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Capítulo – 2.

Licenciamento Ambiental.

O Licenciamento Ambiental é um importante instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente, para garantir o desenvolvimento sustentável. Dependem de licenciamento as atividades que possam causar degradação ao meio ambiente, tais como: seu potencial ou sua capacidade de gerar líquidos poluentes (despejos e efluentes), resíduos sólidos, emissões atmosféricas, ruídos e o potencial de risco, como por exemplo, explosões e incêndios.

• Conceito, ele vem definido no artigo 1ª da resolução de nº 237 de 1997, do CONAMA. “Licenciamento Ambiental é o procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, a instalação, a ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso.

• Natureza Jurídica muito polemica, pois existem aqueles que afirmam ser a natureza jurídica do licenciamento ambiental, um ato vinculado, praticado pela administração pública, outros discordam, entretanto temos que “entender que o licenciamento ambiental deve obedecer aos procedimentos legais, como exemplo a resolução do Conama de nº. 237, que regulamenta os procedimentos para a sua concessão, em razão disso o Licenciamento ambiental têm a sua natureza jurídica como um ATO VINCULADO as normas legais, para o deferimento a sua concessão.

• No entanto não se pode confundir com a natureza jurídica da licença ambiental, pois esta, sim, tem a sua natureza jurídica um ato administrativo discricionário, em razão da possibilidade de revogação e necessidade do pedido de renovação é a natureza jurídica da licença ambiental considerada

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uma autorização, tendo em vista a possibilidade de revogação, pela administração pública.

• Embasamento Legal, A Constituição Federal de 1988 em seu artigo 225 diz que deve-se exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade. Tarefa árdua que coube a lei Federal n.º 6.938, de 31/08/81, que instituiu a Política nacional do Meio Ambiente e está em vigência a mais de três décadas. Vale frisar, que, esta norma foi recepcionada pela Constituição Federal, e responsável pelo o alicerce das legislações que cuida das questões ambientais, então vejamos;

A lei da Política Nacional do Meio Ambiente criou o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) e delegou responsabilidades ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) a missão de órgão consultivo e deliberativo para criar diretrizes

e critérios para o licenciamento de

atividades efetiva ou potencialmente poluidoras mediante resoluções.

Com edição da resolução de nº 237, e a sua publicação em de 18 de dezembro de 1998 no diário oficial da união, tornou-se obrigatório os requisitos administrativos exigidos para a concessão do licenciamento ambiental.

Outro importante documento é a lei dos crimes (9.605/98) para punir os infratores com medidas administrativas e judiciais.

• Principais Características, o Licenciamento Ambiental tem como sua mais expressiva característica a participação social na tomada de decisão, por meio da realização de Audiências Públicas no decorrer do processo, em cumprimento ao Princípio da Participação.

Um detalhe que vale mencionar é que depois de concedida a licença ambiental para a operação do empreendimento ou atividade de exploração dos recursos ambientais, mesmo atendendo todos os requisitos exigidos pela resolução pertinente, pode ocorrer algumas mudanças e até mesmo a revogação da autorização, como veremos mais adiante no estudo dos mecanismos gerais do licenciamento ambiental.

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As Licenças Ambientais poderão ser expedidas isoladamente ou sucessivamente, dependendo de certos critérios: a natureza do empreendimento ou atividade, as características do empreendimento ou atividade e a fase em que se encontra o empreendimento ou atividade.

• Modalidades das Licenças, o Licenciamento Ambiental é composto de três modalidades: a primeira é a Licença Prévia (L.P.); o próximo passo; a Licença de Instalação (L.I.); e a modalidade final é a Licença de Operação (L.O.), que passaremos a estudar.

• Licença Prévia é concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade. Ela estabelece quais os requisitos que devam ser observados para a sua viabilidade ou compatibilidade. A Licença Prévia tem o seu prazo de vigência de 5 (cinco) anos.

• Licença de Instalação autoriza a instalação do projeto do empreendimento ou da atividade conforme o aprovado, e tem vigência de no máximo 6 (seis) anos. Note-se que o empreendedor, de posse dessa modalidade licença ainda não está autorizado a iniciar a operação da atividade, ainda que de modo experimental, durante a vigência da (L.I.), poderão ser realizados, por exemplo: Supressão vegetal - Construção de aterros - Abertura de vias locais.

• Licença de Operação permite o funcionamento de equipamentos ela autoriza o inicio das atividades depois de verificado as exigências contidas nas licenças anteriores, a licença de operação tem o prazo mínimo de 4 (quatro) e máximo de 10 (dez) anos.

Para arrematar, vale frisar, que o licenciamento ambiental tem como princípio o da prevenção, e repita-se, a construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, considerados efetiva e potencialmente poluidores (veja relação no anexo), bem como os capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, dependerão de prévio licenciamento ambiental, concedido pelo órgão competente, sem prejuízo de outras exigências.

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O Poder Público nas suas competências e jurisdições podem valer-se de mecanismos para preservar um meio ambiente equilibrado ecologicamente como principio fundamental estabelecido na Constituição Federal, sempre observando o melhor para a coletividade, é o caso da renovação, prorrogação, cancelamento, e a revogação das licenças ambientais. É o que vamos ver a seguir.

• Da Renovação da Licença Ambiental, entretanto, na renovação de uma atividade ou empreendimento, o órgão ambiental competente poderá, mediante decisão motivada, aumentar ou diminuir o seu prazo de validade, após avaliação do desempenho ambiental da atividade ou empreendimento no período de vigência anterior, respeitados o prazo já estabelecido.

Vale acrescentar, que deverá ser requerida com antecedência mínima de 120 (cento e vinte) dias da expiração de seu prazo de validade, fixado na respectiva licença, ficando este automaticamente prorrogado até a manifestação definitiva do órgão ambiental competente.

• Da Prorrogação da Licença Ambiental, a Licença Prévia e a Licença de Instalação poderão ter os prazos de validade prorrogados, desde que não ultrapassem os prazos máximos estabelecidos. O órgão ambiental competente poderá estabelecer prazos de validade específicos para a Licença de Operação de empreendimentos ou atividades que, por sua natureza e peculiaridades, estejam sujeitos a encerramento ou modificação em prazos inferiores.

• Do Cancelamento da Licença Ambiental, o órgão ambiental competente poderá cancelar a licença concedida, quando ocorrer afronta ao enunciado no artigo 225 da Constituição Federal, então vejamos o que está previsto; “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para os presentes e futuras gerações.”

Segundo o artigo 19 da Resolução 237/97 do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, o órgão ambiental competente, mediante decisão motivada, poderá modificar os condicionantes e as medidas de controle e

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adequação, suspender ou cancelar uma licença expedida, quando ocorrer: Violação ou inadequação de quaisquer condicionantes ou normas legais, Omissão ou falsa descrição de informações relevantes que subsidiaram a expedição da licença ou superveniência de graves riscos ambientais e de saúde. Assim, a concessão da licença é passível da anulação quando tiver vício não gerando direito adquirido ou qualquer indenização, mesmo que comprovar a legalidade do empreendimento ou atividade.

• Da Revogação da Licença Ambiental, porém, se o órgão ambiental revoga a licença ambiental concedida por motivo de conveniência ou oportunidade, e o empreendimento já tiver começado (no caso de revogação) surge ao empreendedor o direito de indenização. Nesta situação, o Poder Público pode usar do mecanismo da revogação, para que seja investido naquele local um bem para a coletividade, seja como exemplo, a implantação de uma rodovia, que deverá ocupar a área em que foi concedida para a operação de um empreendimento ou atividade, motivado pela oportunidade e conveniência ( em benefício do meio ambiente).

O órgão competente revoga a licença concedida, arca com os prejuízos causados ao empreendedor, podendo conceder uma nova licença, após os tramites legais, ou seja, apresentar os requisitos necessários para o licenciamento ambiental.

2.3 – Competências para o Licenciamento Ambiental.

As principais diretrizes para a execução do licenciamento ambiental estão expressas na Lei 6.938/81 e nas Resoluções CONAMA nº 001/86 e nº 237/97 Além dessas, o Ministério do Meio Ambiente emitiu recentemente o Parecer nº 312, que discorre sobre a competência.

• Na esfera federal, o órgão competente é o IBAMA; atividades que causam impactos em todo o território nacional terão licenciamento por órgão federal. O IBAMA tem competência para obras com significativo impacto ambiental.

Na esfera estadual, o órgão competente são as Secretarias Estaduais de Meio Ambiente; responsável por licenciamentos em suas áreas.

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No Estado do Paraná o órgão competente é Instituto Ambiental do Paraná (I.A.P).

Na esfera municipal, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA).

2.4 - Zoneamento Ambiental.

Ele serve para garantir a sadia qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável, o zoneamento ambiental regulamenta as áreas de poluição critica, podendo desmembrar determinado território proibindo a valorização de algumas atividades em certas partes ou interditando estas atividades.

2.5 – Noções de Normas Reguladoras de Segurança Ambiental.

Um Meio Ambiente Sustentável e Ecologicamente Equilibrado é o objetivo principal no ramo do direito que disciplina as questões ambientais, o direito ambiental, para que isto aconteça a Constituição Federal de 1988, foi a primeira a se preocupar com o Meio Ambiente, dedicando um capítulo especial para as normas e pela segurança ambiental, entre muitos já estudado, mencionamos dois mecanismos importantíssimos para auxiliar os princípios da Precaução e Prevenção à qualidade ambiental; O Monitoramento e a Compensação Ambiental, que passamos a estudar.

• Monitoramento Ambiental, um dos grandes desafios para o futuro é conter os crimes ambientais em suas diversas formas; degradação ambiental, biopirataria e outros. Para melhor esclarecer, escolhemos o assunto bem conhecido que é o comércio ilegal da madeira. O ambientalista José Renato Nalini em seu trabalho “A Ética como Matéria-prima Indispensável à Ecologia1”, leciona;

A quantidade de madeira ilegal comercializada nos últimos dois anos, só no Mato Grosso, daria para carregar 66.000 (sessenta e seis mil) caminhões. Enfileirados, eles ocupariam uma extensão de 2.640 quilômetros, o equivalente à distância entre o Rio de Janeiro e Natal. O monitoramento feito pelo INPE,2 na floresta amazônica entre os anos de 2003 e 2004, registrou os

1 NALINI, Jose Renato. Op., cit., p. 54. 2 Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

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seguintes indicadores; “ mais de 26.140 quilômetros quadrados desflorestados”.

Assim, podemos citar inúmeros indicadores que são objetos de monitoramento, vejamos: Consumo de água; Consumo de energia; Produção de resíduo; Qualidade do ar; Qualidade da Água; Desemprego. Nestes poucos indicadores, pode-se observar a importância do monitoramento ambiental, a diversidade de indicadores que estão sendo monitorados com rigor por órgãos competentes que obedecem a procedimento e norma regulamentadora para um meio ambiente sustentável e equilibrado.

• Compensação Ambiental, os impactos adversos que não podem ser evitados ou mitigados (controlados) deverão ser compensados. Trata-se de um mecanismo de indenização financeira à sociedade. Pois, não seria correto, a sociedade arcar com os prejuízos causados pelo poluidor.

A compensação ambiental visa a responsabilidade objetiva do poluidor, independente de culpa, ele vai recompor o dano causado ao meio ambiente (degradação), importante ressaltar que, na execução de obras de recuperação às áreas degradadas, essa sanção deverá, ainda mais, contar com a participação do poluidor direto na recuperação do dano causado para surtir o devido efeito, ou ainda, a uma indenização financeira que poderá atingir até 50.000.00 (cinquenta ) milhões.

E caso o dano se alongue ao tempo, será acrescido de multa diária, sem prejuízos de indenização a terceiros prejudicados.

2.6 – Avaliação de Impacto Ambiental (A.I.A).

O estudo de Avaliação de Impacto Ambiental, tem por finalidade implantar a harmonia instada em um meio ambiente ecologicamente sadio e equilibrado em detrimento à degradação por Fatores; natural e pela ação do homem, considerados até irreversíveis.

O artigo 3º. Da lei 6.938 define degradação ambiental assim; “Degradação da qualidade ambiental: a alteração adversa das qualidades do Meio Ambiente” o professor Marcus Vinicius Valle Junior, leciona sobre a

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degradação ambiental3; “Percebe-se facilmente pela simples leitura do dispositivo legal que, para se caracterizar uma degradação ambiental, é fundamental a ocorrência de uma alteração (mudança significativa) e adversa (negativa, maléfica) que atinja o Meio Ambiente”, que pode ser por fatores naturais, como terremoto, furação, maremoto, etc., ou por ação humana de pessoa física ou jurídica ou pelos dois fatores conjugados.

Um dos grandes vilões em detrimento ao Meio Ambiente sustentável atualmente são as degradações por atividades humanas, vários são os exemplos apresentados na mídia; cidades sendo invadidas pelos rios, que, tiveram os seus trajetos modificados. Apresentamos um caso concreto para poder ilustrar o assunto, onde podemos observar nitidamente à ação humana, em detrimento ao meio ambiente natural, “fato ocorrido recentemente, no

estado de Minas Gerais, onde varias cidades foram invadidas pelo rio Muriaé, deixando dezenas de milhares de famílias desabrigadas”.

Verifica-se a relevância da avaliação do Impacto ao meio ambiente, considerado como um instrumento necessário para garantir a divisão do espaço territorial natural, cultural, histórico, enfim, nnotadamente, os documentos; Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório do estudo do Impacto Ambiental que se completam e testificam a viabilidade ou não do implemento desejado para atividades e empreendimentos de significativo potencial poluidor, ou seja, aqueles que estão sujeitas a causar dano, degradação e impacto ao Meio Ambiente.

Neste sentido a resolução nº 001/86 do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA, define impacto ambiental da seguinte forma;

Para efeito desta Resolução, considera-se impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; a qualidade dos recursos ambientais.

3 JUNIOR, Marcus Vinicius Valle. “Ação Civil Pública e Outros Meios Processuais de

Proteção Ambiental”. In, Geraldo Ferreira Lanfredi (organizador). ”Novos Rumos do Direito

Ambiental Nas Áreas Civil e Penal”. Campinas/SP: Millennium, 2006, pp. 39-52.

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Para atingir esta finalidade, deve-se levar em consideração dois documentos que trabalham em conjunto; o primeiro deles é o Estudo que se deve fazer da área ambiental, denominado de Estudo de Impacto Ambiental (E.IA.), e a elaboração do Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (R.I.M.A.).

• Estudo de Impacto Ambiental – E.I.A., Este documento é um estudo que deve-se fazer em todas as atividades e empreendimentos que ofereçam riscos de degradação ao meio ambiente, a sua apresentação e custos deverão correm por conta do proponente (empreendedor) e a sua elaboração por equipe técnica multidisciplinar particular, cabe ao órgão competente a analise dos documentos apresentados. Deverá obedecer aos critérios estabelecidos no artigo 6ª da Resolução nº. 001/86 (CONAMA), entre eles, destaca-se; a coleta e aquisição dos dados e informações, trabalhos e inspeções de campo, análises de laboratório, estudos técnicos e científicos e acompanhamento e monitoramento dos impactos de atividades modificadoras do Meio Ambiente. Podemos listar algumas;

Estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento; Ferrovias; Portos e terminais de minério, petróleo e produtos químicos, aeroportos, Oleodutos, gasodutos, minerodutos, troncos coletores e emissários de esgotos sanitários etc.

Vale acrescentar, que, em face das informações e detalhamentos técnicos sigilosos do empreendimento ou da atividade, requer do poder público a devida cautela na sua divulgação (princípio da publicidade), ou seja, este documento não pode ser acessível ao público.

Para arrematar, como já mencionado, a responsabilidade para apresentação do projeto e os custos correrão por conta do proponente, e em casos específicos, o órgão competente federal ou estadual, depender de instruções adicionais peculiares ao projeto apresentado, requisitará ao município, no que couber. pelas peculiaridades do projeto e características ambientais da área.

Lembre-se, que, o E.I.A., só será exigido para o licenciamento ambiental, em casos extremos, quando o empreendimento ou atividade realmente ofereça prejuízo ao meio ambiente (degradação), em caso de

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omissão do órgão responsável, estará sujeito as medidas protetoras do meio ambiente (administrativas e judiciais).

• Relatório de Impacto ao Meio Ambiente – R.I.M.A., Com a conclusão do primeiro documento de estudo de impacto ambiental, iniciamos a segunda etapa, onde será explicado o estudo realizado para a implantação de empreendimento ou atividades modificadoras do meio ambiente, o Relatório de Impacto ao Meio Ambiente – RIMA. Este documento será de acesso ao Público, Entretanto, deverá obedecer critérios que facilitem as pessoas interessadas a sua compreensão, como passamos a analisar adiante;

 Deve ser apresentado de forma objetiva e adequado à sua compreensão, as informações devem ser traduzidas em linguagem acessível, Ilustradas por mapas, cartas, quadros, gráficos e demais técnicas de comunicação visual, de modo que se possam entender as vantagens e desvantagens do projeto, e Apresentar de forma transparente todas as consequências ambientais de sua implementação.

 O Relatório de Impacto ao Meio Ambiente refletirá as conclusões do estudo de impacto ambiental, conforme o dispositivo da Resolução do CONAMA - 001/86, que trata do assunto; que deverá conter no mínimo:

Os objetivo e justificativa do projeto, sua relação e compatibilidade com as políticas setoriais, planos e programas governamentais; A descrição do projeto e suas alternativas tecnológicas e locacionais, especificando para cada um deles, nas fases de construção e operação a área de influência, as matérias primas, e mão-de-obra, as fontes de energia, os processos e técnica operacionais, os prováveis efluentes, emissões, resíduos de energia, os empregos diretos e indiretos a serem gerados; A síntese dos resultados dos estudos de diagnósticos ambiental da área de influência do projeto; O programa de acompanhamento e monitoramento dos impactos; Recomendação quanto à alternativa mais favorável (conclusões e comentários de ordem geral). (artigo 9º).

Atendendo o Princípio da Publicidade, repita-se, permite a participação pública na aprovação de um processo de licenciamento que contenha este tipo de estudo, através de audiências públicas com a comunidade que poderá ser afetada pela instalação do projeto. Suas cópias permanecerão à disposição dos interessados, nos centros de documentação, bibliotecas de controle

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ambiental, ou Secretária Municipal do Meio Ambiente.

É muito relevante, para o estudante do curso técnico de meio ambiente e gestão ambiental, recomenda-se uma visita à estes institutos para compreender melhor este processo de estudo de impacto ambiental necessário para a prevenção ambiental.Sobre as responsabilidades do poluidor (infrator), reservamos o último assunto deste capítulo.

2.7 – Medidas de Proteção ao Meio Ambiente.

Existem dois mecanismos à disposição do Poder Público (Federal, Estadual e Municipal) na área ambiental, são as medidas; administrativa e Judicial, que passaremos a estudar adiante;

• Medidas Administrativas, o poder público municipal exerce a função de agente fiscalizador, revestido com o Poder de Polícia administrativa, como autoridade sempre em prol dos interesses difuso ( da coletividade), para exercer o poder de polícia o agente fiscalizador deverá observar alguns critérios, vejamos o que a lei dos crimes ambientais menciona sobre o assunto;

Ao exercício do poder de polícia e como autoridade competente para aplicar a sanção administrativa, os agentes deverão observar o disposto no artigo 6ª da lei dos crimes ambientais, que diz: ”Para imposição e gradação da penalidade, a autoridade competente observará a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas consequências para a saúde pública e para o meio ambiente, os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação de interesse ambiental e por final, a situação econômica do infrator, no caso de multa.”

Entretanto, no procedimento administrativo, como ele é um ato discricionário, isto é, um ato que pode ser invalidado, se não forem observados outros critérios importantes, como, a sua competência para autuação; nesta situação, vamos exemplificar da seguinte forma;

“foi cometido uma infração ambiental no município “X”, o agente fiscalizador deverá ser do município “X”, outro exemplo; se foi cometido uma infração ambiental no município “X”, e o poluidor tem a sede da empresa no

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municio “Y”, será o agente do município “X” competente para lavrar o auto de infração.

Outras situações importantíssimas que deverão ser observadas pelo agente; a finalidade do ato da aplicação da penalidade, deve sempre observar que no direito ambiental o que se busca é a precaução e a preservação ambiental para um meio ambiente ecologicamente equilibrado.

Vale acrescentar, que entre as competências para o exercício de polícia administrativo, o município pode valer-se das normas do âmbito estadual ou federal e não apenas local isto não quer dizer que pode autuar em matérias de competências estadual ou federal, se foi cometido uma infração local ele pode aplicar o lei que couber para a fundamentação do ato administrativo; interdição (Suspensão de funcionamento), autuação de uma

atividade (Ato de lavrar um auto contra alguém, processar), multa, entre

outras de sua competência como órgão fiscalizador local.

• Medidas Judiciais utilizadas na defesa do meio ambiente são; as ações demolitórias (Que contém ordens de demolição; que mandam demolir, derrubar), as de reintegração de posse, a anunciação de uma obra nova (início de obra ilegal, somente para obras novas) e a ratificação de embargo administrativo (Confirmação do impedimento judicial à execução de obra capaz de causar prejuízo), desde que haja descumprimento da legislação municipal e o principal e mais eficiente instrumento legal para exigir ressarcimento ou reparação de danos ambientais é a ação civil pública (lei nº. 7.347/85), além de contar com as medidas coercitivas da lei dos crimes ambientais (9.605/98).

2.8 - Responsabilidades por Danos Causados ao Meio Ambiente.

A Lei 6.938 (PNMA), diz que a responsabilidade pelo dano ambiental, cabe ao poluidor. Pelo artigo 3º. O POLUIDOR – é a pessoa física ou jurídica de direito público ou privado, responsável direta ou indiretamente pelos atividades de degradação ambiental, desde que resulte em;

• Prejuízo à saúde, à segurança, e ao bem-estar da população; • Condições adversas às atividades sociais e econômicas; • Afetam desfavoravelmente a biota;

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Afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente ou • Prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; • Criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; • Afetem desfavoravelmente a biota;

• Afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; • Lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais.

Neste sentido o ambientalista e professor Marcus Vinicius Valle Junior4, esclarece com exemplos;

 Uma indústria que emite fumaça causando (ou podendo causar) doenças respiratórias em moradores de um bairro próximo (saúde).

 Uma represa que está sendo construída, mas cuja barragem é frágil e pode vir a causar inundações ou catástrofes (segurança).

 Um ruído emitido com constância que impede grande número de moradores de descansar ou de ter suas atividades habituais (bem - estar).

 Uma praia poluída que não esta sendo frequentada (condições sociais), onde os pescadores não podem pescar e os comerciantes não podem exercer suas atividades ( condições econômicas).

 Qualquer atividade que afete as formas de vida vegetal ou animal, tais como desmatamento, caça, envenenamento de águas ou solo (biota).

 Poluição visual através de pichações, cartazes, placas de propagandas em locais proibidos, luminosos (estética).

 Esgoto corrente a céu aberto, e lixo depositado de forma inadequada (sanitárias).

 Emissão de fumaça, vapor, gás, energia nuclear, som, dejetos, lixo, em níveis acima do permitido e que gerem ou possam gerar modificações negativas.

A degradação ambiental repita-se, pode ser causada por eventos naturais, onde não se comprova o nexo causal entre o dano ambiental e a ação do agente, como a ocorrência de furação, maremoto, terremoto, bombardeios em guerras, terrorismos etc. Nestes casos que não se prevê e são fatais, não

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gera responsabilidades, porém, nos casos de chuvas fortes, raios e outros que são previsíveis criam responsabilidades.

Entretanto, a possibilidade real ou a ocorrência dos exemplos preconizados no artigo 3º da lei 6.938/81, caracteriza poluição e gera responsabilidades; administrativa, Civil e criminal, que passaremos a estudar a seguir;

Responsabilidade Administrativa, o texto legal que dispõe sobre as

sanções administrativas e penais de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente outorga poderes aos integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SINAMA, revestidos com o poder de polícia administrativa, podendo lavrar autos de infração ambiental.

O artigo 70 da lei 6.905/98 (dos crimes ambientais) define infração administrativa ambiental da seguinte forma; “Considera-se infração administrativa ambiental toda ação ou omissão que viole as regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente”.

Já o artigo 72, prevê as sanções aos infratores (pessoas física e jurídica tanto do direito público como do privado), vejamos;

As infrações administrativas são punidas com as seguintes sanções; observado o disposto no art. 6º: I - advertência; II - multa simples; III - multa diária; IV - apreensão dos animais, produtos e subprodutos da fauna e flora, instrumentos, petrechos, equipamentos ou veículos de qualquer natureza utilizados na infração; V - destruição ou inutilização do produto; VI - suspensão de venda e fabricação do produto; VII - embargo de obra ou atividade; VIII - demolição de obra; IX - suspensão parcial ou total de atividades; XI - restritiva de direitos.

Em relação à multa, vale frisar, que, O valor da multa será fixado no valor mínimo de R$ 50,00 (cinquenta reais) e o máximo de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais), podendo ser acrescido de multa diária caso a infração se prolongue no tempo.

Os valores arrecadados em pagamento de multas por infração ambiental serão revertidos ao Fundo Nacionais do Meio Ambiente, Fundo Naval, Fundos Estadual ou Municipal de Meio Ambiente, ou correlatos, conforme dispuser o órgão arrecadador. Entretanto, poderá esta multa poderá

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ser convertida em serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente.

• Responsabilidade Civil, a responsabilidade civil no direito ambiental é tratada como objetiva, que prescinde de culpa, onde o causador do dano (o poluidor) pode ser, repita-se, pessoa física ou jurídica, que fica obrigado a responder independentemente de culpa, isto se denomina responsabilidade objetiva, mesmo que não tenha a intenção de causá-lo. Vejamos o que diz o paragrafo 1º do artigo14 da lei 6.938/81;

Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério Público da União e dos Estados terá legitimidade para propor ação de responsabilidade civil e criminal, por danos causados ao meio ambiente.

Repita-se, no que se refere a responsabilidade civil no direito ambiental, adota-se a responsabilidade objetiva e a teoria do risco integral, aquele que comete o crime ambiental tem o dever de repará-lo. Só vai ocorrer a exclusão da responsabilidade civil quando a degradação ambiental ocorrer por fator natural não previsível, como, furação, terremoto, maremoto entre outros, mas em caso de fator natural previsível, como chuvas fortes e raios e outros, vai ocorrer a responsabilidade.

• Responsabilidade Criminal Ambiental, as ações criminais ambientais estão esculpidas na lei 6.905/98, dos crimes ambientais, mas existem outras consideradas leis esparsas, como exemplos: a lei dos agrotóxicos; a lei dos loteamentos; lei de biosegurança entre outras. A responsabilidade criminal tanto para a pessoa física ou jurídica obedece aos seguintes princípios;

Uma das inovações mais bem sucedidas da lei 9.605/98 é aquela que admite, expressamente, no julgamento dos crimes ambientais, a aplicação da transação penal e a suspensão condicional do processo, com a consequente extinção do processo como passamos a explicar adiante.

A lei dos crimes ambientais faz referências aos crimes ambientais de pequeno porte, ou seja, de menor potencial ofensivo. Sobre os crimes de menor potencial ofensivo vejamos o diz o artigo 27 do estatuto dos crimes

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ambientais (lei 9.605/98); “Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa, prevista no artigo 76 da lei 9,099/95, somente poderá ser formulada, desde que tenha havido prévia composição do dano ambiental de que trata o artigo 74 da mesma lei, salvo em caso de comprovada impossibilidade”.

É importante frisar que, nestes crimes mencionados não se exige a lavratura de auto de prisão em flagrante, na verdade, o que ocorre é a lavratura do auto de termo circunstanciado que deverá constar a anuência do poluidor (infrator) em comparecimento em audiência que será designada por autoridade judiciária.

No ato da realização da audiência, presentes; o magistrado, o promotor de justiça, o autor dos fatos (poluidor) e seu defensor. De primeiro ato; o magistrado deixará claro a possibilidade da transação penal, mediante dois requisitos; recomposição prévia dos danos ambientais e a aceitação de

pena não restritiva da liberdade (multa – pena restritiva de direitos).

Caso seja, aceita a recomposição dos danos ambientais e a transação penal, haverá a suspensão condicional do processo voltada a reparação ambiental. Na suspensão condicional do processo, o infrator (poluidor) terá o tempo determinado relativos à composição do dano ambiental, reduzidos a termo e homologado pelo Magistrado condutor da audiência mediante sentença que terá eficácia de título executivo. Uma vez, cumpridas condições, o processo deixa de suspensão condicional para extinção da punibilidade.

Para arrematar, vale acrescentar, que, se não ocorrer a transação penal, devido a ausência do autor dos fatos (poluidor), sem justificativa, ou pelo fato de não concordar com reparação dos danos ambientais, o Ministério Público oferecerá a denúncia e proceder-se-á ação penal. Chegamos ao final dos estudos deste capítulo, e no próximo, trataremos de enfatizar vários assuntos de relevância vale destacar; Excludente de Responsabilidade; Responsabilidade Criminal da Pessoa Jurídica; Processual do Meio Ambiente; Inquérito civil; Ação Civil Pública.

Referências

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