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Rev. Bras. Enferm. vol.54 número1

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Academic year: 2018

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EDITORIAL

GDUAçAo EM ENFERMAGEM COMO O LOCUS DA FORMAÇAo

DO ENFERMEIRO: DIRETRIZES CURRICUARES E PRJETO

PEDAGGICO

A Lei d e Diretrizes e Bases d a Educação Nacional N° 9 . 394 , promulgada e m 20 d e dezembro de 1 996, colocou na agenda da educação superior temas importantes como diretrizes curricu lares, flexibilização curricu lar, a utonomia d i dático-científica , i ntegração entre os vários n íveis ed ucacionais, qualidade, ava l iação etc.

Cabe lembrar q u e o artigo 44 da L DB/96 define que a ed ucação su perior a brange quatro modalidades de cursos e programas: seq üencia is, grad uação, pós-graduação e extensão.

Esses cursos e programas representam os cenários em que a produção de con hecimento sobre este conj u nto de temas concretizar-se-á e os i ntegrantes das com u n idades acadêm ica e com u nitária devem atuar como s ujeitos desse processo.

A E nfermagem tem participado d esse processo de forma critica e a utônoma , objetiva ndo a melhoria da qualidade na formação acadêmica desenvolvida nas I nstituições de Ensino Superior ( I E S ) . Ass u m i u a grad uação em E nfermagem como o /ocus da formação do enfermeiro generalista , h u manista, crítico e reflexivo. Profissional qualificado para o exercício de Enfermagem, com base no rigor científico e i ntelectua l e pa utado em pri ncípios éticos. Capaz de conhecer e intevir sobre os problemas/situações de saúde-doença mais prevalentes no perfil epidemiológico naciona l , com ênfase na sua reg ião d e atuaçã o , identificando as d i mensões bio-psico-sociais dos seus d eterm i n a ntes . C a pacitado a atu a r, com senso de responsa b i l id a d e soc i a l e comprom isso com a cidad a n i a , como promotor d a saúde i ntegral do ser h u mano.

Nos Seminários Nacionais d e Diretrizes para a Educação em E nfermagem no Bra s i l , realizados em Fortaleza-CE, em 2000, e em S ã o Paulo-SP, em 200 1 , promovidos pela Associação Brasileira de E nfermagem (AB E n ) , a categoria posicionou-se contrária à existência de cursos seq üenciais, principalmente os cu rsos su periores de formação específica , na E nfermagem ou vinculados à área de conheci mento Enfermagem . Esta posição está pautada no entendimento que os cursos seqüenciais não atendem às especificidades da ed ucação em enfermagem nem contemplam a formação d i rigida ao cuidar do ser humano em todos os n íveis de atenção à saúde.

N este contexto , a E nfermagem , representada por professores(as) e enfermeiros(as) , elegeu o Sistema Ú n ico de Saúde como referência básica na formu lação de teses e propostas para a grad uação em Enfermagem , bem como o processo saúde-doença e seus determinantes históricos sociais, econômicos e pol íticos como elemento n uclear dessa construção coletiva e democrática .

Estas premissas e a visão epistemológ ica , q u e concebe a ed ucação como formação pol ítico-humana-ética-ecológica articulada à formação técnico-científica, notearam a elaboração das Diretrizes C u rricu lares N acionais do C u rso de G rad uação em E nfermagem q u e fora m encaminhadas ao Conselho N acional de Educação pela SESu/M EC, após apresentação dessa proposta pela atual Comissão de Especial istas de Ensino de E nfermagem e pela A B E n .

A presente proposta d e Diretrizes C u rricu lares fu ndamenta-se na concepção histórico­ social e tem como paradigma as relações entre cultura , sociedade e saúde. Esse parad igma leva em consideração as tra nsformações sociais e do mundo do tra balho.

Outro desafio é a i nclusão d a E nfermagem no Exame N acional de Cursos ( E N C ) a partir do ano 2002 , conforme estabelece a Portaria M EC N° 1 .295 de 28/6/0 1 . I ntegrar o conj u nto de cursos de grad uação que participa do Provão , atual mente , significa estar inclu ído na pol ítica de avaliação preconizada pelo Decreto N° 3 . 860 de 9 de j u lho de 200 1 e pelas Portarias M EC N° 1 .465 e 1 .466 de 1 2 d e j u l h o d e 200 1 .

Esta pol ítica compreende os vários tipos de ava liação , com destaque para a aval iação

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das condições de oferta dos cursos de graduação q u e constam do E N C .

Todas essas ações concebidas e desenvolvidas pela Enfermagem visam a qualidade d o ensino de graduação. Assim, a defi nição de padrões e indicadores de qualidade para o s cursos de gradu ação em E nfermagem assume relevância ímpar nesta fase de construção do ensino superior brasileiro .

Com as d i retrizes curriculares nacionais e os padrões e ind icadores de q u a l idade para os Cursos de Grad uação em E nfermage m , o próxi mo d esafio é a construção do Projeto Pedagógico.

Projeto pedagógico entend ido como u m instru mento pol ítico e técnico de bal izamento para o fazer u niversitário, concebido coletiva mente no âmbito da I n stitu ição, orientado para esta , como um todo , e para cada um de seus cursos de graduação, em particu lar. Ao constitu ir­ se, o projeto pedagógico deve ensejar a construção da i ntencionalidade para o desempenho do papel socia l da I E S , centra ndo-se no ensino, mas vi ncu lando-se estreitamente aos processos de pesqu isa e de extensão. Com base na análise crítica do momento vivido, deve-se configurar a visão pretendida, efetivando as ações, refletindo sobre elas, avaliando-as e incorporando novos desafios .

Vale ressaltar que as mudanças pedagógicas são processuais e se constituem no tempo, pela dinâmica da articulação entre a subjetividade (vontade de mudar) e a objetividade (condições objetivas para q u e as mudanças ocorram). Caso se desconsidere esta dinâmica de articulação entre os dois pólos , pode-se cair no idealismo ingênuo (consideração somente da subjetividade) ou no pragmatismo imobilista (ênfase exclusiva nas cond ições objetivas) .

Assim, ô projeto pedagóg ico trabalha a mudança n a s I ES e n o s cursos de grad uação, por meio d a articu lação entre aspectos subjetivos e objetivos detectados no presente momento histórico .

Mais u m grande desafio está posto: motiva r a elaboração de u m projeto pedagógico próprio, d i n âmico e constru ído coletiva mente em cada curso de grad uação em enfermagem, tendo como base as d i retrizes cu rricu lares nacionais .

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Professora Oa Iara de Moraes Xavier Presidente da Comissão de Especialistas de Ensino de Enfermagem da SESu/MEC

Referências

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