46 1 dc Março de 1924
Lúcia Branco da Silva
R brilhante pianista patrícia Lúcia Branco da Silva, que deixou em São Paulo as mais gratas recordações, aca-ba de fazer grande successo em um concerto realisado no salão "La Colo-niale", de Bruxellas, sob o patrocínio do sr. Barros Moreira, embaixador do Brasil naquella capital.
"l^Independence
Belge", publica so-brc esse recital da talentosa uirtuose paulista a honrosissima apreciação que em seguida reproduzimos :
"Sob
os altos auspícios do sr. Bar-ros Moreira, embaixador do Brasil em Bruxellas, estreou hontem a pianista brasileira, senhorita Lúcia Branco. Seus dotes musicaes a tinham distinguido em seu paiz e o governo brasileiro a en-viára a aperfeiçoar-se em Bruxellas, sob a direcçáo do sr. De Greef, cujo ensi-no acompanhou durante quatro annos.
Raramente se encontrará favor tão justificado. Contavamos nós ouvir uma alumna adiantada: applaudimos, na rea-lidade, uma artista de uma personalida-de pouco commum, á qual não é diffi-cil prever um bello futuro.
O programma só comportava obras conhecidas: as 32 variações de Beetho-yen ; prelúdio, aria final de Franck ; "Suite
bergamasque", de Debussy ; 3.o scherzo de Chopin ; Harmonias da tar-de e a Campanella, de Liszt. Foi digno da magnífica escola do sr. De Greef. Do ponto de vista technico, a senhori-ta Branco não teve um deslise e foi com o brio de uma üirtuose experi-mentada que, no fim da sessão, inter-pretou a difficil composição de Liszt. E' notável a sua agilidade manual. Tem ella aliás o physico vigoroso que re-qu«r o instrumento athletico que ê o teclado moderno.
Mas o que mais nos interessou foi a interpretação. A senhorita Branco
possue um temperamento excepcional, uma energia viril, que se manifesta P°r um rythmo decidido e inflexível, dif!n0 de um slavo, uma musicalidade intensa, uma notável intuição do teclado, o05 inesgotáveis recursos de timbre que e'~ Ia reserva para quem os sabe aprovei-tar. Rs variações de Beethoven — m°' numento sonoro que Bulow celebra com tão justo enthusiasmo — foram P°r e " la tocados no estilo medido e castigado que convém. Por outro lado, ella em-prestou aos românticos e aos modernos uma fantasia e uma espontaneidade en-cantadoras. Apraciamol-a particularmen-te na obra de Franck, tão difficil, com seus diversos planos sonoros superpôs-tos, que ella soube salientar mag's" tralmente.
R senhorita Lúcia Branco é jovem ainda, mas já deixou muito 'ongV° seu ponto de partida. Nada mais 1"* resta do que deixar desenvolver a sua personalidade, para fornecer á techmea pianistica feminina de amanban, "n,a das suas mais brilhantes personalidade5? e á arte brasileira um dos seus ®alS eminentes representantes".
ISO
Vicente de Carvalho
Festival em homenagem ao grande poeta
R talentosa poetisa fídalzira Bit-tencourt organisou para o dia 11 Março, no Theatro Municipal, um te®' tival em homenagem ao illustre P°e.a Vicente de Carvalho, 14JW, por pv»motivo-• jdo apparecimento da quinta edição Poemas e Canções.
R fesia, cujo produeto reverte em beneficio do Centro Acadêmico Onze de Agosto, foi dividida em tres partes-Na primeira a senhorita Adalzira Bitten court fará uma conferencia sobre
"
lagrima. Na segunda far-se-ão ouvir sr. prof. Vicente de Lima e o sr. Gu' lherme Mignone, e a senhorita Ma*"1 Prestia entregará um busto do poe'a> offerecido pelo esculptor Ettore Xim^ nez. Na terceira, execução pelo sr. « ' cente de Lima e versos pela senhori Adalzira' Bittencourt.
A
formosa Senhorita Maíry Ladeira Rosa, alumna da Escola de Phar-macia d« S. Paulo e que acaba de festejar o seu annioersario natalicio.
ISO
sangria cura qualquer enfermidade, segundo crença entre os "papuas > tribu selvagem da Nova Guiné. "7"
Hábeis atiradores elles fazem 0 doente estender o braço que deve scr operado; collocam socegadamente a He* no arco e disparam sobre a veia des i nada a ser aberta, sem nunca deixar acertar. Immediatamente retiram a flc* do braço onde se craoou, e a operação não tem mais conseqüências.
Acabam de sahir:
"POEMAS
E CANÇÕES", em quinta edição e "ROSA, ROSA u
DE AMOR", em nova edição do grande poeta Vicente de Carvalho. ^
CflSfl GUERRA
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Visitem a As
Sal;Cfnas es> sras- dd. Yolanda Penteado Telles e'Fifi Lebre Padua posando para "A Cie.arra„ em suas ricas phanlasias
de Carnaval.
MUSICA — O eximio barytono brasileiro Andino de Abreu, natural do Rio Grande do Sul, e que, sem ter sabido do nosso paiz, conseguiu ser um notaoel cantor. Possue, uma excellente escola de canto, realçada por uma dicção impeccaoel. As
suas interpretações são finamente artísticas.
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Bem sortida secção
de linhas e artigos para trabalhos
1 de Março de 1924
Marck Twain c as senhoras
Quando este grande humorista nor-te-americano regressou ao seu paiz de
A distincta escriptora riograndense sentiuiua L<>.a ue Oliveira, que se acha Bdualmente em 6. Paulo em companhia de sua progenitora, a apreciada escriptora, também riograndense, d. Andra-diüa de Oliveira. Os seus dois livros de versos "Amethistas", em quarta edição, e "Esmerai-das", em primeira edição, serão publicados no fim deste mez. D. Andradina realisará breve-mente, no salão do Conservatorio, uma conferencia sobre o thema "A mulher não é inferior ao
homem". Ambas deram-nos o prazer de sua visita.
uma viagem á Europa, fez as delicias da mesa do commandante a bordo d° transatlantico em que seguia.
Rs senhoras formavam-lhe circulo e não se cançavam de ouvil-o. Na ul-tima noite de viagem quasi em frente de Nova-York, quiz offerecer-lhes, ama-velinente, uma taça de Champigne-Erguendo-a, e curvando-se para ellas fez-lhes o este brinde:
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todas as senhoras ! São ellas, depois da Imprensa, os melhores agen-tes de disseminação de todas as n°" ticias !"
ISD
Casamento original
Um casamento original foi celebra-do ha pouco em Gottingen. A noiva e filha de um condemnado á morte, e 0 noivo tem vinte annos de prisão 3 cumprir. As duas testemunhas são con-demnados á pena capital.
São todos elles flamengos, condem-nadas na Bélgica, por contumancia, e que se refugiaram na Allemanha, Para escapar a tão amaveis perspectivas.
ISO
Um convalescente agradecido: Doutor, não esquecerei nunca
que lhe devo a vida !
O que o meu amigo me deve são quinze visitas. E' isso o que eU desejo que não esqueça nunca.
A's alumnas de
piano
recommenda-se vivamenle a leitura do quinto numero da Revista de Cultura Musical
ARIEL
a sahir por estes dias.
Importante artigo do prof. A. de Sá Pereira sobre: "Technica racional do piano".
(O estudo das escalas baseado em processos modernos de analyse).
Alem deste, outros importantes artigos, como:
Tupinambá, estudo critico por Mario de Andrade.
O piano e a menina do Conservatorio, chronica satírica por Jaques Dalcroze.
Chronicas de concertos. Noticias do extrangeiro.
Innumeras originalíssimas illustrações, desenhos, ornatos e hors-tex'e em madeira por Paim.
Leia este numero e convença-se de que ARIEL é uma revista de alta cultura, cuja leitura
lhe deve ser indispensável.
A' venda em todas as casas de Musica ou directamente na redacção :
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jr<5e Março de' 192
/V Grande Recepção dos Condes Matarazzo
Outra photographia"tirada na Villa Matarazzo, no dia da grínde recepção em honra dos noivados das senho-fitas Claudia e Mariangela Matarazzo com o Príncipe Francisco Ruspoli e Conde Francisco Matarazzo Júnior.
Um
grupo de convidados photographado para "R
Cigarra", na Villa Matarazzo, no dia da recepção alli ha-vida para festejar
os noivados da senhorita Claudia Matarazzo com o Príncipe Ruspoli e da senhorita Marian-gela Matarazzo com o Conde Francisco Matarazzo Júnior.
K f ' H IB | M|| ^/j[^. ji AV ,3iil ,wl -1W imB^MI ^BH ¦WpM^^yj^^'j -* "i *\. "*S8SE5is R
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Outro aspecto da grande recepção dada na Villa Matarazzo em honra dos noivados das senhoritas Claudia e Mariangela Matarazzo com o Príncipe Francisco Ruspoli e o Conde Francisco Matarazzo Júnior.
&Ç&X3CQL,
R Grande Recepção dos Condes Matarazzo
1 de Março de 192-1
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Photographia tirada na Villa Matarazzo, vendo-se ao centro a Excma. Condessa Matarazzo, ladeada pelo seu digno esposo, Conde Francisco Matarazzo, e seu filho Francisco Matarazzo Júnior, na manhã do casamento
_de Março de 1924
Os Casamentos dos Filhos dos Condes Matarazzo
IM'l v®9* M2m 1,.7m v. i 'A F'-<^ * _\ JaHft: I j '-^¦^^b^^bb ~#^C' JB • /
ffi^a^aHMa(aBKl^^BBtsfcKV-'^ »j^Fy^Ba- . ¦•. yjHk<mtU
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pS £jrdcjosas scnhoritas Claudia c Mariangcla Matarazzo, cm companhia dos seus noivos, Príncipe Francisco Ruspoli <? onue Francisco Matjrazzo Júnior, após os^enlaces inatrimoniaes realisados na Egreja de São Bento, nesta capital.
^
enorme multidão em frente a' Egreja de São Bento, nesta capital, no dia dos casamentos das senhoritas Uaudia e Mariangela Matarazzo, com o Principe Francisco Ruspoli e Conde Francisco Matarazzo
Júnior. ^° centro, encaminhando-se^para o templo, vê-se o Principe em uniforme de guarda nobre pontifício, dando -—- o braço á exema. Condessa Philomena Matarazzo.
i . f .'¦ jjMpjlM-vfIM^-Wi.^jPtydf •' jkJI
®v- Kffiyfer Xjs-v -„ • .... '"^'•'"•iQKJ^L ¦ ¦¦
,'^js^i"V' • ¦ •' '¦ v~
Ó Príncipe Francisco Ruspoli, ao lado do Excmo. Monsenhor Gasparri, Núncio Apostólico, que vaio especialmente do Rio para celebrar o aclo nupcial dos fi-lhos dos Condes Matarazzo, e de sua excia. D. Duarte Leopoldo e Silva, Arce¦•
bispo de S. Paulo. Ao alto vê-se o Conde Francisco Matarazzo.
1 de Março de
Os Casamentos dos Filhos dos Condes Matarazzo
Festival Beneticiente
Realisar-se-á a 29 de Março, no Theatro Municipal, um festival scienti-fico-literario-musical em beneficio da fundação do Sanatorio "Luiz Ferreira", de Protecção e Preservação dos Filhos dos Tuberculosos Desamparados. A par-te scientifica está a cargo do dr. Ru-bião Meira, que fará uma conferencia sob o thema: A tuberculose, moléstia evitavel, sua prophylaxia. A parte li-teraria está affecta ao brilhante jornalis-ta Lelis Vieira, que disserjornalis-tará sobre o the-ma : Cousas antigas e cousas novas. Da parte musical se incumbirão os distinetos professores Zacharias Autuo-ri, W. Rieley, G. Arcolani e Mario Camerini, que executarão o Quartetto n.° 35, de Beethoven.
A orchestra do Maestro Carlos Cruz executará nos intervallos trechos de Car-los Gomes, Schubert, Strauss e Wagner. A grande procura de entradas mos-tra o interesse^que^ a nossa, sociedade
tem tomado por esse attrahente festival. As entradas acham-se á venda na Casa Mappin Stores, Palace Hotel, Ho-tel Esplanada, Hotel Terminus, Pensão Paulista, á rua Jaguaribe 72, com o sr. Alberto Schoivider, á rua Liberda-de, 40, com o sr. Leonel Rossi, á rua Amélia, 5, com d. Zoraide Vianna, á rua General Carneiro, 35, com o sr. Lindolpho, á rua Guayacurús, 176.
E' fundadora do Sanatorio "Luiz Ferreira" a distineta senhorita Luiza de Lima Paiva.
Cfi
Enlace Elisa Garcia
Eiisiario Ribeiro
Realisou-se, no dia 26 de fevereiro, nesta capital, o casamento da senhori-nba Elisa Garcia, filha do saudoso dr. Celso Garcia e de d. Maria Luiza
Chaves Garcia, já fallecidos, com o sr-Eiisiario Braga Ribeiro, filho do s'* Sinvól de Sousa Ribeiro e de d. Btj" mira Braga Ribeiro, fazendeiros em JallH-Os actos civil e religioso foram cC' lebrados na residencia do dr. Evaris'C Garcia, irmão da noiva, tendo com° testemunhas da noiva, no civil, o Antonio Luiz Gomes dos Reis e su? senhora, d. Esther Gomes dos Reis, ® do noivo, o sr. Alfredo Ribeiro da Sil" va e sua senhora, d. Venancia Ril}eif0 da Silva ; e no religioso, da noiva, 0 dr. Matheus da Silva Chaves e d. Ce-cilia Chaves Guimarães ; e do npiv®> o sr. Erasmo de Sousa Ribeiro e sus senhora, d. Elisa de Sousa Ribeiro,
Foi celebrante o revmo. conego Ms-nuel Meirelles Freire, que proferiu feri' lhante allocução aos noivos.
Serviu-se aos convidados lauta m®" sa de doces, seguindo-se as dansas ate alta madrugada.
Viam-se na corbelba da noiva mui-tos mimos.
• d® Março de 1924 &Q&*—--> "5MAIS COMPLETO FORTIFICANTE V *• • >•••••••••••••••••••••••••••••**»••••*•• vs.: •..•••: . • ¦ ••• ••••• ••• • ••••••••••• : •••••, .•••. : : • - • •••*•••••••••••••••••••• O presente esquecido b ? S Um
passado de amor não morre, meus amigos, ourge-nos muita vez do fundo das
gavetas quando a gente siquer nem.o sonha encontrar. Hoje ainda, mexendo uns guardados antigos, encontrei
por acaso um ramo de violetas que colhi
para alguém e não cheguei a dar.
E ao fazer esse achado eu fiquei muito triste... 1 orque,
quando se encontra um punhado de flores, sempre a
gente recorda um romance qualquer... Numas flores assim sempre uma historia existe...
E essa historia, lembrando uns antigos amores, me evocou tristemente um vulto de mulher.
São flores
que colhi para dar-lh'as um dia... Mas nesse mesmo dia, antes mesmo que as desse, ° destino traidor nosso idyllio desfez.
E o meu presente, então, na dôr que me pungia, abandonei-o, e, assim, como tudo se esquece, lá ficou na gaveta esquecido de vez.
Agora, sem querer, achei-o de repente... E ao vêl-o resurgir do fundo do passado como uma pobre cousa inútil e esquecida, eu me puz a pensar naquelle outro presente,
naquelle
que também não chegou a ser dado... Puz-me a pensar na minha vida...
DURVflL MARCONDES • ••• • • • • • ••• '••••••••••••••••••••a , • • •• • ,•••. •• : -••• *'••••' "j* • ••••••••••••••••• A bondade DD—
A bondade é o alimento do cora-ção e o seu conforto indispensaval ; é um escudo contra tanta miséria que ha na vida ... bondade é realmente uma grande força no mundo. O pro-verbio franc.z diz : "Não se apanham moscas com vinagre". A bondade não consiste nas offertas, mas na doçura e generosidade de espirito. Podemos dar o dinheiro de nosso bolso sem dar o melhor, que vem do nosso coração.
R bondade que ostenta quando dá dinheiro, não vale nada, e muitas ve-zes prejudica em vez de beneficiar, emquanto que a bondade de verdadeira sympathia, do auxilio attencioso, nunca deixa de produzir beneficos resultados. Egoísmo, scepticismo, presumpção, são sempre os máus companheiros da vi-da, e são raramente naturaes na moci-dade E' preciso ser bom, sem esperar gratidões nem recompensas, porque a bondade é necessaria a ntís proprios. para conforto do coração ... A expres-são de bondade no olhar é uma bellc-za que transfigura os rostos mais po-bres de formosura.
R.
» MAIS «.v ¦ 5 tMPBtJ * PUBL.. i: A I ¦ ¦ III I II I I ¦ ¦ II — I UMITIUinill ¦ I l^ll % -Annuncios e publicações em geral para toda a imprensa \ CONCESSIONÁRIA DE RECLAMES DAS MAIS IMPOR- £
\TANTES EMPRESAS COMMEBCIAES l INDUSTRIAES j* \ Assiqnaturas para Iodos 03 Jornaes t Revistas /
\ svtruKAi: e/o DíMA/e/fo-M. f/o omhco.w J?
0o°°*0 OTlPfOP MAPfV>Y7Â*7rj
A6ENCIAS EM TODO 0 PAIZj ••••••••••••••••••••••••••••
1 de| Margo defl924
I\ can^ao brasileira
No centro: o nosso brilhante collaborador, Epitectot Fontes, que fet uma bellissima 'conferencia,
no Salão uermama, sobre /i Canção brasileira", ao serem ali cantadas pelo talentoso tenor Edgard Arantes as no-vas composições do inspirado musico paulista Marcello Tupinambá com versos de poetas patrícios. IA'
di-reita do conferencista vê-se o cantor e á esquerda o compositor.
Quando ? G)
.=>-—¦ ¦ ¦ ¦ ^
Era tarde, era muito tarde. Nem uma estrella a bruxolear no céu tristo-nho « negro. O vento, a sibilar no seu pífaro infernal apagara-as talvez. E o Mendigo dizia-me:
k — flhl Falas-me em amor? Sim, que é isso sinão uma palavra muito bo-nita de se pronunciar, mas triste, muito triste de se sentir? Uma bebida em cujas libações a humanidade procura mitigar seus ímpetos brutaes, mesmo sabendo que ella envenena e mata? Sim, eu também já amei, também já errei como todos os mortaes e vê o que sou agora: um condemnado, um mise-ravel entregue á impiedade dos homens. E elles riem quando passo a mendigar um ceitil.
E a vida? Acaso não pensas nella?
1\ vida? Alforge cheio de
ale-grias, illusões e cubiças para a juven-tude que o carrega sem se resentir de seu peso . . . Mas, quando os annos vão desbotando nossos cabellos, o al-forge já deixou pelo caminho tudo o que tinha de precioso, dando logar ás des-illusões e ás misérias que os tornam mais pesado e enfadonho.
Então i
que devts buscar as distracções. E ellas são tantas! A
poe-sia que esparge, numa névoa de sonho, encantos no coração. F\ mulher...
— Cala-te. t usas talvez despertar
à talentosa pianista Lucy Mesterton que con-cluiu o seu curso no Conseroatorio Dramatico e Musical de S. Paulo, onde estudou com o professor C. Carlino e que acaba de embarcar para Paris, em companhia de sua familia.
a dôr, quassi adormecida, que ha an-nos embalo com resignação? Ser poeta é ser discípulo de Deus. Amando a mulher, todos se tornam alumnos Mestre. Poesia e Mulhrr... flhl flh! Ah! Escuta: nunca alardeies os teus senti-mentos, bons ou maus, ouviste? Cala-se sempre em teu coração, porque-quando máus fossem elles, os teus si' melhantes, os teus vis semelhantes, ac* cusar-te-iam de desobedecer divinos mandamentos que elles mesmos não obedecem. Quando bons, calcal-os-ia*11 sob risotas de escarneo.
Mas esqueceste
que ainda ba piedada sobre a terra?
Piedade? Veneras
ainda ess« idolo quebrado que os homens despre-zam? O' cegas creançasl Que mal vos fizeram estas ingênuas almas para qu® as persigaes no turbilhão da vida? Á1-mas tão alheias ao que Yae por esse mundo de maldições tão cheio! Per-guçte Duus ao mortal:—"Quando sen-tirás, 6 homem, piedade pela dôr d* outro homem? Quando?" E verás que esse mortal rirá do proprio Deus.
E lá se (oi o mendigo, a rir e a murmurar!
Piedade... Piedade...
Afugentavam-se as trevas da natu-reza e de minh'alma . . •
JÚLIO TINTON ¦
ifi .