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Revista
Brasileira
de
CIÊNCIAS
DO
ESPORTE
ARTIGO
ORIGINAL
Relac
¸ão
entre
o
excesso
de
peso
e
a
coordenac
¸ão
motora
de
jovens
atletas
de
atletismo
Jefferson
Verbena
de
Freitas
a,∗,
Phelipe
Henrique
Cardoso
de
Castro
a,
Edson
Campana
Rezende
b,
Francisco
Zacaron
Werneck
ce
Jorge
Roberto
Perrout
de
Lima
daUniversidadeFederaldeJuizdeFora(UFJF),FaculdadedeEducac¸ãoFísicaeDesportos,ProgramadePós-Graduac¸ãoem
Educac¸ãoFísica,JuizdeFora,MG,Brasil
bUniversidadeFederaldeJuizdeFora(UFJF),FaculdadedeEducac¸ãoFísicaeDesportos,LaboratóriodeAvaliac¸ãoMotora,
JuizdeFora,MG,Brasil
cUniversidadeFederaldeOuroPreto(UFOP),LaboratóriodeEstudosePesquisasdoExercícioeEsporte(LABESPEE),
CentroDesportivo,OuroPreto,MG,Brasil
dUniversidadeFederaldeJuizdeFora(UFJF),FaculdadedeEducac¸ãoFísicaeDesportos,DepartamentodeFundamentosda
Educac¸ãoFísica,JuizdeFora,MG,Brasil
Recebidoem27dejulhode2013;aceitoem4dejunhode2014 DisponívelnaInternetem28defevereirode2016
PALAVRAS-CHAVE
Adolescente; Esporte;
Excessodepeso; Coordenac¸ãomotora
Resumo Oobjetivodesteestudofoiverificararelac¸ãoentreoíndicedemassacorporal(IMC) eacoordenac¸ão motoradejovensatletas deatletismo.Foramavaliados24jovensdosexo masculino(12,5±0,6anos)doProjetoCria-UFJF.Osatletasforamclassificadosemdoisgrupos: eutróficos(IMC<20,6;n=20)esobrepeso-obesidade(IMC≥20,6;n=4).Acoordenac¸ãomotora foi avaliadapelotesteKTK.Verificou-se correlac¸ãonegativaeestatisticamentesignificativa entreoIMCeacoordenac¸ãomotora(r=-0,69;p<0,001).Ogruposobrepeso-obesidade apre-sentoumenordesempenhonotestedecoordenac¸ãomotoracomparadocomogrupoeutrófico. Conclui-sequejovensatletasdeatletismocomexcessodepesoapresentammenorcoordenac¸ão motora.
©2016Col´egioBrasileirodeCiˆenciasdoEsporte.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´e umartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).
KEYWORD
Adolescent; Sport; Overweight; Motorcoordination
Relationshipbetweentheoverweightandthemotorcoordinationinyoungathletesof athletics
Abstract Theaimofthisstudywastoverifytherelationshipbetweenthebodymassindex (BMI) andthe motorcoordinationin youngathletes of athletics.We studied24 young men athletes(12,5±0,6years)oftheCRIA-UFJFProject.Theathleteswereclassifiedintwogroups:
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](J.V.d.Freitas). http://dx.doi.org/10.1016/j.rbce.2016.02.003
eutrophic(BMI<20,6;n=20)andoverweight-obesity(BMI≥20,6;n=4).Themotorcoordination wasevaluatedusingtheKTKtest.Therewerenegativecorrelationandstatisticallysignificant betweentheBMIandmotorcoordination(r=-0,69;p<0,001).Thegroupoverweight-obesity showedlowerperformanceonthemotorcoordinationtestcomparedtoeutrophic.Weconclude thatyoungathletesofathleticswithoverweightshowlowermotorcoordination.
©2016Col´egioBrasileirodeCiˆenciasdoEsporte.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisan openaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
PALABRASCLAVE
Adolescentes; Deporte; Sobrepeso;
Coordinaciónmotora
Relaciónentresobrepesoycoordinaciónmotoraenatletasjóvenes quepracticanatletismo
Resumen Elobjetivodeesteestudiofueinvestigarlarelaciónentreelíndicedemasa cor-poral(IMC)ylacoordinaciónmotoradeatletasjóvenesquepracticanatletismo.Elproyecto CREA-UFJFevaluóa24hombresjóvenes(12,5±0,6a˜nos).Losatletasseclasificaronendos gru-pos:pesonormal(IMC<20,6;n=20)ysobrepeso-obesidad(IMC≥20,6;n=4).Lacoordinación motoraseevaluómediantelapruebadeKTK.Hubounacorrelaciónnegativayestadísticamente significativaentreelIMCylacoordinaciónmotora(r=-0,69;p<0,001).Elgrupode sobrepeso--obesidadmostróunbajorendimiento enlapruebadecoordinaciónmotoraencomparación conelgrupodepesonormal.Seconcluyequelosatletasjóvenesconsobrepesoquepractican atletismotienenunacoordinaciónmotorainferior.
©2016Col´egioBrasileirodeCiˆenciasdoEsporte.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Estees unart´ıculoOpenAccessbajolalicenciaCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).
Introduc
¸ão
O desenvolvimento motor é considerado um processo de
alterac¸õesnosníveisdefuncionamentodeumindivíduoao
longodavida,resultantedasomatóriadasexperiências
vivi-daspelosindivíduosepelodesenvolvimentodascapacidades
funcionais(Caetanoetal.,2005).Nainfância,o
desenvol-vimentomotorcaracteriza-sepelaaquisic¸ãodehabilidades
motoras,quepermitemamplodomíniodocorpo,favorecem
alocomoc¸ãopeloambientedevariadasformas,comoandar,
correresaltar,eamanipulac¸ãodeobjetoseinstrumentos,
taiscomo receberumabola,arremessarumapedra,
chu-tar,escrevere lanc¸arumobjeto(Santosetal.,2004). De
acordocomMaiaeLopes(2002),odesenvolvimentomotor
estárelacionado com ascaracterísticas morfológicas,
fisi-ológicase neuromusculares, interage diretamentecom as
oportunidadeseexperiênciasvividasnodiaadia.
Umelementoimportantenodesenvolvimentomotorda
crianc¸aéacoordenac¸ãomotora(KiphardeSchilling,1974).
Gallahue e Ozmun (2005) definem coordenac¸ão motora
como acapacidade de integrar, em padrões eficientes de
movimento, sistemas separados com mobilidades
sensori-ais mutáveis. Quanto maior o nível de complexidade da
tarefa motora, maior o nível de coordenac¸ão
necessá-rio parao desempenho eficienteda mesma.Para Kiphard
(1976), a coordenac¸ão motora é a interac¸ão harmoniosa
e econômica dos sistemas musculoesquelético, nervoso e
sensorialparaproduzirac¸õescinéticasprecisase
equilibra-das.Acoordenac¸ãomotorapodeserentendidaaindacomo
a habilidade do corpo de integrar a ac¸ão dos músculos,
afim deexecutar ummovimento específicoouumasérie
de movimentos comuns da melhor forma possível (Silva,
1989).
O perfil antropométrico é um dos fatores que podem
interferir na coordenac¸ão motora. Crianc¸as com melhor
desempenho motor geralmente apresentam perfil
meso-mórfico (Lopes, 1993). Beunen et al. (1998) verificaram
que crianc¸as com perfil associado à endomorfia,ou seja,
com maior relac¸ão peso-estatura, apresentavam prejuízo
emrelac¸ãoamovimentosdocorpo.Essesestudossugerem
que crianc¸as com níveis maiselevados de gordura
corpo-ral podem apresentar prejuízos na coordenac¸ão motora.
Porém,em jovens atletasessesresultados podemnãoser
confirmados, especialmente em praticantes de atletismo,
modalidade esportiva que estimula diferentes qualidades
funcionais,alémdeaprimoraracoordenac¸ãomotorapara
a execuc¸ão adequada de gestos esportivos elaborados.
Assim,éimportanteverificarseosprejuízosnacoordenac¸ão
motoraassociadosaoexcessodepesopodemseratenuados
emcrianc¸astreinadas.
Oobjetivodopresenteestudofoiverificararelac¸ãoentre
oexcessodepesoeacoordenac¸ãomotoradejovensatletas
deatletismo.
Metodologia
Amostra
Esteéconsideradoumestudodecasocomamostra
delimi-tada.Foramavaliados24jovensatletas,dosexomasculino,
da categoria pré-mirim, entre 11,1 e 13,8 anos,
partici-pantes do Centro Regional de Iniciac¸ão ao Atletismo da
UniversidadeFederaldeJuizdeFora(Cria-UFJF).Os
atle-tas tinham no mínimo seis meses de treinamento e ao
treinavamquatrovezesporsemanacomdurac¸ãomédiade
duashorasportreino.Aprincipalcaracterísticado
treina-mento dessesjovensatletasé oseucarátermultifatorial,
noqualsetrabalhamasdiferentesprovasdoatletismo.Os
responsáveispelosatletaseosprópriosatletasforam
escla-recidossobreosobjetivosdoestudoederamconsentimento
paraaparticipac¸ãovoluntárianoestudo.
Avaliac¸ãoantropométrica
Foramtiradasasmedidas:(1)estatura,peloestadiômetro
Sanny® (Brasil),comprecisãode0,1cm,amedidaobtida,
após inspirac¸ão profunda, erada maior distância entreo
soloeo vertex;e(2)massa corporal,pelabalanc¸adigital
Filizola® (Brasil),comprecisãode0,1kg,comomínimode
vestimentapossível. O índice de massa corporal (IMC) foi
obtidopeladivisãodamassacorporalpelaestaturaelevada
aoquadrado.Paraaclassificac¸ãodoIMCdosjovensatletas
emeutrófico,sobrepesoeobesidadeforamusadosospontos
decortesugeridosporColeetal.(2000),deacordocomsexo
eidade.
Avaliac¸ãodamaturac¸ãosomática
Para controlar o possível efeito da maturac¸ão sobre a
coordenac¸ãomotora,foiavaliadaamaturac¸ãosomáticados
jovensatletas,pormeiodoMaturityOffset,quecorresponde
àdistânciatemporal,emanos,emqueoindivíduose
encon-tradopicodevelocidadedecrescimentoemestatura(PVC),
comométodoantropométricopropostoporMirwaldetal.
(2002).OresultadodoMaturityOffsetpodesernegativo(<
0),seaindanãoatingiuoPVC,oupositivo(>0),sejá
ultra-passou o PVC. Para o cálculodesse indicador, foiusada a
fórmulaabaixo:
CálculodoMaturityOffsetemmeninos.
MaturityOffset =−9,236+(0,0002708x(CMIxES))−(0,001663x(ICxCMI))
+(0,00726x(ICxAS))+
0,02292xm
h
x100
CMI(comprimentodemembrosinferiores);ES(estatura
sentado); IC (idade cronológica); m (massa corporal); h
(estatura).
Avaliac
¸ão
da
coordenac
¸ão
motora
Usou-se o teste Korperkoordinationstest Fur Kinder(KTK)
(Kiphard e Schilling, 1974). O KTK foi desenvolvido com
intuito de diagnosticar as deficiências motoras sutis em
crianc¸ascom lesõescerebraise/oudesvios
comportamen-tais(Gorlaetal.,2009),éusadoparaavaliac¸ãodopadrão
motordediversas populac¸ões,inclusive comcrianc¸as sem
deficiência, já que tanto avalia a coordenac¸ão motora
globalquantoidentificacrianc¸ascomdistúrbios
coordena-tivos(Gorlaetal.,2000).Otesteenvolvecomponentesde
coordenac¸ão corporal como equilíbrio, ritmo,forc¸a,
late-ralidade, agilidade e velocidade (Gorlaet al., 2009), são
mensuradospormeiodosseguintessubtestes:
Equilibrar-seaoandardecostas(Equac)
Objetivo:Manter-seemequilíbrioaoandardecostassobre
atrave.
Material: Foram usadas três traves de 3 m de
compri-mento e 3cm de altura, com larguras de 6cm, 4,5cm e
3cm.Naparteinferior,sãopresospequenostravessõesde
15×1,5×5cm,espac¸adosde50em50cm.Comisso,as
tra-vesalcanc¸amumaalturatotalde5cm.Comosuperfíciede
apoioparasaída,coloca-seàfrentedatraveumaplataforma
de25×25×5cm.Astrêstravesdeequilíbriosãocolocadas
paralelamente.
Execuc¸ão:Nesseteste,inicialmenteoalunofezo
reco-nhecimentodoinstrumento,elepassouumavezdefrente
emcadaumadastrêstravesatéofimdopercurso,porém
aexperimentac¸ãodasegundafoifeitaquandoterminouo
testedaprimeira.Oalunocolocou-senoiníciodatravede
costascomumdospéssobreelaeooutronochão,quando
oavaliadordeuocomandoelecolocouooutropénatrave
eassiminiciouacontagemdospontos.Issofoirepetidonas
duasseguintes.Cadapassoequivaleaumpontoque pode
atingirummáximodeoito.Quandoacontecerdeoavaliado
pisarnochãoounalateraldabarraasec¸ãoéimediatamente
interrompidaeoalunodeveráretornaraoiníciodatrave.
Sãofeitastrêstentativase somam-seospontosnofim.O
avaliadordeveráfazerumademonstrac¸ãoantesdostestes.
Saltitocomumaperna(SP)
Objetivo: Coordenac¸ão dos membros inferiores; energia
dinâmica/forc¸a.
Material: Foramusados10 blocosde espuma,cada um
com50×20×5cm.
Execuc¸ão: Foi colocada no chão a primeira espuma e
depoisumaauma,sobreaoutra.Oalunosaltouasespumas
comumadaspernas, quandoultrapassado eledeverádar
mais dois saltos (saltitos) sobre a mesma perna. Feito
isso, colocou-se outra espuma sobre a primeira e assim
sucessivamenteaté completar as dez. O jovem não pode
tocara espumaem suaac¸ão, feitoissoé tentativa falha.
Foramdadastrês tentativas paracada altura deespuma;
quandoultrapassado de primeira, serão obtidos três
pon-tos,quandooavaliadoultrapassarnasegundatentativadois
pontosenaterceiraumponto.Issodeveráseravaliadocom
cadapernaeosresultadosserãoseparados.Oavaliadorfez
umademonstrac¸ãoantesdecomec¸ar.
Saltolateral(SL)
Objetivo:Verificaracoordenac¸ãosobreapressãodotempo.
Material: Um retângulo feito no chão por fitas de
100×60×0,8cm,comumsarrafodivisóriode60×4x2cm
eumcronômetro.
Execuc¸ão:Posicionadoem umadasparteslaterais
comandodoavaliador,elecomec¸ouasaltardeumladopara
ooutrocomasduaspernasjuntas,omaisrapidamente
possí-vel,atéofimdos15segundos,tempodeexecuc¸ãodoteste.
Nomeiodoretângulo,foicolocadoumsarrafoquefeza
divi-sãodoretângulo em duas partes.Foramexecutadas duas
tentativascomintervalode umminutoentreelas. Paraa
contabilizac¸ãodospontossãocontadosossaltosnotempo
de15 segundos e somadasas tentativas. Foi considerado
saltonuloquandooavaliadosaltouforadaáreadelimitada
outocarosarrafo.Oavaliadorfezumademonstrac¸ãoantes
decomec¸ar.
Transposic¸ãolateral(TL)
Objetivo:Lateralidade;estruturac¸ãoespac¸o-temporal.
Material: Foram usadas duas plataformas de
25×25×5cm e um cronômetro. As plataformas foram
colocadasladoaladocomumadistânciaentreelasde5cm.
Nadirec¸ãododeslocamentoénecessáriaumaárealivrede
5a6metros.
Execuc¸ão: Depé, em cima deuma dasplataformas, o
jovem,em20s,deslocou-se lateralmente,usouatrocade
pranchas.Comasduaspernassobreumadasplataformas,
aoutrafoipegaecolocadadooutroladodocorpocomas
duasmãos.Emseguida,oavaliadotranspôs-separaessa
pla-taformae continuouo movimento continuamente.Ospés
nãoentraramem contato como solo.Foi dado umponto
quandoacrianc¸apegouapranchadeumladoecolocoudo
outroequandoelatrocoudeprancha.Osvaloresdasduas
tentativas,de20segundoscada,foramanotados
(registra-dos)esomados.Oalunofezumaexperimentac¸ãocomtrês
transposic¸ões.Oavaliadorfezumademonstrac¸ãoantesdo
teste.
O somatório dapontuac¸ão obtida nos componentes do
testecompõeoresultadodoKTK,quefoiclassificadopelas
normas da tabela de referência (Secretaria de Estadode
EsportesedaJuventudedeMinasgerais,2013)apresentada natabela1.
Análiseestatística
Os dados foram tratados descritivamente por meio de
média±desviopadrão,valoresmínimoemáximo.Os
pres-supostos de normalidade e igualdade de variância foram
avaliados,respectivamente,pelotesteShapiro-Wilkepelo
testedeLevene.Otestedecorrelac¸ãodePearsonfoiusado
para verificar a correlac¸ão entre o IMC e o desempenho
totalnoKTK.Paratestardiferenc¸asnacoordenac¸ãomotora
entreogrupoeutróficovs.sobrepeso-obesidade,usou-seo
testetdeStudentparaamostrasindependentes.Asanálises
foramfeitascomosoftwareSPSS20.0,adotou-senívelde
significânciade5%(p<0,05).
Resultados
Acaracterizac¸ãodaamostraestáapresentadanatabela2.
Amaioriadosatletas(n=20)foiclassificadacomoeutrófica
(83,3%),trêstiveramsobrepeso(12,5%)eumfoiconsiderado
obeso(4,2%),deacordocomasnormasdeclassificac¸ãodo
IMC.Quantoàmaturac¸ão,deacordocomoMaturityOffset,
todosencontravam-seantesdoPVC.
360
IMC < 20,6 IMC > 20,6
r = 0,10; p = 0,68 r = –0,90; p = 0,10
r = –0,69; p < 0,001
R2 = 0,48
330
300
270
240
210
180
150
120
12 13 14 15 16 17 18 19
Índice de massa corporal (IMC)
Total de pontos KTK
20 21 22 23 24 25 26 27 28
Figura1 Gráficodedispersãoentreacoordenac¸ãomotora, avaliadapelotesteKTK,eoíndicedemassacorporal(IMC)de jovensatletasdeatletismodacategoriapré-mirim(n=24).
Natabela 3, encontram-se os valores obtidos noteste
KTK, assim como a classificac¸ão média dos avaliados. De
acordocom osvaloresnormativos doKTK,osjovens
atle-tasdeatletismoapresentaramvaloresmédiosclassificados
comobomemuitobom.
Nãofoiobservadarelac¸ãoentreacoordenac¸ãomotorae
amaturac¸ãosomática(r=-0,14;p=0,52;n=24).Poroutro
lado, verificou-se correlac¸ão negativa e estatisticamente
significativaentreoIMCeacoordenac¸ãomotora(r=-0,69;
p<0,001; n=24). Isso indica que quando o IMC aumenta,
a coordenac¸ão motora diminui. De acordo com essa
aná-lise, 50% da variância na coordenac¸ão motora poderiam
ser explicados pelo IMC do jovem atleta (fig. 1).
Entre-tanto, a inspec¸ão visual do gráfico de dispersão entre o
IMC e a coordenac¸ão motora, avaliada pelo desempenho
total no teste KTK, sugere que a correlac¸ão entre essas
variáveis é significativa para valores de IMC maiores do
que 20,6, ou seja, somente nos atletas com
sobrepeso--obesidade(fig.1).Defato,acomparac¸ãoentreasmédias
dosgruposeutróficovs.sobrepeso-obesidadeconfirmaqueo
gruposobrepeso-obesidadeapresentoumenordesempenho
noteste decoordenac¸ão motora comparadocom o grupo
eutrófico (193,7±34,6 vs.258,0± 19,2, respectivamente)
(fig.2).
Discussão
Oprincipalachadodopresenteestudofoiquejovens
pra-ticantes deatletismodacategoria pré-mirimcom excesso
depeso (IMC>20,6) apresentamprejuízos nacoordenac¸ão
motoraindependentementedamaturac¸ãosomática.
O fenômeno da obesidade infantil tem sido objeto
de estudo de muitas pesquisas recentes (Rennie e Jebb,
2005).Talfenômenopareceestarrelacionado aoaumento
dos níveis de sedentarismo de crianc¸as e jovens, ligado
diretamente à ausência na participac¸ão de programas
que promovem a prática de exercício, que implicaria a
reduc¸ãodashabilidadesmotoras,bemcomooaumentoda
Tabela1 Classificac¸ãodedesempenhonoKTK
Classificac¸ãodasprovasdotesteKTKpara11anos
Variáveis Muitofraco Fraco Regular Bom Muitobom
EQUAC <34,8 34,8---44,0 45,0---51,0 52,0---58,0 59,0---72,0
SP <31,0 31,0---44,0 45,0---53,0 54,0---58,0 59,0---60,0
SL <39,0 39,0---48,0 49,0---56,0 57,0---56,0 67,0---145,0
TL <31,0 31,0---37,0 38,0---42,0 43,0---47,0 48,0---84,0
KTKTotal <152,0 152,0---178,0 179,0---199,0 200,0---218,0 219,0---334,0
Classificac¸ãodasprovasdotesteKTKpara12anos
Variáveis Muitofraco Fraco Regular Bom Muitobom
EQUAC <34,0 34,0---44,0 45,0---52,0 53,0---59,0 60,0---72,0
SP <31,8 31,8---42,0 43,0---52,0 53,0---58,0 59,0---60,0
SL <37,0 37,0---46,0 47,0---55,0 56,0---65,0 66,0---180,0
TL <32,0 32,0---37,0 38,0---41,0 42,0---47,0 48,0---88,0
KTKTotal <152,0 152,0---174,0 175,0---197,0 198,0---220,0 221,0---360,0
Classificac¸ãodasprovasdotesteKTKpara13anos
Variáveis Muitofraco Fraco Regular Bom Muitobom
EQUAC <36,0 36,0---45,0 46,0---52,0 53,0---59,0 60,0---72,0
SP <31,0 31,0---41,0 42,0---51,0 52,0---57,0 58,0---60,0
SL <40,0 40,0---47,0 48,0---55,0 56,0---64,0 65,0---182,0
TL <32,0 32,0---37,0 38,0---41,0 42,0---47,0 48,0---71,0
KTKTotal <154,0 154,0---176,0 177,0---195,0 196,0---216,0 217,0---323,0
Tabela2 Característicasantropométricasematurac¸ãosomática(MaturityOffset)dejovensatletasdeatletismo(n=24)
Média Mínimo Máximo
Idade(anos) 12,5±0,6 11,1 13,8
Massacorporal(kg) 42,0±9,4 25,0 66,3
Estatura(cm) 149,6±8,2 134,0 165,0
Estaturasentado(cm) 77,2±4,7 66,7 88,2
Comprimentodemembrosinferiores(cm) 72,4±4,3 64,2 71,9
IMC(kg/m2) 18,6±3,2 13,9 27,2
MaturityOffset(anos) -1,6±0,8 -3,5 -0,2
Tabela3 Valoresdescritivoseclassificac¸ãodacoordenac¸ãomotoradejovensatletasdeatletismo(n=24)avaliadapeloteste KTK
Média±desvio-padrão Mínimo Máximo Classificac¸ão
Somatóriadoequilíbrio 57,1±13,0 24,0 72,0 Bom
Somatóriadossaltitoscomumaperna 58,1±4,6 40,0 60,0 Bom
Somatóriadossaltoslaterais 77,2±11,3 45,0 95,0 Muitobom
Somatóriadastransposic¸õeslaterais 55,0±8,1 34 72 Muitobom
ResultadoKTK 247,3±32,5 156 299 Muitobom
2007).Arelac¸ãoinversaentreIMCeacoordenac¸ãomotora
encontrada no presente estudo corrobora os achados de
outros autores(Berleze et al.,2007; Franc¸aet al.,2007;
Graf et al., 2004; Valdivia et al., 2008), que destacam
a influência negativa da obesidade sobre o desempenho
motor. Graf et al. (2004) correlacionaram o IMC, o nível
deatividadedelazereashabilidadesmotorasdecrianc¸as
alemãs com idade entre seis e sete anos. Os resultados
encontradosdemonstramquedadodesempenhomotorcom
o aumentodo IMC e melhoria nodesempenho com maior
níveldeatividadesdelazer.Essesautoresverificaramqueos
indivíduoscommenorIMCalcanc¸arammelhoresresultados
notesteKTK.Quandoavaliada a influênciadopercentual
de gordura sobre a coordenac¸ão motora, Valdivia et al.
(2008)verificaramque crianc¸as commenor percentualde
gorduraapresentarammelhorcoordenac¸ãomotora.
Nopresente estudo, é importante destacarque o
330
* p < 0,001
300
270
240
T
otal de pontos no KTK
210
Eutróficos (< 20,6) Sobrepeso-obesidade (> 20,6)
Classificação do IMC
180
150
Figura 2 Blox-plot da coordenac¸ão motora, avaliada pelo
testeKTK,emfunc¸ãodaclassificac¸ãodoíndicedemassa corpo-ral(IMC)dejovensatletasdeatletismodacategoriapré-mirim (n=24).
*Diferenc¸aestatisticamentesignificativaentreosgrupos.
nos atletas com IMC>20,6, ou seja, naqueles
considera-dos como sobrepeso ou obesidade. No grupo de atletas
consideradoseutróficos,nãohouveassociac¸ãoentreIMCe
coordenac¸ãomotora.Issosignificaque,nessegrupo
popula-cional,arelac¸ãomassacorporal/estaturapassaainfluenciar
negativamentesomenteapartirdeumdeterminadoponto,
nessecasoIMCacimade20,6.Oquesenotacomissoéque
mesmo em jovens treinados o excesso de peso influencia
diretamentenacoordenac¸ãomotora,ouseja,otreinamento
nãoécapazdeigualarascondic¸õesmotorasdejovens
sobre-pesoouobesos.Paraquesetenhaumamelhoreficiênciae
rendimento,mesmo jovensemtreinamentoprecisam
per-dergorduracorporal.Outrofatorimportantequedeveser
destacadoéobaixonúmerodeindivíduoscomexcessode
pesodentrodessegrupodoatletismo.Issonãoserestringe
aessegrupo,massiméumacaracterísticadamodalidade,
noqualcomexcec¸ãodosarremessadores,osatletastêmum
perfileutrófico.
Umapossívelvariávelquepodeinfluenciaracoordenac¸ão
motoraéamaturac¸ão,oquenãofoicorroboradopelos
resul-tadosdopresenteestudo.SegundoMalinaetal.(2004),o
desenvolvimentodamaturac¸ãoinfluenciadiretamentenas
diferentesqualidadesfísicas,comopotênciaaeróbia,forc¸a,
velocidade,resistênciaedesempenhoemtarefasmotoras,
demodoqueesseefeitonãopodeserdesprezado na
aná-lisedacoordenac¸ãomotoradejovensatletas,umavezque
crianc¸aseadolescentescommaturac¸ãoavanc¸adatendemse
sobressairemrelac¸ãoaoscommaturac¸ãoatrasada.Estudos
anteriores que avaliaram a relac¸ão entre medidas
antro-pométricase acoordenac¸ão motora(Berlezeetal.,2007;
Collet etal., 2009; Deus et al., 2010; Graf et al., 2004; Valdiviaetal.,2008)emjovensecrianc¸asnãoanalisaramo
estatutomaturacionalemqueosavaliadosseencontravam.
Nopresenteestudo,amaturac¸ãosomáticafoiavaliadapelo
MaturityOffset,distânciaemanosqueoindivíduose
encon-tradoPVC,enãofoiobservadainfluênciadesseindicador
sobreacoordenac¸ãomotora.
Deacordocomaliteratura,obaixodesempenhomotor
pode estar ligado principalmente à falta de experiência
motora (Caetano et al., 2005), à falta de instruc¸ão
ade-quadaeafatoresmotivacionais(GallahueeOzmun,2005).
No presente estudo, todos os avaliados participavam de
pelo menosseismeses detreinamentode atletismo,com
experimentac¸ão de diversas habilidades motoras básicas.
Dessa forma, a relac¸ão encontrada entre a coordenac¸ão
motoraeoIMCpareceserindependentedorepertóriomotor
adquiridooudoníveldeatividadefísicadosatletas,massim
emfunc¸ãodosprejuízosimpostospeladistribuic¸ãocorporal
apadrõesadequadosaomovimentofuncionaleesportivo.
Como limitac¸ões do presente estudo, destaca-se o
pequenotamanhoamostral.Além disso,osresultadosnão
podemserextrapoladosparaosexofeminino.Para
discrimi-narmelhoroefeitodotreinamento,deveriaserincluídoum
grupocontrole,compostodejovensnãoengajadosem
trei-namentosistematizado.Novosestudosdevemserfeitoscom
umamaioramostra,incluindoatletasdosexofeminino,para
verificararelac¸ão entreIMC edesempenho emdiferentes
provasdoatletismo.
Conclusão
Jovensatletasdeatletismocomexcessodepeso
apresen-tam menor coordenac¸ão motora doque aquelescom IMC
dentrodafaixadenormalidade.Ouseja,somenteo
treina-mentonãoésuficienteparaquejovenscomexcessodepeso
tenhamomesmodesempenhomotordejovenseutróficos,
énecessárioquepercamgorduracorporal.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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