Levantamento das Variáveis Ambientais relacionados
com os Impactos Ambientais do Canal da Barra e da
Lagoa de Marapendi,situados no Bairro Barra da
Tijuca no Município do Rio de Janeiro-RJ.
Bruno Cesar Silva Rocha (LATEC/UFF)
Resumo: O trabalho a seguir visou analisar variáveis ambientais e correlacioná-las com fatores
de impacto ambiental e consequentemente econômico e social do Canal da Barra e da Lagoa de Marapendi no Bairro da Barra da Tijuca no Município do Rio de Janeiro-RJ. Foi realizado um estudo de fatores abióticos para melhor entendimento das relações com impactos causados pelo ser humano.Foram realizadas 3 saídas de Campo em 3 Locais distintos e em 3 dias distintos. Nestas saídas foram coletadas variáveis e materiais para posterior análise em laboratório. Os resultados mostraram que a influência da abertura da Lagoa para o Mar, oxigena a Lagoa e faz com que a mesma consiga manter estável. Porém nas Estações onde não há abertura pro Mar e despejo de esgoto há uma maior concentração de Matéria Orgânica causando que causa maior eutrofização e assim uma maior depletação da fauna local.
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1. Introdução
Lagoas costeiras são ecossistemas que ocorrem ao longo de toda a costa brasileira, sendo que o maior número delas é encontrado nos Estado do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. Podem-se considerar as lagoas costeiras brasileiras como um dos conjuntos de ecossistemas aquáticos continentais mais representativos do país. São ecossistemas cujo tamanho varia desde pequenas depressões, preenchidas com água da chuva e/ou do mar, de caráter temporário, até corpos d’água de grandes extensões. Embora no Brasil, o termo lagoa costeira ou simplesmente lagoa seja amplamente empregado em designar corpos d’água localizados na costa, portanto próximos ao mar, esses ecossistemas podem ser na prática lagunas ou lagos costeiros. A ocorrência de lagoas costeiras de origem mista, isto é, resultante da associação entre isolamento de baías marinhas e foz de rios não deve ser descartada. No estado do Rio de Janeiro podem ser, por exemplo, as lagoas de Carapebus e Paulista, ambas localizadas no Parque Nacional de Jurubatiba e também da associação entre o assoreamento de foz de rio e aporte de água de lençol freático. Como por exemplo, podem ser citadas as lagoas Comprida (Parque Nacional de Jurubatiba) e iodada (Município de Rio das Ostras). (3). Na maioria destas lagoas é praticada a pesca ocasional ou de subsistência, principalmente devido ao declínio da qualidade ambiental, que reduz o estoque pesqueiro, e ao aumento na expansão imobiliária nas áreas marginais, que deslocam as famílias de pescadores profissionais para outras regiões (1).
As pesquisas realizadas nas lagoas costeiras demonstraram que estes ecossistemas são considerados importantes depositários da biodiversidade aquática (6), entre outros.
Aberturas naturais da faixa de areia que separam as lagoas costeiras no Nordeste do Estado do Rio de Janeiro do mar, regionalmente denominadas de abertura da barra, são fenômenos de difícil ocorrência. Este fato pode ser atribuído à energia do mar nesta região, que é suficiente para garantir a sedimentação constante nas áreas de comunicação lagoa-oceano. Em outras palavras: o mar deposita mais areia do que é capaz de retirar. (3).
2-Objetivo
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3-Área de Estudo
Está situada a 22 54 23 de latitude sul e 043 10 21 de longitude oeste.
A Lagoa de Marapendi tem área de 3,26 Km2 e situa-se entre dois cordões arenosos, onde o mais amplo interiorizado e antigo situa-se em torno de 7,5 metros acima do nível do mar e o cordão mais recente está 4,5m acima do nível do mar (5). Sua ligação ao mar se faz pela abertura do Canal de Marapendi, a leste. Suas margens são constituídas, principalmente, por terrenos arenosos e por depósitos orgânicos de turfas com pequena espessura, além de pequenos mangues.Contudo além da impermeabilização das margens, aterros e desfiguração dos terraços, devido ao seu uso, hoje mais água é lançada à Lagoa a partir da construção de galerias pluviais e de esgoto. Nela está situado o Parque Ecológico Municipal de Marapendi.
Abaixo podemos observar um Mapa da área:
Figura 1-Mapa da Lagoa de Marapendi e do Canal da Barra
Fonte:
https://maps.google.com.br/maps?hl=pt-BR&q=lagoa+de+mrapendi&ie=UTF-8&ei=sjuSUZypOJSI9QT_ioCIBQ&ved=0CAgQ_AUoAg. Acessado em 15/05/2013.
Estação 1 Estação 2
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4- Práticas de Campo
No campo foram divididas 3 estações, uma no canal da Barra situado Barra da Tijuca,a segunda bem distante da primeira (Em frente ao Condomínio Barra Bali também situado na Barra da Tijuca e uma terceira (Próximo ao Parque Chico Mendes situado também na Barra da Tijuca) mais ou menos 1km distante da segunda e bem mais distante da primeira. Nas 3 estações foram feitos 2 arrastos em cada estação um para cada dia de coleta, na primeira estação foi passado arrasto 2 vezes ida e volta em uma determinação distância. Para medir a visibilidade da água foi descido um disco de secchi até o último ponto que se tinha visibilidade na água, e depois medida com uma trena, daquele ponto até a superfície da água e anotadas as medidas. Para medir a temperatura da água foi, colocado um termômetro de aquário boiando na água durante 5 minutos e anotadas as medidas. Para medir a temperatura do solo este termômetro foi fincado no solo durante 5 minutos e anotadas as medidas. Para medir a temperatura do ar foi levantado o termômetro na altura do peito durante 5 minutos e anotadas as medidas. Para medir o PH da água foi colocada uma fita de PH na água durante 5 minutos e depois comparada em uma tabela de PH e depois anotadas as medidas. Foram usadas algumas peneira, para saber o que seria encontrado no fundo da lagoa, com 3 peneiras com diâmetros de: 3cm, 5cm e 8cm e uma pá de brinquedo, que o procedimento era retirar com pá o sedimento do fundo da lagoa e jogar em cima da peneira para saber o que ficaria retida em cada uma delas. Para medir o PH do solo foi coletada uma quantidade de sedimento e levados ao laboratório, para constatação do teor de carbonato e matéria orgânica. Foi coletada uma quantidade de água e colocada na geladeira para medir a salinidade no laboratório. No final da coleta foi medida com uma trena a altura e o comprimento da área coletada.
5-Prática de Laboratório
5.1Medições de PH e Salinidade
Para medir ao PH do solo, foi colocado um pouco de sedimento coletado no campo dentro de um pote de vidro e medido com um phmetro.Para medir a salinidade foi colocado um pouco da água no refratômetro e anotado os valores.
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5.2 Teor de matéria Orgânica
Foram cortadas 3 latas de refrigerante, uma para cada estação e pesadas na balança de precisão vazia, e anotado seus pesos para um futuro desconto depois de colocados 200g de sedimento com o auxílio de uma pá pequena após este procedimento foram colocados na estufa por 24 horas para que secassem.Logo após foram colocadas no dessecador até que esfriassem. Por volta de 30 minutos.Após isto foram pesados 3 cadinhos, um para cada estação, colocados 5 gramas de sedimento de cada estação em cada cadinho. Em seguida foram postos na mufla por 6 horas. Em seguida a temperatura de 450 graus, foram postas novamente no dessecador para que esfriassem. E finalmente empregada a formula: (P1-P2) x 20 = % de Matéria Orgânica P1 é o peso de 5 gramas que vai a mufla, e P2 é o peso após a queima na mufla.A metodologia usada foi a de (7).
5.3 Teor de Carbonato de Cálcio
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5.4 Medidas das Áreas de Coleta
1ª Estação 2ª Estação 3ª Estação
1ª Saída 5mx5,5m 8mx6m 8mx12m
2ª Saída 4mx4,5m 6,8x13,2 6,8x9,1m
3ª Saída 1,86x3m 2,3mx15m 4,81x6,4m
Tabela 1- A Tabela acima mostra as Medidas das Áreas de Coleta nos 3 dias e nas 3 Estações de Saída
5.5 Horário e Data das Coletas
1ª Saída 2ª Saída 3ª Saída
Datas das Saídas 25/09/12 09/10/12 23/10/12
Horários 1ª Est:15:20 às 15:45 2ª Est: 9:30 às 9:50 3ªEst: 11:30 as 11:30 1ª Est:08:28 às 08:59 2ª Est: 12:52 às 13:06 3ªEst: 13:46 às 14:05 1ª Est:08:00 às 08:25 2ª Est: 10:15às 10:40 3ªEst: 11:40 às 12:20
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6-Resultados
Grafico1-O gráfico acima mostra os níveis de Salinidade da água.PPM (Partes por Milhão) nos 3 dias e nas 3 Estações de Saída.
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Grafico3- O gráfico acima mostra os níveis de PH da agua nos 3 dias e nas 3 Estações de Saída.
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Gráfico 5-O gráfico acima mostra a Temperatura em Graus Centigrados nos 3 dias e nas 3 Estações de Saída.
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Gráfico 7- O gráfico acima mostra os níveis Matéria Orgânica em Porcentagem nos 3 dias e nas 3 Estações de Saída.
Gráfico 8-O gráfico acima mostra os níveis de Carbonato de Cálcio em Porcentagem nos 3 dias e nas 3 Estações de Saída.
7-Discussão
O primeiro fato da nossa discussão é de que na estação 1, há um número maior de espécies planctônicas do que nas estações 2 e 3(dados não mostrados) , devido à estação 1 ser mais próxima do canal e tendo uma influência direta com a maré, assim tendo uma maior diversidade de espécies em relação às outras 2 estações.
11 maré também ocorre para a salinidade, porque na estação 1 a salinidade é bem do que nas outras 2 estações, que tem a salinidade praticamente igual. Tanto o PH da água quanto do solo é básico em todas as estações geralmente, quando o PH é básico é por causa de uma grande concentração de ácidos húmicos e fúlvicos, diminuindo também a visibilidade da água.
Na estação 2 há um maior teor de carbonato de cálcio, em relação às estações 1 e 3 devido à influência da água do mar, tendo um número grande de gastrópodes e bivalves (dados não mostrados) na estação 2, porque estas espécies dependem de carbonato de cálcio para sua sobrevivência, porque a maré lava o solo e deixa uma grande quantidade de carbonato de cálcio nestes locais. Há um maior teor de matéria orgânica na estação 3 em comparação a 2, e bem maior em relação à estação 1, devido à estação 3 ser em frente a um condomínio de luxo, e assim havendo uma grande liberação de esgoto no local , assim contribuindo para uma proliferação de poliquetas, já que foi encontrado um grande número nesta estação porque as poliquetas se alimentam desta matéria orgânica.
Na estação 1 há uma grande quantidade de sedimento fino (dados não mostrados), também havendo nas outras 2 estações só que com maior incidência nesta devido à influência da maré quando lava o solo. Sendo que nas estações 2 e 3 há uma grande quantidade de sedimento fino, mas há também uma grande quantidade de sedimento médio, o que já não ocorre na estação 1(dados não mostrados).
8-Conclusão
Podemos concluir que as Lagunas tem uma grande diversidade de espécies de fauna e flora, são grandes berçários, com uma grande quantidade de peixes crustáceos, bivalves, poliquetas e etc. As lagunas tem grande importância servindo de ambiente de lazer e econômico, tais como pessoas se banhando e se divertindo nelas, ou através de turismo, tais como balsas com turistas passeando no local. Servindo como meio de sustento para algumas pessoas.
12 Mas mesmo com toda a influência do homem de poluição e especulação imobiliária as Lagunas ainda resistem e a natureza às vezes tenta alertar o homem, como por exemplo, com as mortandades de peixes que costumam acontecer, ela eutrofização e pela influência do vento quando sopra e revolve o fundo das Lagunas causando uma subida de matéria orgânica expressiva e assim diminuindo a oxigenação da água, causando a mortandade em massa de peixes e outras espécies. Relacionado a isso está indiretamente à maré que em alguns casos nas Lagunas tem seus canais artificiais adaptados pelo homem para que a água das Lagunas seja renovada constantemente, assim havendo um assoreamento das Lagunas mais demorado, numa tentativa do homem de salvar aquilo que destruiu durante anos.
9-Bibliografia
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REID, J.W. & ESTEVES, F.A. 1984. Considerações Ecológicas e Biogeográficas sobre a
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p.195-13 216.(CASTELLO-BRANCO, 1988; BARROSO, 1989;FROTA e CARAMASCHI, 1998) SANTOS.E.Peixes da Água Doce vol.2, Belo Horizonte: Editora Itatiaia Limitada,1981. 1.267p.
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SUZUKI.C.R.Guia de Peixes do Litoral Brasileiro, Rio de Janeiro:Edição Marítimas,1986.394p.
OLIVEIRA,L de e KRAU,L. OBSERVAÇÕES biogeográficas Durante a Abertura da Barra