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Braz. j. . vol.80 número1

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Academic year: 2018

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Braz J Otorhinolaryngol. 2014;80(1):2

© 2014 Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados. www.bjorl.org.br

Brazilian Journal of

OTOrhinOLAryngOLOgy

Editorial

Só há uma área no país em que a área pública investe menos do que a iniciativa privada: a saúde. Estamos bem distantes, ainda, de um investimento de 9% a 10% do Produto interno Bruto (PiB) em saúde, como ocorre em países como Canadá e reino Unido.

Faço esse preâmbulo para abordar um tema espinhoso

para nossa categoria proissional: o programa Mais Médicos,

que liberou a atuação de colegas estrangeiros no Brasil, sem a obrigatoriedade de prestarem e serem aprovados no exa-me revalida. E que, para piorar o quadro, retirou dos

conse-lhos médicos o direito de conceder registro proissional aos médicos estrangeiros.

É, portanto, um artifício nocivo, não somente aos mé -dicos, tratados como vilões da saúde pública nacional, mas

também aos pacientes, pois os proissionais que aderiram ao Mais Médicos são, em grande parte, cubanos, sub-remunera -dos e que desconhecem o idioma local e muitas das práticas da medicina moderna.

Os médicos brasileiros não aceitam trabalhar em loca -lidades distantes porque elas carecem de infraestrutura

básica, às vezes até de exames laboratoriais básicos. Em

centenas de cidades, não há hospitais, tomógrafos, ultras-sons nem simples aparelhos de raio-X. ou seja, teríamos de trabalhar nessas localidades como pilotos de avião sem instrumentos, em voos cegos.

Na maior parte do Brasil, a propósito, também não há

saneamento básico, coleta e armazenamento adequados de

lixo, nem água tratada, conquistas civilizatórias fundamen-tais à saúde.

Além disso, nunca foi criada uma carreira pública para os médicos, como ocorre em outras áreas, antiga aspiração

da categoria, que de fato poderia mudar o quadro de

carên-cia de proissionais em localidades distantes.

lamentavelmente, em vez de encarar o problema de fren-te, planejar, investir e transformar esta triste realidade, o

go-verno optou por criminalizar os médicos. É mais fácil, eviden -temente, transferir responsabilidades do que assumi-las.

Não podemos aceitar, então, que coloquem este peso em nossos ombros.

Para fazer valer sua versão falseada da realidade, como em um jogo de espelhos distorcidos, o governo federal

apos-ta na divisão entre os médicos, preceito este muito antigo,

dividir para reinar. temos, portanto, de nos unir para defen-der nossa reputação. E lutar para que todos os brasileiros tenham acesso ao que de melhor existe na saúde mundial.

Não se faz medicina sem médicos, não se faz medicina acusando médicos, não se faz atenção básica à saúde sem

investimento.

José Eduardo Lutaif Dolci

Professor Titular e Diretor do Curso de Medicina da Santa Casa de São Paulo E-mail: [email protected] (J.E.L. Dolci).

doi se refere ao artigo: 10.5935/1808-8694.20140002

Como citar este artigo: dolci JE. House of mirrors. Braz J otorhinolaryngol. 2014;80:1.

House of mirrors

Referências

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