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Rev. Saúde Pública vol.40 número4

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Academic year: 2018

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Poliomielite no M unicípio de

São Paulo

Poliomyelitis in São Paulo

municipality

Departamento de Medicina Social. Faculdade de Ciências Médicas. Santa Casa de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil

Correspondência | Correspondence:

José da Silva Guedes

Departamento de Medicina Social Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Rua Cesário Mota Jr, 61 6º andar 01221-020 São Paulo, SP, Brasil E-mail: [email protected]

É com muita satisfação que recebi o convite da Editoria Científica da Revista de Saúde Pública para comentar este artigo do Professor Victório Barbosa. Com ele tive o prazer de privar, inicialmente como aluno do Curso de Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública e, posteriormente como colega de tra-balho em várias tarefas memoráveis como o combate a poliomielite e à epidemia de meningite de 1970-77, dentre outras.

O artigo foi publicado em junho de 1968, momento em que grandes mudanças estavam acontecendo na organização da saúde no Estado de São Paulo. Tais mudanças ocorreram na Secretaria Estadual de Saú-de, mas também influenciaram na Secretaria do Mu-nicípio de São Paulo.

Os fatos tratados no artigo ocorreram, portanto antes das grandes mudanças introduzidas pela gestão do Prof. Walter Leser (1967-1970). A reestruturação feita pelo Prof. Leser permitiu que propostas, há muito sugeridas por professores da Faculdade de Saúde Pública, fos-sem finalmente adotadas. Citam-se a extinção de inú-meros “serviços verticais”, a criação do centro de saú-de polivalente e das coorsaú-denadorias da comunidasaú-de, dos serviços técnicos e da administração hospitalar além da criação da carreira de médico sanitarista.

As grandes mudanças estavam ainda por vir na época em que ocorriam os fatos relatados no trabalho, como: a melhoria na notificação de doenças, aperfeiçoamen-to dos procedimenaperfeiçoamen-tos de vacinação, a capacitação de grande número de técnicos, entre elas a colaboração com as Escolas de Medicina. Um fato marcante na-quela época era a estreita colaboração de professores de vários departamentos da Faculdade de Saúde Pú-blica com os serviços da antiga Secretaria.

Quando aluno do Curso de Saúde Pública para

médi-cos, em 1963, pude constatar e participar das discus-sões e trabalhos conjuntos do Departamento de Epi-demiologia com a famosa Secção de EpiEpi-demiologia e Profilaxias Gerais da Secretaria da Saúde (SEPG).

A pesquisa feita pelo Professor Victório para con-clusão de seu doutoramento e que deu muitos ele-mentos para o artigo em tela, mostrou como as fa-lhas da notificação distorciam a realidade da ocor-rência da pólio não só quanto à magnitude dos da-dos, mas também quanto à distribuição etária da doença e outras características.

O trabalho evidencia a grande preocupação com os diferentes elementos da “estrutura epidemiológica” tais como o saneamento do meio. Marca bem o traba-lho a “luta” do Professor Victório e outros docentes da Faculdade de Saúde Pública em orientar os médi-cos e as autoridades quanto às propostas de vacina-ção e sua necessidade.

Para que se entenda a difícil discussão de “vacinação de rotina” versus “campanhas”, vale mencionar que só em 1967 foi elaborado por um grupo de técnicos a pedido da Secretaria da Saúde o Primeiro Calendário Oficial de Vacinação para o Estado de São Paulo, e a primeira “caderneta oficial de vacinação”.

A partir de 1967, o Professor Victório muito contri-buiu à saúde pública, quando como Coordenador de Serviços de Centros de Saúde da Capital (1967-69) e Coordenador do Departamento Regional de Saúde da Grande São Paulo (1969-71), pôde pôr em prática muitas das propostas contidas nesse trabalho.

O artigo do Professor Victório merece ser lido com uma visão do contexto, para que se possa aquilatar suas dificuldades e a importância histórica do estudo que o embasou.

Rev Saúde Pública 2006;40(4):594

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