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Vórtices em nanoestruturas magnéticas elípticas

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Academic year: 2021

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(1)Universidade Federal do Rio Grande do Norte Centro de Ciˆencias Exatas e da Terra Departamento de F´ısica Te´orica e Experimental Programa de P´os-Gradua¸ca˜o em F´ısica. V´ ortices em Nanoestruturas Magn´ eticas El´ıpticas. Jadson Tadeu Souza Dantas. Natal–RN Fevereiro de 2015.

(2) Jadson Tadeu Souza Dantas. V´ortices em Nanoestruturas Magn´eticas El´ıpticas. Disserta¸ca˜o apresentada ao Programa de P´osGradua¸ca˜o em F´ısica do Departamento de F´ısica Te´orica e Experimental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito parcial para a obten¸ca˜o do grau de mestre em F´ısica. Orientador: Prof. Dr. Artur da Silva Carri¸co. Co-orientador: Dr. Gustavo de Oliveira Gurgel Rebou¸cas.. Natal–RN Fevereiro de 2015.

(3) Disserta¸ca˜o de mestrado sob o t´ıtulo V´ortices em Nanoestruturas Magn´eticas El´ıpticas apresentada por Jadson Tadeu Souza Dantas e aceita pelo Departamento de F´ısica Te´orica e Experimental do Centro de Ciˆencias Exatas e da Terra da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, sendo aprovada por todos os membros da banca examinadora abaixo especificada:. Dr. Artur da Silva Carri¸co Orientador Departamento de F´ısica Te´orica e Experimental Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Dr. Idalmir de Souza Queiroz Junior Examinador Externo Departamento de F´ısica ´ Universidade Federal Rural do Semi-Arido. Dr. Jos´e Humberto de Ara´ ujo Examinador Interno Departamento de F´ısica Te´orica e Experimental Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal-RN, 19 de Fevereiro de 2015..

(4) Aos meus Pais, por todo o apoio de hoje e sempre.. i.

(5) Agradecimentos Em primeiro lugar, gostaria de agrade¸cer aos meus pais por todo o apoio dado durante toda minha jornada de vida. ` minha irm˜a que sempre foi uma amiga de imensa confian¸ca e estima. A ` minha namorada Larissa Ribeiro, por todo o apoio, companheirismo e amor. S˜ao A tantas noites sem dormir estudando juntos. Vocˆe sempre esteve ao meu lado quando eu precisei. Sempre me ajudou em tudo que eu precisava com muita paciˆencia e amor. N˜ao teria conseguido sem vocˆe. ` minha tia Dalva pelo amor incondicional que sempre demonstrou por mim, assim A como meu tio Zeca, que infelizmente n˜ao est´a mais entre n´os, mas que deixa lembran¸cas boas e inesquec´ıveis. Ao meu orientador Artur Carri¸co por tudo que aprendi desde que comecei minha vida como pesquisador. Ao meu amigo e ex-tutor Ezequiel, pelo apoio desde o in´ıcio da gradua¸ca˜o at´e hoje. N˜ao poderia deixar de agradecer a meu amigo e co-orientador, Gustavo Rebou¸cas. Tenho certeza que esse trabalho s´o foi poss´ıvel gra¸cas a sua extrema colabora¸ca˜o. Agrade¸co tamb´em a todos os meus amigos de sala: Karol, Rafaela, Nathan, Leo, C´esar, Gustavo, Juliana e Silas. Amigos que levarei para sempre. Aos meus amigos pessoais Lucas e Pastor, pelas incont´aveis derrotas, tanto no magic, quanto no fifa. Ao meu amigo Rafael que sempre tem os bichos ou as manas zicados. Ao meu amigo Renato, por toda a amizade, apoio, tanto na ´area acadˆemica, quanto na vida pessoal, por todos esses anos. Estou certo de que parte da minha vida acadˆemica ´e creditada a sua pessoa, bem como parte da minha vida pessoal. Agrade¸co extremamente a todo o povo brasileiro que ´e o principal contribuinte para todo o ambiente acadˆemico do pa´ıs. Finalmente, ao CNPq, pelo apoio financeiro.. ii.

(6) “Milhares de velas podem ser acesas a partir de uma u ´nica vela e a sua chama n˜ao ser´a encurtada. Assim ´e a felicidade, nunca diminui ao ser compartilhada.” (Dalai Lama). iii.

(7) Resumo Estruturas ferromagn´eticas (F) submicrom´etricas s˜ao de interesse, pois constituem partes essenciais de dispositivos magnetoeletrˆonicos modernos. O comportamento magn´etico destes sistemas devem ser entendidos, assim as fases ou estados magn´eticos destes sistemas devem ser descritos e compreendidos de forma a propiciar o controle de seu comportamento ao longo da curva de magnetiza¸ca˜o ou de efeito de corrente el´etrica polarizada. Estes comportamentos s˜ao fun¸c˜oes das dimens˜oes da part´ıcula, de seus parˆametros magn´eticos intr´ınsecos, do seu hist´orico de tratamento t´ermico e/ou magn´etico, dentre outros. Investigamos as fases magn´eticas de nanoelementos el´ıpticos de Fe ao longo da curva de magnetiza¸ca˜o, desde seu campo de satura¸c˜ao positivo at´e campo nulo, buscando seu estado magn´etico em remanˆencia. Usamos o modelo micro-magn´etico autoconsistente que permite representar o comportamento magn´etico do nanoelemento em quest˜ao, em fun¸ca˜o de seus parˆametros magn´eticos intr´ınsecos. Estudamos os estados magn´eticos de nanopart´ıculas el´ıpticas de Ferro isoladas com espessura de 25 nm, com diˆametro menor entre 100 nm a 200 nm e o diˆametro maior variando entre 300 nm a 500 nm. Estudamos tamb´em o comportamento de nanopart´ıculas com as dimens˜oes citadas acima em uma estrutura constitu´ıda de duas part´ıculas idˆenticas separadas por um espa¸cador n˜aomagn´etico de 25 nm de espessura. O eixo de anisotropia ´e na dire¸ca˜o do raio menor da elipse e o campo externo pode ser aplicado tanto na dire¸ca˜o do eixo menor quanto na dire¸c˜ao do eixo maior. A dire¸ca˜o de aplica¸ca˜o do campo magn´etico resulta em diferentes estados magn´eticos em remanˆencia para nanoelementos de uma mesma dimens˜ao. Identificamos estados magn´eticos em fun¸c˜ao das dimens˜oes laterais da elipse. Encontramos uma diversidade de estados: estados uniformes, v´ortice u ´nico, v´ortices duplos, com quiralidades e polaridades opostas e iguais, e ainda estados com trˆes v´ortices na mesma estrutura. Mostramos que a dire¸ca˜o de aplica¸c˜ao do campo magn´etico (rota de prepara¸ca˜o) ´e muito importante para o estado remanente dessas estruturas. Mostramos tamb´em que h´a acoplamento dipolar entre pares de nanoestruturas el´ıpticas e estes alteram de forma significativa os estados magn´eticos quando comparado com o elemento isolado.. Palavras-chave: Nanoestruturas; Fases magn´eticas; Curva de magnetiza¸ca˜o; Rota de prepara¸ca˜o; V´ortice; Remanˆencia; Acoplamento dipolar.. iv.

(8) Abstract Ferromagnetic nanostructures (F) submicron are of interest, since they are essential parts of modern magnetic-eletric devices. States or magnetic phases of this system along the magnetization curve or polarized electrical current effect, are functions of particle size as well as the intrinsic parameters ferromagnet. We investigated elliptical magnetic phases Fe nanostructures along the magnetization curve, from its positive saturation field to zero field by using a self-consistent micro-magnetic dipole model that allows us to represent effects of system geometry, as well as the other parameters intrinsic of the nanostructures. We studied the magnetic states of isolated iron elliptical nanoparticles and coupled with a thickness of 25 nm, with smaller diameter ranging from 100 nm to 200 nm and the largest diameter ranging from 300 nm to 500 nm. Where the spacer is attached structures nonmagnetic and has a thickness of 25 nm. The anisotropy axis is in the direction of the minor radius of the ellipse and the external field can be applied both in the direction of the minor axis and the major axis direction. This field preparation route results in different magnetic states in remanence to nanostructures that have the same dimensions. We have identify magnetic states depending on the size ellipse’s dimensions. We identify a variety of magnetic states: uniform states, single vortex, double vortices with chirality and polarity opposite and equal, and states with three vortices on the same infrastructure. We show that the preparation route and dipolar coupling are very important factors for the remanent state of these structures.. Keywords: Nanostructures; Magnetic phases; Magnetization curve; Preparation route; Vortex; Remanence; Dipolar coupling.. v.

(9) Lista de Figuras 2.1 2.2 2.3. 2.4 2.5 2.6 3.1 3.2 3.3. 3.4 3.5 3.6. 3.7. Figura esquem´atica de uma espira representada por um c´ırculo de ´area a, onde circula uma corrente I. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A figura mostra uma curva de histerese magn´etica idealizada. O eixo das abcissas ´e o campo externo e o eixo das coordenadas ´e a magnetiza¸ca˜o. . . Figura representativa de: 1) C´elula cristalina, onde a0 ´e o parˆametro de rede. 2) Representa a c´elula de simula¸ca˜o magn´etica com o seu momento de dipolo efetivo, com comprimento menor que o comprimento de troca. 3) Representa o sistema como um todo, dando ˆenfase para uma c´elula i, seus primeiros vizinhos j e todos os outros vizinhos k. . . . . . . . . . . . . . . Figura esquem´atica de cada campo atuante na c´elula magn´etica i. . . . . . Representa¸c˜ao de dois nanoelementos, N E1 e N E2 com suas respectivas alturas h1 e h2 , separados por um espa¸cador n˜ao magn´etico de espessurra . Tabela de parˆametros do ferro. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura esquem´atica de fases magn´eticas em nanoestruturas cil´ındricas. . . Figura esquem´atica de fases magn´eticas em nanoestruturas acopladas via campo dipolar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A figura mostra um diagrama de fases magn´eticas em remanˆencia para cil´ındros de bases el´ıpticas, em fun¸ca˜o de seus diˆametros, com uma espessura fixa de 25 nm. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A figura ilustra a compara¸c˜ao da curva de magnetiza¸ca˜o de duas nanoestruturas de dimens˜oes diferentes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A figura ilustra a compara¸ca˜o do mapa de spin no estado de remanˆencia de duas nanoestruturas de dimens˜oes diferentes. . . . . . . . . . . . . . . A figura mostra duas curvas, onde o eixo das abcissas representa a componente z dos momentos magn´eticos e o eixo das coordenadas representa o valor de y. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Curva de magnetiza¸c˜ao e estado magn´etico de uma estrutura magn´etica, cujo estado remanente ´e de dom´ınio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. vi. 4 7. 19 22 23 24. . 29 . 30. . 32 . 34 . 35. . 36 . 37.

(10) 3.8. 3.9 3.10 3.11 3.12 3.13 3.14 3.15 3.16 3.17 3.18 3.19. 3.20. 3.21 3.22 3.23 3.24. A componente z do momento magn´etico em fun¸ca˜o da dimens˜ao em y e do estado magn´etico de uma estrutura magn´etica, cujo estado remanente ´e de dom´ınio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Curva de magnetiza¸ca˜o e mapa de spin de uma nanoestrutura magn´etica isolada de Fe, cujo estado de remanˆencia ´e de v´ortice. . . . . . . . . . . . . Curva que mede a sa´ıda da magnetiza¸c˜ao com rela¸c˜ao a posi¸ca˜o do eixo das coordenadas sobre o esbo¸co do nanoelemento em seu estado remanente. Compara¸ca˜o dos estados magn´eticos de uma nanoestrutura, cujo estado magn´etico ´e de v´ortice u ´nico com rela¸ca˜o ao topo e ao fundo. . . . . . . . . Figura ilustrando a curva de magnetiza¸c˜ao e o processo de nuclea¸c˜ao de uma estrutura cujo estado remanente ´e VDV. . . . . . . . . . . . . . . . . Curva da componente z da magnetiza¸ca˜o em fun¸c˜ao da posi¸ca˜o no eixo das coordenadas, para z fixo e x nulo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Curva da componente z da magnetiza¸ca˜o em fun¸c˜ao da posi¸ca˜o no eixo das coordenadas, para z fixo e x nulo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Curva que mede a sa´ıda da magnetiza¸c˜ao com rela¸ca˜o a posi¸ca˜o do eixo das coordenadas. Ao lado um esbo¸co do nanoelemento em seu estado remanente. Figura comparando a curva de magnetiza¸ca˜o de dois nanoelementos de dimens˜oes diferentes e suas respectivas fases magn´eticas em remanˆencia. . . Gr´afico que ilustra a evolu¸ca˜o de uma nanoestrutura magn´etica de Fe, da satura¸ca˜o at´e a remanˆencia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Curva que mede a sa´ıda da magnetiza¸c˜ao com rela¸ca˜o a posi¸ca˜o do eixo das coordenadas. Ao lado o esbo¸co do nanoelemento em seu estado remanente. A figura mostra um diagrama de fases magn´eticas em remanˆencia para cil´ındros de bases el´ıpticas, em fun¸ca˜o de seus diˆametros, com uma espessura fixa de 25 nm. O eixo de anisotropia uniaxial ´e o de diˆametro menor. O campo de satura¸ca˜o ´e na dire¸c˜ao do eixo maior. . . . . . . . . . . . . . . A figura mostra uma compara¸c˜ao entre duas nanoestruturas de dimens˜oes iguais, saturadas com campos de mesmo m´odulo, mas dire¸c˜oes diferentes, dando ˆenfase no estado remanente. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Representa¸ca˜o dos nanoelementos separados por um espa¸cador n˜ao magn´etico. As fases para estas dimens˜oes s˜ao apresentadas na figura 3.22. . Diagrama que lista os estados remanentes de nanoestruturas idˆenticas, acopladas e separadas por um espa¸cador n˜ao magn´etico de 25 nm de espessura. Curva de magnetiza¸ca˜o e mapa de spin de uma estrutura acoplada gen´erica, cujo estado remanente ´e o acoplamento AFM. . . . . . . . . . . . . . . . . Curva de magnetiza¸ca˜o e mapa de spin de uma estrutura acoplada gen´erica, cujo estado remanente ´e a fase SS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. vii. 37 38 39 40 41 41 42 43 44 44 45. 46. 46 47 48 49 51.

(11) 3.25 Curva de magnetiza¸ca˜o e mapa de spin de uma estrutura acoplada gen´erica, cujo estado remanente ´e a fase DVV. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51. viii.

(12) Sum´ ario Agradecimentos. ii. Resumo. iv. Abstract. v. 1 Introdu¸c˜ ao. 1. 2 Magnetismo 2.1 O Momento de Dipolo Magn´etico . . . . . . . . 2.2 A Magnetiza¸ca˜o e a Susceptibilidade Magn´etica 2.3 Curvas de Magnetiza¸ca˜o . . . . . . . . . . . . . 2.3.1 Histerese Magn´etica . . . . . . . . . . . 2.3.2 Histerese T´ermica . . . . . . . . . . . . . 2.4 Materiais Ferromagn´eticos . . . . . . . . . . . . 2.5 Micromagnetismo e as Energias Magn´eticas . . 2.6 Energias Magn´eticas por C´elulas . . . . . . . . . 2.6.1 Energia de Troca . . . . . . . . . . . . . 2.6.2 Energia Zeeman . . . . . . . . . . . . . . 2.6.3 Energia de Anisotropia . . . . . . . . . . 2.6.4 Energia Magnetost´atica . . . . . . . . . 2.7 Campo M´edio Local . . . . . . . . . . . . . . . 2.7.1 Campo de Troca . . . . . . . . . . . . . 2.7.2 Campo Zeeman . . . . . . . . . . . . . . 2.7.3 Campo de Anisotropia . . . . . . . . . . 2.7.4 Campo Dipolar . . . . . . . . . . . . . . 2.7.5 O Campo M´edio e o Equil´ıbrio . . . . . 2.8 Intera¸c˜ao Entre Dois Nanoelementos . . . . . . 2.9 Parˆametros dos Materiais Magn´eticos . . . . . . 2.10 M´etodo Autoconsistente . . . . . . . . . . . . .. ix. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 3 4 5 6 7 8 9 9 11 12 17 17 17 18 19 20 20 20 21 21 24 25.

(13) 3 Nanoestruturas Ferromagn´ eticas Acopladas Magneticamente 3.1 Estados Magn´eticos de Remanˆencia de Nanoel´ıpses . . . . . . . . . . . . . 3.1.1 Estados de Remanˆencia para Estruturas Nanomagn´eticas Isoladas . 3.1.2 Estados de Remanˆencia para Estruturas Nanomagn´eticas Acopladas 3.2 Nanoestruturas Elipsoidais Isoladas de Fe com Campo Aplicado ao Longo do Eixo de Anisotropia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.2.1 Estudo das Curvas de Remanˆencia . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.2.1.1 Dom´ınio (D) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.2.1.2 V´ortice (V) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.2.1.3 V´ortice-Dom´ınio-V´ortice (VDV) . . . . . . . . . . . . . . . 3.2.1.4 V´ortice-Anti-v´ortice-V´ortice (VAV) . . . . . . . . . . . . . 3.2.1.5 Triplo V´ortice (TV) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.3 Nanoestruturas Elipsoidais Isoladas de Fe com Campo Aplicado Perpendicular ao Eixo de Anisotropia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.4 Nanoestruturas Elipsoidais Acopladas de Fe . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.4.1 Estado Uniforme Antiparalelo (AFM) . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.4.2 Estado Atiparalelo Tipo SS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.4.3 V´ortices Duplos Nos Dois Nanoelementos (DVV) . . . . . . . . . .. 26 27 27 29. 4 Conclus˜ oes e Perspectivas. 53. Referˆ encias bibliogr´ aficas. 56. x. 31 35 35 38 40 41 42 43 45 49 50 50.

(14) Cap´ıtulo 1 Introdu¸ c˜ ao Os dispositivos magn´eticos utilizados na tecnologia atual, vem ganhando cada vez mais espa¸co com o passar do tempo, tanto nas ind´ ustrias, quanto nos ambientes acadˆemicos por todo o mundo e no cotidiano de toda a sociedade. Existem hoje, v´arios dispositivos que apresentam sistemas magn´eticos, tais como: mem´orias magn´eticas, cabe¸cas de leitura magneto-resistivas, nanoosciladores, etc. A miniaturiza¸ca˜o destes dispositivos aliado ao desenvolvimento da litogr´afia nanom´etrica e a busca pelo aumento da densidade de grava¸ca˜o de dados ´e de interesse de todos [2, 9, 10, 11, 12, 13]. Os estados magn´eticos destes sistemas s˜ao relevantes e possibilitam a identifica¸ca˜o de seu uso como parte de dispositivos. Identificar as fases magn´eticas e entender o processo que levou at´e a mesma ´e importante e guia seu poss´ıvel uso como tecnologia que envolva um maior controle dos dispositivos que usam nanoestruturas de materiais ferromagn´eticos. V´arios esfor¸cos foram feitos para identificar e controlar os estados magn´eticos de elementos de diversos materiais e formatos [25, 32, 33, 16], inclusive usando acoplamento com um substrato AF (exchange bias) que em princ´ıpio inibiria o estado magn´etico tipo v´ortice [34, 31]. Visando este passo inicial de identificar fases magn´eticas e entender a forma com que as estruturas atingiram esse estado, como uma das maneiras de ter maior controle dos dispositivos nanomagn´eticos, essa disserta¸ca˜o estuda nanoelipsoides de Fe isolados e ´ acoplados, separados por um espa¸cador n˜ao magn´etico de espessura predeterminada. E utilizado um determinado valor de campo (o mesmo para todas as estruturas apresentadas nesse trabalho) para saturar os momentos magn´eticos em uma determinada dire¸ca˜o e a partir da´ı estuda-se a curva de magnetiza¸c˜ao at´e o estado de remanˆencia, dando ˆenfase e listando esse u ´ltimo em fun¸c˜ao dos diˆametros da nanoelipse [1, 2, 3]. No segundo cap´ıtulo, apresentamos uma revis˜ao sobre o magnetismo, suas principais grandezas, os tipos de materiais magn´eticos e, o conceito de curva de magnetiza¸c˜ao e histerese. Em seguida, introduzimos o micromagnetismo usados no c´alculo n´ umerico ao longo deste trabalho. Justificaremos a divis˜ao do sistema em c´elulas de simula¸ca˜o para tornar o c´alculo num´erico vi´avel do ponto de vista computacional. Descrevendo os campos 1.

(15) envolvidos no sistema. Tamb´em neste cap´ıtulo, ilustramos o m´etodo autoconsistente utilizado para se calcular os estados de equil´ıbrio ao longo da curva de magnetiza¸ca˜o, que faz uso do fato de que o equil´ıbrio ocorre quando os momentos magn´eticos das c´elulas de simula¸c˜ao apontam na mesma dire¸c˜ao que o campo efetivo, descrito na Equa¸c˜ao de Landau-Lifshitz-Gilbert. No terceiro cap´ıtulo, apresentamos os resultados das simula¸c˜oes num´ericas das estruturas estudadas. Primeiro trabalhamos com os nanoelementos de Fe isolados e definimos o eixo de anisotropia uniaxial como sendo o eixo de menor diˆametro de base. Saturamos as estruturas tanto na rota de maior diˆametro, como na rota de menor diˆametro e listamos todos os estados remanentes dessas estruturas que possuem uma espessura fixa de 25 nm. Em seguida mudamos a rota de satura¸ca˜o sem fazer nenhuma outra altera¸c˜ao e listamos todos os estados remanentes, e comparamos estes estados em fun¸c˜ao da rota de magnetiza¸ca˜o. Identificados os estados remanentes para as duas situa¸co˜es citadas acima, fazemos um acompanhamento dos estados magn´eticos ao longo da curva de magnetiza¸ca˜o para cada fase magn´etica diferente listada no diagrama. Esse acompanhamento ´e importante e fornece um maior controle da estrutura por sabermos a maneira com que ela se forma at´e atingir o estado de magnetiza¸ca˜o remanente. Feito isso, passamos a estudar as estruturas de mesmas dimens˜oes que as anteriores, acopladas via campo dipolar e separadas por um espa¸cador n˜ao magn´etico. Os pares s˜ao feitos sempre com nanoelipses de mesma dimens˜ao e com o espa¸cador n˜ao magn´etico. Fazemos ent˜ao, um diagrama das fases magn´eticas em remanˆencia em fun¸ca˜o das dimens˜oes das estruturas. Da mesma forma que para as nanoestruturas isoladas ´e feito o acompanhamento dos estados magn´eticos ao longo da curva de magnetiza¸c˜ao para cada tipo de fase magn´etica presente no diagrama. No quarto cap´ıtulo, tomamos algumas conclus˜oes a partir dos resultados obtidos e do conhecimento pr´evio da natureza magn´etica da mat´eria. E atentamos tamb´em para o fato que o trabalho possui muitas perspectivas tanto do ponto de vista puramente acadˆemico, quanto para a fabrica¸ca˜o de dispositivos. V´arios exemplos de atividades de pesquisa que podem ser feitas a partir das conclus˜oes do trabalho apresentado s˜ao listadas: como investigar estruturas com dimens˜oes diferentes, seja mudando os diˆametros e espessuras, quanto mudando o eixo de anisotropia uniaxial ou fazendo a investiga¸c˜ao com outros tipos de materiais ferromagn´eticos e diversas outras.. 2.

(16) Cap´ıtulo 2 Magnetismo Quando falamos em magnetismo, a maioria das pessoas prontamente associam esta palavra aos ´ım˜as. Entretanto, quase ningu´em a associa as correntes el´etricas. Magnetismo ´e um fenˆomeno quˆantico que surge devido a cargas el´etricas em movimento. As propriedades magn´eticas de um material s˜ao decorrentes da forma como os diversos dipolos magn´eticos, oriundos das correntes el´etricas em suas estruturas atˆomicas, interagem entre si. Isto tanto em n´ıvel interno ao pr´oprio a´tomo, como entre um a´tomo e seus demais vizinhos. Contudo, n˜ao podemos dizer que o movimento de cargas em rela¸ca˜o a um referencial adotado ´e a u ´nica fonte do campo magn´etico de um material [5, 6]. Um fator de grande importˆancia na descri¸ca˜o de fenˆomenos magn´eticos ´e o momento magn´etico intr´ınseco de cada part´ıcula (que est´a diretamente relacionado ao spin da ´ muito comum associar essa parcela do momento angular da part´ıcula com um part´ıcula). E movimento desta em torno do seu pr´oprio eixo. Entretanto, com o conhecimento que temos atualmente da mecˆanica quˆantica, n˜ao podemos considerar um bom modelo supor uma rela¸ca˜o associativa entre o momento angular intr´ınseco de uma part´ıcula e um movimento de rota¸ca˜o em torno do seu pr´oprio eixo. Podemos justificar isso, se lembrarmos que part´ıculas como el´etrons e pr´otons n˜ao possuem dimens˜oes experimentalmente resolvidas (para a f´ısica atual, o el´etron ´e uma nuvem totalmente dispersa se estiver parado ou um ponto se n˜ao soubermos nada a respeito de sua velocidade). Na verdade, part´ıculas carregadas como pr´otons e el´etrons s˜ao, por si s´o, pequenos dipolos magn´eticos e os efeitos magn´eticos destes tem uma grande importˆancia tanto na compreens˜ao da estrutura atˆomica como do comportamento magn´etico da mat´eria [6, 7]. Note que n˜ao fizemos nenhuma men¸ca˜o ao termo “carga magn´etica”. De fato, esta n˜ao existe. Todos os estudos at´e agora, nos mostram que a divergˆencia do campo magn´etico ´e nula, assim o fluxo atrav´es de uma superf´ıcie fechada ´e zero. Desse modo, as linhas de campo que saem dessa superf´ıcie s˜ao as mesmas que entram novamente. Se a carga magn´etica existisse, as linhas apenas sairiam ou apenas entrariam, dependendo do seu sinal. Ent˜ao torna-se claro que n˜ao existem cargas magn´eticas e que, portanto, o menor ente magn´etico ´e o dipolo magn´etico [4]. 3.

(17) 2.1. O Momento de Dipolo Magn´ etico. Consideremos uma pequena espira que delimita um c´ırculo de ´area a, onde circula uma corrente el´etrica de intensidade constante I, como mostra a figura 2.1.. Figura 2.1: Figura esquem´atica de uma espira representada por um c´ırculo de ´area a, onde circula uma corrente I. O momento magn´etico m ~ ´e definido como o produto entre a corrente I e o vetor de a´rea ~a. Tal vetor ´e definido como um vetor normal `a superf´ıcie com m´odulo igual a a´rea delimitada pela espira. m ~ = I~a. (2.1). Assim como a carga el´etrica representa a fonte prim´aria para os efeitos el´etricos, o momento magn´etico ´e a fonte prim´aria para os fenˆomenos magn´eticos, como por exemplo ~ e o campo H. ~ A unidade do momento de dipolo magn´etico ´e o campo magn´etico B amp`ere por metro quadrado (A · m2 ). Para uma superf´ıcie mais geral, a equa¸ca˜o 2.1 n˜ao ´e muito adequada, pois o vetor de a´rea ´e o mesmo para todos os pontos do espa¸co. Para generalizar nossa express˜ao, devemos integrar sobre todo vetor de ´area: Z m ~ =I. ~ da. (2.2). Part´ıculas subatˆomicas carregadas, como por exemplo el´etrons e pr´otons, comportamse cada uma como pequenos dipolos magn´eticos, possuindo um momento de dipolo magn´etico inerente a` part´ıcula, denominado momento de dipolo magn´etico intr´ınseco. Este momento de dipolo magn´etico relaciona-se diretamente a outra propriedade pertinente a todas as part´ıculas subatˆomicas, carregadas ou n˜ao: o momento angular intr´ınseco, tamb´em denominado spin. Este n˜ao tem nenhum an´alogo cl´assico, embora, para todos os 4.

(18) efeitos, se comporte de forma an´aloga ao momento angular intr´ınseco discutido na equa¸c˜ao ~ que 2.1. Na verdade, o momento angular total J~ ´e a soma do momento angular orbital L, ~ que est´a intimamente est´a associado ao momento magn´etico intr´ınseco, mais o spin S, relacionado ao momento magn´etico intr´ınseco. Dipolos magn´eticos s˜ao fontes de campo magn´etico, assim como os dipolos el´etricos s˜ao fontes de campo el´etrico. Esses dipolos tamb´em sofrem os efeitos de campos em regi˜oes em que estes s˜ao n˜ao nulos [5, 6]. Pode-se demonstrar que um dipolo magn´etico na origem, produz um campo magn´etico ao seu redor dado por: ~ r) = µ 1 [3(m B(~ ~ · rˆ)ˆ r − m] ~ (2.3) 4π r3 onde µ ´e a permeabilidade magn´etica do meio em que o dipolo magn´etico est´a imerso e rˆ ´e o vetor unit´ario na dire¸ca˜o do vetor radial [6].. 2.2. A Magnetiza¸c˜ ao e a Susceptibilidade Magn´ etica. Uma grandeza muito importante quando estudamos efeitos magn´eticos nos materiais ´e o vetor de magnetiza¸c˜ ao. A magnetiza¸ca˜o ´e definida como a m´edia vetorial do momento de dipolo magn´etico por unidade de volume ao longo de todo volume considerado [5]: ~ = M. P. m(r~0 ) V. (2.4). onde consideramos todos os momentos magn´eticos em suas respectivas posi¸co˜es r~0 dentro do volume V . A unidade da magnetiza¸c˜ao no sistema internacional ´e o amp`ere por metro (A/m). Quanto maior a magnetiza¸ca˜o, maior o momento de dipolo magn´etico efetivo associado a cada elemento diferencial de volume do material e maior o momento de dipolo magn´etico total associado ao objeto. ´ importante sabermos que a magnetiza¸ca˜o em um material pode ser afetada por E diversos fatores, como: campo externo, temperatura, corrente el´etrica, etc. Logo a magnetiza¸ca˜o ´e um fenˆomeno de resposta frente a agentes externos. Vamos usar como exemplo um campo externo aplicado. Quando se emerge um material magn´etico em uma regi˜ao onde h´a um campo magn´etico preexistente, a estrutura desse material responde ao campo no qual foi imerso, produzindo um campo magn´etico pr´oprio. A intensidade e a orienta¸ca˜o desse campo depende do campo externo e das propriedades do material em quest˜ao. Para os casos mais simples, onde os materiais s˜ao homogˆeneos, isotr´opicos e n˜ao fortemente magnetiz´aveis, a magnetiza¸c˜ao depende diretamente do campo magn´etico excitante. Este fato nos leva a defini¸c˜ao de uma nova grandeza chamada: susceptibilidade 5.

(19) magn´ etica. De forma que: ~ = χm H ~ M. (2.5). onde χm ´e a susceptibilidade magn´etica. A susceptibilidade magn´etica ´e uma grandeza adimensional que varia de substˆancia para substˆancia, apresentando valores positivos para os materiais paramagn´eticos e negativo para diamagn´eticos. Desse modo, a susceptibilidade ´e a resposta da magnetiza¸c˜ao ao campo magn´etico aplicado. Nesses casos a magnetiza¸c˜ao ´e nula quando o campo excitante ´e nulo e cresce gradualmente, a favor (paramagnetismo) ou contr´aria (diamagnetismo), mas sempre paralela ao campo externo. Contudo, nem sempre essa rela¸c˜ao ´e v´alida, existem casos em que a magnetiza¸ca˜o se relaciona com o campo excitante de maneiras bem mais complicadas e pode at´e depender do hist´orico de exposi¸c˜ao a` campos magn´eticos externos, fenˆomeno observado em materiais que exibem mem´oria e histereses magn´eticas. Falaremos mais adiante sobre esses materiais [4, 5, 6]. Materiais que possuem histerese magn´etica podem estar magnetizados mesmo na ausˆencia de um campo excitante em um dado momento e podem, devido ao seu hist´orico, exibir magnetiza¸ca˜o nula mesmo quando imersos em campos excitantes n˜ao nulos. Os ´ım˜as permanentes s˜ao materiais que apresentam uma magnetiza¸c˜ao n˜ao nula, mesmo a campo nulo. Esses materiais respondem a campos externos de forma que sua magnetiza¸ca˜o n˜ao tem uma grande dependˆencia do campo externo (desde que esse n˜ao seja muito forte). Os ´ım˜as permanentes diferem dos demais materiais por associarem uma parcela de magnetiza¸ca˜o permanente n˜ao nula com origem na pr´opria estrutura do mate´ importante sabermos que mesmo nesses materiais ´e possivel “saturar” os dipolos rial. E magn´eticos, os deixando paralelos ao campo externo, desde que este seja forte o suficiente para “vencer” a magnetiza¸ca˜o espontˆanea j´a existente nos ´ım˜as permanentes e todos os outros fatores que discutiremos mais adiante, ao falarmos das energias magn´eticas.. 2.3. Curvas de Magnetiza¸ c˜ ao. Como j´a foi dito, materiais n˜ao lineares n˜ao possuem uma rela¸c˜ao simples entre sua magnetiza¸ca˜o e os agentes externos. Mesmo os materiais lineares, possuem um limite de linearidade. Campos com grande intensidade podem muito bem torn´a-los n˜ao lineares, por exemplo. Nesses casos o comportamento magn´etico ´e estudado por meio de curvas de resposta magn´etica. Neste trabalho, estudaremos as curvas da magnetiza¸ca˜o em fun¸c˜ao do campo externo identificando as fases magn´eticas em campo nulo, estado remanente. Descreveremos ainda de forma breve da magnetiza¸ca˜o em fun¸c˜ao da temperatura (histerese t´ermica).. 6.

(20) 2.3.1. Histerese Magn´ etica. Nesse tipo de curva, observamos o comportamento da magnetiza¸c˜ao em fun¸c˜ao do campo externo aplicado. Em meios lineares j´a sabemos que essa curva seria uma reta. Contudo, nos materiais que discutiremos neste trabalho isto n˜ao ocorre. A forma mais simples de fugir do comportamento linear descrito anteriormente ´e, sim~ aplicado no material. Verificaplesmente, aumentar demasiadamente o campo externo H se que mesmos os materiais classificados no grupo dos materiais lineares deixam de responder de forma proporcional ao campo externo. Quando isto ocorre o material deixa de responder ao campo externo no qual est´a imerso, pois a magnetiza¸ca˜o n˜ao mudar´a mais, ocorrendo o alinhamento de todos os momentos magn´eticos do material, dizemos que a estrutura est´a magneticamente saturada. Acontece ent˜ao o que chamamos de satura¸ca˜o magn´etica do material. A satura¸ca˜o magn´etica ocorre devido ao alinhamento de todos, ou praticamente todos, os momentos de dipolo magn´etico do material quando este se encontra sob campo externo intenso o suficiente. O material exibe na satura¸ca˜o a m´axima magnetiza¸ca˜o poss´ıvel. A proporcionalidade entre a magnetiza¸ca˜o e o campo externo em materiais lineares ´e v´alida apenas para valores moderados desse u ´ltimo. Contudo, em materiais lineares observase que reduzindo o campo externo restaura-se a linearidade da curva de magnetiza¸ca˜o e removendo o campo excitante n˜ao haver´a mais magnetiza¸ca˜o macrosc´opica mensur´avel no material. Entretanto, existem materiais que apresentam mem´oria magn´etica, o ferro em temperatura abaixo da temperatura cr´ıtica ´e o exemplo mais conhecido. Nesses materiais a magnetiza¸c˜ao em um dado instante de tempo depende n˜ao apenas do campo externo nesse momento, como tamb´em de todo o hist´orico magn´etico do material. Vamos usar como exemplo um material idealizado, com grande histerese. A figura 2.2 apresenta uma curva t´ıpica de magnetiza¸c˜ao.. Figura 2.2: A figura mostra uma curva de histerese magn´etica idealizada. O eixo das abcissas ´e o campo externo e o eixo das coordenadas ´e a magnetiza¸ca˜o. 7.

(21) Come¸camos com um material desmagnetizado (ou que apresenta uma certa magnetiza¸ca˜o) em ausˆencia de um campo excitante (origem no gr´afico). Ent˜ao vamos aplicando um campo externo em uma determinada dire¸c˜ao e observamos uma resposta inicialmente proporcional ao campo externo, devido a magnetiza¸ca˜o gradual do material. Elevando o campo externo a valores maiores, deixamos a regi˜ao de proporcionalidade e se aumentarmos ainda mais, atingiremos a satura¸ca˜o. Esta curva inicial ´e tamb´em conhecida como magnetiza¸c˜ao de amostra virgem. Reduzindo-se o campo externo, observamos que a magnetiza¸c˜ao n˜ao segue pelo mesmo caminho da excita¸ca˜o. A curva desenhada com a diminui¸c˜ao do campo externo n˜ao se sobrep˜oe a` curva inicial durante o processo que levou ao campo de satura¸c˜ao. Podemos observar que, mesmo ap´os o campo externo ter sido completamente removido, ainda h´a uma magnetiza¸ca˜o no material. Tal magnetiza¸ca˜o ´e denominada de remanˆ encia. Se par´assemos por a´ı, dependendo do material, ter´ıamos produzido um ´ım˜a permanente. Na verdade, esse ´e um processo muito utilizado na ind´ ustria, chamado de congelamento. Mas se continuarmos observando o gr´afico, veremos que ´e necess´ario a aplica¸ca˜o de um campo externo na dire¸ca˜o inversa daquele aplicado inicialmente para anular totalmente a magnetiza¸c˜ao do material (interse¸ca˜o da curva com o eixo das abcissas a` esquerda) e um campo de intensidade ainda maior para que ocorra a revers˜ao da magnetiza¸c˜ao saturandose na dire¸ca˜o contr´aria (ponto extremo inferior do gr´afico, terceiro quadrante, o mais a` esquerda). Esse valor de campo ´e denominado de campo de coercividade e ´e o campo necess´ario para desmagnetizar completamente a amostra. No entanto, a mesma n˜ao se encontrar´a mais no estado de amostra virgem devido ao processo magn´etico ao qual foi exposta. O processo se repete de forma an´aloga ao anterior `a medida que se reduz o campo externo a zero (interse¸ca˜o do gr´afico com eixo das coordenadas, abaixo) e logo em seguida aumenta-se o campo na dire¸ca˜o positiva inicial, at´e atingir uma magnetiza¸ca˜o nula (interse¸ca˜o da curva com o eixo das abcissas, `a direita), e novamente satura¸c˜ao em dire¸ca˜o compat´ıvel com a primeira satura¸c˜ao (ponto superior no primeiro quadrante, o mais a direita) [6].. 2.3.2. Histerese T´ ermica. Uma curva com comportamento semelhante pode ser obtida se analisarmos uma curva de magnetiza¸c˜ao em fun¸c˜ao da temperatura. Ao aquecermos o sistema, este evolui para a fase natural do ferromagneto, mas ao resfriarmos este contempla estados diferentes. Por esse motivo, ao fim do resfriamento o sistema ir´a assumir outro estado que n˜ao seja aquele inicial. Podemos definir a histerese t´ermica como um tipo de curva em que o estado do sistema magn´etico depende do processo t´ermico que ocorreu e n˜ao apenas da temperatura neste mesmo instante.. 8.

(22) A curva de histerese para uma dado material mostra-se muito dependente n˜ao apenas do material (tanto na t´ermica, quanto na magn´etica), mas tamb´em das condi¸co˜es f´ısicas em que esse se encontra: temperatura, por exemplo. Tamb´em ´e muito importante saber as dimens˜oes do material em quest˜ao. Um mesmo material pode apresentar curvas de histerese totalmente diferentes se possuir dimens˜oes e formatos diferentes. Outro fator relevante na curva de histerese ´e a classe magn´etica do material. Existem v´arias classes magn´eticas conhecidas: diamagn´eticos, paramagn´eticos, ferromagn´eticos, ferrimagn´eticos [6].. 2.4. Materiais Ferromagn´ eticos. Nesse trabalho, vamos dar destaque para os materiais ferromagn´eticos, mais espeficicamente o Ferro. Esses tipos de materiais apresentam uma certa magnetiza¸c˜ao espontˆanea e ocorrem em ´atomos que possuem el´etrons sem par no u ´ltimo orbital, embora nem todos os a´tomos que apresentam el´etrons sem par na u ´ltima camada apresentam ferromagnetismo. Por este motivo, os dipolos magn´eticos procuram apontar na mesma dire¸ca˜o que seus vizinhos, pois essa ´e a configura¸ca˜o de m´ınima energia (trataremos deste assunto mais adiante, quando falarmos de energias magn´eticas). Al´em disso, no modelo de ferromagnetismo consideramos que os momentos magn´eticos possuem os mesmos tamanhos. Por´em, n˜ao observamos um prego de ferro ser um ´ım˜a poderoso. Isso ocorre porque o alinhamento acontece em a´reas relativamente pequenas, chamadas dom´ınios magn´ eticos. Cada dom´ınio cont´em milh˜oes de dipolos, todos alinhados, mas a orienta¸ca˜o de cada dom´ınio em si ´e aleat´oria. Devido a isso, a magnetiza¸c˜ao total acaba sendo quase nula. ´ importante dizer que um material ´e, ou n˜ao, ferromagn´etico dependendo de sua E temperatura. O aumento da temperatura diminue os momentos magn´eticos intr´ınsecos do material, fazendo assim com que a magnetiza¸ca˜o torne-se nula. H´a uma temperatura precisa para cada material (770◦ C para o ferro). Abaixo dessa temperatura (denominada Temperatura de Currie) o ferro ´e considerado ferromagn´etico e acima ´e considerado paramagn´etico. N˜ao existe uma transi¸c˜ao gradual entre esses dois comportamentos [6].. 2.5. Micromagnetismo e as Energias Magn´ eticas. Quando estudamos o micromagnetismo, buscamos um conhecimento mais profundo da mat´eria, estudar os fenˆomenos magn´eticos no seu ´ıntimo. Entretanto, isso nem sempre ´e poss´ıvel. Se quisermos tratar um a´tomo como um dipolo magn´etico e estudarmos cada um dos a´tomos de um material, mesmo com os melhores dos computadores nos auxiliando, isto n˜ao seria vi´avel. Descreveremos a seguir o micromagnetismo utilizado neste trabalho:. 9.

(23) Consideremos um material cristalino (Ferro) c´ ubico de corpo centrado (bcc) de 10 nm de lado. Sabermos que o n´ umero de a´tomos para um material como este ´e dado por:  N =2. d3 a30.  (2.6). onde d representa o lado da aresta do cubo em quest˜ao e a0 ´e o parˆametro de rede do material magn´etico. A fra¸c˜ao indica o n´ umero de c´elulas unit´arias do tipo bcc e o n´ umero 2 indica que cada c´elula bcc pode apresentar dois a´tomos [2]. Usando como exemplo os parˆametros ditados anteriormente e o fato de que o parˆametro umero de ´atomos de 8, 46×1010 . Tornade rede do ferro ´e: aF0 e = 0, 287 nm, teremos um n´ se claro que nem os mais potentes dos computadores poderiam trabalhar calculando todas as intera¸co˜es aos pares em um n´ umero t˜ao elevado de dipolos magn´eticos. Para trabalhar com configura¸c˜oes da ordem de centena de nanˆometros, usamos o conceito da c´elula de simula¸c˜ao. A c´elula de simula¸ca˜o representa um certo volume do material, no qual n˜ao h´a grandes mudan¸cas nos momentos magn´eticos participantes. O parˆametro que controla esse volume ´e chamado de comprimento de troca (lEXCH ). Todas as c´elulas de simula¸c˜ao devem ter um comprimento menor que este, pois ele representa o comprimento na qual a intera¸c˜ao de troca se sobressai sobre as demais intera¸c˜oes magn´eticas [20, 21]. s lEXCH =. 2A (SI) µ0 Ms2. s lEXCH =. (2.7). 2A (cgs) Ms2. (2.8). onde A ´e a constante de troca e Ms ´e a magnetiza¸ca˜o de satura¸ca˜o. Falaremos dessas duas grandezas mais adiante, quando discutiremos as energias por c´elula magn´etica. ´ interessante ressaltar, que podemos estudar a forma com que um elemento da estruE tura interage com os demais, no nosso caso, como as c´elulas magn´eticas interagem umas com as outras. Nesse contexto, o sistema contempla v´arias energias, ou seja, existem v´arios tipos de energia sobre cada c´elula. Podemos nos adiantar e escrever os cinco tipos de energia que o sistema contempla. Considerando um sistema com i a´tomos, com momentos magn´eticos representados pelo versor S~i e um volume V , a energia do sistema ´e representada por [2, 3]:. E = −Je. XX i. ~ · Ms V S~i S~j − H. j. Ms2 V X X 2 i k. X. S~i − H~in · Ms V. i. (. X i. S~i · S~k (S~i · r~ik )(S~k · r~ik ) − 3 5 rik rik 10. KV X z 2 (Si ) + S~i − 2 i. ) (2.9).

(24) O primeiro termo ´e a energia de troca, que por sua vez ´e de curto alcance e s´o acontece entre uma c´elula e os seus primeiros vizinhos j. Je ´e a integral de exchange ou integral de troca entre os dois ´atomos. O segundo termo ´e a energia Zeeman, que representa a ~ O terceiro termo ´e a intera¸c˜ao de troca intera¸c˜ao do sistema com um campo externo H. com a interface antiferromagn´etica. O quarto termo representa a energia de anisotropia, onde K ´e a constante de anisotropia do material. No u ´ltimo termo, temos a energia devido ao campo dipolar ou magnetost´atico, onde rik ´e o modulo do vetor que liga o i-´esimo e o k-´esimo a´tomo. Esta u ´ltima representa a intera¸c˜ao entre todos os dipolos do sistema. ´ muito O equil´ıbrio ocorre, quando essa energia ´e m´ınima e a entropia m´axima. E importante sabermos que o equil´ıbrio tenta “regrar” o m´ınimo de cada energia individualmente na medida do poss´ıvel no Hamiltoniano. Contudo, nem sempre ´e poss´ıvel minimizar todas ao mesmo tempo. Por exemplo, veremos mais adiante que para minimizar a energia de troca, os spins devem apontar na mesma dire¸c˜ao. Por outro lado, para minimizar a energia Zeeman, os spins devem se alinhar com o campo externo. Se essas duas condi¸c˜oes forem imposs´ıveis juntas, o sistema ir´a procurar um estado que minimiza a soma das duas. Resumindo: o sistema ir´a procurar um estado que minimize a energia total E, mas isso n˜ao implica no m´ınimo de cada energia do hamiltoniano. No caso do magnetismo o sistema encontra um m´ınimo local no qual permanece at´e sair dele para outro m´ınimo, que pode ser outro m´ınimo local ou o m´ınimo de energia. Para uma histerese t´ıpica quando o campo externo ´e negativo o sistema se mant´em ainda oposto ao campo externo, at´e este campo ultrapassar um certo valor. Desse modo o estado de equil´ıbrio do sistema se d´a quando os momentos magn´eticos apontam na dire¸ca˜o dos campos magn´eticos locais internos ao sistema.. 2.6. Energias Magn´ eticas por C´ elulas. Como dito anteriormente, n˜ao podemos fazer um mapeamento magn´etico e calcular os termos da equa¸ca˜o 2.9 para todos os a´tomos. Por esse motivo, vamos reescrever a express˜ao 2.9 considerando que o sistema ´e composto por c´elulas c´ ubicas de lado d. Cada c´elula conter´a N a´tomos de acordo com a express˜ao 2.6. As c´elulas cont´em um momento de dipolo efetivo, tomaremos o cuidado de n˜ao escolhermos o d muito grande, para que os momentos de dipolo de cada ´atomo da c´elula n˜ao sejam t˜ao distintos um dos outros. A seguir, vamos descrever as principais energias magn´eticas para o nosso modelo, para posteriormente associ´a-las a um campo m´edio local que ser´a usado para encontrar a configura¸ca˜o magn´etica de equil´ıbrio.. 11.

(25) 2.6.1. Energia de Troca. A energia de troca surge devido a antissimetricidade da fun¸c˜ao de onda espacial dos f´ermions e da simetricidade dessa para os b´osons. Ela muda o valor esperado da distˆancia quando ocorre a superposi¸c˜ao das fun¸co˜es de onda de part´ıculas indistingu´ıveis, aumentando para os f´ermions e diminuindo para os b´osons. A intera¸ca˜o de troca ´e respons´avel pelo pr´oprio ferromagnetismo. Pode-se demonstrar atrav´es do determinante de Slater que a energia de troca para um a´tomo i com os seus vizinhos j ´e [7]: H=−. X. Jij S~i · S~j. (2.10). j. Se a intera¸c˜ao for isotr´opica, ent˜ao: Jij = Je ∀i, j. Desse modo: H = −Je S~i · S~j. (2.11). Os operadores S~i e S~j n˜ao s˜ao vetores cl´assicos. Entretanto, em alguns problemas, como por exemplo no estudo de dom´ınios, podemos trabalhar como se esses fossem vetores cl´assicos. Com isto: H = −Je S 2. X. cos φij. (2.12). j. Reescrevendo o u ´ltimo termo da equa¸c˜ao 2.12, temos: cos φij = uˆi · uˆj. (2.13). ~: Sabemos que para um vetor arbitr´ario no espa¸co cartesiano U v~i = cos(αi ) |~v |. (2.14). onde αi ´e denominado o cosseno diretor na dire¸ca˜o i. Assim, em 3D a equa¸c˜ao 2.13 torna-se: cos φij = uˆi · uˆj = α1i α1j + α2i α2j + α3i α3j. (2.15). Desde que os ˆangulos entre os versores uˆi e uˆj sejam pequenos, podemos expandir os cossenos diretores de uˆi em torno de uˆj . A s´erie de Taylor para uma fun¸c˜ao de v´arias vari´aveis pode ser obtida por: f (x1 , ..., xn ) =. ∞  X ∂f (x0 , ..., x0 ) i. ∂xi. k=0. n. (xi −. x0i ).  (2.16). Desprezando os termos a partir da segunda ordem e considerando um espa¸co cartesiano ortogonal de trˆes dimens˜oes, temos para o primeiro termo da express˜ao 2.15: 12.

(26)   1 2 α1i α1j = α1i α1i + ~rij · ∇α1i + (~rij · ∇α1i ) α1i + ... 2. (2.17). Agora para um dado i (na express˜ao acima temos i = 1, mas a express˜ao real soma todos os i0 s), temos que somar todos os vizinhos j. Como nossa c´elula ´e um cubo representado no espa¸co cartesiano ortogonal e o mesmo possui uma simetria com rela¸ca˜o a forma com que os spins se agrupam em seu v´ertice, temos: X. ~rij · ∇α1i = 0. (2.18). j. Isso ocorre porque ∇α1i = 0 ∀i 6= j. Por outro lado, ~rij = 0 → i = j. Desse modo, este termo ´e sempre nulo. Assim como: X1 j. 2. (~rij · ∇α1i ) = 0, ∀i 6= j. (2.19). Pois como dito anteriormente, os spins se agrupam em um cubo de forma sim´etrica. Pelo mesmo motivo, temos: X.  xij yij. ∂ 2 αij ∂xij ∂yij.  = 0, ∀i 6= j. (2.20). Considerando as equa¸c˜oes 2.18 , 2.19 e 2.20 na equa¸ca˜o 2.12, teremos:. X j. 1 ∂ 2 α1i X 2 1 ∂ 2 α1i X 2 1 ∂ 2 α1i X 2 α α1i x + y + z cos φij = z + α1i 1i 2 ∂x2ij j ij 2 ∂yij2 j ij 2 ∂zij2 j ij 1 ∂ 2 α2i X 2 + α2i x + ... 2 ∂x2ij j ij. (2.21). onde para considerarmos as trˆes dimens˜oes, definimos: 2 2 2 + α2i + α3i z = α1i. (2.22). Note que: X. x2ij =. j. X. yij2 =. X j. j. zij2 =. 1X 2 r 3 j ij. (2.23). Identificando as equa¸c˜oes 2.22 e 2.23 na equa¸ca˜o 2.21, e lembrando da defini¸ca˜o do laplaciano e dos cossenos diretores, obtemos: X j. cos φij = z +. 1X 2 r uˆ · ∇2 uˆ 6 j ij. 13. (2.24).

(27) Substituindo 2.24 em 2.12, temos que: E=H=−. Je S 2 X 2 rij uˆ · ∇2 uˆ 6 j. (2.25). Considerando a seguinte identidade vetorial:. ∇2 (b u·u b) = ∇ · ∇(b u·u b) = ∇ · [∇(b u·u b)] = ∇ · [∇u · u b+u b · ∇u] = 2∇ · (b u · ∇u) = 2{∇u · ∇u + u b · ∇2 u b} = 2|∇b u|2 + 2(b u · ∇2 u b). (2.26). Mas por defini¸ca˜o, temos que: |∇ˆ u|2 = (∇α1 )2 + (∇α2 )2 + (∇α3 )2. (2.27). Logo, a equa¸c˜ao 2.26 torna-se: ∇2 (ˆ u · uˆ) = 2[(∇α1 )2 + (∇α2 )2 + (∇α3 )2 ] + 2(ˆ u · ∇2 uˆ) = 0. (2.28). Substituindo 2.28 e lembrando da defini¸ca˜o 2.27 na equa¸ca˜o 2.25, teremos: H=E=. Je S 2 X 2 rij [(∇α1 )2 + (∇α2 )2 + (∇α3 )2 ] 6 j. (2.29). 2 Sabendo que nossa c´elula ´e c´ ubica, a soma em todos rij ´e 6a2 , pois o cubo tem seis faces, onde a ´e o parˆametro de rede. Considerando isso na equa¸ca˜o 2.29, temos:. H = E = Je S 2 a2 [(∇α1 )2 + (∇α2 )2 + (∇α3 )2 ]. (2.30). A express˜ao 2.30 representa a energia de troca para uma c´elula unit´aria de lado a.. Energia de Troca por C´ elula Magn´ etica Consideremos uma pequena part´ıcula de lado δ. Nessa part´ıcula, temos N part´ıculas 3 menores cada uma de lado a. Logo: N = aδ 3 . Utilizando a defini¸c˜ao de derivada: 0. f (x + h) − f (x) h→0 h. f (x) = lim Temos que:. 14. (2.31).

(28) 2 2. E = N JS a. ". P. mnk. 2  2  2 dα1 (m, n, k) dα2 (m, n, k) dα3 (m, n, k) + + dx dx dx 2  2  2  dα2 (m, n, k) dα3 (m, n, k) dα1 (m, n, k) + + + dy dy dy  2  2  2 # dα1 (m, n, k) dα2 (m, n, k) dα3 (m, n, k) + + dz dz dz (2.32). Usando o seguinte produto not´avel: (a + b)2 = a2 + 2ab + b2. (2.33). Obtemos finalmente:. E = δ3. A 2. " X  α2 (m + 1, n, k) + α2 (m, n, k) − 2α1 (m + 1, n, k)α1 (m, n, k)  1 1 δ2 mnk  2  α2 (m + 1, n, k) + α22 (m, n, k) − 2α2 (m + 1, n, k)α2 (m, n, k) + δ2   2 α3 (m + 1, n, k) + α32 (m, n, k) − 2α3 (m + 1, n, k)α3 (m, n, k) + δ2  2  α1 (m, n + 1, k) + α12 (m, n, k) − 2α1 (m, n + 1, k)α1 (m, n, k) + δ2  2  α2 (m, n + 1, k) + α22 (m, n, k) − 2α2 (m, n + 1, k)α2 (m, n, k) + δ2  2  α3 (m, n + 1, k) + α32 (m, n, k) − 2α3 (m, n + 1, k)α3 (m, n, k) + δ2  2  α1 (m, n, k + 1) + α12 (m, n, k) − 2α1 (m, n, k + 1)α1 (m, n, k) + δ2  2  α2 (m, n, k + 1) + α22 (m, n, k) − 2α2 (m, n, k + 1)α2 (m, n, k) + δ2  2 # α3 (m, n, k + 1) + α32 (m, n, k) − 2α3 (m, n, k + 1)α3 (m, n, k) + (2.34) δ2. Onde definimos: 2JS 2 (2.35) a Tal grandeza ´e definida como o exchange stiffness e determina a rigidez magn´etica do material, ou seja, o quanto o material tende a apresentar momentos magn´eticos aponA=. 15.

(29) tando em uma mesma dire¸c˜ao. Por esta raz˜ao este parˆametro ´e diretamente associado ao comprimento de troca e a espessura da parede de dom´ınio [19, 21]. A soma dos termos positivos da equa¸ca˜o 2.34 ´e seis, pois equivale a soma dos m´odulos de 3 vetores unit´arios. Sendo assim, temos:. E δ3. " A X 6 − 2 α1 (m + 1, n, k)α1 (m, n, k) + α2 (m + 1, n, k)α2 (m, n, k) = 2 2δ mnk ! +α3 (m + 1, n, k)α3 (m, n, k). − 2 α1 (m, n + 1, k)α1 (m, n, k) !. +α2 (m, n + 1, k)α2 (m, n, k) + α3 (m, n + 1, k)α3 (m, n, k) −2 α1 (m, n, k + 1)α1 (m, n, k) + α2 (m, n, k + 1)α2 (m, n, k) !# +α3 (m, n, k + 1)α3 (m, n, k). (2.36). Identificando os vetores unit´ario µ ˆ na equa¸ca˜o 2.36:. E δ3. " A X 6 − 2ˆ µ(m + 1, n, k) · µ ˆ(m, n.k) − 2ˆ µ(m, n + 1, k) · µ ˆ(m, n.k) = 2 2δ mnk # −2ˆ µ(m, n, k + 1) · µ ˆ(m, n.k). (2.37). Que pode ser reescrita como:. E δ3. " A X = 2 2 − 2ˆ µ(m + 1, n, k) · µ ˆ(m, n.k) + 2 − 2ˆ µ(m, n + 1, k) · µ ˆ(m, n.k) + 2 2δ mnk # −2ˆ µ(m, n, k + 1) · µ ˆ(m, n.k). (2.38). Desse modo, podemos escrever a energia de troca por unidade de volume entre duas c´elulas de lado d = δ: Eexch AX = [1 − µˆi · µˆj ] δ3 δ 2 ij. (2.39). A soma em i representa todas as c´elulas do sistema, a soma em j representa todos os vizinhos da c´elula i. Logo a intera¸c˜ao de troca ´e de curto alcance. 16.

(30) 2.6.2. Energia Zeeman. A energia Zeeman descreve a intera¸ca˜o entre a magnetiza¸c˜ao de um determinado material e o campo externo em que esse encontra-se submetido. Os dipolos magn´eticos tendem a se alinhar paralelamente com o campo externo. Essa energia apresenta um m´ınimo quando o momento magn´etico aponta na dire¸c˜ao do campo externo. A energia por unidade de volume da c´elula de simula¸ca˜o ´e uniforme e n˜ao depende da sua dimens˜ao. Em todo o sistema, a energia Zeeman ser´a a soma de cada uma individualmente: X EZeeman ~ ext · Ms = H m ˆi d3 i. (2.40). onde Ms ´e a magnetiza¸ca˜o de satura¸ca˜o do ferromagneto em quest˜ao.. 2.6.3. Energia de Anisotropia. Em alguns s´olidos nota-se a existˆencia de uma tendˆencia a magnetiza¸ca˜o na dire¸c˜ao de um eixo cristalino preferencial (no caso da anisotropia uniaxial, que trataremos no nosso trabalho) com rela¸c˜ao aos outros. Isso ocorre devido ao campo originado pela intera¸c˜ao de troca entre os spins dos ´atomos vizinhos que orienta os momentos magn´eticos numa dire¸ca˜o privilegiada. Resumindo: a simetria da estrutura cristalina afeta o processo de troca, nesse caso ocorre eixos preferenciais para a magnetiza¸ca˜o. Isso ´e o que chamamos de energia de anisotropia, a qual possui um m´ınimo quando os momentos magn´eticos est˜ao orientados ao longo desses eixos, denominados de eixos de f´acil magnetiza¸ca˜o. Podemos escrever a energia de anisotropia uniaxial em fun¸ca˜o dos aˆngulos de magnetiza¸ca˜o em rela¸ca˜o aos eixos cristalinos θ: Ea = KV sin2 θ. (2.41). onde K ´e a densidade de energia cristalina. Podemos escrever a energia de anisotropia unixial por volume para uma c´elula magn´etica de lado d como: Ea = K sin2 θ 3 d. 2.6.4. (2.42). Energia Magnetost´ atica. A energia magnetost´atica ou dipolar, representa a intera¸c˜ao entre um dipolo magn´etico e todos os outros do sistema. A equa¸ca˜o 2.3 j´a nos mostra o campo que um dipolo produz em um ponto espec´ıfico do espa¸co. Poder´ıamos a partir dela, com o uso de uma integral, encontrar o potencial associado a esse campo. Se considerarmos cada a´tomo como um. 17.

(31) ~ com spin S, ~ podemos escrever a energia magnetost´atica por a´tomo dipolo magn´etico M a uma distˆancia ~r: EDip. M 2V 2 X X = s 2 i j. (. ~i · S ~j ~i · ~rij )(S ~j · ~rij ) S (S − 3 5 rij rij. ) (2.43). Podemos reescrever essa express˜ao em fun¸ca˜o da aresta da c´elula magn´etica d. Vamos tomar ~r = d~n, onde ~n ´e um vetor que representa a distˆancia entre as c´elulas de simula¸ca˜o em fun¸ca˜o das arestas. Desse modo: EDip.   ˆi ·m ˆj (m ˆ i · ~nij )(m ˆ j · ~nij ) Ms2 V 2 X X m − = 2d3 n3ij n5ij i j. (2.44). onde i representa todas as c´elulas do sistema, assim como j. O n´ umero 2 aparece para que n˜ao seja contado a mesma intera¸ca˜o duas vezes. Para representar a energia dipolar de uma c´elula magn´etica por unidade de volume, reescrevemos a equa¸ca˜o 2.44 em fun¸c˜ao do volume da c´elula unit´aria, ou seja:   Ms2 V 2 X X m EDip ˆi ·m ˆj (m ˆ i · ~nij )(m ˆ j · ~nij ) = − 3 d3 2 n n5ij ij i j. (2.45). Energia Total por Unidade de Volume Agora que temos todas as energias magn´eticas por unidade de volume para cada c´elula magn´etica, podemos escrever a energia total por unidade de volume como a soma de todas as energias em todas as c´elulas magn´eticas:. E(T /V ) =. A d2. KX z 2 (mi ) 2 i i j i   ˆi ·m ˆ k (m ˆ i · ~rik )(m ˆ k · ~rik ) Ms2 X X m − + 3 5 2 i k rik rik. XX. ~ · MS [1 − m ˆi ·m ˆ j] − H. X. m ~i−. (2.46). A figura 2.3 ilustra uma representa¸ca˜o de uma c´elula cristalina, de uma c´elula de simula¸ca˜o e de todo o sistema magn´etico de acordo com a abordagem escolhida nesse trabalho.. 2.7. Campo M´ edio Local. A partir da equa¸ca˜o 2.46, teremos o campo associado a cada parcela de energia, devido ao fato de o campo nessas situa¸co˜es ser dado pela divergˆencia da energia com rela¸c˜ao aos momentos magn´eticos. Se quisermos trabalhar com o campo m´edio, devemos dividir a. 18.

(32) Figura 2.3: Figura representativa de: 1) C´elula cristalina, onde a0 ´e o parˆametro de rede. 2) Representa a c´elula de simula¸ca˜o magn´etica com o seu momento de dipolo efetivo, com comprimento menor que o comprimento de troca. 3) Representa o sistema como um todo, dando ˆenfase para uma c´elula i, seus primeiros vizinhos j e todos os outros vizinhos k. A intera¸c˜ao entre i e j ocorre por intera¸c˜ao de troca, entre i e k ocorre por meio de intera¸ca˜o dipolar. Esta figura constru´ıda a partir da figura da referˆencia [3]. divergˆencia com respeito a magnetiza¸ca˜o de satura¸c˜ao. Desse forma, o campo m´edio local ´e [2]: ) ~ i = − 1 ∂E(V /T H p Ms ∂ m ˆi. (2.47). onde i indica a c´elula magn´etica e p indica a dire¸ca˜o cartesiana com que se toma a divergˆencia. Aplicando a equa¸ca˜o 2.47 na equa¸ca˜o 2.46, teremos todos os campos m´edios locais. A soma de todos eles nos fornece o campo m´edio efetivo: ~ ef f = H ~p ~p ~p ~p H Exch + HZeeman + HAnis + HDip. 2.7.1. (2.48). Campo de Troca. De acordo com a equa¸ca˜o 2.47, o campo de troca que atua em uma c´elula i ser´a: 1 ∂EExch ~p H Exch = − Ms ∂ m ˆ pi. (2.49). Para o eixo x em particular, temos: 1 ∂ x ~ Exch H =− Ms ∂ m ˆ xi. .  A y y x x z z [1 − (mi mj + mi mj + mi mj )] d2. x ~ Exch H =. A m ˆx Ms d2 j. 19. (2.50). (2.51).

(33) De maneira an´aloga, encontramos os campos das componentes y e z: ~y H Exch =. A m ˆ yj 2 Ms d. (2.52). ~z H Exch =. A m ˆ zj 2 Ms d. (2.53). Como dito anteriormente, j representa os primeiros vizinhos de i. No caso tridimensional, i tem seis vizinhos j.. 2.7.2. Campo Zeeman. A energia Zeeman alinha os momentos magn´eticos do sistema na dire¸ca˜o do campo externo. Utilizando a express˜ao 2.47 na 2.40, temos: Ms ∂ ~x (Hx mx + Hy my + Hz mz ) H Zeeman = − Ms ∂ m ˆx. (2.54). Observamos imediatamente que:. 2.7.3. x HZeeman = H cos θ. (2.55). y HZeeman = H sin θ. (2.56). z HZeeman =0. (2.57). Campo de Anisotropia. Como dito anteriormente, nossa anisotropia ´e uniaxial, portanto s´o haver´a um campo de anisotropia na dire¸c˜ao do eixo de f´acil magnetiza¸c˜ao. Definiremos essa dire¸c˜ao como sendo xˆ. Utilizando a equa¸c˜ao 2.47 na express˜ao 2.42, obtemos [2, 3]: 1 x ~ Anis H =− [−2K m ˆ x] Ms. (2.58). ˆx ~ x = − 2K m H Anis Ms. (2.59). Portanto:. 2.7.4. Campo Dipolar. A intera¸ca˜o dipolar atua em todos os pares de c´elulas do sistema. De acordo com a equa¸ca˜o 2.47, temos:. 20.

(34) ~ p = − 1 ∂EDip H Dip Ms ∂ m ˆ pi. (2.60). Utilizando a equa¸c˜ao 2.45 na 2.60, obtemos:. p HDip. (   mxi nxik + myi nyik + mzi nzik mxk nxik + myk nyik + mzk nzik Ms2 ∂ −3 = − Ms ∂ m ˆ pi n5ik ) mxi mxk + myi myk + mzi mzk (2.61) + n3ik. De posse da equa¸ca˜o 2.61, podemos calcular cada componente (x, y, z) do campo dipolar:. 2.7.5. x HDip.   Ms X −3(mxk nxik + myk nyik + mzk nzik )nxik mxk + 3 =− 2 k n5ik nik. (2.62). y HDip.   Ms X −3(mxk nxik + myk nyik + mzk nzik )nyik myk + 3 =− 2 k n5ik nik. (2.63). z HDip.   Ms X −3(mxk nxik + myk nyik + mzk nzik )nzik mzk + 3 =− 2 k n5ik nik. (2.64). O Campo M´ edio e o Equil´ıbrio. Obtido os campos m´edios locais, podemos calcular o campo m´edio efetivo dado pela equa¸ca˜o 2.48. A configura¸c˜ao de equil´ıbrio ´e alcan¸cada quando os momentos magn´eticos de cada c´elula apontam na dire¸c˜ao do campo m´edio local, ou seja, o torque entre o campo m´edio local e o momento magn´etico local ´e m´ınimo, neste caso a equa¸ca˜o 2.46 ´e minimizada. Portanto, achamos o vetor que nos mostra o campo efetivo.. 2.8. Intera¸c˜ ao Entre Dois Nanoelementos. Imagine agora dois nanoelementos que interagem entre si, separados por uma distˆancia ~rqv . O q-´esimo nanoelemento deve interagir magnetostaticamente com o v-´esimo elemento. O campo dipolar de um interage com o outro. Assim, podemos afirmar que, para todos os efeitos, o campo dipolar do q-´esimo elemento ´e visto como um campo Zeeman pelo v-´esimo elemento, com o campo dipolar interagindo com os momentos magn´eticos. Esse termo pode ser escrito de acordo com a equa¸ca˜o 2.40 [3]: V ~D · ED = −Ms H. X j. 21. m ˆj. (2.65).

(35) Figura 2.4: Figura esquem´atica de cada campo atuante na c´elula magn´etica i. A soma desses campos individualmente nos fornece o campo efetivo. Esta figura foi baseada na referˆencia [3]. Ent˜ao o campo dipolar do q-´esimo nanoelemento no v-´esimo ´e: v ~ qD · ED = −Msv H. X. m ˆ v,j. (2.66). j. Msv. onde ´e a magnetiza¸c˜ao de satura¸c˜ao do v-´esimo elemento. De modo an´alogo, podemos encontrar o campo dipolar do v-´esimo elemento no q-´esimo elemento: q ~ vD · ED = −Msv H. X. m ˆ q,l. (2.67). l. Em ambas as equa¸co˜es os ´ındices q e j indicam, respectivamente, os nanoelementos q (N E1) e o v (N E2). A figura 2.5 ilustra bem esta situa¸ca˜o:. 22.

(36) Figura 2.5: Representa¸ca˜o de dois nanoelementos, N E1 e N E2 com suas respectivas alturas h1 e h2 , separados por um espa¸cador n˜ao magn´etico de espessurra . Esta figura foi retirada da referˆencia [3]. Podemos ent˜ao, finalmente, escrever a energia total em cada nanoelemento agora que possu´ımos todas as energias consideradas em nosso modelo magn´etico. Temos em N E1: energia de troca entre as c´elulas magn´eticas e suas vizinhas, energia Zeeman entre o campo externo e o momento magn´etico da c´elula, energia de anisotropia, energia devido ao campo dipolar entre todos os pares de c´elulas do N E1 e o campo dipolar em N E1 devido ao N E2. O mesmo ´e v´alido para N E2. Os campos dipolares entre os v-´esimos e q-´esimos nanoelementos s˜ao:.   Msv X X 3[ˆ nv,ik + rˆvq ][m ˆ v,k · (ˆ nv,ik + rˆvq )] m ˆ v,k v ~ − HD = 2 i k |ˆ nv,ik + rˆvq |5 |ˆ nv,ik + rˆvq |3. (2.68).   Msq X X 3[ˆ nq,ls + rˆqv ][m ˆ q,s · (ˆ nq,ls + rˆqv )] m ˆ q,s q ~ HD = − 2 l s |ˆ nq,ls + rˆqv |5 |ˆ nq,ls + rˆqv |3. (2.69). E:. Utilizando as equa¸c˜oes 2.68 e 2.69 nas equa¸c˜oes 2.66 e 2.67, e adicionado o resultado na equa¸ca˜o 2.46 como um outro termo dipolar, teremos:. 23.

(37) ETv =. X Av X X Kv X z 2 ~ v [1 − m ˆ · m ˆ ] − (m ) − H · M m ~ v,i v,i v,j v,i s d2 i j 2 i i   Msv Msq X X X m ~ v,i · m ˆ q,s 3[m ~ v,i · (ˆ nq,ls + rˆqv )][m ˆ q,s · (ˆ nq,ls + rˆqv )] + − 3 2 |ˆ n + r ˆ | |ˆ nq,ls + rˆqv |5 q,ls qv s l ) (i (Msv )2 X X m ˆ v,i · m ˆ v,k (m ˆ v,i · ~rv,ik )(m ˆ v,k · ~rv,ik ) (2.70) + − 3 5 2 r r v,ik v,ik i k. E para o outro nanoelemento:. ETq =. X Aq X X Kq X z 2 ~ q [1 − m ˆ · m ˆ ] − (m ) − H · M m ~ q,l q,l q,l q,l s d2 l s 2 l l   ~ q,l · m ˆ v,k 3[m ~ q,l · (ˆ nv,ik + rˆvq )][m ˆ v,ik · (ˆ nv,ik + rˆvq )] Msq Msv X X X m − + 3 2 |ˆ n + r ˆ | |ˆ nv,ik + rˆvq |5 v,ik vq i k l ( ) (Msq )2 X X m ˆ q,l · m ˆ q,s (m ˆ q,l · ~rq,ls )(m ˆ q,s · ~rq,ls ) + (2.71) − 3 5 2 r r q,ls q,ls s l. As equa¸co˜es 2.70 e 2.71 representam a energia total, incluindo a energia magnetost´atica entre os dois nanoelementos admitindo que eles possuam as mesmas espessuras, como a mesma c´elula de simula¸c˜ao. Para mudarmos isso, basta associarmos v e q ao seu respectivo parˆametro d nas equa¸ca˜o acima.. 2.9. Parˆ ametros dos Materiais Magn´ eticos. Nessa disserta¸ca˜o, trabalharemos especificamente com o elemento Ferro (F e). Os parˆametros magn´eticos do material est˜ao listados na tabela 2.6 [25, 26].. Figura 2.6: Tabela de parˆametros do ferro. Figura baseada na referˆencia [3].. 24.

(38) 2.10. M´ etodo Autoconsistente. O m´etodo num´erico utilizado neste trabalho, tem como objetivo apresentar estruturas de equil´ıbrio para determinadas nanoestruturas (cil´ındros e elipsoides de F e) de acordo com as energias anteriormente discutidas, associadas a equa¸c˜ao do torque: ~ dM ~ ×H ~ ef f = −γ M (2.72) dt O equil´ıbrio acontece quando os momentos magn´eticos apontam na dire¸ca˜o do campo efetivo, de modo que a taxa de varia¸c˜ao da magnetiza¸ca˜o com rela¸ca˜o ao tempo seja nula. O m´etodo autoconsistente utilizado ´e descrito de forma simplificada [2, 3], abaixo: 1. Inicialize o sistema com uma configura¸ca˜o magn´etica previamente escolhida. 2. Calcule o campo efetivo local sobre cada c´elula. 3. Compare o valor calculado para a configura¸ca˜o magn´etica obtida pela equa¸c˜ao do torque em rela¸c˜ao a uma tolerˆancia. 4. Se o torque for menor ou igual a tolerˆancia, ent˜ao aceite a configura¸c˜ao. 5. Se o torque for maior do que a tolerˆancia, ent˜ao os momentos s˜ao alinhados com o campo efetivo local. Ent˜ao retorne ao passo 2. 6. O c´alculo ´e repetido at´e que o torque seja inferior a tolerˆancia ou at´e que o n´ umero de intera¸co˜es chegue ao seu limite preestabelecido.. 25.

Referências

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