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Gramatica Latina - Napoleao Mendes de Almeida

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Academic year: 2021

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Texto

(1)

N.Cham.

475 A447g

29.

ed. /

2000

Autor: Almeida, Napoleão Mendes De,

Título: Gramática latina : curso único

Ac. 186500 482703

(2)

Referências a trabalhos do

PROF. N A PO LE ÃO M ENDES D E ALM EID A

GRAM ÁTICA M ETÓ D IC A D A LÍNGUA PO R TU G U ESA : “ U ra padre, meu colega, disse-me que n a universidade daqui, que ele freqüenta, foi indica­ d a a sua gram ática com o a m elhor d o Brasil: eu me perm ito acrescentar que tal juízo pode abranger tam bém Portugal (C aetano Oricchio, S. J.). GRAMÁTICA LATINA: "-·· d o seu notável trabalho, que acabo de adotar no

curso de Línguas Neolatinas c no de Línguas Angio-Gcrmânicas d a Pontifí­ cia Universidade Católica do Rio de Janeiro’' (José Florentino de Marques Leite). — “ Sou professor em dois ginásios, j á o fui em seminários» e nunca encontrei — este “ n u n ca” é absolutam ente exato — um a clareza tão gran­ de de exposição nem um a tão singela apresentação do que é essencial na aprendizagem . C om inteira verdade, repito-lhe que estou aprendendo laiim pelo seu livro, pelo qual tenho verdadeira paixão de ensinar, notan d o , reci­ procam ente, que os meus alunos têm gosto em aprender” (P adre Manuel Albuquerque).

CU RSO DE·: PO R TU G U ÊS P O R CO R R ESPO N D ÊN C IA (De um ex-aluno de M ário B arreto; com eçou o curso com o m ajor em Bagé, e o term inou co­ mo tenente-coronel cm C am po G rande): “ O que m ais recom enda o Curso de Português por C orrespondência é precisam ente a honestidade d e seu di­ re to r; que coloca acim a das vantagens m ateriais o dever profissional" (Ge­ neral Benjamim Cabelo Bidart).

CU R SO DE LATIM P O R CO R R ESPO N D ÊN C IA : " N á o há dinheiro que pa­ gue o serviço que o senhor está prestando com suas lições de latim . Sou ad­ vogado, conheço vários idiom as, m as, principalm ente, sou seu aluno gratís­ sim o " (Rui O távio Domingucs).

(3)
(4)

G R A M Á T I C A L A T I N A

Se ft It> do eanhecîm tntei-flrraliêath do latim. à c r c£T

(5)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Almeida, Napoleão Mendes de, 1911-1998

» - Gramática latina: curso único e completo / Napoleão Mendes

U f O de Almeida. — 29. ed. — São Paulo : Saraiva, 2000.

Bibliografia.

^ ISBN 85-02-00307-0

$ O Q O 1. Latim — -G ram ática2. Latim — Leituras I. Título.

99-0599 CDD-475

índice para catálogo sistemático:

1. Gramática: Latim : Lingüística 475

ISBN: 85-02-00307-0

Trabalhos

D O

P ro t NAPOLEÃO MENDES DE ALMEIDA

GRAMÁTICA METÓDICA DA LÍNGUA PORTUGUESA — Curso único e completo GRAMÁTICA LATINA — Curso único e completo

GRAMÁTICA ELEMENTAR DA LÍNGUA PORTUGUESA DICIONÁRIO DE QUESTÕES VERNÁCULAS — 5.500 dificuldades

MENSAGEM DO HALLEY — Filosofia (bilíngüe no Brasil, impresso só em inglês nos EE.UU.) CURSO DE PORTUGUÊS POR CORRESPONDÊNCIA — 104 lições

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Macapá: (0**96) 223-0706^23-0715 í i n j e i l M Alo ftíln |n- ■ i n ar-SBI 1237'WS.'í J

241-0499 Maceiâ: (0**82) 326-7555/326-6451 227-5249 ' J B eloH ona>nte:(31)3»1H M 0 Manaus: (0**92)633-1227/633-1782 São José dos Campos: (0**12) 3921-0732 | 1 Brasilia. (0 61)344-2920/344-2951 Mossoró (0**84)317-1701 São Luís: (0**98) 243-0353 1 344-1709 Natal: (0**84) 611-0627/211-0790 Teresina: (0**86) 221-3998/226-1956/226-1125 li ■ Campinas: (0**19) 3243-8004/3243-8259 Porto Alegre: (0**51)3343-1467/3343-7563 Tocantins: (0**63) 414-2452/414-5403/351-2817 I I Campo Grande: (0**67) 382-3682/382-0112 3343-2986^343-7469 312-3323/215-3311/215-1153 U Cuiabá: (0**65) 623-5073/623-5304 Porto Velho: (0**69) 223-2383/221-0019/221-2915 uçw rinlll, 3SlJ-51ia^l5-íW & 12; j ^ Curitiba: (0**41) 332-4894 Recite: (0**81)3421-4246(3421-4510 Vitória: (0**27) 3137-2595/3137-2589/3137-2566 Florianópolis: (0**48) 244-2748/248-6796 Ribeirão Preto: (0**16)610-5843*10-8284 3137-2567/3137-2560

(6)

NAPOLEÃO MENDES DE ALMEIDA

GRAMÁTICA QUESTIONÁRIOS EXERCÍCIOS

PROVÉRBIOS, SENTENÇAS E ANEXIS EXCERTOS DE VÁRIOS AUTORES:

PUBLÍLIO SIRO EUTRÓPIO VALÉRIO MÁXIMO CÉSAR CÍCERO FEDRO VIRGÍLIO . HORÁCIO OVÍDIO

29- e diç ão ^-v2^00

5§ tiragem — 2005

(DO 2109 AO 21 r - MILHEIRO)

(7)

Peço ao aluno tomar nota das seguintes abreviaturas que se verão no

decorrer das lições:

§ — p a rá g ra fo

+ m ais (in d ic a re u n iã o ) = ig u al a, o m esm o q u e a b i.— a b la tiv o

ac. i— a cu s a tiv o a d j. — ad je tiv o ad v . — a d v é rb io á r. — á ra b e cf. — c o n fira c o n j. — c o n ju n ç ã o , co n ju g a çã o d a t. — d a tiv o d ir. — d ire to ex. — ex em p lo ; e x erc íc io · e x s .— e x em p lo s; ex ercício s ex c. — ex ceção excs. — exceções f. — fe m in in o fr. — fran c ê s fu t. — fu tu ro gen . — g en itiv o gr. — g rego im p . — im p e rfe ito in fin e — n a p á rte fin al in d . — ■ in d ic a tiv o ; in d ire to L. — lição la t. — latim m . — m as cu lin o n . — n e u tro o u n o ta n o m . — n o m in a tiv o o b j. — o b jeto o b s. — o b serv ação ob ss. — o b serv açõ es p . — pe sso a p a rt. — p a rtic ip io p . ex. — p o r ex em p lo p e rf. — p e rfe ito p l. — p lu ra l p o rt. — p o rtu g u ês p re f. — p re fix o p re p . — p re p o siçã o p re s. — p re sen te p re t. — p re té rito p ro n . — p ro n u n c ie q . — q u e ra r. — ra ra m e n te sing. — sin g u lar ss. — seg u in tes su f. — sufixo V . — V e ja (*) v. — v e rb o v . in tr. — v e rb o in tra n sitiv o v. p ro n . — v e rb o p ro n o m in a l v. tr. — v e rb o tra n s itiv o voc. — v o cativ o

Além dessas, outras abreviaturas se encontrarão facilmente compreen

síveis.

A s rem issõ es à G ra m á tic a M e tó d ic a d a L ín g u a P o rtuguesa referem -se à 39? edição,

(8)

ÍNDICE GERAL

Pág.

LiçAo 1 — N o m in ativ o ... 13

LtçAO 2 — Vocativo e G e n itiv o ... ... ... 16

LiçAo 3 — D a tiv o ... 18

LiçAo 4 — Ablativo e A cusativo... ... 23

LiçAo 5 — F lex ão ... 25

LiçAo 6 — Pronúncia e Acentuação ... ... 28

LiçAo 7 — l í D eclinação... ... ... 31

LiçAo 8 — Normas para a Tradução — Exercícios 1 e 2 ... 34

LiçAo 9 — l í Conjugação Ativa (Noções) — Exercícios 3 e 4 ... ... 37

LiçAo 10 — Outras Normas de Tradução — Exercícios 5 e 6 ... 41

LiçAo 11 — 2? D eclinação... . 44

LiçAo 12 — 2? Declinação (Algumas observações) — Exercícios 7 e 8 ... 46

LiçAo 13 — Bonus, Bona, B onum — Exercícios 9 e 1 0 ... ... 49

LiçAo 14 — Sum — Predicativo — Exercícios 11 e 1 2 ... 53

LiçAo 15 — Nomes em er e Outros da 2 ? Declinação— Exercícios 13 e 1 4 ... 56

Lição 16 — Voz Passiva — Agente da Passiva — Exercício 15 ... ... 59

IiçAo 17 — 1.* Conjugação Passiva (Noções) — Exercício 1 6 ...v.... 61

LiçAo 18 — 3 í Declinação — Exercícios 17 e 1 8 ... ... 65

LiçAo 19 — Nomes em ter — Imparissílabos em S — Exercícios 19 e 2 0 ... 69

LiçAo 20 — Neutros da 3.* Declinação — Exercícios 21 e 2 2 ... 72

LiçAo 21 — Algumas Particularidades da 3? Declinação — Exercícios 23 e 2 4 ... 77

LiçAo 22 — 4? Declinação — Exercícios 25 e 2 6 ... 81

LiçAo 23 — 5? Declinação — Exercícios 27 e 28 ... 85

LiçAo 24 — Recordação, Outras Particularidades e Estudo Comparativo das Declinações — Exercícios 29 e 3 0 ... ... 89

LiçAo 25 — Declinação dos Adjetivos — Exercícios 31 e 3 2 ... 94

LiçAo 26 — Adjetivos da 2? Classe — Exercícios 33 e 3 4 ... 98

LiçAo 27 — Grau dos A djetivos... 105

Lição 28 — Comparativo e Superlativo — Particularidades... 108

LiçAo 29 — Sintaxe do Comparativo e do Superlativo — Exercício 35 e 3 6 ... 114

LiçAo 30 — Numerais Cardinais — Exercícios 37 e 3 8 ... 120

LiçAo 31 — Numerais Ordinais — Exercícios 39 e 4 0 ... 127

Lição 32 — 2Í Conjugação Ativa e Passiva (Noções) — Aposto — Exercícios 41 e 42 ... 130

LiçAo 33 — Principais Formas Pronominais — Exercícios 43 e 4 4 ... 135

LiçAo 34 — 3? Conjugação Ativa e Passiva (Noções) — Exercícios 45 e 46 ... 139

LiçAo 35 — Principais Advérbios e Preposições — Exercícios 47 e 48 ... 142

LiçAo 36 — 4.“ Conjugação Ativa e Passiva (Noções) — Exercícios 49 e 50... 149

LiçAo 3 7 — Principais Conjunções e Interjeições — Exercícios 51 c 52 ... 154

LiçAo 38 — Pronomes Possessivos — Exercícios 53 e 54 ... 158

LiçAo 39 — Pronomes Demonstrativos — Exercícios 55 e 5 6 ... ... 161

LiçAo 40 — Pronomes Relativos — Exercícios 57 e 5 8 ... 166

IiçAo 41 — Pronomes Interrogativos — Exercícios 59 e 6 0 ... 173

LiçAo 42 — Pronomes Indefinidos — Exercícios 61 e 62 ... 177

LiçAo 43 — Pronomes Correlativos — Exercícios 63 e 6 4 ... 183

LiçAo 44 — Numerais Multiplicativos e Distributivos — Exercícios 65 e 6 6 ... 186

LiçAo 45 — Nomes Gregos — Exercícios 67 e 6 8 ... ... 190

LiçAo 46 — Particularidades e Irregularidades de F lex ão ... ... 194

LiçAo 47 — Noções Diversas — Exercícios 69 e 70 ....'... ... 197

Lição 48 — Verbos: Q ue é C o n ju g ar? ... ... 203

LiçAo 49 — Verbos: Como Decorar um V e rb o ? ... ... 208

LiçAo 50 — Curiosidades e Cuidados de Conjugação ... ... ... 212

LiçAo 51 — 1* e 2? Conjugação Ativa — Exercícios 71 e 7 2 ... ; ... . 216

LiçAo 52 — 3? e 4? Conjugação Ativa — Exercícios 73 e 74 ... ... 222

(9)

Pág.

LiçAo 54 — Compostos de Sum — Exercícios 75 e 76 ... 233

Lição 55 — Particularidades de Conjugação da Voz Ativa ... 237

LiçAo 56 — Principais Verbos A tiv o s... 241

Lição 57 — Outras Particularidades da Conjugação Ativa — Exercícios 77 e 78 ... 246

LiçAo 58 — Sujeito Acusativo — Exercícios 79 e 80 ... 251

LiçAo 59 — Outras Particularidades da Oração Ativa — Exercícios 81 e 82 ... 256

LiçAo 60 — Como Conjugar um Verbo na Passiva? — 1* Conjugação ... 260

LiçAo 61 — 2* Conjugação Passiva — Exercícios 83 e 84 ... 264

LiçAo 62 — 3.* Conjugação Passiva — Exercícios 85 e 86 ... 268

IiÇAo 63 — 4? Conjugação Passiva — Exercícios 87 e 88 ... 274

LiçAo 64 — Particularidades Sintáticas da Oração Passiva — Exercícios 89 e 90 ... 277

LiçAo 65 — Verbos Depoentes (C onjugação)... 283

Lição 66 — Vários Verbos Depoentes (Tempos primitivos) — Exercícios 91 e 92 ... 287

LiçAo 67 — Verbos Semidepoentes — Exercícios 93 e 94 ... 293

IiÇAo 68 — Verbos Irregulwes — Exercícios 95 e 96 ... 295

LiçAo 69 — Outros Verbos Irregulares — Exercícios 97 e 98 (Publilio S iro )... 302

Lição 70 — Mais Verbos Irregulares — Exercício 99 — Publilio Siro... ·... 306

LiçAo 71 — Ültimps Verbos Irregulares — Exercício 100 ... 309

LiçAo 72 — Verbos Defectivos — Exercícios 101 e 1 0 2 ... 313

LiçAo 73 — Verbos Impessoais — Exercícios 103 e 1 0 4 ... 318

LiçAo 74 — Composição — Exercício 105 (Publilio S iro )... 323

Lição 75 — Derivação — Provérbios, Sentenças e Anexins (A n álise)... 328

LiçAo 76 — Curiosidades (A n á lise)... 332

LiçAo 77 — Consecutio TempÓrum — Estilo Epistolar — Exercícios 106 e 107 ... 335

LiçAo 78 — Discurso Indireto — Exercícios 108 e 109 ... 341

LiçAo 79 — U t — Ne (Verbos de desejo, verba tim endi, orações finais) — Exercícios 110 e 111 (C é sa r)... 346

LiçAo 80 — Consecutivas — Exercício 112 (César) ... 353

LiçAo 81 — Causais — Exercício 113 (César) ... 357

LiçAo 82 — Condicionais — Exercício 114 (C é sa r)... 362

LiçAo 83 — Concessivas — C íc e ro ... 368

LiçAo 84 — Conformativas — Proporcionais — Comparativas — C íce ro ... 374

LiçAo 85 — Temporais — C íce ro ... 379

LiçAo 86 — Relativas — C íc e ro ... 387

LiçAo 87 — Interrogativas — Resposta — C íc e ro ... 391

Lição 88 — N e — Q uom inus — Q uin (Verba impediendi, obstandi, prohibendi, dubitan­ di, om ittendi) — C icero... 398

LiçAo 89 — A ut — Vel (ve) — Sive (seu) — C ic e ro ... 403

LiçAo 90 — Et, Que — A tquc, Ac — Nec, N eque — Neve, N eu — C ice ro ... 407

LiçAo 91 — Adversativas — C ic e ro ... 413

LiçAo 92 — Dativo de Interesse — F e d r o ... ... 417

LiçAo 93 — D uplo dativo — F e d r o ..., ... 422

LiçAo 94 — D uplo acusativo — F e d r o ... 424

LiçAo 95 — Q uantidade — V irg ílio ... 428

LiçAo 96 — Q uantidade.— V irg ílio ... 434

LiçAo 97 — Méuica — V irg ílio ... ... 440

LiçAo 98 — Métrica — V irg ílio ... 447

LiçAo 99 — Calendário — H o rá c io ... 451

LiçAo 100 — Moedas — Pesos — Medidas — H o rácio ... 459

LiçAo 101 — A djuntos Adverbiais — Ovídio . .. i ... ... 463

LiçAo 102 — Outros Adverbiais e Complementos Nominais — O v íd io ... 471

LiçAo 103 — Outros Complementos Nominais — O v id io ... ... 478

LiçAo 104 — Hymnus Brasiliensis, Eutrópio, V. Máximo ... ... 483

ÍNDICE ALFABÉTICO E A N A L ÍTIC O ... ... 497

REFERÊNCIAS... ... 531

(10)

P R E F Á C I O

A VERDADEIRA IMPORTÂNCIA DO LATIM

1 — É de todo falso pensar que a primeira finalidade do estudo do latim está no benefício que traz ao aprendizado do português. Vejamos, p or m eio de fatos e de p es­ soas, onde reside a primeira importância do estudo desse idioma.

Chegados ao Brasil, três em inentes matemáticos de renom e internacional, Cleb Wataghin, professor d e mecânica racionei e de mecânica celeste, Giacomo Albanese, professor de geometria, e Luigi Fantapié, professor de análise matemática, que vieram contratados para lecionar na recém-fundadq Faculdade de Filosofia de S. Paulo — o professor Wataghin é considerado, no m undo inteiro, um dos maiores pesquisadores de raios cósmicoscuidaram, logo após os primeiros m eses de aula, de enviar um ofício ao então ministro da educação, que na época cogitava de reformar o ensino se­ cundário. Vejamos o que, mais de esperança que de desânimo, continha esse oficio, do qual tive conhecimento antes do seu endereçam ento, dada a solicitação dos três grandes professores de um a revisão minha do seu português:

“Chegados ao Brasil, ficamos admirados com o cabedal de fórmuias decoradas de matemática com que os estudantes brasileiros deixam o curso secundário, fórmulas que na Itáliaos três professores eram catedráticos de diferentes faculdades italianas — são ensinadas só no segundo ano de faculdade; ficamos, porém , chocados com a pobreza de raciocínio, com a falta de ilação dos estudantes brasileiros; pedim os a vossa excelência que na reforma que se projeta se dê m enos matemática e M AIS LATIM no curso secundário, para que possam os ensinar matemática no curso superior".

2 — 0 professor Albanese costumava dizere muitas pessoas são disto prova — “D êem -m e um bom aluno de latim, que farei dele um grande matemático’’.

3 — Outra prova de que é falso pensar que a primeira finalidade do latim está no proveito que traz ao conhecimento do português posso aduzir com este fato, comigo ocorrido.

Indo a visitaru m amigo, encontrei-o a conversar com u m senhor, de forte sota­ que estrangeiro, que explicava as razões de certa modificação na planta deu m prédio por construir; com o, no decorrer da troca de idéias, tivesse por duas vezes proferido sentenças latinas, perguntei-lhe se havia feito algum curso especial de latim.

— Curso especial de latim? Não fiz, senhor.

Mas o senhor esteve em algum seminário? — Não, senhor; sou engenheiro.

— Percebo que o senhor é engenheiro; mas onde estudou latim? — Na Áustria.

— Quantos anos?

(11)

S ete anos?! Todo o engenheiro austríaco tem sete anos de latim?

— Sim, senhor; quem se destina a estudos superiores na Áustria estuda sete anos o latim.

Pois bem , relatando a um alemão esse fato, mostrou-se admirado com não saber eu que na A lem anha se estuda nove anos o latim e não som ente sete.

4 — E tam bém inteiramente falso educadores — assim chamados porque dentro das lutas e ambições políticas ocuparam pastas de educação ou, quando muito, escre­ veram livros de psicologia infantildizerem queestas palavras foram proferidas num a sessão da comissão de “diretrizes e bases do ensino", comissão nom eada para cum prim ento do artigo 5, incisoXV, d, da constituição federal — “nos Estados Unidos da América, país que ninguém nega estar na vanguarda do progresso, não se estuda latim”.

Felizmente, nessa m esm a reunião, a desastrada afirmação não ficou sem respos­ ta; um dos m embros da comissão não se fe z esperar: “C om o não se estuda? É fâcil provar; peçam os de diversos estabelecimentos americanosde diversos, porque a programação do ensino secundário aí não é única com o no Brasilo programa, que verem os a verdade". Dias e dias decorreram, e nada de programas; interrogado, o “educador" respondeu que não tinham chegado; um dia, porém — não sei de quem foi maior a distraçãoo defensor do latim examina um a gaveta, esquecida aberta, e af vê, guardadosou escondidos, os programas solicitados, e em todos eles o latim ri­ gorosam ente exigido.

Esse “educador" era, a esse te m p o ... presidente de uma seção estadual de parti­ do político.

5N ão encontra o pobre estudante brasileiro quem lhe prove ser o latim, dentre todas as disciplinas, a que mais favorece o desenvolvim ento da inteligência. Talvez nem m esm o com preenda o significado de“desenvolver a inteligência", tal a rudeza de sua m ente, preocupada com outras coisas que não estudos.

O hábito da análise, o espírito de observação, a educação do raciocínio dificil­ m ente podem os, pobres professores, conseguir de um estudante preocupado tão só com médias, com férias, com bolas, com revistas.

Muita gente hâ, alheia a assuntos de educação, que se admira com ver o latim pleiteado no curso secundário, mal sabendo que ensinar não é ditar e educar não é ensinar. E ensinar dar independência de pensam ento ao aluno, fazendo com que de per si progrida: o professor é guia. E educar incutir no estudante o espírito de análise, de observação, de raciocínio, capacitando-o a ir além da simples letra do texto, do simples conteúdo de um livro, incentivando-o, animando-o. N o fazer do estudante de hoje o cidadão de am anhã está o trabalho educacional do professor.

6 — Q uando o aluno com preender quanta atenção exige o latim, quanto lhe prendem o intelecto e lhe deleitam o espírito as várias formas flexionais latinas, a diver­ sidade de o rdem dos termos, a variedade de construções deum período, terá desobe­ jo visto a excelente cooperação, a real e insubstituível utilidade do latim na formação

do seu espírito e a razão de ser o latim obrigatório nos países civilizados.

Ser culto não é conhecer idiomas diversos. Não é o conhecimento do inglês nem do francês que vem com provar cultura no indivíduo. Tanto marinheiro, tanto masca­ te, tanto cigano hâ a quem meia dúzia de idiomas são familiares sem que, no entanto, possuam cultura.

(12)

Não é para ser falado que o latim deve ser estudado. Para aguçar seu intelecto, para tomar-se mais observador, para aperfeiçoar-se no poder de concentração de espí­ rito, para obrigar-se â atençOo, para desenvolver o espírito de análise, para acostumar- se d calma e à ponderação, qualidades imprescindíveis ao hom em de ciência, é que o aluno estuda esse idioma.

“lo, lo, om nes adsunt — indeed! W e wbo teach Latin would do afar grater Servi­ ce to the cause í f we channeled pupil interest toward the task o f leaming Latin rather than into such academic (sic) shenanigans as chariot racing (an event at the Albuquer­ que convention o f Latin students). The intelligent 20th century teen-ager will work hard at Latin when he is shown som e o f the many genuine values in such study. We need not always entertain him with superficialities” (Fred Moore, Chairman, Language Department, Riverside High School, Painesville, Ohio, USA).

7 — Muitos indagam a razão da fatuidade, da leviandade, da aridez intelectual da

geraçOo moça de hoje. É que, tendo aprendido a ler pelo m étodo analítico, tõo prático e fácil,, julga o estudante que a disciplina que prática e facilidade no aprendizado nõo contiver não lhe trará proveito, senõo tédio e perda de tem po. Acostum ado a tudo assi­ milar com facilidade no primeiro grau, esbarra o aluno no segundo com a obrigação de pensar, e ele estranha, e ele se abate, e ele se rebela. O m enino que no primeiro cjrau era o primeiro da classe passa para lugar inferior no segundo; perda de inteligência, di­ ferença de idade? Nõo: falta de hábito de pensar. O que no primeiro grau estava em quinto, em décimo lugar passa no segundo às primeiras colocações; aquisiçõo de inteli­ gência? Também nõo: pensam ento mais demorado, mais firme por isso m esm o, sobre­ puja agora os colegas de intelecto mais vivo, vivo porém tõo só para as coisas objetivas e de evidência.

Raciocinar é, partindo de idéias conhecidas, diferentes, chegar a uma terceira, desconhecida, e é o latim, quando estudado com método, calma e ponderação, o maior fator para aguçar o poder de raciocínio do estudante, tom ando-lhe mais claras e mais firmes as conclusões.

8 — 0 que é certo, inteiramente certo, é não conhecerem alguns hom ens que

nos representam no congresso o que é educação, o que é cultura. Fato ocorrido não há muito tem po vem prová-lo.

Discorrendo sobre a necessidade de nova reforma de ensino, um deputado citava as disciplinas inúteis nos diversos anos do curso secundário, quando é apoiado por um colega, que acrescenta: “O latim para as meninas".

Para este herói, o latim é inútil para as meninas, porque elas não vão ser padres: é a única justificação que até agora p u d e entrever nesse tão infeliz aparte. A s meninas,

pobrezinhas, p o r qu e ensinar-lhes latim se nõo vão ler breviário?

Por que esse “para as m eninas'? E por que, pergunto, não é tam bém inútil para os meninos? Que distinção cultural faz esse deputado entre m enino e menina? Q ue quer ele para elas? Aulas de arte culinária? Aulas de corte e costura? Pretende dizer que as suas meninas não devem estudar ou quer com isso afirmar que o latim só inte­ ressa a padres?

A questão não é o que os meninos vão fazer do latim, mas o que o latim vai fazer dos meninos: The question is not what your boy will do with Latin, but what Latin will do for your boy, dizia com o bom senso pachorrento e inato de sua gente o senador

(13)

PORQUE É O LATIM REPUDIADO

9 — A q u em conhecia o regime de estudos de um seminário tom ava-se dispensá­ vel toda e qualquer crfàcQ aprogram as de latim. A quem nõo conhecia nõo era demais dizer que nos seminários nõo existia programa de latim... Existia estudo de latim com seis horas semanais, existia consciência do que se fazia. Em que seminário já se ouviu falar em “sintaxe do verbo?" Pois assim estava no programa do último ano clássico. Procure-se, agora, em todo o programa, “verba tim endi”, “verba declarandi”, “verba voluntatis”, “verba im pediendi”, orações finais, orações interrogativas, orações dubita­ tivas, orações causais, orações relativas, orações infinitivas, orações condicionais etc.; nada disso se encontrava. Por que entõo programa?

Ou se divide a matéria, ou seja, ou ela é realmente programada pelas séries ou entõo programa nõo se faz. S e o programa na lexeologia pedia “qui, quae, q u o d ”, descendo a uma discriminação quase cômica, partilhando dessa form a a matéria, co­ m o falar depois, retum bantem ente, em “período com posto", em “discurso indireto", em “em prego dos m odos e dos tem pos nas orações subordinadas”?

10 — Com todos os erros de que estava eivado o programa de latim, o descala­

bro se to m o u ainda maior q uando se considera que um a portaria reduziu o núm ero de aulas semanais de três para duas; modificaram o programa? Nõo; continuou o m es­ m o, com todas as incongruências, deficiências e disparates.

Era de tal form a pedida a parte gramatical e tõo poucas as horas de aula que nõo havia possibilidade de traduzirem os alunos os autores exigidos a m enos que desejasse o professor provar aos seus discípulos ser o latim intraduzível.

Considere-se ainda que pessoas existiam a lecionar latim mais acanhadas de equi­ líbrio m ental do que de capacidade didática, pessoas que, na primeira aula, isto di­ ziam: “Eu sei que voc&s nõo võo aprender latim”“Eu sou contra o latim”

“Eu sou cego”, “Eu nõo sei por q ue os m eus alunos nõo aprendem", “Eu nõo sei ensinar" — é que deveriam confessar aos alunos esses truões.

11Preocupaçõo nefastü para o ensino do latim é a d a traduçõo de autores lati­ nos. Dar a alunos sem conhecim ento de princípios essenciais do latim trechos para traduzir é dar-lhes pedradas, é dar-lhes cacetadas. N em Eutrópio, nem Fedro,' nem César, nem Cícero previram portarias ministeriais; nem Ovídio, nem Virgílio, nem Ho- rácio escreveram latim para estudantes que nem sequer sabem o que é agente da pas­ siva, o que.é ablativo absoluto, o que é sujeito acusativo; nem Publilio Siro, nem Valé- rio M áximo escreveram latim para estudantes, quer meninos quer meninas, que nem do idioma pátrio têm aulas de gramática, para m eninos ou para meninas que nem sa­ bem o que é objeto direto, o que é adjunto adverbial, o que é predicativo, o que é aposto.

Conseqüência dessa impossibilidade era darem certos professores irresponsáveis a traduçõo já pronta para que os alunos a decorassem, fato por si bastante para provar ou a incompetência do professor, ou o erro do programador, ou a conivência de am ­ bos no desbarato do ensino em nossa terra, na decadência e no despautério educacio­ nais a que em nossa pátria vimos assistindo.

12 — C om lacunas de toda a sorte, o latim tom ou-se ainda mais antipatizado, seu ensino passou a ser ainda mais dificultado com a introdução, m orm ente em estados do Sul, e de maneira especial em S. Paulo, da pronúncia reconstituída, galicamente

(14)

chamada pronúncia “restaurada". Apedrejados e vergastados com o se já nflo bastas­ se, nossos pirralhos passaram a ser torturados por ex-alunos universitários que de fa­ culdades de filosofia saíam cientes de latim mas inscientes de didática, rapazes e moças

que, tão preocupados em mostrar sabença, passavam a ensinar a tal pronúncia e se esqueciam de ensinar latim.

“Para nós — sõo palavras do em inente educador, padre Augusto Magne — o que interessa no latim é sua literatura, sua virtude formadora do espírito. Desviar o estudo do latim para a especialização em questiúnculas de pronúncia reconstituída é desvir­ tuar aquela disciplina e tirar-lhe seu poder form ador para recair no eruditísmo balofo, pretensioso e estéril. ”

Por que não ensinam nas faculdades de letras de S. Paulo a pronunciar o portu­ guês â lusitana, se a pronúncia de um idioma deve ser a dos seus clássicos? Precisa­ mente aí está a explicação da pronúncia novidadeira do latim; quem a introduziu em S. Paulo foi um professor lusitano que, achando mais fácil ensinar o latim pela pro­ núncia da Alemanha que pela de Portugal, impingiu-a aos alunós da faculdade, que então teimavam em pretender passá-la adiante.

S é não é para falar latim que um estudante vai aprendê-lo, muito m enos deve estudá-lo para o pronunciar mais à alemã que â portuguesa, tirando do latim até a pró­ pria utilidade para o vernáculo.

MÉTODO

13 — Não há professor d e latim que deixe de lastimar a pobreza de conhecim en­ tos do vernáculo em seus discípulos. Vendo na deficiência de conhecim ento dos prin­ cípios fundam entais de análise sintática do período português a causa principal desse desajustamento é q ue m e pus a redigir este curso, m ostrando ao aluno o que realmen­ te dificulta o aprendizado do latim e fazendo com que, através de questionários e de exercícios muito graduados, demonstre conhecim ento do essencial e suficientemente necessário ao estudo desse idioma.

C om o obrigar um aluno a decorar a conjugação total de um verbo se ele não sabe o que é particípio presente, o que é gerúndio, o que é supino? C om o dar-lhe a voz passiva se ele não sabe o que é agente da passiva? De que lhe adianta saber m uito bem de cor o “qui, quae, q u o d ”, se não sabe analisar um relativo em frase portuguesa?

Asas de um pássaro, o latim e o português devem voar juntos: tal é a minha con­ vicção, tal a minha preocupação em todas estas 104 liçOes.

(15)

N O M I N A T I V O

L I Ç Ã O

Peço ao alnno a máxima atenção para as quatro primeiras lições. Qnem não as estudar convenientemente jamais poderá compreender o mecanismo do latim.

1 — N um a oração nós podemos encontrar seis elementos: 1.° — 0 sujeito

2 .° — o vocativo

3 .° — o adjunto adnominal restritivo 4 .° — o objeto indireto

5 .° — o adjunto adverbial 6 .° — o objeto direto

S U J E I T O

2 — V am os ver o que vem a ser sujeito de um a o ra ç ã o : Sabem os ser verbo toda a palavra que indica ação. Q uem escreve, quem desenha, quem pinta, quem anda, quem quebra, quem olha, quem abre, quem fecha pratica ações diversas: ação de ^escrever, ação de desenhar, ação de pintar etc., ações expressas por palavras que se denominam verbos.

O ra ,'sa b em o s todos que é impossível um a ação sem ca u sa , se uma xícara, por exemplo, aparece quebrada, alguém deverá ter prâticado a ação d e que­ brar; ou uma pessoa, ou um animal, ou uma coisa qualquer, como o vento, quebrou a xícara. Pois bem, essa pessoa ou coisa que praticou a ação de quebrar é em gram ática cham ada sujeito (o u agente) d a ação verbal.'

3 — Q u al a m aneira prática de descobrir o sujeito de um a oração? Suponha-se a oração “ P e d ro quebrou o disco” . — P a r a que se descu­ bra o sujeito da. oração, é bastante saber quem praticou a ação de quebrar, isto é, quem quebrou o disco, o que se consegue m ediante um a pergunta em que se coloque que ou quem antes do verbo:

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14 (§ 4 ) LIÇAO — NOMINATIVO

Q uem quebrou o disco? R e sp o sta: P edro.

A resposta indica o sujeito d a oração. P ortanto o sujeito d a oração é P edro.

Ou t r o s e x e m p l o s: D escobrir o sujeito das seguintes orações: Sócrates discorreu sobre a alma.

P ergunta: Q uem discorreu sobre a alm a? R e sp o sta: Sócrates.

Sujeito = Sócrates. O s romanos honravam seus deuses.

P ergunta: Q uem honrava seus deuses? R e sp o sta: O s romanos.

Sujeito = O s rom anos. P edro fo i ferido na guerra.

P ergunta: Q uem foi ferido na guerra? R e sp o sta: P edro.

Sijjeito = P edro.

A o professor e ao pai do menino chegam reclamações dos colegas. P erg u n ta: Q u e é que chega ao professor e ao pai? R e sp o sta: Reclam ações.

Sujeito = Reclam ações.

4 — O s elementos que vimos no § 1 vêm a ser a função que a palavra

exerce na oração.

Se existem seis elementos, haverá naturalm ente seis funções: a função do sujeito, a função do vocativo, a função do adjunto adnominal restritivo etc., conform e já sabemos.

P ois bem , p ara c a d a função existe, em latim, um caso.

5 — Q u e é caso? Caso é a m aneira de escrever a palavra em latim de acordo com a função que ela exerce na oração.

M as então as palavras em latim podem ser escritas de maneiras diferentes? — Sim ; um a vez que em latim existem seis funções, ou seja, seis casos, uma p a la v ra em latim pode ser escrita de seis m aneiras diferentes.

6 — O s casos se distinguem pela terminação. Assim como em português a mesma p alav ra tem term inação diferente p a ra indicar o plural e o feminino (flexão de número e flexão de gênero) , em latim a mesma palavra tem termi­ n ação diferente p ara indicar a função qiie exerce na oração (flexão de caso) ;

(17)

LIÇÃO — NOMINATIVO ( § 7 ) 15

se a palavra exerce função de sujeito, term ina de uma m aneira; se exerce função de objeto direto, term ina de outra m aneira; se exerce função d s objeto indireto, termina ainda de outra maneira, e assim por diante, para as seis funções.

7 — C a d a caso latino tem nome especial. N ós já sabemos o que vem a ser função de sujeito; pois bem ; o caso que indica a função de sujeito cha- ma-se nominativo.

Q uer isso dizer que, no traduzir uma oração do português para o latim, o sujeito deve ir p ara o nominativo, e, vice-versa, quando, numa oração latina, nós encontramos uma palavra no nominativo, é sinal de que ela está desempenhando a função de sujeito d a oração ou de que a ele se refere.

Q U E S T I O N Á R I O

1 — Quantos elementos podemos encontrar numa oração?

2 — Quais são os elementos que podemos encontrar numa oração? 3 — Que é sujeito?

4 — Como se descobre o sujeito de uma oração?

5 — Construa 5 orações e ponha um traço debaixo do sujeito.

6 — Indique onde está o sujeito das seguintes orações (Copie frase por frase, inteira, sublinhando o sujeito):

a ) A filosofia é a ciência de todas as coisas. b ) O fundamento da justiça é a fé.

c ) O autor desse livro é Pedro.

d ) De todas as coisas, a mais eficiente é o bom humor. e) É necessária a moderação.

1) Nesse lugar foi encontrado um esqueleto. %) São caducas as riquezas.

h ) Nesse ano o rei morreu.

7 — Em latim, quantas funções podem desempenhar as palavras? 8 — Que é caso?

9 — Quantos casos existem em latim? 10 — Cada caso em latim tem nome especial? 11 — Como se distinguem os casos em latim? 12 — Conhece o nome de algum caso latino?

13 — Quando uma palavra exerce na oração a função de sujeito, em que caso deve estar no latim?

14 — Q ual a função do nominativo?

15 — Nas seguintes orações, quais as palavras que devem ir para o nominativo? (Proceda como na pergunta 6 ):

a ) O filho do vizinho estudou. b ) O sol sempre ilumina a terra. c ) A terra é iluminada pelo sol.

ã ) Nem sempre a iua ilumina a terra durante a noite. e ) O sol tem luz própria, ao passo que a lua não tem. f ) A fonética constitui a primeira parte da gramática. g ) O nominativo indica o sujeito da oração.

h ) O sujeito de uma oração vai em latim para o caso nominativo.

0 Procede mal o aluno que pretende acertar as respostas do questionário sem antes ter estudado bem a lição.

(18)

16 (§ 8 ) LIÇÃO 2 — VOCATIVO

LIÇÃO 2

V O C A T I V O

8 — O segundo elemento que nós podem os encontrar num a oração é o vocativo.

A função do vocativo é indicar apelo, chamado. Q uando nós vemos um amigo e dizem os: “P edro, venha cá” — a palavra P edro está indicando apelo, cham ado; a palavra P ed ro , portanto, é vocativo.

Q u an d o nós chamamos a atenção de algum a pessoa ou de algum a coisa, recorremos sempre ao vocativo. Consideremos a o ração : “M eninos, estudem o ponto . — Com. essa oração, nós chamamos a. atenção dos meninos; a palavra meninos é, pois, vocativo.

O caso que em latim indica a função de vocativo chama-se vocativo (d o latim vocare = ch a m a r).

9 N ote-se que o vocativo pode vir no começo, no meio ou no fim d a oração:

no princípio: “M eninos, estudem a lição” . no meio: “ Estudem , meninos, a lição” . no fim : “ E studem a lição, meninos” .

O bserve o aluno que o vocativo vem sempre acom panhado de vírgulas; quando o vocativo inicia a oração, h á um a vírgula depois; quando vem no meio, o vocativo se põe entre vírgulas; quando no fim d a oração, põe-se uma vírgula antes.

E ssa pontuação é sempre observada, tanto em português quanto em latim, d e m aneira que a própria pontuação indica ao aluno o vocativo.

10 — O vocativo, em português, o ra vem constituído somente d a palavra, o ra vem acom panhado d a interjeição ó:

1 — M enino, você não tem experiência d a vida. 2 — Ó menino, você não tem experiência d a vida.

O aluno não deve confundir o ó que aparece nos vocativos com o oh! que aparece nas orações exclam ativas; o o h ! das orações que indicam adm i­ ração vem com h e ponto de adm iração, ao passo que o ó que às vezes acom­ panha o vocativo não deve vir com h.

(19)

LIÇ A O 2 — V O C A T IV O — G E N IT IV O (§ 14) 17

G E N T I V O

11 — O terceiro elemento que pode aparecer numa oração é o adjunto

adnotninal restritivo (1>.

Adjunto adnominal restritivo é o complemento que restringe um nome.

Suponhamos a frase “ Casa de Pedro”. — A casa podia ser de Paulo, de

João, de Antônio etc., mas dizendo “casa de Pedro” nós restringimos a

palavra casa. Portanto, de Pedro, ao mesmo tempo que completa o sentido

da palavra casa, está restringindo, está especificando essa palavra.

Outros exemplos:

1 — O pêlo do camelo é quente.

2 — Os cultores da filosofia adquirem bela cultura

3 — Vendi a fazenda de vovô.

12 — O aluno deve ter notado que o adjunto adnominal restritivo vem

sempre acompanhado da preposição de. Isso não quer dizer que a prepo­

sição de indique sempre um adjunto adnominal restritivo; o que podemos

dizer é o seguinte: Nem sempre a preposição de indica adjunto adnominal

restritivo, mas o adjunto adnominal restritivo vem sempre antecedido da

preposição de, e quase sempre encerra idéia de posse.

13 — O adjunto adnominal restritivo em português corresponde em

latim ao caso genitivo.

14 — Se o adjunto adnominal restritivo em português vem sempre com

a preposição de, acontece também que uma palavra que em latim está no

genitivo sempre se traduz com a preposição de. Por outras palavras: Se

a palavra “ Pedro” está em latim no caso genitivo, nós devemos traduzi-la

em português por “de Pedro”, e se em português encontramos a frase “de

Pedro” devemos pô-la em latim no genitivo.

QUESTIONÁRIO

1 — Q u a l é o se g u n d o e le m en to q u e n ó s p o d e m o s e n c o n tra r n u m a o ra ç ã o ? 2 — Q u a l é a fu n ç ã o d o v o c ativ o ?

3 — Q u a n ta s p o siçõ es p o d e o c u p a r n a o ra ç ã o o v o c a tiv o ? 4 — Q u a l a p o n tu a ç ã o q u e o v o c ativ o se m p re exige?

5 — C o n stru a três o ra çõ e s d ife re n te s e m q u e h a ja v o c a tiv o . N a 1.® o ra ç ã o c o lo q u e o v o cativ o no co m eço ; n a 2.a n o m eio ; n a 3.® n o fim .

(1) A nom enclatura gram atical brasileira, enquanto especifica os diversos ad juntos adverbiais, não faz o m esm o com os adnom inais. A discrim inação do restritivo aqui se im põe, ao m esm o tempo que acom panha tradicional procedim ento da gram ática latin a — V. Gram ática M etódica da

(20)

1 8 (§ 15) UÇAO 3 — DATIVO

6 — A simples pontuação pode indicar o vocativo? P or quê? 7 — Q ual é o terceiro elemento que uma oração pode apresentar? 8 — Q ue é adjunto adnominal restritivo? Q ue idéia quase sempre encerra? 9 — R edija três orações em que haja adjunto adnominal restritivo.

10 — Q ual é a preposição que em português sempre antecede o adjunto adnominal restritivo? | | — O adjunto adnominal restritivo em português para que caso vai em latim?

12 — O genitivo latino como se traduz em português?

13 ■— Diga para que caso devem ir as palavras grifadas (* ) das seguintes frases (Lembre-se o aluno de que até agora estudamos somente três casos, o nominativo, o vocativo e o genitivo — Copie frase por frase, escrevendo abreviadamente debaixo de cada palavra grifada o caso):

a ) O s soldados defendem a pátria. b) Soldados, defendei a pátria. c ) O menino quebrou a perna. i ) 6 menino» não escreva dessa forma.

t ) João, seu mano já voltou?

f ) Seu mano Jo io já voltou? (N ão se esqueça o aluno de que a existência ou não de vírgulas indica a existência ou não de vocativo).

g) Pedrinho não vai ao cinema, Maria? h ) Por que Maria não quer brincar?

i) P or que, Maria, você não quer brincar? j ) A casa de meu amigo vai ser desapropriada.

k ) Você viu, maninho, como a lição do professor foi instrutiva? I) Nem sempre as árvores altas têm grande quantidade de galhos. m ) Homem de pouca fé, por que deixou seus filhos sem a luz da ciência?

n ) João, que é feito do anel de sua irmãzinha?

L I Ç Ã O 3

D A T I V O

15 — O aluno jam ais poderá com preender o que vem a ser em latim o caso dativo, se não tiver perfeita compreensão do que é objeto ipdireto em português. P a r a que o aluno tenha conhecimento completo do assunto, aqui vou expor um ponto muito im portante d a gram ática portuguesa, ponto que é base p ara a compreensão d o dativo e também do acusativo, caso este que iremos estudar logo mais.

16 — Sabem os já o que é verbo, pela explicação d a d a no § 2, onde vimos que to d a a ação tem um a ca u ja , isto é, um sujeito, um agente.

P ois bem ; como toda a ação requer uma causa, igualmente toda a ação p roduz um efeito.

Se, quando dizem os: “ P e d ro escreveu um a c a rta ” — atribuímos a causa a P ed ro , d a mesma m aneira a ação de escrever produziu um efeito; qual o resultado d a ação que P e d ro praticou, ou seja, que é que P ed ro escreveu? U m a carta.

(21)

L1ÇÂ0 3 — DATIVO (§ 19)

19

O bservando, entretanto, outros verbos, notaremos que a ação por eles expressa não produz, como no exemplp dado, nenhum efeito. Assim , quando dizemos: “ O pássaro voou” — não perguntam os: “ Q u e é que ele voou? — Q uer isso dizer que a ação fica toda ela no sujeito do verbo, sem produzir resultado algum.

Q u al a razão d a desigualdade entre esses dois verbos? Ê a seguinte: no primeiro caso, citamos um verbo d e predicação incompleta, e no segundo, um de predicação completa.

17 — Q ue vem a ser predicação? — O verbo é cham ado também pre­

dicado, porque atribui, predica uma ação a algum a pessoa ou coisa; pois bem, quando essa ação fica toda no sujeito, diz-se que o verbo é de predicação completa; quando não, ou seja, quando a ação, que o verbo exprime, exige uma pessoa ou coisa sobre que recair, diz-se que o verbo é de predicação incompleta.

A pessoa ou coisa que se acrescenta ao verbo p a ra lhe completar a significação chama-se complem ento ou paciente da ação verbal.

18 — O s verbos dividem-se, pois, em dois importantes grupos: verbos de predicação completa e verbos de predicação incompleta; verbo de predicação

completa é o que não exige nenhum complemento, ou seja, é o que tem sentido com pleto; assim, são de predicação com pleta verbos como voar, cor­

rer, fugir, morrer, andar, porque nenhum a palavra exigem depois de si; têm

todos eles sentido com pleto; a águia voa, a lebre corre, o lad rão fugiu, P ed ro morreu, a criança anda — são orações constituídas de apenas dois termos, sujeito e verbo, sem nenhum a necessidade, p ara o sentido, de um terceiro termo. T ais verbos se chamam intransitivos.

O u tra classe de íerb o s, bastante diferente dessa, é a dos verbos de

predicação incompleta, 'isto é, verbos que exigem depois de si um comp’emento,

ou seja, um termo que lhes complete o sentido: eu escrevi, ele perdeu, nós seguramos, M aria ganhou — não são orações de sentido inteirado, pois não sabemos que fói que eu escrevi, que foi que ele perdeu, que seguramos nós, que ganhou M a ria ; os verbos que nessas orações entram exigem um termo que lhes complete o sentido, e a oração toda passará a ter |três term os/ sujeito, verbo e com plem ento: eu escrevi uma carta, ele perdeu a carteira, nós segu­

ramos o ladrão, M a ria ganhou um colar.

19 — Verbos de predicação incompleta: Existem quatro espécies de verbos de predicação incompleta:

a ) V erbos cuja ação passa diretamente p ara a pessoa ou coisa sobre que recai.

Q uando dizemos: “P edro estudou a lição” — não colocamos nenhuma preposição entre estudou e a lição.

T o d a a vez que a um verbo de predicação incompleta se seguir direta­ mente a pessoa ou coisa sobre que recai a ação, esse verbo será transitivo

direto (d o latim transire — passar) . T a l pessoa ou coisa sobre que recai,

(22)

2 0 ( § 2 0 ) LIÇÂO 3 DATIVO

Exem plos de verbos transitivos diretos: ver, beber, derrubar, pegar, segu­ rar, deixar, abrir etc.

b) N ã o podemos dizer: “ P e d ro depende o p a i” — unindo direta­ mente ao verbo depender o complemento o pai. Em pregando a preposição de, dizemos sempre: “ P ed ro depende d-o p a i” . — O verbo depender é tam ­ bém de predicação incompleta ( D e que depende P e d r o ? ) , mas não é perfeitam ente igual ao verbo estudar, porque se liga indiretamente (p o r meio d e preposição) ao complemento.

T a is verbos são cham ados transitivos indiretos, e o seu complemento se denom ina OBJETO INDIRETO.

Exem plos de verbos transitivos indiretos: gostar {de algum a co isa), obe­ decer ( a algum a co isa ), corresponder ( a algum a co isa), recorrer ( a alguma coisa) etc.

c) Se um amigo, vindo-nos ao encontro, disser: E u dei — im ediata­ mente perguntam os: Q ue é que você deu? P ro v a isso que o verbo dar, como nos casos anteriores, é, também , de predicação incompleta. O amigo nos responderá, por exemplo: D e i quinhentos cruzeiros.

E sta rá perfeitam ente com pleta a predicação do verbo? — N ã o , porque logo em seguida nos ocorre a pergunta: “A quem deu você quinhentos cruzeiros?”

Concluím os d a í que o verbo dar é de predicação duplam ente incom pleta, pois exige não apenas um, mas dois complementos: um p ara especificar a coisa d a d a , outro p ara determ inar a pessoa a quem a coisa foi d a d a : D ei quinhentos cruzeiros a P edro.

T a is verbos são cham ados transitivos direto-indiretos. Como transitivos diretos, pedem um complemento direto; como transitivos indiretos, outro, indireto.

Exemplos de verbos transitivos direto-indiretos: conceder, levar, oferecer, contar, relatar, dizer etc.

d ) Q u an d o dizemos P edro é bom, não atribuímos a P e d ro nenhuma ação, e, sim, um a qualidade, a q u alidade de ser bom. T a is verbos são tam ­ bém de predicação incompleta (Q u e é P e d r o ? ) e, conseguintemente, requerem um complemento, com à diferença de ser este constituído de qualidade e não de pessoa ou coisa.

Mesmo quando se diz — P edro é pedra — em bora o complemento seja constituído por coisa ( p e d r a ) , este complemento n ão é efeito de nenhuma acão pratic a d a por P e d ro , senão que indica um estado, uma qualidade de P ed ro , a q ualidade de ser como pedra.

T a is verbos são cham ados verbos de ligação, e seu complemento se cham a PREDICATIVO (jam ais objeto).

Exem plos de verbos de ligação: ser, estar, andar, ficar, permanecer etc. 20 — REGÊNCIA VERBA L: Q uando indagam os se tal verbo exige objeto direto ou indireto, ou quando, exigindo objeto indireto, 'procuram os saber se a preposição que o liga ao objeto deve ser ou <põt> ou Çõrh o u ( a ^ b u (fa}a ou Érft) etc., estamos procurando saber a regência do verbo.

(23)

LIÇÃO 3 - DATIVO (§ 22) 2 1

21 — 0 caso que em latim representa a função de objeto indireto é o dativo.

Q uero acrescentar ao que já disse sobre o objeto indireto a seguinte obser­ vação : G eralm ente, o objeto indireto, em português, vem antecedido ou d a preposição a ou d a preposição para·. Exem plos:

o b j. indir. / r io o tv T 0 '

O bedeço a meu pai

o b j. indir.'?

P erd ô o a essa criança

o b j. in d ir.

D ei um livro a Jo ão

obj. in d ir . / 'b c x  - A s r O '

Enviei p a ra o tesoureiro

22 — N a frase: “ Ele me obedece” o m e é objeto indireto, porque cons­ titui complemento d e um verbo transitivo indireto.

N otas: 1? — As form as oblíquas me, te, nos e vos servem , indiferentem ente, ta n to p a ra o b jeto s dire­

tos, com o p a ra o bjetos indiretos, ou seja, podem ser com plem entos ta n to de verbos transitivos direto s co­ mo de verbos transitivos indiretos.

E x e m p l o s : “ E.u ie amo" (objeto d ire to — verbo transitivo direto) — “ E u te obedeço** (objeto indireto — verbo transitivo indireto) — "Nó* vos amamos" (objeto direto — verbo transitivo direto) — “ Nós Voa perdoamos" (objeto indireto — verbo transitivo indireto).

A* formas pronominais oblíquas o e lhe da terceira pessoa não podem ser usadas indife­ rentemente; a forma oblíqua o jamais poderá funcionar como objeto indireto, e a forma

lhe jamais como direto. Comete erro gravíssimo quem diz: “ E u lh e vi", porque o verbo ver é transitivo direto» e, portanto, o oblíquo deve ser o. D a mesma forma, erra enormemente quem diz: “E u o obedeço", porque o verbo obedeceT é transitivo indireto, e, portanto, o oblíquo deve ser lh e.

O seguinte quadro elucida a questão:

O B J E T O S

Direto Indireto

(compl. de verbo trans. direto) (compl. de verbo trans. indireto)

me me

Si n g u l a r te Sin g u l a r te

se, o se, Ui^

nos nos

Pl u r a l vos Pl u r a l vos ^

(24)

22 (§

23) LIÇAO 3 — DATIVO

2? — Vimos na letra d do § 19 que os verbos de ligação se completam com o predicativo (jamais obje­ to). Acrescentemos agora: Pode aparecer com tais verbos, além do predicativo, que é exigido pelo verbo pa­ ra que tenha sentido completo, iima palavra que determine ou complete o predicativo, ou seja, uma palavra que manifeste relação de prejuízo ou benefício (interesse), proxinjidade, semelhança etc.: “ Pedro é bom pa­ ra o pai" — "“ Ele é favorável a mim” — “ Isso não parece bom púra o povo". Substituindo esse comple- mento pelo correspondente pronome oblíquo, temos: “ Pedro lhe i bom” — “ Ele me é favorável” — “ Is­ so não lhe parece bom” .

Essa espécie d e objeto indireto (que iremos estudar na L. 92) vai em latim para o dativo, cham ado datiuo de interesse; pode às vezes equivaler a possessivo (“Não m e aperte o braço” —■ não aperte m eu braço), m as isso não significa que o possam os analisar com o adjunto adnominal d e braço. Em “N ão m e deixe de cum prim entar sua professora” , “N ão m e entre com os pés i sujos” , o m e n ão modifica nada; o m elhor é analisar em português com a terminologia latina ' “dativo à é Interesse” .

23 — Assim como o objeto indireto em português vem geralmente ante­ cedido d a preposição a ou para, o dativo latino deve ser traduzido em português com essas preposições. P o r outras palavras (preste atenção o aluno) : Se para traduzir o objeto indireto “ p a ra Jo ã o ” emprega-se em latim o dativo, é sinal de que esse nome, se em latim estiver no dativo, deverá ser traduzido com a preposição a ou para, ficando “ a Jo ã o ” ou “para Jo ã o ” .

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QUADRO SINÓTICO DA PRESENTE LIÇÃO

predicação completa — intransitivo (sem objeto)

predicação incompleta

predicação duplamente incompleta

transitivo direto (objeto direto)

(não há preposição entre o verbo e o complemento) trans. indireto (objeto indireto)

(há preposição entre o verbo e o complemento) de ligação (predicativo)

( transitivo direto-indireto (dois objetos: um direto e < outro indireto)

Q U E S T I O N Á R I O

1 — Q ue se entende por complemento, quando se fala em "verbo quanto ao complemento*'? 2 — Considerados quanto ao complemento, todos os verbos são iguais? Por quê? 3 — Q ue é verbo de predicação completa? Q ue ‘outro nome tem? Exemplos.

4 — Q uantas espécies existem de verbos de predicação incompleta? Defin;r cada espécie e exemplificar com orações· (O aluno deve esmerar-se no responder a esta pergunta, porquanto versa sobre um dos mais importantes assuntos. O § 19 deve ser aqui todo explicado pelo aluno, com termos próprios e exemplos abundantes).

5 — Como se denominam os complementos dos verbos de predicação incompleta?

6 — O s verbos de ligação podem vir com objeto indireto? Como se chama em latim esse dativo? D ê um exemplo ( V . nota do § 22).

7 — Como se chama o complemento do verbo estar? P or quê?

8 —- Q ue se entende por regência quando se estuda o verbo quanto ao complemento? 9 — Faça o quadro sinótico do estudo do verbo quanto ao complemento.

10 — Q ual é o quarto elemento que pode aparecer numa oração? 11 — Q ue é objeto indireto?

12 — 0 objeto indireto vem sempre antecedido de preposição? (Se a resposta fôr positiva, declarar qual ou quais são as preposições que antecedem o objeto indireto).

(25)

LIÇAO 4 — ABLATIVO — ACUSATIVO ( § 2 6 ) 2 3 13 —- R edija duas orações em que haja objeto indireto com a preposição a e duas com

a preposição para. (Não empregue os verbos ir, vir nem nenhum outro que indique movimento).

14 — O objeto indireto português para que caso vai em latim? 15 — O dativo latino como se traduz em português?

16 — Diga para que caso devem ir as palavras grifadas das seguintes orações: a ) O sol fornece luz a todos.

b ) O cão do vizinho desobedeceu-me. c ) Dei-lhe peras em quantidade. d ) Meninos, perdoai aos inimigos.

e ) Maria e seu irmão não nos deram o prazer de visitar-nos.

L I Ç Ã O 4

A B L A T I V O

2 4 — J á vimos o que vem a ser adjunto adnom inal restritivo; vimos tam ­ bém o que vem a ser complemento de verbo (objeto direto, objeto indireto, predicativo). V ejam os agora o que vem a ser ad ju n to adverbial.

25 — Se à oração· “ P ed ro m orreu” (d e sentido perfeitam ente completo, pois o verbo é intransitivo e, como tal, nenhum complemento p ede) acrescen­ tarmos uma circunstância, a de lugar, por exemplo, dizendo: “ P e d ro morreu no rio", “ no rio” constituirá um adjunto adverbial.

O adjunto adverbial, pois, não é exigido pelo verbo. O s objetos diretos e os indiretos e o predicativo são também complementos, mas são exigidos p ara a inteira compreensão do verbo.

2 6 — D iversas são as espécies de adjuntos adverbiais:

Lu g a r — onde: Estou na sala.

d onde: O avião vai sair do campo, por onde: V im pelo melhor caminho.

T E M P O — quando: N o verão os corpos se distendem. há quanto tempo: Somos assim desde crianças. M o d o — N ã o peça com tanta insistência.

C o m p a n h ia — F a re i'fo rtu n a com meu irmão. I n s t r u m e n t o ou M e io — Comemos com garfo. CAUSA — Quebrou-se por culpa do menino. M a t é r i a — A nel de ouro.

Ob*. — Esses e outros adjuntos adverbiais serão futuram ente estudados um a um.

(26)

24 (§ 27) LIÇÃO 4 — AHLVriVO — ACUSATIVO

27 — Existem oulros lipos de adjuntos adverbiais, mas, em regra geral, podemos dizer o seguinte: O caso que em latim representa o adjunto adverbial é, geralmente, o ablativo.

Q u er dizer que os substantivos grifados no § anterior (sala, campo, cami­ nho, garfo, culpa, ouro) devem em latim ir p ara o ablativo.

28 — V im os no § 14 a m aneira prática de reconhecer e traduzir o genitivo: no § 2 3 aprendemos o mesmo com relação ao dativo. E o ablativo? Este caso tem mais aplicações, pois se presta p ara traduzir grande parte das muitas espécies de adjuntos adverbiais. N ã o é possível dar-lhe uma corres­ pondência exata em português, mas, p a ra norm a geral, adota-se a preposição por (pelo, pela, pelos, pelas) p a ra traduzir o ablativo e, vice-versa, quando numa frase portuguesa um a palavra vem antecedida dessa preposição traduz-se em latim pelo ablativo.

A C U S A T I V O

2 9 — O sexto e último caso latino é o acusaiivo.

3 0 — V im os na lição 3 o que é objeto d ireto; pois bem, o objeto direto traduz-se em latim pelo acusativo.

Q uadro dos casos e respectivas funções

No m in a t iv o — jnjeito.

Vocativo — apelo — ó

Ge n i t i v o — adjunto adnominal reitritivo — DE

Dativo — objeto indireto — A ou PARA

Ablativo — adjuntoi adverbiais, em geral — POR

Ac u sa t iv o — objeto direto — SEM PREPOSIÇÃO

Q U E S T I O N Á R I O

1 — Quais os complementos que estudamos até agora? 2 — Q ue é adjunto adverbial?

3 — O objeto direto e o indireto são também adjuntos adverbiais? Por quê 4 — Construa 5 orações em que haja adjunto adverbial.

5 — O mais das vezes, para que caso vai em latim o adjunto adverbial? 6 — Q ual é o sexto e último caso latino?

7 — Q ue é objeto direto?

(27)

LIÇAO 5 - FLEXÃO (§ 34) 25 9 — Quando uma palavra, em português, exerce função de objeto direto, para que caso

deve ir em latim?

10 — Diga que função exercem as palavras grifadas das seguintes orações, e, a seguir, para que caso devem ir no latim: 0 )

o) Estávamos conversando na sala, quando vimos, pelo huraco da fechadura do quarto fronteiriço, um ladrão que, tendo fugido da prisão, dirigiu-se a nossa casa com o intuito de roubar nossas coisas.

b ) Orfen arrastou com o seu canto as florestas e as pedras.

c ) Vivendo com economia, Pedro e Paulo podem enviar dinheiro para seus pais. à ) Fugiu por descuido do guarda.

e ) Pedro feriu o irmão com uma pedra.

f ) O s homens livres dão à humanidade conforto e satisfação.

g) O s governos discricionários nenhuma garantia oferecem ao cidadão. h ) N ão conquisto simpatia com promessas mas com fatos.

L I Ç Ã O 5

F L E X Ã O

31 — A fin al, que Vem a ser flexã o ? — F lexão é a propriedade que têm certas classes de palavras ( a dos substantivos, a dos adjetivos, a dos pro­ nomes e a dos verbos) de sofrer alteração na p arte final, isto é, na última s'"laba.

Q uando se diz que um a palavra é variável, entende-se que a p alav ra tem term inações diferentes; quando se diz que um a p alav ra é invariável, enten­

de-se que não sofre nenhum a alteração.

32 — N a s palavras variáveis dá-se o nome desinência à p arte final fle­ xível. Podem os definir: Desinência é a parte final variável de uma palavra, através da qual é indicada a relação gram atical entre essa e outras palavras. Dá-se o nome tem a, ou radical, à p arte que resta da p a la v ra v tirando-se a desinência.

N a palavra estudioso a desinência é o “ o ” final, porque pode ser m udado para a (estudios-a), p a ra os (estudios-os), p ara as: estudios-as. O restante — estúdios — vem a ser o tema (o u radical).

Compare-se a desinência com a ponta de uma lapiseira: as pontas podem ser trocadas, ao passo que a lapiseira é sempre a m esm a; as pontas vêm a ser as desinências, a lapiseira vem a ser o radical.

Como se descobre o radical de um a palavra latin a? D escobre-se, p ra­ ticamente, tirando-se fora a desinência do genitivo singular ( V . § 3 9 ) .

33 — S abe já o aluno o que vem a ser caso (L içã o 1 ) ; sabe tam bém o que vem a ser flexão; deve portanto com preender o que vem a ser flexão de caso: V ariação que sofre a palavra na desinência, de acordo com a função que exerce na oração.

34 — Vim os na lição 1 que existem seis casos em latim. Devemos agora saber que os substantivos, em latim, distribuem-se em ^emeo grupos, I isto é, nem todos os substantivos em latim terminam d a mesma m aneira. C a d a

( I ) Exemplo: P tdro estud; no colégio.

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