APELAÇÃO
CÍVEL
553732-SE
(0003082-54.2012.4.05.8500).
APTE : CEF - CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
ADV/PROC : CLAUDIA TELES DA PAIXAO ARAUJO E OUTROS APDO : ROBERTO DE FARIAS RODRIGUES E OUTRO ADV/PROC : MIGUEL EDUARDO BRITTO ARAGÃO E OUTRO. ORIGEM : JUíZO DA 1ª VARA FEDERAL DE SERGIPE.
RELATOR : DESEMBARGADOR FEDERAL MANOEL DE OLIVEIRA ERHARDT.
RELATÓRIO
1. Trata-se de recurso de apelação da CAIXA
ECONÔMICA FEDERAL – CEF interposto da sentença contendo o seguinte dispositivo (fl. 175):
“Forte na argumentação expendida, extingo o processo com resolução do mérito (art. 269, inciso I do CPC) e julgo procedente a pretensão autoral para declarar a purgação da mora e, consequentemente, a extinção da execução extrajudicial promovida pela demandada visando a alienação do bem imóvel adquirido pelos demandantes.
Confirmo a antecipação dos efeitos da tutela.
Condeno a demandada em honorários advocatícios, os quais fixo em 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação, nos termos do art. 20, § 3º, do Código de Processo Civil.
Após o trânsito em julgado, levantar o valor depositado judicialmente em favor da demandada, após compensação relativa aos honorários advocatícios, devidamente atualizados. (...)”
2. Os mutuários, ROBERTO FARIAS RODRIGUES
e SOLANGE DE OLIVEIRA RODRIGUES alegam terem firmado contrato de financiamento de imóvel em 9.6.2010, junto à CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – CEF.
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3. Expõem que por motivo de doença da mutuária, o cônjuge mutuário teve de desviar os recursos que seriam para pagamento das prestações para o tratamento de saúde da cônjuge.
4. Alegam que, nos termos do Ofício nº 183/2011,
o valor das prestações atrasadas corresponderiam a R$ 1.391,00 e que, posteriormente, teriam sido surpreendidos com notificação extrajudicial sobre 1º Leilão Público 0014/2012 – CPA/ME, a ser realizado em 08.06.2012.
5. Afirmam que o mutuário, ROBERTO DE FARIAS
RODRIGUES, teriam tentado acordo administrativo junto à CEF, sem contudo obter êxito, tendo sido informado, na ocasião sobre impossibilidade de negociação administrativa, assim como sobre a proximidade da realização do leilão do imóvel.
6. Expõem, ainda, que possuem três filhas que
também dependem da remuneração do referido mutuário, esclarecendo ser o único provedor da família.
7. Asseveram que se dispõem a quitar o débito
concernente às prestações vencidas, assim como a regularizar o pagamento das prestações vincendas.
8. Requerem a concessão da tutela antecipada, no
sentido de obstar a realização iminente do leilão do imóvel.
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de arrematação do imóvel, a possibilidade dos mutuários purgarem a mora, nos termos do art. 34 do Decreto-Lei nº 70/66.
12. Após, a referida julgadora julgou procedente a
ação, nos termos do dispositivo de sentença já transcrito alhures.
13. A CEF alega o seguinte em seu recurso: a) não
terem os mutuários purgado a mora nos 15 dias conferidos pelo artigo 26, § 1º da Lei nº 9.514/97; b) terem os mutuários incorrido em inadimplência pelo período de 10 meses, tendo ocorrido a consolidação da propriedade em nome da CEF; c) terem sido os mutuários devidamente notificados para purgar a mora, nos termos do art. 26 da Lei nº 9.514/97; d) que a assinatura do auto de arrematação prevista no art. 34 do Decreto-Lei nº 70/66 equivaleria à averbação da consolidação da propriedade do imóvel em favor do credor fiduciário; e) a impossibilidade de recepção do pagamento do débito após a consolidação da propriedade em nome da CEF; f) que o débito já se encontra liquidado em decorrência da referida consolidação da propriedade em nome da CEF; g) que, à época da contestação, o total da dívida correspondia a R$ 46.691,74, sendo que deste total, R$ 8.191,77 correspondia às prestações vencidas.
14. A parte demandante apresentou contrarrazões
às fls. 194/209.
15. É o relatório
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RELATOR : DESEMBARGADOR FEDERAL MANOEL DE OLIVEIRA ERHARDT.
VOTO
1. A execução extrajudicial, no caso dos autos,
encontra-se disciplinada pela Lei nº 9.514/97, contendo ressalva em seu art. 39 sobre a aplicação do disposto nos arts. 29 a 41 do Decreto-Lei nº 70/66.
2. A situação excepcional que desencadeou o
estado de inadimplência pelo período de 10(dez) meses, encontra-se plenamente demonstrado nos autos, tendo decorrido do grave estado de saúde da mutuária SOLANGE DE OLIVEIRA RODRIGUES.
3. Não existe vício no procedimento de execução
extrajudicial, contudo, tal procedimento realizou-se em breve intervalo de tempo, não tendo havido registro de proposta de renegociação da dívida por parte da entidade credora, em fase precedente à notificação
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6. O que se sobressai no presente caso é o esforço dos mutuários na obtenção dos recursos para quitar a dívida, quando já ultrapassado o período de grave transtorno e inesperado para a unidade familiar composta pelos mutuários e mais três filhas do casal.
7. O fiduciário não será prejudicado já que obterá
o direito ao crédito decorrente das parcelas vencidas, assim como às parcelas vincendas, conforme os termos do contrato de financiamento avençado.
8. Desta feita, aplica-se ao presente caso o
disposto no art. 34 do Decreto-Lei nº 70/66, estendendo-se o limite para a purgação da mora até a data de assinatura do auto de arrematação, ou seja, até a realização do último leilão do imóvel.
9. O mutuário ROBERTO DE FARIAS RODRIGUES
já providenciou o depósito das parcelas vencidas, afastando a mora verificada anteriormente, razão por que devem ser mantidos os termos da sentença recorrida.
10. Por todo o exposto, nego provimento à apelação.
11. É como voto.
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RELATOR : DESEMBARGADOR FEDERAL MANOEL DE OLIVEIRA ERHARDT.
ACÓRDÃO
ADMINISTRATIVO. CEF. SFI. EXECUÇÃO
EXTRAJUDICIAL. LEI N. 9.514/97. CONSTATAÇÃO DE
INADIMPLÊNCIA EM CURTO PERÍODO. DEPÓSITO DAS PARCELAS VENCIDAS. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ART. 34 DO DECRETO-LEI N. 70/66. SENTENÇA MANTIDA.
1. A sentença recorrida julgou procedente o pedido
deduzido na inicial, declarando a purgação da mora e, consequentemente, a extinção da execução extrajudicial, nos termos do dispositivo de sentença.
2. A CEF alega a regularidade do procedimento de
execução extrajudicial previsto no art. 26, § 1º da Lei nº 9.514/97; terem os mutuários incorrido em inadimplência pelo período de 10
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4. O breve período de inadimplência decorrente de fato excepcional, consistente em grave problema de saúde de um dos mutuários, foi a causa temporária que obstou o cumprimento regular do contrato de financiamento.
5. A Constituição Federal enfatiza os princípios
que asseguram os direitos sociais, entre os quais, o direito à moradia, razão por que devem ser prestigiados os mutuários que, apesar do desequilíbrio financeiro, se dispõem a quitar o débito gerado em curto período de inadimplência.
6. Desta feita, aplica-se ao presente caso o
disposto no art. 34 do Decreto-Lei nº 70/66, estendendo-se o limite para a purgação da mora até a data de assinatura do auto de arrematação, ou seja, até a realização do último leilão do imóvel.
7. Já foi providenciado, nos autos, o depósito das
parcelas vencidas, afastando a mora verificada anteriormente.
8. Apelação improvida.
Vistos, relatados e discutidos estes autos de AC 553732-SE, em que são partes as acima mencionadas, ACORDAM os Desembargadores Federais da Primeira Turma do TRF da 5a. Região, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO À APELAÇÃO, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas constantes dos autos, que ficam fazendo parte do presente julgado.
Recife, 14 de março de 2013.
Manoel de Oliveira Erhardt
RELATOR
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