Osvaldo Soliano Pereira, Ph.D.
Centro Brasileiro de Energia e Mudança do Clima - CBEM Rio de Janeiro
Agosto 2010
Cap-and-Trade no Brasil
Sistema Brasileiro de cap-and-trade no
Setor Elétrico
Conteúdo
•
Setor Elétrico Brasileiro
– Regulação
– Planejamento e Operação
– Contexto atual
•
Oportunidades de Redução de Emissões
•
Impacto do Uso de Renováveis no Setor
•
Cap-and-trade no Setor Elétrico
– Benefícios e riscos
Ambiente de Contratação Regulada - ACR
- Contratação em pool ==> geradores e distribuidores - Licitação por menor preço
Ambiente de Contratação Livre - ACL
- Contratação livremente pactuada ==> consumidores livres,
comercializadores e PIEs
Contratação de Energia
Ambiente de Livre Contratação Ambiente de Contratação Regulada
COM
D D D D D CL CL CL CL
G
G G G
contratos bilaterais no âmbito do POOL (ACR) compra em regime de livre contratação (ALC)
contratação complementar (desvios)
.
.
.
.
compra de energia em pool contratação regular
A A--55 AA--33 AA--11 AA Contratação de Geração Existente e Ajuste Contratação de Geração Nova
Contratação no ACR
Contratação de Ajuste < 1% da Carga
2% da carga Compensação de
Geração distribuída - conectada à rede de distribuição do comprador:
I - hidrelétrico com capacidade < 30 MW; II - termelétrico com eficiência > 75%;
III – outras fontes
Chamada pública pelo distribuidor limitada a 10% da carga, exceto empreendimentos próprios.
Regras:
I - “A-5” e “A-3”
a) VR ==> 3 primeiros anos
b) integral ==> a partir do quarto ano
II - “A-1” ==> integral
III - leilões de ajustes ==> preço de aquisição até VR IV - geração distribuída ==> preço de aquisição até VR
Repasse dos Custos de Aquisição da
Energia
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Planejamento Ótimo da Operação
OBJETIVO:
Minimizar custo total, do presente ao futuro, através de decisões de: • Geração térmica e hídrica • Intercâmbio entre regiões
Minimização dos custos totais
Custo Total = Custo Futuro + Custo imediato
Deplecionar
Custo imediato: Baixo Custo futuro: Alto
Tempo
V C
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Minimização dos custos totais
Custo Total = Custo Futuro + Custo imediato
Tempo
V C
Usar térmica
Custo imediato: ALTO Custo futuro: Baixo
Minimização do custo total
Custo Total = Custo Futuro + Custo Imediato
Custo Imediato
Custo Futuro
Volume para mínimo custo total
volume a 100% volume a 0%
Atende à carga com água Volume: ZERO
Custo imediato: ZERO
Atende à carga com óleo Volume: 100%
Custo imediato: ALTO Custo futuro: ALTO
Custo futuro: BAIXO
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Planejamento Ótimo da Operação e
Cálculo do Preço SPOT
O Despacho Hidrotérmico e o Cálculo do Preço SPOT são realizados por meio de
uma cadeia de modelos de otimização: NEWAVE – DECOMP – DESSEM
Modelos Computacionais
NEWAVE DECOMP DESSEM Dados de entrada relativos a geração hidráulicaModelo Dados de saída
Séries históricas de vazões afluentes
Potência efetiva Volume útil Produtibilidade Perda hidráulica Vazão mínima defluente
Cota x Área Cota x Volume Evaporação mensal Canal de fuga Indisponibilidade média Restrições Operativas Horizonte 5 anos Horizonte 5 anos Discretiza
Discretizaçção mensalão mensal
Horizonte 1 ano Horizonte 1 ano Discretiza
Discretizaçção semanalão semanal
Horizonte 5 semanas Horizonte 5 semanas Discretiza
Discretizaçção horão horááriaria
DESPACHO HIDROT
DESPACHO HIDROTÉÉRMICORMICO e
e C
CÁÁLCULO DO PRELCULO DO PREÇÇO SPOTO SPOT Sistema agregado
Sistema agregado
Representa
Representaçção Individualizadaão Individualizada
Representa
O ONS e a Segurança do Suprimento
Elétrico e Energético
Segurança/ continuidade do suprimento de energia elétrica Gestão otimizada do armazenamento dos grandes reservatórios Segurança elétrica Operação da Rede Básica de Transmissão G a n h o s s in é rg ic o sDespacho otimizado das termoelétricas
Despacho térmico
devido a razões elétricas
Minimiza probabilidade de racionamentos Minimiza probabilidade de blecautes Integração Eletroenergética Nacional – SIN – Integração Supranacional Complementar
Operação integrada do SIN
Ganhos:• Investimentos evitados
• Substituição térmica por hidroelétrica • Reserva de potência compartilhada • Controle de tensão sistêmico
• Vertimentos evitados
• Regulação de bacias / controle de cheias • Controle de enchimento de reservatórios
Ganhos sinérgicos de energia = 25% (em energia assegurada) Equivalente a um faturamento anual de R$ 8 Bi
Capacidade Instalada
(2009)
Fontes Total (MW) % Hidráulica 74.279 71,7 Térmica 13.302 12,8 Nuclear 2.007 1,9 Fontes Alternativas 7.645 7,4 Potência instalada 97.233 93,9 Importação Itaipu 6.365 6,1 Total 103.598 100,0Leilões de energia nova
(convencionais)
Ano Modo Renováveis Fósseis Total
MWmed MWmed MWmed
2005 498 357 855 2006 A3 1098 584 1682 A5 630 474 1104 2007 A3 1304 1304 A5 715 1597 2312 2008 A3 1076 1076 A5 156 2969 3125 2009 A3 11 11 Total 3.108 8.361 11.469
Leilões especiais de energia nova
(alternativas, reserva e estruturantes)
Ano Modo Renováveis
Projetos MWmed 2007 Renováveis 18 186 2008 Biomassa 31 1204 Santo Antonio 1 2140 Jirau 1 1975 2009 Eólica 71 783 Total 122 6.288
Energia contratada nos leilões de
geração de energia nova (2005-2009)
Número de projetos Energia Contratada (MW médios) Número de projetos Energia Contra tada (MW médios) Número de projetos Energia Contratada (MW médios) 2005 11 498 2 357 13 855 A3 21 1.098 10 584 31 1.682 A5 11 630 4 474 15 1.104 Renováveis 18 186 - - 18 186 A3 0 - 12 1.304 12 1.304 A5 5 715 5 1.597 10 2.312 Biomassa 31 1.204 - - 31 1.204 A3 0 - 10 1.076 10 1.076 A5 2 156 22 2.969 24 3.125 Santo Antonio 1 2.140 - - - 2.140 Jirau 1 1.975 - - - 1.975 A3 2 11 - - 2 11 Eólica 71 783 - - 71 783 2008 2009 Fontes de Geração
Renováveis Fósseis Total
Modo Ano
2006
Potência Hidrotérmica Contratada e
em Construção - 2010 a 2013 (MW)
N° Projetos 2010 2011 2012 2013 Total % UTE 51 2.765 2.830 1.146 4.744 11.485 51,39
Gás natural 2 490 204 - - 694 3,11
Óleo comb B1/diesel 41 1.925 2.152 786 3.619 8.482 37,95
Carvão mineral 2 350 - 360 - 710 3,18 GNL 5 - 300 - 1.125 1.425 6,38 Óleo diesel 1 - 174 - - 174 0,78 UHE 21 2.219 1.845 3.150 3.650 10.864 48,61 Total 72 4.984 4.675 4.296 8.394 22.349 100,00 Ano Fonte
Expansão da Geração com Renováveis
-Contratadas e em Construção (MW)
2010 2011 2012 Total % PROINFA 3.985 3.985 36,9 Biomassa 1.182 1.182 11,0 PCH 550 550 5,1 Eólica 1.423 1.423 13,2 Leilões 3.985 777 2.045 6.807 63,1 Biomassa 2.300 703 239 3.242 30,0 PCH 980 74 - 1.054 9,8 Eólica 705 - 1.806 2.511 23,3 Total 7.970 777 2.045 10.792 100,0 Programas AnosLeilões 2010: realizados
• Belo Monte (hidro):
– Preço de venda: R$ 77,97 /MWh – Energia ACR: 3.199,7 MWmed
• Leilão A5 Hidro:
– Energia ACR: 327 MWmed
Leilões 2010: previstos
• Leilão de reserva (25/08/2010):
– 478 usinas cadastradas
– 14.529 MW
– Biomassa: R$156,00/MWh; Eólicas: R$167,00/MWh e
Pequenas Centrais Hidrelétricas: R$ 155/MWh
• Leilão de fontes alternativas (26/08/2010):
– 39 projetos
– 1.209 MW
Carga atual e futura
2010 2019 Brasil 455 TWh 712 TWh SIN 409 TWh 631 TWh 85,2 GWmed 109,4 GW (max) Em 2019: 80 TWh de autoprodução e 1,8 TWh nos SIComposição da Capacidade
Instalada (2010)
Hidro 74% Nuclear 2% Gás Natural 8% carvão 1% Óleo Combustível 3% Óleo Diesel 1% Gás de Processo 1% PCH 4% Biomassa 5% Eólica 1%Composição da Capacidade
Instalada (2019)
Hidro 70% Nuclear 2% Gás Natural 7% carvão 2% Óleo Combustível 5% Óleo Diesel 1% Gás de Processo 0% PCH 4% Biomassa5% Eólica 4%Hidro Nuclear Gás Natural carvão Óleo Combustível Óleo Diesel Gás de Processo PCH Biomassa Eólica
Emissões dos GEE do setor elétrico
-MtCO
2eq
MtCO2e 2010 2013 2014 2017 2019
Setor
Distribuição das Emissões de GEE no
Setor Energético
Potencial técnico excedente de bagaço
para o SIN (2010-2019)
Outras biomassas
•
Resíduos urbanos:
– Digestão anaeróbica: 1.230 MW
– Biogás de aterrro: 2.600 MW
– Incineração: 5.280 MW
– Ciclo combinado otimizado: 8.440 MW
•
Resíduos da silvicultura: 1.434 – 2.867 MW
•
Florestas energéticas e capim elefante
50 m
(Fonte: CEPEL)100 m
(Fonte: Moss, H)50 X 100
(Fonte: Moss, H)Potencial de utilização da energia solar
•
SIGFI’s:
– COELBA (30.000)
– Várias outras concessionárias em estudo
•
GT-GDSF
– Estádios da Copa
Potencial de conservação de
eletricidade
Consumo (1) 2010 2014 2019
Consumo sem conservação (GWh) 457.860 572.278 735.299 Energia conservada (GWh) 2.671 10.508 23.324 Energia conservada (%) 0,6 1,8 3,2 Consumo com conservação (GWh) 455.189 561.770 711.975
Potencial para geração a partir de
gás natural e energia nuclear (2030)
Total 2011-2030
98 milhões de m3/dia 22.300 9.800
148 milhões de m3/dia 33.700 21.200
Disponibilidade de gás natural para a geração de eletricidade
Potência instalável em MW
Volume de
R eservas Poten cial Total
t U3O8 MW MW Unidades
1 66.200 7.800 4.500 4 2 177.500 20.800 17.500 17
309.370
36.400 33.000
Poten cial d e Novas Usinas Cenário
Barreira a uma matriz mais limpa
“Há que ressaltar, no entanto, que a concretização deste plano com esta composição de fontes na expansão planejada depende principalmente da obtenção de Licenças Prévias Ambientais, de modo que as usinas indicadas possam participar dos leilões de compra de
energia provenientes de novos empreendimentos,
previstos em lei. Caso contrário, uma eventual expansão de projetos termelétricos, preferencialmente movidos a
gás natural, mas também projetos a carvão mineral, como por exemplo a UTE CTSUL (650 MW), poderão constituir alternativa de atendimento à demanda, frente
a eventuais atrasos dos projetos indicados”. (PDEE, 2019, pg 83).
Síntese de oportunidades
GWmed GWmax R$/MWh Carga (2019) 85,2 104,9 Hidro 174 99,48 PCH 6 144,00 Bagaço 10-24 20-48 144,60 Eólica > 500 148,39 Gás natural 9,8-21,2 145,00* OC: R$ 144,7/MWh* e Carvão: R$ 140,00/MWh*Impactos da produção de
eletricidade com fontes renováveis
• Redução da emissão de GEE, particularmente CO2,
mas também CH4
• Manutenção da tradição de uma matriz elétrica
limpa
• Redução da emissão de outros poluentes mais
tradicionais: SO2, NOx, etc.
• Consolidação do ciclo virtuoso: aumento da escala =>
barateamento dos custos de instalação => aumento da sua utilização pela maior competitividade
Impactos da produção de
eletricidade com fontes renováveis
•
Instalação no País de fábricas para a produção
local dos equipamentos
•
Aumento de empregos e capacitação nacional
•
Aumento da segurança energética e
diversificação da matriz
•
Complementariedade entre as diversas
renováveis: eólica (NE) e
hidro-biomassa (SE)
Impactos “negativos” da produção
de eletricidade com fontes renováveis
•
Maior dependência de fontes não
despacháveis
Benefícios da introdução de
mecanismo de cap-and-trade
•
Contribuição aos objetivos nacionais de
redução de emissões de GEE
•
Consolidação de uma matriz energética mais
limpa
•
Consolidação dos objetivos anunciados do
PDEE 2010-2019
Benefícios da introdução de
mecanismo de cap-and-trade
•
Internalização do preço do conteúdo do
carbono no preço final da eletricidade
•
Alteração da prioridade dada pelos agentes de
mercado às termelétricas a combustíveis
fósseis
•
Alteração da ordem de mérito no momento
do despacho das termelétricas
•
Fortalecimento do MDL do Protocolo de
Riscos da introdução de mecanismo
de cap-and-trade
•
Aumento do preço final da energia elétrica
•
Dificuldade de prever o cap em função do
caráter estocástico da matriz elétrica
(hidraulicidade futura)
•
Necessidade de alterações no modelo vigente
Condicionantes e barreiras
• Relutância do governo brasileiro adotar qualquer
regime de compromisso formal, que não seja absolutamente voluntário
• Visão de “uma das matriz elétricas mais limpas do
mundo”
• Não licenciamento das hidrelétricas
• Comprador único de energia => vendedor único
(distribuidoras não tem opção)
• Geração distribuída => limite de repasse à tarifa
Conclusões
• Aumento de emissões: 26 => 51 MtCO2 eq, em 2019
• Oportunidades de substituição (cenário PDEE 2010-2019):
– Substituição das térmicas a óleo combustível, diesel e carvão mineral,
em operação ou incorporadas como resultado dos leilões ocorridos entre 2006 e 2008
– < 2,5 GWmed
– < 3% da energia prevista para ser atendida – Premissa: licenciamento das hidrelétricas
• Contudo, se não se conseguir licenciar hidrelétricas previstas,
o que em alguns casos é um cenário bastante provável, novas termelétricas a carvão e gás natural estão previstas