1 Especialista em Educação Matemática pelo Instituto São Francisco - PB. Especialista em Gestão Escolar pela Universidade Federal do Ceará – UFC. Especialista em Gestão Pública Municipal pela Universidade Estadual do Ceará – UECE. Especialista em Gestão Educacional pelo Centro Universitário Vale do Salgado – UNIVS. E-mail: [email protected]
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POLÍTICA PÚBLICA E EDUCACIONAL: UM ESTUDO DO PROGRAMA MAIS EDUCAÇÃO DA ESCOLA MUNICIPAL MARIA IRISMAR MACIEL MOREIRA
DE ICÓ CEARÁ
PUBLIC AND EDUCATIONAL POLICY: A STUDY OF THE PROGRAM MORE EDUCATION OF THE MUNICIPAL SCHOOL MARIA IRISMAR
MACIEL MOREIRA DE ICÓ CEARÁ
Maria Hélida Ferreira Rodrigues 1
RESUMO: O presente artigo averigua as atuações do Programa Mais Educação da Escola Municipal Maria Irismar Maciel Moreira do Município de Icó Ceará. O Programa tem por finalidade estimular a educação em tempo integral para o avanço da qualidade do ensino das crianças, adolescentes e jovens, partindo do princípio da oferta de tarefas variadas no contra turno escolar, preparadas tanto no interior da escola, quanto em áreas educativas externas. Dessa forma, o estudo faz uma exploração entre os objetivos e finalidades do Programa no sustento à expansão do tempo e do espaço educativo e o aumento do ambiente escolar da escola supracitada; o estímulo à afinidade entre a escola, família e comunidade, através de atividades que direcionem a responsabilização e a interação com o processo educacional; e o melhoramento de situações para o ganho e o desenvolvimento escolar por meio de inserção de práticas pedagógicas. A aplicação de uma Política Pública Educacional nesta escola se explica em motivo da escola apresentar baixos índices de aprendizagem registrados pelo IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Contudo, deduz-se que as consequências deste programa em escolas como a pesquisa tem uma natureza relevante, pois por meio de informes conseguidos em entrevistas com os atores integrantes do Programa Mais Educação da Escola Municipal Maria Irismar Maciel Moreira consegue reconhecer aspectos semelhantes como a vulnerabilidade estrutural da escola para receber o Programa e a relação conflituosa dos atores participantes do Programa Mais Educação.
Palavras-chave: Programa Mais Educação. Política Pública Educacional. Importância da Educação.
Envio:17/01/2021 Aceite:04/02/2021
ABSTRACT: The present work examines the actions of the More Education Program of the Municipal School Maria Irismar Maciel Moreira of the Municipality of Icó Ceará. The purpose of the Program is to stimulate full-time education for the advancement of the quality of teaching of children, adolescents and young people, based on the principle of offering varied tasks in school shifts, prepared both inside the school and in external educational areas . Thus, the study explores the objectives and purposes of the Program in support of the expansion of time and educational space and the increase of the school environment of the above mentioned school; the stimulation of school, family and community affinity through activities that lead to accountability and interaction with the educational process; and the improvement of situations for school gain and development through the insertion of pedagogical practices. The application of an Educational Public Policy in this school is explained by the school's reason for presenting low levels of learning registered by IDEB (Basic Education Development Index).
However, it can be deduced that the consequences of this program in schools such as the research are of a relevant nature, since through reports obtained in interviews with the members of the More Education Program of the Municipal School Maria Irismar Maciel Moreira can recognize similar aspects as the vulnerability structure of the school to receive the Program and the conflictive relationship of the actors participating in the More Education Program.
Keywords: More Education Program. Public Educational Policy. Importance of Education.
2 1. INTRODUÇÃO
O Programa Mais Educação aconteceu com o propósito de impulsionar a educação em período integral de crianças, adolescentes e jovens, dispondo de suporte a oferta de tarefas variadas no contra turno escolar, desenvolvida no interior como em áreas externa da escola.
As intervenções e articulações do programa vêm de modo a contribuir para o melhoramento da qualidade dos indicadores escolares. Deste modo, a pesquisa tem o intuito de verificar os problemas identificados na escola por meio de entrevistas com participantes do Programa Mais Educação.
A exploração foi realizada na Escola Municipal Maria Irismar Maciel Moreira do Município de Icó Ceará, cujo os entrevistados não terão suas identificações mencionados para assegurar o respeito à intimidade dos educandos, discentes, funcionários e pais, propondo a maior relevância à análise da situação e dos fatores circundados no segmento de educação do Município do Icó.
Este trabalho está organizado em três tópicos. No primeiro capítulo expõe-se a fundamentação teórica. A primórdio é realizada uma breve contextualização histórica da educação no Brasil, apresentando quais foram às bases para o desenvolvimento da educação no País. Em seguida, um breve cenário da evolução da educação nas últimas décadas e com isso o nascimento da inquietação com a importância do ensino e da educação ofertadas pelas escolas públicas, tornando os princípios legais ferramenta dessa qualidade e os sistemas de avaliação usados para análise dos atos de políticas educacionais, nesse sentido também é abordado a elaboração do Plano Nacional de Educação no qual surge o Programa Mais Educação.
No segundo capítulo é feita uma descrição do campo de pesquisa
abordando município do Icó Ceará e a Escola Municipal Maria Irismar Maciel
Moreira, expondo por meio de entrevistas com sujeitos membros do programa a
existência escolar dos alunos beneficiários do Programa Mais Educação.
3 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
1.1 BREVE HISTÓRICO SOBRE A EDUCAÇÃO
Com o intuito de compreender de forma concreta e perceptível o vigente período da educação no Brasil é necessário um estudo histórico estrutural da educação no País.
Até os dias atuais nossas escolas carregam em suas formas de ensino atributos de natureza
“elitista” dessa forma a educação não está focada para grande desigualdade que temos no país, ela é obtida das escolas do passado, nas quais predominavam o caráter ilustrativo de educar, em que a educação apropria-se apenas um caráter emblemático e não inovador e a informação transmitida é distraída ao meio real de seus alunos.
Esse padrão de organização educacional é expresso muito bem por Ramanelli (2012), que define o papel da escola no passado e que até hoje vem se imitando:
A escola é utilizada muito mais para fazer comunicados do para fazer comunicação e este papel é desempenhado tanto mais eficazmente quanto mais o que se pretende com a ação escolar é formar o espirito ilustrado, não espirito criador. Cedo ela se transforma em uma instituição ritualista, onde p cumprimento de certas formalidades legis tem valor em si mesmo.
(ROMANELLI, 2012 p. 23-24)
Por tanto tempo a educação escolar foi utilizada como um mecanismo para preservar os status sociais. Isso porque era dirigida apenas a uma camada mínima da sociedade, enquanto que a grande maioria das categorias populares era recusada do acesso à escola, por meio das formas de seleção escolar e de conhecimentos que não tinham feitio emancipatório para as camadas populares.
Romanelli (2012) mostra que sistema educacional do passado apoiava os privilégios das classes dominantes.
A necessidade de manter os desníveis sociais teve, desde então, na educação escolar, um instrumento de reforço das desigualdades. Nesse sentido, a função da escola foi a de ajudar a manter privilégios de classes, apresentando-se ela mesma como uma forma de privilegio, quando se utilizou de mecanismos de seleção escolar e de um conteúdo cultural que não foi capaz de propiciar às diversas camadas sociais sequer uma preparação eficaz para o trabalho. (ROMANELLI. 2012 p.
24).
4 Com o desenvolvimento urbano e a industrialização do país ao longo de décadas a busca social e econômica por educação tornou-se um caso expressivo para que fossem feitas pesquisas no ensino. Ressalta-se o dever de um povo alfabetizado, preparado para operar e servir como mão de obra no campo econômico, o que intimidou transformação na escola. Verificou-se paulatinamente a necessidade de uma maior quantidade de escolas e um ensino que correspondessem às novas carências desse aumento econômico.
A grande indústria passa a impor a formação de um novo tipo de homem. A ela não interessa aquele intelectual contemplativo das elites ou mesmo artífice já manipulado pela manufatura. A sua atenção volta-se agora para um novo tipo de intelectual, ligado direta ou indiretamente ao processo produtivo de base cientifica. (Neves. 1994, p-18).
O Brasil progrediu lentamente na oferta e formação escolar da população em geral. Somente na década de 80 acelerou-se o processo educacional de forma mais aguda.
Em seu estudo Naercio Mendes Filho (2007) revela que:
✓ Na geração nascida em 1910, mais de 90% atingiu no máximo o primeiro ciclo do ensino fundamental (antigo primário), enquanto cerca de 5% chegaram ao segundo ciclo (sem necessariamente completa-lo), 3% atingiram o ensino médio e apenas 2%
chegaram a faculdade.
✓ Os nascidos em 1940 tiveram uma leve aceleração a evolução educacional e que as quantidades de pessoas no ensino médio aumentam paulatinamente desde então.
✓ Há uma aceleração brusca de pessoas que atingiram entre a geração nascida em 1970 e aquela nascida em 1982, que passa de 25% na primeira e cerca de 50% na última.
Isto significa que cerca da metade das pessoas das gerações mais recentes está alcançando o ensino médio no Brasil. (Mendes Filho. P. 5).
A razão dos anos de estudo dos cidadãos brasileiros é estipulada pelo método de generalização do ingresso ao ensino público, beneficiado pela Constituição de 1988 e também pelas reformas administrativas ocorridas na década de 1990.
Campos (2000) destaca um paradoxo que concomitante a expansão da oferta de
vagas nas redes públicas e, assim, a solução do acesso, um novo problema passou a ser
colocado, a saber, a qualidade do ensino da rede. Os problemas da educação passaram
cada vez mais a serem apresentados como problemas de qualidade – conteúdos
curriculares, métodos de ensino e produção de conhecimento em novas áreas do saber.
5 Os autores exibem pensamentos divergentes sobre os efeitos do crescimento do acesso, contradizem os quesitos de quantidade e de qualidade, poucos, apresentam que a expansão do acesso a matrículas ampliaria a perda de qualidade do ensino. Outros mostram que com a democratização do acesso à educação, a nova população, provinda das classes mais populares, colaboraria em qualidade à escola, porque os processos educacionais precisariam se adaptar a um novo tipo de clientela, o que traria novos fundamentos a uma escola aberta a todos.
No término da década de 80 e início de 90, a apreensão com a qualidade no âmbito educacional obtém um novo contorno. Pleiteia-se uma sistematização de um sistema educacional unitário que consiga propicie desde o pré-escolar até os níveis mais elevados da estrutura escolar, homens capazes de transmitir e produzir o conhecimento científico e tecnológico necessário à nova relação social do trabalho. (Neves, 1994).
Em 2007, por exemplo, em texto que discute os fundamentos do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB
1, que é um indicador criado pelo governo federal em 2005 para medir a qualidade de ensino nas escolas públicas, Reynaldo Fernandes, presidente do INEP de 2005 a 2010, afirmava:
No Brasil, a questão do acesso está praticamente resolvida, uma vez que quase a totalidade das crianças ingressa no sistema educacional. Nosso problema ainda reside nas altas taxas de repetência na elevada proporção de adolescentes que abandonam a escola sem concluir a educação básica e na baixa proficiência obtida por nossos estudantes em exames padronizados”. [FERNANDES (2007)]
Nesse sentido conclui-se que o país avançou na oferta de vagas na rede pública e aos anos de escolaridade da população aumentaram. Porém a questão da qualidade se
1.2 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO
1O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado pelo Inep em 2007 e representa a iniciativa pioneira de reunir num só indicador dois conceitos igualmente importantes para a qualidade da educação: fluxo escolar e médias de desempenho nas avaliações. Ele agrega ao enfoque pedagógico dos resultados das avaliações em larga escala do Inep a possibilidade de resultados sintéticos, facilmente assimiláveis, e que permitem traçar metas de qualidade educacional para os sistemas. O indicador é calculado a partir dos dados sobre aprovação escolar, obtidos no Censo Escolar, e médias de desempenho nas avaliações do Inep, o Saeb – para as unidades da federação e para o país, e a Prova Brasil – para os municípios.
6 Expondo os problemas referentes à qualidade de educação, a magnitude do tema e a utilidade de se estabelecer o conceito, foi preparado em novembro de 1990, em Brasília o Encontro sobre a Qualidade da Educação, oferecido pelo MEC – Ministério da Educação com apoio da OREALC – Oficina Regional de Educação para Amarica Latina e Caribe, da UNESCO, na reunião os integrantes buscaram responder a quatro questões:
O que é qualidade de educação?; como medir a qualidade de educação?; como operacionalizar o conceito de qualidade da educação? E como relacionar-se conscientemente, a qualidade da educação nos planos e programas governamentais.
Segundo Campos (2000) os textos apresentados nesse encontro são ilustrativos das preocupações que ganhariam cada vez maior destaque na formulação de políticas educacionais brasileiras no decorrer da década.
Junto aos demais participantes desse encontro, Pedro Demo, tratou dos pontos técnicos dos programas de qualidade e de sua finalidade. O mesmo procura diferir duas propriedades básicas do que seria qualidade de educação no contexto da realidade social, estando esses campos definidos como a qualidade formal e a qualidade política da educação.
Demo (idem) aborda a qualidade formal como à habilidade de produzir e aplicar instrumentos, tecnologias, métodos e ciências, onde seu artigo cita que:
Educação tem a ver com qualidade formal, à medida que se liga e expressa a questão do domínio tecnológico e, por consequência, ao desempenho nesta área instrumental. A modernidade insiste hoje com força já exclusivamente sobre esta face, o que leva a reconhecer a necessidade de progresso naquelas disciplinas que mais instrumentalizam o desenvolvimento na sociedade: matemática, ciências naturais, língua, informática etc. esta questão aparece na preocupação importante sobre “o que o aluno aprende na escola ou universidade”, sobre “capacidade técnica profissional dos egressos”, sobre “produção de novas tecnologias”,
“capacidade de atualização constante de recursos humanos” e assim por diante. (DEMO, 1990).
Consequentemente, ele sugere um quadro de menção que não recusa as questões
de fundo relativas às finalidades da educação, mas abre espaço para a inserção de medidas
quantitativas da avaliação da qualidade de ensino e de fixação de padrões mínimos de
qualidade para os sistemas educacionais.
7 Assim sendo, com sustentação nos princípios de qualidade apontada por Demo (1990), fica evidente que o que se deseja atingir com a educação é formar sujeitos a se emancipar, ou seja, pessoas aptas de gerar seu próprio conhecimento, de atualizarem-se constantemente, de equivalerem aos desafios da modernidade e de questionar a realidade com autonomia e criatividade.
1.3 DIMENSÃO LEGAL
No tocante a educação como direito social encontra-se uma legislação vigente que aponta uma específica atenção à qualidade dessa educação, a saber.
A Constituição da República e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96), que define e regulariza o sistema de educação com base nos princípios da própria Constituição, averigua uma importância à educação ao elevá-la ao padrão de princípio e de direito viabilizando-a com a proteção e a dignidade da pessoa humana.
A Constituição Federal com interesse de garantir a todos a igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola (art. 206) perante os conhecimentos, os valores e as competências aí transmitidos, diz, no seu art. 210:
Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos nacionais e regionais.
Com efeito, o art. 22 da LDB explicita, no mesmo sentido:
A educação básica tem por finalidade desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.
Essa criação popular, própria da educação básica, encontra no art. 26 da mesma lei, o meio institucional no qual os sujeitos pedagógicos farão daquela organização um lugar de delegação de conhecimentos e de valorização da cidadania.
Diz o art. 26:
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Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser contemplada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigidas pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela.A partir de 1988 o Brasil vem transitando por inúmeras alterações também no que desrespeito à educação na busca por propiciar aos cidadãos um melhor padrão de qualidade na educação.
A Constituição, no art. 214, elucida que o melhoramento da qualidade do ensino é um dos propósitos maiores do Plano Nacional da Educação.
A Lei de Diretrizes e Base Nacional aduz de modo direto a demanda da qualidade e a avaliação da educação em vários fragmentos. A “garantia de padrão de qualidade” é um dos onze conceitos essenciais para o ensino definido no art. 3º; o dever do Estado para com a educação deve ser garantido por nove conjunções, entre as quais “padrão mínimos de qualidade de educação”, decididos como a pluralidade e quantidades mínimas por aluno, de elementos imprescindíveis ao desenvolvimento do processo de ensino – aprendizagem (art. 4º); dentre as noves aportes da União para a organização da educação nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental, médio e superior, em colaboração com o sistema de ensino, visando a descrição de primazias e a evolução da peculiaridade do ensino.
Em contrapartida, esse modelo de qualidade, deverá ter algum procedimento até para se ter certa aplicabilidade de segmento no contexto de que é a intenção das instituições escolares. Trazendo em conta que a qualidade de educação gira em torno do desenvolvimento íntegro do cidadão e da concepção da própria cidadania, uma qualidade de vida para que a pessoa consiga interferir na sociedade e modificar sua história. Uma qualidade que estende-se a maior parte da população.
1.4 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DO ENSINO BÁSICO
Simultaneamente ao amplo progresso na expansão do ensino nas últimas décadas,
o governo criou dispositivos de acompanhamento e avaliação, com interesse de conduzir
os resultados das políticas educacionais e seus possíveis problemas.
9 Em 1990, foi feito pela primeira vez a sondagem do SAEB- Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica, o que recolhe dados que concedem a avaliação de conhecimentos e habilidades dos alunos em diversos anos/séries e áreas curriculares e o reconhecimento de causas relativas à organização e funcionamento da escola, aos professores e diretores, a prática pedagógica e aos alunos, que se presume ter atuação na qualidade do ensino ministrado (MEC/INEP, 1998).
O Sistema de Avaliação da Educação Básica – (SAEB) é constituído por duas avaliações contingentes. Sendo a primeira intitulada de Aneb – Avaliação Nacional da Educação Básica, que envolve de modo amostral os estudantes das redes públicas e privada do país, localizados na área rural e urbana e matriculados no 5º e 9º anos de ensino fundamental e também no 3º ano do ensino médio. Nesses pontos, os efeitos são mostrados para cada Unidade da Federação, Região e para todo o Brasil como um todo.
A segunda, chamada de Anresc – Avaliação Nacional de Rendimento Escolar é usada impreterivelmente a alunos de 5º e 9º anos do ensino fundamental público, nas redes federais, estaduais e municipais, de áreas rural e urbana, em escolas que tenham no mínimo 20 alunos matriculados na série avaliada. Nesse nível, a prova recebe o nome de Prova Brasil e oferece resultados por escola, município, Unidade da Federação e país que também são utilizados no cálculo do Ideb.
A Prova Brasil e o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) são instrumentos de avaliação elaboradas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), que tem como finalidade avaliar a qualidade do ensino ofertado pelo sistema educacional brasileiro com base em testes padronizados e questionários socioeconômicos. Refere-se a uma avaliação externa e que é executada a cada dois anos. No questionário socioeconômico, os estudantes oferecem dados sobre elementos de circunstâncias que podem estar associados ao desempenho. A Prova Brasil aprecia duas competências dos alunos: a de leitura e interpretação de texto (português) e a resolução de problemas matemáticos (matemática).
Entretanto, as informações do Saeb e da Prova Brasil ajudam ao MEC, as
secretarias estaduais e municipais de Educação a estabelecerem intervenções focadas ao
aperfeiçoamento da qualidade da educação no país e na redução das desigualdades
existentes, possibilitando, por exemplo, a correção de alterações e fragilidades apontadas
10 e guiando seus recursos técnicos e financeiros para áreas identificadas como prioritárias.
As médias de desempenho nessas avaliações também auxiliam o cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) ao lado das taxas e reprovação nessas esferas.
1.5 PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO
O Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE/MEC tem por finalidade a busca por uma melhor qualidade do ensino público com intenção de alinhar os princípios Constitucionais e a Política Nacional de Educação, para assegurar uma educação de qualidade, inclusiva, que viabilize a estruturação da liberdade das crianças e adolescentes o respeito à diversidade. Este plano estabelece múltiplas ações em todos os níveis da modalidade da educação, mais especificamente a Educação Básica, com números maior de ações voltadas para o ensino fundamental.
Conjuntamente ao PDE foi promulgado o Decreto nº 6094, de 24 de abril de 2007, dispondo sobre o “Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação”, que tem por fins harmonizar esforços da União, Estados, Distrito Federal, Municípios, famílias e comunidade, em prol da evolução da qualidade da educação básica. O “Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação” foi inspirado nos 200 municípios que apresentaram metas superiores a 5,0 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). O Plano também tem base no estudo Aprova Brasil – O direito de Aprender, desenvolvido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Segundo Saviani (2007).
O Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação agrega ingredientes novos ao regime de colaboração de forma a garantir a sustentabilidade das ações que compõem. Convênios unidimensionais e efêmeros dão lugar aos Planos de Ações Articuladas (PAR), de caráter plurianual, construídos com a participação dos gestores e educadores locais baseados em diagnósticos de caráter participativo (...). (PDE – Plano de Desenvolvimento da Educação: Razões, princípios e programas. MEC, Governo Federal, 2007, p. 24).
Dentre o âmbito das atuações desenvolvidas pelo Plano, o Programa Mais
Educação foi o desígnio de preferência para esse estudo.
11 1.5.1 PROGRAMA MAIS EDUCAÇÃO
O Governo Federal implantou o Programa Mais Educação por meio da Portaria Interministerial nº 17/2007 que envolve as ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), como uns mecanismos do Governo Federal para instigar a ampliação da jornada escolar e a organização curricular, na perspectiva da Educação Integral. A operacionalização do programa é feita através da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD), em parceria com a Secretaria de Educação Básica (SEB), por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para as escolas prioritárias. As atividades fomentadas foram desenvolvidas nos seguintes macro campos: Acompanhamento Pedagógico, Meio Ambiente, Esporte e Lazer, Diretos Humanos em Educação, Cultura e Artes, Cultura Digital, Promoção da Saúde, Comunicação e uso de Mídias, Investigações no Campo das Ciências da Natureza e Educação Econômica. (Fonte: Programa Mais Educação – Passo a Passo – Ministério da Educação).
De acordo com a Portaria Interministerial nº 17/2007, o Programa Mais Educação tem por propósito cooperar para formação integral da criança, adolescentes e jovens, por meio da articulação de ações, de projetos e de programa do Governo Federal e suas contribuições as propostas, visões e práticas curriculares das redes públicas de ensino e das escolas, alterando o ambiente escolar e ampliando a oferta de saberes, métodos, processos e conteúdos educativos. O Programa objetiva sustentar a ampliação do tempo e do espaço educativo e a extensão do ambiente escolar nas redes públicas de educação básica de Estado, Distrito Federal e Municípios, mediante a realização de atividades no contra turno escolar, articulando ações desenvolvidas pelos Ministérios Integrantes do Programa; contribuir para a redução da evasão, da reprovação, da distorção idade/série, mediante a implementação de ações pedagógicas à melhoria de condições para o rendimento e o aproveitamento escolar; estimular crianças, adolescentes e jovens a manter uma interação afetiva em torno de práticas esportivas educacionais e de lazer direcionada ao processo de desenvolvimento humano, da cidadania e da solidariedade.
Visa melhorar o ambiente escolar, tendo como base estudos desenvolvidos pelo Fundo
12 das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), utilizando os resultados da Prova Brasil de 2005.
Através desses estudos, foi destacado o uso do “Índice de Efeito Escola - IEE”, indicador do impacto que a escola pode ter na vida e no aprendizado do estudante, cruzando-se informações socioeconômica do município do qual a escola está inserida.
Por esta razão, a área de atuação do programa foi demarcada inicialmente para atender, em caráter prioritário, as escolas que apresentam baixos índice de Desenvolvimento da Escola Básica (IDEB), situada em capitais e regiões metropolitanas. Tais atividades iniciaram em 2008, com a participação de 1.380 escolas, 55 municípios, nos 27 Estados para beneficiar 386 mil estudantes.
Em 2009, houve a ampliação para cinco mil escolas, 126 municípios, de todos os estados e do Distrito Federal com o atendimento previsto para 1,5 milhão de estudantes, inscritos pelas redes de ensino, por meio de formulário eletrônico, captação de dados gerado pelo Sistema Integrado de Planejamento, Orçamento e Finanças do Ministério da Educação (SIMEC).
Em 2010, a meta era de tender 10 mil escolas nas capitais, regiões metropolitanas – definidas pelo IBGE – e municípios com mais 163 mil habitantes, para beneficiar três milhões de estudantes.
Para que cada atividade seja desenvolvida, o Governo Federal repassa recurso para fomentação e auxilio de monitores, materiais de consumo e de apoio segundo as atividades.
As Escolas beneficiárias também recebem conjuntos de instrumentos musicais e rádio escolar, dentre outros, e referência de valores para equipamentos e materiais que podem ser adquiridos pela própria escola com os recursos repassados.
1.6 RESULTADO DA PROVA BRASIL DA ESCOLA MUNICIPAL MARIA IRISMAR MACIEL MOREIRA
Em concordância com informações obtidas no site do QEdu
(http://www.qedu.org.br/), um portal aberto e gratuito, desenvolvido em parceria entre a
13 Meritt2 e a Fundação Lemann
3 ,onde são encontradas informações sobre a qualidade do aprendizado em cada escola, município e estado do Brasil, o número de pontos obtidos Pelos alunos na Prova Brasil faz com eles sejam distribuídos em quatro níveis em uma escala de proficiência: Insuficiente, Básico, Proficiente e Avançado. Nessa sequência, os alunos com o aprendizado adequado são aqueles que estão em nível proficiente e avançado. Esse conceito é o mesmo utilizado pelo movimento “Todos pela Educação”
para estabelecer suas metas e se baseia em parecer do seu comitê técnico composto por diversos especialistas em educação. Para o 5º ano do ensino fundamental, os alunos nos níveis proficiente e avançado são aqueles que obtiverem igual ou superior a 200 pontos em Português e 225 pontos em Matemática.
O Município do Icó que teve sua origem histórica no início do século XVIII, onde as tribos indígenas que habitavam a região se opuseram tenazmente ao elemento colonizador. Entre as terras de Pereiro e os vastos sertões do Cedro, o capitão- mor Gabriel da Silva Lago fez erguer uma paliçada para defender os moradores da ribeira do rio Salgado, surgindo ali o Arraial Novo, hoje cidade de Icó. Após lutas sangrentas entre sesmeiro, colonizadores e indígenas, o Padre João de Matos Serra, prefeito das missões, obteve pacificações. O povoamento e o desenvolvimento da região muito ficaram devendo às famílias Monte e Feitosa, que desfrutavam então de grande prestigio e dominavam vasta área do território. A capela de Nossa Senhora do Ô, padroeira do povoado, foi erguida por Francisco Monte, em meados do século XVIII.
Elevada à categoria de Vila com a denominação de Arraial da Ribeira dos Icós, por ordem régia em 20/10/1736. O município é constituído de cinco distrito: Cruzeirinho, Icozinho, Lima Campos, São Vicente e Pedrinhas.
A origem do nome é uma alusão uma tribo Tapuia, os “Icós” que habitava o território compreendido entre os Rio Jaguaribe e o Rio do Peixe. A colonização das terras de Icó datada do final do século XVII e início do século XVII. Os primeiros colonizadores
2 Meritt é uma empresa sediada em Florianópolis e que tem origem e que tem origem na percepção de seus sócios – fundadores de que na educação os processos decisórios são subsidiados por poucas e generalizadas informações. Eles entendem que essa situação impacta negativamente a melhoria da educação, pois informações detalhadas e de qualidade são fundamentais para o planejamento de ações eficiente.
3 A Fundação Lemann é uma organização sem fins lucrativos, criada em 2002 pelo empresário brasileiro Paulo Lemann.
14 da cidade eram conhecidos como “os homens do (Rio) São Francisco”, que faziam parte de uma das frentes de ocupação do território cearense, a do “sertão-de-dentro, dominada pelos baianos, que serviu para tentar ocupar todo o interior cearense.
A povoação foi elevada a vila em 1738, a terceira vila do Ceará, logo após Aquiraz e Fortaleza. Em 1842, obteve a categoria de cidade, devido a sua importância econômica, Icó foi uma das cidades que tiveram projetos urbanísticos planejados na corte, Lisboa.
O município do Icó Ceará, nos apresenta dados bem significativo relacionados a educação, com base na avaliação da Prova Brasil, em 2015, foram selecionados 347 alunos do 5º ano das escolas municipais, sendo que 32% (110) dos alunos participantes da Prova Brasil demonstraram o aprendizado adequado na competência de leitura e interpretação de texto e 19% (68) apresentaram o aprendizado adequado na competência de resolução de problemas.
A Escola Municipal Maria Irismar Maciel Moreira, em Icó Ceará, encontra-se inserida no Programa Mais Educação, onde seus resultados da Avaliação da Prova Brasil foram ainda mais negativos em relação aos níveis adequados de aprendizagem.
Em compatibilidade com os dados expostos e em razão dos baixos índices do Ideb na Escola Municipal Maria Irismar Maciel Moreira desde que o programa foi implementado na mesma. Diante do exposto, surge a necessidade de um questionamento de sondagem para saber se há ou não uma efetividade quanto ao exercido pelo Programa Mais Educação na referida escola. Diante do exposto, este trabalho busca observar os problemas do Programa Mais Educação da Escola Municipal Maria Irismar Maciel Moreira, numa perspectiva qualitativa na construção do processo ensino aprendizagem.
CAPÍTULO II
2 METODOLOGIAS
2.1 OS SUJEITOS E FERRAMENTAS DA PESQUISA
Para a execução desta pesquisa alguns trajetos foram seguidos, eis então a
necessidade da metodologia que é o caminho do pensamento. Segundo Martins (2004), a
metodologia é compreendida como o conhecimento crítico dos caminhos do processo
15 cientifico, que indaga e questiona a cerca de seus limites e possibilidades. O tipo de metodologia adota foi qualitativa, mais precisamente o procedimento de estudo de caso – entendendo-se como caso, o indivíduo, a comunidade, o grupo, a instituição – com observação direta e entrevistas, em uma Escola Pública Municipal de Ensino Fundamental do município de Icó Ceará, abrangendo o universo dos alunos participantes do Programa Mais Educação matriculado na Escola Municipal Maria Irismar Maciel Moreira, que foi escolhida devido aos seus baixos índices no Ideb. Os dados foram referentes ao ano de 2015.
Os resultados dessa pesquisa não podem ser generalizados para todos os participantes do Programa Mais Educação no Brasil, nem mesmo à cidade de Icó. Como ensina Martins (2004 apud SILVA, 2013, p. 23), a proposta de estudo qualitativo não é generalizar os resultados, investigar e compreender um grupo de forma acentuada.
Os resultados obtidos com o estudo, serviram para uma compreensão das variáveis envolvidas na implementação de um programa de caráter federal que se estende por escolas de todas as esferas estatais e que é relevante para o alcance do cumprimento do compromisso do governo em melhorar a qualidade da educação no país, permitindo-se pensar sobre as dificuldades que podem ocorrer nas diversas escolas que o PME também é implementado, podendo produzir sugestões para o aprimoramento do programa, e, sobretudo, descrever melhor o próprio Programa Mais Educação.
Como instrumento de coleta de dados foi utilizado entrevista semiestruturada, aplicada: ao coordenador e monitores do programa Mais Educação da Municipal Maria Irismar Maciel Moreira. Os temas correspondentes às entrevistas giraram em torno das ações do PME na escola, os pontos positivos e os pontos fracos da implementação do programa na escola.
Os entrevistados foram questionados sobre temas que estão relacionados às suas
áreas de atuação dentro do programa. A entrevista feita com o coordenador foi
direcionada a gestão do programa na escola, em relação aos professores e monitores
foram levantadas questões sobre as mudanças de caráter geral, tais como mudanças no
comportamento e a aprendizagem que aconteceram dentro e fora das salas de aula desde
que o programa foi implantado na escola.
16 Logo após as entrevistas, os dados obtidos foram tratados e analisados, cada entrevista em si mesma, buscando compreende profundamente o sujeito entrevistado.
Numa segunda etapa foram observados os levantamentos feitos pelos os entrevistados, buscando identificar semelhanças e também diferenças entre eles em relação às abordagens sobre o programa Mais Educação, verificando as variáveis envolvidas nas semelhanças e diferenças, do tipo grupo que faz parte, anos de escolaridades, responsabilidade na escola, relação com os alunos etc.
Por ser um estudo que se utiliza de um método qualitativo de pesquisa e que segundo Martins (2004), a metodologia qualitativa, mais do que qualquer outra, levanta questões éticas, principalmente, devido à proximidade entre pesquisador e pesquisados.
Vale salientar que os objetivos propostos pelo estudo estão consolidados junto e em colaboração com os gestores e funcionários da escola.
2.2 CAMPO DE PESQUISA 2.2.1 ICÓ – CEARÁ
O estudo foi realizado em Icó, município cearense, situado a 366 quilômetros de sua capital Fortaleza, a qual se liga através da BR 116, Rodovia Padre Cícero e BR 020.
A cidade de Icó foi a terceira Vila instalada no Ceará e possui um sítio arquitetônico datado do século XVIII. A povoação foi elevada a Vila em 1738, a terceira Vila do Ceará, logo após Aquiraz e Fortaleza. Em 1842, obteve a categoria de cidade. Devido a sua importância econômica, Icó foi uma das cidades que tiveram projetos urbanísticos planejados na corte, Lisboa.
Com a intensificação e o sucesso da indústria do carne-seca e do charque no Ceará, Icó destacou-se durante esta áurea época como um dos três centros comerciais e de serviços do estado, juntamente com Sobral e Aracati, devido a abundancia da água, localização estratégica na roa das boiadas. A “Estrela Geral do Jaguaribe” escoava as boiadas entre as fazendas de gado do Sertão do Cariri ao ponto e centro de salgagem da carne salgada do Aracati. A “Estrada das Boiadas” ou “Estradas do Inhamuns” escoava o gado e os produtos entre a Paraíba e o Piauí.
A partir do século XIX, com o final do Ciclo da Carne do Ceará, as plantações do
algodão e café foram implementadas. Icó enfrentou um processo de degradamento
17 político e econômico devido ao crescimento da importação política do Crato e depois com a expansão da Estrada de Ferro de Baturité até a cidade do Crato em 1910.
O seu sítio arquitetônico é formado pelo perímetro urbano planejado pela metrópole, na primeira metade do século XVII, um projeto Urbanístico com ruas bem traçadas e retas, praças bastante amplas e prédio públicos - Teatro da Ribeira dos Icós, datado de 1860, obra do arquiteto Henrique Théberg, é o mais antigo teatro do estado do Ceará; Casa de Câmara e Cadeia, datada da segunda metade do século XVIII, foi uma da mais segura cadeia da sua época; Igreja da Padroeira Nossa Senhora da Expectação, construída em estilo barroco.
A população do município segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no corrente ano a estimativa é de 67.972 pessoas. Em 2015, os alunos dos anos iniciais da rede pública do município tiveram nota de 4,6 no Ideb. Para os alunos dos anos finais essa nota foi de 3,6. Na comparação com cidades do mesmo estado, a nota dos alunos dos anos iniciais colocava esta cidade na posição 178 de 184. Considerando a nota dos alunos dos anos finais a posição passava a 180 de 184. A taxa de escolarização (para pessoas de 6 a 14 anos) foi de 96,7 em 2010. Isso posicionava o município na posição 134 de 184 dentre as cidades do estado e na posição 3987 de 5570 dentre as cidades do Brasil.
2.2.2 ESCOLA MUNICIPAL MARIA IRISMAR MACIEL MOREIRA
A Escola Municipal Maria Irismar Maciel Moreira, situada a rua São Geraldo S/N – Icó, autorizada a funcionar com ensino fundamental de acordo com o decreto nº 15.928 de 26 de Abril de 1983.
Durante 18 anos (1983 a 2001) foi instituição de propriedade estadual quando em janeiro de 2002 na gestão municipal do prefeito Francisco Leite Guimarães Nunes e do governador Tasso Ribeiro Gereissat a referida escola foi municipalizada fazendo assim parte do patrimônio municipal.
Atualmente é uma instituição de propriedade municipal mantendo a modalidade
de Ensino Infantil ao Ensino Fundamental I, de acordo com a Resolução 410/2006 e LDB
– Lei de Diretrizes e Bases 9394/96, atendendo a um total de 249 alunos.
18 Atendendo seus objetivos educacionais a mesma vem contribuir na construção da autonomia intelectual e moral dos alunos ditos normais, bem como os que tem necessidades educacionais especiais com ou sem diagnósticos, tornando-os aptos a exercitar sua autonomia pessoal com responsabilidade atuando no mundo em que vivem com consciência dos seus direitos e deveres, apropriando-se do conhecimento socialmente construído em um ambiente flexível, social e criativo, promovendo integração entre família, escola e comunidade.
CAPÍTULO III
3. REFLEXÕES E ANÁLISES DOS DADOS COLETADOS SOBRE O PROGRAMA MAIS EDUCAÇÃO
A partir do estudo realizado em uma escola pública da rede municipal, localizada em uma comunidade com uma diversidade sócio econômica e cultural fortemente presente, da análise dos documentos e entrevistas aplicadas, pode se afirmar que, embora existam dificuldades para ajustar o programa, a Escola Maria Irismar Maciel Moreira, objeto de estudo da pesquisa, busca adequá-los às necessidades da escola, através das atitudes dos gestores que se comprometem com a qualidade da educação.
Dessa forma, as respostas coletadas nas entrevistas serviram para refletir sobre a relação do Programa Mais Educação e sua contribuição na aprendizagem e permanência do aluno na escola.
A entrevista realizada com a Coordenadora Escolar, também Coordenadora do Programa Mais Educação, pontuou a estrutura e o funcionamento: como ocorre as atividades seleção de alunos, participantes, seleção e trabalho dos monitores, os quais já foram descritos na metodologia do trabalho. Durante a pesquisa, vários foram os momentos em que a coordenadora se dispôs a esclarecer e a responder questionamentos que surgiam.
3.1 DIRETOR E COORDENAÇÃO ESCOLAR
19 Ao diretor e ao coordenador escolar o questionamento aplicado continha três perguntas iguais para ambos, as quais foram respondidas em conjuntos e estão descritas abaixo seguidas de reflexões.
a. Processo de adesão ao Programa Mais Educação e a participação dos professores.
A escola aderiu ao Programa em 2013 quando nova equipe assumiu a Secretaria Municipal de Educação. Os gestores destacaram que são realizadas reuniões mensais na escola onde são tratados assuntos referentes ao Programa orientando os professores para que estes norteiam os monitores das turmas para as aulas de Língua Portuguesa e Matemática.
Ao buscarem a implementação do Programa, percebe-se o interesso em ampliar o atendimento ao aluno, de forma a proporcionar um espaço com atividades que mantenha na escola e que promova, além da socialização, uma aprendizagem que colaborem para os estudos em sala de aula em horário regular, através da manutenção do aluno em contra turno na escola. O parágrafo único da Portaria que institui o Programa Mais Educação, Artigo. 1º, afirma que:
O programa será implementado por meio do apoio à realização, em escolas e outros espaços sócios-culturais, de ações sócios-educativas no contra turno escolar, incluindo os campos da educação, artes, cultura, esporte, lazer, mobilizando-os para melhoria do desempenho educacional, ao cultivo de ralações entre professores, alunos e suas comunidades, à garantia da proteção social da assistência social e à formação para a cidadania, incluindo perspectivas temáticas dos direitos humanos, consciência ambiental, novas tecnologias, comunicação social, saúde e consciência corporal, segurança alimentar e nutricional, convivência e democracia, compartilhamento comunitário e dinâmicas de redes (NORMATIVA INTERMINISTERIAL Nº 17, de 24 de abril de 2007) .
O artigo traz como se dará o trabalho nas escolas durante a implementação do
Programa. Daí a importância do envolvimento dos gestores e professores em assessorar
os monitores em seus planejamentos, buscando atividades que despertem o interesse do
aluno para que eles frequentem o contra turno, conforme objetivo do programa, ou seja,
promover ações que partam do contexto.
20 Neste sentido torna-se relevante conhecer a realidade em que o aluno está inserido para articular a integração dele com a comunidade através de ações educativas na escola, formando um agente social que transforme a realidade em que vive.
b. Relação do Programa Mais Educação com ou Projeto Político Pedagógico da Escola (PPP).
Anterior a este programa a escola já trabalhava com proposta semelhante.
Observemos as palavras do Diretor e da Coordenador Escolar.
A Proposta Político Pedagógico da Escola já comtemplava o trabalho com oficinas semelhantes às oferecidas pelo Programa Mais Educação. O objetivo das oficinas oferecidas era a necessidade do desenvolvimento integral dos alunos, oportunizar a liberdade de expressão, bem como oferecer oportunidades de atividades diferenciadas para despertar o interesse dos alunos pelo estudo, corrigir a indisciplina e aumentar o índice de aprovação.
Percebe-se o interesse a preocupação com a qualidade da aprendizagem, despertando o interesse dos alunos em permanecer na escola através de oficinas de trabalhadas em turno inverso, o que é corroborado no PPP da escola:
Além das matriculas determinarem o ano e turno para a aula, o aluno ainda tem opção de frequentar, no turno inverso, as oficinas oferecidas pela Escola Maria Irismar, observando o número de vagas. São ofertadas as oficinas de: esporte (futebol), dança e teatro (PPP, 2017).
Assim caracteriza-se como sendo uma das práticas encontradas para tornar a escola mais atrativa aos alunos através de estratégias que despertem o aluno para bons resultados no aprendizado.
c. Expectativa da Escola em relação ao Programa Mais Educação
Para o diretor e o Coordenador Escolar, a expectativa se fundamenta nos itens que supra firmamos:
* Visar a permanência do aluno na escola;
* Oferecer atividades voltadas aos interesses dos alunos e que enriqueçam suas vivencias curriculares;
* Propor participação da comunidade na escola;
*Tornar a escola um local de oportunidades e de lazer, utilizando esporte, dança
e teatro;
21
* Despertar a sensibilidade no aluno, desenvolvendo, de uma forma positiva o seu lado humano;
* Desenvolver a socialização do aluno;
* Oportunizar a liberdade de expressão;
* Oportunizar a interdisciplinaridade
* Estimular a iniciativa, a autoconfiança, a criatividade e a responsabilidade.
Observa-se a preocupação com a qualidade da educação na escola, assim como as expectativas em relação ao Programa implementado na escola. O programa está sendo desenvolvido na escola desde 2013, porém é um processo a “passos largos”, apesar, de trabalharem para bons resultados, existem dificuldades de mantê-lo ativo.
Dessa forma, a Coordenadora ressalta a relevância de aproximar a família a escola, através das reuniões ou em eventos nas datas comemorativas, trazendo-as para o ambiente escolar, pois elas fazem parte da educação dos filhos. Paro (1992) coloca que:
[...] se estivermos interessados na participação da comunidade na escola, é preciso levar em conta a dimensão que o modo de pensar e agir das pessoas que aí atuam facilita/incentiva ou dificulta/impede a participação dos usuários.
Para isso, é importante que se considere tanto a visão da escola a respeito da comunidade, quanto a sua postura diante da própria participação popular (PARO, 1992 apud CAMPOS, 2012, p. 34)
As estratégias para fazer a família participar do contexto escolar devem ser construídas em conjunto, gestores e comunidade escolar, pois conhecendo e participando da vida escolar de seu filho, a família pode incentivar na aprendizagem e consequentemente a sua permanência na escola.
Para tanto a escola, além de reuniões com os responsáveis pelo o aluno busca promover eventos que tragam a família para escola, principalmente em datas importantes, pois desta forma os responsáveis frequentam, conhecem e colaboram sugestivamente sobre o ambiente escolar de seu filho, contribuindo para melhorias nas ações educativas.
3.2 OS PROFESSORES
22 Para obter informações sobre o problema levantado nesta pesquisa, aplicamos o questionário aos professores do 1º ao 5º ano das disciplinas de português e matemática, cujas disciplinas são trabalhadas no apoio pedagógico do Programa.
Conforme depoimentos dos professores, destaca-se o professor do 1º e 2º anos
“tenho conhecimento em relação as oficinas, mas não tenho conhecimento do que é trabalhado em cada uma delas”, percebendo que embora os professores digam que conhecem o Programa, esse conhecimento é superficial conforme se observa no cotidiano da escola, quando os professores destacam o desconhecimento das atividades desenvolvidas pelos monitores com os alunos em sala de aula. As informações legais sobre a implantação não foram mencionadas nas respostas. Considera-se importante que os professores tenham conhecimento do objetivo geral do Programa Mais Educação.
O objetivo de contribuir para formação integral de crianças, adolescentes e jovens, por meio da articulação de ações, de projetos e de programas do Governo Federal e suas contribuições às propostas, visões e práticas curriculares das redes públicas de ensino e das escolas, alterando o ambiente escolar e ampliando oferta de saberes, métodos, processos e conteúdos educativos (PORTARIA NORMATIVA INTERMINISTERIAL Nº 17, DE 24 DE ABRIL DE 2007, ART. 1º).
Portanto, o Programa contribui na formação cidadã do aluno, modificando o ambiente escolar, que através da promoção de atividades que ultrapassem a transmissão de conteúdo.
Na questão aprendizagem, os professores foram unanimes em afirmar que há relação do programa com a aprendizagem dos alunos, conforme depoimento do professor:
Sim. Principalmente para os alunos com dificuldades. A maioria dos alunos frequentes nas oficinas relata que o programa está sendo fundamental e está contribuindo na superação de algumas dificuldades, principalmente nas disciplinas de matemática e português, o que reflete também nas demais disciplinas (melhora no rendimento). As demais oficinas (esporte, dança e teatro) também dão fundamentais, pois desenvolvem várias habilidades como:
atenção, concentração, coordenação. Como? Através das atividades diferenciadas complementares e dinâmicas oferecidas no turno inverso.
Sobre o acompanhamento pedagógico, o programa no artigo 3º, § 3º coloca a
obrigatoriedade de escolha do macro campo: Acompanhamento Pedagógico para as
escolas que aderirem o Programa Mais Educação.
23 Dessa forma, o programa oportuniza estratégias que promovem o interesse do aluno para além da escola, procurando conhecer o que lhes chamam atenção, o que lhes interessam, mas também, instigando o que é preciso para viverem em sociedade. Alguns dos recursos utilizados para promover a conexão do aluno com a vida social estão relacionados à multimídia, como, música, filmes e computadores, além de propiciar movimentos corporais através da dança, teatro e futebol.
Com isso a escola pesquisada precisa interagir através dos recursos que dispõe para atrair o aluno a frequentar o programa.
3.3 ENTREVISTAS COM A ARTICULADORA, MONITORES E FACILITADORES DO PROGRAMA MAIS EDUCAÇÃO.
A articuladora é a pessoa responsável pela coordenação e organização das atividades na escola, pela promoção da interação entre a escola e a comunidade, pela prestação de informações sobre o desenvolvimento das atividades para fins de monitoramento e pela integração do programa com o Projeto Político Pedagógico da escola. A articuladora da escola é a pessoa indicada no Plano de atendimento da escola, onde atua também na escola como a Coordenadora Pedagógica, a mesma reconhece a necessidade da implantação do Programa na referida escola, pois se entende que o tempo integral da criança no ambiente escolar é uma forma legal e institucionalizada, que pode ser usada como instrumentos que pode mudar os índices de baixos rendimentos dos alunos, indicados pelo Ideb, na cidade de Icó e na sua escola.
Ela afirma que Programa Mais Educação, que é gerido em sua escola, acontece de forma semelhante nas demais escolas do município. Apontando como grande problema dessa implementação é a falta de estrutura física dos prédios das escolas para receber o programa.
O que falda na verdade é uma estrutura melhor nas escolas, porque o programa é importante e necessário, mas deveria ser criada uma estrutura para melhor atender esses alunos. Com isso melhoraria bastante e teríamos um maior sucesso. (Coordenadora do PME da Escola Municipal Maria Irismar Maciel Moreira).
24 Mesmo com todos os problemas estruturais, a coordenadora afirma que o programa tem contribuído para permanência dos alunos na escola, diminuindo a evasão escolar, pois a mesma relata que com as oficinas que o Programa Mais Educação oferece, onde são ofertadas atividades desportivas, atividades criativas e educativas, há um interesse por parte desses alunos em frequentar o programa.
Por serem atividades diferentes das ofertadas no horário normal de aula, ela afirma que essas atividades trabalham com a sensibilidade, as emoções, o trabalho com o corpo e o raciocínio lógico dos estudantes, atraindo o interesse dos estudantes em permanecerem na escola.
A entrevistada disse que com a chegada do programa, foi possível perceber a necessidade de ampliação do espaço físico escolar e a criação de espaços para que as oficinas acontecessem. Surgiu então a necessidade de buscar parceiros para o programa na própria comunidade. Parceiros no sentido de ampliar os espaços físicos para que as para que as atividades do programa pudessem ser realizadas com mais eficácia. Segundo ela, é difícil encontrar e permanecer com esses parceiros, pois pelo fato do PME não disponibilizar recursos para alugueis de espaços, as pessoas dificilmente querem ajudar a escola cedendo seus espaços de forma voluntaria.
Nós buscamos frequentemente sensibilizar essas pessoas, a comunidade, para que eles venham participar conosco do programa. Uma vez que seus filhos são participantes do programa. O pai que as vezes tem o espaço que possa se adequar ao programa, ou procuramos espaço na própria comunidade, mas parcerias como essas é bastante difícil. Muitas vezes não querem participar alegando que é o governo que tem que pagar e fazer tudo.
A Coordenadora do Programa Mais Educação, diz que um dos objetivos é melhorar o desempenho e desenvolvimento dos alunos nas atividades do horário normal da aula através das oficinas do horário oposto, mas afirma que só há essa troca de saberes se houver interesse do aluno em desempenhar as atividades feitas nas oficinas do PME, como por exemplo as oficinas de letramento e matemática.
Segundo a entrevistada, uma das características básicas para que o aluno participe
do PME na sua escola, seria o baixo rendimento escolar, ou seja, notas baixas no boletim
escolar e que 50% dos alunos da escola participam do Programa.
25 Relata também, que a maioria dos pais dos alunos desconhecem o IDEB e que muitos deles não têm noção que seus filhos precisam participar do programa por conta do baixo índice de rendimento escolar.
Muitos pais não têm interesse em buscar saber o que seu filho faz na escola, a realidade de escola. Eles não buscam, não tem curiosidade, eles não têm essa participação total. Isso é uma realidade da nossa escola. (Coordenadora PME da Escola Municipal Maria Irismar Maciel Moreira).