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AULA COSMOLOGIA

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

CAMPUS UNIVERSITÁRIO DO ARAGUAIA

INSTITUTO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA

MESTRADO NACIONAL PROFISSIONAL EM ENSINO DE FÍSICA

Disciplina: Tópicos de Física – Cosmologia

Professor: Dr. Adellane Araujo Souza

Mestrando: João Bosco Rodrigues Paes

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Exercícios de sondagem

1 – Qual a origem do universo?

2 – Quando o universo se formou?

3 – O que é Big Bang? Existem evidências que ele existiu?

4 – O que é radiação cósmica de fundo?

5 – Qual a temperatura do universo? Ela sempre foi a que é hoje?

6 – Quando olhamos para o céu podemos estar olhando para o passado?

Introdução

A cosmologia é a tentativa de explicar o mundo (Universo) como um todo. A cosmologia trata de conceitos como a "quantidade", o "número", o "lugar" e o "espaço", o "movimento", o "tempo", as "qualidades", a "natureza dos corpos", as "propriedades da vida e a sua origem", etc. É, por vezes, também designada por Metafísica ou numa perspectiva mais restrita, Filosofia da Natureza.

Enquanto disciplina filosófica, procura compreender o mundo num elevado grau de abstração (o ser mundo).

A cosmologia filosófica pode ser dividida em três períodos fundamentais:

No período clássico, medieval e renascentista (de Platão a Descartes) está centrada no problema da origem e no princípio primordial da natureza ou cosmos. No período moderno (de Descartes a Einstein) está centrada na problemática da astronomia e na crítica às deduções a priori. No período contemporâneo (de Einstein aos nossos dias) centra-se na discussão das grandes questões colocadas pela física moderna e na análise lógica das asserções e conceitos científicos com implicações sobre a cosmologia. A especulação filosófica cedeu terreno à epistemologia científica.

Como um dos mais antigos empreendimentos do conhecimento humano, tenta responder a questões como: O que é o Universo? Terá tido um início? Terá um final? Como e quando começou? Porque começou? Em suma: Qual o significado da vida?

O primeiro modelo cosmológico com aceitação "generalizada" sustenta que a Terra está imóvel no centro do Universo, e em torno dela existem "esferas cristalinas" contendo os planetas e as "estrelas fixas", que estão em perfeito e eterno movimento. O modelo de Aristóteles e Ptolomeu manteve-se quase inalterado durante cerca de 2000 anos.

No século XX a cosmologia constituiu-se também como uma ciência. Trata-se de um ramo da física que estuda a geométrica do espaço e as suas leis gerais. É interessante constatar que muitos cosmólogos se entregam a especulações que se aproximam mais da metafísica do que da ciência. Sob esse ponto de vista, de facto aprendemos mais sobre o Universo nos últimos 30 anos do que em todo o resto da história da Humanidade. A cosmologia moderna, numa definição simples, é a ciência que estuda a origem e evolução do Universo, e em particular da sua estrutura em larga escala, com base em leis físicas.

Como ciência, a cosmologia é, no entanto, única por diferentes razões. A mais importante é o facto de que em cosmologia só é possível fazerem-se observações e não experiências. Além disso, é a única ciência na qual o investigador "é parte integrante" do objeto de estudo.

A cosmologia serve-se de modelos para representar a estrutura e a evolução do Universo, mas para cada questão resolvida surge uma série de novas questões que alimentam o espírito dos cosmólogos e tornam infindável a procura pela compreensão total do Universo.

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Como foi o início de tudo? O Principio Cosmológico

Cosmologia é o estudo do Universo como um todo – seu tamanho, sua geometria, sua idade, sua origem e sua evolução. Quase todas as teorias cosmológicas partem de uma hipótese simplificadora chamada Princípio Cosmológico: o Universo é homogêneo e isotrópico. A homogeneidade implica que, em larga escala, a densidade média do Universo é igual em todo o Universo. A isotropia implica que a aparência do Universo é a mesma em qualquer direção. Os dois princípios juntos implicam que o Universo é uniforme, e, portanto, não há direção especial no Universo nem lugar especial no Universo. O princípio cosmológico claramente não é válido em escalas pequenas: se analisamos uma região do espaço contendo apenas a Terra e a Lua, por exemplo, teremos dois pontos muito densos nas extremidades de um enorme espaço que, em comparação, é totalmente vazio; da mesma forma, a densidade dos planetas é muito maior do que a densidade média do sistema solar; a densidade de cada estrela é muito maior do que a densidade média de uma galáxia. Em escalas de milhões de anos-luz, encontramos os superaglomerados de galáxias e os enormes vazios entre eles, mas se vamos para escalas ainda maiores, de bilhões de anos-luz, daí vemos que a distribuição fica uniforme. Ou seja, em escalas muito grandes, o Universo parece realmente uniforme, e o princípio cosmológico é válido.

Relatividade Geral e a Cosmologia Moderna

Para estudar a evolução do Universo os cosmólogos usam a teoria da relatividade geral de Albert Einstein.

Proposta em 1916, a teoria da relatividade geral descreve a gravitação como a ação das massas nas propriedades do espaço e do tempo, que afetam o movimento dos corpos e outras propriedades físicas. Enquanto na teoria de Newton o espaço é rígido, descrito pela geometria Euclidiana, na relatividade geral o espaço-tempo é distorcido pela presença da matéria que ele contém. Um ano depois de propor a relatividade geral, Einstein publicou seu artigo histórico sobre cosmologia, Considerações Cosmológicas sobre a Teoria da Relatividade, construindo um modelo esférico do Universo.

Einstein acreditava que o Universo deveria ser estático, mas sabia que a gravidade faria o Universo se contrair. Para compensar a gravidade, Einstein introduziu em suas equações a famosa constante cosmológica, que age como uma força repulsiva que previne o colapso do Universo pela atração gravitacional.

Durante os anos 1920, O padre e cosmólogo belga Georges Lemaître (1894-1966) e, independentemente, o matemático e meteorologista russo Alexander Friedmann (1894-1966), resolveram as equações da teoria da relatividade geral incluindo as possibilidades de expansão e recolapso, e encontraram uma família de soluções que dispensa a necessidade de constante cosmológica. Em 1927 Lemaître foi o primeiro a propor que o Universo estaria em expansão, mas

Einstein só aceitou a ideia da expansão após a publicação do trabalho de Hubble, em 1929. Admitiu então que a constante cosmológica não tinha necessidade de existir, e a retirou das suas equações.

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Em 1931, Lemaître propôs seu modelo para a origem do Universo. Ele imaginou que toda a matéria estivesse concentrada no que ele chamou de átomo primordial e que este átomo teria se partido em incontáveis pedaços, cada um se fragmentando cada vez mais, até formar os átomos presentes no Universo, numa enorme fissão nuclear. Embora seu modelo tenha se mostrado incorreto, ele inspirou os modelos modernos.

Mesmo depois da descoberta da expansão do Universo, muitos pesquisadores continuaram a acreditar na Teoria do Estado Estacionário, que se baseava no chamado "Princípio Cosmológico Perfeito", segundo o qual o Universo é homogêneo, isotrópico e imutável. Essa hipótese não negava a expansão do Universo, mas sim propunha uma produção contínua de matéria para contrabalançar a expansão observada, mantendo a densidade média constante. Esta teoria foi proposta por Herman Bondi, Thomas Gold e Fred Hoyle, em 1948. A teoria do estado estacionário perdeu quase todos seus adeptos quando foi descoberta da radiação cósmica de fundo (RCF), que ela não sabia explicar. Veremos o que é a RCF mais adiante.

A Evolução do Universo no Modelo do Big Bang

A teoria do Big Bang - que descreve os primeiros momentos do Universo -, presume que o Universo iniciou a partir de um estado extremamente quente e extremamente denso, em que toda a matéria e toda a radiação estavam contidas num espaço infinitamente pequeno. A rápida expansão que então iniciou lembra muito uma explosão, mas na verdade não é uma explosão que ocorre em um ponto do espaço, e sim a geração de espaço em todos os pontos, que se expandem com o tempo.

A história do Universo começa aos 10-43 segundos após o Big Bang, o instante chamado tempo de Planck. Os instantes anteriores ao tempo de Planck são chamados era de Planck. De acordo com as leis da mecânica quântica, na era de Planck deveria haver uma grande flutuação de energia de ponto a ponto no Universo, por ele ser tão pequeno; de acordo com a relatividade geral, devido à equivalência entre matéria e energia, grandes flutuações de energia devem ter gerado campos gravitacionais rapidamente variáveis, gerando bolhas no espaço-tempo. Ainda não existe uma teoria física capaz de descrever o que estava acontecendo nesses instantes, mas acredita-se que as quatro forças da natureza estavam unificadas em uma só.

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A teoria da inflação, que veremos depois, propõe que a separação da força nuclear forte liberou uma grande quantidade de energia que fez o Universo sofrer uma expansão dramática (a inflação): em meros 10-36 segundos, o Universo teria aumentado do tamanho de um núcleo atômico para o tamanho do sistema solar.

O Universo continuou a se expandir e a esfriar (de uma forma mais comedida do que durante a inflação) e aos 10-10 segundos a temperatura tinha baixado para 1015K, baixa o suficiente para a força fraca se separar da força eletromagnética. A partir desse instante, o Universo ficou governado pelas quatro forças que conhecemos. Nessa época, o Universo era cheio de intensa radiação, como tinha sido desde a era de Planck. A colisão de fótons produzia espontaneamente pares de partículas e antipartículas que imediatamente se aniquilavam se convertendo em energia novamente, como está representado na figura abaixo.

À esquerda dois fótons se aniquilam produzindo partículas e antipartículas, logo a seguir, à direita, as partículas e antipartículas se

aniquilam e se convertem em fótons novamente. Fonte: Portal São Francisco:

http://francisco-scientiaestpotentia.blogspot.com.br/2011/09/acendam-se-futuras-lanternas-ii.html

As partículas produzidas eram elétrons, pósitrons, neutrinos, e quarks - as partículas que formam prótons, nêutrons e suas antipartículas. (Os quarks são em número total de seis: up, down, charm, strange, top e bottom. O próton é formado por dois quarks up e um quark down, enquanto o nêutron é formado por dois quarks down e um quark up.)

Quando a temperatura atingiu cerca de 1014K, ao tempo de vida do Universo de 10-7 segundos, os quarks deixaram de existir como partículas isoladas e se combinaram em dois (e três) para formar os prótons e nêutrons (e suas antipartículas). A colisão de fótons então produzia prótons e nêutrons, que em seguida se aniquilavam com suas antipartículas. Essa época é chamada era hadrônica, ou era das partículas pesadas (hádrons: prótons e nêutrons).

Se houvesse uma perfeita simetria entre matéria e antimatéria todos os pares seriam aniquilados e não sobraria matéria no Universo. Mas, a simetria não era perfeita, houve um pequeno excesso de uma parte em um bilhão de matéria sobre antimatéria. Devemos nossa existência a essa assimetria.

Vamos ver o que ocorreu em alguns intervalos de tempo sucessivos ao da criação do tempo.

 Entre Zero (Big Bang) e 10-43 s.

Neste diminuto, porém importante período pouca coisa conhecemos, pois as leis da física, como as conhecemos, não valiam. Neste instante 10-43 s, a temperatura do universo é cerca de 1023 K e

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 Entre 10-43

s e 10-35 s.

Durante este período, as forças forte, fraca e eletromagnética atuam como uma única força descrita pela Teoria da Grande Unificação.A gravitação atua separadamente, como nos dias de hoje.

 Entre 10-35

s e 10-10 s.

A força forte se "congela" deixando a força eletrofraca continuar a atuar, como força unificada.  Entre 10-10

s e 10-5 s.

Todas as quatro forças aparecem separadamente, como nos dias de hoje. O universo é constituído por uma "sopa" quente de quarks, léptons e fótons.

 Entre 10-5

s e 3 min.

Os quarks se unem para formar mésons e bárions. A matéria e a antimatéria se aniquilam, desaparecendo a antimatéria e deixando um ligeiro excesso de matéria com a qual se forma o nosso presente universo.

 Entre 3 min e 105

anos.

Os prótons e nêutrons se juntam para formar os nuclídeos leves, como o 4He, o 3He, o 2H e o 7Li, com as abundâncias que encontramos hoje. O universo é constituído por um plasma de núcleos e elétrons.

 Entre 105

anos e hoje.

 Formação de átomos de hidrogênio.

 A luz que foi emitida durante a formação desses átomos é a radiação de fundo em microondas que foi detectada por Penzias e Wilson em 1965.

 A radiação libertada pelos átomos durante esses tempos antigos nos dá uma imagem de como era o universo quando tinha cerca de 105 anos de idade.

Durante centenas de anos, o Universo consistiu de um plasma com núcleos de hidrogênio, núcleos de hélio e elétrons livres. O grande número de elétrons livres mantinha os fótons colidindo continuamente com eles, deixando o Universo opaco.

Depois de 380.000 anos, a temperatura já se reduzira a meros 3.000 K, a metade da temperatura da superfície do Sol. Os núcleos de hidrogênio e de hélio capturaram os elétrons, formando átomos neutros estáveis.

Com os elétrons agora presos aos átomos, os fótons deixaram se sofrer os sucessivos espalhamentos e o Universo se tornou transparente, os fótons podendo viajar livremente no espaço. Essa radiação de 3.000 K, expandindo-se com o Universo, é o que detectamos como radiação de fundo do Universo (RCF).

À medida que o Universo continuou a expandir e a esfriar, a matéria lentamente se condensou formando nuvens protogalácticas onde começaram a se formar estrelas. As primeiras galáxias se formaram quando o Universo tinha em torno de 1 bilhão de anos. Gerações consecutivas de formação estelar nas galáxias formaram os elementos mais pesados do que o hélio e os incorporaram nas novas estrelas formadas, algumas das quais com sistemas planetários. Em pelo menos uma dessas estrelas - O Sol - a vida se desenvolveu.

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Evidências Observacionais do Big Bang

Para ser uma teoria científica, a teoria do Big Bang deve fazer predições que possam ser verificadas através de observações ou experimentos. Na aula anterior já tínhamos visto duas evidências a favor de que o Big Bang realmente aconteceu: A expansão do Universo e a escuridão da noite . Uma outra evidência é a abundância observada de hélio no Universo: na seção anterior vimos que a teoria do Big Bang prediz que a nucleossíntese primordial formou hidrogênio, deutério hélio e um pouco de lítio. A abundância de hélio que se observa no Universo (que atualmente tem basicamente 25% de hélio e 75% de hidrogênio) condiz com o que a teoria prediz, pois ultrapassa em 90% a quantidade de hélio formado no interior das estrelas. Isso indica que grande parte do hélio deve ter se formado no início, antes da formação de galáxias e estrelas. Mas a principal descoberta que deu aceitação definitiva à teoria do Big Bang foi a descoberta, em 1965, da radiação cósmica de fundo.

O enigma da Escuridão da Noite como Evidência do Big Bang

O Big Bang terá realmente acontecido? O universo não poderia ser estático, imutável e infinito? Johannes Kepler (1571-1630) foi, talvez, a primeira pessoa a perceber que um universo assim não poderia ser escuro à noite, mas o problema ficou conhecido como Paradoxo de Olbers, por ter sido mais divulgado pelo médico e astrônomo Heinrich Olbers, em 1826, e se refere ao fato de que em um Universo estático, infinito no espaço e no tempo, veríamos o céu tão brilhante quanto à superfície de uma estrela. A escuridão do céu noturno é uma prova de que o Universo teve uma origem.

A radiação Cósmica de Fundo

Os rádio-astrônomos Arno Allan Penzias (1933-) e Robert Woodrow Wilson (1936-), dos Bell Laboratories, nos Estados Unidos, estavam trabalhando na calibração de uma antena de micro-ondas que seria usada para comunicação por satélites, e perceberam que todas as medidas apresentavam um ruído cuja fonte eles não conseguiam descobrir qual era; por mais que tentassem corrigir o ruído, ele permanecia, independentemente da direção para onde apontassem a antena, como se fosse uma emissão que viesse de todos os pontos do Universo.

Ao mesmo tempo, na Universidade de Princeton, um grupo de físicos - Robert Henry Dicke (1916-1997), Philip James Edward Peebles ), Peter G. Roll, e David T. Wilkinson (1935-2002), estavam construíndo uma antena para procurar pela radiação que deveria permear o Universo como relíquia do Big Bang - a radiação que teria sido emitida quando o Universo se tornou transparente. Eles calculavam que, pela expansão do Universo, essa radiação, que tinha

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3.000 K quando foi emitida deveria ter atualmente uma temperatura de poucos kelvins, e deveria ser detectável em micro-ondas.

A existência dessa radiação com a temperatura atual de 5 K, já havia sido predita em 1948 por Ralph Asher Alpher e Robert Herman, associados de George Gamow. Penzias e Wilson souberam do trabalho do grupo de Dicke e acabaram por perceber que o que eles supunham que fosse um ruído era na verdade a radiação remanescente do estado quente em que o Universo se encontrava em seu início. Em 1978 eles receberam o Prêmio Nobel pela descoberta da radiação cósmica de fundo.

Em 18 de novembro de 1989, a NASA lançou um satélite chamado Cosmic Background Explorer (COBE), operando na faixa de micro-ondas, para analisar detalhadamente a radiação do fundo do Universo. Como planetas, estrelas, galáxias e nuvens de gás emitem muito pouco micro-ondas, o satélite podia enxergar diretamente a luz que o Universo emitiu quando passou de opaco para transparente, na chamada época da recombinação, cerca de 380 mil anos depois do Big Bang. Os dados obtidos pelo COBE, ajustam perfeitamente aos resultados de um corpo negro com temperatura de 2,74 K.

Universo em Expansão

A Lei de Hubble proporciona uma evidência de que o universo está em expansão. Por quê? Para entender melhor, vamos usar uma analogia com um bolo de passas que vai ao forno. O modelo do bolo de passas.

Imaginemos um bolo recheado de passas. Antes de ir ao fogo o bolo tem um tamanho menor e as distâncias entre as passas são menores. Após ir ao forno o bolo dobra de tamanho e as distâncias entre as passas também dobram.

Vamos analisar como variam as distâncias das passas em relação a uma passa de referência durante o aumento do bolo. Consideremos uma passa qualquer como sendo a passa de referência, e outras três passas, que vamos chamar de A, B, e C. Vamos ainda supor que, no instante inicial (ti =0) essas passas estejam às seguintes distâncias da passa de referência: • passa A: di = 1 cm • passa B: di = 3 cm • passa C: di = 4 cm

Após 1 hora (tf = 1h), o bolo dobra de tamanho, e as distâncias entre as passas serão: • passa A: df = 2 cm • passa B: df = 6 cm • passa C: df = 8 cm

Portanto, do “ponto de vista” da passa de referência, as passas A, B e C, se afastaram com velocidades v = (df – di) /( tf – ti), que resultam em:

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Se nesse momento fizermos um gráfico da velocidade de afastamento das outras passas em função de suas distâncias, veremos que as velocidades são diretamente proporcionais à distância.

Ou seja, o modelo nos mostra, numa expansão, que a variação da velocidade de afastamento é proporcional à distância. Logo, se vemos as galáxias se afastando de nós com velocidades proporcionais à sua distância, a explicação mais simples para isso é que o Universo está em expansão.

É importante notar que, no nosso modelo, a passa de referência pode ser qualquer uma; todas as passas “vêm” as outras se afastando com velocidades proporcionais às suas distâncias. Da mesma forma, o afastamento das galáxias que observamos é percebido da mesma maneira de quaisquer outras galáxias. Nós não estamos em uma posição privilegiada. O Universo não tem uma posição privilegiada, não tem um centro, e não tem bordas. Qualquer observador em qualquer posição no Universo observa o mesmo efeito da expansão.

Outra coisa que podemos notar no bolo de passas, é que, durante seu crescimento, as passas não se movem dentro do bolo, o meio entre elas que aumenta de tamanho. Da mesma maneira, o afastamento das galáxias não se deve ao um movimento delas próprias, mas sim se deve à expansão do espaço entre elas. A expansão do Universo é uma expansão do próprio espaço, que carrega junto às galáxias.

O redshift (desvio para o vermelho) das galáxias é causado pela expansão.

A expansão do espaço não afeta o tamanho dos objetos que estão nele: galáxias, estrelas, planetas, etc, mantêm o seu tamanho inalterado, porque a gravidade que os mantém é muito mais forte do que a expansão. No entanto, a expansão afeta a luz que viaja imensas distâncias através do espaço. Quando uma onda de luz viaja no espaço, a expansão estica a onda aumentando seu comprimento de onda e causando, assim, o redshift observado. Esse redshift não é, realmente, causado por Efeito Doppler, pois o efeito Doppler, por definição, aparece quando existe movimento relativo entre fonte e observador, e as galáxias não estão, na realidade, se movendo umas em relação às outras. O redshift causado pela expansão do universo é mais propriamente chamado de redshift cosmológico.

Energia Escura

Até o final do século passado os astrônomos pensavam que a expansão do Universo devia estar ocorrendo de forma desacelerada, devido à força gravitacional da matéria que o constitui.

Em 1998, dois times de astrônomos estudando supernovas em galáxias distantes, observaram que essas galáxias estão se movendo mais lentamente do que seria esperado para uma expansão constante, o que indica que a taxa de expansão está se acelerando! Quanto mais o tempo passa, mais rápido as galáxias se afastam umas da outras!

Isso levou os cientistas a pensarem que o Universo pode estar dominado por uma componente com efeito de repulsão que atua no sentido contrário ao da gravidade, uma espécie de antigravidade que causa a aceleração da expansão.

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O nome genérico dado para a componente do Universo que causa a expansão acelerada, incluindo constante cosmológica, é "energia escura". [A energia escura não deve ser confundida com matéria escura. A matéria escura, da mesma forma que a matéria normal (formada de prótons, nêutrons e elétrons), possui gravidade, exercendo força de atração sobre a matéria. Ela é chamada escura porque não emite radiação eletromagnética e, portanto, não pode ser detectada em nenhuma faixa do espectro eletromagnético. Já a energia escura provoca repulsão sobre a matéria.]

As galáxias

Por volta do século XVIII vários astrônomos já haviam observado, entre as estrelas, a presença de corpos extensos e difusos, aos quais denominaram "nebulosas". Hoje sabemos que diferentes tipos de objetos estavam agrupados sob esse termo, a maioria pertencendo à nossa própria Galáxia: nuvens de gás iluminadas por estrelas dentro delas, cascas de gás ejetadas por estrelas em estágio final de evolução estelar, aglomerados de estrelas. Mas algumas nebulosas - as nebulosas espirais - eram galáxias individuais, como a nossa Via Láctea.

A existência de outras galáxias ficou desconhecida até 1923, quando Hubble, usando o telescópio de 2,5 m de Mt Wilson, mediu a distância de estrelas cefeidas na nebulosa de

Andrômeda comprovando que Andrômeda está fora dos limites da Via Láctea. Classificação morfológica de galáxias:

As espirais são todas as galáxias que têm duas componentes morfológicas: • disco composto de estrelas, gás e poeira, onde encontra-se a estrutura espiral; • esferoide de estrelas, com pouco gás e pouca poeira: núcleo, bojo e halo.

As espirais são classificadas de acordo com o tamanho do bojo e do grau de enrolamento dos braços espirais.

Nas espirais ordinárias(S) os braços espirais partem do núcleo e são classificadas em: Sa, Sb e Sc.

Nas espirais barradas (SB) os braços espirais partem de uma barra formada de estrelas e são classificadas em: SBa, SBb e SBc.

As elípticas (E) só tem a componente esferoidal, mostrando pouca estrutura interna. Apresentam forma elíptica, não apresentam disco, braços espirais, nem gás nem poeira. Classificam-se de acordo com o achatamento aparente da elipse.

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A idade do Universo

Se o Universo está expandindo, então ele era menor no passado. Se pudéssemos voltar atrás no tempo, veríamos as galáxias cada vez mais próximas umas das outras à medida que fossemos retrocedendo no tempo, e podemos imaginar que chegaríamos a um instante em que tudo o que compõe nosso Universo hoje estaria reunido em um ponto infinitamente denso e infinitamente quente, que começou a expandir.

Nós chamamos de Big Bang ao evento inicial que deu origem ao Universo, iniciando sua expansão. Esse nome foi proposto em 1950 por Fred Hoyle, que era adepto do modelo estacionário para o universo, e pretendia com esse nome desmoralizar o modelo evolucionário. No entanto, o nome pegou, e atualmente é o nome usado tanto popular quanto tecnicamente para designar as teorias que tratam da origem e evolução do Universo.

Se o Universo teve um início, podemos calcular sua idade. Supondo que a velocidade da expansão foi constante desde o Big Bang até hoje, podemos estimar a idade do Universo, calculando o tempo que as galáxias distantes, movendo-se à mesma velocidade de hoje, levaram para chegar onde estão, o que nos dá uma idade estimada de 13,7 bilhões de anos.

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O Universo Observável

A idade do Universo limita a distância que podemos ver. Como a luz tem uma velocidade finita, o que significa que ela leva um tempo para ir de um lugar a outro, vemos tudo no passado, e quanto maior a distância a que olhamos, mais remoto o passado que vemos. Se olharmos uma galáxia que está a 10 milhões de anos-luz de distância, nós a vemos como era há 10 milhões de anos. Se observamos um aglomerado de galáxias distante 1 bilhão de anos-luz, nós o vemos como era 1 bilhão de anos atrás.

A velocidade da luz, aliada à idade finita do Universo, limita a porção do Universo que podemos ver, pois nós não podemos ver mais longe do que a distância que a luz pode percorrer no tempo igual à idade do universo. Se o Universo tem 13,7 bilhões de anos de idade, então a luz de galáxias mais distantes do que 13,7 bilhões de anos-luz não teve tempo de nos alcançar. Nós podemos dizer que o Universo observável se estende por um raio de 13,7 bilhões de anos-luz da Terra.

Questões de fixação

Após a leitura e compreensão dos assuntos tratados

nessa aula responda as questões de fixação a seguir, discuta suas respostas com seus colegas.

1. O que é o princípio cosmológico?

2. O que é o Big Bang? Que evidências observacionais suportam essa teoria? 3. Que elementos químicos foram formados no início do universo?

4. O que é a radiação cósmica de fundo? Qual a temperatura a que ela corresponde? 5. Como se sabe que o Universo está expandindo?

6. Se todas as galáxias estão se afastando de nós, significa que estamos no centro do Universo? 7. Se o Universo está em expansão, isso significa que o tamanho da Via Láctea está aumentando? Fonte de pesquisa http://lief.if.ufrgs.br/pub/cref/n30_Muller/aula3/aula3c.pdf http://www.if.ufrgs.br/~fatima/fis2010/Aula26-132.pdf http://www.if.ufrgs.br/~fatima/fis2010/Aula27-132.pdf http://www.if.ufrgs.br/~fatima/fis2010/Aula23-132.pdf

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