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Rev. Bras. Anestesiol. vol.67 número2

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Academic year: 2018

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REVISTA

BRASILEIRA

DE

ANESTESIOLOGIA

PublicaçãoOficialdaSociedadeBrasileiradeAnestesiologia

www.sba.com.br

ARTIGO

DE

REVISÃO

Erros

de

medicac

¸ão

em

anestesia:

inaceitável

ou

inevitável?

Ira

Dhawan

a,∗

,

Anurag

Tewari

b

,

Sankalp

Sehgal

c

e

Ashish

Chandra

Sinha

d

aDepartmentofAnesthesiaPGIMER,Chandigarh,Índia

bCincinnatiChildren’sHospitalandMedicalCenter,Cincinnati,OH,EUA

cDrexelUniversityCollegeofMedicine,HahnemannUniversityHospital,DepartmentofAnesthesiologyandPerioperative

Medicine,Philadelphia,PA,EUA

dDrexelUniversityCollegeofMedicine,AnesthesiologyandPerioperativeMedicine,Philadelphia,PA,EUA

Recebidoem23deagostode2015;aceitoem28desetembrode2015 DisponívelnaInternetem27dedezembrode2016

PALAVRAS-CHAVE Errosmédicos; Seguranc¸a dopaciente; Erros

demedicamentos; Melhoriadaqualidade

Resumo Oserrosdemedicac¸ãosãoascausasmaiscomunsdemorbidadeemortalidadedos

pacientes.Alémdisso,esses errosaumentam osencargosfinanceirosdainstituic¸ão.Embora

oimpactovariedenenhumdanoaefeitosadversosgraves,inclusiveoóbito,éprecisoestar

atentoàordemdeprioridadesporqueoserrosdemedicac¸ãosãoevitáveis.Naatualidade,com

aspessoascienteseosprocessos médicosem evidência,frearesseproblemaéde extrema

prioridade.Oesforc¸oindividualparadiminuiroserrosdemedicac¸ãopodenãoobtersucesso

atéqueuma mudanc¸anosprotocolosesistemas existentesseja incorporada.Muitas vezes,

oserrosdemedicac¸ãoocorridosnãopodemserrevertidos.Amelhormaneirade‘‘tratar’’esses

erroséimpedi-los.Oserrosdemedicac¸ão(devido àtrocadeseringa),deoverdose(devido

amal-entendidooupreconcepc¸ãodadose,malusodebombaeerrodediluic¸ão),deviade

administrac¸ãoincorreta,desubdosagemedeomissãosãocausascomunsdeerrodemedicac¸ão

que ocorrem no período perioperatório. A omissão e erros no cálculo de medicamentos

ocorremcomumenteemUTI.Oserrosdemedicac¸ãopodemocorrernoperíodoperioperatório,

tantoduranteapreparac¸ãoeadministrac¸ãoquanto namanutenc¸ãoderegistros.Umgrande

númerodeerroshumanosedosistemapodeserresponsabilizadopelaocorrênciadeerrosde

medicac¸ão.Anecessidadedomomentoépararojogodaculpa,aceitaroserrosedesenvolver

umaculturasegurae‘‘justa’’paraevitaroserrosdemedicac¸ão.Ossistemasrecém-criados,

comooVeinrom,umsistemadeadministrac¸ãodelíquidos,éumanovaabordagemnaprevenc¸ão

deerrosdemedicac¸ãodevidoaosmedicamentosmaiscomumenteusadosemanestesia.

Desen-volvimentossemelhantes,juntamentecommédicosvigilantes,umaculturadelocaldetrabalho

seguroeapoioorganizacional,todosemconjuntopodemajudaraevitaresseserros.

©2016PublicadoporElsevierEditoraLtda.emnomedeSociedadeBrasileiradeAnestesiologia.

Este ´e um artigo Open Access sobuma licenc¸a CC BY-NC-ND(http://creativecommons.org/

licenses/by-nc-nd/4.0/).

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](I.Dhawan). http://dx.doi.org/10.1016/j.bjan.2016.12.006

(2)

KEYWORDS Medicalerrors; Patientsafety; Drugerrors;

Qualityimprovement

Medicationerrorsinanesthesia:unacceptableorunavoidable?

Abstract Medicationerrorsarethecommoncausesofpatientmorbidityandmortality.Itadds

financialburdentotheinstitutionaswell.Thoughtheimpactvariesfromnoharmtoserious

adverseeffectsincludingdeath,itneedsattentiononprioritybasissincemedicationerrors’are

preventable.Intoday’sworldwherepeopleareawareandmedicalclaimsareonthehike,itis

ofutmostprioritythatwecurbthisissue.Individualefforttodecreasemedicationerroralone

mightnotbesuccessfuluntilachangeintheexistingprotocolsandsystemisincorporated.

Often drug errorsthatoccur cannotbe reversed.The bestway to ‘treat’drug errorsis to

preventthem.Wrongmedication(duetosyringeswap),overdose(duetomisunderstandingor

preconceptionofthedose,pumpmisuseanddilutionerror),incorrectadministrationroute,

underdosingandomissionarecommoncausesofmedicationerrorthatoccurperioperatively.

Drugomissionandcalculationmistakes occurcommonlyinICU.Medicationerrorscanoccur

perioperativelyeitherduringpreparation,administrationorrecordkeeping.Numeroushuman

andsystemerrorscanbeblamedforoccurrenceofmedicationerrors.Theneedofthehouristo

stoptheblame---game,acceptmistakesanddevelopasafeand‘just’cultureinordertoprevent

medicationerrors.ThenewlydevisedsystemslikeVEINROM,afluiddeliverysystemisanovel

approach in preventingdrug errorsdue tomostcommonly usedmedications inanesthesia.

Similar developmentsalongwithvigilantdoctors,safeworkplace cultureandorganizational

supportalltogethercanhelppreventtheseerrors.

©2016PublishedbyElsevierEditoraLtda.onbehalfofSociedadeBrasileiradeAnestesiologia.

ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http://creativecommons.org/

licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc

¸ão

‘‘Erraréhumano’’

Umanestesiologistapodeinjetar atémeiomilhãode dro-gasdiferentesdurantesuatrajetóriaprofissional.Achance de cometer umerro involuntário é facilmente compreen-sível. Os pacientes anestesiados com reservas fisiológicas imprevisíveisnãoexibemouverbalizamquaisquersintomas queo pacienteacordado exibiria,como hipotensão, bron-coespasmo, arritmias ou parada cardíaca. Qualquer erro involuntário pode causar dano(s) irreversível(is). Quando ospacientesdãoseuconsentimentoparaaanestesia,eles acreditam que nossa formac¸ão é adequada, nosso jul-gamento é inabalável e a nossa competência validada. Essa é a responsabilidade pela qual devemos prestar conta.

Os erros de medicac¸ão aumentam de forma significa-tiva o custo financeiroda tragédia humana. Bates etal.1

constataramquecercadedoisemcada100pacientes inter-nadosexperimentam um eventoadverso evitávelcausado pormedicamento,oque resultaemumaumentodos cus-toshospitalaresdeUS$4.700---emmédia,porinternac¸ão, oucercadeUS$ 2,8 milhõespor anoparaumhospitalde 700leitos.Portanto,oserros médicosdeviam ser prioriza-dos como um problemade saúde públicaurgente, crítico e generalizado. Ossistemas precisam serprojetados para reduziraprobabilidadedeerrosna identificac¸ãode medi-camentosatravésdeabordagenscomoarevisãodasnormas paraarotulagemdeampolasefrascoseodesenvolvimento de mecanismoseletrônicos/digitais avanc¸ados que permi-tama‘‘duplachecagem’’ouverificac¸ãodosmedicamentos emsaladecirurgia.2

Mais pessoas morrem devido a erros médicos do que de acidentes automobilísticos, câncer de mama ou HIV, mas infelizmente essas estatísticas nunca são divulgadas de forma adequada nos meios de comunicac¸ão públicos ouem deliberac¸ões. Alguns casosterríveis relacionados à administrac¸ãode medicamentos errados chegam às man-chetesdejornais, sejaporqueenvolvemumacelebridade oudevidoàsuanaturezaincontestável.Infelizmente,esses casos são apenas a ponta do iceberg. O objetivo desta revisãoé discutir a seguranc¸a na administrac¸ão de medi-camentosapacientessobanestesia.

Incidência

Com o objetivo de estabelecer a frequência e natureza daadministrac¸ãode drogasem anestesia,Webster etal.3

conduziram um estudo com base em 7.794 respostas de anestesiologistasdedoishospitais.Osautores documenta-ram que a frequência de erros (de qualquer espécie) na administrac¸ãodemedicamentosporcasoanestésicofoide 0,0075(0,75%ouumerropor133anestésicos).Asduas mai-orescategoriasdeerrosenvolveramdosesincorretas(20%) esubstituic¸ões(20%).Elesconcluíramqueareac¸ãoadversa aomedicamento(RAM)duranteaanestesiaé consideravel-mentemaisfrequentedoqueorelatadopreviamente.

Sakaguchi et al.4 avaliaram a incidência de erros de

(3)

Tabela1 Incidênciadeerrosdemedicac¸ãoemestudosimportantes

Estudo Períododeestudo Númerodeanestésicos

administrados

Incidência

deerrode

medicac¸ão

Percentual

deerro

demedicac¸ão

Websteretal.3 Fev1998---out1999 10.806 81 0,75%

Sakaguchietal.4 1993---2007 64.285 50 0,078%

Llewellynetal.5 Jul2005---jan2006 30.412 111 0,37%

Cooperetal.6 Ag2007---fev2008 10.574 52 0,49%

Zhangetal.7 Mar2011---set2011 24.380 179 0,73%

comoprincipalcausadeerrose,curiosamente,os aneste-siologistasresponsáveisprovavelmente erammédicoscom poucaexperiência.

NaÁfricadoSul,Llewellyn etal.5 relataram uma

inci-dência de 0,37% (111 incidências por 30.412 anestésicos, ouumpor 274)e chegaramàconclusãoque nema expe-riência doanestesiologista nem a natureza emergente da cirurgia influenciaram a incidência e quase 40% do total de erros ocorreram devido a erros de identificac¸ão de ampolas de medicamentos. Nenhuma complicac¸ão impor-tanteatribuívelàreac¸ãoadversaaomedicamento-RAMfoi relatada.

Cooperetal.6relataramumataxadeerrodemedicac¸ão

duranteaanestesiade0,49%(52errospor10.574formasde casoouumcasopor203anestésicos)eodobrodoaumento dastaxasrelativas aprestadoresde servic¸osdeanestesia emtreinamentoemcomparac¸ãocomprestadorexperiente, mais comumente devido à dose errada e substituic¸ão do medicamento.

Em umestudo prospectivo demonitorac¸ão de inciden-tes feito na China, Zhang et al.7 relataram uma taxa de

errodemedicac¸ão de0,73%(179erros por16.496 anesté-sicos).Amaiorcategoriafoiomissão,dosagemincorretae substituic¸ões,oquecoletivamenterepresentoumaisde65% detodososerros.Esseserros resultaramem complicac¸ões gravesempelomenosdoispacienteseinternac¸ões impre-vistasemUTIemcincopacientes.Asincidênciasdeerrosde medicac¸ãodosestudoscitadosacimaestãocompiladas na

tabela1.

Aocombinarosresultadosdetrêsestudosprospectivos conduzidosporWebsteretal.,3Llewellynetal.5 eCooper

etal.,6 244 erros foram relatados em 51.504 anestésicos

administrados.Issonosdáumaincidênciacombinadadeum erroem211medicamentosnapráticaanestésica.8

Combaseemumnúmerolimitadodeestudos prospecti-vos,aincidênciaestimadadeerrosdemedicac¸ãonaprática anestésica varia de 0,33% a 0,73%6,7 por caso e,

infeliz-mente,essataxanãomudousubstancialmentenosúltimos 15anos.4

No The Critical Care Safety Study, uma taxa glo-bal de 80,5 erros de medicac¸ão associados a danos por 1.000pacientes-diafoirelatadaparapacientessobcuidados médicosecoronarianos.9NoestudoSEE2,ataxadeerrosde

medicac¸ãoparenteralfoide745por1.000pacientes-dia.10

EmumarevisãosistemáticaconduzidaporWilmeretal.11

paraavaliaraincidênciadeeventosrelacionadosa medica-mentosemunidadesdeterapiaintensiva(UTIs),astaxasde erros de medicac¸ão (EMs) variaram de 8,1 a 2.344 por 1.000 pacientes-dia e as das reac¸ões adversas aos

medicamentos(RAMs)de5,1-87,5por1.000pacientes-dia. Asdefinic¸õesdeRAMeEMnosestudosvariammuito,oque podetercausadoessagrandevariac¸ãonaincidência.

Perspectivahistóricadoserrosdemedicac¸ão

Medicamentosde aparênciae nomesparecidos;12,13

medi-camentoscomembalagenserótulosconfusos,incompletos ouimprecisos;13 troca de etiquetas deseringas;14,15 troca

de seringas e ampolas;4 seringas semrótulos16 e falha no

cálculodemedicamento-dose17foramrelatados.

Umafalha dosistema,que teveimplicac¸õesprofundas para aanestesia no ReinoUnido,foi o caso de Woolleye Roe,noqualdoispacientesficaramparaplégicosapósserem submetidosàraquianestesianoChesterfieldRoyalHospital, em 1947.18 Naépoca,acreditou-se queosdanoscausados

aos pacientes eram devidos a fissuras microscópicas nas ampolas dos anestésicos locais, através das quais o fenol poderiaterpenetradoduranteoprocessodeesterilizac¸ão. Naverdade,parecequeumlotedeagulhasespinhais reu-sáveisnãofoiremovidodeumbanhoácidodesincrustante e fervido em água destilada antes de ser usado porque um membro da equipe ficou doente e ausentou-se do servic¸o,19 uma falha clássica do sistema. Uma fatalidade

foi relatada quando a taxa de fluxo da bomba epidural de um paciente foi aumentada para 125mL.h---1 por um ‘‘enfermeiro de enfermaria’’ que pretendia administrar um bolus de líquidos intravenosos, mesmo com a bomba corretamenterotuladaeopacienteareceberlíquidospor via parenteral através de dispositivo com gotejamento porgravidade.20

Casos de fatalidades de grande repercussão causados por injec¸ão acidental de vincristinaintratecal resultaram emculpa,ressarcimentosecondenac¸õesparaosindivíduos envolvidos,em vez doreconhecimento dequeessas fata-lidades resultam de falhas do sistema.21 A superdose de

anticoagulantesqueresultaemhemorragia;aadministrac¸ão de antibióticos a pacientes com história preexistente de alergia a tais antibióticos; a não prescric¸ão de profila-xiacontratromboembolismovenosoeasreac¸õesadversas a medicamentos com opioide, teofilina, agentes antimi-crobianos, anticonvulsivos, anticancerígenos e relaxantes muscularessãobemconhecidas.22---26Osmedicamentosmais

comumente envolvidos em erros graves foram heparina, epinefrina, cloreto depotássio e lidocaína, a última com implicac¸ão na maioria dos casos fatais.27 A injec¸ão

(4)

temconsequênciasdevastadorasepareceterocorridocom deprimenteregularidade.28

Aadministrac¸ãodemedicamentoerradofoiotipomais comumdeerrodemedicac¸ão (48%)noperíodo periopera-tório, seguida por superdose (38%), via de administrac¸ão incorreta(8%),subdose(4%)eomissão(2%).Opioides, esti-mulantes cardíacos e vasopressores foramas causas mais comuns;42%dasadministrac¸õesdemedicamentos errados ocorreramapósatrocadeseringas.Atrocadeampolas ocor-reuem33%eaescolhaerradadomedicamentoem17%.A primeira,a segundae aterceira causamaisfrequentede superdoseenvolveramummal-entendidooupressuposic¸ão da dose (53%), uso indevido de bomba (21%) e erro de diluic¸ão(5%).4

Emunidadesdetratamentointensivooudealta depen-dência,oserros quase sempretiveramorigemna fase de administrac¸ão(44%)emumestudofeitoporLatifetal.em UTIs.29Otipodeerromaiscomumfoiaomissão(26%).Entre

oserrosprejudiciais,osdispositivosparaadministrac¸ãode medicamentos (14%) e os erros de cálculo (9,8%) foram mais comumente identificados como causa em UTI em comparac¸ãocomsetoresnãoUTI.

Consequênciasmédico-legais

Erros médicos podem ter ramificac¸ões profundas para os pacientesesuasfamílias.Tãologooerrotenhaatingidoo paciente,omédicoresponsável,opacienteeseusparentes setornamimpotentes.Oerroadicionaumcustosignificativo ao tratamento médico, aumenta a morbidade (deficiên-cia) e pode até levar à morte. Empregadores, clientes e contribuintes exigem cada vez mais que os prestado-res de assistência médica sejam mais responsabilizados, especialmenteporque oscustos dos planosdesaúde con-tinuam a subir. Várias organizac¸ões foram desenvolvidas e se dedicam exclusivamente a melhorar a seguranc¸a do paciente. Hospitais e médicos podem ter de arcar com milhões de dólares em acordos para casos denegligência médica.

Éumarealidadeassustadora---muitasvezesignoradanas estatísticasanuaisdemortalidade:oserrosmédicos evitá-veispersistemcomoo‘‘assassino’’númerotrêsnosEUA ---precedidosapenaspordoenc¸ascardíacase câncer, reivin-dicaasvidas deaproximadamente400.000pessoasacada ano.30

Entre 1995 e 2007, 93 ac¸ões judiciais (com um custo totalde£ 4.915.450)arquivadasem‘‘anestesia’’nobanco de dados NHS Litigation Authority (Decisões Judiciais de LitígiosdoServic¸o NacionaldeSaúde),quealegaramdano aopacientediretamentecausadoporerrodeadministrac¸ão demedicamentoouporreac¸ãoalérgica,foramanalisadas. Oserros alegadosforamcategorizadosmedianteousodos sistemas empregados pelo National Coordinating Council forMedicationErrorReportingandPrevention(NCCMERP) (Conselho Nacional de Coordenac¸ão para a Notificac¸ão e Prevenc¸ão de Erro de Medicac¸ão), American Society of Anesthesiologists ClosedClaimsProject (ProjetodeAc¸ões Judiciais Encerradas da Sociedade Americana de Aneste-siologistas) e UK Health and Safety Executive (Decisões Judiciaisem Saúde eSeguranc¸a noReino Unido). A gravi-dade doresultado em cada ac¸ão judicial foicategorizada

com as definic¸ões adaptadas da National Patient Safety Agency (Agência Nacional de Seguranc¸a do Paciente); 62ac¸õesenvolveramalegac¸ãodeadministrac¸ãode medica-mentoerrado(custototal:£ 4.283.677,00)e15resultaram em danos graves ou morte. Metade alegouadministrac¸ão de medicamento errado, na maioria dos casos (16) um bloqueadorneuromuscular. Dentreasac¸ões que alegaram orecebimento deumadose errada demedicamento(25), nove relataram superdose de opiáceos, inclusive por via neuraxial.Asconsequênciasadversasregistradascommais frequênciaforam‘‘paralisiadavigília’’(19reivindicac¸ões; custo total: £ 182.347,00) e depressão respiratória que exigiutratamentointensivo(13reivindicac¸ões;custototal: £ 2.752.853);31ac¸õesenvolveramreac¸õesalérgicas(custo total:£ 631.773,00). Em 20 ac¸ões,ospacientes alegaram terrecebidoummedicamentoaosquaiselessabidamente eram alérgicos (custo total: £ 130.794,00). Em todas as ac¸õesjudiciaisnasquaisfoipossívelcategorizaranatureza doerro,oerrohumanoestavaenvolvido.Menosdemetade dasac¸õesapresentoupossibilidadedeserevitávelcomum ‘‘processoidealdeduplachecagem’’.31

Definic¸ão

Muitos pesquisadores adotaram a classificac¸ão de James Reason,de1990,cujoamploespectroabrangeasindústrias tantodeaviac¸ão quantonuclear, bemcomoamedicina,32

naqualeleclassificaoserroscomo‘‘deslizes’’,‘‘lapsos’’e ‘‘erros’’.‘‘Umdeslizeresultadeumafalhanaexecuc¸ãode umaac¸ão,independentementedeoplanotrac¸adoserounão adequadoparaatingiroseuobjetivo’’.32Dizemqueos

des-lizessãoembasadosnahabilidadeequeocorremdurantea execuc¸ãodetarefasregulares,automatizadas,eemtarefas altamenteintegradasquenãoexigemumcontrole consci-enteouaresoluc¸ãodeproblemas.33Porexemplo,escrever

o‘‘ano’’ incorretamenteem umadatalogo apósa virada doanoanterioréumdeslize.21‘‘Oslapsosenvolvemafalha

dememóriaesópodemserpercebidospelapessoaqueos vivencia’’;32umexemploéesqueceraadministrac¸ãode

pro-filaxiacomantibióticosantesdainsuflac¸ão dotorniquete. Deslizese lapsosocorremquandoasac¸õesnãoacontecem deacordocomoplano;errosacontecemquandoumplano mostraserinsuficiente.Ooperadorestácientedoproblema ecomec¸aausarasregrasouconhecimentospararesolvê-lo. ‘‘Um erro pode ocorrer quando há falta de conhecimen-tosouderegras’’.32 Porexemplo, umanestesiologistafoi

condenadoporhomicídiopornãoteridentificado umtubo traquealdesconectadoduranteumlongoperíodo,atéque o paciente sofreu uma parada cardíaca e, infelizmente, faleceu.21,34

Oqueéumerrodemedicac¸ão?

(5)

prescric¸ão;acomunicac¸ãoduranteasolicitac¸ão;a rotula-gem,embalagemenomenclaturadosprodutos;composic¸ão; dispensac¸ão;administrac¸ão;conhecimento;monitoramento e uso’’. O Conselho incentiva os pesquisadores de erros de medicac¸ão, criadores de programas computacionais e instituic¸õesausaremessadefinic¸ãopadrãoparaidentificar oserros.

Classificac¸ão

Moyen et al.35 compilaram algumas definic¸ões em 2008

(tabela 2). Em 16 de julho de 1996, o NCC MERP

ado-tou um Índice de Erros de Medicac¸ão que classifica um erro de acordo com a gravidade do resultado (revisado posteriormente em 20 de fevereiro de 2001). O índice considera fatores como se o erro cometido atingiu o paciente e se o paciente foi prejudicado, em que grau (fig.1).Nós simplificamose demosumaclassificac¸ão prá-ticadoserrosdemedicac¸ãoduranteaanestesia(tabela3). Errosdemedicac¸ão podemocorrer duranteapreparac¸ão, administrac¸ãooumanutenc¸ãodosregistros.

Tabela2 Definic¸õescompiladasporMoyenetal.35em2008

Quaseerro Ocorrênciadeumerroquenãoresultou emdano.

Deslize Falhanaexecuc¸ãodeumaac¸ãodevidoà máorientac¸ãodecomportamento rotineiro.

Lapso Falhanaexecuc¸ãodeumaac¸ãodevidoao lapsodememóriaeomissãodeum comportamentorotineiro.

Erromédico Falhanaconclusãoconformeprevistode umaac¸ãoplanejadaouusodeumplano erradoparaatingirumobjetivo. Errode

medicac¸ão

Qualquererronoprocessodemedicac¸ão, existaounãoqualquerconsequência adversa.

Reac¸ãoadversa a medica-mento (RAM)

Qualquerdanorelacionadoaousodeum medicamento.Nemtodososeventos adversosassociadosamedicamentossão causadosporerromédicoouvice-versa. RAMevitável Danoquepoderiatersidoevitadoatravés

deumplanejamentorazoávelouboa execuc¸ãodeumaac¸ão.

Categoria I: Categoria A:

Categoria B:

Categoria C:

Categoria D:

Categoria E: Categoria F:

Sem erro

Erro, sem dano

Erro, dano

Erro, morte Categoria G:

Categoria H: Ocorreu um erro que exigiu intervenção necessária

para preservar a vida

Ocorreu um erro que pode ter contribuído

para ou resultar em dano temporário ao paciente e exigiu intervenção Ocorreu um erro que

pode ter contribuído para ou resultar em dano temporário

ao paciente e exigiu internação inicial

ou prolongada Ocorreu um erro que pode ter contribuído para

ou resultar em dano permanente ao paciente

Ocorreu um erro que atingiu o paciente,

mas não causou dano ao paciente

Ocorreu um erro que atingiu o paciente exigiu monitoramento para

confirmar que não resultou em dano ao

paciente e/ou exigiu intervenção para

evitar o dano Circunstâncias

ou eventos que podem causar erro

Ocorreu um erro, mas o erro não atingiu

o paciente (um “erro de omissão” atinge o paciente) Ocorreu um erro que

pode ter contribuído para ou resultou na morte do paciente

(6)

Tabela 3 Classificac¸ão prática dos erros de medicac¸ão

duranteaanestesia

Errosdurante Errosobservados

Preparac¸ãodo

medicamento

Frascos/ampolasdeaparência

semelhantedispostosjuntos

(identificac¸ãoequivocadade

ampolas)

Seringassemrótulos

Nãoverificarorótulo(inclusivedata

devalidade)antesdaadministrac¸ão

Concentrac¸ãodiferentenaseringae

rótuloincorreto.(Diluic¸ões

incorretas;especialmenterelevante

empacientespediátricos).

Administrac¸ãodo

medicamento

Quaseerros.

Identificac¸ãoerradadopaciente.

Doseinadequada(insuficienteouem

excesso),especialmenteem

pacientespediátricos.

Pessoaldiferenteparaapreparac¸ãoe

administrac¸ãodemedicamentos.

Trocadeseringa.

Viadeadministrac¸ãoerrada.

Tempodeadministrac¸ãoincorreto.

Omissão,repetic¸ãoousubstituic¸ão

demedicamento.

Registrodo

medicamento administrado

Eventoadversonãoidentificado.

Relutânciaentreosmédicosem

admitiroerro.

Nãocomunicarumerrodurantea

medicac¸ão.

Tabela4 Causasdeerrosnaadministrac¸ãode

medicamen-tosemhospitais46

Categoria Causas

Atosinseguros Deslizeselapsos Errosembasadosem regras/conhecimentos Violac¸ões

Outros Fatoresdolocal

detrabalho

Paciente

Políticaseprocedimentos

Equipamentossediadosnaenfermaria Saúdeepersonalidade

Formac¸ãoeexperiência Comunicac¸ão

Interrupc¸ãoedistrac¸ão Misturadecargadetrabalhoe habilidade

Ambientedetrabalhoemgeral Medicamentosearmazenagemdo suprimento

Culturadolocaldetrabalho Supervisãoedinâmicasocial Decisões

organizacionais

Decisõesestratégicas/altonível.

Gênese

do

erro

OSistemadeModelagemdeErroGenéricodistinguefalhas na tomada de decisões (erros) de falhas na execuc¸ão de decisões(falhasdeac¸ão).32Asfalhasdeac¸ão,muitasvezes

cometidasinconscientemente,normalmentesãodeslizesou lapsos.Thaler eSunstein apresentaram umasugestãoque colocamenosênfasenadistinc¸ãoentreasac¸õesedecisões emaisênfaseematéquepontoosprocessoscognitivos sub-jacentessãoautomáticosouconscientes.36 Nessasugestão,

oserrosembasados emregras têmmuitoem comumcom osdeslizese lapsos.Wegnersalientouqueoesforc¸o cons-cienteparaevitar oerropode, ironicamente,teroefeito oposto.37 Considerandootodo,umamensagemimportante

Tabela5 Recomendac¸õesfeitasporJensenetal.48

1 Orótulodequalquerampolaouseringade medicamentodeveserlidocomatenc¸ãoantesde prepararouinjetaromedicamento.

2 Alegibilidadeeoconteúdodosrótulosemampolase seringasdevemseraprimoradosdeacordocomas normasacordadasemrelac¸ãoaalgumasoutodasas fontes,tamanhos,coreseinformac¸õesincluídas(NB, podehaveralgumdesacordosobreosdetalhesdecomo issodeveserobtido).

3 Asseringasdevemserrotuladas(sempreouquase sempre).

4 Aorganizac¸ãoformaldasgavetasdemedicamentosedo espac¸odetrabalhodeveserusadacomatenc¸ão: ordenac¸ão;posic¸ãodasampolaseseringas;separac¸ão demedicamentossimilaresouperigosos;remoc¸ãode medicamentosperigososdecentroscirúrgicos. 5 Osrótulosdevemserespecificamenteverificadoscom

umasegundapessoaouumdispositivo(comoumleitor decódigodebarrasligadoaumcomputador)antesde ummedicamentoserpreparadoouadministrado. 6 Oserroscometidosnaadministrac¸ãodemedicamentos

porviaintravenosaduranteaanestesiadevemser relatadoseanalisados.

7 Ocontroledeestoquesdeveconcentrar-seem minimizaroriscodeerrodemedicac¸ão(p.ex.:um funcionárioresponsávelpelaseguranc¸ados

medicamentose/ouumfarmacêuticodevesernomeado paraoscentroscirúrgicosequalqueralterac¸ãona apresentac¸ãodevesernotificadacomantecedência). 8 Asembalagenseapresentac¸õessemelhantesde

medicamentoscontribuemparaoerroedevemser evitadassemprequepossível.

9 Osmedicamentosdevemserapresentadosemseringas preenchidas(quandopossível),emvezdeampolas(para medicamentosdeemergênciaouemgeral).

10Osmedicamentosdevemserpreparadoserotulados peloanestesiologistaqueiráadministrá-los.

11Umcódigodecoresporclassededrogasdeacordocom umanormanacionalouinternacionalacordadadeveser usado---daseringa,partedaseringaoudaseringaedos rótulosdasampolas.

(7)

dessecorposubstancialdepesquisaéqueosimplesfatode fazerumesforc¸omaiorparaevitarerrosprovavelmentenão resultará em sucesso isoladamente:é necessário também tornarosprocessosesistemasmaisseguros.38

Cooper etal.6 identificaram vários fatores de risco ao

analisarumincidentegraveparaidentificarerrosevitáveis. Amaioriados errostevecomo causaaexperiência inade-quada(16%)ouapoucafamiliaridade comoequipamento oudispositivo(9,3%),enquantoapressaeadesatenc¸ãoou descuidototalizaram, cada um, 5,6% dos erros durante a anestesia.39Nomundoparalelodaaviac¸ão,especificamente

nacabine depilotagem, comquestões deseguranc¸a ede erro muito semelhantes, as mesmas tendências foram refletidas.Astrêsprincipaiscausasemambososambientes foramidênticas:faltadefamiliaridadecomasituac¸ão,falta de familiaridade com os equipamentos e falha em seguir ospróprios protocolos deseguranc¸a prescritos (checagem pré-decolagemversusinspec¸ãodomecanismo).

Há muitos outros fatores em salas de cirurgias que dãoorigem a umaalta incidência de erros de medicac¸ão duranteaanestesia.Faltadepessoal,horasextrasehoras irregularesdetrabalho,desatenc¸ão,mácomunicac¸ão, des-cuido,pressaefadigasãoosfatorescomunsrelacionadosà equipemédicae paramédica.19,40---45 As causasdeerros na

administrac¸ãodemedicamentos,comoatosinseguros, cul-turadolocaldetrabalhoedecisõesorganizacionais,foram tabuladasnatabela4.46

Controlepossíveldaadministrac¸ão

demedicamentoerrado

O treinamento dos anestesiologistas comec¸a com a preparac¸ão, rotulagem e disposic¸ão dos medicamentos antes do início de um caso. Os erros podem ocorrer por várias razões: falta de experiência, pouca vigilân-cia (especialmente durante a manutenc¸ão da anestesia), rotulagem/identificac¸ão/selec¸ão imprópria ou ambiente estressante no centro cirúrgico. Os erros de medicac¸ão cometidosporanestesiologistasemcentrocirúrgicoou uni-dades de tratamento intensivo, infelizmente, podem ser fatais. Como esses erros são evitáveis e potencialmente letais,todososesforc¸osparareduziresseserrosdevemser feitosparaproporcionarumaanestesiasegura.

Muitas vezes, os erros de medicac¸ão cometidos não podem ser revertidos. A melhor maneira de ‘‘tratar’’ os errosdemedicac¸ãoépreveni-los.Maisdemetadedas pes-soaspesquisadasacreditavamqueasuspensãodosmédicos quecometeramerrosclínicoseraumaestratégiaeficazde prevenc¸ão.47váriasrecomendac¸õescombaseem

evidên-cias,dasquaisalgumassãocitadasnastabelas5---7.46,48,49

Tiras de etiquetas adesivas pré-impressas para ampo-lasefrascossãoumaopc¸ãomenosdispendiosaàsseringas preenchidas para facilitar a rotulagem correta. O nome do medicamento nos rótulos aplicados pelo usuário deve ser igualao queestá na ampolaoufrasco em questãono

Tabela6 Brevedescric¸ãodassemelhanc¸asediferenc¸asentreaISO26825:2008easrecomendac¸õesderotulagem46

ISO26825:2008(ou padrõesrelacionados)

Recomendac¸õesderotulagem

Situac¸õesclínicasnasquais osrótulosdevemserusados napráticaanestésica

Emseringascom medicamentosusados duranteaanestesia

Todososoutrosmedicamentosetodososrecipientese linhaspreparadosouadministradospor

anestesiologistas,inclusive: Infusões

Injec¸õesparausonocampoestéril

Medicac¸õesemseringasqueacompanharãoos pacientesatéoutrasáreasclínicas

Linhasecateteres Informac¸ãonecessária Pré-impressãodonome

genéricodo medicamento

Dependedotipoderótulo.Parabolsas,frascose seringasasinclusõesnosrótulossãoasseguintes:

Concentrac¸ãodoconteúdo daseringa

Nomedopaciente(prenomeesobrenome) Identificador(ID)dopaciente

Ingrediente(s)ativo(s)[medicamento(s)]adicionadoà bolsaouseringa

Quantidadedemedicamento(s)adicionado(incluindo unidades)

Volumedelíquidos(mL)---totalnabolsaouseringa Concentrac¸ão(unidades.mL−1)

Diluente(paraseringas) Dataehoradapreparac¸ão Preparadopor(assinatura) Verificadopor(assinatura)

Viadeadministrac¸ão(ondenãoespecificadaporsigla ecor)

Codificac¸ãoporcorese bordaindicativadeclasse demedicamentos

(8)

Tabela7 Recomendac¸õesdeconsensodaAPSFparamelhoraraseguranc¸adosmedicamentosemsaladecirurgia49

Padronizac¸ão Medicamentosdealertamáximo(comofenilefrinaeepinefrina)devemestar disponíveisemconcentrac¸õespadronizadas/diluentespreparadospelafarmáciade formaprontaparauso,apropriadatantoparapacientesadultosquantopediátricos. Asinfusõesdevemseradministradaspormeiodeumdispositivointeligente controladoeletronicamentecomumabibliotecademedicamentos.

Seringaseinfusõesprontasparausodevemterrótuloslegíveispadronizados totalmentecompatíveiscomamáquina.

Tecnologia Cadaambientedeanestesiadeveterummecanismoparaidentificaros

medicamentosantesdeprepará-losouadministrá-los(leitordecódigodebarras)e ummecanismoparafornecerfeedback,apoioàdecisãoedocumentac¸ão(sistema automatizadodeinformac¸ão).

Ideiasadicionais.

Farmácia/preenchido/pré--misturado

Medicamentospreparadosqueestiverememprovedorrotineirodevemser descontinuadossemprequepossível.

Farmacêuticosclínicosdevemfazerpartedaequipedesaladecirurgia/período perioperatório.

Kitsdemedicamentospré-preparadospadronizadosportipodecasodevemser usadossemprequepossível.

Cultura Estabeleceruma‘‘culturajusta’’paraanotificac¸ãodeerros(inclusivequaseerros) ediscussãodaslic¸õesaprendidas.

Estabelecerumaculturadeformac¸ão,conhecimentoeresponsabilidademediante currículoeCME.

Estabelecerumaculturadecooperac¸ãoereconhecimentodosbenefíciosdaSTPC dentroeentreinstituic¸ões,organizac¸õesprofissionaiseagênciasdeacreditac¸ão.

APSF,AnesthesiaPatientSafetyFoundation.

momentodapreparac¸ãodequalquermedicamento.Todas aslinhasecateteresdevemserrotulados.Qualquer medica-mentooulíquidoquenãopossaseridentificado(p.ex.,em seringaououtrorecipientesemrótulo)deveserconsiderado inseguroedescartado.37

Emtemposdecirurgiasrobóticasemaisavanc¸adas, che-gouomomentoparaaanestesiologiaavanc¸arnaengenharia, melhorarassimaseguranc¸anoatendimentoaopaciente.O esperadosistemadeadministrac¸ãodelíquidos,denominado Veinrom,distingueofatodequeaprincipalcausadeRAM éaadaptac¸ão domecanismodebloqueiouniversalLeura todosossistemaspredominantesdeadministrac¸ão intrave-nosa.Atualmente,todosostipos deportasdeseringas no sistemadeadministrac¸ãodelíquidospodemseracoplados aqualquerbicodeseringadevidoaodesenhocaracterístico do Leur, que predispõe assim a ocorrência de umevento adverso.OVeinrompropõeumaportadeseringaparacada uma das sete categorias mais comuns dos medicamentos usadosemanestesiaetratamentointensivo.50

Conclusão

Nemtodososerrosmédicoscausamdanos.Nenhum aneste-siologistacomete intencionalmenteumerro,masoserros são implacáveis porque podem custar uma vida humana. Em uma erana qual o conhecimento e a conscientizac¸ão dos pacientes sobre as doenc¸as e seus tratamentos têm aumentado, osmédicos precisam estar maisatentos para evitar resultados lamentáveis e consequências médico--legais.Todososesforc¸osdevemserfeitosparanotificare preveniroserrosdemedicac¸ão.

Osprotocolosdeseguranc¸aemvigorparaaadministrac¸ão demedicamentosporviaintravenosanãomudaramdurante osúltimos60anos.Acreditamosqueestánahorade incor-porar conceitos eletrônicos e digitais para incentivar a evoluc¸ão do sistema de administrac¸ão de medicamentos relacionadoàanestesia.

Chegamosàconclusãodeque‘‘errarpodeserhumano, masnaáreamédica,oerrorepetidoéinsensatoe,talvez, criminoso’’.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

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Imagem

Tabela 1 Incidência de erros de medicac¸ão em estudos importantes
Figura 1 Conselho Nacional de Coordenac¸ão para a Notificac¸ão e Prevenc¸ão de Erros de Medicac¸ão (NCC MERP, 2001).
Tabela 4 Causas de erros na administrac¸ão de medicamen- medicamen-tos em hospitais 46
Tabela 6 Breve descric¸ão das semelhanc¸as e diferenc¸as entre a ISO 26825:2008 e as recomendac¸ões de rotulagem 46 ISO 26825:2008 (ou
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Referências

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