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RELATÓRIO DE ESTABILIDADE FINANCEIRA

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Publicação semestral do Banco Nacional de Angola (BNA). É permitida a reprodução das matérias, desde que mencionada a fonte.

Banco Nacional de Angola Av. 4 de Fevereiro, nº 151 Luanda, Angola Caixa Postal 1243 Tel: (+244) 222 679 200 - Fax: (+244) 222 339 125 www.bna.ao Tiragem: Versão Digital

RELATÓRIO

DE ESTABILIDADE

FINANCEIRA

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Relatório de Estabilidade Financeira

Publicação semestral do Banco Nacional de Angola (BNA)

É permitida a reprodução das matérias, desde que mencionada a fonte: Relatório de Estabilidade Financeira. Eventuais divergências entre dados e totais ou variações percentuais são provenientes de arredondamentos. Não são citadas as fontes das tabelas e dos gráficos de autoria exclusiva do Banco Nacional de Angola. Banco Nacional de Angola

Av. 4 de Fevereiro nº 151 - Luanda - Angola Caixa Postal 1243

Tel.: (+244) 222 679200 Internet: <http://www.bna.ao

RELATÓRIO DE ESTABILIDADE FINANCEIRA // ANUAL DE 2019

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Objectivo do Relatório de Estabilidade Financeira

No âmbito das atribuições conferidas ao Banco Nacional de Angola, por intermédio da sua Lei Orgânica n.º 16/10, de 15 de Julho, para a prossecução da política económica do Executivo, compete-lhe, para além da condução, execução, acompanhamento e controlo das políticas monetária e cambial, velar pela estabilidade do sistema financeiro nacional, assegurando, com essa finalidade, a função de financiador de última instância. Assim, em virtude desta prorrogativa, impende sobre o mesmo o dever de elaborar e publicar, com periodicidade regular, relatórios relativos às suas atribuições, entre os quais o Relatório de Estabilidade Financeira. O presente relatório tem como objectivo principal identificar potenciais riscos para o sistema financeiro angolano e dar a conhecê-los ao mercado. Tendo presente que não é a única instituição com influência na estabilidade do sistema financeiro angolano, o conteúdo deste documento reflecte apenas as análises e opiniões do Banco Nacional de Angola.

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ÍNDICE

SUMÁRIO EXECUTIVO 1 ENQUADRAMENTO MACROECONÓMICO-FINANCEIRO 1.1 Apreciação Global 1.2 Contextualização Internacional 1.2.1 Crescimento Mundial 1.2.2 Mercado das Commodities

1.3 Condições Macroeconómicas Internas e Desenvolvimento Financeiro

1.3.1 Sector Real 1.3.2 Sector Externo 1.3.3 Sector Fiscal 1.3.4 Sector Monetário 2 SECTOR EXTERNO 2.1 Comércio Externo 2.2 Solvabilidade Externa 2.3 Endividamento Externo

3 INFRAESTRUTURA DE MERCADO FINANCEIRO 3.1 Contextualização

3.2 Sistema de Pagamentos em Tempo Real

3.2.1 Subsistema de Compensação de Cheques 3.2.2 Subsistema Multicaixa

4 SECTOR BANCÁRIO

4.1 Organização do Sistema Bancário

4.1.1 Estrutura e Composição

4.2 Sistema Bancário – Visão Geral

4.2.1 Estrutura Patrimonial 4.2.2 Adequação de Capital 4.2.3 Qualidade dos Activos 4.2.4 Rentabilidade

4.2.5 Liquidez e Gestão de Fundos 4.2.6 Análise de sensibilidade na Liquidez 4.2.7 Índice de Estabilidade do Sector Bancário

4.3 Governação Corporativa e Sistema de Controlo Interno

7 10 11 13 13 14 15 15 17 18 20 22 23 23 25 26 27 28 29 29 31 32 32 32 32 36 37 39 40 41 42 43

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5 SUPERVISÃO COMPORTAMENTAL 5.1 Licenciamento

5.2 Analise Global de Linciamento de produtos, Serviçlos e campanhas Publicitárias

5.2.1 Número de Processos de Produtos e Serviços 5.2.2 Número de Campanhas Publicitárias

5.3 Inspecções

5.3.1 Off-Site 5.3.2 On-Site

5.4 Análise do mercado

5.4.1 Taxas de Juros de Deposito a Prazo

5.4.2 Comissão de manutenção de contas de Depósito à ordem 5.4.3 Comissão de Emissão de Operações sobre o Estrangeiro (OPE)

5.4.4 Comissão de carregamento de cartão pré-pago de bandeira internacional 5.4.5 Comissão de levantamento com Cartão pré-pago

5.4.6 Comissão de pagamento com o cartão pré-pago

5.4.7 Comissão de emissão da declaração de capacidade financeira/ idoneidade

5.5 Gestão de Reclamações

5.5.1 Matérias Reclamadas

5.6 Prevenção ao Branqueamento de Capitais e Financiamento do Terrorismo

5.6.1 Avaliação Nacional do Risco de Angola

5.6.2 Revisão e Actualização do Quadro Legal e Regulamentar 5.6.3 Avaliação Mútua

5.6.4 Acções de supervisão Off-site e On-Site em sede de BC/FT

5.6.5 Análise dos requisitos de prevenção ao branqueamento de Capitais e financiamento do Terrorismo 5.6.6 Relações de Correspondência Bancária

5.6.7 Acção de supervisão on-site

5.6.8 Capacitação da área de Prevenção ao BC/FT 5.6.9 Outras Actividades

6 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO E INCLUSÃO FINANCEIRA 6.1 Evolução das contas Bankita

6.2 Índice de Inclusão Financeira TEMA DE DESTAQUE 7 ANEXOS 44 45 45 46 46 47 47 47 48 48 48 49 49 50 51 51 52 52 54 54 55 55 55 55 56 57 58 58 59 60 65 66 69

RELATÓRIO DE ESTABILIDADE FINANCEIRA // ANUAL DE 2019

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SUMÁRIO EXECUTIVO

De modo geral, no segundo semestre 2019, os preços no mercado das commodities energéticas mostraram-se inferiores comparativamente ao semestre anterior, sendo afectados negativamente pelas tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos e por uma incerteza quanto às perspectivas da economia mundial, que foi agravada em Dezembro de 2019 com o surgimento do surto do coronavírus e a tendência decrescente do preço médio do Brent registada no final de 2019.

Devido a forte dependência da economia angolana à referida commodity, o ano de 2019 ficou marcado pela redução do preço e das quantidades exportadas de petróleo, culminando na redução das receitas disponíveis de 11,32% em relação a 2018, afectando a estabilidade macroeconómica que apresentou um agravamento em todos os indicadores de risco face ao período homólogo, com excepção aos riscos ligados ao sector externo que registaram melhoria devido a redução do diferencial entre a taxa de câmbio do mercado primário e do informal em relação ao período anterior e homólogo, bem como do aumento do grau de cobertura das reservas brutas sobre importação de bens e serviços e ao aumento do coeficiente do activo externo líquido sobre o activo total influenciado pelo incremento das reservas internacionais líquidas.

No segundo semestre de 2019, verificou-se uma diminuição do valor das exportações de bens, todavia, observou-se uma tendência contrária na evolução das reservas internacionais, sendo que as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) expandiram em 14,37%, em relação ao primeiro semestre de 2019 e 10,01% em relação ao semestre homologo, num quadro de aumento anual de reservas que não ocorria desde 2013.

Desde o início de 2018, o BNA leva a cabo um processo de reforma da política cambial de forma faseada, com a implementação de medidas conducentes à formação de um mercado cambial organizado, flexível e com princípios que protejam os interesses da economia e dos consumidores de serviços financeiros.

Assim, no ano de 2019, com vista a reduzir os desequilíbrios no mercado cambial implementou-se o regime de câmbio flutuante em que a taxa de câmbio passou a ser livremente determinada pelo mercado. De igual modo, visando melhorar a eficácia dos instrumentos de política monetária e dar continuidade ao processo de estabilização macroeconómica e solidez do sistema financeiro, o Comité de Política Monetária (CPM) decidiu baixar a Taxa BNA em duas ocasiões no primeiro semestre do ano (Janeiro e Maio) e manter inalterada a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez e dos coeficientes das Reservas Obrigatórias. No período em análise, foram registadas alterações significativas a nível do Sistema de Pagamentos, com impacto positivo nas Infraestruturas que dele fazem parte. Neste sentido, a aposta na modernização e sofisticação dos sistemas de pagamento tem sido uma prioridade para o BNA, sendo que no segundo semestre de 2019, assistiu-se a criação de um Laboratório de Inovação do SPA que irá proporcionar um ambiente propício para o desenvolvimento das Fintechs, uma maior utilização de instrumentos electrónicos e adicionou-se um novo canal de pagamentos a rede multicaixa, designado Multicaixa Express, que possibilita a realização de transacções existentes na rede de Caixas Automáticos (CA) a partir de um dispositivo móvel. Igualmente, em 2019, começou a ser implementado que o Sistema de Pagamentos Móveis e Instantâneos (STMI) que irá contribuir para o alcance da inclusão financeira da população e para aumento da eficiência nos pagamentos a retalho, para o efeito o Banco Mundial tem prestado assistência técnica ao BNA.

RELATÓRIO DE ESTABILIDADE FINANCEIRA // ANUAL DE 2019

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Por fim, em 2019, iniciou-se o programa de incubação que comporta 4 fases, nomeadamente escolha e selecção, bootcamp incubação e demonstração, sendo que neste processo houve 96 (noventa e seis) candidaturas e destas 22 (vinte e duas) foram pré-selecionadas, criando, deste modo, a primeira turma que corresponde a segunda fase deste processo.

No Subsistema de Compensação de Cheques, destaca-se a redução significativa de utilização de cheques que constitui um factor positivo. Por fim, foi implementado o Subsistema de Débitos Directos, que consiste num serviço que optimiza a gestão de pagamentos periódicos, que passa pela aceitação ou manutenção de autorizações de débito em conta, de modo a assegurar o débito automático das cobranças dirigidas aos utilizadores bancários, com utilização prevista para o ano 2020.

No período em análise observou-se uma menor estabilidade financeira do sistema bancário angolano, face ao período homólogo, devido a conjuntura macroeconómica menos favorável e a consequente degradação de alguns indicadores de solidez financeira, com destaque para o aumento do crédito malparado, bem como dos níveis de imparidades para risco de crédito que, por sua vez, teve impacto negativo na rentabilidade e solvabilidade do sector.

Relativamente a intermediação financeira, continuou a prevalecer o menor apetite ao risco por parte dos bancos, mantendo a tendência crescente de financiamento ao Estado, por via dos títulos de dívida pública em detrimento das aplicações em crédito. Por outro lado, a qualidade dos activos do sector bancário manteve-se frágil, porquanto o crédito vencido malparado permanece em níveis elevados, devido sobretudo aos níveis de incumprimento da carteira de crédito de dois bancos de importância sistémica alta. Todavia, com a implementação da IFRS 9 no sector bancário e com as recomendações do Exercício de Avaliação da Qualidade dos Activos (AQA), observou-se um aumento considerável das imparidades nos balanços dos bancos para mitigar o risco de crédito. No que diz respeito à conduta do mercado, assistiu-se um aumento do número de reclamações, relacionado sobretudo com os Caixas Automáticos (CA), Terminais de Pagamento Automático (TPA), Cartões de Pagamento, Contas de Depósitos, Transferências,

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ENQUADRAMENTO

MACROECONÓMICO-FINANCEIRO

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1 ENQUADRAMENTO MACROECONÓMICO-FINANCEIRO

1.1 APRECIAÇÃO GLOBAL

No ano de 2019, a Cobweb da estabilidade macroeconómica apresentou um agravamento em todos os indicadores de risco face ao período homólogo, com excepção aos que estão ligados à vulnerabilidade externa.

Gráfico 1 - Cobweb Macroeconómica da Estabilidade Financeira em Angola

Fonte: Bloomberg, BNA, MINFIN, INE-Angola, Ministério do Planeamento, Ministério dos Petróleos, CESifo e cálculos efectuados pelo BNA

Relativamente à melhoria dos indicadores do sector externo, entre os factores que contribuíram para a mesma, realça-se (i) a redução do diferencial entre a taxa de câmbio do mercado primário e do informal em relação ao período anterior e homólogo, em resultado da flexibilização total da taxa de câmbio, no último trimestre de 2019, que originou uma depreciação acentuada da taxa de câmbio no mercado primário; (ii) o aumento do grau de cobertura das reservas brutas sobre importação de bens e serviços medidos em meses de importação, influenciado por um lado, pela redução das importações e por outro lado, pela acumulação das reservas internacionais verificado no período em análise, facto que não acontecia desde o ano de 2013 e (iii) o aumento do coeficiente do activo externo líquido pelo activo total, justificado pela depreciação cambial ocorrida no período, bem como pelo aumento dos activos externos, que por sua vez foi influenciado pelo incremento das reservas internacionais líquidas.

Relativamente aos restantes indicadores de risco que no período tiveram um impacto negativo sobre a estabilidade macro prudencial, destaca-se em primeira instância a conjuntura internacional que mais se agravou, devido (i) à deterioração do indicador de clima económico mundial que se reflectiu, particularmente, no consumo privado mais baixo, menor actividade de investimento e queda das taxas de juro de curto e longo prazo. As expectativas comerciais estão no seu nível mais baixo desde o início do conflito comercial no ano passado; (ii) ao aumento do índice do preço das commodities alimentares (FAO) e (iv) à redução do crescimento económico dos principais parceiros de Angola.

Vulnerabilidade Internacional Vulnerabilidade Externa Vulnerabilidade Real Vulnerabilidade Fiscal Vulnerabilidade Monetária 2018 S2 2019 S1 2019 S2

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No tocante a conjuntura fiscal, persiste a necessidade de financiamento do Estado angolano, influenciado pela redução das receitas do petróleo, reflectindo-se no agravamento da dívida pública em percentagem do PIB.

Por sua vez, a deterioração da conjuntura monetária em relação ao período homólogo, foi influenciada, por um lado, pelo aumento dos níveis de liquidez e dos agregados monetários, apesar de ter aumentado menos em relação ao semestre anterior, como reflexo do aumento do coeficiente de reservas obrigatórias de 18,00% para 22,00% no mês de Outubro de 2019. Por outro lado, registou-se também uma redução do rácio do crédito total sobre os depósitos.

Quanto aos indicadores associados à conjuntura da economia real, que tiveram um menor impacto no agravamento das vulnerabilidades, realça-se o agravamento do grau de concentração do PIB e do indicador mensal da actividade económica (IMAE) não petrolífero, no entanto foram atenuadas pela melhoria da inflação homóloga, que continuou a sua trajectória decrescente, bem como pela melhoria no indicador mensal de actividade económica (IMAE) do sector petrolífero, em relação ao período anterior e homólogo.

Painel 1- Evolução Histórica dos Índices que Compõem a Cobweb

Fonte: Bloomberg, BNA, FMI, MINFIN, INE-Angola, Ministério do Planeamento, Ministério dos Petróleos, CESifo, FAO e cálculos efectuados pelo BNA.

1,20 1,70 2,20 2,70 3,20 3,70 4,20

Feb-15 Apr-15 Jun-15 Aug-15 Oct-15 Dec-15 Feb-16 Apr-16 Jun-16 Aug-16 Oct-16 Dec-16 Feb-17 Apr-17 Jun-17 Aug-17 Oct-17 Dec-17 Feb-18 Apr-18 Jun-18 Aug-18 Oct-18 Dec-18 Feb-19 Apr-19 Jun-19 Aug-19 Oct-19 Dec-19

Vulnerabilidade face à Conjuntura Internacional Média Amostral

1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 4,00 4,50

Feb-15 Apr-15 Jun-15 Aug-15 Oct-15 Dec-15 Feb-16 Apr-16 Jun-16 Aug-16 Oct-16 Dec-16 Feb-17 Apr-17 Jun-17 Aug-17 Oct-17 Dec-17 Feb-18 Apr-18 Jun-18 Aug-18 Oct-18 Dec-18 Feb-19 Apr-19 Jun-19 Aug-19 Oct-19 Dec-19

Vulnerabilidade face à Conjuntura Externa Média Amostral

1,20 1,70 2,20 2,70 3,20 3,70 4,20 4,70

Feb-15 Apr-15 Jun-15 Aug-15 Oct-15 Dec-15 Feb-16 Apr-16 Jun-16 Aug-16 Oct-16 Dec-16 Feb-17 Apr-17 Jun-17 Aug-17 Oct-17 Dec-17 Feb-18 Apr-18 Jun-18 Aug-18 Oct-18 Dec-18 Feb-19 Apr-19 Jun-19 Aug-19 Oct-19 Dec-19

Vulnerabilidade face à Conjuntura Monetária Média Amostral

1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 4,00

Feb-15 Apr-15 Jun-15 Aug-15 Oct-15 Dec-15 Feb-16 Apr-16 Jun-16 Aug-16 Oct-16 Dec-16 Feb-17 Apr-17 Jun-17 Aug-17 Oct-17 Dec-17 Feb-18 Apr-18 Jun-18 Aug-18 Oct-18 Dec-18 Feb-19 Apr-19 Jun-19 Aug-19 Oct-19 Dec-19

Vulnerabilidade face à Conjuntura do Sector Real Média Amostral

0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00

Feb-15 Apr-15 Jun-15 Aug-15 Oct-15 Dec-15 Feb-16 Apr-16 Jun-16 Aug-16 Oct-16 Dec-16 Feb-17 Apr-17 Jun-17 Aug-17 Oct-17 Dec-17 Feb-18 Apr-18 Jun-18 Aug-18 Oct-18 Dec-18 Feb-19 Apr-19 Jun-19 Aug-19 Oct-19 Dec-19

Vulnerabilidade face à Conjuntura Fiscal Média Amostral

Índice de Vulnerabilidade face à Conjuntura Internacional Índice de Vulnerabilidade face à Conjuntura Externa

Índice de Vulnerabilidade face à Conjuntura Fiscal

Índice de Vulnerabilidade face à Conjuntura Monetária

Índice de Vulnerabilidade face à Conjuntura do Sector Real

RELATÓRIO DE ESTABILIDADE FINANCEIRA // ANUAL DE 2019

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1.2 CONTEXTUALIZAÇÃO INTERNACIONAL

1.2.1 CRESCIMENTO MUNDIAL

No World Economic Outlook (WEO) de Abril de 2020, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a taxa de crescimento económico mundial em 2019 tenha sido de 2,90%, inferior à estimada para 2018 (3,6%). O FMI apresenta uma desaceleração para a maior parte das economias, em particular, para as economias emergentes e em desenvolvimento onde estava prevista uma taxa de crescimento de 3,70% em 2019 face aos 4,50% estimados para 2018, enquanto nas economias desenvolvidas o impacto foi menor estimando uma taxa de crescimento de 2,20% em 2018 para 1,70% para 2019.

Tabela 1 - Crescimento Económico Anual a Nível Mundial

Fonte: FMI, World Economic Outlook (Update), Abril de 2020

Nas economias avançadas os Estados Unidos da América (EUA), em 2019, alcançaram uma taxa de crescimento económico de 2,30% face aos 2,90% estimados para 2018, reflectindo uma redução da procura interna e das exportações, influenciadas por sua vez pela queda da procura mundial. Relativamente à Zona Euro, a taxa de crescimento foi de 1,20% para 2019, inferior aos 1,90% estimados para 2018, enquanto no Japão, o crescimento estimado foi mais modesto 0,7% em 2019 (0,3p.p. abaixo do WEO de Janeiro de 2020).

No entanto, para as economias emergentes e em desenvolvimento, destaca-se a economia indiana, onde o crescimento desacelerou para 4,20% em 2019 face à estimativa de 2018, apoiado por estímulos monetários e fiscais, bem como preços de petróleo moderados. Em relação à China, o crescimento diminuiu para 6,1% contra os 6,70% em 2018, penalizado pelas disputas não resolvidas sobre relações económicas mais amplas entre os EUA e a China, que afectaram o comércio mundial por um lado e por outro lado, os protestos na Região Administrativa Especial de Hong Kong que têm recebido apoio de muitos países. Na Rússia e no Brasil, o FMI destacou para 2019 uma desaceleração destas economias, o que reflectiria a desaceleração da inflação, levando ao corte da taxa básica de juro reduzindo deste modo, o custo dos empréstimos no primeiro caso e as interrupções da oferta no sector mineiro no segundo caso e a necessidade de consolidação e ajustes das políticas fiscal e monetária, apontando um crescimento económico dos mesmos de 1,10% e 1,20% em 2019, contra 1,30% e 2,50% em 2018, respectivamente.

PAISES DA REGIAO FMI (Abr 20) Diferencias WEO

2018 2019 2020 2018 e 2019 Economia Mundial 3,60 2,90 -3,00 -0,7 Economias Avançadas 2,20 1,70 -6,10 -0,5 EUA 2,90 2,30 -5,90 -0,6 Reino Unido 1,30 1,40 -6,50 0,1 Zona Euro 1,90 1,20 -7,50 -0,7 Japão 0,30 0,70 -5,20 0,4

Economias Emergentes e em Desenvolvimento 4,50 3,70 -1,00 -0,8

China 6,70 6,10 1,20 -0,6 Índia 6,10 4,20 1,90 -1,9 Brasil 1,30 1,10 -5,30 -0,2 Rússia 2,50 1,30 -5,50 -1,2 África Subsariana 3,30 3,10 -1,60 -0,2 África do Sul 0,80 0,20 -5,30 -0,6 Nigéria 1,90 2,20 -3,40 0,30

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Por sua vez, a África Subsariana como bloco, cresceu a um ritmo menor do que o registado em 2018, cerca de 3,10%.

Em 2020, a previsão é de uma recessão económica de 3,00%, com a interrupção da actividade económica mundial, por causa da propagação da Pandemia COVID-19, afectando todas as economias, prevendo-se profundas recessões nos Estados Unidos, Zona Euro e Reino Unido e uma desaceleração nas outras economias avançadas da Ásia (China e Índia). A maior parte dos países estão com os juros efectivos de limite inferior e de longo prazo em níveis baixos (em alguns casos, negativos), o espaço para a política monetária combater novos declínios de crescimento é limitado.

1.2.2 MERCADO DAS COMMODITIES

De forma geral, no segundo semestre os preços no mercado das commodities energéticas mostraram-se inferiores comparativamente ao semestre anterior. Os preços foram afectados negativamente pelas tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos e por uma incerteza quanto às perspectivas da economia mundial, que foi ainda agravada em Dezembro de 2019 com o surgimento do surto do coronavírus.

Estas crescentes disputas comerciais entre a China e os EUA enfraqueceram o sentimento do mercado financeiro, resultando numa retirada dos investidores dos mercados emergentes e na redução dos preços das commodities. No particular, o preço médio do Brent registou uma tendência descendente de USD 66,1 barril no primeiro semestre de 2019, para o valor de USD 62,3 barril, no segundo semestre do mesmo ano.

Gráfico 2- Índice de Preços das Commodities Alimentares da FAO e Preço do Brent

Fonte: FAO, Bloomberg

A procura mundial, no segundo semestre de 2019 foi em média de 100 Mb/d, acima dos 98 Mb/d observados no primeiro semestre, resultado de um aumento por parte de todas as regiões com destaque para os países da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

0,00 40,00 80,00 120,00 160,00 200,00 240,00

Feb-15 Apr-15 Jun-15 Aug-15 Oct-15 Dec-15 Feb-16 Apr-16 Jun-16 Aug-16 Oct-16 Dec-16 Feb-17 Apr-17 Jun-17 Aug-17 Oct-17 Dec-17 Feb-18 Apr-18 Jun-18 Aug-18 Oct-18 Dec-18 Feb-19 Apr-19 Jun-19 Aug-19 Oct-19 Dec-19

USD

Índece de Preços das Commodities (FAO) Preço do Barril (Brent)

RELATÓRIO DE ESTABILIDADE FINANCEIRA // ANUAL DE 2019

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Por seu turno, estima-se que a procura por petróleo em 2020, nos países da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) diminua em 5,19 Mb/d para uma média de 42,71 Mb/d e nos países fora da OCDE prevê-se um declínio de 3,88 Mb/d, fixando-se nos 47,88 Mb/d.

Relativamente à oferta mundial, no segundo semestre foi de 189,12 Mb/d, dos quais 131,17 Mb/d correspondem à oferta dos países fora da OPEP e 57,95 Mb/d dos países da OPEP, sendo que a procura, em média, foi de 100,66 Mb/d. As previsões apontam que os países fora da OPEP tenham uma oferta de 66,33Mb/d em 2020, o que representa uma queda de 3,49 Mb/d face à 2019, da mesma forma os membros da OPEP ponderam reduzir a sua produção.

No mercado das commodities alimentares, de Julho à Dezembro de 2019, observou-se um aumento do índice de 4,1 p.p. (2,42%) em relação ao período anterior. Neste contexto, o índice dos preços das commodities da Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO), passou de 173,2 em Junho de 2019 para 181,5 em Dezembro de 2019, porém mais 20 p.p. (12,38%) que o valor registado em Dezembro de 2018. Em geral, segundo a FAO, o aumento da procura de alguns lacticínios, a queda de produção de óleos e a febre suína africana, foram os principais factores impulsionadores do aumento dos preços.

1.3 CONDIÇÕES MACROECONÓMICAS INTERNAS E DESENVOLVIMENTO FINANCEIRO

1.3.1 SECTOR REAL

De acordo com a mais recente estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) publicada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2019, manteve-se a tendência contraccionista que perdura desde 2016. Contudo, observou-se uma menor contracção em relação ao ano anterior, passando de um recuo de -1,20% em 2018 para -0,89%, justificado, essencialmente, pela menor redução do sector petrolífero em torno de -5,31% face aos -9,50% registado em 2018.

Gráfico 3 - Crescimento Económico do Sector Petrolífero e Não Petrolífero

Fonte: INE – Contas Nacionais (2014-2018) e MEP (2019)

-2,50 11,05 -2,74 -5,33 -9,50 -5,31 8,88 -2,96 -2,53 1,22 1,00 0,91 4,82 0,94 -2,58 -0,15 -1,20 -0,89 -15,00 -10,00 -5,00 0,00 5,00 10,00 15,00

2014 2015 2016 2017 (e) 2018 (e) 2019 (e)

(%)

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A menor contracção da actividade petrolífera na ordem de 4,19 p.p., explica-se, fundamentalmente, pelo aumento dos níveis de produção de gás (passando de -5,32% em 2018 para 13,18% em 2019) e pela menor queda da produção de petróleo bruto (passando de -9,67% em 2018 para -6,47% em 2019).

Entretanto, segundo o Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos (MIREMPET), a queda da actividade petrolífera em 2019, deveu-se à falta de investimento na área de prospecção, pesquisa e exploração, observada, principalmente, no período de 2015 a 2017, o que continua a impactar a produção do sector. Destaca-se ainda, no ano em análise, o registo de problemas operacionais, designadamente, paragem dos compressores B de nível intermédia e de alta pressão, devido aos problemas mecânicos, bem como o fecho de alguns poços, resultante das paragens programadas e não programadas, com realce para o Bloco3/05, Bloco 15, Bloco 15/06, Bloco 17 e 32.

Quanto à actividade não petrolífera, a mesma registou uma ligeira desaceleração em torno 0,08 p.p., justificada pela queda da actividade económica dos sectores da energia de 22,30% para 6,24% e da indústria transformadora de 4,60% para -0,19%. Neste sentido, o menor dinamismo do sector da energia resultou, em grande parte, do aumento abaixo do esperado da capacidade de geração de electricidade, reflexo da fraca execução de novos projectos para incrementar a capacidade instalada e melhorar a rede de distribuição, visando contribuir no desenvolvimento da cadeia de valor da economia. Por sua vez, a contracção da actividade industrial, resultou da limitação na aquisição de matérias-primas e de peças sobressalentes e também do não surgimento de novas unidades. Em sentido oposto, o INE estimou que os seguintes sectores não petrolíferos registaram crescimento e melhoria: o sector de diamantes e outros que passou de -6,30% para 12,23%, o sector da construção de 0,40% para 5,47% e o sector de serviços mercantis de -0,21% para 1,24%.

Gráfico 4 - Evolução da Estrutura do PIB

Fonte: INE – Contas Nacionais (2014-2018) e MEP (2019)

0% 20% 40% 60% 80% 100%

2014 2015 2016 2017 (e) 2018 (e) 2019 (e)

Serviços mercantis Petróleo e Gás Natural

Construção Outros (Sector Público Administrativo)

Indústria transformadora Agricultura

Pescas e derivados Diamantes e outros

RELATÓRIO DE ESTABILIDADE FINANCEIRA // ANUAL DE 2019

(17)

1.3.2 SECTOR EXTERNO

No segundo semestre de 2019, verificou-se uma diminuição do valor das exportações de bens em 10,78% e 21,11%, em relação ao semestre anterior e homólogo, respectivamente, enquanto o valor das importações de bens, diminuiu em 19,64% no semestre e em 15,56% em termos homólogos, reflectindo-se num saldo positivo da conta de bens. Apesar da redução do valor das exportações de bens observou-se uma tendência contrária na evolução das reservas internacionais, sendo que as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) expandiram em 14,37%, em relação ao primeiro semestre de 2019 e 10,01% em relação ao semestre homólogo, cenário de aumento anual de reservas que não ocorria desde 2013.

Gráfico 5 - Reservas Internacionais Líquidas e Variação Mensal da Taxa de Câmbio USD/Kz

Por sua vez, a cobertura das importações1 aumentou em 25,04 p.p. no semestre e reduziu 17,74 p.p. em termos homólogos,

situando-se em 251,96% contra 226,92% no primeiro semestre e 269,70% no período homólogo.

O stock de reservas internacionais brutas registado no ano de 2019 situou-se em USD 17,21 mil milhões, correspondendo a uma

cobertura de 8,392 meses de importações de bens e serviços, contra 7,81 meses registados no período anterior e 7,39 meses no

período homólogo, cujas reservas situaram-se em USD 16,02 mil milhões e USD 16,17 mil milhões, respectivamente. O aumento

nos meses de cobertura das importações é explicado, por um lado, pela diminuição das importações3 e por outro lado, pelo

aumento verificado no nível de reservas brutas.

Desde o mês de Janeiro de 2018, o BNA levou a cabo um processo de consolidação da política cambial na sequência da reforma faseada do mercado cambial, com a implementação de medidas conducentes à formação de um mercado cambial organizado, flexível e com princípios que protejam os interesses da economia e dos consumidores de serviços financeiros.

Entre as várias medidas implementadas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) no ano de 2019, com vista a reduzir os desequilíbrios no mercado cambial destaca-se a implementação de um regime de câmbio flutuante em que a taxa de câmbio é livremente definida pelo mercado, isto é, de acordo com a procura e oferta de moeda estrangeira. Neste sentido, em Outubro de 2019 foi removida a

1 A cobertura das importações é dada pela expressão

2 Resultado dos dados preliminares de acordo com a Programação Macroeconómica Executiva (PME) Julho de 2019

3 As Importações de bens e serviços a partir do segundo trimestre de 2019 baseiam-se nas Projecções da Balança de Pagamentos, no âmbito da PME Julho de 2019

0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00% 90,00% 100,00% 5,00 9,00 13,00 17,00 21,00 25,00 29,00 33,00 37,00 41,00 45,00

Feb-15 Apr-15 Jun-15 Aug-15 Oct-15 Dec-15 Feb-16 Apr-16 Jun-16 Aug-16 Oct-16 Dec-16 Feb-17 Apr-17 Jun-17 Aug-17 Oct-17 Dec-17 Feb-18 Apr-18 Jun-18 Aug-18 Oct-18 Dec-18 Feb-19 Apr-19 Jun-19 Aug-19 Oct-19 Dec-19

USD Mil Milhões

(18)

margem de 2% sobre a taxa de câmbio de referência, praticada pelos bancos comerciais na comercialização de moeda estrangeira no mercado interbancário e aos seus clientes, passando assim a taxa de câmbio a ser livremente determinada pelo mercado. Em relação à evolução da moeda nacional face ao dólar norte-americano, a mesma depreciou-se em 29,44% no semestre em análise e 36,00% em termos homólogos no mercado primário, fixando-se em Kz/USD 482,23. Deste modo, o diferencial entre a taxa de câmbio do mercado primário (taxa de referência) e do informal passou de 28,26% em Dezembro de 2018 para 35,77% em Junho de 2019 e no semestre em análise fixou-se em 22,97%.

Gráfico 6 - Diferencial da taxa de câmbio USD/Kz

1.3.3 SECTOR FISCAL

Em 2019, num contexto de redução do preço e das quantidades exportadas de petróleo, as contas fiscais foram afectadas. Os dados preliminares do Ministério das Finanças (MINFIN), na óptica de caixa, apontam para uma redução das receitas disponíveis de 11,32% em relação a 2018, cifrando-se em Kz 6,76 biliões.

O comportamento das receitas totais foi influenciado pela diminuição anual das receitas petrolíferas em 17,88%, influenciada por sua vez pela redução do preço das ramas angolanas (7,98%) e a canalização de receitas do sector petrolífero para o cumprimento do serviço da dívida externa. Em contraste, as receitas não petrolíferas aumentaram em 6,65%, resultado sobretudo da mudança e aperfeiçoamento nas modalidades de pagamento de impostos. Destaca-se que nos dois últimos meses de 2019 com a implementação do IVA, arrecadou-se um montante de Kz 100,74 mil milhões (5,40% das receitas não petrolífera), mas prevalecem ainda os desafios relativos à compreensão da legislação e dos sistemas de gestão.

Relativamente às receitas de financiamento, apesar de aumentarem o seu peso no total das receitas em relação ao ano passado, registaram uma diminuição de 10,67%. Do total das receitas de financiamento do período, 67,27% correspondem à captação

0,00% 40,00% 80,00% 120,00% 160,00% 200,00% 240,00%

fev/15 abr/15 jun/15 ago/15 out/15 dez/15 fev/16 abr/16 jun/16 ago/16 out/16 dez/16 fev/17 abr/17 jun/17 ago/17 out/17 dez/17 fev/18 abr/18 jun/18 ago/18 out/18 dez/18 fev/19 abr/19 jun/19 ago/19 out/19 dez/19 Diferencial do Mercado de Referência com Mercado Informal

Novo regime cambial

Flexibilização total da taxa de câmbio

RELATÓRIO DE ESTABILIDADE FINANCEIRA // ANUAL DE 2019

(19)

externa, com destaque para a emissão de Eurobonds no montante de USD 3 mil milhões ocorrida em Novembro. Note-se no ano em análise, o aumento do montante financiado pelo exterior em 97,27% em contraste com a diminuição do financiamento interno em 51,39%.

Quanto ao financiamento interno titulado, observou-se uma redução de 47,69% face ao ano passado, tendo-se cifrado em Kz 699,79 mil milhões. Na composição das emissões, os Bilhetes do Tesouro (BT) respondem por 57,44% equivalente a Kz 401,99 mil milhões, o que de certo modo desvia-se da estratégia de endividamento de médio prazo (2019-2021), que visava privilegiar o financiamento de médio e longo prazo.

As despesas totais em 2019, situaram-se em Kz 8,27 biliões, menos 20,11% em relação a 2018. Este comportamento reflectiu-se na diminuição de todas as suas componentes, com excepção das despesas correntes que registaram um aumento anual de 2,33%, fruto do incremento das despesas com pessoal (9,93%) e das despesas com transferências correntes (22,24%). Realça-se que a rubrica serviço da dívida, não obstante ter representado 52,38% do total das despesas, registou no período uma diminuição de 24,79%. A performance das receitas e despesas, resultou no período num saldo deficitário em Kz 1,51 biliões. Ao longo do ano, o Tesouro fez desmobilizações de saldos da Conta Única do Tesouro em moeda estrangeira (CUT-ME) e da Escrow Account no montante de Kz 4,46 biliões o que corresponde a 35,87% acima do período homólogo, gerando um saldo no final do período superavitário de Kz 3,07 biliões.

Gráfico 7 - Evolução das Despesas e Receitas do Tesouro

Fonte: MinFin (PFT/PC)

O stock da dívida titulada situou-se em Kz 10,50 biliões, um aumento de cerca de 32% em relação à 2018, como reflexo da depreciação ocorrida no período da moeda local face ao dólar norte-americano, que agravou a dívida indexada à taxa de câmbio. Realça-se que em termos de composição, as Obrigações do Tesouro (OT) representam a maioria com 98%. No geral, o stock da dívida Governamental situou-se em Kz 32,10 biliões, 48,38% acima do registado no ano passado.

0,00 200 000,00 400 000,00 600 000,00 800 000,00 1 000 000,00 1 200 000,00 1 400 000,00 1 600 000,00 1 800 000,00 2 000 000,00

Jan-15 Feb-15 Mar-15 Apr-15 May-15 Jun-15 Jul-15 Aug-15 Sep-15 Oct-15 Nov-15 Dec-15 Jan-16 Feb-16 Mar-16 Apr-16 May-16 Jun-16 Jul-16 Aug-16 Sep-16 Oct-16 Nov-16 Dec-16 Jan-17 Feb-17 Mar-17 Apr-17 May-17 Jun-17 Jul-17 Aug-17 Sep-17 Oct-17 Nov-17 Dec-17 Jan-18 Feb-18 Mar-18 Apr-18 May-18 Jun-18 Jul-18 Aug-18 Sep-18 Oct-18 Nov-18 Dec-18 Jan-19 Feb-19 Mar-19 Apr-19 May-19 Jun-19 Jul-19 Aug-19 Sep-19 Oct-19 Nov-19 Dec-19

Kz Milhões

(20)

1.3.4 SECTOR MONETÁRIO

A tendência de desaceleração da variação do índice de preços no consumidor iniciada em 2017, manteve-se no ano de 2019, tendo a taxa de variação semestral e homóloga reduzido em 0,22 p.p. e 1,15 p.p., fixando-se nos 17,06% face aos 17,28% e 18,21% registados no semestre anterior e no período homólogo, respectivamente.

Gráfico 8 - Inflação Homóloga e Variação do Agregado Monetário M2 em Moeda Nacional

Fonte: BNA e INE Angola

Ao longo de 2019, o Comité de Política Monetária (CPM) tomou várias decisões, com o objectivo de melhorar a eficácia dos instrumentos de política monetária, contribuindo para a continuidade do processo de estabilização macroeconómica e solidez do sistema financeiro, designadamente:

• Em Janeiro, decidiu baixar a Taxa BNA para 15,75% e manter inalterada a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 0,00% e os coeficientes das Reservas Obrigatórias em moeda nacional em 17,00% e 15,00% em moeda estrangeira;

• Em Maio, reduziu a Taxa BNA para 15,50% e manteve inalterada a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 0,00% e os coeficientes das Reservas Obrigatórias em moeda nacional em 17,00% e 15,00% em moeda estrangeira.

Porém, em Outubro do mesmo ano, com intenção de ajustar o nível de liquidez dos bancos à implementação da segunda fase do

regime de câmbio flutuante em que a taxa de câmbio é livremente definida pelo mercado4, o Comité de Política Monetária decidiu:

a) ajustar de 17,00% para 22,00% o coeficiente de reservas obrigatórias para moeda nacional, mantendo as outras taxas inalteradas;

b) Estabelecer a taxa de juro de 10,00% para a facilidade permanente de absorção de liquidez, com maturidade de 7 dias.

4 O comité de Política Monetária, na sua sessão extraordinária de Outubro de 2019, decidiu também: Remover a margem de 2% sobre a taxa de câmbio

de referência, praticada pelos bancos comerciais na comercialização de moeda estrangeira no mercado interbancário e aos seus clientes.

-10,00% 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00%

Feb-15 Apr-15 Jun-15 Aug-15 Oct-15 Dec-15 Feb-16 Apr-16 Jun-16 Aug-16 Oct-16 Dec-16 Feb-17 Apr-17 Jun-17 Aug-17 Oct-17 Dec-17 Feb-18 Apr-18 Jun-18 Aug-18 Oct-18 Dec-18 Feb-19 Apr-19 Jun-19 Aug-19 Oct-19 Dec-19

Inflação Homóloga Variação do Agregado Monetário M2 (eixo à direita)

RELATÓRIO DE ESTABILIDADE FINANCEIRA // ANUAL DE 2019

(21)

Concorreram para estas decisões, por um lado o facto da inflação homóloga continuar com a sua trajectória decrescente e por outro lado a consolidação do novo regime cambial.

A Base Monetária em moeda nacional, variável operacional para a condução da política monetária, expandiu em 15,78% e 22,21% em relação ao semestre anterior e homólogo, respectivamente, influenciada pelo aumento dos Activos Externos Líquidos (AEL) em 57,60% no semestre e 63,46% em termos homólogos. Relativamente aos Activos Internos Líquidos (AIL) contraíram em 93,66% e 87,23% no semestre e em termos homólogos, respectivamente.

No período em análise, o indicador relativo aos níveis de liquidez, definido como o rácio das reservas livres dos bancos comerciais em moeda nacional sobre a Base Monetária em moeda nacional, diminuiu em 10,04 p.p., no semestre e 8,84 p.p. em relação ao semestre homólogo fixando-se em 7,74%, o que indica uma diminuição de liquidez no mercado.

Gráfico 9 - Níveis de Liquidez

Relativamente ao Crédito à Economia, espera-se melhorias significantes na concessão de crédito aos sectores chaves e prioritários, que por sua vez, poderão contribuir no fomento do sector produtivo da economia e consequentemente na diversificação da economia em resultado da implementação do Programa de Apoio ao Crédito (PAC), do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI) aliado ao Aviso N.º 4 /2019 de 03 de Abril e ao Instrutivo N.º 04/2019 de

26 de Abril, do BNA5.

5 O Aviso em causa, visa estimular à concessão de crédito pelas instituições financeiras bancárias, para a produção de bens essenciais que apresentam défices de

oferta de produção nacional.

0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00% 35,00% 40,00%

Feb-15 Apr-15 Jun-15 Aug-15 Oct-15 Dec-15 Feb-16 Apr-16 Jun-16 Aug-16 Oct-16 Dec-16 Feb-17 Apr-17 Jun-17 Aug-17 Oct-17 Dec-17 Feb-18 Apr-18 Jun-18 Aug-18 Oct-18 Dec-18 Feb-19 Apr-19 Jun-19 Aug-19 Oct-19 Dec-19

(22)
(23)

2 SECTOR EXTERNO

O panorama económico de Angola em 2019 ficou marcado, entre outros factores, pelo arrefecimento da economia chinesa, por uma queda dos preços do petróleo nos mercados internacionais e a contracção da produção petrolífera nacional, que impactaram negativamente as contas externas.

2.1 COMÉRCIO EXTERNO

De acordo com os dados preliminares do sector externo para 2019, a taxa de cobertura global foi de 149,02% contra 159,88% do período homólogo, representando uma diminuição de 10,86 p.p., explicado sobretudo pela magnitude da diminuição das exportações de bens e serviços em USD 7,20 mil milhões (17,40%), não obstante se ter verificado igualmente uma redução das importações de bens e serviços em USD 2,95 mil milhões (11,38%), culminando numa perda de competitividade para a economia angolana, em virtude da baixa do preço do principal produto de exportação do país.

No período em análise, a conta de bens manteve-se superavitária, apresentando, porém, um ligeiro abrandamento em relação ao período homólogo, explicado maioritariamente pela redução nas receitas de exportação. A conta de serviços, apesar de registar uma ligeira redução em relação ao período anterior, continua a apresentar um saldo deficitário, devido a contínua dependência do país de serviços prestados por não residentes.

Gráfico 11 - Taxa de Cobertura Global

2.2 SOLVABILIDADE EXTERNA

O stock de reservas internacionais brutas registado no final de 2019 situou-se em USD 17,21 mil milhões, correspondendo a um aumento do rácio de cobertura de importação de bens e serviços de 7,50 meses registados em 2018 para 9,00 meses em 2019, explicado fundamentalmente pela queda verificada nas importações de bens e serviços em USD 2,95 mil milhões (11,38%) em termos homólogos e ligeiro aumento das reservas internacionais brutas.

Mil Milhões de USD RB/Stock Dívida

90,70% 110,30% 125,98% 159,88% 149,02% 0,0% 20,0% 40,0% 60,0% 80,0% 100,0% 120,0% 140,0% 160,0% 180,0% 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0 45,0 2015 2016 2017 2018 2019*

Importações de Bens e Serviços Exportações de Bens e Serviços Taxa de Cobertura Global

(24)

Gráfico 12 - Reservas Brutas/ Importações de Bens e Serviços

Por sua vez, o stock da dívida externa passou de USD 46,98 mil milhões em 2018 para USD 49,58 mil milhões em 2019, reflectindo um incremento de USD 2,60 mil milhões (5,53%), em resultado do aumento das necessidades de financiamento à economia. O rácio das reservas brutas sobre a dívida externa no final do período em análise, aumentou em cerca de 0,30 p.p. em relação ao período homólogo, ao passar de 34,42% para 34,71%, ou seja, um ligeiro aumento da capacidade da economia angolana em honrar os seus compromissos com exterior.

Gráfico 13 - Reservas Brutas/ Stock da Dívida Externa

De referir que o rácio das reservas internacionais brutas sobre os meios de pagamentos (M2) em moeda nacional aumentou em 53,34 p.p., situando-se em cerca de 171,02% no período em análise, justificado maioritariamente pela contracção dos meios de pagamentos (M2) em moeda nacional, resultante de várias intervenções de absorção de liquidez e da depreciação da taxa de câmbio em relação ao período homólogo em detrimento do aumento observado do nível das reservas internacionais brutas em 6,44%. 7,72 11,39 7,74 7,50 9,00 -1,0 1,0 3,0 5,0 7,0 9,0 11,0 13,0 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0 2015 2016 2017 2018 2019* Meses de Importação

Mil Milhões de USD

Reservas Brutas (stock) Importações de Bens e Serviços RB/ Importação (Meses)

RB/Stock Dívida

Mil Milhões de USD

67,31% 54,85% 42,01% 34,42% 34,71% 0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0% 70,0% 80,0% 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0 45,0 50,0 2015 2016 2017 2018 2019*

Reservas Brutas (stock) Stock da dívida Externa RB/ Stock Dívida

RELATÓRIO DE ESTABILIDADE FINANCEIRA // ANUAL DE 2019

(25)

Gráfico 14 - Reservas Brutas/ M2 em MN

2.3 ENDIVIDAMENTO EXTERNO

No período em referência o rácio da dívida externa sobre as reservas internacionais brutas cifrou-se em 288,07%, contra os 290,54% registados no período homólogo, devido ao aumento fundamentalmente das reservas internacionais brutas, mostrando, todavia, que o nível actual da dívida externa total continua a representar quase o triplo dos activos de reserva de que o país dispõe.

Gráfico 15 - Stock da Dívida Externa / Reservas Brutas

Em geral, no ano de 2019, assistiu-se a uma degradação dos indicadores de solvabilidade e de endividamento externo do país, o que demonstra que a economia angolana continua muito vulnerável aos choques externos.

Neste sentido, os riscos que podem comprometer um bom desempenho da economia angolana não devem ser negligenciados, pelo que, impõe-se um melhor acompanhamento dos principais factores determinantes da sustentabilidade das contas externas. Esse monitoramento deve ter em atenção as incertezas sobre a evolução da economia internacional, com forte incidência sobre as principais economias mundiais, nomeadamente a americana e a chinesa, assim como na produção e preço do petróleo.

Assim, será necessário um quadro de política robusto que possa fomentar a produção nacional quer do ponto de vista qualitativo como quantitativo possibilitando a substituição de importação por produção local, assegurando a diversificação das exportações para mitigar os efeitos dos actuais níveis do preço do petróleo e as incertezas dos mercados internacionais.

84,67% 88,95% 66,90% 117,68% 171,02% 0,0% 20,0% 40,0% 60,0% 80,0% 100,0% 120,0% 140,0% 160,0% 180,0% 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 2015 2016 2017 2018 2019*

Reservas Brutas (stock) M2 em MN (stock) RB/ M2 em MN

RB/M2 em MN

Mil Milhõees de USD

148,56% 182,33% 238,05% 290,54% 288,07% 0,0% 50,0% 100,0% 150,0% 200,0% 250,0% 300,0% 350,0% 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0 45,0 50,0 2015 2016 2017 2018 2019*

Stock da dívida Externa Reservas Brutas (stock) Stock da dívida externa/ Reservas Brutas

RB/Stock Dívida

(26)

//

INFRAESTRUTURA

DE MERCADO FINANCEIRO

(27)

3 INFRAESTRUTURA DE MERCADO FINANCEIRO

3.1 CONTEXTUALIZAÇÃO

As Infraestruturas de Mercado Financeiro constituem canais de transmissão de política monetária, assim a segurança e a eficiência das mesmas impactam directamente no funcionamento do sistema financeiro. No período em análise, foram registadas alterações significativas a nível do Sistema de Pagamentos, com impacto positivo nas Infraestruturas que dele fazem parte.

A nível do retalho, foi implementado o ambiente 24/7/365 no subsistema Multicaixa (MCX), por meio do Aviso n.º 06/17, de 10 de Julho, que estabelece os níveis de serviço da rede Multicaixa. Esta medida tem como objectivo garantir a disponibilidade integral em tempo real dos sistemas internos de informação dos participantes da rede MCX, condição necessária para a execução de operações em tempo real. Actualmente, nem todos os bancos concluíram a migração para o ambiente 24/7/365, mas prevê-se que até ao segundo semestre de 2020 estejam em conformidade.

Ainda no subsistema Multicaixa, foi implementada a plataforma de pagamentos Multicaixa Express, que possibilita a realização de transacções existentes na rede de Caixas Automáticos (CA) a partir de um dispositivo móvel. A referida plataforma consiste na associação de vários cartões MCX a um número de telefone e visa contribuir para a massificação dos pagamentos electrónicos e consequente redução da circulação de dinheiro físico. Adicionalmente, foi implementada a rede Multicaixa, a funcionalidade de levantamento de numerário sem cartão em CA.

Actualmente, está em curso a implementação do Sistema de Pagamentos Móveis e Instantâneos (STMI), para o efeito o Banco Mundial tem prestado assistência técnica ao BNA. Neste âmbito, foi constituído um grupo de trabalho, para definição dos pilares orientadores do referido sistema, composto pelo BNA, INACOM, Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação (MTTI), prestadoras de serviços de telefonia móvel, EMIS e bancos comerciais. O STMI irá contribuir para o alcance da inclusão financeira da população e para aumento eficiência nos pagamentos a retalho.

A par disso, foi criado o Laboratório de Inovação do Sistema de Pagamentos de Angola (LISPA), uma iniciativa do BNA em parceria com o Ministério do Ensino Superior Ciência Tecnologia e Inovação (MESTI). O LISPA está constituído por uma incubadora e uma sandbox regulatória, proporcionando um ambiente adequado para o desenvolvimento das Fintechs. Em 2019, deu-se início ao programa de incubação que comporta 4 fases, nomeadamente escolha e selecção, bootcamp, incubação e demonstração, sendo que neste processo houve 96 candidaturas e destas 22 foram pré-selecionadas, criando, deste modo, a primeira turma que corresponde a segunda fase deste processo.

No Subsistema de Compensação de Cheques, destaca-se a redução significativa de utilização de cheques que constitui um factor positivo, por indiciar a desmaterialização dos pagamentos, ou seja, utilização de instrumentos electrónicos, como cartões e transferências em detrimento do cheque.

Por fim, foi implementado o Subsistema de Débitos Directos, que consiste num serviço que optimiza a gestão de pagamentos periódicos, que passa pela aceitação ou manutenção de autorizações de débito em conta, de modo a assegurar o débito automático das cobranças dirigidas aos utilizadores bancários, com utilização prevista para o ano 2020.

(28)

A figura 1, apresenta uma visão geral das IMF em Angola, que inclui as Infraestruturas (sistemas) e os respectivos operadores. Figura 1 - Visão Global das IMF

3.2 SISTEMA DE PAGAMENTOS EM TEMPO REAL

O SPTR liquida todas as operações em moeda nacional, inclusive as operações dos subsistemas de retalho e do mercado de valores mobiliários. Deste modo, deve garantir uma disponibilidade igual ou superior a 99,50%, de acordo as boas práticas internacionalmente aceites.

No período em análise, apesar de registar uma ligeira diminuição comparativamente ao período homólogo, passando de 99,90% para 99,86%, a disponibilidade do SPTR esteve dentro dos parâmetros estabelecidos.

Gráfico 16 - Disponibilidade do SPTR

Sistema de Gestão de Mercado

de Activos (SIGMA) Operado pelo Banco Nacional de Angola

(BNA)

Subsistema Multicaixa

(MCX) Operado pela Empresa

Interbancária de Serviços (EMIS) Subsistema de Compensação de Cheques ( SCC) Operado pela Empresa

Interbancária de Serviços (EMIS) Sistema de Transferências a Crédito (STC) Operado pela Empresa

Interbancária de Serviços (EMIS) Central de Valores Mobiliários (CEVAMA) Operado pela Bolsa de Divida e Valores de Angola BODIVA Sistema de Pagamento em Tempo Real (SPTR) Operado pelo Banco Nacional de Angola (BNA) 99,30% 99,40% 99,50% 99,60% 99,70% 99,80% 99,90% 100,00% 2015 2016 2017 2018 2019

RELATÓRIO DE ESTABILIDADE FINANCEIRA // ANUAL DE 2019

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3.2.1 SUBSISTEMA DE COMPENSAÇÃO DE CHEQUES

Em 2019, registou-se uma variação negativa na utilização de cheques comparativamente ao período homólogo, de 43% e de 32% em número e montante de cheques compensados, respectivamente, justificada pelo aumento da utilização das transferências a crédito e cartões de pagamento.

Em relação as devoluções, estas apresentaram igualmente uma redução no número e montante de cheques devolvidos de 46% e 36%, respectivamente, como resultado da redução da utilização do cheque.

Painel 2 – Cheques Apresentados (à esquerda) e Devolvidos (à direita) (em milhões de Kz)

3.2.2 SUBSISTEMA MULTICAIXA

O número de Terminais de Pagamentos Automáticos (TPA) activos e matriculados registou aumentos de 18% e 20%, respectivamente, em comparação ao período homólogo.

Gráfico 17 -Volume de TPA Matriculados Versus Activos 0 200 000 400 000 600 000 800 000 1 000 000 1 200 000 2015 2016 2017 2018 2019 Número Montante 0 10 000 20 000 30 000 40 000 50 000 60 000 70 000 80 000 2015 2016 2017 2018 2019 Número Montante 0% 20% 40% 60% 80% 100% 120% 0 15 000 30 000 45 000 60 000 75 000 90 000 105 000 120 000 135 000

dez/15 dez/16 dez/17 dez/18 dez/19

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Os Caixas Automáticos (CA) constituem o terminal mais utilizado a nível da rede Multicaixa. No período em análise, a rede de CA verificou um total de 3.125 CA matriculados e 3.064 activos, sendo que os CA activos corresponderam a 97% dos CA matriculados, registando, assim, um crescimento na ordem de 2% comparativamente ao período homólogo.

Gráfico 18 – CA Matriculados e Activos

Em 2019, o Subsistema de Transferências a Crédito (STC) processou onze milhões de transferências a crédito no montante de Kz 5,49 biliões, Comparativamente ao período homólogo, verificou-se uma variação positiva em número e montante de 8% e 38%, respectivamente, influenciada, fundamentalmente, pelas operações do Ministério das Finanças, nomeadamente, pagamentos a fornecedores e salários da função pública.

Gráfico 19 - Número e Montante de Transferências Compensadas (em milhões de Kz)

2 400 2 500 2 600 2 700 2 800 2 900 3 000 3 100 3 200 2015 2016 2017 2018 2019 CA MAtriculados CA Activos 0 200 000 400 000 600 000 800 000 10 000 000 12 000 000 14 000 000 2015 2016 2017 2018 2019 Número Montante

RELATÓRIO DE ESTABILIDADE FINANCEIRA // ANUAL DE 2019

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4 SECTOR BANCÁRIO

4.1 ORGANIZAÇÃO DO SISTEMA BANCÁRIO

4.1.1 ESTRUTURA E COMPOSIÇÃO

No final de 2019 estavam autorizadas a funcionar no sistema financeiro angolano 26 (vinte e seis) instituições financeiras bancárias, sendo 3 (três) bancos públicos, 17 (dezassete) bancos privados nacionais, 5 (cinco) filiais de bancos estrangeiros e 1 (uma) sucursal. Relativamente as instituições financeiras não bancárias encontravam-se autorizadas 113 (cento e treze), das quais 66 (sessenta e seis) casas de câmbios, 27 (vinte e sete) sociedades de microcrédito, 15 (quinze) sociedades de serviços de remessas, 2 (duas) sociedades cooperativas de crédito, 1 (uma) sociedade de locação financeira e 2 (duas) prestadoras de serviços de pagamentos –

Mobile Banking.

O ano de 2019, foi marcado pela revogação da licença de 3 (três) instituições financeiras bancárias, das quais 2 (duas) por incumprimento dos requisitos mínimos de capital no âmbito do Aviso n.º 2/2018, de 2 de Março sobre Adequação de Capital e 1 (um) banco por degradação significativa dos indicadores financeiros e a incapacidade de fazer face às suas responsabilidades no sistema de pagamentos nacional.

Ao nível de cobertura geográfica da rede de agências de instituições financeiras bancárias e não bancárias pelo território nacional, no período em análise, o sistema bancário angolano possuia um total de 1.579 agências e dependências bancárias, enquanto o sector financeiro não bancária detinha um total de 119 (cento e dezanove) agências e dependências de casas de câmbio, 45 (quarenta e cinco) agências e dependências de sociedades de microcrédito, 24 (vinte e quatro) agências e dependências de sociedades de remessas de valores e 1 (uma) agências de cooperativas de crédito. Contudo, continua a observar-se uma maior concentração da rede de agências e dependências bancárias nas províncias de Luanda, Benguela e Huíla, com 55%, 8% e 5% do total de instituições financeiras, respectivamente.

4.2 SISTEMA BANCÁRIO – VISÃO GERAL

4.2.1 ESTRUTURA PATRIMONIAL

4.2.1.1 ACTIVO

No final de 2019, o activo total do sector bancário angolano estava avaliado em Kz 15,76 biliões, um crescimento nominal de 22,21% face ao período homólogo, devido ao aumento das aplicações em bancos centrais e em outras instituições de crédito. Entretanto, em termos reais, registou-se um aumento de apenas 1,56%. Relativamente à contribuição da actividade bancária no Produto Interno Bruto (PIB), verificou-se no período um incremento, tendo o peso do activo total sobre PIB nominal aumentado de 48,16% em Dezembro de 2018 para 50,93% em Dezembro de 2019, bem como, face ao PIB não petrolífero, cujo peso aumentou ligeiramente de 67,82% para 67,92%.

RELATÓRIO DE ESTABILIDADE FINANCEIRA // ANUAL DE 2019

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Painel 3 - Activo e PIB

No período em análise o crescimento da exposição do sector bancário aos instrumentos de dívida pública abrandou, com um aumento de apenas 15,14% face aos 27,77% registado em 2018, não obstante o menor crescimento mantém-se significativa, atingindo uma cifra de Kz 5,11 biliões.

A carteira de crédito líquido mantém-se desde 2017 como a segunda maior aplicação na estrutura patrimonial dos bancos angolanos, com uma tendência decrescente, cobrindo em Dezembro de 2019, 17,99% do total de activos, menos da metade da representatividade registada no período homólogo de 2015, reflexo da aversão ao risco de crédito dos bancos nos últimos 5 anos.

Gráfico 20 - Estrutura do Activo Total

Atendendo o actual contexto macroeconómico, a moeda nacional continua a depreciar-se face a moeda estrangeira no mercado de referência, pelo que os activos expressos em moeda estrangeira valorizaram-se, sendo que até ao final de 2019 os mesmos aumentaram 28,14% face ao período homólogo, representando 51,50% do activo total, em detrimento dos activos em moeda nacional que aumentaram apenas 16,48% e apresentaram um peso no activo total de 48,50%.

14,27% 41,95% 23,67% 18,60% 16,90% 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00% 35,00% 40,00% 45,00% 0,00 2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00 14,00 16,00 2015 2016 2017 2018 2019 Kz Bilhões

Activo Nominal Activo Real Inflação Homóloga

60,67% 61,07% 49,13% 48,16% 50,93% 78,76% 77,20% 61,63% 67,82% 67,92% 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00% 90,00% 0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 30,00 35,00 2015 2016 2017 2018 2019 Kz Milhões

PIB pm Petrolífero Não Petrolífero Activo/ PIB pm Activo/ PIB não petrólifero

30,32% 34,01% 32,46& 31,57% 30,77% 17,99% 15,61% 15,99% 17,51% 6,02% 7,22% 13,35% 7,78% 5,8% 13,17% 27,62% 38,05% 18,43% 6,17% 6,71% 5,29% 5,80% 34,48% 26,28% 16,16% 10,31% 8,13% 4,93% 4,42% 0,00 2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00 14,00 16,00 18,00 2015 2016 2017 2018 2019 Kz Biliões Outras rubricas Outros activos fixos Aplicações em bancos centrais e em outras instituições de crédito Outros activos

Crédito a clientes

Caixa e disponibilidades

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Gráfico 21 - Activo por Moeda

A concentração do activo continua elevada, permanecendo a maior absorção da quota de mercado por 6 (seis) bancos cuja importância sistémica é alta, com 74,39% do total de activo do sector, registando uma diminuição de 1,84 p.p. relativamente ao período homólogo. Adicionalmente, os dezassete bancos privados nacionais detinham 72,44% do total de activos da banca, os seis bancos privados estrangeiros 9,87% e os três bancos públicos 17,69%.

4.2.1.2 PASSIVO

O total de obrigações do sector bancário registou um aumento de 27,20% em relação ao período homólogo, cifrando-se em Kz 14,12 biliões, justificado particularmente pelo incremento dos depósitos do sector privado empresarial não financeiro.

Os recursos de clientes mantiveram-se como a principal fonte de financiamento da banca, representando 83,35% do passivo total, correspondente a Kz 11,77 biliões, superior em 24,98% face ao período homólogo. Deste total, 53,19% representavam os depósitos a prazo, 45,60% os depósitos à ordem, 1,09% outros depósitos e 0,13% outros empréstimos.

Gráfico 22 - Estrutura do Passivo

36,08% 40,76% 37,87% 49,12% 51,50% 63,92% 59,24% 62,13% 50,88% 48,50% 0,00 5,00 10,00 15,00 2015 2016 2017 2018 2019 Kz Bilhões

Activo Moeda Estrangeira Activo Moeda Nacional

34,82% 34,62% 37,18% 41,63% 44,33% 45,40% 42,09% 44,27% 41,72% 38,00% 6,89% 8,94% 9,03% 6,33% 5,91% 6,17% 4,79% 3,97% 6,72% 9,58% 8,35% 8,49% 7,79% 0,00 2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00 14,00 16,00 2015 2016 2017 2018 2019 Kz Biliões Outros passivos Passivos subordinados

Recursos de bancos centrais e de outras instituições de crédito

Depósitos à ordem

Depósitos a prazo

RELATÓRIO DE ESTABILIDADE FINANCEIRA // ANUAL DE 2019

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O sector bancário prossegue com um maior nível de poupança captado junto do sector privado empresarial não financeiro com 44,19%, seguindo-se os sectores das famílias, do fundo de segurança social, do público empresarial não financeiro e os restantes com 35,56%, 14,40%, 2,48% e 3,37%, respectivamente.

Gráfico 23 - Evolução dos Depósitos a Prazo por Sector de Institucional

Os depósitos em moeda estrangeira6 aumentaram 47,53% face ao período homólogo, devido sobretudo a depreciação cambial e

consequente valorização da moeda estrangeira, situando-se em Kz 6,05 biliões equivalente a USD 12,04 mil milhões. Por sua vez, os depósitos em moeda nacional aumentaram apenas 7,61%, ao passar de Kz 5,33 biliões em Dezembro 2018 para Kz 5,73 biliões no período em análise.

Os seis maiores bancos detinham 78,35% da carteira de depósitos do sector bancário. Por outro lado, os bancos privados nacionais absorveram 76,39% dos recursos totais de clientes do sistema, os bancos públicos captaram 13,74% e os bancos privados estrangeiros apresentaram o menor peso com 9,87%. Importa destacar que, os bancos nacionais públicos apresentaram maiores taxas de variação, tendo no final de 2019 apresentado uma taxa de variação mensal negativa de 5,93%, enquanto as filias de bancos estrangeiro apresentaram uma taxa de variação mensal positiva de 4,66%.

Painel 4 - Stock dos Depósitos Totais & Taxa de Variação dos Depósitos Totais

6 Depósitos em moeda estrangeira convertidos em Dólar Norte Americano

Kz Biliões 49,10% 49,37% 48,95% 43,31% 44,19% 30,18% 25,89% 27,86% 34,22% 35,56% 12,11% 14,72 12,70% 16,92% 14,40% 7,25% 7,90% 8,34% 2,89% 2,48% 0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 2015 2016 2017 2018 2019 Outros

Outras instituições financeiras privadas - Instituições de seguros e fundos de pensões Instituições financeiras privadas - Outras instituições de depósito

Sector Público Empresarial Não Financeiro Fundos de Segurança Social Particulares

Sector Privado Empresarial Não Financeiro -20,00% -15,00% -10,00% -5,00% 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00% 35,00%

Dec-15Jan-16 Feb-16 Mar-16Apr-16 May-16Jun-16 Jul-16 Aug-16Sep-16 Oct-16 Nov-16Dec-16 Jan-17 Feb-17Mar-17 Apr-17May-17 Jun-17 Jul-17Aug-17 Sep-17 Oct-17Nov-17 Dec-17 Jan-18Feb-18 Mar-18Apr-18 May-18 Jun-18Jul-18 Aug-18 Sep-18Oct-18 Nov-18 Dec-18Jan-19 Feb-19Mar-19 Apr-19 May-19Jun-19 Jul-19 Aug-19Sep-19 Oct-19 Nov-19Dec-19

Variação mensal depositos

Stock dos Bancos Nacionais Privados Stock dos Bancos Nacionais Públicos Stock Bancos Filiais de Bancos Estrangeiros

0,00 2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00 14,00

Jan-15 fev/15 Mar-15 Apr-15 May-15 Jun-15 Jul-15 Aug-15 Sep-15 Oct-15 Nov-15 Dec-15 Jan-16 Feb-16 Mar-16 Apr-16 May-16 Jun-16 Jul-16 Aug-16Sep-16 Oct-16 Nov-16 Dec-16 Jan-17 Feb-17 Mar-17 Apr-17 May-17 Jun-17 Jul-17 Aug-17 Sep-17 Oct-17 Nov-17 Dec-17 Jan-18 Feb-18 Mar-18 Apr-18 May-18 Jun-18 Jul-18 Aug-18 Sep-18 Oct-18 Nov-18 Dec-18 Jan-19 Feb-19 Mar-19 Apr-19 May-19 Jun-19 Jul-19 Aug-19 Sep-19 Oct-19 Nov-19 Dec-19

Kz Biliões

(36)

4.2.2

ADEQUAÇÃO DE CAPITAL

Atendendo as incertezas da economia mundial, urge uma maior preocupação com o capital dos bancos para fazer face aos riscos do negócio, assim os órgãos reguladores têm emitido regras cada vez mais restritivas com o objectivo de manter a estabilidade do sistema financeiro prevenindo essencialmente o risco sistémico. Associado a este facto, no final de 2018 entrou em vigor o novo pacote regulamentar sobre o cálculo do rácio de solvabilidade, mais sensível a risco de crédito, risco de mercado e risco operacional.

No final 2019, o rácio de adequação de capital do sector bancário angolano situou-se em 23,20% acima do limite mínimo de 10% estabelecido no Aviso nº02/2016, de 15 de Junho, porém inferior aos 25,61% registados no período homologo, devido fundamentalmente a redução do resultado líquido do sector, diluído pelo reconhecimento de imparidades para crédito líquido de reversões, que tiveram impacto negativo nos fundos próprios regulamentares, bem como o aumento dos requisitos de capital para risco de crédito e risco operacional. Individualmente, 2 (dois) bancos apresentaram-se desenquadrados face ao limite mínimo de solvabilidade regulamentar, devido ao registo de perdas da carteira de crédito e de imparidades não reconhecidas em períodos anteriores e agravadas pela adopção da IFRS 9, tendo as referidas instituições apresentado um plano de saneamento para enquadramento dos seus rácios de acordo aos limites prudenciais.

Gráfico 24 - Rácio de Solvabilidade Regulamentar

22,27% 22,82% 22,67% 25,61% 23,20% 20,00% 21,00% 22,00% 23,00% 24,00% 25,00% 26,00% 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 2015 2016 2017 2018 2019 Kz Biliões

Fundos Próprios Regulamentares RSR

RELATÓRIO DE ESTABILIDADE FINANCEIRA // ANUAL DE 2019

(37)

4.2.3

QUALIDADE DOS ACTIVOS

O principal risco de actividade de intermediação financeira, o risco de crédito, apresentou-se como o mais relevante e em níveis elevados na banca angolana, apontado como uma das principais causas do conservadorismo dos bancos em concederem novos créditos e originando a trajectória decrescente do crédito á economia nos últimos anos. Nesta senda, o BNA com vista a realizar uma avaliação abrangente, robusta e independente de riscos inerentes a actividade bancária, efectuou uma análise e Avaliação da Qualidade dos Activos (AQA) a 13 (treze) bancos que representam mais de 90% do total de activos do sector bancário angolano, tendo- se identificado a necessidade de reforço de imparidades associadas às exposições ao risco de crédito, consequentemente, instruiu as instituições bancárias sob sua jurisdição a incorporarem os ajustamentos do exercício nas demonstrações financeiras do exercício findo em 2019, bem como a avaliarem a consequente necessidade de capital adicional até 30 de Junho de 2020 para assegurar o cumprimento dos limites prudenciais.

Neste sentido, com a entrada em vigor da IFRS 9, observou-se um aumento considerável das imparidades nos balanços dos bancos para mitigar o risco de crédito, uma vez que os parâmetros de risco são apurados numa base prospectiva com vista ao apuramento preditivo de perdas esperadas. Assim, os bancos devem adoptar políticas de gestão mais eficientes, com a implementação de estratégias de recuperação de créditos e de maximização dos resultados face a exposição dos riscos assumidos nas operações de crédito concedido.

CRÉDITO TOTAL

No final de 2019, a carteira de crédito bruto aumentou 18,54% comparativamente ao período homólogo, atingindo a cifra de Kz 4,93 biliões. Contudo, em termos reais, o crédito registou uma redução de 1,50%.

Importa referir que, o crédito total bruto aumentou ligeiramente a sua representatividade no PIB nominal de 15,53% em Dezembro de 2018 para 15,93% em Dezembro de 2019, contrariamente, o peso da carteira de crédito no PIB não petrolífero, diminuiu ligeiramente de 21,87% em Dezembro de 2018 para 21,24% em Dezembro de 2019.

Como efeito da depreciação do Kwanza face a moeda estrangeira, os créditos em ME aumentaram em 32,95% e representaram 30,76% da carteira total. Todavia, expurgando-se o efeito cambial observa-se uma redução de 14,91% do crédito em moeda estrangeira, pelo que, o aumento, deriva sobretudo da depreciação cambial e não necessariamente da tomada de novos empréstimos pelas empresas e famílias em moeda estrangeira.

As empresas privadas continuam a absorver o maior volume de crédito do sector, com 75,79% da carteira total, seguido das famílias com 14,54% e sector público com 9,67%.

O crédito mantém-se concentrado nos sectores de actividade económica, “comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis” (22,73%), “actividades imobiliárias, alugueres e serviços prestados às empresas” (14,18%), e “construção” (13,48%).

(38)

Painel 5 - Crédito Total Bruto

CRÉDITO VENCIDO

No que tange à performance do crédito, destaca-se o aumento do crédito vencido malparado do sistema bancário situando-se em Kz 1,60 biliões, tendo aumentado 42,84% comparativamente ao período homólogo, resultante sobretudo do aumento dos níveis de incumprimento verificado em 2 (duas) em duas instituições sistémicas, que possuem a maioria da carteira de crédito problemático do sector. Com efeito, o rácio do crédito vencido malparado sobre o crédito total aumentou de 26,97% para 32,40%, respectivamente.

As empresas privadas não financeiras continuam a apresentar maiores dificuldades no cumprimento das obrigações creditícias, com 85,58% do total do crédito vencido malparado da banca, um aumento de 46,30% relativamente ao período homólogo, enquanto, os particulares que representavam 9,75% do total do crédito vencido malparado, apresentaram um aumento de 41,28% no nível de incumprimento face a 2018. 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00% 90,00% 100,00% 0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 2015 2016 2017 2018 2019 Kz Bilhões Kz Bilhões

Stock de Crédito Nominal Stock de Crédito Real Inflação Homóloga Variação Cambial

0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 4,00 4,50 5,00 2015 2016 2017 2018 2019 Kz Bilhões

Famílias Sector Privado Empresarial Sector Público

20,25% 23,59% 23,83% 22,29% 22,04% 17,96% 14,94% 13,55% 14,25% 14,38% 13,87% 14,08% 14,84% 16,21% 13,70% 11,72% 12.05% 11,97% 12,11% 13,03% 14,40% 10,13% 10,77% 11,51% 11,94% 8,17% 7,19% 7,11% 7,81% 8,12% 4,81% 6,08% 5,71% 4,97% 5,20% 4,65% 7,73% 7,86% 6,98% 6,60% 0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 2015 2016 2017 2018 2019 Outros Sectores* Alojamento e Restauração (Restaurantes E Similares) Indústrias Extractivas Agricultura, Produção Animal, Caça E Silvicultura Indústrias Transformadoras Outras Actividades de Serviços Colectivos, Sociais E Pessoais Construção

Actividades Imobiliárias, Alugueres E Serviços Prestados às Empresas Particulares

Comércio Por Grosso e a Retalho; Reparação de Veículos Automóveis, Motociclos e de Bens de Uso Pessoal e Doméstico

RELATÓRIO DE ESTABILIDADE FINANCEIRA // ANUAL DE 2019

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