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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO, ATUÁRIA, CONTABILIDADE E SECRETARIADO EXECUTIVO – GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS JUCELIO GOMES DA SILVA

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Academic year: 2018

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FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO, ATUÁRIA, CONTABILIDADE

E SECRETARIADO EXECUTIVO – GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS

JUCELIO GOMES DA SILVA

A PARTICIPAÇÃO DOS GASTOS MUNICIPAIS NA ECONOMIA DE MARANGUAPE DURANTE A SECA DO PERÍODO DE 2010 A 2014

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A PARTICIPAÇÃO DOS GASTOS MUNICIPAIS NA ECONOMIA DE MARANGUAPE NO PERÍODO DE 2010 A 2014.

Esta monografia foi submetida à Coordenação do curso de Ciências Econômicas, como parte dos requesitos necessários à obtenção do título de Bacharel em Ciências Econômicas, outorgado pela Universidade Federal do Ceará. A citação de qualquer trecho desta monografia é permitida, desde que feita de acordo com as normas da ética científica.

Orientador: Prof. Dr. Fabio Maia Sobral Co-orientador: Prof. Esp. Pedro Ananias Gomes Catanho

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A PARTICIPAÇÃO DOS GASTOS MUNICIPAIS NA ECONOMIA DE MARANGUAPE NO PERÍODO DE 2010 A 2014.

Esta monografia foi submetida à Coordenação do curso de Ciências Econômicas, como parte dos requesitos necessários à obtenção do título de Bacharel em Ciências Econômicas, outorgado pela Universidade Federal do Ceará. A citação de qualquer trecho desta monografia é permitida, desde que feita de acordo com as normas da ética científica.

Data da aprovação: / /

BANCA EXAMINADORA

Nota

Prof. Dr. Fabio Maia Sobral Prof. Orientador

Nota

Prof. Esp. Pedro Ananias Gomes Catanho Prof. Co-orientador

Nota

Prof. Dr. José de Jesus Sousa Lemos Membro da Banca Examinadora

Nota

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À minha mãe Cecília Gomes da Silva que,

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AGRADECIMENTOS

A Deus, pelo discernimento a mim concedido, saúde física, oportunidades de estudos e pela força para continuar a caminhada em busca de meus objetivos.

Aos meus irmãos Julio Gomes da Silva, Jucilene Gomes da Silva e Joênio Mariano da Silva e aos meus sobrinhos Gabriel Gomes da Silva e Jefferson Gomes da Silva pelo companheirismo e apoio durante toda minha vida.

A minha esposa Gesyanne Keila, que muito me incentivou com palavras positivas e orações para que eu pudesse realizar este trabalho, sempre ao meu lado.

Aos professores Aécio Oliveira pela dedicação e orientação ao longo da graduação bem como aos professores Fábio Maia Sobral e Pedro Ananias Gomes Catanho meu orientador e co-orientador respectivamente, pelo incentivo dedicação e orientação na concretização deste trabalho.

Aos Órgãos do Governo Estadual: Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Estado do Ceará – IPECE, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará – EMATERCE e Defesa Civil do Estado, que ao longo da pesquisa estiveram dispostos a esclarecer minhas dúvidas.

À Prefeitura Municipal de Maranguape, ao Sindicato dos Produtores Rurais desta cidade e à Defesa Civil Municipal, este último na pessoa de Silvio Nunes e sua equipe, sem os quais este trabalho não teria sido possível.

Aos meus amigos da faculdade da turma 2008.1, em especial Orleans de Castro, Rafael da Silva, Robson Andrade, José Filho, Joice Nascimento, Bárbara Suellem, bem como aos demais amigos tanto das turmas anteriores como da turma posterior (Eufrasina, Heitor, Luana de Holanda e outros), dentre outros e outras cuja importância e companheirismo ao longo do curso foram imprescindíveis.

Aos meus amigos, em especial Francisco André Lopes, Wandergleison Cordeiro pela grande ajuda na elaboração desta monografia, e a outros, cujos nomes não foram citados, mas que colaboraram para o meu desenvolvimento pessoal e profissional.

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Este trabalho se propõe estudar a participação dos gastos municipais na economia de Maranguape durante o período de seca compreendido entre os anos de 2010 a 2014. O estudo procura de forma específica identificar essa participação, através da composição do Produto Interno Bruto Municipal, analisando as receitas e as despesas municipais, bem como procurando entender o comportamento do mercado de trabalho e as perdas agrícolas. Os dados foram coletados juntos as fontes secundárias, dentre elas cita-se: ONU, IBGE, IPECE, EMATERCE, FUNCEME, por isso o estudo tem a natureza qualitativa, descritiva e exploratória, utilizando técnicas quantitativas e qualitativas para uma melhor explanação dos dados abordados no trabalho. Portanto, dessa forma se permite um melhor entendimento da participação do governo municipal e quais são as áreas que necessitam de melhor atenção com relação à aplicação de políticas públicas, principalmente de convívio co m a seca, contribuindo assim para um melhor desenvolvimento social e econômico da cidade.

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This work aims to study the role of municipal expenditure in Maranguape economy during the dry period between the years 2010 to 2014. The study seeks to specifically identify this participation through the composition of the Municipal Gross Domestic Product, analyzing revenues and municipal expenses as well as trying to understand the labor market behavior and agricultural losses. Data were collected together secondary sources, among them is quoted: UN, IBGE, IPECE, EMATERCE, FUNCEME, so the study is qualitative, descriptive and exploratory nature, using quantitative and qualitative techniques for better explanation of the data covered at work. So that way it allows a better understanding of the role of local government and what are the areas that require further attention regarding the implementation of public policies, especially living with drought, thus contributing to a better social and economic development of the city .

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Tabela 2 - Taxa de Crescimento do PIB / PIB Agregado ... 26

Tabela 3 - Número de habitantes / PIB per capita do Ceará ... 28

Tabela 4 - Faixas de Desenvolvimento Humano Municipal ... 29

Tabela 5 - Ranking Municipal pelo IDHM... 30

Tabela 6 - Ranking Municipal pelo IDHM de Longevidade...30

Tabela 7 - Ranking Municipal pelo IDHM Renda ... 31

Tabela 8 - Ranking Municipal pelo IDHM Educação ...31

Tabela 9 - IDHM e seus valores e faixas etárias do PNUD 2010 ... 32

Tabela 10 - Quantidade de famílias assistida pelo serviço de esgotamento sanitário ... 34

Tabela 11 - Mercado de Trabalho – relação entre emprego e desemprego ... 35

Tabela 12 - Saldo de empregos formais – ano 2010 ... 36

Tabela 13 - Saldo de empregos formais – ano 2011 ... 36

Tabela 14 - Saldo de empregos formais – ano 2012 ... 37

Tabela 15 - Saldo de empregos formais – ano 2013 ... 38

Tabela 16 - Saldo de empregos formais – ano 2014 ... 39

Tabela 17 - Dados pluviométricos do Ceará ... 42

Tabela 18 - Índices Pluviométricos de Maranguape ... 42

Tabela 19 - Perdas de grãos e mandioca ... 43

Tabela 20 - Situação da Segurança Hídrica e Alimentar das áreas rurais... 44

Tabela 21 - Evolução do PIB Agregado ...46

Tabela 22 - Valor Adicionado por setores do PIB ... 46

Tabela 23 - PIB Per Capita de Maranguape ... 47

Tabela 24 - População de Maranguape ... 48

Tabela 25 - Ranking Estadual e Nacional por PIB per capita ... 48

Tabela 26 - Valor Adicionado da Administração Pública ...49

Tabela 27 - Receita Corrente Bruta / Líquida (arrecadada) ... 50

Tabela 28 - Despesas correntes previstas em orçamento / Despesas pagas... 52

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AGROMAPE - Feira de Agricultura Familiar de Maranguape ATER - Assistência Técnica e Extensão Rural (É isso mesmo)? BNDES - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social CAGECE - Companhia de Água e Esgoto do Estado do Ceará CAGED - Cadastro Geral de Empregados e Desempregados

DATASUS - Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil EMARTECE - Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará FAEC - Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará

FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura FBCF - Formação Bruta de Capital Fixo

FIDE - Formulário de Incidentes e Desastre

FUCEME - Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

IDH - Índice de Desenvolvimento Humano

IDH-M - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal IES - Índice de Exclusão Social

INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais IPCA - Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo IPECE - Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará. MDA – Ministério de Desenvolvimento Agrário

MEC - Ministério da Educação

MI - Ministério da Integração Nacional MTE - Ministério do Trabalho e Emprego ONU - Organização das Nações Unidas P1MC - Programa Um Milhão de Cisterna PAC - Programa de Aceleração e Crescimento PIB - Produto Interno Bruto

PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PT - Partido dos Trabalhadores

RCL - Receita Corrente Líquida

SEMADE - Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário SENAR-Ce - Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Ceará SEPLAG - Secretaria do Planejamento e Gestão

SIAB - Sistema de Informação de Atenção Básica

SINPDEC - Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil TCM – Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará VA - Valor Adicionado

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1 INTRODUÇÃO...12

2 REFERENCIAL TEÓRICO...15

2.1 Seca no Ceará ... 15

2.2 Desenvolvimento Econômico...17

3 METODOLOGIA E FONTE DE DADOS ... 22

4 O COMPORTAMENTO DA ECONOMIA DO CEARÁ PERANTE A SECA DOS ANOS DE 2010 A 2014 ... 23

4.1 Economia brasileira ... 23

4.2 Economia cearense ... 26

5 O DESENVOLVIMENTO SOCIAL DE MARANGUAPE DURANTE A SECA DOS ANOS DE 2010 A 2014 ... 29

5.1 Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – IDHM ... 29

5.2 Saneamento Básico ...33

5.3 Saldo de Empregos ... 34

6 AS IRREGULARIDADES DAS CHUVAS E O IMPACTO NA PRODUÇÃO AGRÍCOLA MUNICIPAL ... 41

7 A ECONOMIA DE MARANGUAPE - A ATUAÇÃO DO GOVERNO DUARANTE O PERÍODO DE SECA COMPREENDIDO ENTRE OS ANOS DE 2010 A 2014. ... 45

7.1 PIB agregado / PIB per capita ... 45

7.2 Receita Corrente Líquida – RCL municipal ... 49

7.3 Despesas correntes do município ... 51

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8 CONSIDERAÇÔES FINAIS ... 56

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. ... 58

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1. INTRODUÇÃO

A cidade de Maranguape faz parte da Região Metropolitana de Fortaleza juntamente com mais 12 municípios (Aquiraz, Cascavel, Caucaia, Chorozinho, Eusébio, Guaiúba, Horizonte, Itaitinga, Maracanaú, Pacajus, Pacatuba, Pindoretama e São Gonçalo do Amarante) fora a capital. Com uma distância de aproximadamente 30 km da capital e com uma área de 590.824 km². De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, Maranguape possui uma população estimada em 122.020 habitantes no ano de 2014, conforme afirma IBGE (2014).

Maranguape é dividida em zona urbana e rural, sendo a sede pertecente a zona urbana e a zona rural subdividida em 16 distritos: Amanari, São João do Amanari, Antonio Marques, Itapebussu, Jubaia, Ladeira, Grande, Lages, Lagoa do Juvenal, Manuel Guedes, Papara, Penedo, Sapupara, Tanques, Cachoeira, Umarizeiras, Vertentes do Lagedo. Vale ainda ressaltar que o distrito de Sapupara é o segundo mais populoso, segundo censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, e o distrito de Itapebussu sendo considerado o de maior extensão com 69,5 km².

Figura 01 – Mapa de Maranguape em 2014

Fonte: SDLR

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metalúrgica, vestuário, confecções e calçados, obtendo assim a sétima posição no ranking das economias da região metropolitana de Fortaleza no ano de 2010.

Mesmo a cidade estando localizada nas encostas da serra que leva seu nome, as precipitações pluviométricas durante este período se deram de forma muito irregular, enquanto a média anual normal é de 1144 mm, Maranguape no ano de 2014 atingiu apenas 774,4 mm registrados segundo dados da FUCEME (2015).

A cidade também vê o turismo como fonte de renda devido aos seus atrativos naturais, como as serras, sendo possível fazer várias caminhadas pelas trilhas ecológicas de Pedra do Derretido e da Pedra da Rajada. Possuindo ainda o único balneário de funcionamento contínuo desde a sua fundação que é o Cascatinha Balneário e Chalés, recebendo assim os associados deste, desde ano de 1969, quando se deu sua fundação, segundo o sítio da própria cidade.

Maranguape é uma cidade que, assim como as demais, se organiza administrativamente sob as divisões em secretarias, autarquias e fundações, tendo cada um destas, orçamento próprio para arcar com suas despesas nas ações e programas desenvolvidos visando o melhor desenvolvimento da cidade conforme expressa figura abaixo:

Quadro 01 – Estrutura Administrativa de Maranguape e suas despesas em 2014

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Com base no quadro acima, tem-se o total de gastos da prefeitura, através das suas secretarias, autarquias e fundações durante o ano de 2014, visando assim um melhor entendimento da abordagem deste trabalho.

Por fim a monografia aqui em questão investigou o seguinte objetivo geral:

- Analisar a participação dos gastos municipais na economia da cidade de Maranguape perante a estiagem compreendida entre os anos 2010 a 2014.

De forma específica o estudo objetivou:

- Estudar a participação do governo através dos gastos na composição do Produto Interno Bruto Municipal;

- Avaliar a arrecadação (receita) bem como os gastos públicos (despesas) municipais voltados à adoção de políticas públicas de convívio com a seca;

- Verificar como se comportou o mercado de trabalho da cidade bem como sua composição, considerando o emprego formal;

- Analisar as perdas de produção bem como o efeito destas sobre a qualidade de vida da população;

Para atingir os objetivos acima o trabalho está estruturado em sete secções:

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2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1.Seca no Ceará

O país vem debatendo sobre a seca da região Nordeste desde o século XVII, região esta afetada não na sua totalidade devido estar, em boa parte, localizada dentro da região do semiárido, perfazendo assim o polígono das secas. Esta área envolve parte de oito estados (Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe), sendo que em Minas Gerais apenas a região norte deste estado como aponta Articulação do Semiárido Brasileiro – ASA(2015).

Segundo a FUCEME (2014) a seca é uma estiagem prolongada, caracterizada por provocar uma redução sustentada das reservas hídricas existentes. Ou seja, considera-se que o tempo excessivamente seco numa dada região deve ser o suficientemente prolongado para que a falta de água cause sério desequilíbrio hidrológico.

A seca no Nordeste brasileiro tem como causa um conjunto de fatores, dentre eles fatores exercidos pela ação humana, como são o caso dos desmatamentos da Zona da Mata; e fatores naturais, como é o fato do Nordeste estar numa região onde predomina uma massa de ar quente e seca, repelindo assim as massas de ar úmidas e frias vinda do sul. Vejamos explanação do caso:

O fenômeno das secas no Brasil se dá por causas naturais, uma região que apresenta alta variabilidade climática, ocorrendo quando a chamada zona de convergência intertropical (ZCIT) não consegue se deslocar at é a região Nordeste no período verão-outono no Hemisfério Sul, sobretudo nos períodos de El Niño. A ZCIT apresent a um movimento meridional sazonal, com uma posição média anual junto à latitude 5 graus Norte (http://cheirodaserra.blogspot.com.br/2013/03/o-nordeste-do- brasil-e-o-historico-das.html - acesso em 10/03/2015).

A seca é também um fenômeno social, caracterizando-se como uma situação endêmica de pauperismo e estagnação econômica, sob o impacto do fenômeno meteorológico adverso. Para que seja configurada como desastre, é necessário que ocorra uma ruptura do metabolismo hidrológico (intensificação das atividades catabólicas – consumo; e uma redução das atividades anabólicas – acumulação) atuando sobre um sistema ecológico, econômico, social e cultural, vulnerável à redução das precipitações pluviométricas, como cita a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil – SINPDEC através do Ministério da Integração Nacional – MI (2003).

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Seca (1790 – 1793) ocorridas no século XVIII; a Seca dos Dois Setes (1877-1878) que se tornou um marco na compreensão de seca que conhecemos hoje, pois nesta seca não ficou somente a preocupação climática, veio também a preocupação social (miséria, fome, dispersão da mão de obra, destruição da produção, migrações, corrupção e invasões de cidades) exigindo das autoridades públicas políticas de fato que combatesse com efetividade a seca; e a Seca do Quinze (1915).

No Ceará até meados do século XIX existia na agricultura uma produção tradicional, visando a subsistência, que mesmo com as chuvas regulares permitiam à população a reprodução de alimentos (feijão, milho, mandioca, outros) apenas o suficiente para sobreviver até o próximo período de colheita. Para Souza (2002) o objetivo desta produção era garantir a “segurança alimentar”, uma forma de manter os padrões de pobreza vigentes, sujeitos aos laços paternais de submissão, lealdade e proteção, como aborda Souza (2002):

A falta das chuvas no período regular, no entanto, destruía imediat amente essas pequenas colheitas e ameaçava o gado, desfazendo o círculo da produção tradicional. O proprietário da fazenda destacava alguns homens e deslocava seus bois para outras áreas onde o pasto podia ter-se preservado.

Os homens que ficavam tinham duas alternativas: ou migravam para as áreas mais úmidas e resistentes à irregularidade de chuvas sendo permitida sua presença provisória por um beneplácito do proprietário, ou eram acolhidos pelo dono das próprias terras em que trabalhavam, muitas vez es habitando os currais abandonados

e esperando sobreviver às custas da caridade do “coronel” e de sua esposa (SOUZA,

2002, p. 78-79).

Ainda Souza (2002) menciona que desse jeito o agravamento da situação social e econômica da população cearense se tornava ainda mais sério, já que se aprofundava a submissão e a dependência desta população com os “coronéis”, ao mesmo tempo em que a permanência deste sistema de convivência bem próximo à morte ou à fome se tornava forte elemento nas estruturas econômica, social e religiosa da sociedade cearense.

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Ainda segundo Souza (2002) por outro lado as terras já se encontravam com a cultura do algodão, tornando-as monetariamente valiosas, apesar de que já se encontrava a produção do algodão em declínio, devido o fim da Guerra de Secessão nos EUA.

A seca atingiu toda a sociedade de forma drástica, inclusive, os grandes fazendeiros:

No semi-árido, a produção int eiramente destruída, os moradores consomem suas últimas sementes e, aos poucos, mais uma onda irresistível, vão deixando para trás seus casebres e suas terras arrendadas. Saem famintos dos seus lares e começam a vaguear pelos caminhos e estradas em busca de auxílio. O caminho da capital cedo transformar-se-á na única opção para a sobrevivência: os moradores das faz endas de criar transformam-se em retirantes (SOUSA, 2002, p. 81).

Portanto, a seca foi e é um elemento marcante na história do Brasil, e em especial no Ceará, desde o seu aspecto climático ao sócio-econômico. Desse modo, menciona Souza (2002) que foi com a seca de 1877 que surgiram preocupações com a nova organização social e cultural do Ceará, já que o surgimento de mazelas (fome, miséria, acentuamento da mortalidade infantil, baixa na produção agrícola, indústria da seca e outras) veio castigar ainda mais a vida sofrida do sertanejo.

Para Souza (2002) assim se fez necessário as autoridades públicas repensarem e assumirem políticas visando acabar com essas mazelas, já que a demanda por paternalismo dos “coronéis” só aumentava e até alguns destes não tinham mais condições de prestar “apoio” ao povo mais carente, passando assim para o Estado esse papel de “paternidade” e mesmo em pleno século XXI, o Estado ainda tem problemas na adoção políticas de combate e/ou convívio com a seca.

Diante deste fato, se faz necessária uma abordagem sobre a qualidade de vida da sociedade, para saber o grau de desenvolvimento econômico e social desta, perante as políticas desenvolvimentistas aplicadas pelo Governo podendo isso ser abordado através do desenvolvimento econômico de uma sociedade. Analisando assim a vida social da população e a correlação desta com as ações e/ou programas da administração pública.

2.2.Desenvolvimento Econômico

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Enquanto crescimento econômico é aferido apenas através de indicadores de quantidade, como o Produto Interno Bruto - PIB ou Renda Agregada, o desenvolvimento mensura não apenas quantidade, mas também qualidade de vida das pessoas. Para Pereira (2006) o desenvolvimento econômico é um processo histórico de crescimento da renda, ou de um valor adicionado por um indivíduo, desde que vise à melhoria do padrão de vida da população de uma determinada região, estado ou país.

Segundo Furtado (1974), se as riquezas produzidas fossem melhores distribuídas no sistema capitalista, o crescimento dependeria menos da introdução dos novos produtos ou bens finais e mais da difusão do uso dos bens já conhecidos, o que resultaria num baixo grau de desperdícios destes bem para o sistema.

Continuando Furtado (1974) faz uma indagações sobre o crescimento econômico e sua relação com o desenvolvimento econômico, dizendo:

Por que ignorar na medição do PIB, o custo para a coletividade da destruição dos recursos naturais não renováveis, e o dos solos e florestas (dificilmente renováveis)? Por que ignorar a poluição das águas e a destruição total dos peixes nos rios em que as usinas despejam seus resíduos? Se o aumento da taxa de crescimento do PIB é acompanhado de baixa do salário real e esse salário está no nível de subsistência fisiológica, é de admitir que estará havendo um desgaste humano. As estatísticas de mortalidade infantil e expectativa de vida podem ou não traduz ir o fenômeno, pois sendo médias nacionais e sociais anulam os sof rimentos de uns com os privilégios de outros (FURTADO, 1974, p. 116)

O desenvolvimento econômico é um processo bem mais complexo, envolvendo fatores econômicos, ambientais e sociais, mesmo tendo estes fatores ponderações e pesos diferentes entre si, são considerados de grande relevância, pois pode ocorrer um crescimento no produto agregado sem necessariamente uma elevação na qualidade de vida. Um exemplo disso que se pode citar é: o exemplo das duas Grandes Guerras Mundiais, em que o processo de reconstrução dos países envolvidos gerou mais empregos, movimentou a economia, consequentemente ocorreu um crescimento do produto agregado (PIB) daqueles países, porém as consequências dessas guerras diminuiu o grau de qualidade de vida da população dos países envolvidos, além de trazer danos imensos para esse povo, bem como para o meio ambiente.

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O desenvolvimento econômico é simp lesment e o objeto da história econômica, que por sua vez é meramente uma parte da história universal, só separada do resto para fins de explanação. Por causa dessa dependência fundamental do aspecto econômico das coisas em relação a tudo o mais, não é possível explicar a mudança econômica somente pelas condições econômicas prévias. Pois o estado econômico de um povo não emerge simplesmente das condições econômicas precedentes, mas unicamente da situação total precedente (SCHUMPETER, 1997, p. 70).

Para Lemos (2012) o crescimento econômico é condição necessária, ainda que não única, para que exista desenvolvimento, ou seja, para que haja desenvolvimento econômico, se torna necessário o crescimento do produto agregado visando sua distribuição de forma equitativa com a população, e é importante que se leve em consideração pelos menos, o nível de crescimento vegetativo da população.

A ONU por sua vez utilizou o conceito de Desenvolvimento Humano para definir o Desenvolvimento Econômico. Ela passou a adotar esta visão desde1990 e em 1994 publicou um relatório no qual fundamentava a importância e a viabilidade técnica deste novo conceito:

[...]a riqueza é importante para a vida humana. Contudo, centrar as atenções apenas neste indicador é incorreto por duas razões: Primeiro a acumulação de riqueza não é necessária para o preenchimento de algumas das escolhas do ser humano. Com efeito, os indivíduos e a sociedade fazem muitas escolhas que não precisam da riqueza para concretizá-las. Uma sociedade não precisa ser rica para estar habilitada a uma vida democrática. Uma família não precisa ser rica para respeitar os direitos de cada um dos seus membros. Uma nação não precisa ser rica para tratar os homens e as mulheres de forma eqüitativa. Tradições sociais e culturais, de grande valor, podem ser mantidas e - efetivamente o são - em todos os níveis de renda. A riqueza de uma cultura pode ser independente da riqueza material do seu povo. Segundo, as escolhas humanas se estendem além do bem-estar econômico. Os desejos humanos seguramente incorporam ter riqueza material. Porém eles precisam e querem também ter uma vida longa e saudável, beberem vigorosamente na fonte do saber, participarem livremente na vida da sua comunidade, respirarem um ar livre de poluição, e apreciarem o simples praz er de viverem num ambiente limpo, com paz em suas mentes, que decorre do fato de possuírem um local seguro para morar, e t er a segurança de ter trabalho estável, com remuneração dignificante. (HUMAN DEVELOPMENT REPORT, 1994, p. 15).

Com base nesta nova visão de desenvolvimento, Desenvolvimento Humano, a ONU buscou ancorá-la e fixá-la em três bases fundamentais: longevidade, educação e renda Monetária. Assim a Longevidade é mensurada pela perspectiva de vida ao nascer, a âncora Educação é calculada pelo estoque de educação acumulada por uma dada sociedade, sendo este aferido pelo percentual de adultos (maiores de 15 anos) alfabetizados e pelo percentual de matrículas realizadas nas escolas de diferentes níveis, e por último a âncora Renda Monetária, pois a ONU considera que não existirá desenvolvimento sem ter o provimento de trabalho e remuneração dignos para as sociedades.

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nascer da sociedade; estoque de educação, sendo esta composta pelas duas variáveis: o percentual de adultos alfabetizados e o percentual de matrículas realizadas nas redes de ensinos; e a renda média (renda per capita) avaliada pelo poder de compra das pessoas.

O IDH tem a leitura de zero a um, em que quanto mais próximo de 0 (zero) estiver o IDH de uma sociedade, ela se encontra com o bem-estar mínimo, ou seja, mal desenvolvida; e quanto mais próximo ou igual a 1 (um) ela estiver, significa uma sociedade com o bem-estar elevado (bem desenvolvida).

Com o passar dos anos alguns profissionais (pensadores, estudiosos, cientistas, outros) criaram outros instrumentos de aferição de bem-estar, pois o IDH logo na sua criação deixou de fora uma vertente muito importante, a questão ambiental, sem contar que o IDH seria um ótimo instrumento de hierarquização dos países, estados, municípios ou regiões, porém seu objetivo só conseguiria ser realmente atingido nos países “ricos” desenvolvidos, já que nos países considerados “pobres” mal e/ou subdesenvolvidos não atingiria seu objetivos por causa de uma complexidade de fatores que acabam superestimando o IDH destes países, como afirma Lemos (2012).

Um outro instrumento utilizado para se aferir os índices de pobreza e exclusão social de uma população chama-se IES – Índice de Exclusão Social. Tal índice ajuda a corrigir algumas distorções que no IDH não foi possível resolvê-las. Para Lemos (2012) o IES não irá substituir o IDH e sim complementá-lo:

O IES foi construído a partir da identificação das dificuldades que o IDH tem para aferir padrões de bem-estar (ou de mal-estar) nas economias mais atrasadas, justamente por causa da falta de fidedignidade do cômputo da variável esperança de vida ao nascer, como já discutimos neste trabalho. Assim, o IES não tem a proposta de substituir o IDH, mas de ser -lhe complementar no ent endimento dos padrões de vida das economias mais pobres. (LEMOS, 2012, p. 105).

O IES foi inicialmente criado em 1995, mas apenas formatado e finalizado em 2002 por Lemos, sendo este índice composto por três indicadores: Passivo Social (priveduc), Passivo Econômico (priv-renda) e Passivo Ambiental este composto por três variáveis (priv- água, priv-sane e priv-lixo).

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percentuais de três variáveis (priv-água, priv-sane e priv-lixo), ou seja, o percentual da população que sobrevive com privações destas três variáveis.

Portanto, este índice assim como o IDH, varia entre 0 e 1, porém com a leitura invertida, ou seja, quanto mais próximo de 1 (um) estiver o IES do país, estado, região ou município, quer dizer que este se encontra em situação de mal estar, ou alto índice de exclusão social, portanto significando o inverso para o IES de país, estado, região ou município localizado bem próximo de 0 (zero).

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3. METODOLOGIA E FONTE DE DADOS

O estudo faz uma análise de natureza descritiva da situação dos gastos públicos do governo municipal bem como participação deste na economia local, com reflexo dos mesmos no fator de bem-estar social da sociedade diante do convívio com a seca compreendida entre os anos de 2010 a 2014.

Este trabalho fez uso de métodos qualitativos e quantitativos, contando com dados de fontes secundárias e terciárias obtidas em diversos órgãos, entre eles podemos citar: Organização das Nações Unidas – ONU através do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, Ministério da Integração Nacional – MI, Ministério da Saúde – MS, por meio do DATASUS e sua ferramenta Sistema de Atenção Básica – SIAB, Tribunal de Contas da União – TCU, Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará – TCM, Defesa Civil do Estado do Ceará, Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado – SDA, Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará – SRH, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará – EMATERCE, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos – FUNCEME, Prefeitura Municipal de Maranguape, Defesa Civil de Maranguape e principalmente, o Instituto de Pesquisas e Estratégias Econômicas do Ceará – IPECE bem como o Instituto de Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Essa busca procurou explicar a evolução de alguns indicadores de desenvolvimento econômico, crescimento econômico, finanças públicas e o bem-estar social da população de Maranguape.

As variáveis que o trabalho abordou e analisou foram: Produto Interno Bruto – PIB, Produto Interno Bruto per capita – PIB per capita, Valor Adicionado – VA, Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – IDHM, Saneamento Básico, Saldo de Empregos, População, Receitas e Despesas Públicas e o Nível Pluviométrico. Todas as variáveis foram aplicadas no trabalho, tanto para o Ceará como para o município em destaque, e algumas para o Brasil, visando as comparações e as interpretações dos choques de realidades entre os três Entes.

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4. O COMPORTAMENTO DA ECONOMIA DO CEARÁ PERANTE A SECA DOS ANOS DE 2010 A 2014

4.1.Economia Brasileira

De acordo com o (IPECE, 2012) o crescimento econômico é composto por duas taxas: o Produto Interno Bruto - PIB (a preços de mercados), ou seja, a soma de todos os bens e serviços produzidos pelos setores da economia dentro do território brasileiro; e o Valor Adicionado - VA (a preço básico), que significa o valor dos bens produzidos por uma economia, depois de deduzidos os custos dos insumos adquiridos por terceiros (matérias primas, serviços e bens intermediários) utilizados numa dada etapa da produção.

O comportamento da economia brasileira durante o período estudado se divide em dois governos; o segundo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de 2007 a 2010, e o governo da atual presidenta Dilma Rousseff durante os anos de 2011 a 2014. Ambos do mesmo partido (PT), porém com aplicações de políticas econômicas diferentes, devido à conjuntura internacional e ao cenário doméstico que sofreu consequências perante a crise global de 2008/2009 e foi através deste cenário que a Economia Brasileira encontrou um sustentáculo perante essa crise global obtendo variações nas elevações percentuais no crescimento do PIB, conforme figura abaixo:

Figura 2 – PIB do Brasil (2007 a 2014)

Fonte:Instituto Aço Brasil

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Nos anos seguintes a Economia Brasileira continuou a crescer, porém com taxas menores, tendo como principais motores responsáveis pelo crescimento, pela ótica da demanda: a Formação Bruta de Capital Fixo – FBCF (medida de investimento em máquinas, equipamentos e construção civil) e o consumo das famílias; e pela ótica da oferta: a indústria e serviços IBGE (2011).

O Instituto Aço Brasil (2013), em seu site, afirma que, entre os economistas brasileiros ligados ao mercado financeiro, existem divergências com relação a qual foi de fato o motor da economia neste período estudado, fazendo inclusive algumas diferenças entre políticas econômicas adotadas pelos dois governos referentes ao período:

Às vésperas da divulgação de mais um resultado trimestral do Produto Interno Bruto (PIB) - quando se espera um resultado ruim dos dados de investimento e um crescimento maior do consumo das famílias -, economistas divergem sobre qual tem sido o motor do crescimento da economia brasileira. Na média dos últimos 11 anos e em uma análise sobre a variação acumulada de 2003 a 2013, o investimento lidera, argumentam, com diferentes planilhas, um grupo de economistas. A baixa taxa de investimento em relação ao PI B e a maior contribuição do consumo para o PIB sustentam o argumento do segundo grupo, que refuta a indução pelo investimento e entende que é o consumo que tem puxado o crescimento. (AÇO BRASIL, 2013)

Veja como o grupo de economistas que defende a Formação Bruta de Capital – FBCF, ou seja, os investimentos como o principal motor da Economia Brasileira, explanam seus estudos:

A análise de Balassiano, no entanto, faz algumas observações diferentes das usadas por Barbosa ao dividir o período de 11 anos em governos. Com essa divisão, o economista do Ibre chegou à conclusão de que foram os anos Lula os principais responsáveis pela taxa média de crescimento do investimento maior do que a taxa média de crescimento do consumo entre 2003 e 2013.

Segundo ele, na média dos dois governos Lula (2003-2010), o PIB cresceu 4%, o consumo, 4,5% e a FBCF cresceu mais: 7,1%. Quando excluído o ano de 2010 (pelas mesmas razões estatísticas anteriores), a taxa média de crescimento do PIB dos dois governos Lula vai para 3,1%, a do consumo fica em 3,8% e a da FBCF, 4,4%. Ou seja, o investimento mantém-se na liderança nos dois governos Lula.

Balassiano destaca, porém, que, quando observados os últimos três anos (2011, 2012 e as previsões do Ibre para o fechamento de 2013), correspondentes ao governo da presidente Dilma, a principal variável para o crescimento da economia passa a ser o consumo. Nos três primeiros anos do governo Dilma, o PIB teria apresentado taxa média de crescimento de 2%, o consumo das famílias, de 3,2%, e FBCF, 2,5%. "Isso se dá pela insistência do governo em continuar os estímulos ao consumo, em vez de focar nos investimentos. (AÇO BRASIL, 2013)

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O olhar sobre as mesmas variáveis também muda a partir da ótica de Luiz Carlos Mendonça de Barros, diretor-estrategista da Quest Investimentos e presidente do BNDES entre 1995 e 1998. Para ele, o consumo das famílias foi o principal elemento a puxar a economia entre 2004 e 2011.

Isso se explica pela linha de consumo, no gráfico, posicionada em nível superior à linha do investimento em boa parte do período. De 2011 em diante, o investimento estaria em nível superior ao consumo, mas "porque o consumo bat eu no t eto", conforme explica o economista. Ou seja, apesar da taxa média de crescimento maior, o investimento foi, sobretudo, uma resposta à aceleração do consumo, que veio antes. (AÇO BRASIL, 2013)

Conforme estudo acima a respeito da elevação percentual do PIB do Brasil se pode verificar como se deram, em termos de preço de mercado, estas elevações tanto no produto agregado como também no produto per capita, dando uma melhor visualização dos números na tabela 1. Analisando o crescimento da Economia Brasileira, a preços de mercado, constatou-se uma elevação do PIB agregado e per capita, sem ser condicionado ao desenvolvimento econômico, pois o crescimento está levando em consideração apenas a elevação do produto interno bruto.

Tabela 1 - PIB agregado / PIB per capita e População do Brasil

Ano PIB Brasil (1.000.000 R$) PIB per capita (R$) População

2010 R$ 3.770.084,87 R$ 19.764,76 190.747.855

2011 R$ 4.143.013,34 R$ 21.535,65 192.379.287

2012 R$ 4.392.094,00 R$ 22.645,86 193.946.886

2013* R$ 4.767.958,42 R$ 23.717,33 201.032.714

2014* R$ 5.081.194,93 R$ 25.059,09 202.768.562

(*) Dados do PIB desses anos são projeções estimadas pelo IPECE e IBGE com base no IPCA dos referidos anos.

Fonte: IPECE / IBGE

Com base nos dados acima o produto brasileiro atingiu a casa dos R$ 5 trilhões em 2014, mantendo uma renda per capita de R$ 25.059,09 com uma população estimada na casa dos duzentos milhões de brasileiros.

Como se pode ver a economia brasileira esteve ao longo desse período sempre crescendo, mesmo que na média tenha crescido em uma magnitude bem menor que diversas economias dos considerados países desenvolvidos e os países emergentes.

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com o grau de bem estar da sociedade cearense, pois durante este período sofreu fortes consequências por parte da seca.

4.2.Economia Cearense

A economia do Ceará, assim como a economia do Brasil, apresentou no ano de 2010 um crescimento no seu Produto Interno Bruto, por sua vez superior à média do produto brasileiro. Assim, a economia cearense vem sempre crescendo acima da média da economia brasileira ano após ano, ao longo do período abordado. Mesmo sofrendo com as dificuldades impostas pela forte seca vivenciada pelo estado do Ceará nesses últimos anos, chegando a ser considerada a pior seca dos últimos 60 anos, conforme o ministro do Ministério da Integração Nacional - MI (2014) por meio de declarações a imprensa:

A 100ª Reunião do Comitê Integrado de Combate à Estiagem, realiz ada na manhã desta segunda-feira (24) no auditório do Corpo de Bombeiros, em Fortaleza, não trouxe boas notícias para o sertanejo. Enquanto o ministro na Integração

Nacional, Francisco Teixeira, admitiu que vivemos a pior seca dos últimos 60 anos,

o secret ário de Desenvolvimento Agrário e president e do Comitê, Nelson Martins, se disse cético em relação a uma boa quadra chuvosa, embora t enha ressaltado que a previsão oficial só será divulgada em dezembro. (MI, 2014)

O Ceará apresentou o seguinte quadro demonstrativo com relação à evolução do PIB no período estudado:

Tabela 2 – Taxa de crescimento do PIB / PIB Agregado

Ano Taxa de crescimento do PIB (% ) PIB Ceará (1.000.000 R$)

2010 7,96 9.217

2011 4,30 10.314

2012 3,65 10.473

2013* 3,44 11.248

2014* 4,36 12.400

(*) Dados do PIB desses anos são projeções estimadas pelo IPECE e IBGE com base no IPCA dos referidos anos.

Fonte: IPECE / IBGE

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nacional, que no ano de 2013 a taxa de crescimento da economia cearense foi de 3,44 % comparado ao ano anterior, chegando a ter uma participação de 2,16 % do produto brasileiro, obtendo assim, o maior nível desde 1965 e sendo a terceira maior participação desde o início da medição do PIB em 1939.

Com relação ao crescimento econômico do Ceará o secretário de planejamento e gestão do Estado, Eduardo Diogo em entrevista ao jornal O Estado afirmou que a economia do Ceará caminhou em rumo certo, já que ao longo dos 7 anos de gestão do governo Cid Ferreira Gomes apenas o primeiro ano desta gestão a economia do Estado não cresceu acima da economia nacional, abordado pela SEPLAG (2014), com a seguinte indagação:

Ao faz er uma análise do desempenho do Ceará nos últimos sete anos, o secretário observa que a participação do Ceará, no PIB nacional, cresceu de 1,95% para 2,19%.

“Isso significa que a gent e abocanhou 12% a mais de toda a renda produzida pelo País”. Com o resultado de 2013, Diogo reitera que o resultado é o sexto seguido. “Ganhamos de 6 a 1, de virada, porque quando a gente vê a gestão de sete anos do

governador Cid Gomes, durante seis anos crescemos a mais do que a média

nacional, e foi apenas no primeiro ano que a gente não cresceu. “Começamos

perdendo, mas viramos o jogo e estamos ganhando (SEPLAG,2014)

A economia cearense ao longo desse período sempre foi puxada pelo setor de serviços sendo seguida alternadamente ora pelo setor industrial, ora pelo setor agropecuário. Este último setor tem tido participação bastante irregular na composição do PIB cearense devido às oscilações climáticas (irregularidades das chuvas), que interferem nos resultados da economia como aborda o IPECE:

Mas alerta-se que para um prognóstico mais concreto para a economia cearense, em 2012, deverão ser levados em consideração, além da recuperação das economias mundiais e brasileira, os efeitos climáticos, tendo em vista que a maior parte do território cearense se insere no semi-árido nordestino. Por isso, é constante a ocorrência de oscilações climáticas que interferem na economia por meio da Agropecuária, que apesar de ter um peso p equeno, suas taxas são elevadas, positivas ou negativamente, o que compensa sua magnitude. (IPECE, 2012, p. 17)

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Tabela 3 – Número de habitantes / PIB per capita do Ceará

Ano População PIB per capita (R$ 1,00)

2010 8.448.055 R$ 9.216,96

2011 8.530.155 R$ 10.314,29

2012 8.606.005 R$ 10.473,12

2013* 8.778.576 R$ 11.248,10

2014* 8.842.791 R$ 12.400,25

(*) Dados do PIB desses anos são projeções estimadas pelo IPECE e IBGE com base no IPCA dos referidos anos.

Fonte: IPECE / IBGE

De acordo com a tabela acima podemos constatar que mesmo com o crescimento populacional do Estado, o PIB per capita cresceu também, obtendo no ano de 2014 uma taxa de crescimento do produto per capita de 34,54% se comparado com o produto do ano 2010, e a taxa de crescimento populacional do Estado, considerando os mesmos anos de comparação, ficou na casa dos 4,67% de crescimento. Pela tabela acima apresentada, teoricamente tem-se que o verdadeiro responsável pela evolução do produto per capita foi o crescimento do PIB agregado, elevando assim a renda per capita da sociedade, permitindo que essa aqueça o mercado econômico cearense através do consumo principalmente no setor de serviços e comércio.

Portanto o Brasil tem sua economia puxada pelo consumo das famílias e/ou pela Formação Bruta de Capital Fixo - FBCF considerando a ótica da demanda; pela indústria e serviços considerando a ótica da oferta, conforme afirma a Aço Brasil (2014). A economia cearense segue acompanhando a mesma ótica de demanda da economia brasileira, fazendo do setor de serviços (em especial o comércio) o motor do seu crescimento, seguido pelo segmento de gás, energia e água, conforme IPECE (2014).

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5. O DESENVOLVIMENTO SOCIAL DE MARANGUAPE DURANTE A SECA DOS ANOS DE 2010 A 2014

Maranguape é um dos municípios que fazem parte da Região Metropolitana, e assim como o Ceará, em sua totalidade, vem enfrentando problemas sociais e econômicos perante a seca deste último período. Seca essa, que tem apresentado alterações nos dados sociais como: Índice de Desenvolvimento Humano Municipal - IDHM, saneamento básico e saldo de emprego.

Perante o exposto foi feita uma apresentação destes dados e observada a relação deles com a seca. Com relação à seca foram estudadas as precipitações pluviométricas da cidade e as ações, do governo municipal, de combate e convívio com a seca. Ações estas desenvolvidas pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário – SEMADE (será abordada em outro capítulo), durante este estudo.

5.1.Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – IDH-M

Como já mencionado anteriormente, o Índice de Desenvolvimento Humano classifica o desenvolvimento de uma determinada localidade, região ou país e é composto pelos três indicadores (LONGEVIDADE, EDUCAÇÃO e RENDA MÉDIA).

Segundo o Atlas 2013 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD, o IDHM é um índice que generaliza o conceito de desenvolvimento centrado nas pessoas e não se limitando ao crescimento econômico do município. Estimulando assim aos gestores, implementadores e formuladores de políticas públicas priorizarem a melhoria da vida das pessoas em suas ações e/ou decisões.

O IDHM é classificado de acordo com faixas etárias de desenvolvimento humano, possuindo assim cinco faixas, indo desde a faixa de muito baixo, com os valores compreendidos entre 0,000 a 0,499, a de muito alto, com os valores acima de 0,800, conforme tabela abaixo:

Tabela 4 - Faixas de Desenvolvimento Humano Municipal

0,000 a 0,499 Desenvolvimento muito baixo 0,500 a 0,599 Desenvolvimento baixo 0,600 a 0,699 Desenvolvimento médio

0,700 a 0,799 Desenvolvimento alto

0,800 a 1,000 Desenvolvimento muito alto

Fonte: PNUD / DATASUS

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O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD traz em seu relatório a classificação da cidade de Maranguape de acordo com o censo demográfico 2000/2010 realizado pelo IBGE conforme tabela abaixo:

Tabela 5 – Ranking Municipal pelo IDHM

Anos Posição Nacional Posição Estadual

1991 2990º 21º

2000 2902º 12º

2010 2924º 14º

Fonte: PNUD / DATASUS

A tabela acima mostra em tese, uma evolução do nível de vida das pessoas, ou seja, um avanço na qualidade de vida desta como consequência do desenvolvimento da cidade com o passar do tempo, como mostra os dados. No ano de 1991 ocupava a vigésima primeira posição entre os municípios do estado do Ceará, passando para a décima quarta posição no ano de 2010.

Apresentaremos logo abaixo como se deu a esta classificação e os dados em separado para saber em que setor a cidade de Maranguape avançou, e em que setor Maranguape precisou de intervenções de políticas públicas para continuar a se desenvolver. Analisou-se sua posição no tocante a longevidade, educação e renda, indicadores estes que compõe o IDHM.

Tabela 6 – Ranking Municipal pelo IDHM de Longevidade

1991 3908º 56º

2000 2706º 11º

2010 3570º 15º

Fonte: PNUD / DATASUS

Segundo o PNUD (2010), para se avaliar a dimensão longevidade, o IDH municipal considera como indicador a esperança de vida ao nascer. Esse indicador mostra o número médio de anos que uma pessoa nascida numa certa localidade no ano de referência (1991, 2000 e 2010) deve viver. A longevidade sintetiza as condições de saúde e salubridade do local, uma vez que quanto mais mortes houver nas faixas etárias mais precoces, menor será a expectativa de vida.

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Como base no PNUD (2010), a cidade de Maranguape melhorou do ano de 1991 para o ano 2000 e chegou a obter décima primeira posição dentre os municípios dentro do estado, porém devido a fatores ou variáveis externas no ano de 2010 perdeu quatro posições no ranking. A mesma oscilação apresentou-se no cenário nacional, podendo a seca ter contribuído para esse cenário.

Tabela 7 - Ranking Municipal pelo IDHM Renda.

Anos Posição Nacional Posição Estadual

1991 3620º 28º

2000 3691º 26º

2010 3834º 31º

Fonte: PNUD / DATASUS

Neste indicador temos que a situação da cidade piorou de acordo com os dados dos anos em questão. O IDHM utiliza como critério a renda municipal per capita, desse modo, verificou-se que ou o número de habitantes cresceu desproporcional ao número de empregos, ou o número de desempregados aumentou. Pois em 1991 Maranguape ocupava uma posição no ranking estadual, bem mais confortável que em 2010, ano esse que a cidade amarga a trigésima primeira posição dentro da federação, sendo portanto, um indicador a ser estudado pelo gestor municipal para saber de que forma intervir, por meio de quais políticas públicas, visando a continuação do desenvolvimento da cidade.

No que diz respeito ao IDHM de Educação o PNUD (2010) mostrou:

Tabela 8 – Ranking Municipal pelo IDHM Educação.

Anos Posição Nacional Posição Estadual

1991 2558º 23º

2000 2499º 16º

2010 1633º 21º

Fonte: Autor com dados PNUD / DATASUS

Para o indicador educação, o cálculo do IDHM leva em consideração dois índices com pesos diferentes: a taxa de alfabetização de pessoas acima de 15 anos de idade (peso dois), e a taxa bruta de freqüência a escola (peso um).

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condições de saber ler e escrever um bilhete simples, por esse motivo que se é calculado a taxa de analfabetismo, tendo como base a idade a partir dos 15 anos.

Voltando para a tabela 8 pode-se analisar que o melhor ano da educação para cidade de Maranguape foi o ano de 2000, já que essa cidade obteve sua melhor colocação diante das amostras abordadas.

Desta forma, a cidade de Maranguape se encontra dentro da faixa etária média com o seu IDHM medindo 0,659, sendo a décima quarta cidade melhor de se viver no estado do Ceará,segundo pesquisa do Atlas de Desenvolvimento Humano - ATLAS 2013. Para se entender essa posição o ATLAS (2013) descreve os valores com as suas faixas etárias para cada indicador que compõe o IDHM da cidade:

Tabela 9 – IDHM e seus valores e faixas etárias do PNUD 2010

IDHM Valores Faixas Etárias

Longevidade 0,788 Alto

Renda 0,587 Baixo

Educação 0,618 Médio

Fonte: PNUD / DATASUS

O PNUD (2013) apresenta a seguinte conclusão sobre a evolução da cidade de Maranguape com base nos censos de 1991, 2000 e 2010, afirmando:

De 1991 a 2010, o IDHM do município passou de 0,369, em 1991, para 0,659, em 2010, enquanto o IDHM da Unidade Federativa (UF) passou de 0,493 para 0,727. Isso implica em uma taxa de crescimento de 78,59% para o município e 47% para a UF; e em uma taxa de redução do hiato de desenvolvimento humano de 54,04% para o município e 53,85% para a UF. No município, a dimensão cujo índice mais cresceu em termos absolutos foi Educação (com crescimento de 0,439), seguida por Longevidade e por Renda. Na UF, por sua vez, a dimensão cujo índice mais cresceu em termos absolutos foi Educação (com crescimento de 0,358), seguida por Longevidade e por Renda. (PNUD, 2013)

Com esse índice Maranguape ocupa no ano de 2010 a 2924ª posição entre os 5.565 municípios brasileiros segundo o IDHM. Nesse ranking, o maior IDHM é 0,862 pertencente a cidade de São Caetano do Sul - SP, e o menor é 0,418 registrado pela cidade de Melgaço - PA, conforme afirma PNUD (2013).

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compreendido pela seca (com exceção para o ano de 2011), que atingiu a cidade, o Ceará bem como toda região a Nordeste.

5.2.Saneamento Básico

Saneamento básico é outro indicador de qualidade de vida utilizado para aferir o desenvolvimento de um país, região ou localidade, por se entender deste indicador como um conjunto de serviços, infra-estruturas e instalações de abastecimento de água, esgota mento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e drenagem de águas pluviais urbanas, conforme citado na Lei nº 11.445/2007 da Presidência da República.

Para Lemos (2012) um melhor padrão de qualidade de vida, ou de desenvolvimento humano de uma dada população é condicionante não só aos outros fatores econômicos e sociais, como também o acesso ao serviço de água tratada e ao serviço de saneamento básico, estando estes últimos entre os mais poderosos instrumentos disponíveis pelos gestores para reduzir doenças.

Para uma melhor compreensão deste indicador, foi feito um levantamento com relação ao serviço de esgotamento sanitário, devido a complexidade que é o saneamento básico e por entender que através deste serviço (em conjunto com os demais: acesso a água tratada, fossas sanitárias, sistema de coleta de lixo) é que se dá o grau de desenvolvimento das famílias e suas moradias, pois este serviço é de extrema importância para o entendimento e avaliação do investimento em infraestrutura e saúde, uma vez que os tipos de esgotamentos interferem e muito na ploriferação de doenças e na qualidade de vida da população.

Segundo o Ministério da Saúde (2013) por meio do DATASUS a classificação dos tipos de esgotamento se dá em três tipos: esgoto público ou geral, esgoto por fossa e esgoto a céu aberto. Assim, analisaremos o número de famílias que se encontra em cada classificação bem como a evolução ou regressão destas com o passar dos anos abordados.

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Em Maranguape segundo dados do Ministério da Saúde / DATASUS, foi utilizada a ferramenta do Sistema de Informação de Atenção Básica - SIAB, trazendo os dados referentes à quantidade e classificação das famílias assistidas por esse serviço no município de acordo com o período abordado.

Tabela 10 – Quantidade de famílias assistida pelo serviço de esgotamento sanitário.

Tipo de esgotos Ano 2010 Ano 2011 Ano 2012 Ano 2013 Ano 2014

Rede de esgoto 1.050 1.050 2.051 2.677 2.676

Esgoto por fossas 20.326 20.326 19.868 20.950 20.992 Esgoto a Céu aberto 2.804 2.804 2.802 2.628 2.606 Total de Famílias 24.180 24.180 24.721 26.255 26.274 Fonte: Autor com dados do MS / DATASUS

Vale ressaltar aqui a redução ,ao longo do período, da quantidade de famílias que tem o esgoto a Céu abertos, sinal que mais famílias estão sendo assistidas pelo sistema de rede de esgoto, tendo uma evolução considerável do biênio de 2010/2011 para o biênio 2013/2014. Essa evolução acompanhou também o crescimento populacional da cidade, já que o número de famílias também cresceu no decorrer dos biênios.

Fazendo os cálculos afirma-se que no ano de 2010 apenas 4,34% das famílias de Maranguape tinham o acesso a este serviço de rede de esgoto, e que em 2014 a quantidade de famílias com acesso a este serviço atingiu aproximadamente 10,18% da população da cidade, mostrando assim um avanço para o desenvolvimento com relação a este fator.

Após este levantamento, foi abordado pelo estudo, o saldo de emprego, para fecharmos a análise dos dados sociais da cidade de Maranguape. Já que esses dados podem ou não ter relações diretas um com o outro para uma evolução ou regressão no grau de bem estar das famílias e, consequentemente, um avanço no quadro de desenvolvimento do município em estudo.

5.3.Saldo de empregos

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como o desenvolvimento econômico de Maranguape, permitindo assim uma elevação também na qualidade de vida da sociedade, fazendo assim a cidade se projetar em um novo contexto social e econômico no estado do Ceará.

O mercado de empregos de Maranguape segundo o IPECE (2014) possui oito setores de atividades empregatícias considerando o fator emprego formal. Os setores destas atividades são: extrativa mineral, indústria de transformação, serviços industriais de Utilidade Pública, construção civil, comércio, serviços, administração pública e agropecuária.

Segundo IPECE (2014), Maranguape possui uma relação atípica entre o número de admissão e demissão nos postos de trabalho, possuindo uma alta rotatividade da mão de obra. Esse fator se deu por causa de diversos fatores externos. Entre eles pode-se citar a seca vivenciada pelo município neste período estudado, podendo esta seca ter afetado ou não mercado de trabalho da cidade, fator esse que será analisado nos capítulos seguintes.

Para melhor entender o mercado de trabalho da cidade, veremos no quadro abaixo das admissões e demissões, podendo ser observada esta rotatividade de mão de obra através dos números de saldo de empregos.

Tabela 11 – Mercado de Trabalho – relação entre emprego e desemprego.

Movimentação agregada em

2010 2011 2012 2013 2014 Total Maranguape

1) Admissões 5.283 3.765 3.267 3.886 3.885 20.086 2) Desligamentos 3.951 4.500 3.816 3.727 4.095 20.089

Saldo agregado 1.332 -735 -549 159 -210 -3

Fonte: Autor com dados do CAGED

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de 2014, ficando uma preocupação tanto para as famílias, como para poder privado e o poder público.

A preocupação para as famílias se dá do ponto de vida social e econômico, pois para poder evoluir no bem estar delas, ou pelo menos manter o mesmo grau de qualidade de vida se faz necessário um emprego digno que financie o básico das condições necessárias para a sobrevivência, levando em consideração ainda a contrapartida do poder público.

Abordar-se-á agora a descrição ano após ano, durante período em análise de como se processou as admissões/demissões e quais foram os setores que mais sentiram essa rotatividade ou sofreram com o saldo negativo de empregos, segundo apontam estudos do IPECE neste sentido:

Tabela 12 – Saldo de empregos formais – ano 2010

Fonte: IPECE / CAGED

De acordo com os estudos do IPECE (2011), na figura acima se tem a Indústria de Transformação como motor na geração de empregos, seguido pela Construção Civil, com a abertura respectivamente de 2912 e 1240 postos de trabalhos formais. Porém, esses também foram os setores que mais demitiram, comprovando assim a alta rotatividade da mão de obra no mercado de Maranguape.

Já no ano seguinte, ano 2011, se deu a seguinte análise:

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Neste ano a alta rotatividade da mão de obra do mercado de Maranguape (admissão/demissão) deixou o saldo de empregos agregado do município negativo com um número de (- 735) postos de trabalhos. Saldo esse puxado pelos números do setor da Indústria de Transformação, que desta vez demitiu mais do que contratou, ficando com saldo negativo de (-575) postos de trabalhos, um número elevado se comparado com o saldo do ano anterior, que fechou de forma positiva com um saldo de 610 postos de trabalhos, e o setor da Construção Civil que também teve seus números afetados e configurou no mercado de trabalho com baixas no seu saldo de empregos, tendo um saldo negativo de (-365) postos de trabalho.

Portanto, os dois maiores setores que puxavam a contratação de mão de obra, mesmo com um número alto de rotatividade, fecharam o ano de forma negativa.

Ainda de acordo como CAGED (2013) a análise do ano de 2012 do mercado de trabalho se deu da seguinte forma:

Tabela 14 - Saldo de empregos formais – ano 2012.

Fonte: IPECE / CAGED

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Agora a avaliação do ano de 2013, os estudos apontaram o que se segue:

Tabela 15 – Saldo de empregos formais – ano 2013.

Fonte: IPECE / CAGED

O mercado de trabalho de Maranguape voltou a ter saldo agregado positivo, com um número de 226 empregos formais de saldo, porém apresentou alguns setores negativos, como se pode ver o setor da Indústria de Transformação, Serviços de Utilidade Pública e Agropecuária.

A Indústria da Transformação pelo terceiro ano consecutivo vem com saldo negativo, mesmo sendo o setor que mais contratou. Neste ano seu saldo foi de (-115) tendo uma desaceleração se comparado com o saldo negativo do ano passado. O setor de Serviço de Utilidade Pública é considerado um setor de pouca expressão (se considerado seus números de contratações e demissões), mesmo assim fechou de forma negativa com (-5) empregos formais. Por último, e não menos importante o setor da Agropecuária que desde o ínicio do período tem seus saldos positivos, porém de forma desacelerada ano após ano, este ano fechar de forma negativa com um saldo de (- 4) empregos formais, podendo ser um dos responsáveis por essa queda no saldo de empregos a seca vivenciada pelo município, que por sua vez faz elevar os custos com a produção do setor (matéria-prima escassa, elevada manutenção da produção) ocasionando demissões no neste setor.

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Tabela 16 – Saldo de empregos formais – ano 2014

Extrativa Mineral 0 0 0 997 1.128 -131

Indústria da Transformação 1.889 1.861 28 99.492 101.281 -1.789

Serviços Ind. de Ut. Pública 14 4 10 2.507 1.908 599

Construção Civil 482 488 -6 85.367 78.191 7.176

Comércio 732 719 13 125.493 114.509 10.984

Serviços 750 566 184 209.769 186.627 23.142

Administração Pública 1 0 1 1.234 463 771

Agropecuária 227 247 -20 15.239 14.047 1.192

Total das Atividades 4.095 3.885 210 540.098 498.154 41.944 Fonte: Autor/ dados MTE - CAGED

Neste último ano do período estudado o setor da Indústria da Transformação continuou sendo o que mais contratou, sendo este, portanto o motor do mercado de trabalho, seguido neste ano pelo setor do Comércio, Serviços e a Construção Civil. O setor da Indústria voltou a ter saldo positivo de 28 postos de empregos, após ter amargado saldos negativos por três anos consecutivos.

A Construção Civil, bem como a Agropecuária apareceram com saldos negativos de (-6) e (-20) respectivamente. O setor da Construção se apresenta como um dos setores mais dinâmicos do mercado local, uma vez que se configurou com saldo positivo de empregos em 2010, e nos 2 anos seguintes apresentou déficit, mostrando uma pequena recuperação ano passado e fechando este último ano de forma negativa, mostrando portanto a alta rotatividade de mãos de obras e a variação de comportamento no mercado de empregos, sendo essa variação explicada por fatores externos, tais como a especulação do setor imobiliário, bem como elevação dos custos de produção da construção civil.

Maranguape atualmente se concentra algumas indústrias como: Dakota, Mallory, Indústria de Aguardente , Indústria de Produção de Leite, outros. Com a instalação dessas indústrias coube ao governo local, desenvolver políticas para manter essas, bem como atrair novas indústrias para a cidade. Assim, o governo foca no desenvolvimento da cidade, bem como no avanço da qualidade de vida da população, evitando essa elevada rotatividade

Discriminação

Saldo de Empregos Formais

Município Estado

(42)

de mão de obra, e buscando fiscalizar a qualidade desses postos de trabalho, pois de nada resolve para o desenvolvimento humano um crescimento econômico sem ser acompanhado por uma redução das desigualdades sociais.

(43)

6. AS IRREGULARIDADES DAS CHUVAS E O IMPACTO NA PRODUÇÃO AGRÍCOLA DE MARANGUAPE

Passados alguns meses deste ano e já foi diagnosticado pela FUNCEME (2015) que o Ceará entrou no seu 4º ano consecutivo de seca, com afirmações do presidente desta instituição sobre a quadra chuvosa do ano em questão, reportando o fato das irregularidades das chuvas ao fenômeno El Niño1 que perdura por mais esse ano no Oceano Atlântico. Sobre essa quadra chuvosa (compreendida entre os meses de fevereiro a maio) o estudou abordou o nível pluviométrico tanto durante essa quadra chuvosa como durante o acumulado do ano, considerando o período em estudo.

O estudo da quadra chuvosa é feito através de parcerias entre a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos – FUNCEME e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará – EMATERCE. A primeira informa os dados pluviométricos e as provisões para o próximo período, enquanto a EMATERCE faz o levantamento da produção por distritos e municípios em parceria com os técnicos mesmos, como aborda a EMATERCE (2015):

O levantamento da situação da produção é realizado pelos t écnicos de ATER, em nível de distrito/ localidade /agricultor, discutido e referendado com os parceiros nos

municípios gerando, além dos dados físicos da safra, relatados det alhadamente no Sitprod Município Distrito, também o relatório da Situação da Quadra Chuvosa. Este contém as informações por território e município, das chuvas acumuladas até o

período e os desvios para as normais esperadas no distrito sede dos municípios (informação disponibilizada pela Funceme), como também os veranicos observados,

a situação de abastecimento de água e pastagens, a ocorrência e o nível do ataque de pragas, entre outras informações importantes na análise da safra. (EMATERCE,

2015, p. 3)

O estudo coletou dados sobre o índice pluviométrico do Estado e de Maranguape durante o período, vendo o acumulado durante os anos e a média anual destas precipitações.

1

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Tabela 17 – Dados pluviométricos do Ceará.

Ano Normal (mm) Observado (mm) Desvio

2014 804,9 565,5 -29,7

2013 804,9 551,2 -31,5

2012 804,9 388,9 -51,7

2011* 804,9 1034 28,5

2010 804,9 542.5 -32,6

(*) Segundo a FUNCEME este ano não teve seca no Ceará.

Fonte: Autor / dados da FUNCEME

Com base na tabela acima, fica compreendida a seca vivenciada pelo Ceará no período estudado, com uma observação para o ano de 2011 que apresentou chuvas acima da média do estado com índices observados de 1034 milímetros. Os demais anos, apresentaram valores bem abaixo da média anual. Destaca-se aqui o ano de 2012 como o ano com o menor índice pluviométrico observado de apenas 388,9 milímetros, tendo o maior desvio negativo do período de (-51,7) em relação à média anual.

Já em Maranguape foram observados os seguintes índices pluviométricos:

Tabela 18 – Índices pluviométricos de Maranguape.

Ano Normal Observado Desvio

2014 1144.0 774,4 -32,3

2013 1144.0 735,9 -35,7

2012 1144.0 557,7 -51,3

2011 1144.0 1264.5 10.5

2010 1144.0 451.3 -60.6

Fonte: Autor / dados da FUNCEME

Assim como no Ceará, em Maranguape se observou variações pluviométricas negativas em relação à sua média anual. Com base nesses desvios de chuvas, apontado na tabela a cima, é que foram calculadas as perdas na safra de agrícola em sequeiros (produção de grãos) da cidade de Maranguape.

Imagem

Figura  01  –  Mapa de Maranguape  em 2014
Figura  2  –  PIB do Brasil  (2007  a 2014)
Tabela  1 - PIB  agregado / PIB  per capita  e População  do Brasil
Tabela  2  –  Taxa de crescimento  do PIB / PIB Agregado
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