1072 Arq Neu ro p siq u iat r 2003;61(4)
6. Gusmão S, Silveira RL, Cabral Filho G, Arantes A. Relações do osso parietal com a face súpero-lateral do cérebro: aplicações na localização das lesões cerebrais. J Bras Neurocirurg 2000;11:53-56.
7. Gusmão S, Silveira RL, Cabral G, Arantes A. Topografia craniencefálica: aplicações neurocirúrgicas. Arq Bras Neurocirug 1998;17:59-71. 8. Ribas CG. Estudo das relações topográficas das suturas lambdóide,
o ccipito mastó idea e parieto mastó idea co m o s seio s transverso e sigmóide, e de trepanações da região. Tese (Doutorado), Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo. São Paulo, 1991
Guilherme Carvalhal Ribas
Dout or em M edicina (Neurologia) pela Universidade de São Paulo (USP), Neurocirurgião Coordenador do Set or de Neuroanat omia Aplicada da Disciplina de Topograf ia Est rut ural Humana do Depart ament o de Cirurgia da Faculdade de M edicina da USP.
Respost a do Aut or
Pela p resen t e resp o n -d em os aos com entários -d o Prof. Guilherm e Carvalhal Rib as referen t es ao art ig o “Po n t o s referen cias n o s acessos cranianos”. O com entário fundam ental pren-d e-se ao fat o pren-d e alg u n s pren-d o s p o n t o s pren-d escrit o s n ão est arem ju st ificad o s p o r referên cias b ib lio g ráficas. Na In t ro d u ção d o art ig o an u n ciam o s q u e “O o b jet i-vo d o p resen t e t rab alh o é sist em at izar o s p o n t o s referenciais nos acessos cranianos”. Assim , nosso ob -jetivo foi d e sistem atizar, ord enar p ontos referenciais u sad o s n a p rát ica d iária d o n eu ro ciru rg ião d u ran t e as cran io t o m ias. Não se t rat a, p o rt an t o , d e t rab alh o m o rfo m ét rico n em d e revisão d a lit erat u ra. En t re-t an re-t o , p ara sisre-t em are-t izar o s referid o s p o n re-t o s, b asea-m o s easea-m n o sso s t rab alh o s asea-m o rfo asea-m ét rico s realizad o s e m ca d á ve r e s e p u b lica d o s n o s Ar q u ivo s d e Neu ro p siq u ia t ria , em t ra b a lh o d a lit era t u ra e em n o ssa p rát ica n eu ro cirú rg ica.Os n o ve p o n t o s (d en t re o s 22 d escrit o s) e n ão ju st ificad o s p o r referên cia são p o n t o s q u e u sam o s d ia ria m en t e em n o ssa p rá t ica n eu ro cirú rg ica , d a m esm a fo rm a q u e o s d em ais n eu ro ciru rg iõ es. Est es
p o n t o s são d e co n h ecim en t o e u so g eral, rep resen -t ad o s ro -t in eiram en -t e em ilu s-t raçõ es d e livro s -t ex-t o , m as so b re o s q u ais n ão fo ram p u b licad o s q u alq u er est u d o m o rfo m ét rico . Po rt a n t o , n ã o p o d ería m o s valid á-lo s p o r m eio d e referên cia b ib lio g ráfica esp e-cífica. Co n co rd am o s co m o co m en t arist a q u e t eria sid o m ais ap ro p riad o e p reciso in fo rm ar q u e est es p o n t o s são d e co n h ecim en t o clássico e d e u so ro t i-n eiro i-n a p rát ica i-n eu ro cirú rg ica ap esar d e i-n ão t erem sid o su b m et id o s a est u d o m o rfo m ét rico .
O Professor Carvalhal Ribas com enta especialm en-t e o s p o n en-t o s d escrien-t o s n o en-t rab alh o co m o “Po n en-t o d e ju n ção d o s su lco s fro n t al su p erio r e p ré-cen t ral” e “Po n t o in t rap ariet al”. A id en t ificação d o “Po n t o d e ju n ção d o s su lco s fro n t al su p erio r e p ré-cen t ral” é o b t id a a p art ir d as m ed id as, p o r n ó s realizad as, d a d ist ân cia en t re a su t u ra co ro n ária e o su lco p récen t ral e en t re o b reg m a e a in t erseção d a su t u ra co ro -n ária co m o su lco fro -n t al su p erio r (Gu sm ão et al. Relaçõ es d a su t u ra co ro n ária co m o s su lco s d a face súpero-lateral do lobo frontal: aplicações neurocirúr-gicas. Arq Neuropsiquiatr 59: 570 - 576, 2001). Quant o ao “Po n Quant o In Quant rap arieQuant al”, é u sad o d e fo rm a em -p írica em n o sso serviço -p ara ab o rd ag em d o át rio ven t ricu lar, em b o ra (co m o em o u t ro s p o n t o s) n ão exist a est u d o m o rfo m ét rico so b re o m esm o .
Os p ontos ap ontad os p elo Professor Carvalhal Ri-b as e u sad o s d e fo rm a em p írica n a p rát ica n eu ro ci-rú rg ica carecem ain d a d e est u d o m o rfo m ét rico p re-ciso. Os trab alhos p rojetad os p elo referid o Professor d everão cu m p rir t al o b jet ivo , co m o o fizeram em relação ao s p o n t o s d e acesso à fo ssa p o st erio r, est u -d a-d o s em su a t ese -d e -d o u t o ra-d o , e cu jo t rab alh o co n st it u i referên cia b ásica em t o p o g rafia cran io en -cefálica e n o s in sp iraram a est u d ar o assu n t o .
Sebast ião Gusmão
COM PLICAÇÃO DE DERIVAÇÃO VENTRÍCULO-PERITONEAL:
HÉRNIA INGUINAL COM M IGRAÇÃO DO CATETER PARA O SACO ESCROTAL
Senhor Edit or
- O relat o d e caso d en o m in ad o “Co m p lica çã o d e d eriva çã o ven t rícu lo -p erit o n ea l: hérnia ing uinal com m ig ração d o cateter p ara o saco escrotal”, de José Gilberto de Brito Henriques, Andréa Silva Pin h o e Gerald o Pian et t i, p u b licad o n o vo lu m e 61, n ú m ero 2-B, d e ju n h o d e 2003, n as p ág in as 486 a 489, m erece alg u m as co n sid eraçõ es:1. A h id ro cele e a h érn ia in g u in al são co m p licaçõ e s co m u n s a sso cia d a s à d e riva çã o ve n t rícu lo
-p erit o n eal (DVP) e a fisio -p at o lo g ia fo i m u it o b em d iscu t id a n o p resen t e art ig o ;
2. O d iferen cial d est e relat o fo i a co n st at ação d a m ig ra çã o d o ca t et er d ist a l p a ra d en t ro d a b o lsa escro t al;
3. Assim , o esp erad o é q u e o s au t o res d iscu t is-sem a fisio p at o lo g ia d a o co rrên cia d o even t o “ mi-gração do cat et er para o saco escrot al”;
Arq Neu ro p siq u iat r 2003;61(4) 1073
5. No ca so d escrit o , a resp o st a d a p ro vá vel ra zã o d a m ig ra çã o d o ca t et er d ist a l d a DVP p a ra d en -t ro d o sa co escro -t a l es-t á n a fig u ra 3, d o p ró p rio a rt ig o , q u e a p resen t a o s ra io sX sim p les d e a b d o m e co m o ca t et er a n o rm a lm en t e e d esn ecessa ria -m en t e -m u it o lo n g o .
6. A co m p ro vação d e q u e o t am an h o d o cat et er est á exag erad o p o d e ser visu alizad o n a fig u ra 4, d o p ró p rio art ig o , o n d e se p erceb e o cat et er co m g ran -d e n ú m ero -d e vo lt as.
7. É im p o rt an t e q u e est e relat o d e caso seja re-d iscu t ire-d o n o seu asp ect o m ais essen cial q u e é a m i-g ração d o cat et er. É p reciso q u e, ao se realizar u m a DVP, o n eu ro ciru rg ião est eja co n scien t e d e q u e o co m p rim en t o m u it o lo n g o d o cat et er d ist al p ro p o r-cio n ará p o ssib ilid ad es m aio res d e co m p licaçõ es, es-p ecia lm en t e a s rela cio n a d a s co m m ig ra çõ es es-p a ra t ra t o g a st ro in t est in a l, p a red e a b d o m in a l, b exig a , m ed iast in o , vag in a, t ó rax, en t re o u t ro s1-5.
A ju st ificat iva p ara se o p t ar p o r u m cat et er d ist al lo n g o é d e q u e, n a m aio ria d as vezes, a DVP é u t ili-zad a em crian ças m u it o p eq u en as, co m m eses d e vid a. Co m o crescim en t o n o rm al d a crian ça, o cat e-t er co m d im en sõ es ad eq u ad as p ara o b eb ê, e-t o rn ar-se-ia cu rt o , sen d o n ecessária su a su b st it u ição p o r u m m ais lo n g o . Assim , p ara evit ar u m a revisão d o sist em a d e DVP ao s t rês o u q u at ro an o s d e id ad e, a op ção p elo cateter long o traria b enefícios. Entretan-t o , o s m o vim en Entretan-t o s p erisEntretan-t álEntretan-t ico s d o Entretan-t raEntretan-t o in Entretan-t esEntretan-t in al e o p ro cesso vag in al p at en t e (d e o co rrên cia em cerca d e 80% d o s lacten tes1, det erminam que a opção por
cat et er muit o longo, f acilit a o desenvolviment o de complicações por migração.
REFERÊNCIAS
1. Oktem IS, Akdemir H, Koç C, et al. Migration of abdominal catheter of ventriculoperitoneal shunt into the scrotum. Acta Neurochir (Wien) 1998;140:167-170.
2. Pianetti G Filho, Cabral G, Fonseca LF, Val JAC Filho. Perfuração vagi-nal co mo co mplicação d e d erivação ventrículo -perito neal. A rq Neuropsiquiatr 1991;49:362-364.
3. Calvário JS, Paglioli E Neto. Hydrocele follow ing placement of a ventriculoperitoneal shunt: case report. Arq Neurpsiquiatr 1990;48:113-115. 4. Tuli S, Drake J, Lawless J, Wigg M, Lamberti-Pasculli M. Risk factors for repeated cerebrospinal shunt failures in pediatric patients w ith hydrocephalus. J Neurosurg 2000;92:31-38.
5. Tuli S, O’Hayon B, Drake J, Clarke M, Kestle J. Change in ventricular size and effect of ventricular catheter placement in pediatric patients with shunted hydrocephalus. Neurosurgery 1999;45:1329-1333.
Vicent e José Assencio-Ferreira
Dout or em M edicina (Neurologia) pela Universidade de São Paulo (USP), Prof essor Assist ent e Dout or da Universidade de Taubat é (UNITAU)
Respost a do Aut or
- At en d en d o à su a so licit a çã o d e resp o slicit a à ca rlicit a d o Pro fesso r Assen cio -Ferreira, p o n d eram o s o s seg u in t es p o n t o s.1 . In d e p e n d e n t e d e q u a lq u e r o u t ro fa t o r, a p at ên cia d o p ro cesso vag in al – co m o u sem a o co r-rên cia d e h érn ia in g u in al o u h id ro cele – é co n d ição sine qua non p ara a o co rrên cia d a m ig ração d o ca-t eca-t er ab d o m in al d a DVP p ara a b o lsa escro ca-t al.
2. Alg u n s o u t ro s fat o res já fo ram asso ciad o s à m ig ração d o cat et er p ara d iverso s lo cais d en t ro o u at ravés d a cavid ad e ab d o m in al p o rém falt am -lh es ain d a co m p ro vação p rát ica e cien t ífica.
3. O t am an h o d o cat et er ab d o m in al é u m d o s fatores relacionad os p or alguns autores (citad os p elo Pro fesso r Assen cio -Ferreira e em n o ssa revisão b ib li-o g ráfica) q u e já fli-o ram relacili-o n ad li-o s à m ig raçãli-o d li-o cat et er ab d o m in al. En t ret an t o , em nenhum t rab a-lh o revist o n a lit erat u ra vig en t e h á co m p ro vação ci-en t ífica d est a relação d e cau sa-efeit o . O q u e o co rre é ap en as o levan t am en t o d e u m a h ip ó t ese.
4. Em relação ao co m en t ário d o Pro fesso r so b re a m aio r p o ssib ilid ad e d e co m p licaçõ es co m o “co m -p rim en t o m u it o lo n g o d o cat et er d ist al” -p en sam o s q u e in d ep en d en d o d a o p ção p o r u m cat et er “cu rt o ” o u “lo n g o ” é p o u co p ro vável q u e em u m recém -n ascid o o u em u m lact e-n t e esco lh a-se u m co m p ri-m en t o ri-m ín iri-m o q u e n ão seja p o ssível at in g ir a b o lsa escro t al d o p acien t e. Acrescen t an d o a est e, o fat o d e q u e ap ro xim ad am en t e 80% d o s lact en t es p o ssu -em p elo m en o s u m p ro cesso vag in al p at en t e, a in ci-d ên cia ci-d e m ig ra çã o ci-d o ca t et er a b ci-d o m in a l p a ra a b o lsa escro t al é m u it o p eq u en a p ara ser asso ciad a a seu co m p rim en t o .
5. Por isso, o com prim ento do cateter ainda varia com a escolha pessoal do cirurgião, pesando-lhe o bom senso e a experiência.
O co m p rim en t o d o cat et er d ist al d a DVP n ão fo i co m p ro vad o co m o cau sa d e su a m ig ração o u p erfu -ração d e vísceras.
Agradecem os a apreciação do Professor Assencio-Ferreira e co lo cam o -n o s à d isp o sição .
José Gilbert o de Brit o Henriques Geraldo Pianet t i Filho