Relatório de Avaliação Projecto Incremento do acesso e a qualidade dos cuidados de saúde primários através do fortalecimento dos serviços nacionais de saúde, priorizando o âmbito rural e de acordo com as políticas públicas de saúde Convénio 07‐CO1‐008 Local de intervenção Moçambique Acção 1: província de Cabo Delgado, distritos de Montepuez, Balama e Namuno Acção 2: província de Cabo Delgado, distritos de Macomia, Meluco e Ancuabe Acção 3: província de Gaza, distritos de Chókwè , Massingir, Mabalane e Guijà Angola Acção 4: província de Luanda, município de Viana Período de execução avaliado 01/12/2007 a 31/05/2012 Financiamento AECID Convénio 07‐CO1‐008 Implementador Medicus Mundi Âmbito de avaliação: período completo, Acções 1, 2 y 4 Relatório elaborado por: Sector5, Soc. Uni. Lda Fernando de los Rios Martín Av. Paulo Samuel Kankhomba 487 Maputo Moçambique e‐mail: [email protected] Data da avaliação: Agosto – Novembro 2012
ÍNDICE RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO ________________________________________________________ 1 0. Resumo Executivo____________________________________________________________ 1 0.1. Objectivos da avaliação ___________________________________________________1 0.2. Contexto ______________________________________________________________1 0.3. Metodologia ___________________________________________________________2 0.4. Conclusões e recomendações _______________________________________________3 1. Introdução _________________________________________________________________ 9 1.1. Objectivo e relatório de avaliação ____________________________________________9 1.2. Perguntas e critérios de avaliação: definição ____________________________________9 1.3. Equipa de avaliação _____________________________________________________12 2. Descrição resumida da intervenção avaliada _______________________________________ 14 2.1. Resumo do contexto, organização e gestão ____________________________________14 3. Metodologia utilizada na avaliação ______________________________________________ 18 3.1. Metodologia e técnicas aplicadas ___________________________________________18 3.2. Restrições e limites do estúdio realizado ______________________________________18 4. Analise das informações levantadas e evidencias ____________________________________ 19 4.1. Pertinência ___________________________________________________________19 4.2. Eficácia ______________________________________________________________23 4.3. Eficiência _____________________________________________________________28 4.4. Impacto ______________________________________________________________33 4.5. Sostenibilidade ________________________________________________________37 4.6. Coerência ____________________________________________________________39 4.7. Alinhamento __________________________________________________________40 5. Conclusões e recomendações __________________________________________________ 41 5.1. Pertinência ___________________________________________________________41 5.2. Eficácia ______________________________________________________________42 5.3. Eficiência _____________________________________________________________44 5.4. Impacto ______________________________________________________________46 5.5. Sostenibilidade ________________________________________________________46 5.6. Coerência ____________________________________________________________47 5.7. Alinhamento __________________________________________________________47 6. Lições aprendidas ___________________________________________________________ 48 ANEXOS_____________________________________________________________________ 1 ANEXO 1: Indicadores OE: gráficas de tendências Cabo Delgado _____________________________ 1 ANEXO 2: Indicadores OE: Município de Viana __________________________________________ 5 ANEXO 3: Tabela de revisão do alcance resultados e custe associado__________________________ 6 ANEXO 4: Agenda de trabalho de campo _____________________________________________ 14 ANEXO 5: Fontes consultadas (selecção) _____________________________________________ 16 ANEXO 6: Ferramentas para entrevistas ______________________________________________ 17 ANEXO 7: Termos de Referencia ___________________________________________________ 17 ANEXO 8: Comentários ás primeiras versões do relatório _________________________________ 17 ANEXO 9: Ficha CAD ____________________________________________________________ 17
ACRÓNIMOS AECID Agencia Espanhola de Cooperação Internacional ao Desenvolvimento CATV Centro de Aconselhamento e Testagem Voluntário DPS Direcção Provincial de Saúde ICRA Instituto de Ciências Religiosas de Angola IEC Informação, Educação e Comunicação MEF Mulher em Idade Fértil MISAU Ministério de Saúde (Moçambique) MINSA Ministério de Saúde (Angola) MM Medicus Mundi PARP(A) Plano de Acção de Redução da Pobreza (Absoluta) PASS Plano de Apoio ao Sector de Saúde PAV Plano Alargado de Vacinação SADC Comunidade de Desenvolvimento da África Austral SDSMAS Serviços Distritais de Saúde, Mulher e Acção Social SIS Sistema de Informação Sanitária SMI Saúde Materno Infantil SWAP Plano de Abordagem Sectorial UA Unidade de Atenção (definido no texto) US Unidade Sanitária
RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO
0. Resumo Executivo
0.1. Objectivos da avaliação O presente relatório trata sobre os resultados da avaliação externa final realizada à intervenção titulada “Incremento do acesso e a qualidade dos cuidados de saúde primários através do fortalecimento dos serviços nacionais de saúde, priorizando o âmbito rural e de acordo com as políticas públicas de saúde”, financiada maioritariamente pela AECID a partir do Convénio de Cooperação n.º: 07‐CO1‐008 e implementada em Moçambique e Angola pela ONG Medicus Mundi durante 4 anos e 6 meses (do 01/12/2007 a 31/05/2012). Uma vez que a Acção 3 do Convénio (implementada na província de Gaza, Moçambique) finalizou pouco tempo depois da realização da Avaliação Externa Intermédia, não foi incluída na avaliação como se referenciava nos Termos de Referencia. Desta maneira, a avaliação incluiu todas as Acções do Convénio a excepção da 3 (em total, o Convénio se compõe de 4 Acções) e durante o período completo de implementação.
0.2. Contexto
Medicus Mundi é uma organização de cooperação internacional do âmbito sanitário com o objectivo
estratégico de reforçar os serviços de Atenção Primária nos países em desenvolvimento como estratégia eficaz e eficiente para superar e dar resposta às necessidades e carências no domínio da saúde da população destes países. Na actualidade trabalha em 21 países de América Latina, África e Ásia e está presente em Angola e Moçambique desde a década dos 90. Em particular, em Angola desenvolve projectos desde 1991 no Município de Viana. Em Moçambique a sua presença inicia em 1994 em Cabo Delgado, estendendo‐se sua intervenção posteriormente a outras províncias.
Convénio 07‐CO1‐008. A intervenção que se avalia agora se compõe de 4 Acções, cada uma delas
implementadas numa zona geográfica, três delas em Moçambique e uma em Angola, iniciando em Dezembro de 2007 e com uma duração prevista de 4 anos, a excepção da Acção 3 (34 meses na província de Gaza, Moçambique). A intervenção foi estendida até fins de Maio de 2012 para poder concluir, fundamentalmente, as actividades de construção, pelo que totaliza 4 anos e 6 meses nas Acções 1, 2 e 4 (Cabo Delgado em Moçambique e Angola). A intervenção tem por Objectivo Geral o Fortalecimento dos Cuidados Primários de Saúde y por Objectivo Específico, o Melhoramento da Cobertura, Qualidade y Eficácia dos Serviços de Atenção Primaria. Os Resultados se adaptam às zonas geográficas da intervenção, embora seguem a mesma estrutura de acção: (1) Melhoramento da infra‐estrutura, equipamento e serviços de manutenção do Sistema Nacional de Saúde, (2) Apoio Técnico à planificação e gestão, (3) Apoio a programas prioritários de saúde, (4) Formação do pessoal da rede sanitária e (5) Educação para a saúde e saúde comunitária. Acción 4 Acción 3 Acción 2
População beneficiaria esperada. A intervenção está dirigida de maneira directa ao fortalecimento da
Atenção Primária, pelo que os beneficiários directos se correspondem com os profissionais de saúde, o pessoal de apoio, gestão, administração e formação das zonas onde trabalha. Por outro lado, dada a componente de saúde Comunitária e as acções desenvolvidas para activistas de saúde (Acção 4) e pessoas vivendo com HIV (Acção 1 e 4), também estes serão beneficiários directos nestas zonas. Especificamente, em relação à Acção 1, se consideram beneficiários directos 234 profissionais de saúde (35% mulheres) e 60 pessoas incluídas no programa de Cuidados Domiciliários de Montepuez (estimado em 50% a proporção de mulheres como meta). Na Acção 2, se incluem 187 profissionais de saúde (35% mulheres). Na Acção 3, se beneficiam de maneira directa 136 profissionais de saúde (54% mulheres) y por último, na Acção 4, os beneficiários directos compreendem 586 profissionais de saúde (50% mulheres) e 160 activistas (43% mulheres). O número final de beneficiários tem sido variável, dependendo do número de técnicos sanitários existentes em cada momento e das actividades realizadas a nível da saúde comunitária.
Orçamento. O orçamento total da intervenção foi de 7.605.631 Euros (4 anos), financiados em quase o
80% pela AECID.
Recursos Humanos. MM contou no terreno com 6 escritórios, uma por cada Acção mais um escritório de
apoio em Pemba, capital de Cabo Delgado, e outra em Maputo, sede da Representação em Moçambique. Se encontram algumas diferenças entre Angola e Moçambique em quanto à composição de equipas e escritórios. Em quanto que em Moçambique a composição típica é de 2 expatriados por escritório, assumindo tarefas de coordenação do projecto e coordenação sanitária, mais 2‐3 pessoas de apoio (administração, logística, etc.), em Angola somente se inclui um expatriado/a (coordenador do projecto), mais 2 pessoas ligadas à área sanitária e 4 pessoas mais com funções técnicas e administrativas, todas elas nacionais. Se tem que ter em conta que em Moçambique existe um escritório de representação nacional, em Maputo, que da cobertura às equipas de implementação em vários âmbitos: coordenação, administração, representação institucional a nível nacional, etc. Em Angola, é o mesmo escritório onde funciona o órgão de implementação e de representação perante as autoridades de Angola a nível central.
Instituições relacionadas com o projecto (em terreno). O Convénio, financiado maioritariamente pela
AECID, é monitorado desde terrenos desde os Escritórios Técnicos de Cooperação da AECID (OTCs). Tanto a OTC como Medicus Mundi se relacionam com o Ministério de Saúde de cada país e as Direcções Provinciais de Saúde, como órgãos directores e de coordenação com o trabalho directo sobre os distritos / município. De maneira directa, o trabalho de MM se fundamenta nos serviços de saúde dos próprios distritos em Moçambique (SDSMAS) e Município em Angola (RMS) e nas unidades sanitárias periféricas sob a influencia de cada um deles. Existe também relação directa com grupos de activistas no caso de Angola (acção coordenada com a RMS) e com pessoas vivendo com HIV em Moçambique (também acção coordenada com os SDSMAS de Montepuez). Por outro lado, Medicus Mundi interage com outras ONGs e actores de cooperação de maneira a coordenar as acções na província assim como manter vínculos de colaboração com algumas delas, tanto de maneira bilateral ou desde foros de ONGs como NAIMA+ em Moçambique. 0.3. Metodologia A Metodologia aplicada baseou‐se nos seguintes pilares: Objectividade: na medida do possível, todas as conclusões estão baseadas na análise de evidencias contrastáveis. Participação e aprendizagem: os intervenientes se incorporaram à avaliação nas diferentes fases do trabalho.
Alinhamento com o estabelecido nos TdR: O trabalho de consultoria seguiu as premissas estabelecidas nos TdR dando resposta às necessidades de MEDICUS MUNDI
Uso de diferentes ferramentas: foram utilizadas diferentes ferramentas para a obtenção dos dados necessários para realizar as análises correspondentes. Segundo a fase de avaliação, estas foram: Æ Na primeira fase: revisão documental de base do projecto (formulação, planificações,...) e toda
...). Também foi tida em consideração a informação relacionada com o contexto de acção (zona geográfica, sócios locais, políticas sectoriais,...). Æ Na fase de levantamento de dados e evidencias no terreno: foi feita uma revisão documental dos dados específicos gerados pela equipa do projecto assim como as fontes de verificação dos indicadores de progresso existentes no terreno. Foram realizadas entrevistas semi‐estruturadas com os parceiros de implementação, os sócios locais, beneficiários directos, representantes de outras ONGs presentes no terreno e, finalmente, com o próprio pessoal encarregado da execução e coordenação do projecto. Também se tomou como matéria de análise todos aqueles aspectos obtidos a partir da observação directa nos locais da intervenção.
Æ Na fase final, de elaboração do relatório: a metodologia aplicada foi a realização duma análise
de dados e o cruzamento da informação obtida a partir de informantes chave, a observação
directa, a revisão documental e as conclusões dos encontros grupais.
0.4. Conclusões e recomendações
Pertinência
A identificação de problemas é correcta, embora segundo a nossa análise, existe uma implicação directa da falta de fundos de funcionamento e deficiência de infra‐estruturas como causas directamente ligadas ao problema central. Com tudo, o reforço das infra‐estruturas entra posteriormente como resultado e a questão do financiamento do sistema é algo fora do alcance de uma ONG.
As necessidades dos beneficiários são amplas e portanto, as acções de Medicus Mundi são avaliadas positivas por aqueles, embora há uma tendência clara à priorização por parte dos beneficiários de necessidades de curto prazo e investimentos em equipamentos. A componente de assistência técnica é também valorizada positivamente sobretudo em relação à gestão dos fundos da intervenção. Se pode verificar dentro dos Serviços de Saúde (em Moçambique) um certo receio e desconfiança própria para gerir maiores volumes de financiamento, pelo que se avalia positivamente a presença de MM para a gestão dos fundos da intervenção.
As estratégias de desenvolvimento de Angola e Moçambique, definidas nos Planos de Redução da Pobreza, incidem nos aspectos desenvolvidos no Convénio. Incluso no novo Plano de Redução da Pobreza de Moçambique para o quinquénio 2011‐2014, estão incluídas as linhas de acção do Convénio embora com uma maior incidência desde o ponto de vista da satisfação do utente e não tanto o reforço institucional.
O Convénio se integra perfeitamente na Estratégia do Sector de Saúde em Moçambique para o período 2007‐2012, tanto nos seus princípios orientadores como nos seus objectivos.
Também se integra na estratégia da AECID para Angola e Moçambique embora não se dispõem de documentos actualizados desta estratégia (Marco de Associação País) e, desde o ponto de vista sectorial, também se adequa à Estratégia de Saúde da AECID para Moçambique, embora esta ter sido elaborada tempo depois do inicio do Convénio (para o período 2010‐2013)
A longa trajectória de Medicus Mundi nas zonas de intervenção favorecem o alcance dos logros, tanto pelo conhecimento que se tem da realidade local, como pelo grau de confiança que os beneficiários lhe manifestam.
A situação de estabilidade política favorece o trabalho de cooperação com as entidades locais. No entanto, no caso de Angola, e dada a situação económica, parece que seria mais pertinente orientar as acções mais directamente à população local, promovendo a saúde preventiva e a componente de direitos.
Recomendações:
Æ Eliminação da componente de construção: Embora sendo muito pertinente e de obrigado cumprimento pela sua inclusão no Código de Conduta firmado pelas ONGs de Saúde com o Ministério de Saúde de Moçambique, seria recomendável que as infra‐estruturas fossem construídas pelos próprios Serviços de Saúde com fundos de apoio bilateral ou multilateral (ou recursos próprios), mantendo a responsabilidade global sobre o processo. Não existe nenhuma
contribuição técnica de uma ONG de saúde nas construções além da própria gestão do processo de contratação e seguimento da obra, embora não há razão para que isto não possa ser feito desde os próprios Serviços de Saúde ou os serviços de infra‐estruturas do distrito correspondentes (no caso de Moçambique) o do Município (no caso de Angola).
Æ Orientação à saúde preventiva e direitos: Em Angola especificamente, parece mais pertinente apoiar os aspectos de saúde comunitária e preventiva, uma vez que o Estado possui cada vez mais recursos para fortalecer os seus próprios serviços públicos. É importante fortalecer a componente de direitos na população para que possam exigir o melhoramento das condições de urbanização e saneamento, tão importantes para o melhoramento da saúde em vez de potenciar os serviços de saúde curativa.
Eficácia
Os indicadores do Objectivo Específico deveriam medir a contribuição da intervenção nos logros deste objectivo. Como indicadores, se definem os do Sistema de Informação Sanitária, os quais se vêem influenciados por um determinado número de factores. A intervenção somente actua sobre algum deles, pelo que a medida destes indicadores não reflecte de maneira directa os logros alcançados especificamente a partir da intervenção. Isto se visualiza na análise realizada aos indicadores propostos no projecto e se verifica que: (1 Num mesmo distrito, os indicadores não tem uma tendência clara de melhoramento ou de equilíbrio, embora as actividades da intervenção se realizam de maneira lineal e progressiva y (2) As diferenças de comportamento dos indicadores entre distritos é grande, embora a intervenção é similar em todos eles, pelo que indica que há outros factores alheios à intervenção que afectam a medida do indicador. Desta maneira se pode dizer que não se podem medir correctamente a eficácia da intervenção uma vez que os resultados obtidos na medida dos indicadores pode levar a conclusões erradas. Não há melhoras evidentes nem consolidação de tendências. Alguns indicadores melhoram, outros pioram, outros melhoram depois de piorar, etc. E estes resultados não se podem tomar com evidencias de uma eficácia baixa; simplesmente os indicadores não são adequados para medir os logros desta intervenção.
A causa fundamental dos desvios nas metas proposta se deve a que, como está comentado anteriormente, a confluência de diversos factores nos indicadores sobre os quais não se trabalha ao longo a intervenção. O relacionamento institucional entre MM e os sócios locais (incluindo os beneficiários) não tem tido implicações negativas. O Convénio se fortalece em acções orientadas à Igualdade de Género a partir da segunda metade do mesmo. No entanto, o projecto se orienta de maneira mais directa ao fortalecimento institucional dos provedores de serviços e não tanto a nível do utente (beneficiário indirecto). É dentro das famílias onde ainda se encontram as causas principais de desigualdade de género e o livre acesso das mulheres aos serviços de saúde, e é ali onde deveria ser principalmente promovido a mudança. Recomendações: Æ Definição de indicadores que meçam os logros da intervenção (resultados e objectivo específico)
sem influencia de outros factores sobre os que não se actua: Recomenda‐se definir indicadores
que meçam a influencia específica da intervenção sobre o melhoramento e logros que se queriam alcançar. Ou se seleccionam indicadores do Sistema de Informação Sanitária sobre os que se vão ter influencia completa, ou se definem outro tipo de indicadores que evidenciem os efeitos da intervenção.
Æ Concentração em linhas de trabalho: Como alternativa à recomendação 2, recomenda‐se concentrar os esforços da intervenção só em algumas poucas linhas de trabalho de tal maneira que se possa trabalhar e influenciar a maior parte dos factores que afectam os indicadores. A dispersão de linhas de trabalho favorece que se façam enormes esforços em favorecer mudanças sobre muitos aspectos e não se alcancem resultados visíveis (a partir dos indicadores do SIS) sobre eles. Æ Orientação à Igualdade de Género em origem: Recomenda‐se definir acções de Género e Saúde no
seio das famílias, já que é aqui onde se encontra o problema da desigualdade no acesso aos serviços de saúde. Formaria parte da estratégia de saúde comunitária e teria um maior impacto potencial
que o fomento da Igualdade a partir dos Serviços de Saúde como tal. Estas acções poderiam se desenvolver através de ONGs especializadas neste tipo de intervenções e complementariam de maneira adequada aquelas que MM implementa de maneira habitual.
Eficiência
As actividades de construção são eficientes. Criam um impacto imediato sobre os indicadores (de cobertura) embora representam custos elevados.
As actividades de melhoramento da planificação não são tão eficientes uma vez que as actividades realizadas não tem um impacto decisivo sobre a capacidade de planificar e gerir os recursos. A ajuda orçamental não influencia no melhoramento da gestão embora é uma actividade pertinente e adequada para favorecer outros processos. No caso específico de Angola, as actividades de melhoramento da planificação não criam uma rotina de planificação uma vez concluída a intervenção. As acções de melhoramento da qualidade dos programas prioritários não são suficientes para melhorar os indicadores sanitários existindo outros factores adicionais sobre os que não se trabalha e que tem um maior peso. Por esta razão e, embora os custos associados a estas acções não se podem visualizar bem por estar incluídos nos custos operacionais (salário do técnico sanitário e despesas de deslocações), a efectividade é reduzida.
As actividades de promoção do parto institucional são altamente eficientes. Os custos são muito baixos e o impacto sobre o indicador de partos institucionais alto, embora só o 28% das parteiras formadas colaboraram posteriormente com os Serviços de Saúde. De igual forma, se poderia falar da promoção da saúde comunitária através do grupo de activistas do município de Viana.
A intervenção em Cuidados Domiciliários para doentes crónicos é pouco eficiente uma vez que beneficia a um reduzido número de pessoas, a pesar da sua importância e qualidade com que foi implementada.
A assinatura de Acordos de Colaboração e a inclusão das actividades da intervenção na planificação dos Serviços de Saúde apoiados, favorece o alcance dos logros. A ajuda orçamental, embora de maneira indirecta, também favorece a realização de outros processos assim como a permanência no terreno da equipa de implementação, o que cria confiança entre as instituições.
O menor desenvolvimento institucional dos Serviços de Saúde de Angola e o menor compromisso demonstrado pelos seus dirigentes, dificulta a capacidade por parte de MM de adaptar‐se a situações novas e imprevistas, assim como de resolver situações problemáticas que possam ter surgido. As mudanças frequentes de pessoal de MM no terreno não ajudam a agir de maneira rápida nem tomar decisões perante os problemas que surgiram ou o aproveitamento de oportunidades. Com tudo, os recursos humanos foram adequados ao grau de dificuldade do Convénio, tendo em conta os apoios recebidos desde a Representação de Maputo e pessoal em sede de Barcelona e Madrid. Em alguns casos, os benefícios alcançados a partir da intervenção não se acompanham duma maior
capacidade dos Serviços de Saúde por persistir algumas deficiências: a unidade sanitária de Chai que foi ampliada nesta intervenção ainda não tem o pessoal suficiente para o seu funcionamento completo, e o melhoramento da planificação e gestão não possui pessoal suficientemente capacitado em contabilidade/gestão, aspectos da total responsabilidade da DPS de Cabo Delgado em relação à incorporação de pessoal.
Em relação à capacitação técnica e melhoramento da qualidade dos programas prioritários, se produz um fortalecimento dos recursos humanos mais do que da própria instituição, pelo que as mudanças constantes de pessoal afectam negativamente ao impacto esperado (não assim em Angola).
O grau de satisfação dos beneficiários é elevado uma vez que se verificam reclamações em relação à não inclusão de certas actividades deste Convénio no actual em implementação (no caso de Moçambique) ou ao fecho da delegação em Viana (no caso de Angola).
Recomendações:
Æ Fortalecer a área administrativa e de gestão de fundos dos serviços de saúde: Recomenda‐se continuar com o fortalecimento do corpo de gestores do sector da planificação dos serviços locais de saúde e lhes dotar de capacidades adicionais para que sejam capazes, por exemplo, de determinar as capacidades de realizar actividades com dotação existente, realizar projecções da situação financeira e elaborar demonstrações financeiras para favorecer a transparência e criar confiança no pessoal dos serviços de saúde, como complemento ao melhoramento das capacidades de planificação.
Æ Desligar a ajuda orçamental do resultado do melhoramento da planificação: Uma vez que o nível de execução das actividades incluídas na planificação dos serviços de saúde é tão dependente da dotação financeira e a disponibilidade de recursos, aspectos sobre os quais esta intervenção pouca influencia teve, recomenda‐se desligar a ajuda orçamental de este resultado com o objecto de que a sua eficiência não se veja alterada por factores externos de alto risco e probabilidade de ocorrência que afectem à medida dos resultados. Æ Elaborar estratégias de intervenção mais concentradas: Para aumentar a eficiência da intervenção é preferível concentrar as acções em umas poucas áreas, realizando melhoras em todos os factores que em elas intervém. A dispersão provoca que os melhoramentos sejam menos visíveis e com impacto, tornando a intervenção menos eficiente.
Æ Melhoramento da eficiência das acções de formação inicial: Para melhorar a eficiência das acções de formação inicial,, se poderiam aplicar 2 medidas: ou se reduz o número de desistências dos cursos financiados com acções de melhoramento da qualidade ou motivação do aluno, ou reduzindo os custos sobretudo daqueles relacionados com o regime de internamento, o que só se poderia conseguir financiando cursos locais onde a maior parte dos alunos são da localidade onde tem lugar o curso. Para isto talvez se possa pensar em revitalizar o Centro de Formação de Montepuez ou criar outros centros de formação satélites em outros distritos.
Æ Favorecer a continuidade das equipas de implementação: Recomenda‐se procurar soluções que favoreçam a permanência das equipas de terreno por mais tempo, o que ajudaria a criar uma certa continuidade das intervenções longas como esta e a capacidade de resposta rápida perante os problemas ou oportunidades emergentes.
Æ Optimizar a estrutura de terreno: Recomenda‐se optimizar a estrutura de terreno par que o seu peso na intervenção seja menor: redução de meios de transporte, pessoal auxiliar, etc. Isto implicaria também concentrar territorialmente mais as acções ou apostar por uma maior incorporação de pessoal nacional (a pesar das dificuldades e o custo que isso trás consigo)
Impacto
As tendências dos indicadores não seguem uma linha clara de melhoramento pelo que a contribuição que se faz desde a intervenção para a melhora destes não é efectiva devido à maior influencia de outros factores sobre os quais não se trabalha.
Se produz em geral uma tendência decrescente no último ano da intervenção sem que isto implique uma alteração na execução das actividades do Convénio mas sim, de novo, uma maior influencia de outros factores com maior peso sobre os quais não se actua.
A persistência dos benefícios a longo prazo dos logros alcançados é diversa. A disponibilidade de recursos tem possibilidades de persistir no tempo (afectado principalmente pelo número de unidades sanitárias), embora os de cobertura, uso e rendimento e qualidade e eficiência poderão ver‐se afectados a curto prazo pela influencia negativa de outros factores.
As formações e capacitações criam um impacto positivo nos recursos humanos beneficiados a longo prazo. As acções de tipo comunitário apresentam um alto impacto a curto prazo mas são as que menos capacidade tem de ser sustentáveis devido às necessidades de financiamento.
A fraqueza da capacidade financeira dos serviços de saúde favorece a criação de certa dependência. As acções de construção ou reabilitação, sendo liderados em certa maneira por MM, não ajudam a criar uma capacidade e responsabilização completa dos serviços de saúde nesta matéria, embora pelas
características da intervenção (ligada a prazos) não se tem muita margem para o fazer duma outra maneira.
Recomendações:
Æ Concentração de actividades: Para aumentar o impacto (tendência de indicadores crescente e maior persistência dos benefícios no tempo), recomenda‐se concentrar as actividades em umas poucas linhas de trabalho como foi mencionado em outras recomendações referidas a outros critérios. Isto ajudaria a eliminar a influencia de factores sobre os que não se trabalha nesta intervenção e contribuiria de maneira efectiva ao melhoramento dos indicadores. Dever‐se‐ia assegurar pelos menos a intervenção em todos os factores determinantes y principais (aqueles com maior capacidade de influencia nos indicadores).
Æ Sostenibilidade das actividades de carácter comunitário: Esta recomendação está referida às actividades de tipo comunitário com a incorporação de activistas ou similares, em regime de voluntariado, que colaboram com os serviços de saúde. Recomenda‐se trabalhar na sostenibilidade destas acções uma vez que a paralisação destas poderia ter efeitos negativos tanto nos colaboradores como na própria população beneficiada.
Sostenibilidade
A dependência ao financiamento das actividades necessárias para dar continuidade aos benefícios obtidos ao longo da intervenção será um factor chave, junto do grau de fortalecimento institucional alcançado.
As infra‐estruturas são sosteníveis, sobretudo se se realizam acções de manutenção conservativa mínimas.
Em Moçambique, devido à consolidação da rotina de planificação nos Serviços de Saúde e ao seguimento realizado desde a Administração dos distritos e a Direcção Provincial de Saúde, não se coloca em questão a continuidade estas actividades de planificação. Em Angola, uma vez que não se verificam estes factores, a sostenibilidade é menor.
As actividades de melhoramento da qualidade (visitas de seguimento) e formação, requererão de financiamento continuo para assegurar a sua continuidade e melhoramento continuo.
As actividades relacionadas com o fortalecimento da estratégia de saúde comunitária não serão assumidas pelos serviços de saúde pelo que não são sustentáveis, dependendo sempre de apoios externos que neste momento não existem.
A incorporação de equipamento e outros elementos tecnológicos foi realizada seguindo os critérios dos serviços de saúde pelo que se assegura o seu bom uso e capacidade mínima de manutenção.
Se aplicam medidas de minimização de risco de impacto ambiental a partir dos resíduos obtidos na actividade sanitária pela inclusão de elementos para a sua gestão seguindo o modelo usado pelos Ministério de Saúde para as zonas rurais. Se incluem a partir da segunda metade do Convénio, acções tendentes ao melhoramento da Igualdade de Género, embora não se actua sobre a raiz do problema (a nível das famílias). Recomendações: Æ Assegurar a sostenibilidade das acções comunitárias: Como já foi mencionado na recomendação anterior, é necessário procurar alternativas de financiamento aos grupos criados de activistas ou parteiras tradicionais que colaboram com os serviços de saúde de tal maneira que estas actividades tenham continuidade depois da intervenção. Uma vez que serviços de saúde não as irão assumir, se devem completar as acções de apoio a estes grupos criando capacidades para a geração de rendimentos ou alternativas que assegure o seu funcionamento.
Æ Optimizar o uso de recursos dos Serviços de Saúde: Dada a precariedade do financiamento dos serviços de saúde (principalmente em Moçambique) recomenda‐se trabalhar na optimização de certos recursos clave (dos serviços de saúde) tais como: uso de viaturas, despesas de combustível, organização logística, uso de consumíveis de escritório, etc., por forma a que os recursos existentes possam ser aproveitados ao máximo. Este trabalho poderia estar dirigido à organização da gestão
dos recursos e o seu aproveitamento sostenível.
Coerência
A intervenção é coerente com a identificação de problemas realizada. No entanto, a estratégia de intervenção aplicada dilui a incidência efectiva em cada uma destas linhas. É uma intervenção muito ampla e ambiciosa. Se incorporam as prioridades transversais da Cooperação Espanhola sendo a intervenção coerente com o seu Plano Director vigente. O Convénio se coordena com as ONGs do sector saúde da província (tanto em Moçambique como em Angola) e se complementa com outras acções nos distritos objecto de intervenção (em Moçambique). No entanto, não se estabelecem verdadeiras sinergias. Recomendações: Æ Estabelecimento de sinergias: Para fazer valer a complementaridade com outras acções no mesmo território e conseguir um maior potencial de obtenção de resultados com os mesmos recursos, seria importante estabelecer relações que favoreçam a realização de actividades em comum e uso partilhado dos recursos, tanto dentro do sector saúde como com outros sectores que trabalhem na mesma área de intervenção.
Alinhamento
Intervenção alinhada com a Política Nacional de Saúde garantida pela assinatura de Acordos prévios com os serviços de saúde e inclusão das actividades programadas na planificação destes serviços. Inclusão da intervenção nos ritmos de planificação das instituições locais e uso de um dos mecanismos de gestão usado com as ONGs na modalidade de colaboração “off‐budget” na qual a ONG mantém a responsabilidade da gestão dos fundos.
1. Introdução
1.1. Objectivo e relatório de avaliação
O presente relatório trata sobre os resultados da avaliação externa final realizada à intervenção titulada “Incremento do acesso e a qualidade dos cuidados de saúde primários através do fortalecimento dos serviços nacionais de saúde, priorizando o âmbito rural e de acordo com as políticas públicas de saúde”, financiada maioritariamente pela AECID a partir do Convénio de Cooperação n.º: 07‐CO1‐008 e implementada em Moçambique e Angola pela ONG Medicus Mundi durante 4 anos e 6 meses (do 01/12/2007 a 31/05/2012).
Uma vez que a Acção 3 do Convénio (implementada na província de Gaza, Moçambique) finalizou pouco tempo depois da realização da Avaliação Externa Intermédia, não foi incluída na avaliação como se referenciava nos Termos de Referencia. Desta maneira, a avaliação incluiu todas as Acções do Convénio a excepção da 3 (em total, o Convénio se compõe de 4 Acções) e durante o período completo de implementação.
O relatório de avaliação consta dum Resumo Executivo, onde se recolhe a informação essencial de todo o
trabalho de consultoria aqui apresentado. A continuação se inclui a introdução (ponto 1) que mostra o contexto dentro do qual foi levado a cabo o trabalho, completado pela descrição resumida da
intervenção avaliada (ponto 2) e a metodologia utilizada (ponto 3). O ponto 4 apresenta um resumo da análise das questões propostas de forma específica para esta avaliação, dando resposta a cada uma delas.
O ponto 5 recolhe as conclusões obtidas e as recomendações por cada critério de avaliação a partir da análise realizada no ponto anterior. Por último, no ponto 6 se recolhem as lições obtidas.
Incluem‐se como anexos no próprio documento deste relatório de avaliação para facilitar a sua consulta, as tabelas de indicadores do Objectivo Específico (ANEXOS 1 e 2), a tabela de revisão do alcance de
resultados e o custo associado (ANEXO 3), as fontes consultadas (ANEXO 4) e a agenda de trabalho de campo (ANEXO 5). Em documentos separados se incluem os anexos referidos aos TdR (ANEXO 6), as Ferramentas de levantamento de informação usadas (ANEXO 7), o Documento de Controlo de Comentários e Mudanças das versões preliminares (ANEXO 8) e a ficha CAD de resumo dos resultados da Avaliação (ANEXO 9). Por outro lado, se entrega um CD com todas esta informação mais as fontes de informação documental que existam em formato digital, a proposta de avaliação, etc. 1.2. Perguntas e critérios de avaliação: definição
Os critérios de avaliação que foram seguidos para a realização do trabalho respeitaram o determinado nos Termos de Referencia e desenvolvidos posteriormente na proposta de trabalho, e incidem na pertinência da intervenção, a eficiência y eficácia das acções em relação ao alcance dos resultados, o impacto obtido, a sostenibilidade dos resultados, o alinhamento da intervenção com os procedimentos e políticas das instituições locais e a apropriação obtida por parte de estas em todas as fases do projecto. A partir destes critérios e as perguntas de avaliação associadas (critérios de análise), se construiu uma matriz com indicadores que servissem para analisar os dados existentes e extrair conclusões. Os critérios, as perguntas chave e os seus indicadores se expõem a seguir:
Informação procurada Indicadores documentação Informantes chave Relevância: Adequação dos resultados e objectivos da intervenção ao contexto em que se realiza. Através desta análise se pode
apreciar a qualidade do diagnóstico que sustenta a intervenção, verificando a sua correspondência com as necessidades observadas na população beneficiária.
Existe uma relação entre os resultados e objectivos identificados e os problemas identificados?
A Árvore de problemas está bem construída reflectindo todos os problemas existentes e a sua ligação com as causas
A transposição a objectivos e resultados é correcta
Estudos sectoriais Relatórios Sector Saúde Documentos de estratégia e
política
Documento de identificação
Sócios locais Responsáveis US
prioridades e necessidades dos seus beneficiários, tal como percebidas pelos mesmos?
problemas dos beneficiários com os identificados
Relatórios de avaliação e planificação dos sócios locais
Beneficiários Será que o projecto respondeu às
prioridades de desenvolvimento dos países beneficiários ou da área de influência?
Enquadramento dos objectivos da intervenção e a sua estratégia na estratégia sectorial de saúde e de desenvolvimento dos países beneficiários e da SADC
Estratégias nacionais de redução da pobreza Estratégias nacionais
sectoriais
Estratégias regionais: SADC ‐ UA
MISAU MINSA
Em que medida o Acordo foi integrado na estratégia definida pela AECID para a África Subsaariana, e em particular para Moçambique e Angola?
Enquadramento dos objectivos da intervenção na estratégia de cooperação da AECID para África e Angola/Moçambique
Plano Director Cooperação Espanhola
Documento Estratégia Pais de Angola e Moçambique ‐ AECID
OTC da AECID de
Angola e
Moçambique
Que factores internos e externos influenciaram a capacidade dos grupos‐alvo e a realização dos objectivos pretendidos?
Diferenças dos resultados e realização de actividades em relação ao previsto em função de factores que o influenciaram: internos e externos
Relatórios de actividades e seguimento Unidade de seguimento da avaliação Beneficiários Será que os objectivos e a própria
concepção do projecto foram relevantes, tendo em conta o contexto político, económico e financeiro?
Validez da intervenção em relação ao contexto de capacidades do país, suas prioridades e estratégias. Estudos de contexto nacional e local MINSA/MISAU OTC da AECID Redes de ONGs
Impacto: avaliação dos efeitos mais gerais e menos imediatos na intervenção sobre as necessidades dos seus beneficiários,
separando os que são directamente relacionados com a intervenção dos que se produzem pela evolução normal do contexto.
Será que foi possível alcançar o objectivo geral proposto pela intervenção, através da implementação das acções do projecto? Alcance de indicadores do Objectivo geral, eliminando no possível a influencia de outros factores alheios à intervenção, Dados estatísticos DPS provinciais
Será que o projecto teve algum impacto positivo sobre os beneficiários directos inicialmente previstos? Influencia real do alcance do objectivo geral nos beneficiários directos Beneficiários directos
Será que o projecto teve algum impacto positivo sobre os beneficiários que não tinham sido inicialmente previstos? Existência de benefícios não previstos ou beneficiários diferentes aos previstos inicialmente. Beneficiários finais
Será que o projecto teve algum impacto negativo sobre os beneficiários que não tinham sido inicialmente previstos? Existência de impactos negativos não previstos sobre os beneficiários Beneficiários finais Eficiência: estudo e avaliação dos resultados alcançados em comparação com os recursos usados.
Será que a transformação dos recursos em resultados foi eficiente? Alcance dos indicadores de resultados em função dos recursos investidos em actividades Existência de alternativas menos onerosas para a obtenção dos mesmo resultados Execução financeira Dados estatísticos Unidade de seguimento da avaliação DPS das províncias
Até que ponto os mecanismos institucionais de colaboração e de gestão ajudaram a alcançar os resultados da intervenção? Adequação dos mecanismos institucionais à realização efectiva das actividades previstas Existência de entraves derivados de a gestão e relacionamento institucional Relatórios de actividades Unidade de seguimento da avaliação Sócios locais Qual tem sido a capacidade de
Medicus Mundi e os seus parceiros tanto para aproveitar as oportunidades emergentes como para resolver os obstáculos à implementação do programa e redefini‐lo em relação aos novos determinantes emergentes? Existência de mudanças e alterações: verificação das causas e adequação da resposta Existência de actividades não realizadas e verificação das causas Relatórios de actividades Solicitações de alterações na formulação Unidade de seguimento da avaliação Sócios locais
previstos foram suficientes e capazes de implementar efectivamente o Acordo? previstas com a qualidade técnica requerida Relatório final da intervenção seguimento da avaliação Pessoal envolvido na realização de actividades e gestão de MM Até que ponto pode‐se dizer que a
capacidade do sector da saúde aumentou? Existência de diferenças nas capacidades dos sócios locais atribuíveis à intervenção: verificação de capacidades Relatórios de planificação Outra documentação de actividades do Sector da Saúde local DPS Serviços de Saúde distritais Será que o programa alcançou o
número esperado de
beneficiários? Avaliação do número de beneficiários finais por tipo e verificação das diferenças em relação ao previsto Relatórios finais de intervenção DPS provinciais Serviços locais de saúde Será que os beneficiários estão
satisfeitos com a qualidade da intervenção? Se não for o caso, em que sentido a intervenção não respondeu às expectativas dos beneficiários? Grau de satisfação dos beneficiários: em relação às suas necessidades e em função do que esperavam da intervenção. Beneficiários finais
Que melhorias ou alterações específicas ocorreram como resultado da implementação do Acordo?
Æ vide eficácia e impacto
Eficácia: grau de consecução dos objectivos inicialmente previstos Em que sentido o programa
contribuiu para a realização do objectivo? Alcance dos indicadores propostos: crítica da adequação dos indicadores Dados estatísticos Relatórios anuais dos serviços de saúde DPS provinciais Serviços Locais de Saúde Caso tenha havido desvios
significativos entre os indicadores previstos e alcançados, a que se deve isso?
Desvios verificados e análise das causas, externas e internas. Valorização do grau de influencia
Dados estatísticos
Relatórios de seguimento Unidade de seguimento da avaliação Sócios locais Existem aspectos da relação de
trabalho conjunto entre a Medicus Mundi e o seu parceiro, que terão prejudicado a eficácia da intervenção? Verificação das causas dos desvios no alcance dos indicadores em relação ao trabalho em parceria Relatórios de seguimento Unidade de seguimento da avaliação Sócios locais Será que o projecto contribuiu
para maior igualdade de género, conforme inicialmente planeado? Verificação dos avanços realizados na igualdade de género atribuíveis à intervenção Avaliação dos indicadores de género transversais Dados estatísticos Beneficiários Sócios Locais Sostenibilidade: avaliação da continuidade no tempo dos efeitos da intervenção uma vez finalizada a ajuda externa, capacidade dos factores de desenvolvimento e apropriação
Será que os efeitos do projecto permanecerão ao longo do tempo? Verificação dos efeitos da intervenção e a disponibilidade real de recursos e capacidades. Dados financeiros Análise capacidades Sócios locais Em que medida o Acordo foi
adaptado às características sociais e culturais das comunidades beneficiadas e fornece a sua especificidade? Existência de especificidade na implementação de actividades de acordo com as diferentes realidades sociais e culturais Existência de influencias negativas Estudos de carácter social Documentos de estratégias de intervenção diferentes Sócios Locais Beneficiários directos Beneficiários indirectos Será que o projecto teve algum
impacto positivo sobre a capacidade institucional? Aumento de capacidades institucionais: qualidade das acções realizadas Relatórios de actividades, monitoria e planificação dos beneficiários Sócios locais Será que o projecto promoveu um progresso tecnológico adequado? Adequação dos elementos tecnológicos incorporados à capacidade de uso e manutenção e realidade social. Sócios locais, unidades de manutenção Será que o projecto procurou
promover a preservação do meio ambiente? Impacto meioambiental das actividades realizadas e grau de implicações sobre o meio ambiente. Impacto potencial meioambiental Legislação meio ambiental Sócios locais Unidade de seguimento da avaliação Será que o projecto beneficiou os Inclusão efectiva dos colectivos Relatório final da Colectivos
mais vulneráveis? vulneráveis e o seu beneficio efectivo
intervenção vulneráveis
Será que o projecto teve uma actuação significativa sobre a desigualdade de género? Existência de efeitos positivos sobre a igualdade de género Sócios Locais Grupos de mulheres Coerência: A nível interno, avaliação da articulação dos objectivos da intervenção com os instrumentos propostos e relevância
dos problemas. A nível externo, compatibilidade da intervenção com outras estratégias e programas, estabelecimento de sinergias ou complementaridade.
Será que a definição da estrutura dos objectivos, resultados e actividades da intervenção foi feita correctamente?
Será que as actividades foram programadas de forma adequada, de modo a permitir a realização dos objectivos da intervenção? Será que os objectivos propostos
correspondem aos problemas identificados?
Correcção técnica da árvore de problemas e objectivos/resultados
Documento de identificação
Até que ponto a formulação do Acordo destacou o tratamento específico dos Objectivos Transversais estabelecidos no Plano Director da Cooperação Espanhola, em especial o objectivo relacionado com o género? Inclusão dos aspectos transversais na formulação do Convénio Documento de formulação Plano Director AECID
Será que a intervenção foi
desenvolvida em
complementaridade com outras estratégias ou programas implementados no mesmo território, sector ou população‐ alvo da acção externa do Estado espanhol, a cooperação espanhola, outros doadores de país parceiro?
Será que foram aproveitadas as sinergias potenciais que possam existir entre esses programas e a intervenção? Coordenação com outras ONGs ou redes de ONGs sectoriais Execução de acções complementarias e integradas em planos comuns Partilha de equipamentos, procedimentos e informação Acordos de Colaboração Outras ONGs, foros de redes de ONGs Alinhamento
Será que os resultados e objectivos do projecto estão alinhados com a política nacional no domínio da saúde? Inclusão da estratégia de intervenção na política nacional de saúde Documentos de estratégia de saúde MINSA, MISAU
Será que os procedimentos orçamentais e administrativos da intervenção são compatíveis com os das instituições locais? Inclusão efectiva das actividades nas planificações anuais locais e provinciais Seguimento dos procedimentos administrativos dos sócios locais na execução de actividades Documentos de Planificação anuais Sócios locais 1.3. Equipa de avaliação
A equipa de avaliação proposta por Sector5 esteve composto por 3 consultores, participando em diferentes momentos do trabalho. Em primeiro lugar, o director da equipa, Fernando de los Ríos Martín, sócio administrador da entidade, especialista em avaliação de projectos de cooperação ao desenvolvimento, com ampla experiência em avaliação durante os últimos 10 anos em África Austral, em particular em Moçambique. Para as questões técnicas, a equipa foi reforçada com assistência técnica na área sanitária através de Celestina Mª da Conceição, médica do Sistema Nacional de Saúde moçambicano, e na área sociológica, com a incorporação de Dinis Hélder Chembene, actual director da ONG nacional LUARTE, sociólogo de formação.
O director da equipa foi o responsável final da elaboração das ferramentas, o trabalho de levantamento de evidencias e a redacção do relatório final. A assistência técnica teve um primeiro momento de intervenção durante a elaboração das ferramentas e posteriormente um segundo durante a análise em bruto da informação e as evidencias levantadas. A continuação se inclui um resumo dos CVs dos membros da equipa de avaliação: Fernando de los Ríos Martín Formação Académica e especializada: Mestrado em Cooperação Internacional e Migração. Universidade do País Vasco – HEGOA. 2005‐ 2006 Licenciado em Química. Universidade de Oviedo. 1991‐1996 Conhecimentos e experiência relevante:
Experiência em avaliação de projectos de cooperação durante 10 anos em países como Moçambique, Angola, Malawi e Kenya. Director de equipa de avaliação em trabalhos similares realizados a Médicos Del Mundo, Medicus Mundi, CUAMM‐Médicos con África, CESAL, VIHDA, Ingeniería Sin Fronteras, CIC, etc. Experiência como coordenador de vários projectos e programas de cooperação em Moçambique para varias ONGs. Conhecimento profundo da realidade africana e em particular a de Moçambique (mais de 13 anos de trabalho e residência neste país, em particular em Niassa e Cabo Delgado).
Conhecimento e experiência a nível institucional em Moçambique (Governo, redes de ONGs, financiadores, etc.) Fluente em espanhol (língua materna), português e inglês. Nacionalidade: Espanhol Responsável por: Preparação das ferramentas de avaliação, agenda final e revisão da documentação inicial. Coordenação dos trabalhos de levantamento de informação no terreno Elaboração do relatório final de avaliação Apresentação dos resultados finais perante a ONG solicitante em Moçambique Celestina Mª da Conceição Formação Académica e especializada: Licenciada em Medicina. Universidade Eduardo Mondlane (Maputo). 1996‐2006 Curso de especialização em doenças tropicais. Universidade de Pernambuco (Brasil). 2008 Conhecimentos e experiência relevante:
Experiência como directora dos SDSMAS de Matutuíne (província de Maputo) e como Médica Chefe dos SDSMAS da cidade de Matola (desde 2008 até 2011)
Amplo conhecimento e experiência da realidade do sector da Saúde em Moçambique, assim como as políticas e trabalho de cooperação com ONGs e outros agentes de cooperação para o desenvolvimento. Experiência em supervisão dos serviços de Saúde prestados em Unidades Sanitárias de distrito. Realizadas diferentes formações na Área Clínica Experiência em avaliação de projectos de cooperação com Sector5 Fluente em português (língua materna). Nacionalidade: Moçambicana Responsável por: Participação na elaboração das ferramentas de levantamento de informação Assistência nas questões técnicas a área de saúde Participação na análise da informação obtida no levantamento de dados da intervenção
Dinis Hélder Chembene Formação Académica e especializada: Licenciado em Sociologia. Universidade Eduardo Mondlane. Moçambique. 2008‐2012 Conhecimentos e experiência relevante: Experiência relevante na área do movimento social a partir de ONGs.
Director da Associação LUARTE, ONG moçambicana com experiência na área social a nível de distrito Colaborador em Sector5 em diversos trabalhos de consultoria. Experiência em pesquisas e estudos KAP Conhecimento do sector da cooperação para o desenvolvimento através do trabalho em parceria com varias ONGs internacionais. Uso de ferramentas informáticas de gestão de dados e estatística Fluente em português (língua materna) Nacionalidade: Moçambicano Responsável por: Participação na elaboração das ferramentas de levantamento de informação. Assistência na área estatística, análise de dados e implicações socioculturais da intervenção Colaboração na elaboração do relatório final de avaliação
2. Descrição resumida da intervenção avaliada
2.1. Resumo do contexto, organização e gestão Medicus MundiMedicus Mundi é uma organização de cooperação internacional do âmbito sanitário com o objectivo estratégico de reforçar os serviços de Atenção Primária nos países em desenvolvimento como estratégia eficaz e eficiente para superar e dar resposta às necessidades e carências no domínio da saúde da população destes países. A actividade de Medicus Mundi vem inspirada por uma determinada visão relativa ao que entende por processo de desenvolvimento. Uma visão que poderia ficar resumida nos seguintes princípios: (1) O ser humano, tomado individual e socialmente, deve ser o centro do processo de desenvolvimento, (2) O desenvolvimento (...) como um processo de ampliação das capacidades e opções das pessoas, especialmente dos sectores mais vulneráveis e empobrecidos, (3) A acção de cooperação para o desenvolvimento (...) ou a obrigação (...) de efectivar aqueles direitos, incluindo o direito ao desenvolvimento, que a comunidade internacional definiu como atributos invioláveis do ser humano, (4) O desenvolvimento pertence a cada povo, que deve ser destinatário e protagonista dos processos de mudança e (5) As acções de cooperação para o desenvolvimento como expressão de solidariedade, de procura de maiores níveis de justiça social e de luta pela igualdade de direitos de todas as pessoas (...).1 Medicus Mundi trabalha na actualidade em 21 países de América Latina, África e Ásia e está presente em Angola e Moçambique desde a década dos 90. Em particular, em Angola desenvolve projectos desde 1991 no Município de Viana. Em Moçambique a sua presença inicia em 1994 em Cabo Delgado, estendendo‐se sua intervenção posteriormente a outras províncias. Convénio 07‐CO1‐008
A intervenção que se avalia agora se compõe de 4 Acções, cada uma delas implementadas numa zona geográfica, três delas em Moçambique e uma em Angola, iniciando em Dezembro de 2007 e com uma duração prevista de 4 anos, a excepção da Acção 3 (34 meses na província de Gaza, Moçambique). A intervenção foi estendida até fins de Maio de 2012 para poder concluir, fundamentalmente, as actividades de construção, pelo que totaliza 4 anos e 6 meses nas Acções 1, 2 e 4 (Cabo Delgado em Moçambique e Angola).
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