Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico - PADCT
E
STUDO DA
C
OMPETITIVIDADE
DA
I
NDÚSTRIA
B
RASILEIRA
_____________________________________________________________________________________________ COMPETITIVIDADE DA INDÚSTRIA DE INFORMÁTICANota Técnica Setorial do Complexo Eletrônico
O conteúdo deste documento é de exclusiva responsabilidade da equipe técnica do Consórcio. Não representa a opinião do Governo Federal.
Campinas, 1993
Documento elaborado pelo consultor Pablo Fajnzylber (NEIT/IE/UNICAMP).
A Comissão de Coordenação - formada por Luciano G. Coutinho (IE/UNICAMP), João Carlos Ferraz (IEI/UFRJ), Abílio dos Santos (FDC) e Pedro da Motta Veiga (FUNCEX) - considera que o conteúdo deste documento está coerente com o Estudo da Competitividade da Indústria Brasileira (ECIB), incorpora contribuições obtidas nos workshops e servirá como subsídio para as Notas Técnicas Finais de síntese do Estudo.
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CONSÓRCIO
Comissão de Coordenação
INSTITUTO DE ECONOMIA/UNICAMP INSTITUTO DE ECONOMIA INDUSTRIAL/UFRJ
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Instituições Associadas
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Instituições Subcontratadas
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COOPERS & LYBRANDS BIEDERMANN, BORDASCH
Instituição Gestora
EQUIPE DE COORDENAÇÃO TÉCNICA
Coordenação Geral: Luciano G. Coutinho (UNICAMP-IE) João Carlos Ferraz (UFRJ-IEI)
Coordenação Internacional: José Eduardo Cassiolato (SPRU)
Coordenação Executiva: Ana Lucia Gonçalves da Silva (UNICAMP-IE) Maria Carolina Capistrano (UFRJ-IEI)
Coord. Análise dos Fatores Sistêmicos: Mario Luiz Possas (UNICAMP-IE)
Apoio Coord. Anál. Fatores Sistêmicos: Mariano F. Laplane (UNICAMP-IE)
João E. M. P. Furtado (UNESP; UNICAMP-IE)
Coordenação Análise da Indústria: Lia Haguenauer (UFRJ-IEI) David Kupfer (UFRJ-IEI)
Apoio Coord. Análise da Indústria: Anibal Wanderley (UFRJ-IEI)
Coordenação de Eventos: Gianna Sagázio (FDC)
Contratado por:
Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP
Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico - PADCT
COMISSÃO DE SUPERVISÃO
O Estudo foi supervisionado por uma Comissão formada por:
João Camilo Penna - Presidente Júlio Fusaro Mourão (BNDES) Lourival Carmo Monaco (FINEP) - Vice-Presidente Lauro Fiúza Júnior (CIC)
Afonso Carlos Corrêa Fleury (USP) Mauro Marcondes Rodrigues (BNDES) Aílton Barcelos Fernandes (MICT) Nelson Back (UFSC)
Aldo Sani (RIOCELL) Oskar Klingl (MCT)
Antonio dos Santos Maciel Neto (MICT) Paulo Bastos Tigre (UFRJ)
Eduardo Gondin de Vasconcellos (USP) Paulo Diedrichsen Villares (VILLARES) Frederico Reis de Araújo (MCT) Paulo de Tarso Paixão (DIEESE)
Guilherme Emrich (BIOBRAS) Renato Kasinsky (COFAP)
SUMÁRIO
RESUMO EXECUTIVO ... 1
APRESENTAÇÃO ... 22
1. TENDÊNCIAS INTERNACIONAIS DA COMPETITIVIDADE ... 23
1.1. Evolução Recente da Indústria de Informática a Nível Internacional... 23
1.2. Características Estruturais do Setor de Informática ... 34
1.3. Tendências de Mudança Estrutural no Setor de Informática ... 37
1.4. Segmentação da Indústria e Estratégias das Empresas Líderes... 40
1.5. Fatores de Competitividade... 45
1.6. As Políticas Governamentais para o Setor de Informática... 48
1.6.1. Estados Unidos ... 48
1.6.2. Japão ... 51
1.6.3. Europa... 55
1.6.4. Coréia e Taiwan... 57
1.6.5. México ... 60
2. COMPETITIVIDADE DO SETOR DE INFORMÁTICA... 62
2.1. Diagnóstico da Competitividade da Indústria Brasileira ... 62
2.1.1. Perfil da indústria constituída sob a vigência da Política Nacional de Informática... 62
2.1.2. Os efeitos das mudanças na política governamental ... 82
2.2. Oportunidades e Obstáculos à Competitividade... 93
3. PROPOSIÇÃO DE POLÍTICAS... 102
3.1. Políticas de Reestruturação Setorial ... 102
3.1.1. Atração de investimentos estrangeiros... 102
3.1.2. Estímulo à oferta de serviços de manufatura... 103
3.1.3. Estímulo ao desenvolvimento das atividades de integração de sistemas sem prejudicar os segmentos industriais do setor de informática... 104
3.1.4. Regulamentação do artigo 3º da lei 8248-91, referente ao uso do poder de compra do estado para beneficiar o desenvolvimento tecnológico nacional ... 105
3.1.5. Intensificar a cooperação entre as empresas do setor e os centros de ensino e pesquisa na área de informática... 106
3.1.6. Ampliação das linhas de financiamento da FINEP para promover o desenvolvimento tecnológico no setor de informática ... 108
3.1.7. Ampliação do papel representado pelo BNDES no apoio à capitalização das empresas de informática ... 109
3.2. Políticas de Modernização Produtiva ... 109
3.2.1. Incorporação de equipamentos de automação nos processos produtivos das empresas do setor... 109
3.2.2. Incorporação de modernas técnicas de gestão da produção ... 110
3.2.3. Estímulo às atividades de pesquisa e desenvolvimento ... 111
3.3. Políticas Relacionadas aos Fatores Sistêmicos ... 112
3.3.1. Políticas de financiamento governamental para empresas com reduzidas garantias reais... 112
3.3.2. Criação de mecanismos de formação e reciclagem da mão-de-obra com
menor nível de qualificação... 112
3.3.3. Aprimoramento da infra-estrutura de telecomunicações... 113
3.3.4. Generalizar o cumprimento do PPB como condição de acesso a incentivos fiscais para as empresas do setor de informática... 113
3.3.5. Criar mecanismos de controle de fraudes nas operações de importação ou exportação ... 113
3.3.6. Harmonizar os acordos alcançados no âmbito do Mercosul com a política industrial brasileira ... 114
3.3.7. Fomento às exportações... 114
3.3.8. Combate às importações ilegais... 115
3.3.9. Restabelecer a isonomia entre os produtos fabricados no país e os importados, nas vendas para as Universidades ... 115
3.3.10. Estimular o direcionamento das compras de componentes microeletrônicos para os fornecedores locais" ... 116
4. INDICADORES DE COMPETITIVIDADE... 118
5. CONCLUSÕES ... 120
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 124
RELAÇÃO DE TABELAS, QUADROS E GRÁFICOS ... 127
RESUMO EXECUTIVO
1. TENDÊNCIAS INTERNACIONAIS DA COMPETITIVIDADE
1.1. Características Estruturais e Estratégias de Empresas Líderes
A indústria de informática internacional atravessa, desde o final da década de oitenta, uma fase marcada pela desaceleração das suas taxas de crescimento e pela queda das margens de lucro em quase todos os seus segmentos de mercado. Espera-se, para o período 1990-2005, uma taxa de crescimento real da produção da indústria informática americana de menos de 8%, contra os 32% observados para o período 1975/90. A maior parte das empresas líderes do setor tem apresentado prejuízos consideráveis e iniciado amplos processos de reestruturação interna, caracterizados por vastos cortes de pessoal e pelo fechamento de um grande número de plantas industriais. A IBM, líder em praticamente todos os segmentos da informática, dispensou 40 mil funcionários só em 1992, e a UNISYS fechou sete de suas fábricas entre 1991 e 1992.
A "crise", deve-se notar, tem afetado de forma diferente os vários segmentos da indústria. Considerandose a composição das receitas das 100 maiores empresas do setor Tabela 1 -verifica-se um aumento da participação relativa de PCs e workstations em detrimento dos sistemas de médio e grande porte. Observa-se, além disso, uma queda no peso das áreas de periféricos, comunicação de dados e manutenção de equipamentos, acompanhada por um significativo crescimento nas receitas de software e serviços.
TABELA 1
COMPOSIÇÃO POR SEGMENTO DE MERCADO DAS RECEITAS DAS 100 MAIORES EMPRESAS DE INFORMÁTICA
(%)
SEGMENTOS 1987 1988 1989 1990 1991
Sistemas de Grande Porte 12.6 11.5 11.0 9.6 9.5 Sistema de Médio Porte 10.7 9.3 8.1 7.7 7.6
PCs 10.6 12.3 14.2 14.7 15.2 Workstations - 1.4 2.8 3.8 4.7 Software 8.1 8.8 9.7 10.2 11.5 Periféricos 25.0 24.0 22.0 22.3 20.9 Comunicação de Dados 7.1 7.3 7.7 6.3 5.3 Serviços 7.6 8.0 9.0 10.1 11.0 Manutenção 13.0 12.0 11.4 11.5 11.1 Outros 5.3 5.4 4.1 3.8 3.2
Entre os movimentos subjacentes a esta "crise" (Quadro 1), destacam-se a crescente difusão de padrões e arquiteturas não proprietárias e de sistemas de processamento distribuído e a crescente substituibilidade entre sistemas de pequeno, médio e grande porte - o downsizing. Estes fenômenos têm provocado uma queda generalizada nas margens de lucro auferíveis nas vendas de equipamentos, estimulando o investimento em atividades de software e serviços - incluindo a integração de sistemas e a customização dos sistemas oferecidos, envolvendo um leque amplo de serviços aos usuários.
QUADRO 1
AS PRINCIPAIS TENDÊNCIAS DE MUDANÇA ESTRUTURAL
VIGENTES NO SETOR DE INFORMÁTICA E OS SEUS DESDOBRAMENTOS NO ÂMBITO DOS DETERMINANTES DA COMPETITIVIDADE
Tendências Desdobramentos
Crescente difusão de produtos com arquiteturas e com-ponentes padronizados
Diminuição das barreiras à entrada a nível dos investimentos em P&D; unificação de mercados anteriormente segmentados; importância crescente, nos segmentos respectivos, das vantagens competitivas associadas aos menores custos de manufaturas e à diversificação dos canais de distribuição dos produtos, resultando em queda de preços
Aumento no grau de automação dos processos pro-dutivos e difusão de técnicas "japonesas" de gestão da produção
Aumento dos requisitos de investimento em capital fixo e diminuição da importância relativa das vanta-gens competitivas associadas ao baixo custo da mão-de-obra
Aumento na substituibilidade entre produtos baseada em soluções tecnológicas diferentes, mas com características funcionais similares
Importância crescente das atividades de desenvol-vimento de software, serviços de suporte (incluindo a integração de sistemas) e marketing
Crescente influência dos usuários na determinação das especificações dos produtos e sistemas
Vantagens associadas à precedência no atendimento dos vários mercados, através da familiaridade com as suas necessidades específicas
Aumento no grau de internacionalização da indústria, principalmente via investimento direto e realização de acordos com empresas locais
Vantagens associadas à "globalização" das atividades de P&D, produção e comercialização, assim como à realização de parcerias internacionais (tecnológicas e comerciais)
Fonte: Elaboração própria.
No âmbito dos processos produtivos, verifica-se uma tendência para a procura de ganhos de eficiência que permitam obter diminuições significativas nos custos dos produtos e aumentos na sua qualidade. Observa-se um avanço nos níveis de automação da manufatura, com o consequente estreitamento das eventuais vantagens competitivas derivadas do uso de mão-de-obra barata. Ao mesmo tempo, tendem a aumentar os requerimentos em termos dos investimentos em capital fixo necessários à modernização das unidades produtivas e torna-se indispensável a realização de importantes esforços gerenciais, dirigidos a introduzir as mudanças organizacionais requeridas para otimizar o uso dos novos equipamentos automatizados. Nos EUA os esforços no âmbito do aprimoramento dos processos produtivos têm se mostrado particularmente significativos, como
consequência da reconhecida defasagem que a indústria eletrônica deste país apresenta nessa área. Além disso, verifica-se uma tendência para a externalização parcial das atividades de manufatura por parte das maiores empresas do setor, motivada pelo objetivo de ganhar eficiência nas operações internas e reduzir os custos fixos das empresas, dado o contexto de queda na sua lucratividade. Esta tendência tem se refletido no elevado dinamismo do segmento de fornecedores de serviços de manufatura para a indústria eletrônica, que apresentou, entre 1986 e 1991, uma taxa média de crescimento anual de 19% nos EUA.
Em parte pela cada vez mais necessária "proximidade" com os mercados visados -provocada pela crescente influência dos usuários na determinação das especificações de produtos e sistemas -, mas também devido ao renascimento de políticas protecionistas - principalmente na Europa mas também, no caso dos fabricantes asiáticos, no mercado americano -, tem sido verificado um aumento no já elevado grau de internacionalização da indústria de informática. Neste sentido, as empresas japonesas, tradicionalmente mais concentradas no seu mercado local, têm realizado importantes investimentos nos EUA, na Europa e no sudeste asiático, enquanto as suas concorrentes americanas, além de aumentar a sua já considerável presença no continente europeu, voltam-se mais agressivamente para o mercado japonês.
Considerando os fatores de sucesso implícitos nas estratégias competitivas das empresas líderes dos vários segmentos, a nível internacional (Quadro 2), verifica-se que as menores barreiras à entrada para novos fabricantes situam-se nas áreas de micros baseados em padrões de mercado já consolidados e periféricos relativamente comoditizados baseados em tecnologias "maduras". Nestes segmentos, os principais requerimentos para a competitividade das empresas situam-se no âmbito da sua excelência nas atividades de manufatura. Já nos mercados de computadores de médio e grande porte, os requisitos em termos de capacitação tecnológica a nível das atividades de P&D mostram-se muito superiores, sendo que as maiores possibilidades para late-comers encontram-se na realização de parcerias com empresas líderes, no desenvolvimento de serviços de integração de sistemas e no projeto e fabricação de produtos baseados em componentes padronizados de alto desempenho e arquiteturas não-proprietárias.
QUADRO 2
AS ESTRATÉGIAS COMPETITIVAS PREDOMINANTES NOS PRINCIPAIS SEGMENTOS DO SETOR DE INFORMÁTICA
Segmento Estratégias Predominantes e
Principais Empresas Fatores de Sucesso I) Sistemas de Grande Porte 1) Criação de familias de computadores
com-patíveis e de uso geral, baseados em arquite-turas proprietárias, utilizadas nos sucessivos modelos lançados ao longo do tempo
Empresas: principalmente IBM, seguida sem sucesso por fabricantes americanos e europeus
(1) Auferição de economias de escopo no desenvolvimento de software com a conse-quente redução no seu custo unitário
- Estímulo à "fidelidade" dos usuários, dada a possibilidade de aproveitar o aprendizado e os programas desenvolvidos nos sucessivos equi-pamentos incorporados
- Implementação de extensas redes de distri-buição e serviços
2) Especialização em nichos de mercado não cobertos pelos produtos das empresas citadas em (1)
Empresas: Cray, Hitachi e Fujitsu em super-computadores, NCR nos mercados bancário e comercial, NEC no mercado de telecomuni-cações, Alliant e Convex em minisuper-computadores
(2) Diferenciação dos produtos oferecidos através da sua "customização" para aplicações específicas, nas quais são oferecidas melhores relações preço/desempenho
- Compatibilidade com os produtos de uso geral da própria empresa ou dos seus con-correntes (caso dos fabricantes japoneses de supercomputadores)
- Utilização de componentes de última geração e de arquiteturas paralelas (principalmente nos supercomputadores)
3) Oferta de produtos compatíveis com os das empresas líderes (basicamente da IBM) -"Plug Compatible Manufacturers"
Empresas: Amdahl, Hitachi, Fujitsu, entre outras
(3) Utilização de componentes tecnologica-mente mais avançados que aqueles incorpora-dos nos produtos emulaincorpora-dos de maneira a oferecer melhores relações preço/desempenho
II) Sistemas de Porte Médio 1) Idem a (I.1) (minis e superminis) Empresas: DEC, HP e IBM
(1) Idem a (I.1), com maior ênfase nas tec-nologias de rede, que permitem a implementa-ção de soluções de processamento distribuído 2) Idem a (I.2)
Empresas: Tandem e Stratus em computadores tolerantes a falhas, Sun e Apollo em estações de trabalho. Além disso, várias empresas desenvolveram produtos especializados em aplicações específicas (bancos de dados, gráficos, etc) ou mercados "verticais" (Nixdorf em bancos e Tandem em transportes, p.e.)
(2) Idem a (I.2), com maior ênfase no uso do sistema operacional Unix no caso das estações de trabalho e, mais recentemente, também nos demais sistemas de médio porte; no âmbito dos componentes, destaca-se a intensa utilização de circuitos integrados dedicados e semi-dedicados
III) Sistemas de Pequeno Porte
(incluindo microcomputadores) 1) Oferta de produtos com arquiteturas e com-ponentes relativamente padronizados (no senti-do de serem de senti-domínio público), com ênfase especial na qualidade e no suporte a eles associados
Empresas: IBM (na sua linha PC), Compaq, Zenith e Olivetti
(1) Marcas de conhecimento difundido - Rápida incorporação de inovações tecnoló-gicas e espelialização nas faixas de produtos mais sofisticados
- Extensas redes de distribuição, assistência técnica e suporte aos usuários
- Garantia de qualidade dos produtos comer-cializados
- Extensas "bibliotecas" de software desenvol-vidos por terceiros
QUADRO 2
AS ESTRATÉGIAS COMPETITIVAS PREDOMINANTES NOS PRINCIPAIS SEGMENTOS DO SETOR DE INFORMÁTICA
(continuação)
Segmento Estratégias Predominantes e
Principais Empresas Fatores de Sucesso 2) Oferta de produtos com arquiteturas e
componentes relativamente padronizados e preços inferiores à média do mercado
Empresas: a maioria dos fabricantes coreanos e taiwaneses de PCs
(2) Reduzidos gastos em marketing e distri-buição, com recurso habitual a acordos de tipo "OEM"
- Reduzidos custos de manufatura, graças à utilização de mão-de-obra e componentes (inclusive "cloning chips sets") baratos - Extensas "bibliotecas" de software desenvol-vidos por terceiros
3) Oferta de produtos com arquiteturas propri-etárias (eventualmente transferidas a terceiros com o pagamento de "royalties")
Empresas: IBM (na sua linha PS), Apple, NEC
(3) Maior sofisticação tecnológica dos produ-tos e/ou
- Pioneirismo no atendimento do mercado (Apple nos EUA e NEC no Japão)
IV) Periféricos 1) Produção em larga escala de produtos com tecnologias relativamente "maduras" (termi-nais de vídeo, impressoras matriciais, discos magnéticos de "penúltima" geração, etc.) Empresas: diversos fabricantes americanos e principalmente asiáticos
(1) Verticalização na produção dos insumos "críticos"
- Elevada capacitação em manufatura em gran-de escala (em particular nos produtos que incorporem mecânica fina) obtida, em muitos casos (japoneses) no setor de eletrônica de consumo
- Baixos preços e elevada confiabilidade (graças aos fatores antes referidos)
2) Oferta de produtos com tecnologias "emer-gentes", incorporando inovações "radicais" nos seus subconjuntos críticos (novas gerações de impressoras, discos magnéticos, monitores e terminais de vídeo, etc.)
Empresas: diversos fabricantes americanos e principalmente japoneses
(2) Verticalização na produção dos insumos "críticos" ou compra dos mesmos em grandes volumes
- No caso dos fabricantes verticalizados, significativos investimentos em P&D, aprovei-tando sinergias com a produção para outros setores (fotografia, reprografia, eletrônica de consumo, etc.)
- No caso dos não verticalizados, aproveita-mento de sinergias com a oferta de outros pro-dutos de informática, principalmente a nível de marketing e canais de distribuição (HP e Apple em impressoras, p.e.)
3) Idem a (IV.1) e (IV.2), com a introdução de inovações incrementais nos produtos respec-tivos
Empresas: diversos fabricantes
(3) Especialização em nichos de mercado, através da diferenciação tecnológica dos pro-dutos, principalmente a nível da sua eletrônica
Fonte: Elaboração própria.
1.2. Políticas Governamentais
As políticas governamentais implementadas para o setor de informática pelos principais países industrializados, assim como por Taiwan, Coréia e México, fazem uso de diversos instrumentos de proteção e fomento às indústrias nacionais. Nos EUA, destaca-se o papel
representado pelas compras e financiamentos do governo para as atividades de P&D situadas na "fronteira" tecnológica do setor. Merece especial destaque a aprovação, em 1991, de uma Lei Federal - o "American Technology Preeminence Act" - pela qual se estabelece a preferência a ser outorgada, nas compras do Departamento de Comércio e do "National Institute of Standards and
Technology" (NIST), para as empresas estabelecidas nos EUA, nos casos em que os seus
produtos tenham sido "completamente montados no país", detenham índices de nacionalização superiores a 50% e possuam preços que não superem em mais de 6% aos de seus equivalentes oferecidos por empresas não estabelecidas nos EUA. A mesma Lei confirma o apoio aos projetos de P&D de caráter cooperativo, os quais tinham sido viabilizados pelo "Joint Research and
Development Act" de 1984, que flexibilizou, em relação a este aspecto específico, a política anti-trust americana.
Além disso, amplia-se o "Advanced Technology Program", que inclui a concessão de bolsas, encomendas especiais de produtos e acordos especiais de cooperação entre o NIST e empresas privadas. Deve-se notar que o acesso destas últimas à ajuda financeira fornecida por esse programa depende do cumprimento das seguintes condições principais: deverá existir no projeto um claro interesse econômico para os EUA, manifestado na realização de investimentos locais em pesquisa, desenvolvimento e manufatura e em significativas contribuições ao emprego; a empresa deverá promover a manufatura local dos produtos resultantes das tecnologias a serem desenvolvidas; as empresas deverão ter a maioria do seu capital controlado por cidadãos americanos ou, no caso de não prencherem esta condição, deverão receber a aprovação do Secretário de Comércio, baseada no reconhecimento de que se encontram estabelecidas nos EUA e têm a sua matriz em países que fornecem as mesmas oportunidades para empresas americanas e locais e que possuem um sistema de proteção à propriedade intelectual compatível com o dos EUA.
Outro sistema de apoio às atividades de P&D é o crédito fiscal temporário concedido, desde 1981, para investimentos nessas atividades. Recentemente, o Presidente Clinton anunciou que daria caráter permanente a este incentivo, prevendo-se uma renúncia fiscal de US$ 6,4 bilhões no período 1994/97.
Além de instrumentos similares àqueles comentados no caso dos EUA, os demais países citados utilizaram, mesmo que de forma decrescente ao longo do tempo, mecanismos de proteção tarifária e não-tarifária para estimular sua produção local, sendo que no caso da Europa, esta política foi direcionada para incentivar o crescimento de "campeões nacionais". A principal característica distintiva da política japonesa foi sua ênfase na promoção, através de financiamentos públicos e contratos com laboratórios governamentais ligados ao MITI e à Nippon Telephone and Telegraph (NTT), da pesquisa cooperativa no âmbito das tecnologias "básicas", combinada com o estímulo à concorrência entre as empresas a nível do projeto e comercialização dos produtos. Os
recursos envolvidos nos programas japoneses, cabe frisar, foram em geral inferiores, em termos relativos, aos dispendidos pelos governos europeus e dos EUA no financiamento a suas respectivas atividades de P&D. A eficiência japonesa no apoio ao desenvolvimento tecnológico deveu-se basicamente à articulação dos dispêndios públicos com os gastos privados de modo a promover o desenvolvimento cooperativo de tecnologias estratégicas para a competitividade internacional da indústria. Na década de oitenta, este tipo de política foi imitado por quase todos os países da Europa, EUA, Taiwan e Coréia.
Nestes dois últimos países, em particular, as políticas implementadas basearam-se no uso de instrumentos muito similares: proteção do mercado interno à importação de produtos estrangeiros, restrições à atuação do capital estrangeiro, suporte governamental às atividades de P&D - principalmente através de laboratórios públicos de pesquisa -, concessão de incentivos fiscais e creditícios, políticas de promoção das exportações, uso do poder de compra governamental para favorecer as empresas nacionais. Contudo, o menor tamanho da sua economia fez com que Taiwan se orientasse mais firmemente para o mercado externo enfatizando, em menor medida, a proteção do seu mercado interno - tanto dos fluxos de comércio quanto de investimento estrangeiro. De outro lado, o maior grau de concentração industrial verificado na Coréia - um dos maiores do mundo - foi, em grande medida, uma consequência do maior estímulo conferido pelo governo deste país ao "grande capital", em claro contraste com o menor tamanho das empresas de Taiwan, derivado do caráter mais "universal" dos incentivos concedidos à indústria neste último país - em termos do tamanho, especialização setorial e localização das empresas beneficiárias. No caso do México, destaca-se a recente opção pela abertura da economia à importação de produtos de informática, assim como pelo estabelecimento de consideráveis incentivos à entrada de capitais estrangeiros, principalmente se direcionados para a constituição de plataformas de exportação.
2. COMPETITIVIDADE DA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE INFORMÁTICA
Implantada num contexto de virtual isolamento do mercado mundial, a indústria brasileira de informática enfrenta hoje o desafio de se adaptar às condições de maior abertura da economia nacional aos fluxos de comércio e investimento estrangeiro, que vêm sendo promovidas pelas autoridades governamentais a partir de 1990. Para tanto, as empresas do setor vêm realizando um vasto movimento de reformulação das suas estratégias competitivas, de maneira a adequá-las ao novo cenário de crescente integração com o mercado internacional. Desta forma, pode-se dizer que a indústria brasileira de informática atravessa uma fase de transição, na qual suas características estruturais e seus indicadores de desempenho encontram-se sujeitos a profundas mudanças.
2.1. Características Estruturais e Desempenho
O parque industrial constituído no Brasil sob a vigência da Política Nacional de Informática (PNI) caracterizou-se por um elevado grau de diversificação e apresentou taxas de crescimento superiores às do mercado mundial. Entre 1986 e 1990 o mercado brasileiro cresceu a taxas médias de 30% ao ano, atingindo um volume de mais de US$ 4 bilhões no final da década passada. Dadas as restrições governamentais, as importações mostraram-se relativamente reduzidas e decrescentes ao longo da década de oitenta, chegando a apenas 7,9% do faturamento do setor, em 1989. As exportações, no entanto, também foram decrescentes e concentraram-se nas filiais de empresas estrangeiras dedicadas à fabricação de mainframes, sendo que no caso das empresas nacionais, as vendas externas foram quase inexistentes. Estas empresas, no entanto, conquistaram parcelas crescentes do mercado local, favorecidas pela política de reserva de mercado estabelecida para os computadores de pequeno e médio porte e seus periféricos.
Os indicadores de desempenho de cada um destes segmentos apontam para um reduzido dinamismo na faixa de computadores de médio porte, o que compensou as elevadas taxas de crescimento do mercado de micros (crescimento de 279% no período 1980/88) e fez com que os fabricantes de mainframes mantivessem sua parcela do mercado brasileiro de computadores. A política de compras públicas, cabe notar, reforçou esta tendência, dado o predominio, nos órgãos estatais, da cultura de processamento centralizado, baseada no uso dos equipamentos de grande porte oferecidos pelas filiais estrangeiras.
Ao longo da década de oitenta, o número de fabricantes nacionais na indústria cresceu de forma "explosiva", enquanto as filiais estrangeiras mantiveram-se em número reduzido. Contudo,
se considerados os vários segmentos de mercado individualmente, os níveis de concentração mantiveram-se relativamente elevados, com as duas empresas líderes controlando, em geral, mais de 60% das vendas.
O emprego cresceu a taxas inferiores às do faturamento das empresas respectivas, indicando aumento de produtividade e caracterizou-se pela sua elevada qualificação. Os funcionários com formação superior chegaram a representar, em 1990, 33,5% do total de empregados das empresas nacionais e 55,7% do quadro funcional das empresas estrangeiras. Entretanto, nestas últimas os dispêndios em P&D mostraram-se inferiores aos de suas congêneres nacionais que, mesmo assim, foram reduzidos em termos internacionais (3,7% do faturamento nas empresas de capital estrangeiro e 6% nas nacionais, em1990).
Realizando uma avaliação geral da competitividade internacional de ambos tipos de empresas, concluiu-se, a partir dos indicadores de desempenho disponíveis, que ela foi significativa entre as filiais estrangeiras e reduzida na quase totalidade dos segmentos abastecidos pelos fabricantes nacionais - a principal exceção é dada pelo segmento de automação bancária. Destaca-se, no entanto, o importante potencial associado às capacitações tecnológicas desenvolvidas por estas empresas a nível das atividades de projeto de produtos e, em menor medida, nos processos produtivos. Além disso, as empresas realizaram um significativo processo de aprendizado na montagem de redes nacionais de comercialização e prestação de serviços aos usuários.
No período posterior à posse do governo Collor, a indústria de informática enfrentou uma drástica queda no valor das suas vendas, acompanhada por uma significativa diminuição nos seus preços e margens de lucro - tabela 2 e gráfico 1. Em parte como consequência disto, observaram-se drásticos cortes de pessoal, os quais foram ainda mais acentuados nos departamentos de P&D das empresas nacionais. Com efeito, estas empresas substituiram a maior parte dos seus produtos projetados localmente por modelos importados com base em acordos de distribuição ou transferência de tecnologia. Paralelamente, foram desativadas uma grande parcela das atividades industriais das empresas nacionais, que na maior parte dos casos passaram a montar kits adquiridos em regime SKD. Como consequência destes acontecimentos, a já reduzida competitividade das empresas brasileiras de informática viu-se dificultada pela redução do valor agregado localmente nos produtos comercializados que, no entanto, experimentaram consideráveis diminuições nas suas relações preço/desempenho.
TABELA 2
RECEITA OPERACIONAL BRUTA DAS EMPRESAS LÍDERES DA INDÚSTRIA DE EQUIPAMENTOS DE PROCESSAMENTO DE DADOS
(1988/91)
(US$ Milhões)
Tipo de Empresa 1988 1989 1990 1991
Empresas Nacionais* 490,5 653,1 560,6 467,7 Empresas Estrangeiras** 1418,3 1779,0 1770,9 1786,5 Lucro Líquido das Empresas Nacionais* 5,4 19,6 -31,6 -28,3 * Itautec Informática, Sid Informática, Elebra Informática, Edisa e Microtec.
** IBM e Unisys.
Fonte: EXAME, Maiores e melhores, vários números.
GRÁFICO 1
INFORMÁTICA: VARIAÇÃO DO FATURAMENTO LÍQUIDO (1989/92) 0 5 0 0 1 0 0 0 1 5 0 0 2 0 0 0 2 5 0 0 3 0 0 0 228 392 389 602 544 1190 205 195 122 357 263 1864 2275 Automação Bancária Automação Industrial M i c r o e l e t r ô n i c a M i c r o i n f o r m á t i c a P e r i f é r i c o s Processamento de Dados T e l e i n f o r m á t i c a 2253 US$ Milhões 1 9 8 9 1 9 9 2 ( e s t i m a t i v a )
Fonte: SCT/DEPIN, maio de 1992.
2.2. Oportunidades e Obstáculos à Competitividade
O Quadro 3 resume a avaliação da competitividade da indústria brasileira de informática, indicando principais obstáculos e oportunidades no âmbito da empresa, do setor e do meio ambiente econômico.
QUADRO 3
OBSTÁCULOS E OPORTUNIDADES PARA O AUMENTO DA COMPETITIVIDADE DA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE INFORMÁTICA
OBSTÁCULOS OPORTUNIDADES
Fatores Empresariais - Leque restrito de produtos com projeto nacional
- Limitada experiência em "projeto para a manufatura" - Difusão incipiente de equipamentos automatizados nos processos produtivos
- Difusão incipiente de técnicas modernas de gestão da produção
- Limitada experiência em atividades de integração de sistemas
- Limitada experiência com operações externas
- Disponibilidade de mão-de-obra qualificada para as atividades de marketing e suporte (antigo pessoal de P&D) - Significativa participação de grupos econômicos nas empresas líderes da indústria
- Elevada capacidade financeira das empresas transnacionais presentes na indústria
- Disponibilidade, nas principais empresas, de redes nacionais de distribuição e suporte
- Familiaridade com alguns importantes mercados verticais - Facilidade de acesso a parcerias com fabricantes estrangeiros
Fatores Estruturais - Reduzida sofisticação dos usuários locais
- Reduzida difusão da cultura de processamento distribuído
- Reduzida difusão de arquiteturas padronizadas (fora do segmento de microcomputadores)
- Reduzido aproveitamento de sinergias com empresas de outros setores do complexo eletrônico
- Vulnerabilidade da rede de fornecedores constituída durante a PNI
- Inadequação da oferta externa às características dos usuários locais
- Aumento no grau de concentração da indústria nacional
- Possibilidades de interagir com empresas nacionais de microeletrônica (no projeto de ASICs, por exemplo)
Fatores Sistêmicos - Deficiências infraestruturais várias (educação, C&T,
telecomunicações)
- Insuficiência do suporte governamental às exportações
- Acesso, em condições inéditas, à oferta internacional de partes, peças e componentes
- Existência de programas de suporte aos investimentos em modernização produtiva e P&D
Fonte: Elaboração própria.
Com base na análise dos fatores de sucesso das empresas líderes internacionais nos principais segmentos da indústria de informática (Quadro 2) - e considerando os principais obstáculos e oportunidades enfrentados pelas empresas brasileiras para o incremento da sua competitividade (Quadro 3), formulam-se algumas considerações sobre as estratégias que poderiam ser implementadas com o objetivo de construir uma inserção internacional competitiva para a indústria brasileira de computadores e periféricos. Neste sentido, o quadro 4 apresenta sucintamente estas estratégias, assinalando os fatores de competitividade mais importantes em cada segmento.
No caso dos computadores de médio e grande porte, parte-se da premissa de que a fabricação local destes produtos dificilmente poderá ser realizada por empresas nacionais que não disponham de parceiros estrangeiros detentores das respectivas tecnologias. As tendências internacionais e a experiência passada indicam que as únicas exceções poderão ser encontradas em certos nichos de mercado, caracterizados por escalas relativamente reduzidas: "servidores" dedicados, supermicros multiprocessadores com sistemas "abertos", etc. Desta forma, as perspectivas de incremento da competitividade internacional da indústria brasileira nos segmentos de computadores de médio e grande porte subordinam-se à decisão das empresas estrangeiras de
implantar no país plataformas de exportação para os mercados regional e mundial, aproveitando ou não parcerias com empresas nacionais. A IBM, cabe notar, já realiza exportações significativas e possui em Sumaré (SP) uma base industrial tecnologicamente atualizada (recentemente ampliada com a implantação de uma linha de montagem de placas com tecnologia SMD). Verifica-se, além disso, a presença no país de outras empresas líderes a nível internacional que, mesmo não dispondo, no momento atual, de uma base industrial ativa e atualizada tecnologicamente, poderiam ser estimuladas a investir com vistas a utilizar suas plantas locais para abastecer o mercado latino-americano, especialmente o do Mercosul.
QUADRO 4
ESTRATÉGIAS E FATORES DE COMPETITIVIDADE NOS PRINCIPAIS SEGMENTOS DA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE INFORMÁTICA
SEGMENTO ESTRATÉGIAS TIPO DE EMPRESA
PRINCIPAIS FATORES DE COMPETITIVIDADE (Atuais ou Potenciais) Computadores de
Médio e Grande Porte
Constituição de plataformas de exportação para o merca-do regional e mundial
Estrangeira
(em parceria ou não com empresas nacio-nais)
- Presença no país de filiais de empresas estran-geiras líderes
- Possibilidade de utilizar o Brasil como for-necedor principal do Mercosul
- Base industrial no "estado da arte" internacio-nal já disponível (em pelo menos uma empresa) - Experiência na realização de exportações a par-tir do Brasil
Oferta de serviços de inte-gração de sistemas para o mercado local e internacio-nal
Nacional e estrangeira (em parceria ou não)
- Presença no país de filiais de empresas estran-geiras líderes e grande número de parcerias com empresas nacionais
- Grande disponibilidade de mão-de-obra qualifi-cada e baixo custo da mesma em termos inter-nacionais
- Experiência no fornecimento de alguns merca-dos "verticais" (o bancário, principalmente) Computadores de
Pequeno Porte
Fabricação de produtos de baixo custo com arquitetu-ras e componentes padroni-zados, para o mercado local e internacional
Nacional - Possibilidade de desenvolver a capacidade de manufatura das empresas nacionais para níveis de excelência internacional
- Existência de fornecedores locais competitivos de partes e peças metálicas e plásticas (entre outras)
- Disponibilidade de mão-de-obra com elevada qualificação (e baixo custo) para as atividades de projeto, o que permitiria a permanente atuali-zação tecnológica das linhas de produtos - Possibilidade de utilizar formas "baratas" de comercialização no mercado internacional (acor-dos com distribuidores estrangeiros, vendas de tipo "OEM", etc.)
Periféricos Fabricação de produtos com tecnologias "maduras" (ter-minais e monitores de ví-deo, impressoras matriciais, etc.) com baixo custo e ele-vada atualização tecnológi-ca para o mertecnológi-cado lotecnológi-cal e internacional
Nacional - Os mesmos que no caso dos computadores de pequeno porte
Uma segunda estratégia que poderia ser implementada com sucesso no segmento em questão é a da oferta, em condições competitivas, de serviços de integração de sistemas. Atualmente, nas principais empresas nacionais e estrangeiras estabelecidas no país, estas atividades encontram-se num estágio incipiente de desenvolvimento. No entanto, as tendências internacionais indicam que se trata de uma área de negócios com elevadas perspectivas de crescimento e que requer uma intensa interação entre produtores e usuários. Já familiarizadas com as necessidades específicas destes últimos, as empresas com longa atuação no mercado brasileiro encontram-se numa situação privilegiada para estabelecer parcerias, tanto com os fornecedores nacionais e estrangeiros dos equipamentos e programas a serem "integrados", quanto com os principais usuários locais. A principal vantagem detida pelo Brasil na área de integração de sistemas vincula-se à disponibilidade de um grande contingente de mão-de-obra qualificada a um custo relativamente reduzido em termos internacionais. Neste sentido, existe uma grande quantidade de antigos engenheiros projetistas de hardware e software que, após a desativação da maior parte das equipes de P&D das empresas nacionais, desenvolvem atualmente atividades pouco intensivas em tecnologia - muitas vezes de natureza estritamente comercial - e que poderiam ser aproveitados na área de integração de sistemas. Na medida em que esta venha a se desenvolver de forma adequada, além disso, o Brasil poderia passar a exportar os serviços em questão - para o mercado latinoamericano, por exemplo.
Nos segmentos de periféricos e computadores de pequeno porte (basicamente microcomputadores), as empresas estrangeiras com presença no Brasil limitam-se, pelo menos até o momento atual, à comercialização de produtos importados. As empresas nacionais, no entanto, encontram-se em condições de investir na fabricação de produtos competitivos, focalizando as faixas de mercado caracterizadas, no caso dos micros, pela elevada padronização das arquiteturas e componentes utilizados e, nos segmentos de periféricos, pelo relativo amadurecimento das tecnologias em questão (monitores, terminais, impressoras matriciais, etc.). Em ambos os casos, o principal fator de sucesso destas estratégias situa-se no desenvolvimento das tecnologias de processo produtivo, de maneira a obter reduções de custos e melhorias de qualidade que permitam realizar as primeiras incursões no mercado internacional com produtos situados na faixa de menor preço, aproveitando acordos com distribuidores estrangeiros ou vendas em regime "OEM". Entretanto, na medida em que o Brasil conta com um significativo contingente de mão de obra qualificada a preços relativamente baixos, as linhas de produtos poderiam evoluir de maneira a alcançar uma certa diferenciação tecnológica para os produtos em questão, o que permitiria elevar as margens de lucro nas vendas externas e, eventualmente, utilizar a própria marca na efetivação das mesmas.
3. PROPOSIÇÃO DE POLÍTICAS
Tendo em vista o objetivo principal de elevar a competitividade internacional da indústria brasileira de informática, o quadro sinótico abaixo apresenta as propostas de ações a serem tomadas em três níveis: estrutural, empresarial e sistêmico.
Entre as primeiras, destacam-se as ações dirigidas a atrair investimentos externos, estimular a oferta de serviços de manufatura, fomentar a capacitação técnica das empresas dedicadas à integração de sistemas na área de informática, utilizar o poder de compra estatal para promover o desenvolvimento tecnológico nacional, ampliar o papel a ser representado, com o mesmo objetivo, pela FINEP, intensificar a cooperação entre setor privado e centros de ensino e pesquisa e apoiar, através do BNDES, a capitalização das empresas do setor.
Quanto ao segundo nível de recomendações, vinculadas à modernização produtiva do setor de informática, propõe-se ações dirigidas a promover uma maior incorporação de equipamentos de automação e modernas técnicas de gestão nos processos produtivos e ações orientadas para o estímulo às atividades de P&D.
Finalmente, no terceiro nível de recomendações, relacionadas com os fatores de competitividade de caráter sistêmico, abordam-se aspectos relacionados às políticas de financiamento governamental, ao maior aproveitamento do SENAI pelas empresas do setor, à infraestrutura de telecomunicações, à regulamentação da atividade das empresas de informática na Zona Franca de Manaus, ao controle da lisura das operações no comércio exterior, ao monitoramento dos certificados de origem no âmbito da Aladi e Mercosul, às políticas de fomento às exportações, ao combate às importações ilegais, ao restabelecimento da isonomia entre produtos nacionais e importados nas vendas para universidades e ao estímulo às compras locais de componentes eletrônicos.
3.1. Proposição de Políticas para Informática - Quadro Sinótico
AGENTE/ATOR OBJETIVOS / AÇÕES DE POLÍTICA
EXEC LEG EMP TRAB ASSOC ACAD
1. Reestruturação Setorial
Objetivo: Atrair novos investimentos estrangeiros
Ação: - negociação de incentivos fiscais cialmente direcionados para as sas estrangeiras que realizem no país
investimentos industriais ou em P&D X X X
Objetivo: Estimular a oferta de serviços de manufatura
Ações: - criação de linha de financiamento recionada para a capitalização das empresas deste segmento X - aumento dos investimentos das
sas do segmento X
- desoneração de carga tributária destes
investimentos X X
Objetivo: Estimular o desenvolvimento das ativida-des de integração de sistemas sem preju-dicar os segmentos industriais do setor
Ações: - aplicação dos incentivos da Lei 8248/91 às empresas fornecedoras de serviços de integração de sistemas X - aumento dos investimentos das empresas
na área de Integração de Sistemas X
Objetivo: Promover o desenvolvimento local de no-vas tecnologias de produto e processo produtivo através do direcionamento das compras públicas
Ações: - regulamentação do artigo 3ºda Lei 8248/ 91, estabelecendo como critério para a medição do "significativo valor do local", o Processo Produtivo Básico (PPB) fixado pela Portaria 101 do MICT com o MCT e, alternativamente, no caso das empresas estrangeiras, graus de cionalização de 50% para seus produtos X - estabelecimento, nessa regulamentação, de que o preço do produto a ser lhido não supere em mais de 6% o de
seus concorrentes X
- no caso de produtos desenvolvidos e bricados no país e que estejam situados na mesma "faixa" de preço (no máximo 6% acima do produto mais barato), deverão ser preferidos os das empresas que atendam às normas da série I9000 da ABNT (pelo menos após um período de 24 meses desde a regulamentação da Lei) e sejam baseados em sistemas abertos
AGENTE/ATOR OBJETIVOS / AÇÕES DE POLÍTICA
EXEC LEG EMP TRAB ASSOC ACAD
Objetivo: Intensificar a cooperação entre empresas do setor e centros de ensino e pesquisa na área de informática
Ações: - implementação de projetos direcionados para a absorção, em conjunto com sas privadas, de pacotes tecnológicos que permitam o desenvolvimento e/ou fabricação no país de novas gerações
de produtos X X X X
- promover acordos de licenciamento ou compra de patentes de tecnologias não disponíveis no país por consórcios de empresas privadas e centros de ensino
e pesquisa X X X X
- reformulação do papel do CTI, cendo seus vínculos com empresas das de informática através de projetos de desenvolvimento conjunto de novos produtos e tecnologias (financiamento conjunto e compartilhamento de
ratórios) X X X X
- ampliação da dotações orçamentárias e quadro funcional do CTI, em consonância
com seu maior escopo de atuação X X
Objetivo: Ampliar o papel representado pela FINEP no apoio ao desenvolvimento tecnológico no setor de Informática
Ações: - ampliação das linhas de financiamento para o setor de informática X - priorização de projetos que levem ao avanço da fronteira da ciência e da técnica nacionais, que apresentem pectivas de aproveitamento comercial (principalmente no desenvolvimento de novas gerações de produtos) e que cluam a atuação cooperativa de empresas privadas e instituições de pesquisa
(CTI em particular) X X X
- estímulo às empresas que desenvolvam novas gerações de produtos situadas no estado da arte da tecnologia nacional, através da realização de "encomendas pioneiras" (compra da primeira série) a serem articuladas com usuários do
setor público X
Objetivo: Ampliar o papel representado pelo BNDES no apoio à capitalização das empresas de informática
Ações: - ampliação das linhas de financiamento para o setor de informática X - direcionamento dos recursos para presas que estejam investindo em vidades geradoras de valor industrial ou vinculadas ao vimento de novos produtos e sistemas
(soluções) X
- priorização de projetos que apresentem
AGENTE/ATOR OBJETIVOS / AÇÕES DE POLÍTICA
EXEC LEG EMP TRAB ASSOC ACAD
2. Modernização Produtiva
Objetivo: Aumentar o grau de automação dos proces-sos produtivos das empresas brasileiras de informática
Ações: - aumento dos investimentos em capital
fixo das empresas do setor x
- desoneração de carga tributária destes
investimentos x x
- estabelecer critérios precisos para a forma de aplicação das isenções do IPI estabelecidas pela regulamentação do artigo 4ºda Lei 8248/91, de maneira a que, na venda de sistemas, sejam ficiados com a isenção apenas os sistemas cuja produção tenha obedecido
ao PPB x
- fixar um prazo de 18 meses para a ceção estabelecida em relação às placas montadas com componentes SMD - riormente, a sua produção também deverá
obedecer ao PPB x
- criar, nas empresas, mecanismos de formação aos trabalhadores sobre as inovações pretendidas e negociar quemas de realocação da mão-de-obra deslocada pela introdução de
mentos de automação x x
Objetivo: Aumentar o grau de difusão de modernas técnicas de gestão da produção nas em-presas brasileiras de informática
Ações: - aumento dos investimentos em novas nicas de gestão por parte das empresas
do setor x x x
- estabelecimento de acordos nais para ao reconhecimento mútuo dos certificados de conformidade com as normas ISO 9000 fornecidos no Brasil e
no exterior x x x
- inclusão, nos currículos dos cursos de formação técnica e superior dos para a área de informática, de disciplinas que focalizem as modernas técnicas de gestão da produção
zadas no setor, com ênfase na qualidade X X - criação, nas empresas, de programas de
suplementação de educação básica para
a mão-de-obra direta X X
- criação de programas de treinamento voltados para a implantação de fias de garantia de qualidade, síveis ao total de funcionários das
AGENTE/ATOR OBJETIVOS / AÇÕES DE POLÍTICA
EXEC LEG EMP TRAB ASSOC ACAD
Objetivo: Estimular as atividades locais de P&D
Ações: - aumento dos investimento em P&D por
parte das empresas do setor x - alteração na regulamentação do artigo
6º da Lei 8248/91, de maneira a tir o crédito fiscal diferido indo correção monetária) de gastos em P&D efetuados em exercícios anteriores em que, devido à ocorrência de zos nas empresas respectivas, não ve pagamento de imposto de renda (pelo que os gastos em questão não foram
creditados) x x
- elaboração de um plano de mento científico e tecnológico para o setor de informática, estabelecendo jetivos de curto, médio e longo prazo a serem atingidos no âmbito da capacidade local de projeto e fabricação de bens de informática, e especificando ações necessárias ao cumprimento desses
tivos, nas órbitas pública e privada x x x x
3. Fatores Sistêmicos
Objetivo: Criar mecanismos de financiamento para empresas de base tecnológica que não disponham de garantias reais
Ação: - abertura de uma linha de crédito pecial para este tipo de empresas por parte de instituições de crédito
derais x
Objetivo: Criar mecanismos de formação e reciclagem da mão-de-obra com menor nível de quali-ficação de maneira a viabilizar a moder-nização produtiva das empresas
Ação: - criar, no SENAI, programas de mento para os trabalhadores do setor de informática, de maneira a oferecer suporte aos programas de formação
ternos às empresas x x x
Objetivo: Aprimorar a infraestrutura de telecomuni-cações de maneira a viabilizar uma maior difusão do teleprocessamento
Ações: - aumentar os investimentos do sistema
Telebrás x
- criar comissão do MCT com o MINICON, com o objetivo de buscar soluções que permitam paliar os efeitos negativos do alto custo e má qualidade dos viços de telecomunicações (em cular transmissão de dados) sobre as atividades de P&D em informática x
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EXEC LEG EMP TRAB ASSOC ACAD
Objetivo: Generalizar o cumprimento do PPB como condição de acesso a incentivos fiscais para as empresas do setor de informática
Ações: - exigência de cumprimento do PPB pelas empresas de informática estabelecidas na Zona Franca de Manaus X - negociação de uma lista única de cessões à exigência de cumprimento do PPB na Zona Franca de Manaus e no resto
do Brasil X
- estabelecer critérios únicos de lização do cumprimento do PPB na Zona Franca de Manaus e no resto do Brasil X
Objetivo: Criar mecanismos de controle de fraudes nas operações de importação ou exportação (via sub ou super-faturamento das mesmas)
Ação: - aumentar a transparência dos bancos de dados sobre comércio exterior, de maneira a permitir seu monitoramento pelos órgãos representativos das
presas do setor X X
Objetivo: Harmonizar os acordos alcançados no âm-bito do Mercosul com a política indus-trial brasileira
Ações: - negociar o estabelecimento de uma rifa de exceção de 35% para o setor de
informática X
- incluir o PPB exigido no Brasil para o acesso aos incentivos da Lei 8248/91 como condição para a concessão de
tificados de origem X
- criar comissão integrada por tantes do governo e do setor privado para fiscalizar o cumprimento dos
dos no âmbito da Aladi e do Mercosul X X
Objetivo: Ampliar a política de fomento às expor-tações
Ações: - criar mecanismos de compartilhamento, entre as empresas, dos gastos de gem e manutenção da infra-estrutura mercial e de prestação de serviços cessária à venda de produtos de
mática nacionais em mercados externos X X - maior aproveitamento da rede de
sentações diplomáticas brasileiras na promoção dos produtos nacionais X - criação de um órgão governamental cificamente dedicado à promoção das portações brasileiras, através da lização de estudos de mercado, contatos comerciais e da divulgação de
AGENTE/ATOR OBJETIVOS / AÇÕES DE POLÍTICA
EXEC LEG EMP TRAB ASSOC ACAD
Objetivo: Reduzir as importações ilegais de produtos de informática
Ações: - criar mecanismos de articulação entre os vários organismos que participam da pressão ao contrabando - em particular, Receita e Polícia Federal X - realizar operações periódicas de calização junto às empresas com notória atuação no comércio ilegal de produtos
de informática X x
- excluir de licitações de orgãos públicos e aplicar ações anti-dumping a empresas estrangeiras cujos produtos tenham sido apreendidos por comércio ilegal em forma
reiterada X
Objetivo: Restabelecer a isonomia entre produtos fabricados no país e importados, nas ven-das a Universidades
Ação: - criar mecanismo equivalente ao draw back que operaria nas vendas a universidades, isentando do imposto de importação tes, peças e componentes utilizados na fabricação dos produtos respectivos X
Objetivo: Estimular o direcionamento das compras de componentes microeletrônicos para os for-necedores locais
Ação: - regulamentar através de portaria ministerial (MCT e MICT) o incentivo de isenção de IPI conferido pelo artigo 4º da Lei 8248/91 para os componentes microeletrônicos com "significativo lor agregado local", estabelecendo como PPB mínimo as atividades de montagem, encapsulamento e teste das pastilhas
semicondutoras X
Legendas: EXEC - Executivo LEG - Legislativo
EMP - Empresas e Entidades Empresariais TRAB - Trabalhadores e Sindicatos
ASSOC - Associações Civis ACAD - Academia
4. INDICADORES DE COMPETITIVIDADE
O Quadro 5 lista variáveis que deveriam ser utilizadas para o monitoramento da eficiência, capacitação e desempenho das empresas brasileiras de informática, de maneira a avaliar os resultados das políticas implementadas sobre a capacidade das empresas brasileiras de construir e sustentar posições estáveis num contexto de crescente integração ao mercado internacional.
QUADRO 5
INDICADORES DE COMPETIVIDADE PARA O SETOR DE INFORMÁTICA
MEDIDAS DE EFICIÊNCIA MEDIDAS DE CAPACITAÇÃO MEDIDAS DE DESEMPENHO
- Evolução do "yield" das linhas de montagem de placas de circuito im-presso e produto final
- Evolução do número de giros de estoque por ano
- Evolução dos "lead-times" e tem-pos de "set-up" das linhas
- Tamanho e composição por atividade das equipes de P&D
- Gastos em P&D / faturamento bruto
- Participação dos produtos desenvolvidos inter-namente no faturamento bruto
- Participação dos produtos fabricados interna-mente no faturamento bruto
- Participação dos produtos comercializados com a própria marca no faturamento bruto
- Número, custo e idade dos equipamentos de automação disponíveis nas linhas de produção - Participação das placas (ou componentes) mon-tadas automaticamente no total de placas (ou componentes) montadas internamente por ano
- Evolução do faturamento bruto e líquido
- Exportações: evolução do seu valor e composição
- Participação no mercado local das principais linhas de produtos
APRESENTAÇÃO
O objetivo desta nota é avaliar a competitividade da indústria brasileira de informática e sugerir medidas para seu incremento. Após realizar um apanhado da evolução recente da indústria internacional de informática, o primeiro capítulo analisa as suas principais características e tendências estruturais. A seguir, abordam-se as estratégias competitivas das empresas líderes e descrevem-se as barreiras à entrada vigentes nos seus vários segmentos. Posteriormente, discutem-se os fatores de competitividade que se apresentam como mais importantes nestes últimos e relatam-se as políticas governamentais implementadas pelos principais países industrializados, assim como por Taiwan, Coréia e México.
Passando à consideração da competitividade da indústria brasileira de informática, realiza-se, no segundo capítulo, uma descrição do perfil por ela assumido no final da década de oitenta e das mudanças ocorridas após a posse do governo Collor. Discutem-se, neste sentido, os seus níveis de competitividade internacional antes e depois dessas mudanças e abordam-se os obstáculos e oportunidades enfrentados atualmente para o incremento dos mesmos.
No terceiro capítulo, listam-se ações concretas a serem adotadas com o objetivo de promover o aprimoramento das condições de competitividade da indústria brasileira de informática, nas órbitas estrutural, empresarial e sistêmica.
Algumas variáveis adequadas à construção de indicadores de competitividade são apresentadas no quarto capítulo, sendo que no quinto e último sintetizam-se as principais conclusões sugeridas por esta nota técnica.
Para a realização deste estudo foram visitadas as seguintes instituições/empresas: Abinee (Fabian Yaksic), Alfa Digital (Daniel Feder), Automática (workshop com Diretores e Conselheiros), CTI (Artur Catto e Rubens Sewaybricker), Dieese / Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos (Eduardo Rocha), Digital Equipment Corporation (Ronaldo Foresti), Digilab/Scopus (Candido Leonelli e Wilson Rugiero), Elebra Computadores (José Fernandez Paoletti), Fujitsu (Hayashi Takano), IBM (Sérgio Moura), Itaucom (Tshihiko Komatsu), Itaú Planejamento e Engenharia (Cláudio Vitta e José Roberto de Luca), Itautec (Geraldo Amorim e Marco Antonio Filippi), Microtec (Rui Campos), Rima Impressoras (Paulo Aratangy), SEPIN/MCT (Antonio Augusto Cunha de Souza), SPI/MICT (Andre Rivola), Sid Informática (Arthur Steiner), Sid Microeletrônica / Vertice (Vanda Scartezini), Sistema (Pietro Biseli), TDA (Carlos Rocha)
1. TENDÊNCIAS INTERNACIONAIS DA COMPETITIVIDADE
1.1. Evolução Recente da Indústria de Informática a Nível Internacional
O mercado mundial de informática totalizava, no final da década de oitenta, cerca de US$ 330 bilhões - gráfico 1. Nos EUA, estimava-se que, em 1990, o setor em questão representaria cerca de 26% do conjunto da indústria eletrônica, prevendo-se que essa parcela evoluisse para 32% no ano 20001.
GRÁFICO 1
MERCADO MUNDIAL DE INFORMÁTICA (1980/89) 0 5 0 1 0 0 1 5 0 2 0 0 2 5 0 3 0 0 3 5 0 4 0 0 1 1 9. 9 1 3 0. 3 1 4 7 1 6 2 .4 1 8 7 . 1 2 1 3 . 7 2 3 8 .2 2 7 0 . 2 3 0 4 3 3 1 . 8 U S $ Bilhões 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 Anos ME RCADO MU N DIAL
Fonte: Malerba et alii (1990), pp.2-101.
As vendas da indústria eletrônica, por sua vez, tinham apresentado, ao longo da década de oitenta, as maiores taxas de crescimento da indústria manufatureira americana (11,2% cumulativo anual entre 1977 e 1987) superando amplamente as indústrias química e automobilística (cujas taxas de crescimento eram de 5,2% e 5,0%, respectivamente), únicas a apresentarem, nesse período, maiores volumens de vendas que a eletrônica2. Em 1992, segundo dados do Departamento de Comércio americano, as vendas da indústria eletrônica já seriam 40% maiores que as da indústria automobilística, sendo que para 1993 a previsão é de que elas também superem as da indústria química, o que levaria a eletrônica à posição de maior setor industrial dos EUA3.
1 Electronics, December 11, 1989, p.28.
2 U.S. Department of Commerce (1990), p.8. Cabe notar que a indústria aeronáutica é a única que apresenta um ritmo de crescimento próximo ao da eletrônica (11.1% no mesmo período). No entanto, o valor das suas vendas era de US$ 75 bilhões em 1987, frente a cerca de US$ 200 bilhões para a indústria eletrônica.
3 Os dados em questão são citados em Datamation, june 15, 1992, p.14. Estima-se que as vendas da indústria eletrônica americana teriam sido de US$ 287 milhões em 1992 (US$ 205 milhões no caso da indústria automobilística) e alcançariam US$ 322 milhões em 1993 (US$ 318 milhões no caso da indústria química). Em termos de emprego, cabe notar, a indústria eletrônica já era, em 1987, a maior empregadora da indústria
Tradicionalmente, a indústria de informática contava-se entre os segmentos mais dinâmicos da eletrônica, explicando uma grande parte do desempenho favorável desta última. Entretanto, nos últimos anos verificou-se uma substancial desaceleração no seu crescimento, não vinculada, aparentemente, a fatores de natureza exclusivamente conjuntural. Assim, estima-se que entre 1990 e 2005 a produção real da indústria de informática americana - subtraindo-se a inflação e a deflação - irá experimentar um crescimento cumulativo anual de 7,6%, amplamente inferior à taxa de 31,8% calculada para o período 1975/19904.
GRÁFICO 2
100 MAIORES EMPRESAS DE INFORMÁTICA MERCADO MUNDIAL (1985/91) 0 5 0 1 0 0 1 5 0 2 0 0 2 5 0 3 0 0 3 5 0 16 0 1 7 6 , 9 2 0 8 , 9 2 4 3 , 1 2 5 5 , 8 2 7 8 , 5 2 9 0 1 9 8 5 1 9 8 6 19 8 7 1 9 8 8 1 9 8 9 19 9 0 1 9 9 1 U S $ B i l h o e s A n o s A n o s Faturamento em Informática
Fonte: Datamation, junho de 1990 e 1992.
A desaceleração ocorrida não é privativa dos fabricantes norteamericanos - cuja parcela da produção global situa-se entre 45% e 50%, dependendo da definição adotada para o setor de informática5. Com efeito, já em 1989 verifica-se uma clara diminuição no ritmo de crescimento das receitas do setor a nível mundial, sendo que a queda acentua-se em 1991 - tabela 1 e gráfico 2. As 25 maiores empresas europeias, em particular, chegaram a experimentar taxas de crescimento negativas em 1989 e 1991, enquanto as suas congêneres americanas viram as suas receitas aumentaram em 8,25% e 1,07% respectivamente, o que contrasta como crescimento de 12,95%
manufatureira americana, com 9% do total de mão de obra ocupada por esta última. U.S. Department of Commerce (1990), p.9.
4 Dados do Departamento de Comércio dos EUA, citados em Datamation, june 15, 1992, p.14. Espera-se também, até o ano 2005, uma diminuição de 1% por ano no emprego total fornecido pela indústria americana de informática. Só em 1991, observou-se uma queda de 6% no emprego oferecido por essa indústria, sendo que em 1992 essa queda foi estimada em 4,3%.
5 National Research Council (1990), p. 5. A participação americana é de cerca de 50% se considerados apenas as receitas advindas das vendas de sistemas de computador (hardware e periféricos) e de 45% se incluidos também o software, os serviços, a manutenção e o leasing. Segundo dados de International Data Corporation (IDC) citados em Fortune, june 17, 1991, p.43, em 1990, a parcela dos EUA era de 60% no mercado mundial de hardware e de 70% no mercado mundial de software e serviços. Em conjunto, ambos mercados teriam totalizado, segundo os dados de IDC, US$ 307 bilhões. No caso do hardware, o Japão controlaria 17% do mercado mundial, cabendo 16% à Europa e 7% ao resto do mundo. As estimativas da revista Electronics - ver tabela 2 -, referentes ao mercado de computadores e equipamentos de escritório, dão conta de uma menor participação americana no mercado mundial: da ordem de 50% considerando-se apenas os países desenvolvidos.
observada 1988 - gráficos 4 e 5. Já as empresas originárias da Asia foram as menos afetadas, sendo que após uma forte desaceleração das suas vendas em 1989, elas mostraram taxas de crescimento crescentes nos dois anos seguintes - gráfico 3. Nos anos anteriores, deve-se frisar, as empresas japonesas vinham experimentando um desempenho claramente superior ao de suas concorrentes norteamericanas. Assim, entre 1984 e 1988, as suas receitas mundiais no setor de informática tinham crescido a uma taxa cumulativa anual de 45%, bem acima do 10% das empresas americanas6.
TABELA 1
INDÚSTRIA DE INFORMÁTICA: TAXAS DE CRESCIMENTO DAS VENDAS NO MERCADO INTERNACIONAL
MERCADO / ANO 1986 1987 1988 1989 1990 1991 MEDIA MERCADO MUNDIAL 11.46 13.43 12.51 9.14 n.d. n.d. 11.64 (1986/1989) EUA n.d. 14.87 22.63 7.75 6.30 n.d. 12.89 (1987/1990) 100 MAIORES EMPRESAS 10.56 18.09 16.37 5.22 8.87 4.09 10.53 (MERCADO MUNDIAL) (1986/1991) EUA: 25 MAIORES n.d. n.d. 12.95 8.25 8.35 1.07 7.65 (1988/1991) EUROPA: 25 MAIORES n.d. n.d. 10.81 -7.80 10.58 -17.22 -0.91 (1988/1991) ÁSIA: 25 MAIORES n.d. n.d. 32.09 8.10 14.17 17.83 18.05 (1988/1991)
Fonte: Datamation, 15 de Junho de 1990 e 1992, 15 de Julho e 15 de Setembro de 1992, Malerba et alii (1990), pp. 2/101 e Electronics, janeiro de 1988, 1989 e 1990.
Quanto aos fabricantes originários de países situados fora do "mundo desenvolvido", deve-se destacar o caso das empresas oriundas de Taiwan, Coréia, Hong Kong e Singapura, dedicadas, principalmente, à fabricação, para o mercado externo, de computadores de pequeno porte e seus periféricos. As estratégias perseguidas por estas empresas assim como as políticas governamentais praticadas nos países respectivos serão comentadas adiante. Cabe notar, no entanto, que o ingresso dessas empresas no mercado internacional ocorreu, em geral, com base em acordos de tipo OEM com fabricantes ou distribuidores americanos, priorizando-se o aumento do volume produzido7 em detrimento das margens de lucro - extremamente reduzidas. No final da década, as empresas melhor sucedidas - Acer e Samsung, entre outras - passaram a investir pesadamente na fixação das suas próprias marcas, objetivando a redução da parcela de produtos comercializados com a marca de terceiros. Paralelamente, elas estabeleceram unidades comerciais e industriais nos EUA e na Europa e realizaram importantes esforços para evoluir as suas linhas de produtos, entrando em faixas de mercado caracterizadas por uma maior sofisticação tecnológica - servidores
6 Business Week, october 23, 1989, p. 71.
7 Dados de Dataquest citados em Business Week, november 30, 1992, p. 68, estimam a produção de PCs dos quatro países citados em mais de 7 milhões de unidades, no ano de 1990. Enquanto isso, pesquisa realizada pela revista Datamation, december 1, 1991, calcula em cerca de 5 milhões de unidades as vendas de PCs dos 20 maiores fabricantes americanos nesse ano.
de rede e workstations, entre outros. Todavia, a sua vulnerabilidade às flutuações de preços e quantidades ocorridas no mercado americano manteve-se elevada, em parte devido ao fato de que, a diferença das suas congêneres japonesas, o mercado local representou, até recentemente, uma parcela pouco significativa das suas vendas8.
TABELA 2
INDÚSTRIA DE INFORMÁTICA: MERCADO DOS PAÍSES DESENVOLVIDOS*
(US$ Milhões) PAÍS / ANO 1992 EUA 102.9 (49.9%) JAPÃO 54 (26.2%) EUROPA 49.3 (23.9%) TOTAL 206.2 (100.0%) * Estimativa.
Fonte: ELECTRONICS, janeiro de 1992.
As empresas japonesas, no entanto, não estiveram alheias à recessão que afetou à indústria americana. Em 1991, o lucro líquido das 25 maiores empresas da Asia experimentou uma queda de 38% - 46% para os 10 maiores fabricantes9. Enquanto isso, nos EUA, as 100 maiores empresas do setor viram os seus lucros líquidos diminuir 72,3% em 1991, de US$ 27,1 bilhões para US$ 7,5 bilhões. Tais lucros já tinham caído 8,3% em 1989, voltando a crescer em 1990, a uma taxa de 8,1%. A IBM, a DEC e a UNISYS tiveram, em 1991, um prejuízo conjunto superior aos US$ 5 bilhões - para um faturamento de cerca de US$ 85 bilhões10. Por sua vez, as principais empresas europeias apresentaram prejuízos ainda maiores, se avaliados em relação às suas receitas: cerca de US$ 1,4 bilhões, considerando apenas as três maiores empresas (Siemens Nixdorf, Olivetti e Groupe Bull), cujo faturamento é de cerca de US$ 19 bilhões. As filiais americanas no continente europeu, cabe notar, mostraram-se em geral lucrativas11.
8 No caso de Taiwan, em 1987, 96,4% da produção da sua "indústria de informação" era exportada. San (1989), p. 8. Na Korea, essa proporção era de 75% para os computadores e de 92% para as partes de computador. Bloom (1989), p. 17.
9 Datamation, september 1, 1992, p. 80. 10 Datamation, june 15, 1992, p. 16. 11 Datamation, july 1, 1992, p. 61.