Ribeirão da
Ilha,
Ontem
e
Hoje
Páginas 10,
11 e 12 JacquesBâick:Sem
terra
escreve e
Zero
publica
'H"Eu
e
você
num
super
papo
nas
páginas
14
e
15"
Página
3Na
Central
I
A
mina dos mineiros
Exclusivo:
Evandro
Mesquita
no
Caderno
Z
'"';'
Tiragem:
exemplares
-,
3.000
EXPEDIENTE
Melhor
Peça
Gráfi
caISet
Universitá
rio Maio 88 Zero JornalLaboratório doCurso
deComu
nicação
Social daUniversidade
Fe deral de Santa Ca tarinaTexto: Ana Cristi
na
Lavratti,
André
Rhode,
Cláudia
Aguirre,
Dauro Ve ras, Geraldo Hoff mann, Ilka Golschmídt,
MartaMoritz,
Monique
Vandresen,
MileneCorrêa,
Ozias Alves
Jr.,
RubensVargas,
Sidnei Volpato,
Taciana Xa vierDiagramação:
Cláudia
Carvalho,
Analú
Zidko,
IlkaGoldschmidt,
Mar taMoritz,
NilvaBianco,
Rute En riconi.Arte: Betta de Bra sília
Fotografia:
BidoMuniz,
Maria Cris tinaJoshizato,
Jac quesMick,
KarlaBastos,
RoseliMa
ria de
Souza,
SimoneDias
Laboratório
Fotográfico:
IlkaGoldschmídt,
Nil vaBiapco,
MartaMoritz,
SabrinaFranzoni,
Karla BastosSupervisão: Aglair
Bernardo e Henri que FincoEdição:
Cláudia
Carvalho,
IlkaGoldschimidt,
Nil vaBianco,
Rute Enriconi Telefone:(0482)
33-9215 Telex:( 0482)
240 BRCorrespondência:
Caixa Postal472,
Departamento
deComunicação
eExpressão,
Curso
deJornalismo,
Florianópolis/SC
Acabamentoe Impressão:
Diário
Catarinense
Distribuição
Gra tuitaCirculação Dirigi
daOPINIÃO
Moscou,
retirada detropas
doAfeganistão
e rebeliões militares
naArgentina.
Democraciana
América Latina?
nal,
ogrande
favorecido dosnossos recordes de
exporta
ção.
O governo
reprime
osnegros noCentenário
daAbolição
emata a pau
quem luta
pela
sobrevivência
(ninguém pode
esquecera
repressão
e os assassinatos na
Companhia
Siderúrgica
Nacional,
emVoltaRedonda-RJ),
mas deixa sol tososcriminosos de colarinhobranco,
de que elepróprio (go
verno)
estáinfestado.
Opresi
dente
Sarney
usou amáquina
para
c-omprar
cinco anos de mandato epresidencialismo,
descarrilhounaFerrovia Nar
te-Sule
acabou enterrado
atéopescoço
no mar de lama dopoder
público.
O trabalhador contribuintepaga
aconta sobas
ameaças
de trileões cadavezmais ferozes.
primeira
página
"TRAIÇÃO
DO MIRAD" esob otítulo "MIRAD TRAPACEIAPOLACOS",
assi nadapelo
nãomenosbrilhante(do
que a sua
pérola,
naturalmente)
Geraldo
Hoffmann,
quese consi dera o defensorimplacável
dosdespossuídos
docampo.Gostaria delembrá-loque
cadajornalista
deve
responder
comresponsabili
dade por
aquilo
que informa, oudesinforma,
equesedeseja
de fato fazerdenúncias,que procurealgo
maissérioecom
fundamento,
queexplorar
aboafédaquelas
famílias de
imigrantes
poloneses (po
lacoépejorativo)
que residememIbiramahá mais de meio
século,
para fazersensacionalismo.
Não
bastasse
a praga dacorrupção
e osdesmandos deum
governoquenadafaz
"pelo
social",
anaturezatambém
serebelou
contra
osbrasileirosebrasileiras.
Enchentes,
secas, vendavaisechuvas degranizo
colheram boaparte
daprodu
ção
agricola.
Incêndios
cri minososdevastaram
enormesextensões
de nossas escassas reservasflorestais.
A falta de
perspectivas
arrastou
milhares
de brasileirosa
aventuras
noExterior, prin
cipalmente
naEuropa,
que, em1992, passa
a serumúnico
País.
Quem
não saiu empurrado
pela desesperança
foivendidono
tráfego
debebês.
E,lá
fora,
deuBuch
(EUA),
Mítte
rand
(França),
"NÃO"
a Pinochet,
noChile,
"cessar fogo"
noGolfo
Pérsico,
conferência
decúpula
emMirad
contesta
matéria
o
ano
da
repressão
Escreveu que os
agricultores
foram
tra8aceados
e vão pagarpela
terra que ocupam, mas esqueceu deescreverdequeforma
os
agricultores
de Ibirama vão reporaoscofrespúblicos
os recur sosoriundos dos bolsos dos contribuintes,
utilizadosparapagamento da
indenização expropriatória
-regularizações
fundiárias recentesdemonstramqueos
agriculto
resvêmpagando
suasterrascom oequivalente
aoitooudezsacosdemilho,
eainda emcincoanos.Não
compreendo
aintenção
dojornalista
Geraldo Hoffmannquando
acintosamente escrevementirassobreotrabalho
execu-O
Brasil, entretanto,
deuumpasso
largo
rumoà democratização.
Naseleições
munícipais,
opovo demonstrou maturidade
política.
Derrotou aNova
República,
simbolizadano
PMOB
e no "Centrão" daConstituinte
e votouna esquerda.
Aestrela
do PT subiu alto e, agora,aponta
o cami nho daesperança
deum novoBrasil.
Aos olhos e ouvídosinternacionais,
avítória
petís
ta
é
aPerestroika brasileira. Onovo
Brasil,
porém,
deveserdefinítivamente construído
apartir
daeleição
deumtrabalhador
àPresidência
da República
em 1989. Terminaum anodepesade
lo. Sob
constantes ameaças
degolpe,
o Brasilganhou
umanovaConstituição.
Embora
te nhamhavidoavanços
sociais,
ogoverno
já
manchou
aNova Carta. E o que épior:
comsangue
detrabalhadores
reprimidos
emortos
nas gre vesque sacudiramoPaís.
Na raíz da revoltapopular
está
uma
política
econômica
desacreditada,
queempurrou
ainflação
para1%
aodia,
emque umanota deCz$10
milnão vale mais nada.O "arrozcom
feijão"
do mi nistro daFazenda,
Mailson
daNóbrega,
está
sendo cozido paraengordar
ogoverno-e
osempresários,
oscaloteiros.
Mantêm
famintos 70 milhões demiseráveis,
àscustas
deumacordo de cavalheiros com o
Fundo Monetário
Internacio-Essa tentativa
retrógrada
de exporoMIRADe osmovimentospopulares pela
reformaagrária
em
posições
antagônicas,
parece meservirmuito maisaosinteresses dos latifundiários do que á sociedade brasileira. A com
preensão
exata dopapel
que deve assumir cadasegmento
envolvidonessaluta foi
conquistada
amuitocusto, e não
pretendemos
abrir mão daconfiança
quehoje
nos édepositada,
pela
formairrespon
sávelemaniqueísta
quealgumas
pessoas abordamosassuntosper tinentesâreforma
agrária.
Refiro-me â
"pérola
marrom"publicada
naedição
de Novembro dojornal
Zero, comchamada detadocomseriedade
pelos
servidoresdo MIRADemSanta
Catarina,
como a
entrega
de terrasalatifundiários
(edição
deagosto)
ouqueodelegadodoMIRADestaria
"infiltrado" entre os
participantes
daRomariada Terra
(edição
deoutubro).
A quepatrão
serve,afinal,
posicionando-se
contraquembuscafazera
reforma
agrária?
Alexandre Inkotte-Assessor de
Comunicação
Social do MIRAD/SC
edescendente depolone
ses.
N.R.: A carta não desmente a
reportagem.
Aocontrário, confir
maqueos
poloneses
pagamduasvezes aterra.
2
ZERO
DEZ-88
o ZERO
publica
comexcluo sividadeodiário
deumacamopado
da FazendaTaitalo,
emCaçador.
Otexto,
manuscritoemcaderno universitário por
Joacir Trindade
é
oregistro
deum dos poucos aHabetizados
do
acampamento.
Serviu deroteiro,
no último dia 27 deoutubro,
quando
mais de miltrabalbadores
rurais sem-terra dramatizaram "in loco"a
ocupação
daárea.Aqui
transcrevemosliteralmenteotexto do Joacir.
"Após
dois anos deorganíza
ção
nascomunidadesnóspartí
mosparauma
ocupação
de latifúndiosno dia 30de outubro de 1987 as 11 horas da noite no
município
deCampo
ErêeIrani.Enquanto
os'companheiros
sereuniramum
companheiro
saiucom umamoto para
envestigar
a estrada e ver se a area não
estava
guarnecida
e ver senão tinhamcompanheiros
prezo.Perto da entrada da area o
companheiro persebeu
umaba reira depolícia
passando
2vezespela
bareiraenão foi reconhecido,
voltando atras deusinalaoscaminhões os
quais
os compa nheiros sedirigiam.
Vendo que a estrada esta
vabaradapegaram outra estra da,aondese
dirigiam
afazendaCampo
Grande.Por volta das 5 horas dama
nhã
chegaram
nolocaluma ca ravanade27caminhõese4 ôní bus.Chegando
ao local os cornpanheiros pediram permissão
para umafamílía que cuidava
para
entrar,
e afamilianãodeu ordem. Oscompanheiros
sedes cidirameabriramoportão
com aspróprias
mãos.Alémdacanseira dosono eda fome estavam todos animados
pela
vitóriadeconseguir
realizaraocupação.
Eaoamanhecerodia realiza
ram umaassembléiaecomeça
ram a armar osbaracos.
Enquanto
otempo
se passa vaduranteodia escutamosno
rádio que 12 caminhões que
transportavam
oscompanheí
rosestavam prezos desdanoiteanterior com os
companheiros
nosolsem comerficando prezosaté o meio dia.
,
Nanoite do dia 31umgrupo de
companheiros
que foram bara dos se deslocaram da linha camargo as 9 horas da noite em
médiade 700 pessoas
percorren
do 24 K. a
pés crianças
com 6anos
caregando
irmanzinhonascosta.
Um senhor de idade de 68
anos
caregandoüü
K.nascostae maisumacriança
de 5anos.Um casal camsando na via gem acampam de não
poder
seguir
emfrente. Foramobríga
doapouzarnabeira da estradano dia
depois
oscompanheiros
vieram emcontrar.
A comitiva
chegando
no riosargento
com20metros de Iar guras formaram uma comisão,.
DIAS
DE
AGONIA
Sem-Terra
de 30 homens em questarn de
segurançapara pasaaspessoas
principalmente
ascrianças.
Seguindo
a caminhadatodoscom sono e comfome emuitos camsados fizeram uma
parada
para descanso 8 K.ls
longe
daarea.
Seguindo
emfrentechegando
perto
da area deram falta deumameninacom8anosde ida de. Formaramumacomissãode
3
companheiros
e voltaram aprocura da menina. Encontra
ram amenina dormindonolocal onde fizerama
parada
acomís são voltandonolocal onde estavam os
companheiros
esperando
emtregaram
acriança
paraos
pais.
Entrando
pelo
matoeseaproximando daareapor volta das 9
horas da manhã do dia
primeiro.
Oscompanheiros
quejá
estavam na areaforam encontrara caravana
abraçando
os companheirose ajudando
trazer asmochilas.
Enquanto
oscompanheiros
,;);/"
"" .". N"··.... ,":?"(���!�f'�,:;;;����'
';'�:���-_�"'�
�:;��.::;,
"" >,... ".�, "'t" .(,..1.�."-� ,""",.'"h.r�..,_,' 5, '-.''.' ,',-". <:>./d·"·d',o'. :/J,-"-,, .:....um menbro da U.D.R. fazendo varias
perguntas.
No dia 3 o oficial de
justiça
\acompanhado
de doispolicias
chegaram
na areaexigindo
queos sem terra
desocupasem
a areapara evitar queodespejo
fose
realizado,
no mesmo diacomesa as
mobílízações
dapoli
cia.Vindo
alguns policias
acamopar 1000 métro
longe
da areaempedindo
aentradaesaídadoscompanheiros
ouqualquer
pessoas que
quisessem
entrar. Oscompanheiros
foramimpedido
de levar
crianças
para oospí
tal.
Umamulher que estavapara
dar luza uma
criança
foiobriga
daa
ganhar
acriança
embaixo do baraco. No dia4de novembro por volta das7horas da manhãchegaram
nolocal1.800policias
armados com fuzil baionetas bombas degás
e oBatalhão dechoque
alguns policias
com capas deasso etodo
tipo
dearmamento de gerracercandotodaa
aárea.
O oficial leu a eliminar de
despejo
dando meia hora de prazo paradesocupar
a area emtão pouco
tempo,
negociaram
com o
juiz
e ocomandante
dabrigada
epediram
prazo maisprolongado conseguindo
prazo atéomeio dia paradesocupar
a area numabase de 12.000 pessoas nas
quais
7.000eramcríanças, Foram desmanchando os
baracos
estragando
as lonas ealimentos saindo da area, sendo
obrigados
apasar porumabar reira depolícia,
querevistaram todas as mochilas tirando osfacãms facas de mesa eferra mentas de trabalho. Varios
companheiros
foram prezosemtrevistado
pela propria policia
logo
emseguida
foramjogado
emsima dos caminhãeseleva dos devoltaascomunidades de
origem.
des do
municipio
e do estado faziam festa comemorando avitória queelestiveram. Maisuma vesmostramosque
nossa
organização
foimais for te.Reorganizamos
dois acampamentos
um em linha ContiQuilombo
eoutroemlinha Tre visanemCampo
Erê.Éramos
trêsacampamentos
Campo
Erê 600Quilombo
200 eIrani 400 durante 6 meses de
negociação
fazendo caravanasde
companheiros
achapecó
Florianópolis
e até Brasilia 'nãoconseguindo
solução
para o assentamentodasfamíliasacamo
padas
dicidimos fazer a cami nhadapela
reformaagraria
.Os
companheiros
dos 3acamopamentos
percoreramumtraje
to de maisde150 K.a
pé
abaixo de chuva esolsairam dia 26 de abrilchegando
emChapecó
dia1de maio comemorando o dia do trabalhador entre cidade e
campo.
Uma
grande
comsentração
mais de1.000pessoas
partícípa
rampermanesemos mais de 20
dias em
negosiação
com oMí rad. E não resolvendooproble
ma voltamos para os acampamentos
e resolvemos novaocupação
de latifundios. No dia 24 de maio a noiteos
companheiros
dos acampamentos de Iranie
Quilombo
rízeram uma
ocupação
naFazenda Volta Grande em Abelardo Luz.No dia 25 de maio os com
panheiros
deCampo
Erêocuparam aFazenda Roseiranomuni
cípio
de Romelândia.Permaneçemos
na areamais de 30 diasefomosdespejados
pela
policia,
aondeessescompanheí
ros sofrerão mais de 30 horassem comer
jogados
amaiorianacomunidade deVila União e os
demaisnaLinhaTrevisan. Nós que estavanalinhaTrevi·
san
prendemos
acaçamba
daprefeitura
atéomeio diaejígín-do que soltassem
'os
5 companheiros que estavam prezos
pela
policia.
Por volta das 13 horas
chegou
um onibus com 60policiais
todoscompletamente
armados,para entrarno acam
pamentoe
baternopessoal:
Mas nós tudo o quejá
tinha sofrido pegamosasfoiçe
e asferramen tas de trabalho e não deixamosemtrarno
acampamento
seelesnãosoltassemnossoseom
panheiros
nósqueimava
ooní bus: Soltaram nossos companheiros quase mortos
arancaram a barba os cabe losecaminhavamemsima das costas. Num breve momentose
retiram do
acampamento
e forampra cidade.
Diário
de
urn
colono
DEZ-88
ZERO
3
Joacir
registrou
asocupações
de terraque fizeram a caminhada dor miam os outros armavam os
baracos. Formamos uma co
missãopara
negociar'
comoprefeitoonde ficouprezoumcompa
nheiro.
E outra comissão foiaFloria
nópolis
paranegoçiar
ondenão foram recebidospelo
governa dor Pedro IvoCampos.
No
domingo
as 11 horas da noiteojuiz
deCampo
Erê maisoprefeito
Darci Furtado assinaram aeliminar de
despejo.
No dia 2chegam
no localas
primeiras imvestigas
dapoli
ciaodelegado
deCampo
Erêe, .
Os
companheiros
de Iraniemformadosofatoqueestavaacon
teçendo
emCampo
Erêsereuni rãonoacampamento
com umaassenbléiaedisidiramde sair da
area parao assentamento vizi
nho,
paraevitarque odespejo
acontesesse onde permaneçe
ram
acampado
na area da comunidade do assentamento. Como
despejo
deCampo
Erêficou divididoos
companheiros
para
Quilombo
eCampo
Erê,
emquanto
aUDR, asautorída-Os
companheiros
da Víla União tentaramnegoçiar
com oprefeito
deCampo
Erênãoconseguiram
caminhães para vol tar resolveram fazer uma paseata na cidade
parando
emfrente da
prefeitura agradeçen
do por ele ser causador das 30 horas que as famílias ficaram
sem comer
prosegiram
apasseatafazendomais de 30 K.a
pés
até o
acampamento
de linha Trevisan.�pois
de2mesesdasocupações
da Fazenda olta GrandeAbelardoLuzeda Fazenda Ro seira- Romelãndiaresolvemos
ocupara Fazenda Taitalo com 150familias....
"
N .R.:
Aqui
termina o diá rio, mas luta dessas familiaspelas
terras continua. Atual mente, estãoacampadas
no assentamento Matos
Costa,
à espera de que o Mirad libere a
Fazenda Taitalo.
. . . •
... 11
, ) f' J
OS
FLUTUANTES
Energia
eRespiração
Rosemary
M. M.Fabrin,
residentenaBeira MarNorteecriadora do MEHU
(Movi
mento
Ecológico
Humanitário
Universal)
lamenta que
"os homens não entendem quetêm
umanatureza
interdependen
te e queprecisam
deajuda
mútua,
por isso não tem odireito de alterara
natureza,
já
que
ela nãonospertence".
Rosemary
reclama que"pela
manhã,
na hora do rush aosbanheiros,
o cheiro fica insuportável,
além
de quenosdias devento
forte o mau cheiro entra nosapartamentos
até
pelos
ralos".Grandes
avenidas,
lindos
edifícios
e
um
cheiro
horrível
Engenheiros
da
F
ATMA_,
da OABAN
e
Jalila-PV_,
têm
propostas
para
tratar
o
esgoto
que
vai direto pro
mar.
ESGOTO
burguês
também
temmau
cheiro! Prova disso éoodor
insuportável
da Beira Mar Norte. Nemmesmoper fumesimportados
conseguemdisfarçar
o fedor que, sempedir licença,
invadeosapar
tamentos da Avenida Rubens de Arruda Ramosnosdias de vento forte.
Engenheiros
daFATMA, daCASAN,
ea vereadora
.JalilaEIAchkartêm
propostas
paraotratamento
deesgotos,
queatualmente
sãodespejados
direto
no mar emFlorianópolis.
A FATMA
(Fundação
deAmparo
à
Tecnologia
e aoMeioAmbiente)
éresponsável
pelo
controle deesgotos
daparte
industrialedeempreen
dimentos. O
professor
Domin gosAlberto
Rocco,
dagerên
ciaregional
da FATMA emFlorianópolis,
acreditaque
acontribuição
dos efluentes industriais
paraapoluição
da Beira Maré quase
insignifi
cante
secomparada
com osresidenciais,
quetêm
seussistemas
deesgoto
controlados
pelo
Departamento
deSaúde
Pública
epela
CASAN.
O
engenheiro
RonaldSotschnig,
daFATMA,
dispõe
deuma
equipe
pequena, ••porisso damos
prioridade
às
52p�
que
temos para fiscalizar, onde os resultados são mais
compensadores".
Sotschnig
acredita queos esgotos
dacapital
deveriamsertratados
em umalagoa
deestabífíaação.
OengenheiroGrover,
daCA
SAN
(CompanhiaCatarinense
deÁguas
eSaneamento),
explica
que estão construindouma
lagoa
deestabilização
nocontinente.
"Nós também
temos um
projeto
para a construção
deumalagoa
nailha,
perto
doaeroporto,
mas fal tam verbas. Asolução
seriaaCASAN cobrar uma taxa da
comunidade,
porque o trata mento dosesgotos
beneficia riaatodos",
conclui.Pontos
Criticos
O
departamento
dequímica
daUFSC está
trabalhandonoprojeto
"Determinação
dasCondições
Ambientais das Baías Norte e Sul da Ilha de SantaCatarina"
etemconvê
nio com a
Universitá
degli
Studi di Venezia. Um dos re
sultados encontrados
até ago
rafoi queos
pontos
maiscríti
cossão: onde entrao
despejo
daruaOthon
GamaD'eça;
soba
ponte
Hercilio Luzeperto
daAssembléia
Legislativa,
naBeira Mar Sul.
A coordenadora do
projeto
éa
professora
Duartina Gos
Assunção.
Oobjetivo principal
é
determinar
aqualidade
daságuas
daBeira Marecom osresultados
forçar
autoridades
e tomarem
providências.
Duartina
afirma que "emmuitos
locaispesquisados
há.
apenas
dois mg deoxigênio
por litro de
água,
onde é impossível
a vida paraum ani malaquático".
Elaexplica
que onormal seria oito mg. "Aredução
do nivel deoxigênio
é devido aospoluentes
orgâni
cos einorgânicos
e aosdeje
tos
que
vãodireto para
omar,sem nenhum
tratamento",
completa
aprofessora.
Ôníbus
àgás
A vereadora Jalila El
Ach-o cheirAch-o da Beira Mar nãAch-o
permite
que serespire
fundokar,
eleitapelo
Partido
Verdeem 15 de
novembro,
tem aproposta
dereconstrução
da rede deesgotosna
cidade. Ela defendeacriação
depequenas
estações
de tratamentopara
que dosdejetos
retire-se bíogás,
que é viável como combustível
epodería
serutilizadonacozinhaou como
gerador
de eletricidade. Como dizJalila,
"estasestações
seauto paga
riamemcinco anos,eos
recur
sosparasua
construção
pode
riam
vii-
do PoderPúblico
oude
empresários
interessadosno
gás".
Outro
projetoque
avereadora
pretende
defenderé
aapro
vação
do uso debiogás
comcombustível
emtáxi
eônibus,
eJalila
garante
que estegás
é
90%
menospoluente
e75%
maiseconômico
queosoutroscombustíveis.
Em São Pau loo usodebiogás
foiaprovado
na
Câmara
de Vereadorese oSindicato dos Taxixtas de Flo
rianópolis
tembém
já
aderiuà
idéia.
"Outravantagem
é que
asfontes de
biogás
sãoinesgo
táveis,
poque o lixo eesgoto,
matérias-primas
para essetratamento,
sãogerados
permanentemente
pelo
homem" ,enfatiza Jalila.
O
engenheiro
Grover nãoestá
tao
entusiasmado
quanto
avereadora: "
A coisa não é tão
simples
assim,
é
muito maistécnica
do queparece".
diz.
Ana Lavratti
4
c oZERO
,
.
DEZ-88
.... ,,�����_. ,
Heróis
da
Resistência
Quemfaz
greve
paga.
Quem
não
faz ganha.
Filmes
pornográficos,
futuraspromoções,
pagamento
dediárias
antecipadas
etransporte
de graça.
Essesforamalguns
dosprivi
légios
dosquais
osfuncionários
da Eletrosul que não aderiramagreve,
dispuseram
nosúltimos
dias. Tudovalequando
setrata demanteraempresaem
funcionamento,
até
mesmo aformação
de gruposde
operadores
aposentados,
estagiários
e pessoas da chefia queatendem
pelo
nomede"Comando
Delta". Desde o
ínicio
dagreve
esse
grupo
vemcolocando precariamente as
estações
eusínas da empresaemfuncionamento.Enquantoisso,doladodeforada
empresa, apesar dasdemissões,
ameaçase
suspensões,
osgrevis
tas continuam unidos no movi mento que
já
levaummês.
Aosomda
Rádio
Pantaneira,
ummicrofone e
algumas
caixas desominsta ladas noCentro
Comunitário doPantanal,
osfuncionários se dis traem com as brincadeiras de José CarlosLeite,
umlocutor queusade
todaasuacriatividade paraironicamente
criticaraempresa.Nos intervalos
comercias,
Leitecapricha
naentonação
da voz esolta o
slogan
já
bastante conhecido: "Tudo está tão
bom,
tudo estatão
bem,
vemprá
grevepelego
vem".A
programação
daPantaneiracomeça
cedinhocoma"conversaao
pé
no saco".Depois
vem ojornalismo
nagreve que situaosfuncionários
quanto.
asnegocia
ções
através
do "Bom diagrevis
ta"e"Informes Sindicais". Paraa
descontração
dopessoal
Leiteapresenta
oshow do Xuxo.Comoqualquer
rádio que se preze, aPantaneira
também
presta
serviços
deutilidade
pública,
comoinformes doshorários dos
ônibus
KarlaBastos/Zero
ELETROSUL
Foto deKarlsBaatos
Sem
garantia
de emprego eles não voltamaotrabalho.da
Pelegosul,
nomeoficial da Eletrosul,
dadopelos
radialistas. Arádio
criadanagreveanterior,
é
segundo Leite,
umamaneira dosgrevistas
"botarem a boca nomundo".
"É
ondeascoisas sérias são ditasnabrincadeira",
acrescenta.
Mentiras,
mentiras
Apelos
aosfuncionários para
voltaremaotrabalhocom
garan
tias de atendimentocom achefiae
publicações
de editaistranquílí
zandoacomunidade de queosistema
eletricitário
nãosofreriscos,
são
algumas
dasafirmações
que constroem o"eastelo
de mentiras" da
Eletrosul.
Amais absurda,
segundo
osgrevistas,
foi adeclaração
dopresidente
da Eletrosul,
PauloMelro,
de queosalá
riomédio dos
funcionários
é de 700 milcruzados. Irritado com a declaração,
umengenheiro
formadohá
25anos,duaspós-graduações
e17anosde
Eletrosul,
mostrouseucontra-cheque
de 624 mil cruzados: "Todos sabemos queo
salário
médio
da empresa nãochega
aos300 mil. Nemeuque
já
cheguei
notopo
dapirâmede ganho
os 700 mil afirmados por Paulo Melro. Embora as
pessoas
tenhama
impressão
de que somos marajás,
aocontrário
somos aralé
do sistemaeletricitário",
protestou
oengenheiro
que nãoquis
seídentí ficar temendorepresálias
daempresa.
Negociações.
Quando?
A greve quejá completa
ummês se
mantém
pela
garantia
de emprego e não mais
pelas
questões
econômicas
quejá
foramparcialmente
atendidas.Os
funcionários
recusam-se avol tar ao trabalhoenquanto
as 15 demisões e 50punições
forem mantidas. Esseimpasse
envolveupolíticos
quecomo osenador DirceuCarneiro
(PMDB-SC),
defen de osgrevistas
naqualidade
de intermediárionasnegociações
entre
empresa,
governoefuncioná
rios.
Além
disso,
umacomissão for mada porrepresentantes
da inter sindical dosquatro
estados ondeaempresa atua
(Paraná,
Santa Catarina,
RioGrande do SuleMatoGrosso)
eparlamentares,
esperam
já
há diasemBrasília
umasolução
para
oimpasse.
As informações
são de que falta apenasumaatitude do Ministro das Minase
Energia,
Aureliano Chaves, de quemseespera por fim à
intransigência
dos diretores da Eletrosul. Oproblemí\
é quenumdia Aureliano
está
viajando,
nooutro
está
comopé
machucado,
epor
ai
vai....Como comenta umgrevista,
naverdade ele estáescorregando
comosabonete,
já
que
umadecisãoafavor dosfuncioná rios
irá
desmoralizarachefia da empresa. Ogrevista
João José Cascaes Dias acrescenta dizendo que aquestão
no momentoestá
mais
para
Freud do que para Sar ney,já
que o Ministro Aureliano procurauma maneira de não desautorizar aempresa
publica
mente,
apesar
de concordarcoma:
reivindicação
dosfuncionários.
Reivindicações
Os 29 dos 31
ítens
dapauta
dereivindicações
dosgrevistas
foramdeixados
para
seremdiscuti dosquandoos-funcionárioS
vóltaremaotrabalho. O
presidente
daAssociação
dos Profissionais daEletrosul,
(APROSUL).
Cláudio
Corradini,
diz queas reivindicações
visamacabarcomosapadri
nhamentose
extinguir
osprivilé
gíos,
Osfuncionáriosexigem
ofim dascontratações
eaconvocação
de
eleições
paradíretoría.
Db
Goldschmidt
DEZ-88
ZERO
5
EDUCAÇÃO
DO
MENOR
nho: "Teve uma
época
que eutavacom o
braço
preto
detantolevar beliscão deum
deles,
quequeria
chamar a minha atenção".
De início oprojeto
da Escolaprevia
o atendimentomisto,
mas ascondições
precá
rias detrabalho, aliadasaonú
mero pequeno de funcionários
para tomarconta detodaa ex
tensão do
prédio,
criaram pro blemasligados
à sexualidade.Assim,asmeninas deixaram de
seratendidas. "àsvezessurgem
casos de homossexualismo" ,
admite a
religiosa,
"etambém deconsumodedrogas".
Anor maénão fumaraqui
dentro. Sealguém
usamaconhaláfora agente
nota. Eles vêmdepressi
vos ou
agressivos".
Mas,segun doela,
o furto tem sido umproblema
bem maior.Os meninos não encaram o
furtocomo
algo
moralmenteerrado. Para eles, como o super mercadorouba, oque fazemao
surripar algum
objeto
é simplesmente
umajuste
decontas. "Temos o cuidado para não in centivaraatitudenemrecriminar
severamente",
frisa. Normalmente,
apreferência
recai sobre chocolates e outros alimentos,
ouentãoroupas tiradas devarais.Aquestão
étrabalha dacomtato, para
nãoreforçar
um
comportamento
delituosonemestimulara
aceitação
passiva das
desigualdades
sociais. Tambémquanto
àreligião,
toma-se o
cuidado
de enfatizaraformação espiritual
de formaecumênica,
semdogmas
e fór mulasprontas.
Eofuturo?
"Alguns
saemdaqui
e conseguem trabalho...",dizairmã,
depois
deumapausamais
longa
queohabitual.E osoutros?Reticências...
Os
menores
recebem
alimentação
e
treinamento
profissional
Quem
visitaa Escola do MenorTrabalhador
pela primeira
vez eespera encontrar
algo
pa recido a umcolégio
convencio nal deve se preparar para umchoque.
Dentro doprédio
antigo
píntado
de cor creme, na ruaVictorKonder, 53,centro de Flo
rianópolis,
ascrianças
eadoles centes entre11e16anos(todos
dosexomasculino)têmumpon to em comum facilmente per
ceptivel
àprimeira
vista: aagressividadelatente.
Elaserve para esconderaextremacarência deafetoe as marcas
impie
dosas do cotidiano de
pobre
za.
Fundadaem1984,aEscolado Menor Trabalhador deinícioera
administrada
pela
Secretaria Estadual daEducação. Depois
foi assumidapelas
irmãs daCongregação
Salesiana(atual
mente
três),
quejunto
com 21funcionários-entre
professores,
vigias,
assistentessociaisecozi nheiros- tomam conta de dezenas de meninos considerados
"desajustados" pelo
conceitopadrão
da sociedade. Atualmen te há 80matriculados,
dosquais
50vêmsempree uns20,espora
dicamente. Nãohálista de pre
sençanaentidade, que é manti da
pela Fundação
Vidal Ramos.Um dos
grandes
apelos
que levamosalunosafrequentar
olugar
éodoestômago:
são servi dos todososdias,gratuitamen
te,
café da manhã,almoço
eA
vez
do
menor
Fotosde MariaCristina JoshizatoeSimone Dias
lanche. Um
paraíso
para crian ças que, inúmerasvezes,preci
sam fazer pequenos furtos em
supermercados
parapoder
sealimentar. A única
exigência
para usufruir da comida daes
colaé
participar
deumdos "re cantos" - atividadesgrupais
dealfabetização,
arte,esporte
outreinamento
profissional.
"Mas agente
nota que elesgostam
daescola", diz a irmã Maria Teresinha Dalla Porta."É
ounicoespaço queeles têm para extravassar.Às
vezesatémesmo
quando
são suspensos.Asuspensão
éocastigo
mais gra veaplicado
aosalunos,namaio ria dasvezesquando
cometematos de
violênciaexagerada
contraos
companheiros
oufuncionários.A irmãTeresinhatem26
anos, trabalha há
quatro
comcrianças
e desde fevereiroúltimo
¥tá
na Escola do Menor Trabalhador- única entidade dogênero registrada
emSanta Ca tarina.Emfevereiro,o
'regimento
in ternofoiaprovado pela
Secreta riadaEducação,
oquepermite
aosalunoscursar o
equivalente
às
quatro
primeiras
séries doprimeiro
grau. Caso vença osconteúdos básicos - transmiti
dos de maneira bemdiversa do ensinoformal-oestudante esta
rá
apto
aentrarnaquinta
sériequando
sair. Isto não acontececom
frequência,
lamenta a irmã, pois
amaioria dosmenoresentram na escola
analfabetos,
ou
já
vêmexpulsos
de outros estabelecimentos de ensino por não teremseadaptado.
A linhapedagógica
é adialética,
que visa preparar acriança
paradesenvolvera
espírito
criticoemrelação
à sociedade. O horáriode funcionamento é das 8h às 17h, comfériasde fim deano e
atividades de lazerem
janeiro
efevereiro.
IrmãTeresinha
observaque,
_curiosamente,
aagressividade
dos meninosé usadatambémco-
Dauro Veras
moforma de demonstrarcari-,,,
Leitura
sem
inocência
Aplicar
umtextodeBertold Brechtemgarotos
deruaque mal sabiamler, parecia
umaidéia meioabsurda. Mesmo
(
assimresolvemosinsistir nelae ver oqueeles
conseguiam
captar
dahistóriados tubarõeseâos
peixinhos,
oqueerasociedadee,
principalmente,
comoviamaescola
tradicional,
deondemuitos
foram
expulsos.
"O tubarão émalvado paraos
peixe.
Os tubarãocome ospeixe
no mar. Opeixe
tem quefugir
dos tubarão. O tubarão maltrata ospeixe
no mar.Oprefeito
é tubarãogrande.
Ospeixe
tem querespei
tar os mais
grandes
no mar. Os tubarão são malvadoscom ospei
xes.Nomarchefe éotubarão. Omeusobrinho é
peixinho
e eu soutubarão. Nomartemvárias
espé
cies de
peixe.
Seeufossepeixinho
eusaiadomarpara
longe daqui.
Nós
peixes
vamosreunirumatur-'- ..ma para
espantar
os tubarão".(Carlos)
"Eusou,um
peixinho,
souexplo
rado
pela
política.
Os tubarões sãomausporque acham queos
peixi
nhos não servem para
nada;
sóservem para roubar,
matar,
andar
sujos.
Na sociedadeospeixi
nhossão descriminados porquea
maioria são negros. Eu'sou um
peixinho
Jiscriminado porquesounegro". (André).
"O
Sarney
é o tubarão porquepõe
apolícia
pra cima denós.Ospeixinhos
sãoaqueles
que não tem alimento paracomer.Ostubarões querem que ospeixinhos
obedeçam'para eles
poder
comer. Os tubarões devia ensinar elesabrincar, sedivertirenão fazer artes. Os
peixinhos
devemagradecer
suamãe. Eles devem terumacasa
feliz e
contente,
muitolonge
daqui".
(Marcos)"Da
minha parte
quemé tubarãoéoJosé
Sarney
ePedro Ivo. Os tubarão são osprizidente
e osprefeitos
quegosta
denosmaltrataros
peíxínhos.que
sãonóselefaz nÓS pagapassagem",
(Ema nuel).6
-ZERO
t)
DEZ-88
PERFIL
DO MENOR
o Futuro
do
país
fotos: MariaCristina JoshizatoeSimone Dias
A
Escola
do Menor Traba lhadortenta
daraosmeninoscarentes
uma visãocrítica
sobre
arealidadeemque elesvivem.
Fazer delesgarotos
críticos
e conscientes da injustiça
social."Agentes
daTransformação",
defineJú
lio
Cesár
Broch,
com suaexperiência
dequatro
anos comoprofessor
deEducação
Física
dascrianças.
Sãomeninos carenteseaescola pre
tende
orientaressarebeldia paraalgo positivo. Aqui
começa
arevolução.
ninos
emfilaedeuasordens,
1, 2,
3,
4,
...Seguidamente
levaa
garotada
paraoAterro daBaía
Sul parajogar
fute
bol. Masnunca
apita
aspartidas.
Deixa que elesacusem asfaltas
e decidam regras.Júlio
logo
começou
asentirarelação
depoder
entre eles. o mais forte sempre dominava.
"Agora
mudou muito. Antes era uma brincadeiradanada.
Pancadariageral.
A fila doalmoço
eraumagrita
ria
só."
Muitorebeldes,
osmeninos são
agressivos
aprimeira
vista."Ás
vezes euficava
puto
comeles",
admi te essegaúcho
de 33 anos, natural deEspumoso.
"Porém,
épreciso
diálogo,
amor econquista".
Em seu
apartamento
noCórrego
Grande,
Júlio contouumpouco sobreosmeni
nos elevouumsusto
quando
se viu frente a umapergun ta: "E
qual
é ofuturo deles?""Queres
umchimarão?",
desconversou
e foipara
acozinha.
"É
difícil saber. O que nóstentamos
fazeré daraelesas
condições
paraquepossam
questionar
apobre
za".
Na escola só entram
crianças
interessadasalere escreverFerrugem,
de 11 anos, bri gava muito. "Elequebrava
tudo
naescola",
contaJúlio.
uma grana
prà
casa". viviamnarua, atéumagangda cidade foi ter aulas. "A
gente
olhava para o lado etinha
alguém
cheirando colaou fumando
maconha",
revela. Nessa
época
aconteceram14assaltosnaescolae os
professores chegaram
aconclusãode que "nãoera essa a
clientela que nós
queria-mos".
Após
muitas discussões,
eles decidiram mandar a gang embora e só
aceitar meninos que
quises
sem realmente
aprender
alere escrever.
Na
relação
que mantémcom os
meninos,
JúlioCésar
segue o sistema
preventivo
Dom Bosco e tenta ser o menosrepressivo
possível.
Júlio
conta quelogo
que foifundadaa
escola,
osprofes
sores tinham apenas o conhecimento teórico sobre o
trabalho com menores ca
rentes. E haviam
figurinhas
ainda maisdifícieis
que Ferrugem. Eram meninos que
Ferrugem
moranoMorro doHorácio,
masjá
fugiu
de ca sa epassou
mesesvivendona rua.Hoje,
ele cuida decarros em frente a Macarronada Italianae todos os dias levaAndré Rohde
Nas aulas de
educação
físi ca, elejamais
colocouosme-o cme-otidianme-o
de
um
garoto
marginalizado
Aprendendo
a
•
Jogar
traamãe, Enendina, faxineira.Ele
nãolembradaidadedamãenemado
pai,
oSeuSérgio,
pintor
deparedes.
Os irmãos estãoem casatambém:a
. Cleusa,de11 anos, a
Eliane,
com9anos e oPaulo, de12
anos,'
além da SôniaAparecida,
aque fazoalmoço
todososdias.
Depois
de tomarem café . Antônio adora cafécom
tão
doce - vãotodos assistir televisão. Os olhos de Antônio vibram
quando
começa o filme do
"Esquadrão
ClasseA", na SBT. Estórias que prome
tem bonssonhos.
Antônio temum
quarto
onde dormem ele e oirmão Paulo. Os dois irmãosdormemem um
beliche,
emcimaou embaixo,conformeavonta de. Esteéumdos
quatro quartos
dacasa,"Tembanheiro,tem
umasala,
cozinha,temum
pedacinho
decampinho
ali atrás. Casa demadeira,
nova,
grande,
é boa de morar." Temgente
lá dentro, temcomida,
temcama, tem televisão, tem banhei
ro com
laje!
Temmesmo? Dormir. Sonhar. O sonhoimpossí
veilabicicleta.Possíveísi
-Queria aprender
a serpintor.
- Ah! Uni
pintor,
umartista,
umpintor
dequadros?
- Não,pintor
deparede.
- Pintor deparede?
- Como opai,
ele tem uma vida melhor. Eu nãoqueria
serrico,
queira
serdo mesmotipo
quesou, eutenhouma boavida,
alegre,
nuncafuitriste. Antônio Carlos de Souza tem 16
anos,mora no"Passo do Gado
perto
daProcasa,
perto
daMarinha,pra lá doEstreito".
Moralonge,
masquase todosos diasvem até à Escola do Menor Trabalhador, no centro da cidade. Ele é um dessesgarotos
conhecidoscomo
garoto
de rua,carente,
marginalzinho. É provável
que
seja,
masmuito mais porqueosoutros
garotos,
os contextulizados,queiram
assim.Antônio ébonito?
É
Forte? Tam bém. Talvezumpouco baixo paraa sua idade - 1m e 50 de altura.É
tímido, calmo,
umtipo
de calmo queninguém gostaria
de ver ner voso.dação,
diz queosnegrosjogavam
capoeira quando apanhavam
dos brancos.
"Nospalmaresosnegrosusavama
capoeira
para lutar contra os seusinimigos. Que
navioéesse/Que chegou
agora/É
onavionegreiro
com os escra vos deAngola/Vinham
di!>longe,
deAngola
eGuiné/Trouxerama macum baolêlê/Capoeira
eCamdoblé",cantaanimadamenteBeto.
Aos seus 13 anos, José
Altino,
oFerrugem,
nãogosta
de muito papo.Ferrugem prefere
mesmoé mostraroquesabe,
desempenhando
váriospassosde
capoeira,
como orabo-de-arraiae o
gato.
Rostosardento, estaturabaixa, ele antende que
"capoeira
é só para se defender".Acompanhado
de umcatuto,
base do
berimbau, Guaraci,
15 anos,já
écontra-mestredecapoeira,
comumano de
prática.
Guaraciexplica
que todo ano se faz exame para que oscapoeiristas
passemdeumcordão pa raoutro, atéchegar
àposição
máximade mestre. O iniciante na
capoeira
começacom ocordão
azul, seguindo-se
verde,amareloe,finalmenteo
branco,
paraomestre."Sabendofazertodososgolpes,
o carapassa deumcordão para ooutro. Parachegar
amestre épreciso
7anos de
prática",
completa
Guara ci.Roberto Carlos não
pára
de'can tar ebatucar. O ritmoe aletra das músicas écontagíante
"Minhavidaécapoeira/E
eu soucapoeira/Olha
amanha,
mandingae
oração/Capoeiraé
religião".
.Os
menores
acham
que
a
capoeira instiga
o
entendimento
da
sociedade.
"Meu mestremefalouumdia/Meni
no preste
atenção/Vou
te ensinar acapoeira/Tenha
muitadevoção".
Aosprimeiros
acordes doberimbauarodasefecha,todos batem
palmas
ecomeça apaixão
dos meninos daFundação
do Menor Trabalhador: acapoeira.
To dasàsterças
equintas
feirasàtarde,
Mestre
Pop,
dono da academia "Be rimbaudeOuro",
ensina esta arte queveio dosescravosafricanosparauma
platéia
sempreinteressada. "Eu vim paraaFundação
porcausadacapoei
ra,que éuma
dança
legal
edesenvolve o
corpo",
dizEdilson,
16 anos,com
jeito
tímido.Para estes
garotos
deorigem
simples,
o ensino dacapoeira instiga
aconsciência sociale oatendimentode
nossa sociedade. Roberto
Carlos,
15anos,umanimado cantor dasletrasde
capoeira,
demonstra conhecimentosobreahistória desta
dança
noBrasil."O rei dacapoeira
é Zumbi dos Palmares,o1o
capoeirista
dentrodasenzala",
afirma convicto.Beto,
comoéconhecido
pelos companheiros
da Fun-Sobreos seusdias, ele conta quea
primeira sensação
ao'acordaréapreguiça.
Levanta, lava o ros to...nem toma café e sailogo
porai,
vaidarumasvoltas.Antonio
frequenta
a Escola do Menor• o
feijão,
a carne.Antônio descansada
comida,
esco va os dentes - às vezes ficacom
preguiça:
nãoescovaosdentes;
mas ostem,
escova edentes. Os outrosgarotos
sesurpreendem
com essascoisas.
Depois
dáumavontade de sair...Antônio vai para a Escola.Ficalá até darvontade de ir
embora,
lápelas
4 horas da tarde.Pega
oônibusdoMonteCristoevai paraa casa.
Desce do ônibus encontra ami gos, bons de bola.
Jogam.
Brincam até anoitecer no campo sa
pé.
Quase
9 horas danoite,
Antônionão
gosta
dechegar
cedoem casa.Estácansado,
vaiembora.Láencon-Quando
Antônio ficaemcasadu ranteamanhã, gosta
de soltarpipa
emcima da
lage
dobanheiro.Soltapipa,
assiste televisão, brinca dedominó.Lembra da bicicleta
(a
bicicleta!)do
primo
evaiatéa casadatia,afinal ele também temumatia. Resolve
jogar
umaspartidas
de sinuca com o
primo, "quem perde
paga"
-então osoutrosgarotos
estavam
certos,
omarginalzinho
dos bareseda sinuca finalmente apare ceu,heim?Depois
eles brincam delutinha,
capoeira, alguma
coisapraespantar o frio.
É
hora doalmoço.
A irmã, SôniaAparecida,
que tam bém tem16 anos, preparaoarroz,Milene Correa
Rubens
Vargas
, .... t