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4.2.3 – A natureza do conceito de protecção integrada

No documento A Protecção Integrada (páginas 47-49)

Nas 10 definições, divulgadas no período 1959-69, referidos em 4.2.1 (16), estão

presentes três ideias básicas do conceito:

intervir só quando necessário com recurso ao nível económico de ataque;

utilizar de forma compatível e integrada o conjunto dos meios de luta

disponíveis;

atenuar o mais possível os efeitos inconvenientes dos pesticidas para os

auxiliares e evidenciar preocupações de carácter ecológico.

Inicialmente Stern et al. (56) consideraram somente a utilização da luta biológica e

da luta química, mas já em 1966 Smith & Reynolds (54) consideraram o recurso a todas

as técnicas de modo compatível.

Desde 1970 até 1998 verificou-se, nas diferentes definições, frequente diversidade nos meios de luta citados, por vezes com designações genéricas (ex.: alternativa aos

pesticidas (31)) ou pormenorizando, em geral, com referência a três a cinco das oito

alternativas referidas: cultural, biológica, física, mecânica, genética, química, educaci- onal e legal.

Nalguns casos, a lista é longa:

• em 1972: luta cultural, microbiológica, variedades resistentes, luta autocida,

atractivos, aumento de predadores e parasitóides, luta química (25);

em 1996: armadilhas, variedades resistentes, sanitation, luta cultural, luta física,

luta mecânica, luta biológica, luta química (1).

Embora implícito e indispensável, só em 13% das definições e a partir de 1981 é

referido, concretamente, o importante componente da protecção integrada (13), a esti-

mativa do risco: monitoring em 1981 (33), 1984 (62), 1991 (34, 47), 1997 (50, 57, 59);

scouting em 1996 (1); e assessment of the pest damage potential, em 1995 (35).

Inicialmente o conceito de protecção integrada era limitado ao combate às pragas e

só numa definição, em 1981 (49), se faz referência expressa, além das pragas devidas

a insectos, também a doenças, infestantes e animal pest.

Princípios básicos da protecção integrada são referidos com frequência, por

exemplo:

• máxima importância da limitação natural, 1972 (25);

• pesticidas o menos perturbadores da luta biológica, 1959 (56);

• mínima perturbação ambiental, 1975 (36);

• redução ou eliminação de meios de luta não selectivos, 1981 (24);

• o mais cuidadoso uso dos pesticidas, 1994 (60);

• pesticidas menos tóxicos usados só em última alternativa, 1991 (47);

• optimização da protecção das plantas, 1979 (42);

• optimização da produção a custos mínimos, 1984 (23);

• optimização da produção com mínimos inconvenientes ou prejuízos para o

ambiente, 1986 (37).

natureza económica e ambiental ou outros. Estas preocupações foram ignoradas

nas 10 definições divulgadas entre 1959-69, escassamente (21%) referidas entre 1980- 89, mas presentes com frequência elevada nas definições dos períodos 1970-79 (67%) e 1990-98 (72%). No total, estas preocupações foram ignoradas na maioria (54%) das 67 definições. As preocupações referidas com mais frequência foram as de natureza ambiental (45%), económica (31%) e de saúde humana (22%). Mais raramente foram consideradas as de natureza social (9%), em relação a animais (4%) e a plantas (3%). Algumas definições de protecção integrada têm carácter excepcional por exces- sivamente sintéticas ou demasiado originais:

1983 – intelligent pest management (63);

1986 – ecological approach to insect control (39);

1981 – method of pest management which decreases (and perhaps even avoid) the

use of non selective methods of suppression (24);

1996 – a crop protection system which is based on rational and unbiased information

leading to the balance of non-chemical and chemical components moving pesticide use levels away from their present political optimum to a social

optimum defined in the context of welfare economics (61).

Entre as 67 definições de protecção integrada destacam-se, em seguida, a inicial,

de Stern et al. em 1959 (56) e a adoptada pela FAO em 1966 (29,30, 48).

“A protecção contra as pragas que combina e integra a luta biológica e a luta química. A luta química é usada quando necessário e de modo a perturbar o menos possível a luta biológica. A protecção integrada pode usar a limitação

natural e a luta biológica através da manipulação de agentes bióticos” (56).

“Sistema de protecção das plantas que, no contexto do ambiente associado e das dinâmicas das populações, utiliza todas as técnicas adequadas de modo tão compatível como possível e mantém as populações das pragas a níveis abaixo do

nível económico de ataque, para não causar prejuízos” (29, 48).

A evolução da complexidade do conceito de protecção integrada, em relação ao

conceito inicial de Stern et al. (56), é bem evidenciada por uma das mais recentes

definições, divulgada pela Universidade da Califórnia em 1997 (59):

Estratégia baseada no ecossistema que tem como objectivo a prevenção a longo prazo dos inimigos das culturas ou dos seus prejuízos através da combina- ção de técnicas como a luta biológica, a manipulação do habitat, a modificação de práticas culturais e o uso de variedades resistentes. Os pesticidas são usados só após a estimativa do risco indicar que são necessários de acordo com as regras adoptadas e os tratamentos são efectuados com o objectivo de remover só o organismo alvo. Os produtos são seleccionados e aplicados de modo a minimizar os riscos para a saúde humana, os auxiliares e outros organismos e o ambiente. A progressiva consagração dos conceitos de desenvolvimento sustentável e de agri- cultura sustentável, verificada ao longo da década de 90, levou a englobar,

frequentemente, o conceito de protecção integrada na produção integrada, que é uma alternativa de agricultura sustentável, a par de outras como a agricultura biológica (ver Cap. 2).

É de destacar, ainda, que no Decreto-Lei 94/98, de 15 de Abril, que transpõe para o direito interno a Directiva n.º 91/414/CEE do Conselho de 15 de Julho de 1991 e outras complementares relativas à colocação no mercado dos produtos fitofarmacêuticos, a protecção integrada é definida como:

“A aplicação racional de uma combinação de medidas biológicas, biotécnicas, químicas, físicas, culturais ou relativas à selecção dos vegetais, em que a utiliza- ção de produtos químicos fitofarmacêuticos é limitada ao estritamente necessário para manter a presença de organismos nocivos abaixo do nível a partir do qual

surgem prejuízos ou perdas economicamente inaceitáveis” (27).

A OEPP refere esta definição de lutte intégrée e esclarece que a sua boa prática fitossanitária diverge deste conceito “por não ter por objectivo a redução da utilização dos pesticidas químicos ao strict minimum, mas somente pretende evitar toda a utiliza-

ção supérflua” (41) (ver 12.2.1).

A Global Crop Protection Federation (GCFP), que representa a nível mundial a In- dústria de pesticidas, adopta a definição do Código de Conduta de Distribuição e Uso de

Pesticidas da FAO, praticamente idêntica à divulgada pela FAO em 1966 (48). Nestas

duas definições só se considera a utilização de vários meios de luta e o recurso ao nível económico de ataque.

É importante ter presente que, nas definições de protecção integrada da FAO, da União Europeia e da Indústria de pesticidas, são omissos aspectos da maior importân- cia como:

• a estimativa do risco;

• a redução o mais possível dos efeitos inconvenientes dos pesticidas para os

auxiliares (já presente na definição de Stern et al., em 1959) (56);

• a utilização dos pesticidas e de outros meios de luta procurando acautelar

consequências nefastas de natureza ambiental, económica, toxicológica (com reflexos na saúde humana) ou outra;

• o recurso aos pesticidas químicos em última alternativa.

4.2.4 – A contribuição da OILB/SROP para a evolução do conceito de

No documento A Protecção Integrada (páginas 47-49)