Estudo de Impacto Ambiental – EIA
5
E
STUDO DOSE
COSSISTEMAS E DAB
IODIVERSIDADEC
ONTINENTAL5.1 INTRODUÇÃO
Os ecossistemas considerados neste estudo incluem ecossistemas aquáticos interiores (rios, canais, lagoas e brejos) e terrestres (campos, restingas e outros). A região onde insere-se o empreendimento apresenta extensa planície flúvio-deltáica, com terrenos de origem lagunar ou fluvial, predominando o lençol freático subaflorante, que formam em muitos pontos, brejos e pântanos. As principais lagoas e lagunas situadas mais próximas aos limites do DISJB são: Taí; Grussaí; Iquipari e Veiga, sendo que as lagoas Salgada e do Açu ficam ao sul do empreendimento. A lagoa do Veiga é a mais alterada. Na AII, a lagoa do Visconde é a única expressiva. Afastado do empreendimento, mas ainda dentro da Área de Influência Indireta, pode se citar como as mais importantes as lagoas Feia e Lagamar. Todas as lagoas são bens ambientais do Estado, sendo o INEA o órgão responsável pela sua gestão.
Os brejos existentes são áreas úmidas permanentes ou temporárias que, em geral, correspondem a antigos leitos de lagoas, ou mesmo campos anteriormente inundados, que foram drenados pela rede de canais e hoje são áreas de lavouras. O único ecossistema de rio na área de estudo é o Paraíba do Sul, visto que os demais tiveram seus cursos artificializados pela retificação e podem ser atualmente considerados como canais.
Por ser esta uma região com utilização humana muito antiga, os ecossistemas e a biota apresentam-se em grande parte descaracterizados. De todos os canais existentes na AID, o Quitingute apresenta uma qualidade hidroquímica relativamente melhor e também maior diversidade de organismos, possibilitando uma maior sustentação à vida aquática.
Os demais canais, embora bastante deteriorados, ainda conseguem, surpreendentemente, manter algumas espécies de peixes. Nos canais Coqueiro e Cacomanga foram registradas diversas espécies de plâncton, bentos e ictiofauna que conseguem sobreviver, mesmo em péssimas condições de qualidade da água, com contaminação fecal e grande quantidade de lixo.
Esses canais também apresentam barrancas com erosão ativa e são cobertos por tapetes contínuos de macrófitas, com predominância do aguapé (Eichornia crassipes). Aqueles mais deteriorados abrigam apenas micro-organismos tolerantes a estes ambientes como as diatomáceas e cianobactérias. Ressalta-se, ainda, que o grupo de cianobactérias possui espécies que são capazes de produzir toxinas que podem causar danos à ictiofauna e, numa segunda instância, ao homem.
A vegetação do Distrito Industrial é constituída, basicamente, por pastagem e cultivos (olerícolas, fruticultura, eucalipto, etc.). Esta área está situada nos cordões arenosos e, por isso, são encontradas manchas de vegetação de restinga, isoladas pelas pastagens. Há também alguns trechos da área que apresentam remanescentes arbustivos e arbóreos em bom estado.
A cobertura vegetal remanescente na AII é marcada pela ocorrência de gramíneas introduzidas para fins de pastagem, além dos monocultivos de cana-de-açúcar e eucalipto. Em determinados locais são observados ainda, pequenos fragmentos florestais degradados (capoeiras), constituídos por uma vegetação em estágio inicial de regeneração, com a constante interferência de animais domésticos.
A distribuição da fauna silvestre está associada aos habitats da Área de Influência do empreendimento, sendo a composição um reflexo do estado de preservação. Sendo assim, na região existe um predomínio de espécies generalistas em detrimento da minoria especialista, sendo estas essencialmente vinculadas aos remanescentes de restinga.
Nos remanescentes de restinga, a fauna é mais especializada. Espécies mais generalistas (por exemplo, lagarto Tropidurus torquatus) ocorrem nesse habitat e em outros, mas espécies especializadas (por exemplo, a perereca-da-restinga - Phyllodytes luteolus), somente ocorrem na restinga.
As áreas de monocultura e pastagens são predominantes na Área de Influência do empreendimento. Em alguns pontos da AII são encontrados escassos e isolados remanescentes da floresta aluvial, constituídos por capoeiras em estágio inicial de regeneração. A fauna destes ambientes é constituída por espécies generalistas (de maior plasticidade ambiental).
Destacam-se na região os habitats de lagoas, lagunas e alagados, onde são comumente encontradas aves Estes habitats são importantes para todos os grupos, uma vez que, oferece recursos diferenciados. Por exemplo, para os quirópteros podem servir como áreas de forrageio para o morcego-pescador (Noctilio leporinus). Além dessas, a mastofauna não voadora também conta com espécies mais adaptadas para esse tipo de ambiente, tais como rato d’água (por exemplo, Nectomys squamipes) e capivara (Hydrochoeris hydrochaeris), entre outros, sem contar com o grupo dos anfíbios e répteis. Diversas aves aquáticas, inclusive migratórias, utilizam estes habitats.
A entomofauna também é descrita para os diversos ambientes e destacadas por sua importância ecológica, relevantes para polinização e dispersão de várias espécies vegetais, e por sua importância econômica, como é o caso de pragas, especialmente, aquelas especializadas em determinado recurso, mais difícil de serem erradicadas.
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5.2 ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS INTERIORES
Os ecossistemas aquáticos interiores, aqui considerados, correspondem aos rios e canais (Item 5.2.1), além de lagoas (Item 5.2.2), localizados na AID e na AII. Para esses ecossistemas, são apresentadas, sucintamente, as características ambientais gerais e os principais grupos de organismos aquáticos, a saber: plâncton, bentos e ictiofauna. São apresentadas, ainda, listas de espécies dos principais grupos analisados, bem como a ocorrência de cada táxon nos ambientes considerados no presente estudo (Anexo VI.5.2-1 ao Anexo VI.5.2-5). Os textos, apresentados a seguir, foram embasados em literatura científica, resultados obtidos através de diversos estudos realizados na região nos últimos anos e, mais recentemente, coletas de campo realizadas em corpos hídricos que ainda não haviam sido estudados. Contou-se com a colaboração técnica e disponibilização de dados inéditos da Universidade Norte Fluminense, através do Prof. Ronaldo Novelli1 e sua equipe.
A seguir são apresentadas as localizações dos pontos amostrais utilizados para a presente caracterização (Mapa 5.2-1 a Mapa 5.2-5).
1
Prof. Dr. Ronaldo Novelli, Professor Associado do Laboratório de Ciências Abientais do Centro de Biociências e Biotecnologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF).
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5.2.1 Ecossistemas de Rios e Canais
Os ecossistemas aquáticos interiores são representados na Área de Influência Indireta (AII) pelos rios e canais mencionados na Seção VI.4 (Águas Superficiais e Subterrâneas). Como não se dispõe de estudos específicos sobre a ecologia dos rios e canais, a análise aqui procedida será em parte conceitual subsidiada por observações de campo e pelas condições ambientais da parte terrestre da bacia. Além das características mais relevantes para cada um dos corpos hídricos apresenta-se, adiante, o levantamento da ictiofauna e invertebrados nos ecossistemas aquáticos nas Áreas de Influência Direta baseado em dados primários (IT DILAM/CEAM 06/2010, item 3.6.2).
Os ecossistemas aquáticos interiores comportam seres dos cinco reinos (procariotas, protistas, fungos, vegetais e animais), no qual se incluem nos três primeiros as bactérias, as algas, os protozoários e os fungos.
Entre as plantas, ocorrem musgos, macrófitas, herbáceas de planícies de inundação e diversos outros tipos como as árvores e arbustos de matas ciliares, que passam parte do ciclo hidrológico com troncos e raízes submersas.
Dos grupos de animais invertebrados, encontram-se esponjas, helmitos e vermes, briozoários, moluscos, anelídeos, aracnídeos, insetos e crustáceos. Já entre os vertebrados podem ser encontrados peixes ósseos e cartilaginosos, anfíbios, répteis (cágados, lagartos, cobras e jacarés), aves (diversos grupos) e mamíferos (roedores, cuícas, lontras, etc.). Muitos animais passam uma fase obrigatória de seu ciclo de vida na água, enquanto outros são restritos a este habitat ou são altamente dependentes da água como local de alimentação, repouso ou abrigo. As comunidades biológicas de águas interiores da região, à exceção dos peixes, são muito pouco conhecidas e, provavelmente, muitas espécies já foram extintas localmente, dado à deterioração da água e das margens da maioria dos rios e canais.
Na região em apreço, o único ecossistema de rio é o Paraíba do Sul. Os demais são em grande parte canais artificiais de drenagem, apresentando cursos sem meandros (retificados)
O canal mais próximo ao DISJB é o do Quitingute, que está situado a oeste dessa área. Além destes, existem outros canais menores, como o Paus e Chagas. Na AII são observados, ainda, os canais Macaé-Campos, Tócos, Coqueiro, Cambaíba, São Bento e Quitingute.
Em geral, ocorre a proliferação de macrófitas, com predominância do aguapé (Eichornia crassipes) misturado com lixo, na superfície destes canais, e suas barrancas encontram-se degradadas pela erosão. O gado tem acesso aos canais para beber água e ao fazê-lo, agrava os processos de erosão pelo pisoteio.
Canais recém dragados apresentam solapamento de barrancas, mostrando a instabilidade e a impossibilidade de deter a erosão de taludes pelos métodos convencionais.
Interessante ressaltar que a rede de macrodrenagem principal do sistema São Bento, composta pelos canais São Bento, Coqueiros e Quitingute, estão em processo de desassoreamento, através do projeto denominado por ―PAC Campista‖, referenciado no Capítulo III, Seção 6.1. Desta forma, possibilita-se melhorar as condições destes ambientes e, de forma correlata, da biota ali instalada.
Apresenta-se a seguir os detalhamentos para cada corpo de água da área de estudo. Ressalta-se, ainda, a existência de canais de menor magnitude próximos à área de estudo. Dentre os corpos d’água, destacam-se os canais de Colomins, Paus e Chagas (todos pertencentes à bacia de drenagem do canal de São Bento).
5.2.1.1 Canal Coqueiro
A - Características Gerais
O canal Coqueiro é um longo curso artificial que começa na área urbana de Campos e parte dela tomando o rumo sul (Figura 5.2-1).
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O canal e seu sistema de valas afluentes eliminaram ou diminuíram as lagoas situadas entre a linha férrea Campos-Santo Amaro (antiga São Sebastião) e a lagoa Feia, destacando-se as lagoas de Olhos d’Água, Sussunga, Tambor, Aboboreira, das Conchas, Goiaba, Salgada, Baixio, São Martinho, dentre outras (SEMADS, 2002).
B - Biota
B.1 - Plâncton
B.1.1 - Fitoplâncton
A fim de caracterizar as comunidades fitoplanctônicas do Canal Coqueiro foram utilizados os resultados obtidos em amostragem de campo realizada especificamente para o presente EIA, no mês de novembro de 2010.
A caracterização qualitativa da comunidade fitoplanctônica resultou na identificação de 14 táxons, distribuídos em 5 classes taxonômicas: Classe Bacillariophyceae (diatomáceas), Classe Euglenophyceae (euglenofíceas), Classe Cyanophyceae (cianobactérias) e Classe Chlorophyceae (clorofícea) e Classe Zygnemaphyceae (desmidiáceas). O Quadro 5.2-1 apresenta o número total de espécies de cada classe encontrada.
QUADRO 5.2-1:NÚMERO TOTAL DE ESPÉCIES DE CADA CLASSE
ENCONTRADA NO FITOPLÂNCTON, NO CANAL COQUEIRO, EM
NOVEMBRO DE 2010.
CLASSES TAXONÔMICAS NÚMERO DE
ESPÉCIES Bacillariophyceae 5 Euglenophyceae 5 Cyanophyceae 1 Chlorophyceae 2 Zygnemaphyceae 1
As classes Bacillariophyceae (diatomáceas) e Euglenophyceae (euglenofíceas) constituem os grupos com maior número de espécies, contribuindo com 67 % dos táxons encontrados. A classe Chlorophyceae correspondeu ao segundo grupo em táxons observados, equivalendo a 14 % do total. As classes Zygnemaphyceae e Cyanophyceae foram a terceira em representatividade, contribuindo com apenas 7 %. A Figura 5.2-2 ilustra a distribuição relativa do número de espécies de cada classe do fitoplâncton.
FIGURA 5.2-2:DISTRIBUIÇÃO RELATIVA DO NÚMERO TOTAL DE
ESPÉCIES,ENTRE AS CLASSES DO FITOPLÂNCTON, NO CANAL
COQUEIRO, EM NOVEMBRO DE 2010.
O Anexo VI.5.2-6 apresenta os dados quali-quantitativos das espécies do fitoplâncton identificadas no ponto amostrado. A densidade fitoplanctônica total registrada foi 422.100 cel.L-1. Com relação à contribuição por parte dos grupos taxonômicos a Classe Bacillariophyceae foi o grupo mais representativo, apresentando o maior valor de densidade (187.600 cel.L-1). A classe Euglenophyceae apresentou a segundo maior valor (100.500 cel.L-1).
Destacaram-se quantitativamente a diatomácea Navicula spp. (120.600 cel.L-1) e a cianofícea Phormidium sp. (87.100 cel.L-1). A diversidade específica foi calculada segundo o índice proposto por SHANNON-WEAVER (1949). O resultado indicou para a estação amostrada um médio valor de diversidade específica (2,98 bits.cel-1).
B.1.2 - Zooplâncton
A fim de caracterizar as comunidades zooplanctônicas do Canal Coqueiro foram utilizados os resultados obtidos em amostragem de campo realizada especificamente para o presente EIA, no mês de novembro de 2010. A caracterização qualitativa da comunidade zooplanctônica resultou na identificação de 4 grandes grupos e 5 categorias taxonômicas entre família, espécie e estágio de desenvolvimento.
O Anexo VI.5.2-6 apresenta os dados quali-quantitativos dos táxons do zooplâncton identificados no ponto amostrado. A família Doliolida apresentou a maior densidade de táxons (120 ind.L-1), sendo representada principalmente por Dolioletta sp. (80 ind.L-1).
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Considerando os índices de estrutura da comunidade, a diversidade específica foi calculada segundo o índice proposto por SHANNON-WEAVER (1949). O resultado indicou para a estação amostrada um médio valor de diversidade específica (2,15 bits.cel-1).
B.1.3 - Ictioplâncton
A comunidade ictioplanctônica do canal Coqueiro foi caracterizada através de amostragem de campo, realizada especificamente para o presente estudo, durante o mês de novembro de 2010.
A estrutura da comunidade foi analisada utilizando-se os valores de densidade total de ovos e larvas, de acordo com a rede utilizada para coleta (330 e 500 µm). O Anexo VI.5.2-6 apresenta os dados quali-quantitativos dos táxons do ictioplâncton identificados no ponto amostrado.
As amostras coletadas com rede de 330µm apresentaram densidade de ovos total de 40 ind.L-1. Foram identificados ovos das famílias Mugilidae, Centracanthidae, e Soleidae, apresentando o mesmo valor de densidade (10 ind.L-1). Foram identificadas larvas pertencentes apenas a Família Bothidae.
As amostras coletadas com rede de 500µm apresentaram densidade total de ovos de 50 ind.L-1. As famílias Callionymidae e Engraulidae foram as mais representativas na área estudada, apresentando as maiores densidades totais (20 ind.L-1). A maioria das espécies tropicais de Engraulidae habita regiões costeiras, desovando principalmente na primavera e no verão (BLAXTER & HUNTER, 1982). Um grande número de espécies dessa família é de grande interesse econômico.
B.2 - Zoobentos
Nas amostragens realizadas no Canal Coqueiro em novembro de 2010, especificamente para o presente estudo, foram encontradas apenas representantes de dois filos: Arthropoda (Classe Insecta) e Annelida (Classe Polychaeta).
Um total de 4.542 indivíduos foi identificado. O de maior abundância absoluta foi o filo Annelida, com 4.354 indivíduos da família Capitellidae (Capitella sp.), seguido dos filos Insecta com 167 indivíduos da ordem Diptera e Annelida, com 21 indivíduos da Classe Clitellata (Hirudinea sp.).
Percentualmente, portanto, é possível observar a dominância numérica do poliqueta Capitella sp., com aproximadamente 96 % do total de organismos observados.
Dentre os índices ecológicos utilizados para discutir os resultados alcançados, o cálculo de riqueza específica se restringiu à contagem do número total de espécies encontradas. Neste sentido, o ponto amostral utilizado no Canal Coqueiros apresentou riqueza igual a 3.
O índice de diversidade (índice de Shannon-Weaver), que é representada pela medida do grau de complexidade da estrutura da comunidade, e envolve tanto o número de táxons como a distribuição dos indivíduos pelos táxons, apresentou na amostragem realizada neste canal, índice de diversidade de 0,081. O valor observado é classificado como muito baixo, em relação ao índice utilizado. Índice de diversidade baixo e muito baixo foi descrito também para outras lagoas da região, como do Açu e lagoa de Iquipari, por DALBON (2007 apud CUNHA, 2009) e CUNHA (2009), respectivamente e para a lagoa Salgada (ECOLOGUS, 2010). A família Capitellidae apresenta uma taxonomia bastante complexa, apresentando uma multiplicidade de formas e grandes dificuldades quanto a sua identificação (AMARAL, 1980). Por esses motivos, a dificuldade de alcançar a identificação a nível específico, no presente estudo, apesar de ser observada em grande abundância na campanha amostral.
Algumas espécies de capitelídeos, como Capitella capitata, são típicas de regiões contaminadas (FIORI, 2007). Apesar de não ter sido alcançar o nível específico para esta família, conforme já comentado, os dados de água indicaram que as águas do Canal Coqueiros são de péssima qualidade, sendo observada contaminação fecal e grande quantidade de lixo.
Os sedimentos, por sua vez, apresentam granulometria com predominância de finos (silte e argila), o que podem favorecer ocorrência de poliquetas.
B.3 - Ictiofauna
Em novembro de 2010 foi realizada amostragem de espécies de peixes especificamente para o presente estudo, mesmo não tendo sido possível a utilização de redes. Deste modo, foram identificadas espécies capturadas pelos pescadores locais (Anexo VI.5.2-8), destacando-se: Tilapia rendalli (tilápia), Geophagus brasiliensis (acará) e Cyphocharax gilbert (sairú). Novelli (com. pess.) atesta, ainda, a presença de outras espécies como Hoplias malabaricus (traíra), Parauchinopterus striatulus (cumbaca), Hoplosternum litoralle (tamboatá), Rhamdia quelen (jundiá) e Astyanax bimaculatus (lambari).
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5.2.1.2 Canal Quitingute
A - Características Gerais
O canal do Quitingute ou Quitinguta é um canal artificial extenso com início junto ao rio Paraíba do Sul (próximo à localidade de São Domingos). Alguns trechos são favoráveis à navegação, enquanto outros encontram-se quase totalmente fechados, devido ao excesso de macrófitas (Eicchornnia azurea, E. crassipes, Thypha domingensis e Salvinia auricullata), que impede a passagem de pequenos barcos em seu curso.
O canal do Quitingute constitui a coluna vertebral de um complexo sistema de canais, que no passado correspondia ao último afluente pela margem direita do rio Paraíba do Sul. A partir das intervenções de drenagem na Baixada Campista, este sistema passou a ter uma dinâmica de drenagem para sul, em direção ao canal da Flecha (extravasor artificial da lagoa Feia, aberto em 1944).
Com a abertura dos demais canais artificiais que drenam as áreas mais internas da Baixada, a bacia do canal Quitingute passou a integrar o denominado sistema São Bento, que compreende os rios e canais que drenam para o canal da Flecha, incluindo o próprio São Bento e os canais Quitingute, Coqueiros e Cambaíba, além da lagoa do Açu (ou rio Iguaçu).
Em suas margens é muito comum o uso pecuário, devido ao pasto sempre verde e a boa oferta de água (Figura 5.2-3). Também são muito comuns culturas mais exigentes como milho, abóbora e feijão e a captação de água para irrigação de lavouras, a pesca artesanal e a colheita de taboas.
FIGURA 5.2-3:VISÃO GERAL DO CANAL QUITINGUTE.
As características dos principais grupos de organismos no canal do Quitingute são apresentadas em seguida.
B - Biota
B.1 - Plâncton
B.1.1 - Fitoplâncton
Amostragens realizadas no canal Quitingute em outubro de 2008 (MPX/CRA, 2009) indicaram que a maior riqueza foi observada no Ponto 12, localizado na porção mais central do canal (Figura 5.2-4).
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FIGURA 5.2-4:RIQUEZA DE TÁXONS DO FITOPLÂNCTON NOS
PONTOS DE COLETA NO CANAL QUITINGUTE, EM OUTUBRO DE
2008.FONTE:MPX/CRA(2009).
Foram observados gêneros de cianobactérias que possuem espécies produtoras de toxinas (hepatotoxinas ou neurotoxinas), a saber: Aphanothece, Cylindrospermopsis, Cuspidothrix, Cylindrospermopsis, Geitlerinema, Jaaginema, Microcystis, Phormidium, Planktothrix, Pseudanabaena, Synechocystis.
No Ponto 11, as criptofíceas apresentaram maior contribuição para densidade total, enquanto que no Ponto 12 foram as clorofíceas e no Ponto 13 as cianofíceas (Figura 5.2-5). Cabe ressaltar que no Ponto 12 a espécie dominante foi a Monoraphidium contortum.
FIGURA 5.2-5:VALORES DAS PORCENTAGENS DE CONTRIBUIÇÕES DAS
CLASSES NOS PONTOS DE COLETA NO CANAL QUITINGUTE, EM
OUTUBRO DE 2008.FONTE:MPX/CRA(2009).
Em julho de 2010 (OSX/CRA, 2010) foi identificada a presença de 27 diferentes táxons de fitoplâncton, sendo que as maiores densidades foram de Cianobactérias (6.753 org.mL-1), seguido pelas Clorofíceas (4.732 org.mL-1). Nesta amostragem, a espécie dominante foi Cylindrospermopsis raciborskii.
Em agosto de 2010 (TERNIUM/ECOLOGUS, 2010) foi constatada que a comunidade fitoplanctônica do canal Quitingute esteve composta por 22 táxons distribuídos em 5 classes taxonômicas. A classe Chlorophyceae apresentou 50 % do total de táxons registrados, seguida por Cyanophyceae (22,7 %) e Bacillariophyceae (13,6 %). As demais classes (Prasinophyceae e Cryptophycea) e os fitoflagelados nanoplanctônicos não identificados apresentaram 4,5 % do total de táxons registrados (Figura 5.2-6).
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FIGURA 5.2-6:CONTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DO NÚMERO DE TÁXONS POR CLASSE
TAXONÔMICA NO CANAL QUITINGUTE, EM AGOSTO DE 2010.
FONTE:TERNIUM/ECOLOGUS(2010).
Com relação à densidade fitoplanctônica total, a estação CQ01 (mais ao norte deste canal) apresentou o maior valor registrado (206.367.392 cel.L-1) (Figura
5.2-7).
FIGURA 5.2-7:DENSIDADE FITOPLANCTÔNICA TOTAL NAS ESTAÇÕES DE COLETA NO
CANAL QUITINGUTE, EM AGOSTO DE 2010.FONTE:TERNIUM/ECOLOGUS(2010).
Com relação à contribuição por parte dos grupos taxonômicos, a classe Cyanophyceae (cianobactérias) constituiu o grupo mais representativo em termos percentuais (64 %), sendo representada principalmente por: Synechocystis sp. (64.489.810 cel.L-1), Pseudanabaena sp. (52.429.378 cel.L-1) e Glaucospira sp. (46.231.656 cel.L-1).
A classe Bacillariophyceae (diatomáceas) foi a segunda mais representativa (20,9 %) nas amostras coletadas, sendo representada principalmente por Aulacoseira granulata var. angustissima (55.611.992 cel.L-1).A terceira classe mais representativa foi Chlorophyceae (8 %), sendo representada principalmente por formas flageladas e pela espécie Scenedemus acuminatus.
Os fitoflagelados nanoplanctônicos não identificados foram o quarto grupo em representatividade (6,7 %). As demais classes (Prasinophyceae e Cryptophyceae) apresentaram juntas aproximadamente 0,4 % da densidade total.
As estações amostradas no canal Quitingute apresentaram riqueza total de 22 táxons, conforme mencionado anteriormente, sendo o maior valor registrado na estação CQ01 (16 táxons) (Figura 5.2-8).
FIGURA 5.2-8:DISTRIBUIÇÃO DOS VALORES DE RIQUEZA POR ESTAÇÃO DE COLETA
NO CANAL QUITINGUTE, EM AGOSTO DE 2010.
FONTE:TERNIUM/ECOLOGUS(2010).
A campanha amostral de caracterização do fitoplâncton em agosto de 2010 (TERNIUM/ECOLOGUS, 2010), referente a uma condição momentânea, revelou para a área amostrada, uma comunidade constituída por grupos taxonômicos típicos de águas marinhas continentais e dulcícolas. O levantamento taxonômico apresentou a classe Cyanophyceae (cianobactérias) como a mais representativa nos pontos de amostragem, com 64 % da composição das amostras, comprovando a dominância deste grupo neste ambiente.
Das espécies mais significativas quantitativamente destacam-se Synechocystis sp. (64.489.810 cel.L-1), Pseudanabaena sp. (52.429.378 cel.L-1) e Glaucospira sp. (46.231.656 cel.L-1).
Cabe ressaltar a ocorrência de dois gêneros de cianobactérias, já registrados como tóxicos em outros locais do Brasil (Pseudanabaena e Synechococcus),
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refletindo o potencial de contaminação por cianobactérias (SANT’ANNA et. al., 2008).
Além disso, destaca-se a presença de Cylindrospermopsis raciborskii, uma cianobactéria potencialmente tóxica produtora de hepatoxinas e neurotoxinas que podem representar sérios riscos à saúde humana. De acordo com o observado nas amostras analisadas, a queda da sua densidade favorece o crescimento de Pseudanabaena sp. e Glaucospira sp., suas prováveis competidoras. A segunda classe mais representativa foi Bacillariophyceae (diatomáceas), representando 20,9 % das amostras coletadas.
B.1.2 - Zooplâncton
Em outubro de 2008 foram encontrados 70 táxons zooplanctônicos no canal Quitingute, com densidade variando de 29.090 a 1.825.560 org./m3, sendo este último o maior valor de densidade observado dentre todos os ambientes analisados em outubro de 2008 (MPX/CRA, 2009). O coeficiente de variação (CV) do canal Quitingute foi de 164 %, o que permite caracterizá-lo como um ambiente relativamente heterogêneo, pois a porcentagem de táxons coincidentes foi baixa, de somente 11 %.
Ainda nessa campanha, o canal Quitingute distinguiu-se dos demais corpos hídricos da região amostrados por apresentar dominância de táxons pseudoplanctônicos dulcícolas, como os rotíferos dos gêneros Epiphanes, Lecane
e Plationus e os Bdelloidea. Pela predominância de organismos
pseudoplanctônicos límnicos, e pela baixa incidência de organismos meroplanctônicos, como larvas de crustáceos cirripédios, de anelídeos poliquetos, de moluscos e de copépodes parasitas Ergasilidae, pode-se caracterizar o canal Quitingute como sendo um ambientes de água doce ou oligohalinos, rasos e com influência de vegetação marginal e/ou de macrófitas aquáticas.
Mesmo se tratando de um ambiente de água doce o canal Quitingute apresentou valores altíssimos de condutividade elétrica, o que certamente limitou a ocorrência de determinados grupos zooplanctônicos, mas favoreceu o desenvolvimento de táxons mais resistentes e adaptados nesta condição, como: certas espécies de rotíferos (Keratella lenzi, Lecane bulla, L. closterocerca, L. curvicornis, L. leontina, L. lunaris, L. papuana, L. quadridentata, L. stichaeoides, Lepadella patella, L. rhomboides, Platyias leloupi, Plationus patulus e Polyarthra remata); de copépodes ciclopóides (Microcyclops anceps anceps e Tropocyclops prasinus meridionalis); e de cladóceros (Ceriodaphnia cornuta rigaudi, Diaphanosoma brevireme e Latonopsis autralis), pois produziram-se em ambientes com salinidade bem variada. Na lagoa Comprida (Macaé), de acordo com BRANCO et. al., (2000) associaram-se a presença de Keratella lenzi com valores altos de condutividade, concordando com o resultado observado em outubro de 2008.
Quanto à diversidade os locais com características mais próximas de um ambiente dulcícola apresentam tendência de maior diversidade quando comparadas àqueles ambientes com águas mais salinas. Sendo assim, os pontos 11 e 12 do canal Quitingute refletiram essa riqueza de táxons mais representativa, apresentando os maiores valores de todas as comunidades. As diversidades das comunidades dos pontos 13 (canal Quitingute) podem ser consideradas como de nível intermediário.
A heterogeneidade do canal Quitingute pôde ser verificada pela baixa porcentagem de táxons coincidentes entre os pontos de coleta (11 %) e, apesar dos pontos 11 e 12 apresentarem riqueza e densidade do zooplâncton semelhantes, o ponto 12 apresentou-se como uma região intermediária entre os dois outros pontos, devido à presença de espécies dos pontos 11 e 13.
O ponto 13 apresentou a menor riqueza entre os pontos amostrados no canal Quitingute. Nele foi identificado um aumento da densidade populacional, devido provavelmente ao desenvolvimento de várias espécies de rotíferos (Brachionus calyciflorus f. dorcas, Brachionus havanaensis, Epiphanes macroura e Filina pejleri), e não apenas de uma ou duas espécies como geralmente ocorre. Estas espécies foram dominantes nesse ambiente e representaram 84 % do zooplâncton nesse ponto e 81 % da média do canal Quitingute.
As maiores diversidades foram encontradas nos ambientes menos salinos, como observado por ECHANIZ et. al. (2006), em lagos salinos da Argentina. Apesar disso, foi observado no canal Quitingute condições limitantes para o desenvolvimento do zooplâncton devido aos altos valores de condutividade, o que por sua vez, favorece o aumento populacional de determinadas espécies mais resistentes a esta condição.
B.1.3 - Ictioplâncton
No levantamento realizado em janeiro de 2009 (MPX/CRA, 2009) não foram identificados os locais de desova de peixes, ou mesmo a presença de larvas de espécies ícticas nas estações de coleta.
B.2 - Zoobentos
Em outubro de 2008 (MPX/CRA, 2009) foi realizada amostragem de organismos bentônicos, tendo sido observados 12 diferentes táxons de zoobentos. Como pode ser constatado na Figura 5.2-9, nos três pontos distribuídos ao longo deste habitat, a família Tubificidae apresentou as maiores densidades, seguida da família Chironomidae.
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A
B
FIGURA 5.2-9:DENSIDADE (A) E ABUNDÂNCIA RELATIVA (B) DO ZOOBENTOS ASSOCIADO AO SEDIMENTO,
COLETADOS NOS PONTOS 11(MAIS AO NORTE),12(CENTRO) E 13(MAIS AO SUL), NO CANAL QUITINGUTE,
EM OUTUBRO DE 2008.FONTE:MPX/CRA(2009).
Já em julho de 2010 (OSX/CRA, 2010), foram observados apenas 8 táxons neste mesmo corpo hídrico, e consequentemente uma menor densidade total de organismos, quando comparado ao estudo anterior (Figura 5.2-10).
Novamente a densidade elevada de Chironomidae caracterizou a comunidade bentônica no canal Quitingute. As grandes densidades desta família não podem, necessariamente, estarem relacionadas com decréscimo de qualidade ambiental, porém a presença desta família de insetos indica baixa salinidade dos sedimentos amostrados (MACKIE, 2004).
FIGURA 5.2-10:DENSIDADE DO ZOOBENTOS COLETADO NO CANAL QUITINGUTE, EM JULHO DE 2010. FONTE:OSX/CRA(2010).
Amostragens realizadas em agosto de 2010 (TERNIUM/ECOLOGUS, 2010), indicou a presença de 7 táxons, sendo que o filo Arthropoda (representado pelas larvas de insetos aquáticos e terrestres) foi mais abundante, apresentando um total de 12 indivíduos (Figura 5.2-11). Cabe ressaltar que neste estudo foi possível chegar a nível de espécie, o que não foi observado nos dois estudos anteriores.
FIGURA 5.2-11:DENSIDADE DOS GRUPOS DE ORGANISMOS POR
PONTO AMOSTRAL NO CANAL QUITINGUTE, EM AGOSTO DE
Estudo de Impacto Ambiental – EIA B.3 - Ictiofauna
No canal Quitingute, em outubro de 2008 (MPX/CRA, 2009), foram encontrados Cyclasoma facetum (ferreirinha), acarás (Geophagus brasiliensis), Hoplias malabaricus. (traíras) e marobás (Hoploeritrinus unitaeniatus). Embora esta última seja do ponto de vista taxonômico uma espécie muito próxima à traíra, poucos são os trabalhos que se referem ao marobá. Essa lacuna limita possíveis conectividades objetivadas a interpretações ambientais. Vale, no entanto, o registro de ocorrência da espécie no rio Quitingute, como também, foi observada a presença de Hoplosternum littoralle, representado por um número amostral de 147 indivíduos.
Campanhas amostrais realizadas em janeiro de 2009 e agosto de 2010 (TERNIUM/ECOLOGUS, 2010) registraram a ocorrência de 9 espécies de peixes, que somaram 325 organismos coletados. Destes, 144 indivíduos foram capturados na campanha de 2009, quando foram encontrados 8 taxa. Já a campanha de 2010 obteve 181 indivíduos representantes de 5 espécies.
A Figura 5.2-12 apresenta a representação gráfica da abundância relativa de todos os taxa encontrados no Canal Quitingute, independente da campanha amostral. Nota-se que a espécie Hoplosternum litoralle (tamboatá) apresentou abundância relativa bastante superior às demais espécies observadas.
FIGURA 5.2-12:ABUNDANCIA DAS ESPÉCIES ENCONTRADAS NO
CANAL QUITINGUTE, NAS DUAS CAMPANHAS REALIZADAS.
FONTE:TERNIUM/ECOLOGUS(2010).
Em relação ao índice de diversidade, a mesma foi maior no ponto 3 na campanha amostral realizada em 2009 e maior no ponto 1 durante a campanha de 2010. A
Figura 5.2-13 apresenta os valores do índice de diversidade calculado para os
FIGURA 5.2-13:DIVERSIDADE DE ESPÉCIES DO CANAL
QUITINGUTE, NAS DUAS CAMPANHAS REALIZADAS.FONTE:
TERNIUM/ECOLOGUS(2010).
Dentre as espécies observadas: Astyanax bimaculatus (lambari), Geophagus brasiliensis (acará), Hoplias malabaricus (traíra), Hoplosternum litoralle (tamboatá) e Tilapia rendalli (tilápia), podem ser consideradas espécies que possuem valor comercial.
A espécie dominante nos pontos amostrais e campanhas realizadas, Hoplosternum littorale, apresentou biomassa muito superior às demais espécies encontradas. Na campanha de 2010, a população de H. littorale no Canal Quitingute, continha 112 indivíduos.
5.2.1.3 Canal São Bento
A - Características Gerais
O canal de São Bento parte do rio Paraíba Sul, a jusante da localidade de Barcelos, e termina próximo ao Canal das Flechas. Atualmente, em parte de sua extensão, estão ocorrendo obras de desassoreamento promovidas pelo governo do Estado (Figura 5.2-14).
Estudo de Impacto Ambiental – EIA
FIGURA 5.2-14:VISÃO GERAL DO CANAL SÃO BENTO
B - Biota
B.1 - Plâncton
B.1.1 - Fitoplâncton
A fim de caracterizar as comunidades planctônicas do Canal São Bento foram utilizados os resultados obtidos em amostragem de campo, realizada especificamente para o presente EIA, no mês de novembro de 2010. A caracterização qualitativa da comunidade fitoplanctônica resultou na identificação de 9 táxons, distribuídos em 3 classes taxonômicas: Classe Bacillariophyceae (diatomáceas), Classe Cyanophyceae (cianobactérias) e Classe Cryptophyceae (criptofíceas). O Quadro 5.2-2 apresenta o número total de espécies de cada classe encontrada.
QUADRO 5.2-2:NÚMERO TOTAL DE ESPÉCIES DE CADA CLASSE
ENCONTRADA NO FITOPLÂNCTON, NO CANAL SÃO BENTO, EM
NOVEMBRO DE 2010.
CLASSES TAXONÔMICAS NÚMERO
DE ESPÉCIES
Bacillariophyceae 6
Cyanophyceae 2
Cryptophyceae 1
O levantamento apontou a classe Bacillariophyceae (diatomáceas) como o grupo com maior número de espécies identificadas nas amostras, contribuindo com 67 % dos táxons encontrados. A classe Cyanophyceae correspondeu ao segundo grupo em táxons observados, equivalendo a 22 % do total. A classe Cryotophyceae foi a terceira em representatividade, contribuindo com apenas 11 %. A Figura 5.2-15 ilustra a distribuição relativa do número de espécies de cada classe do fitoplâncton.
FIGURA 5.2-15:DISTRIBUIÇÃO RELATIVA DO NÚMERO TOTAL DE
ESPÉCIES,ENTRE AS CLASSES DO FITOPLÂNCTON, NO CANAL
SÃO BENTO, EM NOVEMBRO DE 2010.
O Anexo VI.5.2-6 apresenta os dados quali-quantitativos das espécies do fitoplâncton identificadas no ponto amostrado. A densidade fitoplanctônica total registrada foi 1.541.020 cel.L-1.
Com relação à contribuição por parte dos grupos taxonômicos a Classe Cyanophyceae foi o grupo mais representativo, apresentando o maior valor de densidade (1.467.320 cel.L-1). É comum encontrar altas densidades de cianobactérias em ambientes de intensa eutrofização, como é o caso do Canal de São Bento.
As demais classes apresentaram valores de densidade bastante reduzidos, comparando-se com a classe Cyanophyceae.
Estudo de Impacto Ambiental – EIA
Com relação aos táxons registrados, destacaram-se quantitativamente as cianofíceas Pseudanabaena sp. (797.300 cel.L-1) e Synechocystis sp. (670.020 cel.L-1). A diversidade específica foi calculada segundo o índice proposto por SHANNON-WEAVER (1949). O resultado indicou para a estação amostrada um baixo valor de diversidade específica (1,35 bits.cel-1).
B.1.2 - Zooplâncton
A fim de caracterizar as comunidades zooplanctônicas do Canal São Bento foram utilizados os resultados obtidos em amostragem de campo realizada especificamente para o presente EIA, no mês de novembro de 2010.
A fauna zooplanctônica foi constituída por 5 organismos pertencentes a 3 grandes grupos (Chordata, Arthropoda e Crustacea).
O Anexo VI.5.2-6 apresenta os dados quali-quantitativos dos táxons do zooplâncton identificados no ponto amostrado. A densidade zooplanctônica total registrada foi 270 ind.L-1.
A família Doliolida (Filo Chordata) apresentou a maior densidade de táxons (190 ind. L-1), sendo representada principalmente por Doliolium sp. (170 ind.L-1). Em seguida, a família Oikopleuridae representada por Oikopleura sp. apresentou o segundo maior valor de densidade (50 ind.L-1). Considerando os índices de estrutura da comunidade, a diversidade específica foi calculada segundo o índice proposto por SHANNON-WEAVER (1949). O resultado indicou para a estação amostrada um baixo valor de diversidade específica (1,60 bits.cel-1).
B.1.3 - Ictioplâncton
A comunidade ictioplanctônica do Canal São Bento foi caracterizada através de amostragem de campo realizada especificamente para o presente estudo, durante o mês de novembro de 2010. A estrutura da comunidade foi analisada utilizando-se os valores de densidade total de ovos e larvas, de acordo com a rede utilizada para coleta (330 e 500 µm). O Anexo VI.5.2-6 apresenta os dados quali-quantitativos dos táxons do ictioplâncton identificados no ponto amostrado.
As amostras coletadas com rede de 330µm apresentaram baixo valor de densidade total de ovos (10 ind.L-1), sendo estes identificados como pertencentes à família Callionymidae (ovo de Callyonymus sp). Nas amostras coletadas com rede de 500µm nenhum indivíduo ou ovo foi encontrado.
B.2 - Zoobentos
Neste canal, nenhum táxon de zoobentos foi encontrado durante a amostragem de novembro de 2010. Um dos fatores que precisa ser considerado quando se estuda os organismos bentônicos, tanto em termos qualitativos quanto quantitativos, é a sua distribuição heterogênea, caracterizada pela formação de manchas (patches) ou agregados, o que é bem conhecido na literatura. Como comprovado por PAIVA (2001), diferenças significativas podem existir entre as populações de organismos bentônicos, mesmo em duas áreas bem próximas entre si e que apresentam distribuições granulométricas similares. O que, talvez, possa explicar a ausência de organismos na amostra considerada.
Ademais, cabe registrar que a situação geral observada no canal é de águas de baixa qualidade e com grande quantidade de lixo. Já os sedimentos apresentam boa qualidade ambiental com granulometria, apresentando teores mais elevados de areia média e areia grossa. Todos os metais foram avaliados abaixo do limite de quantificação do método analítico, e com baixos teores de nutrientes relacionados aos valores de baseline.
B.3 - Ictiofauna
A confluência do canal São Bento com o canal Cambaíba (local definido para a amostragem) estava sendo dragada em novembro de 2010 (época da amostragem realizada especificamente para o presente estudo). Ressalta-se, ainda, que o ponto amostral para caracterização da ictiofauna apresentava muitos restos de vegetação retida devido ao uso de contentores de vegetação.
Além disso, em função de atividade de dragagem, os canais (e consequentemente sua confluência) apresentavam-se com baixíssima densidade de organismos (os quais não foram amostrados pelas redes de espera utilizadas). De toda forma, a seguir são apresentadas as espécies descritas para o canal (NOVELLI, com. pess.): Geophagus brasiliensis (acará), Hoplias malabaricus (traíra), Tilapia rendalli (tilápia), Hoplerythrinus unitaeniatus (marobá), Hoplosternum litoralle (tamboatá), Cyphocharax Gilbert (saíru), Astyanax bimaculatus (lambari de rabo amarelo), Loricariichthys sp. (caximbau viola) e Parauchinopterus striatulus (cumbaca).
Estudo de Impacto Ambiental – EIA
5.2.1.4 Canal Macaé-Campos
A - Características Gerais
O canal Macaé-Campos (Figura 5.2-16) se estende das proximidades da Lagoa Feia até Campos dos Goytacazes. Tem águas e sedimentos de péssima qualidade, com poluição orgânica e contaminação fecal excessiva da água Os sedimentos mostram nível de contaminação para cromo e valor elevado para chumbo, como indicativo de despejo de esgoto.
FIGURA 5.2-16:VISTA GERAL DO CANAL MACAÉ-CAMPOS.
B - Biota
B.1 - Plâncton
A fim de caracterizar as comunidades planctônicas do canal Macaé-Campos foram utilizados os resultados obtidos em amostragem de campo, realizada especificamente para o presente EIA, no mês de novembro de 2010. Ressalta-se que, em função da alta concentração de macrófitas no canal, não foi possível obter amostras de zooplâncton e ictioplâncton.
A caracterização qualitativa da comunidade fitoplanctônica resultou na identificação de 10 táxons, distribuídos em 5 classes taxonômicas: Bacillariophyceae (diatomáceas), Euglenophyceae (euglenofíceas), Zygnemaphyceae (desmidiáceas), Cyanophyceae (cianobactérias) e
Cryptophyceae (criptofíceas). O Quadro 5.2-3 apresenta o número total de espécies de cada classe encontrada.
QUADRO 5.2-3:NÚMERO TOTAL DE ESPÉCIES DE CADA CLASSE
ENCONTRADA NO FITOPLÂNCTON, NO CANAL MACAÉ-CAMPOS,
EM NOVEMBRO DE 2010.
CLASSES TAXONÔMICAS NÚMERO DE ESPÉCIES
Bacillariophyceae 3
Euglenophyceae 2
Zygnemaphyceae 1
Cyanophyceae 3
Cryptophyceae 1
As classes Bacillariophyceae (diatomáceas) e Cyanophyceae são os grupos com maior número de espécies identificadas nas amostras, contribuindo com 30 % dos táxons encontrados. A classe Euglenophyceae correspondeu ao segundo grupo em táxons observados, equivalendo a 20 % do total. Os demais grupos identificados contribuíram com apenas um táxon. A Figura 5.2-17 ilustra a distribuição relativa do número de espécies de cada classe do fitoplâncton.
FIGURA 5.2-17:DISTRIBUIÇÃO RELATIVA DO NÚMERO TOTAL DE
ESPÉCIES,ENTRE AS CLASSES DO FITOPLÂNCTON, NO CANAL
MACAÉ-CAMPOS, EM NOVEMBRO DE 2010.
O Anexo VI.5.2-6 apresenta os dados quali-quantitativos das espécies do fitoplâncton identificadas no ponto amostrado. A densidade fitoplanctônica total registrada foi 8.576.256 cel.L-1.
Com relação à contribuição por parte dos grupos taxonômicos a Classe Cyanophyceae foi o grupo mais representativo, apresentando o maior valor de densidade (8.174.224 cel.L-1). É comum encontrar cianobactérias em ambientes de intensa eutrofização, conforme observado neste canal, pois sua taxa de fotossíntese e de fixação de nitrogênio é mais rápida em corpos d’água com
Estudo de Impacto Ambiental – EIA
baixas concentrações de oxigênio. As demais classes apresentaram valores de densidade bastante reduzidos, comparando-se com a classe Cyanophyceae. Evidenciou-se que dos 10 táxons encontrados, a espécie Pseudanabaena sp., representante da classe de maior densidade (Cyanophyceae), foi responsável por elevar consideravelmente os valores de densidade total.
Portanto, destacaram-se quantitativamente as cianofíceas Pseudanabaena sp. (5.929.677 cel.L-1) e Synechocystis sp. (1.742.052 cel.L-1) e em menor proporção Glaucospira sp. (502.515 cel.L-1).
Cabe ressaltar que o gênero Pseudoanabaena já foi registrado como potencialmente tóxico em outros locais do Brasil, refletindo o potencial de contaminação por cianotoxinas (SANT’ANNA et. al., 2008). De acordo com SANT’ANNA et. al., (2006), o gênero Synechocystis também é responsável por produzir toxinas (hepatotoxinas).
A diversidade específica foi calculada segundo o índice proposto por SHANNON-WEAVER (1949). O resultado indicou para a estação amostrada um baixo valor de diversidade específica (1,41 bits.cel-1).
B.2 - Zoobentos
A campanha amostral realizada em novembro de 2010, para caracterização do zoobentos do canal Macaé-Campos, registrou a ocorrência de um único filo, Arthropoda, da Classe Insecta, Ordem Coleoptera, num total de 20 indivíduos. A baixa diversidade é reflexo da poluição.
B.3 - Ictiofauna
O ponto amostral analisado em novembro de 2010 (especificamente para o presente estudo) apresentou-se eutrofizado e com grande quantidade de resíduos sólidos em seu leito. Apresentava-se, ainda, assoreado, com capim, baixo nível d’água e estagnada. Por ser bastante extenso, o canal tem estirões onde a abundância e diversidade íctica é maior. Todavia, estes ambientes encontram-se fora da Área de Influência do empreendimento em tela, e afastados da cidade de Campos.
As espécies deste canal foram inferidas por especialistas a partir da entrevista com pescadores. A fauna é composta de Geophagus brasiliensis (acará), Loricariichthys sp. (caximbau viola), Parauchinopterus striatulus (cumbaca), Astyanax bimaculatus (lambari de rabo amarelo), Hoplerythrinus unitaeniatus (marobá), Cyphocharax Gilbert (saíru), Hoplosternum litoralle (tamboatá), Tilapia rendalli (tilápia) e Hoplias malabaricus (traíra).
5.2.1.5 Canal de Tocos
A - Características Gerais
O Canal de Tocos (Figura 5.2-18) localiza-se entre a lagoa Feia e a cidade de Campos dos Goytacazes, atravessando a Lagoa do Jacaré e a localidade de Visconde. Tem águas de péssima qualidade, contaminação fecal e grande quantidade de lixo. Com pouca profundidade e muita matéria orgânica, ocorre a proliferação de macrófitas por todo corpo d’água, impedindo a navegação em alguns trechos.
Os sedimentos do Canal de Tocos são considerados de pior qualidade ambiental dentre todos os corpos hídricos avaliados, apresentando níveis de contaminação para mercúrio, zinco e cromo. Também foram observados valores elevados para arsênio, cádmio, chumbo, níquel, cobre e fósforo total, este último como indicativo de aporte de efluente doméstico e urbano.
Estudo de Impacto Ambiental – EIA E.2 - Biota
B.1 - Plâncton
Em função das características em que se encontrava o canal de Tocos no momento da amostragem em novembro de 2010, não foi possível realizar coleta de zooplâncton e ictioplâncton.
B.1.1 - Fitoplâncton
A fim de caracterizar as comunidades fitoplanctônicas do Canal de Tocos foram utilizados os resultados obtidos em amostragem de campo realizada especificamente para o presente EIA, no mês de novembro de 2010.
A caracterização qualitativa da comunidade fitoplanctônica resultou na identificação de 7 táxons, distribuídos em 4 classes taxonômicas: Bacillariophyceae (diatomáceas), Euglenophyceae (euglenofíceas), Cyanophyceae (cianobactérias) e Chlorophyceae (clorofíceas). O Quadro 5.2-4 apresenta o número total de espécies de cada classe encontrada.
QUADRO 5.2-4:NÚMERO TOTAL DE ESPÉCIES DE CADA CLASSE
ENCONTRADA NO FITOPLÂNCTON, NO CANAL DE TOCOS, EM
NOVEMBRO DE 2010.
CLASSES TAXONÔMICAS NÚMERO
DE ESPÉCIES
Bacillariophyceae 2
Euglenophyceae 1
Cyanophyceae 3
Chlorophyceae 1
O levantamento taxonômico apontou a classe Cyanophyceae (cianofíceas) como o grupo com o maior número de espécies identificadas nas amostras coletadas, contribuindo com 43 % dos táxons encontrados. A classe Bacillariophyceae correspondeu ao segundo grupo em táxons observados, equivalendo a 29 % do total. Os demais grupos identificados (Chlorophyceae e Euglenophyceae) contribuíram com 14 % dos táxons. A Figura 5.2-19 ilustra a distribuição relativa do número de espécies de cada classe do fitoplâncton.
FIGURA 5.2-19:DISTRIBUIÇÃO RELATIVA DO NÚMERO TOTAL DE ESPÉCIES, ENTRE AS CLASSES DO FITOPLÂNCTON.
O Anexo VI.5.2-6 apresenta os dados quali-quantitativos das espécies do fitoplâncton identificadas no ponto amostrado. A densidade fitoplanctônica total registrada foi 7.738.731 cel.L-1.
Com relação à contribuição por parte dos grupos taxonômicos a Classe Cyanophyceae foi o grupo mais representativo, apresentando o maior valor de densidade (7.370.220 cel.L-1). As demais classes apresentaram valores de densidade bastante reduzidos, comparando-se com a classe Cyanophyceae. Evidenciou-se que dentre os táxons encontrados, a espécie Pseudanabaena sp., representante da classe de maior densidade (Cyanophyceae), foi responsável por elevar consideravelmente os valores de densidade total. Portanto, destacaram-se quantitativamente as cianofíceas Pseudanabaena sp. (5.929.677 cel.L-1) e em menor proporção Glaucospira sp. (502.515 cel.L-1).
Cabe ressaltar que o gênero Pseudoanabaena já foi registrado como potencialmente tóxico em outros locais do Brasil, refletindo o potencial de contaminação por cianotoxinas (SANT’ANNA et. al., 2008). A diversidade específica foi calculada segundo o índice proposto por SHANNON-WEAVER (1949). O resultado indicou para a estação amostrada um baixo valor de diversidade específica (1,22 bits.cel-1).
B.1.2 - Zooplâncton
A fim de caracterizar as comunidades zooplanctônicas do Canal de Tocos foram utilizados os resultados obtidos em amostragem de campo realizada especificamente para o presente estudo, no mês de novembro de 2010. O Anexo
VI.5.2-6 apresenta os dados quali-quantitativos dos táxons do zooplâncton
Estudo de Impacto Ambiental – EIA
A caracterização qualitativa da comunidade zooplanctônica resultou na identificação de 2 grandes grupos e 9 categorias taxonômicas entre família, e espécie.
A densidade zooplanctônica total registrada foi 440 ind.L-1. A família Doliolidae apresentou a maior densidade de táxons (320 ind.L-1), sendo representada principalmente por Doliolum sp. (210 ind.L-1). Como esta família frequentemente, ocorre em grande quantidade, representa papel importante na alimentação de outros invertebrados, tais como ctenóforos e medusas, bem como de muitos peixes e aves marinhas.
B.1.3 - Ictioplâncton
A comunidade ictioplanctônica do Canal de Tocos foi caracterizada através de amostragem de campo realizada especificamente para o presente estudo, durante o mês de novembro de 2010. A estrutura da comunidade foi analisada utilizando-se os valores de densidade total de ovos e larvas, de acordo com a rede utilizada para coleta (330 e 500 µm). O Anexo VI.5.2-6 apresenta os dados quali-quantitativos dos táxons do ictioplâncton identificados no ponto amostrado.
As amostras coletadas com rede de 330µm apresentaram baixo valor de densidade total de ovos (30 ind.L-1), sendo estes identificados como pertencentes às famílias Labridae (10 Ovos de Symphodus melops - bodião), Engraulidae (10 Ovos de Engraulis encrasicolus – anchova européia) e Gadidae (10 Ovos de Trisopterus luscus - faneca). Nas amostras coletadas com rede de 500µm apenas ovos de Engraulis encrasicolus (anchova européia) da família Engraulidae foram observadas (10 ind.L-1).
B.2 - Zoobentos
Da mesma forma ao observado no Canal São Bento, neste canal, nenhum táxon de zoobentos foi encontrado durante a amostragem de novembro de 2010. Mais uma vez, deve ser mencionada sobre a distribuição heterogênea dos organismos bentônicos, caracterizada pela formação de manchas ou agregados. Diferenças significativas podem existir entre as populações de organismos bentônicos, mesmo em duas áreas bem próximas entre si e que apresentam distribuições granulométricas similares. Cabe registrar que, dentre os corpos hídricos avaliados, apresentou os sedimentos de pior qualidade ambiental.
B.3 - Ictiofauna
Em novembro de 2010, o ponto amostral analisado para caracterização apresentava-se eutrofizado, com a presença de muitas espécies de macrófitas. Além disso, o nível d’água encontrava-se muito raso, o que impossibilitou a realização de amostragem de indivíduos. A lista de espécies descritas para este canal foi obtida a partir de entrevistas com pescadores locais, que apontaram as seguintes: Tilapia rendalli (tilápia), Geophagus brasiliensis (acará), Parauchinopterus striatulus (cumbaca), Hoplerythrinus unitaeniatus (marobá), Loricariichthys sp (caximbau viola), Hoplias malabaricus (traíra) e Hoplosternum litoralle (tamboatá).
5.2.1.6 Canal Cacomanga
A - Características Gerais
O Canal Cacomanga caracteriza-se por águas de péssima qualidade, contaminação fecal e grande quantidade de resíduos sólidos em suas águas (Figura 5.2-20).
Estudo de Impacto Ambiental – EIA B - Biota
B.1 - Plâncton
B.1.1 - Fitoplâncton
A fim de caracterizar as comunidades fitoplanctônicas do Canal Cacomanga foram utilizados os resultados obtidos em amostragem de campo realizada especificamente para o presente EIA, no mês de novembro de 2010.
A caracterização qualitativa da comunidade fitoplanctônica resultou na identificação de 5 táxons, distribuídos em 3 classes taxonômicas: Bacillariophyceae (diatomáceas), Euglenophyceae (euglenofíceas) e Cyanophyceae (cianobactérias). O Quadro 5.2-5 apresenta o número total de espécies de cada classe encontrada.
QUADRO 5.2-5:NÚMERO TOTAL DE ESPÉCIES DE CADA CLASSE
ENCONTRADA NO FITOPLÂNCTON, NO CANAL CACOMANGA, EM
NOVEMBRO DE 2010.
CLASSES TAXONÔMICAS NÚMERO
DE ESPÉCIES
Bacillariophyceae 2
Euglenophyceae 1
Cyanophyceae 2
O levantamento taxonômico apontou as classes Cyanophyceae (cianofíceas) e Bacillariophyceae (diatomáceas) como os grupos com o maior número de espécies identificadas nas amostras coletadas, contribuindo com 40 % dos táxons encontrados. A classe Euglenophyceae (euglenofíceas) apresentou 20 % dos táxons encontrados.
A Figura 5.2-21 ilustra a distribuição relativa do número de espécies de cada classe do fitoplâncton.
FIGURA 5.2-21:DISTRIBUIÇÃO RELATIVA DO NÚMERO TOTAL DE
ESPÉCIES,ENTRE AS CLASSES DO FITOPLÂNCTON, NO CANAL
CACOMANGA, EM NOVEMBRO DE 2010.
O Anexo VI.5.2-6 apresenta os dados quali-quantitativos das espécies do fitoplâncton identificadas no ponto amostrado. A densidade fitoplanctônica total registrada foi 2.931.250 cel.L-1.
Com relação à contribuição por parte dos grupos taxonômicos a Classe Cyanophyceae foi o grupo mais representativo, apresentando o maior valor de densidade (2.881.000 cel.L-1). As demais classes apresentaram valores de densidade bastante reduzidos, comparando-se com a classe Cyanophyceae. Evidenciou-se que dentre os táxons encontrados, a espécie Pseudanabaena sp., representante da classe de maior densidade (Cyanophyceae), foi responsável por elevar consideravelmente os valores de densidade total. Portanto, esta espécie destacou-se quantitativamente, apresentando o maior valor de densidade entre as demais (2.713.500 cel.L-1).
A diversidade específica foi calculada segundo o índice proposto por SHANNON-WEAVER (1949). O resultado indicou para a estação amostrada um valor muito baixo de diversidade específica (0,47 bits.cel-1).
B.1.2 - Zooplâncton
Para caracterizar as comunidades zooplanctônicas do Canal Cacomanga foram utilizados os resultados obtidos em amostragem de campo realizada especificamente para o presente EIA, no mês de novembro de 2010.
A caracterização qualitativa da comunidade zooplanctônica resultou na identificação de 2 grandes grupos e 9 categorias taxonômicas entre família, e espécie.
Estudo de Impacto Ambiental – EIA
O Anexo VI.5.2-6 apresenta os dados quali-quantitativos dos táxons do zooplâncton identificados no ponto amostrado. A densidade zooplanctônica total registrada foi 440 ind.L-1. A família Doliolidae apresentou a maior densidade de táxons (310 ind.L-1), sendo representada principalmente por Doliolum sp. (210 ind.L-1).
Considerando os índices de estrutura da comunidade, a diversidade específica foi calculada segundo o índice proposto por SHANNON-WEAVER (1949). O resultado indicou para a estação amostrada um médio valor de diversidade específica (2,27 bits.cel-1).
B.1.3 - Ictioplâncton
A fim de caracterizar a comunidade ictioplanctônica do canal Macaé-Campos foram utilizados os resultados obtidos em amostragem de campo realizada especificamente para o presente EIA, no mês de novembro de 2010.
A análise da estrutura da comunidade foi realizada utilizando-se os valores de densidade total de ovos e larvas. Cada um destes índices foi analisado de acordo com a rede utilizada para coleta (330 e 500 µm). O Anexo VI.5.2-6 apresenta os dados quali-quantitativos dos táxons do ictioplâncton identificados no ponto amostrado.
As amostras coletadas com rede de 330µm apresentaram densidade total de ovos de 30 ind.L-1. Foram identificados ovos das famílias Labridae, Engraulidae e Gadidae, apresentando densidade de 10 ind.L-1 cada.
Nas amostras coletadas com rede de 500µm foi registrada densidade total de ovos de 10 ind.L-1. Foram identificadas apenas ovos da espécie Engraulis encrasicolus, pertencente à família Engraulidae.
B.2 - Zoobentos
Neste canal, a exemplo dos canais São Bento e Tocos, nenhum taxa de zoobentos foi observado durante a amostragem de novembro de 2010.
Diversos fatores ambientais podem influenciar de forma direta ou indireta a composição e distribuição da macrofauna bentônica. Estes podem ser de caráter natural, quanto antrópico, o que justifica as variações dos valores de densidade entre os pontos (canais) amostrados. Para realizar uma avaliação dos possíveis impactos da área estudada sobre os bentos, faz-se necessário um conhecimento maior da comunidade em questão, entendendo a sua estrutura e ecologia, associado a um conhecimento maior também dos fatores ambientais atuantes sobre estas comunidades.
Registra-se que suas águas apresentam péssima qualidade, contaminação fecal e grande quantidade de lixo. Os sedimentos, de granulometria predominantemente siltosa, apresentam evidências de contaminação de mercúrio, e valores elevados de cromo.
B.3 - Ictiofauna
O canal Cacomanga foi vistoriado em novembro de 2010, visando a análise da ictiofauna local existente. Todavia, na ocasião da realização da campanha amostral, encontrava-se totalmente eutrofizado e com a presença macrófitas em seu leito. Além disso, não foi detectado fluxo d’água no leito do canal, inviabilizando a coleta.
Assim, como para outros corpos hídricos, a lista de espécie baseou-se na experiência em entrevista com pescadores locais: Hoplias malabaricus (traíra), Geophagus brasiliensis (acará), Tilapia rendalli (tilápia), Hoplosternum litoralle (tamboatá), Hoplerythrinus unitaeniatus (marobá), Cyphocharax Gilbert (saíru), Astyanax bimaculatus (lambari de rabo amarelo), Loricariichthys sp. (caximbau viola) e Parauchinopterus striatulus (cumbaca).
5.2.2 Ecossistemas de Lagoas e Lagunas
As principais lagoas e lagunas da Área de Influência são: Taí, Grussaí, Iquipari, Veiga, Salgada e Açu (Figura 5.2-22). A lagoa do Taí é vizinha da parte norte da área do DISJB. A lagoa de Grussaí situa-se próximo à parte nordeste do DISJB, enquanto a lagoa de Iquipari é vizinha a leste. A lagoa do Veiga situa-se a sudeste. As lagoas Salgada e Açu situam-se ao sul do DISJB. Todas as lagoas são bens ambientais do Estado, sendo o INEA o órgão responsável pela gestão.
Estudo de Impacto Ambiental – EIA
FIGURA 5.2-22:MAPA DAS LAGOAS NO INÍCIO DO SÉCULO XIX.FONTE:EXTRAÍDO DE
MAPA PRODUZIDO POR ALBERTO LAMEGO QUE RETRATA A REGIÃO NAS PRIMEIRAS
5.2.2.1 Lagoa do Taí
A - Características Gerais
A lagoa do Taí (Figura 5.2-23 e Figura 5.2-24) está localizada na parte noroeste do município de São João da Barra, entre as rodovias RJ-196 e a RJ-240. As localidades mais próximas são Vila Abreu a noroeste, Amparo ao norte, Campo da Praia a leste, Palacete a oeste e Pipeiras ao sul.
No passado, antes das obras de drenagem realizadas na década de 1930 existiam duas lagoas do Taí, a Pequena e a Grande, ambas abastecidas pelas vias, superficial e subterrânea. Quando cheia, os vazadouros da lagoa do Taí Grande alimentavam a lagoa de Grussaí através do córrego das Correntezas. A lagoa do Taí Pequena foi completamente drenada pelo canal São Bento. Já lagoa do Taí Grande viu-se reduzida a duas lagoas menores interligadas pelo canal do Quitingute e por brejos.
Estudo de Impacto Ambiental – EIA
A lagoa possui margens planas cobertas por taboas ou por pastos. O fundo é plano composta por uma mistura de argila, areia e material vegetal em decomposição. De acordo com a Resolução CONAMA 357/05, suas águas são classificadas como águas doces classe II. A lagoa é utilizada para pesca, banho, extração de taboa, pequena irrigação, captação isoladas para abastecimento de casas no meio rural e como habitat pela fauna e flora local.
A lagoa é gerenciada pela representação do INEA em Campos dos Goytacazes, sendo eventualmente inspecionada. Não possui Faixa Marginal de Proteção (FMP) oficialmente aprovada.
B - Biota
B.1 - Plâncton
B.1.1 - Fitoplâncton
A fim de caracterizar as comunidades fitoplanctônicas da lagoa do Taí foram utilizados os resultados obtidos em amostragem de campo realizada especificamente para o presente EIA, no mês de novembro de 2010.
A caracterização qualitativa da comunidade fitoplanctônica resultou na identificação de 20 táxons, distribuídos em 6 classes taxonômicas: Bacillariophyceae (diatomáceas), Euglenophyceae (euglenofíceas), Cyanophyceae (cianobactérias), Chlorophyceae (clorofíceas), Zygnemaphyceae (desmidiáceas) e Cryptophyceae (criptofíceas). O Quadro 5.2-6 apresenta o número total de espécies de cada classe encontrada.
QUADRO 5.2-6:NÚMERO TOTAL DE ESPÉCIES DE CADA CLASSE
ENCONTRADA NO FITOPLÂNCTON, NA LAGOA DO TAÍ, EM
NOVEMBRO DE 2010. CLASSES TAXONÔMICAS NÚMERO DE ESPÉCIES Bacillariophyceae 5 Euglenophyceae 2 Cyanophyceae 1 Chlorophyceae 10 Zygnemaphyceae 1 Cryptophyceae 1
O levantamento taxonômico apontou a classe Chlorophyceae (clorofíceas) como o grupo com o maior número de espécies identificadas nas amostras coletadas, contribuindo com 50 % dos táxons encontrados.