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Solitons em colisões núcleon-núcleo

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Academic year: 2017

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(1)

Universidade de S˜

ao Paulo

Instituto de F´

ısica

SOLITONS EM COLIS ˜

OES

N ´

UCLEON-N ´

UCLEO

David Augaitis Foga¸ca

Orientador: Prof. Dr. Fernando Silveira Navarra

Disserta¸c˜ao submetida ao Instituto de F´ısica da Universidade de S˜ao Paulo, para a obten¸c˜ao do t´ıtulo de mestre em ciˆencias

Comiss˜ao Examinadora:

Prof. Dr. Fernando Silveira Navarra (IFUSP) Prof. Dr. Mauro S´ergio Dorsa Cattani (IFUSP)

Prof. Dr. Manuel M´aximo Bastos Malheiro de Oliveira (ITA/CTA)

(2)

Agradecimentos

Ao meu pai e minha m˜ae pelo apoio e compreens˜ao. Ao Fernando S. Navarra pela orienta¸c˜ao e amizade.

Aos professores do IF: Marina Nielsen, Manoel Robilotta, Celso Lima, Adilson Jos´e da Silva e Humberto Fran¸ca, que desempenharam um papel de destaque em minha forma¸c˜ao, al´em de serem bons amigos.

Aos professores Sibaji Raha, Dion´ısio Bazeia, M. Malheiro, S´ergio Duarte e Airton Deppman que contribu´ıram com ´otimas recomenda¸c˜oes para a e-xecu¸c˜ao deste trabalho.

Aos amigos do “corredor” do GRHAFITE: Regina, Simone, Gabriel, Babi, Dunga, L´ecio, Ricardo, Celso Barros, Arthur, Rˆomulo, Thiago, Markus, F´abio e Renato.

Aos amigos Guilherme Rabello, Marcos, Andr´ea Taschetto, Karin, Parra, Diogo, Mauro, Guilherme H. , Cristiano, Robson, Fernando, Ivan L´ucio, Jo˜ao, Alberto, Fab´ıola, Giuliano e Edelver.

Aos professores Frenkel, Barata, Maz´e, Hussein, Iberˆe e Yogiro que con-tribu´ıram para minha forma¸c˜ao acadˆemica direta ou indiretamente.

Ao meu irm˜ao Victor. `

(3)

Abstract

(4)

Resumo

(5)

Sum´

ario

1 Introdu¸c˜ao 1

1.1 Transparˆencia nuclear . . . 1

1.2 Hidrodinˆamica e solitons de KdV em colis˜oes nucleares . . . . 3

1.3 Nosso trabalho . . . 8

2 Solitons de Korteweg-de Vries na Mat´eria Nuclear 11 2.1 A equa¸c˜ao de Korteweg e de Vries (KdV) . . . 11

2.2 Hidrodinˆamica n˜ao-relativ´ıstica . . . 12

2.3 V´ınculos sobre a densidade de energia . . . 14

2.4 Obten¸c˜ao de KdV3 . . . 19

3 QHD Modificada (MQHD) 25 3.1 Introdu¸c˜ao . . . 25

3.2 Equa¸c˜oes de Movimento . . . 26

3.3 Aproxima¸c˜ao Estacion´aria . . . 28

3.4 Densidade de energia . . . 30

4 Solitons de Korteweg-de Vries na QHD Modificada 35 4.1 Introdu¸c˜ao . . . 35

4.2 Dedu¸c˜ao de KdV3 para a QHD Modificada . . . 36

4.3 Solu¸c˜ao da equa¸c˜ao de KdV3 . . . 40

4.4 A Equa¸c˜ao de KdV5 . . . 44

5 An´alise Num´erica e Conclus˜oes 48

(6)

B Rela¸c˜oes ´uteis na hidrodinˆamica 58

B.1 Hidrodinˆamica n˜ao-relativ´ıstica para pequenas perturba¸c˜oes . 59 B.2 Obten¸c˜ao da equa¸c˜ao de onda . . . 60 B.3 Velocidade do som na mat´eria nuclear . . . 61 B.4 Incompressibilidade da mat´eria nuclear . . . 62

(7)

Cap´ıtulo 1

Introdu¸c˜

ao

1.1

Transparˆ

encia nuclear

´

E poss´ıvel que um pr´oton colida com um n´ucleo, consiga atravess´a-lo e saia do outro lado praticamente intacto? Se a resposta for afirmativa ´e necess´ario esclarecer qual ´e o mecanismo respons´avel por este fenˆomeno. Esta pergunta pode, em princ´ıpio ser respondida experimentalmente. No momento a res-posta seria: depende da energia da colis˜ao. A baixas energias, pouco acima da barreira coulombiana, a resposta ´e n˜ao. O pr´oton ´e absorvido pelo n´ucleo, que se excita e decai isotropicamente. A altas energias, na regi˜ao acima de alguns GeV, o pr´oton atravessa o n´ucleo e emerge do outro lado. Neste caso ocorre uma forte desacelera¸c˜ao, o pr´oton perde muita energia, que ´e conver-tida em novas part´ıculas. Portanto a resposta ´e sim. Na regi˜ao de energias intermedi´arias ainda n˜ao h´a resultados experimentais muito conclusivos e a resposta n˜ao ´e muito clara.

Ao fenˆomeno no qual um n´ucleon atravessa o meio nuclear sem sofrer altera¸c˜oes significativas nem em sua constitui¸c˜ao interna e nem em suas caracter´ısticas cinem´aticas damos o nome de transparˆencia nuclear (TN). Este conceito pode ser quantificado definindo a probabilidade de que um n´ucleon escape do n´ucleo sem sofrer “intera¸c˜oes de estado final” (final state interactions ou FSI). Ele se aplica a nucleons de energias intermedi´arias: 50 < En < 800 MeV. En ´e a energia cin´etica do n´ucleon no sistema de

referˆencia do n´ucleo.

(8)

no meio nuclear. Em particular, podemos estudar a “transparˆencia de cor”, fenˆomeno proposto por Brodsky e M¨uller [1], no qual uma componente de Fock da fun¸c˜ao de onda do n´ucleon que esteja numa configura¸c˜ao espacial menor do que o n´ucleon usual se comporta como um objeto neutro de cor e se propaga com intera¸c˜ao bem menos intensa do que a usual e com um comprimento de atenua¸c˜ao bem maior do que o usual.

Durante a ´ultima d´ecada numerosos estudos experimentais de TN foram conduzidos com o uso da rea¸c˜ao A(e, e′p) [2, 3, 4, 5, 6, 7]. Nesta rea¸c˜ao o el´etron transmite energia a um n´ucleon pertencente ao n´ucleo e este ´e ejetado para fora do meio nuclear tendo todas as suas vari´aveis cinem´aticas bem medidas. Estes resultados motivaram numerosos estudos te´oricos [8, 9, 10].

A propaga¸c˜ao de um n´ucleon no meio nuclear tamb´em pode ser estudada em rea¸c˜oes pr´oton-n´ucleo. Embora neste caso tamb´em seja poss´ıvel falar de transparˆencia nuclear, o conceito mais utilizado ´e o de “nuclear stopping” ou freiamento nuclear, que quantifica a perda de energia de um pr´oton ao atravessar um n´ucleo e ser observado do outro lado numa regi˜ao cinem´atica pr´oxima do feixe. H´a v´arios estudos experimentais sobre isto e os mais re-centes tˆem sido feitos no GSI, em Darmstadt [11, 12].

De um modo geral, o que se pode concluir dos resultados experimentais ´e que at´e agora a transparˆencia de cor tal como prevista em [1] n˜ao foi observada. J´a a transparˆencia nuclear foi observada (com incertezas) e varia com a energia do n´ucleon que nela se propaga, tendo um m´aximo na regi˜ao entre 100 e 800 MeV.

O estudo te´orico de todos estes dados experimentais ´e feito em termos de modelos da mat´eria nuclear e de sua equa¸c˜ao de estado baseados na “Hadrodinˆamica Quˆantica”(QHD), tamb´em conhecida como o modelo de Walecka [13, 14], e suas varia¸c˜oes e tamb´em em outras abordagens [15, 16].

Neste trabalho n´os vamos retomar o problema da transparˆencia nuclear interpretando-a como evidˆencia da forma¸c˜ao e propaga¸c˜ao de solitons de Korteweg-de Vries (KdV) na mat´eria nuclear.

(9)

densidade com movimento supersˆonico. Isto implica o conhecimento da ve-locidade do som na mat´eria nuclear, o que, por sua vez implica o conheci-mento da equa¸c˜ao de estado da mat´eria nuclear (EOS). Em [17, 18, 19, 20] a equa¸c˜ao de estado da mat´eria nuclear vinha de um trabalho muito antigo [21]. O simples uso de uma EOS mais moderna j´a seria uma justificativa para refazer os trabalhos do grupo de Marburg. De fato, isto foi feito em [22] com a introdu¸c˜ao de uma EOS baseada na for¸ca de Skyrme. N´os acredita-mos que o cont´ınuo sucesso da QHD ao longo dos ´ultimos vinte anos justifica sua aplica¸c˜ao ao estudo da forma¸c˜ao de solitons e da transparˆencia nuclear. Como ser´a visto adiante, em sua vers˜ao mais simples a QHD n˜ao comporta solitons de KdV, sendo necess´aria a inclus˜ao de termos com derivadas nos campos dos fermions. Estes termos aparecem em teorias da mat´eria nuclear construidas a partir da teoria de perturba¸c˜ao quiral, como foi recentemente demonstrado em [23, 24, 25, 26]. Neste trabalho vamos considerar apenas variantes da QHD, mas no futuro pretendemos tamb´em usar estas teorias mais modernas da mat´eria nuclear.

1.2

Hidrodinˆ

amica e solitons de KdV em

co-lis˜

oes nucleares

O uso de hidrodinˆamica em f´ısica nuclear sempre teve muito sucesso, tanto no estudo de propriedades de n´ucleos est´aticos [27] como no estudo de co-lis˜oes envolvendo n´ucleos a energias baixas [27], intermedi´arias [28, 29, 30] e altas [31]. No nosso caso, estamos interessados em colis˜oes pr´oton-n´ucleo a energias intermedi´arias e portanto o movimento resultante pode ser descrito pela hidrodinˆamica n˜ao-relativ´ıstica. Um aspecto importante ´e que a energia ´e alta o suficiente para produzir movimento supersˆonico.

(10)

de gerar uma onda de choque, mas um ´ıon pesado leve seria capaz de fazˆe-lo. Em [17] esta id´eia foi levada adiante. A substitui¸c˜ao de um proj´etil pun-tiforme e leve (tipicamente um n´ucleon) por um ´ıon pesado leve implicava uma perturba¸c˜ao maior do meio e isto exigia a inclus˜ao de um termo a mais na expans˜ao em gradientes de densidade feita inicialmente em [21]. A in-clus˜ao deste novo termo mudou substancialmente a solu¸c˜ao encontrada para as equa¸c˜oes de movimento, que deixou de ser uma onda e passou a ser um pulso localizado, um s´oliton de KdV. Mais precisamente, a equa¸c˜ao de Euler para este movimento ´e dada por:

∂~v

∂t + (~v· ∇)~v=−∇φ (1.1)

onde φ ´e o potencial introduzido em [21]:

φ=c1 ρ′

ρ0

+c2∇2 ρ′

ρ0

(1.2)

Na express˜ao acima ρ′

= ρ ρ0 ´e a varia¸c˜ao da densidade causada pelo

´ıon-proj´etil, ρ0 ´e a densidade nuclear de equil´ıbrio e c1 e c2 s˜ao constantes

provenientes da teoria utilizada para descrever a mat´eria nuclear e sua EOS. Em [21] apenas o termo proporcional ac1 foi considerado. Em [17] o segundo

termo foi incluido.

Como ser´a visto adiante em detalhe, a combina¸c˜ao da equa¸c˜ao de Euler acima com a equa¸c˜ao da continuidade da hidrodinˆamica n˜ao-relativ´ıstica gera a equa¸c˜ao de KdV para ρ′

com solu¸c˜ao solitˆonica. Esta solu¸c˜ao possui [17] velocidade de propaga¸c˜ao u e largura λ dada por:

λ=

v u u t

2c2

(u√c1)√c1

Vemos que os parˆametros que garantem a existˆencia de solitons s˜ao as constantes c1 e c2. Novamente, de acordo com [21], √c1 ´e a velocidade

do som e √c2 ´e um comprimento pequeno comparado com as dimens˜oes

nucleares. Vemos tamb´em que a solu¸c˜ao existe apenas quando a velocidade de propaga¸c˜ao ´e maior do que a velocidade do som e que quando elas coincidem a largura do s´oliton tende a infinito.

(11)

`a medida em queuaumenta, o gradiente de velocidade entre o pulso e o meio (em repouso) aumenta e os efeitos da viscosidade tornam-se importantes. Quando eles s˜ao incluidos, atrav´es da subtitui¸c˜ao das equa¸c˜oes de Euler pelas equa¸c˜oes de Navier-Stokes, a energia do pulso ´e dissipada e transferida para o meio. Esta perda de energia leva `a desacelera¸c˜ao do pulso e `a redu¸c˜ao de sua amplitude.

Dada a estabilidade do s´oliton, se o proj´etil se propaga com um pulso de densidade solitˆonico em uma colis˜ao central com um alvo pesado, este proj´etil viaja atrav´es do alvo sem nenhuma interferˆencia apreci´avel e emerge na mesma dire¸c˜ao do feixe incidente. Este ´e um mecanismo que gera “transpa-rˆencia” do alvo em rela¸c˜ao ao proj´etil. A assinatura desse evento seria a de-tec¸c˜ao do proj´etil ao longo da dire¸c˜ao do feixe incidente atr´as do n´ucleo alvo com momento angular relativo nulo e tamb´em seria registrado um pequeno n´umero de part´ıculas leves. A propriedade de n˜ao existˆencia de momento an-gular transferido seria suficiente para distinguir um evento solitˆonico de uma colis˜ao extremamente perif´erica. Mais ainda, os eventos seriam caracteriza-dos por um limite superior na velocidade do proj´etil da ordem de duas vezes a velocidade do som, acima do qual o fenˆomeno de solitons desapareceria.

Existem processos dissipativos na mat´eria nuclear e seus efeitos sobre o pulso solitˆonico num n´ucleo finito s˜ao dif´ıceis de prever quantitativamente. Ao final de sua trajet´oria no n´ucleo alvo, o pulso solitˆonico gera fragmenta¸c˜ao e eje¸c˜ao de part´ıculas. Finalmente, o pulso solitˆonico tamb´em poderia ser re-fletido de volta ao alvo levando `a excita¸c˜ao de todo o sistema e ao surgimento de um n´ucleo composto.

Num trabalho posterior [18] a forma¸c˜ao de solitons foi usada para ex-plicar e existˆencia de um limite no momento linear transferido de um feixe de 12C para um alvo mais pesado. Este limite, de ∆p

(12)

veloci-dade constante. Quando a energia inicial aumenta isto implica um aumento de dissipa¸c˜ao inicial, com a consequente eje¸c˜ao de fragmentos, mas depois o carbono atinge a “velocidade de s´oliton”, continua com ela e termina trans-ferindo sempre o mesmo momento linear para o alvo (o que sobrou dele), que equivale ao momento linear de doze nucleons se propagando com uma velocidade pr´oxima `a velocidade do som na mat´eria nuclear. Numericamente:

∆p|| = 12×M u≃12×0.94×0.17≃2 GeV

Apesar de interessante, este argumento tem muita imagina¸c˜ao e pouca base quantitativa, al´em de usar um valor para a velocidade do som, sobre o qual h´a, no m´ınimo, muita incerteza. Por outro lado, a observa¸c˜ao do limite em ∆p||n˜ao foi confirmada e nem desmentida por outras experiˆencias e assim a quest˜ao ficou em aberto.

Do ponto de vista te´orico, foi conclu´ıdo que seria fundamental estudar os detalhes da dinˆamica do s´oliton na presen¸ca de mecanismos dissipativos e tamb´em incluir o movimento tridimensional. Isto foi feito no trabalho seguinte do grupo de Marburg [19], um estudo da equa¸c˜ao de Navier-Stokes em trˆes dimens˜oes no limite de n˜ao-linearidade fraca, ou seja, fazendo ex-pans˜oes das quantidades relevantes em torno de seus valores de equil´ıbrio e estudando os termos de mesma ordem no parˆametro de expans˜ao.

Como resultado, este estudo trouxe a conclus˜ao surpreendente de que a viscosidade n˜ao altera o movimento. Se o movimento come¸ca com uma flutua¸c˜ao localizada de densidade, no limite de n˜ao-linearidade fraca, a dis-sipa¸c˜ao viscosa n˜ao altera a natureza do movimento, independentemente dos valores dos coeficientes de viscosidade.

(13)

dire¸c˜ao dianteira. Isto implica numa perda crescente de momento pelo pulso (o que resta dele) e na perda de localiza¸c˜ao.

Em resumo, a solu¸c˜ao do problema tridimensional conduz a um movi-mento solitˆonico predominantemente unidimensional (no nosso caso, ao longo da dire¸c˜ao do feixe) mas que ´e amortecido e que “vasa” para a dire¸c˜ao transversal. Este ´e um fenˆomeno semelhante ao “amortecimento de Lan-dau”, observado em f´ısica de plasmas [34].

Continuando a s´erie de trabalhos sobre este tema, o grupo de Marburg estudou a seguir em [20] o efeito do tamanho finito do alvo e, em particu-lar, o efeito da superf´ıcie nuclear sobre a forma¸c˜ao e propaga¸c˜ao de solitons. O n´ucleo foi dividido em duas componentes: a parte central, com densidade constante, e a superf´ıcie (ou “pele”), na qual a densidade diminui linearmente com o raio. Repetindo mais uma vez todos os procedimentos introduzidos em [17], os autores chegaram a duas equa¸c˜oes diferenciais: a eq. de KdV j´a en-contrada anteriormente, que continua v´alida para a parte central do n´ucleo e uma equa¸c˜ao de KdV “for¸cada”, v´alida na superf´ıcie nuclear. A solu¸c˜ao desta ´

ultima equa¸c˜ao tamb´em ´e um s´oliton com a interessante propriedade de que, com o passar do tempo sua amplitude aumenta e sua largura diminui! Para valores num´ericos aceit´aveis das vari´aveis nucleares, a amplitude do s´oliton cresce em at´e 40 % e a sua largura diminui em at´e 30 % durante sua passagem pela superf´ıcie nuclear. Este estudo mostrou que na busca experimental pelo s´oliton nuclear o efeito de superf´ıcie n˜ao pode ser desprezado.

A f´ısica do “s´oliton nuclear” foi abandonada por quase uma d´ecada at´e a publica¸c˜ao de [22]. Neste trabalho os autores reconsideraram a expans˜ao (1.2) e tentaram calcular o parˆametroc2a partir de uma teoria microsc´opica da

in-tera¸c˜ao n´ucleon-n´ucleon, ingrediente fundamental de uma teoria da mat´eria nuclear. Eles usaram a teoria da mat´eria nuclear desenvolvida por Vautherin e Brink [35], que tinha como base a intera¸c˜ao n´ucleon-n´ucleon efetiva de Skyrme. Os parˆametros desta intera¸c˜ao foram ajustados de modo que as propriedades do estado fundamental do n´ucleo fossem reproduzidas. Como ´e sabido, a for¸ca de Skyrme cont´em termos dependentes da velocidade. Estes termos geram na densidade de energia e na fun¸c˜ao potencial φ correspon-dentes um termo contendo o Laplaciano da densidade cujo coeficiente ´e dado por:

c2 = −γ

ρ0

m

(14)

ne-gativo. Nos trabalhos anteriores [17, 18, 19, 20] ele tinha sido considerado positivo por hip´otese, sem nunhuma justificativa. Em [22] foi mostrado que, ao repetirmos o procedimento de obten¸c˜ao do s´oliton, esta mudan¸ca de sinal leva tamb´em a um s´oliton, um pulso de densidade, mas de sinal negativo, que deve ser interpretado como um pulso de rarefa¸c˜ao ao inv´es do pulso de compress˜ao encontrado antes.

1.3

Nosso trabalho

Passados mais dez anos depois do ´ultimo artigo sobre o assunto, n´os volta-mos ao tema. Temos agora uma renovada motiva¸c˜ao experimental, em vista de existˆencia de muitas medidas recentes e do interesse na quest˜ao da transparˆencia nuclear, para a qual a forma¸c˜ao de solitons pode dar uma explica¸c˜ao. Al´em disto consideramos que o trabalho te´orico publicado em [22] n˜ao foi definitivo, j´a que ele est´a baseado numa teoria microsc´opica da intera¸c˜ao n´ucleon-n´ucleon (e da mat´eria nuclear) que ´e muito antiga. Assim, ´e no m´ınimo interessante reanalisar o formalismo do s´oliton tendo como ponto de partida uma teoria relativ´ıstica da mat´eria nuclear, baseada na QHD.

Nas teorias da mat´eria nuclear usadas tanto em [17] quanto em [22] e em outras teorias ainda mais antigas [36] a densidade de energia dependia naturalmente (entre outras coisas) do Laplaciano da densidade bariˆonica e podia ser escrita como uma expans˜ao do tipo:

ε...+...2ρB+...∇4ρB

Nas Lagrangianas utilizadas nas v´arias formula¸c˜oes da QHD n˜ao aparecem termos que descrevem intera¸c˜oes (entre os nucleons) dependentes da veloci-dade, ou seja, envolvendo acoplamentos derivativos e que geram densidades de energia dependentes do Laplaciano da densidade bariˆonica. Al´em disso, mesmo que eles existissem, a QHD funciona com a aproxima¸c˜ao de campo m´edio, na qual todos os gradientes s˜ao desprezados. Na aproxima¸c˜ao de campo m´edio, nunca ter´ıamos termos como os que aparecem na express˜ao para ε acima. Para descrever efeitos da superf´ıcie nuclear muitos autores foram al´em da aproxima¸c˜ao de campo m´edio e levaram em conta gradientes para tratar de sistemas espacialmente n˜ao homogˆeneos, mas apenas na su-perf´ıcie nuclear.

(15)

i) Introduzimos uma equa¸c˜ao de estado derivada de uma teoria relativ´ıstica da mat´eria nuclear.

ii) Esta teoria ´e proposta por n´os e ´e a QHD original acrescida do seguinte termo com acoplamento derivativo:

gV

mV2

ψγµ(∂ν∂νVµ)ψ

iii) Propomos tamb´em uma aproxima¸c˜ao para trabalhar com esta teoria, que deve ser usada no lugar da aproxima¸c˜ao de campo m´edio. Vamos cham´a-la provisoriamente de “aproxima¸c˜ao estacion´aria”, pois ela consiste em des-prezar todas as derivadas temporais mas n˜ao as derivadas espaciais.

Na express˜ao acima, o campos ψ e Vµ s˜ao os campos usuais da QHD

representando respectivamente o f´ermion e o b´oson vetorial. Este termo pode ser visto como uma corre¸c˜ao ao termo usual ψγµVµψ. Ele ´e pequeno

porque ´e proporcional a:

mV

2 →

p

mV

2

e o momento t´ıpico na mat´eria nuclear ´e da ordem do momento de Fermi,kF,

que ´e muito menor do que a massa do m´eson vetorial. Assim as propriedades da teoria modificada, tais como a massa do n´ucleon no meio, a curva de satura¸c˜ao e a incompressibilidade, ser˜ao aproximadamente as mesmas da QHD original e estar˜ao em bom acordo com as informa¸c˜oes emp´ıricas que n´os temos da mat´eria nuclear. A QHD ´e o nosso ponto de partida por ser a teoria mais simples. Neste trabalho ser´a temb´em estudada uma variante da QHD que cont´em auto-intera¸c˜oes do m´eson escalar [37] e que gera resultados fenomenol´ogicos melhores do que a QHD.

(16)

para a densidade de energia obtida diretamente da QHD modificada. Na sequˆencia resolvemos a KdV obtida mostrando que a solu¸c˜ao solitˆonica de-pende das propriedades da teoria microsc´opica usada. No cap´ıtulo 5 apresen-tamos as an´alises num´ericas do s´oliton. Ao final, apresenapresen-tamos as conclus˜oes, apˆendices e bibliografia.

(17)

Cap´ıtulo 2

Solitons de Korteweg-de Vries

na Mat´

eria Nuclear

2.1

A equa¸c˜

ao de Korteweg e de Vries (KdV)

Em 1895, Korteweg e de Vries obtiveram a famosa equa¸c˜ao que leva seus nomes, uma equa¸c˜ao para a propaga¸c˜ao de ondas em uma dire¸c˜ao na su-perf´ıcie de um canal, contendo uma eleva¸c˜ao pequena nesta susu-perf´ıcie. Sua forma mais comum ´e:

∂φ ∂t +φ

∂φ ∂x +

∂3φ

∂x3 = 0

Al´em de descrever ondas solit´arias em superf´ıcies de canais rasos (des-coberta e inspira¸c˜ao hist´orica do fenˆomeno solitˆonico), esta equa¸c˜ao ´e uti-lizada para descrever uma s´erie de fenˆomenos [40], como por exemplo, ondas ac´usticas em redes anarmˆonicas, ondas iˆonicas em plasmas, ondas magneto-hidrodinˆamicas em plasmas, fˆonons excitados termicamente (a baixas tem-peraturas) em cristais n˜ao-lineares, etc.

Esta equa¸c˜ao de KdV pode tamb´em ser chamada de KdV3, pois o termo de maior ordem na derivada espacial ´e 3. Outra forma de encontrar a equa¸c˜ao acima ainda de maneira simples ´e:

∂φ ∂t +αφ

∂φ ∂x +β

∂3φ

∂x3 = 0

(18)

2.2

Hidrodinˆ

amica n˜

ao-relativ´ıstica

As equa¸c˜oes b´asicas da hidrodinˆamica n˜ao-relativ´ıstica s˜ao as equa¸c˜oes de Euler e da continuidade, dadas respectivamente por [41]:

∂~v

∂t + (~v· ∇)~v =−

1

ρ

∇p (2.1)

e

∂ρ

∂t +∇ ·(ρ~v) = 0 (2.2)

Nestas equa¸c˜oes,ρ´e a densidade volum´etrica de massa. No meio nuclear, de acordo com a QHD de Serot-Walecka [14], ela pode ser escrita como

ρ=MρB (2.3)

onde M ´e a massa do n´ucleon e ρB ´e a densidade bariˆonica, que ´e o n´umero

de nucleons por volume. Substituindo ent˜ao (2.3) nas equa¸c˜oes (2.1) e (2.2), obt´em-se:

∂~v

∂t + (~v· ∇)~v =−

1

MρB

∇p (2.4)

e

∂ρB

∂t +∇ ·(ρB~v) = 0 (2.5)

A entalpia por n´ucleon ´e dada por [41]:

dh=T ds+V dp

onde V = 1/ρB ´e o volume espec´ıfico. Ent˜ao:

dh=T ds+ 1

ρB

dp (2.6)

Considerando o sistema isentr´opico (ds = 0), a equa¸c˜ao (2.6) torna-se:

dp=ρBdh (2.7)

e portanto:

dp=ρBdh =⇒ ∇p=ρB∇h (2.8)

Substituindo (2.8) em (2.4) obt´em-se a equa¸c˜ao de Euler em fun¸c˜ao da entalpia:

∂~v

∂t + (~v· ∇)~v=−

1

M

(19)

A entalpia por n´ucleon pode ser calculada por interm´edio de [22]:

h=E+ρB

∂E ∂ρB

(2.10)

onde E ´e a energia por n´ucleon dada por:

E = ε

ρB

que, inserida em (2.10) leva a:

h= ∂ε

∂ρB

(2.11)

e portanto:

∇h= ∂ε

∂ρB

(2.12)

Vemos ent˜ao que a equa¸c˜ao de Euler depende da fun¸c˜ao ε(ρB), ou seja,

depende da equa¸c˜ao de estado da mat´eria nuclear. Esta, por sua vez, depende da dinˆamica das intera¸c˜oes entre os nucleons.

Como ser´a visto mais tarde ´e poss´ıvel combinar as equa¸c˜oes (2.9) e (2.5) de tal forma a obter uma equa¸c˜ao diferencial n˜ao-linear para a densidade bariˆonica, cuja solu¸c˜ao ´e um s´oliton, ou seja, um pulso localizado de densi-dade, que se propaga sem dissipa¸c˜ao na mat´eria nuclear. A existˆencia ou n˜ao de solitons depende da fun¸c˜ao ε(ρB). Na pr´oxima se¸c˜ao vamos definir quais

condi¸c˜oes devem ser satisfeitas porε(ρB) para que existam solitons de KdV,

(20)

2.3

V´ınculos sobre a densidade de energia

Antes de apresentarmos um modelo espec´ıfico, vamos determinar quais s˜ao as condi¸c˜oes necess´arias e suficientes a serem satisfeitas pela densidade de energia ε(ρB) para que a mat´eria nuclear seja compat´ıvel com a forma¸c˜ao e

propaga¸c˜ao de solitons de KdV.

Para que a combina¸c˜ao de (2.9) e (2.5) leve a uma equa¸c˜ao de KdV ´e necess´ario que h contenha o Laplaciano da densidade bariˆonica, ou seja:

h∝ ∇2ρB

e portanto de acordo com (2.11):

ε∝ ∇2ρB (2.13)

Esta exigˆencia exclui todas os modelos relativ´ısticos de campo m´edio (como o modelo de Walecka original) pois nesta aproxima¸c˜ao todos os gradi-entes (e portanto Laplacianos) s˜ao desprezados.

Apesar de grande simplifica¸c˜ao nos c´alculos e de sucesso fenomenol´ogico a aproxima¸c˜ao de campo m´edio n˜ao ´e muito realista, pois ´e ´obvio que existem varia¸c˜oes da densidade bariˆonica no espa¸co. Neste trabalho vamos incluir varia¸c˜oes espaciais nas quantidades de interesse.

Vamos, inicialmente, considerar uma forma gen´erica paraεcom dependˆencia em ρB e em ∇2ρB consideradas como duas vari´aveis independentes:

ε =f(ρB) +g(ρB)∇2ρB (2.14)

onde f(ρB) e g(ρB) s˜ao fun¸c˜oes quaisquer da densidade bariˆonica. A energia

por n´ucleon ´e:

E = ε

ρB

= f(ρB)

ρB

+g(ρB)

ρB ∇

2ρ

B (2.15)

que, para o c´alculo da entalpia por n´ucleon (h), ´e expandida em s´erie de Taylor at´e o termo de segunda derivada em torno da densidade bariˆonica de equil´ıbrio ρ0:

E ∼=E(ρB =ρ0) +

∂E

∂ρB

ρB=ρ0

(ρB−ρ0) +

∂2E

∂ρB2

ρB=ρ0

B−ρ0)2

2

=E ∼=E(ρB=ρ0) +

∂2E

∂ρB2

ρB=ρ0

B−ρ0)2

(21)

Na ´ultima express˜ao usamos o fato de que bons modelos nucleares apre-sentam a curva de satura¸c˜ao correta, com um m´ınimo na densidade normal da mat´eria nuclear e portanto:

∂E

∂ρB

ρB=ρ0

= 0

A curva de satura¸c˜ao que ´e apresentada em muitos trabalhos sobre a mat´eria nuclear ´e obtida a partir da fun¸c˜ao ε

ρB −M, que deve possuir um

m´ınimo em ρ0: ∂

∂ρB

ε

ρB −

M

ρB=ρ0

= ∂ ∂ρB ε ρB

ρB=ρ0

=

∂E

∂ρB

ρB=ρ0

= 0

(com M = massa do n´ucleon livre). Conseq¨uentemente temos:

∂2E

∂ρB2

ρB=ρ0

>0

Vemos assim que a incompressibilidade, definida por:

K = 9ρ02 ∂2E

∂ρB2

ρB=ρ0

´e uma grandeza positiva. Da express˜ao (2.15) vemos que o primeiro termo de (2.16) ´e:

E(ρB =ρ0) =

f(ρ0)

ρ0

+ g(ρ0)

ρ0 ∇ 2ρ

B (2.17)

e a segunda derivada calculada na densidade de equil´ıbrio ´e:

∂2E

∂ρB2

ρB=ρ0

= f ′′(ρ

0)

ρ0 −

2f ′(ρ

0)

ρ02

+ 2f(ρ0)

ρ03

+

+

g′′(ρ 0)

ρ0 −

2g ′(ρ

0)

ρ02

+ 2g(ρ0)

ρ03

∇2ρ

B (2.18)

Substituindo (2.17) e (2.18) em (2.16) encontramos:

E = f(ρ0)

ρ0

+g(ρ0)

ρ0 ∇ 2ρ

B+

f′′(ρ 0)

ρ0 −

2f ′(ρ

0)

ρ02

+ 2f(ρ0)

ρ03

+

+

g′′(ρ 0)

ρ0 −

2g ′(ρ

0)

ρ02

+ 2g(ρ0)

ρ03

∇2ρB

B−ρ0)2

(22)

que conforme j´a mencionado, ´e a forma utilizada para calcular h. Vale ressaltar que f′ ´e a nota¸c˜ao para a derivada def em rela¸c˜ao aρ

B. A mesma

nota¸c˜ao ´e usada parag′ e de forma an´aloga para as segundas derivadasf′′ e

g′′.

Observamos em (2.18) que, pelo fato de ρB e ∇2ρB serem consideradas

vari´aveis independentes, temos

∂ ∂ρB

(2ρB) = 0.

Reescrevendo (2.19) como uma s´erie de potˆencias deρB:

E =

f(ρ 0)

ρ0

+Aρ0

2

2

−Aρ0ρB+A

ρB2

2 +

+

g(ρ 0)

ρ0

+Bρ0

2

2

∇2ρB−Bρ0ρB∇2ρB+B

ρB2

2 ∇

2ρ

B (2.20)

onde:

A= f ′′(ρ

0)

ρ0 −

2f ′(ρ

0)

ρ02

+ 2f(ρ0)

ρ03

(2.21)

e

B = g ′′(ρ

0)

ρ0 −

2g ′(ρ

0)

ρ02

+ 2g(ρ0)

ρ03

(2.22)

Calculando (2.10) com (2.20) encontramos:

h=

f(ρ 0)

ρ0

+Aρ0

2

2

−2Aρ0ρB+

3 2AρB

2+

+

g(ρ 0)

ρ0

+Bρ0

2

2

∇2ρB−2Bρ0ρB∇2ρB+

3 2BρB

2

∇2ρB (2.23)

O gradiente da entalpia ´e dado por:

∇h=2Aρ0∇ρB+3AρB∇ρB+

g(ρ 0)

ρ0

+Bρ0

2

2

∇(2ρB)−2Bρ0∇ρB∇2ρB+

−2Bρ0ρB∇(∇2ρB) + 3BρB∇ρB∇2ρB+

3 2BρB

2

(23)

A equa¸c˜ao (2.24) quando substitu´ıda em (2.9) fornece a equa¸c˜ao de Euler com dependˆencia em ρB, ∇ρB , ∇2ρB e ∇(∇2ρB). Por´em, a equa¸c˜ao de

KdV3 n˜ao possui termos com segundas derivadas espaciais e portanto (2.24) n˜ao deve ter termos com dependˆencia em2ρ

B. Para que esta condi¸c˜ao seja

satisfeita, basta que B = 0 em (2.24):

∇h=2Aρ0∇ρB+ 3AρB∇ρB+

g(ρ 0)

ρ0

∇(2ρB) (2.25)

Usando a defini¸c˜ao (2.22), a condi¸c˜ao B = 0 implica em:

B = g ′′(ρ

0)

ρ0 −

2g ′(ρ

0)

ρ02

+ 2g(ρ0)

ρ03

= 0

= g(ρ0) =ρ0g′(ρ0)−

ρ02

2 g ′′(ρ

0) (2.26)

Para que (2.26) seja satisfeita e que de (2.25) a condi¸c˜ao

g(ρ 0)

ρ0

6

= 0 (2.27)

se verifique da maneira mais simples, basta termos:

g(ρB) =aρB (2.28)

com a sendo uma constante (n˜ao nula) qualquer. O termo com terceira derivada espacial em KdV3 ´e isolado de qualquer outra forma de dependˆencia com ρB, da´ı o fato de (2.28) tamb´em satisfazer (2.27).

De (2.25) nota-se tamb´em que A 6= 0 para que KdV3 exista, e portanto de (2.21):

A= f ′′(ρ

0)

ρ0 −

2f ′(ρ

0)

ρ02

+ 2f(ρ0)

ρ03 6

= 0 (2.29)

Vemos assim que f(ρB) pode ser uma fun¸c˜ao qualquer n˜ao nula desde

que (2.18) seja positiva por causa da condi¸c˜ao de satura¸c˜ao.

(24)

ε=f(ρB) +aρB∇2ρB (2.30)

A express˜ao acima ´e independente de modelo e nela;

•f(ρB) pode ser uma fun¸c˜ao qualquer que satisfa¸ca (2.29) e tamb´em que

garanta que (2.18) seja positiva. ´E interessante observar que f(ρB) = 0 n˜ao

satisfaz a condi¸c˜ao mencionada;

•g(ρB) deve satisfazer (2.28) com a sendo uma constante n˜ao nula

(25)

2.4

Obten¸c˜

ao de KdV3

Nesta se¸c˜ao vamos mostrar em detalhe como a densidade de energiaε(ρB)

a-presentada na se¸c˜ao anterior, quando combinada com as equa¸c˜oes da hidrodi-nˆamica gera a equa¸c˜ao de KdV3. Substituindo (2.30) em (2.15)) temos:

E = ε

ρB

= f(ρB)

ρB

+a2ρ

B (2.31)

que, expandida em s´erie de Taylor conforme (2.16), leva a:

E = f(ρ0)

ρ0

+a2ρB+

f′′(ρ 0)

ρ0 −

2f ′(ρ

0)

ρ02

+ 2f(ρ0)

ρ03 (ρ

B−ρ0)2

2 (2.32)

Substituindo (2.32) em (2.10) temos a entalpia por n´ucleon:

h = f(ρ0)

ρ0

+a2ρB+

3 2AρB

2+Aρ02

2 −2Aρ0ρB (2.33) onde a constante A ´e dada por (2.21). Tomando o gradiente da express˜ao acima e substituindo em (2.9) temos:

∂~v

∂t + (~v· ∇)~v =−

1

M

[a(2ρ

B) + 3AρB∇ρB−2Aρ0∇ρB] (2.34)

Vamos agora fazer uma mudan¸ca para vari´aveis adimensionais na densi-dade bariˆonica e na velocidensi-dade:

ˆ

ρ= ρB

ρ0

(2.35)

e

ˆ

v = v

cs

(2.36)

onde ρ0 ´e a densidade bariˆonica de equil´ıbrio e cs a velocidade do som na

mat´eria nuclear. Substituindo (2.35) e (2.36) na equa¸c˜ao da continuidade (2.5) encontramos:

∂ρˆ

∂t +cs∇ ·(ˆρ~vˆ) = 0 (2.37)

(26)

cs

∂~vˆ ∂t +cs

2~v

· ∇)ˆ~v = 1

M[3Aρ0

2ρˆ(

∇ρˆ)2Aρ02(∇ρˆ) +aρ0∇(∇2ρˆ)] (2.38)

Considerando que o proj´etil esteja na dire¸c˜ao x, ´e interessante estudar a colis˜ao deste com o n´ucleo nesta dire¸c˜ao e assim ˆ~v= (ˆv,0,0) fornecendo:

∇ ·(ˆρˆ~v) =

3 X

i=1

∂ ∂xi

(ˆρvˆi) =

∂x(ˆρvˆ) (2.39)

(ˆ~v· ∇)ˆ~v=

3 X

i=1

vi

∂ ∂xi

ˆ

~v = ˆv∂vˆ

∂x (2.40)

e

∇(2ρˆ) = 3 X

i=1

∂2ρˆ

∂xi2

= ∂

3ρˆ

∂x3 (2.41)

Utilizando agora (2.39) em (2.37) e tamb´em (2.40) e (2.41) em (2.38) chegamos a:

∂ρˆ

∂t +cs ∂

∂x(ˆρˆv) = 0 (2.42)

e

cs

∂vˆ

∂t +cs

2vˆ∂ˆv

∂x =−

3Aρ 02

M

ˆ

ρ∂ρˆ ∂x +

2Aρ 02

M

∂ρˆ

∂x −

aρ 0

M

∂3ρˆ

∂x3 (2.43)

Vamos definir novas coordenadas no espa¸co ξτ conforme utilizado em [22]:

ξ =σ1/2(x−cst)

R (2.44)

e

τ =σ3/2cst

R (2.45)

onde R ´e o raio do n´ucleo alvo e, conforme [42],

σ δM ach = |

ucs|

cs

0< σ <1

(27)

Os novos operadores diferenciais fornecidos por (2.44) e (2.45) s˜ao: ∂ ∂x = ∂ξ ∂x ∂ ∂ξ + ∂τ ∂x ∂ ∂τ =

σ1/2

R ∂ ∂ξ (2.46) ∂ ∂t = ∂ξ ∂t ∂ ∂ξ + ∂τ ∂t ∂ ∂τ =−

σ1/2c

s

R ∂ ∂ξ +

σ3/2c

s R ∂ ∂τ (2.47) e ∂3

∂x3 = σ3/2

R3

∂3

∂ξ3 (2.48)

A equa¸c˜ao da continuidade neste novo espa¸coξτ ´e obtida substituindo (2.46) e (2.47) em (2.42):

− σ

1/2c

s

R ∂ ∂ξ +

σ3/2c

s R ∂ ∂τ ˆ

ρ+cs

σ1/2

R ∂

∂ξ(ˆρvˆ) = 0 (2.49)

Analogamente, substituindo (2.46), (2.47) e (2.48) em (2.43), podemos reescrever a equa¸c˜ao de Euler:

−σ 1/2c

s2

R ∂ˆv ∂ξ +

σ3/2c

s2

R ∂vˆ

∂τ + σ1/2c

s2

R vˆ ∂vˆ

∂ξ =

=

3Aρ 02

M

σ1/2

R ρˆ ∂ρˆ

∂ξ +

2Aρ 02

M

σ1/2

R ∂ρˆ

∂ξ −

aρ 0

M

σ3/2

R3

∂3ρˆ

∂ξ3 (2.50)

As equa¸c˜oes (2.49) e (2.50) s˜ao as equa¸c˜oes da continuidade e de Euler reescritas em termos de vari´aveis adimensionais ˆρ e ˆv e em termos das coor-denadas adimensionais ξ e τ que est˜ao relacionadas com o Raio nuclear, a velocidade do som na mat´eria nuclear e o n´umero σ.

O proj´etil penetra no n´ucleo alvo causando uma pequena perturba¸c˜ao na densidade bariˆonica, o que n˜ao altera o estado de equil´ıbrio do n´ucleo alvo. Podemos assim expandir ˆρ e ˆv em torno de seus valores de equil´ıbrio:

ˆ

ρ= 1 +σρ1+σ2ρ2+. . . (2.51)

e

ˆ

v =σv1 +σ2v2 +. . . (2.52)

onde o fator σ passa agora a desempenhar o papel de um parˆametro pequeno de expans˜ao (0 < σ < 1) permitindo que os termos σn sejam

(28)

Substituindo ent˜ao (2.51) e (2.52) em (2.49) encontramos:

−σ

1/2c

s

R ∂ ∂ξ +

σ3/2c

s

R ∂ ∂τ

(1 +σρ1+σ2ρ2+. . .)+

+cs

σ1/2

R ∂

∂ξ[(1 +σρ1+σ

2ρ

2+. . .)(σv1+σ2v2+. . .)] = 0 (2.53)

A express˜ao acima pode ser reescrita como:

(· · ·)σ3/2+ (· · ·)σ5/2+ (· · ·)σ7/2 = 0

Vemos que cada parˆenteses deve se anular independentemente e, ap´os dividir a express˜ao acima por csσ

1/2

R , encontramos os termos:

σ

− ∂ρ∂ξ1 + ∂v1

∂ξ

= 0 (2.54)

e

σ2

− ∂ρ∂ξ2 +∂ρ1

∂τ + ∂v2

∂ξ +ρ1 ∂v1

∂ξ +v1 ∂ρ1

∂ξ

= 0 (2.55)

Da mesma forma, Substituindo (2.51) e (2.52) em (2.50) temos:

−σ 1/2c

s2

R ∂

∂ξ(σv1 +σ

2v

2+. . .) +

σ3/2c

s2

R ∂

∂τ(σv1+σ

2v

2+. . .)+

1/2c

s2

R (σv1+σ

2v

2 +. . .)

∂ξ(σv1+σ

2v

2+. . .) =

=

3Aρ 02

M

σ1/2

R (1 +σρ1+σ

2ρ

2+. . .)

∂ξ(1 +σρ1+σ

2ρ

2+. . .)+

+

2Aρ 02

M

σ1/2

R ∂

∂ξ(1 +σρ1+σ

2ρ

2+. . .)− aρ

0

M

σ3/2

R3

∂3

∂ξ3(1 +σρ1+σ

2ρ

2+. . .)

Repetindo o procedimento usado em (2.53) encontramos:

σ

− ∂v∂ξ1 +

Aρ 02

Mcs2

∂ρ 1

∂ξ

(29)

e;

σ2

− ∂v∂ξ2 +∂v1

∂τ +v1 ∂v1

∂ξ +

Aρ 02

Mcs2

∂ρ 2

∂ξ +

3Aρ 02

Mcs2

ρ1 ∂ρ1 ∂ξ + aρ 0

Mcs2R2

∂3ρ 1

∂ξ3

= 0 (2.57)

Para que (2.54) e (2.56) sejam compat´ıveis ´e necess´ario que:

Aρ02

Mcs2

= 1 = A= Mcs

2

ρ02

(2.58)

pois assim (2.54) e (2.56) indicam que:

∂v1

∂ξ = ∂ρ1

∂ξ (2.59)

A igualdade acima mostra que, a menos de uma constante, temos:

ρ1 =v1 (2.60)

Substituindo agora (2.60) em (2.55) chegamos a:

σ2

− ∂ρ∂ξ2 +∂ρ1

∂τ + ∂v2

∂ξ + 2ρ1 ∂ρ1 ∂ξ = 0 e portanto: ∂ρ1

∂τ + 2ρ1 ∂ρ1 ∂ξ = ∂ρ2 ∂ξ − ∂v2 ∂ξ (2.61)

De maneira an´aloga, substituindo (2.58) e (2.60) em (2.57) temos:

σ2

− ∂v∂ξ2 +∂ρ1

∂τ + 4ρ1 ∂ρ1 ∂ξ + ∂ρ2 ∂ξ + aρ 0

Mcs2R2

∂3ρ 1 ∂ξ3 = 0 e portanto: ∂ρ2 ∂ξ − ∂v2

∂ξ =− ∂ρ1

∂τ −4ρ1 ∂ρ1

∂ξ −

aρ 0

Mcs2R2

∂3ρ 1

∂ξ3 (2.62)

Finalmente, substituindo (2.62) em (2.61) obtemos:

∂ρ1

∂τ + 2ρ1 ∂ρ1

∂ξ =− ∂ρ1

∂τ −4ρ1 ∂ρ1

∂ξ −

aρ 0

Mcs2R2

∂3ρ 1

(30)

que pode ser reescrita como:

∂ρ1

∂τ + 3ρ1 ∂ρ1

∂ξ +

aρ 0

2Mcs2R2

∂3ρ 1

∂ξ3 = 0 (2.63)

A equa¸c˜ao (2.63) acima ´e conhecida como a equa¸c˜ao de KdV3 [43] que possui solu¸c˜ao solitˆonica.

Comparando a equa¸c˜ao (2.63) com a equa¸c˜ao (12) de [22]:

∂ρ1

∂τ + 3ρ1 ∂ρ1

∂ξ −

γρ 0

2Mcs2R2

∂3ρ 1

∂ξ3 = 0

(31)

Cap´ıtulo 3

QHD Modificada (MQHD)

3.1

Introdu¸c˜

ao

Como foi mencionado na introdu¸c˜ao a teoria relativ´ıstica mais simples da mat´eria nuclear, a QHD, n˜ao ´e adequada ao estudo da forma¸c˜ao e propaga¸c˜ao de solitons. No cap´ıtulo anterior vimos que uma densidade de energia com a forma dada por (2.30) ´e compat´ıvel com a existˆencia de solitons. Neste cap´ıtulo vamos fazer a “modifica¸c˜ao m´ınima” na Lagrangeana da QHD de modo que a teoria resultante tenha uma densidade de energia do tipo (2.30). Nossa proposta ´e a seguinte:

L=LQHD+

gV

mV2

¯

ψ(∂ν∂νVµ)γµψ (3.1)

onde

LQHD = ¯ψ[γµ(i∂µ−gVVµ)−(M−gSφ)]ψ+

1 2

∂µφ∂µφ−mS2φ2

+

−14FµνFµν +

1 2mV

2V

µVµ

e onde gS e gV s˜ao respectivamente as constantes de acoplamento para os

mesons escalar e vetorial; mSemV s˜ao respectivamente as massas dos mesons

escalar e vetorial.

Com o novo termo adicionado `a LQHD vamos encontrar uma express˜ao

para a densidade de energia do tipo

(32)

e que ir´a gerar a equa¸c˜ao de KdV. ´E interessante observar que o novo termo desaparece na aproxima¸c˜ao de campo m´edio. Quando ela n˜ao ´e feita ele apenas fornece corre¸c˜oes ao termo usual de acoplamento entre o campo fermiˆonico e o campo vetorial:

gVψV¯ µγµψ

Desta maneira ´e poss´ıvel fazer pequenas modifica¸c˜oes na QHD sem des-truir suas virtudes e gerando uma mat´eria nuclear que comporta solitons.

Para a obten¸c˜ao da densidade de energia ´e necess´ario calcular antes as equa¸c˜oes de movimento e o tensor momento-energia, utilizando L dada por (3.1). Nas pr´oximas se¸c˜oes vamos apresentar manipula¸c˜oes que s˜ao muito semelhante `as usuais na QHD original, que j´a fazem at´e parte dos livros texto. Em v´arias disserta¸c˜oes sobre mat´eria nuclear estas passagens s˜ao omitidas ou transferidas para apˆendices. No nosso caso, como a teoria tem novas intera¸c˜oes e estamos fazendo um novo tipo de aproxima¸c˜ao, vamos incluir todos os detalhes da deriva¸c˜ao da densidade de energia.

3.2

Equa¸c˜

oes de Movimento

As equa¸c˜oes de movimento s˜ao obtidas por interm´edio da equa¸c˜ao de Euler-Lagrange:

∂µ

∂L

∂(∂µqi)

− ∂∂qL

i

= 0 (3.2)

para os campos: ¯ψ,Vν e φ. Para o campo ¯ψ, (3.2) toma a seguinte forma:

∂µ

∂L

∂(∂µψ¯)

− ∂L

∂ψ¯ = 0

Utilizando (3.1) na equa¸c˜ao acima temos:

∂ ∂ψ¯

¯

ψ[γµ(i∂µ−gVVµ)−(M−gSφ)]ψ+

gV

mV2

¯

ψ(∂ν∂νVµ)γµψ

= 0

=

γµ(i∂µ−gVVµ)−(M−gSφ) +

gV

mV2

(∂ν∂νVµ)γµ

ψ = 0 (3.3) Para o campo Vν ´e interessante usar a defini¸c˜ao de Fµν para reescrever o

pen´ultimo termo de LQHD:

−14FµνFµν =

1 2∂µVν∂

νVµ

(33)

e assim (3.1) pode ser reescrita como:

L= ¯ψ[γµ(i∂µ−gVVµ)−(M −gSφ)]ψ+

1 2

∂µφ∂µφ−mS2φ2

+

+1 2∂µVν∂

νVµ

− 12∂µVν∂µVν +

1 2mV

2V

µVµ+

gV

mV2

¯

ψ(∂ν∂νVµ)γµψ

A a¸c˜ao S desta teoria ´e dada por:

S=

Z

d4xL =Z d4xL

QHD+

Z

d4x gV

mV2

¯

ψ(∂ν∂νVµ)γµψ

(3.4)

A integral contendo o termo de acoplamento derivativo pode ser feita medi-ante integra¸c˜ao por partes, fornecendo:

Z

d4x

g

V

mV2

¯

ψ(∂ν∂νVµ)γµψ

=

Z

d4x

g

V

mV2

∂ν( ¯ψγµψ)∂νVµ

ou

Z

d4x

g

V

mV2

¯

ψ(∂ν∂νVµ)γµψ

= gV

mV2

Z

d4x

∂ν( ¯ψγµψ)∂νVµ

(3.5)

onde o termo de superf´ıcie ´e nulo, ou seja:

( ¯ψγµψ)∂νVµ

+∞ −∞ = 0

Substituindo (3.5) em (3.4):

Z

d4xL =

Z

d4xLQHD−

gV

mV2

Z

d4x

∂ν( ¯ψγµψ)∂νVµ

fornecendo uma forma alternativa de L para o c´alculo da equa¸c˜ao de movi-mento do campo Vν:

L=LQHD−

gV

mV2

∂ν( ¯ψγµψ)∂νVµ

ou melhor:

L= ¯ψ[γµ(i∂µ−gVVµ)−(M −gSφ)]ψ+

1 2

∂µφ∂µφ−mS2φ2

+

+1 2∂µVν∂

νVµ

− 12∂µVν∂µVν +

1 2mV

2V

µVµ−

gV

mV2

∂ν( ¯ψγµψ)∂νVµ (3.6)

Ent˜ao, utilizando (3.6) acima para

∂µ

∂L

∂(∂µVν)

∂V∂L

ν

(34)

temos:

∂µ

∂(∂µVν)

+1 2∂µVν∂

νVµ

− 12∂µVν∂µVν −

gV

mV2

∂ν( ¯ψγµψ)∂νVµ

+

∂V

ν

−gVψγ¯ µVµψ+

1 2mV

2V

µVµ

= 0

= ∂µFµν +mV2Vν =gVψγ¯ νψ−

gV

mV2

∂µ∂µ( ¯ψγνψ) (3.7)

A equa¸c˜ao de movimento para o campo φ ´e dada por:

∂µ

∂L

∂(∂µφ)

− ∂∂φL = 0

que, com o uso de (3.1), fornece:

∂µ

∂(∂µφ)

1

2∂µφ∂

µφ

− ∂ ∂φ

gSψφψ¯ −

mS2

2 φ

2= 0

= (∂µ∂µ+mS2)φ=gSψψ¯ (3.8)

3.3

Aproxima¸c˜

ao Estacion´

aria

Fazendo as aproxima¸c˜oes:

Vµ→< Vµ>≡δµ0V0 (3.9)

e

φ< φ >φ0 (3.10)

em (3.1), temos

L′ =LVµ →< Vµ >≡δµ0V0 φ→< φ >≡φ0

ou seja:

L′ = ¯ψ[γµ(i∂µ−gVδµ0V0)−(M −gSφ0)]ψ+

+1 2

∂µφ0∂µφ0−mS2φ02

− 14(∂µδν0V0−∂νδµ0V0)(∂µδν0V0−∂νδµ0V0)+

+1 2mV

2δ

µ0V0δµ0V0+

gV

mV2

¯

(35)

= L′ = ¯ψ[(iγµ∂µ−gVγ0V0)−(M−gSφ0)]ψ+

1 2

∂µφ0∂µφ0−mS2φ02

+

−14(∂µδν0V0∂µδν0V0−∂µδν0V0∂νδµ0V0−∂νδµ0V0∂µδν0V0+∂νδµ0V0∂νδµ0V0)+

+1 2mV

2V 02+

gV

mV2

¯

ψ(∂ν∂νV0)γ0ψ

= L′ = ¯ψ[(iγµ∂µ−gVγ0V0)−(M−gSφ0)]ψ+

1 2

∂µφ0∂µφ0−mS2φ02

+

+1 2(∇V0)

2+ 1

2mV

2V 02+

gV

mV2

¯

ψ(∂ν∂νV0)γ0ψ (3.11)

Fazendo tamb´em a substitui¸c˜ao de (3.9) e (3.10) na equa¸c˜ao de movimento (3.3) encontramos:

γµ(i∂µ−gVδµ0V0)−(M−gSφ0) +

gV

mV2

(∂ν∂νδµ0V0)γµ

ψ = 0

= iγµ∂µψ−gVγ0V0ψ−(M−gSφ0)ψ+

gV

mV2

(∂ν∂νV0)γ0ψ = 0 (3.12)

Da mesma forma para (3.7):

∂µ(∂µδν0V0−∂νδµ0V0) +mV2δν0V0 =gVψγ¯ νψ−

gV

mV2

∂µ∂µ( ¯ψγνψ)

que multiplicada por δν0 fornece:

δν0∂µ∂µδν0V0−δν0∂µ∂νδµ0V0+mV2δν0δν0V0 =gVδν0ψγ¯ νψ−

gV

mV2

δν0∂µ∂µ( ¯ψγνψ)

= ∂µ∂µV0−∂0∂0V0+mV2V0 =gVψγ¯ 0ψ−

gV

mV2

∂µ∂µ( ¯ψγ0ψ)

= −∇2V0+mV2V0 =gVψγ¯ 0ψ−

gV

mV2

∂µ∂µ( ¯ψγ0ψ) (3.13)

e finalmente para (3.8):

(36)

Desprezando agora apenas as derivadas temporais para os campos V0 e

φ0 nas equa¸c˜oes citadas, por´em n˜ao desprezando os gradientes e laplacianos

espaciais dos mesmos campos temos:

L∗ = ¯ψ[(iγµ∂µ−gVγ0V0)−(M −gSφ0)]ψ−

1 2(∇φ0)

2

− 12mS2φ02+

+1 2(∇V0)

2+1

2mV

2V 02 −

gV

mV2

¯

ψ(2V0)γ0ψ (3.15)

[iγµ∂µ−gVγ0V0−(M −gSφ0)]ψ−

gV

mV2

(2V0)γ0ψ = 0 (3.16)

−∇2V0+mV2V0 =gVψγ¯ 0ψ−

gV

mV2

∂µ∂µ( ¯ψγ0ψ) (3.17)

e

(−∇2+mS2)φ0 =gSψψ¯ (3.18)

Nossa aproxima¸c˜ao difere da aproxima¸c˜ao usual de campo m´edio pela considera¸c˜ao de gradientes e laplacianos dos campos V0 eφ0.

3.4

Densidade de energia

A densidade de energia ´e dada por:

ε =< T00 >=−g00L∗+∂0ψ

L

∂(∂0ψ) (3.19)

que, com o aux´ılio de (3.15) resulta em:

ε =g00

¯

ψ[(iγµ∂µ−gVγ0V0)−(M −gSφ0)]ψ−

1 2(∇φ0)

2 − 1

2mS

2φ 02+

+1 2(∇V0)

2+1

2mV

2V 02−

gV

mV2

¯

ψ(2V0)γ0ψ

+∂0ψ

∂(∂0ψ)[iψγ¯ 0∂ 0ψ]

= ε =g00ψ¯

[(iγµ∂µ−gVγ0V0)−(M −gSφ0)]−

gV

mV2

(2V0)γ0

ψ+

+1 2(∇φ0)

2+1

2mS

2φ 02−

1 2(∇V0)

2

(37)

A express˜ao anterior pode ainda ser reescrita utilizando (3.16):

ε= 1 2(∇φ0)

2+1

2mS

2φ 02−

1 2(∇V0)

2

−12mV2V02+iψγ¯ 0∂0ψ (3.21)

Multiplicando (3.16) por ¯ψ `a esquerda e isolando iψγ¯ 0∂0ψ encontramos:

iψγ¯ 0∂0ψ =−iψγ¯ 0~α· ∇ψ+gV( ¯ψγ0ψ)V0+ ¯ψ(M −gSφ0)ψ+

+ gV

mV2

(2V0) ¯ψγ0ψ (3.22)

Substituindo (3.22) em (3.21):

ε= 1 2(∇φ0)

2+1

2mS

2φ 02−

1 2(∇V0)

2

− 12mV2V02−iψγ¯ 0~α· ∇ψ+

+gV( ¯ψγ0ψ)V0+ ¯ψ(M −gSφ0)ψ+

gV

mV2

(2V0) ¯ψγ0ψ (3.23)

Vamos usar as defini¸c˜oes: ¯

ψ =ψ†γ0 (3.24)

¯

ψγ0ψ =ψ†γ0γ0ψ =ψ†ψ ≡ρB (3.25)

e

M gSφ0 ≡M∗ (3.26)

onde ρB ´e a densidade bariˆonica eM∗ ´e a massa efetiva do n´ucleon.

Podemos agora reescrever (3.23) utilizando (3.24), (3.25) e (3.26):

ε= 1

2[(∇φ0)

2+m

S2φ02−(∇V0)2−mV2V02] +gVρBV0+

+ gV

mV2

ρB(∇2V0) +ψ†(−i~α· ∇+βM∗)ψ (3.27)

onde foi utilizada a nota¸c˜ao: β :=γ0 .

Para calcular os camposφ0 eV0, primeiramente utilizamos (3.26):

φ0 =

(M M∗)

gS

(3.28)

(38)

−∇2V0+mV2V0 =gVρB−

gV

mV2

∂0∂0(ρB) +

gV

mV2∇

2ρ

B

sendo que podemos desprezar a segunda derivada temporal paraρBda mesma

maneira que foi feito para φ0 e V0:

−∇2V0+mV2V0 =gVρB+

gV

mV2∇

2ρ

B

e considerar na express˜ao acima

−∇2V0 << mV2V0 (3.29)

obtendo uma express˜ao aproximada para V0 :

V0 =

gV

mV2

ρB+

gV

mV4∇

2ρ

B (3.30)

Integrando a express˜ao (3.27) por partes em 12(V0)2, com os termos

de superf´ıcie indo a zero, temos:

−12(V0)2 −→

1 2V0(∇

2V 0)

resultando em:

ε = 1

2[(∇φ0)

2+m

S2φ02+V0(∇2V0)−mV2V02] +gVρBV0+

+ gV

mV2

ρB(∇2V0) +ψ†(−i~α· ∇+βM∗)ψ (3.31)

Substituindo (3.30) e (3.28) em (3.31) temos:

ε= 1 2

(M−M∗)

gS

2

+ mS

2

2

(M−M∗)

gS 2 + +1 2 g V

mV2

ρB+

gV

mV4∇

2ρ B ∇2 g V

mV2

ρB+

gV

mV4∇

2ρ

B

+

−mV 2

2

g

V

mV2

ρB+

gV

mV4∇

2ρ

B

2

+gVρB

g

V

mV2

ρB+

gV

mV4∇

2ρ

B

+

+ gV

mV2

ρB

∇2

g

V

mV2

ρB +

gV

mV4∇

2ρ

B

(39)

Desprezando na express˜ao anterior o termo proporcional a

[(M M∗)]2 e proporcional a

∇2ρB∇4ρB

chegamos a:

ε= gV

2

2mV2

ρB2+

3gV2

2mV4

ρB∇2ρB+

3gV2

2mV6

ρB∇4ρB+

+mS

2

2

(M−M∗)

gS

2

+ψ†(i~α· ∇+βM∗)ψ (3.32)

Desprezamos o termo [(MM∗)]2 porque ele n˜ao altera

significativa-mente a equa¸c˜ao para M∗ j´a conhecida na QHD. Na vizinhan¸ca do equil´ıbrio a equa¸c˜ao auto-consistente para M∗ (“equa¸c˜ao de gap”) ´e dada pela (3.35). Nesta regi˜ao, M∗ >> k

F como pode ser vista na figuraC.1. Ent˜ao podemos

fazer a aproxima¸c˜ao:

M M∗ ∼= γM ∗2g

s2

4π2m

S2 kF resultando em: 1 2 ∇

(M −M∗)

gS

2 ∼

= γ

2M∗4g

s2

32π4m

S4

6π2

γ

2/3

∇ρB1/3

2

que via integra¸c˜ao por partes com os termos de superf´ıcie indo a zero:

1 2

(M −M∗)

gS

2

=γ2M∗4gs2

32π4m

S4

6π2

γ

2/3

ρB1/3

∇2ρB1/3

ou seja, uma varia¸c˜ao muito pequena proporcional aρB1/3

∇2ρ

B1/3

podendo ser desprezada quando comparada com os outros termos proporcionais a

ρB∇2ρB e ρB∇4ρB .

Conforme o apˆendice A, podemos utilizar (A.10):

ψ†(i~α· ∇+βM∗)ψ −→ γ

(2π)3 Z kF

0 d

3k(~k2+M∗2

(40)

que substitu´ıda em (3.32) nos fornece a forma definitiva para a densidade de energia:

ε = gV

2

2mV2

ρB2+

3gV2

2mV4

ρB∇2ρB+

3gV2

2mV6

ρB∇4ρB+

mS2

2

(M −M∗)

gS

2

+

+ γ

(2π)3 Z kF

0 d

3k(~k2+M∗2

)1/2 (3.33)

com (conforme (A.12) do apˆendice A):

ρB=

γ

6π2kF 3

A massa efetiva do n´ucleon (M∗) ´e obtida pela minimiza¸c˜ao de ε com respeito a M∗:

∂ε ∂M∗ = 0 ou melhor:

∂ε ∂M∗ =−

mS2

gS2

(M M∗) + γ (2π)3

Z kF 0 d

3k M∗

(~k2+M∗2)1/2 = 0

= M∗ =M gS

2

mS2

γ

(2π)3 Z kF

0 d

3k M∗

(~k2+M∗2)1/2 (3.34)

A integra¸c˜ao nos momentos pode ser feita resultando em:

M∗ =M gS

2

mS2

γM∗ 4π2

kF(kF2+M∗2)1/2−M∗ln

k

F + (kF2+M∗2)1/2

M∗

(3.35)

(41)

Cap´ıtulo 4

Solitons de Korteweg-de Vries

na QHD Modificada

4.1

Introdu¸c˜

ao

Neste cap´ıtulo vamos fazer a conex˜ao entre o formalismo hidrodinˆamico do s´oliton (discutido no cap´ıtulo 2) e as teorias Lagrangeanas da mat´eria nuclear. Esta conex˜ao nos permitir´a relacionar as propriedades do s´oliton com os as-pectos microsc´opicos da intera¸c˜ao n´ucleon-n´ucleon. Vamos agora deduzir e resolver a equa¸c˜ao de KdV3. A dedu¸c˜ao de KdV3 ser´a atrav´es do procedi-mento descrito no cap´ıtulo 2, utilizando a densidade de energia proveniente da QHD modificada (3.33).

Vamos partir de:

ε= gV

2

2mV2

ρB2+

3gV2

2mV4

ρB∇2ρB+

mS2

2

(M −M∗)

gS

2

+

+ γ

(2π)3 Z kF

0 d

3k(~k2+M∗2)1/2

que coincide com (3.33) a menos de termos proporcionais a 4ρ

B que por

enquanto ser˜ao desprezados. Esta express˜ao pode ainda ser reescrita na forma:

ε=

g

V2

2mV2

ρB2+

3g

V2

2mV4

(42)

com η(ρB) sendo uma fun¸c˜ao com dependˆencia em ρB dada por:

η(ρB) =

1 2

m

S

gS

2

(M M∗)2+ γ (2π)3

Z kF 0 d

3kh

~k2+M∗2i1/2

onde

ψ†ψ ρB =

γkF3

6π2

conforme (A.12) com γ = 4 sendo o fator de degenerescˆencia de spin-isospin para mat´eria nuclear sim´etrica.

A solu¸c˜ao da equa¸c˜ao de KdV3 ser´a apresentada na se¸c˜ao 4.3 deste cap´ıtulo.

4.2

Dedu¸c˜

ao de KdV3 para a QHD

Modifi-cada

Podemos ver que (4.1) satisfaz (2.30), onde:

f(ρB) =

g

V2

2mV2

ρB2+η(ρB)

e

g(ρB) =

3g

V2

2mV4

ρB

Com (2.15) pode-se calcular a energia por n´ucleon:

E =ε/ρB

= E =

g

V2

2mV2

ρB+

3g

V2

2mV4

(2ρB) +

η(ρB)

ρB

Fazendo a expans˜ao em s´erie de Taylor conforme descrito no cap´ıtulo 2 at´e o termo de segunda derivada para os termos dependentes de ρB em torno do

valor de equil´ıbrio ρ0, e impondo a condi¸c˜ao de satura¸c˜ao

∂ ∂ρB

ε

ρB −

M

ρB=ρ0

=

∂E

∂ρB

ρB=ρ0

= 0

encontramos:

E(ρB) =E(ρ0) +

Mcs2

2ρ02

(43)

No segundo termo da express˜ao anterior temos:

Mcs2 =ρ02 ∂2E

∂ρB2

ρB=ρ0

(4.3)

onde M ´e a massa do n´ucleon ecs ´e a velocidade do som na mat´eria nuclear,

como est´a mostrado no apˆendice B. Todo o procedimento descrito para a equa¸c˜ao da continuidade (2.37) permanece o mesmo nesta se¸c˜ao.

Da equa¸c˜ao (4.2) vemos que:

E(ρ0) = g

V2

2mV2

ρ0+

η(ρ0)

ρ0

+

3g

V2

2mV4

(2ρB) (4.4)

pois conforme j´a mencionado, ρB e ∇2ρB s˜ao consideradas duas vari´aveis

independentes. A entalpia por n´ucleon dada por (2.10) ´e calculada por in-term´edio de (4.2):

h=E(ρ0) +

Mcs2

2ρ02

(3ρB2+ρ02−4ρBρ0) (4.5)

e o gradiente de h ´e obtido atrav´es da equa¸c˜ao acima:

∇h= Mcs

2

2ρ02

[6ρB(∇ρB)−4ρ0(∇ρB)] +

3g

V2

2mV4

∇(2ρB) (4.6)

Substituindo (4.6) em (2.9):

∂~v

∂t + (~v· ∇)~v =−

c

s2

2ρ02

[6ρB(∇ρB)−4ρ0(∇ρB)]

− 3g

V2

2MmV4

∇(2ρB) (4.7)

Usando agora (2.35) e (2.36) em (4.7) temos:

cs

∂~vˆ ∂t +cs

2~v

· ∇)ˆ~v =cs

2

2 [6ˆρ(∇ρˆ)−4(∇ρˆ)]−

3gV2ρ0

2MmV4∇

(44)

Fazendo as substitui¸c˜oes de (2.39), (2.40) e (2.41) em (4.8) chegamos a:

cs

∂vˆ

∂t +cs

2vˆ∂ˆv

∂x =− cs2

2

6ˆρ∂ρˆ ∂x −4

∂ρˆ

∂x

3g

V2ρ0

2MmV4

∂3ρˆ

∂x3 (4.9)

que ser´a combinada com (2.37) para a obten¸c˜ao de KdV3. Utilizando ent˜ao (2.44) `a (2.48) em (4.9) temos:

−σ 1/2c

s2

R ∂ˆv ∂ξ +

σ3/2c

s2

R ∂vˆ

∂τ + σ1/2c

s2

R vˆ ∂vˆ

∂ξ =

=

1/2c

s2

R ρˆ ∂ρˆ

∂ξ + 2 σ1/2c

s2

R ∂ρˆ

∂ξ −

3g

V2ρ0

2MmV4

σ3/2

R3

∂3ρˆ

∂ξ3 (4.10)

O pr´oximo passo conforme descrito no cap´ıtulo 2 ´e utilizar as expans˜oes (2.51) e (2.52) em (4.10) acima, que se transforma em:

−σ 1/2c

s2

R ∂

∂ξ(σv1 +σ

2v

2+. . .) +

σ3/2c

s2

R ∂

∂τ(σv1+σ

2v

2+. . .)+

1/2c

s2

R (σv1+σ

2v

2 +. . .)

∂ξ(σv1+σ

2v

2+. . .) =

=

1/2c

s2

R (1 +σρ1+σ

2ρ

2+. . .)

∂ξ(1 +σρ1+σ

2ρ

2+. . .)+

+2σ

1/2c

s2

R ∂

∂ξ(1 +σρ1+σ

2ρ

2+. . .)− 3g

V2ρ0

2MmV4

σ3/2

R3

∂3

∂ξ3(1 +σρ1+σ

2ρ

2+. . .)

Igualando os coeficientes dos termos proporcionais a σ na equa¸c˜ao acima reobteremos a identidade (2.60):

σ

− ∂ρ∂ξ1 +∂v1

∂ξ

= 0 = ρ1 =v1 (4.11)

Dos coeficientes dos termos proporcionais a σ2 temos a seguinte identidade:

∂v1

∂τ +v1 ∂v1

∂ξ + 3ρ1 ∂ρ1

∂ξ +

3g

V2ρ0

2Mcs2mV4R2

∂3ρ 1

∂ξ3 =− ∂ρ2

∂ξ + ∂v2

(45)

Usando agora (4.11) em (4.12) temos:

−∂ρ1 ∂τ −ρ1

∂ρ1

∂ξ −3ρ1 ∂ρ1

∂ξ −

3g

V2ρ0

2Mcs2mV4R2

∂3ρ 1

∂ξ3 = ∂ρ2

∂ξ − ∂v2

∂ξ (4.13)

que, substitu´ıda em (2.61), resulta finalmente em

∂ρ1

∂τ + 3ρ1 ∂ρ1

∂ξ +

3g

V2ρ0

4Mcs2mV4R2

∂3ρ 1

∂ξ3 = 0 (4.14)

A equa¸c˜ao acima ´e conhecida como equa¸c˜ao de Korteweg-de Vries (KdV) para a densidade ρ1 conforme mencionada no cap´ıtulo 1. Neste caso ela

pode ser chamada de KdV3 porque cont´em um termo proporcional `a terceira derivada de ρ1 em rela¸c˜ao `a ξ.

Pode-se reescrever (4.14) na seguinte forma para facilitar a nota¸c˜ao em sua solu¸c˜ao:

∂ρ1

∂τ +Aρ1 ∂ρ1

∂ξ +B ∂3ρ

1

∂ξ3 = 0 (4.15)

com:

A= 3 e

B =

3g

V2ρ0

4Mcs2mV4R2

(46)

4.3

Solu¸c˜

ao da equa¸c˜

ao de KdV3

Para resolver (4.14) (ou (4.15)) ´e interessante retornar ao espa¸co xt para uma melhor an´alise da solu¸c˜ao e da largura do s´oliton na dimens˜ao correta (f m). Assim ´e poss´ıvel comparar a largura do s´oliton com as dimens˜oes do n´ucleo alvo. Ent˜ao basta utilizar os operadores das express˜oes (2.46), (2.47) e (2.48) para volta ao espa¸co xt:

∂ ∂ξ =

R σ1/2

∂ ∂x, ∂

∂τ = R σ3/2c

s

∂ ∂t +

R σ3/2

∂ ∂x

e

∂3

∂ξ3 = R3

σ3/2

∂3

∂x3

de tal maneira que (4.15) adquire a forma:

∂ρˆ1

∂t +cs ∂ρˆ1

∂x +Acsρˆ1 ∂ρˆ1

∂x +BcsR

2∂3ρˆ1

∂x3 = 0 (4.16)

onde:

ˆ

ρ1 ≡σρ1 (4.17)

A equa¸c˜ao (4.16) ´e a equa¸c˜ao de KdV3 modificada no espa¸co xt, que possui uma solu¸c˜ao particular que ´e a de um pulso bem definido se pro-pagando sem alterar sua forma e velocidade de propaga¸c˜ao. Tal solu¸c˜ao ´e obtida pela imposi¸c˜ao de:

ˆ

ρ1 = ˆρ1(χ)

com

χ=xut,

onde u ´e a velocidade de propaga¸c˜ao desse pulso (s´oliton). ´E f´acil verificar que:

∂ρˆ1

∂t =−u dρˆ1

dχ (4.18)

∂ρˆ1

∂x = dρˆ1

(47)

e

∂3ρˆ 1

∂x3 = d3ρˆ

1

dχ3 (4.20)

Substituindo agora (4.18), (4.19) e (4.20) em (4.16) encontramos:

−udρˆ1 dχ +cs

dρˆ1

dχ +Acsρˆ1 dρˆ1

dχ +BcsR

2d3ρˆ1

dχ3 = 0

que integrada em rela¸c˜ao `a χ fornece:

−u

Z dρˆ 1

dχdχ+cs

Z dρˆ 1

dχdχ+Acs

Z

ˆ

ρ1

dρˆ1

dχdχ+BcsR

2Z d3ρˆ1

dχ3 dχ= 0

e

(cs−u)ˆρ1+

Acs

2 (ˆρ1)

2+ (Bc

sR2)

d2ρˆ 1

dχ2 +C = 0

onde C ´e uma constante de integra¸c˜ao. Integrando a equa¸c˜ao acima em rela¸c˜ao `a ˆρ1 temos:

(cs−u)

Z

ˆ

ρ1dρˆ1+

Acs

2

Z

(ˆρ1)2dρˆ1+ (BcsR2)

Z d2ρˆ 1

dχ2 dρˆ1+

Z

Cdρˆ1 = 0

e

(cs−u)

2 (ˆρ1)

2+Acs

6 (ˆρ1)

3+ (Bc

sR2)

Z d2ρˆ 1

dχ2 dρˆ1

dχdχ+Cρˆ1+D= 0

com D sendo mais uma constante de integra¸c˜ao. Continuando a integra¸c˜ao da express˜ao acima:

(cs−u)

2 (ˆρ1)

2+Acs

6 (ˆρ1)

3+ (Bc

sR2)

Z 1

2

d dχ

dρˆ 1

2

dχ+Cρˆ1 +D= 0

e assim:

(cs−u)

2 (ˆρ1)

2+ Acs

6 (ˆρ1)

3+(BcsR2)

2

dρˆ 1

2

(48)

Para determinarC eD, basta aplicar as condi¸c˜oes de contorno em (4.21) para que a solu¸c˜ao seja um s´oliton:

ˆ

ρ1 →0,

dρˆ1

dχ →0

e

d2ρˆ 1

dχ2 →0

quando |χ| → ∞, encontramos D = 0 e podemos escolher C = 0, uma vez que o s´oliton ´e uma solu¸c˜ao particular da equa¸c˜ao de KdV3. Com estas escolhas (4.21) se transforma em:

(cs−u)

2 (ˆρ1)

2+Acs

6 (ˆρ1)

3+ (BcsR2)

2

dρˆ 1

2

= 0 (4.22)

que fornece:

dρˆ1

dχ =±ρˆ1

s

(ucs)

BcsR2 −

A

3BR2ρˆ1 ,

ou ainda:

±

Z dρˆ 1

ˆ

ρ1 q

(u−cs)

BcsR2 −

A

3BR2ρˆ1

=

Z

dχ (4.23)

Impondo para (4.23) uma solu¸c˜ao do tipo:

ˆ

ρ1 = ˆρ1(θ) =

3(ucs)

Acs

sech2(θ) (4.24)

e usando o fato de que A= 3 encontramos:

dρˆ1 =−

2(ucs)

cs

senh(θ)

Imagem

Tabela I: Parˆ ametros usados nos v´ arios modelos e resultados obtidos para K, M ∗ , ρ 0 e c s .
Tabela II: C´ alculo das larguras dos solitons (em f m) nos v´ arios modelos utilizados.
Figura 5.1: Comportamento da largura do s´oliton em fun¸c˜ao do momento do feixe incidente nos v´arios modelos.
Figura C.1: Massa efetiva do n´ ucleon para QHD(ou MQHD) e NL1.

Referências

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