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Rev. Bras. Hematol. Hemoter. vol.22 número3

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Academic year: 2018

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Nascimento M.L.P.

424

Rev.bras.hematol.hemoter., 2000, 22(3): 424

Abortos em mulheres portadoras de hemoglobina S (AS)

Carta ao Edi tor

Sr. Editor,

Entre as diversas complicações das mulheres com Doença Falciforme (SS, SC e STH), destacamos: abortos espontâneos, natimortos e partos prematuros (1, 2, 3 e 4). Estas não são complicações raras em serviços obstétricos, estando presentes em outras patologias além da Doença Falciforme.

Não é habitual associar-se a presença de abortos, natimortos e partos prematuros em mulheres portadoras de Hemoglobina S (AS).

Em trabalho anterior (5), levantamos a freqüência de antecedentes de abortos, natimortos e partos prematuros (7 e 8 meses de gestação) em 14 mulheres com Hemoglobina AS e comparamos com a freqüência apresentada por 263 mulheres com Hemoglobina AA (normais). Os principais resultados foram – Abortos: AA = 40.3% e AS = 78.6% (significante, p < 0.01); Natimorto: AA = 20.6% e AS = 28.6% (não significante); Partos Prematuros: AA = 6.8% e AS = 7.1% (não significante).

Podemos observar que existiu maior freqüência de abortos nas mulheres AS (78.6%) do que nas AA (40.3 %). Duchovni-Silva & Ramalho (6,7) referem que nas gestações de mulheres heterozigotas AS, cujos parceiros foram AA, existiu maior número de gestações a termo de fetos AS, do que de fetos AA e admitem “...a existência de um efeito materno na transmissão hereditária dos traços falciforme e talassêmico beta”. Este autores (6,7) também admitem que “....o abortamento preferencial dos embriões AA pelas mães heterozigotas parece ser a hipótese mais atraente...”.

Os achados de Duchovni-Silva & Ramalho (6,7) vêm de encontro aos nossos resultados (5) porque em um casal quando a mulher é AS e o parceiro é AA a possibilidade da geração de embrião AA e ou AS é semelhante, isto é, 50%

AA e 50% AS. Se as mulheres AS tiveram maior número de recém-nascidos AS (6) e encontramos maior freqüência de abortos (5), é provável que os abortos das mulheres AS tenham sido de embriões AA.

Acreditamos que são necessários outros estudos científicos para melhor elucidação destes fatos, em conseqüência da importância médico-social dos portadores da Hemoglobina S.

Referências Bibliográficas

1. Nascimento, M.L.P.; Cardel, R.C. Compli cações da gestação n a An emi a Falci forme. Bol. Soc. Bras. Hematol. Hemot. 1996, 18 (Supl): Ref. 025-P.

2. Fiakpui, E.Z. & Moran, E.M. Pregn an cy in sickle hemoglobinopathies. J. Reprod. Med. 1973, 11:28-34.

3. Gonçalves, M.M. & Ávila, I. An emi a Falci forme e Gravi dezFemina. 1985. 13 (1): 23-30.

4. Pantaleão, S.; Nunes Maia, H.G.S.; Paiva, C.S.M.; Medeiros Filho, J.G. Gestati on al ri sk of si ckle cell di sease. J. Bras. Ginec. 1992, 102 (10): 405-417.

5. Nascimento, M.L.P. & Dumas, A. Tran smi ssoras de Hemoglobi n a S (AS) e Beta Talassemi a Men or : abortos e partos prematuros. Anais do Encontro Norte Nordeste sobre Anemias e Parasitoses,

Salvador – Bahia , 1999: 73.

6. Duchovni-Silva, I.; Ramalho, A.S. Maternal segregation distortion in sickle-cell and b-thalassaemia traits?.

Lancet. 1996,347 (9002): 691-2.

7. Duchovni-Silva, I.; Ramalho, A.S. Efeito matern o n o traço de hemoglobi n a C. J. Bras. Patol, 2000. 36

(3): 146.

Recebido: 18/ 12/ 2000 Aceito: 15/ 01/ 2001

Mari a de Lou rdes Pi res Nasci men to

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Coorden adora do Servi ço de Assi stên ci a às An emi as Gen éti cas (SAAG) do Hospi tal Geral Roberto San tos (HGRS) – Salvador, Bahi a

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