposição

da unicidade sindical, que limita, através da constituição (por exemplo, a

Constituição da República Federativa do Brasil, art. 8º, inciso II) a criação de mais de

uma organização sindical, em qualquer grau, representativo da categoria

empresarial ou econômica, na mesma base territorial.

Objetiva-se, através do presente estudo, demonstrar que em muitos

países a liberdade sindical é exercida em sua forma plena com a escolha da

pluralidade sindical (que será tratada sinteticamente também no presente trabalho),

e, assim, mostrar como e se ocorre efetivamente à liberdade sindical no Brasil.

Nessa pesquisa utilizou-se o método de abordagem dedutivo, e da

técnica de pesquisa bibliográfica

1

. Com relação à metodologia, fez-se uso das

Normas da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas, atualizadas, e

subsidiariamente do Manual de Normatização disponibilizado pela Universidade Do

Sul de Santa Catarina - UNISUL.

1

A pesquisa bibliográfica abrange a leitura, análise e interpretação de livros, periódicos, textos legais, documentos xerocopiados, manuscritos etc.

(11)

O presente estudo dividir-se-á em três capítulos distintos, posteriormente

a conclusão e por fim as referências bibliográficas.

No primeiro capítulo terá como enfoque o Sindicato, ou seja, sua origem e

evolução dentro da história, bem como a apresentação de seus conceitos pelos mais

renomados doutrinadores, apresentar-se-á a natureza jurídica deste ente para

melhor compreensão da sua área de atuação e por fim as funções que o Sindicato

exerce.

O princípio da Unicidade Sindical será o objeto de estudo do segundo

capítulo, será apresentado os conceitos deste princípio através dos estudos

realizados por diversos doutrinadores, em seguida, demonstrar-se-á a divergência

entre a unicidade sindical e a pluralidade, tema que apresenta bastante controvérsia,

conforme se verificará no presente estudo, por fim, será exposto de uma maneira

sistematizada, a forma de sindicalização utilizada no Brasil e suas conseqüências.

O terceiro e último capítulo deter-se-á ao estudo do contra-senso

liberdade sindical x o princípio da unicidade sindical, título do presente trabalho

monográfico, apresentar-se-ão conceitos da liberdade sindical, demonstrar-se-á que

a liberdade sindical é um direito fundamental estabelecido por lei, tratados e pactos

diante do cenário internacional e finalizar-se-á o capítulo com o estudo da efetiva

aplicação da liberdade sindical no Brasil.

Ao fim apresentar-se-á a conclusão de todo o estudo realizado,

demonstrando o ponto de vista do acadêmico acerca das formas de sindicalização

que foram estudadas, bem como, aquela que seria melhor usufruída no Brasil.

(12)

2. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Antes de adentrar no tema principal desta monografia, faz-se necessário

conceituar os institutos que serão aqui tratados, quais sejam, Direito, Direito Público

e Direito Privado.

Iniciar-se-á o presente estudo a partir da concepção do que é Direito e

seus conceitos, conceito relevantemente fundamental para que se possa construir

uma linha de raciocínio lógica neste trabalho monográfico.

Miguel Reale entende que o Direito pode ser visto como uma exigência

necessária e indispensável para que possa haver uma forma de convivência em

ordem, ou seja, não há como existir uma sociedade sem o mínimo de ordem, de

direção de organização

2

.

Neste sentido, Miguel Reale define Direito como “um fato ou fenômeno

social; não existe senão na sociedade e não pode ser concebido fora dela

3

.

Corroborando a idéia acima exposta, Nelson Godoy Bassil Dower define

Direito da seguinte forma:

Em suma: o direito é, pois, condição sine qua non de ordem e paz na sociedade. Ubi societas, ibis ius (onde existe sociedade, aí deve existir também o Direito). Sem ele, os vínculos sociais se romperiam e os mais fracos fisicamente ficariam à mercê do poder dos mais fortes, vivendo os homens na insegurança e na intranqüilidade. Por isso, o direito se subordina à vida, Onde há vida humana, deve prevalecer o direito, ordenando e protegendo a atividade humana individual e coletiva. Através de normas jurídicas vigentes obtém-se ou se pretendendo obter o equilíbrio social, impedindo a desordem ou o crime, resguardando a saúde e a moral pública, enfim, protegendo o direito e a liberdade das pessoas, tudo firmado no bom e no justo (bonum et aequum). Essa é a tarefa principal do direito4.

Observa-se que os doutrinadores estudados apresentam como

característica principal do Direito a necessidade de existir uma sociedade, e onde

2

REALE, Miguel. Lições preliminares de direito. 27. ed. São Paulo: Saraiva. 2002, p. 2.

3

REALE, Miguel. Lições preliminares de direito. 27. ed. São Paulo: Saraiva. 2002, p. 2.

4

DOWER, Nelson Godoy Bassil. Instituições de Direito Público e Privado. 10. ed. Saraiva. 1999, p. 17.

(13)

existir sociedade existirá o Direito para constituir a ordem e regulamentar a relação

entre os homens.

Uma vez elucidado o que é Direito, necessário se faz o estudo do que se

chama de divisões do Direito, ou seja, Direito Público e Direito Privado.

Explica Nelson Godoy Bassil Dower, que as normas que norteiam o

Direito Público são aquelas que regulam as interligações que incluem como uma das

partes litigantes o Poder Público (leia-se a União, o Estado membro, o Município e

suas Autarquias).

5

Elucida, com propriedade, Maria Helena Diniz “o Direito Público apresenta

normas que regem as relações em que o sujeito é o Estado, tutelando os interesses

gerais e visando o fim social, quer perante os seus membros, que perante os outros

Estados”.

6

Entende-se, destarte, que o Direito Público trata das relações pertinentes

aos interesses do Estado para com a sociedade, visando garantir o bem estar social.

Uma vez conceituado o que é o Direito Público, faz-se necessário

conceituar o Direito Privado que trata de matéria distinta daquele.

Explica Maria Helena Diniz:

O direito privado abrange o direito civil, que regulamenta os direitos e deveres de todos os indivíduos, enquanto tais, contendo normas sobre o estado e capacidade das pessoas e sobre relações atinentes à família, às coisas, às obrigações e sucessões (CC, art. 1º): o direito comercial ou empresaria, que disciplina a atividade do empresário , e de qualquer pessoa, física ou jurídica, destinada a fins de natureza econômica, desde que habitual e dirigida à produção de resultados patrimoniais; o direito do trabalho, regendo as

relações entre empregador e empregado, compreendendo normas sobre organização do trabalho e da produção; e o direito do consumidor,

conjunto de normas disciplinadoras das relações de consumo existentes entre fornecedor e consumidor. [...] 7 (grifamos)

5

DOWER, Nelson Godoy Bassil. Instituições de Direito Público e Privado. 10. ed. Saraiva. 1999, p. 17.

6

DINIZ, Maria Helena. Compêndio de introdução à ciência do direito. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 256.

7

DINIZ, Maria Helena. Compêndio de introdução à ciência do direito. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 257.

(14)

Verifica-se através do que apresenta Maria Helena Diniz que o Direito

Privado tratará de matérias atinentes as relações dos indivíduos, excluindo o Estado

do pólo passivo ou ativo das lides.

8

O doutrinador Miguel Reale afirma que o Direito Privado teria como cerne

o interesse de cada indivíduo. Traz como exemplo:

Um indivíduo adquire algo, numa loja, e, contra o pagamento, recebe cousa adquirida. Temos aí uma relação de compra e venda. Tanto o comprador como o vendedor se encontram na mesma situação, no mesmo plano, de maneira que a relação é de coordenação. É uma relação típica de Direito Privado9.

Esclarece Nelson Godoy Dower que “Direito Privado tende sempre a

regulamentar um interesse dos particulares, ou seja, regula as relações entre os

particulares”. Em outras palavras o Direito Privado constitui-se de normas jurídicas

que têm como principais alvos atuantes os particulares afastando o Estado de

qualquer vínculo para com o indivíduo.

10

Uma vez trespassados os conceitos de Direito, Direito Público e Direito

Privado, tratar-se-á a seguir do principal foco deste trabalho, o Sindicato, a

Liberdade Sindical e o Princípio da Unicidade Sindical.

3 O SINDICATO

3.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO HISTÓRICA

O assunto a ser tratado neste trabalho monográfico, não poderia começar

sem uma breve abordagem histórico-evolutiva acerca do Sindicato, para então

8

DINIZ, Maria Helena. Compêndio de introdução à ciência do direito. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 257.

9

REALE, Miguel. Lições preliminares de direito. 27. ed. São Paulo: Saraiva. 2002, p. 339.

10

DOWER, Nelson Godoy Bassil. Instituições de Direito Público e Privado. 10. ed. Saraiva. 1999, p. 19.

(15)

adentrarmos no assunto principal deste trabalho, ou seja, a Liberdade Sindical e o

Princípio da Unicidade.

A história divide o surgimento do sindicato em duas fases: a primeira

pré-revolução industrial (considerado o surgimento do sindicato na idade média) e a

segunda pós-revolução industrial.

Como não se visa esgotar o tema abordado, tratar-se-á da evolução a

partir dos acontecimentos da Revolução Industrial, mas, ainda assim, pincelar-se-á

algumas explicações atinentes ao ponto inicial do sindicato pré-revolução industrial.

Na segunda metade do século XVIII, dois fatos foram de fundamental

importância para que se entenda a origem deste instituto. São eles: a Revolução

Industrial e a Supressão das Corporações de ofício.

Neste sentido, explica José Claudio Monteiro de Brito Filho “a supressão

das corporações de ofício, decorre da adoção do liberalismo, que se revela

incompatível com a existência de associações ou assemelhados que se pudessem

sobrepor entre os indivíduos e o Estado”

11

.

Nas palavras de Amauri Mascaro Nascimento:

O liberalismo da revolução Francesa de 1789 suprimiu as corporações de ofício, dentre outras causas, por sustentar que a liberdade individual não se compatibiliza com a existência de corpos intermediários entre o indivíduo e o Estado. Para ser livre, o homem não pode ser subordinado à associação porque esta suprime a sua livre e plena manifestação, submetido que fica ao predomínio da vontade grupal. 12

Por estas razões, Amauri Mascaro Nascimento aponta que o surgimento

do sindicalismo decorre da extinção das corporações de ofício

13

.

Observa-se nos ensinamentos de Vitor Manoel Castan:

Destaca-se que com o fim das corporações de ofício, ‘segue-se um individualismo exacerbado, fundado na livre iniciativa, entregue à lei da oferta e da procura, a qual regulava todos os preços, inclusive da mão-de-obra’. ‘era claramente a liberdade de o patrão explorar sem limites e de o empregado ser explorado sem defesa’. 14

11

FILHO, José Cláudio Monteiro de Brito. Direito sindical. São Paulo: LTr, 2000, p. 60.

12

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Evolução histórica do sindicalismo. In ROMITA, Arion Sayão (Coord.). Sindicalismo. São Paulo: LTr, 1986, p.3.

13

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Evolução histórica do sindicalismo. In ROMITA, Arion Sayão (Coord.). Sindicalismo. São Paulo: LTr, 1986, p.3.

14

(16)

Vitor Manoel Castan continua o raciocínio “Não é por menos que se

afirma que as crises que determinam o desaparecimento das corporações de ofício

acabaram propiciando o surgimento do sindicato”

15

.

José Cláudio de Brito Filho destaca que a Revolução Industrial foi a

criadora dos fatos que permitiram o agrupamento dos trabalhadores distintamente

dos observados até o presente momento.

16

Neste sentido, assinala José Cláudio de Brito Filho:

Em primeiro lugar, alterou-se o sistema produtivo, provocando o trabalho nas fábricas grande concentração de trabalhadores.

Em segundo lugar, havendo elevada oferta de braços para não tantas vagas, podiam os tomadores de serviços impor as condições de trabalho que desejassem, sendo estas desumanas, até pela existência de normas que regulasse o trabalho nos moldes necessários. 17

Antonio Álveres da Silva afirma que o despertar da consciência coletivista

das classes trabalhadoras foi a contribuição da Revolução Industrial.

18

Na visão de Vitor Manoel Castan, as conseqüências da Revolução

Industrial foram muito contributivas para que surgissem os sindicatos, explica o

doutrinador:

De qualquer forma, observa-se que as mudanças advindas da Revolução Industrial, na sociedade, no trabalho, na economia, na produção, na fase do Estado liberal, contribuíram enormemente para o surgimento do sindicato como se conhece hodiernamente. Também, esses processos de mudança na Europa e depois nos demais países do mundo, se fizeram presentes, cada um a seu tempo, pois, a organização dos sindicatos se relaciona ao surgimento e crescimento das próprias indústrias. 19

Após a supressão das corporações de ofício, a evolução do sindicalismo

dividiu-se em três períodos: a fase de proibição, a fase da tolerância e, por fim, a

fase de reconhecimento.

Em relação à primeira fase (de proibição), Amauri Mascaro Nascimento

afirma que podemos considerar a primeira manifestação proibitiva da associação

15

CASTAN, Vitor Manoel. Abuso do direito sindical. São Paulo: LTr, 2008, p. 24.

16

FILHO, José Cláudio Monteiro de Brito. Direito Sindical. São Paulo: LTr. 2000, p. 61.

17

FILHO, José Cláudio Monteiro de Brito. Direito Sindical. São Paulo: LTr. 2000, p. 61.

18

SILVA, Antônio Álvares. Direito coletivo do trabalho. Rio de Janeiro: Forense, 1979, p. 28.

19

(17)

dos trabalhadores, a Revolução Francesa de 1789 e o Liberalismo, enquanto

consideram a associação incompatível com a liberdade do homem.

20

Elucida, com propriedade, José Claudio Monteiro de Brito Filho ao afirmar

que “a proibição não era destinada, somente, àquelas associações com objetivos

restritos a reivindicação profissional, e, sim, com o próprio direito de associação,

incompatível com as idéias liberais da época”

21

.

Quanto à segunda fase (de tolerância), utilizam-se os ensinamentos de

Vitor Manoel Castan:

Em seguida, passa-se para uma fase de tolerância e ‘a Inglaterra, uma vez mais foi pioneira, nesse processo, extinguindo o delito de coalização de trabalhadores na década de 1820; Também, na Alemanha, em 1869 e na Itália, em 1889, as reuniões de trabalhadores deixaram de ser delito. Após, se inicia o chamado intervencionismo e o Estado passa a regular as relações, pois, com ‘a publicação do Manifesto Comunista de Marx e Engels, que estimula os trabalhadores à união, inicia-se um segundo período da história do Direito do Trabalho, que é aquele da contestação ao liberalismo’. 22

Neste sentido, Amauri Mascaro Nascimento corrobora o apresentado

acima por Vitor Manoel Castan, ao afirmar:

Peças importantes no plano das idéias foram o Manifesto comunista, de Marx e Engels (1848), conclamando os trabalhadores à união, condenando a supressão das corporações, defendendo a necessidade de organização dos operários e o direito de associação para que pudessem manifestar as suas opiniões e obter melhores contratos de trabalho.

Os sindicatos surgiram sem apoio da lei, como entes de fato, de existência sob o prisma da sociologia, embora sem o reconhecimento legal. Este veio depois, curvando-se à realidade que já se institucionalizava e que não poderia mais modificar. 23

O reconhecimento do sindicato pelo estado se dá através da terceira fase

da evolução do sindicalismo, a chamada fase de reconhecimento. Sobre a evolução

da segunda para a terceira última fase, explica José Claudio Monteiro Brito Filho:

Sob estes novos ares, o sindicalismo persistiu em usa evolução. O Estado, então, como não podia de ser, deixou de lado sua postura de indiferença legal à questão e se curvou a uma realidade que não havia como ser

20

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Direito sindical. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1991, p. 24.

21

FILHO, José Claudio Monteiro de Brito. Direito sindical. São Paulo: LTr, 2000, p. 63.

22

CASTAN, Vitor Manoel. Abuso do direito sindical. São Paulo: LTr. 2008, p. 25.

23

(18)

ignorada. Começa a nova fase da evolução do sindicalismo, denominada fase de reconhecimento. 24

Utilizar-se-á o ensinamento de Amauri Mascaro Nascimento para que se

entenda o que ocorreu nesta última fase:

O reconhecimento, significando a atitude do Poder Público não repressiva, mas de acolhimento, em suas leis, da realidade sindical, desenvolveu-se, no entanto, em duas diferentes dimensões, de acordo com a postura estatal, de controle do movimento sindical, em alguns casos, de autonomia aos sindicatos, em outros casos, daí resultando o sindicalismo corporativo ou estatal, de um lado, e o sindicalismo fundado no princípio da liberdade sindical de outro lado. 25

Na interpretação de José Claudio Monteiro de Brito Filho o

reconhecimento do sindicato pelo Estado deu-se através da inserção da associação

sindical as leis, com isso surgiu o início de uma nova época sindical e originou

também o que conhecemos hoje como centrais sindicais.

26

3.2 CONCEITO DE SINDICATO

Uma vez esclarecida à história acerca deste instituto, convêm, neste

momento, apresentar os conceitos fornecidos por renomados doutrinadores na área

para que se possa continuar o estudo acerca deste trabalho monográfico.

Com a palavra Sérgio Pinto Martins:

[...] a palavra sindicato vem do francês syndicat. Sua origem está na palavra síndico, que era encontrada no Direito Romano para indicar as pessoas que eram encarregadas de representar uma coletividade, e no Direito grego (sundiké). A Lei Le Chapellier, de julho de 1791, utilizava o nome síndico, derivando daí a palavra sindicato, com o objetivo de se referir aos trabalhadores e associações clandestinas que foram organizadas após a Revolução Francesa de 1789. Outras denominações são empregadas, como

union ou trade union, em inglês; Gewerkschaft (arbeiterve-reine), em alemão; sindacato, em italiano. Também são usadas denominações ‘associações’ e

‘grêmios’, esta última em países de língua espanhola, como na Argentina.

24

FILHO, José Claudio Monteiro de Brito. Direito Sindical. São Paulo: LTr, 2000, p. 64.

25

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Direito Sindical. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1991, p. 27.

26

(19)

Verifica-se na Europa a partir de 1830, o uso da palavra sindicato referente à classe de trabalhadores ou a trabalhadores de diversos ofícios ou ocupações, tendo surgido à denominação sindicato operário, que era uma associação de trabalhadores do mesmo ofício. 27

Interpretando as palavras de Maurício Godinho Delgado os sindicatos são

institutos que possuem como característica a associação permanente daqueles que

representarão os trabalhadores de mesma profissão ou de interesses em comum,

objetivando o interesse coletivo e que defendam os interesses da categoria em

busca de melhores condições para o exercício do trabalho.

28

Nas palavras de Amauri Mascaro Nascimento:

[...] a palavra síndico é encontrada no direito romano para designar os mandatários encarregados de representar uma coletividade. No direito grego aparece a expressão sundlike. Na frança o vocábulo ‘síndico’ (syndic) é utilizado como sinônimo de sujeito diretivo de grupos profissionais. 29

E acrescenta:

Sindicato é um agrupamento no qual várias pessoas que exercem uma atividade profissional convencionam pôr em comum, de uma maneira durável e mediante uma organização interior, suas atividades e uma parte dos seus recursos para assegurar a defesa e representação de sua profissão e melhorar suas condições de existência. 30

Denota-se que a doutrina majoritária cita e define “Sindicato” como

encargo dirigido as pessoas que tenham interesses em comum e almejam ver os

seus direitos decorrentes de uma relação de trabalho, defendidos e representados

pelo Sindicato.

Neste norte, Sérgio Pinto Martins define que sindicato é uma “associação

de pessoas físicas ou jurídicas que têm atividades econômicas ou profissionais,

visando à defesa dos interesses coletivos e individuais de seus membros ou da

categoria”

31

.

27

MARTINS, Sergio Pinto. Direito do trabalho. 18. ed. São Paulo: Atlas, 2003, p. 679.

28

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. 6. ed. São Paulo: LTr, 2007, p. 1325.

29

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho. 22. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 1116.

30

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho. 22. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 1117.

31

(20)

Para José Claudio Monteiro de Brito Filho sindicato “em princípio, é forma

de associação ligada intimamente aos trabalhadores, muito embora ele seja

admitido, em alguns países, como o Brasil, como forma de agrupamento de

empregadores”.

32

Nesse sentido, é o entendimento de Vitor Manoel Castan:

Sindicato ‘é uma forma de organização de pessoas físicas ou jurídicas que figuram como sujeitos nas relações coletivas do trabalho’. Também, é um sujeito coletivo, como organização destinada a representar interesses de um grupo, na esfera das relações trabalhistas, tem direitos, deveres, responsabilidades, patrimônio, filiados, estatutos, tudo como pessoa jurídica.33

Também, para Giuliano Mazzoni:

Sindicato profissional é a associação livre e espontânea de indivíduos, na condição de prestadora de trabalho subordinado ou de dadores (sic) de trabalho, representando seus associados, através dos órgãos, e que age coletivamente com o fim de tutelar os interesses comuns dos mesmos sócios em face de cada um deles, de outras associações ou de outros sujeitos de direito. 34

Como se vê, os doutrinadores atribuem ao sindicato à qualificação de

associação livre e espontânea, com objetivo de representar os indivíduos que a

compõem visando benefícios para estes.

Neste sentido, Mauro Cesar Martins Souza define os sindicatos como

sendo associações que almejam atender a vontade coletiva organizada dos

associados, partes na lide entre o capital e trabalho, com intuito de obter o número

suficiente para que enfrente o lado contrário de forma igualitária.

35

Sérgio Pinto Martins define sindicato como “associação de pessoas

físicas ou jurídicas que tem atividades econômicas ou profissionais, visando à

32

FILHO, José Cláudio Monteiro de Brito. Direito Sindical. São Paulo: LTr, 2000, p. 120.

33

CASTAN, Vitor Manoel. Abuso do direito sindical. São Paulo: LTr, 2008, p. 29.

34

MAZZONI, Giuliano. apud MAGANO, Octavio Bueno. Organização sindical brasileira. São Paulo: RT, 1982, p. 16-17.

35

SOUZA, Mauro Cesar Martins. Abuso do direito sindical. Revista TST, Brasília. v. 68, n. 3, jul./dez, 2002, p. 197.

(21)

defesa dos interesses coletivos e individuais de seus membros ou da categoria. É

uma associação espontânea entre as pessoas”.

36

3.3 NATUREZA JURÍDICA

O conceito de sindicato acima deixa claro qual o objeto deste ente,

porém, necessário se faz apresentar a natureza jurídica deste fenômeno do Direito

para que se possa aprofundar ainda mais o conhecimento nesta área.

Com base nos ensinamentos de Sérgio Pinto Martins:

O sindicato seria pessoa jurídica de direito público. Nos sistemas corporativistas, como no italiano, poder-se-ia fazer tal afirmação, pois o sindicato exercia funções delegadas pelo poder público, como se verificava em nossas Constituições de 1937 (art. 138), 1946 (art. 159), 1967 (art. 159) e na Emenda à Constituição n.º1 de 1969 (ar. 166). Somente o sindicato reconhecido e autorizado a funcionar pelo Estado é que era investido dessa condição. 37

A afirmação acima trata dos momentos históricos anteriores a

Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988. A concepção de direito

público foi alterada pela Constituição da Republica Federativa do Brasil removendo

do Estado qualquer vínculo com o Sindicato, tornando este um ente especificamente

de direito privado.

Neste sentido, explica Amauri Mascaro Nascimento:

No Brasil, durante o sistema constitucional de 1937 e mesmo depois, o sindicato apresentou características que, embora o conservando como pessoa jurídica de direito privado, o cercavam de fortes conotações publicísticas, como é possível concluir pelas suas atribuições legais nesse período, o exercício de funções delegadas de Poder Público. Após a Constituição de 1988, os vínculos jurídicos com o Estado foram efetivamente rompidos, com a autonomia de organização e de administração, realçando a natureza privada dos sindicatos e a sua função de defesa dos interesses coletivos e individuais dos seus representados. 38

36

MARTINS, Sergio Pinto. Fundamentos de direito do trabalho. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2004, p. 155.

37

MARTINS, Sergio Pinto. Direito do trabalho. 18. ed. São Paulo: Atlas, 2003, p. 681.

38

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho. 22. ed. São Paulo: Saraiva. 2007, p. 1119.

(22)

Resta cristalino que o sindicato no Brasil, apesar de suas características

de direito público, fora destituído de qualquer vínculo com o Estado após a

Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CRFB/88), possuindo,

destarte, natureza jurídica de direito privado.

Sérgio Pinto Martins elucida:

[...] pode-se dizer que o sindicato é pessoa jurídica de direito privado, pois não pode haver interferência ou intervenção no sindicato (art. 8º, II da Constituição). Não se pode dizer que o sindicato tem natureza pública, pois o próprio caput do art. 8º da Constituição dispõe que é livre a associação profissional ou sindical. O sindicato faz normas coletivas, como as convenções e acordos coletivos, que não têm natureza pública, mas privada. O reconhecimento do sindicato por parte do Estado não o transforma em entidade de direito público, nem a negociação coletiva. A associação é uma forma de exercícios de direitos privados. 39

Maurício Godinho Delgado aclara ainda mais o tema com a seguinte

afirmação “o sindicato consiste em associação coletiva, de natureza privada, voltada

à defesa e incremento de interesses coletivos profissionais e materiais de

trabalhadores, sejam subordinados ou autônomos, e de empregadores”.

40

Orlando Gomes e Elson Gottschalk elucidam qualquer controvérsia que

persistisse quanto à natureza jurídica do sindicato ao afirmar:

A soma de poderes que o sindicato possui aliada ao controle a que está sujeito por parte do Estado, embora reduzam em muito a liberdade sindical, o que não seria admissível em países de longa tradição democrática e liberal, não são, contudo, critérios suficientes para deslocar a pessoa jurídica do campo do Direito Privado para o do Direito Público. O que caracteriza a pessoa jurídica de Direito Privado é a qualidade da iniciativa dos que desejam, livremente, associar-se. 41

Destacam-se as palavras de Antônio de Lemos Monteiro Fernandes para

corroborar o que se vêm sustentando:

Na verdade, o sindicato é, por certo, uma pessoa de direito privado, não só por assentar num agrupamento de particulares (uma associação), criado

39

MARTINS, Sergio Pinto. Direito do trabalho. 18. ed. São Paulo: Atlas, 2003, p. 683.

40

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. 6. ed. São Paulo: LTr, 2007, p.1350.

41

GOMES, Orlando. GOTTSCHALK, Elson. Curso de direito do trabalho. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 541.

(23)

exclusivamente por iniciativa destes para a representação e defesa de seus interesses, mas também por lhe não assentar qualquer das prerrogativas e limitações tutelares que caracterizam o estatuto dos entes públicos. 42

Em contra partida, mas admitindo a que o Sindicato se caracteriza como

de direito privado, Mozart Victor Russomano afirma “o sindicato é pessoa de direito

privado que exerce atribuições de interesse público, em maior ou menor amplitude,

consoante a estrutura política do país e segundo o papel mais ou menos saliente

que lhe seja atribuído”.

43

Para finalizar, corroborando as idéias acima expostas Arnaldo Süssekind

ensina “[...] o sindicato, em regra geral, tem direito a formar-se de um modo que o

faz independente da administração pública, à qual não se encontra incorporado, e a

viver livre de sua ingerência ou de seu controle, em princípio”.

44

3.4 FUNÇÕES DO SINDICATO

Como já explorado nos itens anteriores, o sindicato, por possuir

capacidade de representação do interesse dos associados e por possuir natureza

jurídica privada, possuí também prerrogativas, ou seja, funções inerentes para sua

existência tanto no mundo social como no jurídico, conforme se verificará a seguir.

O artigo 511 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) prevê:

Art. 511. É lícita a associação para fins de estudo, defesa e coordenação dos seus interesses econômicos ou profissionais de todos os que, como empregadores, empregados, agentes ou trabalhadores autônomos ou profissionais liberais exerçam, respectivamente, a mesma atividade ou profissão ou atividades ou profissões similares ou conexas.

§ 1º A solidariedade de interesses econômicos dos que empreendem atividades idênticas, similares ou conexas, constitui o vínculo social básico que se denomina categoria econômica.

§ 2º A similitude de condições de vida oriunda da profissão ou trabalho em comum, em situação de emprego na mesma atividade econômica ou em

42

FERNANDES, Antônio de Lemos Monteiro. Noções fundamentais de direito do trabalho. Coimbra: Almedina, p. 55.

43

RUSSOMANO, Mozart Victor. A natureza jurídica do sindicato. São Paulo: LTr, 1989, p. 224.

44

SUSSEKIND, Arnaldo, MARANHÃO, Délio, VIANNA, Segadas, TEIXEIRA, Lima. Instituições de

(24)

atividades econômicas similares ou conexas, compõe a expressão social elementar compreendida como categoria profissional.

§ 3º Categoria profissional diferenciada é a que se forma dos empregados que exerçam profissões ou funções diferenciadas por força de estatuto profissional especial ou em consequência de condições de vida singulares.

§ 4º Os limites de identidade, similaridade ou conexidade fixam as dimensões dentro das quais a categoria econômica ou profissional é homogênea e a associação é natural. 45

Em seguida, no artigo 513, também da CLT, enumera as prerrogativas

dos sindicatos:

Art. 513. São prerrogativas dos sindicatos:

a) representar, perante as autoridades administrativas e judiciárias os interesses gerais da respectiva categoria ou profissão liberal ou interesses individuais dos associados relativos á atividade ou profissão exercida;

b) celebrar contratos coletivos de trabalho;

c) eleger ou designar os representantes da respectiva categoria ou profissão liberal;

d) colaborar com o Estado, como órgãos técnicos e consultivos, no estudo e solução dos problemas que se relacionam com a respectiva categoria ou profissão liberal;

e) impor contribuições a todos àqueles que participam das categorias econômicas ou profissionais ou das profissões liberais representadas.

Parágrafo Único. Os sindicatos de empregados terão, outrossim, a prerrogativa de fundar e manter agências de colocação.

Estas são as prerrogativas listadas na CLT, todavia, os doutrinadores

especificam uma a uma as funções que o sindicato exerce, a exemplo de Sérgio

Pinto Martins que divide as funções do sindicato em cinco: função de representação,

negocial, assistencial, econômica e política.

46

Quanto à função de representação, ensina Sérgio Pinto Martins que esta

função está assegurada na alínea a do art. 513 da CLT, conforme se verifica

acima.

47

Ensina o doutrinador, que o sindicato deve atuar perante autoridades

administrativas e judiciárias, defendendo e procurando os melhores interesses tanto

45

BRASIL, Decreto-Lei nº 5452, de 1º de maio de 1943. Consolidação das leis do trabalho. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 01 de maio de 1943. disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil/decreto-lei/del5452.htm>. Acesso em 09 jun. 2010.

46

MARTINS, Sergio Pinto. Direito do trabalho. 18. ed. São Paulo: Atlas, 2003, p. 706-707.

47

(25)

da categoria em que está ligado, quanto àqueles interesses, tão somente, individuais

daqueles associados.

48

Tal afirmação verifica-se por estar assegurada na Constituição da

República Federativa do Brasil de 1988 em seu inciso III do artigo 8ª:

Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte: [...]

III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas.

Com efeito, José Claudio Monteiro de Brito Filho divide a função de

representação em judicial e extrajudicial daqueles interesses tanto coletivos como

individuais, explica o doutrinador “Judicialmente, a representação é tanto dos

interesses individuais como dos coletivos, bem como, às vezes, ocorre em favor de

toda a categoria e, em outras, somente dos associados”.

49

Convém ressaltar os ensinamentos de Amauri Mascaro Nascimento

quanto à função de representação:

[...] perante as autoridades administrativas e judiciais, dos interesses coletivos da categoria ou individuais dos seus integrantes, o que leva à atuação do sindicato como parte nos processos judiciais em dissídios coletivos destinados a resolver os conflitos jurídicos ou de interesses, e nos dissídios individuais de pessoas que fazem parte da categoria, exercendo a substituição processual, caso em que agirá em nome próprio na defesa do direito alheio, ou a representação processual, caso em que agirá em nome do representado e na defesa do interesse deste.50

Quanto à função negocial, utilizar-se-á as palavras de Mauricio Godinho

Delgado:

Através dela, esses entes buscam diálogo com os empregadores e/ou sindicatos empresariais com vistas à celebração dos diplomas negociais coletivos, compostos por regras jurídicas que irão reger os contratos de trabalho das respectivas bases representadas. A função negocial coletiva, do ponto de vista dos trabalhadores, é exclusiva das entidades sindicais, no sistema jurídico brasileiro (art. 8º, IV, CF/88).51

48

MARTINS, Sergio Pinto. Direito do trabalho. 18. ed. São Paulo: Atlas, 2003, p. 707.

49

FILHO, José Cláudio Monteiro de Brito. Direito sindical. São Paulo: LTr, 2000, p. 172.

50

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho. 22. ed. São Paulo: Saraiva. 2007, p. 1123.

51

(26)

Neste sentido, Sérgio Pinto Martins afirma “a função negocial do sindicato

é a que se observa na prática das convenções e acordos coletivos de trabalho. O

sindicato participa das negociações coletivas que irão culminar com a concretização

de normas coletivas a serem aplicadas à categoria”.

52

Amauri

Mascaro

Nascimento

define

“[...]

a

função

negocial,

caracterizando-se pelo poder conferido aos sindicatos para ajustar convenções

coletivas de trabalho, nas quais serão fixadas regras a serem aplicáveis nos

contratos individuais de trabalho dos empregados”.

53

Ainda tratando das funções do sindicato, verificamos, neste momento, sua

função assistencial.

José Claudio Monteiro de Brito Filho, sinteticamente expõe que esta

função “importa na atribuição que lhe é conferida pela lei ou pelos seus estatutos,

para prestar serviços aos seus representados, contribuindo para o desenvolvimento

integral do ser humano”.

54

A lei através da Consolidação das Leis do Trabalho preceitua os deveres

do sindicato, como se verifica no art. 514:

Art. 514. São deveres dos sindicatos:

a) colaborar com os poderes públicos no desenvolvimento da solidariedade social;

b) manter serviços de assistência judiciária para os associados; c) promover a conciliação nos dissídios de trabalho.

d) sempre que possível, e de acordo com as suas possibilidades, manter no seu quadro de pessoal, em convênio com entidades assistenciais ou por conta própria, um assistente social com as atribuições específicas de promover a cooperação operacional na empresa e a integração profissional na Classe.

Parágrafo único. Os sindicatos de empregados terão, outrossim, o dever de: a) promover a fundação de cooperativas de consumo e de crédito;

b) fundar e manter escolas da alfabetização e pré-vocacionais.

Neste sentido, explica Maurício Godinho Delgado:

A função assistencial é a terceira reconhecida pela ordem jurídica. Consiste na prestação de serviços a seus associados ou, ou de modo extensivo, em

52

MARTINS, Sergio Pinto. Fundamentos de direito do trabalho. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2004, p. 159.

53

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho. 22. ed. São Paulo : Saraiva, 2000, p. 1120.

54

(27)

alguns casos, a todos os membros da categoria. Trata-se, ilustrativamente, de serviços educacionais, médicos, jurídicos e diversos outros.55

Quanto à função econômica, a CLT, em seu artigo 564, veda,

expressamente, o exercício, por parte dos sindicatos, de atividades econômicas. O

referido artigo permanece em vigor na Constituição da República Federativa do

Brasil de 1988.

56

Verifica-se, através das palavras de José Claudio Monteiro de Brito Filho,

que “a função econômica do sindicato, então, corresponderia aos meios utilizados

pelo sindicato para obter a receita necessária para o desenvolvimento de suas

atividades.

57

Denota-se com base nos ensinamentos acima que a CLT veda atividades

econômicas, todavia, são através destas atividades que a função econômica é

exercida.

58

Por fim, temos a função política, porém, como na função econômica, há

algumas restrições.

Neste norte, utilizar-se-á os ensinamentos de Mauricio Godinho Delgado:

A mesma reflexão aplica-se às atividades políticas. O fato de não ser recomendável a vinculação de sindicatos a partidos políticos e sua subordinação a linhas político-partidárias, pelo desgaste que isso pode trazer à própria instituição sindical, não se confunde com a idéia de proibição

normativa de exercício eventual de ações políticas. 59

Amauri Mascaro Nascimento esclarece “nossa Consolidação das Leis do

Trabalho proíbe [art. 521, ‘d’], sendo também vedada a cessão das suas instalações

para tais fins”.

60

Convém ressaltar as palavras de Sérgio Pinto Martins para que se finalize

o raciocínio acerca da função política dos sindicatos “a alínea d, do artigo 521 da

CLT, proíbe ao sindicato exercer qualquer das atividades não compreendidas nas

55

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. 6. ed. São Paulo: LTr, 2007, p. 1341.

56

MARTINS, Sergio Pinto. Direito do trabalho. 18. ed. São Paulo: Atlas, 2003, p. 707.

57

FILHO, José Cláudio Monteiro de Brito. Direito Sindical. São Paulo: LTr, 2000, p. 164.

58

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Direito Sindical. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1991, p. 206.

59

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. 6. ed. São Paulo: LTr, 2007, p. 1342.

60

(28)

finalidades elencadas no artigo 511 da CLT, especialmente as de caráter

político-partidário”.

61

4 O PRINCÍPIO DA UNICIDADE SINDICAL

4.1 CONCEITO DE UNICIDADE SINDICAL

Começar-se-á o estudo da unicidade sindical com as palavras de Amauri

Mascaro Nascimento, que conceitua a unicidade sindical da seguinte forma

“Unicidade Sindical é a proibição, por lei, da existência de mais de um sindicato na

mesma unidade de atuação”.

62

Corroborando o exposto, ensina Mauricio Godinho Delgado:

A unicidade corresponde à previsão normativa obrigatória de existência de um único sindicato representativo dos correspondentes obreiros, seja por empresa, seja por profissão, seja por categoria profissional. Trata-se da definição legal imperativa do tipo de sindicato passível de organização na sociedade, vedando-se a existência de entidades sindicais concorrentes ou de outros tipos sindicais. É, em síntese, o sistema de sindicato único, com monopólio de representação sindical dos sujeitos trabalhistas. 63

Destarte, a unicidade sindical possuí características para especificamente

limitar, por lei, a criação de um sindicato de uma mesma categoria em uma mesma

área de atuação.

A Constituição da República Federativa do Brasil, em seu artigo 8º, II,

estabelece:

Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte: [...]

II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econômica, na mesma base

61

MARTINS, Sergio Pinto. Fundamentos de direito do trabalho. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2004, p. 159.

62

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Direito Sindical. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1991, p. 241.

63

(29)

territorial, que será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um Município;

(grifamos).

Convém ressaltar que o inciso II do art. 8º da Constituição da República

Federativa do Brasil é taxativo, ou seja, esta unicidade sindical não decorre da

vontade das pessoas envolvidas para que ocorra a formalização do sindicato,

decorre da lei.

64

Destarte, Sergio Pinto Martins perscruta acerca do tema em destaque:

De acordo com nosso sistema sindical, consagrado no inciso II do art. 8º da Constituição, não há a possibilidade de criação de mais de uma organização sindical – em qualquer grau, o que inclui, as federações e confederações representativas de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que não poderá ser inferior à área de um município. Assim, a Lei Maior estabelece que a unicidade envolve a base territorial, impedindo a existência de vários sindicatos de uma mesma categoria, inclusive de sindicatos por empresa. Limita a unicidade sindical o direito de liberdade

sindical, sendo produto artificial do sistema legal vigente. Não deixa de ser

uma forma de controle, por meio do estado, do sindicato e da classe trabalhadora, evitando que esta faca reivindicações ou greves.65 (grifamos)

Georgenor de Sousa Franco Filho levanta uma questão interessante

quanto à unicidade sindical. E se o trabalhador possuir dois empregos pertencentes

a categorias sindicais distintas?

66

Segue respondendo:

No regime de unidade sindical, se os empregos forem da mesma natureza, o trabalhador poderá ingressar no sindicato representativo da sua respectiva categoria profissional; se forem dois empregos pertencentes a categorias sindicais distintas, poderá associar-se aos respectivos sindicatos que representam os seus interesses profissionais.67

Diante disso, algumas críticas são apresentadas por Amauri Mascaro

Nascimento em face da unicidade sindical, vejamos:

64

MARTINS, Sergio Pinto. Fundamentos de direito do trabalho. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2004, p. 155.

65

MARTINS, Sergio Pinto. Direito do trabalho. 18. ed. São Paulo: Atlas, 2003, p. 682-683.

66

FILHO, Georgenor de Sousa Franco Filho. Curso de direito coletivo do trabalho. São Paulo: LTr, 1998, p. 78.

67

FILHO, Georgenor de Sousa Franco Filho. Curso de direito coletivo do trabalho. São Paulo: LTr, 1998, p. 78.

(30)

As objeções que são apontadas quanto ao sistema do sindicato único cingem-se à restrição que se impõe a livre constituição de sindicatos pelos interessados, de modo que aqueles que pertencem ao grupo não têm outras opções, ainda que em desacordo com as diretrizes sindicais. A representação dos interesses fica canalizada para uma única organização, não restando alternativas para os representados em desacordo com as diretrizes da diretoria do sindicato, a não ser influir nas eleições para a sua renovação.68

Neste sentido, acrescenta Ney Prado:

Entretanto, como em todas as instituições culturais, há o efeito reverso e prejudicial. Sendo único, o sindicato se acomoda. Tem garantida a representatividade e não precisa lutar pela filiação. Não havendo concorrência, não há aperfeiçoamento pois a lei lhe garante o monopólio da ação exclusiva sem disputa.69

Todavia, a união que a unicidade sindical proporciona aos seus

associados traz, também, benefícios que atendem aos interesses destes, como por

exemplo, a solidez das reivindicações almejadas pelo sindicato muitas vezes são

atendidas justamente pela grande massa que a envolve, resultando, muitas vezes,

no êxito na obtenção do resultado pretendido.

70

Com efeito, faz-se necessário transcrever os ensinamentos de Ney Prado,

que expõe fundamentos que corroboram com o que se estudou até então “A atuação

por sindicato único fortalecerá a atividade, concentrará os interesses, evitará a

dispersão e a concorrência entre iguais, organizará os filiados com exclusividade

para, no caso de greve, aumentar o mecanismo de pressão”.

71

4.2 UNICIDADE X PLURALIDADE SINDICAL

Antes de apresentar o debate que ocorre entre os dois modelos sindicais,

necessário se faz delinear alguns conceitos de pluralidade sindical para que seja

possível entender as duas formas de sindicalização.

68

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho. 22. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 1093.

69

PRADO, Ney. Direito sindical brasileiro. São Paulo: LTr, 1998, p. 67.

70

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho. 22. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 1094.

71

(31)

Inicialmente, destaca-se que o sistema da pluralidade sindical é o

preconizado pela Convenção n.º 87 da OIT, em que seria livre a criação de tantos

sindicatos quantos bastasse, não havendo qualquer vedação ou imposição da lei.

72

Define-se o princípio da pluralidade sindical como a forma de

sindicalização que, na mesma base territorial, permitirá haver mais de um sindicato

por categoria representando seus associados, ou seja, pessoas ou atividades, que

possuam interesses coletivos e comuns. A Espanha, Itália e França, bem como a

maioria dos países optam por esta forma de estrutura sindical

73

.

Vitor Manoel Castan acrescenta “a pluralidade sindical consiste na

possibilidade de se criar mais de uma entidade sindical de qualquer grau, dentro da

mesma base territorial, para uma mesma categoria”.

74

Com efeito, transcrevem-se as palavras de José Augusto Rodrigues

Pinto:

Já a pluralidade sindical tem seu conceito resultante da livre auto-determinação das categorias de organizarem quantos sindicatos queiram para atuação concorrente em qualquer ponto do território do país. Desaparece, com ela, o monopólio territorial imposto à associação que primeiro se organizar legalmente em determinada fração geográfica.75

Após a breve apresentação deste fenômeno conhecido como pluralidade

sindical, far-se-á, a seguir, uma comparação delineada sobre as formas de

sindicalização conhecidas pelo ordenamento jurídico, destarte, apresentando os

pontos em que se destacam.

Conforme já abordado anteriormente, a unicidade sindical “é a

representação sindical única de uma determinada coletividade de trabalhadores e de

empregadores”.

76

Ou seja, o oposto do que se foi exposto acima quando

apresentado o pluralismo sindical.

72

MARTINS, Sergio Pinto. Direito do trabalho. 18. ed. São Paulo: Atlas, 2003, p. 683.

73

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Compêndio de direito sindical. 5. ed. São Paulo: LTr, 2008, p. 219.

74

CASTAN, Vitor Manoel. Abuso do direito sindical. São Paulo: LTr, 2008, p. 60.

75

PINTO, José Augusto Rodrigues. Direito sindical e coletivo do trabalho. 2. ed. São Paulo: LTr. 2008, p. 162.

76

NETO. José Francisco Siqueira. Liberdade sindical e representação dos trabalhadores nos

(32)

Inicialmente,

Amauri

Mascaro

Nascimento

apresenta

objeções

significativas que implicam a unicidade sindical, veja-se:

As objeções que são apontadas quanto ao sistema único cingem-se à restrição que se impõe à livre constituição de sindicatos pelos interessados, de modo que aqueles que pertencem ao grupo não têm outras opções, ainda que em desacordo com as diretrizes sindicais. A representação dos interesses fica canalizada para uma organização, não restando alternativas para os representados em desacordo com as diretrizes da diretoria do sindicato, a não se influir nas eleições para sua renovação.77

Nesse sentido, destacam-se os ensinamentos de Arnaldo Süssekind

corroborando o que acima foi exposto “... a realidade evidencia que essa unidade de

representação não se sustenta quando as entidades sindicais se vinculam à

doutrinas políticas ou religiosas, às quais subordinam os interesses profissionais ou

econômicos”.

78

Com efeito, a unicidade sindical desestimula a eficiência de atuação do

sindicato, pois concentrando o poder de representação a um ente único, que acaba

se acomodando por não possuir qualquer concorrência.

79

Corroborando tais afirmações, salientamos as palavras de Ney Prado

“sendo único, o sindicato se acomoda, tem garantida a representatividade e não

precisa lutar pela filiação. Não havendo concorrência, não há aperfeiçoamento pois

a lei lhe garante o monopólio da ação, exclusiva sem disputa”.

80

Imperioso ressaltar as duras críticas feitas por Georgenor de Sousa

Franco Filho à unicidade sindical:

Entre as desvantagens da unicidade sindical, podemos lembrar sua inconveniência porque decorrente de artifício da lei; além disso, esse sistema limita a livre constituição de sindicatos, não restando opções para a criação de um novo a aqueles que eventualmente discordarem de orientação traçada pelo sindicato já existente. Ocasiona, também, acentuado intervencionismo por parte do Estado. O sindicato único é, na palavra experiente de Santoro

Passareli, um engenho formalmente perfeito, que evita todas as dificuldades

da ação sindical; com ele porém, desaparece a razão mesma da instituição,

77

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho. 22. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 937.

78

SUSSEKIND, Arnaldo, MARANHÃO, Délio, VIANNA, Segadas, TEIXEIRA, Lima. Instituições de

direito do trabalho. 19. ed. São Paulo: LTr, 2000, p. 1111.

79

PINTO, José Augusto Rodrigues. Direito sindical e coletivo do trabalho. 2. ed. São Paulo: LTr, 2008, p. 162.

80

(33)

que é autotutela dos interesses dos trabalhadores. Estimula a acomodação das lideranças antigas que, na pluralidade, geralmente sofrem o perigo da concorrência. Incentiva também o nascimento da “profissão” de dirigente sindical.81

Mozart Victor Russomano elenca cinco argumentos em desfavor da

unicidade sindical que convém serem ressaltados no presente estudo:

a) limita a liberdade sindical;

b) o sindicato único e oficializado é produto artificial da lei, deixando de ser fruto de um movimento cheio de espontaneidade e palpitações;

c) torna-se presa fácil da voracidade intervencionista do estado, que tende a fortalecer seus órgãos executivos;

d) estimula a profissionalização dos dirigentes sindicais

e) cria desconfianças, no espírito do trabalhador, quanto à independência, à altivez e à serenidade de suas resoluções.82

Destarte, salta aos olhos a abrupta escolha imprópria pela unicidade

sindical (caso do Brasil), visto que, associações profissionais deste tipo não são

democráticas, muito pelo contrário, possuem características autoritárias e/ou

totalitaristas

83

.

Amauri Mascaro Nascimento, referindo-se a escolha do Brasil pela

unicidade sindical na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988,

discorre da seguinte forma:

O princípio da unicidade sindical não tem a rigidez que à primeira vista parece ter, pois pode ser flexibilizado através de mecanismos previstos na legislação e que com ele coexistem desde a sua instituição, justificando-se muito mais agora, com a maior liberdade concedida à organização sindical pela Constituição de 1988.84

Destaca-se até então as objeções que são apresentadas pelos

doutrinadores estudados em desfavor da unicidade sindical, todavia, faz-se

necessário apontar seus aspectos positivos, conforme se observará a seguir, para

que não se construa uma linha de raciocínio baseada em fontes únicas que

desabonam esta opção sindical.

81

FILHO, Georgenor de Sousa Franco Filho. Curso de direito coletivo do trabalho. São Paulo: LTr, 1998, p. 86.

82

RUSSOMANO, Mozart Victor. Princípios Gerais de Direito Sindica. Rio: Forense, 1997, p. 81.

83

MASSONI, Túlio de Oliveira. Representatividade Sindical. São Paulo: LTr, 2007, p. 112.

84

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