PAIS, FILHOS E A PROPAGANDA:
PSICOLOGIA E COMPORTAMENTO:ENTENDENDO UMA
CRIANÇA CONSUMISTA
CRIANÇAS:
O QUE PENSAM SOBRE CONSUMO?
COMO LIDAR?
EDIÇÃO ESPECIAL SOBRE CONSUMO INFANTIL
No.01
JUNHO 2017 UEPB
Ao leitor,
Mídia & Propaganda: edição especial sobre consumo infantil é uma revista criada especialmente para veiculação impressa e voltada para a realidade da cidade de Campina Grande, na Paraíba. A revista é o produ- to midiático utilizado como trabalho de conclusão do curso de Comuni- cação Social - habilitação em Jornalismo, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), das alunas Amanda Nunes, Évila Rodrigues e Mariana Araújo.
O objetivo desta revista é discutir de maneira aprofundada questões da compra, como isso pode afetar o desenvolvimento delas como cidadãs e como consumidoras, abordando ainda como os meios de comunicação de massa podem chegar a esse público de forma tão impactante.
O assunto é relevante, pois segundo especialistas, a exemplo da douto- ra em Antropologia e conselheira da Aliança pela Infância, movimento internacional por uma infância digna e saudável, Adriana Friedman, o consumismo infantil pode desencadear doenças como alergias e depressão, como também certo grau de hiperatividade, ansiedade, agressividade, além de irregularidades no sono. A criança controlada pelo consumo, segundo Friedman, torna-se angustiada, possui pouca paciência para lidar com problemas que envolvam frustração, e quer possuir vontade própria, desejando que as coisas se resolvam rapida- mente.
A intenção desta publicação é que o debate seja feito sob as perspecti- vas psicológica, econômica, social e comunicacional. A revista dispõe de matérias que ajudarão a entender um pouco mais sobre o consumo que desenvolvida com informações que ajudarão a família a lidar com crianças que estão passando por esse momento. Ainda nesta edição, a gerente comercial Ângela Grangeiro no texto ‘Lojas Direcionadas:
estratégias para atrair o público infantil’, fala sobre suas experiências e suas opiniões sobre o assunto, explicando como o comércio atua na atração das crianças.
Seguindo a revista, o texto ‘A propaganda direcionada à criança’, expõe estratégias de meios que ganham espaço na persuasão da publicidade diante do público infantil. ‘Dicas para consumo infantil mais consciente’
é um texto com orientações direcionadas aos pais na hora da compra para a criança. Já na reportagem ‘Crianças: O que pensam sobre con- sumo?’, ouvimos opiniões do próprio público infantil sobre suas vonta- e comportamento: entendendo uma criança consumista’, matéria desenvolvida através de uma entrevista com a psicóloga Karla Carolina, revela os motivos de comportamentos de algumas crianças quando o assunto se trata do consumo.
Com isso, pretendemos oferecer à comunidade acadêmica e ao público em geral um olhar ampliado, crítico e que aponte soluções, sobre uma realidade que permeia fortemente a vida das famílias no mundo todo.
EDITORIAL
Orientador:
Raul Augusto Ramalho de Mello
Reportagem, produção e editor:
Amanda Nunes,
Évila dos Santos Rodrigues e Mariana Araújo Dantas
Projeto Gráfico e Diagramação:
João Miguel de Farias
Fotografias:
Renaly Oliveira
Endereço para contato:
Departamento de Comuni- cação Social - Universidade Estadual da Paraíba
Rua Baraúnas, 351 - Bairro Universitário - Campina Grande-PB, CEP 58429-500
Fone:
(83) 98827-3694 (83) 98830-8283 (83) 98611-9950
15
uando se fala em “Consumo Infantil”, também se pensa na influência da família e da sociedade. Será que o consumismo engloba apenas os infantes? ou será que os pais também possuem uma grande partici- pação nessas ações?
Para Karla Carolina Silveira, doutora e professora de psicologia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), o consumo infantil está ligado principalmente à família que permite esse processo, pelo fato de a compra ser realizada pelos pais e não pelas crianças.
Karla ainda ressalta que isso estaria relacionado a um fator relevante, à questão da mídia, mas que, segundo ela, não seria a principal responsável pela vontade de comprar das crianças. Diante de pesquisas realizadas e do conhecimento adquirido pela psicóloga, as mudanças na década de 1990, o capitalismo, a necessi- dade de “ter”, os padrões familiares diversos são alguns
dos fatores que implicam verdadeiramente no quadro de consumo infantil que vivenciamos atualmente.
A psicóloga afirma que os pais precisam manter uma atenção em relação ao tempo que os filhos passam diante de uma TV ou de outro dispositivo eletrônico como tablets, aparelhos celulares e computadores, ou de qualquer outro meio que a possa persuadir. Segundo a pesquisadora, muitas vezes, a mídia acaba sendo uma babá para a criança, um fator de recompensa, já que os pais não têm tempo de estarem com os filhos, devido às demandas de trabalho e outras responsabilidades da rotina.
Para a psicóloga a comunicação dos pais com os filhos é fundamental, mas muitas vezes a relação é mediada por dispositivos eletrônicos. “Os pais se tornam pessoas cansadas. Muitas vezes, passam o dia fora de casa e quando retornam encontram uma maneira de interagir
com a criança, colocando a tecnologia à frente, como por exemplo, entregando um tablet para a distrair”, afirma Karla Carolina.
“Há uma grande diferença entre interagir com os pais e na frente dos pais, pois muitas vezes os adultos acham que pelo fato de as crianças estarem presentes, eles estão mantendo uma comunicação. A TV não pode substituir um momento familiar, um jantar familiar”, explica a estudiosa.
Partindo para a vertente sobre a publicidade direcionada às crianças, é importante lembrar que as propagandas são visivelmente apelativas, principalmente pelo fato de que atualmente o que é vendido é a imagem e não o produto em si: “Quando você vincula um objeto à uma fantasia, aumenta o desejo da criança em possuir o produto”, salienta Karla Carolina.
Ainda de acordo com a psicóloga, de zero aos quatro anos de idade, o que pesa sobre a criança é o sentimento do querer e da emoção: “Os cortes pré frontais que são responsáveis pela questão da consciência, do comporta- mento moral e dos valores, ainda estão em desenvolvimen- to”.
“Se você for ao shopping de Campina Grande com uma criança e passar dez vezes em frente a uma loja de produtos infantis, dez vezes ela vai querer comprar. Se você prestar atenção, os produtos infantis são coloridos, possuem um aspecto do querer e de chamar atenção do infante. Mas fica sob a responsabilidade dos pais em decidir se a criança merece o brinquedo ou se é apenas algo supérfluo”, Complementa Karla
A questão relevante é que a criança é um ser adaptativo, e que quando não tem uma relação propícia com os pais, na qual, por exemplo, o ambiente que vive possui um conjunto disfuncional, é bem provável que a TV ou qualquer tipo de
mídia venha causar um impacto, o que leva à conclusão de que a mídia, segundo a psicóloga, não seria a única culpada por provocar o consumismo infantil, seria apenas um gatilho ativador.
Para a psicóloga, a família é o principal fator de influên- cia na questão do consumo infantil, sendo outros aspectos, mídia e sociedade, secundários nessa problemática: “A educação infantil se tornou algo secundário. Se você pensar bem, quem predomina na educação infantil é muito mais a Barbie, a Peppa Pig, personagens infantis que acabam sendo reais na mente de um infante. Nós estamos em um momento de interação que a criança acaba sendo dominada por essa necessidade onde muitas vezes está sendo preenchida por esses heróis imaginários. A criança tem a vontade de interagir e de sentir apego e quem vai tratar do modo que ela vai está vinculada é a família. É muito fácil culpar a mídia ou sistema público e não compreender o real motivo de acontecer essas lacunas, entender que o público infantil precisa ser disciplinado”.
Matéria: Évila dos Santos Rodrigues
04 06 08 10 12 14
PAIS , FILHOS E A PROPAGANDA: COMO LIDAR?
LOJAS DIRECIONADAS: ESTRATÉGIAS PARA ATRAIR O PÚBLICO INFANTIL
A PROPAGANDA DIRECIONADA À CRIANÇA.
DICAS PARA CONSUMO INFANTIL MAIS CONSCIENTE.
CRIANÇAS: O QUE PENSAM SOBRE CONSUMO?
PSICOLOGIA E COMPORTAMENTO: ENTENDENDO UMA CRIANÇA CONSUMISTA.
SUMÁRIO
14
PSICOLOGIA E COMPORTAMENTO:
ENTENDENDO UMA CRIANÇA CONSUMISTA
uando se fala em “Consumo Infantil”, também se pensa na influência da família e da sociedade. Será que o consumismo engloba apenas os infantes? ou será que os pais também possuem uma grande partici- pação nessas ações?
Para Karla Carolina Silveira, doutora e professora de psicologia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), o consumo infantil está ligado principalmente à família que permite esse processo, pelo fato de a compra ser realizada pelos pais e não pelas crianças.
Karla ainda ressalta que isso estaria relacionado a um fator relevante, à questão da mídia, mas que, segundo ela, não seria a principal responsável pela vontade de comprar das crianças. Diante de pesquisas realizadas e do conhecimento adquirido pela psicóloga, as mudanças na década de 1990, o capitalismo, a necessi- dade de “ter”, os padrões familiares diversos são alguns
dos fatores que implicam verdadeiramente no quadro de consumo infantil que vivenciamos atualmente.
A psicóloga afirma que os pais precisam manter uma atenção em relação ao tempo que os filhos passam diante de uma TV ou de outro dispositivo eletrônico como tablets, aparelhos celulares e computadores, ou de qualquer outro meio que a possa persuadir. Segundo a pesquisadora, muitas vezes, a mídia acaba sendo uma babá para a criança, um fator de recompensa, já que os pais não têm tempo de estarem com os filhos, devido às demandas de trabalho e outras responsabilidades da rotina.
Para a psicóloga a comunicação dos pais com os filhos é fundamental, mas muitas vezes a relação é mediada por dispositivos eletrônicos. “Os pais se tornam pessoas cansadas. Muitas vezes, passam o dia fora de casa e quando retornam encontram uma maneira de interagir
QKarla Carolina Silveira
Doutora e Professora da UEPB em Psicologia
Q
04
PAIS , FILHOS E A PROPAGANDA:
COMO LIDAR?
uando o assunto é o consumo na infância, a influência e o exemplo dos pais são fundamentais no que diz respeito à formação das crianças enquanto consumidores.
É necessário compreender que a propaganda voltada ao público infantil não atua individualmente. As crianças também estão expostas a outros tipos de influência, sejam elas na escola, na internet, nas vitrines dos shoppings, nas relações com outras crianças e etc.
Uma pesquisa divulgada pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação (Conar) e a Associação Brasile- ira de Anunciantes (ABA) em 2015, mostra que em canais da TV aberta nos quais a audiência infantil representa 50% do total, apenas 0,1% das inserções publicitárias é direcionada ou protagonizada por crianças. Já em emissoras em que o público infantil responde por 35% da audiência, esse índice sobe para 0,5%. Na TV por assinatura, 7,5% dos anúncios são direcionados diretamente às crianças.
Para os pais, esse é um assunto muito delicado. O casal Sávio da Silva Nunes, policial militar, e Andréa Batista de Môra, dona de casa, que mora em Campina Grande, na Paraíba, mostra rigidez quanto à problemática. Eles têm uma filha, a pequena Beatriz de Môra Nunes, cinco anos.
´´Eu me considero uma mãe consciente e Sávio também, o conceito de liberal é um pouco confuso, mas a gente não permite tudo, e procuramos impor limites. Quando ela quer alguma coisa ela pergunta, mamãe quanto custa? Não consideramos Beatriz como uma criança consumista, justamente porque não
incentivamos”, explica Andréa.
´´Não existem crianças consumistas, existem pais consumistas, o exemplo tem que vir de nós. Ela gosta de tudo rosa, se ela ver qualquer coisa rosa, ela quer que eu compre``, colocou Sávio.
A questão do “não” na hora certa é primordial para que a criança tenha a noção de que não se pode ter tudo na hora que deseja. A relação da criança com a mídia e com a propaganda deve ser acompanhada pelos pais, pois as crianças tendem a seguir os exemplos dos adultos.
´´Os canais para crianças tem muita propaganda de brinquedo, né? É uma enxurrada. As propagandas são bem chamativas, coloridas, bem apelativas, então a criança fica impressionada com aquilo. Tem uma propa- ganda de uma boneca chamada Baby Alive, que custa R$
400, e eu já disse a ela, que é muito cara e a mamãe e o papai não concordam em comprar uma boneca desse preço”, pontuou Andréa.
Ao ser questionada sobre como pedir aos pais algum brinquedo, Beatriz foi bem consciente na resposta, mesmo com a sua pouca idade: ´´quando quero algum brinquedo pergunto a minha mãe se ela pode comprar, ela também faz brinquedos para eu me divertir em casa``.
A presença dos pais nas questões que envolvem os filhos ajuda a evitar futuros desconfortos. Exemplos como o de Sávio e Andréa, que parecem funcionar no sentido de não incentivar o consumismo, poderiam ser seguidos em outras famílias, ajudando assim a formar novos cidadãos mais conscientes em relação à compra de produtos.
Q
13
As irmãs Carollyne e Camilly praticam o ato de consumir desde cedo.
Matéria: Mariana Araújo Dantas
Fotografia: Renaly Oliveira
05
Beatriz e seus pais, Sávio e Andréa: como deixá-la consciente desde cedo.
12
CRIANÇAS: O QUE PENSAM SOBRE CONSUMO?
O ato de consumir é umas das características culturais da nossa sociedade. E um dos problemas é que as crianças em pleno desenvolvimento e, portanto, mais vulneráveis do que os adultos, terminam não escapando dessa lógica.
Para Francilene Araújo de Morais, mestre em psicologia social, professora no Centro de Ensino Superior em Desenvolvimento (CESED), a prob- lemática deve ser analisada com bastante cautela.
Ela ressalta que a geração atual é catalogada como a geração do ``ter´´. ´´De fato, o consumismo no nosso país é bastante acentuado. Ter roupa, ter sapato e entre outras coisas, se torna algo primor- dial, mas não podemos esquecer que no caso da criança, e eu me refiro a uma criança de aproxima- damente até sete anos de vida, ela ainda não tem formado o poder de decisão de sua compra´´, afirma Francilene.
Francilene ainda aponta que por mais que seja forte o desejo da criança perante a compra, o adulto ainda terá o papel de comprador, sendo assim, tais inconsequências não podem ser atribuí- das às crianças, e sim, aos respectivos responsáveis.
É importante que a geração atual saiba discernir seus próprios hábitos quanto ao ato de consumir.
As irmãs Carollyne Rávila de Oliveira Mendes, de dez anos, e Camilly de Oliveira Mendes, de nove anos, que residem em Campina Grande, na Paraí- ba, parecem ser conscientes quando falam de seus consumos e desejos.
´´Quando vejo algo legal na televisão, peço para meus pais, por favor, e digo que estou querendo.
Quando a propaganda é de algum brinquedo legal chama muito minha atenção”, explica Carollyne.
Camilly é bastante precisa quando fala sobre as suas vontades relacionadas ao consumo: ´´se eu tivesse uma quantia de dinheiro, eu escolheria comprar a boneca Baby Alive, porque eu sempre quis ter, e um Iphone. Prefiro vir ao shopping a ir para praia, é bem mais divertido´´.
É válido ressaltar que é importante a criança ter desejo, mas ao mesmo tempo é importante se observar que esse tipo de desejo da compra é um desejo implantado nela, não é um desejo real. Para
a psicóloga Francilene Araújo, o desejo é atribuí- do a todos, e eles estão ligados não só ao nosso aspecto consciente, mas também ao nosso aspec- to inconsciente. ´´No caso da criança, ela ainda está em processo de formação, ela não nasce formada no ponto de vista de sua psique´´, desta- ca.
Segundo a profissional, é na família e, primeira- mente, no contato com os pais que a criança vai aprendendo. É na escola no segundo momento, em contato com os agentes socializadores, que ela vai despertando e criando seus próprios desejos. Na criança, os desejos são muito mais aprendidos do que já nascidos com eles, então, por exemplo, a criança não nasce com o desejo de ter um carrinho ou uma boneca, isso desperta a partir de uma série de contextos sociais, econômicos e familiares.
´´Gosto mais de assistir televisão do que brincar de boneca. Quando eu e a Camilly vamos ao shopping e compramos lanches com brinquedo, compramos por causa do brinquedo e não por causa do lanche, quando é brinquedo feio a gente não compra´´, afirma Carollyne.
A idade cronológica e a idade mental da criança entram em pauta, nem sempre a idade cronológi- ca está de acordo com a idade mental. Essa conjuntura depende da educação, do preparo que se dá, enquanto a criança não comportar autono- mia da sua própria opinião sócio econômica, ela precisa ser guiada por seu responsável.
´´Me considero uma criança que gosta de comprar, quando saio com meus pais e se for ao shopping, por exemplo, já vou pensando nas lojas que quero visitar, gosto de olhar todos os brinquedos ou algo que eu goste, mesmo não trazendo nenhum para casa, mas eu gosto mesmo assim´´, ressalta Camilly.
Que as crianças de hoje em dia possam interagir com a publicidade de maneira mais sóbria, que sejam capazes de utilizar a publicidade como um meio não só de ciência, mas também de infor- mação e divertimento. Essa capacidade critica deve ser estimulada e desenvolvida com a ajuda dos pais.
Matéria: Mariana Araújo Dantas
Fotografia: Renaly Oliveira
06
LOJAS DIRECIONADAS:
ESTRATÉGIAS PARA ATRAIR O PÚBLICO INFANTIL
s lojas de brinquedos são conhecidas como grandes fatores influenciáveis no consumo infantil, por atrair as crianças e atender os seus desejos de acordo com o que elas querem no momento.
De acordo com Ângela Grangeiro, gerente da loja Rio do peixe, localizada na rua Semeão leal, no centro de Campi- na Grande, a empresa faz o uso de algu- mas estratégias que acabam influencian- do as crianças a realizarem as compras.
A loja está sempre colorida e com brin- quedos que fazem parte da publicidade televisiva, que acabam espontaneamente encantando as crianças. A dirigente ainda revela que a empresa têm uma forte atenção sobre os brinquedos que estão
em alta nos meios de comunicação.
“Possuímos um contato direto com a publicidade, pois geralmente quando os fornecedores lançam os brinquedos, eles acabam fazendo um trabalho de marketing bastante pesado. Então, temos que fazer a nossa parte e automaticamente eles fazem a deles. Geralmente eles nos enviam emails com idéias ou fotos de produtos que vão ser lançados juntamente com a data de lançamento. Depois disso, realiza- mos os pedidos”, explica a gerente.
Ela diz que de acordo com as experiên- cias na loja, as crianças na faixa etária de seis meses a três anos não possuem um querer próprio na hora de comprar e os pais acabam tomando essa decisão de
Ângela Grangeiro
Gerente da Loja Rio do Peixe
A
acordo com o valor que cabe no bolso.
Mas as crianças mais velhas são mais segu- ras. “As crianças de cinco a oito anos já chegam à loja sabendo o que querem com- prar”, revela Ângela.
Os brinquedos de personagens infantis, segundo a comerciária, são os mais procurados. As bonecas de novelas dire- cionadas ao público infantil acabam ganhando espaço nas vendas. Porém, a boneca Baby Alive e o Homem Aranha superam as vendas de outros brinquedos pelo fato de estarem sempre na mídia, não apenas em um horário. Assim, acabam chamando mais ainda atenção das crianças.
Ângela revela ainda que os preços dos brinquedos muitas vezes já são tabelados
pelos fornecedores, a exemplo da Mattel, que não permite que a loja venda por um preço diferente, com exceção das épocas comemorativas, quando acontecem as promoções.
Falando sobre a concorrência que a Rio do Peixe possui, a responsável afirma que as lojas Americanas e o Hiper Bompreço (grandes lojas de departamentos), são os principais rivais por possuírem uma grande quantidade de variedade de brin- quedos com preços mais acessíveis.
Mesmo assim, ela garante que a loja tem se sustentado bem no mercado campinense, por ser um estabelecimento com direcio- namento de estratégias específicas para o público infantil.
1-O não na hora certa
Não se pode ceder a 100% da vontade das crianças. Devemos sempre nos perguntar: meu filho apenas quer ou precisa? E com a resposta para essa pergunta podemos chegar à conclusão mais sensata para o momento.
“Não é simplesmente dizer um não a uma criança e sim procurar ser transparente sobre o porquê. Não adianta os pais ou responsáveis fazerem um esforço e comprarem o produto desejado pela criança e com isso acabar comprometendo o salário, podendo também acarretar dívidas sem necessidade”, diz Francilene Morais, Mestre em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
3-Planejar o mês
Programar o orçamento para que durante trinta dias não haja o sentimento de culpa caso o dinheiro seja obrigado a ser diminuído ou controlado. “Primeiramente, tem que se prestar atenção na questão da receita, que é o dinheiro que entra em uma residência. Deve-se ter cuidado com as contas que são primordiais: alimentação, energia, água, gás que são as mais fundamentais em questão de moradia. No final de cada mês seria importante planejar um orçamento no lápis de tudo o que será gasto, para que assim o valor recebido não exceda por conta de gastos paralelos. Por último, seria ideal também programar uma parte do salário do provedor da família e reservar em uma poupança, pois caso ocorra alguma despesa inesperada como problemas de saúde, por exemp- lo, isso não acabe afetando o dinheiro disponível daquele mês”, explica Felipe Bezerra.
5-Evitar mais a exibição da publicidade para as crianças
Segundo a psicóloga Francilene Morais, existem coisas a cerca da publicidade que vem a despertar desejos em horas inesperadas para as crianças. “A criança tem que ser criança e na minha opinião, ela deve viver esta fase, não tem porque despertar relacionamentos, namoros antes da hora e até mesmo serem expostas à violência, quando muitas vezes uma novela ou filme incitam isso”, afirma. Muitas vezes pais e responsáveis pelas crianças decidem privá-las, porém não podem controlar o acesso que as mesmas terão à publicidade dentro de um shopping e na escola. “Acho que não se deve privar, e sim monitorar. Não se pode esquecer que a criança aprende por imitação: aquilo que ela vê ela imita. Com isso, o dever de quem cuida é monitorar, começando dentro da própria casa”, relata Francilene Morais.
2-O valor do dinheiro
As crianças devem crescer sabendo da importância do dinheiro e que não se pode comprar tudo. É preciso deixar claro o que é de mais importante e com isso evitar o consumo excessivo. “Algumas crianças não compreendem um cartão de crédito e já ouvi casos em que a criança falava: “mamãe está sem dinheiro, mas pode passar o cartão”. Não é simplesmente passar o cartão, pois deve se ter sempre um planejamento. Quando a criança aprende a participar dos gastos da família, você acaba a conscientizando e a ajudando a lidar com suas necessidades, promovendo assim uma educação financeira”, relata Francilene.
4-Não confundir lazer com precisar gastar
Passeios com toda a família não se englobam apenas em gastos. O ideal seria a ida a parques, jogar bola na rua e as crianças aproveitarem brinquedos que já possuem. “Deve ser visto a questão financeira em primeiro lugar. Hoje em dia o lazer muitas vezes está ligado em ir ao cinema, shopping etc.. As pessoas ainda acham que sair de casa para se divertir deve envolver dinheiro, porém é importante ressaltar que existem diversos meios de diversão, como ir a um parque com a família, andar de bicicleta, brincar na frente de casa dentre outros. Coisas que demandem pouco dinheiro, consequente- mente evitam uma necessidade de consumo”, diz o economista Felipe Bezerra”.
6-Doação e troca de brinquedos
Existe sempre algum brinquedo que não é mais usado pelas crianças como antes e este pode ser o novo brinquedo de alguém. A troca também de brinquedos é a melhor maneira de perceber que se pode ter algo novo sem precisar gastar e ao mesmo tempo evita consumos desnecessários. “A criança deve crescer com uma visão crítica, e seria ideal que os pais ou responsáveis por ela a ensinem o quão é importante é a doação ou troca de brinquedos, roupas etc. que não utilizem mais. Tudo isso acaba estimulando o desapego, e pode incentivar a criança a ser um adulto altruísta”, segundo Francilene Morais.
6 DICAS
11
Matéria: Amanda Nunes
Fotografia: Renaly Oliveira
07
s lojas de brinquedos são conhecidas como grandes fatores influenciáveis no consumo infantil, por atrair as crianças e atender os seus desejos de acordo com o que elas querem no momento.
De acordo com Ângela Grangeiro, gerente da loja Rio do peixe, localizada na rua Semeão leal, no centro de Campi- na Grande, a empresa faz o uso de algu- mas estratégias que acabam influencian- do as crianças a realizarem as compras.
A loja está sempre colorida e com brin- quedos que fazem parte da publicidade televisiva, que acabam espontaneamente encantando as crianças. A dirigente ainda revela que a empresa têm uma forte atenção sobre os brinquedos que estão
em alta nos meios de comunicação.
“Possuímos um contato direto com a publicidade, pois geralmente quando os fornecedores lançam os brinquedos, eles acabam fazendo um trabalho de marketing bastante pesado. Então, temos que fazer a nossa parte e automaticamente eles fazem a deles. Geralmente eles nos enviam emails com idéias ou fotos de produtos que vão ser lançados juntamente com a data de lançamento. Depois disso, realiza- mos os pedidos”, explica a gerente.
Ela diz que de acordo com as experiên- cias na loja, as crianças na faixa etária de seis meses a três anos não possuem um querer próprio na hora de comprar e os pais acabam tomando essa decisão de
acordo com o valor que cabe no bolso.
Mas as crianças mais velhas são mais segu- ras. “As crianças de cinco a oito anos já chegam à loja sabendo o que querem com- prar”, revela Ângela.
Os brinquedos de personagens infantis, segundo a comerciária, são os mais procurados. As bonecas de novelas dire- cionadas ao público infantil acabam ganhando espaço nas vendas. Porém, a boneca Baby Alive e o Homem Aranha superam as vendas de outros brinquedos pelo fato de estarem sempre na mídia, não apenas em um horário. Assim, acabam chamando mais ainda atenção das crianças.
Ângela revela ainda que os preços dos brinquedos muitas vezes já são tabelados
pelos fornecedores, a exemplo da Mattel, que não permite que a loja venda por um preço diferente, com exceção das épocas comemorativas, quando acontecem as promoções.
Falando sobre a concorrência que a Rio do Peixe possui, a responsável afirma que as lojas Americanas e o Hiper Bompreço (grandes lojas de departamentos), são os principais rivais por possuírem uma grande quantidade de variedade de brin- quedos com preços mais acessíveis.
Mesmo assim, ela garante que a loja tem se sustentado bem no mercado campinense, por ser um estabelecimento com direcio- namento de estratégias específicas para o público infantil.
10
H
DICAS PARA UM CONSUMO INFANTIL CONSCIENTE
ábitos são difíceis de mudar, ainda mais quando somos atingidos pela mídia desde a infância até a fase adulta. Com isso, ao invés de opor-nos à realidade, devemos colocar nossos olhares em volta das crianças, pois estes serão os futuros adultos. Empresas procur- am com suas diretrizes investir no público infantil e isso dá ao Brasil o título do segundo país mais consum- idor de produtos infantis na faixa etária de 0 a 10 anos, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no censo de 2010.
Logo, o consumismo infantil deve ser o foco em debates de toda a sociedade. Uma atitude que deve ser tomada pelos pais ou responsáveis e por professores, sobre a importância de moderar e ponderar vontades, gerando assim menos gastos.
A revista Mídia & Propaganda: edição especial sobre consumo infantil conversou com especialistas sobre o assunto: a psicóloga Francilene Morais e o economista Felipe Bezerra. Apresentamos abaixo algumas dicas de como é possível um consumo infantil saudável e mais consciente.
Matéria: Évila dos Santos Rodrigues
Fotografia: Renaly Oliveira
Fotografia: Renaly Oliveira
08
A PROPAGANDA DIRECIONADA À CRIANÇA
esde a infância somos impulsionados para o consumo. O consumismo é uma espécie de doutrina em nossa sociedade. A criança, por não ter o discernimento de um adulto, é a primeira a ser bombardeada pelos meios de massa, e por isso o marketing utiliza todas as suas estratégias para esse tipo de público. Para entender melhor esses artifícios, conversamos com os publicitários da Com Tudo Propaganda:
Carlos Alberto Cruz Filho diretor de arte, Iara Soares, redatora, e Mariângela Araújo, social-mídia.
Qual a especialidade da agência?
Mariangela Araújo: Mídias online e off-line. Trabalha- mos com rede sociais como: Facebook e Instagram, basicamente. Mas também fazemos outdoors e cartaz- es.
Quando um trabalho é voltado para as crianças, há cores específicas para ser utilizadas?
Carlos Alberto: Depende da campanha. No carnaval trabalhamos com amarelo e vermelho, mas de forma geral para as crianças é tudo bem mais colorido. Se tratando de uma empresa específica, costumamos usar as cores da própria empresa porque lembra as cores da marca.
Sobre o marketing direcionado ao público infantil,
Um entrevista sobre publicidade e consumo infantil com a equipe da agência Com Tudo Propaganda
D
Criação de campanha voltada ao público infantil.
09
quais são as medidas solicitadas pelas empresas e marcas para conquistar esse tipo de consumidor?
Iara Soares: A publicidade infantil já possui todo um conjunto de regras sobre o que pode e o que não deve ser feito. Um brinquedo sempre irá chamar a atenção de uma criança, pois ele em si já é apelativo, digamos assim. Quando vamos pensar em algo que é para ser vendido, pensamos até mesmo na posição que o produto será colocado, que brinquedo está mais na moda, desde observar se há um filme infantil no cinema que chame atenção das crianças, para que assim também possa ser usado por nós. Ou seja, todas essas medidas são tomadas para divulgar e atingir o nosso público alvo. O preço de um brinquedo às vezes não é colocado por ser muito caro, e isso é pensando também estrategicamente porque “fisga” um pouco a criança e os pais, porque se lhe causam interesse irão diretamente à loja e lá a própria empresa tem sua estratégia de vendas. Nosso papel é planejar a ida dos pais e das crianças ao local que venda o produto, dizer a característica dele, assim como os seus valores, não seriam mais da nossa competência, nossa intenção é fazer com que chame atenção do cliente e assim lhe faça ir à procura.
Carlos Alberto: Buscamos sempre utilizar cores chamativas aos olhos das crianças. Para vocês terem
uma ideia fizemos uma campanha para o Game Station (no Partage Shopping), em que na arte criamos uma animação, e o áudio remete a jogos de vídeo game, brincadeira de crianças, enquanto o texto vai mostran- do as vantagens daquela promoção em si. Ou seja: se tem bem mais texto do que é percebido, mas o visual sempre fala mais alto.
Em algumas situações a criança atua como quem decide na hora da compra, mas em outros momentos vemos que são os pais os tomadores da decisão final. O que eles buscam em produtos e marcas para seus filhos?
Mariângela Araújo: Nós temos clientes de loja de roupas e no caso da moda infantil observamos que é bem mais fácil atrair os pais porque roupa é uma coisa que para a criança precisa se comprar sempre, pois ela está sempre crescendo, além do que é bem mais durável e mais barato que vários brinquedos. Sendo assim promoções chamam mais atenção, principal- mente quando têm descontos de 20%, 30%, então os pais se decidem sempre mais com base nos preços do qualquer outra coisa.
Na publicidade e propaganda o que é mais eficaz:
insistir ou surpreender?
Carlos Alberto: Eu como diretor de arte vou sempre falar que é surpreender visualmente, embora por muitas vezes o público alvo seja vencido pela insistên- cia.
Iara Soares: Tanto a publicidade quanto a propaganda tem o intuito de fazer com que alguém compre algo, e elas são compostas por etapas. A primeira etapa é atrair o público alvo. E a segunda é fazer com o que o cliente queira o produto, e embora durante esse processo ele acabe por perder o interesse, cabe ao vendedor insistir, falando de suas qualidades. O dever da agência é sempre surpreender e atrair, e a empresa que nos contratou faça o resto.
Matéria: Amanda Nunes
Fotografia: Renaly Oliveira
Fotografia: Renaly Oliveira