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Rev. Bras. Hematol. Hemoter. vol.22 número1

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Academic year: 2018

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Editorial

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Rev.bras.hematol.hemoter., 2000, 22(1): 01-02

Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea:

Falando alto e em bom tom

A Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO) foi fundada em 15 de ab r i l d e 1996, o b j et i v an d o f o r t al ecer a especialidade em nosso país. Neste sentido, a SBTMO não veio competir com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), mas sim ressaltar os aspectos importantes que tornam a medula óssea um tecido único para tran sp l an te, u m a d o ação q u e sem p re se estabelece em vida, com características próprias bem definidas e que precisam ser valorizadas. March am o s ju n to s, en tr etan to , em vári as avenidas, lutando contra vários obstáculos no d esen v o l v i m en t o d e p r o gr am as d e al t a complexidade em um ambiente ainda pouco favorável e inóspito.

“O transplante de medula óssea começou certo no Brasil...”. Este registro do professor Ricardo Pasquini, coordenador do Centro de Transplante de Medula Óssea da Universidade Federal do Paraná e primeiro presidente da SBTMO , é uma di scri ção f i el dos nossos p rincíp ios: ética fundamentada em sólidas bases científicas. Ao longo dos últimos vinte anos e com mai s de 2000 p rocedi mentos real i zados, p odemos afi rmar que estamos cumprindo o nosso papel junto à sociedade. Os resultados são semelhantes obtidos nos centros mai s desenvol vi dos do ex teri or e constituem motivo de orgulho para todos que se dedicam intensamente ao cuidado destes pacientes.

Os esforços nesse sentido se estendem do norte ao sul do país. Hoje, existem 17 centros tranplantadores credenciados pelo Ministério

Edi tori al

da Saúde, infelizmente ainda concentrados nas r egi õ es m ai s d esen v o l v i d as d o B r asi l . Entretanto, já observamos alguns esforços, embora ainda isolados, em alguns centros do n o r d este. No s ú l ti m o s sei s m eses f o r am credenciados novos centros em São Paulo, em Camp i nas, em São José do Ri o Preto, em Goiânia e Florianópolis. Com eles, surgem n o v as p er sp ect i v as d e d esen v o l v i m en t o científico, intercâmbio de idéias e profissionais e, mais significativamente, novas oportunidades de tratamento para nossa população.

Recen t em en t e o b ser v am o s u m a preocupação maior do Ministério da Saúde em normatizar a política de transplante de medula óssea no país. Através da portaria 3761 de 20 de outubro de 1998, foi atribuída ao Instituto Nacional de Câncer a responsabilidade pela assessoria técnica deste projeto. A SBTMO vem co n t r i b u i n d o si gn i f i cat i v am en t e n est a empreitada, impedindo que a estruturação de um programa nacional fosse devolvida como uma atividade isolada, burocratizada e sem expressão científica. Reunidos os seus membros em várias ocasiões, os esforços foram coroados com a publicação em 13 de outubro de 1999 da portaria 1217. Trata-se de um decreto ímpar que precisa ainda ser aprimorado. Entretanto, ele regulamenta as várias indicações para o transplante de medula óssea, normatiza as condições para a assistência e estabelece as condi ções i ni ci ai s p ara a vi abi l i zação do programa de transplantes utilizando doadores não aparentados. A portaria também tornará possível a expansão do registro nacional de

Dan i el G. Tabak

Chefe do CEMO, In sti tuto Naci on al do Cân cer

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doadores (REDOME) através de um reembolso j u st o p ar a a ex ecu ção d o s est u d o s imunogenéticos. Com os novos códigos, foi afastada a sombra do “custo proibitivo” para identificar, coletar e transportar células de doadores dos centros i nter naci onai s p ara pacientes a serem transplantados aqui no Brasil. De forma ainda mais significativa, o Ministério da Saúde identifica a SBTMO como parceira no cadastramento de novos centros, definições de n o vo s p ro to co l o s d e tratamen to e n o vas estratégias operacionais. Reconhecendo ainda a obri gatori edade de um si stema ági l de financiamento para garantir a continuidade do processo, foram alocados recursos do FAEC-Fundo de Ações Estratégicas e Compensação para a manutenção do programa.

Ex i stem ai nda vári os p ontos a serem explorados. O transplante de medula óssea continua inserido na legislação que lida com os transplantes de forma geral. A portaria 1217 co n st i t u i o p r i m ei r o p asso p ar a o r eco n h eci m en t o d a esp eci f i ci d ad e d o transplante de medula óssea: as complicações apresentadas por nossos pacientes são muitos f r eq ü en tes e r esu l tam em r ei n ter n açõ es prolongadas. No entanto, o ressarcimento para

as i nsti tui ções encontra-se ex tremamente defasado e vários procedimentos não estão contemplados nas tabelas vigentes. Obtivemos recentemente o compromisso da Secretaria de Assistência à Saúde/ MS de rever estes valores, estratégia crítica para garantir a continuidade da assistência nos vários centros.

Estabelecemos uma reunião anual que vem adquirindo expressão crescente no cenário nacional e internacional, reunindo especialistas de elevado conhecimento e criando o fórum correto para discussão de problemas técnico-científicos bem como as estratégias para atingir os nossos objetivos. O local escolhido foi Curitiba, berço do transplante de medula óssea no Brasil.

Referências

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