Method for Optimized Analysis of Electrical Tests of Insulation Power Factor in Power Transformers

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Texto

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1Abstract— In this paper is presented a method for the classification of electrical tests of insulation power factor in power transformers, which performs the assignment of individual scores and ratings to each one of the measured variables through these tests and a final rating. To do this, it uses injective functions with which, according to the value of measured quantities, appropriate scores and ratings are determined. The equations of these functions are defined using maintenance engineering criteria in conjunction with computational optimization techniques – the Hill Climbing algorithm and the 1/5-th Success Rule. It’s also presented the equations for the correction of the power factor in function of the temperature of the tests, in view of the adequate classification of these. Furthermore, the proposed method, due to its efficiency, corroborated by the high percentage of correct answers provided by it, is already being successfully implemented in the company CELG Distribuição S.A. (CELG D – currently Enel Distribuição Goiás), helping the decision-making and, thus, contributing to an efficient maintenance of the company’s equipments.

Keywords— Electrical tests, insulation power factor, optimized analysis, power transformers.

I. INTRODUÇÃO

S transformadores de potência são ativos de importância estratégica para a operação do sistema elétrico de potência [1], ao propiciarem, de maneira tecnicamente factível, a transmissão de energia elétrica a longas distâncias. Esta aplicação faz com que esse tipo de equipamento seja submetido a solicitações elétricas, térmicas e mecânicas, que comprometem sua vida útil, tornando indispensável o acompanhamento das condições de seu sistema isolante por meio da aplicação de técnicas preditivas para disparar ações de manutenção preventiva.

No que tange à realização de manutenções preventivas, especificamente direcionadas à verificação do estado do sistema isolante desses equipamentos, destacam-se os ensaios elétricos de fator de potência do isolamento. Por meio dos resultados destes ensaios, tornam-se acessíveis informações úteis para se investigar o estado e tendências do sistema isolante, composto pela combinação da isolação sólida (papel e demais celulósicos, porcelana etc) e líquida (óleo isolante) de cada equipamento, possibilitando a detecção de anomalias

A. P. Marques, Enel, EMC/UFG, IFG, Goiânia, Brasil, andre.marques@enel.com

Y. A. Dias, EMC/UFG, Goiânia, Brasil, yuriadias@gmail.com N. K. Moura, EMC/UFG, Goiânia, Brasil, moura.nk@gmail.com C. J. Ribeiro, EMC/UFG, Goiânia, Brasil, cacildaribeiro@gmail.com A. S. Rocha, IF Goiano, Trindade, Brasil, adsonrocha@gmail.com C. H. B. Azevedo, Enel, Goiânia, Brasil, claudio.azevedo@enel.com J. A. L. Santos, Enel, Goiânia, Brasil, jose.augusto@enel.com L. C. Brito, EMC/UFG, Goiânia, Brasil, brito.lc@gmail.com

e disparando intervenções preventivas ou corretivas para o transformador em análise.

Nesse contexto, apresenta-se, neste trabalho, um método para classificação de ensaios elétricos de fator de potência do isolamento, tendo como objetivo classificá-los adequadamente e, deste modo, assegurar tomadas de decisão com mais acerto.

Nas classificações propostas, consideram-se, para os devidos fins, a temperatura padrão de 20 ºC, sendo apresentado o equacionamento necessário à correção das medidas para esta temperatura de referência.

A cada grandeza medida nos ensaios são atribuídos conceitos e notas individuais, as quais são ponderadas para a composição de uma nota final e um conceito final, que contemplam todas as grandezas em conjunto. Na atribuição das notas, foram utilizadas funções injetoras, cujas equações são determinadas por meio de critérios de Engenharia de Manutenção e a partir da aplicação de técnicas de otimização computacional – o algoritmo Hill Climbing [2,3] e a Regra do 1/5 de sucesso [4].

Ademais, os critérios de Engenharia de Manutenção foram embasados na experiência de especialistas, pesquisas bibliográficas e levantamentos estatísticos de uma base de dados de ensaios elétricos realizados em um período de 34 anos (de 1982 a 2016) na empresa CELG D (atualmente Enel Distribuição Goiás).

II. ENSAIOS ELÉTRICOS DE FATOR DE POTÊNCIA DO ISOLAMENTO

Os ensaios elétricos de fator de potência do isolamento destinam-se à verificação das condições do sistema isolante de transformadores de potência, o qual sofre degradação continuamente, com a conseguinte perda gradativa de suas características dielétricas. Sendo assim, para a classificação dos resultados destes ensaios, a idade do equipamento é um parâmetro a ser considerado, uma vez que, para transformadores com maior tempo de uso, espera-se um sistema isolante mais degradado, em comparação às características esperadas de equipamentos mais novos. Este é, pois, um dos diferenciais deste trabalho, ao considerar a idade dos equipamentos como um parâmetro para a determinação das notas e conceitos adequados.

Na metodologia empregada, por meio da realização desses ensaios, obtém-se um conjunto de quatro grandezas:

a) Fator de potência do isolamento do enrolamento de AT em relação ao enrolamento de BT e em relação à terra, conjuntamente, denotado por !"!" (!"!!);

b) Fator de potência do isolamento do enrolamento de AT em

O

Method for Optimized Analysis of Electrical Tests

of Insulation Power Factor in Power Transformers

A.P. Marques, Y.A. Dias, N.K. Moura, C.J. Ribeiro, A.S. Rocha, C.H.B. Azevedo, J.A.L. Santos and

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relação à terra, sendo as medidas em relação à BT desprezadas na medição, denotado por !"!" !;

c) Fator de potência do isolamento do enrolamento de BT em relação ao enrolamento de AT e em relação à terra conjuntamente, denotado por !"!" (!"!!);

d) Fator de potência do isolamento do enrolamento de BT em relação à terra, sendo as medidas em relação à AT desprezadas na medição, denotado por !"!" !.

No caso de transformadores de três enrolamentos (AT, BT e MT), obtêm-se medidas semelhantes às descritas acima, embora para os três enrolamentos tomados dois a dois, isto é, para AT e MT, para AT e BT, para MT e BT e de cada um deles para a terra, considerando-se, para fins de classificação, o pior caso.

Para o desenvolvimento deste método, procedeu-se com a realização de pesquisas bibliográficas na literatura [5]-[13], por meio das quais se obtiveram informações relevantes para a classificação dos resultados dos ensaios.

A essas informações, adicionaram-se estatísticas obtidas a partir de bancos de dados da empresa CELG D (Enel Distribuição Goiás), referentes a ensaios de fator de potência de isolamento realizados em equipamentos com potências de 1 MVA a 50 MVA, tensões nominais de 13,8 kV a 230 kV e idades de 1 a 51 anos, referentes a um período de 34 anos (de 1982 a 2016).

As pesquisas realizadas e as estatísticas obtidas, conjuntamente, corroboraram o fato de a idade ser um parâmetro diretamente relacionado ao estado do sistema isolante de um transformador de potência e, portanto, ao fator de potência do seu isolamento. Outrossim, verificou-se que outros parâmetros, tais como a tensão e a potência nominal dos equipamentos, não adicionavam refinamento aos critérios de classificação dos ensaios de fator de potência do isolamento. Sendo assim, considerou-se, unicamente, a idade do equipamento na determinação dos critérios de classificação no método desenvolvido.

Posteriormente, técnicas de otimização computacional foram utilizadas com o objetivo de se obterem pesos ótimos para a classificação dos ensaios. Nesta etapa, o método foi validado, por meio da comparação dos conceitos obtidos a partir de sua aplicação aos conceitos determinados por especialistas em Engenharia de Manutenção da empresa CELG D (Enel Distribuição Goiás).

III. CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA À TEMPERATURA DE 20 ºC

O valor do fator de potência se altera com a temperatura, com a presença de umidade e de sujidades e, ainda, em função da degradação do material isolante. Sendo assim, pode-se deduzir o estado do sistema isolante dos transformadores por meio do acompanhamento e comparações de resultados de ensaios de fator de potência. Contudo, antes de compará-los, estes devem ser referenciados a uma mesma temperatura.

Com base em tabelas fornecidas por fabricantes de instrumentos de medição [8], definiram-se, neste trabalho, equações para correção de fator de potência, da temperatura de

ensaio para a temperatura padrão de 20ºC. Esta correção é dada pela expressão (1).

!"!"°! = !"!. !" (1)

Sendo:

- !"!"°! : fator de potência corrigido a 20°C;

- !"! : fator de potência medido à temperatura do ensaio ! em

graus Celsius;

- !" : fator de correção de temperatura para o fator de potência.

Nos casos em que o equipamento ensaiado for selado com bolsa ou membrana, o fator de correção pode ser interpolado pela função exponencial (2).

!" = 0,9151. !!!,!"#$%.!+ 0,6560. !!!,!"#$.! (2)

No entanto, se o equipamento não for selado, a interpolação é dada pela expressão (3).

!" =1 + 5,6748. 101,55278!!. !!,!"#$%− 0,03003 (3) Os fatores de correção obtidos por meio de (2) e (3) apresentam grande fidelidade aos valores tabelados na faixa de temperaturas de interesse (isto é, entre 5ºC e 60ºC), permitindo facilmente sua implementação em softwares especialistas de diagnóstico de transformadores. Ademais, apresentam vantagem em relação a valores tabelados, uma vez que viabilizam a correção de fatores de potência a partir de qualquer temperatura, e não a um conjunto limitado de valores discretos.

IV. CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO

Na Tabela I são apresentados os critérios para classificação dos ensaios de fator de potência do isolamento. Nota-se que estes critérios se modificam de acordo com a idade do equipamento e destinam-se à classificação de grandezas cujos valores já foram corrigidos para a temperatura de 20 ºC por meio das equações de (1) a (3).

TABELA I. CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DOS ENSAIOS DE FATOR DE POTÊNCIA DO ISOLAMENTO (VALORES CORRIGIDOS

PARA A TEMPERATURA DE 20 ºC)

Conceito ID ≤ 5 anos 5 < ID ≤ 10 anos ID > 10 anos

A (excelente) !" ≤ 0,50 % !" ≤ 0,56 % !" ≤ 0,62 % B (bom) 0,50 % < !" ≤ 0,70 % 0,56 % < !" ≤ 0,85 % 0,62 % < !" ≤ 1,00 %

C (marginal) 0,70 % < !" ≤ 1,00 % 0,85 % < !" ≤ 1,25 % 1,00 % < !" ≤ 1,50 %

D (ruim) 1,00 % < !" ≤ 2,00 % 1,25 % < !" ≤ 2,50 % 1,50 % < !" ≤ 3,00 % E (péssimo) !" > 2,00 % !" > 2,50 % !" > 3,00 %

(3)

Sendo:

- ID: a idade do equipamento; e

- !": a medida de fator de potência analisada (!"!" (!"!!),

!"!" !, !"!" (!"!!) ou !"!" !).

V. ANÁLISE OTIMIZADA DO FATOR DE POTÊNCIA DO ISOLAMENTO

Para o desenvolvimento do método proposto, empregou-se o algoritmo de otimização Hill Climbing associado à Regra do 1/5 de Sucesso, minimizando o erro dado pela distância numérica entre o conceito final atribuído pelos especialistas a um dado conjunto de ensaios e o conceito final provido pelo método. A utilização destas técnicas computacionais resultou na análise otimizada dos ensaios de fator de potência do isolamento, em conformidade com critérios de Engenharia de Manutenção.

De posse dos bancos de dados utilizados para que se definissem os critérios de Engenharia de Manutenção, procedeu-se com a seleção de um subconjunto de 150 resultados de ensaios elétricos de fator de potência do isolamento. Este subconjunto foi utilizado para a implementação do método, com o emprego dos recursos de otimização computacional. Os resultados selecionados foram, então, analisados por uma equipe de especialistas em Engenharia de Manutenção, que emitiu uma classificação final para cada um dos conjuntos de ensaios considerados, atribuindo-lhes conceitos finais que variam de “A” (excelente) a “E” (péssimo). Ademais, foi definida uma classificação final para cada conjunto de quatro ensaios (!"!" (!"!!), !"!" !,

!"!" (!"!!) e !"!" !), com a atribuição um conceito final

para cada equipamento ensaiado. Os dados referentes às classificações emitidas pelos especialistas são apresentados no gráfico de setores da Fig. 1, no qual se verifica que o espaço amostral utilizado é representativo.

Figura 1. Composição do espaço amostral analisado em termos dos conceitos finais atribuídos pelos especialistas

Para a validação do método desenvolvido, separou-se o espaço amostral de 150 casos significativos, previamente analisados nos seguintes subconjuntos: para treinamento (desenvolvimento) do método, composto por 70% do espaço amostral, totalizando 105 casos; e para validação do método, composto pelos 30% restantes do espaço amostral, totalizando

45 casos.

Na Tabela II é mostrada a separação do espaço amostral nestes dois subconjuntos, assegurando a utilização de casos distintos para o treinamento e para a validação do método.

A estrutura do método consiste na atribuição de uma nota individual ! e um conceito individual a cada uma das grandezas de interesse. Posteriormente, atribuem-se, a cada

nota individual, os pesos !! e !!(!), que constituem uma

dupla ponderação. Por fim, as notas individuais são utilizadas no cálculo de uma nota final, NF, para o ensaio analisado. Para tanto, utiliza-se expressão (4), na qual o índice ! percorre todas as grandezas de interesse.

!" = !!!!∙ !! !! ∙ !!,!

! !! ∙ !!,!

! (4)

TABELA II. COMPARAÇÃO ENTRE AS COMPOSIÇÕES DOS CONJUNTOS DE CASOS SELECIONADOS

Conceito Final (significado) No de casos Conjunto para

Treinamento Conjunto para Validação

No de casos Porcentagem No de casos Porcentagem A (Excelente) 46 32 69,57% 14 30,43% B (Bom) 53 37 69,81% 16 30,19% C (Marginal) 31 22 70,97% 9 29,03% D (Ruim) 10 7 70,00% 3 30,00% E (Péssimo) 10 7 70,00% 3 30,00% Total 150 105 70,0% 45 30,0%

Para a atribuição de notas individuais às grandezas e para a sua ponderação, utilizam-se funções injetoras. Estas funções são contínuas, de modo a propiciar a adequada diferenciação entre grandezas cujos valores são diferentes e, que, portanto, devem receber classificações distintas.

As funções injetoras para atribuição de notas individuais às grandezas são definidas por partes – cada qual composta por uma função linear. Já os valores dos limites das notas individuais que delimitam as faixas dessas funções foram otimizados. Para tanto, empregaram-se o algoritmo Hill Climbing e a Regra do 1/5 de Sucesso. Assim, definiram-se os limites das relações entre as notas e valores das grandezas para cada uma das possíveis faixas de idade dos equipamentos. Por conseguinte, obtiveram-se também as relações entre os possíveis conceitos (“A”, “B”, “C”, “D” ou “E”) e os valores das grandezas. Estes valores são:

a) !!", o valor do limite de nota individual entre os conceitos

individuais “A” e “B”;

b) !!", o valor do limite de nota individual entre os conceitos

individuais “B” e “C”;

c) !!", o valor do limite de nota individual entre os conceitos

individuais “C” e “D”; e

d) !!", o valor do limite de nota individual entre os conceitos

individuais “D” e “E”.

(4)

as funções injetoras encontram-se relacionados na Tabela III.

TABELA III. VALORES OTIMIZADOS DOS LIMITES DE NOTAS INDIVIDUAIS PARA AS FUNÇÕES INJETORAS

Limite Valor otimizado

!!" 0,9201

!!" 0,7519

!!" 0,3224

!!" 0,0974

A partir dos valores dos limites das notas individuais, obtiveram-se as funções injetoras que relacionam os valores das grandezas às notas individuais. Estas funções, que são aplicáveis à análise de todas as grandezas de interesse (!"!" (!"!!), !"!" !, !"!" (!"!!) e !"!" !), são

apresentadas na Fig. 2. Nesta figura, verifica-se que há uma função para cada faixa de idade (ID) e que, com o aumento desta, há o deslocamento das curvas para a direita, no sentido do aumento do valor do fator de potência.

Figura 2. Funções injetoras para atribuição de notas individuais às grandezas

Para a ponderação das notas individuais !, por meio da

atribuição de pesos !! em função de seus valores, é utilizada a

função exponencial (5), cujos coeficientes também foram otimizados.

!! ! = 8,5968 ∙ !!!,!!"#∙! (5)

A determinação de !! tem como objetivo assegurar um

peso maior às grandezas que têm maior impacto na classificação final dos ensaios. Deste modo, utilizam-se quatro pesos para a ponderação das grandezas de interesse, a saber: a) !!,!" (!"!!), para a ponderação da grandeza !"!" (!"!!);

b) !!,!" !, para a ponderação da grandeza !"!" !;

c) !!,!" (!"!!), para a ponderação da grandeza !"!" (!"!!);

e

d) !!,!" !, para a ponderação da grandeza !"!"/!.

No método proposto, estes pesos foram otimizados e seus valores encontram-se relacionados na Tabela IV.

TABELA IV. PESOS OTIMIZADOS DAS GRANDEZAS

Peso Valor Obtido

!!,!" (!"!!) 0,3191

!!,!" ! 0,1617

!!,!" (!"!!) 0,3252 !!,!" ! 0,1939

Por fim, para a classificação final dos ensaios, atribuindo a estes uma nota final e um conceito final, estabeceram-se critérios para a determinação desta nota e, por meio de otimização computacional, faixas de classificação para associá-las a conceitos finais (“A”, “B”, “C”, “D” ou “E”).

Assim, as notas finais são obtidas a partir da expressão (1). Os valores dos limites das faixas de classificação das notas finais são:

a) !!"#, o valor do limite de nota final entre os conceitos

finais “A” e “B”;

b) !!"#, o valor do limite de nota final entre os conceitos

finais “B” e “C”;

c) !!"#, o valor do limite de nota final entre os conceitos

finais “C” e “D”; e

d) !!"#, o valor do limite de nota final entre os conceitos

finais “D” e “E”.

Os valores otimizados destes limites, por sua vez, são apresentados na Tabela V.

TABELA V. VALORES OTIMIZADOS DOS LIMITES DE NOTAS FINAIS

Limite Valor otimizado

!!"# 0,9201 !!"# 0,7519 !!"# 0,3224 !!"# 0,0974

Uma vez estabelecidos os limites para a classificação das notas finais, torna-se possível a adequada classificação dos ensaios elétricos de fator de potência de isolamento e, com isto, a definição, para cada conjunto de grandezas analisado, de uma ação recomendada. Na Tabela VI são apresentados os critérios para classificação da nota final e determinação de uma ação recomendada.

(5)

TABELA VI. CRITÉRIOS PARA CLASSIFICAÇÃO DA NOTA FINAL E DETERMINAÇÃO DA AÇÃO RECOMENDADA

Conceito

Final Nota Final Ação Recomendada

A

(excelente) !> 0,9201 Continuar a operar o equipamento normalmente B

(bom) 0,7519 < ! ≤ 0,9201

Continuar a operar o equipamento, estando atento à evolução de resultados

nos próximos registros C

(marginal) 0,3224 < ! ≤ 0,7519

Investigar e realizar outros ensaios em curto prazo para confirmar resultados e

tendências D

(ruim) 0,0974 < ! ≤ 0,3224

Programar retirada do equipamento de operação para inspeção interna, localização e correção de defeitos E

(péssimo) ! ≤ 0,0974

Retirar o equipamento de operação em caráter de emergência para inspeção interna, localização e correção de defeitos

VI. VALIDAÇÃO

Para verificar a aplicabilidade do método à análise de ensaios elétricos de fator de potência do isolamento, procedeu-se com sua validação. Para tanto, compararam-procedeu-se, para o conjunto de 45 casos detalhado na Tabela II, as classificações por ele providas às definidas por especialistas em Engenharia de Manutenção da empresa CELG D (atualmente Enel Distribuição Goiás). Os percentuais de acertos e erros obtidos por meio do método encontram-se relacionados na Tabela VII.

TABELA VII. PERCENTUAIS DE ACERTOS E DE ERROS REFERENTES À VALIDAÇÃO DO MÉTODO

Conceito Final N o de casos Acertos Erros No de casos Porcentagem N o de casos Percentagem A (Excelente) 14 14 100,00% 0 0,00% B (Bom) 16 13 81,25% 3 18,75% C (Marginal) 9 9 100,00% 0 0,00% D (Ruim) 3 3 100,00% 0 0,00% E (Péssimo) 3 3 100,00% 0 0,00% Total 45 42 93,33% 3 6,67%

Verifica-se um elevado percentual de acertos para todos os casos. O menor dentre esses percentuais refere-se aos casos classificados como “B” pelos especialistas. Todavia, trata-se de um valor elevado (81,25%), que, portanto, assegura uma adequada classificação destes casos. Outrossim, a diferenciação entre conceitos “A” e “B” não é tão impactante para a determinação do diagnóstico do equipamento analisado. Já para equipamentos cujo conceito seja igual ou inferior a “C”, é necessário maior rigor: nestes casos, as ações recomendadas determinam que se destine, em menor ou maior grau, atenção ao estado do equipamento analisado. Como para os casos classificados como “C”, “D”, “E”, obtivereram-se percentuais de acerto iguais a 100%, conclui-se que o método apresenta grande aplicabilidade como ferramenta para a análise de ensaios elétricos de fator de potência do isolamento:

nenhum dos equipamentos mais degradados, que demandam maior atenção, recebeu uma classificação distinta da determinada pelos especialistas.

VII. CONCLUSÃO

A partir da análise dos resultados apresentados, verifica-se que a utilização das equações de correção do fator de potência à temperatura de 20ºC, de critérios de Engenharia de Manutenção e de técnicas de otimização computacional propiciaram a obtenção de um método eficiente, com elevada aplicabilidade para a análise dos ensaios elétricos de fator de potência do isolamento.

Os resultados da etapa de validação evidenciam a aplicabilidade do método apresentado para a obtenção de classificações precisas dos ensaios elétricos analisados: como visto, obteve-se um percentual de acertos igual a 93,33%, o que explicita sua eficiência para a caracterização do estado do sistema isolante de transformadores de potência e, por conseguinte, na complementação de diagnósticos destes equipamentos, quando utilizado em conjunto com outros tipos de análises e ensaios.

Ademais, trata-se de um método passível de implementação como recurso computacional, tornando sua utilização ainda mais prática. Igualmente, a emissão de notas finais para cada conjunto de ensaios analisado propicia uma comparação quantitativa das classificações obtidas por cada equipamento, que é um procedimento de valia para se acompanharem as diferenças entre as integridades dos sistemas isolantes de equipamentos semelhantes (mesmo projeto).

Conclui-se, portanto, que os resultados obtidos corroboram a eficiência do método apresentado, explicitando seu adequado rigor para análise do sistema isolante de transformadores de potência segundo critérios de Engenharia de Manutenção, modelando adequadamente as análises realizadas por especialistas. Deste modo, trata-se de uma ferramenta de grande utilidade e que já está sendo implementada com sucesso na empresa Enel Distribuição Goiás, empregando equações de correção do fator de potência em função da temperatura, critérios de classificação padronizados, que variam com a idade do transformador de potência, e ações recomendadas, impactando no aumento da confiabilidade do sistema elétrico.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem à empresa Enel Distribuição Goiás, à Universidade Federal de Goiás, ao Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Goiás e ao Instituto Federal Goiano pelas colaborações e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG), à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e à Agência Nacional de Energia Elétrica pelos apoios financeiros.

(6)

[1] MARQUES, A.P.; MOURA, N.K.; Dias, Y. A.; RIBEIRO, C.J.; ROCHA, A.S.; AZEVEDO, C.H.B.; SANTOS, J.A.L.; BRITO, L.C. Method for the evaluation and classification of power transformer insulating oil based on physicochemical analyses. In: IEEE Electrical Insulation Magazine, v.33, p.39 – 49, 2017.

[2] RUSSELL, S; NORVIG, P. Artificial intelligence - A modern approach. 2nd ed., Prentice Hall. Englewood Cliffs, 2003.

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URL:http://www.cs.cornell.edu/gomes/selman-gomes-encycl-hillclimbing.pdf.

[4] RECHENBERG, I. Evolutions strategie: Optimierung Technischer Systeme nach Prinzipien der Biologischen Evolution. Frommann-Holzboog. Verlag, 1973.

[5] ALVES, H. N. Apostila de Sistemas de Energia Elétrica. Centro Federal de Educação Tecnológica do Maranhão. Departamento de Eletroeletrônica, São Luís, 2007.

[6] AMERICAN NATIONAL STANDARD: Standard for Maintenance Testing Specifications for Electrical Power Equipment and Systems. Portage, 2011.

[7] CELG D: NTC-36 – Transformador de Potência Especificação. Revisão 6. URL:https://www.celg.com.br/arquivos/dadosTecnicos/normasTecnicas/NTC 36.pdf, Goiânia, Goiás, Brasil, 2015.

[8] DOBLE ENGINEERING COMPANY: Power-factor Test-data, Reference Book. Belmont, Massachusetts.

[9] DOBLE ENGINEERING COMPANY: Type MH, Instruction Manual. Seção 7, Transformadores. Belmont, Massachusetts, 1952.

[10] INSTITUTE OF ELECTRICAL AND ELECTRONICS ENGINEERS. 62-1995: IEEE Guide for Field Testing of Electric Power Apparatus –Part 1: Oil Filled Power Transformers, Regulators, and Reactors. New York, 1995. [11] U. S. DEPARTMENT OF THE INTERIOR. Facilities Instructions, Standards, and Techniques (FIST). Volume 3-30. Transformer Maintenance.

Bureau of Reclamation, 2000, URL:

<https://www.usbr.gov/power/data/fist/Vol3-32%20FIST.PDF>.

[12] JAHROMI, A., PIERCY, R., CRESS, S. SERVICE, J e FAN, W. An approach to power transformer asset management using health index. IEEE Electrical Insulation Magazine, vol. 25. pp. 20-34. 2009.

[13] LI, Y., TANG, M., WU, F., ZHANG, G., WANG, S; SUWARNO. Aging Assessment of Power Transformer Using Multi-parameters. International Journal on Electrical Engineering and Informatics, Vol 5, No. 1, 2013.

André Pereira Marques é doutor (2018) em Engenharia

Elétrica pela Escola de Engenharia Elétrica, Mecânica e de Computação (EMC) da Universidade Federal de Goiás (UFG), mestre (2004) e graduado (1984) em Engenharia Elétrica na EMC/UFG. Gerencia e atua no Departamento de Engenharia e Controle da Manutenção (DPEM) – Unidade de Alta Tensão (UAT) da Enel Distribuição Goiás e também é professor do curso de Eletrotécnica do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás.

Yuri Andrade Dias é graduado em Engenharia Elétrica

(2016) pela Escola de Engenharia Elétrica, Mecânica e de Computação (EMC) da Universidade Federal de Goias (UFG), onde cursa atualmente seu mestrado em Engenharia Elétrica e de Computação. É também técnico em Eletrônica (2012) pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG).

Nicolas Kemerich de Moura é graduado em Engenharia

Elétrica (2016) pela Escola de Engenharia Elétrica, Mecânica e de Computação (EMC) da Universidade Federal de Goias (UFG), onde cursa atualmente seu mestrado em Engenharia Elétrica e de Computação.

Cacilda de Jesus Ribeiro é doutora (2002) e pós-doutora

(2004) em Engenharia Elétrica pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo (USP). Engenheira eletricista graduada (1994) na Unifeb, e especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho (2008) pela UFG. Atua como professora associada na Escola de Engenharia Elétrica, Mecânica de Computação da Universidade Federal de Goiás

Adson Silva Rocha é doutor em Engenharia Elétrica (2013)

pela Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, é professor associado do Instituto Federal (IF) Goiano. Seus interesses de pesquisa incluem computação aplicada, experiência de usuário e inteligência computacional.

Cláudio Henrique Bezerra Azevedo é mestre em Engenharia

Elétrica pela Escola de Engenharia Elétrica, Mecânica e de Computação (EMC) da Universidade Federal de Goiás (UFG) e graduado (1983) em Engenharia Elétrica na EMC/UFG. Atua no Departamento de Manutenção da Alta Tensão da Enel Distribuição Goiás.

José Augusto Lopes dos Santos é graduado (1982) em

Engenharia Elétrica pela Escola de Engenharia Elétrica, Mecânica e de Computação (EMC) da Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua no Departamento de Manutenção da Alta Tensão da Enel Distribuição Goiás.

Leonardo da Cunha Brito nasceu em 9 de dezembro de 1975

em Goiânia, Goiás, Brasil. É doutor em Engenharia Elétrica (2003) pela Universidade de Brasília (UnB) e professor associada da Escola de Engenharia Elétrica, Mecânica e de Computação (EMC) da Universidade Federal de Goiás (UFG). Seus interesses de pesquisa incluem computação aplicada e inteligência computacional.

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