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Rev. Bras. Hematol. Hemoter. vol.25 número1

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Academic year: 2018

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Rev. bras. hematol. hemoter. 2003;25(1):1-2 Edi tori al

Editorial

Departamen to de Clín i ca Médi ca, Faculdade de Ci ên ci as Médi cas, Un i versi dade Estadual de Campi n as. Professora Ti tular de Hematologi a.

Cor r espondênci a par a:Iren e Loran d-Metze Hemocen tro Un i camp

Cai xa Postal 6198 – CEP 13081-970 – Campi n as-SP – e-mai l:i lmetze@un i camp.br

O tr atam en to da Leucem i a Mi el ói de Aguda n o Br asi l : o que já

pr ogr edi m os e o que podem os m el h or ar

The tr eatment of Acute Myeloi d Leuk emi a i n Br azi l: how f ar have w e alr eady

advanced and w hat can w e i mpr ove?

Ir en e Lor an d-Metze

O tratamento da LMA no nosso meio tem merecido muita atenção nos últimos anos por parte dos grupos de Onco-Hematologia brasi-leiros, documentado por seis publicações re-centes,1-5 inclusive a experiência de Porto Ale-gre, constante desta edição.

Chama a atenção que a LMA do adulto no Brasil é menos prevalente que a descrita na Europa e nos USA.3,6 Como a incidência desta doença aumenta com a idade, esta menor inci-dência poderia ser explicada pela menor ex-pectativa de vida do brasileiro quando compa-rada à destas outras populações.4

Quantos casos morrem antes do diagnóstico ou antes de poderem ser encaminhados a uma unidade de referência para o tratamento? Não existem dados a respeito. De qualquer modo, a taxa dos pacientes com diagnóstico e que mor-rem antes de receber quimioterapia de indução tem diminuído.1-5

A taxa de óbito na indução varia de 9,7% a 46%.1-5 Há ainda que considerar que cerca de 10% dos pacientes morrem durante a consoli-dação. Neste p onto, tem si do debati da a toxicidade do Ara-C na dose de 3g/ m2. A dose de 2g/ m2 produz a mesma sobrevida e menor toxicidade.2 De todo modo, um grande pro-gresso tem sido obtido no tratamento da LMA do adulto após a introdução desta

consolida-ção, que passou a ser um dos passos funda-mentais no tratamento deste grupo de doenças e que tem sido realizada em todas as unidades referenciais atualmente.

A maioria dos serviços está preconizando a intensificação do tratamento após a consoli-dação para os pacientes que estão em remis-são completa através do transplante de medula alogênico para quem tem doador compatível e transplante autólogo ou quimioterapia de ma-nutenção. Esta última, embora tenha apresenta-do resultaapresenta-dos um pouco inferiores ao transplante autólogo em relação à sobrevida livre de doen-ça no MRC-AML 10,7 tem mostrado bons resul-tados no sentido de prevenir recaída em mui-tos estudos, e pode ser realizada mesmo em Serviços que não realizam o TMO.8,9 Estas me-didas poderiam prevenir a recaída em muitos pacientes, especialmente nos de bons fatores prognósticos (clínicos e citogenéticos). No pre-sente fascículo, Bittencourt et al5 referem reca-ída de muitos casos com citogenética de bom prognóstico. Isso se deve provavelmente à fal-ta do TMO na manutenção após a consolida-ção, não realizados nos pacientes do estudo em questão.

À primeira vista, os números brasileiros para taxas de remissão completa e sobrevida global são comparáveis aos da literatura

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Edi tor i al Rev. bras. hematol. hemoter. 2003;25(1):1-2

dial. Porém, dois aspectos precisam ser consi-derados. A mediana de idade dos pacientes bra-sileiros é muito menor que os da literatura mun-dial.2-6 Sabe-se que pacientes jovens têm tipos FAB e citogenéticas mais favoráveis. Soma-se a isso a alta freqüência LMA-FAB-M3, (que é de bom prognóstico) no nosso meio. Nos traba-lhos brasileiros, todos, exceto Terezina, refe-rem uma freqüência em torno de 20% para a leucemia promielocítica quando a literatura mun-dial refere uma freqüência de 5%-8%.6 Estas duas características da LMA no Brasil podem estar contribuindo para melhorar os nossos re-sultados.

Podemos assim concluir que, em nosso meio, o tratamento de LMA é realizado, de modo geral, segundo normas preconizadas internaci-onalmente. No entanto, alguns pontos relevan-tes ainda poderiam ser melhorados:

1 – diagnóstico precoce nas unidades de atenção primária e secundária de Saúde;

2 – facilidade de encaminhamento ágil para uma unidade referencial para um tratamento segundo o “estado da arte”. Estes dois pontos são responsabilidade do Sistema de Saúde e os esforços deveriam ser implementados para a consecução destes objetivos.

3 – diminuição da mortalidade relacionada ao tratamento. Neste ponto, as unidades refe-renciais estão conscientes e têm feito esforços para melhor treinamento da equipe e viabilizar o acesso a medicamentos e tratamento de su-porte. Este último ponto às vezes esbarra no cus-to dos medicamencus-tos.

4 – a necessidade de implementação de um tratamento pós-consolidação para evitar as recaídas. Neste ponto é importante o TMO, mas, se não for possível, a quimioterapia de manu-tenção, que também tem a capacidade de re-duzir as recaídas,7-9pode ser feita, em ambula-tório em uma unidade referencial.

Ref er ên ci as Bi bl i ogr áf i cas

1. Fagundes EM, Rocha VG, Azevedo WM, Clementino NCD, Quintão JS, Ferraz MHC, Viana MB. Leucemia mielóide aguda do adulto: análise retrospectiva de 99 casos. Bol Soc Bras Hematol Hemoter 1995;17:33-39.

2. Pagnano KB, Traína F, Takahashi T, Oliveira GB, Rossini MS, Lorand-Metze I, Vigorito AC, Miranda ECM, Souza CA. Conventional chemotherapy for acute myeloid leukemia: a Brazilian experience. São Paulo Medical Journal 2000;118:173-178.

3. Fagundes EM. AML in Brazil: can w e improve our treatment results? Monografias da Escola Brasileira de Hematologia 2002;9:107-116.

4. Rego MNF, Pinheiro SG, Metze K, Lorand-Metze I Acute leukemias in Piauí: comparison to features observed in other regions of Brazil. Braz J Med Biol Res (in press).

5. Bittencourt R, Fogliato L, Daudt L, et al. Leucemia mielóide aguda: perfil de duas décadas – Serviço de Hematologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Rev Bras Hematol Hemoter 2003;25(1):15-22

6. Jaffe ES, Harris NL, Stein H, Vardiman. Acute myeloid leukemias. In Tumours of haematopoietic and lymphoid tissues. IARC Press, Lyon France 2001;75-108. 7. Burnett AK, Goldstone AH, Stevens RMF, Hann IM, Gray

RG, Rees JKH, Wheatley KW. Randomised comparison of autologous bone marrow transplantation to intensive chemotherapy for acute myeloid leukemia in first remission: results of MRC-AML 10 trial. Lancet 1998; 351:700

8. Gorin NC. Autologous stem cell transplantation in acute myeloid leukemia. Blood 1998;2:1.073-1.090.

9. Büchner T, Döhner H, Ehninger G, Ganser A, Hasford J, f o r t h e Ger m an AML i n t er gr o u p . U p -f r o n t randomization and common standard arm: a proposal for comparing AML treatment strategies betw een different studies. Leuk Res 2002;26:1.073-1.075.

Recebi do: 22/01/03 Acei to: 21/02/03

Referências

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