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Texto

(1)

CâicUíO topo» .tUlílilíSA ViMU+nm.

k &IKRS

NOS ESTADOS

MÊDICIE RQNDON EXAMINAM SUCESSÃO

>4aSS>SSB>n,aaaa"lllaaaBaiallaiailaaial*aSSSBSSBBS^

Diário do Paraná ^

(Página 3);

ftam no STF

A discutida questão sobre a autoria da mar-eha-rancho, "A Praça" chegou ontem ao Supremo Tribunal Federal porque o compositor Carlos Im-parlai está Inconformado com a absolvição pel, |us-tiça da Guanabara da Nlrlo Batista de Souza, que sa apresentando também como autor da mesma "prsça", respondeu a um processo de quelxs-crlme por ter chamado o seu colega compositor Carlos Imperai de "ladrão, mentiroso • comprador da mú-slee".

FUÍNDADOR DOS DtÁRIOS ASSOClADOSt ASSIS CHATEAUBRIAND

*

N.fl

4.425

?

1 ¦

-

CURITIBA, QUINTA-FEIRA, 16 DE ABRIL DE 1970

-

|

12 PÁGINAS | * ANO XVI *

Elevação

A temperatura para o curltlbano hojo estar* em ligeira elevação, conforme anuncia o Escritório do Meteorologia do Ministério ds Agricultura, • exemplo do ocorrido ontem. O tempo será bom, com nebulosidade, tanto para a Capital como no Llto-ral o grande parte do Interior. Os vento* serio do quadranta Oeste, fracos. A vtsibllldade de boa • moderada.

ESTA SENTINDO FRIO

LACAO DA

AP0L0

Os astronautas da Apolo-13 trabalhavam ontem

à noite meticulosamente com os dados de seus

instru-mentos preparando sua avariada astronave para uma

mano ura que significaria a volta em segurança para a

Terra. As autoridades da NASA informaram que a

Apoio estava ligeiramente fora de sua trajetória, o que

poderia levar os astronautas James Lovell, Fred Haise

e John Swigert à morte no espaço se não fôr realizada

uma correção de curso. Glynn Lunney, diretor de vôo,

declarou aos jornalistas que-tem certeza de que a

ma-nobra será realizada com sucesso:

"O fato deles terem

que fazer uma correção de meio curso não nos causa

alarma ou preocupação nestes momentos". A

opej/a-ção de rumo foi marcada cm princípio para

à 01h34m

de hoje (de Brasília), mas o Centro de Controle

in-formou que ela pode ser realizada até as 14h34m (de

Brasília). Em condições normais a relativamente

pc-quena correção de curso necessária não apresentaria

problemas, mas na situação crítica

em que se

encon-tra a nave espacial qualquer manobra é perigosa,

de-vido à precariedade do fornecimento de energia

elé-trica. Pouco depois das 20 horas (de Brasília), Lovell

informou que um alarma estava mostrando que uma

das quatro baterias do módulo lunar estava com

su-peraquecimento. E' o módulo lunar que

está

fornecen-do toda a eletricidade para a viagem de volta, pois o

sistema principal, do módulo de comando, está

para-do desde a explosão verificada a borpara-do da espaçonave.

Às 22h25m Swigert informou que estava frio dentro

da "Odisséia", e do módulo limar e que por isso os

as-tronautas que dormiam a bordo da cosmonave tinham

que vestir roupa de baixo com mangas

compridas.

En-quanto isso, era meio, à apreensão geral

em todo

o

mundo, esquadras de vários países se preparam para

auxiliar a recuperação dos astronautas na volta a

Terra. (Página 5).

Constituída

a Amazônia

de Mineração

ü general üarxastazu Mediei presidiu ontem, no

Palácio do Planalto, a solenidade de constituição da

Amazônia Mineração S/A, empresa destinada a

pro-mover a exploração de minério de ferro na Serra

dos

Carajás, no Centro-Oeste do Pará. A nova empresa

tem seu capital subscrito em 51% pela Cia. Vale

do

Rio Doce e suas associadas e os restantes 49?o pela

subsidiária da United States Steel Corporation.

Na

ocasião o presidente da República disse que

a

-pesqui-sa de minério de ferro poderá benefioiar o

Brasil no

seu comércio exterior e a grande companhia

norte-americana.

Tribunal não vê

Amparo legal

Para Mais Táxis

O curitibano não terá,

pelo menos parabreve,

mais os 100 desejados táxis. Ocorre que a

Segunda

Câ-mara Cível do Tribunal de Justiça,

julgandc.ontemo

mandado de segurança impetrado por ^pnsías,que

requeriam novos pontos, não tomou conhecimento

do

pedido, por unanimidade

de votos.

Entenje aqug

Corte que os impetrantes não têm amparo

legal e sun

uma mera expectativa de direito. O «an^do.ürvpelxa.

do constituiu a última tentativa dos^ profissionais.

do

jo

tente' depois de não verem atendida a solicitação pela

Prefeitura Municipal. (Página 6).

Pague Logo sua

Água Evitando

a Dívida Ativa

«n^íS^««:5Sií'

vida para com o V**™^,^Agua

e Esgotos se

bem que com a multa de 10 por cenw-^a". _„„ irão

faltosos e os que não aproveitarem ajoojj.chanceirão

para a dívida ativa.

0 prazo foi estendidMendo

em

vista o apelo do DIÁRIO DO PARANÁ', fazendo,

com

que granae número de pessoas procurasse*

aquele d.

partamento,

resolvendo a situação.

O tota wj»

ainda não saldaram a dívida corresponde a

aproxima

damente 19 por cento dos usuários. .(La do

-àoj,*

REVENDO EQUIPAMENTO

- • ' '. ,;'')' .'''•''' '' '

Radlcfole UPI

Técnicos da Missão de Controle de Vôo dõ Centro Espacial de Houston examinam um aparelho destinado à purificação

do ar na Apolo-13, para evitar a formação do dióxido de carbono que poderia provocar asfixia dos astronautas.

ORAÇÕES CONJUNTAS

... ¦¦mÊmmWmWÊBâlmmMmmmBHm

-•

fppH

W^^uÊÊLW^MmlmmmmmmmmWÊ^^mÊW^^^Ê^. ítv'^t4^V* ! ',-*"-~r*- "T^uJK£^^^,£^^^^L]ff^Í^» SJslMHlsis9^^^i»lBB^»MBat\^ 3fe..tfk

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',i^M^^mÀwü^X-.--á^ %ff í? la»í,r,; ¦ - --^ "smiiMaMMas^^

. „. *

Radiofolo UPI

Em sua audiência geral das quartas-feiras, o papa Paulo VI, na Basílica de São Pedro, apela aos cristãos a que façam

orações conjuntas.para o retorno a salvo dos astronautas norte-americanos, tripulantes da cosmonave Apolo-13.

CLÁSSICO VIOLENTO

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^s^BsUHHHicnBvP^Jl

O CAP-CAF de ontem teve um início violento, com muitas jogadas ríspidas e a contusão grave sofrida por Nilson

du-ramente atingido por Gibi, O Ferroviário teve melhor prepa ro físico e decidiu o jogo no segundo tempo. iESPORTES).

CORREDOR DE ENTRADA

««diofol-j UPI

O gráfico distribuído pela NASA esquomatiia o sistema

de reingresso na atmosfera a ser adotado pela Apolo-13.

Governo Deseja

Concluir Todas

Obras Iniciadas

O secretariado reunido na manhã de ontem no

Palácio Iguaçu, ouviu o governador Paulo Pimentel

re-comendar toda cautela no sentido de evitar que se

co-mecem novas obras sem que estejam concluídas

total-mente as atuais. Por outro lado, exige «linha dura» nas

cobranças do Estado. Neste sentido, o Banco do

Es-tado do Paraná não aceitará nenhum atraso no

paga-mento de títulos dos seus mutuários. O governador

de-seja, outrossim, dar continuidade ao esquema de

en-trosamento do sistema financeiro do Estado com

o

Banco Central. De um modo geral, segundo o chefe do

Executivo «a situação do Paraná é muito boa. Seu

Go-vêrno começou e vai terminar sem haver emitido

ne-nhum título público, tendo, ainda, resgatado os

emiti-dos em governos anteriores».- No decorrer do encontro.

o sr. Paulo Pimentel debateu em todos os setores as

obras a serem inauguradas nos próximos meses.

(Pá-gina 4).

PREÇOS DESTE EXEMPLAR

CAPITAL

INTERIOR

Diárs útei

Domingos

Immíí >lwíoKtMi?is^/w5

:Cr$ :ò;30

16h20m — OS 3 PATETAS

18hl5m — JOÃO JUCÁ JÚNIOR

20h30m — SHOW SEM LIMITE

22h30m — OS COMBATENTES

23h30m.— ATLÉTICO X FERROVIÁRIO

¦^ Jota Silvestre abriüumtando o

Show Sem Limite.

(2)

PRIMEIRO

CADERNO

PAGINA

2

-

DIÁRIO

DO

PARANÁ

-

Curitiba, Quinta-Feira, 16 de Abril

de \V7Q

NOSSA OPINIÃO

enoras

De futuro os pequenos engraxates

curitibanos trabalharão na área dos

par-quês e praças públicas, cabendo

aos

adui-tos a possibilidade de exercício de sua

profissão uo longo das ruas e avenidas,

A população recebeu com aplauso a

no-ticia de que o governo municipal

preten-de, realmente,

regularizar tal exercício

profissional na cidade, levando em çüfita

no que se refere aos menores a

neccssi-dade de garantir-lhes tal ganha-pão, fun

damentnl para a economia de muitas

ia-milias de poucos recursos, sem prejuízo

de sua compulsória educação escolar.

Dè fato, a obrigatoriedade de

fre-quência à escola

é um dos necessários

itens para que a criança engraxate possa

trabalhar, garantido pela lei e, sem

dúvi-da. com o apoio do público, sensível

com-pulsòriamente ao imperativo de cooperar

com o pequeno trabalhador.

Mensagem

do prefeito Ornar Sabbag já enviada á

apreciação da Câmara Municipal, fixou o

estatuto para ôsse labor profissional em

nossa Capital,

inclusive

estabelecendo

que os pretendentes serão encaminhados

nela Fundação de Assistência ao Menor

\prcndiz ao Departamento de Bem listar

Social para o devido registro, após

efeti-vado pela referida FAMA a devida

tria-gem

Mas não cessa

aí a preocuparão

prefeitural pelos menores engraxates. O

Departamento do Bem Estar Social

p!a-nejott a construção dp cadeiras de

cimen-lo que serão instaladas nos pontos

esta-'leiecidos para tal trabalho, cadeiras

es-sas que custarão cerca de 2 mil cinzeiros

novos aos cofres públicos, mas que a par

de maior comodidade para o trabalhador

*. seu eventual freguês, garantirão a

pre-^ervação da estética nos logradouros

pú-blicos e dificultarão a sempre previsível

ação dos vândalos, o que não se daria se,

como se pensou a princípio, fossem

for-necidas aos pequenos engraxates

cadei-ras de plástico. Os engraxates em geral

trabalharão uniformizados' fos uniformes

<;erão fornecidos pelos Lions Clubes e

pe-'a Associação Comercial do Paraná) e é

compulsório prever que isso contribuirá

decisivamente para o respeito público a

essa laboriosa categoria profissional, ao

mesmo tempo

que facilitará

a pronta

identificação

dos elementos que a

des-lustrarem por sua conduta. Em suma,

fi-que aqui nosso aplauso pela citada

inicia-tiva de nosso governo municipal e para

quantos colaborarão para seu êxito.

UM CONGRESSO DE CAFÉ

Volante &

révédo

A Universidade Federal do Paraná

aciona seus organismos culturais para

a realização de mais uma universidade

volante, a oitava que promove, levando

ao interior do Estado boa parte de seu

acervo científico-cultural, trabalho que

implantou pioneiramente no país.

Os resultados das universidades

vo-lantes são conhecidos de todos

quan-to se preocupam com o

desenvolvimen-to das comunidades mterioranas,

dis-tantes dos centros educacionais de

ní-vel superior.

A programação deste ano deixa a

notar uma preocupação por levar à

re-gião escolhida — Campo Mourão e

vá-rios municípios a serem atingidos pelo

programa da UFP — novos

conheci-mentos no campo agrícola, e

informa-ções de ordem geral, com vistas a

for-necer ao homem uma atualização em

vários campos do saber.

E' auspicioso assinalar fato cultural

de tanta significação para os

paranaen-ses, marcado, sobremaneira, pelo

inte-rêsse daqueles que organizam a progra

mação

das volantes,

em estabelecer

cursos,

confürôücias e palestras que

visem, de imediato, fazer com que as

comunidades atingidas possam aplicar

o novo acervo de conhecimentos.

Outro

acontecimento valioso

em

nossa vida cultural:

as conferências

que o parapsicólogo

padre Quevsdo

está proferindo no Colégio Estadual do

Paraná, procurando — no campo em

que êle é um pioneiro e mestre de

ine-gável valor — mostrar que o científico

nem sempre conflita com o religioso.

E que o religioso pode buscar no

cien-tífico argumentos de suporte para seus

princípios, dogmas e verdades. Ao

mes-mo tempo, há que se ressaltar o

aspec-to de informação trazido pelas

confe-rências de Quevedo, que, com

explica-ções práticas, elucida fenômenos

geral-mente levados à conta do supranormaí

RIO — Quando comecei a estudar

ca-fé, na época em que estava a

individuali-zar-ee, nos mercados do mundo, o produto

do Sul de Minas, «Sul de Minas», ou, como

diziam oa americanos, «Sal de Mains», era

um padrão de boa bebida. E, ria verdade,

possuía, ali, o Brasil um veio do terra que

lhe conferia um, paíadar especial. Cafés do

São Sebastião do Paraiso, de Machado

e

Guaxupé obtinham ágio por serem

conside-rados entre os melhores da terra.

Pois foi em uma volta simbólica

àquo-In fabulosa região — que, com o correr do

tempo, viu muitos dos seus enfezai»

trans-formados em campos de pastagem — que

se reuniu, cm Poços de Caldas, o 3.o

Con-gresso Brasileiro de Café.

Patrocinado pela Confederação

Nado-nal da Agricultura, sob a presidência do

senador Flávio Brito, e tendo como molas

pragmáticas dois grandes lavradores,

d

primeiro dos quais já foi presidente

do

Instituto Brasileiro do Café —

Newton

Ferreira de Paiva e Carlos Eduardo

Jun-queira — assistiu o Brasil a um dos mais

brilhantes certames de homens da gleba

de que temos notícia.

Desta feita, além dos problemas que

sempre preocupam os cafeicultores, havia

um fato novo, alarmante, que é o

apare-cimento da «Hemileia Vastatrix* em

algu-mas zonas de cultivo da rubiácea.

Além du geada de julho do ano

passa-do, que reduziu a safra futura à

metade

do seu montante normal, além da política

estatizante que nos está- a afastar dos mer

cados nobres de consumo, além do

«con-fisco cambial» que torna a

cafeicultura

uma «via crucia» quando deveria ser um

instrumento de

enriquecimento

nacional,

aparece mais essa dificuldade, que já

liqui-dou, no século passado, Java, Sumatra e

Ceilão como países produtores de café.

Pois, a despeito de todas estas

dificul-dades, os lavradores dos Estados cafeeiros

Paraná, São Paulo, Minas Gerais,

Es-tado do Rio, Espirito Santo, Bahia e Goiás

acorreram a Poços de Caldas para

apre-sentar as suas queixas, fazer as suas

recla-mações e exigir providências das

autorida-des federais.

E o que se pediu não foi somente

aju-da contra a «ferrugem», como é,

vulgar-mente, chamada á

«Hemileia Vaatatrlx»,

mas uma série de medidas que ponham um

paradeiro à situação de subproduçao a que

chegamos, inesperadamente, com a geada

de julho do ano passado. E' mister uma

obra de restauração dos nossos

cafezais,

quo vinham sendo reduzidos, como

acon-tece cm todo ciclo de superprodução, com

o desânimo dos preços baixos, e que, em

algumas regiões, haviam sofrido o impacto

do programa de erradicação, contra

que

clamei, antes que houvesse sido posto em

prático, mas inutilmente, poiB os

«tecno-cratas» do café, ao tempo da

administra-ção Leonidas Borio, parece que desejavam,

deliberadamente, acabar com o café no

Bra-sil.

v

Antes do flagelo da natureza, tivemos

a calamidade de uma administração,

no

I.B.C.

que foi a nior de todos os tempos,

porque os seus

malefícios se distenderam

pelos anos futuros. Agora, sentimos

os

seus efeitos na falta de café provocada pe

Ia erradicação sem plano e irracional,

e,

sobretudo, pelo «confisco cambial», que tira

ao lavrador mais de metade do fruto do seu

trabalho.

Infelizmente, a revolução, que a

lavou-ra recebelavou-ra de blavou-raços abertos, vendo nela

uma redenção, tem sido injusta para com

a cafeicultura. E infeliz continua, com

a

política comercial dos preços rígidos,

(e

com o «confisco» que tira ao lavrador

na-cional a sua capacidade de concorrência nos

mercados de consumo.

Como acontece com todos os conclaves

desta natureza, não teve êle caráter

poli-tico, mas tão-sòmente de colaboração com

o governo, no sentido de indicar-lhe o

ca-minho para servir à coletividade, servindo

à classe, pois, como afirmei no

pronuncia-mento que fiz em Poços de Caldas, um país

de lavaradores ricos é um pais rico.

O cartaz de apresentação do Congresso

era uma equação:

«Preço

-I-

produção

+ exportação = sobrevivência».

Pareceu-me modesto. A lavoura sofreu tanto,

nos

últimos anos, que já se contenta com

so-brevivência, quando o café deve dar mais

ao Brasil, como deu no

passado, ou seja,

os recursos para o seu desenvolvimento e

para o seu progresso, além da

prosperida-de da lavoura.

ESTILO

xiiiüuriii^u urjci- ANDllADE

As suas conclusões e as suas

recomen-daçôes, votadas no domingo passado,

Mo

se limitaram à «ferrugem» contra que e

mister desencadear verdadeira cruzada, se

não quisermos que nos aconteça o

qtie,

em outras épocas, já aconteceu a vários

países produtores, que ficaram sem

cale

para exportar. Também admoestou

con-tra os programas radicais,

improvisados

sob impacto emocional, pois, hoje, temos

o qtíe Hão tinham aqueles países quando

foram vítimas da praga: uma indústria

qui-mica altamente desenvolvida de inseticidas

e de furtgicidas. E' mister, portanto, ir com

cuidado para não matar o doente com

o

tratamento da moléstia.

Os problemas que afetam a

cafeicul-tura, independentemente da praga da

«fer-rugem», foram estudados,

especialmente,

na Comissão de Comercialização, a que deu

o brilho da sua experiência o sr. Adolfo

Becker, antigo presidente do IBC.

Reco-mendou maior participação dos

produtos

na receita em divisas produzida pelas

cam-biais do café. Recomendou insistência

na

conquista de novos mercados. Recomendou

livre trânsito para o produto, em todo o

País, e mais, exportação de qualquer café

desejado pelos importadores, desde que

se-ja acima do tipo 8 e não contenha

mais de

1% de impurezas. Recomendou simplifica-

'

ção da sistemática, com a finalidade de

des-burocratizar a

exportação.

Recomendou

ainda que ós preços internos sejam

reajus-tados automaticamente, todas as vezes que

forem modificados os preços em ouro, para

que não se aumente o «confisco». De resto,

este «confisco» foi anatematizado quando

se pediu maior participação da lavoura na

receita em divisas.

Não é possível continuar com essa

dis-eliminação insuportável que somente

atin-ge o café, quando há «verdade cambial» pa

ra todos os outros produtos de exportação.

As proposições foram lançadas.

Cum-pre, agora, ao governo, que prestigiou

o

Congresso mandando, ali, três dos

seus

ministros, ouvir o que o conclave votou, e

atender aos seus reclamos, pois, de outra

maneira, o café terminará no Brasil

mes-mo antes que a «ferrugem» ultrapasse o«p&

ràíéíò 38» e invada as regiões de café de

melhor qualidade do País, do que Deus nos

livre e guarde.

MAURO MOTA

RECIFE — Escreve-me Auxiliadora

San-guinetti (rua Sete de Setembro, 167, apto.

21), perguntando

"o

que, para um escritor;

/

significa o estilo". O que posso responder?

Elimine-se para sempre a controvérsia

primária. Escrever é uma coisa, ter um

es-tilo outra coisa bem diversa. Ninguém

ja-mais construiu um estilo pelo uso dos

acêr-tos gramaticais.

Nenhuma perfeição mais

imperfeita do que essa. Pessoas que a

des-conhecem, ou nem querem saber dela

con-seguem exprimir-se com dignidade.

Ainda recentemente,

João Gaspar

Si-mões mencionou o caso de Tolstoi, com

ba-se nas pesquisas de escritor francês

conhe-cedor da língua russa. Pois bem, o autor de

"Guerra e Paz" escrevia mal, mal como

en-tendem alguns filólogos. Mas isso não o

mi-pediu de ser um estilista e um romancista

genial.

Fará ilustrar

o senso discriminaun i>>

desses mestres de papel pautado, o notável

r crítico português contaya o episódio

.icor-rido em seu país: o de um livro com

veiei-dades antológicas, destinado a ensinar i

es-crèyér bem. Dos trechos selecionados,

còhs-tava a descrição de Coimbra feita pelo

Con-selheiro Acácio. Eça de Queiroz teria

ápre-ciado esta inclusão. Era a verdade e a

pro-jeção da sátira. O Conselheiro Acácio não

habitava apenas a segunda metade do

sé-culo XIX.

Na poesia, a discriminação tem de ser

ainda mais rigorosa pelo nosso desejo de

identificá-la no arcabouço léxico

*e

versife-ro, se a peça é atual, liberta das narrativas

clássicas; se contém, as suas próprias

fór-mulas expressivas.

Modernamente, os instrumentos dessa

abordagem falham quando convencionais ou

0 Testamento dos Ândrodas

so intuitivas, assim incoerentes com as

no-vas técnicas da composição do verso. O

ver-so é uma unidade rítmico-orgânica e cpnio

tal deve ser entendido. Deixou de ser uma

linha gráfica ou sonora para ser um nervo

na estrutura do poema. Um só verso pode

ser o poema. Muitos podem deixar de sê-lo,

quando assumem no poema a função

opera-cional. O poema pode não ser a poesia, o

verso pode não ser o poema. Mudou o

com-plexo da ontogenia do verso. Ele

reage

pa-ra inexístir mais em termos de tpa-ratado de

metrificação.

Contudo, nenhuma liberdade mais

com-plexa do que a liberdade do verso

livre. A

menos que seja uma voz irreflexa, a

insub-missão dele a modelos

prefixados impõe

mais

um acervo de

responsabilidade do

poeta. Compete ao poeta criar a sua poesia

e o seu verso para a sua poesia.

RAUL RODRIGUES GOMES

O sedutor c brlUiuiiListouuu Oovíuüu

>uu-nna em meio à arrancada vitoriosa de 10o

i

-teriotipou uma frase candente, creio ainda

a-plicável aos dias.atuais: No Biasu. -a...

serto de homens.

Não vou ilustrar a existência de valores

em nossa história. Ou corroborar a assertiva do

Saara aludido pelo valente gaúcho. Nosso

pas-sado conta, com figuras másculas, homens com

todas as letras maiúsculas e, se Impresso o

têr-mo, em itálico ou versai.

Para ilustrar a tese basta

respigar na

multidão deles uma trilogia capaz, por si su. ue

encher, como encheu, um período de nossa

his-tória.

Penso e falo dos Andradas, José, Martim

e Antônio Carlos. Sua

descendência em

150

anos de atividade comprova o mérito esóup,

---• do dêsso sangue e desses impreteritos

cida-dãos, entremeio de cujo clã náo tenho' noticia

houvesse improbos ou canalhas.

Para meus propósitos detenho-me na trin

ca extraordinária e nela destaco a figura

atí-mirãvel do patriarca José Bonifácio de Andra^

da e Silva, poliédrico, poligráfico, sábio,

técnl-co, militar heróitécnl-co, civil impoluto, politlco com

virtudes e defeitos inerentes à essa

especíwlida-de social, poeta, orador, jornalista, a maior

per-sonalidade de seu tempo até sua morte

Nas suas andanças de estudioso pela

Eu-ropa, aprendeu tudo quanto era possível e

cons-tante de seu programa cultural.

E' retido em Portugal, pois este não

de-se java viesde-se o fabuloso paulista para cá. Mas

logrou atravessar o oceano, retornando à sua

.pátria onde atuaria como

individualidade de

primeiro plano nos fatos da independência

Mas seus dois irmãos possuíam méritos

invulgares.

Como o mais velho, eram machos e até

garanhões no saiitido da fibra e coragem.

Martim Francisco, ministro na Regência

de Pedro I, recebeu em sua casa o

embaixa-dor inglês. E este iniciou e sustentava sua

co-municação em voz muito alta. Martim,

come-çou a lhe responder ou dialogar, berrando, o

britânico protestou:

— Sou representante de S. Majestade

Al-biônica e V. Excia Infringe as regras da

edú-cação vozeiando por essa forma insólita.

—- Saiba V. Excia. senhor embaixador o

seguinte: Na minha casa ninguém fala em tom

mais alto que o meu!

O diplomata cuidou de diapasionar a

fa-Ia rlé arôrdo com a mplhor ética.

Antônio Carlos Ribeiro de Andrada

par-ticipou da revolução de 1817, o mais beta

brga-uizado movimento pela nossa

independência

jamais verificado no Brasil — e quando já

exis-tia um rei, o pobre dom João VI, fugitivo de

Napoleão e Instalador de um governo

umbill-cado ao de Portugal. Os rebeldes de Recife

per-deram a parada. Uns foram fuzilados. Outros,

presos e condenados.

Antônio Carlos escapou

da forca ou do fuzil. Mas curtiu humilhações

em sórdidos cárceres. Levado a Salvador,

tran-sitou pelas ruas com grilhões nos tornozelos.

E durante sua via da cruz —

portuguê-ses lhe escarravam no rosto,

insultavam-no,

queriam agredi-lo.

Suportou heróica e altivamente esses

en-xovalhos.

Ao tempo da regência de Pedro I,

quan-do o Brasil enviou representação às cortes de

Lisboa, êle foi uma das vozes mais constantes

na reação quanto aos desígnios de

recoloniza-ção da nossa terra. Éle e um reduzido grupo

de parlamentares brasileiros tiveram de fugir

de Lisboa pois viviam ameaçados de morte

pe-Ia populaça lisboeta.

No Brasil, foi ator destacado na luta pela

nossa independência. Foi um dos redatores da

nossa primeira Constituição — motivo de

en-cerramento e dissolução da Assembléia e da

re-volução de Pernambuco conhecida pelo nome

de Confederação do Equador.

-Mas dos três irmãos a personalidade mais

importante era José Bonifácio. Era um

autên-tico

super-homem como aos homens viris

e fortes os chamariam Emerson na América do

Norte, Carlyle nos seus Heróis na Europa e

Nie-tzsche também no velho Continente.

Influiu decisivamente nos

acontecimen-tos da nossa emancipação. E, construtivo e

ge-nial, concebeu uma "avant lettre" daquilo na

atualidade denominado planejamento.

Seu trabalho afrontava e estadeava

so-luçôcs para assuntos ainda hoje alguns não

resolvidos. E destemidamente

propugnava

a

abolição da escravatura, por, êle considerada

uma ignomínia.

Homem de combate, não agia como um

mero cortesão diante do príncipe regente e

de-pois do imperador Pedro I.

Em todas as circunstâncias, mesmo nas

conjunturas graves emitia sua opinião. E

dis-cutia com o jovem lmperante, irreverente e

au-toritário. Mas, se sabe desde o 7 de setembro

um notável rabo de saia Ingressou na história

do Brasil, E, ousa Marquesa de Santos ou José

Bonifácio sobrava. Como dupla era demais. E

o sacrificado, com dano para o Império e para

o Brasil, foi José Bonifácio, o patriarca

incon-teatàvelmente da Independência, Ledo e seu

(Da Academia Paranaense de Letras)

grupo preconizavam a República.

Mas nessa

hora, a Monarquia servia melhor aos interesses

da nova nação, pois manteria a unidade e a

outra forma institucional esfacelaria nossa

ter-ra em republiquetas, quiçá devoráveis pelo

ape-tite de nações circunvizinhas, ansiosas de uma

saída para o Atlântico.

No intróito destes comentários, datilogra

fados "à Ia diable", exaltei os três irmãos

co-mo individualidades fortíssimas.

E na trinca

destaco José Bonifácio — o machísslmo da

fa-milia.

Foi-o nos estudos na Europa,

poi-o na

luta comandando um batalhão contra as

tro-pas de Junot. Foi-o vindo para sua pátria com

a fama de um gênio e um sábio. Aqui logo se

impôs. E teve da parte de Pedro I apoio e

sim-patia- Mas, Pedro I, um imperador escapo do

destino da dinastia medíocre è até tarada do

trono lusitano, pois o considero um gênio

tam-bém, mas analfabeto.

Não recebeu instrução

nem educação à altura.de suas

necessidades

intelectuais.

.

-O "mal divino de sua tara"

slntomatiza-va-lhe a altíssima capacidade mental. Mas

nas-cido num lar desmoralizado,

um pai imbecil,

uma mãe devassa, criou-se à lei da natureza,

sem ter podido, bom é reacentuá-lo, receber a

educação adequada à sua missão de fundar um

Império com um território de quase 9 milhões

de km2 e rodeado de países de outra raça,

em-bora os lusos, cgmo eles, ibéricos.

Se não fora a intrigalhada atuante

sò-bre a ação de José Bonifácio, e os dois. o

im-perador jovem e o ministro maduro se

harmo-nizassem. o Brasil seria logo uma grande

na-ção e potência. Nos primeiros passos da nova

pátria, o patriarca teve muitos ensejos de com

provar seu valor como estadista de primeira

grandeza e de espantosa coragem.

Num encontro, com Chamberlain,

embai-xadnr da Inglaterra, tendo aquele se excedido

em suas pretensões e querido até se

introrae-ter em nossa intimidade, José Bonifácio,

quan-do não se nos definira o tipo de. instituição nem

se feito a independência disse

ao

represan-tante albiônico: "O Brasil quer viver em paz

e amizade com todas as outras nações. Há de

tratar bem todos os estrangeiros mas jamais

consentirá que intervenham nps negócios

inter-nos do pais". E mais positivo ainda —

consnan-te o consigna Tarquínlo de Souza "José

Bonifá-cio", 217: "O Brasil não pretende imiscuir-se

na "politique torí**sise da Europa" e não

permi-tlrá que esta tçnha aqui a menor ingerência".

Nessas poucas linhas' está traçada uma diretriz

maravilhosa de alcance. Ela devera ser

impôs-ta hoje a nações ols e transatlânticas.

Histeria

Ideológica

LINCOLN NEBY

RIO — A histeria ideológica que

âa-sola o mundo, numa onda

de^ violência

inusitada, em contraste com qualquer

pe-ridío outro negro ^ História

nao^r

tringe apenas a chantagem

cubana de

eo-brar estadia aos aviões desviados para

OS

seus campos de pouso, a peso

do

ouro

desprezível dos dólares

norte-americanos.

Indústria rendosa tornou-se

essa

pirata-ria aérea, que visa a compensar

a queda

das exportações de açuçar que

se erigia

na divisa branca e preciosa

a reforçar o

erário da outrora florescente

Ilha do

Ca-ribe.

Do seqüestro de aeronaves, passaram

os histéricos ideológicos ao rapto

dos

dl-plomatas. Qualquer

um destes pode vir a

ser prisioneiro dos piratas, tal

como César

caiu nas

mãos dos fllbusteiros

antigos,

quando voltava de

Rodes, resgatado por

20 talentos.

O roubo dos aviões, porém, nãô

decor-ré apenas dos

interesses

aduaneiros

do

chamado Paraíso das Antilhas. Há

faná-ticos, espalhados por todo o mundo,

dese-jando lá chegar, a qualquer

custo, sem

cogitar do que lhes espera

— a vida dura

de "coolies" nos canaviais.

Os jovens japoneses que desonraram o

nobre sabre dos samurais, brandidos no

seqüestro do aparelho que foi levado para

a Correia do Norte, a esta hora

profunda-mente decepcionados, viviam num dos

pai-ses mais desenvolvidos da atualidade.

O Japão já pôs 03 pés na estrada do

século futuro. Já se revelou o povo mais

industrioso na face da Terra. Realizou

mi-lagre econômico de tal vulto que nem

to-dos poderão medi-lo. Mas a histeria

ideo-lógica embriagou um pugilo de

adolescen-tes, levando-os a preferir as agruras da

vida escrava e obscura de trecho da Ásia

dos mais atrasados, entorpecido pela

èstio-lação medieval da sua vida

sócio-econô-mica.

Aparentemente, esses fenômenos não

têm explicação. 50 anos de

experiência

marxista colocam a Rússia na

retarguar-da de muitas nações livres. Essa

fracassa-da tentativa deveria ter servido de lição

aos que ainda nutrem ilusões faguetras

sô-bre as excelências de um regime que é

emi-nentemente

antijurídico

e

incontesta-vclmentc empírico c plebeu, sistema tribal

governando mais de 200 milhões de

indi-viduos. Assim mesmo, ainda conta

adep-tos em todos os quadrantes do planeta.

A explicação, contudo, não é tão

dl-ficil assim, quando se considera que nem

todos os homens possuem a vocação da

li-berdade. A maior parte do contingente

hu-mano que povoa a crosta terrestre, talvez,

ame e almeje a servidão. Se assim não

fos-se, as ditaduras não se implatariam.

Os que abdicam da liberdade se

exo-neram do privilégio, alto e nobre, de

pert-sar. E apenas, e só por isso, se fazem

vo-luntariamente escravos. A condição de

de-pendência difere de tom, se fôr

compulsó-ria ou espontânea.

A desordem jurídica e a

irreligiosida-de, gerada dentro da própria Igreja,

favo-recém à eclosão da histeria ideológica,

ti-pica da nossa época. O pior é que

envene-na a alma pura da juventude, que se

mo-ve, como nau desarvorada, na busca do

rumo que não encontra.

Diário do Paraná

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