Coleção Espiritualidade
• Acídia: vírus que mata o amor, São Gaspar Bertoni • Amor não cansa nem se cansa (O), São João da Cruz
• Ao sopro do Espírito: oração e ação, Bem-aventurado Maria-Eugênio do Menino Jesus
• Caderno dos meus pecados (O) – autobiografia, Santa Gemma Galgani
• Caminho de perfeição, Santa Teresa de Jesus • Cartas (As), Santa Catarina de Sena
• Castelo interior ou moradas, Santa Teresa de Jesus • Confissões, Santo Agostinho
• Conselhos e lembranças, Santa Teresinha • Diálogo (O), Santa Catarina de Sena • Diário da alma, João XXIII • Diário, Santa Gemma Galgani
• Direção espiritual (A): pastoral do acompanhamento espiritual, Tomás Rodriguez Miranda
• Espírito de Santa Teresa do Menino Jesus (O), Carmelo de Lisieux
• Espiritualidade do eneagrama (A): da compulsão à contemplação, Suzanne Zuercher • Infância espiritual (A): Santa Teresinha, Ângelo R. Lucena
• Itinerário espiritual de Santa Teresa de Ávila: mestra de oração e doutora da Igreja, Pedro Paulo Di Berardino
• Itinerário espiritual de São João da Cruz, Pedro Paulo Di Berardino • Livro da vida, Santa Teresa de Jesus
• Livro do Mestre (O), Rulman Merswin
• Não morro... entro na vida: últimos colóquios, Santa Teresinha • Retiro com Santa Teresinha do Menino Jesus, Pe. Liagre
• Santa Teresa de Jesus: mestra de vida espiritual, Gabriel de S. Maria Madalena • São João da Cruz: doutor do “Tudo e Nada”, Pedro Paulo Di Berardino • São João da Cruz: noite escura lida hoje, Jesús M. Ballester
• Teu amor cresceu comigo: Teresa de Lisieux. Gênio espiritual, Maria-Eugênio do Menino Jesus
• Uma espiritualidade para o nosso tempo à luz do apóstolo Paulo, Valdir José de Castro • Vida de Santa Catarina de Sena, João Alves Basílio
ÂNGELO R. LUCENA
A INFÂNCIA ESPIRITUAL
Editoração, impressão e acabamento: PAULUS
1ª edição, 1987 10ª reimpressão, 2019
© PAULUS – 2019
Rua Francisco Cruz, 229 • 04117-091 – São Paulo (Brasil) Tel.: (11) 5087-3700
paulus.com.br • [email protected] ISBN 978-85-349-1134-4
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Televendas: (11) 3789-4000 / 0800 16 40 11 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Índice para catálogo sistemático: Lucena, Ângelo R., 1914-1978
A infância espiritual / Ângelo R. Lucena. — São Paulo: Paulus, 1987. — Coleção Espiritualidade.
ISBN: 978-85-349-1134-4
1. Ascetismo 2. Espiritualidade 3. Misticismo
4. Teresa do Menino Jesus, Santa, 1873-1897 5. Vida espiritual I. Título. 87-0348 CDD-248.4 -248.22 -248.47 -282.092
1. Ascetismo: Prática religiosa 248.47 2. Espiritualidade: Religião cristã 248.4
3. Misticismo: Experiência religiosa: Cristianismo 248.22 4. Santas: Igreja Católica: Vida e obra 282.092
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É a falta ou rejeição da infância (das atitudes psíquicas da criança) que faz agonizar e morrer o nosso mundo. De fato é contra essa infância que os semideuses do totalitarismo dirigem seus tanques e seus canhões (Bernanos).
Esta agonia de que padece nossa gente é a crise íntima de an-gústia e de descrença, de pessimismo e ateísmo prático.
O grande psiquiatra Igor Caruso a classifica como a sobreva-lorização dos instintos, que ambicionam o sexo, o dinheiro ou o poder. Ele descreve esse estado de alma como rejeição de Deus e adoração de si mesmo.
É a malícia que perverte o julgamento, a perfídia que seduz a alma. Pois a fascinação das frivolidades obscurece o bem e a vertigem da pai-xão perverte o espírito inocente (Sb 4,11s).
O mesmo vem na carta de S. Tiago, capítulo 3: “Com as preocupações egoístas no vosso coração, vos orgulhais e mentis contra a verdade. Porque esta sabedoria (siste-ma pessoal de julgar as coisas) não vem do alto (do finalismo divino da nossa vida), mas é terrena, carnal, diabólica (cor-respondência dos instintos de fome, de sexo e de poder)”. O esvaziamento de si, próprio da infância, traz a normalidade psíquica, isto é:
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• a objetividade no campo do conhecimento • a oblatividade no campo do afeto
• a adaptalidade no campo da ação
Jesus fala: “Ocultastes estas coisas aos sábios e as revelastes aos pequeninos” (Lc 10,21).
“Se não voltardes a ser como pequeninos, não entrareis no rei-no do céu” (Mt 18,3).
“Aquele que se tornar pequenino como esta criança, esse é o maior no reino do céu” (Mt 18,4).
São João afirma o mesmo: “Não queirais amar o mundo, nem as coisas dele; se alguém ama o mundo, a caridade do Pai não resi-de nele. Porque o mundo consiste na concupiscência da carne, na concupiscência dos olhos e na soberba da vida. Tudo isto não se origina do Pai, nasce do mundo” (1Jo 2,15s).
Numa linguagem menos teórica ou filosófica, o autor deste livro foi felicíssimo em apresentar a trilha encantadora de Santa Teresinha.
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Invoquei o Senhor, e veio a mim o espírito de sabedoria. ELA É UM TESOURO INFINITO PARA OS HOMENS (Sb 7,7-16).
É com essas palavras doces e inequívocas que o Senhor nos convida a participar de sua mesma sabedoria e inteligência.
Na verdade, a própria Sabedoria do Pai, o Verbo vestido de nos-sa mortalidade, insiste no Novo Testamento que bebamos esta sua sabedoria da infância espiritual que nos torna semelhantes ao Pai, dizendo, num momento de enlevados transportes de espírito: “Gra-ças te dou, meu Pai, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos grandes deste mundo e as revelaste aos pequeninos” (Lc 10,21s).
Um dos amáveis e misteriosos ensinamentos de Jesus é o de que precisamos fazer-nos crianças: “Se vós não vos converterdes e não vos tornardes como criança, não entrareis no Reino dos céus”.
É condição essencial para penetrar naquele reino misterioso, de onde veio o Salvador para nos revelar seus segredos e mistérios. E o Pai nos apresenta o Salvador, qualificando-o para esta missão ao revesti-lo de toda a sua autoridade: “Este é meu Filho bem ama-do em quem tenho posto minhas complacências. Ouvi-o”.
Devemos, pois, estar atentos ao único Mestre vindo da eter-nidade.
E essa é a base de todos os seus ensinamentos, por palavras e exemplos.
CAMINHO SEGURO
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Toda sua vida e doutrina se resume nisto: tornar-se como criança diante de Deus, um filhinho bem amado do Senhor.
Por isso o caminho da infância é estreito e a porta é baixa, por-que é contrário às inclinações da natureza.
Dentro de cada homem há um peso de inclinação para a gran-deza e o louvor, para a sabedoria e o conhecimento. A coisa mais trabalhosa para ti, mas uma grande graça, é despojar-te do amor próprio, fonte e raiz de todos os males.
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Em seu tempo, tomou Jesus a mão de uma criança e a apre-sentou ao mundo, para que fosse mestra insigne e doutora desta admirável doutrina.Naquele tempo, os discípulos se aproximaram de Jesus e lhe pergun-taram: Quem é o maior no reino do céu? Chamou Jesus um menino, colocou-o no meio deles e disse: Na verdade vos digo que se não vos converterdes e vos fizerdes como crianças, não entrareis de modo al-gum no reino do céu. Todo aquele, portanto, que se tornar humilde como este menino, esse será o maior no reino do céu. E quem receber no meu nome um menino como este, é a mim que recebe. Vede, portanto, que não desprezeis nenhum destes pequeninos, porque vos digo que no céu os seus anjos veem continuamente a face de meu Pai que está no céu (Mt 18,1-5ss).
Admira, pois, e inveja este santo estado da infância. A criança tem o dom divino de nunca desgostar e o condão de agradar sem-pre os pais em tudo.
Alimenta, pois, a imensa ousadia de agradar ao Pai assim como tu és, com tua carga enorme de doenças e imperfeições.
É certo que as crianças agradam sempre a seus pais, em qual-quer estado ou condição em que se acham, sãos ou enfermos, dor-mindo ou brincando, comendo ou viajando, rindo ou chorando, caindo ou correndo.
JESUS E OS PEQUENINOS
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Alimenta ainda uma grande ousadia e extrema astúcia para com Jesus, qual a de tornar-te santo e atingir a plenitude de amor, não pelos teus, senão pelos méritos dele, de Maria e dos santos, pois “tudo é possível a quem crê”, afirmou o Senhor.
Podes crer sinceramente nisto: o bom Deus tem o poder e a bondade bastante para te levantar a este excelso estado, realizando todos os teus desejos.
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Há muita gente devota que se afana e se maltrata inutilmente porque não aprendeu este segredinho de amor: é Jesus que quer fazer tudo, e se alguém se torna pequeno (aliás o teu único empe-nho), então ele faz o resto.Se aspiras a essas alturas, que seja unicamente para dar prazer a Jesus e salvar-lhe almas.
Por este meio realizarás o teu sonho, porque “quem procura acha, quem pede recebe e a quem bate se abrirá” e “os que têm fome e sede de justiça serão saciados”.
Jesus mesmo, contentando-se com teus fracos esforços e imen-sos desejos, saberá elevar-te e transformar-te em si mesmo.
Oh! Se as almas conhecessem o caráter e o coração de Deus, se as almas pequeninas e fracas que não são capazes de grandes coisas soubessem como é fácil cativar o coração de Deus, nunca haveriam de perder a esperança de atingir o cume da montanha do amor, onde os santos respiram o aroma da caridade. Porque Jesus só deseja teu coração, tua boa vontade, o reconhecimento de teu nada, teus cari-nhos, teu amor, uma fé simples e uma confiança sem limites. Não exige ações sublimes que estejam fora de teu alcance. Contenta-se ele com teus pequeninos e constantes esforços e teus imensos desejos.
Ele ama a alma pequenina com loucura. Não esperas em vão, pois, nem esperas demais quando esperas dele a loucura de te
O MESMO DEUS TE LEVARÁ
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santificar, porque maior loucura foi aniquilar a si mesmo como uma criancinha no seio de Maria e no presépio; maior loucura foi despedaçar-se na flagelação, aniquilar-se sangrentamente na paixão até a cruz e transformar-se em pão por nós no altar.
Aspira, pois, a ser um brinquedinho para dar gosto a Jesus. Brinquedinho sem valor que se atira a qualquer canto, no quintal, à chuva e ao sol.
Tem por certo que é mais fácil desfazer-se a máquina do uni-verso do que ficares enganado em tua confiança. “A esperança não desilude”.
O teu Deus é um Deus de loucuras. “Assim amou Deus o mun-do, a ponto de lhe dar o seu Filho Unigênito”.