Edição
Ministério da Educação
Direção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular Autores
Fátima Silva Filomena Viegas
Isabel Margarida Duarte JoãoVeloso
Diretor-Geral Fernando Egídio Reis Organização
DSDC - Equipa de Português &RQFHomRHH[HFXomRJUiÀFD Isabel Espinheira Design de multimédia Isabel Espinheira ISBN 978-972-742-344-6
Oral
Guião de Implementação do Programa
Fátima Silva
Filomena Viegas
Isabel Margarida Duarte
Nota prévia
¬ VHPHOKDQoD GR TXH IRL IHLWR UHODWLYDPHQWH D RXWUDV FRPSHWrQFLDV HVSHFt¿FDV contempladas pelo novo programa de Português, o presente documento reúne um FRQMXQWR GH UHÀH[}HV GH VXJHVW}HV GH WUDEDOKR H GH VXJHVW}HV GH OHLWXUD SDUD TXHRVSURIHVVRUHVVHVLQWDPDSRLDGRVQDVXDDSUR[LPDomRDPDLVXPDGHVVDV competências: no caso vertente, no trabalho em torno do desenvolvimento das competências orais em língua materna.
$VFRQVLGHUDo}HVHQXQFLDGDVQDVSULPHLUDHVHJXQGDSDUWHVGRJXLmRSUHWHQGHP RIHUHFHUDOJXPDVSLVWDVSDUDDSURIXQGDPHQWRGDUHÀH[mRQHFHVViULDjFRQVROLGDomR de estratégias de treino do oral criativas e efetivas.
As atividades sugeridas na terceira parte devem ser entendidas como propostas de trabalho que terão de ser necessariamente adaptadas a cada situação pedagógica concreta, em função, nomeadamente, das características de cada turma e dos recursos disponíveis em cada escola.
$OLVWDGHOHLWXUDVVXJHULGDVTXHHQFHUUDRGRFXPHQWRQmRpXPDOLVWDH[DXVWLYD Trata-se, antes, de uma relação de algumas leituras fundamentais sobre a matéria GHVHQYROYLGDHPWRGRRWH[WRHTXHRVSURIHVVRUHVGHYHPYHUFRPRXPSRQWRGH partida, não como uma lista fechada, para um estudo mais aprofundado da questão central do treino das competências orais na aula de Português.
Índice
Introdução e Considerações Preliminares Primeira Parte:7ySLFRVSDUDUHÀH[mRHDVSHWRVHQYROYLGRVQRWUHLQRGRRUDO
1.7ySLFRVSDUD5HÀH[mR 2. Aspetos Envolvidos no Treino do Oral Segunda Parte: A competência oral e o novo Programa de Português
$FRPSHWrQFLDRUDOHDVIXQo}HVGRSURIHVVRUGH/tQJXD3RUWXJXHVD 2. O oral na matriz comum aos três ciclos 2ULHQWDo}HVJHUDLVSDUDRVWUrVFLFORV 2ULHQWDo}HVHVSHFt¿FDVSDUDFDGDFLFOR &RQKHFLPHQWRH[SOtFLWRGRRUDO Terceira Parte:([HPSORVGHDWLYLGDGHVDGHVHQYROYHUQRWUHLQRGRRUDO 5HFRPHQGDo}HVJHUDLVSDUDRSODQHDPHQWRH[HFXomRHDYDOLDomR GDVDWLYLGDGHVGHFRPSUHHQVmRHGHH[SUHVVmRRUDO
Primeiro Bloco de Atividades: Treino das Capacidades Articulatórias e
Prosódicas
$WLYLGDGH5HSURGXomRGHWH[WRVIRQLFDPHQWHHQULTXHFLGRV $WLYLGDGH3URGXomRGHWH[WRVHVFULWRVTXHREHGHoDPDUHVWULo}HV
IyQLFDVRXJUi¿FDVH[SOtFLWDV Atividade 3 - Produção de contornos entoacionais
Segundo Bloco de Atividades: Treino das Capacidades de Compreensão do Oral
Atividade 1 - Treino da escuta Atividade 2 - Escuta para construção de conhecimento (sílaba métrica) Atividade 3 - Treino da escuta (atenção global e seletiva) Atividade 4 - Audição comentada de diversas amostras dialetais do
Português Europeu 9 13 14 19 26 27 27 28 29 30 34 36 38 39 42 45 48 49 55 60 66
Terceiro Bloco de Atividades7UHLQRGDV&DSDFLGDGHVGH([SUHVVmR2UDO Atividade 1 - Análise e produção de um relato oral (crónica radiofónica) $WLYLGDGH3UHSDUDomRGHXPDH[SRVLomRRUDOIRUPDO $WLYLGDGH([SRVLomRRUDOIRUPDO
Quarto Bloco de Atividades: Treino das Capacidades de Interação Baseadas
QD([SUHVVmR2UDO
Atividade 1 - Debate Atividade 2 - Análise crítica de uma produção oral em português %LEOLRJUD¿D6XJHULGD 69 70 79 82 85 86 89 92
Introdução e Considerações Preliminares
Enquadramento geral: o grafocentrismo cultural das sociedades contemporâneas e alguns preconceitos correntes acerca das realizações orais
A sociedade em que vivemos e, de forma muito particular, a escola – que é uma das VXDVLQVWLWXLo}HVPDLVLPSRUWDQWHV±DGRWDPXPDYLVmRgrafocêntrica da língua e da sua aprendizagem.
Tradicionalmente, o ensino da língua materna (e, talvez em menor escala, o das OtQJXDVHVWUDQJHLUDVFRQVLVWLXGHIRUPDTXDVHH[FOXVLYDQRWUHLQRGDVFDSDFLGDGHV HVFULWDVHQDUHÀH[mRPHWDOLQJXtVWLFDDVVHQWHQDVSURGXo}HVHVFULWDVHPDWHULDOL]DGD HP SURGXWRV LJXDOPHQWH HVFULWRV ([HUFtFLRV WUDGLFLRQDLV FRPR D FySLD R GLWDGR e a redação tomam a escrita como o ponto de partida, o ponto de chegada e o YHtFXOR ~QLFR GD FRQ¿JXUDomR OLQJXtVWLFD 2V H[HUFtFLRV GH DQiOLVH JUDPDWLFDO SDUWHPQDHVFRODWUDGLFLRQDOTXDVHVyGHH[HPSORVHVFULWRV±HVmRQRUPDOPHQWH UHVSRQGLGRVSRUHVFULWR1RTXHWRFDjFRQVWUXomRHjDQiOLVHGHWH[WRYHUL¿FDVH R PHVPR SDUDGLJPD JUDIRFrQWULFR H[LVWH TXDVH VHPSUH XPD DVVLPLODomR HVWULWD HGLUHWDGDOtQJXDjVXDUHDOL]DomRHVFULWDDVFODVVL¿FDo}HVWUDGLFLRQDLVGHWH[WR WH[WR SXEOLFLWiULR WH[WR OLWHUiULR WH[WR WpFQLFR WH[WR MRUQDOtVWLFR HWF WRPDP HP FRQVLGHUDomRIUHTXHQWHPHQWHDSHQDVRWH[WRHVFULWR
Na abordagem a outras vertentes linguísticas, como a questão dos registos de OtQJXD DVVLVWLPRV j PHVPD LQVLVWrQFLD QD UHSUHVHQWDomR JUi¿FD GRV SURGXWRV YHUEDLV 0DQXDLV H RXWUDV SURSRVWDV GH WUDEDOKR VmR SUyGLJRV HP VXJHVW}HV GH H[HUFtFLRV FXMR REMHWLYR p reescrever conteúdos fazendo-os variar em função de condicionamentos como a formalidade/informalidade da relação entre interlocutores, SRUH[HPSOR
Ao abrigo desta visão predominantemente grafocêntrica dos fenómenos “língua” e “linguagem”, geram-se ainda alguns pontos de vista muito correntes, sem grande fundamentação teórica ou metodológica (como pretendemos fazer ver ao longo deste guião), como os que passamos de seguida a enumerar. Muitas vezes invocados FRPRDUJXPHQWRVSDUDVHHYLWDUQDDXODGHOtQJXDPDWHUQDXPDH[SORUDomRPDLV VLVWHPiWLFDGHOLEHUDGDHH[SOtFLWDGDGLPHQVmRRUDOGDH[SUHVVmROLQJXtVWLFDHOHV WUDGX]HPVHHPJHQHUDOL]Do}HVLQH[DWDVFRPRDVVHJXLQWHV
DVUHDOL]Do}HVRUDLVFRUUHVSRQGHPVHPSUHDXPUHJLVWRLQIRUPDOFRORTXLDO QmRVHQGRUHJLVWDGDVDRFRQWUiULRGRTXHVXFHGHFRPDVUHDOL]Do}HV escritas, não podem ser objeto de atenção, estudo, treino, descrição, DYDOLDomRRXFRUUHomR
DVUHDOL]Do}HVRUDLVVmRVHPSUHLPSURYLVDGDVRTXHH[SOLFDHWRUQD LQHYLWiYHLVFDUDFWHUtVWLFDVFRPRDVSDXVDVDVKHVLWDo}HVDVLQFRUUHo}HV JUDPDWLFDLVHWF
$R ORQJR GHVWH JXLmR WHQWDUHPRV FRQWULEXLU SDUD D HGL¿FDomR GH XP ROKDU PDLV crítico acerca destes pontos de vista. Tentando mostrar que a modalidade oral é WDPEpPSDVVtYHOGHWUDEDOKRH[SOtFLWRQDDXODGHOtQJXDPDWHUQDDSUHVHQWDUHPRV XPFRQMXQWRGHVXJHVW}HVGHDWLYLGDGHVTXHSRVVDPVHUSRVWDVHPSUiWLFDFRP esse objetivo em mente.
Grafocentrismo cultural vs. natureza oral das línguas naturais
O grafocentrismo assumido pelas sociedades ocidentais modernas e pelos respetivos sistemas educativos, a que brevemente aludimos nos parágrafos precedentes, contrasta, na verdade, com um conjunto de factos e evidências relacionados com a natureza intrinsecamente oral das línguas naturais. Pela sua importância, trata-se de factos e evidências que, a nosso ver, não podem ser ignorados no ensino da língua materna.
(QWUHWDLVHYLGrQFLDV±TXHMXVWL¿FDPRLQWHUHVVHFUHVFHQWHSHORWUHLQRHVSHFt¿FR GDVFRPSHWrQFLDVRUDLVFRPRVHSRGHYHUL¿FDUSHODVRSo}HVSHU¿OKDGDVSHORQRYR Programa de Português1 –, merecem especial destaque os seguintes aspetos:
- a realização oral das línguas é a verdadeira essência/natureza das línguas: só uma parte diminuta das línguas faladas do Mundo tem representação HVFULWDPXLWDVVyDWrPPXLWRUHFHQWHPHQWHWRGDVDVOtQJXDVIRUDPIDODGDVPXLWR DQWHV GH VHUHP HVFULWDV WRGRV RV VHUHV KXPDQRV QmR DIHWDGRV SRU SDWRORJLD HVSHFt¿FDSRVVXHPDFDSDFLGDGHGHIDODUDVXDOtQJXDPDWHUQDPDVVyXPDSDUWH GD KXPDQLGDGH ± D TXH IRL VXMHLWD j H[SHULrQFLD FXOWXUDO GD HVFRODUL]DomR ± WHP DFHVVRjOHLWXUDHjHVFULWD2
- o uso da dimensão oral está sujeito, tal como o da escrita, a condições de formalidade e planeamento equiparáveis ao uso escrito. Desde a Idade &OiVVLFDDUHWyULFDLQFOXLHQWUHRVVHXVREMHWRVREMHWLYRVRGRPtQLRH¿FLHQWHIRUPDO GHOLEHUDGRHH¿FD]GHSURGXWRVYHUEDLVorais, associados a domínios-chave como RGHEDWHDFDGpPLFRFLHQWt¿FRH¿ORVy¿FRDDWLYLGDGHOHJLVODWLYDDSUiWLFDMXGLFLDO o confronto parlamentar, etc. É do bom uso do oral que resulta, ou pelo menos GHSHQGHRVXFHVVRGRRUDGRUHPDWLYLGDGHVFRPRDVPHQFLRQDGDV
- R XVR GH FHUWDV PDUFDV OLQJXtVWLFDV QDV SURGXo}HV RUDLV H[HUFH LQÀXrQFLD QD SHUFHomR VRFLDO GRV IDODQWHV as marcas dialetais presentes no discurso de um falante são, juntamente com outras marcas linguísticas, objeto GHDWHQomRHDYDOLDomRSRUYH]HVLQFRQVFLHQWHGRVVHXVLQWHUORFXWRUHVSDUWHGR VXFHVVR VRFLDO H SUR¿VVLRQDO GRV VXMHLWRV QD VXD YLGD TXRWLGLDQD GHSHQGHUi GR domínio consciente de algumas dessas marcas. Uma escola democrática como a que os documentos orientadores do sistema educativo português tornam previsível – e que, como tal, deve obedecer de forma determinante aos intuitos (i)
1 Reis, C. (coord.). (2009). Programa de Português do Ensino Básico. ME-DGIDC: Lisboa.
Documento consultado no endereço KWWSZZZGJLGFPLQHGXSWHQVLQREDVLFRLQGH[ php?s=directorio&pid=47&ppid=3, em 19-09-2011.
2 (VWH SRQWR GH YLVWD p PXLWR FDUR QD SUySULD D¿UPDomR GD OLQJXtVWLFD PRGHUQD FRPR FLrQFLD VHQGR
enfatizado de forma especial por autores da escola estruturalista, como, entre outros, Saussure, -HVSHUVHQ%ORRP¿HOG*OHDVRQH0DUWLQHW
de atenuação das diferenças sociais dos alunos e (ii) de criação de verdadeiras LJXDOGDGHV GH RSRUWXQLGDGHV FRP HIHLWRV EHQp¿FRV SRU H[HPSOR DR QtYHO GD REWHQomR GH HPSUHJRV TXDOL¿FDGRV ± QmR SRGH SRUWDQWR GHL[DU DR DFDVR XPD variável tão importante dessa desejada promoção social3.
O treino da competência oral e o trabalho explícito sobre outros vetores linguísticos 1RVSDUiJUDIRVDQWHULRUHVLQVLVWLPRVQDLGHLDGHTXHRWUDEDOKRH[SOtFLWRVREUHDV UHDOL]Do}HVRUDLVFRUUHVSRQGHDXPREMHWLYRMXVWL¿FDGRSRVVtYHOe desejável. A FRPSHWrQFLDRUDOIRLDtFRQVLGHUDGDFRPRXPREMHWRHXP¿PHPVLPHVPD1DV REVHUYDo}HVTXHVHVHJXHPWHQWDUHPRVGHPRQVWUDUTXHXPWUDEDOKRVLVWHPiWLFR H[SOLFLWDPHQWH GLUHFLRQDGR SDUD D H[SORUDomR GD GLPHQVmR RUDO GD OtQJXD SRGH WUD]HUPHOKRULDVDRXWURVQtYHLVGRGHVHQYROYLPHQWRGHXPDFRQVFLrQFLDH[SOtFLWD da língua, das suas estruturas e das suas propriedades.
Com efeito, além dos aspetos sobre os quais incidirão as atividades propostas na WHUFHLUDSDUWHGHVWHJXLmRDUWLFXODomRSURVyGLDSODQHDPHQWRGRWH[WRRUDOFODUH]D GD H[SRVLomR HWF R WUDEDOKR HVWUXWXUDGR GD H[SUHVVmR RUDO SHUPLWLUi DLQGD D QRVVR YHU TXH VH DERUGHP HRX DSURIXQGHP RXWUDV TXHVW}HV H GLPHQV}HV GD prática linguística dos falantes, igualmente contempladas nos programas escolares, tais como:
- adequação pragmática do discurso
- consciência da variação dialetal e socioletal - treino de competências sociais
- treino de práticas argumentativas e de técnicas básicas do uso SUR¿VVLRQDOGDOtQJXD.
Neste capítulo do interesse “instrumental” do treino do oral para áreas e atividades colaterais, merece um destaque particularizado a forma como a atenção ao oral SRGHHQULTXHFHUDDSUR[LPDomRGRVDOXQRVjOHLWXUDHIUXLomRGRWH[WROLWHUiULR e jVXDVXEVHTXHQWHanálise estilística. $LQGDTXHVHMDVDELGRTXHVREUHWXGRHPFHUWRVJpQHURVOLWHUiULRVRWH[WROLWHUiULR UHFRUUHH[DXVWLYDPHQWHjVHVWUXWXUDVVRQRUDVGDOtQJXDSDUDDFULDomRGHPXLWRV HIHLWRVHVWpWLFRVDPHWUL¿FDomRDYHUVL¿FDomRDULPDRULWPRDDOLWHUDomRHWF QHPVHPSUHHVWHDVSHWRSDUHFHVX¿FLHQWHPHQWHYDORUL]DGR0XLWDVYH]HVWDPEpP neste campo assistimos a uma deformação grafocêntrica, pois com frequência se assiste a uma análise dos recursos fono-estilísticos fortemente condicionada – quando não incorretamente enviesada – pela representação escrita4.
Produções orais e o olhar normativo sobre a língua
3 $ HVWH QtYHO QmR SRGHPRV GH PRGR DOJXP LJQRUDU RX HVTXHFHU TXH PXLWDV SUR¿VV}HV ID]HP GD
OLQJXDJHP RUDO XP LQVWUXPHQWR GH WUDEDOKR HP VL PHVPR DVVLP R WUHLQR H[SOtFLWR GDV FDSDFLGDGHV FRQGXFHQWHV j PHOKRULD GR GRPtQLR GHVVH LQVWUXPHQWR GHYH VHU REULJDWRULDPHQWH FRQWHPSODGR SHOD escolaridade e, de forma muito particular, no âmbito do ensino da língua materna, devendo assumir-se como uma vertente fulcral do trabalho realizado na aula de Português.
4(VWHDVSHWRWRUQDVHSDWHQWHSRUH[HPSORHPGH¿QLo}HVGHULPDSRpWLFDDSDUWLUGHH[HPSORVFRPR
³VHQKRUSLRU´TXHQmRFRUUHVSRQGHPQDYHUGDGHDYHUGDGHLUDVULPDVVHQGRDVXDFODVVL¿FDomRFRPR WDOLQÀXHQFLDGDSHODDYDOLDomRPHUDPHQWHJUi¿FD³JUDIRFrQWULFD´GDTXHVWmR
Nas notas iniciais desta introdução, referimos o preconceito grafocêntrico das sociedades modernas como um dos principais responsáveis por algumas ideias PHQRVDSURSULDGDVDFHUFDGDVSURGXo}HVRUDLVHSRUYHQWXUDSHODVHFXQGDUL]DomR a que estas têm sido votadas pela tradição escolar portuguesa.
Uma manifestação relativamente frequente desse preconceito encontra-se numa WHQGrQFLDSDUDVHROKDUSDUDDVSURGXo}HVRUDLVGHIRUPDPXLWRMXGLFDWLYD,VWRp sendo visto normalmente como um produto aleatório e improvisado, não sujeito a TXDLVTXHUUHJUDVHVRFLDOPHQWHPHQRVSUHVWLJLDGRGRTXHDVSURGXo}HVHVFULWDV o discurso oral é em geral julgado, em nosso entender, com mais severidade pelos falantes do que o discurso escrito (tido como mais planeado e mais “regulado”). Sendo o trabalho escolar sobre a língua um trabalho fortemente normativo, é natural TXHWDPEpPVREUHDVSURGXo}HVRUDLVLQFLGDHPFRQWH[WRHVFRODUXPHVIRUoRGH avaliação e de correção recorrente de hábitos linguísticos. Contudo, este olhar valorativo e normativo só será legítimo, em nosso entender, se for acompanhado de um conjunto de práticas construídas e construtivas de treino e de aperfeiçoamento das técnicas de comunicação oral, sendo esse o objetivo central das atividades propostas na terceira parte deste guião.
Primeira Parte
7ySLFRVSDUDUHÀH[mRH
aspetos envolvidos
7ySLFRVSDUD5HÁH[mR
1HVWHFDStWXORVHUmRVXJHULGRVDOJXQVWySLFRVTXHSRGHUmRFRQGX]LUDXPDUHÀH[mR sustentada acerca de alguns pressupostos que nos nortearam na orientação geral deste guião e no planeamento das atividades propostas na terceira parte.
6HUmRDTXLIRUPXODGDVDOJXPDVTXHVW}HVGHSDUWLGDHDOJXPDVLGHLDVFKDYHTXH a nosso ver, permitirão avançar para o trabalho efetivo sobre as competências orais com a sustentação teórica e metodológica que retire as atividades realizadas QHVVHFDPSRGRQtYHOGDVPHUDVLQWXLo}HVGRLPSURYLVRRXGRWUDEDOKRDYXOVRRX desestruturado.
$OLVWDGHWySLFRVTXHSDVVDUHPRVDHOHQFDUQmRpFHUWDPHQWHH[DXVWLYDHSUHWHQGH apenas fornecer aos professores algumas pistas para aprofundamento futuro e para GHVHQYROYLPHQWRHPVLWXDo}HVHGXFDWLYDVFRQFUHWDV
As distinções escrito/oral e formal/informal
'HDFRUGRFRPXPSRQWRGHYLVWDFRUUHQWHQRVHQVRFRPXPDVSURGXo}HVHVFULWDV partiriam de um planeamento cuidadoso da mensagem a transmitir, revelar-se-iam HVWUXWXUDGDV H FRUUHWDV H VLWXDUVHLDP VHPSUH QXP UHJLVWR IRUPDO H FXLGDGR DV SURGXo}HV RUDLV SRU RSRVLomR REHGHFHULDP VREUHWXGR j HVSRQWDQHLGDGH DSUHVHQWDULDPPXLWDVLQFRUUHo}HVHLQFRQVLVWrQFLDVHOLPLWDUVHLDPDRXVRLQIRUPDO e não vigiado da língua.
1mRVHS}HHPFDXVDTXHRFDUiWHUYROiWLOGDPDLRUSDUWHGDVSURGXo}HVRUDLVHD quase simultaneidade entre a produção e a transmissão dos mesmos, em contraste FRP D PDLRU SHUGXUDELOLGDGH H R FDUiFWHU GLIHULGR GD PDLRU SDUWH GDV SURGXo}HV escritas, torna possível uma circunstância típica da transmissão das mensagens escritas ausente da produção das mensagens orais: quando uma mensagem escrita chega ao seu destinatário, ela pode não corresponder ao primeiro produto resultante do processamento linguístico do emissor, que teve porventura tempo e RSRUWXQLGDGHVGLYHUVDVSDUDUHYHUFRUULJLUHUHIRUPXODUVXFHVVLYDVYHUV}HVGRVHX HQXQFLDGR SHOR FRQWUiULR QD WUDQVPLVVmR GRV SURGXWRV RUDLV HVWD GiVH PXLWDV YH]HVTXDVHHPSDUDOHORRXLPHGLDWDPHQWHDVHJXLUjFRGL¿FDomRGDPHQVDJHP RTXHLPSHGHHVVDSRVVLELOLGDGHGHUHYLV}HVVXFHVVLYDVHFRQVWDQWHVGRWH[WRTXH se faz chegar ao destino5.
(VWH DVSHWR ± TXH FRPR YHUHPRV QmR VH YHUL¿FD HP WRGRV RV FDVRV H TXHPRWLYDXPDVpULHGHHVWUDWpJLDVQRXVRSUR¿VVLRQDOHFXLGDGRGDOtQJXDRUDO± SRGHUiHVWDUQDRULJHPGHVVDYLVmRTXHQmRWHPXPDFRUUHVSRQGrQFLDH[DWDFRP a realidade.
5 Com efeito, e diferentemente do que sucede com a mensagem escrita, a mensagem oral não pode
VHU³UDVXUDGD´4XDOTXHUUHIRUPXODomRVHUiVHPSUHIHLWDjYLVWDGRDORFXWiULRFRQWUDULDPHQWHDRWH[WR escrito, que pode ser alterado longe dos olhos do destinatário.
Com efeito, a distinção escrito/oral deve ser acompanhada de um aprofundamento de duas outras diferenças, não coincidentes entre si:
1) por um lado, a distinção entre registo formal e registo informal;; 2) por outro lado, uma distinção, talvez mais subtil, entre WH[WRVGHVWLQDGRV à transmissão escrita e WH[WRVGHVWLQDGRVjH[SRVLomRRUDO
A primeira distinção – formal/informal – é amplamente trabalhada a vários níveis na abordagem a diversos temas contemplados pelo programa de Português, como sucede quando se trabalha a questão dos registos de língua. Pensamos que um ponto muito importante para a questão que aqui nos ocupa, e que tem consequências fundamentais a nível do trabalho de treino e desenvolvimento das competências orais, consiste em demonstrar que, ao contrário da visão grafocêntrica que temos referido, a distinção formal/informal é largamente independente da distinção escrito/ oral. Uma evidência que torna este ponto de vista muito nítido encontra-se quando FRPSDUDPRVGHQWURGR³WH[WRHVFULWR´YiULRVWLSRVGHWH[WRHVFULWR±PHQVDJHQVGH sms entre telemóveis, grafítis, recados manuscritos trocados entre pessoas com fraco GRPtQLRGDVFRQYHQo}HVGDHVFULWDvs.WH[WRVFLHQWt¿FRVPDQXDLVGHLQVWUXo}HV WH[WRVOLWHUiULRVWH[WRVDFDGpPLFRV±HGHWH[WRRUDO±FRQYHUVDVHVSRQWkQHDVHQWUH pessoas vs. LQWHUYHQo}HV HP WULEXQDO RX GLVFXUVRV VROHQHV HP FHULPyQLDV PXLWR IRUPDLV(VWHWLSRGHFRPSDUDo}HVSHUPLWHFRQFOXLULTXHGHQWURGHFDGDXPDGDV ³PRGDOLGDGHV´H[LVWHPJUDGDo}HVGHIRUPDOLGDGHTXHVHUHÀHWHPQDVUHVSHWLYDV propriedades estruturais e (ii) que a distinção formal/informal é mais substancial do que a distinção escrito/oral e, em grande medida, independente desta, já que ambos os “suportes” de transmissão da mensagem admitem os registos formal e informal. A segunda distinção que acima referimos prende-se com um aspeto que, em nossa RSLQLmRGHYHWDPEpPPHUHFHUXPDDWHQomRH[SOtFLWDQRPRPHQWRGDDERUGDJHP GHVWDV TXHVW}HV D GLVWLQomR RUDOHVFULWR QmR GHYH UHGX]LUVH GH IRUPD VLPSOLVWD D XPD PHUD GLVWLQomR GH VXSRUWHV GH WUDQVPLVVmR GD PHQVDJHP &HUWRV WH[WRV concebidos para serem apreendidos pelo recetor por via da escrita, se forem lidos HP YR] DOWD SRU XP IDODQWH QmR VH FRQYHUWHP QHFHVVDULDPHQWH HP WH[WR RUDO Este aspeto é muito relevante quando se planeia a apresentação pública de um HQXQFLDGR OLQJXtVWLFR DWUDYpV GD OHLWXUD GH XP WH[WR SUHYLDPHQWH HVFULWR 6HQGR esta, entre outras, uma estratégia possível, legítima e até, em certas circunstâncias, MXVWL¿FDGDHDFRQVHOKiYHOHODH[LJLUiDOJXQVSURFHGLPHQWRVTXHHYLWHPDSURGXomR GH XP WH[WR FRP FDUDFWHUtVWLFDV TXH WRUQHP R VHX SURFHVVDPHQWR DWUDYpV GD escrita mais adequado do que o seu processamento por via auditiva. Por outras SDODYUDVDGLVWLQomRHQWUH³WH[WRRUDO´H³WH[WRHVFULWR´DOpPGHLQGHSHQGHQWHGD distinção entre “informal” e “formal”, também deve ser independente da distinção GR PRGR GH YHLFXODomR GR WH[WR e QD JpQHVH H QmR QD WUDQVPLVVmR GR WH[WR que reside a diferença entre estes dois tipos de produto linguístico. Com efeito, o processamento de mensagens orais – que não permite a interrupção total do processamento da mensagem para se recuperarem pontos anteriores da mesma – REHGHFHDUHVWULo}HVLPSRUWDQWHVDQtYHOGDPHPyULDGHFXUWRSUD]RHQWUHRXWUDV que fazem com que o processamento de frases longas, ambiguidades estruturais, retomas anafóricas, estruturas recursivas, etc., se torne, a partir de determinado JUDX GH H[WHQVmR H FRPSOH[LGDGH GRV HQXQFLDGRV GLItFLO RX PHVPR LPSRVVtYHO
&RPR WDO R WH[WR HVFULWR FRQFHELGR SDUD VHU WUDQVPLWLGR SRU HVFULWR FDUDFWHUL]DUVHi por poder admitir certo tipo de estruturas linguísticas que não encontraremos no WH[WRGHVWLQDGRGHVGHDVXDJpQHVHjWUDQVPLVVmRRUDO(VWDGLVWLQomRQmRWHPD YHUFRPTXHVW}HVGHIRUPDOLGDGHRXFRUUHomRPDVDSHQDVFRPDDGDSWDomRGDV FDUDFWHUtVWLFDVGRGLVFXUVRjVFLUFXQVWkQFLDVGDVXDWUDQVPLVVmRGDGRRFDUiFWHU “em tempo real”GDPDLRUSDUWHGDVVLWXDo}HVGHFRPXQLFDomRRUDOpGHHVSHUDU que os enunciados destinados a esta modalidade optem por estruturas mais facilmente processáveis em sequência, devendo este aspeto ser convenientemente H[SOLFLWDGRQDVDERUGDJHQVDRWHPD8PDSDUWHGHVWHHVIRUoRGHH[SOLFLWDomRSRGH RXGHYHSDVVDUSHODDQiOLVHGHFHUWDVSURGXo}HVTXHDSDUHQWHPHQWHLJQRUDPFRP SUHMXt]RGDH¿FiFLDFRPXQLFDWLYDHVWHDVSHWR8PH[HPSORGHVWHWLSRGHVLWXDo}HV encontra-se em discursos feitos em circunstâncias muito formais (cerimónias R¿FLDLVVHVV}HVVROHQHVHWFHPTXHRVRUDGRUHVOHHP±RUDOL]DP±WH[WRVHVFULWRV que, pelas suas características estruturais, seriam mais bem processados a partir GDHVFULWDGRTXHGDWUDQVPLVVmRRUDO6mRQDYHUGDGHWH[WRVHVFULWRVDLQGDTXH em dada circunstância, sejam transmitidos através do canal sonoro.
O texto oral como um produto estruturado e coerente
$RGHVID]HUPRVFHUWDVDVVRFLDo}HVFRUUHQWHVFRPRDVTXHIRFiPRVQRVSDUiJUDIRV DQWHULRUHV³RUDO´HTXLYDOHD³LQIRUPDO´SH[DEULPRVFDPLQKRDRGHVID]HUGHXP outro equívoco, igualmente muito frequente e que, com os anteriores, radica no SUHFRQFHLWRJUDIRFrQWULFRTXHIRLUHIHULGRQRLQtFLRGHVWDVUHÀH[}HVRGLVFXUVRRUDO não resulta de um esforço de planeamento deliberado, estruturado e consciente, sendo antes o fruto de uma atividade inteiramente espontânea, automática e inconsciente.
Nas atividades que serão propostas na terceira parte do guião, insistiremos no ponto de vista contrário e num conjunto de técnicas e procedimentos que mostrarão que, em circunstâncias que requeiram o uso oral da língua como um instrumento GHOLEHUDGR GH DWXDomR SRU H[HPSOR HP FRQWH[WR SUR¿VVLRQDO RX DFDGpPLFR D SUHSDUDomRGRWH[WRRUDOVHJXHSDVVRVHXVDPpWRGRVFRPSDUiYHLVDRVYHUL¿FDGRV QDSUHSDUDomRGRWH[WRHVFULWR
Para que os alunos melhor compreendam esta necessidade, será conveniente levá-los a consciencializarem-se de alguns pontos essenciais, que decorrem de algumas REVHUYDo}HVDQWHULRUPHQWHIRUPXODGDV
SRGHQGR RV WH[WRV RUDLV REHGHFHU D XP UHJLVWR IRUPDO H FXLGDGR HVWD característica torna o seu planeamento e estruturação muito necessários – tão necessários, em suma, como perante qualquer enunciado linguístico IRUPDOHFXLGDGR
GDGR TXH R SURFHVVDPHQWR GH WH[WRV RUDLV REHGHFH D FLUFXQVWkQFLDV H YDULiYHLV HVSHFt¿FDV DV FDUDFWHUtVWLFDV HVWUXWXUDLV GDV SURGXo}HV RUDLV GHYHPDGDSWDUVHDHVVHVFRQGLFLRQDOLVPRV
DLQH[LVWrQFLDGHXPLQWHUYDORGHWHPSRFRQVLGHUiYHOHQWUHRPRPHQWRGH SODQHDPHQWRGHXPDPHQVDJHPHRGDVXDWUDQVPLVVmRRUDOQmRVHYHUL¿FD em todos os casos da comunicação oral. Em muitas circunstâncias – por H[HPSOR QR FDVR GH H[SRVLo}HV RUDLV QR kPELWR GH WUDEDOKRV HVFRODUHV
DVVLP FRPR HP PXLWDV RXWUDV RFDVL}HV S~EOLFDV ± R HPLVVRU GLVS}H GH um tempo considerável para planear, estruturar, rever, corrigir e reformular DVXDPHQVDJHPWDOFRPRVXFHGHQDSUHSDUDomRGHXPWH[WRDWUDQVPLWLU por escrito. Sobre esta fase de preparação deve incidir um conjunto de HVWUDWpJLDVHSURFHGLPHQWRVTXHYLVDPPHOKRUDUDH¿FiFLDHDDGHTXDomR da mensagem, como tentaremos mostrar em algumas das atividades da terceira parte do guião.
As competências orais podem ser treinadas e avaliadas?
$LQVLVWrQFLDQRWUDEDOKRH[SOtFLWRVREUHDVFRPSHWrQFLDVRUDLVHFRQVHTXHQWHPHQWH sobre a sua avaliação) constitui uma relativa novidade no ensino do Português. A SDUGDLGHLDFRUUHQWHGHTXHDVSURGXo}HVRUDLVSHUWHQFHPH[FOXVLYDPHQWHjHVIHUD GRHVSRQWkQHRHGRGHVHVWUXWXUDGRRYD]LRDQWHULRUPHQWHH[LVWHQWHQRWRFDQWHD estratégias mais ou menos aceites consensualmente para o treino e a avaliação destas competências contribuiu para algumas incertezas a este respeito. Neste guião, partimos do pressuposto de que as competências orais – como qualquer outra competência linguística – não só podem como devem ser objeto de WUDEDOKRVLVWHPiWLFRH[SOtFLWRLQWHQFLRQDOHHVWUXWXUDGRFRPYLVWDDXPDPHOKRULD substantiva dos índices de desempenho linguístico-comunicativo dos alunos. Para esta assunção, baseamo-nos principalmente em argumentos que foram desenvolvidos nos parágrafos anteriores: a produção oral, tal como a produção escrita, está sujeita a graus de formalidade elevados e obedece a características SUySULDVTXHVHWRUQDLPSRUWDQWHFRQKHFHUGHIRUPDH[SOtFLWDHHVWUXWXUDGD
O contributo da competência oral para a aproximação ao texto literário
0XLWRVGRVUHFXUVRVHVWLOtVWLFRVTXHLQGLYLGXDOL]DPRWH[WROLWHUiULRVREUHWXGRHP FHUWRVJpQHURVFRPRROtULFRHRGUDPiWLFRHPERUDQmRH[FOXVLYDPHQWHQHVWHVH FXMDDSUHHQVmRH[SOtFLWDVHHVSHUDSRUSDUWHGRVDOXQRVDVVHQWDPQXPDH[SORUDomR GHOLEHUDGDGDVSURSULHGDGHVVRQRUDVGDOtQJXDULPDVHVTXHPDVPpWULFRV³¿JXUDV´ como a aliteração e a assonância, etc.).
Muitos desses recursos tornam-se mais evidentes através da apropriação oral H[SOtFLWDGHWDLVWH[WRVSRUSDUWHGRVDOXQRV(VWDDSURSULDomR±LVWRpDVXDUHSURGXomR VRQRUDHPUHVXOWDGRGHXPWUDEDOKRH[SOtFLWRGHRUDOL]DomRGHOLEHUDGDPHQWHYLJLDGD revista e controlada – trará consequências positivas a diversos níveis:
SRUXPODGRFULDUiVLWXDo}HVFRQFUHWDVGHSULPHLUDVDERUGDJHQVDDVSHWRV muito básicos da produção oral consciente6, como a dicção, a clareza e
D H[SUHVVLYLGDGH SRWHQFLDQGR QRV DOXQRV XPD PHOKRU DSUHHQVmR GR FRQWH~GR GRV WH[WRV UHSURGX]LGRV EHP FRPR D FRQVFLrQFLD H[SOtFLWD GDV SURSULHGDGHVIRQpWLFRIRQROyJLFDVVHJPHQWDLVHSURVyGLFDVGDOtQJXD
6 Entendemos neste guião por “produção oral consciente” aquela que é resultado de uma atividade
deliberada, estruturada e regulada, em situação de formalidade mínima e perante uma audiência pública – que é, para todos os efeitos, aquela que se pretende treinar ao abrigo do desenvolvimento das competências orais que constitui o foco central deste documento.
- em segundo lugar, permitirá um contacto empírico mais direto e mais nítido com os recursos fono-estilísticos em causa, de que poderá resultar uma PDLRU RX PHOKRU IUXLomR HVWpWLFD GRV WH[WRV R TXH SRU VXD YH] SRGHUi motivar os alunos para as atividades de leitura e para o estudo das matérias mais literárias.
2. Aspetos Envolvidos no Treino do Oral
Por “treino das competências orais”, podemos entender uma grande variedade GH DVSHWRV FRQKHFLPHQWRV H FRPSHWrQFLDV D H[SORUDU (VWDV QmR VH UHGX]HP j PHUDH[SRVLomRRUDOGHFRQWH~GRVHPERUDHVWDVHMDXPDFRPSHWrQFLDFHQWUDOD FRQVLGHUDUQDWXUDOPHQWH1DVVHFo}HVVHJXLQWHVGHVWHWH[WRGHIHQGHUHPRVPHVPR TXHRWUHLQRGDVFRPSHWrQFLDVRUDLVSRGHVHUYLUGRLV¿QVFRPSOHPHQWDUHVHQWUHVL DOpPGRWUHLQRGDH[SUHVVmRRUDOHPVLPHVPDRWUDEDOKRHPWRUQRGHVWDSRGHVHU XPLQVWUXPHQWRUHOHYDQWHSDUDRWUDEDOKRH[SOtFLWRDFHUFDGHRXWUDVFRPSHWrQFLDV linguísticas e não linguísticas.
1HVWH FDStWXOR SURFHGHUHPRV D XP FRQMXQWR GH UHÀH[}HV SUHFLVDPHQWH VREUH DOJXPDVGDVGLPHQV}HVTXHVHWRUQDSRVVtYHOWUDEDOKDUQRkPELWRGRWUHLQRGDV competências orais dos alunos.
$VGLPHQV}HVjVTXDLVVHUiGDGRXPGHVWDTXHLQGLYLGXDOL]DGRVmRDVVHJXLQWHV - competências articulatórias;;
- competências prosódicas;;
- competências pragmático-discursivas;;
FRQVFLrQFLDH[SOtFLWDGHIHQyPHQRVGHYDULDomROLQJXtVWLFDDQtYHOGDV estruturas fonético-fonológicas da língua;;
- planeamento de produções linguísticas.
Competências articulatórias
$H[SUHVVmRRUDO±TXHFRUUHVSRQGHFRQIRUPHGLVVHPRVjPRGDOLGDGHEiVLFDGD atividade linguística e que ocupa a maior porção da produção linguística da maior parte das pessoas que usam uma língua para comunicarem entre si – assenta, de forma muito “física”, num fenómeno natural: a produção de som através de um FRQMXQWRFRPSOH[RGHPDQLSXODo}HVGRVPHFDQLVPRVGDFRUUHQWHDpUHDGHQWURGR aparelho fonador humano. Ao nível básico dos processos físicos que produzem e caracterizam o som da fala, este não se distingue de outros sons com que contactamos diariamente: ruído ambiente, cantar dos pássaros, sons emitidos pelos instrumentos musicais, etc., são sempre o resultado de movimentos vibratórios das partículas de ar, desencadeados por uma libertação de energia localizada num ponto do espaço e num momento do tempo e propagados ondulatoriamente através de um canal elástico. Estes movimentos vibratórios veem as suas propriedades acústicas fundamentais – intensidade, altura, duração e composição interna – determinadas não só pelas características e pelo comportamento dos corpos físicos que lhes dão origem (as fontes sonoras), mas também pelas características (volume e dimensão, basicamente) dos corpos que atravessam no seu percurso, através de fenómenos conhecidos em acústica por reverberação e ressonância, de que UHVXOWDDLQWHQVL¿FDomRGHFHUWDVIUHTXrQFLDVHFRQVHTXHQWHPHQWHDDOWHUDomRGDV propriedades físicas da onda sonora.
Na produção da fala, portanto, há que ter em atenção que o aparelho fonador está DLPSULPLUFRQVWDQWHPHQWHDXPDFRUUHQWHDpUHDXPFRQMXQWRGHPRGL¿FDo}HVFRP consequências a nível das propriedades sonoras da onda que emite.
Os gestos efetuados pelos vários órgãos encontrados no interior da cavidade oral constituem um aspeto central da atividade que designamos por “articulação”. (PFHUWDVSUR¿VV}HVTXHID]HPGDIDODHRXGDYR]XPLQVWUXPHQWRGHWUDEDOKR IXQGDPHQWDO±RWHDWURHRFDQWRSRUH[HPSOR±VmRFRPXQVDWLYLGDGHVH[SOLFLWDPHQWH direcionadas para o treino do que aí é designado por “dicção” e “colocação de YR]´(VWDVFRUUHVSRQGHPVLPSOL¿FDQGRDXPFRQMXQWRGHDWLYLGDGHVH[HUFtFLRVH WpFQLFDVGHOLEHUDGDPHQWHSODQHDGDVHH[HFXWDGDVSDUDTXHRVJHVWRVDUWLFXODWyULRV efetuados pelo aparelho fonador otimizem as qualidades do som da fala, tornando mais clara e mais percetível a mensagem a transmitir e evitando, de forma muito HVSHFLDO DUWLFXODo}HV ³SURQ~QFLDV´ TXH WRUQHP D FRPSUHHQVmR GD PHQVDJHP mais difícil, mais obscura ou simplesmente ambígua.
$VVLP FRQYpP LQVLVWLU TXH DVVLP FRPR QDV SURGXo}HV HVFULWDV FHUWRV DVSHWRV PXLWR³PDWHULDLV´±FRPRRWLSRRXDIRUPDGHOHWUDXWLOL]DGDQXPWH[WRPDQXVFULWR RX LPSUHVVR SRU H[HPSOR ± SRGHP LQWHUIHULU FRP D WUDQVPLVVmR GD PHQVDJHP que se pretende fazer chegar a um recetor, a produção oral deve também ter em consideração um aspeto fundamental: a articulação percetível e clara dos sons que FRPS}HPRVHQFDGHDPHQWRVGHPDWHULDOYHUEDO
1HVWH kPELWR RV DOXQRV GHYHUmR VHU OHYDGRV D WUDEDOKDU GLPHQV}HV FRPR DV TXHSDVVDPRVDHQXPHUDUDWtWXORH[HPSOL¿FDWLYRHTXHHPSDUWHVHUmRREMHWR de algumas das atividades incluídas na terceira parte deste guião). A tomada de FRQVFLrQFLDH[SOtFLWDGHDVSHWRVFRPRHVWHVQmRVHFLUFXQVFUHYHUiGHIRUPDUHVWULWLYD DDXODVRXDPRPHQWRVGHDXODHVSHFL¿FDPHQWHGHGLFDGRVDRWUDEDOKRVREUHHVWHV assuntos, devendo, de preferência, ser um procedimento recorrente e sistemático por parte do professor, que terá de manter um nível de atenção e consciencialização constantes deste tipo de competência linguística. Deverá também ser tido em conta que a importância e a consciência deste tipo de atitudes perante a articulação da fala VHUmRWmRPDLVH[SOtFLWDVHHOHYDGDVTXDQWRPDLVHOHYDGRIRURJUDXGHIRUPDOLGDGH GDVSURGXo}HVOLQJXtVWLFDVFRPRpQDWXUDO
¬OX]GDVFRQVLGHUDo}HVIHLWDVDWpDRPRPHQWRGRLVDVSHWRVD¿JXUDPVHQHVWH momento, particularmente importantes:
- articulação pausada e clara dos sons;;
- atenuação, dentro do possível, de certos processos claramente associados a um nível de linguagem informal e não vigiado: redução excessiva de todas as vogais átonas, apagamento de sílabas, cacófatos, …
Atividades que acentuem as propriedades fonéticas dos enunciados, incidindo sobre WH[WRV TXH H[SORUDP SUHFLVDPHQWH WDLV SURSULHGDGHV ± SURYpUELRV OHQJDOHQJDV WUDYDOtQJXDV SRHVLD PHWUL¿FDGD HWF ± FRQVWLWXHP XP UHFXUVR LPSRUWDQWH SDUD D FRQVFLHQFLDOL]DomR H XP WUHLQR PDLV H[DXVWLYR GHVWH WLSR GH FRPSHWrQFLDV revertendo também para o trabalho a outros níveis (recursos estilísticos, vocabulário, funcionamento da língua, etc.).
Competências prosódicas
$VFRPSHWrQFLDVRUDLVFRQWHPSODGDVSHODVHFomRDQWHULRUOLPLWDPVHjDUWLFXODomR GLWD³VHJPHQWDO´±LVWRpjDUWLFXODomRGDVFRQVRDQWHVHYRJDLVTXHVHVXFHGHP linearmente num enunciado verbal. As estruturas sonoras das línguas – e, neste DVSHWR R SRUWXJXrV QmR p XPD H[FHomR ± QmR VH HVJRWDP SRUpP QHVWH QtYHO linear.
O que distingue palavras como “dúvida” e “duvida”, SRUH[HPSORRXRTXHWUDQVPLWH ao ouvinte a informação de que “Vamos ao cinema.”pXPDIUDVHD¿UPDWLYDPDV que “Vamos ao cinema?” é uma frase interrogativa, sendo propriedades sonoras, não são propriedades segmentais/segmentáveis. Note-se que em cada um destes dois pares (“dúvida”/“duvida”;; “Vamos ao cinema.”/“Vamos ao cinema?”), o encadeamento de consoantes e vogais é rigorosamente o mesmo em cada um dos WHUPRVGRSDU2TXHGLIHUHHQWUHDPERV±HRTXHYDLGLVWLQJXLURVLJQL¿FDGRRXD função de cada um – tem a ver com propriedades que não são segmentáveis desse continuum linear: o acento, no caso do par “dúvida”/“duvida”, e a entoação, no caso de “Vamos ao cinema.”/“Vamos ao cinema?”. Acento e entoação, entre outros, são
propriedades prosódicas (ou “suprassegmentais”): são propriedades sonoras que
tomam como domínio de aplicação unidades maiores do que o segmento (consoante RXYRJDO(PWHUPRVSXUDPHQWHItVLFRVUHVXOWDPGHXPDFRPELQDomRFRPSOH[D de propriedades articulatórias, de que avulta a manipulação da frequência e da intensidade da vibração das cordas vocais (como sucede no canto) ao longo de uma sucessão de segmentos discretos.
$V SURSULHGDGHV SURVyGLFDV HVWDQGR DVVRFLDGDV D PXLWDV GLVWLQo}HV OLQJXtVWLFDV SHUWLQHQWHV FRPR R VLJQL¿FDGR OH[LFDO RX R WLSR IUiVLFR FRPR REVHUYDPRV QRV H[HPSORVGDGRVDFLPDHVWmRWDPEpPDVVRFLDGDVGHIRUPDPXLWRLPSRUWDQWHj WUDQVPLVVmRGHHPRo}HV7.
Um aspeto muito importante da estruturação prosódica dos enunciados reside na colocação das pausas – isto é, de intervalos de silêncio em pontos localizados das IUDVHVPDLVH[WHQVDVRXHYHQWXDOPHQWHHQWUHIUDVHV
As pausas – que nem sempre coincidem com sinais de pontuação (assim como nem sempre os sinais de pontuação indicam pausas) – obedecem a alguns SULQFtSLRVHDVVHJXUDPFHUWDVIXQo}HVFRPRSDVVDPRVDHQXQFLDUGHYHQGRHVWHV DVSHWRVWDPEpPVHUREMHWRGHWUDEDOKRH[SOtFLWR
- a colocação das pausas na produção de fala deve ser conscientemente controlada de modo a assegurar ao locutor um ritmo de fala confortável e, VLPXOWDQHDPHQWHXPDSURGXomRYHUEDOFODUDSHUFHWtYHOHFXLGDGD
- a repartição de uma frase ou mesmo de enunciados mais longos por segmentos entre pausas e por contornos entoacionais associados a cada um desses segmentos – isto é, a estruturação prosódica dos enunciados – não é inteiramente dissociada de algumas características sintáticas, VHPkQWLFDVHSUDJPiWLFDVGDVIUDVHV
7 Na terceira parte, serão incluídas algumas propostas de atividades respeitantes a esta dimensão da
- assim, a colocação de pausas, juntamente com os contornos entoacionais, serve frequentemente para:
- conferir ênfaseDFHUWDVSDODYUDVRXFRQVWLWXLQWHVIUiVLFRV
- delimitar frases, orações ou constituintes frásicosSRUH[HPSORDV SDXVDVSRGHPVHSDUDUDVRUDo}HVUHODWLYDVH[SOLFDWLYDVGRUHVWRGHXPD frase), o que poderá facilitar o processamento de frases mais longas e
PDLVFRPSOH[DV
- desfazer ambiguidades estruturais8.
$LQGDQRTXHGL]UHVSHLWRjVSDXVDVGHYHPRVUHIHULUTXHWDOFRPRDHQWRDomRD SDXVDQRGLVFXUVRRUDOSUHVWDVHWDPEpPjWUDGXomROLQJXtVWLFDGHHPRo}HV
Competências pragmático-discursivas
Para se compreender o trabalho pedagógico com o discurso oral, é também QHFHVViULRRSURIHVVRUFRQKHFHUDOJXPDVQRo}HVGH$QiOLVHGR'LVFXUVR5HWyULFD 3UDJPiWLFD H /LQJXtVWLFD 7H[WXDO H iUHDV GLVFLSOLQDUHV FRUUHODWDV SDUD XVDUPRV conceitos e etiquetas do Dicionário Terminológico9.
2 GRPtQLR VDWLVIDWyULR GD FRPSHWrQFLD RUDO HP VLWXDomR IRUPDO H[LJH FRUUHomR H FODUH]D H R GRPtQLR GDV PDUFDV QXFOHDUHV GD QRUPDSDGUmR PDV SUHVVXS}H também a adequação DR FRQWH[WR DR WHPD DR WHPSR GLVSRQtYHO H VREUHWXGR DRDORFXWiULRHjVVXDVUHDo}HVGXUDQWHDSURGXomRGRGLVFXUVRRUDO7RGRVHVWHV elementos variam consoante o grau de formalidade do discurso. Ora, o domínio GHVWDVGLPHQV}HVSRGHHGHYHVHUWUHLQDGRQDHVFRODDGLIHUHQWHVQtYHLVOLQJXtVWLFR e comunicativo.
(P UHODomR j GLPHQVmR PDLV HVWULWDPHQWH OLQJXtVWLFD SRGHP FRQVLGHUDUVH elementos de nível fónico (entoação, …), de nível gramatical propriamente dito FRQVWUXomR GH RUDo}HV FRP GLIHUHQWH JUDX GH FRPSOH[LGDGH SDUDWD[H RUDo}HV incompletas, interligação entre diferentes partes do discurso através do uso adequado de conectores, marcadores discursivos e tópicos estereotipados que IXQFLRQDPFRPRERUG}HVGHQtYHOOH[LFDOVHOHomROH[LFDOSUHFLVmRHSURSULHGDGH No que se refere ao domínio comunicativo, a compreensão e a produção de múltiplos GLVFXUVRV RUDLV LQFOXLQGR H[HPSORV GH DWLYLGDGH LQWHUDFLRQDO YDULDGD GHYHP WHU HPFRQWDSDUkPHWURVFRPRRSDSHOGRVFRQWH[WRVDVUHODo}HVLQWHUSHVVRDLVHQWUH interlocutores, a importância dos deíticos, os atos de fala realizados, os princípios que regem a intercomunicação pessoal, sobretudo o Princípio Cooperativo (Grice 1975)10 e o da Delicadeza ou Cortesia (Leech 1983)11 e as normas que deles
decorrem. Mais uma vez, aquelas variáveis deverão ser estudadas e o uso destes SULQFtSLRVWUHLQDGRVHUHVSHLWDGRVHPH[HUFtFLRVHVFRODUHV$VVLPRWUHLQRGD
8 Uma frase como “O João viu o pai com os óculos novos.”, sendo estruturalmente ambígua, pode ser
desambiguada através da colocação ou não de uma pausa a seguir ao objeto direto.
9 http://dt.dgidc.min-edu.pt/
10*ULFH+3/RJLFDQGFRQYHUVDWLRQ,Q3&ROH-0RUJDQ(GVSyntax and Semantics. Volume
3. New York: Academic Press, 41-58.
SURGXomRRUDOLPSOLFDXPDHVSHFLDODWHQomRjVUHJUDVTXHGHFRUUHPGR3ULQFtSLR da Delicadeza e das normas de cortesia linguística em geral, incluindo o treino de IRUPDVGHWUDWDPHQWRHVWUDWpJLDVGHDWHQXDomRRXGHLQWHQVL¿FDomROLQJXtVWLFDGH ordenação das ideias, de reformulação discursiva.
3DUDOiGHVWHVGRLVQtYHLVVHUiUHOHYDQWHDWHQGHUDRVHOHPHQWRVH[WHUQRVjSURGXomR RUDOPDVTXHLQWHUIHUHPQDH¿FiFLDGLVFXUVLYDWDLVFRPRJHVWRVROKDUSRVLomRGR corpo, distância interpessoal… Na verdade, há elementos não verbais (cinésicos e SUR[pPLFRVTXHVmRFRFRQVWUXWRUHVGRVLJQL¿FDGRLQWHQGLGRPHUHFHQGRSRUWDQWR WUHLQRHVSHFt¿FRHH[SOtFLWRWDQWRPDLVTXHVmRXPVLQDOYLVtYHOGDIRUWHGHSHQGrQFLD GRGLVFXUVRRUDOHPUHODomRDRVFRQWH[WRVH[WUDYHUEDLV
Dado que toda e qualquer produção oral é a manifestação de um género discursivo, deverão ser tidas em conta, quer em atividades de compreensão quer em atividades GHSURGXomRDVVXSHUHVWUXWXUDVFRUUHVSRQGHQWHVXPDYH]TXHHVWDVLQÀXHQFLDP DVHVFROKDVOLQJXtVWLFDVHDVHVWUDWpJLDVFRPXQLFDWLYDVDDGRWDU$WtWXORGHH[HPSOR QRWHVHTXHDSODQL¿FDomRGHXPDH[SRVLomRRUDOIRUPDOH[LJHRSUHHQFKLPHQWRGH um conjunto de categorias distinto daquele que é requerido para o debate.
Seguindo a sugestão de Moreno Fernández12, consideramos que é possível trabalhar
diferentes géneros discursivos orais, de acordo com os seguintes parâmetros: grau de formalidade do oral, papel do alocutário e posicionamento dos participantes.
Género formalidadeGrau de alocutárioPapel do dos participantesPosicionamento
Debate, mesa-redonda, colóquio, reunião de trabalho
alto interlocutor cara a cara
Entrevista telefónica para
um meio de comunicação alto interlocutor Outro
&RQIHUrQFLDH[SRVLomR
apresentação alto passivo cara a cara
'LVFXUVRRXH[SRVLomR através de um meio de comunicação
alto passivo Outro
Conversação informal EDL[R interlocutor cara a cara
Conversação telefónica
informal EDL[R interlocutor Outro
([SRVLomRHQDUUDomR
informal EDL[R passivo cara a cara
Mensagem coloquial num
atendedor de chamadas EDL[R passivo Outro
(Adaptado de: Moreno Fernández, F. 2002. Producción, Expresión e Interacción Oral. Madrid: Arcos, p. 42)
A consideração destes parâmetros parece-nos operativa pedagogicamente, no VHQWLGR HP TXH D VXD YDULDomR FRQWURODGD SHUPLWH YHUL¿FDU TXH HOHPHQWRV VmR relevantes para a produção de um discurso tanto monológico como dialogal.
Entrevista ([SRVLomR
abertura
Apresentação e início da interação
Saudação e apresentação do tema
GDH[SRVLomR
fase intermédia Conversação (pergunta / resposta) ([SRVLomR
fecho &RPHQWiULRV¿QDLVHdespedida 6tQWHVHHVDXGDomR¿QDO
participantes Pelo menos dois Um
Variação linguística
A variação linguística constitui um tópico abordado em vários momentos do ensino H[SOtFLWR GD OtQJXD 2V DOXQRV GHYHP VHU OHYDGRV j FRQVFLrQFLD H[SOtFLWD GH TXH XPDOtQJXDQmRpXPEORFRPRQROtWLFRGHXQLGDGHVUHJUDVHFRQVWUXo}HVXWLOL]DGDV da mesma forma por todos os falantes. O grau de formalidade/informalidade HQWUHLQWHUORFXWRUHVSRUH[HPSORpXPGRVIDWRUHVTXHFRQGLFLRQDPFHUWRVXVRV linguísticos – como as formas de tratamento, o tipo de vocabulário, o recurso a certos tempos verbais e estruturas sintáticas, etc. A abordagem aos “registos de língua” permite, justamente, trabalhar estes aspetos.
1HVVHFRQWH[WRWRUQDVHSRVVtYHOLGHQWL¿FDURXWUDVYDULiYHLVTXHLQWHUIHUHPVREUHD YDULDomR±FRPRDRULJHPJHRJUi¿FDGRVIDODQWHV±HRXWURVDVSHWRVOLQJXtVWLFRVHP TXHDYDULDomRVHPDQLIHVWD±FRPRSRUH[HPSORDDUWLFXODomRGRVVRQVGDOtQJXD 'H XP PRGR JHUDO WRGRV RV IDODQWHV WrP FRQVFLrQFLD GH TXH FHUWDV SURGXo}HV DUWLFXODWyULDV HVWmR UHJXODUPHQWH DVVRFLDGDV D FHUWDV UHJL}HV GR SDtV VHQGR IUHTXHQWH HQFRQWUDU QXPD PHVPD WXUPD DOXQRV FRP SURYHQLrQFLDV JHRJUi¿FDV distintas e que, por isso, apresentem hábitos articulatórios igualmente distintos. 6LWXDo}HV FRPR HVWD GHYHP VHUYLU GH SUHWH[WR H GH SRQWR GH SDUWLGD SDUD XPD UHÀH[mR VREUH R WySLFR GD YDULDomR RULHQWDGD HP WRUQR GH GXDV GLPHQV}HV IXQGDPHQWDLVDLQH[LVWrQFLDGHOtQJXDVVHPYDULDomRHRFRPEDWHDRSUHFRQFHLWR VRFLDOH[LVWHQWHDUHVSHLWRGHDOJXPDVPDQLIHVWDo}HVGHYDULDomROLQJXtVWLFD Relativamente a este último tópico, parece-nos importante ressalvar a tensão H[LVWHQWHHQWUHSRUXPODGRRGLUHLWRDWRGRVRVDOXQRVXVDUHPDQRUPDGLDOHWDO correspondente ao seu meio de pertença ao abrigo da crítica e do preconceito e, por outro, a conveniência de esses mesmos alunos perceberem que, em determinados FRQWH[WRV SRGHUmR FROKHU EHQHItFLRV VRFLDLV GD DWHQXDomR GH FHUWDV PDUFDV GLDOHWDLVHGDVXDDSUR[LPDomRjFKDPDGD³QRUPDSDGUmR´±DTXDOpGHUHVWRH GHDFRUGRFRPDVGLUHWUL]HVR¿FLDLVDTXHGHYHVHUSUHSRQGHUDQWHPHQWHXVDGDQD medida do possível, dentro da sala de aula.
(VWD WHQVmR H[LJH QDWXUDOPHQWH XPD DSUR[LPDomR FDXWHORVD j TXHVWmR GD variação dialetal e deverá oferecer uma oportunidade para se proceder a trabalho de consciencialização sobre as propriedades articulatórias da produção linguística.
Planeamento da produção linguística
1DV VHFo}HV DQWHULRUHV D GLPHQVmR RUDO GDV SURGXo}HV OLQJXtVWLFDV IRL TXDVH H[FOXVLYDPHQWH UHGX]LGD DRV DVSHWRV IRQpWLFRV GDV SURGXo}HV ± RX VHMD DRV aspetos relacionados com as propriedades articulatórias e acústicas dos produtos verbais.
&RQWXGRGHYHVHUUHWLGR±FRPRWHQWiPRVGHL[DUFODURQDVREVHUYDo}HVLQLFLDLVDHVWH GRFXPHQWRHFRPRSUHWHQGHPRVH[SORUDUGHIRUPDPDLVH[DXVWLYDQDVDWLYLGDGHV propostas na terceira parte do guião – que o discurso oral obedece, em termos de RUJDQL]DomR HVWUXWXUDomRHSODQHDPHQWR jVPHVPDVFDUDFWHUtVWLFDVGRGLVFXUVR escrito formal. Em todos os momentos em que se proceder ao planeamento e H[HFXomRGDH[SUHVVmRRUDOHVWDFDUDFWHUtVWLFDGHYHVHUVXEOLQKDGDFRQWULEXLQGRVHDVVLP SDUDRDIDVWDPHQWRGDLGHLDGHTXHDH[SUHVVmRRUDOVHFDUDFWHUL]DREULJDWRULDPHQWH pelo improviso e pela falta de coerência.
Segunda Parte
A competência oral
1. A competência oral e as funções do professor de
Língua Portuguesa
1RV VHXV SULQFtSLRV HVWUXWXUDQWHV R WH[WR GR Programa de Português do Ensino Básico13 (PPEB) assume que deverá ser dado igual relevo ao trabalho sobre o
desenvolvimento das competências do modo oral e do modo escrito e chama a atenção para a importância do domínio destas competências linguístico- -comunicativas, na relação com os outros saberes.
$QRVVDOtQJXDpXPIXQGDPHQWDOLQVWUXPHQWRGHDFHVVRDWRGRVRVVDEHUHV e sem o seu apurado domínio, no plano oral e no da escrita, esses outros saberes não são adequadamente representados. (PPEB, p. 6)
Por outro lado, QDVRSo}HVSURJUDPiWLFDVGR33(%SUHVVXS}HVHTXHRSURIHVVRU de Língua Portuguesa fará incidir o seu trabalho sobre o desenvolvimento das competências do modo oral, como objeto de estudo em si mesmo e em articulação FRPDFRPSHWrQFLD&RQKHFLPHQWR([SOtFLWRGD/tQJXD&(/
2 FRQKHFLPHQWR H[SOtFLWR GD OtQJXD p WUDQVYHUVDO DRV GLIHUHQWHV GRPtQLRV FRP GLVVHPLQDGD LQFLGrQFLD QDV UHVSHWLYDV FRPSHWrQFLDV HVSHFt¿FDV (compreensão e H[SUHVVmRRUDO14OHLWXUDHHVFULWDid, p.19)
(QWHQGHVHDVVLPTXHRFRQKHFLPHQWRVREUHRRUDOHRVHXHQVLQRH[SOtFLWRVmR FRQVWUXtGRVQDUHODomRGLQkPLFDHQWUHD&RPSUHHQVmRGRRUDOHR&(/HD([SUHVVmR oral e o CEL. Na verdade, essa desejável articulação é visível nos Descritores de desempenho e conteúdos associados que integram essas três competências e que são a componente da matriz comum aos três ciclos que é objeto de maior HVSHFL¿FDomRQR33(%1RFLFORD&RPSUHHQVmRGR2UDOHD([SUHVVmRRUDO DJOXWLQDPVHQXPDVyH[SUHVVmR
2. O oral na matriz comum aos três ciclos
Na organização programática dos três ciclos, as competências orais estão presentes nas cinco componentes da matriz comum, perspetivando diferentes incidências FXUULFXODUHVQRWUDEDOKRVREUHDVFRPSHWrQFLDVJHUDLVHHVSHFt¿FDV
Tendo em conta o princípio de progressão e o que é aconselhado por um determinado estado de desenvolvimento curricular, na primeira componente da matriz, de Caracterização, FRQVLGHUDVH TXH QR FLFOR D FRPXQLFDomR RUDO WHP XPD dupla função: adaptativa ao novo ambiente e de “capacitação dos alunos para se H[SULPLUHPGHPRGRPDLVÀXHQWHHDMXVWDGRjVVLWXDo}HV´SQRPHDGDPHQWH
13 Reis, C. (coord.). (2009). Programa de Português do Ensino Básico. ME-DGIDC: Lisboa.
Documento consultado no endereço KWWSZZZGJLGFPLQHGXSWHQVLQREDVLFRLQGH[ php?s=directorio&pid=47&ppid=3, em 19-09-2011.
jV VLWXDo}HV GH FRPXQLFDomR LPSOLFDQGR GLIHUHQWHV JUDXV GH IRUPDOLGDGH 1R FLFORDFRPXQLFDomRRUDOFRQWHPSODQRYDVIXQo}HVGHRUJDQL]DomRHJHVWmR GR WUDEDOKR QD DXOD GH GLYXOJDomR H SDUWLOKD GH UHVXOWDGRV GH HODERUDomR GH FULWpULRV GH GHVHPSHQKR SDUD UHJXODomR GDV VLWXDo}HV GH LQWHUDomR YHUEDO H GH H[SRVLomRRUDOHPGLIHUHQWHVJUDXVGHIRUPDOLGDGHGHLQYHVWLPHQWRQDSURGXomR HVFULWD GDV DSURSULDo}HV FRQFUHWL]DGDV QDV DWLYLGDGHV GH FRPSUHHQVmR GR RUDO H GH H[SUHVVmR RUDO )LQDOPHQWH QR FLFOR DSURIXQGDPVH H VLVWHPDWL]DPVH DVIXQo}HVGDFRPXQLFDomRRUDOMiHYLGHQFLDGDVDQWHVGHDQiOLVHHLQFRUSRUDomR SURJUHVVLYDGRVFULWpULRVGHH¿FiFLDHGHFRHUrQFLDGLVFXUVLYDGHDODUJDPHQWRGR repertório linguístico para reforço da compreensão dos mecanismos e estratégias GHSURGXomRRUDOGHGHVHQYROYLPHQWRGDDXWRQRPLDHFRQ¿DQoDQDFRPXQLFDomR RUDOGHDSURIXQGDPHQWRGDFDSDFLGDGHGHID]HUHVFROKDVDGHTXDGDVjVLQWHQo}HV FRPXQLFDWLYDV H DRV LQWHUORFXWRUHV GH UHLQYHVWLPHQWR GH FRQKHFLPHQWRV QR aperfeiçoamento e avaliação de desempenhos no modo oral.
No plano do ensino e da aprendizagem do oral, e tendo em conta não só o que é objeto de descrição na componente de Caracterização, mas de igual modo, o que é SURSRVWRQDVTXLQWDHVH[WDFRPSRQHQWHVGDPDWUL]CorpusWH[WXDOe Orientações de Gestão, GHVWDFDVH HP VHJXLGD XP FRQMXQWR GH RULHQWDo}HV JHUDLV SDUD RV três ciclos e traçam-se, para cada ciclo, as linhas de atuação dos professores que UHTXHUHPDWHQomRHVSHFt¿FD
3. Orientações gerais para os três ciclos
1DVRULHQWDo}HVJHUDLVSDUDRVWUrVFLFORVpDWULEXtGDSDUWLFXODULPSRUWkQFLDjJHVWmR GRWHPSR1RFRQWH[WRGRGHVHQYROYLPHQWRGDVYiULDVFRPSHWrQFLDVHPWRGRVRV ciclos se considera que deverá haver uma distribuição equilibrada do tempo pelas diferentes competências, o que implica um enfoque de medida igual sobre cada uma das competências orais e um enfoque de medida correspondente, sobre as competências do modo oral, do modo escrito e do CEL. Paralelamente, aponta-se para uma incidência do trabalho sobre as competências orais, como forma de propiciar XPD XWLOL]DomR PDLV SUR¿FLHQWH GD OtQJXD H XPD PHOKRU FRPSUHHQVmR GR VHX funcionamento, para a necessidade do contacto com os dois registos de língua, informal e formal, e para o domínio das regras que regulam os discursos, tendo em conta diferentes graus de formalidade.
Em todos os ciclos se prevê que “o português oral, na sala de aula” (p. 109) seja trabalhado não apenas para desenvolver a capacidade de falar em geral, mas que se consubstancie num domínio programado de conteúdos, contemplando os géneros que apoiam as aprendizagens escolares, incluída nelas a do português, EHP FRPR ³RV JpQHURV S~EOLFRV QR VHQWLGR PDLV DPSOR GR WHUPR H[SRVLomR entrevista, debate, teatro, palestra, etc.) (p. 146). No que diz respeito ao referencial GHWH[WRVSURSRVWRSDUDRRUDODSRQWDPVHDVYDQWDJHQVHPXWLOL]DURVUHFXUVRV das TIC, para trazer para dentro da aula uma grande variedade de discursos e de WH[WRVRUDLVHPXOWLPRGDLV3RURXWURODGRVmRFRPXQVDWRGRVRVFLFORVRVFULWpULRV
HP TXH GHYH DVVHQWDU D HVFROKD GRV WH[WRV RUDLV D WUDEDOKDU FRP RV DOXQRV GH GLYHUVLGDGHWH[WXDOGHUHSUHVHQWDWLYLGDGHHTXDOLGDGHGHGLQkPLFDGHSURJUHVVmR IDFHDRQtYHOHWiULRGRVDOXQRVGHLQWHUWH[WXDOLGDGH
2ULHQWDo}HVHVSHFtÀFDVSDUDFDGDFLFOR
1RTXHUHVSHLWDDRFLFORQRVGRLVSULPHLURVDQRVDVVXPHSDUWLFXODULPSRUWkQFLD o desenvolvimento da consciência fonológica, condição base para a aprendizagem GD OHLWXUD H GD HVFULWD HP DVVRFLDomR FRP R HQVLQR H[SOtFLWR H VLVWHPiWLFR GD decifração.
No desenvolvimento da Compreensão do oral, considera-se fundamental ao longo deste ciclo que, a partir do contacto com discursos com diferentes graus de IRUPDOLGDGH H GH FRPSOH[LGDGH VH UHDOL]HP DWLYLGDGHV GHVWLQDGDV D HQVLQDU RV alunos a escutar, a reter e a registar a informação pertinente. Igualmente fundamental para o desenvolvimento desta competência é o investimento na aprendizagem VLVWHPiWLFDGRYRFDEXOiULRRDODUJDPHQWRGRYRFDEXOiULRpFRQGLomRGHLQWHJUDomR na escola e na vida do grupo de que a criança faz parte.
1RGHVHQYROYLPHQWRGDH[SUHVVmRRUDOGiVHUHOHYRjSDUWLFLSDomRHPVLWXDo}HV GH FRPXQLFDomR RUDO LQIRUPDLV HYROXLQGR SDUD VLWXDo}HV SURJUHVVLYDPHQWH PDLV IRUPDLVFRPDSUHQGL]DJHPH[SOtFLWDGHWpFQLFDVGHH[SUHVVmRRUDOHGHPRELOL]DomR de vocabulário, bem como de estruturas gramaticais e discursivas anteriormente ouvidas ou lidas. No plano das competências linguístico-comunicativas, trata-se GH ID]HU HPHUJLU VLWXDo}HV GH DSUHQGL]DJHP RQGH D FULDQoD DSUHQGD SULPHLUR D respeitar regras de convivência social e regras de língua e depois “a preparar o seu GLVFXUVRDDSUHVHQWiORHDDJLUHPVLWXDomRGHDFRUGRFRPDVUHDo}HVGRS~EOLFR´ (p. 69).
1RFLFORDFRQVROLGDomRGRGRPtQLRGDVUHODo}HVHQWUHRVVLVWHPDVIRQROyJLFR HRUWRJUi¿FRHGRHVWDEHOHFLPHQWRGHWUDoRVGLVWLQWLYRVHQWUHOtQJXDIDODGDHOtQJXD escrita assume especial importância. Por outro lado, aposta-se na consolidação e VLVWHPDWL]DomR GDV DSUHQGL]DJHQV FRQFUHWL]DGDV QR FLFOR QDV FRPSHWrQFLDV do modo oral e na articulação destas competências com o CEL. No domínio da Compreensão do oral, tendo em conta múltiplas literacias, trabalham-se vários tipos GHWH[WRQRPHDGDPHQWHRVGHQDWXUH]DPXOWLPRGDO
)LQDOPHQWHQRFLFORpGDGDPDLRULPSRUWkQFLDjFRQVROLGDomRGDVDSUHQGL]DJHQV realizadas nos ciclos anteriores e ao estudo sistematizado sobre a língua, FRQFUHWL]DGRQXPDHVWUHLWDDUWLFXODomRHQWUHDFRPSUHHQVmRGRRUDOHDH[SUHVVmR oral, com incidência nos usos mais formais do discurso oral.
1RDQRDSURIXQGDVHRFRQKHFLPHQWRGDWLSRORJLDGHWH[WRVFRQYHUVDFLRQDLV QDUUDWLYRVGHVFULWLYRVHH[SRVLWLYRVQRDQRWUDEDOKDVHRGHEDWHDHQWUHYLVWD RWH[WRSXEOLFLWiULRGDQGRVHGHVWDTXHDRHVWXGRGRWH[WRDUJXPHQWDWLYRHQR DQRDODUJDVHDFRPSUHHQVmRGRVSURFHVVRVGHFRQVWUXomR¿FFLRQDOHDSURIXQGD VHRHVWXGRGRWH[WRDUJXPHQWDWLYR
4XDQWRjSRHVLDQRDQRUHWRPDPVHDVQRo}HVGHULPDHGHUHIUmRSURJUHGLQGR DRORQJRGRFLFORSDUDDH[SUHVVmRGHVHQWLPHQWRVGHFRPHQWiULRVHDSUHFLDo}HV DSDUWLUGDUHDomRSHVVRDODWH[WRVRXYLGRVHOLGRV
Neste ciclo, os alunos devem ter contacto com os usos formais e convencionais GRGLVFXUVRRUDO³TXHH[LMDPXPFRQWURORLQFRQVFLHQWHHYROXQWiULRGDHQXQFLDomR WHQGRHPYLVWDDLPSRUWkQFLDDVVXPLGDSHORGRPtQLRGDSDODYUDS~EOLFDQRH[HUFtFLR da cidadania.” (pp.145-146).
5. Conhecimento explícito do oral
(QWHQGHVH TXH QRV WUrV FLFORV R FRQKHFLPHQWR H[SOtFLWR GR RUDO HQYROYHQGR DQiOLVH UHÀH[mR H VLVWHPDWL]DomR SUHYr D SURJUHVVLYD DTXLVLomR H R UHFXUVR D FDWHJRULDVGHFDUiWHUPHWDOLQJXtVWLFRPHWDWH[WXDOHPHWDGLVFXUVLYRTXHYmRSHUPLWLU GHVFUHYHUHH[SOLFDUGHWHUPLQDGRVXVRVGRSRUWXJXrV
1R TXDGUR DSUHVHQWDPVH H[HPSORV GH WHUPRV TXH FREUHP FRQFHLWRV TXH podem ser integrados em cada uma destas categorias, os quais, sendo comuns DRVWUrVFLFORVSUHVVXS}HPRUHVSHLWRSHORSULQFtSLRGHSURJUHVVmRQRFRQWH[WR GDVH[SHULrQFLDVGHDSUHQGL]DJHPTXHVHUmRSURSRUFLRQDGDVDRVDOXQRV
Termos/Conceitos Metalinguísticos 0HWDWH[WXDLV Metadiscursivos &LFOR . Ditongo
. Sílaba . Acento . Entoação
.7H[WRRUDO . 'LVFXUVRUHJLVWR formal e informal . Diálogo . Formas de tratamento &LFOR &LFOR Quadro 1
Os termos e conceitos que integram as três categorias são conteúdos do PPEB, os quais estão associados aos Descritores de desempenho, a terceira componente da matriz.
A incidência nos descritores de desempenho é o melhor critério para concretizar o princípio de progressão entre os três ciclos e entre cada ano de cada ciclo. Implica XPWUDEDOKRFRQWLQXDGRWHQGRHPFRQWDRVUHVXOWDGRVHVSHUDGRVHP¿QDOGHFLFOR HXPDSODQL¿FDomRRULHQWDGDSDUDDSURJUHVVmRLQWHUFLFORV
Nos quadros 2, 3 e 4, retomam-se alguns termos do Quadro 1, tal como se apresentam na coluna dos conteúdos da componente Descritores de desempenho. 1RV GLIHUHQWHV H[HPSORV p D UHODomR GRV FRQWH~GRV FRP RV GHVFULWRUHV GH desempenho, em cada ciclo e entre cada ciclo, que concorre para a progressão na
DSUHQGL]DJHPHPFDGDXPDGDVFRPSHWrQFLDV&RPSUHHQVmRGR2UDO([SUHVVmR Oral e CEL. Os termos a cor cinzenta indicam que os conceitos a eles subjacentes SRGHPVHUWUDEDOKDGRVPDVRVDOXQRVVyRVH[SOLFLWDUmRHPDQRRXFLFORVHJXLQWHV15.
COMPETÊNCIAS
COMPREENSÃO DO ORALH&LFORV Escutar para aprender e construir conhecimento(s)
COMPREENSÃO/EXPRESSÃO ORAL&LFOR Escutar para aprender e construir conhecimento
Descritores de Desempenho Conteúdos Ciclo H anos Registo formal e informal H anos ,GHQWL¿FDUGLIHUHQWHVJUDXVGHIRUPDOLGDGH em discursos ouvidos. &LFOR
Prestar atenção ao que ouve, de modo a tornar possível:
(…) - distinguir diferentes graus de formalidade em discursos ouvidos.
Discurso, universo de
discurso &LFOR Interpretar discursos orais com diferentes JUDXVGHIRUPDOLGDGHHFRPSOH[LGDGH
'LVFXUVR universo de discurso Quadro 2 COMPETÊNCIAS (;35(66225$/H&LFORV )DODUSDUDDSUHQGHU&LFOR)DODUSDUDFRQVWUXLUH H[SUHVVDUFRQKHFLPHQWR&LFOR &2035((162(;35(66225$/&LFOR )DODUSDUDFRQVWUXLUHH[SUHVVDUFRQKHFLPHQWR Descritores de Desempenho Conteúdos
Ciclo
H anos
. Articular corretamente palavras, incluindo as de estrutura silábica mais FRPSOH[DJUXSRVFRQVRQkQWLFRV . Respeitar as regras de entoação e
ritmo adequados.
Articulação, acento,
entoação, pausa Entoação e ritmo
H anos
. Usar a palavra de uma forma clara e audível no âmbito das tarefas a realizar.
Articulação,
acento,
entoação, pausa
15³$FRUFLQ]HQWDLQGLFDTXHRFRQFHLWRVXEMDFHQWHDRFRQWH~GRSRGHVHUWUDEDOKDGRPDVVHPH[SOLFLWDomR
do termo aos alunos, uma vez que ele fará parte apenas da metalinguagem do professor.” (PPEB, pp. 27-78-118).
&LFOR . Usar da palavra de modo audível, com boa dicção e num débito regular. Articulação, acento, entoação, pausa &LFOR . 8VDUGDSDODYUDFRPÀXrQFLDH correção, utilizando recursos verbais e não verbais com um grau de FRPSOH[LGDGHDGHTXDGRjVVLWXDo}HV de comunicação. Prosódia/ Nível Prosódico Características acústicas Entoação Elocução Quadro 3 COMPETÊNCIA
CONHECIMENTO EXPLÍCITO DA LÍNGUA Plano Fonológico
Descritores de Desempenho Conteúdos
Ciclo
H
anos . ([SOLFLWDUUHJUDVHSURFHGLPHQWRV «LGHQWL¿FDUVtODEDV
Sílaba, monossílabo, dissílabo, trissílabo, polissílabo
Sílaba tónica e sílaba átona H anos . ([SOLFLWDUUHJUDVHSURFHGLPHQWRV «FODVVL¿FDUSDODYUDVTXDQWR DRQ~PHURGHVtODEDV
- distinguir sílaba tónica e sílaba iWRQD FODVVL¿FDUSDODYUDVTXDQWRj SRVLomRGDVtODEDWyQLFD LGHQWL¿FDURVGLIHUHQWHVWLSRVGH HQWRDomR LGHQWL¿FDUGLIHUHQWHVHVWUXWXUDV silábicas nas palavras.
Sílaba, monossílabo, dissílabo, trissílabo, SROLVVtODER 6tODED tónica e sílaba átona
&LFOR . Distinguir sílaba gramatical de sílaba métrica.
Sílaba métrica e sílaba gramatical (segmentação)
&LFOR
. Sistematizar propriedades da sílaba gramatical e da sílaba métrica:
- segmentar versos por sílaba PpWULFD«
Sílaba métrica e sílaba gramatical