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(2) UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO FACULDADE DE COMUNICAÇÃO Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social ALINE FARIAS MARTINS OLIVEIRA PORTO. FACES E INTERFACES DAS MÚLTIPLAS TELAS: a comunicação nas plataformas audiovisuais digitais. Dissertação apresentada em cumprimento parcial às exigências do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social, da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), para obtenção do grau de Mestre. Orientador: Prof. Dr. Sebastião Carlos de Morais Squirra.. São Bernardo do Campo-SP, 2013.
(3) FICHA CATALOGRÁFICA P838f. Porto, Aline Farias Martins Oliveira Faces e interfaces das múltiplas telas: a comunicação nas plataformas audiovisuais digitais / Aline Farias Martins Oliveira Porto. 2013. 117 f. Dissertação (mestrado em Comunicação Social) --Faculdade de Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2013. Orientação : Sebastião Carlos de Morais Squirra. 1. Comunicação audiovisual 2. Tecnologia digital 3. Telas audiovisuais I. Título. CDD 302.2.
(4) FOLHA DE APROVAÇÃO A dissertação de mestrado sob o título ―Faces e Interfaces das Múltiplas Telas: a comunicação nas plataformas audiovisuais digitais‖, elaborada por Aline Farias Martins Oliveira Porto foi apresentada e aprovada em 8 de maio de 2013, perante banca examinadora composta por Prof. Dr. Sebastião Carlos de Morais Squirra (Presidente/UMESP), Prof. Dr. Fábio Botelho Josgrilberg (Titular/UMESP) e Profa.Dra. Rachel Zuanon Dias (Titular/UAM).. __________________________________________ Prof. Dr. Sebastião Carlos de Morais Squirra Orientador/a e Presidente da Banca Examinadora. __________________________________________ Prof/a. Dr/a. Laan Mendes de Barros Coordenador/a do Programa de Pós-Graduação. Programa: Pós-Graduação em Comunicação Social Área de Concentração: Processos Comunicacionais Linha de Pesquisa: Inovações Tecnológicas na Comunicação Contemporânea.
(5) Ao meu amado marido, minha mãe, exemplo de toda a vida, e minhas irmãs, que, desde sempre, me apoiaram, encorajaram e intercederam para que eu chegasse até este fim..
(6) “Dizem que a menor distância entre dois pontos, é uma linha reta. Mas o que acontece se o caminho for bloqueado? Quando um obstáculo impede o correr do rio, ele redireciona… Em zigue-zague ao invés de seguir um curso reto. O que para nós parece um desvio, é para a água o melhor caminho da nascente ao deságue”. Touch (2012)..
(7) AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus por ter me conduzido para junto Dele nos momentos em que mais precisei de ―colo‖ e por ter sido Pai, Pão e Sopro de Vida diário. A Ele toda honra, glória e louvores. A Nossa Senhora, mãe intercessora e sempre presente, eu também sou grata. À minha mãe Rita, que abdicou de sua juventude pelas filhas e que, como extraordinária mãe que é, não considerou isso sacrifício algum. Agradeço pelo maior exemplo de coragem, perseverança e luta diária que já presenciei. Também sou grata pela educação e pelas conversas via skype que sempre animavam minhas noites. Amo a senhora, mãe maravilhosa. Às minhas lindas irmãs Lilia e Lara, agradeço pelo entusiasmo frequente, pela confiança em mim, pelo amor e carinho depositados nos pequenos e grandes gestos. ―Mimãs‖, obrigada pelas lágrimas quando eu chegava e pelos abraços das partidas, graças a Deus sempre breves. Ao meu amado marido, o que mais precisou me suportar nessa fase de dissertação. Obrigada pelo companheirismo, pelas noites mal dormidas ao meu lado, por se esforçar para suprir as minhas carências e sempre buscar me proporcionar ambientes agradáveis e seguros de estudo e descanso. Sei que você estará de mãos dadas comigo pelo resto da vida e sempre serei grata por isso. Agradeço também aos meus sogros, especialmente à D. Auxiliadora, que souberam educar tão bem os seus filhos e me presentearam com dois novos irmãos (Filipe e Daniel) e com o homem da minha vida. Ao meu pai Rodrigo, que, em todas as ligações realizadas durante os dois anos de mestrado nunca deixou de responder à pergunta ―Tudo bem por aí?‖ com um carinhoso ―Melhor agora, que estou escutando sua voz‖. Renê, meu irmão, Regina, (vó) Bebel e vô Vicente (em memória), eu também tenho muito a agradecer por todos os sorrisos largos e calorosos, todo o afeto que sempre reservaram pra mim. Aos familiares e amigos mais próximos, também devo muita gratidão. Obrigada por sempre estarem disponíveis quando precisava ―bater um papo‖ para relaxar e pelas tantas vezes que não se importaram de terem sido deixados falando sozinhos em uma janela esquecida do Facebook. Vocês também fazem parte dessa corrente positiva. Aqui destaco: tias Vilani e Solange Martins, pelo amor quase materno. Tios Francisco e Márcia, pela casa sempre à disposição. Primas Ianara, Camila e Ingrid Martins, pelo apoio irrestrito. Alana Muhammad, pelos conselhos oportunos. Cecília Morais, Camilla Viégas, Belise Bezerra, Renata Murta e Bernardo Dracon, pela amizade fiel e partilha de amor fraterno. Isabela Costa, Victor Feitosa.
(8) e Mateus Moreno, pelas conversas descontraídas e auxílios inesperados. E Marcella Facó, pelos instantes e sentimentos ―pós-graduandos‖ compartilhados online. Durante o mestrado, vários amigos se tornaram mais do que queridos e devo muitos agradecimentos a eles por compartilhar comigo esse momento ímpar: Suelen Aguiar, Meg Salles, Carol Giarrante, Fernando Moreira, Rosa Maria, Katarine Miguel, Vânia Braz, Tancy Mavignier, Fábio Palamedi e outros. Nunca vou esquecer como inteligentíssimos pesquisadores também podem ser pessoas tão sensíveis e disponíveis. Ao Professor Dr. Sebastião Squirra, eu devo inúmeros agradecimentos. Obrigada por ter mais fé em mim do que eu mesma, por nunca ter duvidado da minha capacidade. Aprendi muito sobre tecnologias com você, mas são os seus firmes princípios éticos, valores humanos e até mesmo espirituais, que vou carregar para sempre como a melhor orientação que poderia ter recebido. Agradeço a todos os professores do PósCom da Metodista, pelo conhecimento e discernimento transmitidos, com destaque para os docentes Prof. Dr. Fábio Josgrilberg, que em disciplina ministrada no curso incentivou e colaborou enormemente para que a análise de dados estatísticos fosse inserida na pesquisa; Profa. Dra. Cicilia Peruzzo, que dedicou não apenas em sala de aula, mas também em momentos extraclasse um bom tempo para me auxiliar no aprimoramento do projeto de pesquisa, assim como também recomendou importantes leituras complementares; e Prof. Dr. Laan Mendes de Barros, que apresentou textos essenciais para a compreensão das correntes teóricas que funcionaram como ponto de partida para o embasamento científico desta dissertação. Sou grata ainda aos funcionários desta instituição, sempre dispostos a encontrar soluções para qualquer dificuldade. Ao anjo do Programa, Kátia Bizan, eu agradeço pela simpatia, eficiência e pequenos milagres de todos os encontros. O apoio do CNPq também foi de grande importância para a manutenção do meu mestrado e consequente desenvolvimento da minha pesquisa. E, por isso, sou grata. A dissertação foi um desafio não apenas intelectual, mas também emocional e até físico. Agradeço, portanto, a todos que me apoiaram nessa empreitada, que torceram por mim e, principalmente, que acreditaram na minha capacidade. Muito obrigada!.
(9) LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Relação entre geração de computadores e geração de interfaces de usuários ........ 71 Tabela 2 – Geração de computadores atuais X Interface de usuários do século XXI .............. 73 Tabela 3 – Comparativo entre Samsung Galaxy Tab 2 7‖ (Tablet) e Samsung Galaxy S3 (Smartphone) ............................................................................................................................ 76.
(10) LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 – Wii, da Nintendo ..................................................................................................... 68 Figura 2 - Interface por voz ...................................................................................................... 68 Figura 3 – Modelo de um sistema de televisão digital interativa ............................................. 80 Figura 4 - Arquitetura da TV Digital ........................................................................................ 81 Figura 5 – Formas de utilização padronizada das múltiplas telas ............................................ 98 Figura 6 - Padrão de Coerência ................................................................................................ 99 Figura 7 – Padrão de Sincronização ....................................................................................... 100 Figura 8 – Padrão de compartilhamento de telas .................................................................... 101 Figura 9 – Padrão de troca de dispositivos ............................................................................. 101 Figura 10 – Padrão de Complementaridade ........................................................................... 102 Figura 11 – Padrão de Simultaneidade ................................................................................... 103.
(11) LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 – Proporção de consumidores – total e por país – que assistem a vídeos pela internet. ..................................................................................................................................... 37 Gráfico 2 – Porcentagem de alcance em um período de 5 semanas ......................................... 88 Gráfico 3 - Porcentagem de alcance em um período de 5 semanas ......................................... 89 Gráfico 4 – Multi-Screen por rede/ grupo de rede .................................................................... 90 Gráfico 5 – Índice de minutos gastos assistindo à TV ............................................................. 91 Gráfico 6 – Índice de minutos gastos com TV por redes/grupos de rede ................................. 92 Gráfico 7 – Estudo de caso: como os minutos são utilizados por plataformas de uma grande rede/ grupo de rede ................................................................................................................... 93 Gráfico 8 – Distribuição do tráfego de diários de dispositivos na categoria jornal sobre um dia da semana. ................................................................................................................................ 94 Gráfico 9 – Porcentagem de alcance – Média calculada sobre as 10 redes/ grupos de rede em um período de estudo de 5 semanas ......................................................................................... 95.
(12) SUMÁRIO INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 15 CAPÍTULO I – PROCESSOS DE CONSTRUÇÃO DA DISSERTAÇÃO E REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................................................................. 19 1.1.. Processos de construção da dissertação ........................................................................ 19. 1.2.. Referencial teórico ........................................................................................................ 21. CAPÍTULO II: PROCESSOS DA COMUNICAÇÃO AUDIOVISUAL DIGITAL .............. 30 1.1.. Brevíssimo resgate histórico/tecnológico da comunicação audiovisual digital ........... 30. 1.2.. O Brasil e a mídia audiovisual digital ........................................................................... 33. 1.3.. Teorias da Recepção e Cibercultura aplicadas ao estudo da comunicação em múltiplas. plataformas audiovisuais digitais.............................................................................................. 35 1.3.1 Poéticas e Estéticas da Recepção .................................................................................. 36 1.3.2 Cibercultura .................................................................................................................. 43 1.4.. Profusão de telas audiovisuais digitais ......................................................................... 48. 1.4.1 A plena convergência digital das múltiplas telas .......................................................... 48 1.4.2 Mídias amigáveis, sedutoras e plenamente conectadas ................................................ 51 1.4.3 Interatividade audiovisual ............................................................................................. 52 1.4.4 Dispositivos móveis e ubíquos ..................................................................................... 54 CAPÍTULO III - COMUNICAÇÃO HOMEM-MÁQUINA ................................................... 57 1.1.. O Homem e as tecnologias: uma antiga relação ........................................................... 57. 1.2.. Do analógico ao digital ................................................................................................. 62. 1.3.. Comunicação Homem-Máquina ou Interface Humano-Computador (IHC) ................ 63. 1.4.. Diálogo entre homens e máquinas audiovisuais digitais .............................................. 75. CAPÍTULO IV: COMUNICAÇÃO, FACES E INTERFACES DAS MÚLTIPLAS TELAS 83 1.1.. Novo processo comunicacional .................................................................................... 83. 1.2.. Novas faces e padrões ................................................................................................... 95. 1.3.. Mundo Multiscreen ..................................................................................................... 103.
(13) CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 105 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 110.
(14) RESUMO A sociedade é digital e vivencia as benesses, desafios e paradigmas dessa era. As mudanças estão aceleradas e o tempo de adaptação a elas mais curto a cada dia. As relações comunicativas do homem com as máquinas estão se alterando de maneira profunda, com destaque para a multiplicação de telas audiovisuais que permeiam a vida das pessoas, as quais hoje são assessoradas por meio de inúmeros Assistentes Digitais Pessoais (PDAs) e outros displays ubíquos que convergem de forma radical entre si. A profusão tecnológica e apropriação sensorial dos instrumentos contemporâneos são exemplos tangíveis disso. Com tal cenário em primeiro plano, nossa pesquisa propõe contextualizar, descrever e analisar as novas faces e interfaces da comunicação que se materializam nas atuais plataformas audiovisuais digitais, cada vez mais móveis, conectadas e velozes. Dessa forma, empreendese uma pesquisa exploratória que se valerá prioritariamente de levantamento bibliográfico específico e análise de dados estatísticos. A pesquisa indicou que as múltiplas telas, de fato, estão modificando a dinâmica dos processos comunicativos, os quais precisam ser recompreendidos.. PALAVRAS-CHAVE: Comunicação audiovisual; Tecnologias Digitais; Telas..
(15) RESUMEN La sociedad es digital y vive las bendiciones, retos y paradigmas de esa época. Los cambios están acelerados y el tiempo para adaptarse a ellos más corto todos los días. Las relaciones comunicativas entre el hombre y las máquinas están cambiando de manera profunda, sobre todo la proliferación de pantallas audiovisuales que impregnan la vida de las personas, que hoy en día están asesoradas por numerosos asistentes personales digitales (PDAs) y otras pantallas omnipresentes que radicalmente convergen entre sí. La profusión tecnológica y la apropiación sensorial de esos instrumentos contemporáneos son ejemplos tangibles de esa realidad. Con tal escenario en el primer plano, nuestra investigación sugiere contextualizar, analizar y describir las nuevas caras e interfaces de la comunicación que se materializan en las actuales plataformas audiovisuales digitales, que son cada vez más móviles, conectadas e rápidas. Por lo tanto, objetivase llevar a cabo una pesquisa exploratoria que va a utilizar prioritariamente análisis de material bibliográfico específico y de datos estadísticos. El estudio indicó que las pantallas múltiples, de hecho, están cambiando la dinámica de los procesos de comunicación, que deben ser comprendidos nuevamente.. PALABRAS CLAVE: Comunicación audiovisual; Tecnología digital; Telas..
(16) ABSTRACT Society is digital and lives benefits, challenges and paradigms of this age. Changes are blistering and the time of adaptation to them is shorter each day. Human communication relations with machines are modifying in a deep way, mainly audiovisual screens multiplication that spread through people‘s life, that are assisted by uncountable Personal Digital Assistants (PDAs) and other ubiquitous displays that converge in a radical way. Technological profusion and sensorial appropriation of contemporaneous instruments are tangible examples of that. With this scenario in a first plan, our research proposes contextualize, describe and analyze new faces and interfaces of communication that materialize in current digital audiovisual platforms, more and more mobile, connected and faster. That way, it undertakes an exploratory study that would mainly worth by specific bibliographic survey and statistical data analysis. The research indicated that the multiple screens, in fact, are changing the dynamics of communication processes, which need to be understood again.. KEYWORDS: Audiovisual communication; Digital Technologies; Screens..
(17) 15. INTRODUÇÃO “De forma alguma creio que isto seja uma panaceia para enfrentar o futuro que já nos ultrapassa e nos escapa por todos os lados” Jorge González (2012, p. 17). Vivencia-se um momento histórico em que as tecnologias digitais são realidade plena em todos os segmentos da sociedade. Da educação à economia, política, entretenimento, etc.. Os variados setores da sociedade tentam adequar-se às velozes transformações ocasionadas pelas mais modernas tecnologias. É em torno desse cenário, onde se difundem e proliferam as mídias digitais, que transformam os diversos setores sociais, meios de transporte e veículos de comunicação, que a presente pesquisa se insere e mergulha. Como segue complementando González: Presenciamos e vivemos o advento das tecnologias digitais com os computadores e a rede de Internet (MAASS; GONZÁLEZ, 2005) que, todavia, apesar de sua distribuição e acesso desigual, como aconteceu também com todas as ―velhas‖ tecnologias, contribuíram para remodelar as maneiras de documentar as informações, assim como estabelecer novíssimas formas de narrar e gerar imagens. Tais transformações e readequações constantes trouxeram, igualmente, uma série de ajustes e tensões na forma de ver o mundo e a vida nas sociedades. Essas mudanças mostraram, com o tempo, o núcleo dos seus processos de permanência (algumas coisas se mantiveram idênticas), de transformação (algumas coisas se modificaram) e de aparição de inovações (algumas coisas completamente novas surgiram), que tem sido tradicionalmente o objeto de estudo da cultura, ou seja, a organização do mundo a partir do ponto de vista da criação, distribuição e recriação de representações (2012, p. 14).. É categoricamente em torno daquilo que se modificou (núcleo de transformação) e, sobretudo, do que surgiu de completamente novo (núcleo de inovação) em termos de comunicação audiovisual digital que, seguindo a tendência imperativa dos estudos contemporâneos, a presente pesquisa se insere (González, 2012). Por meio da observação científica de tais mudanças e processos criativos, em geral, acredita-se dispor de uma maneira eficiente de recompreensão dos novos cenários que se configuram. Em tal contexto, as inúmeras tecnologias digitais que permeiam a atual sociedade tiveram modificadas suas formas de elaboração, propagação e representação - das imagens e sons. Desse modo, para se adequar a esse momento, as mídias audiovisuais, em geral, começam a fertilizar novas formas de narrativa em um número cada vez maior de plataformas. Cada dia mais é possível observar essas irrevogáveis mutações, as quais trazem benefícios, mas também novos desafios e paradigmas, adicionando cenários originais que.
(18) 16. precisam. ser. contextualizados,. analisados. e,. consequentemente,. reenquadrados. e. recompreendidos. Isto, no limite da velocidade que as rápidas transformações impõem. De acordo com González (2012, p. 33), essa dinâmica de desenvolvimento e propagação tecnológica na sociedade atual sempre se manifestou de um jeito bastante característico, ―como um vetor, quer dizer, como uma força com direção. É uma força com magnitude, porque com ela fazem-se coisas, tecem-se significados e fazem-se produzir coisas para outros‖. Para Squirra, Tal situação fez com que, em seus domínios, cientistas começassem a perceber que o que poderia ser chamado de ―a internet das coisas‖ está modificando expressivamente as práticas sociais de inserção humana para o acesso ao conhecimento, lazer e inclusão social. E, principalmente, na consolidação de novas maneiras de relacionamento e intercâmbio emocionais (2011, p. 72).. Assim, no recorte temático das tecnologias comunicativas, se formula o foco prático deste estudo, pois se sabe que é em torno dessas questões, possivelmente, que vem se contornando alguns dos maiores desafios para aqueles que se dedicam a estudar as tecnologias comunicativas da atualidade. Lidar com os temas mais emergentes da modernidade comunicativa também é, ao que parece, falar sobre matérias pouco conhecidas, de bibliografias relativamente escassas1, com territórios imprecisamente demarcados e, acima de tudo, sobre objetos transitórios, efêmeros. Se há poucos anos ainda parecia de extrema relevância discutir, por exemplo, a chegada do MP3 Player2 como nova mídia e as alterações na indústria da música provocadas por tal dispositivo, hoje esse tema soa como uma recordação dispensável, superada. Esse também é o risco de se dedicar às demais mídias digitais, pois ainda que não pareçam, elas, certamente, já estão sendo superadas por outras mais modernas, eficientes e sedutoras. Daí o esforço de voltar à atenção para os avanços mais recentes dos instrumentos midiáticos, sem, contudo, cair nos dissabores da futurologia, nem deixar de compreender como se configurou anteriormente o panorama observado. Afinal, as novas tecnologias, assim como as demais alterações sociais e culturais, vão surgindo de forma encadeada, e em sequencialidade instigante. Aponta-se este aspecto, pois se sabe que cada nova ferramenta tecnológica existe 1. Essa escassez é relativa, pois, como será possível observar no decorrer do texto, existem muitos estudos sobre tecnologias em geral. A compreensão da mídia tecnológica TV, por exemplo, foi foco de muitos estudiosos por longos anos. Com relação à questão específica da comunicação em múltiplas outras telas, é escasso o material existente e, em maior parte, vem de fontes internacionais. Isto e outras questões sobre a bibliografia utilizada será esclarecido no Capítulo 1. 2 A sigla MP3 vem de MPEG Audio Layer-3. O MP3 player é um dispositivo eletrônico, normalmente compacto e portátil, que armazena e reproduz arquivos de áudio do tipo mp3 e outros documentos compatíveis. Os arquivos podem ser compartilhados de computadores para esses dispositivos e vice-versa por meio de conectores USB..
(19) 17. em decorrência de uma ou de várias que a antecederam e se configura como estrutura para as muitas das que estão por vir. Explica-se, então, a importância de voltar o olhar para a crescente profusão de plataformas audiovisuais digitais da comunicação contemporânea. Se, antes, falar em sincronia de áudio com vídeo era o mesmo que falar de cinema/TV, hoje já não é tão fácil assim determinar a plataforma a que se faz referência. Se alguém fala que está assistindo a um vídeo, essa informação não é mais suficiente para definir por meio de qual mídia tal ação se concretiza. É possível que esse vídeo esteja sendo assistido nas variadas e convergentes mídias audiovisuais existentes. E elas são tantas e tão diversas que se acredita ser válido dizer que são infindáveis, posto não ser mais possível enumerá-las de forma definitiva. A cada dia, uma plataforma já existente se ramifica em outras formas novas e sempre convergentes às anteriores. Surgem, dessa maneira, incessantemente novas mídias. Voltando ao exemplo de assistir a um vídeo, é possível que ele esteja sendo visto por meio de outras telas, que não o aparelho de televisão tradicional. A título de ilustração, citam-se algumas mídias: a tela do cinema, o visor do celular/smartphones, notebooks, tablets3, aparelhos de geolocalização (GPS), projetores de imagens em geral, etc. Até mesmo a palma da mão (ou imagem projetada na retina) ou qualquer outra parte do corpo pode vir a funcionar como uma dessas telas, como espaço de materialização desse processo. Isso certamente altera a forma de comunicação audiovisual, e é exatamente a abrangência desse território que incentiva o presente estudo. Todas as telas presentes na vida cotidiana, que existem graças aos avanços tecnológicos que se presencia, provocam o surgimento de novos hábitos pessoais e sociais, uma vez que a digitalização plena dos meios de comunicação também modifica a forma de lidar com as diversas mídias audiovisuais. Com todas elas, as quais, a propósito, convergem de forma tão radical e atracada que chegam a se fundir, como demonstraremos no decorrer do dos capítulos desta dissertação. Desse modo, esta pesquisa buscou compreender em que contexto e como se caracteriza o novo processo comunicacional que vem se materializando nas múltiplas plataformas audiovisuais digitais. Elenca-se como objetivo maior desta pesquisa, portanto, estudar dada dinâmica marcada pela inserção de novas faces e interfaces4 comunicacionais que se delineiam nas diversas plataformas, as quais aqui serão identificadas como múltiplas 3. As tecnologias que recebem nomes estrangeiros, embora conhecidas nacionalmente por tais nomes, sem traduções, serão citadas e terão suas funções explicadas sempre que se perceba necessário no decorrer da dissertação. 4 Os termos ―face‖ e interface‖ serão justificados e explicados no decorrer do texto..
(20) 18. telas/displays5. De forma geral, então, objetivou-se compreender em que medida e como se dá a comunicação que se manifesta por meio da profusão dessas plataformas que combinam áudio e vídeo em sincronia, espaço onde os elementos da comunicação contemporânea têm se materializado. Para entender as questões que envolvem a relação entre as pessoas e as tecnologias audiovisuais digitais, foi realizado um aprofundado levantamento bibliográfico, o qual permitiu a construção de um breve resgate histórico-tecnológico, como forma de situar o tema no tempo e espaço. Também embasamos teoricamente as questões colocadas em pauta. Por meio do resgate e estudo minucioso das referências utilizadas, foi possível caracterizar cenários, descrever as situações mais relevantes encontradas e, por fim, analisar alguns dados documentais sobre os múltiplos displays. Nesse meio, discutimos ainda as novas relações comunicativas homem-máquina que se manifestam. Por fim, as possíveis tendências e novas interrogações que surgiram no desenvolvimento da pesquisa foram descritas.. 5. O termo inglês display, que pode ser traduzido como mostrador ou exibidor. E foi utilizado em todo o texto como sinônimo de tela. Esta opção será justificada durante os capítulos..
(21) 19. CAPÍTULO. I. –. PROCESSOS. DE. CONSTRUÇÃO. DA. DISSERTAÇÃO E REFERENCIAL TEÓRICO “Somos o que lemos. Tanto em nossa vida profissional quanto pessoal, somos julgados pela informação que utilizamos. A informação que ingerimos molda nossa personalidade, contribui para as ideias que formulamos e dá cor à nossa visão de mundo”. Richard Saul Wurman (1991).. 1.1. Processos de construção da dissertação A presente pesquisa caracteriza-se por ser, antes de tudo, exploratória, uma vez que busca proporcionar maior familiaridade com o tema ao qual se propõe dedicar. De acordo com Gil (1987, p. 44), ―as pesquisas exploratórias têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, com vistas na formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores‖. Para Augusto N. S. Triviños (1990, p. 109), a pesquisa de tipo exploratória desencadeará, a seguir, ―uma pesquisa descritiva ou de tipo experimental‖. A primeira opção mostrou-se a mais transitável para o presente estudo, o qual almejou, como segue propondo Triviños (1990, p. 110), ―descrever ‗com exatidão‘ os fatos e fenômenos de determinada realidade‖. Ainda de acordo com Triviños (1990, p. 109), ―pode ocorrer também que o investigador, baseado numa teoria, precise elaborar um instrumento, uma escala de opinião, por exemplo, que cogita num estudo descritivo que está planejando‖. E esta descrição com a utilização de certa escala de opinião, mas sempre alavancada pelas pesquisas já consagradas, fez-se necessária, já que o estudo descritivo também foi elaborado na presente dissertação. Assim, Nesse percurso de descobertas, as perguntas permitem explorar um assunto ou aprofundá-lo, descrever processos e fluxos, compreender o passado, analisar, discutir e fazer prospectivas. Possibilitam ainda identificar problemas, microinterações, padrões e detalhes, obter juízos de valor e interpretações, caracterizar a riqueza de um tema e explicar fenômenos de abrangência limitada (DUARTE, 2005, p. 63).. Para que todos esses passos previamente planejados fossem cumpridos, uma base de conhecimento foi sendo constituída. No intuito de conceituar terminologias, estabelecer relações entre o passado e o presente, compreender e descrever o cenário atual da comunicação audiovisual digital, uma significativa lista de estudiosos foi levantada e, do.
(22) 20. trabalho destes, foi sendo extraído tudo aquilo que se considerou aderente ao tema estudado. Esses autores tiveram suas obras acessadas tanto por meio de livros como também em arquivos digitais de variadas extensões. Além disso, para tornar atual e mais objetiva esta dissertação, percebeu-se a necessidade de realizar um reforçado levantamento de dados estatísticos recentes, especificamente dos últimos cinco anos e destacadamente dos anos de 2011 e 2012. Sempre buscando alinhamento com o tema pesquisado, esses dados estatísticos foram, muitas vezes, de fontes estrangeiras, mas também foram levados em consideração os números apontados por pesquisas nacionais, embora estes estejam disponíveis em quantidade bastante inferior. Dessa forma, tanto a revisão de literatura como a pesquisa documental foram instrumentos essenciais para a produção deste material. Com relação à pesquisa bibliográfica específica, os dados encontrados foram relativamente escassos. Isso possivelmente se deve ao fato de o tema escolhido para estudo constituir uma realidade recente, como indica Squirra ao afirmar que: Olhando pelo ângulo da Comunicação é possível afirmar que a produção científica – e bibliográfica – ainda é surpreendentemente escassa tendo em vista uma compreensão mais aguçada das tecnologias digitais utilizadas nas trocas informativas dos dias atuais (2011, p. 74).. Estudos contundentes e completos que observavam a utilização de múltiplas telas, assunto correspondente ao interesse especifico da pesquisa, foram, contudo, localizados e, dentre eles, destacam-se as já mencionadas pesquisas realizadas no exterior. Coube a nós comparar e analisar esses dados na tentativa de descrever ao máximo a realidade que se propôs pesquisar, bem como de destrinchar o maior número de questões. Nesse ponto conseguimos perceber as vantagens e contrapartidas da pesquisa bibliográfica realizada, sendo elas as seguintes: A principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente. Esta vantagem se torna particularmente importante quando o problema de pesquisa requer dados muito dispersos pelo espaço. [...] Estas vantagens da pesquisa bibliográfica têm, no entanto, uma contrapartida que pode comprometer em muito a qualidade da pesquisa. Muitas vezes as fontes secundárias apresentam dados coletados ou processados de forma equivocada (TRIVIÑOS: 1990, p. 50).. O estudo aqui empreendido se valeu de tais vantagens, especialmente devido a uma série de dados pouco estruturados que foram encontrados no percurso. Mas também nos expusemos aos riscos apontados por Triviños (1990, p. 51) de nos depararmos com dados coletados de forma incoerente ou incorreta. E foi este mesmo estudioso quem nos trouxe uma.
(23) 21. possível chave para solucionar tal impasse: ―convém aos pesquisadores assegurarem-se das condições em que os dados foram obtidos, analisar em profundidade cada informação para descobrir possíveis incoerências ou contradições e utilizar fontes diversas, cotejando-as cuidadosamente‖. Como anteriormente mencionado, foi encontrada uma quantidade menos significativa de referencial específico nacional, quando comparado a de referenciais estrangeiros aos quais tivemos acesso. Daí a necessidade de tomar como apoio a análise de dados estatísticos (por meio da pesquisa documental), os quais se caracterizam por serem ―documentos de segunda mão‖, uma vez que ―de alguma forma já foram analisados‖ (TRIVIÑOS, 1990, p. 51). Tratam-se, portanto, de documentos ―tais como relatórios de pesquisa, relatórios de empresas, tabelas estatísticas etc.‖ (TRIVIÑOS,1990, p. 51). As tabelas e gráficos estatísticos foram a principal ferramenta de apoio à pesquisa nesse sentido e elas foram selecionadas seguindo três critérios básicos: a) Pesquisas realizadas nos últimos cinco anos; b) Fontes com respaldo nacional e/ou internacional; c) Dados não apenas relevantes à pesquisa, mas também apontados de forma bem estruturada, evitando possíveis ambiguidades na interpretação; Mesmo com o mencionado levantamento e análise de dados estatísticos, apoio imprescindível da argumentação, a pesquisa se assinalou por ser prioritariamente qualitativa, posto que lidou com interpretações, desenvolveu textos mais descritivos e contextualizou a forma como a realidade se processa. De acordo com Cobin e Strauss (2008, p. 24), a pesquisa qualitativa ―tem o objetivo de descobrir conceitos e relações nos dados brutos e de organizar esses conceitos e relações em um esquema explanatório teórico‖. Além disso, para Goldenberg, Os dados qualitativos consistem em descrições detalhadas de situações com o objetivo de compreender os indivíduos em seus próprios termos. Estes dados não são padronizáveis como os dados quantitativos, obrigando o pesquisador a ter flexibilidade e criatividade no momento de coletá-los e analisá-los (2004, p. 53).. Acreditamos que tal criatividade e flexibilidade deveriam estar presentes em todos os momentos da pesquisa, sem, contudo, perder de vista a responsabilidade acadêmico-científica, que começa com a base de conhecimento levantada, ou seja, a partir do referencial teórico que será descrito a seguir.. 1.2. Referencial teórico.
(24) 22. O maior desafio do estudo foi, certamente, resgatar uma pesquisa bibliográfica específica, principalmente com referências nacionais. Justamente por isso, foi realizado um amplo levantamento bibliográfico que permitiu compreender o entorno e a essência do fenômeno estudado de maneira mais detalhada, o que possibilitou uma narrativa prioritariamente descritiva. Além disso, correntes teóricas como a da Recepção, juntamente aos seus respectivos estudiosos, serviram de embasamento inicial para o estabelecimento de alguns parâmetros, compreensão de alguns temas, análise e confronto de dados/ideias. Livros, periódicos e artigos científicos que tratam da nova realidade comunicacional permeada por múltiplas telas que fazem parte da vida ―tecno-cotidiana‖ foram, portanto, habitualmente consultados e inseridos, quando pertinentes, no corpo do texto. Como lembram Booth, Colomb e Willams (2008, p. 94), ―mesmo quando parece que se está trabalhando sozinho, você segue os passos de outras pessoas, beneficiando-se de seus trabalhos, seus princípios e sua prática‖. Assim, valendo-se da compreensão de como foi construída esta dissertação, apontaremos, a partir de agora, a base de conhecimento levantada para a construção da mesma. Para compreender vocabulários específicos, assim como para justificar a utilização de alguns termos em detrimento de outros, vez por outra se lançou mão da consulta de dicionários da língua portuguesa. Valendo-se da maior agilidade e similar qualidade proporcionada pelos dicionários disponíveis online, foram utilizados com mais frequência o Priberam1 e o Michaelis2. O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2011), em formato impresso, também foi consultado. Nestes casos, a opção pelo dicionário normalmente era feita de acordo com o que possuísse o significado mais completo ou apontasse um sinônimo que correspondia melhor ao que nos propúnhamos explicar. Dicionários mais específicos, como é o caso do Dicionário de Filosofia3, também foram empregados para a explicação de termos particulares à área. O livro Uma história Social da mídia (2006), de Asa Briggs4 e Peter Burk5, que traça a história da comunicação desde a criação da prensa gráfica à Internet, foi nosso ponto de. 1 2 3. Disponível em: < http://www.priberam.pt/>. Disponível em: < http://michaelis.uol.com.br/>.. Disponível em: <http://books.google.com.br/books?id=Sh8bHlea2YIC&pg=PA500&lpg=PA500&dq=homo+faber+dicionario& source=bl&ots=pOJWetOyW4&sig=iG1ZbjDkRdKZqKjxTwy5DF2m8v0&hl=pt&sa=X&ei=W88HUYb4FYTk 9AS_gIG4CA&ved=0CDUQ6AEwAg#v=onepage&q=homo%20faber%20&f=false>. 4 ―Asa Briggs foi diretor do Worcester College, da Universidade de Oxford, e atualmente ocupa a reitoria da Universidade Aberta Britânica. É autor de diversos livros sobre radiodifusão e recebeu o Prêmio Wolfson de História em 2000‖ (BRIGGS; BURKE, 2004)..
(25) 23. partida para a compreensão sobre as mudanças pelas quais passaram os meios de comunicação nos últimos séculos, assim como para o entendimento dos contextos sociais em que se deram tais transformações. Sebastião Squirra6, com alguns textos publicados, materiais manuscritos e mesmo informações orais, foi o estudioso a qual esta pesquisa recorreu com maior constância. Por possuir textos bastante atuais sobre as questões que envolvem os processos tecnológicos e a comunicação, e também por ter orientado formalmente esta dissertação, a linha de pensamento de Squirra está presente direta e indiretamente em todo o decorrer deste material. Dentre os textos publicados por Squirra, são referências de destaque para este material os seguintes: Jornalismo Online (1988), Engenharia das Comunicações (2011), bem como o artigo científico Tecnologias audiovisuais, displays, pixels e convergência digital. 7. (2012),. escrito em parceria com a autora desta dissertação e que discorre especificamente sobre as alterações na comunicação entre homens e máquinas proporcionadas pelo surgimento das múltiplas telas que hoje estão ao alcance de todos. Ethevaldo Siqueira8, jornalista e estudioso das inovações tecnológicas que modificam o cenário da comunicação, contribuiu com levantamentos recentes publicados em O Estado de S. Paulo. Os textos principais de Siqueira que foram incorporados a esta pesquisa foram: Dez mudança em 5 anos (13 de fevereiro de 2011) e Com chips mais poderosos, tudo agora se conecta (9 de janeiro de 2011). Outros textos de origem jornalística também foram inseridos nesta pesquisa. É o caso de matéria sem título publicada na Folha de S. Paulo pela jornalista Maria Ercília (1995), que contempla questões como o futuro das ―velhas‖ mídias com a chegada das mais modernas, bem como outros textos disponibilizados no jornal Folha de S. Paulo. Ao empreender estudo sobre tecnologias audiovisuais, o exemplo da TV enquanto mídia tradicional deste tipo foi constantemente utilizado, já que a quantidade de pesquisas sobre esse meio de comunicação mostrou-se significativamente mais ampla que os estudos 5. ―Peter Burke é professor de história da cultura na Universidade de Cambridge e membro do Emmanuel College, da mesma universidade. Escreveu, entre outros, A Fabricação do rei (1994), Uma história social do conhecimento (2003) e O que é História Cultural (2005) (BRIGGS; BURKE, 2004). 6 ―Sebastião Carlos de Morais Squirra concluiu o doutorado (1992) e o mestrado (1988) em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo. Fez Pós-doutorado nos EUA e Espanha (1995/96). Atualmente é docente da Universidade Metodista de São Paulo, onde atua no Programa de Pós-graduação em Comunicação (Mestrado e Doutorado). Atua na área da Comunicação Eletrônica (Jornalismo, Mídias e RTV), e com foco na Cibercomunicação e em TV Digital‖ (Plataforma Lattes, 2013). 7 Texto publicado na revista Comunicação Midiática, do Programa de Pós-graduação em Comunicação, da Unesp, de Bauru, v7., no.1, jan-ago 2012, p. 77-95. 8 Ethevaldo Siqueira tem publicações virtuais frequentes. Página disponível em: < http://ethevaldo.com.br/home/>..
(26) 24. sobre outras tecnologias audiovisuais. Autores como Sérgio Mattos9, no livro A televisão na era da Globalização (1999), José Marques de Melo10, com a obra O Campo da comunicação no Brasil (2008) e Dennilson de Oliveira11, coordenador da coletânea de artigos que gerou o livro História e Audiovisual no Brasil do século XXI, foram alguns autores citados com o objetivo de utilizar a TV como exemplo de mídia audiovisual, nem sempre digital. Como forma de alicerçar teoricamente a pesquisa, aplicamos ao estudo da comunicação em múltiplas platadormas audiovisuais digitais, as teorias da Cibercultura e da Recepção. Com relação a teoria da Recepção, os principais autores utilizados foram: Umberto Eco12, Maria Tereza Cruz13 e Guillermo Orozco14, com as respectivas obras: A poética da obra aberta (1976); A estética da recepção e a crítica da razão impura (1986); e O telespectador frente à televisão (2005). Resgatando o pensamento da corrente Cibercultura, foram utilizados dois textos de Pierre Lèvy15: A revolução contemporânea em matéria de comunicação (1999) e Cibercultura (1999). André Lemos16, Milton Santos17 e Jorge A. González também foram referências para compreensão da Cibercultura. André Lemos colaborou com a obra O Imaginário da Cibercultura. Entre o neo-ludismo, tecno-utopia, tecnorrealismo e tecnosurrealismo (2011) Milton Santos, a seu momento, foi aderente à pesquisa com o texto Técnica Espaço Tempo: Globalização e meio técnico-científico informacional (1998).. 9. Sérgio Augusto Soares Mattos é mestre e doutor em Comunicação pela Universidade do Texas, em Austin, Estados Unidos, editor do jornal ―A Tarde‖ e coordenador do GT de Televisão da Intercom (MATTOS, 1999). 10 Atualmente é professor titular da Universidade Metodista de São Paulo, onde é Diretor da Cátedra UNESCO de Comunicação (Plataforma Lattes, 2013). 11 Dennilson Oliveira é Professor do Departamento de História da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atualmente desenvolve pesquisas sobre as relações entre História e Audiovisual, com relação à História Contemporânea e a História Militar (OLIVEIRA, 2011). 12 Umberto Eco (Alexandria, 5 de janeiro de 1932) é um escritor, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo italiano de fama internacional. É titular da cadeira de Semiótica (aposentado) e diretor da Escola Superior de ciências humanas na Universidade de Bolonha (Enciclopédia Online Wikipédia). 13 Maria Tereza Cruz é professora auxiliar do departamento de Ciências da Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Disponível em: < http://www.fcsh.unl.pt/faculdade/docentes/1120>. Acesso em: janeiro de 2013. 14 Guillermo Orozco é doutor em educação pela Universidade de Harvard. Catedrático em Ciências da Comunicação na Universidad de Guadalajara. Coordenador do grupo de trabalho sobre estudos de Recepção da ALAIC e catedrático UNESCO. No período de desenvolvimento da dissertação foi possível ter contato direto com esse estudioso em palestra ministrada na Universidade Metodista de São Paulo. 15 Pierre Lévy é um filósofo da informação que se ocupa em estudar as interações entre a Internet e a sociedade (Enciclopédia online Wikipédia). 16 Mais informações sobre André Lemos podem ser acessadas em seu endereço profissional. Disponível em: < http://andrelemos.info/>. 17 Milton Almeida dos Santos foi um geógrafo brasileiro. Apesar de ter se graduado em Direito, Milton destacou-se por seus trabalhos em diversas áreas da geografia, em especial nos estudos de urbanização do Terceiro Mundo. Foi um dos grandes nomes da renovação da geografia no Brasil ocorrida na década de 1970 (Enciclopédia online Wikipédia)..
(27) 25. Jorge A. González18, membro da Academia Mexicana de Ciências e professor pesquisador da Universidade Autônoma do México (UNAM), foi um dos estudiosos frequentemente consultados para embasar a presente investigação. Pesquisador da comunicação, das culturas e da sociedade, González, em seus textos, depara-se com a influência da tecnologia sob os assuntos que se dedica compreender. Por isso, faz instigantes apontamentos que não poderiam deixar de ser incorporados no decorrer deste texto. Do livro Entre Cultura(s) e Cibercultur@a(s): incursões e outras rotas não lineares (2012), cuja tradução teve colaboração da autora desta dissertação, destacamos a preciosa contribuição das ―Palavras à edição brasileira‖, da ―Introdução à primeira edição‖ e do Capítulo 6, intitulado ―Cibercultur@ e sociocibernética: ideias para uma reflexão conjunta em paralelo‖. O texto Cibercultur@ e iniciación en la investigación19 (2007), onde González descreve caminhos epistêmicos e metodológicos para a construção de uma pesquisa científica, também foi utilizado. Outro material que colaborou imensamente para a pesquisa aqui empreendida foi o texto Pantallas vemos, sociedades no sabemos – barruntos (conjeturas) sobre temporalidades progresivamente apantalladas y cibercultur@20 (2009). Neste último, González aborda a relação específica entre as telas, enquanto dispositivos tecnológicos de comunicação contemporânea, e a maneira como nos relacionamos com o mundo por meio de tais telas, fazendo com que estejamos, segundo ele, sempre entre dispositivos deste tipo, ou seja, ―entelados21‖ nas nossas relações de comunicação cotidiana. Na parte do estudo que se dedicou a compreender a comunicação entre homens e máquinas, Heloísa Vieira da Rocha22 e Maria Cecília Calani Baranauskas23, com o livro Design e Avaliação de Interfaces Humano-Computador (2003), foram o nosso maior pilar de sustentação. Deste livro, os dois primeiros capítulos foram os mais úteis, pois, por meio deles, foi possível entender ―O que é interface humano-computador‖ e, ainda, ―os Fundamentos de Fatores Humanos em IHC‖. Squirra, com obras já listadas anteriormente, também teve 18. Este estudioso tem destaque na utilização de suas obras devido ao fato de, durante a construção desta dissertação, ter estado presente em vários momentos das atividades da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), tendo ministrado cursos e palestras que foram frequentados pela autora, o que permitiu aproximação com sua metodologia e teoria. 19 Tradução nossa: Cibercutur@ e iniciação à investigação 20 Tradução nossa: Telas vemos, sociedades não sabemos. Pressentimentos (conjecturas) sobre temporalidades progressivamente enteladas e cibercultur@. 21 O neologismo traduzido, quando utilizado, será justificado no decorrer dos capítulos. 22 Atualmente é professora assistente do Instituto de Computação e pesquisadora do Núcleo de Informática Aplicada à Educação, da Universidade Estadual de Campinas. Seu principal interesse de pesquisa está na junção das áreas de Informática na Educação e Interfaces Humano-Computador (Plataforma Lattes) 23 Atualmente é professora titular da Universidade Estadual de Campinas. Tem experiência na área de Ciência da Computação, com ênfase em Metodologia e Técnicas da Computação, atuando principalmente nos seguintes temas: interação humano-computador, semiótica organizacional, interface de usuário e design de sistemas computacionais interativos em diversos domínios (social, educacional, de trabalho) (Plataforma Lattes) ..
(28) 26. conhecimentos aderentes à discussão da comunicação entre homens e máquinas. O mesmo vale para González, com obras também anteriormente elencadas. A discussão em torno da Interface Humano-Computador (IHC), também levou a reflexões de Raymond Williams24, que no seu livro intitulado Cultura (1992), conceitua de modo bastante proveitoso o que vem a ser exatamente o termo que dá nome à obra. O conceito levantado por Williams levou ao artigo Diversidade Cultural e Direito a Comunicação de Tadao Takahashi25 (2004), publicado na Revista Pensar Iberoamericana26, que, por sua vez, faz uma associação entre cultura e tecnologia, afunilando o aspecto de cultura que interessa à pesquisa aqui empreendida. Ainda sobre a análise em torno de IHC, a artista plástica e estudiosa polonesa Fayga Ostrower27, com o livro Criatividade e processos de criação (1993), também foi fonte de consulta constante neste ponto, especialmente no que tange ao conteúdo do primeiro capítulo de seu livro, que discute a capacidade humana de estabelecer processos criativos. Thomas Hewett28, com a obra Curricula for Human-Computer Interaction (1992), contribuiu para a compreensão das múltiplas áreas em que a IHC, enquanto campo de estudo, está imersa. Isso levou a necessidade de conceituar, também, interface. A estudiosa Claudia Cristina Silva29, em iPad, Interfaces Móveis e Serviços de Geolocalização (2011), preencheu tal lacuna. Brenda Laurel30 com o livro Computadores como Teatro (1991) também foi inserida neste. 24. Raymond Williams (31 Agosto 1921 - 26 Janeiro 1988) foi um acadêmico, crítico e novelista Galês. Seus escritos em política, cultura, literatura e cultura de massas refletiram seu pensamento marxista (Enciclopédia Online Wikipédia). 25 “Tadao Takahashi foi quem planejou e conduziu a implantação da Internet no Brasil. Criador e coordenadorgeral da Rede Nacional de Pesquisas, do Ministério da Ciência e Tecnologia. Foi membro fundador do Comitê Gestor Internet e, em segundo mandato, co-responsável pela formalização do NIG.BR (grupo que opera a internet brasileira). Foi o coordenador-geral do Programa Sociedade da Informação (1999-2003), da Presidência da República. É presentemente membro do Advisory Panel da Global Alliance on ICTs for Development (GAID) das Nações Unidas e consultor de vários projetos da Comissão Européia (X-CROSS, WINGS, etc.) envolvendo tecnologia, educação e sociedade‖. Disponível em: < http://blogdofavre.ig.com.br/2008/09/tadaotakahashi-pai-da-internet-no-brasil-defende-proposta-de-marta/> . Acesso em: Janeiro de 2013. 26 Disponível em: < http://www.oei.es/pensariberoamerica/>. Acesso em: novembro de 2012. 27 Fayga Perla Ostrower (Lodz, 14 de setembro de 1920 — Rio de Janeiro, 13 de setembro de 2001) foi uma artista plástica brasileira nascida na Polônia. Atuou como gravadora, pintora, desenhista, ilustradora, teórica da arte e professora (Enciclopédia online Wikipédia). 28 Hewett é professor associado ao departamento de Psicologia da Universidade Drexel e pesquisador de Ciências da Computação na mesma universidade. Saiba mais sobre o pesquisador na página: <http://www.drexel.edu/psychology/contact/facultyDirectory/ThomasHewett/ > Acesso em: dezembro de 2012. 29 Bacharel em Jornalismo e mestre em Comunicação Social, a mineira Claudia Cristina Silva trabalha atualmente como jornalista freelance para um jornal português chamado Público, especialmente para um suplemento cultural de nome Ípsilon. O texto ao qual tivemos acesso corresponde à sua dissertação de mestrado, realizado na Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. 30 A californiana Brenda Laurel é pesquisadora dos estudos culturais nas indústrias criativas digitais e importante colaboradora nos estudos sobre IHC. Com textos voltados para a questão das tecnologias multimídias, Laurel mantém uma linha de pesquisa interdisciplinar. Ela faz uma comparação entre atores em uma peça de teatro e humanos manuseando máquinas computacionais no seu livro Computadores como Teatro (1991)..
(29) 27. ponto do texto com o objetivo de melhorar a compreensão do que vem a ser interface. Com o texto Interfaces meta-comunicativos: uma análise das novas interfaces homem/máquina (2005), José Manuel da Silva Bártolo31 identifica o computador como meta-medium de todo o processo comunicativo entre homens e máquinas. O mundo é plano: Uma breve história do século XXI (2007), de Thomas Friedman32; Jornalismo Digital (2010), de Pollyana Ferrari33; Informação, Linguagem, Comunicação (2002), de Décio Pignatari34; Banda larga através da luz (2007), de Mohsen Kavehrad35; Estratégia do Desperdício (1965), de Vance Packard36; TV Digital Interativa: Conceitos e Tecnologias (2004), de Carlos Montez37 e Valdecir Becker38; Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem (2007), de Marshall McLuhan39; Indústrias Criativas e Conteúdos Digitais (2012), por Alexandre S. Kieling40; e Cultura da Convergência (2009), por Henry Jenkins41 são algumas das obras paralelas que auxiliaram na formação do corpo do texto, sendo úteis para contextualizar situações específicas, explanar conceitos e nomenclaturas, elencar exemplos contundentes, entre outras finalidades análogas. 31 Participa do Projeto de Pesquisa de Pós-Doutorado, com especialização em Arte e Mídia, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e University of Princeton, intitulado Mapping the Boddy: An approach to the processes of medicinal visualiation and reconstruction of the human body. Disponível em: < http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=3&cad=rja&ved=0CEQQFjAC&url=h ttp%3A%2F%2Ffims.up.pt%2Freconstruir_cidades%2Fficheiros%2Fconferencistas%2Fcurriculum_7.pdf&ei=F -YbUYeBHYjq9ASD_IGoDA&usg=AFQjCNFdaLef27NAmjZfalk7NI6groO6sA&bvm=bv.42261806,d.eWU> Acesso em: fevereiro de 2013. 32 Thomas Loren Friedman é um jornalista norte-americano, atualmente editorialista do jornal The New York Times (Enciclopédia online Wikipédia). 33 Jornalista, doutora em Comunicação Social pela USP, dedica-se ao mercado de informática desde o final dos anos 1980 e à internet desde 1995 (FERRARI, 2010). 34 Décio Pignatari (Jundiaí, 20 de agosto de 1927 – São Paulo, 2 de dezembro de 2012) foi um publicitário, poeta, ensaísta, professor e tradutor brasileiro (Enciclopédia online Wikipédia). 35 Dr. Mohsen Kavehrad, é o professor catedrático WL Weiss de Engenharia Elétrica da Universidade Estadual da Pensilvânia. Outras informações disponíveis em: < http://cictr.ee.psu.edu/facstaff/kavehrad/index.html>. Acesso em: Janeiro de 2013. 36 Vance Packard (22 de maio de 1914 - 12 de dezembro de 1996) foi um jornalista americano, crítico social, e autor (Enciclopédia online Wikipédia). 37 Atualmente é professor associado da Universidade Federal de Santa Catarina e do Curso de Pós-graduação em Eng. de Automação e Sistemas da UFSC com experiência na área de Ciência da Computação, ênfase em Software Básico (Plataforma Lattes). 38 É jornalista, mestre em Engenharia e Gestão do Conhecimento (2006,UFSC) e doutor em Ciências (Engenharia Elétrica, 2011, USP). Atualmente é Gerente de Projetos do Instituto Triad, produtor na Saci Filmes, professor das Universidades FAAP e Anhembi Morumbi; membro do Fórum do SBTVD e vice-diretor editorial da SET (Plataforma Lattes). 39 Herbert Marshall McLuhan (Edmonton, 21 de julho de 1911 — Toronto, 31 de dezembro de 1980) foi um filósofo e educador canadense (Enciclopédia online Wikipédia). 40 É professor do Programa de Mestrado em Comunicação e da Graduação em Comunicação da Universidade Católica de Brasília. Tem experiência em produção e gestão de realização audiovisual, especialmente em televisão. Atua e pesquisa com ênfase nos seguintes temas: digitalização das mídias, TV digital, televisão brasileira, interatividade (Plataforma Lattes). 41 É professor de ciências humanas e fundador e diretor do Programa de Estudos de Mídia Comparada do MIT – Massachusetts Institute of Technology (JENKINS, 2008)..
(30) 28. Dados estatísticos de diversas fontes, todas elas com respaldo nacional e/ou internacional, foram constantemente indicados e analisados durante toda a pesquisa, e destacadamente no capítulo de encerramento da mesma. Dentre as fontes que forneceram dados deste tipo, estão presentes nos capítulos 2 e 3: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2009), com levantamento sobre o analfabetismo no Brasil; Accenture42 (2011), com gráfico comparativo entre consumidores de vídeos online no Brasil e em outros países; e Nielsen43 (2011), que sinaliza porcentagem para utilização de mais de uma tela de tipos diferentes ao mesmo tempo. O capítulo 4, de encerramento desta dissertação, contou com uma análise aprofundada de relatório e gráficos disponibilizados pela comScore44 (2012). Por meio deste material, foi possível conhecer de modo mais detalhado o comportamento do consumidor de múltiplas telas, bem como analisar o contexto onde este tipo de usuário se insere socialmente. Um estudo de agosto de 2012 desenvolvido pela Google45 de título The New Multi-Screen World: Understanding Cross-platform Consumer Behavior, também corroborou para a compreensão desse cenário, trazendo para a discussão números relevantes sobre os consumidores de múltiplas telas nos EUA. A análise de todos esses dados nos levou à iminente necessidade de compreender como as múltiplas telas estão sendo utilizadas, o que, por conseguinte, conduziu a estudos como o já mencionado da Google (2012) e também a uma pesquisa bastante detalhada desenvolvida pela empresa Precious46 (2012). Enquanto o primeiro estudo apontou dois padrões de uso para as múltiplas telas, a Precious identificou seis deles, sendo dois semelhantes aos encontrados pela Google. Tivemos acesso também aos relatórios de algumas pesquisas estrangeiras. Robert D. Hof47, no texto Searching for the Future of Television (2011), publicado na revista Technology Review, contribuiu enormemente com esta dissertação ao indicar múltiplos aspectos da utilização das mais modernas mídias digitais. Igualmente publicado na renomada 42. Accenture Management Consulting é uma empresa de consultoria internacional que também está presente no Brasil. Disponível em: < http://www.accenture.com/br-pt/Pages/index.aspx>. Acesso em: fevereiro de 2013. 43 Nielsen Consulting Group é um grupo de consultoria que tem a tecnologia como foco de pesquisa. Disponível em: < https://sites.google.com/a/nielsenconsultinggroup.com/ncgi/>. Acesso em: fevereiro de 2013. 44 Empresa que desenvolve pesquisas e análises sobre o mundo digital. Disponível em: < http://www.comscore.com/>. Acesso em: fevereiro de 2013. 45 Empresa mais conhecida pelo seu popular buscador de diretório que afirma ter como missão ―organizar as informações do mundo e torná-las mundialmente acessíveis e úteis‖. Disponível em: < http://www.google.com/intl/pt-BR/about/company/>. Acesso em: fevereiro de 2013. 46 Empresa de consultoria de design. Disponível em: <http://precious-forever.com/>. Acesso em: janeiro de 2013. 47 Robert D. Hof é o chefe da sucursal da BusinessWeek no Vale do Silício, uma posição que ele assumiu em 2002. Atualmente, ele faz cobertura sobre mídia de Internet e e-commerce, bem como sobre inovação de tecnologia de influência em vários setores. Disponível em: < http://www.businessweek.com/authors/2613-robertd-hof>. Acesso em: fevereiro de 2013..
(31) 29. Technology Review, o texto Social TV, de Bill Bulkeley48 (2010) ajudou na compreensão do que vem a ser a TV Social. É o caso também da pesquisa Making interactive TV easier to use: interface designer for a second screen approach, que foi realizada na Universidade de Brunel, Reino Unido. Neste, os pesquisadores Leon Cruickshank49, Emmanuel Tsekleves50 e Roger Whitam51 (2011), trouxeram um rico relato que foi aderente à pesquisa especialmente no que se refere à compreensão de ―segundas-telas‖52. Estes estudos estrangeiros, assim como os demais dados coletados, foram avaliados a partir de preceitos teóricos e, sempre que possível, confrontados com a realidade da cultura comunicacional brasileira. Assim, indicamos a base de autores, textos e dados que foram fundamentais para o desenvolvimento da pesquisa que se segue nos capítulos subsequentes. Foram utilizados outros estudiosos e documentos não citados neste tópico, pelo fato das obras destes terem tido menor impacto no estudo. Estes, a seu momento, estarão identificados no decorrer do texto e na listagem das Referências deste material.. 48. Bill Bulkeley foi repórter sobre alta tecnologia para o Wall Street Journal e assinava como William M. Bulkeley. Trabalha em Boston com negócios freelance, escritor e editor de tecnologia. Tem uma empresa de pesquisas personalizadas, pela qual escreve white papers, chamada Green Line Research. Trabalha como ghostwirter e media training para executivos e consultores. Disponível em: <http://www.billbulkeley.com>. Acesso em: fevereiro de 2013. 49 Dr. Leon Cruickshank é professor sênior da Universidade de Lancaster, no Reino Unido. As áreas de interesse desse estudioso são: Design, Human-computer interaction, Industrial design, Product design, Service design. Disponível em: <http://www.lancs.ac.uk/fass/lica/people/leon-cruickshank>. Acesso em: fevereiro de 2013. 50 Dr. Emmanuel Tsekleves é professor e diretor do Curso de Tecnologia Multimídia e Design, diretor adjunto do Curso de Mestrado em Design Multimídia e tecnologias avançadas em 3D e coordenador de Nível 3 para Cursos de Mídia Digital (Multimedia e Media Broadcast) da Universidade de Brunel, no Reino Unido. Disponível em: <http://www.brunel.ac.uk/sed/ece/people/dremmanueltsekleves>. Acesso em: fevereiro de 2013. 51 Roger Whitham é um designer e pesquisador com uma gama de experiências comercial e acadêmico. Suas especializações incluem experiência do usuário design, design de interface de usuário e arquitetura de software. Roger tem experiência industrial com uma série de grandes agências de publicidade digital em ambas as funções técnicas e criativas. Roger está atualmente realizando um PhD em Interação Humano-Computador e Design, na Universidade de Lancaster. Seus interesses de pesquisa incluem Visualização de Informação, Gerenciamento de Informações Pessoais e práticas de trabalho individuais. Seus centros de pesquisa são experiência prática em torno de TV interativa e dispositivos portáteis. Disponível em: < http://imagination.lancs.ac.uk/people/Roger_Whitham>. Acesso em: fevereiro de 2013. 52 Termo que será contextualizado e explicado nos próximos capítulos..
(32) 30. CAPÍTULO. II:. PROCESSOS. DA. COMUNICAÇÃO. AUDIOVISUAL DIGITAL “Acho que alguém assiste à TV para desligar seu cérebro. E trabalha no computador quando quer ligá-lo”. Steve Jobs (Macworld, fevereiro de 2004).. 1.1. Brevíssimo. resgate. histórico/tecnológico. da. comunicação. audiovisual digital De acordo com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2001, p. 343), audiovisual significa ―qualquer comunicação, mensagem, recurso, material, etc. que se destina a ou visa estimular os sentidos da audição e da visão simultaneamente‖. A partir dessa explicação, pode-se compreender comunicação audiovisual como toda mensagem, transmitida por uma mídia, que pode ser vista e ouvida ao mesmo tempo. Assim, tanto os componentes visuais como os sonoros podem ser entendidos de forma generalizada. Ou seja, no caso do áudio, o nome, autoexplicativo, remete a todos os sons que são transmitidos de maneira audível: ruídos em geral. Quando o sentido em questão é a visão, faz-se referência às imagens também de modo generalizado: desenhos, gráficos, tabelas etc. É matemática simples: comunicação, mais áudio, mais vídeo, é igual à comunicação audiovisual. Com esse panorama amplificado, é possível perceber que a história da comunicação audiovisual remonta a tempos anteriores à transmissão de imagens e sons em sincronia por meio de telas, forma que hoje consideramos familiar e associamos com tranquilidade à comunicação audiovisual. Esse tipo de comunicação é bem mais antigo, portanto, que a invenção do cinema, o qual, a propósito, começou mudo, ou seja, apenas visual. Briggs e Burke descrevem que a comunicação audiovisual foi desde sempre utilizada por meio da combinação de linguagem oral e gestual: A linguagem do gesto, levada a sério no início da Europa moderna, era ensinada nas escolas como parte da disciplina de retórica e constituía assunto de vários tratados, desde A arte do gesto (1616), do jurista italiano Giovanni Bonifacio, até Chirologia (1644), do médico inglês John Bulwer, que tratava da ―retórica manual‖, em outras palavras, ―da linguagem natural das mãos‖ (2004, p. 43).. Percebe-se, então, que o som da voz isoladamente sempre precisou de algum complemento visual para que a comunicação oral se desse de forma mais efetiva. Para que o receptor compreendesse com mais precisão o que o interlocutor tentava passar, se fazia.
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