UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO ESCOLA PAULISTA DE POLÍTICA, ECONOMIA E NEGÓCIOS - EPPEN

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ESCOLA PAULISTA DE POLÍTICA, ECONOMIA E NEGÓCIOS - EPPEN CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO

ESCOLA PAULISTA DE POLÍTICA, ECONOMIA E NEGÓCIOS - EPPEN

RAFAEL CORDEIRO BRITO

DE CONCORRENTES PARA PARCEIROS: COMO BANCOS ESTÃO SE TRANSFORMANDO AO INVESTIREM EM FINTECHS

Osasco 2020

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ESCOLA PAULISTA DE POLÍTICA, ECONOMIA E NEGÓCIOS - EPPEN CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO

ESCOLA PAULISTA DE POLÍTICA, ECONOMIA E NEGÓCIOS - EPPEN

RAFAEL CORDEIRO BRITO

DE CONCORRENTES PARA PARCEIROS: COMO BANCOS ESTÃO SE TRANSFORMANDO AO INVESTIREM EM FINTECHS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Escola Paulista de Política, Economia e Negócios – EPPEN da Universidade Federal de São Paulo como requisito para obtenção do título de Bacharel em Administração.

Orientador(a): Prof. Dr. Bolívar Godinho de Oliveira Filho

Osasco 2020

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DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a minha mãe Aluedia, que dedicou sua vida para que eu possa ser quem sou hoje e, também, a minha namorada e companheira de vida, de amor e de conquistas:

Dayana, que me permitiu viver ao longo dos últimos anos todas as alegrias e tristezas desta trajetória tão boa que decidimos dividir.

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AGRADECIMENTOS

Ao Prof. Dr. Bolivar Godinho, por todos os ensinamentos e, também, por ter acreditado e aceito o desafio de me orientar nesta pesquisa.

A todos os meus amigos e professores que estiveram comigo durante a minha trajetória na universidade, convivendo e aprendendo coisas novas todos os dias. Vocês me ajudaram a concluir esta etapa de minha vida.

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EPÍGRAFE

“As flores nascem e depois murcham… As estrelas brilham, mas algum dia se extinguem. Comparado com isso, a vida do homem não é nada mais do que um simples piscar de olhos, um breve momento.”

(Shaka de Virgem)

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RESUMO E PALAVRAS-CHAVE

Nos últimos anos foi possível identificar o surgimento e o grande crescimento das fintechs, startups que utilizam de recursos tecnológicos para entregar serviços financeiros diferenciados e digitais para os usuários. As fintechs naturalmente tem impactado o mercado financeiro e mudado a dinâmica deste mercado, se tornando, a princípio, uma forte alternativa aos tradicionais bancos múltiplos. A partir disto, surgiu ideia principal desta pesquisa de identificar se, e como, esse crescimento das fintechs tem impactado os bancos múltiplos, e como os bancos estão fazendo para se adequar a este novo cenário e também a uma nova possível concorrência. Para isto, realizou-se uma pesquisa qualitativa exploratória apoiada em um extenso levantamento bibliográfico do tema, além de notícias e artigos para identificar o posicionamento e movimentação dos bancos múltiplos brasileiros frente a chegada das fintechs no mercado. A partir da pesquisa bibliográfica, identificou-se que as tradicionais instituições financeiras, dentre elas os bancos múltiplos, optaram por investir cada vez mais em tecnologia, visando se adequar às mudanças do mercado e as exigências dos clientes, e não se colocando contra as fintechs. Com isso, os bancos conseguiram associar a credibilidade e confiança que inspiram para seus clientes, por serem instituições centenárias, ao mesmo tempo que se tornaram, nos últimos anos, um dos líderes na criação e incentivo dos programas de aceleração de startups de fintechs. O resultado deste investimento está na mudança para um novo modelo de plataforma, extremamente apoiado em novas tecnologias e em serviços digitais, que busca conectar o conhecimento técnico de cada negócio com uma política voltada a atender as necessidades do cliente, entregando todos os serviços e produtos em um único lugar, seja ele interno ou de um terceiro, de forma cem por cento digital, se tornando os chamados bancos inteligentes. Com isso, foi possível derrubar a expectativa inicial que se tinha de que as fintechs pudessem um dia substituir as grandes instituições financeiras.

Palavras-chave: Bancos; Startups; Fintechs, Inovação.

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ABSTRACT AND KEY WORDS

In the last few years it has been possible to identify the appearance and the growth of fintechs, startups that use technological resources to deliver differentiated and digital financial services to their users. Fintechs have naturally impacted the financial market and changed the dynamics in this market, becoming at first a strong alternative to traditional retail banks. From this arised the main idea of this research, to identify if and how this growth of fintechs has been impacted multiple banks, and how banks are adapting themselves to this new scenario and also to face a possible new rival. For this, an exploratory research was carried out supported by a bibliographic research abou the theme, with news and articles to identify the positioning and movement of the Brazilian multiple banks. From the bibliographic research, it was identified that the traditional financial institutions, among them the multiple banks, opted to increase invest in technology, aiming to anticipate the market changes and the clients' demands. As a result, banks have succeeded in combining the credibility and trust they inspire for their clients as centenary institutions, and in recent years have become one of the greatest leaders in creating and encouraging fintech startup acceleration programs. The result of this investment is the move to a new platform model, heavily supported by new technologies and digital services, which seeks to connect the technical knowledge of each business with a policy aimed at meeting customer needs, delivering all services and products in one place, whether internal or third party, one hundred percent digitally, becoming the so-called smart banks. As a result, it was possible to overturn the initial expectation that fintechs might one day replace large financial institutions.

Key Words: Banks; Startups; Fintechs; Inovation.

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO 9

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA DA PESQUISA 11

2.1. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL 11

2.2. SISTEMA BANCÁRIO BRASILEIRO 13

2.3. INOVAÇÃO NO SFN 15

2.4. STARTUP 16

2.5. FINTECHS 17

2.6. A EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE FINTECH 18

2.7. CLASSIFICAÇÃO DAS FINTECHS E O SFN 19

2.8. AS FINTECHS NA AMÉRICA LATINA 22

2.9. O BANCO COMO UMA PLATAFORMA 24

2.10. API 25

3. METODOLOGIA DA PESQUISA 27

4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS 29

4.1. AÇÕES DE PARCERIA ESTRATÉGICA 32

4.1.1. ITAÚ UNIBANCO 32

4.1.2. BANCO DO BRASIL 33

4.1.3. BRADESCO 34

4.1.4. CAIXA 34

4.1.5. SANTANDER 35

5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 36

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 38

REFERÊNCIAS 40

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LISTAS | (FIGURAS E TABELAS)

Figura 1 - Composição e segmentos do Sistema Financeiro Nacional... 12 Figura 2 - Tabela Periódica de Fintechs ... 20 Figura 3 - Investimentos feitos ano a ano no mercado de fintech mundial ... 31

Tabela 1 - Ranking do setor bancário por valor 14

Tabela 2 - Quantidade de Fintechs na América Latina 22 Tabela 3 - Quantidade de Fintechs por tipo na América Latina 23 Tabela 4 - Diferenças entre Bancos Tradicionais e Fintechs 29 Tabela 5 - Variação no número de Agencias - Itaú x Santander x Bradesco 30

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1. INTRODUÇÃO

O fenômeno do crescimento das fintechs tem impactado o mercado financeiro e mudado a dinâmica com que esse tradicional segmento funciona. Impulsionado por um aumento exponencial dos investimentos no setor, essas empresas que oferecem alternativa às tradicionais instituições financeiras ano após ano ganham espaço neste mercado. (DESAI, 2016).

O mercado financeiro brasileiro faz parte do chamado Sistema Financeiro Nacional, que que nada mais é do que o conjunto de instituições públicas ou privadas que compõem o mercado financeiro, que pode ser dividido entre o mercado de moeda, crédito, capitais e câmbio, de seguros privados e o mercado de previdência fechada, e os seus respectivos órgãos normativos e supervisores. (BCB, 2020).

Por se tratar de um setor historicamente conservador e recheado de burocracias, as novas tecnologias foram, ano após ano, sendo vistas como algo externo e alheio ao mercado financeiro (LEMOS, 2009, p. 159). Porém, o acesso da população a smartphones e às novas tecnologias mudaram isso, o que exigiu uma maior movimentação das instituições financeiras neste sentido, causando uma mudança de posicionamento no setor, que passou a buscar alternativas e opções que o permitam investir em inovação. (DESAI, 2016).

A respeito do modelo de fintechs no Brasil, este foi regulamentado pelas resoluções 4.656 e 5.657 do Conselho Monetário Nacional em abril de 2018, que permitiu a realização destas operações em ambiente digital, definido regras e procedimentos para funcionamento (NASCIMENTO, 2019, p.21).

A partir deste movimento, as fintechs viram um aumento de mais de sete vezes no valor investido entre os anos de 2016 e 2018, chegando a atingir a marca de U$

1,5 bilhões em 2018, valor 738% maior do que o investido em 2016, com grande expectativa de que cresça ainda mais nos próximos anos, com destaque para o segmento de pagamentos. (CAPUTU, 2019)

Com um novo cenário mais tecnológico, cada segmento e mercado tem trabalhado para se adequar e oferecer serviços mais digitais a seus clientes. Segundo o estudo de SILVA et al. (2018, p. 8-9), o setor bancário também está se adaptando, porém, essa mudança ocorre de forma mais lenta e principalmente motivada por fatores externos ao mercado, como a própria pressão dos usuários.

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É neste cenário de crescimento das fintechs e de movimentação dos bancos múltiplos, players tradicionais do mercado financeiro, que passam a buscar maior digitalização em seus serviços, que a relação entre estes dois modelos ganha destaque. De um modo geral, as duas fazem parte do sistema financeiro, porém diferem em sua estrutura e modelo de trabalho.

Considerando o surgimento das fintechs em um mercado tão tradicional, é natural que os players tradicionais se movimentam cada vez mais e tentem responder a entrada deste novo concorrente inovador e disruptivo, que surgiu como uma alternativa aos bancos. Assim, é interessante notar o início da mudança de postura dos bancos, que passaram a investir cada vez mais em tecnologia e buscarem se antecipar às mudanças do mercado e as exigências dos clientes. (DESAI, 2016)

Por serem geralmente bem segmentadas em seu ramo de atuação e também possuírem uma estrutura mais ágil, simples e não precisar lidar com tecnologias legado, as fintechs tem despertado cada vez mais o interesse dos bancos múltiplos, que por atuarem em diversos ramos e possuírem uma estrutura mais complexa e burocrática, muitas vezes não conseguem implementar novidades com facilidade, fazendo com que a opção pela parceria com as fintechs ganhe espaço e se torne mais estratégica ainda para os grandes bancos. (ROMER, 2016)

Com este cenário que acontece em âmbito nacional e internacional, surge a principal ideia deste trabalho, que é identificar como esse crescimento das fintechs tem impactado os bancos múltiplos, e quais as ações que os bancos estão tomando para se adequar a este novo cenário e se tornar mais tecnológico. Levando então a pergunta problema desta pesquisa: Quais ações têm sido utilizadas pelos bancos para se tornarem mais digitais e se adequarem ao surgimento das fintechs?

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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA DA PESQUISA

A seguir, com base em uma pesquisa bibliográfica, temos os principais tópicos relacionados a problemática da pesquisa.

2.1. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

Parte integrante de qualquer sociedade econômica moderna, o sistema financeiro é o "conjunto de instituições e instrumentos que viabilizam o fluxo financeiro entre os poupadores e os tomadores de recursos na economia", sendo um sistema fundamental para o crescimento de qualquer nação. Com o desenvolvimento deste sistema, aprimoramentos foram feitos, especificando e determinando características para cada tipo de demanda. (CVM, 2019, p. 29).

Atualmente, com base nessa classificação, foi possível entender mais cada um destes mercados e suas características específicas, o que fez com que o mercado financeiro se divide em quatro grandes mercados: mercado monetário, mercado de crédito, mercado de câmbio e mercado de capitais (CVM, 2019, p.30).

Com base na CVM (2019, p 31 e 32), o mercado monetário é aquele onde são feitas as transferências de recursos de curtíssimo prazo, utilizado basicamente para controlar a liquidez da economia. Já o mercado de câmbio é aquele em que são feitas as trocas de moedas estrangeiras por nacionais, enquanto o mercado de crédito é o segmento em que as instituições financeiras atuam, captando recursos daqueles que possuem, e os emprestando àqueles que precisam, tendo como receita o chamado spread, que nada mais é do que a diferença entre o custo de realizar a captação do dinheiro e o que cobram dos tomadores.

Por fim, o mercado de capitais é o segmento onde “são criadas as condições para que as empresas captem recursos diretamente dos investidores, através da emissão de instrumentos financeiros, com o objetivo principal de financiar suas atividades ou viabilizar projetos de investimentos.” (CVM, 2019, p.35)

De forma geral, o sistema financeiro moderno segue a descrição dos mercados acima. Olhando diretamente para o Brasil e seu Sistema Financeiro Nacional, o Banco Central (2020) propõe a seguinte subdivisão:

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Figura 1 - Composição e segmentos do Sistema Financeiro Nacional

Fonte: Banco Central do Brasil (2020).

Com base neste sistema, podemos separar a estrutura entre o mercado de moeda, crédito, capitais e câmbio, o mercado de seguros privados e o mercado de previdência fechada, e os seus órgãos normativos, que irão definir políticas e diretrizes gerais, os seus órgãos supervisores, que irão assumir funções executivas de fiscalização das instituições que estão em seu segmento, sendo que estes órgãos também assumem funções normativas de regulamentação. Já os órgãos operadores incluem os demais agentes envolvidos diretamente no funcionamento do mercado, sejam eles públicos ou privados (BCB, 2020).

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2.2. SISTEMA BANCÁRIO BRASILEIRO

O primeiro banco brasileiro foi criado em 1808 com o nome de Banco do Brasil, por meio de um ato real de D. João VI, que possibilitou um vislumbre do que viria a ser o atual sistema financeiro do país, que foi se desenvolvendo e crescendo lado a lado com a economia brasileira, chegando a ter 10 bancos estrangeiros atuando no mercado nacional em 1910. (COSTA NETO, p.15 e 30, 2004).

Assim, este setor foi crescendo, passando por períodos marcantes, como a crise de 1929, que causou uma dificuldade crônica de financiamento externo e fez com que se aumentasse a participação dos bancos estaduais e federais (COSTA NETO, p.60, 2004) e também a criação de diversas instituições financeiras atuantes, culminando na Lei da Reforma Bancária de 1964, que visava reestruturar o sistema financeiro nacional e que também criou o Banco Central do Brasil. (COSTA NETO, p.61, 2004).

Porém, o modelo atual empregado no Brasil só foi definido na Constituição de 1988, que abordou exaustivamente a regulação do Sistema Financeiro Nacional, com concentração na moeda e no próprio sistema bancário, definindo os papéis de cada instituição e regulamentando os bancos múltiplos, figura extremamente importante na nova estrutura. (COSTA NETO, p.66, 2004).

Pela definição do BANCO CENTRAL DO BRASIL (2019), banco nada mais é do que uma

Instituição financeira especializada em intermediar o dinheiro entre poupadores e aqueles que precisam de empréstimos, além de custodiar (guardar) esse dinheiro. Ele providencia serviços financeiros para os clientes (saques, empréstimos, investimentos, entre outros).

Os bancos são supervisionados pelo Banco Central (BC), que trabalha para que as regras e regulações do Sistema Financeiro Nacional (SFN) sejam seguidas por eles.

Especificamente sobre o setor bancário brasileiro, este é dominado pelo do tipo múltiplo, que pela definição do BANCO CENTRAL DO BRASIL (2019), são instituições financeiras públicas ou privadas que realizam as operações ativas, passivas e acessórias das diversas instituições financeiras, por intermédio das seguintes carteiras: comercial, de investimento e/ou de desenvolvimento, de crédito imobiliário, de arrendamento mercantil e de crédito e financiamento.

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A respeito do funcionamento dos bancos múltiplos, a CVM (2019, p. 45) detalha que

As atividades realizadas pelos bancos múltiplos estão sujeitas às mesmas normas legais e regulamentares aplicáveis às instituições singulares correspondentes às suas carteiras, inclusive no que diz respeito às operações ativas, passivas e acessórias. Somente bancos públicos podem operar a carteira de desenvolvimento. É vedado ao banco múltiplo emitir debêntures.

Salvo os casos previstos em legislação e regulamentação específicas, não há vinculação entre as fontes de recursos captados e as aplicações do banco múltiplo. Os bancos múltiplos com carteira comercial podem captar depósitos à vista.

Avaliando o mercado e as empresas que o compõe, segundo o ranking anual publicado pelo Valor (2019), os 10 maiores bancos múltiplos do Brasil, por valor de ativo são:

Tabela 1 - Ranking do setor bancário por valor

Fonte: Valor Econômico (2019)

Sobre o contexto do setor em 2019, o BANCO CENTRAL DO BRASIL (2019, p.145), informou que ainda se trata de um mercado com grande concentração de recursos em poucas empresas, sendo que as cinco maiores instituições respondem por 84,8% das operações de crédito.

Algo a se notar também é que, apesar de variar entre os anos, esse número se mantém estável, indicando que existe pouca perspectiva de descentralização. Ainda é observado que existe um movimento de redução da participação no mercado por parte dos bancos públicos federais, que perdem sua parcela para seus concorrentes privados. (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2019, p.145)

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O aumento do acesso da população à tecnologia e internet de alta velocidade está afetando o mercado financeiro como um todo, pois o modo como as pessoas vivem suas vidas mudou. Com isso, OLIVEIRA et al. (2019, p. 4) afirma que os serviços financeiros já buscam apresentar soluções que trazem "uma nova forma de enxergar as operações financeiras”, citando as fintechs e os bancos digitais como exemplos de serviços que entregam valor aos consumidores, com contas digitais, taxas baixas e/ou sem tarifas.

Podemos citar como exemplo deste impacto no mercado financeiro a chegada do sistema PIX que é uma nova forma de se realizar operações financeiras de forma digital e instantânea. Além disso, o sistema permite que as transações ocorram diretamente entre as contas dos usuários, sem a necessidade de intermediários, o que permite maior agilidade e redução dos custos. (BCB, 2020)

2.3. INOVAÇÃO NO SFN

A respeito da inovação dentro do setor financeiro, LEMOS (2009, p. 159) afirma que historicamente sempre foi grande a rigidez e a burocracia para implantar o processo inovativo no setor, que costuma ser complexo e não linear, pois esse mercado sempre considerou a tecnologia como algo externo a dinâmica própria e interna do setor econômico.

Apesar disso, Fonseca, Meirelles e Diniz (2010), evidenciaram como, nas ultimas décadas, o sistema financeiro brasileiro se tornou um dos mais desenvolvidos do mundo, destacando as inovações tecnológicas feitas no setor, citando desde a chegada dos computadores, as reformas regulamentares, a chegada do banco eletrônico ainda nos anos 80 e os primórdios do que viria a ser conhecido como internet banking. Com isso, vemos que, apesar das dificuldades burocráticas, o setor financeiro brasileiro tem olhado para as inovações e, pouco a pouco, têm as integrado a suas operações.

Com relação a realidade única brasileira, Fonseca, Meirelles e Diniz (2010) abordam ainda a questão da inflação, que exigia dos grandes bancos desenvolvimentos em tecnologia e uma grande sinergia entre os próprios concorrentes, pois os sistemas precisavam ser automatizados, funcionais e velozes para se adequarem à realidade inflacionária brasileira, que já era evidente nos anos

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70. Além disso, foi paralelo a este movimento que o número de agências físicas também cresceu.

Ainda a respeito disto, uma pesquisa realizada pela Febraban (2020) constatou que os bancos atualmente precisam visar um crescimento sustentável, e que a inovação faz parte deste processo e não pode ser deixada de lado, sendo necessário viabilizar a entrada das novas tecnologias, mesmo se tratando de um setor historicamente conservador. A pesquisa ainda afirma que os bancos já estão em busca de meios de viabilizar isso, citando a busca pela parceria com as próprias fintechs, a aproximação para um modelo de Banco Aberto e o crescimento de 24% do orçamento dos bancos para tecnologia.

Segundo o estudo de SILVA et al. (2018, p. 8-9), o setor bancário está cada vez mais digital e tecnológico, porém, essa mudança ocorre principalmente por um aumento no número de smartphones e pela pressão dos próprios usuários, sendo a inovação no setor bancário algo motivado por uma pressão externa dos clientes para as empresas. Assim, é interessante notar a mudança de postura dos bancos ao investirem cada vez mais em fintechs, mudando a postura e se adequando às mudanças do mercado e as exigências dos clientes. (DESAI, 2016)

2.4. STARTUP

Considerando que as fintechs estão inseridas dentro do sistema das startups, é preciso definir este novo modelo de organizações que têm se popularizado nos últimos anos. Pela definição do SEBRAE (2012, p.6) “As startups são empresas que optam por buscar novos modelos de negócios. Elas têm a importância de representar e refletir a velocidade das mudanças, bem como de influenciar na construção de novos conhecimentos e no desenvolvimento econômico”.

Com base na definição acima, é possível identificar que as startups são empresas cercadas por inovação e incerteza. A respeito destes dois fatores, ALVES (2013, p.49) afirma que “A inovação é representada por produtos, serviços ou técnicas totalmente novos ou novos no contexto dado. A incerteza existe na medida em que, a priori, não há nenhuma garantia que as inovações serão bem-sucedidas.”.

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Sobre o ecossistema de startups no Brasil, ALVES (2013, p. 64) afirma que o Brasil ainda não possui de fato um ecossistema formado, pois tardou a iniciar o desenvolvimento e incentivar a criação destas empresas. Atualmente o Brasil se encontra na fase de criação de incentivos para formação de ecossistemas favoráveis ao desenvolvimento de startups e uma mudança na cultura no que diz respeito aos valores associados ao empreendedorismo e a existência de incerteza.

2.5. FINTECHS

Derivado das expressões em inglês Finanças e Tecnologia, Fintech é um termo utilizado no geral para se referir a empresas que utilizam das novas tecnologias disponíveis no mercado para entregar aos seus clientes soluções financeiras mais disruptivas. (PASCUAL e RIBEIRO, 2018, p.20)

Apesar de ser um termo que ganhou relevância apenas após a crise financeira global de 2008, o conceito de unir o mercado financeiro com a tecnologia já é algo antigo, que remete ao início dos anos 60 e que foi feito de forma diferenciada no Brasil, que permitiu ao setor financeiro do país ser considerado um dos mais desenvolvidos do mundo, conforme indicado por Fonseca, Meirelles e Diniz (2010). Assim, mesmo muitas vezes não sendo evidente, os caixas automáticos (ATM), e-commerce e outros serviços cotidianos são resultados de uma união entre a tecnologia e o mercado financeiro. (DESAI, 2015).

Seguindo essa trajetória comum entre tecnologia e o mercado financeiro, a partir do século XXI vemos um processo de digitalização que se acelerou, com a criação de aplicativos amigáveis e intuitivos para o cliente, que muitas vezes reduz a burocracia e a necessidade de um intermediador para que o usuário tenha acesso a suas opções de investimentos, por exemplo. (DESAI, 2015).

Porém, ainda segundo DESAI (2015), o “boom das fintechs” teve seu início com a crise mundial de 2008, que abalou fortemente todo o sistema bancário, descredibilizando grandes instituições e evidenciando também a falta de inovação nos bancos, causada por uma forte regulação dos serviços financeiros prestados. Com o aumento da regulamentação após a crise, os grandes bancos foram forçados a concentrar grandes esforços e investimentos em gerenciamento de riscos, o que, aliado com a falta de inovação e maior regulação dos bancos, também apoiada em

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um baixo custo de desenvolvimento, faz com que as fintechs se tornassem modelos alternativos de negócio.

O relatório publicado pela Financial Planning Standards Board (FPSB), afirma que o serviço prestado pelas fintechs “está transformando o modo que as pessoas pensam, acessam, investem, guardam e gastam o dinheiro, fazendo com que o sistema financeiro se torne mais eficiente e amigável” (2016, p. 3, tradução livre).

Assim, apoiado em novas tecnologias como o machine learning e a internet das coisas, as fintechs conseguem mexer em toda a estrutura de um mercado consolidado como o financeiro.

Ainda a respeito do funcionamento dessa plataformas de serviços financeiros apoiados em inovações tecnologias, o relatório da FPSB (2016, p.3), afirma que a grande ideia é disponibilizar ao consumidor um conjunto inteiro de serviços financeiros, uma verdadeira plataforma, por meio de aplicativos que permitam ao usuário interagir e contratar produtos, de forma independente e automatizada.

2.6. A EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE FINTECH

Quando o termo fintech surgiu, o mercado financeiro olhou para esse novo modelo de negócio com um misto de preocupação e oportunidade. Assim, existia um grande medo de que o modelo tradicional de bancos fosse substituído pelas fintechs, que se mostravam mais rápidas, inovadoras e disruptivas, ao mesmo tempo em que essas grandes instituições financeiras também viam essas novas empresas com bons olhos, como pequenos nichos de inovação. Porém, com o passar dos anos, o mercado financeiro começa a ver as fintechs como verdadeiros complementos aos seus negócios, incorporando as ferramentas e tecnologias das fintechs às suas marcas, melhorando a experiência final de seus clientes. (FPSB, 2016 p.7).

Hoje o mundo enfrenta o fenômeno do crescimento das fintechs, impulsionado por um aumento exponencial dos investimentos no setor. Essas empresas que oferecem alternativa às tradicionais instituições financeiras ano após ano ganham espaço neste mercado. Apesar de ser extremamente difícil de mapear o número exato, com uma contagem conservadora e considerando apenas as que receberam algum financiamento, estima-se que a Ásia tenha em média 2.500 startups de fintechs enquanto Reino Unido e Estados Unidos juntos somam 4.000. (DESAI, 2016).

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2.7. CLASSIFICAÇÃO DAS FINTECHS E O SFN

No Brasil, o modelo de fintechs foi regulamentado pelas resoluções 4.656 e 5.657 do Conselho Monetário Nacional em abril de 2018, dispondo principalmente sobre o crédito direto e a sociedade de empréstimo entre pessoas, que permite a realização destas operações por plataforma eletrônica, definido regras e procedimentos para funcionamento. (NASCIMENTO, 2019, p.21)

Com essa regulamentação, o Banco Central do Brasil incluiu o modelo das fintechs em seu mercado e definiu dois segmentos de operações que as fintechs poderiam atuar dentro do Sistema Financeiro Nacional: A Sociedade de Crédito Direto, onde as empresas emprestam seus próprios recursos e também atuam com seguros e crédito no geral, e a Sociedade de Empréstimo entre Pessoas, em que, por meio de uma plataforma digital, a fintech permitirá que operações de empréstimos e financiamentos seja feita entre investidores individuais.

Apesar disso, por ser um setor novo e que está em crescimento constante, é difícil classificar este mercado de forma única e que tenha consenso no que diz respeito ao segmento de atuação das fintechs. Porém, em 2014 a CB Insights desenvolveu o que ficou conhecido como "The Periodic Table of Fintech", que em tradução livre significa “A Tabela Periódica das Fintechs”, que nada mais é do que um modelo de apresentação do ecossistema das fintechs ao redor do mundo.

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Figura 2 - Tabela Periódica de Fintechs

Fonte: CB INSIGHTS (2014)

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Na tabela, o setor é separado em 13 segmentos de empresas, diferenciados por cores, que podem ser visualizadas da esquerda para a direita na tabela, e que são segmentadas com base em seus objetivos e missões, conforme abaixo:

Empréstimos e financiamentos – Focadas em soluções e plataformas de empréstimos e financiamentos, fazendo uso muitas vezes de tecnologias como o aprendizado de máquina para avaliar os clientes e o seu crédito disponível.

Pagamentos – Foco em soluções que facilitem o processo de pagamentos.

Financiamento pessoal – Busca ajudar os usuários a administrar suas finanças pessoais, de forma digital, inteligente e prática.

Transferência de dinheiro – São plataformas de transferência de dinheiro em tempo real, a qualquer hora do dia.

Moeda digital – Empresas que atuam com criptomoedas.

Ferramentas para empresas – Fintechs que atuam como fornecedora de ferramentas para outras instituições financeiras.

Financiamento de capital coletivo – Plataformas que permitem que indivíduos realizem aportes de capital em projetos ou empresas.

Capital de risco – Aquelas que fazem investimentos de capital de risco em outras fintechs, visando obter retornos no futuro.

Investidores Corporativos - incluem empresas que fazem investimentos diretos no setor.

Investidores anjos - São investidores individuais que oferecem capital em estágio inicial e consultoria para as fintechs, muitas vezes em troca de participação acionária.

Incubadoras - Geralmente oferecem uma combinação de investimento de capital, consultoria e recursos para que pequenas startups se desenvolvam.

Adquirentes de Fintechs – Grandes empresas que compraram Fintechs nos últimos cinco anos.

Saídas relevantes – Aqui são listadas todas as principais empresas do setor que foram adquiridas ou abriram seu capital nos últimos cinco anos.

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Seguindo esta estrutura, a tabela periódica das fintechs, com base em uma pesquisa de participação de mercado, momento da empresa, objetivos e desenvolvimento, consegue classificar as principais empresas de cada segmento, o que irá variar conforme o país e até mesmo o momento em que a tabela é visualizada.

(RYABOVA, 2015, p.3).

2.8. AS FINTECHS NA AMÉRICA LATINA

O setor de fintechs na América Latina possui, segundo o relatório de 2018 desenvolvido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (2018, p. 28), ao todo, 1.166 fintechs, com grande concentração no Brasil, com 380, México com 273 e Colômbia com 148, sendo que juntos estes países representam quase 70% de todo o setor da região.

Tabela 2 - Quantidade de Fintechs na América Latina

Fonte: Adaptado de BID e FINNOVISTA (2018, p. 28)

Buscando dados mais recentes a respeito do Brasil, a DISTRITO (2020, p.19), em seu Fintech Report 2020, identificou que até o final de 2019 o país já possuía 742 fintechs mapeadas no setor, indicando crescimento de 195% quando comparado aos dados do BID, indicando grande crescimento do setor em um curtíssimo período de tempo.

Ainda, é válido comentar que apesar de ser um mercado notável, ainda está muito longe de outras regiões do mundo, como os Estados Unidos e a Ásia, sendo que 64% destas startups estão em fase de desenvolvimento avançado, e o restante está dividido entre as que estão em desenvolvimento ou prontas para se desenvolverem.

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Seguindo uma classificação própria sobre o setor de atuação dessas fintechs, o BID e FINNOVISTA (2018, p.15) divide em 11 segmentos de negócios, com grande destaque para os 5 principais, que juntos representam mais de 79% de empresas atuando, conforme tabela abaixo:

Tabela 3 - Quantidade de Fintechs por tipo na América Latina

Fonte: Adaptado de BID e FINNOVISTA (2018, p. 15)

Considerando que os principais países para desenvolvimento de fintechs da América Latina são: Brasil, México e Colômbia, existem algumas diferenças entre cada um destes mercado. Uma característica é a manutenção dos três principais segmentos do setor. Porém, ao analisar o crescimento de cada negócio, é possível identificar que cada um tem fomentando um tipo específico.

O Brasil, por exemplo, teve crescimento destacado de 183% em seus bancos digitais, enquanto o grande destaque no México e na Colômbia foi o setor de tecnologia para instituições financeiras, que no Brasil caiu 31%, quando comparado ao ano anterior, e no México e na Colômbia apresentou crescimento de 280% e 15%, respectivamente. (BID e FINNOVISTA, 2018, p. 32)

Buscando identificar a segmentação específica do mercado brasileiro em 2019, a DISTRITO (2020, p.21) avaliou que 70% dos negócios estão localizados no Sudeste, seguido pelo Sul, com 20%. Já no que diz respeito aos tipos de negócios, utilizando um modelo de classificação próprio, a pesquisa identificou que a maioria das startups do país atuam com soluções de meios de pagamento, crédito e back office.

Especificamente sobre o os investimentos feitos no mercado brasileiro, as fintechs viram um aumento de mais de sete vezes no valor investido entre os anos de 2016 e 2018, chegando a atingir a marca de U$ 1,5 bilhões em 2018, valor 738%

maior do que o investido em 2016, com grande expectativa de que cresça ainda mais nos próximos anos, com destaque para o segmento de pagamentos. (CAPUTU, 2019)

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2.9. O BANCO COMO UMA PLATAFORMA

Com o desenvolvimento de novas tecnologias e serviços cada vez mais digitais, os consumidores estão se tornando cada vez mais exigentes por serviços melhores, mais baratos e simplificados que sejam acessíveis meio de um aplicativo em seu smartphone, o que tem mudado a dinâmica de todos os mercados. (WALLACE, ALBIZZATI e GORNEY (2018, p. 5)

Seguindo esse conceito as empresas que apresentaram resultados positivos nos últimos anos estão transformando sua estrutura e relacionamento com o cliente com base em uma política de orientação a dados e software, com foco no cliente. Para que este modelo possa ser alcançado, é possível adotar um novo sistema de pensamento de plataforma, que busca conectar o conhecimento técnico de cada negócio com uma política voltada a atender as necessidades do cliente, tudo em um único lugar, de forma digital. (LELE e GANDHI, 2017).

LEIJON, SENHEDEN e SVAHN (2017, p. 4766) afirmam que esse novo modelo de alta inovação e de ecossistema de produtos abertos consegue transformar concorrentes e fornecedores em parceiros de negócios, e que

Empresas como Apple, Google e Amazon começaram como organizações centradas em produtos, criando valor por desenvolvimento de produtos diferenciados para necessidades do cliente. Ao longo dos anos, no entanto, eles aprenderam como converter usuários de um produto em usuários da sua plataforma de serviços e produtos. (LEIJON, SENHEDEN e SVAHN, 2017, p. 4766, tradução livre)

Eles procuram tirar proveito da ampla inovação ecossistemas que transformam fornecedores e concorrentes em complementadores e parceiros. Esse foco na plataforma incentiva um novo tipo de economia de escopo no senso de alavancar os recursos de outras empresas para ajudar a produzir inovações complementares.

Desenvolvendo o conceito do modelo do banco como plataforma, Wallace, Albizzati e Gorney (2018, p. 7) afirmam que uma plataforma bancária deve ser necessariamente feita com a parceria entre bancos e fintechs, uma vez que os bancos conseguem contribuir com uma base sólida de clientes e alta expertise técnica, enquanto as fintechs podem utilizar estas informações para desenvolver uma experiência focada nos clientes, entregando serviços de qualidade em um único lugar, que atendam às necessidades do usuário, seja estes serviços e/ou produto próprios ou de terceiros.

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Segundo LELE e GANDHI (2017), os bancos que estão adotando essa estratégia podem ser chamados de bancos inteligentes. Estes bancos criaram três recursos de negócios principais para criar um mecanismo de crescimento exponencial nesta plataforma digital.

● Visão holística do cliente - Consiste em entender qual a necessidade do cliente e trabalhar em cima de uma visão geral com o intuito de atendê-la.

Fluxo generalizado de dados corporativos, para que se possa trabalhar com informação em tempo real em todas as linhas de negócios e áreas funcionais de um banco, dentro da legalidade.

Prontidão do ecossistema, criando uma estratégia que visa enriquecer as soluções dos clientes com serviços fornecidos por parceiros externos e internos e consumidos como APIs, fazendo com que o banco se torne uma biblioteca de serviços financeiros digitais.

Porém, para que os bancos tradicionais possam alcançar este novo modelo de plataforma, é necessário se abrir para realizar parcerias com fintechs e dar o primeiro passo. Sobre isso, WALLACE, ALBIZZATI e GORNEY (2018, p. 11) afirmam que é necessário investir em APIs e micros serviços abertos, criando uma rede de aplicativos mais ampla com serviços externos, que apresentem um padrão apropriado e funcione de forma adequada dentro do próprio ecossistema do banco, criando um ecossistema cada vez maior e mais desenvolvido.

2.10. API

Outro conceito extremamente importante na mudança para o modelo de plataforma dos bancos é o dos APIs. O sucesso do modelo das fintechs e das plataformas está diretamente relacionado ao uso das APIs (Application Programming Interface), que nada mais é do que uma interface de programação utilizada com o intuito de permitir que outros usuários desenvolvam produtos associados e/ou plugados ao seu. (FERNANDES, 2018)

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Assim, os APIs complementam o modelo de plataforma, permitindo alterações e melhorias nos aplicativos, mas também fazendo com que os serviços e produtos cheguem até os clientes em interfaces simples e fáceis de serem utilizadas pelos usuários, com acesso por dispositivos móveis e que permitem alto engajamento.

A respeito deste movimento, a Distrito (2020, p. 72), desenvolve o conceito de Banco Aberto, do termo em inglês Open Banking, tendência que tem se alastrado pelo mercado e que nada mais é do que a ideia de facilitar o uso do sistema financeiro ao permitir que o usuário tenha liberdade para fornecer seus dados e informações a qualquer instituição do setor, criando então uma interface de comunicação padronizada entre as instituições, fazendo forte uso então dos APIs. Ainda é dito que

Essa interface de comunicação (abreviada como API) permitiria que outras empresas acessassem os dados do usuário em diferentes instituições - desde que autorizadas previamente, é claro. Isso resultaria em uma ampliação na oferta de produtos e serviços financeiros oferecidos, além de promover o surgimento de startups que utilizam essa tecnologia para desenvolver novos modelos de negócio.

Distrito (p. 72, 2020).

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3. METODOLOGIA DA PESQUISA

Conforme definido por Malhotra (1993. p.156), uma pesquisa pode ser definida de acordo com seus objetivos, natureza, abordagem e procedimentos de coleta de dados. Especificamente a respeito da pesquisa qualitativa exploratória, o autor afirma que ela consiste em uma metodologia que faz uso de coleta de dados não estruturados, com pequenas amostras e que tem como objetivo principal permitir ao pesquisador ter uma maior compreensão do tema e do problema proposto na pesquisa.

Ainda a respeito da pesquisa exploratória, Richardson (1989, p.281) afirma que se trata de um método que visa entender as variadas características de um determinado acontecimento, para então identificar explicações para o problema analisado.

Por se tratar de uma metodologia que permite ao pesquisador se aprofundar e desenvolver um maior conhecimento sobre o tema, a pesquisa qualitativa exploratória é apropriada para os primeiros estágios de estudo de determinado tema, quando se possui pouca, ou nenhuma, familiaridade com o tema e se deseja ter maior compreensão do fenômeno estudado. (MATTAR, 1994, p. 84).

Considerando que a presente pesquisa tem como principal identificar quais ações têm sido utilizadas pelos bancos para se tornarem mais digitais e se adequarem ao surgimento das fintechs, foi realizado um estudo para avaliar a mudança que este fenômeno tem causado neste mercado como um todo. Assim, podemos classificar como um estudo observacional, qualitativo e exploratório, que permitiu maior compreensão do setor, buscando conhecer as características e explicações das causas e consequências deste fenômeno por meio de uma análise bibliográfica do tema.

Como a relação entre bancos e fintechs no Brasil é um assunto recente, pouco explorado pela bibliografia nacional e que está em constante evolução, foi necessário utilizar como procedimento técnico para a coleta de dados um levantamento de dados secundários, onde foi possível levantar uma fundamentação bibliográfica com base em leituras nacionais e internacionais.

Para realizar este levantamento bibliográfico, foram utilizadas ferramentas digitais como o Google Acadêmico e a biblioteca de artigos da SciELO, que permitiram ao autor entrar em contato com o tema e com publicações relevantes da área. Após

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isso, para permitir uma coleta de dados mais atualizada e que permitisse identificar os movimentos e ações estratégicas tomadas pelos bancos brasileiros, foi preciso estender a pesquisa para revistas relevantes de notícias brasileiras, como: Exame, Época, Valor Econômico e outras.

Com a análise bibliográfica dessas notícias e artigos, foi possível identificar dados e movimentos atualizados do mercado financeiro brasileiro e de seus membros, além de contextualizar e fundamentar o tema, para que então fosse realizada uma comparação entre a realidade do mercado brasileiro com as ações e parcerias que os 5 principais bancos múltiplos brasileiros têm tomado nos últimos 3 anos no sentido de se aproximarem das fintechs, e o que foi observado durante o levantamento bibliográfico com relação ao que se era esperado da relação entre bancos múltiplos e fintechs.

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4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS

Com o surgimento das fintechs dentro do mercado financeiro, se tornou possível identificar a diferença entre este novo modelo e os tradicionais bancos. A respeito disto, WALLACE, ALBIZZATI e GORNEY (2018, p. 5) desenvolveram o comparativo abaixo:

Tabela 4 - Diferenças entre Bancos Tradicionais e Fintechs

Fonte: WALLACE, ALBIZZATI e GORNEY (2018, p. 5), adaptado e em tradução livre

A partir do modelo comparativo de WALLACE, ALBIZZATI e GORNEY (2018, p. 5), conseguimos identificar que apesar de atuarem no mesmo segmento, os bancos e as fintechs possuem modelos de negócio e, consequentemente, estratégias de negócio muito distintas.

Analisando o modelo das fintechs, é possível notar uma grande priorização de estratégias voltadas para atender o canal digital, com uma experiência centrada no cliente, com alto índice de personalização, auto serviço e alta velocidade no desenvolvimento inovações e processos.

Já no que diz respeito ao modelo dos bancos tradicionais, os autores identificaram um modelo de negócio burocrático, que, apesar de ter presença digital, mantem o foco nas agências e em produtos generalistas, com uma política de produtos com pouca possibilidade de personalização e uma estrutura interna centralizada, o que torna o processo de inovação muito mais lento quando comparado ao das fintechs.

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Porém, apesar de possuir um modelo de negócio mais lento e burocrático, ano após ano os bancos privados apresentam crescimento em seus resultados, sendo de quase 18% entre 2018 e 2019. (RIBEIRO, 2019)

Esse continuo crescimento dos resultados dos bancos, mesmo com a chegada das fintechs ao mercado, pode ser explicado por alguns fatores relacionados a forte consolidação das instituições bancárias, que já possuem estrutura, capital e uma marca forte e que transmite segurança aos seus clientes, o que corrobora a conclusão de Keller e Machado (2006) sobre os elementos que constituem uma marca forte, que são compostos a partir de seis principais critérios, sendo: memorabilidade, significância, atratividade, transferibilidade, adaptabilidade e proteção, fatores diretamente ligados a confiança, ponto extremamente importante no mercado financeiro.

Além disso, analisando um movimento recente dos bancos múltiplos brasileiro, é possível notar que a rede de agências dessas empresas tem sido reduzida, indicando uma nova estratégia de atendimento aos seus clientes, se apoiando cada vez mais em recursos e plataformas digitais. Em números, o Itaú fechou 212 agências apenas no primeiro semestre de 2019 e o Bradesco fechou 36 no mesmo período.

Além da pressão dos clientes por plataformas de atendimento digitais, os avanços tecnológicos e a pressão das fintechs tem feito com que isso aconteça cada vez mais rápido. (RIBEIRO, 2019)

Abaixo temos uma tabela que evidencia essa redução do número de agências como estratégia dos 3 principais bancos privados do Brasil.

Tabela 5 - Variação no número de Agencias - Itaú x Santander x Bradesco

Fonte: RIBEIRO (2019)

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Enquanto isso, ao analisarmos a curva ano a ano dos investimentos feitos no mercado de fintechs mundial, é possível observar um início mais lento entre os anos de 2013 e 2017, para mais do que dobrar de tamanho em 2018, seguido por uma estabilização e leve queda dos investimentos em 2019, em um movimento de acomodação e priorização de investimento em alguns países.

Figura 3 - Investimentos feitos ano a ano no mercado de fintech mundial

Fonte: ACCENTURE (2019), adaptado pelo autor.

Analisando especificamente os anos de 2018 e 2019, o mercado mundial de fintechs viu o valor total de seu negócio cair de U$ 55,30 bilhões para U$ 53,30 bilhões, movimento contrário ao de alguns países, como os Estados Unidos, que viu um salto de 56% no valor de negócios, movimentando cerca de U$ 26 bilhões no ano.

(ACCENTURE, 2020)

Ainda, em 2019 o Brasil viu o valor de negócio de seu mercado de fintechs quase triplicar para US $ 1,6 bilhão, o que tornou o país o quinto maior centro de arrecadação de fundos de fintech do mundo, impulsionada pelos investimentos de US

$ 400 milhões na maior fintech do país, a Nubank, e US $ 344 milhões no rival Banco Intermedium. (ACCENTURE, 2020)

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Por mais que as fintechs sejam uma alternativa aos tradicionais bancos, ainda é muito difícil que elas tenham força para de fato substituí-los, conforme afirma DESAI (2015, tradução livre)

Embora não haja dúvida de que as fintechs focadas no consumidor estão ganhando participação de mercado por meio da eficiência e da velocidade que entregam seus serviços, é difícil imaginar um futuro em que os bancos desapareçam completamente nos mercados desenvolvidos.

Com isso. considerando a alta regulamentação de seu setor, os bancos já identificaram que de fato precisam lidar com mudança de seu setor e com as novidades que as fintechs trazem para o mercado financeiro. Assim, em um movimento diferente do que se esperava no surgimento das fintechs, os bancos múltiplos tradicionais começam a fomentar e se envolver com essas startups, investindo e criando parcerias banco-fintechs, para que depois, com segurança e estabilidade, possam testar e implementar as novidades em sua rotina. (DESAI, 2016)

4.1. AÇÕES DE PARCERIA ESTRATÉGICA

Considerando que os 5 principais bancos múltiplos do Brasil, de acordo com o Valor Econômico (2019), por critério de valor de ativo, são: Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa e Santander, foi elaborado um levantamento das ações de parceria estratégicas feitas entre bancos e fintechs nos últimos anos, que nos permite identificar o movimento de aproximação entre estes agentes já citado por DESAI (2016). Assim, analisaremos abaixo as principais ações de cada um deles.

4.1.1. ITAÚ UNIBANCO

Tendo adquirido em 2017 49,9% das ações da XP Investimentos e tendo o chamado superpoder de voto, o Itaú se tornou o principal acionista de uma das maiores fintechs do país, indicando, já em 2017, seu plano de aproximação com esse modelo de negócio. Vale comentar que em 2019 o investimento feito pelo Itaú já havia valorizado mais de 300%, indicando o sucesso da parceria. (TORRES, 2019).

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Além disso, o banco também realizou a abertura de sua grade de produtos para oferta de terceiros, já tendo em seu portfolio 50 fundos do tipo, provenientes de 29 gestores distintos, sendo que aproximadamente R$ 70 bilhões estão investidos neste perfil de produto. (BERTÃO, 2019)

Outra ação que indica a aproximação do Itaú com as fintechs foi a criação da incubadora de startups Cubo, centro de empreendedorismo tecnológico que permite o desenvolvimento de mais de 200 startups, escolhidas em um processo seletivo, e que também servem como meio de inovação e de identificação de oportunidades para o banco. (FINTECH, 2020)

Vale citar algumas ações diversas de transformação digital dos seus produtos, como a abertura de conta 100% digital, a plataforma de pagamentos instantâneos Iti, a versão light do seu internet banking e também a sua nova plataforma de investimentos financeiros, que segue o modelo das corretoras de sucesso do mercado. (FINTECH, 2020)

4.1.2. BANCO DO BRASIL

Graças a uma parceria com a fintech Bom Pra Crédito, o Banco do Brasil irá disponibilizar à seus clientes uma nova plataforma digital que permite aos seus usuários realizar uma simulação das condições de empréstimos pessoais em 36 instituições financeiras diferentes, permitindo, pela primeira vez em sua história, contratações de empréstimos em um sistema externo ao do próprio banco. Além disso, existe a expectativa de expandir as simulações dos serviços financeiros disponíveis na plataforma (FLACH, 2019).

Além do movimento em direção ao Open Banking com a parceria com a Bom Pra Crédito, o Banco do Brasil também está buscando automatizar e digitalizar seus processos. Um efeito deste movimento foi a automatização de seus processos internos e departamentos administrativos, buscando maior eficiência, o que permitiu ao banco realocar 1.500 funcionários para as chamadas “áreas de negócios”. Um exemplo desta ação é o processo de abertura de contas digitais, que, com o uso de inteligência artificial, passou a ser feito em apenas 5 minutos. (MOREIRA, 2020)

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Essa frente de desenvolvimento em tecnologia, automatização e uso de inteligência artificial é resultado do esforço da aprovação de R$ 2,3 bilhões em seus investimentos em tecnologia, além de ter anunciado ainda que possui reservado R$

200 milhões para a compra de eventuais startups. (MOREIRA, 2020)

4.1.3. BRADESCO

Seguindo a tendência do Open Banking, o Bradesco passou a ofertar também fundos de terceiros em sua plataforma de investimentos e começou a comercializar seus próprios fundos em plataformas de terceiros (BERTÃO, 2019). Além disso, desde 2018 o banco mantém o InovaBra, seu polo de inovação que abriga diversas startups, semelhante ao Cubo, criado pelo Itaú anos antes, tendo ainda uma linha especifica para investimentos em negócios de capital de risco (DRSKA, 2020).

Com um movimento feito em conjunto com o Itaú, o Bradesco realizou o Investimento de U$ 15MM na Quanto, fintech que possui uma plataforma com interface interligada, reunindo diversos produtos do mercado financeiro em um único local, evidenciando a direção ao Open Banking e o forte uso dos APIs.

(GAZZCONECTA, 2020)

Vale citar também o banco Next, fintech criada pelo Bradesco em 2017 e que possui gestão independente e autonomia em seus serviços, sendo que cerca de 76%

de sua base de clientes é formada por não correntistas do Bradesco. Porém, apesar de possuir uma gestão própria, o Next ainda faz parte do ecossistema do banco.

4.1.4. CAIXA

Em um movimento tardio, quando comparado aos seus concorrentes, a Caixa anunciou em 2020 que irá digitalizar alguns de seus processos, como o de abertura de contas, em uma parceria com a FlexDoc, empresa de tecnologia que auxiliará o banco na criação de um novo serviço mais digital, menos burocrático e mais seguro, que fará uso de documentação por imagem, diminuindo o tempo para aprovação e do processo como um todo. Com esse novo sistema, os clientes poderão ainda realizar operações instantâneas, aproximando o serviço da Caixa ao de seus concorrentes.

(GAVIOLI, 2020).

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4.1.5. SANTANDER

Também se movimentando no sentido de se tornar Open Banking, o Santander lançou sua própria plataforma aberta de investimentos, a Pi, que será 100% digital e poderá ser utilizada por qualquer usuário, desde o mais simples, com investimentos de R$ 30,00, até aqueles que desejam ajuda de gestores de fortunas, com um serviço especializado e personalizado. (BERTÃO, 2019). Ainda investindo na própria Pi, até o final do ano o Santander possui a expectativa de lançar uma corretora Pi, permitindo a comercialização de uma maior variedade de produtos e serviços financeiros.

Visando se aproximar das fintechs, o Santander criou, ainda em 2014, o Santander InnoVentures, que realiza investimentos de risco em potenciais startups, já tendo investido em 45 negócios ao redor do mundo, valendo citar o aporte de U$ 5 milhões na a55, fintechs de crédito para pequenas e médias empresas, e também o investimento feito na startup brasileira Creditas, que também tem foco em empréstimos. (DRSKA, 2020)

Ainda visando se aproximar deste modelo das fintechs, o Santander integrou duas empresas de seu ecossistema: Super Digital e Sim, que irão se unir para ampliar a oferta de crédito para a pessoa física, focando principalmente na população mais desfavorecida. (UOL, 2020)

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5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Em um contexto de alta tecnologia e automatização, é possível identificar que de fato as fintechs trouxeram uma abordagem diferenciada para o mercado financeiro, com uma visão direcionada para o cliente, com uma experiência digital, personalizada e que permita ao usuário resolver seus problemas, com produtos e serviços próprios ou de terceiros.

Em outros setores, é natural encontrar reações agressivas ao surgimento de novos concorrentes e modelos de negócios disruptivos. Porém, os bancos e as instituições financeiras escolheram a parceria, o que se provou positivo para todos os envolvidos, incluindo também o consumidor final. Os bancos precisavam se digitalizar, as fintechs de credibilidade e investimentos e os clientes receberem um produto com maior valor agregado e uma melhor experiência. (BAZZOLI, 2019).

Vale comentar que este movimento de parceria não era esperado pelo mercado, pois existia uma grande expectativa, no momento em que houve o chamado

“Boom das fintechs”, de forte competição entre estes players. Assim, apesar de ter impactado o mercado financeiro como um todo, as conquistas e o tamanho dessas fintechs representam apenas uma pequena porção no mercado financeiro global.

Além disso, o setor bancário se tornou um dos maiores líderes na criação e incentivo dos programas de aceleração de startups de fintechs. (DESAI, 2015)

Com base nisto, podemos identificar que os bancos, por serem em sua maioria instituições que movimentam grandes quantias de dinheiro e que possuem uma marca popular e que transmite muita segurança para o consumidor, estão atentos aos movimentos do mercado e dos clientes, o que o aproximou das fintechs em uma busca por inovação e melhores serviços, com ações que podem ser identificadas nos 5 principais bancos múltiplos do Brasil.

Porém, como essa cooperação entre dois agentes que competem no mesmo mercado acontece na prática? Nascimento (2019, p. 30) afirma, tanto para o Brasil quanto para o restante do mundo que

Muitos bancos buscam comprar soluções de fintech prontas, procurando atender uma demanda em solucionar meios tecnológicos para produtos bancários que começam a brotar como necessidade dos clientes, que ao perceberem facilidades desenvolvidas por fintechs, cobram dos bancos tradicionais serviços semelhantes, todavia neste cenário começa o posicionamento de cada segmento, os bancos procuram não mudar sua essência como atividade econômica.

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Como vimos, no mercado financeiro os bancos estão investindo em se tornarem plataformas de serviços financeiros, fazendo forte uso do Open Banking. A respeito disto, WALLACE, ALBIZZATI e GORNEY (2018, p. 7) afirmam que considerando todo o conhecimento que os bancos tradicionais possuem de seus clientes e do mercado, eles podem investir no desenvolvimento de um modelo como plataforma que busca criar jornadas com um único canal, e que antecipam as interações dos clientes entre ambientes digitais e físicos, com autoatendimento e um padrão de qualidade e proximidade com o usuário, tudo isso em uma única plataforma de serviços.

A respeito da relação entre os principais bancos múltiplos do país e as novas fintechs, o presidente do Itaú, Candido Bracher (2020), em entrevista a Sérgio Rial, presidente do Santander, afirmou que, apesar de haver muito espaço para parcerias, que certamente beneficiarão os clientes, as “Fintechs e os bancos seguem sendo animais diferentes, mas há uma tendência muito forte de convergência”.

Respaldando o comentário de Bracher, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari (2020), ainda na mesma conversa, afirmou que os dois agentes, bancos e fintechs, possuem pontos fortes e fracos, e que “se unirmos forças, cada um na sua especialidade, vamos ser mais ágeis para fazer aquilo que importa”.

Trazendo a visão das fintechs, podemos citar o diretor da EasyInvest, plataforma de investimento que surgiu como uma fintech e ganhou grande espaço no mercado, Fernando Miranda (2020), que observando o mercado identificou que existiram dois momentos na relação entre fintechs e bancos, a princípio com os dois lados se subestimando, para só depois vir o estágio de reconhecimento do oponente.

Por fim, com base nas ações dos bancos múltiplos brasileiros listadas anteriormente, é possível identificar que o disposto por Nascimento (2019, p.30) e WALLACE, ALBIZZATI e GORNEY (2018, p. 7), a respeito da parceria entre bancos e fintechs, tem acontecido na prática no Brasil, com diversas ações de incentivo e fomento ao mercado das fintechs provenientes dos bancos, que ainda buscam manter marcas e operações separadas dessas startups, as integrando ao seu ecossistema e fazendo uso da expertise e das inovações provenientes das fintechs, parceria esta que culmina em um movimento que deve viabilizar a estrutura dos bancos como uma plataforma nos próximos anos.

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6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nos últimos anos o tema das startups e das fintechs tem ganhado extrema relevância, sendo que o próprio termo startup passou a fazer parte do vocabulário popular. Porém, a entrada de um novo player disruptivo como as fintechs certamente traria grandes movimentações em um mercado tão tradicional quanto o financeiro.

Com um cenário como este, torna-se de extrema relevância estudar como as instituições financeiras mais conhecidas, os bancos múltiplos, tem lidado e se adaptado a esta nova realidade.

Com base nisto foi possível verificar um forte movimento de aproximação dos bancos com as fintechs, com o intuito de unir expertise técnica com inovação, confirmando inclusive uma parceria que já era prevista por alguns pesquisadores, como WALLACE, ALBIZZATI e GORNEY (2018).

Assim, o crescimento das fintechs fez com que esta parceria surgisse, com o objetivo de desenvolver uma experiência focada nos clientes, entregando serviços de qualidade em um único lugar, que atendam às necessidades do usuário, seja estes serviços e/ou produto próprios ou de terceiros, criando os chamados bancos inteligentes.

É interessante notar como a princípio existia uma grande expectativa de que as fintechs pudessem se tornar forte concorrentes dos bancos múltiplos, roubando mercado e gerando o enfraquecimento dessas instituições. Porém, os bancos possuem muita força, credibilidade e recursos, o que fez com que se chegasse a um movimento de parceria, e não rivalidade.

Com isso, foi possível observar que os bancos têm tomado diversas ações no sentido de se tornarem mais digitais para se adequar a chegada das fintechs e das novas tecnologias disponíveis no mercado, optando no geral por um posicionamento de parceria com as fintechs, por meio de aquisições, investimentos e até mesmo prestação de serviços.

Assim, apesar de ser apenas o início desta relação de proximidade e parcerias, a expectativa é de que nos próximos anos se torne mais acentuado este movimento, e cada vez mais os bancos se concentrem em se tornar plataformas digitais e menos em abrir agências físicas tradicionais.

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Como limitações para esta pesquisa, é importante ressaltar que por ser um fenômeno recente, existem poucos estudos acadêmicos nacionais que abordem a relação de parceria entre bancos e fintechs, o que impactou a coleta de dados, que foi feita com dados secundários, devendo-se considerar a confiabilidade e limitação dos dados obtidos por meio de sites de revistas de notícias. Além disso, considerando que se trata de uma pesquisa qualitativa que utilizou como base apenas as ações tomadas pelos cinco maiores bancos múltiplos brasileiros, é possível que os resultados apresentem variações ao serem aplicados com outros bancos.

Como sugestão para pesquisas futuras, é de extrema relevância identificar como as fintechs tem lidado e se adaptado com a aproximação e injeção de capital de instituições historicamente burocráticas como os bancos, se elas estão mudando seu modelo de operação e sua cultura, para assim conseguirmos observar os dois agentes envolvidos nessa parceria: Bancos e Fintechs.

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REFERÊNCIAS

ACCENTURE, Fintech Fundraising Grew Strongly in Most Major Markets in 2019, Accenture Analysis Finds. Newsroom. 2020. Disponível em:

<https://newsroom.accenture.com/news/fintech-fundraising-grew-strongly-in-most- major-markets-in-2019-accenture-analysis-finds.htm>, Acesso em 17 de Setembro de 2020.

ALVES, Fábia Santos. Um estudo das startups no Brasil. 2013. Disponível em:

<https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/15395/1/FÁBIA%20SANTOS%20ALVES.pdf

>, Acesso em 29 de Outubro de 2019.

BANCO CENTRAL DO BRASIL, Composição e segmentos do Sistema Financeiro Nacional. Brasília, 2020. Disponível em:

<https://www.bcb.gov.br/pre/composicao/composicao.asp?frame=1>, acesso em 25 de Julho de 2020.

BANCO CENTRAL DO BRASIL, PIX. Brasília, 2020. Disponível em:

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BANCO CENTRAL DO BRASIL. Bancos Múltiplos. Brasília, 2019. Disponível em:

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BANCO INTERAMERICANO DE DESENVOLVIMENTO e FINNOVISTA.

Fintech: América Latina 2018: Crescimento e consolidação. 2018. Disponível

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