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Relatorio de estagio extra curricular em fitopatologia

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z.<,r In Q 1,.: ‹ . _

UNIVERSIDADE FEDERAL

DE SANTA

CATARINA

CENTRO DE

CIENCIAS

AGRARIAS

CURSO DE

AGRONOMIA

RELATÓRI0

DE

ESTÁGI0

EXTRA-CURRICULAR

EM

FI'l`0PATOLOGIA

Relatório de estágio extra-curricular

em

Fitopatologia realizado no

C.P.P.P./EPAGRI no período de 15 de

janeiro a 24 de fevereiro de 1995.

Estagiário: Sídínei

Egon

Simon

~"ʬ

P

ll7

E

l

Supervisora: Eng. Agr. Msc. Giovanína Fontanezzi

Huang

(2)

UNIVERSIDADE

A

FEDERAL

'

DE

SANTA

CATARINA

1

CENTRO DE

CIENCIAS

AGRARIAS

CURSO

DE

AGRONOMIA

756-2

O

282 UFSC-BU \ ,

RELATÔRIÍI

DE

ESTAGIO

EXTRA-CURRICULAR

EM

FITOPATOLOGIA

Relatório de estágio extra-curricular

em

Fitopatologia realizado no

C.P.P.P./EPAGRI no período de 15 de

janeiro a 24 de fevereiro de 1995.

Estagiário: Sídineí

Egon

Simon

Supervisora: Eng. Agr. Msc. Gíovanina Fontanezzi

Huang

(3)

/3%éaí

SUMÁRIO

Sumário 02

Introdução Geral O4

Parte I - Estudo de

fimgos

associados à sementes de adubos verdes 06

Apresentação 07

Introdução O8

Metodologia 09

Importância dos adubos verdes 10

Fungos da Parte aérea e do sistema radicular 13

Fungos associados às semiites de adubos verdes 16

1)

Grupo

1 - Fungos associados à sementes de adubos verdes e que provocam

danos durante o armazenamento afetando diretamente a qualidade

z/

fisiológica das sementes 17

Grupo

2 - Fungos asssociados a sementes de adubos verdes causadores de

V /I

doenças na parte aérea das plantas 20

3)

Grupo

3 - Fungos associados à sementes de adubos verdes causadores de

doenças na parte aérea das plantas 24

4)

G1upo

4 - Fungos benéficos ou antagônicos 28

Algumas Considerações 30

Anexos à Parte I - Descrição dos principais adubos verdes 31

Adubos

verdes de inverno 31

Adubos

verdes de verão 37

Bibliografia da Parte I 40

Parte

H

- Controle de

Cancro

Cítrico

no

Oeste Catarinense 43

Introdução 44

Identificação da Problemática e Revisão de Literatura 46

Metodologia de trabalho 49

Bibliografia da parte II 51

Parte 111 - Estudo de microrganismos associados à

mudas

de erva-mate 52

(Ilex paraguariensis st. Hillaire)

G

Introdução 53

A

produção de

mudas

54

Metodologia de trabalho 56

Considerações 62

Bibliografia da Parte III 63

(4)

5

`/Vo

princípio criou

,øeus

os

céus

e

a

terra.

5

a

terra era

sem

forma

e vazia; e

havia

trevas

sobre a

face

do

abismo;

e

o

espírito

de

,øeus

se

movia

sobre a

face

das

aguas.

8

disse

øeus:

Jjaja luz.

5

houve

luz.

8

viu

@eus

que

era

boa a

lui; e fe:

.øeus

separação

entre

a

luz e

as

trevas...

Qên

1: 1~4

`/Vo

princípio era

o

É/erbo,

e

o

filerbo

estava

com

@eus,

e

o É/erbo

era

@eus.

Qle

estava

no

princípio

com

øeus.

Todas

as

coisas

foram

feitas

por

gle

e

sem

Qle nada do que

foi feito

se

fez. `/Yele

estava a

vida e

a

vida era

a

lu:

dos homens;

8

a

luz

resplandece

nas

trevas e

as

trevas

não

*

a

compreenderam.

ao

1= 1-5

(5)

4

INTRODUÇAO

GERAL

Este trabalho

compreende

a descrição de

algumas

atividades pesquisadas e/ou estudadas

no

período de 16 de janeiro a

24

de fevereiro pelo estagiário

na

Empresa

de

Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural

(EPAGRI), no

Centro de Pesquisa para

pequenas

propriedades

(CPPP)

em

Chapecó/SC.

A

EPAGRI

é

uma

empresa

estatal cujo objetivo é pesquisar e difundir tecnologia agricola para o Estado de Santa Catarina; é originada da fusão

da

EMPASC

(Empresa

de Pesquisa Agropecuária de Santa Catarina) e

ACARESC

(Associação de

Crédito e Assistência Rural

do

Estado de Santa Catarina). Esta

empresa tem

como

principais grupos acionários o

Govemo

do

Estado de Santa Catarina e a

Empresa

Brasileira de Pesquisa Agopecuária

(EMBRAPA).

H

A

EPAGRI

conta

com

vários centros de pesquisa

no

Estado, entre eles está o

Centro de Tecnologia Agricola de

Chapecó que

conta

com

pesquisas

em

várias áreas

como

fitossanidade, sementes, solos, grandes culturas, frutíferas e outras.

O

estágio foi realizado

no

setor de fitossanidade.

Os

objetivos

do

estagiário

com

a escolha pelo setor

foram

basicamente de adquirir experiência

na

área,

aprimorando desta

forma

os conhecimentos adquiridos

na

sala de aula

no

semestre

anterior, fazendo

uma

junção entre a teoria e a prática.

As

atividades desenvolvidas constituíram-se basicamente

em

acompanhar

o

(6)

realizados vários trabalhos, enter eles:

acompanhamento

de

um

trabalho de avaliação

e controle de

Cancro

Cítrico

(Xanthomonas

campestris pv. citri)

na

Região Oeste

do

Estado de Santa Catarina; Avaliação da qualidade das

mudas

de erva-mate (Ilex

paraguariensís st. Hilaire) produzidas

em

alguns viveiros da Região Oeste de Santa

Catarina e Análise de laudos

com

revisão bibliográfica de fungos associados à

sementes de

adubos

verdes.

Mem

destes trabalhos foi feito

um

acompanhamento na

análise de material enviado ao Laboratório de Fitossanidade para identificação.

(7)

PARTE

I

ESTUDD DE

EUNGDS

AssD‹:IADDs

A

sEMENTEs

DE

ADUDDS

VERDES ND

ESTADD

DE

SANTA

CATARINA

(8)

7

APRESENTAÇÃO

Este trabalho é parte do relatório de estágio extra-curricular do Curso de Agronomia

da Universidade Federal de Santa Catarina realizado Centro de Pesquisa para Pequenas Propriedades/Centro de Tecnologia Agrícola da Empresa de Pesquisa Agropecuária e

Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI/Chapecó), por Sidinei

Egon

Simon, na área de

Fitopatologia, supervisionado pela Eng. Agr. Giovanina Fontanezzi Huang.

O

trabalho consiste

na citação dos principais fungos associados à sementes de adubos verdes de verão e inverno e

descrição destes.

As

amostras de sementes foram coletadas no Estado de Santa Catarina.

A

(9)

6'

|NTRoDuÇÃo

Somente a partir das últimas três décadas é que se

começou

a ter

uma

preocupação

com

a manutenção da qualidade do solo e sua produtividade. Antes disso, haviam terras

em

abundância e

um

solo que não produzisse

bem

poderia ser abandona/do à medida que outro

fosse utilizado.

Frente à necessidade da conservação e manutenção da estrutura edáfica foram sendo estudadas altemativas que controlassem a erosão e ao

mesmo

tempo mantivessem a estrutura,

chegando-se então à retomar a adubação verde, prática que já era utilizada

em

tempos antigos,

mas

que foi abandonada a partir da 2” Guerra Mundial,

com

o advento da adubação química e

da chamada Revolução Verde.

Com

a implantação no solo da adubação verde, leva-se ao solo

uma

nova cultura, estranha à este e que pode, por

um

lado servir

como

planta

em

rotação, controlando patógenos e concomitantemente, pode servir

como

hospedeira de patógenos ou

mesmo como

transmissora

destes quando são transportados e implantados

em

algum local junto das sementes.

Para o caso específico da adubação verde, não se tem quase que

nenhuma

informação sobre

o tipo de microflora que possa estar associado às sementes.

Por dedução, toma-se o cuidado

em

muitos casos de fazer a rotação de

uma

gramínea

cultivada

com uma

leguminosa adubo verde ou vice-versa,

mas

não se tem precisamente indicação dos danos que doenças de adubos verdes

podem

causar, tanto pelo prejuízo

em

si,

como

às plantas cultivadas.

Muitas espécies de adubos verdes são altamente susceptíveis à doenças e grande parte

dos patógenos

podem

ser transmitidos por sementes. Disto pode-se tirar que o estudo de fungos associados à sementes tem importância destacada, já que não sao muitos os trabalhos

(10)

9

METODOLOGIA

Durante o ano de 1994

forma

avaliadas

no

CPPP/EPAGRI

-

Chapecó

- a

condição sanitária de 11 espécies de

adubos

verdes, sendo elas: azevém, aveia,

mucuna,

ervilhaca, crotalária, chícharo, feijão-de-porco, gorga, ervilha forrageira,

tremoço e guandú.

Para a detecção de fungos associados às sementes foi utilizado o

método

do

papel filtro,

conforme

descrito a seguir. Para este trabalho

tomamos

apenas os dados

obtidos

sem

desinfecção prévia das sementes.

O

método do

papel filtro consiste

em

se incubar

400

sementes

em

papel filtro

esterilizado

embebido

em

água destilada esterilizada e colocado

em

caixas de 12

x

12

x

4 cm.

As

caixas são conservadas

em

tomo

de

20°C

durante oito dias

em

regime de

alternância de luz negra (3000 -

4000

Ã) e escuro, 12/12 horas, sendo possível após o

período fazer a identificação dos flmgos

(URBEN,

1987).

A

identificação dos fungos foi feita

com

auxílio dos microscópios estereoscópio

(11)

10

IMPORTÂNCIA

DOS

ADUBOS

VERDES

A

intensa exploração agrícola do Estado de Santa Catarina, principalmente nos últimos 40 anos, associada a

um

relevo extremamente ondulado que favorece sobremaneira a

erosão, tem se constituído cada vez mais

num

agravante para o desgaste dos solos catarinenses. Pode-se acrescentar ainda que até muito pouco tempo, não havia quase que

nenhuma

preocupação

com

práticas conservacionistas, inexistindo políticas de caráter público

ou privado que incentivassem tais práticas.

Face a este painel, tem-se partido para a busca de alternativas que minimizem os

efeitos da exploração agrícola intensa e que venham, de alguma maneira, recuperar ou manter a fertilidade dos solos.

A

adubação verde e cobertura do solo,

em

sistemas de rotação ou sucessão de culturas é considerada

como uma

prática simples, econômica e eficiente de controle de erosão

(MANNERING

&

MEYER,

1963,

COGO,

1981;

DERPERSCH,

1981

citados por

BULISANI

et alii, 1993),

uma

vez que a manutenção da cobertura evita o impacto

direto das gotas de água das chuvas sobre o solo. Soma-se a isto a capacidade de fixação de

nitrogênio que algumas plantas (leguminosas especificamente)

em

simbiose

com

microrganismos

podem

realizar e a reestruturação química, fisica e biológica dos solos pela incorporação de resíduos vegetais.

A

adubação verde é

uma

prática bastante antiga, já utilizada antes da era cristã

(CALEGARI

et alii, 1993). Sua prática, no entanto, foi posta à parte após a Segunda Guerra Mundial,

com

o advento dos adubos químicos.

De

maneira geral, adubação verde pode ser entendida

como

a incorporação de plantas

verdes ao solo e que foram cultivadas para este fun.

CALEGARI

(1983) conceitua adubação verde

como

o uso de plantas

em

rotação, sucessão ou consorciação

com

culturas, sob qualquer

tipo de manejo de fitomassa, visando a proteção superficial,

bem como

a manutenção e/ou melhoria das características fisicas, químicas e biológicas do solo.

A

adubação verde,

como

prática agrícola, pode

também

ser encarada

como

rotação de

cultura

com

as plantas cultivadas, o que estimula o desenvolvimento dos microrganismos no

solo e

uma

reciclagem eficiente dos nutrientes causada por

uma

diferenciação dos sistemas

(12)

II

radiculares, além de

uma

absorção diferenciada pelas diferentes espécies e cultivares implantadas.

De

maneira indireta, tem-se, sob condições normais,

um

aumento de

produtividade.

As

plantas utilizadas na adubação verde, cultivadas

com

esta finalidade,

também

podem

ser

denominadas de plantas de cobertura do solo. Alguns autores consideram

como

adubos verdes

mesmo

aquelas que não são incorporadas ao solo, tendo apenas a função de proteção deste.

Como

tais, contribuem para

uma

maior retenção de água pelo aumento na capacidade de

retençao e armazenamento, há ainda

uma

redução na variaçao térmica diária na superficie e subsuperficie do solo.

Quando

incorporadas, as plantas proporcionam

um

aumento no teor de matéria orgânica no

solo, variável de acordo

com

a espécie ou variedade.

FLORES

(1993) destaca, por exemplo,

que a

mucuna

(Stílozobium spp.) produz cerca de 35 toneladas de matéria verde por hectare, o

feijão-de-porco (Canavalía ensiƒormís) produz cerca de 40 a 50 toneladas. Esta matéria verde,

quando incorporada ao solo, dá a este características de melhor fertilidade proporcionada pela

melhoria na estrutura fisica.

Além

disso há

um

aumento na disponibilidade de micro e

macronutrientes

em

formas assimiláveis pelas plantas, algumas espécies tem a capacidade de

elevar

o

pH

do solo, principalmente leguminosas, outras no entanto,

podem

dirninuí-lo.

Os

adubos verdes incorporados

também

auxiliam na formação de ácidos orgânicos para a

solubilização dos minerais,

aumentam

a

CTC

efetiva e diminuem os teores de alumínio

trocável.

Em

muitas regiões do mundo,

com

solos pobres

em

nutrientes e

com

baixos teores de matéria-orgânica, conseguiu-se a recuperação destes solos pela implantação de adubação verde

(DERPSCH,

1991).

O

uso da adubação verde não incrementa novos nutrientes ao solo, exceção feita ao

nitrogênio, fixado do ar por microrganismos

em

associação

com

legurninosas.

No

entanto,

algumas plantas, tremoço (Lupinus spp.) por exemplo, tem

uma

alta capacidade de

solubilização de fósforo, aumentando nitidamente a disponibilidade deste nutriente

(DERPSCH,

1991).

O

uso isolado da prática, portanto, não substitui a adubação mineral ou

orgânica,

DEBRUCK

e

BOGULAWSKI

(1979) citados por

DERPSCH

(1991)

afinnam

que

(13)

12

pela interação entre adubo verde e adubo mineral é possível obter-se rendimentos maiores

que empregando-se cada

um

isoladamente.

Além

destes aspectos, cita-se ainda o controle de pragas e doenças que a prática pode

proporcionar.

O

uso da adubação verde auxilia no controle de nematóides, diretamente pela

hospedagem quando são utilizadas espécies e variedades de plantas diferentes ou pela rotação

de culturas.

"O

aumento de matéria orgânica

em

decomposição causa

uma

proliferação de organismos antagônicos aos nematóides"

(CALEGARI,

1993).

O

feijão-de-porco e a mucuna,

com

crescimento vigoroso

impedem

a passagem de

luz, limitando o desenvolvimento de doenças

(FLORES,

1993); algumas plantas

também

(14)

13

FUNGOS

DA

PARTE

AÉREA

E

DO

SISTEMA

RADICULAR

A

importância da presença de patógenos nos adubos verdes está

em

que estes

podem

causar danos a espécie

em

si e

também

porque estes patógenos podem, causar danos a outras

plantas de interesse econômico

(MONEGAT,

1991). `

Toma-se

importante salientar

também

que algumas espécies

podem

não sofrer danos

com

a presença do microrganismo,

mas

somente servem de hospedeiro intermediário deste

para que venha infectar outras culturas, causando então danos.

CALEGARI

et alii, (1991) cita

o exemplo do Chícharo (Lathyrus sativus L.), que pode tomar-se hospedeiro intermediário de

doenças que ocorrem

em

ervilha e feijão (Ascochyta spp. e Colletotrichum spp.).

Outras espécies

podem

servir

como

hospedeiras de insetos transmissores de doenças, principalmente viroses; é o caso da

mosca

branca (Bermisia tabaci), que vive

como

hospedeira

em

feijão-de-porco (Canavalia enszformis L.) e

em

feijão-brabo-do-ceará (Canavalia

brasiliensis

M.

e Benth) e que é transmissora do víms do mosaico dourado do feijoeiro

(CALEGARI

et alii, 1992).

Segundo

WILDNER

(1989), nas espécies de verão a ocorrência de patógenos é

menor, sendo patógeno mais

comumente

encontrado a Cercospora spp.

em

crotalárias e mucuna.

Em

observações realizadas na área experimental do

CPPP

(Centro de Pesquisa de Pequenas Propriedades/EPAGRI) foi constatada

em

Croialaria grantiana L. a presença de Rhízoctonia solani, Fusarium spp., Colleioirichum spp e Alternaria spp.

Os

sintomas se

caracterizavam

com

manchas de plantas mortas ou murchas

em

reboleira, observando-se as plantas constatava-se colo seco, raízes apodrecidas e folhas murchando no sentido de baixo para cima. Estes sintomas provavelmente se

devem

a presença de Fusarium spp. e Rhizoctonia

solani.

HENSON

e

SCOTCH

(1968), citados por

MONEGAT

(1991)

também

citam a presença destes fungos associados a podridões de raízes.

Segundo

WILDNER

(1989), a murcha causada por Fusarium spp. é

uma

doença que

ocorre

em

inúmeras espécies de adubos verdes durante todo o ciclo destas culturas.

A

doença

(15)

14 geral até a morte das plantas, as raízes e a parte inferior do caule parecem destruídos e ataca principalmente leguminosas.

Na

área do

CPPP

também

foi constatada

em

feijão-de-porco a presença de Fusarium

solani e Fusarium oxysporum, neste caso, no entanto, o que mais caracterizava a doença eraa podridão de colo causada por Sclerotíum rolfsíí.

A

doença causada por Sclerotíum rolfsíí está largamente distribuída,

uma

vez que o

patógeno ataca

uma

ampla

gama

de hospedeiros e é considerada

como

uma

das doenças mais importantes que afetam o feijoeiro

(KIMATI,

1980). Verifica-se daí que após o cultivo de

uma

leguminosa,

como

adubação verde ou não, seja feita a rotação de cultura

com

planta de outra

família, de preferência

uma

gramínea.

REDDY

et alii (1993) relatam vários patógenos atacando o guandú a nível de mundo,

no Brasil, o autor menciona apenas a presença de

Phoma

spp., Cercospora spp. e Phylosticta

spp., além do nematóide Meloidogyne spp.

WILDNER

(1989) fez a constatação de Fusarium

spp. que se manifestava

em

plantas a partir do terceiro e quarto ano, quando as plantas

definhavam

até a morte.

Com

relação à adubos verdes de inverno, o mais problemático provavelmente é o

tremoço (Lupinus spp.).

No

Brasil, o principal fator limitante para sua expansão é a

susceptibilidade à doenças. Esta cultura sofre o ataque de vários patógenos

como

Colletotrichum gloesporíoides, Glomerela cíngulata, Pleiochaeta setosa, Sclerotínia spp.,

Fusarium spp, Rhízoctonia solani, Vertícillium spp, Botrytís cinerea e Phomopsís spp, além

de viroses

(CALEGARI

et alii, 1993).

Neste caso,

um

dos mais problemáticos é o Colletotríchum spp., causador da

antracnose.

BOX

(1961) citado por

MONEGAT,

(1991) descreve os sintomas

como

manchas

de cor castanho escuro nos caules, ocupando

em

muitos casos, grandes extensões destes,

vagens e folhas podendo apresentar lesões de cor preta,

com

agrupamento de esporos rosados

~

no interior destas lesoes.

WILDNER

(1989) fez ainda a constatação de Albugo candída e Bom/tis spp.

em

(16)

'

lá'

Ascochyta spp. e Colletotríchum spp

em

Chícharo; Ascochyta spp., Colletotrichum spp. e Alternaría spp.

em

ervilha; ferrugem (Puccinia gramínis)

em

aveia.

MONEGAT

(1991) cita

também

o míldio da ervilha (Erysiphe pobfgoní), podridão de

raízes causada por

Aphanomyces

cuteíches e Pythíum spp, além de bacteñoses causadas por

(17)

16

F

UNGOS

ASSOCIADOS

À

SEMENTES

DE

ADUBOS

VERDES

A

importância do estudo dos fungos associados à sementes reside no fato de que o

cultivo de sementes contaminadas e/ou infectadas é considerado

como

um

dos meios mais eficientes de introdução de patógenos

em

áreas livres. Isto se deve a que sementes contendo patógenos não são facilmente identificadas

num

lote quando misturadas a sementes sadias e

são, por conseguinte, distribuídas nas áreas de cultivo, constituindo foco primário de infecção,

fazendo

com

que as chances para estabelecimento de doenças sejam máximas

(MACHADO,

1987).

~

Acrescente se a isto a desinformaçao de parte de muitos técnicos e agricultores que

muitas vezes não conseguem distinguir as sementes doentes das sadias,

mesmo

quando a

diferença está evidente, ou

mesmo

então a desinformação sobre o dano que o plantio de

uma

semente doente pode causar.

Sob o ponto de vista econômico, a importância da associação patógeno/semente se dá

em

função do dano causado à planta pela doença correspondente, resultando

em

perdas de produtividade ou então

em

maior custo de produção, e

também

sob o aspecto da perda da semente

em

si, que pode se dar tanto para novo plantio

como

também, quando grão, para a

alimentação

humana

ou animal.

Segundo

WETZEL

(1987), os principais danos causados por fungos de

armazenamento são: decréscimo na germinação, descoloração dos grãos no todo ou

em

parte,

transformações bioquímicas que

podem

levar ou não à produção de toxinas, aquecimento e

mofo

e modificações celulares.

Com

relação ao decréscimo na gemrinação, algumas espécies são mais susceptíveis e outras menos, já que

em

alguns casos o fungo se localiza no embrião e

em

outros nas camadas

de células mortas. Esta preferência pela localização pode variar de acordo

com

a espécie de fungo, que pode ter preferência por

um

local ou por outro

(WETZEL,

1987).

A

grande maioria das culturas está sujeita ao ataque de doenças e a maioria destas

(18)

I7

tem sido fator limitante para a expansão de culturas, percebe-se a importância da patologia de sementes.

Para o caso específico dos adubos verde, verifica-se por exemplo as limitações que

alguns deles tem devido ao ataque de patógenos causando doenças.

CARDOSO

&

CROCHEMORE

(1990) relatam, por exemplo, que a susceptibilidade a doenças tem sido fator

limitante para a expansão da cultura do tremoço (Lupínus spp.) na região Sul do Brasil.

Frente a estes fatores, tem-se ainda que são muito escassas as informações a respeito

da sanidade e qualidade dos adubos verdes.

WILDNER

(1989) coloca

como

causas disto o

controle pouco rígido de produção e comercialização destas sementes.

O

levantamento de fungos de várias amostras de adubos verdes colhidas no Estado de Santa Catarina nos permite ter

uma

idéia da qualidade das sementes no Estado.

Para

uma

melhor compreensão e para fins didáticos, dividimos os fungos associados à sementes

em

quatro grupos distintos:

1) Fungos associados a sementes e que provocam danos durante 0 annazenamento

afetando diretamente a qualidade fisiológica das sementes

(Grupo

1);

2) Fungos associados à sementes e transmitidas por elas, causando doenças de

campo

(Grupo

2);

3) Fungos associados à sementes causadores de podridões e fungos de solo

(Grupo

3);

4) Fungos benéficos ou antagônicos

em

sementes

(Grupo

4).

1)

Grupo

1 -

Fungos

associados à

sementes

e

que

provocam

danos

durante

o

armazenamento

afetando diretamente

a

qualidade

fisiológica

das

sementes

Após

a colheita, ao serem armazenadas, as sementes estão sujeitas à invasão e injúria

sofridas por

uma

série de fimgos, principalmente por aqueles dos gêneros Penicíllium e Aspergillus, que conseguem se desenvolver

em

ambientes

com

baixa umidade, crescendo

em

sementes ou grãos onde -esta umidade esteja

em

equilíbrio

com

a umidade relativa do ar

em

tomo

de 65 a 90

%

(WETZEL,

1987). Estes fungos, por suas características são chamados de fungos de armazenamento.

(19)

IX

Além

de Penicillium e Aspergillus, outros fungos são citados por

WILDNER

(1989)

como

fungos de annazenamento, são eles: Rhizopus spp.,

Mucor

spp. e Alternaria spp.

Os

fungos de armazenamento são favorecidos

em

seu crescimento por: umidade requerida

diferenciada para as várias espécies, temperatura na maioria dos casos entre 30 e 32°C,

período longo de armazenamento, alto grau de contaminação, grande quantidade de impurezas e altos teores de oxigênio

(WETZEL,

1987).

Para o caso da temperatura, algumas raças de Aspergillus glaucus por exemplo,

podem

crescer, embora lentamente,

em

temperaturas próximas a zero graus e algumas espécies de Penicíllium

em

temperaturas até menores que isto,

em

contrapartida, Alternaria tenuis,

também

considerada

como

fungo de armazenamento pode crescer

em

temperaturas maiores

que

40°C

(WETZEL,

1987).

O

período de armazenamento longo é favorável para a maioria dos fungos de armazenamento, para algumas espécies

como

Fusaríum sp. e Helminthosporium sp no

entanto, que sobrevivem

em

sementes armazenadas,

mas

que são tidos

como

fiingos de campo,

um

período longo de armazenamento pode fazer

com

que estes fungos desapareçam.

CHRISTIEN

& KAUFMANN

(1965) citados por

WETZEL

(1987) infonnaram que o

desaparecimento destes fungos pode se dar

em

poucos meses.

Na

análise de sementes feita no

CPPP/EPAGRI

foram detectadas

em

sementes de

adubos verdes 04 espécies de Aspergillus, sendo elas A. flavus, A. níger,

A

ochraceus e A.

jischeri; todas as espécies de adubos verdes analisadas apresentaram pelo

menos

uma

espécie

do gênero na semente.

LUZ

(1987) descreve Aspergillus spp.

como

fungos de conidióforos eretos a

suberetos, hialinos a subhialinos, ficando

marrom

escuros

com

o passar do tempo,

em

algumas

espécies, produzidos livremente

com

a ponta inflada formando

uma

vesícula, contendo fiálides

diretamente ou sobre

uma

fileira de células basais. Conídios raramente pigmentados, não

septados, globosos à ovóides, hialinos.

_

No

trabalho realizado, verificou-se a predominância de A.

flavus

sobre as demais

espécies do gênero encontradas,

com uma

amostra que chegou a apresentar até 79,00

%

de infecção

em

mucuna, espécie esta a mais infectada, seguida de ervilhaca e ervilha, constando-se

(20)

19 neste caso

uma

predominância por leguminosas. Constatou-se ainda que todas as espécies

analisadas apresentavam A. ƒlavus.

LUZ

(1987) descreve esta espécie

como

sendo

uma

das mais

comumente

encontradas.

As

outras três espécies de Aspergillus apresentaram-se

em

menor

intensidade, sendo normalmente a

mucuna

a espécie de adubo verde mais infectada.

Um

trabalho de

HARMAN

&

PFLEGER

(1974) citados por

WETZEL

(1987)

ressalta que a intensidade de ataque de Aspergillus pode variar de

uma

espécie de fungo para

outra, tendo algumas preferência por

um

tipo de semente e outras por outro. Neste trabalho

também

foi feita esta constatação, especificamente

com

a gorga, que apresentou porcentagem

de infecção de até 42,10

%

de A.

flavus

e 31,6 de A. ficheri, no entanto não foi detectada

em

nenhum

dos 19 laudos pesquisados a presença de A. ochraceus ou A. niger.

Com

relação à Penícíllium spp, foi feita a constatação de sua presença

em

todas as

espécies de adubos verdes examinadas,

com

maior intensidade no entanto na ervilhaca.

Das

35

amostras de lotes, 34 apresentavam

em

maior ou

menor

porcentagem o fungo e todas as

espécies de adubos verdes,

com

exceção à crotalária apresentavam no minimo

50%

de

infecção.

LUZ

(1987) descreve este fungo da seguinte forma: "conidióforos produzidos livremente

com

ramificações

mono

ou biverticiladas, dando características de pincel, às vezes agrupados

em

sinemas, hialinos e septados. Conídios fialídicos produzidos abundantemente

em

cadeias longas, globosos à ovóides, às vezes bacilares, geralmente hialinos, raramente pigmentados".

O

mesmo

autor descreve a associação do fungo

com

sementes de trigo

como

saprofitica.

NEERGARD

(1979) destaca que os fungos do gênero Penicillíum, assim

como

os do

gênero Aspergillus são importantes produtores de micotoxinas, destacando-se as espécies p.

cítrinum (Citrinina), P. íslandícum (islanditoxina), P. rubrum (rubratoxina) e P. viridícatum (hepatoxina e nifrotoxina).

(21)

20

2)

Grupo 2

-

Fungos

associados à

sementes

causadores

de doenças na

parte

aérea

das

plantas:

Este grupo é o mais numeroso

em

termos de espécies e pode

também

pode ser

denominado de grupo de fungos de campo. Segundo

WETZEL

(1987), são considerados

como

fungos de

campo

aqueles que atacam o grão ou a semente antes da colheita, no periodo de crescimento e maturação. Estes para proliferarem melhor necessitam de umidade relativa

alta,

em

tomo

de 90-95

%

ou mais ou

menos

25

%

de umidade para 0 caso de sementes

arniláceas.

Os

fungos de

campo

tem seu crescimento limitado a partir do

momento

em

que o teor

de umidade decresce.

Além

de umidade ainda necessitam de temperaturas adequadas,

paralisando o crescimento quando há

uma

queda desta

(CHRISTENSEN

&

KAUFMANN

1965 citados por

WETZEL,

1987).

Segundo

URBEN

(1987), de maneira geral, os danos causados por fungos de

campo

podem

se traduzir em:

0 Introdução de novas doenças

em

um

local antes livre destas;

0 Sob condições favoráveis, pode-se ter o início de epidemias, já que sementes

infectadas

podem

servir

como

fontes do inócuo;

0 Redução de produtividade e de qualidade se infecção das sementes antes da colheita;

~

0 Reduçao no "stand" de plantio;

0 Gastos

com

fungicidas para tratamento de sementes,

mesmo

assim não há eficiência de

100

%

no controle, podendo haver ainda subsistência e disseminação do patógeno.

Além

destes danos, pode-se acrescentar ainda que sementes infectadas

podem

gerar

plantas doentes que poderão vir a servir

como

hospedeiras de doenças das culturas de interesse

econômico.

Este

gmpo

é o

mais

numeroso

em

termos de quantidade de gêneros de fungos

(22)

Z!

presença de

nove

gêneros de fungos de parte aérea, a intensidade de ataque variou

também

com

a espécie vegetal estudada, alguns fungos são próprios de

uma

família,

não

sendo encontrado

em

outro grupo de plantas

como

patogênicos, é o caso de Dreschslera

spp. que é próprio de gramíneas.

Os

gêneros encontrados nas amostras foram: Alternaria spp., Dreschslera spp.,

Phoma

spp.,

Phomopsís

spp.,

Ascochyta

spp.,

Dendrophoma

spp. e

algumas

leveduras.

O

gênero Alternaria spp. foi o

mais

freqüente para todas as espécies vegetais.

Foram

detectadas as seguintes espécies: A. alternata, A. raphani e A. brassicicola e Alternaria sp.

LUZ

(1987) descreve Alternaria

como

fungos

com

"conidióforos escuros, septados, simples

ou

rarrrificados,

com

conídios

formados

no

ápice. Conidios

catenulados

em

sucessão acropetal

ou

solitários

com

septos transversais e,

freqüentemente oblíquos

ou

longitudinais, escuros, ovais a obclavados, estreitando

abruptamente

ou

gradualmente

formando

um

bico".

Na

literatura consultada quase

não há

indicação de doenças de

adubos

verdes

causadas por Alternaria.

REDDY

et alii relatararna a ocorrência de Alternaria Blight

em

guandu, causada por Alternaria sp., A. alternata e A. tenuissima. Espécies cultivadas

com

semelhanças botânicas

com

os

adubos

verdes

como

feijão, soja, ervilha e trigo

também

apresentaram

na

literatura

poucos

casos de doenças causadas pelo fungo.

VIEIRA

(1967) faz a citação de Alternaria. brassicae phaseolus .atacando folhas de

feijoeiro

comum

(Phaseolus vulgaris L.).

LUZ

(1987) por sua vez descreve Alternaria spp.

como

patogêrrica ao trigo.

CARDOSO

&

CROCHEMORE

(1990) destacam que Alternaria spp. é patogênica de

várias doenças de culturas comerciais

como

feijão, trigo, milho, arroz, etc.

A

espécie Altenaria brassicicola foi citada infectando crucíferas, causando

manchas

escuras

em

cabeças de couve-flor. Nestas os esporos são disseminados

rapidamente sob condições favoráveis. Estes se

propagam

por correntes de ar

úmido

(ASGROW,

1983).

Não

no

entanto,

nenhuma

informação concernente à

(23)

22

forrageiro

(Raphanus

sativus var. olezferus), que é interesse de estudo

no

caso.

Fizemos no

entanto, *a constatação da presença de A. brassicicola e A. raphani

em

sementes de

nabo

forrageiro.

O

gênero Dreschslera (Sin. Helminthosporium) foi de ocorrência muito

comum

nas gramíneas estudadas, especialmente

na

aveia,

embora

o

azevém

também

tenha

apresentado grande quantidade

do

fungo.

BARNETT

&

HUNTER

(1972)

descrevem

o gênero

como

fungos de

conidióforos gerahnente pardos, maioria simples, produzindo conídios isoladamente

no

ápice

sem

interrupção,

pequenos

poros continuam o crescimento simpodial de pontos

abaixo

do

ápice,

fonnando

um

segimdo esporo e

novo

ápice; conídios escuros

(poroesporos) cilíndricos,

germinando

de qualquer

ou

todas as células, são parasitas

ou

saprófitas.

PRESCOTT

et alli (1993) citam este fungo atacando trigo causando

manchas

foliares.

Os

sintomas

na

aveia

parecem

ser os

mesmos,

sendo

no

entanto a espécie de

fungo diferente, para o trigo trata-se de D. tritici e

na

aveia é o D. avenae.

Os

fungos

do

gênero

Phoma

também

foi encontrado

em

sementes de aveia,

azevém

e

nabo

forrageiro, sendo

porém

a sua presença

mais

acentuada

na

aveia.

Segundo

LUZ

(1987), as principais espécies

do

gênero são

Phoma

glomerata,

Phoma

herbarum

e

Phoma

exigma.

O

mesmo

autor descreve o gênero

como

fungos

com

"picnídios escuros, esféricos, subglobosos

ou

levemente pirifonnes,

um

ou mais

ostíolos. Conídios pequenos, fialídicos, geralmente unicelulares, às vezes duas a três células, hiali11os ovais

ou

subovais. Colônias escuras".

Embora

não

tenha sido encontrado

Phoma

sp. nas amostras de

guandú

analisadas,

REDDY

et alii

descrevem

o ftmgo atacando plantas adultas deste

adubo

verde.

Os

sintomas descritos se manifestam

mais

em

plantas

em

avançado

estágio de

(24)

CARDOSO

&

CROCHEMORE

(1991)

também

encontraram

Phoma

spíg

associados à sementes de tremoço. Este fungo é colocado

como

patogênico à outras culturas de interesse comercial que entram

em

rotação de culturas

como

cevada, aveia,

girassol, feijão, soja, arroz, trigo, milho, algodão e ervilha.

O

gênero

Phomopsís

foi detectado

em

aveia,

mucuna

e tremoço.

A

intensidade

de maior infestação ocorreu

na mucuna,

mostrando-se as sementes desta espécie

como

boas hospedeiras para o

fimgo,

com

a amostra de

um

lote apresentando até 79,00

%

de

infecção.

CARDOSO

(1978) descreve o gênero

como

fungos

com

dois tipos de conídios

sem

septos produzidos

em

conidióforos simples. Estes

tem

formato oval a fusifonne e filiforme, curvos; os picnídios são escuros e ostiolados, imersos, erupentes e globosos.

WILDNER

(1989)

também

encontrou

Phomopsis

associado à sementes de

mucuna

e

guandú

em

índices bastante significativos de infecção.

CARDOSO

&

CROCHEMORE

(1991) identificaram a presença de

Phomopsis

leptostromiformis associado à sementes de tremoço

como

patogênico exclusivo desta

cultura.

O

gênero

Ascochyta

embora

tenha sido encontrada

em

apenas duas espécies de

adubos

verdes,

em

mucuna

e

guandú merece

destaque

não

só pela alta

porcentagem

de

infecção,

mas também

pelas importantes doenças que

podem

causar

na

parte aérea destas e de outras culturas. Este gênero é descrito

como

ftmgos de picnídios escuros,

globosos e separados, imersos

no

interior

do

tecido, conídios hialinos, duas células,

ovóides a alongados, parasitas, causando principalmente

manchas

foliares

(BARNETT

&

HUNTER,

1972).

O

fungo é causador da

doença denominada

mancha

de ascochyta

ou

ascoquitose

que se manifesta por

manchas

irregulares nas folhas de cor cinza-escura

no

centro e castanho-escura nas margens, apresentando os picnídios

como

pequenas

pontuações,

(25)

24

ataca caule, folhas e vagens verdes.

As

plantas

mais

atacadas são as leguminosas

(BOX,

1961 citado por

MONEGAT,

1991).

Na

ervilha a

mancha

de ascoquita

ou

ascoquitose (Ascochyta pisi

ou Ascochyta

pinodes) é a principal

doença

da cultura.

Segtmdo

salgado (1980), esta

doença

é

disseminada principalmente por sementes e por isso

pode

causar danos consideráveis à

cultura se

forem

plantadas sementes contaminadas, neste caso

também

um

grande

número

de falhas

na

germinação.

Os

sintomas manifestados nas sementes são

emugamentos

na

superficie e escurecimento. Percebe-se ainda facilmente a fiutificação

do

fungo

quando

a semente é colocado

em

câmara

úmida.

Embora

não

se tenha conhecimento

do

ataque

do

fimgo

sobre

adubos

verdes, verifica-se

que

o gênero ataca várias culturas de interesse comercial, principalmente

leguminosas causando

mancha

foliar

em

soja (Ascochyta

phaseolorum

e

Ascochyta

sojae),

mancha

barrenta

em

amendoim

(Ascochyta arachidis),

além

de atacarem o

algodão (Ascochyta gossypii).

Encontrado apenas

no

tremoço,

mas

em

indices consideráveis, 0 gênero

Dendrophoma

também

é tido

como

um

importante fungo patogênico, principalmente de

culturas fl ue entram

em

rota ão.

CARDOSO

1978 descreve o ênero

como

fun os de

picnídios escuros

ou marrons

claros, superficiais

ou

submersos e erupentes, globosos a

alongados e ostiolados, conidióforos

ramificados

e conídios hialinos, alongados a

elipticos.

Este fungo particularmente é causador de

manchas

foliares, principalmente

em

rosáseas de hábitos rasteiros.

Ataca mais

comumente

folhas velhas.

3)

Grupo

03

-

Fungos

associados

à

sementes

causadores

de

podridões e

fungos

de

solo:

Este grupo

tem

destacada importância pela quantidade de danos que estes

(26)

25

neste caso os danos são

bem

mais severos que os danos

da

parte aérea e

na

maioria

das vezes culmina

com

a morte das plantas.

Muitos tem

uma

capacidade elevada de sobrevivência

como

saprófitas nos

restos culturais, parasitando a cultura

quando

as condições

forem

adequadas.

No

trabalho de identificação dos fungos nas sementes de

adubos

verdes

detectamos os seguintes gêneros: Fusarium, Rhizopus,

Mucor,

Rhizoctonia e

Nigrospora.

Dentre todos estes,

o mais

problemático, por apresentar maiores problemas de

doenças e por ter se mostrado

em

maior

quantidade nas amostras estudadas é

Fusarium

spp.

Algumas

espécies identificadas

foram Fusarium

oxysporum,

Fusarium

monilimforme,

Fusarium

equiseti e

F

usarium sp.

BARNETT

&

HUNTER

(1972)

descrevem

o gênero

como

fungos de rnicélio

cotonoso

quando

cultivado

em

meio

de cultura, freqüentemente

tem

cor

que

se

aproxima

do

cravo, púrpura

ou

amarelo, conidióforos variáveis,

finos

e simples,

ou

fortes, curtos,

ramificações irregulares

ou

comportando-se

como

meia

volta de

um

espiral, simples

ou

agrupados

em

esporodóquios, conídios (fialospóros) hialinos, muitas vezes

em

pequenas

cabeças úmidas, macroconídios

formados

de muitas células curvadas

ou

apresentando

curvas apenas nas pontas finas, tipicamente

em

forma

de canoa.

Nas

amostras estudadas, foi identificada a presença de

Fusarium

sp.

em

sementes de

mucuna,

crotalária, tremoço, ervilhaca, gorga e aveia.

A

maior intensidade

de ocorrência de

Fusarium

sp.

no

entanto, foi observada

em

mucuna,

crotalária e tremoço.

WILDNER

(1989) analisando sementes de adubos verdes de verão

também

fez a constatação da presença significativa

do

fimgo

em

sementes de

mucuna

e crotalária.

PACHECO

et alii (1991)

também

descreveram a presença

do

fungo

em

sementes de

C

rotalaria spectabilis.

No

presente trabalho

forma

constatados altos índices de

Fusarium

sp.

em

(27)

26

oxysporum

como

patogênico à cultura

do

tremoço.

Também

foi feita a constatação de

Fusarium

monilzforme e

Fusarium

semítectum

que foram

classificados

como

fungos

não

causadores de doenças

do

tremoço,

mas

que são patogênicos à culturas que entram

em

rotação

com

ele.

Para os

adubos

verdes

em

si, Fusarium spp. é causador de inúmeras moléstias

como

a fusariose das leguminosas e podridão de raízes. Para a manifestação

da doença

é necessário alta

umidade

e temperaturas altas

no

solo.

Além

das doenças dos

adubos

verdes

em

si, deve-se ainda levar

em

consideração que o fungo é causador de podridões

de raízes e doenças vasculares

na

maioria das angiosperrnas cultivadas.

EPAGRI

(1992)

descreve a podridão radicular seca causada por

Fusarium

solani f.sp. phaseoli

em

feijoeiro,

LEÓN

(1984) descreve podridões radiculares

em

milho causadas por

Fusarium

moniliforme e

Fusarium gramineum;

LUZ

(1987) descreve o gênero

como

patogênico à cultura

do

trigo.

Também

causador de podridões de raizes, o fungo Rhizoctonia solani foi

detectado

com

alguma

incidência de infecção

em

ervilhaca

comum,

gorga,

mucuna

e

azevém, tendo a gorga apresentado a

maior

incidência.

LUZ

(1987) descreve o gênero

como

fimgos

em

que

não

se vê

nenhum

conídio

presente, bulbinhos irregulares, marrons, hifas largas que freqüentemente se

anastomosam,

ramificações

em

ângulo reto

quando

maduras, de coloração

marrom,

células moníliniformes presentes, constrição

onde

se

o ponto de origem

da

ramificação

da hifa,

com

o septo

bem

característico que é produzido

próximo

à

constrição.

Quanto

à Rhizoctonia Solani,

CARDOSO

&

CROCHEMORE

(1990) fizerarn a

identificação da presença

do

fungo

em

sementes de tremoço, constatação

não

realizada neste trabalho.

WILDNER

(1989) constatou o fungo

em

sementes de

mucuna

e guandú.

O

fungo

Gaeumannomyces

graminis (Sin. Ophiobolus graminis) foi encontrado

(28)

27

doença denominada

mal-do pé

ou

podridão-do-pé, que

assume

importância muito

grande para a cultura

do

trigo,

onde

causa prejuízos consideráveis.

A

presença de Ophiobolus graminis

em

sementes de trigo foi constatada por

NASSER

(1987).

O

fungo sobrevive

no

solo

em

restos de cultura por vários anos,

na

forma

de peritécios

ou

micélios

(CARDOSO

&

KIMATI,

1980), sendo

recomendado

para a rotação de cultura plantas

como

leguminosas, milho

ou

arroz.

Além

do

trigo e

aveia, o centeio e triticale

também

estão sujeitos ao ataque

do

fungo.

Dentre os flmgos causadores de podridões, o gênero Rhizopus foi o

mais

detectado.

Sua

presença ocorreu

em

lotes de ervilhaca, azevém, aveia,

mucuna,

crotalária, feijão-de-porco, gorga e tremoço.

A

espécie que

mais

apresentou o fungo nos

lotes de sementes foi a ervilhaca, seguida

do

azevém

e

mucuna.

Este gênero é causador de podridões

em

sementes

armazenadas

e

também

no

campo.

LUZ

(1987) descreve o gênero

como

fungos de esporangióforos

não ramificados

ou

com

rarnificações parcialmente recurvadas, rizóides estão ausentes.

Os

esporângios são globosos, cilíndricos, pirifonnes

ou

clavados. Zigósporos escuros.

O

mesmo

autor descreve a associação

do

fimgo

como

saprofitica.

Para todas as espécies vegetais o fungo

não

é causador de doenças, tendo

somente

associação saprofítica e só causando podridões, inclusive

em

frutos.

Outro fungo típico causador de podridões, encontrado

em

sementes de

mucuna,

tremoço e ervilhaca foi

Mucor

spp.

A

maior

incidênca ocorreu

em

sementes de

mucuna.

São

fungos

com

esporangióforos

não ramificados ou

rarnificações parcialmente

recurvadas, rizóides ausentes, esporangióforos globosos, piriformes

ou

clavados

(LUZ,

1987).

A

associação deste ftmgo

com

sementes, assim

como

Rhizopus é

sempre

saprofítica. '

Como

último fungo causador de podridões encontrado

nos

lotes de sementes, está o gênero Nigrospora, que foi detectado

em

sementes de

azevém

e

mucuna,

com

(29)

ZX

saprofitica, causando somente podridões.

Além

das sementes outras partes da planta

podem

ser afetadas.

LUZ

(1987) descreve o gênero

como

fungos de hifa hialina,

tomando-se mais

ou

menos

pigmentada, conidióforos curtos e escuros, inflados

na

base, contendo

um

conídio; o conídio é holoblástico e

não

septado, de coloração escura, formato globoso a subgloboso, achatado

no

axihorizontal.

As

espécies

mais

comuns

são Nigrospora

sapheirica e

Nigrospora

oijyzae.

4)

Grupo

4

-

Fungos

benéficos

ou

antagônicos:

Fungos benéficos ou

antagônicos são aqui classificados

como

aqueles cuja

presença é prejudicial à fungos patogênicos. Estes

podem

ter tanto ação parasítica

como

antibiótica ao fungo indesejado.

É

denominada

de antibiose a relação

em

que

uma

espécie

ou

gênero de frmgo

produz substâncias inibitórias que prejudicam o desenvolvimento de outras populações.

A

produção destas substâncias

pode

trazer grandes vantagens ao seu produtor,

garantindo a sobrevivência deste e excluindo outras populações,

mesmo

que se trate de

um

fungo

com

baixa taxa de crescimento

(CARDOSO,

1987).

Sabe-se a princípio

que

muitas espécies de fungos

tem

a capacidade de produzir substâncias inibitórias

no

solo.

CARDOSO

(1978) cita

T

richoderma viridae produzindo

glioxina e

Cephalosporium

gramineum

produzindo urna substância antifúngica; o autor ainda faz a citação de

Chaetomíum

spp. controlando

Fusarium roseum

e

Fusarium

oxysporum.

No

presente trabalho de identificação de fungos

em

sementes de adubos verdes

foi detectada a presença dos gêneros

T

richoderma

sp. e

Chaetomium

sp.

O

gênero

Chaetomuim

foi encontrado

em

sementes de aveia,

mucuna,

ervilhaca,

nabo

forrageiro, tremoço, feijão-de-porco e crotalâria.

A

maior

intensidade de infecção

(30)

29

LUZ

(1987) descreve o gênero

como

fungos

com

ascômatos ostiolados,

esféricos

ou

ovalados, cobertos

com

abundantes pêlos decorativos, ascas de

forma

cilíndrica, clavadas, evanescentes e ascosporos

com

várias formas

predominando

a

forma

de lirnão,

com

um

póro germinativo.

O

Gênero

T

richoderma

foi encontrado

em

sementes de ervilhaca,

mucuna,

ervilha e crotalária.

A

maior

incidência,

no

entanto, foi observada

em

sementes de

ervilhaca.

BARNETT

&

HUNTER

(1972)

descrevem

este gênero

como fimgos

de

conidióforos hialinos, muito ramifrcados,

não

verticilados, fiálides simples

ou

agrupadas, conídios hialinos, ovóides,

uma

célula,

nascem

em

pequenos

cachos,

normalmente

são reconhecidos por terem crescimento rápido e pelas colônias

que

apresentam coloração esverdeada.

São

saprófitas

do

solo e decompositores de madeira,

(31)

30

ALGUMAS

coNs|DERAçõEs

A

elevada incidência de patógenos

em

algumas espécies de

adubos

verdes

vem

a sugerir que seja feito

algum

tratamento de sementes, é o caso

do

tremoço, que

além

de ter

um

alto índice de infecção nas sementes, apresenta

uma

quantidade

considerável de doenças

na

parte aérea e

no

sistema radicular.

Dentre todas as as espécies de

adubos

verdes estudadas, a que apresentou

maior

incidência de fungos foi a

mucuna.

WHITE

et alii (1985) citados por

MONEGAT

(1990) relatam

no

entanto que esta espécie é muito

pouco

sujeita a moléstias.

WILDNER

(1989)

também

encontrou

na

mucuna

uma

elevada incidência de

microrganismos e apresenta

como

provável causa o fato de

que

esta espécie é

herbácea e a fmtificação ocorre muito

próxima

da superficie

do

solo, fazendo

com

que o contato da

vagem

com

este seja longo, facilitando

em

muito o aparecimento

de fungos saprófitas e/ou de podridões.

A

grande quantidade de fungos

do

gênero

Rhizopus

vem

a sugerir isto, das 13 amostras analisadas, 10 continham o fungo.

A

grande quantidade de ftmgos de

armazenamento

(Penicillium spp. e Aspergillus

spp.) presentes

em

aproximadamente 99

%

das amostras sugere

que

um

período

longo de

armazenamento pode

diminuir sensivelmente a qualidade das sementes,

afetando inclusive o poder germinativo. Pôde-se observar que nas safras mais

antigas a quantidade destes fungos foi maior.

O

nabo forrageiro foi a espécie cujas sementes apresentaram

menor

infecção

com

microrganismos patogênicos; isto pode ter

como

motivo o fato de que esta cultura não tem

proximidade botânica

com

as que normalmente são implantadas

como

culturas de interesse

econômico.

A

presença de Alternaria brassícicola e Alternaria raphani sugere que os lotes

de sementes infectados não

devem

ser semeados no

campo

pelos danos que

podem

causar

ao adubo verde

em

si e

também

porque se está implantando

um

patógeno

numa

área livre

(32)

37

ANEXO

DESCRIÇÃO

DOS

PRINCIPAIS

ADUBOS

VERDES

1 -

Adubos

verdes

de

Inverno

Aveia (Avena

spp.)

Existem pelo

menos

15 espécies dentro

do

gênero Avena,

no

entanto, as

mais

importantes são a aveia preta

(Avena

strigosa), amarela

(Avena

byzantina) e branca

(Avena

saliva)

(DERPSCH

et alii, 1991).

As

principais características botânicas destas três espécies são: anuais; raízes fasciculadas,

cohnos

eretos, cilíndricos e glabros; folhas faminares; inflorescência tipo panícula, piramidal,

fiuto

cariopse, encoberto por

lema

e pálea, indeiscente

(FLOSS,

1982 citado por

MONEGAT,

1991).

Ambas

oferecem

uma

boa

proteção ao solo,

melhorando

também

as caracteristicas físicas

do

mesmo

e prestam-se para consorciação

com

azevém, centeio, ervilha forrageira e ervilhaca

(DERPSCH

&

CALEGARI,

1992).

Dentre todas as espécies de aveia cultivadas

em

Santa Catarina, a aveia preta é a

que

tem melhor desempenho,

sendo portanto a mais cultivada, seus grão

no

entanto,

não

se prestam para a alimentação

humana

(CALLEGARI

et alii, 1993).

Centeio (Secale cereale L.)

O

centeio, cujo centro de origem é a Ásia central é

uma

gramínea anual, cespitosa, altura de 1,2 a 1,8

m,

ereta, glabra,

colmos

cilíndricos e eretos; folhas lineares

com

lígulas

membranosas

e aurículas breves.

A

espiga é densa,

podendo medir

de 5 a

20

cm

de comprimento; fruto

do

tipo cariopse

com

ápice

tnmcado

e piloso

(DERPSCH

&

CALEGARI,

1992).

Esta gramínea é bastante rústica, suportando

bem

a condições adversas de clima

e solo,

bem

como

a pragas e doenças, sendo bastante recomendável para toda a região Sul

do

Brasil

onde

ocorra precipitação de pelo

menos

500

mm

entre os

meses

de abril a

(33)

32

setembro.

Pode

também

ser plantada

em

solos ácidos

ou pouco

férteis,

mas

responde

muito

bem

à

adubação

e

calagem

(DERPSCH

&

CALEGARI,

1992).

Suporta e se desenvolve

melhor

em

temperaturas baixas e é afetado por ventos

quentes e secos e excesso de

chuva na

floração

(LEAL,

1970 citado por

MONEGAT,

1991).

O

rendimento

médio

em

massa

verde obtido

no

CET

REC/Chapecó

entre os

anos de 1985/89 foi de 31,89 t/ha, o rendimento

massa

seca foi de 7,47 t/ha, incluindo a

raiz

(MONEGAT,

1991).

Azevém

(Lolium

multiflorum

Lan.)

O

azevém

é urna gramínea anual, cespitosa,

tamanho médio

de 75

cm; colmos

cilírrdricos,

fmos

e glabros; bainha estriada e fechada, lígula curta e esbranquiçada;

lâminas estreitas e glabras, de cor verde lustrosa; inflorescencia de 15 a

20

cm

de

comprimento

(DERPSCH

&

CALEGARI,

1992).

Para a

adubação

verde é

menos

empregado

que a aveia,

no

entanto é bastante

utilizado

em

consórcio

com

esta, proporcionando ótimos rendimentos, tanto de

massa

para incorporação ao solo

como

forrageira.

Apresenta

uma

alta capacidade de ressemeadura natural, as sementes

permanecem

dorrnentes

no

solo durante o verão,

germinando

no

ano seguinte

(DERPSCH

&

CALEGARI,

1992). Este fator é visto sob

um

aspecto

como

vantagem,

uma

vez que

não há

necessidade de se fazer

nova semeadura

no ano

seguinte, sob outro

aspecto

no

entanto,

pode

se

tomar

um

problema, ja

que

o

azevém

poderá agir

como

invasora de outras culturas de inverno

como

o trigo por exemplo.

A

incorporação da

massa

verde

ou

aplicação de herbicida dá melhores

resultados

quando

feita entre 130 e 170 dias após a semeadura,

quando

as plantas estão

com

altura entre 0,5 e 0,8

m. Segundo

MONEGAT

(1991), nestas condições o

rendimento de

massa

verde é de

20

a

30

toneladas por

ha

e de

massa

seca de 2 a 6

(34)

33

Nabo

Forrageiro

(Raphanus

sativus var. oleiƒerus)

O

nabo

forrageiro é

uma

planta da família das crucíferas, anual, herbácea, ereta

e

muito

ramificada, raiz pivotante profunda e às vezes tuberosa, atinge altura de 1,0 a

1,8

m;

folhas altemas

com

um

longo lobo terminal, inflorescências terminais

em

longos

racemos

com

flores brancas

ou

roxas; frutos

em

silíquia, indeiscentes,

com

2 a 10

sementes de coloração

marrom

cada

(DERPSCH

&

CALEGARI,

1992).

Este apresenta

uma

elevada capacidade de reciclagem de nutrientes, principalrnente nitrogênio e fósforo,

além

disso é importante

no

caso de rotação de

culturas,

uma

vez que

não

se trata

nem

de gramínea e

nem

de legurninosa, famílias das principais plantas cultivadas.

É uma

planta

que

se adapta muito

bem

em

clima temperado, sendo resistente à

geadas tardias. Temperaturas baixas durante o crescimento vegetativo

favorecem

a

floração abundante e por sua vez o rendimento de sementes

(DERPSCH

&

CALEGARI,

1992)

A

incorporação

ou

corte deve ser feita

mais

ou menos

aos 120 dias da

semeadura,

quando

o rendimento obtido oscilará entre

20

e

60

toneladas de

massa

verde

ou

2 a 6 toneladas de

massa

seca.

Gorga

(Spergula arvensis L.)

Também

charnada de espérgula, a gorga é tuna planta da família das

cariofiláceas. Trata-se de

uma

planta calcífuga, anual, caule prostrado-ascendente, folhas lineares, subuladas,

um

pouco

camosas, convexas

na

parte superior e sulcadas,

mais

ou menos

glandulosa-pubescente

na

parte inferior; estípulas grandes; flores

brancas dispostas

em

panículas frouxas, pétalas obtusas

com

5 a 10 estames; fruto tipo

cápsula arredondada,

com

sementes pretas

ou

amarelas

(DERPSCH

&

CALEGARI,

1992)

A

planta é bastante cultivada

no

Sul

do

Brasil, adaptando-se muito

bem

a Santa Catarina. Prefere climas

do

tipo

Cƒb

Köepen

(DERPSCH

&

CALEGARI,

1992).

(35)

Para fins de

adubação

verde, segundo

DERPSCH

&

CALEGARI

(1992),

ía

incorporação

com

o arado deverá ser feita

60

a

90

dias após asemeadura,

quando

a cultura incorporará de 15 a

40

toneladas de

massa

verde

ou

de 1,5 a 6,0 toneladas de

matéria seca.

Tremoço

(Lupínus

spp.)

O

tremoço é

uma

leguminosa, anual

ou

perene, de folhas digitadas, ereta,

inflorescência

em

rácemo

e flores hermafroditas, diclamídeas, pentâmeras e zigomorfas, furto tipo

legume ou

vagem

contendo de 2 a 7 sementes

(DERPSCH

&

CALEGARI,

1992).

Segrmdo

MONEGAT

(1991),

no

Brasil existem muitas espécies silvestres

que

são de

pouco ou

nenhum

valor agronômico.

As

espécies cultivadas

tem

origem

no

Mediterrâneo e as que se destacam são o tremoço branco (Lupinus albus L.), tremoço

azul (Lupínus augustifolius L.) e o tremoço amarelo (Lupinus luteus L.), a diferença

principal entre as espécies e que dá o

nome

vulgar à

mesma

é a cor da flor.

Além

desta diferença existem muitas outras de caráter morfológico e fisiológico entre as espécies.

O

tremoço apresenta

um

sistema radicular pivotante bastante profundo, o que

traz grandes beneficios à estrutura física

do

solo.

A

incorporação deve ser feita

em

plena

floração da

terceiracamada de flores,

quando

a primeira e a segrmda

camada

encontram-se

com

vagens

em

desenvolvirnento, neste estágio a

massa

verde .apresentará

seu rendimento

máximo.

A

colheita dos grãos

pode

ser motorizada

(DERPSCH

&

CALEGARI,

1994).

Ervilha Forrageira

(Pisum

sativum subesp. arvense)

Também

chamada

de ervilha

do campo,

esta legurnjnosa

tem

como

centro provável de origem o Oriente

Médio

e a

Etiópia(DERPSCH

&

CALEGARI,

1992).

WHITE

et alii (1955) citados por

MONEGAT

(1991) citam

como

centro de origem o

Mediterrâneo Central.

É

uma

planta anula,

com

folhagem

e

ramos

verde claros, hábito de crescimento indeterrninado e trepador, caule delicado, longo e flexível, folhas

com

gavinhas,

um,

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