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Monoculturas (Canaviais), Pastagens e Fauna Associada

5.4 FAUNA TERRESTRE

5.4.2 Uso do Habitat e Composição da Fauna na AID

5.4.2.3 Monoculturas (Canaviais), Pastagens e Fauna Associada

Os campos e pastagens, sejam elas naturais e/ou antrópicas, são formados basicamente por gramíneas e plantas sublenhosas pioneiras, apresentando por isto uma estratificação quase nula, uma vez que a vegetação só atinge o nível subarbustivo (Figura 5.4-21). Normalmente, nessas áreas encontram-se comunidades faunísticas pouco exigentes em termos de habitats e espécies

Estudo de Impacto Ambiental – EIA

invasoras de outros tipos vegetacionais, além de espécies outrora especialistas em bordas e clareiras de mata.

FIGURA 5.4-21:ÁREA DE PASTAGEM PRESENTE NA ÁREA DE

INFLUÊNCIA INDIRETA

Assim como para as áreas de pastagens, as áreas de monoculturas, como é o caso dos canaviais (Figura 5.4-22), também são ambientes simplificados em termos de oferta de recursos para a fauna (refúgios, abrigos e alimento). Especificamente, quando consideramos a AII verifica-se uma grande porção da área é ocupada por espaços agrícolas e pastagens (pouco mais de 70 %), sendo a monocultura de cana de açúcar o uso mais comum, seguido de pastos.

A diversidade da entomofauna em uma região assim está diretamente relacionada a ocorrência de áreas de mata e seu estado de preservação nos arredores do cultivo. Para a cultura da cana de açúcar sabe-se que suas principais pragas são Diatraea saccharalis (Lepidoptera – Cambridae) conhecida como broca da cana de açúcar, Migdolus fryanus (Coleoptera - Cerambycidae) e Sphenophorus levis (Coleoptera - Curculionidae). (POLANCZYK et. al., 2004).

Monoculturas de goiaba também estão presentes na região da baixada campista. Um estudo realizado por MULTANI (2008) verificou a diversidade de crisopídeos e de suas presas e parasitóides em pomares de goiaba em Campos dos Goytacazes, RJ. Durante estas amostragens, foram coletadas 18 espécies de crisopídeos dos gêneros Leucochrysa Ceraeochrysa, Chrysopodes, Chrysoperla e Plesiochrysa.

Um canavial é um habitat bastante inconstante, face aos cortes periódicos da planta, forçando uma ocupação sazonal da fauna conforme a cana cresce a partir do solo exposto. Neste tipo de ambiente não é raro verificar algumas espécies da mastofauna circular, como é o caso do tatu-galinha (Dasypus novemcinctus -

Figura 5.4-23), que escapam das queimadas periódicas provavelmente devido ao

hábito de viver em tocas.

FIGURA 5.4-23:TATU-GALINHA (DASYPUS NOVEMCINCTUS)

Dentre o grupo dos anfíbios podem ser encontradas espécies insetívoras noturnas como o sapo-cururu (Rhinella icterica) e as rãs (Leptodactylus fuscus -

Figura 5.4-24 - e Leptodactylus ocellatus - Figura 5.4-25), abrigando-se em tocas

e cavidades junto às moitas de capim. Essas espécies podem se adaptar a este ambiente e desovam tanto em poças periódicas quanto em coleções de água mais profundas.

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FIGURA 5.4-24:RÃ (LEPTODACTYLUS FUSCUS)

FIGURA 5.4-25:RÃ (LEPTODACTYLUS OCELLATUS)

Nessas regiões de campo aberto/pastagens ou canaviais é comum a ocorrência de pequenos mamíferos que forrageiam no solo, alimentando-se de sementes ou caules e folhas de gramíneas, como os roedores Akodon cursor (rato-do-mato), Cerradomys subflavus (rato-do-mato) e Cavia porcellus (preá) (LLX-AÇU/ECOLOGUS, 2010b; LLX-(LLX-AÇU/ECOLOGUS, 2010d). Outra espécie comum na região é o ouriço-caxeiro (Sphiggurus villosus - Figura 5.4-26). Outros animais que podem frequentar canaviais são a preá (Cavia porcellus), o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), a cutia (Dasyprocta agouti), o rato-do-mato (Akodon cursor, Euryoryzomys russatus e Oligoryzomys flavescens) e gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita - Figura 5.4-27). Associado à ocorrência dos pequenos

mamíferos, estão a jibóia (Boa constrictor - Figura 5.4-28) e o carcará (Caracara plancus). Além disso, é registrada a ocorrência do lagarto teiú (Tupinambis merianae - Figura 5.4-29).

FIGURA 5.4-26:OURIÇO-CACHEIRO (SPHIGGURUS VILLOSUS).

FIGURA 5.4-27:JOVENS DE GAMBÁ-DE-ORELHA-PRETA

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FIGURA 5.4-28:JIBÓIA (BOA CONSTRICTOR).

FIGURA 5.4-29:TEIÚ (TUPINAMBIS MERIANAE)

Para a quiropterofauna, as pastagens podem ser utilizadas por morcegos de conjuntos taxonômicos bastante simplificados e compostos por espécies generalistas e de elevada tolerância a alterações antrópicas, como os filostomídeos Artibeus lituratus, Sturnira lilium e Plathirrinus lineatus, os quais se alimentam preferencialmente por plantas pioneiras como piperáceas e solanáceas (REIS et. al., 2007), normalmente encontradas em áreas abertas e áreas antropizadas. As pastagens ainda podem ser áreas de forrageio para espécies insetívoras aéreas (e.g. molossídeos e vespertilionídeos) (Anexo VI.5.4-3).

As áreas de canaviais podem servir de forrageio para espécies de morcegos insetívoras apenas em alguns períodos do ciclo da cana. Além disso, algumas destas áreas de canavial por estar associada às áreas de criação de gado podem favorecer o aumento da população do morcego-vampiro-comum (Desmodus rotundus). Entretanto, não há estudos que façam associações com estes ambientes de canavial e morcegos.

Conforme mencionado anteriormente, para o grupo da avifauna, as áreas abertas (com solo exposto e pequenas moitas de gramíneas) são ocupadas pelo caminheiro-zumbidor (Anthus lutescens), a coruja-buraqueira (Athene cunicularia) e o quero-quero (Vanellus chilensis). Caso ocorram moitas de capim colonião, é comum serem encontradas espécies granívoras como o tiziu (Volatinia jacarina), o coleirinho (Sporophila caerulescens) e o bico-de-lacre (Astrilda astrid), esta última, espécie introduzida no Brasil na época do período colonial. Outras espécies de aves citadas como de habitual ocorrência em pastagens são a graça-vaqueira (Bubulcus íbis - Figura 5.4-30), o quero-quero (Vanellus chilensis), o anu-preto (Crotopha ani) e anu-branco (Guira guira), rolinhas (Columbina talpacoti), anu-branco (Guira guira) e anu-preto (Crotophaga ani).

FIGURA 5.4-30:GARÇA-VAQUEIRA (BUBULCUS IBIS)

Um estudo feito por PIRATELLI et. al., (2005) mostra uma relação de espécies de avifauna de quatro fragmentos florestais em uma área de cultivo de cana de açúcar na região de Campos dos Goytacazes. Foram registradas 44 espécies e caracterizadas de acordo com a guildas específicas (utilização dos fragmentos). Dentre as espécies levantadas, oito foram adicionadas ao Anexo VI.5.4-4, de maneira complementar a listagem de dados compilados para a Área de Influência do empreendimento e localidades próximas (entorno). São elas: inhambu-chintã (Crypturellus tataupa), curica (Amazona amazonica), beija-flor-de-fronte-violeta (Thalurania glaucopis), miudinho (Myiornis auricularis), Rhynchocyclus olivaceus

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(bico-chato-grande), rendeira (Manacus manacus), verdinho-coroado (Hylophilus poicilotis) e tié-preto (Tachyphonus coronatus).

Em pastagens antropizadas, a presença de lixo em algumas áreas provém os recursos necessários à sobrevivência de espécies sinantrópicas como o gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita) e a ratazana (Rattus novergicus). A presença de roedores e de pequenos e médios mamíferos fornece condições ideais para outras espécies que as utilizam como recurso, como a jararaca (Bothropoides jararaca) e para a jibóia (Boa constrictor).

A destruição e degradação da cobertura vegetal original para o uso do solo em atividades como agricultura e pecuária, tem proporcionado a expansão de áreas abertas ao longo de todo o domínio da Mata Atlântica (PIRATELLI et. al., 2005). Essas modificações efetuadas por ação antrópica, ao mesmo tempo que torna raras ou localmente extintas espécies nativas com maiores exigências ecológicas, como o sabiá-da-praia (Mimus gilvus), favorece a chegada e estabelecimento de populações típicas de áreas abertas interioranas, como o Cerrado. Entre as aves de Cerrado que expandiram sua distribuição nas últimas décadas, passando a ocupar o litoral fluminense, podem ser citadas a lavadeira-mascarada (Fluvicola nengeta), a casaca-de-couro (Furnarius figulus), a seriema (Cariama cristata) e, mais recentemente, o arapaçu-de-cerrado (Lepidocolaptes angustirostris).