5.4 FAUNA TERRESTRE
5.4.2 Uso do Habitat e Composição da Fauna na AID
5.4.2.2 Remanescentes Florestais e Fauna Associada
Originalmente, estes habitats abrigavam a maior diversidade faunística, em função de sua estratificação vertical (sinúsias). Na atualidade, estes locais foram praticamente eliminados na planície aluvial, restando apenas pequenos remanescentes servindo como refúgio para animais nativos que exploram os campos e as lavouras ao redor.
Alguns dos remanescentes florestais existentes na AII foram visitados em três diferentes ocasiões, sendo uma vistoria da área para reconhecimento de campo (em outubro ou novembro de 2010), durante expedição em campo para coleta de dados faunísticos (meados do mês de novembro de 2010) e durante coleta de dados florísticos (final de novembro de 2010).
Anteriormente à visita em campo, os remanescentes florestais foram mapeados através de imagem digital (ferramenta Google Earth) e tiveram suas coordenadas anotadas para servirem de referência em campo.
Durante as atividades, verificou-se que os fragmentos constituem pequenas áreas de capoeira em fase inicial de regeneração (Figura 5.4-8), não apresentando indivíduos arbóreos de grande porte, conforme descrito no Item 5.3. Ainda, todos os remanescentes visitados apresentaram perturbações antrópicas, tais como, presença de gado e animais sinantrópicos como galinhas e cachorros. Além disso, foi observado o despejo de resíduos sólidos próximo às propriedades rurais do local. Por consequência, a composição da fauna é formada por aquelas espécies generalistas, adaptadas às paisagens alteradas antropicamente (nesse caso, essencialmente a de ambientes rurais), tendo sido notada a presença de
Estudo de Impacto Ambiental – EIA
espécies como urubu e gambá-de-orelha-preta, os quais possivelmente foram atraídos pela oferta de alimento (BEALE, 2007).
FIGURA 5.4-8:FRAGMENTOS FLORESTAIS (CAPOEIRA)SITUADOS NA AII.
As inspeções de campo para o diagnóstico da fauna na AII basearam-se em metodologias de rápida detecção visando determinar as espécies da herpetofauna e mastofauna (busca ativa, parcelas de areia com iscas e registros indiretos) e avifauna (censo por pontos) ocorrentes nas áreas-alvo.
O levantamento incluiu prévia análise da paisagem e avaliação ambiental das áreas do levantamento para que fosse estabelecida uma relação entre as espécies da fauna e os ambientes predominantes na paisagem.
Para avifauna foram identificadas 61 espécies de aves já descritas para a região. Dentre as espécies registradas nas paisagens da AII nenhuma apresentou hábito estritamente florestal. No local, cuja matriz é cercada por pastagens/monoculturas as espécies mais comuns foram quero-quero (Vanellus chilensis), anu-branco (Guira guira) e anu-preto (Crotophaga ani - Figura 5.4-9), urubu (Coragypes atratus), coruja-buraqueira (Athene cunicularia - Figura 5.4-10), joão-de-barro (Furnarius rufus - Figura 5.4-11), bem-te-vi (Pitangus sulphuratus - Figura
5.4-12), caminheiro-zumbidor (Anthus lutescens) e pardal (Passer domesticus)
FIGURA 5.4-9:ANU-PRETO (CROTOPHAGA ANI)
Estudo de Impacto Ambiental – EIA
FIGURA 5.4-11:JOÃO-DE-BARRO (FURNARIUS RUFUS)
FIGURA 5.4-12:BEM-TE-VI (PITANGUS SULPHURATUS)
FONTE: TERRABRASIL.ORG.BR
Nos fragmentos degradados/capoeiras foram observadas as espécies acauã (Herpetotheres cachinnans), falcão-de-coleira (Falco femoralis - Figura 5.4-13), rolinha caldo de feijão (Columbina talpacoti), juriti (Leptotila verreauxi) e, novamente, o anu-preto e anu-branco, pica-pau-anão-barrado (Picumnus cirratus) e sabiá-do-campo (Mimus saturninus).
FIGURA 5.4-13:JOVENS DE FALCÃO-DE-COLEIRA (FALCO FEMORALIS)
Embora não tenha havido registro de nenhuma espécie de hábito estritamente florestal, duas espécies registradas nesses fragmentos não constavam na listagem da avifauna compilada para a região ao longo dos últimos anos. Foram elas: o beija-flor-de-bico-curvo (Polytmus guainumbi - Figura 5.4-14) e o caneleiro-preto (Pachyramphus polycopterus - Figura 5.4-15), ambos descritos para a área de fragmento degradado/capoeira.
FIGURA 5.4-14:BEIJA-FLOR-DE-BICO-CURVO (POLYTMUS GUAINUMBI)
Estudo de Impacto Ambiental – EIA
FIGURA 5.4-15:CANELEIRO-PRETO (PACHYRAMPHUS POLYCOPTERUS)
FONTE: FOTO-MUNDOSILVESTRE.COM
FIGURA 5.4-16:AVOANTE (ZENAIDA AURICULATA)
Para mastofauna foram identificados um total de quatro (4) espécies de mamíferos distribuídas em quatro (4) famílias Dasypodidae, Didelphidae, Hydrochaeridae e Muridae foram registradas durante as atividades de campo (Anexo VI.5.4-3).
Na AII foram obtidos registros indiretos (pegadas), coletados fora das parcelas de areia, para que assim a amostragem fosse otimizada durante o trabalho de campo.
Os três (3) fragmentos florestais visitados na AII possuem evidências de antropização e animais domésticos, como bois e cavalos, que tem acesso constante ao interior da vegetação, pisoteando e dificultando a sua regeneração natural (Figura 5.4-17) Esse fato foi evidenciado pelos registros nas parcelas de areia terem sido somente de animais domésticos, como o boi (Bos taurus taurus e Bos taurus indicus) e o cachorro-doméstico (Canis familiaris).
O baixo quantitativo de animais registrados durante a expedição em campo pode ter sido prejudicado devido ao tempo chuvoso. Além disso, a AII é dominada por canaviais e pastagens, ambientes, que contribuem para a existência de espécies de fauna adaptadas a ambientes menos complexos.
FIGURA 5.4-17:PEGADAS DE ANIMAIS DOMÉSTICOS,BOI (BOS TAURUS TAURUS - ESQUERDA)
E CACHORRO-DOMÉSTICO (CANIS FAMILIARIS - DIREITA),REGISTRADOS DURANTE O
TRABALHO DE CAMPO DO DIAGNÓSTICO DE FAUNA,CAMPOS DOS GOYTACAZES –RJ.
Em se tratando dos registros indiretos, foram identificadas pegadas de exemplares de Didelphis aurita (gambá-de-orelha-preta) (Figura 5.4-18) e uma toca de tatu-galinha (Dasypus novemcinctus) foi registrada na área de fragmento degradado.
Durante as entrevistas realizadas foi relatado que capivara (Hydrochaeris hydrochaeris), ratazana (Rattus novergicus) e o gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita) são comuns na região.
A capivara (Hydrochaeris hydrochaeris) ocorre em todo Brasil e na região sudeste é uma espécie é perseguida por causa da caça para o consumo de carne, gordura e couro. Em algumas regiões do Estado do Rio de Janeiro as populações de capivara estão em desequilíbrio devido à ausência de predadores e podem causar prejuízos às lavouras (FREITAS & SILVA, 2005; REIS et. al., 2006; REIS et. al., 2010).
O roedor (Rattus novergicus) foi relatado com frequência durante as entrevistas e parece ser um transtorno para a população local já que consome uma vasta variedade de alimentos, incluindo grãos, cereais, frutos e até alimentos humanos. Este roedor é originário do Velho Mundo e é registrado em todos os estados do Brasil.
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O gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita) é um marsupial onívoro e em locais urbanos pode alimentar-se de aves domésticas e de resíduos sólidos orgânico. É solitário, ativo durante a noite e pode ser encontrado em áreas abertas e florestais (EISENBERG & REDFORD, 2000; REIS et. al., 2006; REIS et. al., 2010).
FIGURA 5.4-18:PEGADAS (DIANTEIRA E TRASEIRA) DE GAMBÁ-DE-ORELHA-PRETA
(DIDELPHIS AURITA)REGISTRADAS DURANTE O TRABALHO DE CAMPO DO
DIAGNÓSTICO DE MASTOFAUNA,CAMPOS DOS GOYTACAZES –RJ.
Uma toca de Dasypus novemcinctus é demonstrada na Figura 5.4-19, registrada em um fragmento degradado da AII. O tatu-galinha é a segunda maior espécie entre o gênero Dasypus, alimenta-se de invertebrados, e ocorre em uma grande variedade de habitats. Embora esta espécie seja muito caçada, ainda não sofre ameaça de extinção, devido a sua ampla distribuição (AGUIAR, 2004).
FIGURA 5.4-19:TOCA DE TATU-GALINHA (DASYPUS NOVEMCINCTUS)REGISTRADAS
DURANTE O TRABALHO DE CAMPO DO DIAGNÓSTICO DE MASTOFAUNA, CAMPOS DOS GOYTACAZES –RJ.
Com relação à herpetofauna levantada na AII, foi registrada a ocorrência de quatro (4) espécies distribuídas em quatro (4) famílias: Leiuperidae, Leptodactylidae, Bufonidae e Boidae. Dentre as espécies levantadas estão a rã-cachorro (Physalaemus cuvieri), rã-assobiadora (Leptodactylus mystacinus), sapo-granuloso (Rhinella pygmaea) (Figura 5.4-20) e jibóia (Boa constrictor) (Anexo VI.5.4-2).
FIGURA 5.4-20:SAPO-GRANULOSO (RHINELLA PYGMAEA)REGISTRADO
DURANTE O TRABALHO DE CAMPO DO DIAGNÓSTICO DE
HERPETOFAUNA,CAMPOS DOS GOYTACAZES –RJ.
Durante as entrevistas foi relatada a ocorrência de jibóia e três (3) espécies de anuros foram registradas através de identificação de vocalização na lagoa do Visconde e visualização por busca ativa em fragmentos de mata.
De maneira geral, as espécies levantadas em fragmentos florestais degradados são semelhantes as que ocorrem nas áreas de monoculturas e pastagens, tendo em vista que restaram poucos remanescentes florestais e estes apresentavam indícios de perturbação, tais como a presença de gado no interior das capoeiras. A constante alteração do ambiente não permite que este remanescente atinja outros estágios de regeneração, contribuindo assim com a sua permanente degradação deste.