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5.2.2 – A determinação da intensidade de ataque

No documento A Protecção Integrada (páginas 59-78)

5.2.2.1 – A utilização das técnicas pelos agricultores e a relação entre o número de amostras, a precisão e o custo

A mais ampla generalização da protecção integrada e a maior garantia da sua continuidade só poderão ser atingidas se o próprio agricultor proceder à tomada de decisão, baseada nomeadamente na estimativa do risco por si realizada. Para que tal seja viável é indispensável dispor de técnicas de amostragem de simples execução,

de fácil interpretação e de custo acessível (38).

Em qualquer circunstância, as técnicas a utilizar têm de proporcionar adequada

fidelidade, isto é, rigorosa relação entre as estimativas efectuadas e a real dimensão

da população da praga, e precisão aceitável medida pelo erro das estimativas, nome- adamente expresso através do desvio padrão da média e calculado em função da variação relativa (VR):

VR = (desvio padrão da amostra/média da amostra)

×

100.

Considera-se aceitável a obtenção de VR próxima de 25 na prática da protecção

integrada, sendo o nível máximo de erro aceitável de 5% do valor da média (38).

Naturalmente que as técnicas a adoptar como rotina, por agricultores e técnicos, nas várias culturas, terão, previamente, de ser desenvolvidas pela investigação e de- pois asseguradas como viáveis pela prática.

Um bom exemplo de simplificação e alteração de uma técnica é evidenciado pela estimativa do risco de ácaros tetraniquídeos na macieira, pereira e vinha na determina- ção da percentagem de ocupação de folhas em substituição de anteriores métodos de

determinação do número de ácaros por folha (30).

O número de amostras influencia a precisão e o custo da estimativa final, verifican- do-se, com frequência, que o escasso número de amostras reduz a precisão da estimativa e o elevado número encarece o trabalho realizado. Daí o interesse em alcançar um

compromisso entre a precisão e o custo (38). Na escolha de dimensão adequada da

amostra deve ser também tomada em consideração a necessidade de impedir que a população em estudo seja gravemente afectada pela eliminação dos órgãos da planta

removidos pela amostragem (30).

5.2.2.2 – As técnicas de amostragem

A avaliação da dimensão de uma praga pode ser feita através da determinação do número de insectos adultos ou dos seus estados de desenvolvimento, (ovos, larvas, ninfas ou pupas) ou indirectamente recorrendo a índices populacionais como exúvias larvares ou pupais, excrementos ou, mais frequentemente, a estragos causados na

As técnicas de amostragem adoptadas na estimativa do risco podem ser directas ou

indirectas (30). Nas técnicas de amostragem directas procede-se à observação de

um certo número de órgãos vegetais, por exemplo através do método de observação visual. Nas técnicas de amostragem indirectas efectua-se a captura de pragas e de auxiliares entomófagos através de dispositivos apropriados e procede-se, posterior- mente, à sua identificação e quantificação. Numerosas técnicas desta natureza são utilizadas, como as armadilhas de intercepção (ex.: a técnica das pancadas, o saco de bater, a armadilha aspiradora, a armadilha com isco), as armadilhas de atracção, como a cinta-armadilha, e as armadilhas luminosas, alimentares, cromotrópicas ou sexuais (Quadro 5).

A natureza da praga ou do auxiliar e do seu estado de desenvolvimento condicionam a técnica de amostragem como, já em 1976, era evidenciado por Mathys & Baggiolini

(17, 59) (Quadro 6).

As técnicas de amostragem para determinação da intensidade de ataque mais utili- zadas em protecção integrada são a observação visual, para a maioria das pragas, as armadilhas de atracção, em particular as sexuais e as cromotrópicas e, por vezes, as cintas-armadilha (ex.: bichado) e as armadilhas de intercepção (ex.: cochonilha-de- -São José), como se exemplifica para a pereira e a vinha em Portugal no Quadro 7.

Método Cultura Praga

Observação visual macieira, pereira, pessegueiro, ameixeira pragas mais importantes e auxiliares vinha traça, ácaros tetraniquídeos e eriofídeos,

cigarrinha-verde

cevada, trigo afídeos

milho pirale

couve afídeos-da-couve

Saco de bater luzerna-grão percevejos

Pancadas macieira, pereira pragas e auxiliares Cinta-armadilha macieira, pereira bichado

Armadilha aspiradora culturas arvenses e arbóreas afídeos Armadilha luminosa culturas arvenses e hortícolas nóctuas Armadilha cromotrópica trigo, beterraba afídeos

Armadilha cromotrópica vinha cigarrinha-verde

adesiva oliveira mosca-da-azeitona

cerejeira mosca-da-cereja

cenoura mosca-da-cenoura

Armadilha sexual macieira, pereira bichado, zêuzera

pessegueiro traça-oriental ameixeira bichado-da-ameixeira oliveira traça-da-oliveira vinha traça-da-uva milho pirale couve nóctuas

Quadro 5 – Técnicas de amostragem de populações de pragas das culturas (adaptado

De um modo geral mantém-se actual o texto de Baggiolini & Milaire (30), divulgado

na Introdução à Protecção Integrada (17), pelo que se reproduz, em seguida, na íntegra,

o texto relativo à observação visual e à técnica das pancadas. Relativamente às arma- dilhas procede-se a adequada actualização.

Em Portugal é muito frequente, nomeadamente em pereira (13) e vinha (15), o recurso

à técnica da observação visual, sendo a técnica das pancadas utilizada para a cochonilha- -de-São José; para a psila é algo frequente a utilização de armadilhas sexuais e, por vezes, de armadilhas cromotrópicas (Quadro 7).

Quadro 6 – Escolha da técnica de amostragem dos diferentes grupos de pragas e auxi-

liares em arboricultura (adaptado de Mathys & Baggiolini, 1976) (30, 59)

o – ovos; i – imago; l – larvas, lagartas; p – prejuízos; I – Inverno; A – Abril; M – Maio; J – Junho; V – Verão; (1) – cinta- -armadilha; (2) – garrafa-mosqueira ou armadilha-seca; (3) – escovagem; (4) – banho; (5) – placa adesiva; (6) – criação

A observação visual

A observação visual ocupa uma posição privilegiada entre as técnicas de amostragem utilizadas em protecção integrada (Quadros 5 e 7).

É a técnica mais natural e mais fácil de pôr em prática, pois utiliza os conhecimentos e a experiência do agricultor na sua própria cultura e permite a adaptação permanente às reais necessidades do momento.

De facto, a observação visual consiste na determinação periódica das pragas e das

doenças, ou dos seus estragos ou prejuízos, bem como dos auxiliares activos na cultu- ra, através da observação de um certo número de órgãos representativos das plantas

na parcela considerada (26). Esta observação efectua-se em geral directamente na cul-

tura, mas em certos casos pode realizar-se a colheita de um dado número de amostras a examinar no laboratório (ex.: observação de Inverno do aranhiço-vermelho em amos- tras de ramos de macieira). As técnicas de amostragem são variáveis com as culturas e a natureza das pragas (Quadros 5 a 7), devendo ser respeitadas as regras estabelecidas pelos experimentadores que desenvolveram esses métodos.

As pessoas que utilizam tais técnicas (Fig. 10) devem dispor de formação adequada. Será essencial, em especial, que desfrutem de conhecimentos sobre:

a cultura em causa;

as pragas e doenças em questão e o tipo de estragos e prejuízos que provocam;

o ciclo biológico dos organismos nocivos, a fim de escolher as épocas de

afídeos x x áltica x

antónomos x cigarrinha-verde x x

bichado x x x cochonilha-algodão x

broca-dos-ramos x x nóctua x

cecidómia x x pirale x

cochonilha-São José x x x x x traça x x

hiponomeuta x

hoplocampa x x ácaros eriofídeos x

lagartas-mineiras x x ácaros tetraniquídeos x

mosca-do-Mediterrâneo x x psila x x (1) x ácaros eriofídeos x ácaros tetraniquídeos x Total n.º 13 2 5 1 5 1 Total n.º 8 1 1 % 100 15 39 8 39 8 % 100 13 13

Praga Pereira Praga Vinha

observ

ação

visual

armadilha sexual pancadas armadilha

cromotrópica armadilha intercepção armadilha

sexual cinta-armadilha observ ação visual armadilha cromotrópica

Quadro 7 – Técnicas de estimativa do risco utilizadas para pragas da pereira (13) e da

vinha (15).

observação e os órgãos a examinar mais adequados;

os principais auxiliares potencialmente presentes;

os factores de nocividade preponderantes.

Na verdade, antes de iniciar as observações é indispensável conhecer bem o que se vai examinar. Assim, as técnicas de amostragem devem ser adaptadas à cultura, à época e ao organismo a observar.

A Organização Internacional de Luta Biológica divulgou na Europa em 1974 (67) uma

publicação sobre observação visual em macieira. Como exemplo referem-se, a seguir, alguns pormenores sobre esta técnica em pomares de macieira.

Consoante as épocas de observação e as pragas em questão, as principais modali- dades de observação visual abrangem:

a) órgãos a examinar – amostras de madeira de poda de 2-3 anos (para obser-

vação de ovos de Inverno do aranhiço-vermelho), de folhas, botões, inflorescências, infrutescências ou de frutos;

b) número de amostras – de 100 a 500 órgãos por observação [100 frutos para

as novas penetrações do bichado-da-macieira escolhidos ao acaso em 10 a 50 árvores por parcela (2-20 órgãos por árvore)];

c) épocas de observação e pragas principais – a periodicidade das observa-

ções é condicionada pela intensidade da ameaça relativamente às principais épocas:

• observação de Inverno: aranhiço-vermelho e cochonilhas;

• observação pré-floral: afídeos, lagartas;

• observação pós-floral: afídeos, ácaros;

• observação de Verão: bichado-da-macieira, ácaros, afídeo-verde;

• observação de fim de estação: bichado-da-macieira, ácaros, afídeo-verde;

d) modalidades de observação visual – o tipo e o número de órgãos a observar

variam com o estado da praga, a época de observação e a importância da ame- aça;

e) registo e interpretação dos resultados – os resultados da observação visual

são registados em fichas; as contagens permitem determinar a intensidade de ataque expressa em percentagem das amostras observadas.

A técnica das pancadas

Esta técnica de amostragem foi desenvolvida por Steiner em 1962 (86), em Estugarda,

a partir do antigo “guarda-chuva do entomologista” (Fig. 11). Esta técnica pode ser utilizada como:

a) excelente técnica de amostragem complementar, reservada a algumas pra- gas particularmente difíceis de observar de outro modo, como os antónomos-da-macieira e a psila-da-pereira;

b) meio de avaliação da fauna auxiliar, nomeadamente coleópteros, himenópteros e neurópteros, muito mais difíceis de apreciar pela observação visual (Quadro 6);

A técnica das pancadas tem particular interesse para as culturas arbóreas e a OILB

divulgou, em 1976, uma publicação sobre pomares de macieira (68). Posteriormente em

1979 (1) foi publicada informação adicional sobre esta técnica.

Na vinha utiliza-se um método similar, desenvolvido por Rambier (75) em Montpellier.

Noutras culturas, em especial nas culturas arvenses, utilizam-se vários tipos de sacos de bater (Quadro 5) (Fig. 14).

Todas estas técnicas baseiam-se no mesmo princípio de capturar de surpresa, no seu meio natural, os artrópodos que se deseja estudar.

As pancadas, utilizadas em arboricultura, nomeadamente em macieira, constituem a principal técnica de amostragem adoptada na Alemanha, em especial para obter esti- mativas do risco associadas a lagartas, afídeos, coleópteros, cicadelídeos e mesmo a ácaros. Na França e na Suíça utiliza-se sobretudo como meio de avaliação de algumas pragas (ex.: antónomos, rinquitos e nóctuas-verdes) e de certos auxiliares (ex.: antocorídeos e outros percevejos predadores); também é utilizada quando se pretende estudar o conjunto da fauna dos pomares.

Na técnica das pancadas procede-se às capturas com um dispositivo em forma de funil, de tecido muito liso e resistente, montado numa armação, com uma abertura

superior (40

×

50 cm) e munido na sua base de um frasco de vidro ou de um saco de

plástico (Fig. 11 e 12). Com a ajuda de um pau, com uma das extremidades envolvida por um tubo de borracha ou de plástico (Fig. 11), dão-se três pancadas rápidas e seguidas por ramo. Esta operação é feita em diferentes árvores. Deste modo, obtém-se uma amostra de artrópodos proveniente de 100 ramos representativos da parcela. Cada amostra pode ser repartida por duas ou três capturas, batendo separadamente 2x33 e 34 ramos ou 2x50 ramos.

As capturas são anestesiadas, com éter acético, no frasco de vidro (Fig. 12) ou no saco de plástico antes da crivagem. Esta é efectuada num conjunto de crivos, proce- dendo-se depois à separação e contagem dos artrópodos presentes. Para facilitar esta operação pode utilizar-se uma placa de separação com divisórias e reticulado (Fig. 13), sobre a qual se agrupam os artrópodos por famílias ou por espécies. Esta operação é efectuada de preferência no laboratório, utilizando, se necessário, uma lupa com ampli- ação adequada.

A estimativa dos artrópodos muito pequenos e numerosos pode ser facilitada pela sua distribuição de forma homogénea sobre a quadrícula de papel milimétrico da placa de separação. Em seguida procede-se à contagem, à lupa, de algumas amostras cons- tituídas pelos artrópodos presentes nalguns quadrados e depois calcula-se, por extrapolação, o conjunto da população.

O registo dos resultados de cada captura é efectuado em fichas onde se diferenciam três categorias de artrópodos: pragas, auxiliares e indiferentes.

Os níveis económicos de ataque propostos pela OILB (1974) (67) referem-se a uma

amostra obtida pelas pancadas de 100 ramos.

A utilização deste método, de tanto interesse em arboricultura, exige o bom conhe- cimento da fauna da cultura em questão e a experimentação tendente à progressiva melhoria dos valores dos níveis económicos de ataque.

Na vinha também se utiliza a técnica das pancadas, mas a colheita dos artrópodos é efectuada num pequeno funil transportado pelo operador sendo os artrópodos recolhidos

num tubo de vidro. Um dispositivo semelhante (funil com 17 a 30 cm de diâmetro) pode ser utilizado em arboricultura, sem perda de rigor, mas o número das pancadas deve

aumentar 2,5 vezes (41). Esta técnica foi utilizada em Portugal em estudos de fauna,

nomeadamente em relação a aranhas.

As armadilhas

A utilização de armadilhas tem importância crescente, em especial após a introdu- ção das armadilhas sexuais. Estes dispositivos de amostragem são indispensáveis nos serviços de avisos regionais e amplamente adaptados ao nível da parcela.

As armadilhas são utilizadas essencialmente para fornecer informações sobre:

• a época de aparecimento e de provável actividade de certas pragas ou auxiliares

(Quadro 6);

• a intensidade de ataque, servindo de base à utilização dos níveis económicos de

ataque.

As técnicas de amostragem utilizando armadilhas podem agrupar-se em duas cate- gorias: armadilhas por intercepção e armadilhas por atracção. Na prática, numerosos dispositivos associam estes dois princípios de actuação.

As armadilhas de intercepção são pouco selectivas, sendo os artrópodos captu- rados por aspiração causada por uma corrente de ar, pela utilização de redes (Fig. 14) ou, ainda, através de substâncias pegajosas. Como exemplo podem citar-se a armadi-

lha de Barber, as armadilhas aspiradoras e as armadilhas com visco (30).

Estas armadilhas, dada a sua pouca selectividade, podem fornecer indicações de natureza qualitativa úteis para estudar a composição mais ou menos completa de uma entomocenose. Também se utilizam para estudos de migração e como meio de avalia- ção da eficácia de largadas de entomófagos auxiliares, em especial de micro-himenópteros.

As armadilhas de atracção são baseadas na resposta dos insectos a estímulos de diferente natureza (tropismos) como o alimento, a luz, a cor, o sexo e a procura de um local para pupar.

As cintas-armadilha (Fig. 16), constituídas por papel canelado colocado à volta do tronco das macieiras, permitem capturar as lagartas do bichado-da-macieira que aí vão pupar. Este método possibilita a obtenção de estimativas do risco potencial que a popu- lação larvar da praga faz correr à parcela. Níveis económicos de ataque podem ser utilizados para o bichado e referem-se às capturas efectuadas no conjunto de 40 cintas- -armadilha.

Nas armadilhas alimentares o isco utilizado pode ser diferente dos alimentos normais do insecto, mas a sua actuação fundamenta-se na atracção de natureza ali- mentar. São exemplos os vasos ou copos contendo uma mistura atractiva e as garrafas mosqueiras (Fig. 15) utilizadas para capturar a mosca-da-azeitona e a mosca-do-Medi- terrâneo com atractivo (sulfato de amónio ou fosfato de amónio). As armadilhas alimentares largamente utilizadas no passado, na observação do voo do bichado-da- -macieira e das traças-da-uva, eudémis e cochilis, são agora frequentemente substitu- ídas com vantagem pelas armadilhas sexuais.

Fig. 10 – Observação visual efectuada com lupa frontal por Mário Baggiolini

Fig. 11 – Técnica das pancadas. Dispositivo utilizado em árvores

Fig. 12 – Técnica das pancadas. Frasco de vidro contendo artrópodos capturados

Fig. 13 – Placa de separação dos artró- podos capturados pela técnica das pancadas

Fig. 14 – Saco de bater utilizado na captura de insectos

Fig. 15 – Garrafa-mosqueira

Fig. 16 – Pomar de macieiras com en- trelinhas com enrelvamento e cintas-armadilha para cap- tura de bichado, Cydia

Fig. 18 – Armadilha cromotrópica branca para captura de adultos de hoplocampa, Hoplocampa brevis

Fig. 17 – Armadilha luminosa

Fig. 21 – Armadilha sexual e cromotrópica para captura de lagarta-do- -tomateiro, Helicoverpa armigera

Fig. 20 – Armadilhas cromotrópicas, azul para captura de tripes e amarelas para captura de insectos diversos

Fig. 23 – Armadilha sexual Delta para captura de bichado, Cydia

pomonella

Fig. 22 – Armadilha sexual para captura de broca-dos-ramos, Zeuzera

Fig. 25 – Difusor de feromonas utilizado no método da confusão sexual no combate a bichado, Cydia pomonella

Fig. 26 –Estação meteorológica em estufa na Herdade da Fataca, EAN

Fig. 27 – Estação meteorológica equipada com capta-esporos volumétrico, udómetro, sensor de período de humectação e sensor de temperatura do ar, na Sobrena, Cadaval

Fig. 28 – Biofábrica na ilha da Madeira para produção de machos estéreis de mosca-do-Mediterâneo, Ceratitis capitata

Fig. 29 – Avião utilizado para distribuição aérea, na ilha da Madeira, de sacos com machos estéreis de mosca-do-Mediterâneo, Ceratitis

Para atrair a mosca-do-Mediterrâneo utilizam-se, nas armadilhas Tephri (Fig. 24), três atractivos alimentares, putrescina, trimetilamina e acetato de amónio, associados a um insecticida, a vapona. São considerados mais eficazes que os atractivos proteicos líquidos usados nas garrafas mosqueiras e as armadilhas sexuais, com trimedlure, que atrai exclusivamente os machos de Ceratitis capitata, pois capturam maior número de indivíduos, sendo 60% fêmeas, com a vantagem adicional de serem, por vezes, muito

mais eficazes na detecção das populações da praga (33).

A atracção de natureza visual é utilizada nas armadilhas luminosas, através de

luzes mais ou menos intensas e usando sobretudo raios ultravioleta (65, 70). Como exemplo

refere-se a armadilha Williams, a armadilha Steiner e outras (Fig. 17) utilizadas na captura de adultos de nóctuas, o que pode permitir a previsão, a nível regional, de infestações de lagartas destes insectos.

O mesmo tipo de atracção é utilizado nas armadilhas cromotrópicas, que podem ter adaptações diversas: com ou sem água, com ou sem adesivo. As armadilhas bran- cas são utilizadas para captura de adultos de hoplocampa (Fig. 18). As armadilhas amarelas são largamente utilizadas na observação do voo de moscas da família Trypetidae, nomeadamente da mosca-da-cereja e da mosca-do-Mediterrâneo (Fig. 20).

Estas armadilhas são também atractivas para a cigarrinha-verde na vinha (43), para

certos dípteros, pragas de culturas hortícolas, como a mosca-da-cenoura e os gorgulhos- das-crucíferas, e para pragas de culturas de estufa como tripes e adultos de

mosquinha-branca das estufas e larvas-mineiras (62). Recipientes da mesma cor (arma-

dilha de Moericke) são utilizados em Portugal para capturar afídeos (Fig. 19). As placas

azuis são utilizadas na estimativa do risco de tripes (62) (Fig. 20).

A atracção sexual tem grande interesse pela sua elevada selectividade. Essencial- mente baseada na acção atractiva da fêmea (feromonas), as armadilhas sexuais utilizavam de início as próprias fêmeas virgens, mas nos últimos 25 anos têm tido grande desenvolvimento em virtude de se dispor de crescente número de feromonas sexuais de síntese. O seu número, que em 1998 já atingia um milhar, aumenta progres- sivamente, admitindo-se que o domínio destes mediadores químicos continuará a ter

maior importância (92). Comercializados sob a forma de pequenas cápsulas de borracha

ou de matéria plástica, suporte da feromona específica, estes atractivos são colocados em armadilhas, dispondo de uma parte pegajosa que captura os machos atraídos, ou com outras características (Fig. 21, 22, 23).

Para o bichado-da-macieira e as traças-da-uva utiliza-se, de preferência, uma única armadilha por cada unidade cultural, até 3 a 4 ha de superfície, determinando-se as capturas três vezes por semana e mudando as cápsulas todas as 5-6 semanas.

Além do interesse do seu emprego, cada vez mais generalizado pelos Serviços de Avisos, as armadilhas sexuais constituem valioso meio de estimativa do risco de certas pragas ao nível da parcela, permitindo ao agricultor a determinação do número e do ritmo dos tratamentos insecticidas de numerosas pragas. Também se põe em prática a “previsão negativa”, isto é, a decisão de não efectuar tratamentos insecticidas quando o número de capturas for inferior ao nível económico de ataque; antes do conhecimento deste nível tal decisão só deverá ser tomada na ausência de capturas.

• o nível de emissão e a estabilidade da feromona;

• o intervalo de concentração da feromona na cápsula, aliás com exigências

No documento A Protecção Integrada (páginas 59-78)