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Qualidade do espaço público

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Academic year: 2022

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D I S C U S S Ã O D O S C O N C E I T O S D E D E S E N H O U R B A N O , D A I M A G E M E D O L U G A R N A R U A O S C A R F R E I R E , E M

S Ã O P A U L O

S ã o P a u l o 2 0 1 7

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M668d Minucci, Ana Maria Sala.

Discussão dos conceitos de desenho urbano, da imagem e do lugar, na Rua Oscar Freire, em São Paulo – 2017.

299 p. il.; 30 cm

Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2017.

Referências: p. 273-283.

1. Qualidade do espaço público. 2. Desenho urbano. 3.

Imagem urbana. 4. Lugar. 5. Rua Oscar Freire, SP – Brasil. I. Título.

CDD 710

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À minha filha Ana Paula.

À minha mãe Fernanda, saudades.

Ao meu pai Amuldo, saudades.

Com a graça de Deus.

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AGRADECIMENTOS

Ao meu orientador, Prof. Dr. Roberto Righi, obrigada pela paciência, apoio e orientação.

À professora Dra. Eunice Sguizzardi Helena Abascal, Coordenadora do PPGAU FAU UPM, à professora Dra. Angélica Tanus Benatti Alvim, diretora da FAU–UPM e aos professores Dra. Gilda Collet Bruna, Dra. Maria Isabel Vilac e Dr. Wilson Florio, obrigada pelas valiosas contribuições e reflexões.

À Secretaria da Coordenadoria Geral de Pós-Graduação Stricto Sensu da UPM, Eva Garcia.

À Secretaria da Coordenadoria do PPGAU-UPM, Vania Mendes Medeiros de Lima.

Ao departamento de atendimento ao aluno da Pós-Graduação, especialmente à Roberta Miranda, à Denise Tibana, à Zenilde Adalgiza Barbosa Hipólito dos Santos e ao Bruno Macedo.

À bibliotecária da FAU-Mackenzie, Paola Alessandra R. D’Amato.

Ao professor Dr. Carlos Eduardo Zahn, modelo a ser seguido.

A todos, os meus sinceros agradecimentos.

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RESUMO

O enfoque principal da tese é a qualidade do espaço público como espaço de sociabilidade. Para tanto, abordam-se 3 conceitos fundamentais: o desenho urbano, como instrumento de planejamento urbano que busca a valorização do espaço público para o pedestre; a imagem urbana, fruto da percepção da forma urbana associada à sua utilização pelos usuários da cidade; e o lugar, espaço identitário, relacional e histórico, cuja construção constitui o objetivo último do desenho urbano. Discutem-se práticas e conceitos relacionados ao urbanismo contemporâneo na Rua Oscar Freire.

A rua, conhecida internacionalmente por seu comércio de luxo e localizada em bairro central de uso misto na cidade de São Paulo, passou por uma requalificação urbanística em 2006. Os aspectos levantados e analisados permitem concluir que a rua incialmente já poderia ser caracterizada como espaço de encontro e de forte imagem ambiental, em especial, devido a características favoráveis na composição da rua e fachadas, localização estratégica, alta densidade residencial, concentração e mescla de usos. A rua tem conseguido dinamizar sua imagem e seu papel como lugar, a partir não só da requalificação urbanística, mas também de outros processos urbanos ocorridos, inclusive por iniciativas particulares das empresas. Foram elementos fundamentais neste processo: intervenção urbanística ocorrida na via, no mobiliário e arborização; potencialização das fachadas, com criação de novos marcos efêmeros e abertura de lojas voltadas também para classes C e D, por parte das empresas.

Palavras-chave: Qualidade do espaço público. Desenho urbano. A imagem da cidade.

Lugar. Rua Oscar Freire.

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ABSTRACT

The main focus of the thesis is the quality of public space as a space of sociability. In order to do so, three fundamental concepts are addressed: urban design, as an urban planning tool that seeks to enhance the public space for the pedestrian; the urban image, fruit of urban form perception associated with its use by the users of the city;

and the place, identity, relational and historical space, whose construction is the ultimate goal of urban design. Practices and concepts related to contemporary urbanism are discussed at Oscar Freire street. The street, known internationally for its luxury trade and located in a central mixed-use neighborhood in the city of São Paulo, underwent urban redevelopment in 2006. The aspects raised and analyzed allow us to conclude that the street could already be characterized as a space for meeting and strong environmental image, especially due to favorable characteristics in the composition of the street and façades, location, high residential density, concentration and mix of uses. The street has been able to dynamize its image and its role as a place, not only because of the urban redevelopment, but also from other urban processes that have taken place, including by private companies' initiatives. The following were key elements in this process: urban intervention in the street, in the furniture and afforestation; the creation of new ephemeral landmarks and the opening of new stores targeted at C and D classes.

Keywords: Quality of public space. Urban design. The image of the city. Place. Oscar Freire Street.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – A primeira rua da história: Khirokitia, 6.000 a.C. ... 322

Figura 2 – Londres no século XVII ... 333

Figura 3 – Londres em 1813 ... 344

Figura 4 – À esquerda: Na Rússia, antes e depois de Pedro, o Grande. Philadelphia, depois de 1683 – À direita: Adição Herculeana Ferrara (Itália), 1490, Fachadas contínuas em Paris, e Cidade Industrial de Tony Garnier ... 355

Figura 5 – Cartum de Zippy (publicado originalmente em 17 jun. 2001) ... 400

Figura 6 – Mapa da forma visual da cidade de Boston – década de 1960 ... 533

Figura 7 – Desenho da paisagem do Mercado das Pulgas – Bruxelas ... 600

Figura 8 – Paisagem da Rue des Pierres, Bruges ... 611

Figura 9 – The Shambles, na cidade de York – Reino Unido ... 622

Figura 10 – Quatro condições espaciais de fechamento com relação entre altura e distância dos edifícios igual a 1 ... 644

Figura 11 – Paisagem de um compartimento exterior ... 655

Figura 12 – Vista de ilha central com bancos na Avenida Broadway – Nova York ... 69

Figura 13 – Vista de ilha central com bancos na Avenida Broadway – Nova York ... 69

Figura 14 – Modelos de distribuição das diferentes culturas na cidade ... 911

Figura 15 – Diagrama conceitual da Unidade de Vizinhança de Clarence Arthur Perry ... 1022

Figura 16 – Núcleos urbanos compactos - Richard Rogers ... 1044

Figura 17 – Planta de um bairro mostrando as áreas de captação de pedestres de 400 m para cada destino ... 1066

Figura 18 – Massa crítica de quatro destinos acessíveis a pé, agrupadas e com intervalos de, no máximo, 400 m ... 1066

Figura 19 – Plano da Roma Barroca de Sisto V ... 1111

Figura 20 – Detalhe em mapa de Las Vegas Strip mostrando todas as palavras escritas que são vistas da estrada ... 1144

Figura 21 - Relação entre os componentes da imagem urbana e seus aspectos físico-espaciais ... 1166

Figura 22 – Zoneamento da cidade de São Francisco – Estados Unidos ... 1244

Figura 23 – Processo de codificação e decodificação do significado ... 1288

Figura 24 – Estágios do preenchimento urbano no modelo parisiense ... 1388

(10)

Figura 25 – Pórticos e arcadas: Norte da África / Rua de Rivoli, Paris (iniciado em

1800) / Berna, Suíça ... 13939

Figura 26 – Protesto para Diretas Já na Praça da Sé, São Paulo ... 1422

Figura 27 – Como se estrutura o lugar ... 1444

Figura 28 – Imagem de satélite da Rua Oscar Freire – Início na Avenida Doutro Arnaldo e término na Alameda Casa Branca ... 1466

Figura 29 – Rua Direita (ao fundo, Igreja de São Pedro, no Largo da Sé) - século XIX ... 1488

Figura 30 – Rua do Rosário (R. XV de Novembro) – Séc. XIX ... 1488

Figura 31 – Rua Direita em 1868 ... 14949

Figura 32 – Rua São Bento em 1868 ... 14949

Figura 33 – Cidade de São Paulo em 1841 ... 1500

Figura 34 – Cidade de São Paulo em 1897 ... 1511

Figura 35 – Cidade de São Paulo em 1914 ... 1522

Figura 36 – Rua Oscar Freire – setor entre Avenida Rebouças e Rua Peixoto Gomide – Mapa Sara Brasil – 1933 ... 1555

Figura 37 – Rua Oscar Freire – setor entre Rua Doutro Melo Alves e Rua Padre João Manoel (levantamento VASP, 1955) ... 1566

Figura 38 – Rua Oscar Freire - Entorno imediato e área requalificada em 2006 .. 1566

Figura 39 – Rua Oscar Freire – trecho requalificado em 2006 – entre Rua Doutor Melo Alves e Rua Padre João Manoel (Ortofoto, 2004) ... 1577

Figura 40 – Propaganda de lançamento do shopping Iguatemi (1966) ... 15959

Figura 41 – Delimitação do Distrito Jardim Paulista - 2017 ... 1611

Figuras 42, 43 e 44 – A diversidade de usuários e suas práticas sociais ... 1677

Figura 45 – Menor de idade oferece panos de prato bordados aos frequentadores da rua Oscar Freire ... 1688

Figura 46 – Músico se apresenta na calçada da Rua Oscar Freire ... 1688

Figura 47 – Músico se apresenta na calçada da Rua Oscar Freire ... 16969

Figura 48 – Vendedor ambulante de talheres de madeira na Rua Oscar Freire .. 1700

Figura 49 – Moradora da Rua Oscar Freire observa o movimento da rua ... 1711

Figuras 50 e 51 – Artesãos expõem seus produtos em trechos requalificados da Rua Oscar Freire ... 1755

Figura 52 – Pintor expõe suas obras na Rua Oscar Freire ... 1766

(11)

Figura 53 – Jovens promovem produtos em frente à loja em período de festa junina ... 1788 Figura 54 – Trecho 4. Entre a Rua Haddock Lobo e a Rua Augusta. Lado par. Shop

Oscar Freire, aberto para evento esporádico de vendas com ofertas ... 17979 Figura 55 – Uso do solo do trecho requalificado da Rua Oscar Freire ... 1855 Figura 56 – Situação com postes e cabeamentos aéreos (acima) e situação com

sistema subterrâneo de redes e cabos (abaixo) ... 1866 Figura 57 – Fotomontagem com o piso proposto (à esquerda) – Situação anterior à

requalificação (à direita) ... 1877 Figura 58 – Vegetação existente (acima) - Vegetação proposta (abaixo) ... 1888 Figura 59 – Vegetação proposta – Seção da via ... 1888 Figura 60 – Trecho 1 – Rua Dr. Melo Alves até a Rua da Consolação – lado par -

Posto de gasolina fechado por tapumes, na esquina com Rua da Consolação ... 2055 Figura 61 – Trecho 1 - Rua Dr. Melo Alves até a Rua da Consolação – lado ímpar -

Loja Le Lis Blanc ... 2055 Figura 62 – Trecho 2 – Entre a Rua da Consolação e a Rua Bela Cintra. Lado par.

Edifício de uso misto. ... 2066 Figura 63 – Trecho 2 – Rua da Consolação até a Rua Bela Cintra - lado par -

Pracinha da Oscar Freire com deque elevado de madeira ... 2066 Figura 64 – Trecho 2 – Entre a Rua da Consolação e a Rua Bela Cintra - lado par -

Pracinha da Oscar Freire ... 2077 Figura 65 – Trecho 2 –Rua da Consolação até a Rua Bela Cintra - Lado ímpar -

Sequência de lojas no alinhamento da calçada ... 2077 Figura 66 – Trecho 2 – Entre a Rua da Consolação e a Rua Bela Cintra -

Alargamento dos passeios públicos com implantação de bancos ... 2088 Figura 67 – Trecho 2 – Rua da Consolação até a Rua Bela Cintra – lado ímpar -

cone visual ... 2088 Figura 68 – Trecho 2 – Rua da Consolação até a Rua Bela Cintra - lado par - miolo

da quadra ... 2099 Figura 69 – Trecho 2 – Rua da Consolação e a Rua Bela Cintra - lado par - recuo

frontal das Lojas Schultz e Iódice ... 20909 Figura 70 – Trecho 3 – Rua Bela Cintra até a Rua Haddock Lobo - lado par - ruptura

na parede de rua ... 2100 Figura 71 – Trecho 3 – Rua Bela Cintra até a Rua Haddock Lobo - Lado par - edifício residencial ... 2100

(12)

Figura 72 – Trecho 3 – Rua Bela Cintra até Rua Haddock Lobo – Lado ímpar -

Pequenas lojas no alinhamento da calçada ... 2111 Figura 73 – Trecho 3 - Quadras entre a Rua Bela Cintra e a Rua Haddock Lobo.

Parede de rua bem delimitada ... 2111 Figura 74 – Trecho 3 – Rua Bela Cintra até a Rua Haddock Lobo - Lado ímpar -

Transição no dimensionamento das calçadas e pista ... 2122 Figura 75 – Trecho 4 – Rua Haddock Lobo até a Rua Augusta - Quebra da parede

de rua ... 2122 Figura 76 – Trecho 5 – Rua Augusta até a Rua Padre João Manuel - Lado par –

quebra na parede de rua ... 2133 Figura 77 – Trecho 5 – Rua Augusta e Rua Padre João Manuel – Lado ímpar - A

fachada do Regent Park Hotel mantém a continuidade da parede de rua .... 2133 Figura 78 – Trecho 4 – Rua Haddock Lobo até a Rua Augusta – Lado par - Entrada

de estacionamento comercial, Shop Oscar Freire e prédio com lojas ... 214 Figura 79 – Trecho 4 – Rua Haddock Lobo até a Rua Augusta – Lado ímpar - Trecho com ampliação da calçada ... 2144 Figura 80 – Trecho 4 – Rua Haddock Lobo até a Rua Augusta – Lado ímpar -

Conjunto de prédios geminados de uso misto situados no alinhamento ... 2155 Figura 81 – Trecho 4 – Rua Haddock Lobo até a Rua Augusta – Lado par -

Continuidade da parede de rua ... 2155 Figura 82 – Trecho 4 – Rua Haddock Lobo até a Rua Augusta – Lado ímpar - Oscar

Bistrô - Fachada de 2 metros de largura ... 2166 Figura 83 – Trecho 5 – Rua Augusta até a Rua Padre João Manuel – Lado par -

Continuidade da parede de rua ... 2166 Figura 84 – Trecho 5 – Rua Augusta até a Rua Padre João Manoel - Lado par –

Edificações (Banco Itaú e Lojas Audi) com recuo frontal ... 2177 Figura 85 – Trecho 5 – Rua Augusta até a Rua Padre João Manuel – Lado par -

Entrada do edifício de uso misto ... 2177 Figura 86 – Trecho 1 – Entre a Rua Doutor Melo Alves e Rua da Consolação – Lado

ímpar - Paisagem característica do trecho requalificado. ... 2211 Figura 87 – Trecho 1 – Entre a Rua Doutor Melo Alves e Rua da Consolação – Lado

par ... 2222 Figura 88 – Trecho 1 – Rua Doutor Melo Alves até a Rua da Consolação – Lado par

- Estação de bicicletas na Rua da Consolação na esquina com Rua Oscar Freire ... 2222 Figura 89 – Trecho 2 – Rua da Consolação até a Rua Bela Cintra – Alargamento dos passeios públicos com implantação de bancos ... 2233

(13)

Figura 90 – Trecho 2 – Rua da Consolação até a Rua Bela Cintra – Lado par –

Acesso estacionamento privado ... 2233 Figura 91 – Trecho 3 – Rua Bela Cintra até a Rua Haddock Lobo - Lado ímpar -

Transeuntes aproveitam o toldo para se proteger da chuva ... 2244 Figura 92 – Trecho 4 – Rua Haddock Lobo até a Rua Augusta - Lado ímpar -Trecho

ampliado da calçada - Segurança privada ao fundo ... 2255 Figura 93 – Distrito Jardim Paulista ... 2277 Figura 94 – Distrito Jardim Paulista e sua subdivisão em quatro unidades de

informação territorializada: Clínicas, Trianon, Jardins e Pamplona ... 2288 Figura 95 – Uso predominante do solo fiscal na Cidade de São Paulo, conforme

levantamento realizado em 2015 ... 22929 Figura 96 – Usos do solo previstos conforme Lei de uso, ocupação e parcelamento

do solo de São Paulo - Lei n. 16.402/16 ... 2311 Figura 97 – Densidade demográfica (censo de 2010) por quadra fiscal no entorno do

setor da Rua Oscar Freire alvo da pesquisa ... 2322 Figura 98 – Trecho 1 – Rua Doutor Melo Alves até a Rua da Consolação - Lado par

... 2355 Figura 99 – Trecho 1 – Rua Doutor Melo Alves até a Rua da Consolação – Lado par

- A Galeria Oscar possui 60 boxes para lojas ... 2366 Figura 100 – Trecho 2 – Rua Consolação até a Rua Bela Cintra – Lado ímpar -

Parklet Ben & Jerry’s ... 2366 Figura 101 – Trecho 2 – Rua Consolação até a Rua Bela Cintra – Lado par - Trecho

ampliado da calçada que contribui para induzir a permanência ... 2377 Figura 102 – Trecho 2 – Entre a Rua Consolação e a Rua Bela Cintra- Lado ímpar -

A loja da Kopenhagen com suas mesas para refeições na calçada fortalece a imageabilidade e centralidade da área ... 2377 Figura 103 – Trecho 3 – Entre a Rua Bela Cintra e a Rua Haddock Lobo – Lado

ímpar - Ampliação da área de fruição do espaço público, por meio de parklet e área de acesso público da Galeria Melissa - Ao fundo iluminação de Natal . 2388 Figura 104 – Trecho 3 – Rua Bela Cintra até a Rua Haddock Lobo – Lado par -

Quando a loja da esquina está fechada há um enfraquecimento da atratividade e centralidade ... 2388 Figura 105 – Trecho 3 – Entre a Rua Bela Cintra e a Rua Haddock Lobo – Lado par - Banca de jornal, situada na esquina com a Rua Bela Cintra ... 23939 Figura 106 – Trecho 4 – Rua Haddock Lobo até a Rua Augusta - Lado ímpar - Loja

Osklen, com pequeno elemento de proteção horizontal avançando sobre a calçada, bancos, orelhões e pipoqueiro ... 23939

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Figura 107 – Trecho 4 – Rua Haddock Lobo até a Rua Augusta - Lado ímpar .... 2400 Figura 108 – Trecho 4 – Rua Haddock Lobo até a Rua Augusta - Lado par -

Mercadinho Chic - 32 boxes para vendas ... 2400 Figura 109 – Trecho 5 – Rua Augusta até a Rua Padre João Manuel – Lado par -

Café Pascucci. -Trecho com alto nível de viscosidade (CULLEN, 1971) - Tirando partido do alargamento da calçada são dispostas mesas no passeio público.

Contribuem para favorecer os demais elementos do mobiliário urbano

mobiliários urbanos ... 2411 Figura 110 – Trecho 5 – Rua Augusta até a Rua Padre João Manuel – Lado par -

Restaurante Frevo utiliza a calçada para colocação de mesas para refeição.

2411

Figura 111 – Trecho 5 – Rua Augusta até a Rua Padre João Manuel – Lado ímpar – Edifício fechado na esquina com a Rua Augusta ... 2422 Figura 112 -– Trecho 5 - Rua Augusta até a Rua Padre João Manuel - Lado par -

Alargamento da calçada. ... 2422 Figura 113 – Trecho 1 – Rua Dr. Melo Alves até a Rua da Consolação – Lado par –

Loja Havaianas ... 2466 Figura 114 – Trecho 1 – Entre a Rua Dr. Melo Alves e a Rua Consolação – Lado par -

Loja Chilibeans e parklet ... 2466 Figura 115 – Trecho 1 – Rua Dr. Melo Alves até a Rua da Consolação - Lado par

... 2477 Figura 116 – Trecho 1 – Rua Dr. Melo Alves até a Rua da Consolação – Lado par -

Fachada da loja Asics ... 2477 Figura 117 – Início do trecho 1 – A partir da Rua Doutor Melo Alves – Os edifícios de

esquina no setor estudado da Oscar Freire obedecem a um padrão em chanfro ... 2488 Figura 118 – Trecho 2 - Rua Consolação até a Rua Bela Cintra - Lado par - Pracinha da Oscar Freire e parede cega grafitada ... 2488 Figura 119 – Trecho 2 – Entre a Rua da Consolação e a rua Bela Cintra - Lado par -

Pracinha da Oscar Freire - Arte urbana: grafite ... 24949 Figura 120 – Trecho 2 – Entre a Rua da Consolação e a rua Bela Cintra. Lado par -

Arte urbana: grafite ... 24949 Figura 121 – Trecho 2 – Rua da Consolação até a Rua Bela Cintra - Lado par - Loja

Schultz e o grafite de Eduardo Kobra ... 2500 Figura 122 – Trecho 2 – Rua da Consolação até a Rua Bela Cintra - Lado ímpar.

Menor de todas as lojas do trecho, a Tommy Hillfiger - destaque visual no

conjunto ... 2500

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Figura 123 – Trecho 2 - Rua da Consolação até a Rua Doutor Melo Alves – Lado ímpar ... 2511 Figura 124 – Trecho 2 – Rua da Consolação até a Rua Bela Cintra- Lado ímpar 2511 Figura 125 – Trecho 3 – Rua Bela Cintra até a Rua Haddock Lobo - Lado ímpar -

Galeria Melissa possui amplo recuo frontal criando áreas de fruição pública e funciona como um palco que se abre para a via ... 2522 Figura 126 – Trecho 3 – Rua Bela Cintra até a Rua Haddock Lobo - Lado ímpar -

Galeria Melissa e parklet ... 2522 Figura 127 – Trecho 4 – Rua Haddock Lobo até e Rua Augusta – lado ímpar – Salão

de beleza L’Officiel é um marco visual no setor ... 2533 Figura 128 – Trecho 4 – Rua Haddock Lobo até a Rua Augusta – lado ímpar - Loja

Aramis destaca-se na paisagem ... 2533 Figura 129 – Trecho 4 – Rua Haddock Lobo até a Rua Augusta – lado ímpar - Loja

Riachuelo ... 2544 Figura 130 – Início do trecho 1 – Rua Dr. Melo Alves até Rua da Consolação. À

direita numeração ímpar e à esquerda numeração par. ... 2822 Figura 131 – Trecho 1 – Rua Dr. Melo Alves até Rua da Consolação. À esquerda

Bistrô e Bar com toldo e recuo de acesso público para pedestres, e à direita Loja Mara Mac, no alinhamento da calçada. ... 2822 Figura 132 – Trecho 1 – Rua Dr. Melo Alves até Rua da Consolação. À esquerda

Loja Havaianas, no alinhamento da calçada, com oferta de espaço de transição com acesso público para pedestres, e à esquerda Loja Le Li Blanc com recuo com acesso público para estacionamento. ... 2833 Figura 133 – Trecho I – Rua Dr. Melo Alves até Rua da Consolação. À esquerda

Loja Richards (atualmente fechada), com recuo com acesso público para estacionamento, e à direita loja fechada e escritório também com recuo com acesso público para automóvel. ... 2833 Figura 134 – Trecho I – Rua Dr. Melo Alves até Rua da Consolação. À esquerda

Lojas Cavalera, Bob Store e Asics, todas no alinhamento, e à direita edifício residencial com recuo de uso privado e acesso para automóvel ... 2844 Figura 135 – Trecho I – Rua Dr. Melo Alves até Rua da Consolação. À esquerda

Lojas Asics e Chilibeans, todas no alinhamento, e à direita edifício residencial com recuo de uso privado e acesso para automóvel ... 2854 Figura 136 A e B – Trecho I – Rua Dr. Melo Alves até Rua da Consolação ... 2855 Figura 137 – Trecho I - Rua Dr. Melo Alves até Rua da Consolação. À esquerda

banca de jornal, e à direita Loja TVZ de esquina, no alinhamento da calçada.

... 2866

(16)

Figura 138 – Início do trecho 2 – Rua da Consolação até a Rua Bela Cintra. À direita numeração ímpar e à esquerda numeração par ... 2866 Figura 139 – Trecho 2 – Rua da Consolação até Rua Dr. Melo Alves. À esquerda

Loja Luz da Lua na esquina, e à direita Loja Carmin e Rosa Chá, no

alinhamento da calçada ... 2877 Figura 140 – Trecho 2 – Rua da Consolação até Rua Dr. Melo Alves. À esquerda

Loja da Ellus, e à direita Loja Triton, no alinhamento da calçada ... 2877 Figura 141 – Trecho 2 – Rua da Consolação até Rua Dr. Melo Alves. À esquerda,

pequenas lojas situadas no térreo do edifício de uso misto situado no

alinhamento (Princess, entrada residencial, Ludeque et Badin, Paola Da Vinci, e Brands) com parklet, e à direita, Lojas Slama, Nike e Track & Field, todas no alinhamento da calçada ... 2888 Figura 142 – Trecho 2 – Rua da Consolação até Rua Dr. Melo Alves. À esquerda,

Lojas Schultz e Iódice, ambas com recuo frontal de acesso público, e à direita, Lojas Carmen Steffens e Christofle, ambas no alinhamento da calçada ... 2888 Figura 143 – Trecho 2 – Rua da Consolação até Rua Dr. Melo Alves. À esquerda,

Lojas fechada, Tufidueck e Cristallo com toldo vermelho, todas no alinhamento, e à direita, Presentes Mickey, no alinhamento, e com entrada e saída de autos ... 28989 Figura 144 – Trecho 2 – Rua da Consolação até Rua Bela Cintra. À esquerda, lojas

no alinhamento Capodarte e Kopenhagen, a última com toldo e localizada na esquina, e à direita, Loja Tony Hilfiger com pequeno recuo de acesso público, Ana Capri e Nespresso, na esquina ... 28989 Figura 145 – Início do trecho 3 – Rua Bela Cintra até a Rua Haddock Lobo. À

esquerda edifício residencial, e à direita Loja Vivara ... 2900 Figura 146 – Trecho 3 – Rua Bela Cintra até a Rua Haddock Lobo. À esquerda,

banca de Jornal situada em frente ao edifício residencial, e à direita Óticas Wany, no alinhamento ... 2900 Figura 147 – Trecho 3 – Rua Bela Cintra até a Rua Haddock Lobo. À esquerda

entrada e saída de automóveis pertencente ao edifício residencial, Loja Frattina, e à direita, loja fechada, Lojas Valisére e Dumond, todas no alinhamento ... 2911 Figura 148 – Trecho 3 – Rua Bela Cintra até a Rua Haddock Lobo. À esquerda

entrada e saída de automóveis pertencente ao edifício residencial, Loja Frattina, e à direita, loja fechada, Lojas Valisére e Dumond, todas no alinhamento ... 2911 Figura 149 – Trecho 3 – Rua Bela Cintra até a Rua Haddock Lobo. À esquerda

edifício residencial, e à direita, Lojas Siberian, Melissa e parklet ... 2922 Figura 150 – Trecho 3 – Rua Bela Cintra até a Rua Haddock Lobo. À esquerda

edifício residencial e Loja Frattina, e à direita, lojas Shoulder e Short's no

alinhamento ... 2922

(17)

Figura 151 – Trecho 3 – Rua Bela Cintra até a Rua Haddock Lobo. À esquerda edifício residencial, e à direita Lojas Pandora e Blow Up no alinhamento ... 2933 Figura 152 – Trecho 3 – Final. À esquerda loja fechada, e à direita Loja Riachuelo,

ambas na esquina e alinhamento da calçada. ... 2933 Figura 153 – Trecho 4 – Início. Da Rua Haddock Lobo até a Rua Augusta. À

esquerda, Loja Mont Blanc; e à direita, Droga Raia ... 2944 Figura 154 – Trecho 4 – Rua Haddock Lobo até a Rua Augusta. À esquerda, loja

fechada e lojas Brooksfield, Fit, Adidas e Aramis, no pavimento térreo de edifício, no alinhamento, de três pavimentos transformado em uso exclusivo comercial, e à direita, loja fechada e loja Dudalina, no alinhamento da calçada ... 2944 Figura 155 – Trecho 4 – Rua Haddock Lobo até a Rua Augusta. À esquerda, Lojas

Brooksfield, Fit, Adidas e Aramis, no pavimento térreo de edifício, no

alinhamento, de três pavimentos transformado em uso exclusivo comercial, e à direita Loja VR, no alinhamento e lojas Tip Top, Bibi, Hector Albertaza e no pavimento térreo de edifício comercial de 3 pavimentos, no alinhamento .... 2955 Figura 156 – Trecho 4 – Rua Haddock Lobo até a Rua Augusta. À esquerda, Lojas

Aramis, no alinhamento e loja H Stern com recuo parcial da fachada com acesso público e toldo; e, à direita, a loja que aparece fechada (Casa das

Cuecas) no alinhamento ... 2955 Figura 157 – Trecho 4 – Rua Haddock Lobo até a Rua Augusta. À esquerda, lojas H

Stern e Camper, na esquina; e, à direita, loja Osklen, no alinhamento ... 2966 Figura 158 – Trecho 5 – Início - Rua Augusta até Rua Padre João Manuel. À

esquerda, lojas Teslan, na esquina; e, à direita, edifício comercial de 8

pavimentos no alinhamento ... 2966 Figura 159 – Trecho 5 – Rua Augusta até Rua Padre João Manuel. À esquerda,

Café Pascucci, com toldo e mesas na calçada ampliada; e, à direita, banca de jornal em frente ao edifício ... 2977 Figura 160 – Trecho 5 – Rua Augusta até Rua Padre João Manuel. À esquerda, loja

fechada, e à direita, Concessionária Audi com recuo frontal de uso público para estacionamento. ... 2977 Figura 161 – Trecho 5 – Rua Augusta até Rua Padre João Manuel. À esquerda,

edifício de uso misto de 10 pavimentos, lojas no pavimento térreo; e, à direita, Hotel com recuo frontal de uso público para acesso de veículos ... 2988 Figura 162 – Trecho 5 – Rua Augusta até Rua Padre João Manuel. À esquerda, lojas

no pavimento térreo; e, à direita, Restaurante Almanara no alinhamento e com toldo ... 2988 Figura 163 – Final do Trecho 5 – Rua Augusta até Rua Padre João Manuel ... 299

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – A cidade ao nível dos olhos: 12 critérios de qualidade ... 79 Tabela 2 – Tipos de rua, quadras e edificações que atendem aos critérios para o

projeto de ruas em bairros permeáveis ao pedestre. ... 81 Tabela 3 – Comparação entre os critérios para caminhabilidade na visão dos autores Jeff Speck, Julio Pozueta Echavarri e Jan Gehl ... 84 Tabela 4 – Aumento do valor de uma moradia em local caminhável com relação aos

locais de suburbanismo dirigível ... 96 Tabela 5 – Sensação gerada nos espaços públicos livres em virtude densidade de

pessoas ... 98 Tabela 6 – Modais de Transporte público relacionados com a densidade residencial

... 100 Tabela 7 – Destinos possíveis para pedestres no bairro ... 105 Tabela 8 – Nível de completude de um bairro com relação aos usos identificados 105 Tabela 9 – Estruturação do "lugar", como espaço vivenciado nas visões de Christian

Norberg-Shulz, Lucrécia Ferrara, Marc Augé e Lineu Castelo ... 122 Tabela 10 – Diretrizes urbanísticas para a cidade de São Francisco envolvendo

componentes de desenho do lugar, arquitetura e espaços públicos ... 125 Tabela 11 – Comparação entre as obras previstas pela lei Municipal 14.003/2005 de

Requalificação de vias comerciais em São Paulo e as obras efetivamente

propostas para o Projeto da Rua Oscar Freire ... 190 Tabela 12 – Comparação entre objetivos previstos e não previsto no Programa de

Requalificação da Rua Oscar Freire, com base nos critérios estabelecidos por Nuno Portas (2003) ... 191 Tabela 13 – Comparação entre os motivos geradores do projeto da Rua Oscar Freire

e os não geradores, com base nos critérios estabelecidos por Nuno Portas (2003). ... 191 Tabela 14 – Tipo de caracterização intervenção urbana ocorrida na Rua Oscar

Freire, com base nos critérios estabelecidos por Nuno Portas (2003) ... 192 Tabela 15 – Comparação entre as características antes e depois da intervenção da

via considerando-se os 3 critérios de qualidade do espaço público relacionados a proteção proposto por Gehl (2013) ... 194

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Tabela 16 – Comparação entre as características antes e depois da intervenção da via considerando-se os 6 critérios de qualidade do espaço público relacionados

ao conforto propostos por Gehl (2013) ... 195

Tabela 17 – Comparação entre as características antes e depois da intervenção da via considerando-se os 3 critérios de qualidade do espaço público relacionados ao prazer propostos por Gehl (2013). ... 196

Tabela 18 – Número de portas por quarteirão ao longo do setor analisado da Rua Oscar Freire ... 204

Tabela 19 – Quantidade de acessos de automóveis sobre a calçada no setor estudado da Rua Oscar Freire ... 220

Tabela 20 – Dados socioeconômicos sobre o Distrito Jardim Paulista ... 226

Tabela 21 – Zonas de uso, conforme Lei 16.402/16, situadas no entorno do setor da Rua Oscar Freire analisado ... 230

Tabela 22 – A qualidade da imagem, do significado e dos elementos morfológicos da Rua Oscar Freire ... 256

Tabela 23 – Nível de qualidade da imagem da rua com relação aos marcos existentes ... 256

Tabela 24 – Análise dos elementos fortalecedores da centralidade no entorno do setor estudado da Rua Oscar Freire ... 257

Tabela 25 – Nível de qualidades das características dos elementos da morfologia urbana que conformam o setor pesquisado da Rua Oscar Freire ... 258

Tabela 26 – Nível de qualidade das características do traçado viário ... 260

Tabela 27 – Nível de qualidade das características das praças ... 260

Tabela 28 – Nível de qualidade das características da vegetação e arborização .. 261

Tabela 29 – Nível de qualidade das características das quadras ... 261

Tabela 30 – Nível de qualidade das características dos recuos ... 262

Tabela 31 – Nível de qualidade das características do relevo ... 262

Tabela 32 – Nível de qualidade das características das fachadas ... 263

Tabela 33 – Nível de qualidade das características do mobiliário urbano ... 264

Tabela 34 – Nível de qualidade das características dos monumentos ... 265

Tabela 35 – Nível de qualidade das características dos edifícios ... 265

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO... 22

2 O ESPAÇO PÚBLICO E O DESENHO URBANO... 26

2.1 A RUA E OS DEMAIS ELEMENTOS DA MORFOLOGIA URBANA... 30

2.2 O PODER PÚBLICO E SUAS AÇÕES SOBRE A UNIDADE ESTÉTICA E A SEGURANÇA NAS RUAS, E A DISPUTA DO PRIVADO SOBRE O PÚBLICO... 34

2.3 O DESENHO URBANO E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A QUALIDADE DO ESPAÇO PÚBLICO URBANO... 37

2.3.1 Desenho urbano e projeto urbano... 42

2.3.2 Tipologias de projeto urbano... 45

2.3.3 O projeto urbano na prática recente... 48

2.4 CONCLUSÕES PARCIAIS... 50

3 O ESPAÇO PÚBLICO E A SUA IMAGEM... 52

3.1 AS CONEXÕES NO ESPAÇO PÚBLICO: OS PERCURSOS E OS LIMITES... 57

3.1.1 Limites... 58

3.1.2 Fechamento... 59

3.1.3 Percursos... 67

3.1.4 A caminhabilidade... 77

3.2 O BAIRRO E SEUS PONTOS NODAIS: A QUESTÃO DA CAMINHABILIDADE E DA UNIDADE COMPACTA DE VIZINHANÇA... 85

3.2.1 O bairro... 89

3.2.2 A mescla... 90

3.2.3 A compacidade... 95

3.2.4 O conceito de unidade de vizinhança... 101

3.3 O MARCO... 107

3.3.1 O monumento... 109

3.4 CONCLUSÕES PARCIAIS... 115

4 O ESPAÇO PÚBLICO COMO LUGAR... 118

4.1 DO ESPAÇO AO LUGAR... 119

4.2 O SIGNIFICADO DO ESPAÇO PÚBLICO... 126

4.2.1 A função mnemônica do ambiente... 128

4.2.2 O signo... 129

4.3 A VIDA PÚBLICA... 132

4.3.1 A vida pública na rua: privado x público e comércio x espaço público da rua: lojas, mercados, feiras e camelôs 133 4.3.2 As relações da vida privada com o espaço público da rua em função das sociedades e classes sociais... 135

4.3.3 Comércio... 136

4.3.4 A rua como teatro (palco e plateia)... 140

4.3.5 Entre táticas e estratégias... 143

4.4 CONCLUSÕES PARCIAIS... 143

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5 A RUA OSCAR FREIRE... 145 5.1 A RUA E SEU SIGNIFICADO... 145 5.1.1 A vida pública na Rua Oscar Freire... 164 5.2 O PROJETO URBANÍSTICO... 181 5.3 A IMAGEM... 197 5.3.1 A rua Oscar Freire como espaço de conexão: o percurso

e seus limites... 199 5.3.1.1 Os limites e sua permeabilidade... 201 5.3.1.2 Espaços livres privados e sua acessibilidade física e visual 202 5.3.1.3 Percursos e a mobilidade de pedestres... 218 5.3.2 Bairro e pontos nodais: a rua Oscar Freire como

centralidade no bairro e na cidade e seus pontos nodais... 225 5.3.2.1 Outros aspectos sobre os pontos nodais... 233 5.3.3 Os marcos da rua Oscar Freire... 243 5.4 CONCLUSÕES PARCIAIS... 254 6 CONCLUSÃO... 266 REFERÊNCIAS... 271 APÊNDICE 1 – VISÃO SERIAL DOS CINCO TRECHOS EM

ESTUDO DA RUA OSCAR FREIRE... 282

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1 INTRODUÇÃO

Os profissionais comprometidos com a vida e qualidade urbana vêm desenvolvendo suas críticas há mais de 50 anos, denunciando, em especial, a perda da escala humana nos espaços públicos da cidade. As obras mais significativas foram desenvolvidas nas décadas de 1960 e 1970 (Kevin Lynch, Christopher Alexander, Gordon Cullen e Jane Jacobs). Ao longo das últimas décadas, significativas melhorias na qualidade do espaço público foram alcançadas em várias cidades, em especial, na Europa e na América do Norte.

No século XXI, grande parte destas ideias, que têm evoluído conjuntamente à temática da sustentabilidade, vêm sendo progressivamente incorporadas ao saber urbanístico paulistano e paulatinamente inseridas no plano diretor e na lei de uso e ocupação do solo do Município de São Paulo, como, por exemplo, os conceitos de fachada ativa, fruição pública, uso misto, dimensão máxima de quadra caminhável e, ainda, porcentagem mínima de áreas permeáveis.

Este trabalho pretende ser uma contribuição ao processo de incorporação paulatina de conceitos de desenho urbano ou, ainda, a um modo integrado de pensar e fazer arquitetura, urbanismo e paisagismo na cidade. O desenho urbano, do ponto de vista físico-espacial, precisa considerar na sua ação todos os elementos da morfologia urbana, não podendo limitar-se apenas a alguns deles. Impõe-se a necessidade de uma maior reflexão sobre o conjunto dos 11 elementos e das inúmeras combinações que estabelecem entrem si, algumas mais positivas do que outras.

Diferentes interpretações na definição do termo desenho urbano (BAHRAINY;

BAKHTIAR, 2016; SCHURCH, 1999) e a consequente dificuldade em estabelecer o que seja a sua essência é um problema ser enfrentado no primeiro quartel do século XXI. Apesar de existirem elementos em comum, evidencia-se a natureza complexa e multidimensional da disciplina Desenho Urbano. De acordo com Schurch (1999) as definições de desenho urbano carecem de abrangência, coesão e consistência.

Assim, a primeira parte do método deste trabalho tem um caráter interpretativo.

A literatura sobre desenho urbano (fonte primária) é examinada e sintetizada. No processo de sistematização, são priorizadas as abordagens de cada autor que sejam adequadas ao maior número de etapas do processo de desenho urbano

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(levantamento, análise, diagnóstico e intervenção) de modo a facilitar o entendimento da necessária coerência entre suas etapas.

Em um segundo momento, os elementos sintetizados elaborados na primeira etapa serão utilizados como um conjunto de conceitos para analisar um setor urbano:

o espaço público livre das cinco principais quadras comerciais da Rua Oscar Freire, em São Paulo. O objetivo é testar a eficácia do método previamente organizado, como efetivo instrumento de levantamento, análise, diagnóstico e diretrizes de intervenção físico-espacial em um dado setor urbano.

Para o estudo do espaço público da Rua Oscar Freire, foram realizadas caminhadas pelo local com levantamentos fotográficos (1500 fotografias, com seleção das mais representativas) no período junho de 2015 até dezembro de 2017. As demais fontes utilizadas foram baseadas, sobretudo, em literatura já existente sobre a via, projeto de intervenção urbana desenvolvido pelo escritório de arquitetura Vigliecca &

Associados e indicadores fornecidos pela PMS, EMPLASA e GOOGLE MAPS.

No capítulo 2 serão abordados os principais aspectos discutidos na disciplina Desenho Urbano, procurando demonstrar algumas de suas incongruências bem como pistas para a organização de conceitos que contribuam para uma futura e desejável integração das várias visões de desenho urbano. Neste capítulo, introduzem-se dois conceitos que foram identificados como essenciais para a clareza da conceituação da disciplina de desenho urbano: imagem urbana e lugar. Observa-se que desenho urbano é frequentemente definido por meio da utilização do termo lugar que pode ser considerado de apreensão subjetiva. Desenho urbano estaria relacionado às práticas conscientes para criação do lugar (CARMONA et al, 2003). E outro, de caráter mais palpável: os aspectos físico-espaciais ou físico-ambientais (DEL RIO, 1990) que são percebidos pelo usuário por meio da imagem urbana (LYNCH, 2011). Ou seja, caminha-se para o entendimento de desenho urbano como instrumento de urbanismo que lida com a imagem da cidade na construção ou potencialização do lugar.

A discussão das inter-relações entre os elementos morfológicos urbanos deve ser avaliada do ponto de vista de como o ser humano os percebe a partir de suas configurações, especialmente, como os vê. Importantíssima contribuição neste campo foi a obra de Kevin Lynch “A imagem da cidade”, que aborda exatamente a percepção do usuário do ponto de vista imagético da forma urbana. Por meio de mapas mentais elaborados pelos entrevistados, Lynch constatou que a percepção é dada por 5

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elementos visuais que podem ser identificados no espaço público e representados em mapas: dois podem ser representados com formas lineares: os percursos e os limites;

dois podem ser representados por pontos: o marco e o ponto nodal; e o último pode ser representado por um polígono, o distrito. Dependendo da forma como estes elementos são organizados no espaço urbano, este poderá ter maior ou menor imageabilidade. Cada um desse elementos merece um aprofundamento conceitual, devido ao papel sensível que constitui na organização do espaço urbano. Estes aspectos serão abordados no capítulo 3.

Na visão de vários autores o desenho urbano busca a construção do lugar (BUCHANAN, 1988; MONTGOMERY, 1998; CARMONA e outros, 2003), cuja definição transcende a dimensão físico-espacial. Então, nesse sentido, desenho urbano refere-se ao conjunto de ações e reflexões conscientes no campo do planejamento urbano que envolvam o projeto de um ou mais elementos da morfologia urbana com vistas à construção e qualificação do lugar: entendido como um espaço com qualidades físico-espaciais, relacionais e históricas (AUGÉ, 1992; CASTELLO, 2007). É a partir da percepção, isto é, dos sentidos do ser humano, que um espaço pode atingir a qualidade de ser um lugar, ou seja, pode adquirir qualidades relacionais, históricas e identitárias. As qualidades identitárias, relacionam-se prioritariamente à imagem urbana já discutida no capítulo 3. Porém, como já dito anteriormente, o lugar transcende suas características físico-espaciais. Há a questão da vida pública e do encontro, do significado e da memória, as quais serão tratadas com mais atenção no capítulo 4.

Os conceitos e teorias sobre desenho urbano, imagem do espaço público e lugar, discutidos nos capítulos 3, 4 e 5, serão retomados no capítulo 5 para estudar um pequeno setor da Rua Oscar Freire, em São Paulo, correspondente às cinco principais quadras de uso predominantemente comercial, que passaram por um projeto urbanístico em 2006. Nesse capítulo, são discutidos: 1) que tipo de desenho urbano predomina na rua e os resultados da intervenção urbanística de 2006; 2) a imagem urbana, considerando-se os elementos de sua apreensão: percursos, limites, pontos nodais, marcos e distritos (bairros); e, ainda, 3) que aspectos possui a via que podem, ou não, caracterizá-la como lugar.

Na Conclusão, apresentam-se considerações sobre o processo de pesquisa elaborado na tese, avaliando-se os resultados da pesquisa que obtiveram sucesso,

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bem como os aspectos que necessitam ser posteriormente revisados e ou complementados. São apresentados possíveis futuros encaminhamentos para pesquisas voltadas para estudos que visem a realização de leituras transversais nas teorias de Desenho Urbano contemporâneas.

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2 O ESPAÇO PÚBLICO E O DESENHO URBANO

É necessário estabelecer regras sensíveis e poéticas, orientações que abordem cores, essências, personagens, exceções a serem criadas, especificidades relacionadas à chuva, ao vento, ao mar e à montanha.

Regras que abordem o continuo temporal e espacial, que conduzam a uma mutação, uma modificação do caos herdado e que abranjam todas as escalas fractais de nossas cidades. Essas regras sensíveis desafiarão a ideologia genérica que tende a proliferar as técnicas hegemônicas dominantes para criar dependências, o que tende a hipertrofiar de todas as redes de transporte, energia e saneamento [...]. Esta ideologia específica, pelo contrário, visa capacitar, usar os recursos do lugar e do momento, privilegiar o imaterial. Como usar o que está lá e não em outro lugar? Como diferenciar sem caricaturara?

Como aprofundar? (Jean Nouvel “Le manifeste de Lousiana”, 2005) Neste capítulo, discute-se o conceito de desenho urbano nas suas relações com o espaço público e melhoria de sua qualidade. Procura-se demonstrar a importância que o desenho urbano historicamente tem dado ao espaço da rua, bem como o papel do poder público no processo de desenho da cidade e em especial da configuração das ruas por meio do controle das fachadas e das relações entre os espaços públicos privados. Discute-se também o conceito de projeto urbano e seus pontos em comum com o conceito de desenho urbano.

Conforme Henri Lefebvre, as cidades (1991), são espaços socialmente produzidos, e, em constante transformação. A diversidade das relações e articulações no cotidiano urbano são um importante elemento produtor da cidade. Henri Lefebvre (1996), David Harvey (2008) e mais recentemente Neil Brenner (2012) destacam a potencialidade dinâmica e capacidades materiais e estruturais como elementos fundamentais para a consolidação das cidades como espaços estratégicos para processos de acumulação, gerenciamento e distribuição de capital. No entanto, mais do que isso, esses autores também ressaltam que as cidades também, pela sua potencialidade dinâmica e capacidades materiais e estruturais, são espaços propícios para a consolidação da democracia como forma de organização social, de modo a garantir igualdade entre cidadãos e a inclusão dos mesmos nos processos de desenho da políticas públicas e ações públicas. Observa-se assim, que se a cidade é o espaço dos conflitos inerentes à vida urbana, é também o espaço das possibilidades de transformação e criação.

Para a definição do termo “espaço” esta tese utiliza as definições de Henri Lefebvre e David Harvey. Ambos autores desenvolvem uma análise e categorização

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aprofundada com relação à palavra-chave espaço. Conforme Lefebvre (1991), o espaço é um produto social, ou seja, por meio de práticas sociais cotidianas as sociedades humanas produzem seus espaços. O espaço é produzido por uma tríade:

espaço percebido (aspecto perceptivo do espaço que se relaciona diretamente com a materialidade espacial); espaço concebido (representações do espaço ligadas a produção do conhecimento) e espaço vivido (o mundo como é experimentado cotidianamente pelos homens).

David Harvey aponta três categorias de espaço: espaço absoluto, relativo e relacional:

Se olhamos para o espaço como absoluto, ele se torna uma "coisa em si mesma”, com uma existência independente da matéria. Possui uma estrutura que podemos usar para individualização ou generalização de fenômenos. A visão do espaço relativo propõe que o espaço seja entendido como uma relação entre objetos que existe apenas porque os objetos existem e se relacionam entre si. Há outro sentido em que o espaço também pode ser visto como relativo e eu escolho denominar espaço relacional – espaço analisado à maneira de Leibniz, no sentido de que um objeto pode ser considerado existente apenas e na medida em que contém e representa em si mesmo relacionamentos com outros objetos (HARVEY, 1973, p. 13, tradução nossa).

De acordo com Harvey (1973) mais importante do que colocar a questão “o que é espaço”, é entender “como é que diferentes práticas humanas criam e usam diferentes concepções de espaço”. Os espaços públicos criados pelas sociedades humanas servem como espelho de seus valores públicos e privados, como se pode observar na agora grega, fórum romano, nos commons de New England, e nas praças contemporâneas. Ao longo da história, sociedades com vidas predominantemente privadas tem sido mais uma exceção do que uma regra. O espaço público e o privado são o produto de valores dominantes de uma sociedade, e refletem diferentes graus de reconhecimento da necessidade, direito e busca por significado de seus membros.

(CARR et al, 1992, p.22).

Conforme Madanipour, a chave na definição de um espaço de uso público está na sua acessibilidade, e esta acompanha os processos de transformação urbana:

Espaços públicos apresentam diferentes papéis nas sociedades urbanas e podem ser definidos de várias formas. A chave na definição do espaço público, contudo, é sua acessibilidade. Sem acessibilidade um espaço não pode se tonar público. [...] em processos de transformação urbana as condições de acessibilidade estão sujeitas a

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mudanças, portanto mudando também a natureza dos espaços públicos. (MADANIPOUR, 2003, p.8).

O urbanismo funcionalista do século XX favoreceu o entendimento de uma cidade organizada predominantemente com vias de alta velocidade. A Carta de Atenas (1933), propunha uma visão de cidade disposta a abraçar todas as novas possibilidades oferecidas pela técnica e pela modernidade, relacionadas a conceitos como eficiência e rapidez:

As calçadas, criadas no tempo dos cavalos e só após a introdução dos coches para evitar atropelamentos, são um remédio irrisório desde que as velocidades mecânicas introduziram nas ruas uma verdadeira ameaça de morte. A cidade atual abre as inumeráveis portas de suas casas, e suas inumeráveis janelas para os ruídos, as poeiras e os gases nocivos resultantes de uma intensa circulação mecânica. Esse estado de coisas exige uma modificação radical: a velocidade dos pedestres, 4km/h, e as velocidades mecânicas, 50 a 100 km/h, devem ser separadas. As habitações serão afastadas das velocidades mecânicas, a serem canalizadas para um leito particular, enquanto o pedestre disporá de caminhos de diretos ou de caminhos de passeio para ele reservados. (Carta de Atenas, 1933, IPHAM, p. 13).

Fica bem claro a proposição de uma morfologia do espaço público na qual a residência está desvinculada da rua, e em alguns casos, a residência está desvinculada até mesmo da própria rua de pedestres:

A casa, então não estará mais unida à rua por sua calçada. A habitação se erguerá em seu meio próprio, onde gozará de sol de ar puro e de silencio. A circulação se desdobrará por meio de vias de percurso lento para uso de pedestres, e de vias de percursos rápido para uso de veículos. Cada uma dessas vias desempenhará sua função só se aproximando ocasionalmente da habitação. (Carta de Atenas, 1933, IPHAM, p. 8, grifo nosso).

As duas citações acima permitem perceber que as ideias de forma urbana contidas na Carta de Atenas (1933) eram contrárias a configurações projetuais de fachadas residenciais que apresentassem algum tipo de relação com as ruas. O texto da carta tão pouco discute a forma ou ainda a existência de espaços com papéis de transição, espaços privados de uso público. Provavelmente por acreditar em um tipo de configuração onde exista efetivamente apenas o público e o privado. Neste contexto, é conveniente relembrar que há uma relação perene entre estrutura urbana e estrutura social (HILLIER, 1999). As configurações urbanas nas sociedades sempre apresentam traços de relação com suas configurações sociais. Esta relação pode

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aparecer de forma clara e inequívoca. Podem parecer parcialmente e um tanto nebulosas. E ainda em alguns casos as configurações urbanas refletem não a estrutura social existente, mas a prospectada. (HILLIER, 1999).

O espaço proposto no documento de 1933 possivelmente relaciona-se estrutura social prospectada. Uma estrutura social totalmente baseada no automóvel que determinou inclusive a ampliação das quadras em detrimento do pedestre. A proposição de quadras superdimensionadas aparece na Carta de 1933:

Para atingir sua marcha normal, os veículos mecânicos precisam do arranque e da aceleração gradual. A freada não pode intervir brutalmente sem causar um desgaste em seus principais órgãos.

Dever-se-ia, portanto, prever uma unidade de extensão razoável entre o local de arranque e aquele em que a freada torna-se necessária. Os cruzamentos das ruas atuais, situados a 100, 50, 20, ou mesmo 10 metros de distância uns dos outros, não convêm a boa progressão dos veículos mecânicos. Espaços de 200 a 400 metros deveriam separá-los. (Carta de Atenas, 1933, IPHAM, p. 22, grifo nosso).

Sabe-se que, no século XX, a estrutura social urbana certamente passou por fortíssimas mudanças. Por outro lado, a morfologia urbana tradicional também foi profundamente alterada ao longo do século XX. Vias expressas, túneis, viadutos, linhas ferroviárias terrestres e aéreas, gigantescas quadras industriais: todos fenômenos que no seu conjunto contribuíram para a desqualificação do espaço público para o pedestre.

A Carta de Atenas (1933) propunha vários espaços públicos para uso público, em especial, os parques. Propunha também vários espaços privados para uso público, em especial, os centros comerciais. Contudo, estes espaços muitas vezes, e talvez até na maioria das vezes são segregados do espaço público livre. Ou seja, são espaços e formas que não fazem parte do espaço público de livre acesso da cidade.

A fim de favorecer a vivência, nenhum espaço livre definido intencionalmente dentro espaço público livre deveria ser isolado do seu entorno. A praça não deveria ser isolada por meio de gradis ou muros, os parques também devem manter sua conexão como o espaço público livre, sobretudo, dando continuidade ao traçado viário existente. A experiência nacional e internacional mostra que as decisões projetuais têm um importante papel em tornar um parque mais ou menos conectado com o espaço público. Inclui-se neste caso também a adoção da forma do parque, pois sabidamente os denominados lineares, por terem uma de suas dimensões mais

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estreita, em torno de 50 metros são, portanto, mais adequados ao alcance visual humano e integram-se de forma mais fácil ao tecido urbano.

No caso do centro de compras, o mesmo raciocínio de busca de conexão com espaço público livre no nível térreo deve ser aplicado. Neste sentido, faz toda a diferença a relação que a fachada e os recuos do edifício têm com a rua. A que distância entre si se encontram os acessos existentes na fachada? Qual a porcentagem da área da fachada no nível térreo efetivamente transparente? Observa- se assim que, novamente, são sobretudo os aspectos projetuais que podem tornar o edifício mais ou menos conectado ao espaço público.

2.1 A RUA E OS DEMAIS ELEMENTOS DA MORFOLOGIA URBANA

Se a cidade é maior criação da humanidade (GLAESER, 2011), assim também o são, o conjunto dos elementos morfológicos que a constituem. O edifício, a rua, a quadra, o lote e o monumento são elementos morfológicos inventados pelo homem e que podem ser encontrados em qualquer cidade independente do período histórico ou das características sócios culturais da sociedade que a criou. Cada um destes elementos morfológicos está associado a importantes aspectos da instituição da sociedade humana, sendo inclusive mais antigos que a própria cidade (KOSTOF, 1992).

De acordo com a morfologia urbana tradicional da cidade ocidental são 11 os elementos morfológicos do espaço urbano: o solo, o edifício, o lote, o quarteirão, a fachada, o logradouro, o traçado da rua, o recuo, a praça1, o monumento e o mobiliário urbano 2 (LAMAS, 2014). O homem ao permanecer parado ou circular pela cidade

1 Na visão da morfologia tradicional, não há uma tipologia morfológica específica para parque, nem tão pouco para o shopping ou centro de compras. No entanto, na medida em que o parque oferece árvores e vegetação e também é uma forma definida intencionalmente no espaço, livre, apresenta várias características similares à praça.

2 “Solo: É a partir do território existente e da sua topografia que se desenha ou constrói a cidade. O pavimento é um elemento de grande importância no espaço urbano, contudo de uma grande fragilidade e sujeito a inúmeras mudanças.

Os edifícios: É através dos edifícios que se constitui o espaço urbano e se organizam os diferentes espaços identificáveis e com “forma própria”: a rua, a praça, o beco, a avenida, etc. Os edifícios agrupam-se em diferentes tipos, decorrentes da sua função e forma. Esta interdependência é um dos campos mais sólidos em que se colocam as relações entre cidade e arquitectura.

O lote: O edifício não pode ser desligado do lote ou da superfície do solo que ocupa, este é a gênese e fundamento do edificado. A forma do lote é condicionante da forma do edifício e consequentemente, da forma da cidade.

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pode perceber todos os elementos morfológicos na sua complexa interação. Pode ser a percepção do ‘protegido’ ou ainda ‘privado’ para o externo ou o público: seja de dentro de um edifício, através de uma janela ou sacada, seja na área livre de um determinado lote. Nestas situações observa-se a paisagem urbana e o espaço público, porém não ocorre uma efetiva vivência. Para vivenciar de forma concreta o espaço público é necessário estar na rua ou em uma praça. As ruas são os principais elementos morfológicos que possibilitam a percepção do espaço público. Além de se conectarem entre si, conectam-se com todos os demais elementos da morfologia urbana. As condições e atributos de uma determinada área pública livre são reveladas pela relação tecida entre as ruas e os demais elementos morfológicos urbanos.

Com relação a rua, Spiro Kostof (1992), em seu livro “City Assembled”, afirma que a sua história ainda está para ser contada quer como forma quer como instituição.

No que se refere a forma, uma rua é em geral constituída de um leito carroçável, de calçadas e de edifícios que a margeiam em ambos os lados; podendo articular-se a outras ruas. Há as ruas cobertas, as aleias, os bulevares, entre outras. Paralelamente

O quarteirão: O quarteirão é um contínuo de edifícios agrupados entre si em anel, ou sistema fechado e separado dos demais, é o espaço delimitado pelo cruzamento de três ou mais vias e subdivisível em lotes para construção de edifícios. O quarteirão agrega e organiza os outros elementos da estrutura urbana: o lote e o edifício, o traçado e a rua, e as relações que estabelecem com os espaços públicos, semipúblicos e privados.

A fachada: A relação do edifício com o espaço urbano processa-se pela fachada. São as fachadas que exprimem as características distributivas, o tipo de edificado, as características e linguagem arquitectónica, um conjunto de elementos que irão moldar a imagem da cidade.

O logradouro: O logradouro constitui o espaço privado do lote não ocupado por construção, as traseiras, o espaço privado separado do espaço público pelo continuo edificado. É através da utilização do desenho do logradouro que se faz parcialmente a evolução das formas urbanas do quarteirão até ao bloco construído.

O traçado da rua: Assenta num suporte geográfico preexistente, regula a disposição dos edifícios e quarteirões, liga os vários espaços e partes da cidade e confunde- se com o gesto criador. O traçado estabelece a relação mais directa de assentamento entre a cidade e o território. É o traçado que define o plano, intervindo na organização da forma urbana a diferentes dimensões.

A praça: A praça é um elemento morfológico das cidades ocidentais e distingue-se de outros espaços, que são resultado acidental de alargamento ou confluência de traçados. A praça pressupõe a vontade e o desenho de uma forma e de um programa. É um elemento morfológico identificável na forma da cidade e utilizável no desenho urbano na concepção arquitectónica.

O monumento: O monumento é um fato urbano singular, elemento morfológico individualizado pela sua presença, configuração e posicionamento na cidade e pelo seu significado. O monumento desempenha um papel essencial no desenho urbano, caracteriza a área ou bairro e torna-se pólo estruturante da cidade.

A árvore e a vegetação: Caracterizam a imagem da cidade, têm individualidade própria, desempenham funções precisas: são elementos de composição e do desenho urbano, servem para organizar, definir e conter espaços.

O mobiliário urbano: Situa-se na dimensão sectorial, na escala da rua, não podendo ser considerado de ordem secundária, dado as suas implicações na forma e equipamento da cidade. É também de grande importância para o desenho da cidade e a sua organização, para a qualidade do espaço e comodidade“. (LAMAS, 2014).

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ao aspecto formal da rua, Kostof salienta sua natureza institucional, por ser o espaço da cidadania, da troca, do aprendizado, do acolhimento e promoção do encontro do

‘diferente’. “A única legitimidade da rua é como espaço público. Sem a rua, não há cidade” (KOSTOF, 1992, p. 194, tradução nossa). A rua como espaço público é um local de sociabilidade e fundamental para o exercício da cidadania.

Conforme Kostof (1992) é possível localizar a primeira rua consciente na história em Khirokitia, no sul do Chipre, no sexto milênio a. C. Uma espinha de comunicação, construída de pedra calcária, conduzindo do início ao fim da colina (vide figura 1).

Figura 1 – A primeira rua da história: Khirokitia, 6.000 a.C.

Fonte: KOSTOF (1992, p. 190).

Uma questão perene com relação às ruas é a existência de separação para veículos e pedestres. No mundo antigo, em Roma, as ruas ofereciam faixas elevadas para pedestres ao longo de suas bordas. A cidade etrusca de Marzabotto, perto de Bolonha, possuía uma rede de vias pavimentadas de 15 m de largura e ruas secundárias de 4,9m, todas divididas entre faixa de rodagem e calçadas. A palavra romana para a calçada era semita, e referências a este recurso datam do século III a.

C. (KOSTOF, 1992).

No período pós-romano, como parte da deterioração geral da paisagem viária, calçadas saíram quase que totalmente de uso, até que a sua reemergência no período moderno. Ou seja, a calçada manteve-se uma exceção até tempos relativamente

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recentes. A distinção inicialmente era feita por meio de divisão feita por pontaletes de madeira. No plano Evelyn de Londres após o incêndio, além da linha construída ficar mais elevada foram implantadas calçadas nas partes renovadas. (KOSTOF, 1992) (vide figuras 2 e 3).

No século XIX, a calçada é efetivamente consolidada. Em 1822 existiam apenas 267 metros de calçadas em toda a cidade de Paris; por 1848, o total já havia subido para 260 quilômetros. (KOSTOF, 1992).

Figura 2 – Londres no século XVII

Fonte: KOSTOF (1992).

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Figura 3 – Londres em 1813

Fonte: KOSTOF (1992).

2.2 O PODER PÚBLICO E SUAS AÇÕES SOBRE A UNIDADE ESTÉTICA E A SEGURANÇA NAS RUAS, E A DISPUTA DO PRIVADO SOBRE O PÚBLICO

Historicamente, o controle público sobre os padrões espaciais da rua foi exercido tendo como justificativa, seja a segurança e circulação, seja a obtenção de uma unidade estética para a paisagem urbana.

Kostof afirma que no cerne da questão está a relação da linha de rua e da linha de edificação (1999). Quando as duas linhas são congruentes, a estrutura do espaço público é inequívoca. Quando os edifícios adjacentes recuam arbitrariamente da linha de rua ou se projetam para além dela, uma zona espacial ambivalente é criada ao longo do canal de rua que desfoca esta estrutura. “Nas culturas em que há um forte sentido da residência como uma unidade unifamiliar isolada haverá uma indiferença correspondente para a formação das ruas, ou seja, para volumes bem definidos de espaço exterior e corredores de circulação”. (KOSTOF, 1992, p.214, tradução nossa).

Kostof (1992) mostra como exemplo a Rússia, no início do século XVIII, na qual a unidade urbana padrão ainda o era o domicílio individual de derivação rural. As casas dos ricos comerciantes boiardos eram situados em um pátio afastado da rua.

Foi Pedro, o Grande, que em 1714 ordenou a seus nobres, sob ameaça de punição para erguer suas mansões em sua nova capital de St. Petersburg, como os edifícios

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de outros estados europeus, alinhados ao passeio, e não no meio do lote (vide figura 4).

Houve tentativas semelhantes, anteriormente, para garantir uma linha de construção contínua. Na Filadélfia, em 1683, William Penn pediu que as casas construídas estivessem alinhadas, tanto quanto fosse possível (KOSTOF, 1992) (vide figura 4).

Figura 4 – À esquerda: Na Rússia, antes e depois de Pedro, o Grande. Philadelphia, depois de 1683 – À direita: Adição Herculeana Ferrara (Itália), 1490, Fachadas contínuas em Paris, e Cidade Industrial de Tony Garnier

Fonte: KOSTOF (1992).

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Na Adição Herculeana, na cidade de Ferrara, criada por volta de 1500, as ruas são um compromisso entre o efeito de túnel sombreado, de paredes contínuas e a distinção visual de edifícios e blocos individuais. O projetista, Biagio Rossetti, manteve a perspectiva forte, e ao mesmo tempo, rompeu os planos verticais de tijolo com espaços verdes e através de visões em pátios e jardins, de modo que as ruas foram remendadas com a luz, e o pedestre tinha a sensação de cruzamentos e a integridade dos blocos (vide figura 4).

O favorecimento do bloco de construção único, excepcional, mesmo no Renascimento, desapareceu completamente no período barroco, em favor de uma parede da rua contínua e uniforme. A tendência indica um movimento que se distancia de um interesse no projeto do edifício, e se aproxima do interesse no projeto de modelagem do espaço livre. À perspectiva de rua composta por edifícios heterogêneos, e até mesmo estilos, formou-se a uma perspectiva de tipos de edifícios e estilos unificados.

Posteriormente, a primazia do edifício tornou a voltar. Esta inversão foi antecipada por Fischer von Erlach e Piranesi, e celebrada na obra de Ledoux. Em tais sistemas neoclássicos como a cidade ideal de Chaux projetada por Ledoux, a cidade se desintegra em uma série de edifícios isolados, em um arranjo que lembra as predileções modernistas do século XX, quando a cidade será vista como área livre aberta na qual edifícios são introduzidos como objetos. No entanto, as avenidas contemporâneas de Paris de Haussmann, aderiram em vez disso, à precedente barroca de volume de rua uniformemente limitada (KOSTOF, 1992).

Na maioria das teorias urbanas do Movimento Moderno, a dissipação das paredes de rua é um dado. Na prática em Garden City, a linha do edifício está definitivamente separada da linha da rua, estabelecendo o precedente para o dogma modernista que se estabelecerá mais tarde. Em Ciudad Lineal dos 1880s, de Soria y Mata, as ruas foram estabelecidas no antigo sistema de grade, mas as casas foram colocadas em isolamento uma das outras. Isso também é verdadeiro no projeto Cité lndustrielle proposto por Tony Garnier, apresentado em Paris, em 1904 (vide figura 4).

Na idade média, mais do que nunca, a rua passa a representar o espaço de disputa entre o público e o privado. Observaram-se os maiores abusos sobre o espaço da rua. Saliências construtivas que impediam o trânsito e ameaçavam os pedestres.

Toldos, escadas exteriores, pontes entre os edifícios, varandas e pavimentos

Referências

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