Revista Eletrônica de Biologia Revista Eletrônica de Biologia Revista Eletrônica de Biologia Revista Eletrônica de Biologia
REB Volume 4 (1): 34-61, 2011 ISSN 1983-7682
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Ecologia da Ictiofauna do Rio das Corujas em Tapiraí (São Paulo, Brasil).
Ichthyofauna Ecology of the River of Corujas in Tapiraí (São Paulo, Brasil).
Érika Moraes Cerioni 1; Walter Barrella2.
1Graduação em Ciências Biológicas; 2 Departamento de Ciências do Ambiente.
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC-SP, Campus Sorocaba, SP.
e-mail contato: [email protected]
Resumo
Neste projeto foi realizado um estudo das espécies de peixes (ictiofauna) encontradas no Rio das Corujas que se localiza na Serra de Paranapiacaba no município de Tapiraí/SP (24°33’45”S e 47°35’74” W). Foram realizadas seis coletas nos meses de setembro e novembro de 2007 e fevereiro, março, junho e julho de 2008. As coletas se efetuaram em quatro pontos, escolhidos conforme variação altitudinal ao longo do rio, onde foram encontradas 18 espécies com um total de 1463 indivíduos com maior abundância da espécie Kronichthys sp., coletadas com o maior número possível de métodos de captura tais como: peneira, tarrafa, puçá e covo. Logo após a coleta os peixes capturados foram fixados em formol a 10% e levados para o Laboratório de Ecossistemas Aquáticos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, (PUC – SP/Sorocaba), onde foram conservados em álcool 70% e identificados com chaves dicotômicas até a menor categoria taxonômica possível. Nos locais das coletas, foram realizadas análises físico-químicas da água com kits de análises de águas, fornecido pelo laboratório de Ecossistemas Aquáticos (PUC – SP/Sorocaba).
Palavras-chaves: ecossistema, ictiofauna, peixes de riacho.
Abstract
In this project, a study was conducted on fish species (Ichthyofauna) located on the Corujas River which is located in the city of Tapiraí, Serra de Paranapiacaba / SP (24 ° 33'45 "S and 47 ° 35'74" W). There were performed six collections, in the months of September and November 2007 and February, March, June and July 2008. The collections were performed on four points, chosen by altitudinal variation along the river, where 18 species were found with a total of 1463 subjects with greater abundance of species Kronichthys sp., collected with the largest possible number of methods to capture such as: sieve, flue, puçá and pots. Soon after the collection, the fish caught were fixed in formalin 10%, headed to the Laboratory of Aquatic
Ecosystems of the Pontifical Catholic University of São Paulo (PUC - SP / Sorocaba), preserved in alcohol 70% and identified with dichotomous keys to the lowest possible taxonomic category. In the local collections, physical-chemical analyses of water were made with kits for analyses of the water, supplied by the laboratory of Aquatic Ecosystems (PUC - SP / Sorocaba).
Keys Words: ecosystem, ichthyofauna, fish-stream.
1. Introdução
Os peixes são vertebrados aquáticos por excelência, constituem o grupo mais importante e fundamental componente da biota aquática (BRANCO, 1978). No Brasil é apresentado uma grande fauna de peixes, sendo cerca de 85% de espécies de água doce, considerando-se a mais rica diversidade morfológica e adaptativa do mundo. Apesar de parte da diversidade desses peixes já conhecida, é surpreendente que ainda existam muitos ambientes poucos explorados em alguns estados, como no Estado de São Paulo (CASATTI; LANGEANI; CASTRO, 2001).
O Estado de São Paulo é entrecortado por vários rios e riachos denominados de ambientes lóticos, que são caracterizados por um fluxo d’água forte e unidirecional. Nestes ambientes lóticos o fluxo, os processos de erosão e deposição e o substrato são dominantes. Pelo fato de um rio ser um sistema aberto, com fluxo contínuo de fonte a foz, algumas características se alteram ao longo do seu curso, as quais, por sua vez, exercem forte influência sobre a composição das comunidades. (FERREIRA; CASATTI, 2006a; SCHÄFER, 1985; SMITH; BARRELLA, 2000).
Dentre os diferentes sistemas fluviais que comportam a referida diversidade de espécies, destacam-se os riachos costeiros da Serra do Mar dentro da Mata Atlântica, que formam um corredor de aproximadamente 3000 km ao longo da costa leste do Brasil, sendo um importante patrimônio ictiofauístico (REZENDE; MAZZONI, 2003; VARI; MALABARBA, 1998).
Atributos ecomorfológicos são necessários para verificar semelhanças morfológicas e possíveis competições entre as espécies de peixes, bem como verificar os padrões de adaptações, hábitos ou especializações para ocupação do nicho ecológico existente (PIORSKI et al., 2005).
A disponibilidade hídrica é responsável pela “fisionomia” dos ecossistemas, diversificando profundamente as paisagens, assim como estabelecendo distintas formas de ocupação e de relacionamento entre espécies que compõe um ambiente, em particular os ambientes aquáticos (BRANCO, 2002; OLIVEIRA, 2003). Qualquer atividade humana que degrade esta fisionomia do sistema, interfere na qualidade do recurso aquático.
Durante muito tempo os esforços para a manutenção da qualidade dos recursos hídricos ficaram restritos à manutenção da qualidade da água, sem considerar a estrutura do hábitat e os organismos que ali vivem, que são tão importantes quanto a qualidade da água. (BEGON; HARPER; TOWNSEND, 1996; CETRA, 2003). As abordagens mais recentes de avaliação da qualidade da água empregam descritores físicos e químicos da água e informações sobre a biota aquática em diferentes níveis de organização. Além disso, a estrutura física do hábitat também deve ser considerada na avaliação da qualidade desses ecossistemas, pois influenciam na estrutura e composição das comunidades biológicas, notavelmente peixes (FERREIRA; CASATTI, 2006b).
Espécies novas no estudo dos padrões das comunidades de peixes podem ser descobertas principalmente nos ambientes de riachos de cabeceiras, em áreas de difícil acesso e altas altitudes e ainda pouco alteradas pela ação humana, podem estar sofrendo alterações na sua fisionomia ou até mesmo em seu hábitat.
2. Objetivo
Este trabalho busca desenvolver um estudo da composição de peixes, nos ambiente lóticos do Rio das Corujas, na Serra de Paranapiacaba, no município de Tapiraí, Estado de São Paulo. Por sua vez, fazer um levantamento das espécies predominantes na área, verificando a variação altitudinal, espacial/temporal e ecomorfologia das espécies encontradas.
Fazer uma comparação das características físico-químicas encontradas nos ambientes aquáticos e relacioná-las com a ecomorfologia dos peixes.
3. Descrição da Área
Protegida naturalmente pelo seu relevo de difícil acesso, a Serra de Paranapiacaba, nessa porção do Estado, abriga uma das áreas mais preservadas da Mata Atlântica do Estado e da região Centro-Sul brasileira, sendo responsável pela grande diversidade de espécies vegetais e animais ali encontrados, notadamente as que são peculiares somente a essa região e aquelas ameaçadas de extinção, como a onça-pintada e o mono-carvoeiro.
O Vale do Rio Ribeira de Iguape está localizado na Serra do Mar e de Paranapiacaba, possuindo bacias dos Rios Juquiá, Turvo, Jacupiranga, Pilões, Betari entre inúmeros outros de menor porte. As altitudes variam nas partes baixos em torno dos 100 m a 200 m, mas atinge até 1100 m nos setores mais altos, prevalecendo nos setores elevados, altitudes entre 700/900 m com vales muito entalhados e vertentes com inclinação que chega a 70/80% (ROSS, 2002).
A Serra de Paranapiacaba ganha relevância como corredor de ligação das faunas e flora sob influência temperada, do sul, com aquela de predominância tropical, proveniente do norte do Estado, unindo estes dois comportamentos distintos da Mata Atlântica de encosta. A formação geológica do terreno, o clima e a vegetação determinam os tipos de ambiente e dos organismos que aí se desenvolvem. A grande quantidade de chuvas que cai da Serra de Paranapiacaba propicia a formação de nascentes, córrego e riachos que drenam a área superior da bacia, juntando-se na planície para a formação de rio principal, tortuoso e cheio de meandros, que carrega grande quantidade de material vegetal e detritos orgânicos oriundos da rica vegetação existente na região (SÃO PAULO, 1992).
O relevo é montanhoso, com declividade acima de 15% correspondendo às porções de cabeceiras, e seu clima que engloba toda Bacia do Ribeira de Iguape pode ser classificado como tropical úmido, com ligeira variação entre a Zona Costeira e o Alto da Serra de Paranapiacaba, com alto nível pluviométrico (BARRELLA, 2001). As formações vegetais predominantes nas áreas mais elevadas e frias, encontram-se as florestas ambrófitas mistas, todas estas formações são conhecidas como floresta de Mata Atlântica (CÂMARA, 1991).
O elevado grau de preservação, a presença de flora e fauna diversificadas e o exuberante conjunto paisagístico natural fazem com que a proteção e o manejo adequado de recursos naturais da região sejam metas prioritárias para as autoridades de planejamento e fiscalização ambiental (BRITO et al., 1999). As maiores reservas da Mata Atlântica do Brasil estão localizadas nessa área (DAEE, 1998).
O Rio das Corujas (Figura 1) está localizado no município de Tapiraí que está localizada a cerca de 160 km da capital de São Paulo. Com 8500 habitantes, tem em seu relevo acidentado, inúmeras paisagens naturais que propiciam passeios, a descontração e a prática de esportes. Tendo 80% de seus 757 km² tombados como Área de Proteção Ambiental - APA, também declarada Reserva da Biosfera em 1992, pela UNESCO, Tapiraí ainda possui Selos Turísticos oferecidos pela EMBRATUR -Instituto Brasileiro de Turismo e pela SET- Secretaria de Estado de Esportes e Turismo. Tapiraí foi reconhecido como Município com Potencial Turístico, Prioritário para o Desenvolvimento do Turismo e também Engajado no Programa de Melhoria da Qualidade do Produto Turístico Nacional, a cidade de Tapiraí esta localizada a uma latitude de 24°33’45”S e longitude 47°35’74” W.
Na zona serrana da Bacia do Ribeira de Iguape há um conjunto de inúmeros riachos e pequenos rios que abrigam muitas espécies de peixes com distribuição restrita e adaptadas às condições ambientais locais, típicas nos diferentes trechos ou altitude. Esta variação de composição de espécies ao longo do gradiente altitudinal é definida por processos de adição e substituição de espécies, cuja situação é típica em ambientes serranos. (CARAMASCHI, 1999; SILVA, 1999).
O Rio das Corujas que está localizado na Serra de Paranapiacaba, desagua no Rio Açungui onde sua foz está localizada junto com a foz do Rio Juquiá-Açu e os dois desembocam no rio Juquiá, assim fazendo parte do Vale do Ribeira de Iguape.
Figura 1 – IBGE – Superintendência de Cartografia escala de 1:50.000 foz do Rio Açungui – SP, 2007.
24º00’
7328
7326
Figura 2 – Mapa de satélite demonstrando os quatro pontos de coleta ao longo do Rio das Corujas – Google Earth, 2008.
4. Materiais e Métodos
Para as coletas de peixes do riacho estão sendo utilizados o maior número possível de métodos de captura, o que permitirá a captura de maior número de espécies nos diferentes biótipos (velocidade de corrente), mantendo sempre o mesmo esforço amostral para cada ponto de coleta (MALABARBA;
REIS, 1987; MARTINS, 2003).
Os materiais utilizados nas captura dos peixes para o levantamento ictiofaunístico: peneiras, tarrafa, puçá e covo (UIEDA; CASTRO, 1999; UIEDA;
UIEDA, 2001).
Peneira e puçá são empregados para coletar pequenos peixes junto à vegetação densa ou nas margens sendo mais eficientes quando o coletor pode entrar dentro d’água, eles são compostos de armação metálica, retangular ou
JUQUIÁ
TAPIRAÍ
JUQUIÁ
SP 79
TAPIRAÍ
24º07’05’’S 47º37’31’’W 24º03’50’’S
47º35’42’’W 24º01’47’’S 47º34’29’’W
24º01’43’’S 47º33’56’’W
circular, com tela de nylon. Os puçás de 60 x 30 são dotados de cabo longo, as peneiras são retangulares de 80 x 60 cm (UIEDA, 1995). As tarrafas são muito eficientes para coleta de peixes de fundo com baixa atividade natatória. Redes cônicas, com chumbo em toda a margem e uma corda peso no centro. Os covos são armadilhas confeccionadas nas mais variada formas (cilindro, retângulo) e com os mais variados materiais (arame, malha de rede, acrílico).
Geralmente um covo é instalado junto ao fundo, com a boca voltada para jusante, em áreas marginais ou em locais de passagem de peixes. O tamanho do covo e a isca empregada variam de acordo com o peixe que se quer capturar (MALABARBA; REIS, 1987), sendo mais efetivo para coleta de espécies que forrageiam ativamente, próximas ao fundo ou à vegetação marginal.
Todos os indivíduos que foram coletados estão sendo colocados em sacos plásticos etiquetados com informações da coleta (método utilizado, data, local e coletor) fixado em solução de formol 10% e posteriormente preservados em álcool 70%. A identificação das espécies e a sua ecomorfologia (medidas) estão sendo realizadas no Laboratório de Ecossistemas Aquáticos da Faculdade de Ciências Biológicas, PUC- SP – Sorocaba, através de chaves de identificação: Peixes de água doce do Estado de São Paulo (BRISTISK, 1972) e do catalogo de espécies da Bacia do Ribeira de Iguape (OYAKAWA et al., 2006).
De acordo com Barrella (1997) a diversidade de peixes está ligada diretamente aos parâmetros físico-químicos da água, por esse motivo as medidas desses fatores se fazem necessárias para uma análise entre diversidade e meios abióticos.
Para as análises físico-químicas em cada coleta e em todos os pontos, está sendo obtida a temperatura da água e do ar, através do termômetro de mercúrio e a umidade relativa do ar com o termômetro especializado (higrômetro). A largura e a profundidade do riacho está sendo medida através de uma trena e corda peso (corda com um peso na ponta para obter a profundidade) e a velocidade da corrente medida através do tempo gasto no deslocamento de um objeto flutuante (garrafa pet) em um trecho com distância conhecida (MACEDO, 2001).
A leitura do pH da água está sendo realizada através de fitas reativas próprias, no próprio local da coleta e a primeira etapa da reação, para determinar o oxigênio dissolvido, onde estão sendo separados aproximadamente 300 ml da amostra da coleta em um recipiente de vidro apropriado, na qual se adicionará 2 ml de sulfato manganoso e 2 ml de azída e terá continuidade junto a análises de dureza, condutividade e turbidez (medida da dificuldade de um feixe de luz atravessar certa quantidade de água) (FERNICOLA; AZEVEDO, 1981; MACEDO, 2001), no Laboratório de Análises de Água da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, (PUC – SP/Sorocaba).
Foram utilizados para as análises dos dados os índices de diversidade de Shannon e de Simpson. A utilização dos índices de diversidade tem se tornado muito popular devido à facilidade de serem obtidos e à praticidade de serem interpretados (KREBS, 1989; MARGALEF, 1991). O objetivo de analisar as medidas de diversidade é tentar avaliar o grau de ordem (ou desordem) de um sistema, e foram utilizada uma analise de agrupamento hierárquico aglomerativo (“claster”) na matriz de presença das espécies de peixes nas diferentes estações de coleta para agrupar aquelas que apresentaram as composições das faunas mais parecidas sendo porcentagem de semelhança e método de ligação Word (BARRELLA, 1989; VIEIRA, 2000).
Índice de Shannon:
H’ = - Σ pi. log pi
Sendo que pi = ni/N, onde: (H) índice de diversidade Shannon Weaver; (ni) número de indivíduos por espécies e (N) número de indivíduos.
Índice de Simpson:
D = Σ (ni (ni – 1))
(N ( N – 1))
Onde: (D) Índice de dominância de Simpson; (ni) número de indivíduos da espécie i; (N) número total de indivíduos na amostra e (1/D) índice de diversidade de Simpson.
Segundo alguns autores (BARRELLA et al., 1994; BEAUMORD, 1991;
SMITH, 1999) para a análise ecomorfológica deve-se utilizar espécies que apresentam mais de 10 indivíduos adultos representados na coleção.
Análise dos atributos ecomorfológicos dos peixes tem como objetivo analisar as semelhanças morfológicas, e possível competição entre espécies de peixes de nicho ecológicos existentes. As diferenças na sua ecomorfologia podem expressar as características dos peixes em relação ao seu hábitos e serem interpretadas como indicadores da ocupação de diferentes tipos de hábitats e possíveis adaptações para a sobrevivência nesses ambientes (BARRELLA, 1989; BARRELLA et al., 2004; BEAUMORD, 1991).
Nas medidas morfométricas dezenove formas serão medidas;
1. Comprimento padrão (CP): distância da ponta do focinho até o final do pedúnculo caudal).
2. Altura máxima do corpo (HMÁX): maior distância ventre-dorso, perpendicular ao eixo corpóreo).
3. Altura da linha média (HLM): distância do ventre até a linha que corta o corpo da boca à cauda).
4. Largura máxima (LMÁX): maior largura do corpo.
5. Comprimento do pedúnculo caudal (CPC): distância do final da nadadeira anal até o início da caudal.
6. Altura do pedúnculo caudal (HPC): distância dorso-ventral do pedúnculo caudal em seu ponto médio.
7. Largura do pedúnculo caudal (LPC): largura do pedúnculo caudal em seu ponto médio.
8. Comprimento da cabeça (Ccb): distância da ponta do focinho até o final do opérculo.
9. Altura da cabeça (Hcb): distância da parte ventral até o dorso da cabeça na região dos olhos.
10. Altura da boca (Hbo): maior distância entre os lábios, medido com a boca aberta, sem distender os músculos.
11. Largura da boca (Hbo-Bo): distância interna da boca quando totalmente aberta.
12. Orientação da boca (OrBo): tangente do ângulo formado pelos lábios da boca com a superfície dorsal do corpo.
13. Comprimento da nadadeira pitoral (CNP): comprimento total da nadadeira peitoral.
14. Comprimento da nadadeira caudal (CNC): distância entre o final do pedúnculo e a ponta da nadadeira caudal.
15. Largura máxima da nadadeira peitoral (LNP): maior distância perpendicular ao eixo longitudinal da nadadeira peitoral.
16. Largura máxima da nadadeira caudal (LNC): maior distância perpedicular ao eixo longitudinal da nadadeira caudal.
17. Área da nadadeira peitoral (ANP): na nadadeira serão aplicadas as fórmulas e medidas de áreas para figuras geométricas.
18. Área da nadadeira caudal (ANC): nas nadadeiras serão aplicadas as fórmulas e medidas de áreas para figuras geométricas.
19. Distância entre os olhos (OD): distância dos olhos tiradas da metade para o ventre.
Serão utilizados no cálculo dos doze atributos ecomorfológicos;
1. Índice de compressão: altura máxima do corpo/largura máxima.
IC = Hmáx/Lmáx
2. Altura relativa: altura máxima/comprimento padrão.
AR = Hmáx/CP
3. Comprimento relativo de pedúnculo caudal: comprimento do pedúnculo caudal/comprimento padrão.
CRPC = CPC/CP
4. Índice de compressão do pedúnculo caudal: altura do pedúnculo caudal/largura do pedúnculo caudal.
ICPC = HPC/LPC
5. Índice de achatamento ventral: altura da linha média/altura máxima.
IAV = Hlm/Hmáx
6. Área relativa da nadadeira peitoral: área nadadeira peitoral/comprimento padrão x altura máxima.
ARNP = [ANP/(CPxHmáx)]
7. Razão aspecto nadadeira peitoral: comprimento máximo da nadadeira peitoral/largura máxima da nadadeira peitoral.
RANP = CNP/LNP
8. Área relativa da nadadeira caudal: área da nadadeira caudal/comprimento padrão x altura máxima.
ARNC = [ANC/(CPxHmáx)]
9. Razão aspecto da nadadeira caudal: extensão máxima da nadadeira caudal/área da nadadeira caudal.
RANC = (CNC2/ANC)
10. Comprimento relativo da cabeça: comprimento da cabeça/comprimento padrão.
CRCB = CCb/CP
11. Largura relativa da boca: largura da boca/comprimento padrão.
LRBO = Lbo/CP
12. Porção relativa dos olhos: ângulo formado pela tangente das extremidades da boca totalmente aberta na proporção existente
da profundidade da cabeça, que ocorre abaixo da linha média, dos olhos, medida até a metade dos olhos.
PROL = OD/CP
5. Resultados e Discussão
O primeiro ponto escolhido está localizado a uma latitude 24º01’43”S e longitude 47º33’56”W e uma altitude de 696 metros, sua característica do ambiente e seu estado de preservação parcialmente desmatado com estrato de vegetação arbórea, arbustivo, herbácea e com uma altura média do dossel de 15 metros, textura do solo orgânica e com raízes sobressalentes e um sombreamento de 60%. O rio de água doce com substrato do leito com areia e muitos seixos, cascalhos, trocos e pedras com vegetação nas bordas do rio e bastante material orgânico na água com folhas de arvore e troncos (Figuras 3).
Figura 3– 1º Ponto da coleta do Rio das Corujas.
O segundo ponto é na cachoeira do Chá onde sua queda e de cerca de 30 metros, está localizada a uma latitude 24º 01’47”S e longitude 47º34’29”W e
uma altitude de 602 metros, característica do ambiente seu estado de preservação primitiva de Mata Atlântica, com estrato de vegetação arbórea, arbustivo, herbácea e com uma altura media do dossel de 40 metros, textura do solo orgânica e com raízes sobressalentes e um sombreamento de 85%. O rio de água doce com substrato do leito com areia e muitos seixos, trocos e pedras com vegetação nas bordas do rio e bastante material orgânico na água com folhas e troncos (Figuras 4).
Figura 4 – 2º Ponto da coleta do Rio das Corujas – Cachoeira do Chá.
O terceiro e o quarto pontos são pontos bem diferentes dos anteriores pois localizam-se ao lado da rodovia, com isso já estão bem alterados com pouca vegetação ao seu redor sendo ela traçada por plantações de banana e casas de moradia de uma vila com poucos habitantes.
O terceiro ponto está localizado a uma latitude 24º03’50”S e longitude 47º35’43”W e uma altitude de 431 metros descrevendo melhor característica do ambiente seu estado de preservação ao lago do rio está desmatado, pois há plantações de banana com uma altura media do dossel de 2,5 metros com
textura do solo orgânica e com raízes sobressalentes e um sombreamento de 20% e tanques para criação de peixes. O rio de água doce com substrato do leito arenoso com bastante abrigo nas bordas com vegetação de como capim e com trocos, possui pouca presença de cascalho e bastante material orgânico na água com folhas e troncos e não há saneamento básico na vila sendo assim todo resíduo orgânico da vila é descartado no rio (Figuras 5).
Figura 5 – 3º Ponto da coleta do Rio das Corujas.
O quarto ponto está localizado a uma latitude 24º07’05”S longitude 47º37’31”W e uma altitude de 120 metros (a altitude é maior por causa da imprecisão do GPS), descrevendo melhor característica do ambiente seu estado de preservação ao longo do rio é desmatado, pois há plantações de banana com altura media do dossel de 2,5 metros textura do solo com cascalho e um sombreamento de 20%. O rio de água doce, substrato do leito arenoso com bastante abrigo nas bordas e com poucos cascalhos, a vegetação é predominantemente de capim com trocos e bastante material orgânico. Não há saneamento básico na vila sedo assim todo resido orgânico da vila é descartado no rio (Figuras 6).
Figura 6 – 4º Ponto da coleta do Rio das Corujas.
Através da tabela 1, pode-se observar as variações que teve entre as coletas, sendo a primeira realizada num dia mais seco onde a profundidade máxima entre os pontos variam de 50 cm a 2 m e sua temperatura ambiente varia entre 17º C a 24ºC. A segunda coleta foi realizada num dia de chuva, onde a profundidade máxima entre os pontos variam de 80 cm a 3,6 m e a correnteza estava rápida em todos os pontos. A terceira coleta foi realizada num dia chuvoso, sendo que durante mais de uma semana ficou chovendo direto, o volume do rio subiu, a profundidade entre os pontos variaram entre 80 cm a 3 m, com a correnteza rápida a coleta não teve tanto sucesso, mas no dia da coleta estava quente e úmida, variando de 21ºC a 32ºC. A quarta coleta foi realizada num período quente e úmido, variando sua temperatura de 22°C a 26°C. O rio estava cheio chegando a sua profundidade mínima variando entre os pontos de 60 cm a 3,10 m. Na quinta coleta foi realizada num dia frio e chuvoso onde havia pontos de neblina, a temperatura estava baixa variando entre 16°C a 18°C, o rio apresentou um volume variando entre 60 cm a 3,5 m, com isso obtivemos dificuldade com os petrechos (rede de espera e peneira) entre os pontos. Na sexta coleta encontrou-se o rio mais baixo variando entre 05 cm a 2,1 m, podendo assim utilizar os petrechos e ter o maior sucesso entre todas as coletas.
Tabela 1 – Análise do físico-químico do ambiente das coletas realizadas no Rio das Corujas.
Set.
P1 Set.
P2 Set.
P3 Set.
P4 Nov
. P1 Nov.
P2 Nov
. P3 Nov.
P4 Fev . P1 Fev
. P2 Fev . P3 Fev
. P4 Mar P1 Mar
. P2 Mar.
P3 Mar.
P4 Jun.
P1 Jun . P2 Jun
. P3 Jun . P4 Jul.
P1 Jul.
P2 Jul.
P3 Jul.
P4 H’
Coleta 08:
30 10:
30 12:
30 14:
30 09:
00 10:3
0
12:3 0
14:0 0
09:
45 11:
30 13:
00 14:
30 10:
30 12:
30 13:3
0
15:0 0
09:
00 10:
40 12:
30 14:
00 09:
30 11:
00 13:
00 14:
20 T. ºC da
água 17 17 18 20 17 18 19 20 21 21 27 27 17 18 18 18 15 15 16 16 15 17 18 19 T. ºC
ambient e
17 22 22 24 17 19 23 23 21 23 32 32 22 23 24 26 16 16 18 18 17 20 23 23
Prof.
Mínima (m)
0,5 0
0,5 0
0,7 0
0,5 0
0,8 0
0,80 1,4 0,80 0,8 0
0,7 0
0,8 0
1,5 0,6 0
0,6 0
1,0 1,2 0,6 0
0,6 0
1,6 1,8 0,5 0
0,5 0
0,8 0
0,5 0 Prof.
Máxima (m)
0,5 0
2,2 1,2 5
2,0 1,2 3.6 1,6 1,5 1,3 3,0 1,5 2,5 0,8 0
3,0 2,8 3,1 0,8 0
3,5 2,8 3,0 0,7 0
2,1 1,5 1,5
Largura (m) 13,
0 16,
0 6,0 8,0 14,
0 16,0 6,0 8,0 14, 7 17,
0 6,0 8,0 14, 0 16,
0 6,0 8,0 15, 0 17,
0 6,0 8,0 13, 0 16,
0 6,0 8,0 Corrent
eza rápi da rápi
da mé dia mé
dia rápi da rápi
da rápi da rápi
da rápi da rápi
da rápi da rápi
da rápi da rápi
da rápi da rápi
da rápi da rápi
da rápi da rápi
da rápi da rápi
da mé dia mé
dia pH 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 OD
(ppm) 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11
NO2 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1
NO3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5
PO4 0 0,2
5 0,2
5 1,0 0,2
5 0,25 0,25 0,75 0,2 5 0,2
5 0,2 5 0,2
5 0,2 5 0,2
5 0,25 0,5 0,2 5 0,2
5 0,5 0,7 5 0,2
5 0,2 5 0,2
5 1,0
Com a análise química realizada nas coletas pode-se observar que os níveis de pH, OD, NO2, NO3 e PO4 não variaram conforme os gradientes altitudinais e até mesmo nos dois últimos pontos que possuem degradações da mata e falta de saneamento básico nas casas que descartam os resíduos no rio. O ambiente está saturado de oxigênio, com a concentração de 11 ppm resultado do intenso correnteza e da temperatura relativamente baixa, que varia 17 ºC a 27ºC. Nesse ambiente é encontrado principalmente peixes da ordem Siluriforme, como os cascudos e alguns peixes da Ordem Characiformes, como os lambaris e charutinho.
Tabela 2 – Quantidade de indivíduos por coleta.
Datas das Coletas
9/9/2007 17/11/2007 2/2/2008 30/3/2008 7/6/2008 4/7/2008 Total
Indivíduos 341 144 122 326 149 381 1463
Na tabela 2 podemos observar a quantidade de indivíduos coletados nas seis coletas ao longo Rio das Corujas nos quatro pontos determinados. A terceira e a quinta coleta que estava prevista para os meses de janeiro e maio, foram prorrogadas para os meses de fevereiro e junho, pois estava chovendo muito na região, com isso impedindo a realização das coletas. Mesmo assim pode-se observar na tabela que nos meses de fevereiro e junho a abundância de peixes é menor, pois a freqüência de chuva ainda persistia nos meses deixando o volume do rio elevando.
As espécies identificadas durante as coletas estão apresentadas na tabela 3, foram encontradas um total de 4 Ordens; sendo elas a primeira ordem Siluriforme que composta por 3 famílias, Loricariidae com 7 espécies, Heptapteridae com 2 espécies e Callichthyidae contendo somente 1 espécie; a segunda ordem Characiformes é composta por 3 famílias, Erythrinidae com 1 espécie, Crenuchidae com 2 espécies e Characidae com somente 1 espécie; a terceira ordem Perciformes contendo somente 1 família Cichlidae e com 3 espécies e na quarta ordem Cyprinodontiformes com somente 1 família Poeciliidae e contendo somente uma espécie.
Nesse estudo foram amostrados quatro pontos, locais onde foram capturados um total de 1463 indivíduos de 18 espécies de peixes em diferentes
altitudes (tabela 4). As coletas foram realizadas totalizando seis coletas em meses diferentes mostrando as espécies de peixes sazonalmente.
Erro! Vínculo não válido.
Figura 7 – Logaritmo natural da abundância [Log(N-1)], das espécies (whitaka plot) coletadas ao longo do Rio das Corujas.
As espécies identificadas durante as coletas estão descritas na tabela 3 e podemos observar as espécies com maior abundância na figura 7 onde nas seis coletas realizadas a maior abundância foi a espécie Kronichthys sp, a segunda Neoplecostomus ribeirensis e a terceira Astyanax ribeirae.
Tabela 3 – Espécies identificadas nas coletas realizadas no Rio das Corujas na Serra de Paranapiacaba.
Ordem Família Espécies Nome Popular 9/9/2007 17/11/2007 2/2/2008 30/3/2008 7/4/2008 6/7/2008
Siluriformes Loricariidae Kronichthys sp Mãe-do-anhá + + + + + +
Siluriformes Loricariidae Isbrueckerichys duseni Cascudinho + + + + + +
Siluriformes Loricariidae Harttia kronei Bituva + + + + + +
Siluriformes Loricariidae Neoplecostomus ribeirensis Cascudinho + + + + + +
Siluriformes Loricariidae Parotocinclus maculicauda Cascudinho + + + +
Siluriformes Loricariidae Rineloricaria sp Pito + +
Siluriformes Loricariidae Hisonotus leucofrenatus Cascudinho + +
Siluriformes Heptapteridae Rhamdia quelen Nhundiá +
Siluriformes Heptapteridae Chasmocranus lopezi Nhundiá-vareta +
Siluriformes Callichthyidae Scleromystax barbatus Andrezinho +
Characiformes Erythrinidae Hoplias malabaricus Traíra +
Characiformes Crenuchidae Characidium schubarti Charutinho +
Characiformes Crenuchidae Characidium pterotictum Charutinho + + +
Characiformes Characidae Astyanax ribeirae Lambari + + + + +
Perciformes Cichlidae Cichlasoma facetum Acará-peva + + +
Perciformes Cichlidae Geophagus brasiliensis Cará + +
Perciformes Cichlidae Crenicihla sp1 Joaninha +
Cyprinodontiformes Poeciliidae Phalloceros caudimaculatus Guaru + + + + + +
Tabela 4 – Variação espacial das espécies de peixes coletados no Rio das Corujas na Serra de Paranapiacaba, número de indivíduos por pontos.
Espécie Set .P1 Nov.
P1 Fev.
P1 Mar.
P1 Jun.
P1 Jul.
P1 Sub.
Total Set.
P2 Nov.
P2 Fev.
P2 Mar.
P2 Jun.
P2 Jul.
P2 Sub.
Total Set.
P3 Nov.
P3 Fev.
P3 Mar.
P3 Jul.
P3 Sub.
Total Set.
P4 Nov.
P4 Mar.
P4 Jun.
P4 Jul.
P4 Sub.
Total
Kronichthys sp 15 18 26 16 49 37 161 25 5 2 75 8 3 118 75 36 27 78 150 366 3 - 8 - 8 19
Neoplecostomus
ribeiresis 49 1 14 26 31 25 146 - 2 10 28 16 11 67 - - - - - 0 - - - - - 0
Astyanax
ribeirae - - - - - - 0 - - - - - - 0 1 1 - 1 2 5 40 8 24 9 25 106
Isbrueckerichys
duseni 20 10 8 9 8 2 57 11 5 5 10 8 11 50 - - - - - 0 - - - - - 0
Harttia kronei - - - 33 - - 33 12 3 19 - 14 21 69 - - - - - 0 - - - - - 0
Phalloceros
caudimaculatus - 2 4 2 6 6 20 5 - - 13 - - 18 3 36 7 1 4 51 6 1 - - 1 8
Parotocinculus
maculicauda - - - - - - 0 - - - - - - 0 21 2 - 2 21 46 18 3 - - 29 50
Hisonotus
leucofrenatus - - - - - - 0 - - - - - - 0 - - - - - 0 15 7 - - 9 31
Characidum
pterotitum - - - - - - 0 - - - - - - 0 - - - - - 0 7 1 - - 5 13
Cichlasoma
facetum - - - - - - 0 - - - - - - 0 - - - - 1 1 7 1 - - - 8
Geophagus
brasiliensis - - - - - - 0 - - - - - - 0 - - - - 1 1 4 - - - 2 6
Rineloricaria sp - - - - - - 0 - - - - - - 0 - - - - - 0 - 2 - - 1 3
Hoplias
malabaricus - - - - - - 0 - - - - - - 0 - - - - 3 3 - - - - - 0
Rhamdia quelen - - - - - - 0 - - - - - - 0 - - - - - 0 2 - - - - 2
Characidum
schubarti - - - - - - 0 - - - - - - 0 - - - - - 0 - - - - 2 2
Chasmocranus
lopezi - - - - - - 0 - - - - - - 0 - - - - - 0 1 - - - - 1
Crenicichla sp - - - - - - 0 - - - - - - 0 - - - - - 0 1 - - - - 1
Scleromystax
barbatus - - - - - - 0 - - - - - - 0 - - - - - 0 - - - - 1 1
Total 84 31 52 86 94 70 417 53 15 36 126 46 46 322 100 75 34 82 182 473 104 23 32 9 83 251
Altitudes de P1=696, P2=602, P3=431 e P4=120.
Tabela 5 – Variação temporal das espécies de peixes coletados no Rio das Corujas na Serra de Paranapiacaba, número total de indivíduos por épocas de coleta.
Espécie Sub.T otal Set.
Sub.T otal Nov.
Sub.T otal Fev.
Sub.T otal Mar.
Sub.T otal Jun.
Sub.T otal Jul.
Total
Kronichthys sp 118 59 55 177 57 198 664
Neoplecostomus
ribeiresis 49 3 24 54 47 36 213
Astyanax ribeirae 41 9 0 25 9 27 111
Isbrueckerichys
duseni 31 15 13 19 16 13 107
Harttia kronei 12 3 19 33 14 21 102
Phalloceros
caudimaculatus 14 39 11 16 6 11 97
Parotocinculus
maculicauda 39 5 - 2 - 50 96
Hisonotus
leucofrenatus 15 7 - - - 9 31
Characidum
pterotitum 7 1 - - - 5 13
Cichlasoma
facetum 7 1 - - - 1 9
Geophagus
brasiliensis 4 - - - - 3 7
Rineloricaria sp - 2 - - - 1 3
Hoplias
malabaricus - - - 3 3
Rhamdia quelen 2 - - - 2
Characidum
schubarti - - - 2 2
Chasmocranus
lopezi 1 - - - 1
Crenicichla sp 1 - - - 1
Scleromystax
barbatus - - - 1 1
Total 341 144 122 326 149 381 1463
Na figura 8 está demonstrando a relação entre o número de espécies e a altitude. Sendo que nos pontos com a altitude menor foram encontradas o menor número de espécies nesses locais o ambiente é mais raso o rio com pouca vegetação de borda e com muitos seixos, habitat para os peixes mais adaptados com correnteza e em locais de altitude. Os dois pontos com menor altitude já se encontram com maior número de espécies pois seu habitat é totalmente inverso tem maior número de habitat com vegetação de borda mais profundidade o solo é composto de areia e uma menor quantidade de sexos com isso as espécies tem uma maior adaptação.
Erro! Vínculo não válido.
Figura 8 – Número de espécies identificadas por altitude.
Erro! Vínculo não válido.
Figura 9 – Número de indivíduos coletados por altitude.
A figura 9 mostra o número de indivíduos coletados nos pontos, onde o primeiro e o terceiro ponto possuem valores aproximados da quantidade de indivíduos mesmo tendo a altitude e a quantidade de espécies bem distintas.
A figura 10 mostra a abundância das espécies coletadas no 1º ponto, sendo total de quatro espécies tendo sua maior abundância de Kronichthys sp., ocorreu na coleta do dia 30/03/08 e com menor abundância da espécie N.
ribeirensis na coleta que ocorreu no dia 17/11/07. Podemos observar dois padrões no gráfico onde o primeiro envolve as espécies Kronichthys sp. e P.
caudimaculatus, são espécies coletadas com as mesmas épocas onde o pico da coleta ocorreu no mês de março em um período de chuva e frio as duas
espécies se comportam da mesma maneira estão presentes nas mesmas épocas do ano. O segundo padrão envolve as outras duas espécies sendo elas N. ribeirensis e I. duseni mostram que elas tem o comportamento parecido pois os períodos de pico na coleta ocorreu no mês de novembro onde o ambiente se encontrava bem seco não havia chovido a dois meses na região o rio estava bem abaixo do seu nível normal, nas outras coletas as duas espécies tem o mesmo comportamento ocorrendo em meses iguais com quantidades de indivíduos parecidas.
Erro! Vínculo não válido.Figura 10 – Abundância de Espécies do 1º ponto, comparando com as coleta que ocorreram 09/09/07, 17/11/07, 02/02/08,
30/03/08, 07/06/08 e 04/07/08.
A figura 11 mostra a abundância das espécies coletadas no 2º ponto, sendo um total de cinco espécies tendo sua maior abundância de H. kronei na coleta que ocorreu no dia 30/03/08 e menor abundância das espécies Kronichthys, N. ribeirensis e P. caudimaculatus com períodos de coleta distinto.
As espécies coletadas tem padrão de variação temporal e se encontra dividido por períodos de seca e período de intensa chuvas na região, onde o comportamento das espécies se diferem entre si e entre os pontos de coleta.
As espécies I. duseni e P. caudimaculatus mantém o mesmo padrão de abundância comparando com o 1º ponto de coleta só diferem entre si que a I.
duseni é melhor adaptado em período de seca onde o ambiente se encontra bem quente que ocorreu na primeira, segunda e sesta coleta, já a P.
caudimaculatus é o oposto é mais abundante em espoca de chuvas que ocorreram na terceira e na quarta coleta.
A espécie H. kronei foi somente encontrada neste ponto e tem padrão de variação complexo, obteve picos de abundância nos dois períodos de seca e de chuva e não obtivemos nenhum individuo no mês de fevereiro (terceira coleta), onde foi o período de chuva mais intenso na região, no entanto no mês março onde o rio se encontrava em nível elevado e ainda chovia na região obtivemos o maior abundância desta espécie. As ultimas espécies Kronichthys e N. ribeirensis apresentaram padrões diferentes neste ponto com seus picos de abundância ocorreram em meses diferentes sendo que Kronichthys apresentou seu maior abundância na primeira coleta e logo após mantém o
mesmo padrão comparando com o 1º ponto e podemos observar uma maior adaptação em períodos de chuva, já a N. ribeirensis ocorre a mesma coisa com uma maior abundância em período diferente e após retorna ao mesmo padrão comparado com o 1º ponto.
Erro! Vínculo não válido.Figura 11 – Abundância de Espécies do 2º ponto, comparando com as coleta que ocorreram 09/09/07, 17/11/07, 02/02/08,
30/03/08, 07/06/08 e 04/07/08.
A figura 12 mostra a abundância das espécies coletadas no 3º ponto, onde não foram incluídas na figura (gráfico), as espécies que apresentaram número menor do que 5 indivíduos no seu total. Foram encontrados somente sete espécies tendo sua maior abundância de Kronichthys na coleta do dia 04/07/08 e menor abundância tendo somente um exemplar das espécies P. caudimaculatus, A. ribeirae, G. brasiliensis e C.
facetum em coletas distintas. As duas únicas espécies Kronichthys e P.
caudimaculatus, são as únicas que apareceram nos demais pontos, e podemos observar que obtiveram os mesmo comportamento neste espaço pois Kronichthys tem sua maior abundância na primeira e sesta coleta e um grade número de indivíduos as duas coletas ocorreram em épocas de calor na região não havendo chuva o rio se encontrava bem abaixo do seu nível normal como isso a coleta foi bem sucedida com os diversos petrechos, na quarta coleta que ocorreu no mês março também ouve uma grande quantidade de indivíduos pios estava chovendo muito na região mas no dia da coleta estava em um dia muito quente e sem chuva isso facilitou na coleta de todos os indivíduos, a P.
caudimaculatus manteve o meso comportamento tendo o maior abundancia em época de intensa chuvas.
As demais espécies P. maculicauda e A. ribeirae apresentam comportamento parecidos neste ponto, a P. maculicauda aparece com as suas maior abundância em época de seca na primeira e sesta coleta e A. ribeirae também tem uma adaptação melhor em época que o ambiente esteja mais quente.
Erro! Vínculo não válido.
Figura 12 - Abundância de Espécies do 3º ponto, comparando com as coleta que ocorreram 09/09/07, 17/11/07, 02/02/08, 30/03/08, 07/06/08 e 04/07/08.
A figura 13 mostra a abundância das espécies coletadas no 4º ponto, onde não foram incluídas na figura (gráfico), as espécies que apresentaram número menor do que 5 indivíduos no seu total. Foram encontradas 14 espécies tendo sua maior abundância de A. ribeirae na coleta do dia 30/03/08 e menor abundância e com ausência de varias espécies em determinadas coletas. No 4º ponto é o ponto de maior abundancia de espécies sendo ele o ponto de menor altitude entre os demais. As duas únicas espécies Kronichthys e P. caudimaculatus, são as únicas que apareceram nos demais pontos, e podemos observar que obtiveram os mesmo comportamento neste espaço e a P. maculicauda e A. ribeirae que ocorreram no 3º ponto manteve-se igual com abundância em épocas de seca e de grande calor onde mesmo que o rio estive-se com nível elevados e se o dia da coleta estiver quente podemos observar grade quantidade destes indivíduos. As demais espécies encontradas se comportam da mesma maneira tendo as maiores abundância na primeira e na sesta coleta e épocas quentes que facilita na coleta com os petrechos.
Erro! Vínculo não válido.Figura 13 - Abundância de Espécies do 4º ponto, comparando com as coleta que correram 09/09/07, 17/11/07, 02/02/08,
30/03/08, 07/06/08 e 04/07/08.
Os índice de Diversidade de Shannon e de Simpson estão dispostos em tabela com dados de cada coleta e de cada ponto. A coleta do dia 09 setembro de 2007, pode concluir que o primeiro, segundo e terceiro ponto, tem uma quantidade grande de indivíduos e poucas espécies, já no quarto ponto, uma quantidade maior de diversidade de espécies com menos quantidade comparado com os outros demais ponto.
A coleta do dia 17 de novembro de 2007 pode concluir que o primeiro, segundo e terceiro ponto, há uma grande quantidade de indivíduos com poucas espécies, já no quarto ponto há uma quantidade maior de diversidade de espécies mas com menos indivíduos comparado com os outros demais pontos,
sendo assim, mostrando que com uma menor altitude maior a quantidade de espécies.
A coleta do dia 02 de fevereiro de 2008 pode concluir que o primeiro, segundo e terceiro ponto, tem uma grande quantidade de indivíduos com poucas espécies, já no quarto ponto nessa coleta não foi possível coletar, pois no mês anterior a coleta choveu muito e com isso aumentou o nível do rio das Corujas. Como pode observar está coleta foi a de menos sucesso obtivemos uma quantidade pequena de indivíduos coletados. Pode-se concluir que a altitude foi bem importante para a diversidade de espécies sendo maior nos quarto ponto, e o número total de indivíduos coletados foi maior no terceiro ponto.
Tabela 6 – Diversidade de Shannon e Simpson.
H' Ds
Set. P1 1,68 0,69 Set. P2 3,33 0,4 Set. P3 5,48 0,85 Set. P4 0,42 0,58 Nov. P1 0,57 2,41 Nov. P2 0,77 1,53
Nov. P3 0,55 1
Nov. P4 0,85 1
Fev. P1 1,8 0,66 Fev. P2 1,95 0,64 Fev. P3 0,21 0,34
Fev. P4 0 0
Mar. P1 4,2 0,42 Mar. P2 3,28 0,28 Mar. P3 4,46 0,9
Mar. P4 0,27 1
Jun. P1 2 0,27
Jun. P2 1,49 0,26
Jun. P4 1 1
Jul. P1 3,14 0,41 Jul. P2 1,6 0,3 Jul. P3 9,94 0,69 Jul. P4 9,97 0,23
Um estudo detalhado da distribuição espacial dos peixes foi realizado através da análise de agrupamento de hierárquico aglomerativo (Cluster) pela abundância das espécies nas diferentes épocas de coletas (Tabela 4 e 5). O resultado final dos dendrogramas, apresentados nas figuras 14 e 15.
ward/percent
Figura 14 – Dendrograma resultante da análise de agrupamento das espécies conforme variação espaço - temporal.
Na figura 14 podemos observar dois grandes grupos mostrando bem a variação altitudinal das espécies analizadas onde o primeiro grupo (em verde), mostra que todas as espécies coletadas no primeiro e no segundo ponto são bem parecidas em todas as coletas e o outro grupo (em vermelho), mostra a diferença das espécies coletadas numa menor altitude onde se encontra o terceiro e o quarto ponto sendo assim o dendograma mostra que em todas as espécies coletadas a uma diferença entre elas por causa da variação altitudinal.
Cluster Tree
0.0 0.5 1.0 1.5 2.0
Distances
SETP1
SETP2
SETP3
SETP4 NOVP1
NOVP2
NOVP3 NOVP4 FEVP1
FEVP2
FEVP3 MARP1 MARP2
MARP3 MARP4 JUNP1
JUNP2
JUNP4 JULP1
JULP2
JULP3 JULP4
ward/percent
Figura 15 - Dendrograma resultante da análise de agrupamento das espécies conforme variação dos pontos ao longo do Rio das Corujas.
O dendrograma da figura 15 mostra a similaridade entre as espécies e o ambiente sendo comparado o número de indivíduos coletados em cada ponto e seus devidos meses de coletados sendo assim podemos observar que a espécies Kronichthys sp e P. caudimaculatus tem similaridade pois são encontradas nos quatro pontos de amostra ao longo sendo assim encontradas em diferentes altitudes já as I. duseni e N. ribeirensis são semelhantes pois são somente encontradas em altitude mais elevadas no primeiro e no segundo ponto amostral onde o ambiente é de maior correnteza e em ambiente com cascalho; a espécie H. kronei é somente encontrada no segundo ponto que esta localizado na cachoeira do Chá onde é um local com muita correnteza; as espécies H. leucofrenatus, Rineloricaria sp, S. barbatus, C. schubarti e G.
brasiliensis estão em um grupo distinto, pois são encontradas no quarto ponto em diversas coletas sendo o local de menor altitude e de maior de abundância
Cluster Tree
0.0 0.5 1.0 1.5 2.0
Distances
Kronichthys N. ribeirensis P.caudimaculatus I. duseni
H. kronei
P. maculicauda A. ribeirae H. leucofrenatus
C. facetum C. pterotitum G. brasiliensi
R. quelen C. lopezi Crenicichla Rineloricaria
H. malabaricus S. barbatus C. schubarti