MATRIZ CURRICULAR. para as Competências ENSINO FUNDAMENTAL - ANOS FINAIS

Texto

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para as Competências

MATRIZ CURRICULAR

ENSINO FUNDAMENTAL -

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DIREÇÃO PROVINCIAL

Provincial:

Ir. Edgar Genuino Nicodem Direção de Gestão e Ecônomo:

Ir. Olavo José Dalvit Direção de Missão:

Ir. José Kolling

Direção de Formação:

Ir. Marcelo Cesar Salami

RESPONSÁVEIS PELA MATRIZ

CURRICULAR PARA AS COMPETÊNCIAS

Comissão de Educação:

Ir. José Kolling - Coordenador Ir. Eder Polido

Ir. Rafael Alexandre Zydeck Ir. Roberto Carlos Ramos Maria Elisa Medeiros Rosilene Nogueira Silvana Menegat Fabiane Franciscone Vanessa Ramos Guimarães Silvania Lúcia Chaves Assis Grupo de Trabalho:

Ir. José Kolling

Vanessa Ramos Guimarães Rosemari Fackin

Vera Anselmi Melis Luís Vicente Ferreira Maria Regina Laner Cristina Martins

Sueli da Graça Abrão Douglas Dantas

Coordenação da Educação Básica:

Fabiane Franciscone

Assessoria Educacional 2018:

Cristiano Rodrigues

Região Centro Oeste - Sede Brasília

Irney da Silva Freitas Marques

Região Norte/Nordeste - Sede Manaus

Neide Oliveira

Região Sudoeste - Sede São Paulo

Silvania Lúcia Chaves Assis

Região Interior RS e SC - Sede Porto Alegre

Vanessa Ramos Guimarães

Região Sul - Sede Porto Alegre - Porto Alegre e Grande Porto Alegre

Comunidades Educativas - Brasil.

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APRESENTAÇÃO ...6

INTRODUÇÃO ...7

UM OLHAR HOLÍSTICO DA VIDA E DA CIÊNCIA ...8

ITINERÁRIO DA EDUCAÇÃO LASSALISTA ...11

MATRIZ CURRICULAR ...15

Elementos constitutivos da Matriz Curricular para as Competências ...16

O ENSINO FUNDAMENTAL NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA ...17

Ensino Fundamental - Anos Finais ...18

Princípios do Ensino Fundamental - Anos Finais ...19

PROPOSTA DA REDE LA SALLE NO ENSINO FUNDAMENTAL - ANOS FINAIS ...20

Desenvolvimento na Fé, no Psicossocial e Cognitivo ...21

Espaços, Tempos e Ambientes Educativos ...26

ORGANIZAÇÃO CURRICULAR...28

Áreas do Conhecimento ...29

Área de Linguagens ...29

Língua Portuguesa ...30

Competências da Área de Linguagens ...30

Práticas de Linguagens ...31

Plano de Referência das Práticas Pedagógicas ...39

6º Ano - Língua Portuguesa ...40

7º Ano - Língua Portuguesa ...47

8º Ano - Língua Portuguesa ...54

9º Ano - Língua Portuguesa ...63

Arte ...72

Dimensões do Conhecimento da Arte ...73

Unidades Temáticas do Componente Curricular Arte ...73

Plano de Referência das Práticas Pedagógicas ...74

6º Ano - Arte ...75

7º Ano - Arte ...79

8º Ano - Arte ...83

9º Ano - Arte ...86

Educação Física ...90

Unidades Temáticas do Componente Curricular Educação Física ...91

Plano de Referência das Práticas Pedagógicas ...93

6º Ano - Educação Física ...94

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7º Ano - Educação Física ...96

8º Ano - Educação Física ...98

9º Ano - Educação Física ...100

Língua Inglesa ...101

Eixos Organizadores do Componente Curricular Língua Inglesa ...104

Plano de Referência das Práticas Pedagógicas ...105

6º Ano - Língua Inglesa ...107

7º Ano - Língua Inglesa ...108

8º Ano - Língua Inglesa ...110

9º Ano - Língua Inglesa ...112

Área de Ciências Humanas ...114

Geografia ...116

Unidades Temáticas do Componente Curricular Geografia ...118

Plano de Referência das Práticas Pedagógicas ...120

6º Ano - Geografia ...121

7º Ano - Geografia ...122

8º Ano - Geografia ...124

9º Ano - Geografia ...126

História...129

Unidades Temáticas do Componente Curricular História ...132

Plano de Referência das Práticas Pedagógicas ...132

6º Ano - História ...133

7º Ano - História ...135

8º Ano - História ...137

9º Ano - História ...140

Filosofia...144

Eixos que sugerimos para o Componente Curricular Filosofia ...146

Plano de Referência das Práticas Pedagógicas ...146

6º Ano - Filosofia ...147

7º Ano - Filosofia ...148

8º Ano - Filosofia ...149

9º Ano - Filosofia ...140

Área da Ciências da Natureza ...151

Unidades Temáticas do Componente Curricular ...151

Ciências ...152

Unidades Temáticas do Componente Curricular Ciências ...153

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Plano de Referência das Práticas Pedagógicas ...153

6º Ano - Ciências ...154

7º Ano - Ciências ...155

8º Ano - Ciências ...158

9º Ano - Ciências ...160

Área da Matemática ...162

Unidades Temáticas do Componente Curricular Matemática ...164

Plano de Referência das Práticas Pedagógicas ...165

6º Ano - Matemática ...167

7º Ano - Matemática ...169

8º Ano - Matemática ...171

9º Ano - Matemática ...175

Área do Ensino Religioso ...179

Unidades Temáticas do Componente Curricular Ensino Religioso ...181

Plano de Referência das Práticas Pedagógicas ...183

6º Ano - Ensino Religioso ...184

7º Ano - Ensino Religioso ...187

8º Ano - Ensino Religioso ...191

9º Ano - Ensino Religioso ...194

ABORDAGEM METODOLÓGICA ... 198

AVALIAÇÃO ... 201

REFERÊNCIAS ... 202

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Estimados Educadores!

Vivemos hoje em um novo contexto cultural, social e educacional. Novas perguntas exigem novas respostas.

Facilmente podemos identificar, na sociedade atual, fatores que incidem decisivamente nos processos educativos.

Um mundo globalizado requer novas habilidades e competências que as propostas educativas não podem transcurar. Atentos a esses desafios, a Rede La Salle procura constantemente renovar-se em um incessante processo de fidelidade criativa às suas origens. A Matriz Curricular para as Competências é uma importante iniciativa de renovação para atender as exigências legais e os desafios do contexto atual.

A proposta da Matriz Curricular para as competências que está sendo colocada à disposição das Comunidades Educativas da Rede La Salle é, ao mesmo tempo, um ponto de chegada e um ponto de partida. Por um lado, é um ponto de chegada na medida em que é o resultado do enorme esforço de reflexão e construção coletiva, realizado em todas as Comunidades Educativas, nos últimos anos. Por outro, trata-se de um ponto de partida na medida em que a proposta precisa encontrar ressonância em cada planejamento docente, no qual efetivamente assumirá uma identidade concreta.

La Salle e os primeiros Irmãos foram audazes em configurar um novo itinerário educativo. Considerando a situação da época, particularmente as realidades emergentes, em diálogo com outras propostas pedagógicas, souberam configurar uma proposta educativa que, ainda hoje, continua sendo inspiradora e relevante. Fiéis a esse itinerário fundacional queremos ser hoje, como Rede La Salle, reconhecidos pela excelência educativa.

Constituir um diferencial na vida de crianças, jovens e adultos, mediante ações educativas de excelência, é um dos nossos desafios mais importantes. A proposta da Matriz Curricular para as Competências, que está sendo colocada à disposição dos integrantes da Rede La Salle, constitui-se em um referencial para configurar unidade na diversidade, na perspectiva de desenvolver ações educativas de excelência.

A realidade atual do nosso país requer educadores de esperança.

Educadores que não fiquem esperando passivamente diante da realidade, mas que efetivamente participem dos processos de transformação em curso. Queremos que esse seja o espírito que anime e congregue os educadores da Rede La Salle, ao dar continuidade na implantação da Matriz Curricular.

Ir. Edgar Nicodem

Provincial

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Temos a alegria em apresentar a todas as Equipes Diretivas e a todos os Colaboradores, o documento da 2ª versão da Matriz Curricular para as Competências da Rede La Salle. Foram realizados ajustes, em referência à Base Nacional Comum Curricular, com as contribuições de Educadores das Comunidades Educativas. Na configuração atual está organizado em 04 volumes e por níveis: Educação Infantil, Anos Iniciais do Ensino Fundamental, Anos Finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio.

A Matriz nos congrega a mesma missão de “educar, humana e cristãmente, as crianças, jovens e adultos” com excelência educativa, para que a “escola vá bem e ensine a bem viver”.

A Matriz Curricular tem o propósito de estimular e centrar aprendizagens significativas, em cada nível, ao longo da vida escolar dos nossos estudantes, de forma orgânica, sequencial e articulada. Aprendizagens que deem sentido e significado e possibilitem melhores condições de vida pessoal e social, transcendendo o tempo e o espaço escolar, como resposta aos desafios e às esperanças da contemporaneidade.

de aprendizagem e os campos de experiência. No Ensino Fundamental e no Ensino Médio, a Matriz está configurada por áreas do conhecimento e seus respectivos componentes curriculares.

A Matriz, na nova versão que lhes apresentamos, ainda não está completa nem acabada. Terá ajustes e melhorias ao longo dos próximos anos, sobretudo, incluindo a experiência vivenciada na aplicação dela. Ela é a base comum da Rede La Salle. Ela é um ponto de chegada e de partida. Porém não é nosso currículo.

A Matriz pode ser compreendida como a analogia entre o mapa e o território. O mapa nos permite viajar pelo território, saber onde são os pontos principais e quais as melhores formas, rotas e trajetos a se percorrer para desenvolver as aprendizagens.

Pois o mapa, não é o território. A Matriz em ação com todos os seus atravessamentos é que forma o currículo. É o percurso vivido num itinerário intencionado, planejado e articulado que configura o currículo.

Assim, a Matriz expressa e sistematiza a proposta Educativa da Rede La Salle, em

vista da excelência educativa.

A Matriz contempla a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. A sua configuração está referenciada nos princípios da organicidade, sequencialidade e articulação - progressividade e complexidade das aprendizagens. A Matriz não é o currículo, é o mapa para a efetivação do currículo.

Ir. José Kolling

Diretor de Missão

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Frente ao movimento acelerado de mudanças em todas as áreas da vida humana, nem sempre alcançamos projetar seus impactos na vida e na ciência para as próximas décadas. Analisando o cenário atual, constatamos a rápida deteriorização da qualidade de vida do planeta.

As estruturas e o modelo mental hegemônico que se legitimaram, nos últimos tempos, converteram-se em fonte de problemas na forma de organizar e regular a vida social, tornando-se fonte de dilemas, ameaças e preocupação para a sobrevivência do planeta Terra, nossa

“casa comum”. O modo de vida humano perdeu e inverteu um conjunto de valores, requerendo agora uma renovação da cultura humana, redimensionando um novo horizonte, que resgate a nossa capacidade de repensar nossas ideias, nossos modelos mentais e crenças mais arraigadas, que produziram e produzem muitas cegueiras e mazelas humanas.

Recuperar a dignidade de vida no planeta, desafia-nos a revisitar e conhecer mais profundamente o modelo mecanicista, fragmentário, utilitarista, que se fundamenta na “racionalidade científica depredadora” do nicho ecológico, e que gerou uma crise de civilização. Além de revisitar, colocar-nos no movimento de construção de uma nova cultura ecológica, ou “ecocultura” que nos permite

respeitosa com o nosso nicho ecológico.

Somos convidados a nos pautar em uma nova racionalidade holística ou sistêmica que se fundamenta na sustentabilidade, na cooperação, na interconectividade, na democracia e na espiritualidade, fortalecendo um novo entendimento da relação sustentável humanidade-natureza.

A Rede La Salle propõe uma concepção antropológica holística de pessoa em sentido integral e integradora, contemplando todas as dimensões do ser humano. A dimensão religiosa é constitutiva do ser humano. E como

requer processos de conhecimento e aprendizagem para a formação de um cidadão integral.

Por cidadão integral entende-se que são pessoas confiáveis, autônomas e responsáveis pelo seu viver e pelo que fazem, porque o fazem a partir de si;

homens e mulheres sensíveis, amorosos, conscientes de seu ser social, construtores de paz e compreensão de qualquer comunidade humana. Tais homens e mulheres podem ser assim apenas se não crescerem alienados. Se crescerem no respeito por si mesmos e pelo outro, são

porque sua identidade não está na atividade, mas em seu ser humano.

Acreditamos que a tarefa da educação é formar seres humanos para o presente, para qualquer presente, seres nos quais qualquer ser humano possa confiar e respeitar, seres capazes de pensar tudo e fazer tudo o que é preciso como um ato responsável, a partir de sua consciência social (Maturana, 2000).

Esse entendimento ou concepção holística aponta a vida como uma rede hierárquica de relações entre tudo o que existe. Reconhece o planeta como nossa casa comum, a única que temos para viver como um organismo vivo e autoconsciente.

A hipótese de “Gaia”, de James Lovelock, aponta que nosso planeta é um organismo vivo, evolutivo e autopoiético, desafiando- nos a viver de maneira responsável, interconectados e interdependentes no nicho ecológico e social. Reconhecemos que há o suficiente para todos e podemos viver com dignidade com o suficiente, no momento em que nos valemos do autoconhecimento individual e coletivo.

“Só uma humanidade que se conhece a si mesma sabe quanto é o suficiente, o que e quanto necessita para viver com bem- estar” (Nava, 1998).

A visão do paradigma holístico

inclui a transformação da consciência

humana, na busca de novas respostas aos

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Desafia o despertar de uma genuína

“espiritualidade”, “um olhar de fé”, entendida como a experiência profunda, amorosa, unificadora e significativa da nossa conexão com a totalidade da vida.

Experiência que reconhece que a vida como um “todo inseparável é sagrada”, da qual tomamos parte de forma gratuita e de maneira imanente. Nesta íntima e profunda conexão, podemos fazer e sentir a “experiência de Deus”. Assim, a

“espiritualidade” é o ponto fundamental da transformação do ser humano.

“Tudo na vida é relacional, tanto verticalmente para Deus quanto horizontalmente para o próximo. Cada um de nós tem que fazer escolhas a respeito desses relacionamentos. Para crescer e amadurecer, os relacionamentos têm que ser cuidadosamente desenvolvidos e cultivados. Cada um de nós tem que fazer escolhas a respeito do que quer acreditar e do que essas crenças representam em nossa vida” (HUNTER, 2004).

A retomada da espiritualidade não quer significar uma volta ao dogmatismo tradicional das Igrejas, onde a vida se explica pelo dogma, pela tradição, pela autoridade, pela fé entre outros.

A espiritualidade aqui é compreendida e integrada com a vida, em uma espiritualidade mais genuína. As palavras de um trecho da carta do Cacique Seatle ao Presidente dos EUA, em 1855, traduzem esta perspectiva: “A terra não pertence ao homem; é o homem que pertence a terra. Disto temos certeza.

Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si. O que fere a terra fere também os filhos da terra. Não foi o homem que teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará”

(Carlos Guimarães).

A preocupação e a reflexão do nosso modo de vida e as consequências de nossas ações que impactam e afetam todo o sistema dinâmico de nosso planeta, são uma convocação e exigência para todos. Aos que atuam no âmbito educacional, destes espera- se que ampliem a compreensão e operacionalizem modalidades e estratégias para “criar um novo modo de ser, de sentir, de pensar, de valorar, de agir, de rezar” como nos lembra Leonardo Boff (2004), ou como aponta Fritjof Capra (2002), “uma nova visão

da realidade, uma transformação fundamental de nossos pensamentos, de nossas percepções e de novos valores”, no sentido de potenciar a solidariedade e a ética, e assim, respeitar o futuro daqueles que nos precederão.

Milton Nascimento numa de suas canções expressa: “estrangeiro eu não vou ser, cidadão do mundo eu sou”.

Imbuídos desse espírito, não é mais possível nos sentir estrangeiros, se somos membros de um único território:

a “Pacha Mama”, a “Gaia”, nosso nicho ecológico. O fortalecimento desta

consciência de sermos cidadãos do mundo implica revisitar a pequenez de nossos valores culturais e crenças religiosas que acentuam e conservam as diferenças culturais, geográficas, raciais, econômicas, que por sua vez bloqueiam, impedem e enfraquecem o sentimento e a consciência de sermos “filhos de Deus”

e pertencentes à humanidade como

cidadãos planetários.

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Vale a pena tomar consciência de que o ser humano, mais que “um ser na Terra, é um ser da Terra”. Ele é a expressão, até hoje, mais complexa e singular da Terra e do cosmos conhecido.

O homem e a mulher são a Terra que pensa, que espera, que ama, que sonha e que entrou na fase de decisão não mais instintiva, mas consciente. Assim vigora uma real e total interdependência dos sistemas vivos e aparentemente não vivos. O ser humano precisa redescobrir seu lugar nesta comunidade global,

junto com outras espécies e não fora ou acima delas (Boff, 2004).

Esse autor, ainda nos aponta que a partir dessa experiência ecológico- vital é que “ganha sentido falar de Deus e de todas as coisas que têm a ver com Deus, como a religião e o sagrado”. Mais que nomear a Deus, com as diferentes e possíveis nomenclaturas e com suas hierarquias, é oportunizar a experiência da sacralidade da própria vida, aninhada dentro de sistemas de redes, que

alcançam o macrocosmo. Possivelmente o sentido de transcendência da nossa vida e da própria experiência do sagrado (divino) passa a ter outro significado nessa ampliação e compreensão da teia da vida.

O nomeado paradigma emergente fortalece e resgata esta cosmovisão e nutre a nossa responsabilidade ética.

Também faz ressurgir em nós uma atitude de encantamento, de admiração, de mistério frente à complexidade de nosso Planeta vivo e sua relação com os demais elementos do cosmos. Há muitas formas de vivenciar o encantamento e a emoção frente às maravilhas que a natureza nos apresenta. Se é aqui que aprendo, faço novas descobertas, estas devem gerar esse encantamento e admiração, pois o conhecimento emociona.

Neste sentido a espiritualidade revela-se como a capacidade de diálogo consigo mesmo e com o próprio coração e se traduz pelo amor, pela sensibilidade, pela escuta do outro, pela responsabilidade e pelo cuidado como atitudes fundamentais.

A perspectiva da ecoeducação, percebe a escola como comunidade de aprendizagem, e laboratório de fraternidade, inspirado no mandamento do amor de Jesus. Para conquistar uma educação integral, necessitamos transformar nossas escolas em sistemas

vivos que emulem os princípios e

valores inerentes aos ecossistemas,

ou nichos ecológicos com o olhar

da fé. A escola, mais que um lugar,

é comunidade de aprendizagem, de

fraternidade, é processo em que todos

os membros estão interconectados

em uma rede de relações, trabalhando

juntos, para facilitar a incorporação das

aprendizagens e a formação humana e

cristã.

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A Educação Lassalista tem uma trajetória e uma tradição educacional, que nos remete a São João Batista de La Salle e aos primeiros educadores na fundação do Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs, no século XVII na França.

Estes, atentos e impressionados pela situação de abandono dos filhos dos artesãos e dos pobres, consagraram-se a Deus e se associaram para manter juntos e por associação, as escolas cristãs, como resposta a esta situação. Trata-se de uma obra construída coletivamente, de uma comunidade que pouco a pouco foi encontrando sua razão de ser, sua identidade entrelaçada com a sua missão educativa.

Com fidelidade criativa ao carisma e à história do Instituto, os Educadores Lassalistas, em todos os contextos e épocas, souberam dialogar com o seu tempo, buscando de forma colaborativa e inovadora, adequar e renovar as escolas, de modo a responder proativamente às necessidades e aos desafios educacionais que se apresentavam.

Hoje, considerando esse itinerário criativo e a pluralidade de contextos em que a Rede La Salle está inserida com suas obras, articulada como Comunidades Educativas, a elaboração da Matriz Curricular busca estabelecer um diálogo

visando a um processo de reflexões no campo educacional, na estruturação do planejamento pedagógico configurado em torno das competências, habilidades, conhecimentos, atitudes, valores e espiritualidade.

Na missão educativa que nos é confiada, constituímo-nos em uma Rede de Comunidades Educativas, que se constrói e reconstrói pela ação criativa de seus integrantes. As ações pedagógico-acadêmicas, administrativas e pastorais são realizadas a partir do efetivo envolvimento de todos os integrantes em uma dinâmica de diálogo, discernimento, interdependência e colaboração entre os diversos serviços e níveis organizacionais, na busca de respostas adequadas aos desafios que as realidades nos apresentam.

A Rede La Salle, com fidelidade criativa ao carisma, “propõe-se formar cristã e integralmente as crianças, jovens e adultos, mediante ações educativas de excelência”. Como horizonte maior, queremos consolidar-nos em uma Rede de Educação cristã reconhecida por sua excelência educativa.

Na Matriz Curricular para as Competências, procurou-se, em sua construção, consolidar e fortalecer o sentido de pertença à história do

discípulos, através do seu projeto educativo, que propõe entre outros os seguintes diferenciais:

1. Formação Humana: esta inicia com a forma e o modo de organizar o espaço.

Um ambiente acolhedor, acessível, estimulante e desafiador. Esse espaço se qualifica com as relações humanas de qualidade que se estabelecem. As atitudes de cortesia, de boas maneiras, o testemunho de vida, os exemplos, as palavras e procedimentos educativos de seus atores, como escreve o Santo Fundador. A formação humana foca no desenvolvimento do ser e no seu cuidado permanente. Aprender o respeito aos limites do próprio corpo e

o dos outros. Além da base das ciências

naturais, da arte, dos esportes, da dança,

aprender sobre a maravilha e o mistério

do corpo e seu adequado cuidado,

para, em tudo o que somos, sentimos,

ouvimos, saboreamos, tocamos,

cheiramos, aprendemos, fazemos,

sonhamos, imaginamos, percebemos,

desejamos, divertimo-nos e sofremos,

fortalece a conduta social e pessoal

na arte de bem viver. O aprendizado

do respeito a si mesmo implica no

desenvolvimento das competências

e habilidades socioemocionais, para

a convivência com outros, no espaço

comum e o cuidado com o planeta. La

Salle apontou que os educadores devem

ajudar os alunos a cultivar, de modo

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crítico, sonhos, utopias e horizontes que impulsionam o ser humano a desenvolver a capacidade de resiliência, de superação, ir além do tangível, do material e do limitado. Através do seu ser, do seu agir, de seu conviver e de seu proceder, os alunos podem desenvolver um sentido para a própria existência e um caminho possível e viável de humanização.

2. Formação Cristã: toda formação humana está permeada pelo “olhar da fé”.

Porque nos reconhecemos como filhos de Deus e Irmãos entre nós, fundamentados em dois ensinamentos de Jesus de Nazaré: “Amem-se uns aos outros como

eu vos tenho amado” (Jo 13,34-35) e

“façam aos outros o que gostariam que fizessem a vocês” (Mt 7,12). La Salle e seus primeiros Irmãos optaram por um modelo pedagógico educacional fundamentado no Evangelho e na vida dos Santos e, portanto, com uma mediação eclesial para a evangelização e formação cristã. A educação da tendência humana à transcendência requer o cultivo da mística, da espiritualidade e da vivência dos valores evangélicos. A fé como dom de Deus e, como tal, não depende de intervenções humanas. Mas a resposta que a pessoa vai dar a esse dom, pode ser

educada, para que seja sempre mais livre, aberta e iluminadora de toda a existência.

A dimensão da fé expressa o modo como encaramos a vida e no zelo encontramos o desabrochar dessa mesma fé.

3. Conhecer o Aluno: princípio básico da pedagogia lassalista. Conhecer cada aluno e oferecer uma atenção diferenciada.

Optar por realizar a educação centrada no aluno, é pronunciar-se pela pessoa humana. Essa opção se fundamenta no

“princípio da encarnação de Jesus de Nazaré”, reconhecendo que a condição humana é querida e amada por Deus.

O fundador coloca, com clareza, Jesus o Bom Pastor, como referência e modelo para os educadores, como ele bem o expõe na Meditação 33. Conhecer cada aluno para discernir como lidar com ele, como atuar no processo educativo, para agir “com firmeza de pai e com ternura de mãe” (Meditação 101.3), procurando sempre, junto com o desenvolvimento cognitivo, “tocar, mover os corações”.

4. Relação Educativa Fraterna: o amor é a base da pedagogia lassalista. O princípio da fraternidade foi uma opção pedagógica, tanto da relação dos Irmãos entre eles, bem como, dos Irmãos com os alunos. A fraternidade é uma das marcas mais importantes do sistema educativo lassalista. A Escola como laboratório de aprendizagem e de fraternidade. Como expressa o evangelista João, “Deus é

amor”, basta testemunhar com a vida o amor, que Deus estará sendo revelado aos alunos. As crianças devem aprender a “serem delicadas e gentis umas com as outras, perdoando-se mutuamente, assim como Deus lhes perdoou por Jesus Cristo. E que se amem reciprocamente, a exemplo do amor com que Jesus Cristo as amou” (Med 198.3,2).

5. Currículo Centrado no Aluno: no

“Guia das Escolas Cristãs”, os Irmãos compreendem e expressam que no coração de sua tarefa educativa estão as crianças e os jovens que serão instruídos.

Centram a tarefa educativa na criança.

O ensino e a aprendizagem ocorrem a partir do que os alunos vivem e do que necessitam para bem viver na sociedade.

Na escola lassalista, o currículo consiste

em uma construção coletiva, intencional

e aberta, em um sistema complexo,

articulado e dinâmico, que considera a

família, a comunidade, a sociedade, a

Igreja e a contemporaneirade. Ele se

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expressa em um conjunto integrado e articulado de situações, experiênicas e dinâmicas de aprendizagem, que são planejadas de modo a promover aprendizagens significativas dos estudantes, em todos os níveis de ensino, com vistas ao seu desenvolvimento integral.

6. Formação Docente: o fundador, movido pela compaixão e o abandono das crianças, comprometeu-se, inicialmente, na formação docente e na organização das escolas. Na ausência de professores formados, teve que formá-los na ação, e organizou o primeiro seminário de formação docente, destacando a dignificação e o reconhecimento da importância do educador. Para La Salle, o Educador verdadeiro dos alunos é Jesus Cristo, por meio do Espírito Santo. Diante dos alunos, o educador é embaixador, ministro, anjo da guarda, pastor e representante de Jesus Cristo. A formação dos educadores é a chave para o êxito em educação. O Educador deve chegar a ser modelo de identificação para seus alunos. A formação deve integrar todas as dimensões da pessoa.

Deve resgatar a imagem e consciência de sua dignidade, em um espírito associativo, colaborativo, com uma identidade e pertença coletiva. O ser e o fazer dos educadores implica em um conjunto de atitudes e virtudes a serem adquiridos e desenvolvidos, bem como,

de outros que devem ser eliminados, para o bom funcionamento do trabalho pedagógico. A prática docente para uma educação democrática, requer a formação criteriosa, fundamentada, que possa preparar para o magistério competente.

7. Escola em Pastoral: a proposta educativa de La Salle é toda ela de cunho teológico-pastoral: Jesus é o educador, os alunos são discípulos de Jesus, a sala de aula é um lugar teológico, “onde duas ou mais pessoas estão reunidas em meu nome eu estou no meio delas” como afirma Jesus (Mt, 18,17). A escola é uma Comunidade Educativa onde a interação fraterna e a cooperação concretizam o amor de Deus. É a atenção constante

para a humanização de toda realidade educacional, vigiando sobre a estrutura, sobre os educadores e educandos, sobre as metodologias, para que a prática educativa reafirme a identidade cristã e lassalista.

8. Inovação Pedagógica: a característica fundamental da pedagogia lassalista é a seriedade com que é encarado o ato de educar. O empenho de oferecer aos alunos uma aprendizagem rigorosa. E, por isso, planejar um conteúdo seletivo, de qualidade, claramente definido e sequencialmente organizado, empregando metodologias consideradas as mais adequadas para o desenvolvimento das habilidades e competências de cada aluno. Da mesma forma, discernindo e utilizando recursos didático-pedagógicos (tecnologias) em ambientes diversos que envolvam o educando, para que seja responsável pelas próprias aprendizagens. A forma participativa e colaborativa de implicar os docentes na práxis pedagógica.

9. Espaço e a Organização Escolar:

“É preciso que a escola vá e funcione bem”, destacava La Salle, pelo qual cuidou do espaço físico da escola e da sala de aula, associando as suas condições satisfatórias à realização das aprendizagens. A dimensão organizativa é essencial para o bom funcionamento da escola. A disciplina é condição e requisito ao “trabalho”

de aprender. O sentido de “trabalho”

aplica-se à aprendizagem, observando que a ação e reação ao conhecimento solicitam, de quem aprende, a atenção, a disposição e concentração, ou seja, um conjunto de condições no interesse

de que se organize para aprender. A escola lassalista observa o princípio das metodologias múltiplas, ou seja, da utilização de metodologias variadas, escolhendo-se as mais indicadas para o conteúdo, o aluno e o contexto.

10. Comprometimento Família-escola:

a interação escola e família é, segundo

La Salle, vital para a boa educação

dos filhos-alunos. Proporcionar uma

comunicação ativa e uma parceria com a

família, fortalecem os laços de confiança

e de credibilidade no projeto pedagógico

que a escola assume e propõe.

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Sem omitir sua especificidade como missão educativa, a Rede La Salle sempre fez esforço em atualizar e partilhar o carisma, mantendo um diálogo atento e aberto com cada contexto, em um esforço de acolher, compreender e responder aos desafios e demandas. Atenta e impressionada com as urgências educativas, busca responder com criatividade e inovação, integrando as referências dos Marcos Internacionais para a educação, articulando processos e organizando o currículo para formar as pessoas nesta dinâmica. Segue mandala que integra e articula essas referências:

Fonte: Assessoria Educacional Rede La Salle

- Cuidar e Educar “Ensinar a bem viver”;

- “Que a Escola vá bem”. SJBL

COMUNIDADE EDUCATIVA

- Autoconhecimento;

- Autocuidado;

- Espiritualidade;

- Mística;

- Sentido;

- Valores.

- Gratuidade; - Responsabilidade Social; - Compromisso Solidário.

SER VIÇO

- Empatia/cooperação;- Expressar-se/partilhar;- Sentimentos e experiências.

FRA TERNID ADE

- Visar a convivência sustentável e a transformação social;

- Mobilizar atitudes;

- Resolver problemas.

- Mobilizar habilidades;

- Ser empreendedor;

- Construir projeto de vida.

- Mobilizar conhecimento;

- Ser protagonista no processo de apropriação;

- Construção e reconstrução do conhecimento.

- Ser integral e integrador;

- Mobilizar valores e espiritualidade;

- Ser criativo;

- Ser cidadão de deveres;

- Ser autônomo;

- Ser democrático;

- Ser protagonista.

APRENDIZ

APRENDER A

CONHECER APRENDER A SER

APRENDER

A FAZER APRENDER A CONVIVER

REFERÊNCIAS DOS MARCOS INTERNACIONAIS PARA A EDUCAÇÃO

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O Projeto Pedagógico da Matriz Curricular da Educação Infantil da Rede La Salle Brasil foi construído coletivamente e resulta da participação de cada Comunidade Educativa, composta pelas suas respectivas equipes: Direção, Supervisão Pedagógica, Coordenadores, Professores e Colaboradores do Corpo Técnico-Administrativo, adequando-se às mudanças ocorridas na educação nos últimos anos.

Neste sentido, a Rede La Salle apresenta uma proposta curricular que visa o processo de ensino e aprendizagem relevante para as necessidades atuais dos estudantes e da sociedade. Propõe um aprendizado centrado no estudante e orientado pela simbologia CHAVE que busca adentrar o significado do “poder”

no processo das aprendizagens que entrelaçam competências, habilidades, atitudes, valores e espiritualidade.

Esse conjunto é desenvolvido de forma articulada, com o propósito de uma formação cidadã, humana, ética, justa e solidária para aprender a aprender, aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser.

A Rede La Salle entende a construção da Matriz Curricular para as Competências como um processo intenso e dinâmico, essencial e intencional na busca contínua da qualidade na educação

como o desenvolvimento da capacidade de mobilizar recursos conceituais, procedimentais, atitudinais e valores para resolução de situações complexas da vida.

Esse processo contribui para a formação de um ser humano integral e integrador, visando à convivência sustentável, à transformação social, formando cidadãos preparados para atender as demandas da sociedade, constituindo assim a missão desta Instituição. Nesse contexto, o conteúdo é parte do processo gradativo de desenvolvimento para se chegar a habilidades e competências, com foco na aprendizagem, que supera as dicotomias de memorizar, decorar.

As competências gerais, também descritas na BNCC, inter-relacionam-se com a Proposta Educativa Lassalista, e desdobram-se no tratamento didático nas três etapas da Educação Básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio), articulando-se na construção de conhecimentos, no desenvolvimento de habilidades e na formação de valores e atitudes descritas a seguir:

PENSAMENTO CIENTÍFICO,

CRÍTICO E CRIATIVO

EMPATIA E

COOPERAÇÃO

AUTOCONHECIMENTO E AUTOCUIDADO REPERTÓRIO

CULTURAL

TRABALHO E PROJETO DE VIDA COMUNICAÇÃO

ARGUMENTAÇÃO

RESPONSABILIDADE E CIDADANIA CONHECIMENTO

CULTURA DIGITAL

COMPETÊNCIAS

GERAIS

(16)

ELEMENTOS

CONSTITUTIVOS DA MATRIZ CURRICULAR PARA AS COMPETÊNCIAS

Matriz Curricular para as Competências, à luz dos princípios lassalistas e atendendo as legislações vigentes, reconhece a educação como um compromisso com a formação e o desenvolvimento humano global, em suas dimensões intelectual, física, afetiva, social, ética, moral e simbólica.

Evidencia também o papel do cuidar e educar como uma educação integrada, baseada no respeito às diversidades, valorizando o desenvolvimento das relações humanas, respeitando as peculiaridades de cada indivíduo e oportunizando o desenvolvimento de competências e situações de aprendizagem significativas e prazerosas.

Como concepção de cuidar e educar, compreende que o direito à educação parte do princípio da formação da pessoa em sua essência humana. Trata- se de considerar o cuidado no sentido profundo do que seja acolhimento de todos – crianças, adolescentes, jovens e adultos – com respeito e atenção adequada para estudantes com deficiência, jovens e adultos defasados na relação idade-escolaridade, indígenas, afrodescendentes, quilombolas e

povos do campo. Educar exige cuidado;

cuidar é educar, envolvendo acolher, ouvir, encorajar, apoiar, no sentido de desenvolver o aprendizado de pensar e agir, cuidar de si, do outro, da escola, da natureza, da água, do planeta. Educar é, enfim, enfrentar o desafio de lidar com gente, isto é, com criaturas tão imprevisíveis e diferentes quanto semelhantes, ao longo de uma existência inscrita na teia das relações humanas, neste mundo complexo.

Educar com cuidado significa aprender a amar sem dependência, desenvolver a sensibilidade humana na relação de cada um consigo, com o outro e com tudo o que existe, com zelo, ante uma situação que requer cautela em busca da formação humana plena.

Além disso, tem o papel complementar para assegurar as aprendizagens essenciais definidas para cada etapa da educação básica, uma vez que tais aprendizagens só se materializam mediante o conjunto de decisões que caracterizam o currículo em ação. São essas decisões que vão adequar as proposições da MCC à realidade local, considerando as orientações da Mantenedora, para o alinhamento de procedimentos de Rede, como também o contexto e as características dos estudantes.

Essas decisões, que resultam de um processo de envolvimento e participação das famílias e da comunidade, referem- se, entre outras ações, a:

a) Contextualizar os conteúdos dos componentes curriculares, identificando estratégias para apresentá-los, representá-los, exemplificá-los, conectá- los e torná-los significativos, com base na realidade do lugar e do tempo nos quais as aprendizagens estão situadas, considerando os campos de experiências, os eixos de formação e as dimensões de formação;

b) Decidir sobre formas de organização interdisciplinar dos componentes curriculares e fortalecer a competência pedagógica, adotando estratégias mais dinâmicas, interativas e colaborativas em relação à gestão do ensino e da

aprendizagem, tendo presente a relação dos temas integradores com as dez competências elencadas pela BNCC;

c) Escolher e aplicar metodologias e estratégias didático-pedagógicas diversificadas, recorrendo a ritmos diferenciados e a conteúdos complementares, se necessário, para trabalhar com as necessidades de diferentes grupos de alunos, suas famílias e cultura de origem, suas comunidades, seus grupos de socialização etc.;

d) Conceber e pôr em prática situações e procedimentos para motivar e engajar os alunos nas aprendizagens;

e) Construir e aplicar procedimentos de avaliação formativa de processo ou de resultado que levem em conta os contextos e as condições de aprendizagem, tomando tais registros como referência para melhorar o desempenho da escola, dos professores e dos alunos;

f) Selecionar, produzir, aplicar e avaliar recursos didáticos e tecnológicos para apoiar o processo de ensinar e aprender;

g) Criar e disponibilizar materiais de

orientação para os professores, bem

como manter processos permanentes

de formação docente que possibilitem

contínuo aperfeiçoamento dos processos

de ensino aprendizagem.

(17)

O Ensino Fundamental, com nove anos de duração, é a etapa mais longa da Educação Básica. Atende estudantes entre 06 e 14 anos de idade. Há, portanto, crianças e adolescentes que, ao longo desse período, passam por uma série de mudanças relacionadas ao aspecto físico, cognitivo, afetivo, social, emocional, entre outros. Como já indicado nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de Nove Anos, na Resolução CNE/CEB nº 07/2010, essas mudanças impõem desafios à elaboração de currículos para essa etapa de escolarização, de modo a superar as rupturas que ocorrem na passagem, não somente entre as etapas da Educação Básica, mas também entre as duas fases do Ensino Fundamental: Anos Iniciais e Anos Finais.

EDUCAÇÃO INFANTIL

• O eu, o outro e o nós

• Corpo, gestos e movimentos

• Traços, sons, cores e imagens

• Escuta, fala, linguagem e pensamento

• Espaços, tempos, quan�dades, relações e transformações

ENSINO MÉDIO

• Trabalho

• Ciência

• Tecnologia

• Cultura

ENSINO MÉDIO

• Letramentos e capacidade de aprender

• Solidariedade e sociabilidade

• Pensamento crí�co e projeto de vida

• Intervenção no mundo natural e social

ENSINO FUNDAMENTAL I E II

• Letramentos e capacidade de aprender

• Leitura do mundo natural e social

• É�ca e pensamento crí�co

• Solidariedade e sociabilidade

ÁRE AS DE C ONHE CIMENT O • Linguag ens • Ma te má �c a • Ciê ncias da N atur ez a • Ciências Humanas TEMAS INTE GRADORE S • E conomia, e duc aç ão finance ira e sus te nt abilidade • Cultur as indíg enas e a fric anas • Cultur as digit ais e c omput aç ão • Dir eit os humanos e cidadania • E duc aç ão ambie nt al

EIXOS DE F ORMAÇÃ O DIMENSÕE S DE FORMA ÇÃO

CAMPOS DE EXPERIÊNCIAS

(18)

ENSINO FUNDAMENTAL - ANOS FINAIS

É importante considerarmos que a transição entre os Anos Iniciais e Anos Finais do Ensino Fundamental requer muita atenção, para que haja a apropriação das diferentes lógicas de organização dos conhecimentos relacionados às áreas do conhecimento, tendo em vista a maior especialização dos vários componentes curriculares que constituem cada área.

É preciso retomar e ressignificar as aprendizagens do Ensino Fundamental, anos iniciais, visando aprofundar e ampliar os repertórios dos estudantes.

Para ampliar e aprofundar as complexidades desse nível, é importante a integração e a continuidade dos processos de aprendizagens das fases ou etapas anteriores.

Essa transição se caracteriza por mudanças pedagógicas na estrutura organizativa curricular, decorrente principalmente da diferenciação dos componentes curriculares. Como bem destaca o Parecer CNE/CEB nº 11/2010,

“os alunos, ao mudarem do professor unidocente dos anos iniciais para professores especialistas dos diferentes componentes curriculares, costumam se ressentir diante das muitas exigências que têm de atender, feitas pelo grande número de docentes dos anos

finais” (BRASIL, 2010). Atendendo as necessárias adaptações e articulações, tanto no 5º ano quanto no 6º ano, para apoiar os alunos nesse processo de transição, pode evitar rupturas no processo de aprendizagem, propiciando assim, maiores condições de sucesso.

Nesse sentido, a Comunidade Educativa pode contribuir para o delineamento do projeto de vida dos estudantes, ao estabelecer uma articulação, não somente com os anseios desses jovens em relação ao seu futuro, como também, com a continuidade dos estudos no Ensino Médio. Esse processo de reflexão sobre o que cada jovem quer ser no futuro e do planejamento de ações para construir esse projeto de futuro, pode representar mais uma possibilidade de desenvolvimento pessoal e social.

É importante fortalecer a autonomia desses adolescentes, oferecendo- lhes condições e ferramentas para acessarem e interagirem criticamente com diferentes conhecimentos e fontes de informação.

O currículo do Ensino Fundamental é constituído pelas experiências escolares e seus atravessamentos que se integram nas áreas do conhecimento.

Estas são permeadas pelas relações sociais, buscando articular as vivências e os conhecimentos dos alunos com os saberes historicamente acumulados,

contribuindo para a construção da identidade do estudante.

Os Anos Finais apresentam complexidades maiores, o que requer dos estudantes maior apropriação das diferentes lógicas de organização dos conhecimentos relacionados às áreas. Tendo em vista essa maior especialização, é importante, nos vários componentes curriculares, retomar e ressignificar as aprendizagens, visando ao aprofundamento e à ampliação de repertórios.

Conforme reconhecem as Diretrizes Curriculares Nacionais, é frequente, nessa etapa, observar forte adesão aos padrões de comportamento dos jovens da mesma idade, o que é evidenciado pela forma de se vestir e pela linguagem utilizada por eles. Isso requer dos educadores maior disposição para entender e dialogar com as formas próprias de expressão das culturas juvenis, cujos traços são mais visíveis, sobretudo, nas áreas urbanas mais densamente povoadas (BRASIL, 2010).

As experiências abrangem todos os aspectos do ambiente escolar. Aqueles que compõem a parte explícita do currículo nas áreas do conhecimento e em seus respectivos componentes, bem como, os que também contribuem, de forma implícita, para a aquisição de conhecimentos socialmente relevantes.

Em relação aos aspectos podem ser considerados: os valores, as atitudes, a sensibilidade, as orientações de conduta, que são veiculados não só pelos conhecimentos, mas por meio de rotinas, rituais, normas de convívio social, festividades, distribuição do tempo, organização do espaço educativo, materiais utilizados para as aprendizagens, recreios, enfim, pelas vivências proporcionadas pela escola.

Estas experiências escolares

com seus atravessamentos servem de

elementos para a formação ética, estética

e política do estudante, transformando o

seu itinerário formativo.

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Princípio Ético

De justiça, solidariedade, liberdade e autonomia;

de respeito à dignidade da pessoa humana e de compromisso com a promoção do bem de todos, contribuindo para combater e eliminar quaisquer manifestações de preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Princípio Estético

Cultivo da sensibilidade juntamente com o cultivo da racionalidade; do enriquecimento das formas de expressão e do exercício da criatividade; da valorização das diferentes manifestações culturais, especialmente da cultura brasileira; da construção de identidades plurais e solidárias.

Princípio Político

De reconhecimento dos direitos e deveres de cidadania, de respeito ao bem comum e à preservação do regime democrático e dos recursos ambientais; da busca da equidade no acesso à educação, à saúde, ao trabalho, aos bens culturais e outros benefícios; da exigência de diversidade de tratamento para assegurar a igualdade de direitos entre os alunos que apresentam diferentes necessidades; da redução da pobreza e das desigualdades sociais e regionais.

PRINCÍPIOS DO ENSINO FUNDAMENTAL - ANOS FINAIS

As propostas pedagógicas do Ensino Fundamental - Anos Finais devem respeitar os seguintes princípios:

Fonte: Resolução CNE/CEB Nº 07/2010

De acordo com esses princípios, da proposta educativa lassalista e em conformidade com as legislações vigentes, o Ensino Fundamental - Anos Finais, visa desenvolver o educando, assegurando- lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania, fornecendo-lhe também, meios para a progressão de suas aprendizagens, mediante aos seguintes objetivos:

I - O desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;

II - A compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, das artes, da tecnologia e dos valores em que se fundamenta a sociedade;

III - o desenvolvimento da capacidade da aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades, e a formação de atitudes e valores;

IV - O fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.

Na organização curricular articulamos a concepção do estudante, como um sujeito social, histórico e protagonista do processo de aprendizagem, ocupando um lugar social e político na escola e na vida. Também, durante esta etapa, ele necessita fortalecer sua identidade. Acreditamos que é capaz de aprender, interagir e transformar suas necessidades. Ele requer estímulos, desafios e afeto para conhecer e enfrentar as situações cotidianas. Possui uma natureza singular que o caracteriza como ser que sente e pensa o mundo de um jeito muito próprio, necessitando ser compreendido e respeitado. Demonstra a dimensão de ludicidade de forma ativa. Ao mesmo tempo, é questionador, curioso e criativo.

Fonte: Resolução CNE/CP Nº 02/2017

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A Rede La Salle entende a Educação como um direito fundamental e universal, um itinerário intencional e sistemático de humanização, de desenvolvimento da pessoa, constituída de muitas aprendizagens, que dão unidade à vida.

A adolescência, como uma etapa das “juventudes”, é uma fase transitória no ciclo de vida do desenvolvimento humano que se caracteriza por um conjunto de intensas transformações biológicas, atitudinais, emocionais e de valores, que requerem acompanhamento, cuidado, proteção e estruturação processual de sua identidade. Trata-se de uma fase rica em novas descobertas, aprendizados, desafios, decisões e de intensidade nos relacionamentos e emoções.

É na Comunidade Educativa, como espaço de aprendizagem, que o estudante vivencia possibilidades de aprender em sua singularidade e em um contexto de pluralidade. Neste espaço o cuidar está integrado ao ato de educar, abrangendo os aspectos físicos, emocionais, sociais e cognitivos. O cuidado é uma expressão da amorosidade e escuta atenta que perpassam os vínculos afetivos, as relações de confiança e a segurança nas rotinas diárias.

O currículo é concebido como um

processos intencionais desenvolvidos dentro e fora da instituição escolar. É desenvolvido com a participação da comunidade educativa e das famílias.

A aprendizagem é ativa e significativa quando avança em espiral, de níveis mais simples para mais complexos de conhecimento e competências em todas as dimensões da vida. Esses avanços realizam-se por diversas trilhas com movimentos, tempos e espaços diferentes, que se integram como mosaicos dinâmicos, com diversas ênfases, cores e sínteses, frutos das interações pessoais, sociais e culturais em que estamos inseridos.

Na maioria das situações de aprendizagens espera-se resultados nos três domínios - no cognitivo, no afetivo e no psicomotor, com isso, a importância do ensino voltado para o desenvolvimento integral do estudante, porque a aprendizagem envolve o pensar, o sentir e o agir.

O processo da aprendizagem advindo da construção do conhecimento nos espaços escolares, requer a valorização, e respeito à motricidade, às emoções, às múltiplas linguagens e pensamentos, ao ritmo pessoal, à criatividade, aos interesses, às experiências, às habilidades, aos valores, à capacidade cognitiva e simbólica,

cultural e social. Assim, a aprendizagem é fenômeno individual e as principais transformações iniciam desde antes

do nascimento e acompanham todo o percurso da vida.

APRENDER A CONHECER APRENDERA CONVIVER

PRA

ENDER

A SER

APREN D FER A

ZA ER

COMPETÊNCIAS COGNITIVAS

COMPE

TÊNCIAS AFETIVAS

ORALIDADE

ALFAB ETIZ

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LETRAMENTO SOLIDARIEDADE

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(21)

DESENVOLVIMENTO NA FÉ, NO PSICOSSOCIAL E COGNITIVO

Nesse período da vida, os pré- adolescentes e adolescentes estão vivendo mudanças importantes em seu processo de desenvolvimento que repercutem em suas relações consigo mesmo, com os outros e com o mundo.

As mudanças típicas dessa fase da vida, implicam a compreensão do pré-adolescente e adolescente como sujeitos em desenvolvimento, com singularidades e formações identitárias e culturais próprias, que demandam práticas escolares diferenciadas, capazes de contemplar suas necessidades e diferentes modos de inserção social.

Uma característica marcante dos estudantes, nesta fase, é a transição.

Agora são pré-adolescentes e não mais crianças. Mas também, não possuem a maturidade emocional e física que os qualificam na categoria de jovens. Às vezes, agem como crianças, mas ficam chateados quando assim considerados.

Eles vivem as mais fantásticas aventuras e experiências, sentem a necessidade de serem liderados por pessoas que os compreendam e os ajudem a conhecerem a si mesmos. Pessoas que inspiram confiança.

Percebe-se uma diferença significativa no ritmo de desenvolvimento físico entre as meninas e os meninos. As meninas, algumas já entram na fase menstrual e já não se sentem mais crianças. Enquanto que os meninos estão mais focados em atividades e se divertem com atividades mais brutas e desafiadoras. As meninas mostram-se mais reservadas e preferem atividades mais calmas.

Nesta fase, demonstram muita vitalidade, curiosidade e fazendo muitas perguntas. Mostram muito interesse em conhecer, ler e ouvir a respeito de heróis. Têm boa memória, embora ainda tem dificuldades de um pensar mais rigoroso e sistêmico.

Possuem consciência de tempo, espaço e distâncias. Sentem uma enorme necessidade de pertencer a um grupo e que lhes dê acolhida e segurança.

Sofrem muito ao se sentirem excluídos de um grupo. A maioria prefere seu grupo mais que a própria família.

Gostam de se organizar em grupos do mesmo sexo. São sensíveis e solidários, bem como, em momentos mostram desprezo e são agressivos. Demonstram serem justos e lutam pelos direitos do grupo.

No desenvolvimento emocional/

afetivo oscilam e são instáveis.

Transitam muito rápido do bom

humor, para a demonstração de inconformidade e até de rejeição. Vão aos extremos. São alegres, mergulham na amizade em excesso e, de repente, voltam-se contra os melhores amigos.

Em momentos são calmos, centrados e rapidamente voltam-se agitados, preocupados e dispersos. Gostam de

demonstrar valentias e participar de atividades empolgantes.

Em todos os anos desse

nível, esses fatores mencionados

acima, frequentemente dificultam a

convivência cotidiana e a aprendizagem,

conduzindo ao desinteresse e à

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alienação e, não raro, à agressividade e ao fracasso escolar. É necessário que a Comunidade Educativa dialogue, articule e planeje a formação e oportunize vivências para enfrentar com sucesso os desafios de seus propósitos educativos.

A compreensão dos estudantes como sujeitos com histórias e saberes construídos nas interações com outras pessoas, tanto do entorno social mais próximo, quanto do universo da cultura midiática e digital, fortalece o potencial da escola como espaço formador e orientador para a cidadania consciente, crítica e participativa.

Quanto ao desenvolvimento psicopedagógico, os seres humanos apresentam características específicas conforme a faixa etária, que auxiliam na compreensão de sua personalidade e na construção do processo educacional.

A teoria do desenvolvimento dos estágios da fé, sistematizada por James Fowler (1992), conceitua o viver humano como aquele que gira em torno de perguntas de fé, que possibilitam chegar a ter um sentido para a vida. No campo da psicologia evolutiva, Fowler baseia-se, sobretudo, em Erikson, em Piaget e em Kohlberg.

Fowler mostra que, ao longo dos ciclos da vida, nossa maneira de crer

muda e que nestas mudanças há uma espécie de padrão universal que indica não o caminho percorrido por todas as pessoas, mas um certo potencial em termos de fé. Para o autor, fé é acima de tudo um universal humano.

Fowler (1992) parte da concepção de uma fé humana, como fundamental para o desenvolvimento de um sentimento religioso ou de uma fé religiosa. O termo fé apresenta-se como algo complexo e engloba uma dimensão universal. Desde o nascimento o ser humano é dotado de capacidades inatas para a fé e estas capacidades são desenvolvidas dependendo de como o bebê é recebido e acolhido no mundo, bem como, do modo da interação social no seu ambiente.

A fé é interativa e emerge das primeiras experiências da vida humana.

Na interação entre pais e filhos, de acordo com Fowler, a criança começa a desenvolver um vínculo de confiança e lealdades mútuas e na sua relação com o ambiente “sente o novo e estranho ambiente como um ambiente que é confiável e providente, ou arbitrário e negligente” (FOWLER, 1992).

Para uma maior compreensão de sua teoria, Fowler apresenta a explicação sobre um padrão triádico da fé, na qual integra o eu, o outro e o centro de valor e poder compartilhados.

Esse padrão refere-se ao modo como a pessoa se compromete no relacionamento, expandindo-se para as relações significativas, nas quais, coloca o seu coração em pessoas, em causas, em instituições que possam sustentar e dar sentido às suas vidas.

Nessa interligação flui o sentimento de confiança e lealdades mútuas, possibilitando a constituição da identidade da pessoa. Nesse processo, muitas mudanças acontecem e o ser humano também experimenta, fora da

família ou do seu ambiente primeiro, de outras tríades de fé, com os seus diferentes centros de valor e poder.

As sementes da confiança,

coragem, esperança e amor fundem-se

de uma forma indiferenciada e disputam

com ameaças de abandono sentidas pelo

bebê e com inconsistências e privações

do ambiente da criança. Embora seja

realmente um pré-estágio e em grande

parte inacessível à pesquisa empírica

do tipo por nós realizada, a qualidade

da mutualidade e a força da confiança,

(23)

autonomia, esperança e coragem (ou seus opostos) desenvolvidas nesta fase, estão subjacentes a (ou ameaçam solapar) tudo que virá mais tarde no desenvolvimento da fé (FOWLER, 1992).

Baseado em Paul Tillich e Richard Niebuhr, Fowler entende por fé aquilo em que colocamos nosso coração, ou em outras palavras, aquilo que nos toca incondicionalmente, servindo como “centro de valor e de poder”.

Nesse sentido, as perguntas de fé estão presentes na vida de cada pessoa,

independentemente de ela confessar-se religiosa ou não religiosa. São, no fundo, as perguntas pelo sentido da vida, que, de uma ou outra forma, precisam ser respondidas.

Fowler (1992) enfatiza a existência de “estágios da fé”, destacando a forma gradativa em que a fé evolui, sendo assim, um elemento que está em constante transformação.

Esclarecer que os estágios da fé não são uma maneira de medir a fé das pessoas, nem ao menos desejo de

avaliá-la. Eles não se auto intitulam um alvo que o ser humano deve desesperadamente alcançar. Os estágios da fé permitem uma ampla relação com o universo humano e sua percepção do divino e as “experiências do sagrado”.

O objeto de expressão da fé mística ultrapassa toda e qualquer possibilidade de expressão racional.

As profundezas da alma humana constituem o ponto de ligação entre o infinito e o finito. É na mística que o homem necessita desvincular-se das inquietações provisórias e ir ao encontro da preocupação última.

Fowler apresenta esses estágios num movimento espiral ascendente, em que cada novo estágio resgata, amplia, reestrutura e incorpora aspectos dos estágios anteriores. Daí a importância de o educador cristão conhecer os estágios que antecedem a faixa etária em que atua, para identificar facilidades e dificuldades possíveis no desenvolvimento do processo de aprendizagem na fé.

Segundo o autor, nossa adaptação no mundo em que entramos com o nascimento depende do progresso de nossa maturação global, bem como, da interação com o ambiente.

No Pré-estágio - Fé Primal ou Indiferenciada, que vai de 0 aos 02

anos de idade. In útero e nos primeiros meses após o nascimento. A base para o desenvolvimento da fé fundamenta-se na qualidade da reciprocidade, na força da confiança construída na interação do bebê com a mãe e/ou cuidadores e com o ambiente dos seus primeiros anos de vida. A criança estabelece uma relação de dependência com os adultos, reconhecendo-as como pessoas “poderosas” para nutrir as suas necessidades e desejos. As primeiras imagens de Deus estão ancoradas nessa relação primeira.

No Pré-estágio, chamado Lactância, da criança até os 3 anos, o relacionamento mútuo mãe-filho desenvolve a fé como sendo confiança, autonomia, esperança e coragem.

O Estágio 1 - Fé Intuitivo-Projetiva, da primeira infância, de 03 a 06 ou 07 anos, as crianças recorrem à fantasia e imaginação para se relacionar com os outros. As narrativas por parábolas contribuem para o nascimento da imaginação. O realismo das narrativas ajuda as crianças a externalizarem ansiedades e acharem imagens ordenadoras para sua vida.

O Estágio 2 - Fé Mítico-Literal - Infância

- dos 07 aos 12 anos, a criança começa

a assumir para si as estórias, crenças e

observâncias que simbolizam pertença

à sua comunidade. As crenças são

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Referências

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