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A Protecção Integrada

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Academic year: 2021

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(1)

A PROTECÇÃO

INTEGRADA

(2)

Pedro Amaro

A PROTECÇÃO

INTEGRADA

Dezembro 2003

DRARO

Direcção Regional de Agricultura do Ribatejo e Oeste

INIAP/EAN

Instituto Nacional de Investigação Agrária e das

Pescas/Estação Agronómica Nacional

ISA/DPPF/SAPI

Instituto Superior de

Agronomia/Departamento de Protecção das Plantas e Fitoecologia/Secção de

(3)

FICHA TÉCNICA

Título: A Protecção Integrada

Editor: Pedro Amaro

Edição: ISA/Press

ISBN: 972-8669-10-0

Depósito legal: 209748/04

Impressão: Grafilipe – Soc. Artes gráficas, Lda.

2550-171 Cadaval • Tel.: 262 691 311

Esta publicação foi financiada pelo Projecto AGRO 12 – Divulgação e

demonstração da protecção integrada e da produção integrada,

em especial em vinha e pomóideas.

Distribuição: Secção de Protecção Integrada, Departamento de Protecção das

Plantas e Fitoecologia. Tapada da Ajuda, Instituto Superior de

Agronomia, 1349-017 Lisboa.

Tiragem: 5000 exemplares

Dezembro de 2003

(4)

Com este livro presta-se homenagem aos pioneiros, na Europa, da protecção integrada, Mário Baggiolini e H. G. Milaire e aos especialistas franceses J. P. Bassino, C. Benassy e H. Audemard, todos docentes do Curso de Protecção Integrada, FAO/DGPPA, em Lisboa em 1980.

À memória de dois queridos amigos e notáveis

entomologistas portugueses, Gabriel Magalhães Silva e José Passos de Carvalho, sempre presentes no desenvolvimento da protecção integrada em Portugal.

Este livro é dedicado à minha esposa Helena e aos dois filhos Ana Paula e Pedro Miguel tendo sempre presente o seu amor, a sua generosidade e a sua compreensão por muitas horas roubadas ao seu convívio durante os dois últimos anos.

(5)
(6)

Homenagem III

1 – INTRODUÇÃO 1

As referências bibliográficas 4

2 – A PRODUÇÃO INTEGRADA, MODALIDADE DE AGRICULTURA SUSTENTÁVEL 7

2.1 – O conceito de agricultura sustentável 7

2.2 – O conceito de produção integrada adoptado pela OILB/SROP 8 2.2.1 – As origens do conceito de produção integrada 8

2.2.2 – A definição de produção integrada 9

2.2.3 – Os princípios da produção integrada 9

2.2.4 – Os três grupos de orientações a adoptar em produção integrada 11 2.2.5 – As orientações de produção integrada visando essencialmente a produção 12 2.3 – As características do conceito de produção integrada adoptado oficialmente em Portugal 14

2.3.1 – A legislação e a regulamentação 14

2.3.2 – As diferenças entre o conceito oficial de produção integrada e o da OILB/SROP 15

2.4 – As referências bibliográficas 17

3 – OS INIMIGOS DAS CULTURAS E A SUA IMPORTÂNCIA ECONÓMICA 19

3.1 – Os factores que condicionam o desenvolvimento dos inimigos das culturas 19

3.2 – A diversidade dos inimigos das culturas 20

3.3 – A relação entre a importância económica e a densidade da população de pragas 21 3.4 – A importância económica dos inimigos das culturas em Portugal 23 3.5 – A importância dos prejuízos causados pelos inimigos das culturas 26 3.5.1 – A dimensão dos prejuízos causados pelas pragas, doenças e infestantes 26

3.5.2 – A definição de prejuízo 26

3.5.3 – As causas dos prejuízos 27

3.6 – O cálculo dos prejuízos causados pelos inimigos das culturas 28

3.7 – As referências bibliográficas 30

4 – O CONCEITO DE PROTECÇÃO INTEGRADA 33

4.1 – Da luta integrada à protecção integrada e à produção integrada 33 4.2 – A evolução do conceito de protecção integrada 35

4.2.1 – Introdução 35

4.2.2 – A evolução da terminologia 35

4.2.3 – A natureza do conceito de protecção integrada 36 4.2.4 – A contribuição da OILB/SROP para a evolução do conceito de luta integrada e de

protecção integrada 38

4.2.4.1 – A evolução dos conceitos 38

4.2.4.2 – Da luta química cega até à protecção integrada na Declaração de Ovrannaz 41 4.3 – As características do conceito de protecção integrada adoptado oficialmente em Portugal 43

4.3.1 – A legislação e a regulamentação 43

4.3.2 – As diferenças entre o conceito oficial de protecção integrada e o da OILB/SROP 43

4.4 – As referências bibliográficas 44

5 – A AVALIAÇÃO DA INDISPENSABILIDADE DE INTERVENÇÃO 47

5.1 – Introdução 47

5.2 – A estimativa do risco de pragas 47

5.2.1 – Os objectivos da estimativa do risco 47

5.2.2 – A determinação da intensidade de ataque 48 5.2.2.1 – A utilização das técnicas pelos agricultores e a relação entre o

número de amostras, a precisão e o custo 48

ÍNDICE

(7)

5.2.2.2 – As técnicas de amostragem 48

A observação visual 51

A técnica das pancadas 52

As armadilhas 54

5.2.2.3 – Os períodos de risco 64

5.2.2.4 – Os factores de nocividade 65

5.3 – A estimativa do risco de doenças e de infestantes 67

5.3.1 – A estimativa do risco de doenças 67

5.3.2 – A estimativa do risco de infestantes 70

5.4 – O nível económico de ataque e os conceitos de estrago e de prejuízo 72 5.4.1 – O nível prejudicial de ataque e o nível económico de ataque 72 5.4.2 – O cálculo do nível prejudicial de ataque e do nível económico de ataque 73 5.4.2.1 – O cálculo do nível prejudicial de ataque 73 5.4.2.2 – O cálculo do nível económico de ataque a partir do nível

prejudicial de ataque 74

5.4.3 – A disponibilidade de níveis económicos de ataque 75 5.4.3.1 – O carácter empírico da generalidade dos níveis económicos de

ataque e a viabilidade da sua utilização 75 5.4.3.2 – Os níveis económicos de ataque disponíveis em Portugal 77 5.4.3.3 – A viabilidade do uso, na prática, dos níveis económicos de ataque 79 5.4.4 – A importância da simplicidade e da não alteração dos conceitos de estrago e prejuízo 81 5.5 – Os modelos de desenvolvimento de doenças e de pragas 83 5.6 – O Serviço de Avisos, importante base de apoio para o desenvolvimento da protecção integrada 86 5.6.1 – O Serviço de Avisos e a prática da protecção integrada 86 5.6.2 – A evolução do Serviço de Avisos em Portugal e as dificuldades de apoio

à prática da protecção integrada 87

5.7 – As referências bibliográficas 90

6 – A CLASSIFICAÇÃO DOS MEIOS DE LUTA E AS MEDIDAS INDIRECTAS DE LUTA CONTRA

OS INIMIGOS DAS CULTURAS 95

6.1 – As definições e a terminologia 95

6.2 – A classificação dos meios de luta 96

6.3 – As medidas indirectas de luta 97

6.3.1 – A luta legislativa 97

6.3.1.1 – Da Convenção Filoxérica Internacional de 1878 à Convenção Internacional

de Protecção das Plantas de 1997 97

6.3.1.2 – A regulamentação da União Europeia 99 6.3.1.3 – A evolução, em Portugal, das estruturas condicionantes da luta

legislativa no âmbito das inspecções e de outros aspectos fitossanitários 103

6.3.2 – A luta genética 106

6.3.3 – A luta cultural, a luta mecânica e a luta biológica (limitação natural) 109 6.3.3.1 – O uso óptimo dos recursos naturais 109 6.3.3.2 – As práticas agrícolas sem impacto negativo nos ecossistemas agrários 113

A planta 113

O solo. A fertilização. A água do solo e a rega 114

As redes de protecção 117

6.3.3.3 – A limitação natural e a sua conservação 117

A definição e a terminologia 117

A limitação natural de pragas de insectos e de ácaros 117

A limitação natural de patogénios 118

6.4 – As referências bibliográficas 119

7 – A LUTA FÍSICA E A LUTA CULTURAL, MEIOS DIRECTOS DE LUTA 123

7.1 – A luta física 123

7.1.1 – A definição de luta física 123

7.1.2 – A luta mecânica 123

7.1.3 – A luta térmica 125

7.2 – A luta cultural 126

7.3 – As referências bibliográficas 127

8 – A LUTA BIOLÓGICA 129

(8)

8.2 – A definição de luta biológica 129

8.3 – Os agentes de luta biológica 130

8.4 – As modalidades de luta biológica 132

8.4.1 – A terminologia e a classificação 132

8.4.2 – A luta biológica clássica 133

8.4.2.1 – A definição e os objectivos 133

8.4.2.2 – A luta biológica clássica com utilização de artrópodos predadores

e parasitóides de pragas 134

8.4.2.3 – A luta biológica clássica com patogénios para combater pragas 135 8.4.2.4 – A luta biológica clássica para combater doenças 135 8.4.2.5 – A luta biológica clássica para combater infestantes 135

8.4.3 – O tratamento biológico 136

8.4.3.1 – A definição e os objectivos 136

8.4.3.2 – As modalidades de tratamento biológico 136 8.4.3.3 – O tratamento biológico de pragas com insectos e ácaros entomófagos 138 8.4.3.4 – O tratamento biológico de pragas com microrganismos 140

As bactérias entomopatogénicas 142

Os vírus entomopatogénicos 144

Os fungos entomopatogénicos 146

Os nemátodes entomopatogénicos 147

8.4.3.5 – O tratamento biológico de pragas com plantas insecticidas 149 8.4.3.6 – O tratamento biológico de doenças com biofungicidas e biobactericidas 150 8.4.3.7 – O tratamento biológico de infestantes com micoherbicidas e com bactérias 152

8.5 – A regulamentação da luta biológica 153

8.6 – A evolução da luta biológica em Portugal 155

8.7 – As referências bibliográficas 157 9 – A LUTA BIOTÉCNICA 161 9.1 – Os semioquímicos 161 9.1.1 – A definição e a classificação 161 9.1.2 – As feromonas 161 9.1.3 – Os aleloquímicos 163

9.1.4 – A utilização de semioquímicos em protecção de plantas 164 9.1.5 – Os estudos de biologia, distribuição, monitorização e estimativa do risco 164

9.1.6 – A captura em massa 165

9.1.7 – Os atracticidas 165

9.1.8 – O método da confusão sexual 166

9.2 – Os reguladores de crescimento dos insectos 167

9.2.1 – A definição e a classificação 167

9.2.2 – A hormona juvenil e a hormona de muda ou ecdisona 168

9.2.3 – Os juvenóides 168

9.2.4 – Os miméticos da ecdisona 169

9.2.5 – Os inibidores da síntese da quitina 169

9.2.6 – Os reguladores de crescimento de insectos homologados em Portugal 169

9.3 – A luta autocida 171

9.3.1 – O conceito de luta autocida 171

9.3.2 – As exigências da luta autocida 171

9.3.3 – As vantagens da luta autocida 172

9.3.4 – A utilização da luta autocida em área abrangente 173 9.3.5 – A evolução da construção de biofábricas e da utilização de insectos estéreis 174 9.3.5.1 – A evolução do número de biofábricas e da sua produção 174

9.3.5.2 – Mosca-do-Mediterrâneo 174

9.3.5.3 – Outras moscas-da-fruta 177

9.3.5.4 – Lepidópteros 177

9.3.5.5 – Mosca-do-gado 177

9.3.5.6 – Mosca-tsé-tsé 178

9.3.6 – A luta autocida em Portugal 178

9.3.6.1 – Madeira 178

9.3.6.2 – Algarve 179

9.3.6.3 – Oeste 180

(9)

10 – A LUTA QUÍMICA 185

10.1 – As definições e a terminologia 185

10.1.1 – A definição de luta química 185

10.1.2 – A definição de pesticida e a terminologia 185

10.1.3 – As referências bibliográficas 188

10.2 – A nomenclatura, a composição, os tipos de formulação, a classificação

e a aplicação dos pesticidas 189

10.2.1 – A nomenclatura dos pesticidas 189

10.2.2 – A composição dos pesticidas 190

10.2.3 – Os tipos de formulação dos pesticidas 192

10.2.4 – A classificação dos pesticidas 195

10.2.5 – As técnicas de aplicação e o material de aplicação 200

10.2.6 – As referências bibliográficas 204

10.3 – A via de penetração e o modo de acção dos pesticidas 205

10.3.1 – A via de penetração dos pesticidas 205

10.3.2 – O modo de acção dos pesticidas 207

10.3.2.1 – O modo de acção dos insecticidas 208 10.3.2.2 – O modo de acção dos fungicidas 210 10.3.2.3 – O modo de acção dos herbicidas 212

10.3.3 – As referências bibliográficas 214

10.4 – A eficácia dos pesticidas 214

10.4.1 – Os conceitos de eficácia, eficácia directa e eficácia global 214 10.4.2 – As técnicas de avaliação da eficácia global 216

10.4.3 – A eficácia global aceitável 217

10.4.4 – As referências bibliográficas 217

10.5 – Os efeitos secundários dos pesticidas 218

10.5.1 – A definição e o âmbito 218

10.5.1.1 – As referências bibliográficas 220

10.5.2 – A resistência dos inimigos das culturas aos pesticidas 220

10.5.2.1 – As definições 220

10.5.2.2 – A evolução da resistência 221

10.5.2.3 – Os tipos de resistência 224

10.5.2.4 – Os mecanismos de resistência 225

10.5.2.5 – A avaliação da resistência 226

10.5.2.6 – As estratégias perante a resistência 227 10.5.2.7 – A análise do risco de resistência 229

10.5.2.8 – As referências bibliográficas 230

10.5.3 – A toxidade dos pesticidas para o Homem 232

10.5.3.1 – As intoxicações 232

10.5.3.2 – As vias e a duração de exposição e a perigosidade dos pesticidas 233

A terminologia 233

A toxidade aguda 234

A toxidade a curto prazo ou subcrónica 238 A toxidade crónica e de outra natureza 238 A classificação da toxidade e os símbolos toxicológicos dos pesticidas 242 10.5.3.3 – A dose sem efeitos tóxicos observáveis, o nível diário de ingestão

aceitável ao longo da vida, o limite máximo de resíduos e o intervalo

de segurança 245

A dose sem efeitos tóxicos observáveis (DSEO/NOEL) 245 O nível diário de ingestão aceitável ao longo da vida (NDIA/ADI) 245

O limite máximo de resíduos (LMR) 246

O intervalo de segurança (IS) 251

10.5.3.4 – A monitorização de resíduos de pesticidas nos produtos agrícolas 252 As amostras de produtos agrícolas analisadas e os níveis de

resíduos ilegais 252

Os produtos agrícolas com níveis ilegais mais elevados 254 As acções de carácter repressivo à ilegalidade de resíduos de

pesticidas superiores ao LMR 257

Os resíduos de pesticidas mais frequentes e os resíduos múltiplos 259 Os laboratórios e a amostragem para análise de resíduos de pesticidas 260

(10)

10.5.3.5 – A monitorização de resíduos de pesticidas na água 262

A Directiva-Quadro da Água 262

O limite máximo de resíduos (LMR) na água 263 A lista de substâncias prioritárias no domínio da política da água 263 Os exemplos de monitorização de resíduos de pesticidas na água

na Europa e nos EUA 264

A monitorização de resíduos de pesticidas na água em Portugal 265 Os resíduos de pesticidas em águas de superfície 266 Os resíduos de pesticidas em águas subterrâneas 267 A prevenção da presença de resíduos de pesticidas na água 269

10.5.3.6 – As referências bibliográficas 271

10.5.4 – A toxidade dos pesticidas para os animais, espécies normalmente alimentadas,

mantidas e consumidas pelo Homem 277

10.5.4.1 – A avaliação da toxidade 277

10.5.4.2 – As precauções 277

10.5.4.3 – As referências bibliográficas 278

10.5.5 – A toxidade dos pesticidas para as plantas, nomeadamente a fitotoxidade 279

10.5.5.1 – A avaliação da toxidade 279

10.5.5.2 – As precauções 279

10.5.5.3 – As referências bibliográficas 281

10.5.6 – A toxidade dos pesticidas para as abelhas 281 10.5.6.1 – A avaliação e a classificação da toxidade 281

10.5.6.2 – As precauções 283

10.5.6.3 – As referências bibliográficas 284

10.5.7 – A toxidade dos pesticidas para os organismos aquáticos 284 10.5.7.1 – A avaliação e a classificação da toxidade 284

10.5.7.2 – As precauções 289

10.5.7.3 – As referências bibliográficas 290

10.5.8 – A toxidade dos pesticidas para os auxiliares 291 10.5.8.1 – Em protecção integrada é fundamental ponderar a toxidade dos

pesticidas para os auxiliares 291

10.5.8.2 – O progressivo desenvolvimento da investigação sobre a avaliação

e classificação da toxidade dos pesticidas para os auxiliares 292 10.5.8.3 – A regulamentação portuguesa sobre a toxidade dos pesticidas para

os auxiliares, no âmbito da protecção integrada 294

10.5.8.4 – As referências bibliográficas 298

10.5.9 – A toxidade dos pesticidas para as aves, a fauna selvagem e outros organismos 301

10.5.9.1 – A avaliação da toxidade 301

10.5.9.2 – A classificação da toxidade dos pesticidas para as aves 302 10.5.9.3 – A classificação da toxidade dos pesticidas para a fauna selvagem 302 10.5.9.4 – A toxidade dos pesticidas para as minhocas e outros

invertebrados do solo 304

10.5.9.5 – As referências bibliográficas 304

11 – A HOMOLOGAÇÃO DOS PESTICIDAS EM PORTUGAL, NA UNIÃO EUROPEIA E NOS EUA 305

11.1 – A homologação dos produtos fitofarmacêuticos em Portugal 305 11.2 – A homologação dos pesticidas agrícolas na União Europeia 307

11.2.1 – Aspectos gerais 307

11.2.2 – A reavaliação dos pesticidas existentes na UE e a autorização de novos pesticidas 311

11.3 – A legislação sobre pesticidas nos EUA 316

11.4 – As referências bibliográficas 317

12 – O USO SUSTENTÁVEL DOS PESTICIDAS, A BOA PRÁTICA FITOSSANITÁRIA

E A PROTECÇÃO INTEGRADA 321

12.1 – O uso sustentável dos pesticidas 321

12.2 – A boa prática fitossanitária 325

12.2.1 – A boa prática fitossanitária da OEPP 325 12.2.2 – A boa prática fitossanitária em Portugal 328

12.3 – A protecção integrada 330

12.3.1 – Os conceitos de protecção integrada 330

12.3.2 – A protecção integrada e a boa prática fitossanitária 331

(11)

13 – A PRODUÇÃO E O CONSUMO DOS PESTICIDAS 335

13.1 – A produção dos pesticidas 335

13.2 – As empresas dos pesticidas 337

13.3 – O consumo dos pesticidas agrícolas 339

13.3.1 – O consumo dos pesticidas em geral 339

13.3.2 – Os pesticidas obsoletos 342

13.3.3 – O consumo dos pesticidas em Portugal 343

13.4 – As referências bibliográficas 346

14 – A ANÁLISE DO RISCO DOS PESTICIDAS PARA O HOMEM E O AMBIENTE

E AS ESTRATÉGIAS PARA REDUZIR O RISCO DE EXPOSIÇÃO AOS PESTICIDAS 349

14.1 – A evolução até à análise do risco dos pesticidas 349

14.2 – A análise do risco dos pesticidas 352

14.2.1 – O perigo, o risco e a exposição 352

14.2.2 – As componentes da análise do risco dos pesticidas 353

14.2.3 – A avaliação do risco dos pesticidas 353

14.2.4 – A gestão do risco dos pesticidas 356

14.2.5 – A comunicação do risco dos pesticidas 358 14.3 – As estratégias para reduzir o risco de exposição aos pesticidas 358 14.3.1 – Os países desenvolvidos e em desenvolvimento 358 14.3.2 – As precauções para reduzir o risco dos pesticidas 359 14.3.3 – A redução dos riscos dos pesticidas pela protecção integrada 361 14.3.4 – Os conhecimentos dos agricultores e a fiscalização do uso dos pesticidas pelos

agricultores e comerciantes 362

14.4 – As referências bibliográficas 366

15 – A EVOLUÇÃO DA PROTECÇÃO INTEGRADA E DA PRODUÇÃO INTEGRADA EM PORTUGAL 371

15.1 – A evolução da protecção integrada nos EUA e na Europa 371

15.1.1 – Estados Unidos da América 371

15.1.2 – Europa 373

15.1.2.1 – A OILB/SROP 373

15.1.2.2 – A evolução da protecção integrada e da produção integrada

nalguns países europeus 375

15.2 – A evolução da protecção integrada e da produção integrada em Portugal 377

15.2.1 – As iniciativas embrionárias 377

15.2.2 – As fases da evolução da protecção integrada e da produção integrada 377 15.2.3 – A 1.ª fase da evolução (1977 a 1986) 377 15.2.4 – A 2.ª fase da evolução (1987 a 1993) 378 15.2.5 – A 3.ª fase da evolução (1994 a 2000) 381 15.2.5.1 – A legislação da protecção integrada e da produção integrada 381 15.2.5.2 – As regras da protecção integrada e da produção integrada 382 15.2.5.3 – O financiamento da prática da protecção integrada 383 15.2.5.4 – As organizações de agricultores e a prática da protecção integrada 385 15.2.5.5 – O financiamento da prática da produção integrada 387 15.2.5.6 – As acções de formação e de demonstração em protecção integrada

e produção integrada 387

15.2.5.7 – A importância do financiamento global 390

15.2.6 – A 4.ª fase da evolução (2001-2006) 390

15.2.6.1 – A evolução em 2001 e 2002 de áreas, organizações de agricultores, técnicos e agricultores em protecção integrada e produção integrada, formação profissional e financiamento 390 15.2.6.2 – A qualidade da prática da protecção integrada e da produção integrada 393

15.3 – As perspectivas futuras 397

15.3.1 – A necessidade de rigorosa avaliação dos progressos da protecção integrada

e de produção integrada em Portugal 397

15.3.2 – A realidade actual da agricultura e da protecção das plantas em Portugal 398

15.3.3 – Aspectos prioritários 400

15.4 – As referências bibliográficas 401

ANEXO 1 – ORIGEM DAS FOTOGRAFIAS 409

ANEXO 2 – LISTA DE ABREVIATURAS 411

ANEXO 3 – GLOSSÁRIO DE PROTECÇÃO INTEGRADA 415

(12)

Em Dezembro de 1982 foi publicado o livro Introdução à Protecção Integrada

(42). O Editorial refere:

“O Curso de Protecção Integrada FAO/DGPPA foi realizado em Portugal, em Setembro/Outubro de 1980 e Abril de 1981, através da colaboração de con-sultores da FAO, especialistas da Organização Internacional de Luta Biológica (OILB) e de docentes e especialistas portugueses de protecção das plantas.

A total ausência de publicações sobre protecção integrada em língua portu-guesa e mesmo a sua escassez à escala mundial foram certamente tomadas em consideração pela FAO ao determinar que, na sequência do Curso, se procedesse à elaboração e divulgação de um Manual sobre protecção integrada.

[…] Julgou-se conveniente e mesmo indispensável aproveitar esta oportuni-dade para se procurar uniformizar a terminologia portuguesa sobre protecção

integrada” (43).

Na Nota prévia, da autoria de Mário Baggiolini, esclarece-se (49):

“As principais razões do interesse manifestado por Portugal à FAO para o desenvolvimento das técnicas de protecção integrada resultaram dos inconvenientes inerentes à utilização irracional e excessiva da luta química na protecção das plantas e, também, dos perigos de uma industrialização desequilibrada da agricultura. Na verdade, essa evolução é considerada, hoje, como fundamental para assegurar o aumento e a melhoria da produção agrícola do País, evitando o agravamento dos problemas causados, à escala mundial, pela contaminação do ambiente, pelos resíduos dos pesticidas e pela deficiente utilização da energia.

A recente criação da Direcção-Geral de Protecção da Produção Agrícola (DGPPA) e das Direcções Regionais no Ministério da Agricultura e Pescas abriu novas pers-pectivas ao progresso no sector da protecção das plantas, enquadrado num programa de promoção do desenvolvimento da agricultura, que pretende respei-tar as exigências ecológicas e económicas preconizadas pela protecção integrada. Neste sentido, procurou-se obter o apoio financeiro da FAO para a realização de um Curso intensivo sobre os princípios gerais e a metodologia da protecção

integrada, destinado essencialmente a um grupo de técnicos, investigadores e

docentes, que certamente participarão no futuro desenvolvimento da produção agrícola do País.

Os principais objectivos deste Curso podem resumir-se em:

(13)

a. formar o pessoal responsável pela assistência técnica regional, a fim de se concretizar a fase de extensão experimental e demonstrativa das téc-nicas integradas, de modo a alcançar, em seguida, com uma melhor participação responsável dos agricultores, a produção integrada; b. motivar e formar, na utilização destas técnicas, o jovem pessoal de

inves-tigação e de ensino no sector da protecção das plantas;

c. assegurar a preparação de um manual sobre protecção integrada” (49).

Vão decorridos 21 anos, estão esgotados os 10 000 exemplares do Manual, que muito contribuiu para a formação em protecção integrada a nível do ensino universitá-rio, superior e secundário e da formação profissional de técnicos e de agricultores, e foram alcançados os objectivos previstos pela FAO e pelos responsáveis pela realização do Curso, excepto na ênfase já então dada à produção integrada.

Continua certamente sempre presente, a quem participou no Curso e na elaboração do Manual, uma muito agradável sensação de admiração, de gratidão e de saudade em relação a Baggiolini, Milaire, Bassino, Benassy, Audemard e Brader que tornaram

possí-vel, e com elevado nível de qualidade, a realização do Curso FAO/DGPPA (42).

Ao recordar, em 2003, a evolução da protecção integrada desde a definição do

conceito em 1959, por Stern et al. (55), é interessante realçar que o período 1980-82,

em que se localizou o Curso e a elaboração do Manual, separou dois períodos de

cerca de 20 anos de evolução da protecção integrada.

No 1.º período, iniciado em 1959, destaca-se a decisão pioneira dos

investigado-res da Califórnia (55) e a expansão da investigação da protecção integrada nos EUA

após a divulgação do livro Silent Spring, de Raquel Carson (50) e dos grandes projectos

Huffaker e Adkisson para aprofundar os conhecimentos e assegurar a prática da

protec-ção integrada (53) (ver 4.1 e 15.1.1). É também de realçar, na Europa, a acção da OILB,

nomeadamente através: da investigação em macieira que, já no fim da década de 60,

permitiu disponibilizar níveis económicos de ataque para 22 pragas da macieira (54); e

da Declaração de Ovrannaz em 1977 (52) que caracterizou a evolução ao longo da luta

química cega, luta química aconselhada, luta dirigida e protecção integrada e fomentou a produção integrada, já então sendo realidade a certificação pela OILB/SROP da pro-dução integrada de maçãs na Suíça e em França (ver 4.1 e 5.4.3.1).

Neste 1.º período, em Portugal, a protecção integrada foi praticamente desconhe-cida, iniciando-se, no ensino um pequeno módulo de seis a oito horas, em Novembro

de 1977, na disciplina de Fitofarmacologia (Ciência dos pesticidas) do ISA. Desde o

início dos anos 50, ocorreram iniciativas na área da protecção das plantas em consequência da expansão do uso e da investigação dos pesticidas organossintéticos como: a expansão das empresas de pesticidas; o início do ensino da Fitofarmacologia

em 1955 (1, 7); a criação do Laboratório de Fitofarmacologia em 1962 (2, 3); o início dos

Avisos em 1964 (18); e o início da homologação dos pesticidas agrícolas em 1967 (6).

No 2.º período, que decorreu entre 1983 e 2003, verificou-se a evolução no con-ceito de protecção integrada e ocorreram grandes progressos na investigação, no ensino, na formação profissional e na prática da protecção integrada e escassa evolução da prática da produção integrada, de que se destacam:

(14)

a ênfase na agricultura sustentável e nas suas modalidades, produção integrada e agricultura biológica (Cap. 2);

a importância de considerar sempre a protecção integrada como componente

da produção integrada, com especial atenção para a prioridade a atribuir às medidas indirectas antes do recurso aos meios directos de luta (Cap. 4 e 6).

a evolução do conceito de protecção integrada também quanto ao reforço

das preocupações de protecção dos auxiliares e de outras precauções em relação a outros efeitos secundários dos pesticidas em defesa do Homem e do ambiente

(37) (ver Cap. 4 e 10.5);

o progresso na avaliação da indispensabilidade de intervenção pelo

adequado uso de técnicas de estimativa do risco e da ponderação de factores de nocividade, a maior disponibilidade de níveis económicos de ataque para pragas e do uso de modelos e o crescente embora tímido apoio do Serviço de Avisos em Portugal ao desenvolvimento da protecção integrada (Cap. 5).;

as novas possibilidades proporcionadas pelos notáveis progressos da luta

biológica (Cap. 8) e da luta biotécnica (Cap. 9);

a profunda modificação na utilização da luta química de acordo com as

orientações da protecção integrada em consequência da prioridade atribuída à prévia ponderação dos efeitos secundários dos pesticidas (ver 10.5), bem evidenciada pelas exigências da análise do risco dos pesticidas para o Homem

e o ambiente (Cap. 14) e pela intervenção da União Europeia na harmonização

da regulamentação sobre homologação dos pesticidas agrícolas nos 15 países da UE, na reavaliação dos pesticidas existentes, nas regras de autorização de novos pesticidas e no fomento do uso sustentável dos pesticidas (Cap. 10, 11 e 12).

Neste livro Protecção Integrada são abordadas as questões acima referidas, a par de outras como: os inimigos das culturas e a sua importância económica (Cap. 3); a luta física (Cap. 7); a produção e o consumo de pesticidas (Cap. 13); e a evolução da protecção integrada e da produção integrada em Portugal (Cap. 15).

Na sequência do Curso FAO/DGPPA, em que foi adoptada a orientação preconizada pela Secção Oeste Paleárctica da Organização Internacional de Luta Biológica e Protec-ção Integrada (OILB/SROP), e em consequência da participaProtec-ção desde 1987, em numerosas iniciativas e reuniões de Grupos de Trabalho da OILB/SROP, foi sempre

adoptada a doutrina da OILB/SROP nas actividades de investigação, ensino e de

formação profissional em protecção integrada e produção integrada da SAPI/ISA. Tam-bém neste livro, como é óbvio, estão sempre presentes essas orientações da OILB/ SROP (ver 15.1.2.1).

A elaboração dos 15 capítulos deste livro foi também claramente influenciada pela experiência pessoal do autor adquirida em protecção das plantas nos últimos 55 anos, pela actividade pioneira em Portugal desde: os anos 50 em Fitofarmacologia; os anos 60 em Homologação dos Pesticidas Agrícolas e em Herbologia; os fins dos anos 70 em Protecção Integrada. O interesse pela análise histórica da protecção das plantas,

(15)

1980, abrangeu numerosas questões, a seguir referidas, e que foram, por vezes, analisadas neste livro:

a protecção das plantas (5, 6, 12, 13, 15, 22, 26, 29, 31, 32, 39);

a protecção integrada (6, 12, 15, 24, 29, 31, 32, 34, 36, 37, 39, 42, 44, 45, 46, 51);

a luta biológica (17, 20, 27):

a produção integrada (24, 35, 36, 39, 41);

os inimigos das culturas (11, 21, 22, 25, 26);

a herbologia e a patologia vegetal (4, 10, 16, 32);

as personalidades e entidade (14, 19, 28, 30, 32, 33, 38);

o ensino e a formação profissional em protecção das plantas, fitofarmacologia

e protecção integrada (1, 7, 8, 9, 23, 29, 32, 45, 46, 47, 51);

os avisos e a homologação, aplicação e redução dos riscos dos pesticidas (2,

3, 6, 12, 15, 18, 32, 39, 40, 48).

Nos próximos 10 anos, certamente se vai intensificar o desenvolvimento da protec-ção integrada e da produprotec-ção integrada, e será útil a informaprotec-ção proporcionada por este livro para o ensino e a formação profissional e para estimular a preocupação da

quali-dade na prática destes sistemas de produção agrícola em Portugal (ver 15.2.6.2).

Este livro foi elaborado no âmbito do Projecto AGRO 12 – Divulgação e

demons-tração da protecção integrada e da produção integrada, em especial em vinha e pomóideas.

Agradece-se à Presidência do INIAP e aos participantes no Projecto AGRO 12 o apoio para a produção deste livro e, em especial, à Carla Couto e ao Manuel Trindade a produção de inúmeras versões prévias, da versão final do texto do livro e a decisiva colaboração nos Anexos e, ainda, a colegas amigos que procederam à revisão de alguns capítulos:

Cap. 3 – A. Mexia

Cap. 5 (5.4) – A. Mexia, A. M. Silva Fernandes, E. Figueiredo, J. C. Franco Cap. 8 – A. Mexia, E. Figueiredo, J. Passos de Carvalho

Cap. 9 – A. Mexia, J. C. Franco, J. Passos de Carvalho Cap. 10 (10.1 a 10.3) – M. J. Cerejeira

Cap. 10 (10.5.3.3 e 10.5.3.4) – Júlia R. Santos Cap. 10 (10.5.3.5) – Sofia Batista

Cap. 10 (10.5.3.5 e 10.5.7) e Cap. 14 – Teresa Pereira Cap. 10, 11, 12, 13 e 14 – A. M. Silva Fernandes

Naturalmente que erros que persistam nos textos são exclusivamente da responsa-bilidade do autor do livro.

AS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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42. AMARO, P. & BAGGIOLINI, M. (Ed.) (1982) – Introdução à protecção integrada. FAO/DGPPA, Lisboa, 277 p. 43. AMARO, P. & BAGGIOLINI, M. (Ed.) (1982) – Editorial. In AMARO, P. & BAGGIOLINI, M. (Ed.) – Introdução

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– O ensino da protecção integrada no ISA. 3.º Enc. nac. Prot. Integ., Lisboa, Dez. 95.

46. AMARO, P., FERNANDES, A. M. Silva, MEXIA, A., CEREJEIRA, M. J., FRANCO, J. C. & FIGUEIREDO, E. (1995) – A sensibilização e a formação profissional em protecção integrada no ISA. 3.º Enc. nac. Prot. Integ.,

Lisboa, Dez. 95.

47. AMARO, P. & MEXIA, A. (1995) – O Mestrado em protecção integrada no ISA. 3.º Enc. nac. Prot. Integ.,

Lisboa, Dez. 95, UTL/ ISA, 17 p.

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49. BAGGIOLINI, M. (1982) – Nota prévia sobre o curso de protecção integrada FAO/DGPPA. In AMARO, P. & BAGGIOLINI, M. (Ed.) – Introdução à protecção integrada: XIII-XXI.

50. CARSON, R. (1962) – Silent spring. Fawcett, Greenwich. Conn.

51. MEXIA, A. & AMARO, P. (2003) – A contribuição do ISA/DPPF/SAPI para a formação profissional em protec-ção integrada. In AMARO, P. (Ed.) – Colóq. Conhecimento Agricult. Prot.- Integ., Vairão, Nov. 02: 64-81. 52. OILB/SROP (1977) – Vers la production agricole intégrée par la lutte intégrée. Bull. OILB/SROP, 1997 (4),

163 p.

53. OLSEN, L., ZALOM, F. & ADKISSON, P. (2003) – Integrated pest management in the USA. In MAREDIA, K. M., DAKOUO, D., & SANCHEZ, D. Mota (Ed.) – Integrated pest management in the global arena: 249-271. 54. STEINER, H. & BAGGIOLINI, M. (1969) – Introduction à la lutte intégrée en verger de pommier. OILB/SROP,

64 p.

55. STERN, V. M., SMITH, R. F., BOSCH, R. van der & HAGEN, K. S. (1959) – The integrated control concept.

(18)

2.1 – O CONCEITO DE AGRICULTURA SUSTENTÁVEL

A proliferação de designações e definições de protecção integrada, analisada em 4.2, também ocorreu, nos últimos 15 anos, em relação à agricultura sustentável e ao desenvolvimento sustentável e, portanto, à produção integrada.

Na Conferência das Nações sobre Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em Junho de 1992, 170 países aprovaram uma declaração visando assegurar o

desenvolvimento sustentável ao longo do século XXI (1, 34). Os países da OCDE,

tam-bém presentes na Conferência do Rio, adoptaram o objectivo do desenvolvimento

sustentável em 1993 (1, 34).

A agricultura sustentável é uma componente do desenvolvimento sustentável, sen-do ainda designada por: agricultura durável, produção integrada, agricultura alternativa, agricultura regenerativa, agricultura biológica ou, ainda, ecológica, orgânica, natural,

input, low-input (1, 27) e, recentemente, em França, agriculture raisonnée (33).

Quanto à definição de agricultura sustentável, já em 1990, Pearce et al. haviam

“identificado mais de 24 definições diferentes” (37). Para a OCDE, em 1995, a “noção de

durabilidade implica uma utilização dos recursos de origem natural e humana que satis-faça as necessidades actuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras a

satisfazer as suas próprias necessidades essenciais” (34).

Em definição proposta pela FAO, em 1992, refere-se que “um desenvolvimento du-rável da agricultura, da silvicultura e das pescas deve preservar a terra, a água e os recursos genéticos vegetais e animais, não degradar o ambiente e ser tecnicamente

apropriado, economicamente viável e socialmente aceitável” (1, 2, 34).

Para o Congresso dos EUA, em 1990, o conceito de agricultura sustentável consiste “num sistema integrado de práticas de produção de plantas e animais tendo uma apli-cação específica a cada local que, no longo prazo: satisfaça as necessidades humanas em alimentos e fibras; melhore a qualidade do ambiente e a base de recursos naturais, de que depende a economia agrícola; faça o mais eficiente uso dos recursos não renováveis e dos recursos da própria exploração e integre, quando apropriado, os ciclos biológicos naturais; mantenha a viabilidade económica das actividades agrícolas; e

melhore a qualidade de vida e da sociedade como um todo” (1, 2, 35).

Segundo Ikerd, em 1993, a agricultura sustentável deve ser capaz de “manter indefinidamente a sua produtividade e utilidade para a sociedade. Tal agricultura deve usar sistemas agrícolas que conservem os recursos, protejam o ambiente, produzam

2 – A PRODUÇÃO INTEGRADA,

MODALIDADE DE AGRICULTURA

(19)

eficientemente, compitam comercialmente e melhorem a qualidade de vida dos

agricultores e da sociedade como um todo” (1, 2, 28).

A produção integrada e a agricultura biológica são duas modalidades de agricultura sustentável com exigências similares em relação a um “núcleo duro”

abrangendo aspectos relacionados com a estabilidade dos ecossistemas, a biodiversidade, a fertilidade do solo, o ciclo dos nutrientes, o bem-estar dos animais, os parâmetros ecológicos da qualidade, os níveis de produção, a poluição e a qualidade de vida e

formação do agricultor (4).

As diferenças entre produção integrada e agricultura biológica traduzem-se, na agri-cultura biológica, pela maior ênfase em relação ao solo evidenciada, por exemplo, pela utilização prioritária do composto; e pela proibição da utilização de adubos químicos e de pesticidas químicos com excepção de feromonas químicas, por não serem aplicadas

directamente ao solo ou sobre a planta (4).

A produção integrada permite a utilização de adubos e pesticidas químicos, de modo a não afectar o Homem e o ambiente, e evidencia, até, maiores precauções na defesa dos auxiliares, agredidos em agricultura biológica por insecticidas “naturais” (as plantas insecticidas, ver 8.4.3.5) mas tóxicos para os auxiliares, como piretrinas, rotenona e derris (4).

2.2 – O CONCEITO DE PRODUÇÃO INTEGRADA ADOPTADO PELA

OILB/SROP

2.2.1 – As origens do conceito de produção integrada

Em 1977, a OILB/SROP – Secção Regional Oeste Paleárctica da Organização Inter-nacional de Luta Biológica e Protecção Integrada – divulgou Vers la production agricole

intégrée par la lutte intégrée (36), um livro no qual se transmite a Declaração de

Ovrannaz de alcançar a produção integrada através da experiência e do exemplo da

luta integrada.

Mário Baggiolini, coordenador do Curso FAO/DGPPA sobre Protecção Integrada,

re-alizado em Lisboa em Setembro de 1980 (12), esclareceu, neste curso, de forma muito

clara, como a produção integrada podia ser atingida respeitando os princípios que esti-veram na base da protecção integrada:

“O raciocínio que permitiu chegar, no domínio da protecção das plantas, até à protecção integrada é também válido para o conjunto da produção agrícola. Os mesmos princípios de tolerância ecológica e de valorização dos factores

naturais, que levam a melhor equilíbrio fisiológico da cultura, são igualmente

aplicáveis ao conjunto das práticas agrícolas. A aplicação destas “técnicas inte-gradas” permite atingir a optimização da produção que é preconizada pela

produção integrada.

Além do problema da “protecção”, a mesma evolução pode verificar-se nos domínios da “nutrição” e das “técnicas de condução” da cultura, procurando-se, através da utilização das mesmas noções de equilíbrio ecológico e de

(20)

Tem particular significado verificar que Baggiolini, na Nota prévia do Manual de Introdução À Protecção Integrada de 1982, considera como um dos principais objecti-vos do Curso FAO/DGPPA a formação de pessoas para se alcançar a prática da

produção integrada (ver Introdução).

Já então, em 1980, a prática da produção integrada da macieira e a comercialização de maçãs com rótulos OILB eram adoptadas na Suíça, pelo GALTI (Groupement des

arboriculteurs lémaniques pratiquant les techniques intégrées), e em França pelo Co-mité national pour le développement et la valorisation des productions agricoles intégrées (10, 11).

Contudo, foi lenta a evolução ao longo dos anos 80 e só em 1991, por iniciativa e actividade persistente do Grupo de Trabalho da OILB/SROP Produção Integrada de Pomóideas, foi divulgada a 1.ª edição das Regras de Produção Integrada de Pomóideas

(23). Em Maio de 1992, o Conselho da OILB/SROP aprovou as Regras de Produção

Inte-grada (41).

2.2.2 – A definição de produção integrada

De acordo com a definição adoptada pela OILB/SROP nas Regras Gerais de

Produ-ção Integrada (3, 41):

“a produção integrada é um sistema agrícola de produção de alimentos de alta qualidade e de outros produtos utilizando os recursos naturais e os mecanismos de regulação natural em substituição de factores de pro-dução prejudiciais ao ambiente e de modo a assegurar, a longo prazo, uma agricultura viável”.

2.2.3 – Os princípios da produção integrada

As características da produção integrada e as suas estreitas afinidades com o conceito de agricultura sustentável são bem evidenciadas pelo conjunto de 11

princí-pios, também aprovados pela OILB/SROP (3, 10, 41):

• a produção integrada não é uma mera combinação da protecção integrada com

elementos adicionais, como os adubos e as práticas agronómicas, visando aumentar a sua eficácia, mas é baseada na regulação do ecossistema, na importância do bem-estar dos animais e na preservação dos recursos naturais;

• a minimização dos efeitos secundários inconvenientes decorrentes das actividades

agrícolas;

• a exploração agrícola no seu conjunto é a unidade de implementação da produção

integrada;

• a reciclagem regular dos conhecimentos do empresário agrícola sobre produção

integrada;

• a manutenção da estabilidade dos ecossistemas;

• o equilíbrio do ciclo dos nutrientes, reduzindo as perdas ao mínimo;

• a preservação e a melhoria da fertilidade intrínseca do solo;

(21)

• a qualidade dos produtos agrícolas deve ser avaliada por parâmetros ecológicos, além dos critérios clássicos de qualidade, externos e internos;

• o bem-estar dos animais, produzidos na exploração agrícola, deve ser tomado

em consideração;

finalmente, no 8º Princípio, destaca-se que, em produção integrada, a protecção

integrada é a orientação obrigatoriamente adoptada em protecção das plantas.

Na revisão das regras de produção integrada, em 1999 (14), mantiveram-se os 11

princípios, tendo-se somente introduzido modificações no 8.º princípio, relativo à pro-tecção integrada sobre:

• a ênfase da protecção no contexto da agricultura sustentável é colocada nas

medidas preventivas, isto é, as medidas indirectas a utilizar o mais amplamente antes do recurso a meios directos de luta, com medidas curativas;

• só se deve recorrer a meios directos de luta em último recurso, quando não se

possa evitar prejuízos pelas medidas preventivas.

Nos 11 princípios, além do: 3.º Princípio em que se considera que a produção inte-grada deve ser posta em prática no conjunto da exploração agrícola e não só numa cultura, como a vinha, o pomar de pereira ou uma estufa para culturas protegidas; do 4.º Princípio que exige a formação permanente do agricultor; e do 11.º Princípio que defende adequada qualidade de vida na produção animal; esclarecem-se, no 8.º Princí-pio, as características da protecção integrada. Os restantes sete princípios evidenciam

importantes preocupações de carácter ambiental e toxicológico (14):

• a produção integrada visa a regulação do ecossistema, o bem-estar dos animais

e a preservação dos recursos naturais, não se limitando a mera combinação

da protecção integrada com elementos adicionais como a fertilização ou outras práticas agronómicas (1.º Princípio);

os efeitos secundários inconvenientes de actividades agrícolas, como a

contaminação azotada de águas subterrâneas e a erosão, devem ser minimizados (2.º Princípio);

a estabilidade dos ecossistemas deve ser assegurada evitando inconvenientes

impactos ecológicos das actividades agrícolas que possam afectar os recursos naturais e os componentes da regulação natural (5.º Princípio);

o equilíbrio do ciclo dos elementos nutritivos deve ser assegurado reduzindo

ao mínimo as perdas de nutrientes e compensando prudentemente a sua substituição através de fertilizações bem fundamentadas e privilegiando a reciclagem da matéria orgânica produzida na exploração agrícola (6.º Princípio);

a fertilidade do solo, isto é, a capacidade do solo assegurar a produção agrícola

sem intervenções exteriores, é função do equilíbrio das características físicas, químicas e biológicas do solo, bem evidenciado pela fauna do solo, de que as minhocas são um típico indicador (7.º Princípio);

a biodiversidade, a nível genético, das espécies e do ecossistema é considerada

a espinha dorsal da estabilidade do ecossistema, dos factores de regulação natural e da qualidade da paisagem (9.º Princípio);

(22)

a qualidade dos produtos obtidos em produção integrada abrange não só factores externos e internos mas também a natureza do sistema de produção condicionada pelos 11 princípios referidos (10.º Princípio) .

2.2.4 – Os três grupos de orientações a adoptar em produção integrada

Em produção integrada são adoptadas orientações que podem ser agrupadas do seguinte modo:

I - com o objectivo essencialmente de produção;

II - simultaneamente visando a produção e com carácter de medidas indirectas de luta na área da protecção integrada;

III - exclusivamente na área da protecção integrada, através de meios directos de luta (7, 8, 9).

As medidas indirectas de luta, isto é do tipo II, já componentes da protecção integrada, podem ter como objectivo:

o uso óptimo dos recursos naturais, como a utilização de variedades

resistentes ou tolerantes a doenças ou pragas, o óptimo sistema de condução, a poda e intervenções em verde para favorecer o arejamento e a boa penetração da luz, na vinha ou nos pomares, e a manutenção de áreas de compensação ecológica para fomentar a biodiversidade;

as práticas culturais sem impacto negativo nos ecossistemas agrários,

como a utilização não excessiva de adubos, em particular os azotados, o não excesso de mobilizações do solo e o enrelvamento para evitar a erosão do solo, enriquecer a biodiversidade e reduzir o uso de herbicidas;

a protecção e o aumento dos auxiliares, procedendo, por exemplo, à

introdução de ácaros fitoseídeos em vinhas ou pomares e fomentando os solos supressivos para facilitar o combate a doenças transmitidas por patogénios do solo;

as medidas legislativas de carácter preventivo em relação a inimigos das

culturas (7, 9).

Estas medidas indirectas de luta (tipo II) são analisadas em 6.3.

Os meios directos de luta (tipo III), a adoptar, em protecção integrada, só quando indispensável, com o objectivo de evitar prejuízos, abrangem a luta física (mecânica e térmica) em 7.1, a luta cultural em 7.2, a luta biológica (Cap. 8), a luta biotécnica (Cap. 9) e a luta química (Cap. 10).

Como exemplo de medidas do tipo I, visando essencialmente a produção, analisa-das em 2.2.5, referem-se as fertilizações, o fomento de adequado teor em matéria orgânica do solo e as regas realizadas de acordo com as necessidades das plantas, tudo condicionado por adequadas análises, e o recurso a reguladores de crescimento e à monda dos frutos.

(23)

2.2.5 – As orientações da produção integrada visando essencialmente

a produção (ver 2.2.4)

Na plantação de novas vinhas (31), pomares de pomóideas (17) e de prunóideas

(18), ou olivais (32), o porta-enxerto, a cultivar e o sistema de plantação devem ser

escolhidos e integrados de modo a obter produções regulares de uvas, de azeitonas ou de frutos de qualidade com rentabilidade económica e a utilização do mínimo de agro-químicos e de práticas lesivas para o ambiente. Devem ser escolhidos locais favoráveis, quanto à exposição e com bons solos, evitando terrenos propensos a geadas e a granizo e com deficiente drenagem. No caso de prunóideas (ex.: pessegueiro e nectarina)

evi-tar solos com elevado teor em carbonato de cálcio (18). Para pomares, devem preferir-se

linhas simples e formas baixas que simplifiquem os tratamentos fitossanitários e a

colheita (16, 18). No caso das vinhas devem evitar-se sistemas de plantação com

entre-linhas demasiado estreitas por exigirem, em muitos casos, práticas de manutenção do solo não permitidas em produção integrada, como o tratamento total da superfície do

solo com herbicidas (31). Pela mesma razão devem evitar-se, nos olivais, sistemas de

plantação de alta densidade (32). Os compassos adoptados nos pomares devem deixar

espaço suficiente para o desenvolvimento da árvore ao longo da sua vida, sem que seja necessário realizar podas severas ou utilizar reguladores de crescimento sintéticos, não

autorizados em produção integrada (16, 18).

Nas vinha, pomares e olivais em produção, a estrutura, a profundidade, a ferti-lidade, a fauna e a microflora do solo devem ser conservadas e os nutrientes e a matéria

orgânica reciclados o mais possível (16, 18, 31, 32).

Só quando se justificar por análise do solo ou do material vegetal podem ser utiliza-das as quantidades mínimas de fertilizantes compatíveis com elevados rendimentos de alta qualidade e com as reservas do solo em elementos nutritivos minerais e orgânicos. Devem ser minimizados os riscos de contaminação das águas subterrâneas,

especial-mente resultantes da lixiviação dos nitratos (16, 18, 31, 32).

A manutenção e melhoria da fertilidade do solo é essencial para assegurar boas produções e também tem reflexos de ordem sanitária.

Para manter ou melhorar a fertilidade do solo, de acordo com as características do

local da cultura, deve-se (14):

• manter o solo a nível óptimo de matéria orgânica, não inferior a 1%, no caso da

vinha (30) ou pereira (15);

• manter elevada a biodiversidade da flora e da fauna;

• optimizar as características biofísicas do solo para evitar a compactação;

• manter o mais possível a cobertura vegetal do solo, obrigatoriamente no Inverno

para pomóideas, vinha (16, 30) e olivais, excepto em zonas áridas (32);

• realizar a menor perturbação possível de natureza física e química do solo.

A gestão dos nutrientes das plantas e das fertilizações deve respeitar as

ori-entações definidas nas regras de produção integrada da OILB/SROP (14):

• o programa de fertilização deve ser estabelecido para cada cultura, ao nível da

parcela e para toda a rotação;

(24)

• a utilização de adubos não provenientes da exploração deve compensar as exportações reais e as perdas técnicas e tender para o equilíbrio anual nas culturas perenes e na rotação para as culturas anuais;

• as necessidades em elementos fertilizantes, relativamente aos principais

macronutrientes, excepto o azoto, são definidas por análise do solo, todos os três a cinco anos, consoante as culturas; a análise foliar poderá ser utilizada como complemento;

• na avaliação das necessidades em elementos fertilizantes devem ser tomados

em consideração o transporte de elementos fertilizantes como o azoto através do ar poluído, as forragens para os animais e a mineralização da matéria orgânica do solo;

• os materiais orgânicos utilizados devem ter baixos teores em metais pesados e

outros produtos tóxicos e respeitar a regulamentação regional;

• devem ser definidas as medidas para reduzir as perdas de fertilizantes por

lixiviação (em especial de azoto), por erosão e por evaporação;

• para cada cultura e considerando o tipo de solo deve ser definida a máxima

quantidade de azoto e de outros macronutrientes e as épocas mais adequadas de aplicação, em particular para os que implicam maior risco de poluição das águas subterrâneas, como os nitratos;

• as necessidades em azoto devem ser resolvidas, na medida do possível, por

leguminosas (fixação biológica do azoto), evitando os riscos de lixiviação;

• procurar substituir as adubações fosfatadas pelo enriquecimento da actividade

dos organismos do solo (ex.: micorrizas).

• manter janelas de fertilização, isto é, pequenas parcelas sem fertilização;

As medidas de defesa contra a erosão devem ser definidas para cada cultura,

segundo o potencial de erosão da região ou da exploração (14).

As necessidades de rega em produção integrada devem ser definidas a nível regio-nal por cultura, adoptando medidas que minimizem as perdas de água e optimizem a qualidade dos produtos agrícolas.

No caso das culturas arvenses, a par de uma cultura de cobertura durante o Inver-no, devem ser definidas orientações a nível regional, quanto à quantidade e oportunidade da rega de modo a prevenir o uso excessivo de água, a lavagem de nutrientes, a erosão

do solo e a salinização (13).

Se o stresse hídrico pode afectar a produção, nomeadamente nas vinhas (31) e

pomares (16, 18), a humidade excessiva do solo causada pela rega, além de um

desper-dício, pode provocar a lixiviação de nutrientes, com consequências de carácter económico, ambiental e toxicológico, e pode afectar a qualidade dos frutos e favorecer doenças como o cancro, o cancro-do-colo e a podridão-radicular. A boa qualidade da água de rega deve ser assegurada através de análise da água (condutividade, teor em cloretos). Para adequada tomada de decisão dos agricultores quanto à rega, estes devem dispor de oportuna informação sobre as quedas pluviométricas, o défice de água do solo e a capacidade de retenção do solo para a água. Directivas regionais devem definir a máxima quantidade de água a utilizar em pomares e vinhas e as épocas mais

(25)

É desejável, na rega em pomóideas e vinha, o uso de técnicas de condução de rega que não tenham só por base os sintomas das plantas. É muito importante o recurso a equipamento de monitorização e, sempre que possível, a modelos de simulação desde

que previamente validados (30).

A rega das vinhas para produção de vinho não pode ser efectuada após o pintor e deve ser estritamente limitada por directrizes regionais para permitir a boa qualidade

do vinho (31).

Sempre que possível deve combinar-se a rega com a fertilização através da fertirrigação (14).

Outras orientações são pormenorizadas nas regras de produção integrada, da OILB/

SROP, relativa a pomóideas (16), prunóideas (18), vinha (31) e oliveira (32).

A par das orientações, referidas neste Capítulo, em relação a novas plantações de vinhas, pomares e olivais, quanto a local, sistemas de condução, solo, fertilidade do solo, fertilização, defesa contra a erosão e rega, total ou essencialmente relacionadas com a produção, serão analisadas em 6.3.3, as medidas indirectas, do âmbito da luta cultural e da luta mecânica, utilizadas em protecção integrada, por vezes com influência na produção além da área da protecção, nomeadamente em relação a sistemas de condução, à biodiversidade, a densidade da cultura e da folhagem, às podas e interven-ções em verde e ao enrelvamento.

2.3 – AS CARACTERÍSTICAS DO CONCEITO DE PRODUÇÃO

INTEGRADA ADOPTADO OFICIALMENTE EM PORTUGAL

2.3.1 – A legislação e a regulamentação

O conceito de produção integrada é definido, no art. 5.º do Decreto-Lei 180/95, de

26 de Julho (19), que “regula os métodos de protecção das culturas, em especial a

luta química aconselhada e a protecção e produção integradas da cultura”, como:

• “um sistema de exploração agrícola que integra os recursos naturais e os

mecanismos de regulação das actividades das explorações agrícolas,

tendo por objectivo reduzir ao mínimo a utilização dos produtos fitofarmacêuticos, respeitando o meio ambiente e assegurando uma produção de alta qualidade e simultaneamente contribuir para a melhoria dos rendimentos dos agricultores”;

• “num sistema de produção integrada, a protecção integrada deve articular-se

com a aplicação correcta de outras fitotecnias, em especial da fertilização, das regas e das podas”.

A Portaria 65/97, de 28 de Janeiro (38), “estabelece as normas técnicas que regulam

a aplicação prática dos métodos de protecção das culturas”.

Os artigos 2.º a 6.º do Regulamento dos Métodos de Protecção das Culturas abran-gem: a produção integrada das culturas, os planos de fertilização, os fertilizantes e as

(26)

a articulação da protecção integrada com a aplicação correcta de outras fitotecnias, em especial de fertilização, rega e podas;

a fertilização orientada para a nutrição adequada das culturas, corrigindo

carências e evitando excessos minerais com objectivo de produção de elevada qualidade e de preservação da qualidade do ambiente, considerando:

· a satisfação das necessidades nutritivas das culturas visando níveis de

pro-dução previsíveis em função do potencial genético da cultura, da qualidade do solo e da correcta execução das restantes operações culturais;

· a capacidade do solo para disponibilizar os nutrientes necessários à cultura;

· as características do solo e as condições meteorológicas condicionarão a

escolha dos fertilizantes e das épocas e técnicas de aplicação para a sua melhor eficácia e a redução de riscos de perdas em prejuízo do ambiente; • o plano de fertilização a estabelecer para a exploração agrícola, por parcela e

cultura em culturas perenes ou por rotação para culturas anuais, e em que serão definidos os tipos, as quantidades, as épocas e as técnicas de aplicação dos fertilizantes e a rever periodicamente em função de análises do solo e, se necessário e conveniente, de análise das plantas;

os fertilizantes oficialmente autorizados e isentos ou com teores muito baixos

de metais pesados ou de outras substâncias tóxicas para o ambiente; os fertilizantes com micronutrientes a utilizar só quando tecnicamente justificado; registo, no caderno de campo, das quantidades e datas de aplicação dos fertilizantes usados;

as técnicas culturais que estabelecem adequado equilíbrio entre o local da

cultura, a variedade e o sistema cultural visando a máxima produtividade; • o material certificado a usar na plantação com garantia de homogeneidade e

do estado sanitário;

a densidade de plantação adequada às características edafo-climáticas do

local;

a poda deve assegurar um desenvolvimento da cultura uniforme e equilibrado

com boa utilização do espaço, produções regulares, maximizando a utilização da radiação e simplificando as operações culturais.

2.3.2 – As diferenças entre o conceito oficial de produção integrada e o

da OILB/SROP

O conceito oficial de produção integrada, adoptado em Portugal, em 1995 (19) e

1997 (38), ignora que, além da utilização dos recursos naturais, referidos na definição

oficial, se pretendem utilizar os mecanismos de regulação natural em substituição de factores de produção prejudiciais ao ambiente, nada referindo também quanto a seis

princípios fundamentais do conceito da OILB/SROP, divulgado em 1993 (41) e 1999 (14)

(ver 2.2.2):

a produção integrada não é uma mera combinação da protecção integrada com

elementos adicionais como os adubos e as práticas agronómicas (1.º Princípio);

Imagem

Fig. 1 – A importância dos inimigos das culturas é condicionada pela cultura, pelo ambiente e pelo tempo  (19) .
Fig. 3 – Os componentes da protecção de plantas  (21)
Fig. 4 – A dinâmica de populações de inimigos potenciais (A), ocasionais (B) e permanentes (C, D)
Fig. 5 – Tratamentos, expressos em percentagem, efectuados em 194 vinhas para combater 14 inimigos, entre 1995 e 1999  (10)
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Referências

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