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Rev Bras Med Esporte vol.17 número5

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Academic year: 2018

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370 Rev Bras Med Esporte – Vol. 17, No 5 – Set/Out, 2011

PREZADO EDITOR CHEFE DA RBME

O artigo intitulado: “Dismorfia muscular e o uso de suplementos ergogênicos em desportistas” (vol. 16, nº 6 – nov/dez, 2010), apresenta resultados importantes quanto a relação entre a presença do “risco de dismorfia muscular” e o de uso produtos ergo-gênicos. Entretanto, cabe discutir alguns aspectos metodológicos.

A identificação do portador da dismorfia muscular se faz através da observação do comportamento em basicamente três aspectos: exercícios de fortalecimento muscular, hábitos alimentares ou dieta e relacionamento social(1). No que tange a prática

de exercício de fortalecimento muscular, as sessões de treinamento desses indivíduos costumam ser longas, sendo a perda de uma sessão motivo de grande ansiedade ou tristeza. Na dieta, a preocupação excessiva com a quantidade de gordura e calorias ingeridas, assim como o uso frequente de substâncias ergogênicas e esteroides-anabólicos, são suas características principais. Socialmente, o indivíduo mostra-se com dificuldades em relacionamento com outras pessoas, pois prefere manter sua dieta a ir a algum tipo de compromisso social.

Neste sentido, o instrumento utilizado MASS (Muscle Appearance Satisfaction Scale), ao contemplar minuciosamente toda a sintomatologia, configura-se como uma escala diagnóstica da dismorfia muscular(2) e não como um instrumento para identificar

“risco de dismorfia muscular”, como sugeriram as autoras. Entretanto, a não realização de estudos adicionais que investigassem aspectos importantes da escala como sensibilidade e especificidade minimizam o poder do MASS como instrumento diagnóstico. Sendo assim, uma forma de otimizar o uso do MASS seria a utilização das somas fracionadas, estratégia utilizada em investigação anterior(3), pelas cinco dimensões do MASS: satisfação com a autoimagem, dependência ao exercício, checagem, uso de substâncias

ergogênicas e danos físicos. Desta forma, seria possível investigar se o uso de produtos ergogênicos estaria relacionado com outros aspectos da sintomatologia da dismorfia muscular. É importante ressaltar que o uso de produtos ergogênicos faz parte da sintoma-tologia da doença e, por conseguinte, está contemplado no MASS, de modo que os indivíduos usuários de produtos ergogênicos teriam chance aumentada para chegarem ao ponto de corte e serem classificados como em “risco de dismorfia muscular”, o que, de certa forma, pode ter comprometido a comparabilidade entre os dois grupos (com risco e sem risco de dismorfia muscular).

Em relação ao uso de produtos ergogênicos, cabe fazer uma ressalva. O número restrito de participantes, devido à resistência dos indivíduos em participarem do estudo por terem receio de declarar o uso de substâncias ergogênicas relatado pelas autoras, além de diminuir o poder estatístico, pode ter subestimado a prevalência da dismorfia muscular na população alvo. A fim de evitar esse entrave, uma alternativa metodológica é trabalhar com a suspeita diagnóstica através de índices antropométricas propostos por Oliveira e Araújo(4) e/ou com monitoramento de comportamentos de risco nas sessões de treinamento.

Em suma, o presente texto tem o intuito de contribuir com o debate metodológico acerca das investigações sobre a dismorfia muscular, sugerindo estratégias de investigação mais robustas.

Dismorfia Muscular e Uso de Produtos Ergogênicos:

Aspectos Metodológicos

Muscle Dysmorphia and Use of Ergogenic Products: Methodological Aspects

Carta ao Editor

Aldair José de Oliveira

Departamento de Epidemiologia do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Correspondência:

Rua São Francisco Xavier, 524, Pavilhão João Lyra Filho, 7º andar / blocos D e E, e 6º andar / bloco E, Maracanã – 20550-900 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil. E-mail: [email protected]

REFERÊNCIAS

1. Pope HGJ, Gruber AJ, Choi P, Olivardia R, Phillips KA. Muscle Dysmorphia. An Underrrecognized Form of Body Dysmorphic Disorder. Psychosomatics 1997;38:548-56.

2. Mayville SB, Williamson DA, White MA, Netemeyer RG, Drab DL. Development of the Muscle Appearance Satisfac-tion Scale: A self – Report measure of the assessment of muscle dysmorphya symptons. Assesm 2002;9:351-60.

3. Sardinha AO, Oliveira AJ, Araújo CG. Dismorfia muscular: análise comparativa entre um critério antropométrico e um instrumento psicológico. Rev Bras Med Esporte 2008;14:387-92.

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